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EDUCAÇÃO ESCOLAR POLÍTICAS, ESTRUTURAS E ORGANIZAÇÃO 
 
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Educação Escolar: Políticas, Estrutura e Organização 
O sistema educativo e as escolas estabelecem relações entre si e existem duas importantes razões 
para conhecer e analisá-las. A primeira faz referência às políticas educacionais e as diretrizes organi-
zacionais e curriculares que são as idéias, valores, atitudes e práticas capazes de influenciar as escolas 
e seus profissionais no que diz respeito às práticas formativas dos alunos. A segunda está pautada aos 
profissionais das escolas os quais podem aceitar ou rejeitar essas políticas e diretrizes educacionais, 
ou até mesmo, dialogar com elas e então formular, de modo coletivo, práticas formativas e inovadoras. 
Para tanto, é preciso conhecer e analisar como se inter-relacionam as políticas educacionais, a orga-
nização e gestão das escolas e as práticas pedagógicas na sala de aula. O professor não pode se 
contentar apenas em desenvolver saberes e competências para ter uma boa atuação em sala de aula, 
é preciso tomar consciência do sistema escolar e enxergar além. 
Outra razão torna esses estudos importantes que é o fato de que as normas, leis e diretrizes da edu-
cação, estão sujeitas a decisões políticas. Cabe ao sistema de ensino e as escolas contribuírem de 
maneira significativa para a construção de um projeto de nação e, para a formação de sujeitos capazes 
de participar ativamente desse processo. 
As políticas educacionais e organizacionais que vemos hoje estão diretamente relacionadas às trans-
formações econômicas, políticas, culturais e geográficas que qualificam o mundo atual. A exemplo 
disso nós temos as várias reformas educativas realizadas nos países da europa e américa durante os 
últimos 20 anos. 
Tais reformas se justapõem com a recomposição do sistema capitalista mundial que trouxe consigo a 
doutrina neoliberal, caracterizada por três traços particulares: mudanças no processo de produção 
(avanços científicos e tecnológicos), superioridade do livre funcionamento do mercado e redução do 
papel do estado que por sua vez, afetam diretamente a educação tendo em vista que para o neolibe-
ralismo, o desenvolvimento econômico fomentado pelo desenvolvimento técnico-científico garante, por 
si só, o desenvolvimento social. 
Essa falta de consideração com as implicações sociais e humanas geram vários problemas sociais 
como desemprego, fome e desigualdade entre países, classes e grupos sociais. E também, problemas 
globais como a devastação ambiental, o desequilíbrio ecológico, o esgotamento dos recursos naturais 
e problemas atmosféricos. 
Progredindo na mesma proporção, mudanças significativas nos processos de produção e transforma-
ções nas condições de vida e de trabalho devido à associação entre ciência e técnica, proporcionou 
uma necessidade de se ter conhecimento e informação a tal ponto que influenciaram a economia e seu 
desenvolvimento. 
Os países industrializados então viram a necessidade de se rever o lugar das instituições encarregadas 
de produzir conhecimento e informação, tornando-se prioridade, a reforma dos sistemas educacionais 
os quais giram em quatro pontos: o currículo nacional, a profissionalização dos professores, a gestão 
educacional e a avaliação institucional. 
No brasil, também houve algumas transformações, no que diz respeito ao sistema educacional. Que 
ocorreu a partir do ano de 1990, início do governo collor, e também ano em que se realizou a confe-
rencia mundial sobre educação para todos, ocasião em que se estabeleceram prioridades para a edu-
cação, entre elas, a universalização do ensino fundamental. 
Em 1993, no governo de itamar franco, cria-se o plano decenal de educação para todos e em 1995, no 
governo de fernando henrique cardoso, estabeleceram-se metas pontuais, que são: descentralização 
da administração das verbas federais, elaboração do currículo nacional, educação à distância, avalia-
ção nacional das escolas, incentivo a formação de professores, parâmetros de qualidade para o livro 
didático, entre outras. Já essas, acompanham as tendências internacionais se alinhando à política ne-
oliberal e às orientações dos organismos financeiros como o banco mundial e o fmi. 
Nesse mesmo âmbito, se deu a elaboração e promulgação da ldb, do pne, das diretrizes curriculares, 
normas e resoluções do conselho nacional de educação. 
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No entanto, essas políticas e diretrizes demonstram ser salvo raras exceções, intenções declaradas ao 
invés de medidas efetivas. Ocorre então um impasse, de um lado, políticas educativas que expressam 
intenções de se aumentar a autonomia e a participação das escolas e dos professores, do outro, há a 
questão da crise de legitimidade dos estados que dificulta a efetivação de investimentos em salários, 
carreira e formação do professorado, com o pretexto de que o estado requer redução de despesas, 
transmitindo uma lógica contábil e economista ao sistema educacional. 
Desde a estruturação do curso de pedagogia, em 1939, sempre houve a preocupação com os aspectos 
legais e administrativos da escola, geralmente vistos na disciplina administração escolar. 
Está mencionado, no parecer 292/62 – do conselho federal de educação – a disciplina elementos de 
administração escolar a qual tinha como finalidade proporcionar o conhecimento, por parte do licenci-
ado, da escola em que iria atuar (seus objetivos, estrutura e seus aspectos de seu funcionamento), 
além de proporcionar uma visão única do aspecto escola-sociedade. 
Em 1968, houve a homologação dos pareceres 252/69 e 672/69 como forma de se adequar os currí-
culos de pedagogia e das licenciaturas à lei 5.540/68. Esses pareceres incluíram a disciplina estrutura 
e funcionamento do ensino de 2º grau, substituindo a disciplina administração escolar. O motivo pelo 
qual se deu essa substituição foi o fato de que com a denominação administração escolar, se fazia 
ressaltar o aspecto administrativo, não levando em conta aspectos referentes à estrutura e ao funcio-
namento do ensino. 
Já nos anos 80, propostas curriculares alternativas surgiram com conteúdo semelhantes à administra-
ção escolar e à estrutura e funcionamento do ensino do 2º grau, mas como denominações diferentes: 
educação brasileira, políticas educacionais, organização do trabalho pedagógico (ou escolar). 
As resoluções 2/69 e 9/69 foram as primeiras a apresentarem a denominação estrutura e funciona-
mento do ensino. Está fixava os mínimos de conteúdos das disciplinas e a duração do curso de peda-
gogia, aquela, estabelecia os mínimos de conteúdos e a duração dos cursos para a formação pedagó-
gica em nível de licenciatura. 
Segundo a resolução 9/69, os currículos de licenciatura deveriam abranger as seguintes matérias: psi-
cologia da educação, didática, estrutura e funcionamento do ensino de 2º grau e prática de ensino, sob 
forma de estágio supervisionado, mas em conformidade com a lei 5.692/71, na qual instituiu o ensino 
de primeiro e segundo graus, a denominação alterou-se para estrutura e funcionamento do ensino de 
1º e 2º graus. 
De acordo com a legislação, há dois elementos básicos na disciplina: a escola e o ensino, onde, pri-
meiramente, apresenta-se a organização e o funcionamento da escola e em seguida, o ensino. 
Contudo, essas abordagens mostram a escola e o ensino como elementos prontos e acabados no 
interior de um sistema educacional racionalmente organizado e de uma sociedade organicamente cons-
tituída e funcional fazendo com que se torna evidente a importância da legislação como eixo básico da 
disciplina. Obrigatória em algumas habilitações do curso de pedagogia, a disciplina legislação do ensino 
de 1º e 2º graus tornou-se base da estrutura e funcionamento do ensino. Já na organização do ensino 
escolar, se tem a descrição dos órgãos e seu funcionamento e, a análise de seus componentes admi-
nistrativos e curriculares, através de textoslegais. 
Os currículos de pedagogia e das licenciaturas, atualmente, apresentam várias denominações, entre 
elas, as mais corriqueiras são: estrutura e funcionamento do ensino fundamental e médio – oferecida 
no segundo ou no terceiro ano do curso de pedagogia, com carga anual que varia entre 60 128 horas 
e ministrada em um ano ou seis meses – e, didática e prática de ensino de estrutura e funcionamento 
do ensino fundamental e médio – disciplina em forma de estágio supervisionado, geralmente com carga 
anual de 128 horas, no último ano do curso de pedagogia. 
Em geral, os conteúdos e objetivos dessa disciplina, assumem três abordagens distintas: 
Abordagem legalista e formal: os textos legais e os documentos são apresentados e analisados sistê-
mica e funcionalmente. Essa abordagem acosta-se à letra, linhas e ao texto legal. O estudo aí acaba 
por se tornar árido, insípido e aversivo. 
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Abordagem político-ideológica: dá ênfase aos textos críticos, procura-se mostrar o real com base em 
uma postura e visão político-ideológica. Essa abordagem aproxima-se mais ao contexto, ao espírito e 
às entrelinhas dos textos legais. O estudo aí acaba por se tornar parcial e partidário. 
Abordagem histórico-crítica: os textos legais são usados como referencial para a análise crítica da or-
ganização escolar e como forma de confrontar a situação proclamada (ideal) com a situação real. O 
estudo aí acaba por se tornar mais fértil, dinâmico, investigativo e crítitco-reflexivo. 
O desenvolvimento dos conteúdos, por uma ótica metodológica, deve estar alinhado à articulação de 
três elementos, segundo monteiro (1995): visão oficial (conhecimento da legislação educacional, pro-
gramas e planos de governo); visão da realidade (comparação da visão oficial com o que realmente 
acontece no funcionamento do ensino) e visão crítica (após o conhecimento das anteriores, pratica-se 
a leitura fundamentada, para geração de novos conhecimentos. 
Para saviani (1987), há três etapas no exame crítico da legislação de ensinos: contato com a lei (análise 
textual, para captar a estrutura do texto); exame das razões manifestas (leitura da exposição de moti-
vos, dos pareceres, dos relatórios, etc.) E busca das razões reais (exame do contexto – processo his-
tórico socioeconômico e político – exame da gênese da lei – processo de elaboração da lei, os autores 
e seus papéis). 
Textos legais, documentos e textos críticos, também podem ser usados como auxilio ao estudo de 
alguns temas da disciplina (municipalização do ensino, organização formal e informal da escola, finan-
ciamento do ensino, etc.), servindo de fundamento para elucidar uma situação/questão norteadora de 
investigação, aliando assim, ensino e pesquisa, tornando o método de ensino e aprendizagem mais 
dinâmico e reflexivo, desenvolvendo também, a habilidade de investigação, proporcionando, assim, 
que o trabalho acadêmico seja um momento em que o aluno possa procurar, investigar e produzir 
conhecimento, orientado pelo professor. 
As abordagens identificadas e os aspectos metodológicos de tratamento dos conteúdos se relacionam 
ao conhecimento do objeto de estudo, tendo em vista que refletem a trajetória da disciplina. Contudo, 
percebe-se que houve uma significativa evolução na abordagem da disciplina, em sua ampliação e 
diversificação, o mesmo não ocorreu com objeto de estudo, não com clareza. Qual é e qual era ele? 
Vemos que houve uma mudança na ênfase da disciplina, de aspectos estruturais e formais do ensino 
para as questões de funcionamento onde o foco saiu do ensino de primeiro e segundo graus para a 
concreta escola de primeiro e segundo graus. Proporcionando assim que a perspectiva legalista, des-
contextualizada e limitada fosse modificada com a finalidade de se privilegiar a discussão de alternati-
vas para a reconstrução da escola e do sistema educacional brasileiro. 
Houve assim uma transformação democrática de um ensino genérico para uma abordagem de uma 
escola e ensino concretos, todavia, cabe-se questionar se a mudança ocorreu somente na aborda-
gem/compreensão do objeto; se o objeto de estudo da disciplina continuou a ser a escola e a organi-
zação do ensino e até mesmo se a legislação e os documentos constituem o eixo básico da apreensão 
da escola e do ensino. 
A escola e o ensino ainda continuam como foco da disciplina, mas agora contextualizados de maneira 
concreta, crítica e histórica. Dá ótica sistêmica/tecnicista para a ótica histórico-crítica, onde as políticas 
de educação são tratadas com maior intensidade, uma vez em que são elas as responsáveis por defi-
nirem, em grande parte, a legislação educacional, a escola e o ensino. 
É apropriado adotar então a denominação estrutura e organização da educação escolar – políticas 
educacionais e funcionamento da escola, tendo como ideia principal a possibilidade em aprender as 
imbricações entre decisões centrais e decisões locais, a fim de articular, em torno da escola, as abor-
dagens mais gerais de cunho sociológico, político e econômico e os processos escolares internos de 
cunho pedagógico, curricular, psicológico e didático. 
A partir da leitura da obra, é possível fazer uma reflexão a respeito da educação escolar como um todo, 
bem como as suas políticas educacionais e educativas. No decorrer da leitura do livro os autores trazem 
informações importantes relacionadas à história das políticas educacionais, como surgiram, porque 
surgiram e como foram transformadas para atenderem as necessidades que se apresentaram. 
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Percebe-se a dedicação dos autores em levar ao conhecimento do leitor os processos pelos quais 
ocorre a formação de professores, as disciplinas que são oferecidas, as leis que regulam essa formação 
e também as mudanças que essas leis trouxeram ao longo do tempo. 
Recomenda-se a leitura e a apreciação dessa obra a estudantes de pedagogia e das licenciaturas, para 
que possam entender melhor o seu futuro ambiente de trabalho, a escola – seus objetivos e estruturas 
e a professores, para que possam conhecer ainda mais o seu local de trabalho e assim, se tornar um 
agente ativo no processo de construção da educação e das políticas educacionais. 
Educação Escolar: Políticas, Estrutura e Organização 
No sistema educativo e nas escolas, é fundamental conhecer as políticas educacionais e as diretrizes 
de organização curricular, valores e ideologias, como são influenciadas as práticas pedagógicas, na 
formação cognitiva e política do aluno. 
Outro aspecto a ser considerado, as ações pedagógicas desenvolvidas na escola se seguem ou não 
as tais políticas e diretrizes educacionais, indispensável ao diálogo entre corpo docente e grupo de 
gestão, como deve ser formulado coletivamente as práticas formativas e inovadoras. 
Com efeito, é necessário conhecer e refletir as políticas educacionais, organização e gestão escolar, 
quando for elaborar o projeto político pedagógico da escola. 
O professor eficiente não é apenas aquele que conhece e desenvolve suas competências, os saberes 
epistemológicos, para executar uma boa aula, é fundamental ter conhecimento do sistema escolar de 
suas complexidades relacionadas. 
Todo ato cognitivo educativo precisa ser politizador, toda educação que não politiza, transforma se em 
metafísica, mística religiosa, em alienação do espírito cognitivo. 
Em referência as diretrizes da educação, compete ao sistema de ensino e as escolas, formularem 
significantemente a construção de projetos pedagógicos objetivando a construção de uma nação. 
 
Desse modo, com a finalidade de possibilitar a formação de sujeitos capazes de participar do referido 
processo, exatamente nesse sentido que a escola é política. 
As políticas educacionais atuais estão relacionadas com as transformações econômicas, buscando 
uma nação para todos e não para alguns privilegiados. 
As reformaseducacionais contrariam o sistema capitalista, hoje entendido de neoliberalismo, em de-
fesa de um modelo político econômico em direção ao social liberalismo. 
Portanto, desenvolvimento econômico com a renda distribuída, semelhante ao modelo econômico do 
norte da europa. 
O neoliberalismo gera problemas sociais, desemprego, miséria, fome, profundas desigualdades, esgo-
tamento das riquezas naturais. Com efeito, necessário uma educação que provoque a consciência 
política. 
 
Todavia, é fundamental a existência de um currículo nacional, a profissionalização dos professores, a 
gestão educacional e a avaliação institucional. 
Historicamente, se deu através da elaboração e promulgação da ldb, do pne, das diretrizes curriculares, 
normas e resoluções do conselho nacional de educação. 
No entanto, políticas e diretrizes demonstram contradições, que negam autonomia das escolas e dos 
professores, uma crise educacional e de gestão e de legitimidade política. 
Por outro lado, sem contar que o estado está preocupado com a redução do gasto educacional. Entre-
tanto, é importante a legislação como eixo básico das disciplinas. 
Abordagem político-ideológica: o desenvolvimento da crítica epistemológica, o entendimento da reali-
dade, a leitura política corretamente. 
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Desenvolvimento do saber acadêmico, aliado ao método de ensino e aprendizagem, a habilidade de 
investigação, favorecendo o aluno produzir conhecimento, orientado pelo professor, como ensina paulo 
freire. 
O objeto de estudo sempre através da escola e da organização do ensino aprendizagem tendo como 
lastro a legislação. Portanto, a escola como foco das disciplinas. Entretanto, o ensino contextualizado 
desenvolvimento da crítica histórica, sistêmica. 
Valorizando sempre estrutura e organização escolar, do mesmo modo, as políticas educacionais no 
funcionamento da escola. 
Articulando também além do conhecimento específico de cada disciplina, as abordagens globais, na 
valorização de cunho político, sociológico e econômico, na construção de uma nova sociedade mais 
justa e humana. 
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