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jusbrasil.com.br 21 de março de 2026 Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/jusnaturalismo-e-juspositivismo/189321440 Jusnaturalismo e Juspositivismo Estudo pormenorizado sobre as correntes jusnaturalista e juspositivista, e a curiosidade na bandeira da República Federativa do Brasil Curiosidade: Na frase “Ordem e Progresso” que encontramos na bandeira brasileira é de inspiração positivista (leia o item - 2.3.1. Bandeira nacional: “ordem e progresso”). Como sabemos o homem sempre seguiu regras, seja social, moral ou jurídica, ele sem- pre se guiou através de regras de condutas, hoje vamos falar das duas correntes em que o direito divide-se que são elas: a corrente do jusnaturalismo e a corrente do juspositivismo. 1. Jusnaturalismo O jusnaturalismo também denominado direito natural é universal, imutável e inviolá- vel, é a lei imposta pela natureza a todos aqueles que se encontram em um estado de 21/03/2026, 18:54 Jusnaturalismo e Juspositivismo | Jusbrasil https://www.jusbrasil.com.br/artigos/jusnaturalismo-e-juspositivismo/189321440 1/14 natureza. A Corrente do Jusnaturalismo defende que o direito é independente da vontade hu- mana, ele existe antes mesmo do homem e acima das leis do homem, para os jusnatura- listas o direito é algo natural e tem como pressupostos os valores do ser humano, e busca sempre um ideal de justiça. A concepção jusnaturalista foi o resultado de transformações econômicas e sociais que impuseram mudanças na concepção de poder do Estado, que passou a ser compreen- dido como uma instituição criada através do consentimento dos indivíduos através do contrato social. O declínio das relações feudais de produção, desenvolvimento econô- mico da burguesia, a Reforma Protestante, as revoltas camponesas e as guerras ocorri- das durante o processo de formação do capitalismo propiciaram uma nova situação so- cial. Em oposição aos privilégios da nobreza, a burguesia não podia invocar o sangue e a família para justificar sua ascensão econômica. Em outras palavras, a partir da secula- rização do pensamento político, os intelectuais do século XVII estão preocupados em buscar respostas no âmbito da razão como justificativa do poder do Estado. Daí a preo- cupação com a origem do Estado. Porém, não se tratava de uma busca histórica, mas sim de uma explicação lógica que justificasse a ordem social representada pelos interes- ses da burguesia em ascensão. O filosofo Thomas Hobbes (1588-1679) o “estado de natureza” é caracterizado como o direito e a liberdade de cada um para usar todo o seu poder—inclusive a força—para preservar a sua natureza e satisfazer os seus desejos. A violência é uma possibilidade constante e pode ocorrer da forma mais imprevisível. Para que assegurar a paz e segu- rança, os homens devem concordar conjuntamente em renunciar ao direito de natureza (uso individual e privado da força) em nome de um soberano. É o contrato social. O contrato (pacto) cria o soberano: todos os membros se tornam seus súditos, logo, todos lhe devem obediência. Afinal, o soberano concentra em si toda a força à qual renunciaram todos os homens. Thomas Hobbes postula, em sua obra “Leviatã” que: A liberdade que cada homem tem de usar livremente o próprio poder para a con- servação da vida e, portanto, para fazer tudo aquilo que o juízo e a razão conside- rem como os meios idôneos para a consecução desse fim. 21/03/2026, 18:54 Jusnaturalismo e Juspositivismo | Jusbrasil https://www.jusbrasil.com.br/artigos/jusnaturalismo-e-juspositivismo/189321440 2/14 Já em Jonh Locke (1632-1704), preocupado em encontrar respostas para os graves conflitos políticos e religiosos que devastam a Inglaterra do século XVII, existe a se- guinte questão norteadora: como criar uma teoria que conciliasse a liberdade dos cida- dãos com a manutenção da ordem política? Assim como Hobbes, Locke defende que apenas o contrato torna legítimo o poder do Estado, mas não considera que o estado de natureza como uma situação de guerra. Po- rém, cada um é juiz em causa própria, o que pode desestabilizar as relações entre os ho- mens. Uma vez que Locke considera o trabalho como fundamento originário da propri- edade, o contrato é a resposta para a sua preservação. É a necessidade de superar as possíveis ameaças contra a propriedade (vida, liberdade e bens) que leva os homens a se unirem e estabelecerem livremente entre si o contrato social, que realiza a passagem do estado de natureza para a sociedade política ou civil. 1.1. Características do jusnaturalismo O Jusnaturalismo se afigura como uma corrente jurisfilosófica de fundamentação do di- reito justo que remonta às representações primitivas da ordem legal de origem divina, passando pelos sofistas, estóicos, padres da igreja, escolásticos, racionalistas dos sécu- los XVII e XVIII, até a filosofia do direito natural do século XX. Com base no magistério de Norberto Bobbio (1999, pp. 22-23), podem ser vislum- bradas duas teses básicas do movimento jusnaturalista. A primeira tese é a pressuposição de duas instâncias jurídicas: o direito positivo e o direito natural. Direito Positivo - corresponderia ao fenômeno jurídico concreto, apreendido atra- vés dos órgãos sensoriais, sendo, deste modo, o fenômeno jurídico empiricamente verificável, tal como ele se expressa através das fontes de direito, especialmente, aquelas de origem estatal. Direito Natural - corresponderia a uma exigência perene, eterna ou imutável de um direito justo, representada por um valor transcendental ou metafísico de justiça. A segunda tese do jusnaturalismo é a superioridade do direito natural em face do di- reito positivo. Neste sentido, o direito positivo deveria, conforme a doutrina jusnatura- lista, adequar-se aos parâmetros imutáveis e eternos de justiça. O direito natural en- 21/03/2026, 18:54 Jusnaturalismo e Juspositivismo | Jusbrasil https://www.jusbrasil.com.br/artigos/jusnaturalismo-e-juspositivismo/189321440 3/14 quanto representativo da justiça serviria como referencial valorativo (o direito positivo deve ser justo) e ontológico (o direito positivo injusto deixa de apresentar juridicidade), sob pena da ordem jurídica identificar-se com a força ou o mero arbítrio. Neste sentido, o direito vale caso seja justo e, pois, legítimo, daí resultando a subordinação da validade à legitimidade da ordem jurídica. Embora se oriente pela busca de uma justiça eterna e imutável, a doutrina do direito natural ofereceu, paradoxalmente, diversos fundamentos para a compreensão de um di- reito justo ao longo da história ocidente. Diante disto, o Jusnaturalismo pode ser agru- pado nas seguintes categorias: a) Jusnaturalismo Cosmológico - vigente na antiguidade clássica; b) Jusnaturalismo Teológico - surgido na Idade Média, tendo como fundamento jurídico a idéia da divindade como um ser onipotente, onisciente e onipresente; c) Jusnaturalismo Racionalista - surgido no seio das revoluções liberais burgue- ses do século XVII e XVIII, tendo como fundamento a razão humana universal; d) Jusnaturalismo Contemporâneo - gestado no século XX, que enraíza a justiça no plano histórico e social, atentando para as diversas acepções culturais acerca do direito justo. Do ponto de vista Jurisfilosófico, a doutrina jusnaturalista desempenhou a função rele- vante de sinalizar a necessidade de um tratamento axiológico para o direito. Isto por- que o jusnaturalismo permite uma tematização dos valores jurídicos, abrindo espaço para a discussão sobre a justiça e sobre os critérios de edificação de um direito justo. Entretanto, como salienta Auto de Castro (1954, p.28), em face da necessidade de de- limitar o que seja o direito justo, a doutrina jusnaturalista não logra oferecer uma pro- posta satisfatória de compreensão dos liames mantidos entre direito, legitimidade e justiça. Ao encerrar o jusnaturalismo todos os postulados metafísicos, resta demons- trado que a epistemologia jurídica, em consonância com os resultados da teoriado co- nhecimento, não reconhece os títulos de legitimidade da doutrina do direito natural. Eis os motivos: 21/03/2026, 18:54 Jusnaturalismo e Juspositivismo | Jusbrasil https://www.jusbrasil.com.br/artigos/jusnaturalismo-e-juspositivismo/189321440 4/14 a) o jusnaturalismo confunde os planos do ser e do dever-ser, porque, para a grande maioria dos jusnaturalistas, o direito injusto seria descaracterizado como fenômeno jurídico. Para que um fenômeno ético merecesse a nomenclatura di- reito deveria estar em consonância com a justiça, sob pena de configurar a impo- sição o arbítrio ou da força por um poder constituído; b) os jusnaturalistas não visualizam a bipolaridade axiológica: todo valor é corre- lato a um desvalor. Os valores humanos estão estruturados em binômios, tais como: justo x injusto, útil x inútil, sagrado x profano ou belo x feio. Isto, portanto, não autoriza a assertiva de que o direito injusto não é direito, pois os juízos de fato e de valor se situam em planos distintos de apreensão cognitiva; c) a compreensão da justiça como uma estimativa a-histórica, a-temporal e a-es- pacial, em que pese a crítica do jusnaturalismo contemporâneo, merece sérias ob- jeções. O justo não pode ser concebido como um valor ideal e absoluto, envolto em nuvens metafísicas, visto que a axiologia jurídica contemporânea já demons- trou como o direito é um objeto cultural e como a justiça figura como um valor histórico-social, enraizado no valor da cultura humana. O conceito de justiça é, pois, sempre relativo, condicionado ao tempo e ao espaço; o jusnaturalismo acaba por identificar os atributos normativos da validade e legitimidade, ao afirmar que a norma jurídica vale se for justa, o que compromete as exigências de ordem e se- gurança jurídica, que se traduzem no respeito à legalidade dos Estados Democrá- ticos de Direito. O jusnaturalismo manejou para o surgimento do positivismo jurídico, assim entendido juspositivismo. 2. Juspositivismo Juspositivismo, positivismo ou positivismo jurídico é uma corrente de filósofos que uti- lizam do método empírico (científico) para adequar o direito apenas em seu direito po- sitivo (leis), ou seja, apenas será trabalhado as questões positivadas. Essas normas po- sitivadas são feitas pelo poder político do Estado, e assim são aplicadas pelas autorida- des efetivamente competentes. 21/03/2026, 18:54 Jusnaturalismo e Juspositivismo | Jusbrasil https://www.jusbrasil.com.br/artigos/jusnaturalismo-e-juspositivismo/189321440 5/14 O direito positivo é aquele que o Estado impõe à coletividade, e que deve estar adap- tado aos princípios fundamentais do direito natural. Portanto, a norma tem natureza formal, independem de critérios externos ao direito, como exemplo: moral, ética e polí- tica. Definido por elementos empíricos e mutáveis (fator social), onde a sociedade está em constante mutação. Ao contrário do que defende a corrente jusnaturalista (jusnaturalismo), a Corrente Jus- positivista (juspositivismo) acredita que só pode existir o direito e consequentemente a justiça através de normas positivadas, ou seja, normas emanadas pelo Estado com po- der coercivo, podemos dizer que são todas as normas escritas, criadas pelos homens por intermédio do Estado. 2.1. Origem do positivismo jurídico O termo “positivismo jurídico” decorre da preocupação de estudar, de maneira isolada, o direito posto por uma autoridade, o ius positivum ou ius positum. Pesquisas históri- cas revelam que termos relacionados com a positividade do direito foram utilizados na Europa a partir da terceira década do século XII, para indicar o direito criado e (im) posto pelos legisladores. O termo iustitia positiva se encontra na obra Didascalicon de Hugo de Saint-Victor, escrita provavelmente em 1127. A mais antiga referência ao termo ius positivum foi identificada em texto de Thierry de Chartres, jurista e teó- logo francês, conhecido como Theodoricus. Ser positivista em âmbito jurídico significa, até hoje, escolher como exclusivo objeto de estudo o direito posto por uma autoridade. O positivismo jurídico se relaciona causal- mente com o processo histórico de derrota do direito natural e a substituição das nor- mas de origem religiosa e costumeira pelas leis estatais nas sociedades europeias da Idade Moderna. Trata-se do fenômeno que foi rotulado “surgimento da positividade do direito”. 2.2. Espécies de positivismo jurídico O positivismo jurídico é uma corrente da filosofia do direito amplamente debatida atu- almente. Os teóricos do positivismo jurídico divergem sobre os fatos sociais que defi- nem o direito (a vontade do legislador, a vontade do aplicador do direito, a eficácia so- cial das normas, o reconhecimento pelas autoridades e pelos cidadãos e a existência de 21/03/2026, 18:54 Jusnaturalismo e Juspositivismo | Jusbrasil https://www.jusbrasil.com.br/artigos/jusnaturalismo-e-juspositivismo/189321440 6/14 uma norma suprema e pressuposta que indica qual conjunto de normas possui validade jurídica). Divergem também sobre as características do sistema jurídico, por exemplo, sobre se a finalidade do direito é a de garantir segurança jurídica e paz social e sobre a importân- cia da sanção e da coerção na definição do direito. Duas importantes correntes teóricas podem ser identificadas: Positivismo jurídico inclusivo ou moderado; Positivismo jurídico exclusivo ou radical. 2.2.1. Positivismo jurídico exclusivo ou radical A primeira abordagem é conhecida como exclusive legal positivism, nonincorporatio- nism ou hard positivism (positivismo jurídico exclusivo; anti-incorporacionismo; posi- tivismo radical ou inflexível). Seu mais conhecido representante é Joseph Raz, apesar de os referidos termos terem sido propostos não por ele, mas por críticos de sua abordagem. O próprio Raz prefere indicar sua abordagem como strong social thesi ou sources the- sis, sendo que em publicações mais recentes questiona fortemente a possibilidade de conciliar sua teoria com a de outros autores que são considerados positivistas, pondo em dúvida o próprio conceito de positivismo (que nesse texto analisamos como positi- vismo no sentido estrito). Um conceito crucial da abordagem de Raz sobre o positivismo exclusivo é a autori- dade, tida como única fonte do direito. Para Raz, exerce-se “autoridade” quando são reunidas duas condições. Em primeiro lugar, os destinatários do comando obedecem porque confiam na autoridade ou se sentem por ela intimidados – e não porque agiriam da mesma forma se a autoridade não tivesse emitido o comando. Em segundo lugar, as ordens da autoridade são obedecidas independentemente do juízo de valor que o destinatário faz sobre essas. Isso significa que as razões que oferece a au- toridade conseguem “vencer” as razões do próprio interessado que acaba seguindo a au- toridade mesmo contra a sua convicção. Em virtude disso, Raz considera que a atuação de autoridade facilita a vida social, já que as pessoas obedecerem prontamente, sem de- ver sopesar argumentos a favor e contra determinada conduta. 21/03/2026, 18:54 Jusnaturalismo e Juspositivismo | Jusbrasil https://www.jusbrasil.com.br/artigos/jusnaturalismo-e-juspositivismo/189321440 7/14 Pensemos em um exemplo simples. Durante sua vida Maria nunca cometeu furto. Pode- mos dizer que Maria agiu de maneira conforme às normas penais que tipificam e pu- nem o furto. Raz perguntaria também quais foram as razões que fizeram Maria atuar dessa maneira. Se a resposta for que Maria nunca furtou em razão de suas fortes con- vicções religiosas e morais contrárias ao furto, temos um caso no qual a lei não exerceu sua “autoridade” em sentido raziano. Havendo ou não havendo essa lei, Maria teria atu- ado da mesma maneira. Se, ao contrário, Maria deixou de furtar porque sempre confia nas orientações do legislador sem analisá-las e sem questioná-las, ou porque se sentiu intimidada pela ameaça de sanções, diremos que o legislador exerceu autoridade raziana. ParaRaz, fonte de validade do direito é a autoridade nesse sentido. A moral não deve ser utilizada como critério de identificação do direito positivo porque não apresenta re- levância para a constatação da validade jurídica ou para a interpretação das normas vi- gentes. A validade decorre da existência de fatos sociais capazes de atribuir validade (“autoridade”) e a interpretação – à qual os exclusivistas pouco se referem – é de com- petência dos órgãos estatais, sem que seja possível impor limitações externas, decorren- tes de considerações morais. 2.2.2. Positivismo jurídico inclusivo ou moderado O positivismo jurídico inclusivo (inclusive legal positivism) é também conhecido como incorporationism ou soft positivism (termo traduzido para o português como: positi- vismo moderado). Essa abordagem é adotada por muitos autores contemporâneos, po- dendo citar os nomes de David Lyons, Jules Coleman e Wilfrid Waluchow. O próprio Hart, em texto postumamente publicado, considerou que sua visão sobre o di- reito corresponde “àquilo que foi designado como ‘positivismo flexível’”. Esses autores distinguem entre o direito visto como fato “duro” (hard fact) e o direito analisado como convenção social (social convention), segundo uma distinção feita por Coleman. Os valores morais não são sempre decisivos para definir e aplicar o direito. Mas, em certas sociedades, pode haver uma convenção social impondo levar em consi- deração a moral para determinar a validade e para interpretar normas jurídicas. Acredi- tam na (possível) existência de sistemas jurídicos que adotam “critérios de juridicidade de cunho moral": “O caráter jurídico de normas pode depender algumas vezes de seus méritos (morais) substanciais e não somente de sua origem ou fonte social”. 21/03/2026, 18:54 Jusnaturalismo e Juspositivismo | Jusbrasil https://www.jusbrasil.com.br/artigos/jusnaturalismo-e-juspositivismo/189321440 8/14 Pode ocorrer que, em determinado território e momento, sejam reconhecidos como ju- rídicos regulamentos feitos “conforme a justiça”, “promovendo o bem -estar de todos”, “segundo valores morais da comunidade” segundo a “moralidade política” ou, nas pala- vras de Hart, “conforme princípios morais e valores substantivos”. Em tais situações, uma norma jurídica só é válida se for submetida e aprovada em “exame moral”, depen- dendo sua validade e a forma de aplicação de qualidades morais, conforme decisão do aplicador. 2.3. Positivismo O positivismo é uma corrente filosófica que surgiu na França no começo do século XIX. Os principais idealizadores do positivismo foram os pensadores Augusto Comte e John Stuart Mill. Esta escola filosófica ganhou força na Europa na segunda metade do século XIX e começo do XX, período em que chegou ao Brasil. O filósofo Augusto Comte (1798-1857) entendida que o conhecimento científico siste- mático é baseado em observações empíricas, na observação de fenômenos concretos, passíveis de serem apreendidos pelos sentidos do homem. Não apenas isso, o positi- vismo é a ideia da construção do conhecimento pela apreensão empírica do mundo, buscando descobrir as leis gerais que regem os fenômenos observáveis. Dessa forma trabalham as ciências naturais, como a biologia ou a química, que se debruçam sobre seus objetos de estudo em busca de estruturação das “regras” que constituem as formas de interação entre organismos e seus compostos no mundo biológico observável ou das interações entre diferentes reagentes químicos. Para Comte, a busca pelo conhecimento positivo constituiria a principal forma de construção de conhecimento do homem. Diante disso, os estudos das áreas das ciências humanas deveriam tomar esse mesmo rumo, de forma a produzir um real conheci- mento com o objetivo último de compreender as leis que constituem e regem as intera- ções entre indivíduos e fenômenos no mundo social, independente do tempo ou do es- paço no qual se encontram. O pensamento de Augusto Comte se construía em paralelo aos acontecimentos histó- ricos de sua época. A revolução francesa e a crescente industrialização da sociedade trouxe à tona novos problemas e novas formas observáveis de processos de mudanças profundas na vida da sociedade tradicional da época. Comte buscava a criação de uma ciência da sociedade capaz de explicar e compreender todos esses fenômenos da mesma 21/03/2026, 18:54 Jusnaturalismo e Juspositivismo | Jusbrasil https://www.jusbrasil.com.br/artigos/jusnaturalismo-e-juspositivismo/189321440 9/14 forma que as ciências naturais buscavam interpelar seus objetos de estudo. Ele acredi- tava ser possível entender as leis que regem nosso mundo social, ajudando-nos a com- preender os processos sociais e dando-nos controle direto sobre os rumos que nossas sociedades tomariam, acreditando ser possível dessa forma prever e tratar os males so- ciais que nos afligiriam tal como trataríamos um corpo enfermo. A construção do conhecimento positivo só seria possível, então, por meio da observação dos fenômenos em seu contexto físico, palpável, ao alcance dos nossos sentidos e sub- metidos à experiência. Este seria o papel da ciência, a compreensão dos fenômenos pas- síveis de observação sensorial direta, com o intuito de entender, por meio da experiên- cia, as relações entre esses fenômenos, de forma a abstrair as leis que regem as intera- ções para que, assim, seja possível predizer como os acontecimentos envolvidos em de- terminado fenômeno se darão. A ciência e o método científico são a síntese das ideias positivistas. 2.3.1. Bandeira nacional: “Ordem e Progresso” As palavras de" Ordem e Progresso "é o lema nacional da República Federativa do Bra- sil. A expressão é o lema político do positivismo, forma abreviada do lema religioso po- sitivista formulado pelo filósofo francês Auguste Comte: "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim"(em francês L'amour pour principe et l'ordre pour base; le progrès pour but.). Seu significado é: O Amor deve sempre ser o princípio de todas as ações individuais e coletivas. A Ordem consiste na conservação e manutenção de tudo o que é bom, belo e positivo. O progresso é a consequência do desenvolvimento e aperfeiçoamento da Ordem. Outras curiosidades do positivismo: O Positivismo é uma reação radical ao Transcendentalismo Idealista alemão e ao Romantismo. Auguste Comte foi o criador da palavra" altruísmo "para resumir o ideal de sua Nova Religião. 21/03/2026, 18:54 Jusnaturalismo e Juspositivismo | Jusbrasil https://www.jusbrasil.com.br/artigos/jusnaturalismo-e-juspositivismo/189321440 10/14 Os precursores do positivismo na França foram Mostesquieu (1689-1755) e Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). As teorias de Comte foram criticadas pela tradição sociológica e filosófica mar- xista, especialmente pela Escola de Frankfurt. 2.4. Positivismo segundo a Teoria Pura do Direito de Kelsen Hans Kelsen sustenta a necessidade lógica de pressupor a existência de uma norma fundamental que seria" a fonte comum da validade de todas as normas pertencentes a uma e mesma ordem normativa ". Assim, a norma fundamental ordenaria que todos se conduzam de acordo com as normas positivas supremas do ordenamento e atribuiria validade a todas as normas decorrentes da manifestação da vontade do criador dessas normas supremas. Em meio à grande influência das teorias sociologistas que buscavam dar novos critérios de justiça na aplicação do Direito, Kelsen propôs uma nova teoria positivista fundada em uma forte separação entre o Direito e a Ciência do Direito. Enquanto a segunda é" pura ", isto é, é um conhecimento científico, descritivo de fatos sociais (o Direito posi- tivo); o primeiro é inexoravelmente invadido por valores morais e pela política. Assim, de um lado, o cientista do Direito é plenamente capaz de determinar o sentido das normas jurídicas através da interpretação em abstrato; mas, de outro lado, na apli- cação a ser feita pelos juízes (tendo em vista o caso concreto), imperaa vontade do apli- cador. Assim, Kelsen entende que a aplicação do Direito pelos juízes era um ato de von- tade, de política jurídica, que podia, inclusive, escolher sentidos fora das hipóteses pre- sentes na moldura normativa (interpretação científica). Deste modo, o centro da teoria pura é uma cisão entre descrição e prescrição, entre ser e dever ser. 2.5. Tomás de Aquino e a lei positiva O termo"lei positiva"foi primeiramente colocado em grande circulação filosófica por Tomás de Aquino. A teoria do direito natural aceita que a lei pode ser considerada e fa- lada tanto como um simples fato social de poder e prática, como um conjunto de razões para a ação que pode ser e muitas vezes são sólidas como razões e, portanto, normati- vas para pessoas razoáveis por elas abordadas. Esse duplo caráter do direito positivo é pressuposto pelo conhecido bordão"As leis injustas não são leis". 3. Principais diferenças dos institutos 21/03/2026, 18:54 Jusnaturalismo e Juspositivismo | Jusbrasil https://www.jusbrasil.com.br/artigos/jusnaturalismo-e-juspositivismo/189321440 11/14 Veja as principais diferenças entre o jusnaturalismo e o juspositivismo: 3.1. Jusnaturalismo Leis superiores. Direito como produto de ideias (Metafísico). Pressuposto: Valores. Existência de leis naturais. 3.2. Juspositivismo Leis impostas. Leis como produto da ação humana (empírico-cultural). Pressuposto: o próprio ordenamento positivo. Existência de leis formais. 👍⬅ Gostou? Então, recomende para outros leitores, clicando lá em cima. 📚⬅ Quer acompanhar mais artigos? Então, clique seguir no perfil do autor. Artigos relacionados: Um breve resumo do direito natural; O direito está na rua, na lei ou na consciência?; Teoria agnóstica da pena de Eugenio R. Zaffaroni. • • • 4. Referências BEAUD, Olivier. La puissance de l’État, pag. 55-108. Paris: PUF, 1994. BOBBIO, Norberto. O positivismo jurídico: lições de filosofia do direito. São Paulo: Ícone, 1999. COLEMAN, Jules. Incorporationism, conventionality, and the practical difference the- sis. The practice of principle. 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Ademais, os direitos da publicação podem ser utilizado, desde que, mencionada auto- ria, conforme inciso III do Artigo 46 da Lei 9.610/98. Att. Carlos Eduardo Vanin 21/03/2026, 18:54 Jusnaturalismo e Juspositivismo | Jusbrasil https://www.jusbrasil.com.br/artigos/jusnaturalismo-e-juspositivismo/189321440 14/14 https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/positivismo.htm%3E http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/glossario/verb_c_jusnaturalismo.htm https://duduhvanin.jusbrasil.com.br/publicacoes https://duduhvanin.jusbrasil.com.br/publicacoes https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625260/inciso-iii-do-artigo-46-da-lei-n-9610-de-19-de-fevereiro-de-1998 https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625543/artigo-46-da-lei-n-9610-de-19-de-fevereiro-de-1998 https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/92175/lei-de-direitos-autorais-lei-9610-98