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Unidade 4 Educar Para A Diversidade Aula 1 Educação E A Liberdade Religiosa Educação e a liberdade religiosa Educação e a liberdade religiosa Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Ponto de Partida Olá, estudante! Nesta jornada de estudos em educação e diversidade, temos analisado e refletido até aqui sobre o contexto em que estamos inseridos, para que possamos repensar nossos hábitos de vida e práticas educacionais vivenciadas nas escolas. Pretende-se desenvolver a competência de conjecturar práticas educativas significativas, relevantes e contextualizadas, pautadas na compreensão lógica e racional da diversidade sociocultural. Com isso, espera-se que se desenvolva uma abordagem holística para a educação a partir de categorias teóricas e analíticas sobre a diversidade. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Nesta aula sobre educação e liberdade religiosa, especificamente, você vai estudar sobre as questões legais do respeito à liberdade religiosa e as relações com a escola e a sociedade na qual estamos inseridos. Em seguida, você está convidado a refletir sobre o direito à liberdade, escolha, prática e expressão da religiosidade, percebendo a importância da laicidade nas práticas educativas. Por fim, você vai estudar a educação e o papel da prevenção e combate às intolerâncias. Para que possamos iniciar os estudos desta aula, propomos algumas questões para problematização: quais as relações entre educação, diversidade e religiosidades? Como trabalhar a questão da religiosidade na escola? Qual o papel da educação e da escola no combate às intolerâncias religiosas? O que é laicidade na educação? Veja que essas são algumas de muitas das problematizações relacionadas à educação e liberdade religiosa. Você pode perceber que já temos um bom começo com essas problematizações propostas, mas recomendamos que você aprofunde suas leituras a partir das referências indicadas neste material, entre outras que você pode pesquisar e julgar interessante. Pesquise por outros materiais na Biblioteca Virtual ou na Minha Biblioteca que você tem acesso. Bons estudos! Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Vamos Começar! Vamos Começar! Os estudos em educação e liberdades religiosas, cujo escopo dos estudos consiste num modelo de educação para a diversidade, é importante para a construção de uma sociedade mais justa e solidária. Como anunciado, nesta aula, você vai estudar primeiramente as questões legais do respeito à liberdade religiosa. Em seguida, você vai refletir sobre o direito à liberdade, escolha, prática e expressão da religiosidade. Finalmente, veremos a educação e o papel da prevenção e combate às intolerâncias. Questões legais do respeito à liberdade religiosa Vamos verificar como trabalhar a questão da religião e compreender os aspectos legais do respeito à liberdade religiosa. Em educação e diversidade, é preciso reconhecer o exercício da religião como um direito, que determina que todas as práticas devem ser respeitadas e incentivadas. Isso deve ser compreendido em meio ao contexto democrático e do direito à diferença, garantidos em nossa sociedade. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Para entender as questões legais do respeito à diversidade religiosa, é preciso definir religião e liberdade religiosa, e perceber que “discorrer sobre a liberdade religiosa exige uma definição de religião, algo que, como se verá, não é tarefa fácil e pela etimologia, a palavra religião de origem latina teria por significado religar, reeleger, no sentido de religar o homem a sua divindade” (Coutinho, 2012, p. 176 apud Tenório, 2023, p. 33). Trata-se de questões ligadas ao sagrado, a uma dimensão que liga o ser humano à sua divindade. Pensar nas religiões brasileiras é considerar a miscigenação da população e da diversidade sociocultural com que nos constituímos historicamente. A religião e as religiosidades, são aspectos culturais que precisam ser observados a partir de nossa formação social e cultural. Com isso, é preciso analisar essas características quando pensamos nas relações entre educação, diversidade e religiosidade no Brasil. O Brasil é considerado um dos países mais religiosos do mundo. Entretanto, é necessário perceber que nossa formação nacional se caracteriza pela influência de vários matizes religiosos, como o catolicismo oficial e o popular, as religiões de matrizes africanas – como o candomblé e a umbanda –, o protestantismo, os pentecostais, os Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE espíritas kardecistas, a teologia da libertação e os católicos carismáticos (Oliveira; Costa, 2016, p. 307). Perceba a singularidade de nosso país, ou seja, a diversidade sociocultural existente em relação às religiões da população brasileira, marcada por uma vasta e diversa mistura étnico- racial e cultural. Ademais, precisamos reconhecer que o Brasil é um dos países mais religiosos do mundo. Essas especificidades da cultura proporcionam ao mundo um fenômeno interessante, o do sincretismo religioso. O termo sincretismo se origina na Grécia Antiga e tem a ver com as fusões culturais e religiosas de diferentes povos a partir das relações sociais. O sincretismo está associado à cultura da religião em nosso país. Um fenômeno social bastante interessante no Brasil é o chamado sincretismo religioso. Este é o resultado do contato social entre povos e grupos, resultando numa espécie de “fusão” ou “amálgama” de determinadas características distintas desses grupos, referentes a elementos religiosos e culturais. É, portanto, a existência comum de traços culturais e religiosos, originalmente Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE diferentes, que poderiam ser interpretados até como incompatíveis ou antagônicos, mas que acabam se apresentando como um só elemento novo e único (Oliveira; Costa, 2016, p. 307). O sincretismo religioso no Brasil tem relação com a formação social e econômica do colonialismo brasileiro e as relações com os povos originários e a população escravizada em nosso país. Como exemplos do sincretismo no Brasil, podemos mencionar a Umbanda, religião de matriz africana e afro-brasileira, que se utiliza da mistura de elementos do catolicismo, do espiritismo e do candomblé. O catolicismo popular é também um exemplo de sincretismo, como por exemplo, o culto à Nossa Senhora dos Navegantes e Iemanjá. O fenômeno da religião e das relações culturais em nosso país é um rico objeto de estudos para o desenvolvimento de uma perspectiva que integre as relações entre educação, diversidade e religiosidades. O sincretismo, por exemplo, pode ser trabalhado nas escolas na forma de uma interessante experiência didática que contemple essas relações sociais e culturais. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Direito à liberdade, escolha, prática e expressão da religiosidade Estudar sobre religião e religiosidades é falar no direito à liberdade, escolha, prática e expressão da religiosidade, que pode ser feito na escola, de modo que o reconhecimento, a valorização e o respeito à diferença social e cultural possam ser amplamente disseminados na comunidade escolar e na sociedade como um todo. No entanto, para se pensar no papel das escolas, sobretudo as escolas públicas, é preciso ter o cuidado para que uma determinada religião não se torne hegemônica (dominante) perante as demais religiões, manifestações e expressões culturais das religiosidades na convivência escolar. O exercício da laicidade do Estado e da escola indica que não se deve apoiar nenhuma religião; no entanto, diante da pluralidade religiosa com que se constitui a sociedade brasileira, considerando a religião é algo extremamente importante para a maioria dos brasileiros, a escola pode oportunizar os estudos sobre religião de modo a valorizar as identidades sociais e culturais – em que pode-se aproveitar para trabalhar a questão do respeito e da tolerânciaem nosso país. Essa forma de conhecer possui um elemento importante na forma que se realiza no exame dos fenômenos sociais: o estranhamento e a desnaturalização. Essa é uma contribuição do conhecimento sociológico, bastante importante de ser utilizado nas práticas em educação e diversidade. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE A mudança deve começar na postura e na qualidade de espírito, de modo que nos ajude a usar a informação e a desenvolver a razão com vistas a perceber, com lucidez, o que está ocorrendo no mundo e o que pode estar acontecendo dentro de nós mesmos (Mills, 1975). A imaginação sociológica capacita seu possuidor a compreender o cenário histórico mais amplo, em termos de seu significado para a vida íntima e para a carreira exterior de numerosos indivíduos. Permite-lhe levar em conta como os indivíduos, na agitação de sua existência diária, adquirem frequentemente uma consciência falsa de suas posições sociais. Dentro dessa agitação, busca-se a estrutura da sociedade moderna, e dentro dessa estrutura são formuladas as psicologias de diferentes homens e mulheres. Através disso, a ansiedade pessoal dos indivíduos é focalizada sobre fatos explícitos e a indiferença do público se transforma em participação nas questões públicas (Mills, 1975, p. 11-12). A imaginação sociológica, ou seja, a desnaturalização da forma com que o conhecimento se constrói e se apresenta na escola é um exercício que deve ser feito para se pensar Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE nos currículos, nos materiais didáticos e nos conteúdos que devem ser trabalhados na escola. É justamente essa capacidade que torna importante a presença da sociologia no contexto da educação escolar, uma vez que essa ciência estuda os comportamentos dos indivíduos e grupos sociais, desnaturalizando, inclusive, suas relações e os papéis sociais de instituições diversas, como a família, a escola e a sociedade. Sabe-se que as narrativas presentes em boa parte do nosso cotidiano são pertencentes aos interesses das classes dominantes. E isso se verifica nas matrizes e nos currículos escolares, ou seja, as narrativas dominantes estão presentes a todo momento na escola. Você deve se lembrar do que estudamos nas aulas anteriores, sobre Pierre Bourdieu e o seu conceito de violência simbólica. A correção de narrativas dominantes, especialmente nas escolas, deve promover uma educação inclusa, sensível e democrática. A educação para a diversidade, portanto, vai na contramão de um modelo de reprodução da violência simbólica, na qual estamos inseridos. Vimos em estudos anteriores que devemos revisar os conteúdos e as estruturas para que não se reproduzam as relações sociais de dominação e de poder que, por sua vez, se relacionam ao epistemicídio. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Os estudos em educação e diversidade nos ajudam a pensar como a escola lida com a questão das diferenças culturais nos sistemas de ensino, currículos e matrizes curriculares. Quando pensamos na história da educação brasileira e nas relações entre a diversidade e as políticas da diferença, é preciso reconhecer os avanços, as rupturas e os retrocessos ao longo do tempo. A educação e a diversidade ajudam nesse processo. Para que seja promovida uma educação crítica, na qual o questionamento constante é o motor do conhecimento, as bases normativas constituídas nas escolas e na sociedade devem ser examinadas. Um exemplo é o questionamento de gênero nas narrativas dos livros didáticos de história (Meyrer; Karawejczyk, 2021). Sabe-se que é preciso, diante dos estudantes, uma proposta de reflexão sobre a realidade em que nos inserimos em suas múltiplas dimensões, sejam elas culturais, políticas, sociais, econômicas, entre outras. O processo de reflexão realiza-se na capacidade de problematização das diversas formas de desigualdades, a partir de ações efetivas para a correção de narrativas dominantes. A escola é, nesse sentido, a instituição pioneira nesse processo, e deve partir dela a necessidade do exercício Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE reflexivo e crítico em todos os aspectos. É preciso repensar a escola, em todas as suas dimensões, de modo a contribuir com a desconstrução de estereótipos e preconceitos e a inclusão de múltiplas perspectivas. Com isso, valoriza-se na escola a diversidade cultural e identitária. Siga em Frente... Siga em Frente... Currículo inclusivo, responsivo e epistemologias plurais Para pensar um modelo de sociedade mais inclusivo, democrático e justo, sabe-se da importância de desenvolver nas escolas um currículo inclusivo, responsivo e com epistemologias plurais, no qual sejam contempladas todas as formas de diversidade e inclusão, as questões étnico-raciais, de gênero, de pessoas com deficiência etc. É muito importante o desenvolvimento de um currículo responsivo na escola, que contemple a pluralidade das epistemologias existentes, de modo a abarcar conhecimentos e saberes de todos os povos que fazem parte da identidade sociocultural brasileira. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE É preciso descolonizar o currículo da educação básica para que sejam incluídas as diversidades de saberes e formas de conhecimento que se originam a partir da cultura dos estudantes. Perceba que repensar a escola envolve reestruturar e reorganizar a instituição em seus aspectos estruturais, formais e organizacionais. Falamos em acessibilidade, em matrizes curriculares, organização do currículo e disciplinas, entre outros elementos importantes, para um ensino mais inclusivo, de modo que se estabeleça a cultura da não violência. A construção de um currículo inclusivo e responsivo, no qual se verifica a flexibilidade curricular, leva à necessidade de refletir sobre as mudanças nas políticas educacionais e a relação destas com a educação inclusiva. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE [...] A ação pedagógica conduz o indivíduo para a vida em sociedade, produzindo cultura e usufruindo dela. É certo que as modificações em todos os âmbitos da sociedade afloram as desigualdades, de modo a impulsionar discussões sobre as exclusões e suas consequências e lançar a semente do descontentamento e da discriminação social, evidenciando-se pela necessidade de mudanças nas políticas públicas (Minetto, 2021, p. 18). Trabalhar as diversas epistemologias, formas de conhecimento e outros saberes presentes na escola a partir da influência cultural dos estudantes, e não valorizar apenas uma perspectiva de conhecimento. É preciso respeitar toda a diversidade epistemológica e a contribuição de vários povos no processo de construção do conhecimento. Verificamos, assim, o desenvolvimento da criticidade, elemento essencial em educação e diversidade, com o qual os fenômenos sociais são examinados, tendo como premissa, a não naturalização dos fenômenos sociais presentes em nossa realidade. Esse exercício deve se fazer presente na elaboração de um currículo inclusivo, responsivo e que valorize as epistemologias plurais. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE De modo geral, as práticas educativas de um ensino para a diversidade têm como objetivo a construção de um ambiente de aprendizado mais inclusivo, respeitoso e enriquecedor, no qual a diversidade seja não apenas reconhecida, mas celebrada e valorizada como um elemento fundamental para o crescimento pessoal e social dos estudantes. E isso é muito importante, pois, somente assim, será possível a construção de uma escola mais acolhedora, para que possamos contribuir com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Vamos Exercitar? Vamos Exercitar? Buscou-se com esses estudos desenvolver uma abordagem holística para a educação a partir de categorias teóricas e analíticas sobre a diversidade. As práticas educativas e a diversidade abordam conhecimentos e temas importantes para pensar nos valores socioemocionais e afetivos a elas relacionados. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Vamos retomar os questionamentos iniciais: de que modo é possível proporcionar uma educação centrada no amore na empatia? Quais narrativas dominantes estão presentes nas escolas e nas relações sociais? Por que a revisão e a correção de narrativas dominantes, e especialmente nas escolas, se fazem necessárias? De que modo é possível desenvolver nas escolas um currículo inclusivo, responsivo e com epistemologias plurais? Qual a importância disso? Você compreendeu que educar para a diversidade e suas práticas diversas, inclusivas e democráticas corresponde a uma educação centrada no amor e na empatia. O conceito de imaginação sociológica é um interessante exercício para os estudos em educação e diversidade, para que possa haver a desnaturalização de todos os aspectos que constituem as relações sociais. Você viu que amor e empatia devem ser o “carro-chefe” de uma prática educativa voltada à diversidade sociocultural em que nos inserimos. Deve haver amor e empatia na escola para uma educação da diversidade, que contribui para proporcionar ambientes mais inclusivos, sensíveis e responsivos às necessidades diversas de todos os estudantes, buscando abranger a comunidade escolar e a sociedade como um todo, de acordo com o que você estudou. Estamos falando de uma educação mais humanizada, que se propõe a ouvir mais, e que se coloca no lugar das pessoas, ou seja, ressalta-se o partilhamento de um modelo de educação mais empática, Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE pautado no amor pelo conhecimento e no respeito às diferenças e à diversidade social e cultural. Você estudou que as narrativas dominantes estão presentes em nosso cotidiano, como, por exemplo, a partir de um conjunto de conhecimentos coloniais centrais previstos em matrizes e currículos escolares e reproduzidos nas relações sociais. As narrativas dominantes estão presentes a todo momento na escola, de acordo com o que se analisou a partir do conceito de violência simbólica de Pierre Bourdieu. Você percebeu a necessidade de corrigir as narrativas dominantes, especialmente aquelas vivenciadas no cotidiano das escolas, o que é necessário para que se promova uma educação inclusiva, sensível e democrática. Você estudou também que o processo de reflexão se realiza na capacidade de problematização das diversas formas de desigualdades, de modo a problematizá-la a partir de ações efetivas para a correção de narrativas dominantes. Você pôde perceber que os estudos em educação e diversidade ajudam a pensar sobre como a escola lida com a questão das diferenças culturais nos sistemas de ensino, currículos e matrizes curriculares. Nesse sentido, um modelo de sociedade mais inclusivo, democrático e justo, requer o desenvolvimento de um currículo inclusivo, responsivo e com epistemologias plurais nas escolas. Você estudou que é preciso descolonizar o currículo da educação básica para que sejam incluídas as diversidades de saberes e as formas de Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE conhecimento que se originam a partir da cultura dos estudantes. Sobre o currículo inclusivo, estamos falando sobre a acessibilidade em matrizes curriculares, na organização do currículo e disciplinas, entre outros elementos importantes, para um ensino mais inclusivo, de modo que se estabeleça a cultura da não violência, como você pôde perceber. A construção de um currículo inclusivo e responsivo, no qual se verifica a flexibilidade curricular, leva à necessidade de refletir sobre as mudanças nas políticas educacionais e na sua relação com o modelo de educação inclusiva. Enfim, você estudou que é por meio da criticidade que os fenômenos sociais são examinados, tendo como premissa a “não” naturalização dos fenômenos sociais de nossa realidade, o que deve estar presente na elaboração de um currículo inclusivo, responsivo e que valorize as epistemologias plurais. Saiba mais Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Saiba mais A educação centrada no amor e na empatia Aprofunde seus estudos sobre as relações que envolvem educação, empatia e solidariedade e as relações com educação e diversidade por meio da leitura do Capítulo 2: Valor da vida e valor do mundo: vida ética com os outros do livro Empatia e solidariedade, de Cesar Augusto Erthal e Paulo César Nodari. O livro está disponibilizado em nossa Biblioteca Virtual. Revisão e correção de narrativas dominantes Para o aprofundamento dos seus estudos sobre o conceito de gênero nas narrativas históricas dos livros didáticos de história, recomendamos a leitura do Capítulo – Gênero nas narrativas históricas dos livros didáticos de história: a questão das identidades, de Paula Ungaretti Monteiro, no livro Narrativas de gênero: as várias faces dos estudos de gênero, de Marlise Regina Meyrer e Mônica Karawejczyk. Esse livro está disponibilizado em nossa Biblioteca Virtual. Currículo inclusivo, responsivo e epistemologias plurais Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/187847/pdf/0?code=taITARSXsgsJF3fCXeodYtXem+oVfKdBQUp0evzyTeMt8GcukBIpM6KJ15j8lYpE+8jAu/9xuSPOIJAjvCNEvA== https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/193521/epub/0?code=ySAyy3zWrwdagQNcvCwco/dhGXVFNPlULx9STk+Ew0M3LLyU4bA4pkgDKd+54upnaAD28OpUthGRo/PvWK+tsg== https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/193521/epub/0?code=ySAyy3zWrwdagQNcvCwco/dhGXVFNPlULx9STk+Ew0M3LLyU4bA4pkgDKd+54upnaAD28OpUthGRo/PvWK+tsg== Para o aprofundamento dos estudos sobre o currículo inclusivo, responsivo e as epistemologias plurais, recomendamos a leitura do Capítulo 1 – Entendendo a necessidade de mudanças, do livro Currículo na educação inclusiva: entendendo esse desafio, de Maria de Fatima Minetto. Referências Referências ERTHAL, C. A.; FABRI, M.; NODARI, P. C. Empatia e solidariedade. 1. ed. Porto Alegre: Educs, 2019. MEYRER, M. R.; KARAWEJCZYK, M. Narrativas de gênero: as várias faces dos estudos de gênero. 1. ed. Porto Alegre: ediPUCRS, 2021. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/187020/pdf/0?code=MSvn6HoJxKPQMVn6u3YR2OqdScvje7kgaFj6SAaW35Zh6+ykoTok7roWsil0NMC1JZuPlh8tUs58xKXNzPmoNA== https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/187020/pdf/0?code=MSvn6HoJxKPQMVn6u3YR2OqdScvje7kgaFj6SAaW35Zh6+ykoTok7roWsil0NMC1JZuPlh8tUs58xKXNzPmoNA== MILLS, C. W. A imaginação sociológica. Rio de Janeiro: Zahar, 1975. MINETTO, M. de F. Currículo na educação inclusiva: entendendo esse desafio. 2. ed. Curitiba: Intersaberes, 2021. OLIVEIRA, L. F. de; COSTA, R. C. R. da. Sociologia para jovens do século XXI: manual do professor. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2016. PREVITALLI, I. M.; VIEIRA, H. E. S. Educação e diversidade. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2017. Aula 5 Encerramento da Unidade Videoaula de Encerramento Videoaula de Encerramento Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Chegada Ponto de Chegada Educar para a diversidade é compreender a importância do papel do educador na construção de uma sociedade mais inclusiva, justa e igualitária, na qual se deve levar em Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE consideração todas as especificidades sociais e culturais da sociedade brasileira. Dessa forma, conforme estudamos, compete-nos conjecturar práticas educativas significativas, relevantes e contextualizadas e pautadas na compreensão lógica e racional da diversidade sociocultural, de acordo com as reflexões trazidas nesta unidade. Educação e liberdade religiosa Os estudos em educação e liberdade religiosa são essenciais para uma educação inclusiva, plural e democrática. Em educação e diversidade, é preciso reconhecer o exercício da religião como um direito, o que leva à necessidade de respeitar todas as religiões, para que as práticas culturais diversas sejam realizadas. A singularidade de nosso país é significativa nesses estudos, pois nos caracterizamos pela diversidade sociocultural existente em relação às religiões da população brasileira,marcada por uma vasta e diversa mistura étnico-racial e cultural. O sincretismo, dessa forma, é interessante ser trabalhado e explorado nas escolas, de modo que as relações sociais e culturais em nosso país sejam abordadas e preservadas. Diante da pluralidade religiosa com que se constitui a sociedade brasileira, de que a religião é algo extremamente importante para a maioria dos brasileiros, a escola tem o Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE papel de oportunizar os estudos sobre religião, de modo a valorizar as identidades sociais e culturais, aproveitando-se disso para trabalhar a questão do respeito e da tolerância religiosa e cultural. Isso contribui para a eliminação de práticas de intolerância e de discriminação religiosa. O componente curricular de Ensino Religioso, nesse sentido, é um meio importante para trabalhar a prevenção e o combate às intolerâncias nas escolas. A cultura da paz e o aceite da diversidade das religiões é fator indispensável para a promoção da diversidade social e cultural e, consequentemente, o combate a todas as formas de violência, especialmente as questões relacionadas à religião na escola, fatores importantes para a conscientização das pessoas, de modo a promover uma cultura da tolerância. A laicidade da educação escolar é competência de todas as escolas, para que contribuam com a erradicação das intolerâncias religiosas e de quaisquer outras formas de discriminação ou de violência que possa haver com qualquer religião e sua expressividade. Educação intergeracional Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Pensar em educação intergeracional é pensar no etarismo, compreendido como um marcador social da diferença. Esses estudos são importantes em educação, diversidade e suas interseccionalidades, pois a perspectiva do etarismo baseia- se na discriminação, estereótipos e preconceitos relacionados à idade. O acolhimento e a valorização de estudantes de diferentes faixas etárias, para que a educação possa contemplar a todos em uma abordagem relacionada à educação intergeracional e inclusiva, se faz necessário no atual contexto histórico em que nos inserimos. E a educação tem um papel importante nesse processo. Essas medidas podem acarretar no desenvolvimento de políticas públicas educacionais e de desenvolvimento, contribuindo com a diminuição das desigualdades educacionais e sociais historicamente constituídas e verificadas em nosso país. O Estado tem um papel importante no sentido de se promoverem políticas públicas educacionais de acolhimento de jovens e adultos que oportuniza a educação de jovens e adultos em todas as modalidades de ensino da educação básica, por isso a atuação conjunta entre escola, família e sociedade, visando à promoção da educação, ao acolhimento e à valorização de diferentes faixas etárias, para que se possa contribuir com a criação de meios e oportunidades para todos as pessoas, é necessária. Exige- nos, dessa forma, um olhar diferenciado que contribua com Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE o acolhimento de todos no espaço escolar, que deve ser praticado pelos educadores e pela escola de modo geral. A educação de jovens e adultos, inserida no bojo dos programas sociais de educação de adultos, objetiva oferecer oportunidades educacionais para jovens, adultos e idosos na retomada de seus estudos. A EJA pauta-se pela garantia da educação básica, da qualificação profissional e das ações de cidadania, além disso, deve possuir a flexibilidade de horários e modalidades de ensino, assim como a inclusão de temáticas relevantes para que o jovem, adulto ou idoso possam se interessar pelo que está sendo proposto a estudar. Enfim, as políticas públicas e os programas sociais governamentais previstos para a EJA são importantes para a construção de uma sociedade mais igualitária, essencial na garantia e permanência da educação, compreendida como um direito de todas as pessoas, contemplando todas as faixas etárias para o exercício da educação. Uma educação contextualizada, relevante e significativa Uma educação contextualizada, relevante e significativa exige dos educadores um olhar para que o conhecimento das diferenças regionais, os aspectos de sua comunicação e suas características sejam proporcionados, fazendo esse trabalho de modo inclusivo e respeitoso em relação às Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE diversidades do povo brasileiro. A valorização da cultura local é necessária e fundamental para que as identidades sociais e culturais sejam reforçadas em nosso meio e convivência social. A educação escolar tem esse papel bastante importante no processo de conscientização. A comunicação e as formas de diálogo acessível, contemplando as especificidades da diversidade regional e linguística, devem ser bem exploradas em sala de aula e na escola como um todo. Isso leva à necessidade de trazer as análises da vida social e rural brasileira a partir do cotidiano das pessoas, da maneira com que as relações sociais e de produção são realizadas no dia a dia. A educação do campo corresponde a uma modalidade de estudos adaptada às especificidades e características da população do campo, e tem as suas especificidades em relação aos modos de vida, demonstrando mais uma faceta das formas da diversidade educacional, que é refletida pela diversidade sociocultural com que nos constituímos enquanto povo brasileiro. As práticas culturais devem ser preservadas e valorizadas no processo educacional como um todo e compreendendo as especificidades, preservando e garantindo os direitos aos povos originários, populações do campo, comunidades quilombolas, populações ribeirinhas, assentadas, entre outras pessoas. A educação quilombola é fundamental para que memórias das pessoas descendentes de negros e indígenas escravizados, que resistiram, fugiram Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE e se constituíram nos quilombos no contexto da colonização, lutando por direitos fundamentais do ser humano, como o da liberdade, sejam preservadas. Por isso, a necessidade de se valorizar as histórias dos povos quilombolas, de modo que não haja apagamento das memórias coletivas. As vivências, práticas e atividades na educação do campo e quilombola são essenciais e se constituem enquanto metodologias ativas. Nesse sentido, é importante trabalhar de forma prática a educação do campo, uma vez que a vida rural tem as suas especificidades, que podem ser mais bem aproveitadas nas escolas que ofertam essa modalidade educacional. Reflita De que modo é possível desenvolver uma educação contextualizada, relevante e significativa com os estudantes em uma abordagem sobre a diversidade regional e linguística? Práticas educativas e diversidade Práticas educativas e diversidade constitui-se um conjunto de ações voltadas à valorização da diversidade, da inclusão, do estabelecimento de meios democráticos para pensar na educação. O conceito de imaginação sociológica contribui para a proposição de um exercício reflexivo pautado na desnaturalização de todos os aspectos que constituem as Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE relações sociais. Amor e empatia devem estar presentes na prática educativa voltada à diversidade sociocultural. Isso contribui para proporcionar ambientes mais inclusivos, sensíveis e responsivos ante as necessidades diversas de todos os estudantes nas escolas, abrangendo a comunidade escolar e a sociedade de modo geral. As narrativas dominantes presentes em nosso cotidiano precisam ser desconstruídas, e isso se verifica nas matrizes e nos currículos escolares. Pode-se associar a esse fenômeno, o conceito de violência simbólica de Pierre Bourdieu. A ideia é a de que se possa corrigir narrativas dominantes, especialmente aquelas vivenciadas no cotidiano das escolas. Isso é necessário para uma educação mais inclusiva, sensível e democrática. O processo de reflexão se realiza na capacidade de problematização das diversas formas de desigualdades, de modo a problematizá-las a partir de ações efetivas para a correção de narrativas dominantes. Um modelo de sociedade mais inclusivo,democrático e justo, requer o desenvolvimento de um currículo inclusivo, responsivo e com a presença de epistemologias plurais nas escolas. É necessário descolonizar o currículo da educação básica para que sejam incluídas as diversidades de saberes e de formas de conhecimento que se originam a partir da cultura dos estudantes. Um currículo inclusivo, portanto, requer a acessibilidade, a incorporação de saberes nas matrizes Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE curriculares, a reorganização do currículo e das disciplinas, entre outros elementos importantes, de modo que se estabeleça a cultura da não violência nas escolas. A construção de um currículo inclusivo e responsivo, no qual se verifica a flexibilidade curricular, leva a necessidade de se refletir sobre as mudanças nas políticas educacionais e da relação destas com o modelo de educação inclusiva e contextualizada. A criticidade com que os fenômenos sociais são examinados, tendo como premissa a não naturalização dos fenômenos sociais, que devem se fazer presentes no cotidiano da realidade escolar, contribui com a construção de um currículo inclusivo, responsivo e que valorize as epistemologias plurais. Reflita Por que se faz necessária a revisão e correção de narrativas dominantes nos currículos da educação básica? É Hora de Praticar! É Hora de Praticar! Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Para o estudo de caso desta unidade, imagine-se como professor de uma turma do 6º ano do ensino fundamental de uma escola brasileira e que está propondo o desenvolvimento de estudos sobre a questão da religiosidade. Como uma outra escola qualquer de nosso país, essa escola atende uma população bastante diversificada social e culturalmente, composta por estudantes de diferentes origens étnicas, culturais e socioeconômicas. Nessa turma, em específico, há uma grande variedade em relação à diversidade cultural e religiosa, contendo estudantes de diversas matrizes religiosas presentes no Brasil, ou seja: do catolicismo, do candomblé, da umbanda, do protestantismo neopentecostal, do espiritismo kardecista, da teologia da libertação e dos carismáticos. Sabe-se que, para esse trabalho, é preciso levar em consideração as características da turma. Trata-se de Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE crianças recém-chegadas ao ensino fundamental II, portanto, geralmente são bastante agitadas e precisam aprender e desenvolver muitos valores e normas relacionados à boa convivência social. A escola vem tendo muitos desafios relacionados à questão da diversidade social e cultural e isso pode ser uma grande oportunidade para contribuir com o combate ao preconceito, à discriminação e à intolerância a partir das diferenças culturais entre as religiões. O reconhecimento das diferenças socioculturais e dos direitos à prática religiosa em nosso país são fundamentais e necessários para pensar em educação e diversidade nas escolas. Além disso, deve-se ter em mente um modelo de educação pautado no diálogo intercultural e laico. Afinal, todas as culturas, incluindo as religiosidades, são elementos importantes e devem ter suas práticas e manifestações respeitadas e valorizadas no cotidiano das escolas. Como você pôde perceber, são muitos os desafios relacionados a essas questões, sobretudo quando a premissa consiste em educar para a diversidade. Diante de tal contexto, você tem uma grande oportunidade para promover uma educação democrática e inclusiva. Pensando nisso, reflita sobre as questões a seguir: como você faria para trabalhar os conteúdos sobre religião e religiosidades? Quais as possibilidades de implementar na escola, a partir dessa turma, práticas eficazes de reconhecimento e de respeito à diversidade cultural e religiosa? Quais as propostas de atividades para o desenvolvimento de Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE conteúdos com essa turma sobre o tema em questão? Como promover um diálogo intercultural e inter-reliogoso? Reflita Antes de responder ao estudo de caso proposto, reflita sobre este questionamento: por que educar para a diversidade contribui com a formação crítica, humana e cidadã? Se necessário, retome os estudos desta unidade! Resolução do Estudo de Caso Para que possamos resolver esse estudo de caso, precisamos sempre nos lembrar de que os estudos em educação e diversidade promovem um olhar para a compreensão das identidades socioculturais e sua diversidade. Isso envolve pensar também no âmbito das religiosidades e suas relações com a educação, para que tal exercício seja cada vez mais valorizado nas escolas. Inclusive, deve-se levar em consideração que o brasileiro é um povo bastante religioso. Lembre-se de que você está se colocando no lugar de um professor de uma turma do 6º ano do ensino fundamental de uma escola brasileira e que está propondo estudos sobre a questão da religiosidade. Essa escola atende uma Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE população bastante diversificada social e culturalmente, composta por estudantes de diferentes origens étnicas, culturais e socioeconômicas. Respondendo às perguntas propostas: Você pode promover na escola uma abordagem plural e informativa, valorizando as diferenças religiosas. Isso pode ser feito mediante o constante diálogo com os estudantes, professores e demais atores das escolas. Durante os estudos sobre a questão da religiosidade, você tem a oportunidade de trazer conhecimentos sobre todas as religiões, de modo que se proporcione o exercício da alteridade. Além disso, você pode incentivar que respeitem as crenças individuais, especialmente se forem minorias nas escolas. Nesse exercício, pode-se promover o diálogo e a compreensão sobre a importância da diversidade social e cultural de nosso país, portanto, um fator positivo. Em toda a escola, você pode contribuir para a promoção do respeito, da tolerância e da compreensão mútua entre todos, propondo atividades interdisciplinares que envolvam todos os estudantes e demais atores e setores da escola, contribuindo para a construção de uma convivência harmoniosa e inclusiva na escola. Você pode contribuir com a criação de um ambiente escolar inclusivo, desenvolvendo e sistematizando um conjunto de atividades interdisciplinares ao longo de todo o ano letivo. Em suma, a ideia é que, com essas ações, sejam desenvolvidas condições para a construção de um ambiente Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE escolar mais inclusivo e acolhedor para todos, independentemente da religião de cada um e das condições ou vivências. Assimile O mapa mental proposto faz um recorte da nossa unidade de estudos, objetivando apresentar as características do componente curricular de Ensino Religioso e as relações com educação e diversidade. Fonte: elaborada pelo autor. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Referências BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. CORTELLA, M. S.; RIOS, T. A. Vivemos mais! vivemos bem?: por uma vida plena. 2. ed. Campinas, SP: 7 Mares, 2023. DUTRA, T. B. Em busca de autonomia: quilombolas e políticas públicas. 1. ed. Jundiaí, SP: Paco e Littera, 2022. ERTHAL, C. A.; FABRI, M.; NODARI, P. C. Empatia e solidariedade. 1. ed. Porto Alegre: Educs, 2019. MEYRER, M. R.; KARAWEJCZYK, M. Narrativas de gênero: as várias faces dos estudos de gênero. 1. ed. Porto Alegre: ediPUCRS, 2021. MILLS, C. W. A imaginação sociológica. Rio de Janeiro: Zahar, 1975. MINETTO, M. de F. Currículo na educação inclusiva: entendendo esse desafio. 2. ed. Curitiba: Intersaberes, 2021. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE OLIVEIRA, L. F. de; COSTA, R. C. R. da. Sociologia para jovens do século XXI: manual do professor. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2016. PEREIRA, M. L. A construção do letramento na educação de jovens e adultos. 1. ed. São Paulo: Autêntica, 2007. PREVITALLI, I. M.; VIEIRA, H. E. S. Educação e diversidade. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2017. ROCHA, M. I. A.; MARTINS, A. A. Educação do campo: desafios para a formação de professores. 1. ed. São Paulo: Autêntica, 2013.SANTOS, S. R. dos. Comunidades quilombolas: as lutas por reconhecimento de direitos na esfera pública brasileira. 1. ed. Porto Alegre: ediPUCRS, 2014. SILVA, A. N. O. (org.). Conhecimento e docência: caminhos cruzados na educação de jovens e adultos. 1. ed. Jundiaí, SP: Paco e Littera, 2021. STIVAL, D. A educação do campo e o MST: trabalho e práticas sociais com assentados da reforma agrária. 1. ed. São Paulo: Vozes, 2022. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE TENÓRIO, R. J. M. Liberdade Religiosa e Discurso de Ódio. Grupo Almedina: Portugal, 2023. WILLMS, K. História e legislação do ensino religioso. 1. ed. São Paulo: Contentus, 2020. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 17 dez. 2023. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADEreligiosa e cultural. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Nos estudos sobre o direito à liberdade, escolha, prática e expressão da religiosidade, pode-se ressaltar a legislação que garante a liberdade religiosa para todos, na forma de direito de culto, de proteção aos locais de culto e liturgias, assim como a garantia à assistência religiosa. Na passagem a seguir, estão descritos os direitos à liberdade religiosa, garantidos pela Constituição Cidadã de 1988. A Constituição Federal brasileira consagrou uma ampla proteção à liberdade religiosa, prevendo em diversos momentos garantias e direitos relativos à manifestação da religião, seja em âmbito individual, coletivo, institucional, público e privado. A primeira referência à religião está no preâmbulo da Constituição Federal brasileira, que faz expressa menção a Deus, como protetor da promulgação da nova ordem constitucional. Em seguida, no artigo 5a, incisos VI, VII e VIII tutelam a liberdade religiosa, o direito de culto, a proteção aos locais de culto e às liturgias; bem como garantem a assistência religiosa, nas entidades civis e militares de internação coletiva, além de estabelecerem o dever fundamental do Estado de não privar de direitos uma pessoa por motivos religiosos (Tenório, 2023, p. 40). Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Perceba que a Constituição Federal brasileira proporciona a ampla proteção à liberdade religiosa. No entanto, na perspectiva dos estudos em educação e diversidade, cabe ressaltar a importância do exercício do diálogo. O diálogo é uma conversa entre duas ou mais pessoas, que trocam ideias, com vistas a um entendimento e uma concordância para conviverem uma com as outras, inclusive no campo religioso. Diante disso, o diálogo busca a paz, o amor e a fraternidade. Em um mundo marcado pelo advento das novas tecnologias, comunicações, migrações e trocas culturais, o diálogo entre culturas diferentes se faz cada vez mais necessário para uma convivência saudável e a sobrevivência de todas elas. O diálogo entre as culturas, como se pode perceber, faz parte da responsabilidade de um projeto de vida pela paz mundial. Dessa maneira, o diálogo inter-religioso é fundamental para a construção da paz e de um mundo melhor. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Figura 1 | Cultura e diversidade religiosa – Registro de bandeiras de oração budistas hasteadas no planalto tibetano penduradas por budistas locais como forma de enviar suas orações aos céus. Fonte: Wikimedia Commons. Quando tratamos das religiões, o diálogo inter-religioso é extremamente importante e benéfico para toda a sociedade, de modo que a religião seja compreendida sob a perspectiva da diversidade cultural. Por isso, a escola pode ser uma instituição fundamental nesse processo. Como se percebe, em religião não existe verdade absoluta, pois, se assim for, ocorrerão práticas e formas de intolerância e de discriminação de uma perspectiva religiosa em detrimento de outra. O direito à liberdade religiosa, portanto, não impede o exercício da liberdade individual das pessoas que são diferentes. Isso tudo deve ser adotado do ponto de vista da religião. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Siga em Frente... Siga em Frente... A educação e o papel da prevenção e combate às intolerâncias Para trabalhar a educação e o papel da prevenção e combate às intolerâncias nas escolas, pode-se pensar no componente curricular de Ensino Religioso. Pode-se perceber que “as intolerâncias se manifestam de diversas maneiras e pode ser imputada em relação a: religião, diferentes etnias, raças, nacionalidades, times de futebol, partidos políticos, estrangeiros e discriminações correlatas” (Previtalli; Vieira, 2017, p. 185-186). Essa área do conhecimento, que se pauta na escola sob o âmbito científico, aprofunda os conhecimentos sobre cultura e diversidade para os estudantes, e investiga a manifestação de fenômenos religiosos em diferentes culturas e sociedades enquanto um dos bens simbólicos resultantes da busca humana por respostas aos enigmas do mundo, da vida e da morte (Brasil, 2018). Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Os fenômenos ligados ao campo da religião envolvem distintos sentidos e significados de vida, “em torno dos quais se organizaram cosmovisões, linguagens, saberes, crenças, mitologias, narrativas, textos, símbolos, ritos, doutrinas, tradições, movimentos, práticas e princípios éticos e morais” (Brasil, 2018) e são, portanto, parte integrante do substrato cultural da humanidade. A intolerância religiosa no Brasil tem uma leitura peculiar. Mesmo que a legislação nacional assegure a liberdade de crença e de culto, a intolerância religiosa é uma realidade. Embora haja denúncias de intolerância e discriminação religiosa em relação às inúmeras religiões que se apresentam no panorama nacional, são as religiões afro- brasileiras os alvos mais comuns desse fenômeno. A intolerância às religiões afro-brasileiras não é uma novidade. Elas foram, durante toda sua história, estigmatizadas como baixo espiritismo, feitiçaria, magia negra e essas marcas ainda estão presentes no imaginário brasileiro (Previtalli; Vieira, 2017, p. 185-186). Perceba que estabelecer uma cultura da paz no âmbito do aceite da diversidade das religiões é fator indispensável e Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE contribui com o combate às intolerâncias culturais e religiosas. Nesse sentido, sob o viés da laicidade da educação escolar, compete às escolas contribuírem com a erradicação das intolerâncias religiosas e de quaisquer formas de discriminação ou de violência que possa haver com qualquer religião e sua expressividade. A disciplina de ensino religioso, nesse sentido, é muito importante nesse processo, e isso se percebe nas competências dessa área do conhecimento segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Cabe ao Ensino Religioso tratar os conhecimentos religiosos a partir de pressupostos éticos e científicos, sem privilégio de nenhuma crença ou convicção. Isso implica abordar esses conhecimentos com base nas diversas culturas e tradições religiosas, sem desconsiderar a existência de filosofias seculares de vida. [...] Por isso, a interculturalidade e a ética da alteridade constituem fundamentos teóricos e pedagógicos do Ensino Religioso, porque favorecem o reconhecimento e respeito às histórias, memórias, crenças, convicções e valores de diferentes culturas, tradições religiosas e filosofias de vida. O Ensino Religioso busca construir, por meio do estudo dos conhecimentos religiosos e das Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE filosofias de vida, atitudes de reconhecimento e respeito às alteridades. Trata-se de um espaço de aprendizagens, experiências pedagógicas, intercâmbios e diálogos permanentes, que visam o acolhimento das identidades culturais, religiosas ou não, na perspectiva da interculturalidade, direitos humanos e cultura da paz. Tais finalidades se articulam aos elementos da formação integral dos estudantes, na medida em que fomentam a aprendizagem da convivência democrática e cidadã, princípio básico à vida em sociedade. Considerando esses pressupostos, e em articulação com as competências gerais da Educação Básica, a área de Ensino Religioso – e, por consequência, o componente curricular de Ensino Religioso –, devem garantir aos alunos o desenvolvimento de competências específicas (Brasil, 2018, p. 436-437). Perceba a importância da área do ensino religioso para os estudos em educação e diversidade e do diálogo como exercício que deve prevalecer em todos os espaços educativos, para que se conheça as diferentes culturas, tradições religiosas e filosofias da vida. Assim como o conceito de cultura, pode-se dizer que as religiões são múltiplas e devem ser valorizadas e reconhecidas em sua diferença. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Os projetos culturais e interdisciplinares e as relações com o componente cultural de ensino religioso e a abordagem interdisciplinar, envolvendo outros atores da escola, são fundamentaisnesse processo educacional. A convivência harmoniosa e a tolerância tornam-se, nesse sentido, essenciais na construção da paz, pois é graças a ela que muitos conflitos e crimes motivados pelo ódio ao diferente podem ser evitados. Vamos Exercitar? Vamos Exercitar? Em nossos resultados de aprendizagem, buscamos desenvolver uma abordagem holística para a educação a partir de categorias teóricas e analíticas sobre a diversidade. As questões relacionadas à religiosidade e diversidade religiosa são fundamentais nos estudos em educação e diversidade. Nesse sentido, vamos retomar algumas questões realizadas em nossa problematização: quais as relações entre educação, diversidade e religiosidades? Como trabalhar a Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE questão da religiosidade na escola? Qual o papel da educação e da escola no combate às intolerâncias religiosas? O que é laicidade na educação? Em educação e diversidade, é preciso reconhecer o exercício da religião como um direito a ser respeitado e praticado. Para entender essa questão, você estudou a importância de analisar as características da composição cultural religiosa no Brasil, que é extremamente plural e sincrética. Você pôde perceber que o fenômeno da religião e das relações culturais em nosso país é um valioso objeto de estudos para o desenvolvimento de uma perspectiva que integre as relações entre educação, diversidade e religiosidades. O sincretismo, dessa forma, é interessante de ser trabalhado e ressaltado nas escolas, de modo que as relações sociais e culturais em nosso país sejam abordadas e preservadas. A escola, nesse sentido, é o lugar propício para que o reconhecimento, a valorização e o respeito à diferença social e cultural sejam amplamente disseminados, na escola e para além dela, ou seja, na comunidade escolar e na sociedade como um todo. Assim, a escola deve oportunizar os estudos sobre religião, de modo a valorizar as identidades sociais e culturais, aproveitando-se disso para trabalhar a questão do Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE respeito e da tolerância religiosa. Isso contribui para a eliminação de práticas de intolerância e de discriminação religiosa. O componente curricular de Ensino Religioso, nesse sentido, é um meio importante para trabalhar a educação e o papel da prevenção e combate às intolerâncias nas escolas, estabelecer uma cultura da paz no âmbito do aceite da diversidade das religiões, fator indispensável para a promoção da diversidade social e cultural. O exercício da laicidade do Estado e da escola promove a imparcialidade da instituição em relação às questões religiosas e pode-se aproveitar da discussão legal para trabalhar a questão do respeito e da tolerância religiosa. É competência de todas as escolas contribuir com a erradicação das intolerâncias religiosas e de quaisquer outras formas de discriminação ou de violência que possa haver com qualquer religião e sua expressividade. Saiba mais Saiba mais Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Questões legais do respeito à liberdade religiosa Para o aprofundamento dos estudos sobre as questões legais do respeito à liberdade religiosa, recomendamos a leitura do Capítulo 2 – Liberdade e discurso religioso na Constituição Federal brasileira de 1988, do livro Liberdade religiosa e discurso de ódio, de Ricardo Jorge Medeiros Tenório. O livro está disponível em nossa Biblioteca Virtual. Direito à liberdade, escolha, prática e expressão da religiosidade Para o aprofundamento dos estudos sobre os dados relativos ao pertencimento religioso dos brasileiros, recomendamos a leitura do texto As religiões no Brasil, de Matheus Pestana. Os dados são resultados do Censo de 2010 do IBGE (2010) de 2009 e da pesquisa Datafolha realizada em 2019. Você pode explorar outras informações sobre religião que estão disponíveis na página Religião e Poder. Para ilustrar e ampliar suas reflexões, ouça a música Procissão, de Gilberto Gil, na qual se apresenta uma reflexão política sobre a condição social do nordestino e sua religiosidade. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788563920287/pageid/0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788563920287/pageid/0 https://religiaoepoder.org.br/artigo/a-influencia-das-religioes-no-brasil/ A educação e o papel da prevenção e combate às intolerâncias Para o aprofundamento dos estudos sobre a educação e o componente de ensino religioso, recomendamos a leitura dos Capítulos 1 – Ensino religioso e 2 – O ensino religioso na escola pública, do livro História e legislação do ensino religioso, de Karin Willms. O livro está disponível em nossa Biblioteca Virtual. Referências Referências BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. OLIVEIRA, L. F. de; COSTA, R. C. R. da. Sociologia para jovens do século XXI: manual do professor. Rio de Janeiro: Imperial Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/191664/pdf/0?code=WWiynTtf8Y3XlLo+J4TemEBrOsMFKjUqE8CRFYwqE/ewLI+ZhfszkJIgDB9xQhzIeURWmi2vw4K3bA7jkzOpSA== https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/191664/pdf/0?code=WWiynTtf8Y3XlLo+J4TemEBrOsMFKjUqE8CRFYwqE/ewLI+ZhfszkJIgDB9xQhzIeURWmi2vw4K3bA7jkzOpSA== Novo Milênio, 2016. PREVITALLI, I. M.; VIEIRA, H. E. S. Educação e diversidade. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2017. TENÓRIO, R. J. M. Liberdade religiosa e discurso de ódio. Portugal: Grupo Almedina, 2023. WILLMS, K. História e legislação do ensino religioso. 1. ed. São Paulo: Contentus, 2020. E-book. Aula 2 Educação Intergeracional Educação intergeracional Educação intergeracional Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Ponto de Partida Olá, estudante! Você está percebendo que educar para a diversidade envolve primeiramente compreender a diversidade Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE sociocultural. Isso contribui para a sua valorização e reconhecimento. Vamos adotar a mesma perspectiva para tratar dos aspectos que envolvem a educação intergeracional, ou seja, analisar o etarismo como marcador social da diferença. Em seguida, você vai estudar sobre a importância do acolhimento e da valorização de estudantes de diferentes faixas etárias. Por fim, vai estudar os programas sociais de educação de adultos. Para os estudos sobre educação intergeracional, alguns questionamentos iniciais se fazem necessários: etarismo é um marcador social da diferença? De que modo podemos acolher e valorizar estudantes de diferentes faixas etárias? Qual o papel do Estado e das políticas públicas na educação de jovens e adultos? O que é a modalidade de ensino EJA? Pensar nessas questões, sob a ótica das desigualdades sociais, é fundamental para o exercício reflexivo em educação e diversidade. Aprofunde suas leituras e conhecimentos a partir dos livros disponibilizados na Minha Biblioteca e na Biblioteca Virtual. Bons estudos! Vamos Começar! Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Vamos Começar! Nos estudos em educação intergeracional e diversidade vamos analisar práticas eficazes de promoção da diversidade social e cultural. Como anunciado, primeiramente, você vai estudar o etarismo como marcador social da diferença. Em seguida, você vai estudar as questões relacionadas à educação e às diferentes faixas etárias e pensar no acolhimento, valorização e incentivo à continuidade dos estudos, essenciais para o escopo do que estamos tratando nesta aula. Por fim, você vai conhecer os programas sociais de educação de adultos e verificar a sua importância para uma educação igualitária e inclusiva. Etarismo como marcador social da diferença Um dos aspectos importantes nos estudos em educação e diversidade tem a ver com a questão intergeracional. O etarismo, nesse sentido, é compreendido como marcador social da diferença, pois sebaseia na discriminação, estereótipos e preconceitos relacionados à idade. Esses aspectos negativos relacionados às questões intergeracionais ocorrem tanto com pessoas mais idosas quanto com pessoas mais jovens, sobretudo quando se analisam os aspectos relacionados ao mercado de trabalho ou ao atendimento em serviços públicos, por exemplo. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Nos estudos em educação e diversidade, parte-se do entendimento de que a educação deve se estender a toda a população brasileira, independentemente das características das identidades socioculturais e/ou da faixa etária em que o indivíduo se insere. Ou seja, trata-se de garantir a educação, o ensino e a aprendizagem de conteúdos elementares para a reprodução de uma vida social mais humanizada nas diferentes etapas da vida. Sabe-se que o fator geracional corresponde à diminuição da quantidade de filhos por família, o que acarreta, a médio e longo prazo, o envelhecimento da população. Isso levanta a preocupação de se contemplar a oportunidade de estudos para todos, mesmo para as pessoas que se encontram na distorção da idade/série escolar. Essa área do conhecimento, educação e diversidade, defende a constante busca pelo aprender, independente da faixa etária, desde a infância até a velhice, pois compreende-se que nunca é tarde para isso. É justamente nesse sentido que a garantia do direito à educação deve ser preservada pelo Estado e a sociedade brasileira, como na oferta de modalidades geracionais de ensino: educação básica, cursos técnicos, ensino superior, entre outros. Deve-se também promover políticas públicas educacionais e geracionais que incentivem a permanência dos jovens na escola, de modo que essa dimensão tão Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE importante da vida não seja tolhida por circunstâncias diversas. É justamente nesse sentido que todos temos como necessidade a conscientização a respeito das consequências prejudiciais dos preconceitos e estereótipos baseados na idade, para que se promova uma cultura que valorize as contribuições diversas e se respeite as diferentes fases da vida. Sabemos que é essencial desafiar as noções negativas associadas à idade para criar uma sociedade mais inclusiva e equitativa para todas as faixas etárias no âmbito da educação. Siga em Frente... Siga em Frente... Acolhimento e valorização de estudantes de diferentes faixas etárias Nas questões relacionadas à educação intergeracional, sabe- se da importância do acolhimento e da valorização de estudantes de diferentes faixas etárias, para que a educação Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE contemple a todos, o que resulta na ampliação de políticas públicas educacionais e de desenvolvimento, contribuindo com a diminuição das desigualdades educacionais e sociais verificadas em nosso país. Percebe-se a importância do papel do Estado no sentido de promover políticas públicas educacionais que acolham jovens e adultos, como, por exemplo, a partir da modalidade da educação de jovens e adultos (EJA). Perceba que, para além das instituições e relações sociais, é preciso que todos contribuam para uma cultura de que a educação e a constante formação pessoal e profissional, mediante a educação, seja alcançada e contemple estudantes de diferentes faixas etárias. Analisando do ponto de vista das interseccionalidades, pode-se perceber que essas reflexões contribuem com o combate à discriminação etária e o preconceito à idade. A escola, a família e a sociedade têm, nesse sentido, um papel primordial na promoção da educação, no acolhimento e na valorização de diferentes faixas etárias, no sentido de criar meios e oportunidades para dar continuidade aos estudos, o que corrobora com a multiplicação (frutificação) do conhecimento em larga escala. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Embora o preconceito etário e a discriminação por idade costumem ser considerados como sinônimos, o fato é que o primeiro remete essencialmente ao sistema de atitudes, muitas vezes atribuídas por indivíduos e pela sociedade a outros em função da idade, enquanto a discriminação por idade descreve comportamentos que favorecem pessoas de determinada idade (Goldani, 2010, p. 428 apud Previtalli; Vieira, 2017, 191). Pode-se perceber nos estudos sobre o etarismo a maneira com que estão presentes o preconceito etário e discriminação por idade em nossa convivência social. É preciso desnaturalizar essas práticas e perceber que a educação é um direito de todos. Quando falamos das relações intergeracionais nas famílias, Goldani chama a atenção para o aumento da esperança de vida humana e “a subsequente transferência de recursos materiais e simbólicos entre avós, pais e filhos/netos, dos mais velhos aos mais novos e dos mais novos aos mais velhos” (Goldani, 2010, p. 415 apud Previtalli; Vieira, 2017, p. 193). Com isso, percebe-se que as trocas entre gerações são relevantes para as relações interpessoais e contribui com o Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE desenvolvimento de todas as pessoas. O senso comum, muitas vezes, associa as pessoas idosas (mais velhas) a valores negativos, o que se justifica em parte pela valorização do jovem no mercado de trabalho e, consequentemente, à desvalorização do idoso por ser considerado menos produtivo, fora da idade do trabalho e de menos consumidor. Isso se evidencia nas práticas discriminatórias por idade observadas na sociedade. Trata-se do preconceito supremo, da última discriminação, da mais cruel rejeição e do terceiro maior “-ismo”, após o racismo e o sexismo (Palmore, 2004). Como o racismo, o preconceito etário depende da estereotipagem. Sente-se o seu impacto destruidor em três áreas principais: preconceito social, discriminação nos locais de trabalho e tendenciosidade no sistema de saúde (Butler, 1980 apud Previtalli; Vieira, 2017, p. 195). O preconceito etário está relacionado aos estereótipos construídos do ponto de vista social, no mercado de trabalho e no sistema de saúde. Os estudos relacionados ao etarismo em educação e diversidade, nesse sentido, nos levam à construção de um novo modelo de identidade do velho em Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE nossa sociedade. Isso pode culminar com a construção de uma sociedade mais desenvolvida e inclusiva do ponto de vista do etarismo. Essa identidade vem sendo construída pelo idoso, não em contraste com a do jovem, mas em contraste à identidade estereotipada do velho. Assim, esse “novo” idoso procura se desvincular de antigos estereótipos. A esperança é que uma nova visão do idoso seja construída na educação, por meio da revisão das imagens estereotipadas anteriores, possibilitando um olhar sobre o idoso pautado na realidade e em suas necessidades, não em preconceitos (Previtalli; Vieira, 2017). A nova visão sobre o idoso que os estudos sobre educação intergeracional têm apontado trazem as possibilidades de um sujeito que ainda é capaz e atuante na construção de sua história pessoal, social e familiar. Essa postura permite a elaboração de uma nova identidade, também atrelada à constante busca pelo saber, pois, como vimos, da infância até a velhice, sempre temos a possibilidade de aprender, de conhecer algo novo. Programas sociais de educação de adultos Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Como vimos, é preciso criar espaços de convivência e de inclusão para todas as pessoas da sociedade, e isso nos leva a priorizar a questão etária, de modo a refletir sobre o papel da escola. A educação é compreendida, nesse sentido, como um exercício de inclusão, de modo a proporcionar a inclusão de pessoas nas diversas faixas etárias. No âmbito do desenvolvimento social e político, entendemos que o Estado tem um papel importante e necessário nesse processo de educação de jovens e adultos, e por isso se deve analisar o contexto histórico das políticas voltadas ao etarismo no Brasil. Além disso, sabe-se que “os ‘benefícios’ e pensões obtidos por meio das políticas públicas para o idoso vão ter um forte impacto na vida econômica das famílias” (Previtalli;Vieira, 2017, p. 193). O Estado tem o dever de promover políticas públicas para a educação de jovens e adultos em todos os níveis de ensino da educação básica: alfabetização, ensino fundamental e médio. Deve-se ofertar um currículo e metodologias de ensino especial adaptado às condições dos estudantes que estão nessa condição, e que muitas vezes pararam de estudar por causa das necessidades do trabalho ou de outras questões. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Figura 1 | Educação de jovens e adultos. Fonte: Wikimedia Commons. Com isso, parte-se da perspectiva de que os educadores e a escola, de modo geral, possam ter um olhar diferenciado que contribua com o acolhimento de todos no espaço escolar. A educação de jovens e adultos (EJA) corresponde aos programas sociais de educação de adultos e procura oferecer oportunidades educacionais para jovens, adultos e idosos retomarem seus estudos e concluir a etapa da educação básica. Nesse sentido, deve-se proporcionar que a Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE EJA ofereça flexibilidade de horários e modalidades de ensino, além da inclusão de temáticas relevantes para que o jovem, adulto ou idoso se interessem pelo que está sendo proposto a estudar. O Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem), criado em 2005 pelo Governo Federal, é um programa do governo brasileiro voltado à inclusão educacional, social e profissional dos jovens entre 18 e 29 anos. O programa se realiza por meio de parcerias entre prefeituras, governos estaduais e instituições de ensino, tendo como objetivo oferecer uma oportunidade de retomada dos estudos para os jovens dessa faixa etária concluírem os estudos. A EJA tem como características principais garantir a educação básica, a qualificação profissional e as ações de cidadania. A reprodução de uma sociedade mais inclusiva na questão etária, de modo a incluir todas as pessoas, independentemente da idade, perpassa questões relacionadas à educação intergeracional. As políticas públicas e os programas sociais governamentais previstos para a EJA são essenciais na garantia e permanência da educação, sendo compreendida como um direito de todas as pessoas e contemplando todas as faixas etárias. No entanto, ainda são muitos os desafios significativos que requerem políticas públicas e esforços contínuos para sua melhoria. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Por isso, o Estado tem um papel fundamental no exercício dessa demanda. Trata-se, portanto, de medidas de conscientização social sobre a importância da continuidade dos estudos. Sabe-se dos desafios importantes para que as políticas públicas aloquem os estudantes formados na EJA no mercado de trabalho. Por isso, é necessário continuar lutando para a transformação de uma sociedade mais justa e inclusiva. Enfim, podemos perceber que a EJA desempenha um papel fundamental na democratização do acesso à educação básica para jovens e adultos, permitindo que pessoas dessa faixa etária concluam seus estudos e possam, posteriormente, buscar melhores oportunidades no mercado de trabalho e na sociedade de modo geral. Vamos Exercitar? Vamos Exercitar? Com o intuito de dar continuidade no desenvolvimento de uma abordagem holística para a educação a partir de categorias teóricas e analíticas sobre a diversidade, vimos Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE que questões relacionadas à educação intergeracional são de suma importância nos estudos em educação e diversidade. Para tanto, vamos retomar alguns dos questionamentos iniciais: o etarismo é marcador social da diferença? De que modo podemos acolher e valorizar estudantes de diferentes faixas etárias? Qual o papel do Estado e das políticas públicas na educação de jovens e adultos? O que é a modalidade de ensino EJA? Você viu que o etarismo é compreendido como um marcador social da diferença, pois se baseia na discriminação, estereótipos e preconceitos no que diz respeito à idade, direcionados tanto a pessoas idosas quanto a jovens, principalmente no contexto do mercado de trabalho ou do atendimento em serviços públicos. Você estudou sobre a importância do acolhimento e da valorização de estudantes de diferentes faixas etárias, para que a educação possa contemplar a todos, em uma abordagem relacionada à educação intergeracional. Isso resulta, como você viu, na ampliação de políticas públicas educacionais e de desenvolvimento, contribuindo com a diminuição das desigualdades educacionais e sociais historicamente verificadas em nosso país. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Além disso, você compreendeu a importância da escola, da família e da sociedade na promoção da educação, no acolhimento e na valorização de diferentes faixas etárias. Isso pode contribuir com a criação de meios e oportunidades para dar continuidade aos estudos, o que corrobora com a multiplicação do conhecimento em larga escala. Exige-nos, dessa forma, um olhar diferenciado que contribua com o acolhimento de todos no espaço escolar, que deve ser praticado pelos educadores e pela escola, de modo geral. Você compreendeu a importância do papel do Estado no sentido de promover políticas públicas educacionais que acolham jovens e adultos, como por exemplo, a partir da modalidade EJA. A educação de jovens e adultos consiste numa categoria de ensino voltada ao público que não teve acesso à educação formal ou não completou, ou abandonou, por razões diversas, a escola na idade adequada. O Estado tem o dever de promover políticas públicas para a educação de jovens e adultos em todos os níveis de ensino da educação básica: alfabetização, ensino fundamental e médio. Para tanto, você acompanhou que deve ser proporcionada a oferta de um currículo e metodologias de ensino especial, adaptado às condições dos estudantes que estão nessa condição e que muitas vezes pararam de estudar por conta do trabalho ou outras questões. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Assim, são necessárias medidas de conscientização social sobre a importância da continuidade dos estudos para todas as faixas etárias. Por isso, as políticas públicas voltadas ao atendimento educacional a diferentes faixas etárias devem acompanhar essas mudanças. A educação é um direito de todas as pessoas, contemplando todas as faixas etárias. Saiba mais Saiba mais Etarismo como marcador social da diferença Para o aprofundamento dos estudos sobre o etarismo como marcador social da diferença, recomendamos a leitura do Capítulo 6: A ampliação do horizonte de vida do livro Vivemos mais! vivemos bem?: por uma vida plena, de Mario Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/212527/epub/0?code=OWAj6NThn9svEbOd166xc/ZLEOTz1tre14kMaSoPEN5hMswQIqcD0/u0Bi1WWuRU9W0gZZUoNO8fI4GHl23MRg== Sergio Cortella e Terezinha Azerêdo Rios. Sugerimos que você leia também os demais capítulos da obra. O livro está disponibilizado em nossa Biblioteca Virtual. Acolhimento e valorização de estudantes de diferentes faixas etárias Para aprofundar os seus estudos sobre o acolhimento e a valorização de estudantes de diferentes faixas etárias, recomendamos a leitura do Capítulo – Alfabetização de jovens e adultos: uma abordagem do problema, do livro A construção do letramento na educação de jovens e adultos, de Marina Lúcia Pereira. O livro está disponibilizado em Nossa Biblioteca Virtual. Programas sociais de educação de adultos Para aprofundar os seus estudos sobre os programas sociais de educação de adultos, recomendamos a leitura do Capítulo – A juvenilização na EJA: um exercício ético de compreender a juventude que habita uma escola do EJA, de Priscila de Andrade Oliveira Leal, que está no livro Conhecimento e docência: caminhos cruzados na educação de jovens e adultos, de Alessandra Nicodemos Oliveira Silva (org.). Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/192385/epub/0?code=6k8jetErN4bF+DLQwMUW08pn2TVHC01rZgDYj4D8VFw/9sa5YUeT1g58gNzAiQ7LgcEXQFInf/AF9QAH+R2sFQ== https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/192385/epub/0?code=6k8jetErN4bF+DLQwMUW08pn2TVHC01rZgDYj4D8VFw/9sa5YUeT1g58gNzAiQ7LgcEXQFInf/AF9QAH+R2sFQ==https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/206963/epub/0?code=ITWZWO3N35GguW8j+f/qCBwUhZzUVbWZ6SLjM8HIk0MS8wctjH6LAzqDIfKxwvawsHFZin46ZRGRITD2waERNQ== https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/206963/epub/0?code=ITWZWO3N35GguW8j+f/qCBwUhZzUVbWZ6SLjM8HIk0MS8wctjH6LAzqDIfKxwvawsHFZin46ZRGRITD2waERNQ== Referências Referências CORTELLA, M. S.; RIOS, A. A. Vivemos mais! vivemos bem?: por uma vida plena. 2. ed. Campinas, SP: 7 Mares, 2023. OLIVEIRA, L. F. de; COSTA, R. C. R. da. Sociologia para jovens do século XXI: manual do professor. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2016. PREVITALLI, I. M.; VIEIRA, H. E. S. Educação e diversidade. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2017. PEREIRA, M. L. A construção do letramento na educação de jovens e adultos. 1. ed. São Paulo: Autêntica, 2007. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE SILVA, A. N. O. (org.). Conhecimento e docência: caminhos cruzados na educação de jovens e adultos. 1. ed. Jundiaí, SP: Paco e Littera, 2021. Aula 3 Uma Educação Contextualizada, Relevante E Significativa Uma educação contextualizada, relevante e significativa Uma educação contextualizada, relevante e significativa Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Ponto de Partida Olá, estudante! Nesta aula sobre a educação para a diversidade, você vai se debruçar nos estudos para uma educação contextualizada, relevante e significativa. Dessa maneira, você vai refletir sobre a diversidade regional e linguística e a importância de se aprofundarem essas reflexões com todos os estudantes das escolas. Você vai estudar nesta aula sobre educação do campo e educação quilombola. Diante disso, alguns questionamentos são necessários: qual a importância da preservação da diversidade regional e linguística? Por que se faz necessário trabalhar educação e diversidade social e cultural brasileira a partir da região e da Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE língua das pessoas? O que é educação do campo? Como podemos trabalhar a educação no campo? O que é educação quilombola? Quais os desafios para a inclusão da diversidade sociocultural em nosso país? Perceba que essas são algumas de muitas das problematizações pertinentes a uma educação contextualizada, relevante e significativa. Isso nos leva a buscar compreender a maneira como as populações do campo e originárias se inserem na atual realidade socioeconômica, que nos leva a pensar e trabalhar políticas públicas educacionais de inclusão. Você pode aprofundar os seus estudos a partir da leitura dos livros e de outros materiais disponibilizados em nossa Biblioteca. Bons estudos! Vamos Começar! Vamos Começar! Como apresentado anteriormente, nesta aula que aborda uma educação contextualizada, relevante e significativa, você Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE vai estudar primeiramente a diversidade regional e linguística. Em seguida, você vai estudar a educação do campo e, por fim, a educação quilombola. Perceba a necessidade desses estudos para a promoção da diversidade e da inclusão da população moradora do campo e em áreas de preservação ambiental. Diversidade regional e linguística Nesta aula, você vai estudar a diversidade regional e linguística e a importância de sua valorização nas escolas de todas as unidades federativas do país, sejam elas públicas ou privadas, do campo ou da cidade. A diversidade sociocultural e regional brasileira é fundamental no exercício de compreensão da nossa identidade e isso deve ser trabalhado com os estudantes de todas as séries e modalidades de ensino. Conhecer as culturas, as diferentes formas de vida, de trabalho e de crença, entre outros elementos, é primordial e muito contribui com o desenvolvimento de uma perspectiva mais plural e diversificada. Portanto, os educadores devem proporcionar o conhecimento das diferenças regionais, os aspectos de sua comunicação e suas características, de modo inclusivo e respeitoso em relação às diversidades do povo brasileiro. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE A valorização da cultura local é fundamental para que as identidades sociais e culturais sejam reforçadas em nosso meio e convivência social, e a educação escolar tem esse papel bastante importante no processo de conscientização de todos, evitando-se, assim, formas discriminatórias e preconceituosas relacionadas ao lugar onde as pessoas moram. Por isso a comunicação e as formas de diálogo acessível, e que contemplam as especificidades da diversidade regional e linguística, devem ser exploradas em sala de aula e na escola como um todo. Trata-se, por exemplo, de trabalhar os conhecimentos em literatura, ciência, arte, entre outros campos do saber, de modo que esses conhecimentos sejam atrelados às realidades regionais e culturais. Isso ajuda bastante e aproxima ainda mais os estudantes das formas diversas do conhecimento humano. Os educadores e a escola podem abordar os temas de estudos a partir do contexto e das condições da realidade em que as pessoas se inserem. A criticidade das ciências humanas e sociais, para que se possa enxergar as contradições e os conflitos que permeiam a vida das pessoas, é imprescindível no processo educacional. Lembre-se da necessidade do constante Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE exercício de desnaturalização dos fenômenos sociais, e da forma como eles se apresentam na realidade em que nos inserimos. O desenvolvimento de uma sociologia enraizada, de acordo com a perspectiva do sociólogo José de Souza Martins, é muito importante e se faz necessária nesse processo, ou seja, um tipo de conhecimento que esteja voltado ao contexto do lugar em que as pessoas se inserem e suas características. Esses estudos apontam para a importância das análises da vida social e rural brasileira a partir do cotidiano, da maneira com que as relações sociais e de produção são realizadas. Como se pode perceber, um modelo de educação centrado na contextualização e na relevância leva-nos a refletir sobre as condições existenciais de vida da população moradora no campo. Esse é o exercício imprescindível que deve acompanhar a disciplina de educação e diversidade, que busca compreender as condições plurais com que nos constituímos enquanto povo brasileiro. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Siga em Frente... Siga em Frente... Educação do campo A educação do campo corresponde a uma modalidade de estudos adaptada às especificidades e características da população do campo. Sabemos que são muitos os desafios a serem enfrentados pelas populações moradoras dessas regiões, e a necessidade de implementação de políticas educacionais que contribuam e fomentem a inclusão responsiva e contextualizada da população moradora do campo. Perceba a importância de trabalhar em todos os componentes curriculares os cotidianos da vida rural junto Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE aos estudantes. Sabe-se da importância e da contribuição da vida rural brasileira, para que se compreenda a cultura local, a agricultura e as relações com a natureza e as práticas de sustentabilidade. A cultura do campo tem as suas especificidades em relação aos modos de vida, por isso, as práticas culturais devem ser preservadas e valorizadas no processo educacional. As vivências e práticas de atividades no campo correspondem à efetivação de metodologias ativas. Nesse sentido, é importante trabalhar de forma prática a educação do campo. A título de exemplo, gostaria de compartilhar a atividade interdisciplinar de ciências, desenvolvida por uma professora de uma escola do campo. Ela trabalhou com os seus alunos do ensino fundamental II a semeadura, o plantio e a germinação de crotalárea juncea em um canteiro no quintal da escola. Essa prática de iniciação científica teve o intuito de atrair libélulas, animais predadores naturais do mosquito da dengue, sendo, portanto, umainteressante ação de saúde pública realizada pela escola. Perceba que as metodologias ativas correspondem às práticas experimentais que podem se realizar no próprio campo. A realização da vida é o próprio cotidiano do campo em si. A vida no campo tem as suas especificidades, que podem ser mais bem aproveitadas nas escolas que ofertam essa Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE modalidade educacional. A permanência dos estudantes nas escolas do campo deve ser incentivada e respeitada por todos e garantida pelo Estado. A formação da sociedade brasileira e as determinações históricas que se desenvolveram a partir das relações de classe, desde os tempos do Brasil colonial, caracterizadas por uma relação de exploração, deve ser contemplada no processo educacional. É preciso problematizar essas questões a partir da crescente concentração de riquezas pelas classes dominantes, consequência dessas determinações históricas. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Figura 1 | O Lavrador de Café, Cândido Portinari (1934). Fonte: Wikimedia Commons. A questão de terras e sua distribuição desigual mostram as dificuldades de se estabelecerem condições sociais e econômicas de igualdade em nosso país, especialmente para a população do campo. Por isso, se faz necessária a Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE preservação de direitos e garantias aos povos originários, as populações do campo, quilombolas, ribeirinhas, assentadas, entre outras. A educação no campo, portanto, demonstra mais uma faceta das formas da diversidade educacional refletida pela diversidade sociocultural com que nos constituímos enquanto povo brasileiro, uma riqueza social. Diante das contradições da realidade social que reproduzem formas de desigualdades econômicas e que afetam frontalmente as condições dos trabalhadores do campo, os movimentos sociais são importantes nesse processo. No campo, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MTST) é resultado da organização dos trabalhadores do campo em defesa da reforma agrária e por melhores condições de vida. O surgimento do MST é consequência de uma estrutura agrária concentradora de terra que perpassa cinco séculos da chegada dos portugueses, desde quando perceberam que estavam em uma terra sem cercas e imaginaram que tudo estivesse a seu dispor. A concentração de terra no Brasil e a manutenção do latifúndio começam aí, e a terra vai ficar na mão da Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE grande burguesia agrária. Esta concentração da terra no Brasil se dá inicialmente através das capitanias hereditárias, em seguida pelo roubo das terras indígenas pelos brancos e consolidando através das sesmarias, em seguida pelo roubo das terras indígenas pelos brancos e se consolidando através das sesmarias com o ciclo da cana e do café, que mesmo em épocas diferentes [...] (Stival, 2022, [s. p.]). Mesmo em épocas diferentes, o ciclo da cana e do café tinham as mesmas características, no âmbito de uma estrutura de poder e de divisão do trabalho. Posteriormente, com a Lei de Terras, em 1850, diante do declínio do escravismo, surge um “novo” modelo agrário exportador estabelecendo o modelo de desenvolvimento do capital no Brasil. Esse modelo se assemelha ao que Marx denominou modelo de colonização sistemática. O êxodo rural que ocorreu em nosso país nas décadas de 1960 e 1970 demonstrou as consequências das desigualdades do campo, evidenciando a concentração de poder econômico e político das classes dominantes. E o Brasil chegou assim ao século XXI e aos dias de hoje, com uma estrutura fundiária concentrada, caracterizada pela Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE coexistência de latifúndios e minifúndios, como aponta o Censo Agropecuário do IBGE de 2017 (Stival, 2022). Os movimentos sociais contribuem na pressão do Estado para desenvolver políticas públicas voltadas ao atendimento da população do campo. A garantia de recursos pelo Estado para a manutenção da educação do campo é importante para que se possa promover a educação, a inclusão e o acesso ao conhecimento. O acesso à educação é para todos, por isso a necessidade de se ampliarem as políticas públicas educacionais para a população do campo. Além disso, cabe ao Estado e aos Conselhos municipais definirem políticas importantes para o desenvolvimento e a distribuição de renda, em que a articulação com outros programas e o incentivo à população do campo sejam meios importantes de desenvolvimento social e econômico. O Programa de Agricultura Familiar, por exemplo, é um programa de apoio destinado à população do campo, que traz renda e melhores condições de vida para a população. Educação quilombola Sabe-se que são muitos os desafios para o incentivo e inclusão da diversidade sociocultural em nosso país por meio da educação, para que se ampliem as condições de Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE desenvolvimento social e econômico para a população pertencente às comunidades quilombolas, resistentes e remanescentes históricos da formação do Brasil. Enquanto durou a escravidão no Brasil, os escravizados nunca deixaram de resistir à privação da liberdade e à violência. Entre as formas de resistência coletiva mais organizadas e bem-sucedidas, estão a formação de quilombos ou mocambos. Os quilombos eram agrupamentos de escravizados que fugiam da dominação colonial e seus membros eram chamados quilombolas. Para as autoridades, os quilombos representavam uma afronta e um mau exemplo. Por isso, deveriam ser encontrados e destruídos, e seus líderes executados. Entre todos os que existiram, o mais famoso foi Quilombo dos Palmares, que chegou a ter uma população aproximada de 30 mil pessoas e teve como um dos líderes, Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra (Dutra, 2022, [s. p.]). A partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, o termo quilombo passou por um processo de ressignificação, isto é, se antes era visto como estigma relacionado à herança Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE do cativeiro, aos escravizados e aos grupos de cativos fugidos, o termo foi ressignificado positivamente no âmbito das políticas públicas de ação afirmativa destinadas aos afrodescendentes no Brasil e relacionadas ao campo da luta política para garantir a permanência e a conquista do direito étnico sobre a terra (Oliveira apud Dutra, 2022). A educação quilombola é fundamental para que memórias das pessoas descendentes de negros e indígenas escravizados, que resistiram, fugiram (e se constituíram nos quilombos) no contexto da colonização, lutando por direitos fundamentais do ser humano, como o da liberdade, sejam preservadas. É preciso que haja a valorização das histórias dos povos quilombolas, e que não haja o apagamento das memórias coletivas. As diversas técnicas de manufaturas como as cestarias, as artes, as pinturas corporais, também expressam a cultura indígena e afro-brasileira. As reservas indígenas e os territórios quilombolas têm suas composições arquitetônicas próprias e possuem lugares que são sagrados na cosmovisão do grupo. Da mesma forma os índios e afro-brasileiros urbanos possuem, na cidade, seus jeitos de ser que exprimem a vivência e identidades Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE dessas populações nos seus meios (Previtalli; Vieira, 2017, p. 110). As artes, diversas técnicas e outros saberes importantes devem estar previstos na educação quilombola. É preciso respeitar e reconhecer a sua história, a cultura e as tradições das comunidades como uma forma de conhecimento importante e construtor da identidade brasileira. Os conhecimentos tradicionais das comunidades quilombolas devem ser reconhecidos e repassados a outras formas de saberes, o que contribui por reforçar a identidade positiva. Enfim, perceba a importância de compreender as relações entre educação e diversidade em uma abordagem contextualizada, relevante e significativa para a população do campo e da comunidade quilombola. Apesar de serem muitos os desafios para a continuidade no avanço das demandas da população quilombola, épreciso desenvolver um olhar que inclua e acolha o outro, suas condições e a todas as formas de vida social. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Vamos Exercitar? Vamos Exercitar? Em nossos resultados de aprendizagem, buscamos desenvolver uma abordagem holística para a educação a partir de categorias teóricas e analíticas sobre a diversidade. As questões relacionadas à educação para a diversidade exigem uma educação contextualizada, relevante e significativa. Isso tudo faz parte dos estudos em educação e diversidade. Agora, vamos retormar os questionamentos apresentados no início da aula: qual a importância da preservação da diversidade regional e linguística? Por que se faz necessário trabalhar educação e diversidade social e cultural brasileira a partir da região e da língua das pessoas? O que é educação do campo? Como podemos trabalhar a educação no campo? O que é educação quilombola? Que comentários podemos fazer a respeito dos desafios para a inclusão da diversidade sociocultural em nosso país? Vimos que os educadores devem proporcionar o conhecimento das diferenças regionais, dos aspectos de sua comunicação e suas características, fazendo esse trabalho de modo inclusivo e respeitoso em relação às diversidades do Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE povo brasileiro. Conhecer a diversidade cultural, as diferentes formas de vida, de trabalho e de crença, entre outros, contribui com o desenvolvimento de uma perspectiva mais plural e diversificada. Você percebeu a necessidade de valorizar a cultura local, fundamental para que as identidades sociais e culturais sejam reforçadas em nosso meio e convivência social. Nesse sentido, você compreendeu que a educação escolar tem esse papel bastante importante no processo de conscientização de todos. A comunicação e as formas de diálogo acessível, contemplando as especificidades da diversidade regional e linguística, devem ser bem exploradas em sala de aula e na escola. Esses conhecimentos devem ser trabalhados relacionados às realidades regionais e culturais, sendo que o objeto de estudos toma como ponto de partida conhecimentos atrelados às especificidades locais, valorizando a diversidade social e cultural da população brasileira. Você compreendeu a importância das análises da vida social e rural brasileira a partir do cotidiano das pessoas, da maneira como as relações sociais e de produção são realizadas no dia a dia. Como aprendemos, a educação do campo corresponde a uma modalidade de estudos adaptada às especificidades e características da população rural. Em muitas situações cotidianas da escola, a educação do campo pode ser trabalhada de maneira prática, de modo que experiências e atividades diversas sejam aplicadas no dia a dia do processo Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE de ensino-aprendizagem. Esta modalidade de estudos tem as suas especificidades em relação aos modos de vida e demonstra mais uma faceta das formas da diversidade educacional, que é refletida pela diversidade sociocultural com que nos constituímos enquanto povo brasileiro. Você estudou sobre a educação quilombola e viu que é fundamental que as memórias das pessoas descendentes de negros e indígenas escravizados sejam preservadas. A educação quilombola busca compreender as singularidades do contexto da população brasileira remanescente das comunidades dos quilombos, destacando as especificidades de seus conhecimentos. Nesse sentido, você percebeu a necessidade de valorizar as histórias dos povos quilombolas e de não apagar as memórias coletivas. Também notou que são muitos os desafios para a valorização da educação quilombola em todas as regiões do país, de modo a destacar e a reconhecer a nossa diversidade social e cultural, a partir de uma perspectiva local. Enfim, você pôde perceber a importância das vivências práticas e atividades na educação do campo e quilombola, como a efetivação de metodologias ativas, usando suas especificidades para melhorar o aprendizado e o desenvolvimento intelectual dentro do contexto social e comunitário do aluno. Saiba mais Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Saiba mais Diversidade regional e linguística Para aprofundar os seus estudos sobre a diversidade regional e linguística e a educação do campo, recomendamos a leitura do Capítulo – Formação de professores para a educação do campo: projetos sociais em disputa, do livro Educação do campo: desafios para a formação de professores, de Maria Isabel Antunes Rocha e Aracy Alves Martins. Se possível, leia os demais capítulos desse livro também. Você pode acessá-lo na Biblioteca Virtual. Educação do campo Para o aprofundamento dos estudos sobre a educação do campo e o MST, recomendamos a leitura do Capítulo 1 – A história da luta pela terra, uma tradição dos movimentos sociais, do livro A educação do campo e o MST: trabalho e práticas sociais com assentados da reforma agrária, de David Stival. Você encontra esse livro em nossa Biblioteca Virtual. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/192517/epub/0?code=Y3sjQPC6G9DyC5bL0gmQGXpUB+4AY1A01EPo6D5MtS2rgMpKXHkENAAwLW+I1DzIbyK8AiwbLqhbWrAKf6XyTA== https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/192517/epub/0?code=Y3sjQPC6G9DyC5bL0gmQGXpUB+4AY1A01EPo6D5MtS2rgMpKXHkENAAwLW+I1DzIbyK8AiwbLqhbWrAKf6XyTA== https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/205223/epub/0?code=7m69ztECLDiA/wJnoJ5p7v3/SQw/gLY5rk+NKXcsnZJd0FNaAOGxHat53l0HwFiD31tMrtwuJ5hAFVUP8RNs5Q== https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/205223/epub/0?code=7m69ztECLDiA/wJnoJ5p7v3/SQw/gLY5rk+NKXcsnZJd0FNaAOGxHat53l0HwFiD31tMrtwuJ5hAFVUP8RNs5Q== Educação quilombola Para o aprofundamento dos estudos sobre a educação quilombola, recomendamos a leitura do Capítulo – O olhar do Estado sobre as comunidades quilombolas: reconhecer ou integrar?, do livro Comunidades quilombolas: as lutas por reconhecimento de direitos na esfera pública brasileira, de Simone Ritta dos Santos. Você encontra esse livro na Biblioteca Virtual. Referências Referências DUTRA, T. B. Em busca de autonomia: quilombolas e políticas públicas. 1. ed. Jundiaí, SP: Paco e Littera, 2022. E-book. OLIVEIRA, L. F. de; COSTA, R. C. R. da. Sociologia para jovens do século XXI: manual do professor. Rio de Janeiro: Imperial Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/52827/epub/0?code=nZ++LK2CdzgSKsiQnk6wrR/qIMKH14moIdJcPjiHQxAQu+WR6PhyAER6WoWcEa68ibZtJvPsXV+230fVHzZXYQ== https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/52827/epub/0?code=nZ++LK2CdzgSKsiQnk6wrR/qIMKH14moIdJcPjiHQxAQu+WR6PhyAER6WoWcEa68ibZtJvPsXV+230fVHzZXYQ== Novo Milênio, 2016. PREVITALLI, I. M.; VIEIRA, H. E. S. Educação e diversidade. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2017. ROCHA, M. I. A.; MARTINS, A. A. Educação do campo: desafios para a formação de professores. 1. ed. São Paulo: Autêntica, 2013. SANTOS, S. R. dos. Comunidades quilombolas: as lutas por reconhecimento de direitos na esfera pública brasileira. 1. ed. Porto Alegre: ediPUCRS, 2014. STIVAL, D. A educação do campo e o MST: trabalho e práticas sociais com assentados da reforma agrária. 1. ed. São Paulo: Vozes, 2022. E-book. Aula 4 Práticas Educativas e Diversidade Práticas educativas e diversidade Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Práticas educativas e diversidade Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Ponto de Partida Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Esta aula é uma espécie de culminância de tudo o que se viu sobre a diversidade sociocultural e a identidade populacional brasileira, com todas as suas características, formas, especificidades, e que deve ser contemplada na educação e nos processos de ensino. Falar em educação e diversidade é falar em educar para a diversidade. Com isso, vamos finalizar esta trajetória comentando sobre as práticas educativas e adiversidade. No entanto, como você já deve ter se acostumado, vamos propor alguns questionamentos e outras referências para a continuidade e o aprofundamento dos estudos e reflexões (Saiba Mais). Para pensar nas práticas educativas e diversidade, deve-se refletir sobre um modelo de educação centrada no amor e na empatia. Além disso, cabe uma reflexão sobre a revisão e a correção de narrativas dominantes em nossa comunicação e, por fim, pensar sobre as possibilidades de um currículo inclusivo, responsivo e com epistemologias plurais. Reflita: de que modo é possível proporcionar uma educação centrada no amor e na empatia? Quais narrativas dominantes estão presentes nas escolas e nas relações sociais? Por que a revisão e a correção de narrativas dominantes, especialmente nas escolas, são necessárias? De que modo é possível desenvolver nas escolas um currículo Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE inclusivo, responsivo e com epistemologias plurais? Qual a importância disso? Essas são algumas de muitas das problematizações relacionadas às práticas educativas e à diversidade, o que leva à constante necessidade de aprofundamento de estudos e de conhecimento de outras reflexões na perspectiva de outros pensadores sobre o tema da educação e diversidade. Certamente, você deve estar lendo e assistindo as referências que estamos indicando ao longo da disciplina de educação e diversidade, entre outras, e deve ter anotado uma série de referências bibliográficas para ler posteriormente. Esperamos que você tenha bons estudos e que os conhecimentos nos tornem pessoas melhores para viver em sociedade. Desejamos felicidades e sucesso em sua trajetória na vida. Vamos Começar! Vamos Começar! Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE A aula de práticas educativas e diversidade aborda conhecimentos e temas importantes para pensar e realizar um exercício de autoconhecimento sobre os valores socioemocionais e afetivos. Como anunciado, vamos começar essas reflexões sobre a educação centrada no amor e na empatia. Em seguida, você vai compreender a necessidade da revisão e correção de narrativas dominantes presentes em nossa convivência em sociedade. Por fim, você vai estudar uma proposta de currículo inclusivo, responsivo que contempla as epistemologias plurais. A educação centrada no amor e na empatia Falar em educar para a diversidade e suas práticas diversas, inclusivas e democráticas é falar em educação centrada no amor e na empatia. Nessas questões, parte-se da premissa de que a educação se volta para o outro e, como sabemos, suas identidades são também construídas a partir das relações sociais. Educar é se envolver com o outro, no âmbito de uma relação entre educador e estudante, ou seja, é se envolver do ponto de vista de assumir um compromisso voltado à educação e formação para o conhecimento. No mundo existem e existiram muitas pessoas dedicadas a um modelo de educação centrado no amor e na empatia. Pode-se dizer que, ao longo de toda a disciplina, você se Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE deparou com muitos deles: Karl Marx, Simone de Beauvoir, Florestan Fernandes, Paulo Freire, Pierre Bourdieu, entre diversos outros autores e pensadores preocupados com a educação e a mudança social. Bell Hooks, pseudônimo de Gloria Jean Watkins, foi uma professora, escritora e ativista norte-americana bastante influente na participação pública em debates envolvendo as questões relativas às pautas das mulheres e das interseccionalidades de identidades. Defendia a educação como ferramenta de transformação, para a compreensão e igualdade do ponto de vista das relações étnico-raciais e a desconstrução da cultura do patriarcado. Preocupava-se com o diálogo e o empoderamento das mulheres, que poderia ser realizado mediante o diálogo e através da educação. Perceba o quanto a atribuição de sentido e significado nas práticas educativas é importante para o trabalho do educador. As questões e contradições, e qualquer forma de desigualdade e de injustiça que estão presentes em nossa realidade social, devem ser problematizadas nos diálogos nas salas de aula, na escola, na comunidade e em qualquer outra possibilidade em que se realizam as relações sociais. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Compreender (e valorizar) a diversidade sociocultural com que nos constituímos historicamente a partir das relações sociais aqui estabelecidas é uma premissa essencial para o desempenho do trabalho docente. A educação, nesse sentido, é uma prática de transformação de pessoas que, munidas de conhecimento, podem mudar o mundo, segundo Paulo Freire, no sentido de mudar para melhor. A imaginação sociológica, que você conheceu em aulas anteriores, pode ser um interessante exercício para os estudos em educação e diversidade, para a desnaturalização de todos os aspectos que constituem as relações sociais. Isso deve ser aprofundado às voltas de um modelo de educação para a diversidade e requer o comprometimento, a empatia e a solidariedade social dos educadores e de todos os atores sociais envolvidos no cotidiano das práticas educacionais. Quando se pensa a educação como condição de possibilidade de constituição crítica dos sujeitos, parece se estabelecer um clássico paradoxo entre os objetivos da educação e a liberdade subjetiva. O fato é que não se trata de buscar a extinção desse paradoxo, pois o objetivo é estabelecer a educação como condição de possibilidade de desenvolvimento subjetivo. Ou seja, a educação poderá ter como horizonte os parâmetros para viabilizar Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE a formação subjetiva sob uma perspectiva múltipla e diversa, que lhe permita maior autonomia. Para fazê-lo é preciso problematizar as possibilidades de constituição subjetiva, como fenômeno dinâmico, concatenando os objetivos da educação com o desenvolvimento subjetivo (Erthal et. al., 2019, p. 110). A educação, nesse sentido, é entendida como o estabelecimento de condições para a possibilidade do desenvolvimento subjetivo, sob uma perspectiva múltipla e diversa, que lhe permita maior autonomia. Dito isso e reconhecendo a importância da educação, passemos a pensar no processo educacional e o seu desenvolvimento. Lembrando que devemos sempre trabalhar a educação na perspectiva da diversidade, da inclusão e da integração. Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE Figura 1 | Há sempre esperança – Girl with ballon, Banksy Girl and Heart Baloon. Fonte: Wikimedia Commons. Amor e empatia, nesse sentido, devem ser o “carro chefe” de uma prática educativa voltada à diversidade sociocultural em que nos inserimos. Isso leva a uma educação mais humanizada, contextualizada e abrangente, além de orientada para o atendimento das diferenças e interseccionalidades múltiplas de nossa sociedade. A escola, portanto, na perspectiva da educação para a diversidade e acompanhada de amor e de empatia, deve proporcionar ambientes mais inclusivos, sensíveis e responsivos às necessidades diversas de todos os estudantes, buscando abranger a comunidade escolar e a sociedade como um todo. O acolhimento, a escuta e Disciplina EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE quaisquer formas de entendimento mais humanizado do outro, é importante no exercício cotidiano da escola. Você deve se lembrar da importância de articular a família no processo de ensino e aprendizagem dos estudantes. O conjunto dessas práticas proporciona o aprimoramento social e emocional (inteligência socioemocional). Certamente, essas ações contribuem no combate às discriminações e às formas de intolerância, levando a uma sociedade mais justa e igualitária. No entanto, para que isso seja possível, é necessário revisar e corrigir narrativas dominantes postas historicamente em nossa sociedade a partir das relações de poder. Revisão e correção de narrativas dominantes Como se pôde perceber até aqui, o constante exercício do pensamento crítico e as possibilidades da imaginação sociológica contribuem para um pensar sobre todas as estruturas e características com que está organizada a estrutura da educação