Prévia do material em texto
Julia Catarina – 6 semestre ANATOMIA E ESTRUTURA DO OLHO DIVISÃO ANATOMICA • Túnica fibrosa: Córnea, esclera e limbo. Ela é densa, escassamente vascularizada e homóloga à dura-máter. Tem a missão de proteger a camada sensorial. • Túnica vascular: Íris, corpo ciliar e coroide. A túnica vascular recebe este nome por ser abundante em vasos sanguíneos. É homóloga à pia- máter. • Túnica sensorial: retina e epitélio pigmentar retiniano ESCLERA • Parte opaca e branca, reveste a maior parte do globo ocular, conferindo proteção e forma. • A conjuntiva bulbar recobre a esclera na parte visível do olho e é rica em vasos sanguíneos, ao contrário da própria esclera, que é pouco vascularizada. • Entre a esclera e a conjuntiva tem a episclera. CÓRNEA • Parte anterior e transparente • Responsável por 2/3 do poder refrativo do olho, ou seja, capacidade de desviar os raios luminosos. • Uma inflamação da córnea é chamada de ceratite. Emergência oftálmica. LIMBO • Marca a transição entre a córnea, de um lado, e a esclera e a conjuntiva de outro. • É fartamente suprido de vasos sanguíneos e linfáticos para alimentar a córnea. Julia Catarina – 6 semestre IRIS • Estrutura pigmentada que regula a quantidade de luz que entra no olho, através do diâmetro da pupila. • É importante para dividir o olho em duas regiões anatômicas: câmara anterior (entre íris e córnea) e posterior (entre íris e cristalino). CORPO CILIAR • Ancora o cristalino. • Responsável pela produção do humor aquoso, substancia responsável por preencher a câmara posterior e anterior. • Contém os músculos ciliares - musculatura lisa- responsáveis pela acomodação. COROIDE • Altamente vascularizada, nutre a retina externa e absorve luz para evitar reflexos internos. • A ela cabe a oxigenação das células da camada nervosa da retina. RETINA • Importante para garantir a acuidade visual, onde possui fotorreceptores, cones e bastonetes, que pegam os feixes luminosos e convertem em impulsos nervosos. • O exame usado para analisar essa estrutura é a fundoscopia. EPITÉLIO PIGMENTAR RETINIANO • Está localizado entre a retina e a esclera. • Age como uma barreira para a difusão indiscriminada de material do sangue na coroide para a retina. CAPSULA DE TENON • Cobre o olho desde o nervo óptico até o limbo, situando-se acima da esclera. Nos locais de inserção dos músculos extraoculares, a cápsula de Tenon se reflete para trás e em volta de cada um dos tendões, como um tipo de bainha. CONJUNTIVA • É um tipo de membrana que começa na pálpebra (conjuntiva palpebral), reflete nos fórnices superior e inferior, e cobre a porção anterior do globo ocular (conjuntiva bulbar), terminando no limbo. A conjuntiva bulbar se localiza por cima da cápsula de Tenon. CRISTALINO • Estrutura transparente do olho, responsável por 1/3 da refração luminosa do olho. Julia Catarina – 6 semestre • Estrutura não rígida, que aumenta seu poder refrativo • Ancorado no corpo celular HUMOR VITREO • Substância gelatinosa que preenche o interior do globo ocular, entre o cristalino e a retina. • Mantém a forma esférica do olho e permite a transmissão da luz até a retina. PUPILA • Por onde passam os feixes luminosos LIGAMENTOS ZONULARES • Ligam o cristalino ao corpo ciliar. • Permitem a alteração da curvatura do cristalino durante a acomodação visual (foco para visão próxima) NERVO OPTICO • Estrutura que transporta os impulsos nervosos da retina ao cérebro (lobo occipital). • Transmite a imagem visual percebida para processamento no córtex visual. MÁCULA LÚTEA • Pequena área amarelada da retina. • Responsável pela visão central de alta definição. FÓVEA CENTRAL • Depressão no centro da mácula. • Região de maior acuidade visual, onde há a maior concentração de cones (responsáveis por visão em cores e detalhes). DISCO ÓPTICO • Local de saída do nervo óptico e vasos retinianos. • Não possui fotorreceptores, por isso é uma área sem percepção visual. Julia Catarina – 6 semestre PATOLOGIAS DO CRISTALINO Cristalino • origem nas células do ectoderma de superfície • O cristalino é uma lente transparente, avascular e biconvexa, sendo a sua convexidade anterior menor que a posterior. o A anterior está em contato com a superfície posterior da íris e com a pupila. o a posterior está em contato com o vítreo. • Nutrida pelo humor aquoso e humor vítreo. • É responsável pela focalização dos raios luminosos na retina, contribuindo para a formação de imagem. • Participa ativamente no mecanismo de acomodação, que devido a esclerose e a diminuição da elasticidade tem essa função comprometida • É composto por cápsula, núcleo e fibras corticais (servem pra aumentar ou diminuir a curvatura do cristalino). o o córtex é a região mais externa e o núcleo a região central. • Olho normal: a imagem se forma na retina • Miopia: a imagem se forma na frente da retina. É o grau que mais abaixa a visão e acontece mais em jovens. Julia Catarina – 6 semestre • Hipermetropia: a imagem se forma depois da retina. Não enxerga de perto, só de longe. • Astigmatismo: a imagem se forma em diferentes posições sobre a retina. O globo ocular tem uma deformidade, que faz o raio luminoso ter dois pontos focais. Acomodação • Presbiopia • Perda da elasticidade e do poder de acomodação do cristalino • O indivíduo não percebe mais com nitidez os objetos próximos Catarata • É definida como uma degeneração hidrotrópica das fibras do cristalino. • É a principal causa de cegueira tratável em humanos, e para qual a única forma de tratamento é a cirurgia. o facectomia extracapsular, facectomia intracapsular e a facoemulsificação com implante de lente intraocular. • Para essa melhora é após a implantação de uma lente que substitui o cristalino opacificado e permite a focalização de imagens. • É a opacidade do cristalino por oxidação. • É classificada com base na etiologia- pode ser congênita ou aparecer com o envelhecimento ou pós-trauma nas doenças vasculares ou associadas a doenças sistêmicas; na idade de desenvolvimento, localização e grau de evolução. • Fatores de risco: idade, DM, corticoide, trauma, exposição solar e tabagismo • Quadro clínico: Barramento visual- bilateral, assimétrico e indolor • Classificação: o Nuclear: miopização (começa a enxergar bem de perto) o Cortical: Bravada, se inicia na periferia o Subcapsular posterior: grave, relação com a DM e corticoide • Diagnóstico: teste de Snellin e de Pelli-Robson Julia Catarina – 6 semestre • Tratamento: cirúrgico, quando o paciente julgar necessário. Catarata congênita ou de desenvolvimento • ⅓ dos casos são esporádicos. • Risco de ambliopia (“olhos preguiçosos”/baixa visual) até cegueira irreversível. • Pode ser na: o pirâmide anterior o polar posterior o zonular o lamelar: vista no tétano neonatal o embriopatia infecciosa (viral): Rubéola • Pacientes com Down podem ter catarata congênita • Diagnóstico diferencial é retinoblastoma. • Tratamento: acompanhamento ou cirúrgico. Catarata do adulto • Cortical: catarata mole. Pode ser parcial ou total (cristalino tumefeito, branco leitoso, núcleo deslocado inferior- CATARATA MORGANIANA) • Nuclear: células perdem os núcleos que ficam esclerosados. Além disso, fica com a cor parda ou negra por causa de acúmulo de pigmentos. Essa catarata é tida como manifestação senil • Subcapsular anterior: doença intraocular • Subcapsular posterior: epitélio lenticular migra para baixo da capsula o Pérolas de ELSCHNIG o anel de SOEMMERING Catarata hipermadura • fluido escapa através da cápsula. A lente fica mole e a cápsula enruga. Julia Catarina – 6 semestre Doenças induzidas pelo cristalino • Glaucoma facolítico:glaucoma agudo ou ângulo aberto • Glaucoma na pseudoexfoliação da cápsula Doenças metabólicas • Glucose- sorbitol o Catarata DM: as opacidades podem induzir miopia durante a hiperglicemia • Galactosemia o opacidade inespecífica, verifica-se poucos dias ou meses após nascido. Doenças dermatológicas • Cristalino e pele são da mesma origem embrionária. Pode ocorrer catarata na dermatite atópica, eritema multiforme e eczema. Catarata tóxica • Corticoides em uso crônico que pode causar opacidade Homocistinúria • anormalidades do esqueleto e da estrutura ocular • A causa é deficiência de cistationina sintetase. Síndrome de Marfan • Aracnodactilia é achado obrigatório Síndrome de Weil-Marchsani • Distúrbio do tecido conjuntivo • Pode causar glaucoma inverso por piorar com mióticos e ceder com midriáticos. Patologia da lente intraocular • Pseudofoco • a cápsula posterior é opaca e é mais frequente na pediatria • ocorre por deposição de fibrina • há excesso de luminosidade e distorção da visão Julia Catarina – 6 semestre Retinopatia hipertensiva • A maioria dos casos são crônicos com mudanças da vascularização da retina. • Está correlacionado com o aumento do risco de eventos coronarianos e hipertrofia ventricular • Aumenta o risco de oclusões arteriais e venosas • Pode causar edema macular Retinopatia diabética • segunda doença mais prevalente. • O tempo da doença é o principal fator de risco • Quanto maior o tempo, independente do controle, é maior a chance de desenvolver essa doença • Tratamento: fotocoagulacao a laser e terapia antiangiogenica (medicação intravítrea). o DM tipo 1– 1ª fundoscopia após 5 anos do diagnóstico o DM tipo 2– 1ª fundoscopia após o diagnóstico o Gestação - 1ª fundoscopia após o diagnóstico o Reavaliação 1 vez por ano ou de acordo com a gravidade da retinopatia. Anemia falciforme • Oclusões vasculares (conjuntiva, íris, retina) Fundo albino • O paciente tem nistagmo, tem chances de descolamento de retina toxoplasmose ocular • A toxoplasmose pode levar a uma toxoplasmose ocular, desencadeada por uma baixa de imunidade. • Começa com visão embaciada • Tratamento com antibiótico • De acordo com o locar que afeta, pode afetar a visão mesmo após a cura/cicatrizacao o Na periferia a visão tem mais chance de voltar ao normal. outras doenças • Autoimunes (artrite reumatoide, lúpus, esclerose sistêmica) • Retinotoxicidade pela cloroquina; hidroxicloroquina o É como se necrosasse a retina, e mesmo que com à suspensão do medicamento, pode ser que a visão não volte ao normal. Pode ser irreversível. Julia Catarina – 6 semestre • Uveíte • Neurite óptica o Inflamação do nervo do olho por algumas doenças como esclerose múltiplas infecções (como sífilis, HIV, herpes e tuberculose), tumores cerebrais, intoxicação por metais pesados, doenças autoimunes e doenças reumatológicas (como lúpus eritematoso sistêmico, síndrome de Sjogren e sarcoidose). • Tumores, leucemia • HIV, sífilis • Dermatites • Uso de isotretinoína (Roacutan). Julia Catarina – 6 semestre PATOLOGIAS DA ÚVEA ANATOMIA DA ÚVEA A úvea é o trato vascular do olho, situada entre a esclera (externa) e a retina (interna). É altamente vascularizada e pigmentada, responsável por: • Nutrir estruturas intraoculares (principalmente retina externa). • Regular a entrada de luz. • Produzir humor aquoso. • Participar da resposta inflamatória e imunológica intraocular. Divide-se em três partes: íris, corpo ciliar e coroide. • ÍRIS o Estrutura mais anterior da úvea, visível pela pupila. o Função: controlar a entrada de luz (diafragma ocular). • CORPO CILIAR o Estrutura em anel logo atrás da íris, entre íris e coroide. o Tem duas porções: ▪ Pars plicata: região anterior com processos ciliares → produzem humor aquoso. ▪ Pars plana: região posterior, lisa, transição com a retina (local de cirurgias como vitrectomia). Julia Catarina – 6 semestre • COROIDE o Estrutura mais extensa da úvea, localizada entre a esclera (fora) e a retina (dentro). o Extensão: do nervo óptico até a ora serrata (limite anterior da retina). o Funções: ▪ Nutrir a retina externa (fotorreceptores). ▪ Absorver a luz dispersa (melanina → reduz reflexos). Uveíte Uveíte é a inflamação do trato uveal (íris, corpo ciliar e coroide). Pode acometer: Anterior (íris/corpo ciliar ⇒ irite/iridociclite). A uveíte anterior é a forma mais comum de uveíte • Uveíte Anterior Aguda o Representa ¾ dos casos. Caracteriza-se por um início súbito e duração de três meses ou menos o Os pacientes geralmente sentem dor unilateral, fotofobia, hiperemia e lacrimejamento. o O exame pode revelar miose, o que pode levar à formação de sinequias o A impregnação endotelial (aparência "empoeirada") e a presença de células e "flare" no humor aquoso são sinais de inflamação ativa o O tratamento geralmente envolve o uso de esteroides tópicos e midriáticos Julia Catarina – 6 semestre • Uveíte Anterior Crônica o É caracterizada por inflamação persistente que recidiva rapidamente (em menos de três meses) após a interrupção do tratamento. o Pode ser granulomatosa ou não granulomatosa. o Muitos pacientes são assintomáticos até que complicações como catarata ou ceratopatia em faixa se desenvolvam. o Sinais típicos incluem precipitados ceráticos (depósitos celulares no epitélio da córnea), que podem ser "gordurosos" (mutton-fat) na doença granulomatosa ou se tornarem pigmentados. o O tratamento é mais difícil devido à necessidade de terapia de longo prazo com esteroides tópicos Intermediaria • A uveíte intermediária é uma doença crônica e insidiosa, onde a inflamação envolve a pars plana, a retina periférica e o vítreo. • Pode ser idiopática ou associada a doenças sistêmicas como esclerose múltipla e sarcoidose. • Sinais clínicos são visão embaçada e "moscas volantes" (floaters). • O edema macular cistoide (EMC) é a principal causa de perda de visão nesses casos. • Tratamento principal é com esteroides tópicos ou injeções perioculares Julia Catarina – 6 semestre Posterior (coroidite ± retinite) • A uveíte posterior envolve retinites, coroidites e vasculites retinianas. • Retinite: As lesões ativas são opacidades esbranquiçadas na retina. Podem ser focais, multifocais ou difusas. • Coroidite: As lesões ativas são nódulos redondos e amarelados na coroide. A coroidite pode ser focal, multifocal, geográfica ou difusa. • Vasculite: A vasculite ativa é caracterizada por um manguito perivascular irregular, amarelado ou cinza-esbranquiçado. Pode afetar veias (periflebite) ou artérias (periarterite). • A toxoplasmose é a primeira causa infecciosa de uveíte posterior Difusa/panuveíte (toda a úvea). • A panuveíte é uma das formas menos comuns de uveíte, pode estar associada a várias doenças sistêmicas, como: o Síndrome de Behçet o Sarcoidose o Doença de Lyme o Síndrome Granulomatosa Sistêmica Juvenil Familiar (Síndrome de Blau) o Doença da Arranhadura do Gato Endoftalmite • implica inflamação, geralmente purulenta, envolvendo todos os tecidos intraoculares, exceto a esclera. Panoftalmite • envolve todo o globo, geralmente com extensão orbital TIPOS DE REAÇÕES INFLAMATÓRIAS • Aguda: fenômeno vascular/exsudativo com vasodilatação, edema e neutrófilos; marginação, diapedese e quimiotaxia são marcantes. • Crônica: predominam linfócitos, plasmócitos e macrófagos; endoteliose/proliferação vascular e organização fibrosa na cicatrização. • Granulomatosa: transformação de histiócitos em células epitelioides/giantes, em três “arquiteturas” úteis ao diagnóstico: difusa (ex.: oftalmia simpática, VKH,toxoplasmose), tuberculoide (ex.: sarcoidose, TB miliar) e zonal (ex.: TB caseosa, corpo estranho, uveíte induzida por cristalino). Julia Catarina – 6 semestre Uveítes exógenas (estímulo externo, p.ex. trauma cirúrgico) Agudas supurativas/purulentas Geralmente pós-trauma/cirurgia com porta de entrada microbiana. Há exsudato de câmara anterior com hipópio (fibrina + neutrófilos), podendo alcançar câmara posterior e malha trabecular; Pode haver microabscessos, necrose uveal e rápida progressão para panoftalmite (infecção difusa do olho). Crônicas não granulomatosas Podem seguir trauma cirúrgico/irritantes leves (sangue, proteínas) ou hemorragias intraoculares. É caracterizada como uma reação proliferativa Histologicamente: infiltrado difuso de linfócitos/plasmócitos (muitas vezes com corpúsculos de Russell) e endoteliose; na cicatrização, sinequias íris-trabéculo e íris-cristalino. Crônicas granulomatosas • Oftalmia simpática: panuveíte granulomatosa difusa bilateral após trauma com exposição uveal; patogênese imune mediada por linfócitos T. Clássicos nódulos de Dalen-Fuchs (acúmulos epitelioides entre EPR e Bruch), sem necrose. • Uveíte induzida por cristalino: reação zonal a proteínas do cristalino (após ruptura capsular/facectomia), com células epitelioides, linfócitos e granulação; a íris pode aderir às massas inflamatórias. Uveítes endógenas (doenças sistêmicas/imunes) Granulomatosas de origem infecciosa • Tuberculose: granulomas duros (pouca caseose) ou moles (caseificação), geralmente coroidite multifocal do tipo tuberculoide; BAAR por Ziehl-Neelsen podem ser escassos; em AIDS há granulomas malformados, mais necrose e muitos bacilos. • Hanseníase: padrão difuso com histiócitos de Virchow (BAAR numerosos, Fite-Faraco+); lepromatosa compromete sobretudo segmento anterior. • Sífilis: irites no secundarismo; histo típica com endoarterite (tropismo por membrana elástica), refletindo vasculite. • Vírus: o Herpes-zoster: ceratite e uveíte granulomatosa ou não, além de neurite/vasculite; atrofia iriana pode decorrer de vasculite obliterativa. o CMV (imunossuprimidos): retinite necrosante com células grandes e inclusões intranucleares (“olho de coruja”) no neuroepitélio/EPR/vasos; pouca resposta inflamatória. o Pneumocystis (em AIDS): depósitos coroidianos eosinofílicos, vacuolados e espumosos intravasculares, com mínima inflamação. Julia Catarina – 6 semestre Granulomatosas de origem não infecciosa • Sarcoidose: uveíte anterior crônica granulomatosa, vitreíte com snowballs, vasculite retiniana, inflamação de coroide/EPR; granuloma tuberculoide não caseoso confirma diagnóstico. • Vogt-Koyanagi-Harada (VKH): panuveíte granulomatosa difusa, bilateral, associada a vitiligo, poliose, alopecia e sinais meníngeos; histo semelhante à oftalmia simpática; cicatrizes coriorretinianas com proliferação de EPR ajudam a diferenciar. • Fibrose sub-retiniana e síndrome de uveíte: uveíte posterior multifocal com evolução para fibrose sub-retiniana; aumento de T helper. Não granulomatosas (seleção) • Iridociclite heterocrômica de Fuchs: uveíte anterior unilateral, benigna, com clareamento da íris; complicações: glaucoma e catarata; histo: iridociclite crônica não granulomatosa com atrofias estromal e do EPP + neovasos de íris. • Uveíte intermediária (pars planitis): vitreíte com vasculite periférica; clinicamente, snowballs/snowbank inferior. Histo: focos linfocitários na pars plana, proliferação de epitélio ciliar pigmentado/não pigmentado, células gliais e vasos; pode haver coroidite focal não granulomatosa. • Doença de Behçet: vasculite necrosante sistêmica; no olho, iridociclite recorrente muitas vezes com hipópio, vasculite/perivasculite retiniana precoce, infartos hemorrágicos e possível descolamento de retina; histo: uveíte crônica não granulomatosa com vasculite linfocitária. Julia Catarina – 6 semestre SEMIOLOGIA OFTALMOLÓGICA NO GLAUCOMA Anamnese • Levantar fatores de risco: o Origem étnica, idade, gênero. o História familiar de glaucoma. o Uso de medicamentos (principalmente corticoides). o Patologias sistêmicas (HAS, DM). o Cirurgias oculares prévias; História de traumas ou inflamações oculares. Biomicroscopia (lâmpada de fenda) • Avalia estruturas do segmento anterior: anexos oculares, córnea (pigmentos endoteliais), câmara anterior, íris e cristalino. • Detecta alterações sugestivas de glaucoma secundário (ex.: pigmentos, pseudoesfoliação). Tonometrias • Fundamental no estudo do glaucoma. • Padrão-ouro: tonometria de aplanação de Goldmann. • Observações: o Córneas mais finas subestimam a PIO. o Córneas mais espessas superestimam a PIO. o Edema corneano → tende a dar PIO mais baixa. • Métodos alternativos: úteis em situações especiais (tonometria de sopro, iCare). Gonioscopia • Exame do ângulo da câmara anterior. • Indispensável em todo paciente com glaucoma ou suspeita. • Permite diferenciar: o Ângulo aberto (mais comum). Julia Catarina – 6 semestre o Ângulo fechado (risco de crise aguda). o Verificar se há sinéquias (aderências) ou apenas contato iridocorneano. Biomicroscopia de Fundo • Preferencialmente sob midríase. • Documentação com retinografia estereoscópica. • Principais sinais glaucomatosos no nervo óptico: o Defeito localizado da camada de fibras nervosas da retina (CFNR). o Perda localizada do anel neural. o Assimetria de escavação entre os olhos (>0,3 é suspeito). o Atrofia peripapilar. o Presença de hemorragia de disco. Paquimetria • Mede espessura corneana central. • Importante para interpretação da PIO: o Córneas finas → PIO subestimada (risco maior de glaucoma). o Córneas espessas → PIO superestimada. • Método ultrassônico tende a dar valores maiores que o óptico. Campo Visual (perimetria) • Essencial para acompanhar progressão do glaucoma. Avalia perda funcional. • Observações: o Um campo visual normal não exclui glaucoma (estágios iniciais podem não ter alterações detectáveis). o O exame tem curva de aprendizado, pode haver artefatos e flutuação. o Quanto mais exames seriados → mais confiável é a detecção de progressão. Tomografia de Coerência Óptica (OCT) • Avalia quantitativamente a CFNR ao redor do disco óptico. • Avalia danos anatômicos. • Útil para diagnóstico precoce, mesmo antes de alterações no campo visual. • Qualidade da imagem é crucial. Julia Catarina – 6 semestre • Em olhos muito míopes → pode ser difícil de interpretar. Glaucoma Definição Neuropatia óptica progressiva, geralmente associada ao aumento da pressão intraocular (PIO), levando a dano do disco óptico e da camada de fibras nervosas da retina, repercutindo na perda do campo visual. É a é a maior causa de cegueira irreversível do mundo., sendo insidioso e silencioso. Glaucoma não é sinônimo de aumento da pressão intraocular (PIO). Fatores de risco • idade avançada • etnia (afrodescendentes têm risco maior) • histórico familiar • miopia alta • uso de corticoides • doenças sistêmicas (diabetes, HAS). Tipos • Glaucoma 1º de ângulo aberto (90%) • Glaucoma 1º de ângulo fechado • Glaucoma 2º • Glaucoma congênito Fisiologia do humor aquoso Produzido nos processos ciliares → flui para a câmara posterior. Passa pela pupila → entra na câmara anterior. Escoa por dois caminhos: • Via trabecular (convencional, 85-90%) Câmara anterior → malha trabecular → canal de Schlemm → veias episclerais. • Via uveoescleral (não convencional, 10-15%) Câmara anterior → espaço entre fibras do corpo ciliar → esclera/coroide. • Em condições normais, há um equilíbrio entre a produção do humor aquoso pelos processos ciliares e sua drenagem pelas vias Julia Catarina – 6 semestre trabecular e uveoescleral, o que mantém a pressão intraocular (PIO) dentro da faixa fisiológica(11–21 mmHg). No glaucoma, esse equilíbrio é rompido, geralmente em decorrência de alterações na drenagem. Glaucoma Primário de Ângulo Aberto ou glaucoma crônico simples • Este é o tipo mais comum de glaucoma, com maior incidência na raça negra, respondendo por cerca de 90% dos casos. • Há, também, correlação com hereditariedade e idade (geralmente após os 65 anos) e sem predileção por sexo. • Principal causa de cegueira irreversível • Existe um aumento da resistência ao escoamento do humor aquoso, a nível do trabeculado, causando, a elevação da pressão intraocular. Quadro Clínico • Geralmente é assintomático nos estágios iniciais. • A perda de visão é lenta e indolor, começando pela visão periférica e, com o tempo, evoluindo para a visão central. • Essa progressão pode resultar em "visão de túnel" nos estágios avançados. Diagnóstico • O diagnóstico é feito através de exames oftalmológicos que devem avaliar a escavação do disco óptico, a PIO, a espessura corneal (paquimetria), o campo visual (perimetria), o ângulo camerular (avaliado pela gonioscopia) e o aspecto das fibras nervosas da retina. • O ângulo da câmara anterior parece normal, mas o líquido não drena adequadamente. • Uma relação escavação-disco óptico normal, na maioria das vezes, é de até 0,3. Maior do que 0,3, já se pode suspeitar de glaucoma • Tratamento • O objetivo é reduzir a PIO e pode ser alcançado com colírios, tratamentos a laser (como a trabeculoplastia) ou cirurgia. • Na maioria das vezes, o controle da PIO com monoterapia ou terapia combinada é satisfatório. Fatores de Risco Julia Catarina – 6 semestre • Os principais fatores de risco incluem ter mais de 40 anos, ter miopia, diabetes, ascendência africana ou um histórico familiar da doença, PIO aumentada e uso de corticoide. Glaucoma de PIO normal • É uma variante do GPAA, mas com a PIO 60 anos com alteração do cristalino; • Mais frequentes em mulheres: 4:1; • Histórico familiar; • Mais frequente em asiáticos; • Hipermetropia. Glaucoma Congênito Esta é uma forma rara de glaucoma que se manifesta no nascimento ou durante os primeiros anos de vida devido a um desenvolvimento anormal do sistema de drenagem do olho. São divididos em três categorias: • Glaucoma congênito primário, no qual a malformação se encontra restrita ao mal desenvolvimento da malha trabecular. • Glaucoma congênito primário associado a outras anomalias congênitas oculares ou sistêmicas. • Glaucoma congênito secundário a outras doenças oculares. Julia Catarina – 6 semestre Quadro Clínico: • Os sinais em bebês e crianças podem ser difíceis de notar, mas podem incluir olhos maiores, lacrimejamento excessivo (epífora), opacidade da córnea e sensibilidade à luz (fotofobia). Diagnóstico • O diagnóstico é feito por um oftalmologista pediátrico, com base em exames clínicos e medidas da PIO. Tratamento • O tratamento de escolha é a cirurgia, que deve ser realizada o mais cedo possível para preservar a visão. Fatores de Risco • A doença é causada por anomalias congênitas no sistema de drenagem do olho. Glaucoma Secundário O glaucoma secundário é causado por outras condições ou traumas oculares. A dificuldade existente no escoamento do humor aquoso nesses pacientes ocorre devido à obstrução mecânica do trabeculado por materiais diversos, como pigmento, células inflamatórias, corpo estranho, entre outros, dependendo do tipo de glaucoma Quadro Clínico • Os sintomas variam dependendo da causa subjacente, mas geralmente incluem dor no olho, visão turva e vermelhidão, além de possíveis sinais da doença que o originou. Diagnóstico • O diagnóstico envolve identificar e tratar a condição que está causando o aumento da PIO. Tratamento • O tratamento visa controlar a condição subjacente e, ao mesmo tempo, gerenciar a PIO. Fatores de Risco • Pode ser causado por inflamações oculares (uveíte), tumores, traumas (glaucoma traumático) ou o uso prolongado de medicamentos à base de corticoides. Julia Catarina – 6 semestre PATOLOGIAS DA CONJUNTIVA Função da conjuntiva: barreira imunológica e lubrificante. Rica em vasos e tecido linfóide, drena para linfonodos pré-auricular e submandibular Sintomas comuns: lacrimejamento, ardência, prurido (alergia), secreção (define causa), sensação de corpo estranho. Dor forte sugere córnea envolvida. 1. Inflamações (Conjuntivites) a) Bacterianas • A conjuntivite bacteriana aguda é uma doença comum e geralmente autolimitada, causada pelo contato direto do olho com secreções infectadas. • Agentes: S. pneumoniae, S. aureus, H. influenzae, Moraxella. • Clínica: secreção mucopurulenta, hiperemia difusa, colagem palpebral. • Tto: colírios antibióticos (tobramicina em crianças, ciprofloxacino em adultos). Casos graves → pomadas b) Gonocócica • É uma infecção neonatal, que pode acontecer entre 1 e 3 dias após o parto. • Neisseria gonorrhoeae / meningitidis. • Clínica: secreção purulenta hiperaguda, quemose intensa, edema palpebral, linfadenopatia pré-auricular, risco de perfuração corneana. • Tto: benzilpenicilina ou cefotaxima sistêmica.; fluoroquinolona tópica; sempre cobrir para clamídia c) Neonatal (oftalmia neonatal) • Até 10% dos RN. • Profilaxia: nitrato de prata 1% (gonococo), ou eritromicina/tetraciclina. • Gonocócica → grave, hospitalização + ceftriaxona Julia Catarina – 6 semestre d) Viral • Adenovírus (mais comum). • Clínica: secreção aquosa, linfonodo pré-auricular, altamente contagiosa, lacrimejamento, fotofobia e sensação de corpo estranho. • Pode evoluir com pseudomembranas,infiltrados corneanos. • Tto: suporte, lágrimas artificiais, higiene. Casos graves → corticoide tópico • Conjuntivite hemorrágica, causada pelo enterovírus 70, da família dos picornavírus. e) Chlamydia (bactéria Gram negativa) Conjuntivite por inclusão adulto • As lesões oculares surgem por volta de 1 semana após o contato sexual e podem estar associadas a uretrites ou cervicites. • Quadro clínico: É composto por olho vermelho crônico unilateral, com secreção mucopurulenta, folículos na conjuntiva palpebral, é comum observar linfadenopatia pré- auricular. • Tto: pomada de tetraciclina, 4x/d, por 6 semanas e uso de drogas sistêmicas. Tracoma • Trata-se de uma das principais causas evitáveis de cegueira no mundo, já que está relacionada com populações habitantes de regiões com baixo Índice de Desenvolvi mento Humano. • Quadro clinico: A doença surge na infância e acomete as conjuntivas bulbares e palpebrais. Inicia-se um processo de inflamação crônica, causando a cicatrização da conjuntiva, triquíase e cicatrização corneana. Tratamento: Drogas sistêmicas (dose única de azitromicina, 20mg/kg no máximo 1g) , e a prevenção por meio de higiene pessoal, principalmente entre as crianças. Julia Catarina – 6 semestre Conjuntivite neonatal • Quadro clínico: Apresenta-se com conjuntivite aguda mucopurulenta de 5 a 14 dias após o nascimento. A reação encontrada nessa situação é papilar e não folicular, uma vez que, na criança de até 3 meses, não existem linfócitos maduros. • Tratamento: Como se trata de infecção durante o parto, é importante que a mãe seja avaliada quanto à presença de doenças sexualmente transmissíveis. f) Alérgica • Prurido + hiperemia + papilas. • Tipos: sazonal, perene, primaveril (vernalis), atópica e papilar gigante. • Pode evoluir para ceratopatia puntata e até cicatrizes. • Tto: lágrimas artificiais, anti-histamínicos tópicos, estabilizadores de mastócitos, imunomoduladores (ciclosporina, tacrolimus), corticoides tópicos estão reservados para os casos mais graves • g) Conjuntivites autoimunes • Penfigoide ocular cicatricial o Doença idiopática, autoimune (relacionada à HLA-812), crônica, progressiva, caracterizada por bolhas na pele e nas mucosas, levando à formação de cicatrizes. o Quadro clínico: sensação de olho seco, ardor e lacrimejamento. bolhas subconjuntivais, que, ao se romperem, originam lesões ulceradas. Cronicamente, o processo de fibrose leva a retração conjuntiva. o Inflamação crônica autoimune leva a simbléfaro, entrópio, triquíase, cegueira • Stevens-Johnson o eritema multiforme major, pode acometer a conjuntiva em 90% dos casos. o Quadro clínico: conjuntivite pseudomembranosa e placas fibrosas. 2. Degenerações • Pinguécula: degeneração elástica, amarelada na conjuntiva interpalpebral, benigna • Pterígio: tecido fibrovascular triangular que invade a córnea; pode causar astigmatismo e baixa visual. Relacionado à exposição UV Julia Catarina – 6 semestre o Quadro clínico: há irritações oculares, fotofobia e desconforto estético. Nos maiores, aumenta o astigmatismo e pode levar a baixa visual por barreira. o Tto: O tratamento definitivo é a remoção cirúrgica, para casos que progridem com perda de campo visual e naqueles em que ocorra incômodo com a estética e a irritação ocular. • Xerose conjuntival → deficiência de vitamina A ou olho seco grave 3. Tumores • Benignos: papiloma, nevo, dermoide. • Pré-malignos/malignos: carcinoma espinocelular, melanoma, linfoma conjuntival (“mancha salmão”). • Tratamento: exérese com biópsia; mitomicina-C tópica em alguns casos; evisceração/enucleação em tumores extensos Julia Catarina – 6 semestre PATOLOGIAS DA CÓRNEA Função da córnea: principal lente refrativa do olho (2/3 da refração). Avascular, muito inervada (100× mais que conjuntiva), transparente graças à regularidade do colágeno 1. Inflamações – Ceratites Trata-se de quadros de difícil identificação e tratamento. Embora alguns agentes apresentem características clínicas específicas, não é incomum a sobreposição de sinais e sintomas. • Bacteriana o Fatores de risco: lente de contato, trauma, olho seco, imunossupressão. o Clínica: dor intensa, olho vermelho, turvação visual, fotofobia, secreção mucopurulenta, úlcera corneana. o Urgência: risco de perfuração e endoftalmite o Tto: com antibioticoterapia de amplo espectro, tópico e fortificado (com aminoglicosídeo e cefalosporina associados) para úlceras centrais ou >2mm. Para as Herpes-simples 1 é a mais comum. o Pode ser epitelial (ulcera dendrítica) ou estromal (granulomatosa). o A manifestação na córnea pode ser acompanhada de lesões na conjuntiva e na pálpebra, caracterizadas por folículos conjuntivais e lesões crostosas na pele. o Reincidente gera cicatrizes e neovascularização. o Tto: antivirais tópicos/sistêmicos. Corticoide tópico na forma epitelial, por ser uma manifestação imunológica do herpes. • Herpes-zóster oftálmico o Acomete ramo oftálmico do trigêmeo. Lesões cutâneas, sinal de Hutchinson (vesículas na ponta do nariz). o Pode causar ceratite, uveíte, necrose retiniana. o Tto: antivirais sistêmicos precoces; corticoide VO se inflamação grave Julia Catarina – 6 semestre • Protozoário (Acanthamoeba) o Associado a lente de contato e água contaminada. o O aspecto clínico desse tipo de infecção é o de infiltrado na córnea anelar, porém sua evolução leva a um aspecto mais inespecífico, com diagnóstico clínico mais difícil. o Dor desproporcional ao exame, evolução arrastada. o Difícil manejo, tratamento prolongado com biguanidas. • Intersticiais o As ceratites intersticiais caracterizam-se pela manifestação de infiltrado profundo esbranquiçado com a presença de vasos-fantasmas, denominados assim por serem vestígios de neovasos estromais que regrediram, deixando um espaço transparente em forma de vaso. • Imunológicas o Artrite Reumatoide -> ceratoconjuntivite seca o Colagenoses -> Olhos secos, afinamentos e ulcerações da córnea o Vasculites -> Inflamação progressiva da córnea, afinamentos periféricos e eventuais perfurações. 2. Ectasias • Ceratocone o Córnea afina e protrui em forma cônica. o Surge na puberdade; causa miopia progressiva e astigmatismo irregular, geralmente bilateral. o Pode evoluir para opacidades. o Tto: óculos/lentes rígidas; casos graves → crosslinking, anel intraestromal, transplante 3. Degenerações • Arco senil → depósito lipídico periférico, benigno, relacionado à idade • Outras: distrofias corneanas (genéticas, ex.: distrofia de Fuchs, granular, lattice). 4. Ceratoglobo • toda a córnea está afinada, possivelmente está relacionada com o ceratocone e ocorre ao nascer. • O tratamento é feito com lentes de contato esclerais, visto que os resultados cirúrgicos são muito ruins 4. Distrofias corneanas • Trata-se de um grupo de desordens progressivas, raras, geralmente bilaterais, em sua maioria determinadas geneticamente, não inflamatórias, e que evoluem com opacidade de córnea. Julia Catarina – 6 semestre 5.Alterações congênitas • Microcórnea, megalocórnea, esclerocórnea, córnea plana 6. Complicações/Tratamento • Ceratoplastia (transplante de córnea) → óptica (restaurar visão) ou tectônica (manter integridade do olho) • Lentes de contato terapêuticas → protegem, aliviam dor, auxiliam cicatrização Julia Catarina – 6 semestre PATOLOGIAS DA ESCLERA Função da esclera: dá forma e resistência ao globo. Pouco vascularizada, rica em colágeno 1. Alterações Estruturais • Esclera azul→ adelgaçamento congênito (osteogênese imperfeita), deixa úvea aparente • Miopia patológica → estiramento, estafilomas • Atrofia bulbar → sequelas inflamatórias/traumáticas 2. Inflamações • Episclerite o Benigna, idiopática ou associada a doenças sistêmicas. o Vermelhidão unilateral associada a desconforto, queimação e lacrimejamento. o Autolimitada, responde a AINEs, lubrificantes oculares e corticoides tópicos • Esclerite imunomediada o Inflamação profunda, dolorosa, pode ser necrotizante. o Fortemente associada a doenças autoimunes (AR, granulomatose com poliangeíte). o Formas: anterior difusa, nodular, necrosante (com risco de perfuração – scleromalacia perforans), posterior o Complicações: perfuração ocular, perda visual. o Tto: corticoides sistêmicos, imunossupressores. Esclerite anterior • Não necrosante o Difusa: inflamação disseminada que afeta o segmento do globo ocular ou toda a esclerótica anterior. É benigna e não progressiva. o Nodular: Há um nódulo que não se move sobre o tecido subjacente. o Tto: AINEs orais e esteroides tópicos. • Necrosante o A com inflamação é a forma mais grave, com dor progressiva. A sem inflamação é conhecida como escleromalácia perfurante o Começa com uma placa necrótica amarela e, ocasionalmente, grandes áreas da úvea ficam expostas, como resultado do afinamento da esclerótica. o Tto: pode ser realizado tentativas de enxerto de esclera. Julia Catarina – 6 semestre o Esclerite posterior o Dor intensa, pode simular tumor intraocular, causar neurite óptica, descolamento seroso de retina o Tto: Pacientes com doença sistêmica associada são tratados como aqueles com esclerite anterior necrosante. Em jovens sem doença sistêmica, o tratamento é feito com AINEs. • Esclerite infecciosa o a infecção pode suceder a trauma cirúrgico ou acidental ou endoftalmite grave ou como extensão de infecção corneana primária. o Tto: O tratamento consiste em iniciar a terapia antimicrobia na específica associada a esteroides sistêmicos e tópicos. 3. Tumores • Raros; exemplo: coristoma ósseo episcleral Julia Catarina – 6 semestre PATOLOGIAS DA PÁLPEBRA Hordéolo (Terçol) • Definição: inflamação aguda, geralmente infecciosa, das glândulas palpebrais. o Hordéolo externo: glândula de Zeiss ou de Mol (margem palpebral). o Hordéolo interno: glândula de Meibomius (mais profundo). Características clínicas: • Início súbito. • Dor intensa, vermelhidão e edema local. • Pode formar ponto de pus na borda da pálpebra. • Lacrimejamento e sensibilidade local. Agente mais comum: Staphylococcus aureus. Tratamento: • Compressas mornas várias vezes ao dia. • Higiene palpebral. • Em casos mais graves: pomada antibiótica tópica (ex.: bacitracina ou tobramicina). • Se abscesso formado → drenagem cirúrgica. Calázio • Definição: inflamação crônica e estéril da glândula de Meibomius, causada por obstrução do ducto. Características clínicas: • Lesão arredondada, firme, indolor. • Crescimento lento. • Pode ser esteticamente incômodo, mas não causa sintomas inflamatórios agudos. Tratamento: • Compressas mornas inicialmente. • Se persistente → incisão e curetagem cirúrgica. • Em recorrências, investigar rosácea ocular ou carcinoma sebáceo (principal diagnóstico diferencial). Diferença chave em relação ao hordéolo: Julia Catarina – 6 semestre Característica Hordéolo Calázio Dor Presente, intensa Ausente Evolução Aguda Crônica Natureza Infecciosa Inflamatória estéril Tratamento inicial Compressas + antibiótico Compressas Cirurgia Se abscesso Se persistente Blefarite • Definição: inflamação crônica das margens palpebrais. Tipos: 1. Anterior: afeta a base dos cílios (glândulas de Zeiss e Mol). o Associada a seborreia ou infecção estafilocócica. 2. Posterior: afeta glândulas de Meibomius. o Muito associada à rosácea ocular. Sintomas: • Ardência, prurido, crostas nos cílios. • Sensação de areia nos olhos. • Lacrimejamento. Tratamento: • Higiene palpebral diária (compressas mornas + limpeza com shampoo neutro). • Pomadas antibióticas tópicas em casos infecciosos. • Se rosácea → pode ser necessário antibiótico oral (doxiciclina). Ptose Palpebral • Definição: queda anormal da pálpebra superior. Causas principais: • Congênita: má formação do músculo levantador da pálpebra. • Adquirida: o Aponeurótica (mais comum em idosos). o Neurológica → paralisia do III par craniano ou síndrome de Horner. o Traumática ou mecânica (ex.: tumor). Julia Catarina – 6 semestre Diagnóstico: • Avaliar altura da margem palpebral e função do músculo levantador. Tratamento: • Cirurgia corretiva, dependendo da causa. Entrópio e Ectrópio Lesão Definição Complicações Tratamento Entrópio Margem palpebral virada para dentro, cílios tocam a córnea Irritação, ceratite, úlcera corneana Cirurgia corretiva Ectrópio Margem palpebral virada para fora Exposição ocular, olho seco, ceratite Lubrificação ocular, cirurgia em casos graves Triquíase • Definição: crescimento anormal dos cílios em direção ao globo ocular. • Sintomas: irritação, sensação de areia, risco de lesão corneana. • Tratamento: o Epilação (remoção mecânica dos cílios). o Eletrocoagulação ou cirurgia para casos recorrentes. Xantelasma • Definição: placas amareladas na pálpebra, geralmente medial, causadas por depósito de lipídios. • Associação: dislipidemias (investigar perfil lipídico). • Tratamento: exérese cirúrgica por estética ou desconforto. Tumores Palpebrais Benignos: • Papiloma, nevo, hemangioma. Malignos: • Carcinoma basocelular (mais comum). o Localização típica: canto interno do olho. o Crescimento lento, ulcerado. Julia Catarina – 6 semestre o Não costuma metastatizar. • Carcinoma espinocelular. • Carcinoma sebáceo (pode se confundir com calázio recorrente). • Melanoma (mais raro, porém agressivo). Tratamento: exérese com margem de segurança + biópsia.