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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO Professor: Clélio Rodrigo Paiva Rafael APRESENTAÇÃO DO PROFESSOR Bacharel em Engenharia Civil e Ciência e Tecnologia – UFERSA Licenciado em Matemática – UNICV Especialista em BIM – UNP Engenheiro de Segurança do Trabalho – FUNIP Mestre em Ciência e Tecnologia Ambiental – UFABC Professor, tutor, orientador e coordenador. Apresentação da disciplina • AULA 1 – INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO • UNIDADE 1 – AGREGADOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL • UNIDADE 2 – AGLOMERANTES • UNIDADE 3 – ARGAMASSAS E CONCRETOS • UNIDADE 4 – CERÂMICAS E MADEIRAS • UNIDADE 5 – MADEIRAS E VIDROS • UNIDADE 6 – POLÍMEROS E METAIS Apresentação da disciplina INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO Desde a pré-história, o ser humano buscou abrigo e segurança, utilizando os recursos naturais disponíveis para construir moradias, monumentos e cidades. INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO • No início, a regra era usar o que havia à mão e que pudesse ser manipulado com ferramentas simples. • No Paleolítico, predominavam abrigos em cavernas e estruturas leves com galhos, folhas, peles e ossos; INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO • Com o Neolítico e a sedentarização, surgem povoados fixos com madeira, pedra e, sobretudo, terra crua moldada. • As primeiras casas de tijolos de barro secados ao sol (adobe) aparecem em assentamentos agrícolas. INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO • Técnicas de compactação de terra (taipa) se difundem e permanecem por milênios, inclusive em trechos do que hoje conhecemos como Muralha da China. • O domínio do fogo permitiu queimar cerâmica e, mais tarde, calcinar calcário para produzir cal, base das argamassas antigas. INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO • Na Antiguidade, a Mesopotâmia se tornou referência pelo uso sistemático do tijolo. Faltava pedra, então se organizou uma “indústria” de tijolos: primeiro crus, depois cozidos em fornos. • No Egito, grandes obras pétreas (calcários e granitos nas pirâmides) conviviam com palácios e muros de tijolo; argamassas à base de gesso e cal também eram muito utilizadas. INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO • Em Roma, a virada tecnológica veio com o opus caementicium (cimento romano): um concreto de cal e pozolana (cinza vulcânica) com agregados, capaz de endurecer até sob água. Exemplo de opus caementicium em um túmulo na antiga Via Ápia em Roma. A cobertura original foi removida. INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO • A Idade Média aperfeiçoou a arte da alvenaria de pedra e tijolo com argamassas de cal, combinando estruturas de madeira em coberturas e vitrais coloridos. • A românica priorizou massa e estabilidade (paredes espessas, abóbadas de berço), enquanto a gótica refinou o equilíbrio de forças com arcos ogivais, abóbadas nervuradas e contrafortes, liberando panos de vidro. • No repertório extracontinental, as obras incas mostram excelência em aparelhamento pétreo e drenagem, ajustando a construção à topografia de montanha. INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO • No século XVIII, a aplicação da ciência e de ensaios sistemáticos deu base para o surgimento de normas e padronização. • Em 1824, Joseph Aspdin patenteou o cimento Portland, produzido ao queimar e moer misturas calcárias e argilosas. A fabricação de clínquer atingiria temperaturas de ~1450 °C, formando as fases silicatadas responsáveis pela resistência do concreto. INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO • Em 1850 o aço de baixo custo chegou com o processo Bessemer, oxidando impurezas do ferro gusa por jatos de ar e permitindo perfis laminados e pontes e arranha-céus de grandes vãos. INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO • Nos anos 1950, a empresa Pilkington criou o processo float, que revolucionou o vidro plano. Nele, o vidro derretido flutua sobre estanho líquido, formando chapas planas e transparentes. INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO • Já no início do século XX surgiu o concreto armado, combinando concreto (compressão) e aço (tração) em barras. • Surgiu também o concreto protendido: em 1928, Eugène Freyssinet patenteou a aplicação de compressões prévias por cabos de alta resistência para controlar fissuras e vencer grandes vãos com seções mais esbeltas. INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO • Na evolução dos materiais de construção, atualmente busca-se desenvolver soluções que, além de oferecerem resistência estrutural e estética arquitetônica, também estejam alinhadas com os princípios da sustentabilidade ambiental. • Nesse cenário, têm ganhado destaque os materiais especiais de alto e ultra desempenho, desenvolvidos a partir de tecnologias avançadas como adições minerais ultrafinas, fibras de reforço e controle micromecânico da estrutura interna. • Esses materiais permitem criar estruturas mais duráveis, leves, resistentes à fissuração e com menor impacto ambiental — como o UHPC (Concreto de Ultra Alto Desempenho), o ECC (Concreto Cimentício Engenharia) e os geopolímeros. CLASSIFICAÇÃO DOS MATERIAIS Quanto a origem • Naturais • Artificiais • Combinados Quanto a função • Vedação • Proteção • Estrutural Quanto a estrutura atômica e química • Semicondutores • Biomateriais • Materiais avançados • Materiais não-convencionais • Metais • Cerâmicos • Polímeros • Compósitos CLASSIFICAÇÃO QUANTO A ORIGEM Naturais: São materiais encontrados diretamente na natureza, utilizados com pouca ou nenhuma modificação industrial. Exemplos : • Pedra (ex: granito, basalto): usada em fundações, revestimentos, pisos e muros. • Madeira bruta: usada em estruturas provisórias (andaimes, formas) ou permanentes (telhados, vigas, escadas). • Argila (barro): aplicada em tijolos artesanais, telhas e sistemas de vedação em construções rústicas Artificiais: São materiais que passam por algum processo industrial ou químico para alterar suas propriedades naturais. Exemplos : • Cimento Portland: base para produção de concretos e argamassas. • Tijolo cerâmico: fabricado com argila cozida em fornos, muito utilizado em alvenaria. • Aço: obtido pela indústria siderúrgica e empregado em armaduras e estruturas metálicas. CLASSIFICAÇÃO QUANTO A ORIGEM Combinados: São materiais formados pela união de dois ou mais materiais diferentes para melhorar suas propriedades mecânicas, térmicas ou químicas. Exemplos : • Concreto armado (cimento + brita + areia + aço): usado em vigas, pilares, lajes e fundações. • Compósitos de fibras (fibra de vidro + resina): usados em coberturas, painéis leves e reforços estruturais. • Drywall (gesso + papel cartonado): utilizado em divisórias internas. CLASSIFICAÇÃO QUANTO A ORIGEM CLASSIFICAÇÃO QUANTO A FUNÇÃO Vedação: Materiais que têm como função isolar ou separar ambientes, protegendo contra passagem de ar, água, som, calor ou mesmo pessoas. Exemplos : • Tijolos cerâmicos e blocos de concreto: usados em paredes internas e externas. • Drywall: sistema leve e rápido para divisórias internas. • Vidros temperados: vedam janelas e fachadas com proteção visual e acústica. • Selantes e espumas expansivas: aplicados para vedar frestas em esquadrias, paredes e coberturas. CLASSIFICAÇÃO QUANTO A FUNÇÃO Proteção: Materiais que protegem contra impactos físicos, ações do tempo, fogo, umidade, corrosão ou agentes biológicos. Exemplos : • Impermeabilizantes (manta asfáltica, argamassa polimérica): aplicados em lajes, baldrames e fundações. • Tintas e revestimentos anticorrosivos: usados em estruturas metálicas expostas. • Coberturas de telha cerâmica ou metálica: protegem o interior das edificações contra sol e chuva. • Grades e cercas metálicas: para proteção patrimonial e segurança de acesso. CLASSIFICAÇÃO QUANTO A FUNÇÃO Estrutural: Materiais que suportam cargas e esforços mecânicos, garantindo a estabilidade da edificação. Exemplos: • Concreto armado (cimento + aço): aplicado em pilares, vigas, lajes e fundações. • Madeira estrutural (eucaliptotratado, angelim): usada em telhados e estruturas de pequeno porte. • Aço estrutural (perfis metálicos): comum em galpões, pontes e edifícios verticais. • Blocos estruturais de concreto: substituem a alvenaria tradicional em obras sem vigas e pilares. CLASSIFICAÇÃO QUANTO A ESTRUTURA ATÔMICA E QUÍMICA • Metais: Materiais condutores de eletricidade e calor, com boa resistência mecânica e alta durabilidade. Exemplo: Aço usado em vigas e pilares estruturais; cobre em fios elétricos. • Cerâmicos: Inorgânicos, duros e frágeis, com boa resistência térmica e à corrosão. Exemplo: Tijolos e telhas cerâmicas usados em paredes e coberturas. • Polímeros: Formados por cadeias de moléculas orgânicas (plásticos); leves, isolantes e resistentes à umidade. Exemplo: PVC em tubos hidráulicos e de esgoto. CLASSIFICAÇÃO QUANTO A ESTRUTURA ATÔMICA E QUÍMICA • Compósitos: Combinação de dois ou mais materiais com propriedades complementares. Exemplo: Concreto armado (cimento + aço) usado em lajes e fundações. • Semicondutores: Materiais com condutividade controlada, usados em eletrônica e automação predial. Exemplo: Painéis solares com células de silício para geração de energia. • Biomateriais: Materiais de origem biológica ou renovável, voltados à sustentabilidade. Exemplo: Bambu em estruturas leves e madeira engenheirada (CLT) em edifícios. CLASSIFICAÇÃO QUANTO A ESTRUTURA ATÔMICA E QUÍMICA • Materiais Avançados: Desenvolvidos com alta tecnologia para desempenho superior ou multifuncional. Exemplo: Concreto de ultra-alto desempenho (UHPC) em pontes e estruturas de alta carga. • Materiais Não-convencionais: Alternativos, muitas vezes reciclados ou com baixo impacto ambiental. Exemplo: Garrafas PET reutilizadas como tijolos em obras sustentáveis. PROPRIEDADES FÍSICAS DOS MATERIAIS • Massa Específica (ou Densidade): A massa específica é a quantidade de massa por unidade de volume de um material, geralmente expressa em kg/m³. Ela indica o “peso próprio” do material e influencia diretamente o dimensionamento estrutural e o transporte. Exemplo: • O concreto comum tem massa específica em torno de 2.400 kg/m³. Isso impacta diretamente no peso das estruturas e nas cargas que devem ser suportadas por fundações e lajes. • Em contraste, materiais leves como isopor (EPS) têm massa específica inferior a 100 kg/m³, sendo utilizados para enchimentos e isolamento. PROPRIEDADES FÍSICAS DOS MATERIAIS • Porosidade: É a fração do volume total de um material que é ocupada por vazios ou poros. Esses poros podem estar interligados (porosidade aberta) ou isolados (porosidade fechada), e influenciam diretamente propriedades como absorção de água, resistência mecânica, isolamento térmico e acústico. A porosidade é expressa em percentual (%), relacionando o volume de vazios com o volume total do corpo. Exemplo: • Em blocos cerâmicos, alta porosidade reduz o peso do material, melhora o isolamento térmico, mas pode comprometer a resistência. • Em concreto, porosidade excessiva indica má compactação e pode prejudicar a durabilidade, facilitando a penetração de água e agentes agressivos. • Em materiais isolantes como o EPS (isopor) ou a lã de vidro, a elevada porosidade é desejável, pois melhora o desempenho térmico e acústico. PROPRIEDADES FÍSICAS DOS MATERIAIS • Absorção de água: representa a capacidade de um material poroso reter água em seus vazios quando submerso ou exposto à umidade. É expressa geralmente em percentual da massa seca do material, e está diretamente ligada à porosidade. Essa propriedade influencia o peso, a durabilidade, a resistência mecânica e o desempenho térmico do material. Exemplo: • Tijolos cerâmicos e blocos de concreto devem ter absorção controlada. Valores elevados (>20%) indicam alta porosidade e baixa resistência à intempérie. • Concreto de boa qualidade estrutural deve ter absorção reduzida, para evitar infiltrações e corrosão da armadura. • Revestimentos cerâmicos (pisos e azulejos) com baixa absorção (• Perfis metálicos (aço ou alumínio) dilatam mais com o calor, exigindo cuidados em fachadas, coberturas metálicas e caixilhos. • Em revestimentos cerâmicos de fachadas, a falta de juntas e o descolamento por dilatação são causas frequentes de patologias. PROPRIEDADES FÍSICAS DOS MATERIAIS • A retração é a redução de volume de um material após a perda de umidade ou calor, geralmente associada a processos de secagem ou cura. É uma propriedade importante especialmente em materiais que passam por transformações no estado fresco (como concretos e argamassas). Exemplo: • No concreto, a retração ocorre durante a cura devido à evaporação da água de amassamento. Se não for controlada com juntas ou cura adequada, pode gerar fissuras e comprometer a durabilidade da estrutura. • Em argamassas de revestimento, retração excessiva pode causar trincas e destacamentos, afetando o acabamento e a proteção da alvenaria. • Em cerâmicas e blocos, o controle da retração durante a queima é fundamental para evitar deformações e empenamentos. PROPRIEDADES FÍSICAS DOS MATERIAIS PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS • Elasticidade é a capacidade de um material voltar à sua forma original após ser deformado por uma força — desde que essa força não ultrapasse seu limite elástico. É uma propriedade fundamental em projetos estruturais, sendo expressa quantitativamente pelo Módulo de Elasticidade (ou Módulo de Young), em MPa ou GPa. Exemplo: • O aço apresenta alta elasticidade e por isso é ideal para armaduras de concreto armado, suportando deformações temporárias sem romper. • O concreto, por outro lado, é pouco elástico (mais rígido), sendo eficiente à compressão, mas não à tração. • Em pisos industriais, a elasticidade da camada de revestimento (como resinas ou borrachas) é considerada para absorver impactos e evitar rachaduras. PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS • Plasticidade é a capacidade de um material de sofrer deformações permanentes sem se romper, ou seja, de manter a nova forma mesmo após cessada a força aplicada. É o comportamento oposto à elasticidade. Materiais com alta plasticidade podem ser moldados, estirados ou conformados. Exemplo: • O aço estrutural é altamente plástico, permitindo dobras e conformações em perfis metálicos sem romper — útil na fabricação de treliças e reforços estruturais. • Durante o lançamento, o concreto fresco deve apresentar plasticidade suficiente para preencher formas e cobrir armaduras adequadamente. • Argamassas de assentamento também exigem plasticidade adequada para garantir boa aderência e acabamento. PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS • Deformação é a alteração na forma ou tamanho de um material quando submetido a uma força externa. Pode ser elástica (reversível) ou plástica (permanente), dependendo da intensidade da carga e das características do material. A deformação é geralmente expressa como uma razão entre a variação de comprimento e o comprimento original (adimensional ou em %). Exemplo: • Em uma laje de concreto armado, ocorre deformação quando a estrutura é carregada com o peso da obra ou de pessoas. Se a deformação for excessiva, pode comprometer o uso (ex: trincas ou empenamentos). • Vigas metálicas sofrem deformações visíveis sob carga, mas retornam à forma original se estiverem dentro do limite elástico. • O acompanhamento das deformações é fundamental em obras com estruturas esbeltas ou em pontes, sendo monitorado por instrumentos como deformômetros e extensômetros. PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS • Tração é o esforço mecânico que tende a alongar um material, ou seja, aplicam-se forças em sentidos opostos que esticam o corpo. A resistência à tração é a capacidade do material de suportar esse esforço sem se romper. Esse valor é expresso em MPa (megapascal). Exemplo: • O aço é o material mais utilizado para resistir à tração, principalmente nas armaduras do concreto armado, pois o concreto sozinho é fraco nesse tipo de esforço. • Em cabos de protensão usados no concreto protendido, a tração é aplicada intencionalmente para gerar compressão e melhorar o desempenho da estrutura. • Ensaios de tração em barras de aço são exigidos por norma (ex: NBR 7480) para controle de qualidade em obras estruturais. PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS • Compressão é o esforço que tende a reduzir o volume de um corpo, aplicando forças opostas em direção ao centro. A resistência à compressão é a capacidade de um material suportar esse tipo de carga sem falhar ou se deformar excessivamente. É uma das propriedades mais importantes em estruturas. Exemplo: • O concreto tem excelente resistência à compressão, sendo utilizado em pilares, vigas, lajes e fundações — a maioria das estruturas em concreto é dimensionada com base nesse esforço. • Tijolos cerâmicos e blocos de concreto são testados em laboratório quanto à resistência à compressão antes de serem liberados para uso. • Ensaios como o da NBR 5739 (compressão de corpos de prova cilíndricos de concreto) são fundamentais para controle de qualidade em obras. PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS • Cisalhamento é o esforço mecânico que ocorre quando forças paralelas atuam em sentidos opostos, provocando o deslizamento de uma parte do material em relação à outra. A resistência ao cisalhamento mede a capacidade de um material resistir a esse tipo de deslizamento interno antes de se romper. Exemplo: • Em vigas de concreto armado, o esforço cortante (cisalhamento) ocorre próximo aos apoios, sendo combatido por estribos (barras transversais). • Na ligação entre concreto e aço, como em emendas de barras ou apoios de lajes, o cisalhamento é um fator crítico para evitar descolamento. • Em obras de contenção, como muros de arrimo, o cisalhamento atua na interface solo/estrutura e deve ser considerado nos cálculos de estabilidade. PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS • Flexão é o esforço mecânico que ocorre quando um corpo é submetido a forças que tendem a curvá-lo. Ela gera uma combinação de tensões de tração (na face inferior) e compressão (na face superior) da peça. A resistência à flexão mede a capacidade do material de suportar essa curvatura sem se romper ou deformar excessivamente. Exemplo: • As vigas de concreto armado são dimensionadas principalmente para resistir à flexão, com armaduras colocadas na parte inferior para resistir à tração. • Em lajes de piso, a carga dos usuários gera flexão entre os apoios. • Ensaios de flexão em telhas cerâmicas e painéis são comuns para verificar sua resistência ao peso e ao vento antes da aplicação em coberturas.. PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS • Torção é o esforço que ocorre quando um material é submetido a momentos ou forças que tendem a girá-lo em torno de seu próprio eixo longitudinal. Esse tipo de esforço gera tensões internas de cisalhamento e pode causar torcimento, distorção ou ruptura da peça. Exemplo: • Eixos e barras metálicas de escadas helicoidais ou passarelas podem sofrer torção e devem ser dimensionados para resistir a esse tipo de esforço. • Em edifícios altos, ações assimétricas do vento ou tremores podem induzir torções nas lajes e núcleos rígidos, sendo necessário prever reforços estruturais (ex: paredes de cisalhamento). • Perfis metálicos tubulares, usados em coberturas e estruturas treliçadas, são dimensionados para suportar torções em ligações excêntricas. PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS • Tensão é a força interna por unidade de área que surge dentro de um material quando ele é submetido a esforços externos. É representada pela fórmula: onde σ é a tensão (em pascal ou megapascal), F é a força aplicada, e A é a área da seção transversal onde a força atua. A tensão pode ser de tração, compressão, cisalhamento, torção ou flexão, dependendo do tipo de carregamento. Exemplo: • Em um pilar de concreto, a carga vertical gera tensão de compressão na seção transversal.• Em uma viga sob carga, surgem tensões de tração na parte inferior e compressão na parte superior. • O cálculo das tensões admissíveis é base para o dimensionamento de peças estruturais segundo normas como a ABNT NBR 6118 (estruturas de concreto armado). 𝝈 = 𝐟 𝑨 PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS • Fragilidade é a tendência de um material se romper de forma brusca, sem sofrer deformações plásticas significativas. Um material frágil não avisa antes de quebrar: ele suporta tensão até certo ponto e, ao ultrapassar esse limite, rompe repentinamente, sem se alongar ou dobrar. É o oposto da ductilidade. Materiais frágeis podem ser muito resistentes à compressão, mas são perigosos em situações que exigem deformação, absorção de energia ou flexibilidade, pois não suportam impacto ou vibrações intensas. Exemplo: • O vidro comum e as cerâmicas estruturais são materiais frágeis. Apesar de resistentes à compressão, rompem-se subitamente quando submetidos a impacto ou tração — por isso não são usados em peças estruturais críticas. O concreto, embora excelente sob compressão, também é considerado frágil à tração, razão pela qual ele é combinado ao aço (dúctil) para formar o concreto armado. Em estruturas expostas a cargas dinâmicas, a fragilidade representa risco de colapso sem aviso, o que compromete a segurança e a durabilidade da obra. PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS • Ductilidade é a capacidade de um material sofrer grandes deformações plásticas antes de se romper, especialmente sob esforço de tração. Ela mede o quanto o material pode se alongar ou deformar permanentemente sem quebrar.Essa propriedade é fundamental em projetos que exigem aviso prévio antes da falha, ou seja, que a estrutura "avise" com deformações visíveis antes de colapsar — garantindo segurança. Exemplo: • O aço CA-50 é um material altamente dúctil. Em estruturas de concreto armado, ele pode se deformar visivelmente antes de romper, absorvendo energia e evitando falhas repentinas. Essa deformação plástica visível permite que engenheiros e usuários percebam que há um problema estrutural antes do colapso — por isso o aço dúctil é preferido em zonas sísmicas ou estruturas sujeitas a vibrações. • Já materiais como concreto, vidro e cerâmica são pouco dúcteis: eles rompem de forma frágil, quase sem se deformar, o que aumenta o risco de colapso súbito. PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS • Tenacidade é a capacidade de um material absorver energia até sua ruptura, combinando resistência e deformação. Ela mede o quanto o material resiste à fratura sob impacto ou esforços repentinos, sem se romper de forma brusca. Envolve tanto resistência quanto ductilidade. Exemplo: • O aço estrutural é um material tenaz, pois suporta impactos e deformações sem fraturar — por isso é ideal para estruturas submetidas a cargas dinâmicas, como pontes, escadas e edifícios em zonas sísmicas. • Materiais frágeis, como vidro ou cerâmicas, têm baixa tenacidade: não suportam impactos e rompem subitamente. • Em sistemas de contenção ou estruturas com possibilidade de colisão (ex: muros de arrimo próximos a vias), a tenacidade dos elementos pode ser essencial para evitar falhas repentinas. PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS • Resiliência é a capacidade de um material absorver energia durante uma deformação elástica e retornar à forma original assim que a carga é removida. Ou seja, um material resiliente sofre deformações temporárias e recupera-se totalmente, sem danos permanentes. Está relacionada à área sob a curva tensão-deformação na região elástica. Exemplo: • Em pisos industriais com revestimento de borracha (como em academias ou playgrounds), a resiliência é desejável para amortecer impactos e evitar rachaduras ou falhas permanentes. • Polímeros aplicados como juntas de dilatação, como o poliuretano, são materiais resilientes que permitem acomodar movimentos sem romper. • Em casos de eventos sísmicos leves, a resiliência de estruturas de aço permite que elas se deformem e retornem ao estado original, sem danos estruturais. PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS • Fadiga é o processo pelo qual um material sofre danos progressivos e acaba se rompendo após repetidas aplicações de carga, mesmo que essas cargas estejam abaixo do seu limite de resistência. A falha por fadiga não ocorre de imediato, mas após um grande número de ciclos de esforço (ex: vibrações, tráfego, ventos cíclicos). Exemplo: • Em pontes rodoviárias e ferroviárias, as estruturas metálicas são projetadas para suportar milhares de ciclos de passagem de veículos, considerando os efeitos de fadiga nos perfis de aço. • Em estruturas de cobertura metálica, o carregamento cíclico causado por ventos pulsantes pode levar à fadiga em parafusos, soldas e chapas se não forem dimensionados corretamente. • Ensaios de fadiga são realizados principalmente em materiais metálicos e são essenciais em projetos que envolvem cargas variáveis e repetidas, como em estruturas pré-moldadas sujeitas a deslocamentos. PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS • Durabilidade é a capacidade de um material ou sistema de manter suas propriedades e desempenho ao longo do tempo, mesmo quando exposto a agentes agressivos como umidade, variações de temperatura, produtos químicos, ciclos térmicos ou desgaste mecânico. Está diretamente ligada à vida útil da construção. Exemplo: • Um concreto com baixa relação água/cimento e aditivos impermeabilizantes apresenta maior durabilidade em ambientes úmidos e agressivos. • Revestimentos cerâmicos com baixa absorção de água são mais duráveis em áreas molhadas. • Madeira tratada com preservantes químicos resiste melhor a cupins, fungos e intempéries. • Normas como a ABNT NBR 15575 exigem desempenho mínimo em durabilidade para elementos de edificações habitacionais. Slide 1: MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO Slide 2: APRESENTAÇÃO DO PROFESSOR Slide 3: Apresentação da disciplina Slide 4: Apresentação da disciplina Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36 Slide 37 Slide 38 Slide 39 Slide 40 Slide 41 Slide 42 Slide 43 Slide 44 Slide 45 Slide 46 Slide 47 Slide 48 Slide 49 Slide 50 Slide 51 Slide 52 Slide 53 Slide 54 Slide 55