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D1 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética INTEGRIDADE E ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICOEIXO 1 Escola Nacional de Administração Pública Presidenta Betânia Lemos Diretora de Educação Executiva (DEX) Iara Cristina da Silva Alves Coordenadora-Geral de Formação Inicial de Carreiras (FOCAR) Carolina Pereira Tokarski Coordenadora de Desenvolvimento Inicial de Servidores Federais (DESENVOLVE) Fabiany Glaura Alencar e Barbosa Curadoras do Curso Gabriela Lotta Lígia Camargo Curadora Pedagógica Janaina Angelina Teixeira Assessoria Técnica Especializada à Coordenação e Execução do Programa Flávia Magalhães Freire Curso elaborado pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap) em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Brasília 2025 Sumário Unidade 1 – Apresentação da Disciplina ..............................................................5 Unidade 2 – Sistema de Ética Pública do Poder Executivo Federal ............8 2.1 Principais Normativos sobre Conduta Ética .....................................................................................8 2.2 Código de Ética Profissional do Servidor Público Federal ......................................................9 2.3 Código de Conduta da Alta Administração .....................................................................................10 2.4 Comissões de Ética ........................................................................................................................................13 Unidade 3 – Sistema de Integridade, Transparência e Acesso à Informação (Sitai) ...............................................................................17 3.1 Instituição do Sitai e os Programas de Integridade .................................................................17 3.2 Programa de Integridade ...........................................................................................................................19 3.3 Implementação de Programas de Integridade ............................................................................21 3.4 Elementos Essenciais de um Programa de Integridade ........................................................23 Unidade 4 – Ecossistema de Integridade do Poder Executivo ...................41 4.1 Sistema de Transparência, Integridade e Acesso à Informação – Sitai (função de transparência ativa) .......................................................................................................................42 4.2 Sistema de Ouvidorias do Poder Executivo Federal (SisOuv) ...........................................44 4.3 Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal ..................................................45 4.4 Sistema de Corregedoria (SisCor) ........................................................................................................48 Glossário ....................................................................................................................54 Referências ................................................................................................................55 5Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Unidade 1 – Apresentação da Disciplina A atuação do servidor público tem como objetivo a geração do valor público por meio da implementação de políticas públicas. Essa atuação, entretanto, não pode se dar de qualquer forma. Ela deve ser feita com imparcialidade, respeitando um conjunto de valores, princípios e normas éticas que visam assegurar a prevalência do interesse público sobre interesses privados. Na administração pública, denomina-se integridade pública (OECD, 2017). Contudo, nenhuma organização pública, em qualquer país, está imune à violação da integridade pública por parte de seus agentes. Como então a administração pública pode ser organizada e gerida de modo a mitigar o risco de violação da integridade pública? Nesta disciplina, serão apresentados os principais arranjos institucionais e normativos que têm sido estabelecidos para promover a integridade pública na Administração Pública Federal do Brasil. Ao final da disciplina, o aluno será capaz de: Objetivos de aprendizagem • entender o conceito de integridade pública; • identificar os principais normativos sobre conduta ética do agente público federal; • compreender o que é programa de integridade; • escrever os principais elementos que compõem um programa de integridade e explicar sua importância; • compreender o que é ecossistema de integridade; • descrever os objetivos, diretrizes e órgãos que compõem o sistema de integridade, transparência e acesso à informação da Administração Pública Federal. Elaboração: CEPED/UFSC (2024). 6 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Guia de Estudos A disciplina está estruturada em quatro unidades, compostas de leituras, interações e atividades de estudos de forma a auxiliar você a explorar essa temática, tendo por pano de fundo o e-book da disciplina e as videoaulas. Conheça cada uma delas a seguir: Unidade 1 – Apresentação da Disciplina Na apresentação você terá acesso ao Guia de estudos, que irá orientar a sua navegação na disciplina. Unidade 2 – Sistema de Ética Pública do Poder Executivo Federal A unidade 2 apresenta uma visão geral sobre os principais normativos que regem a conduta do servidor público, bem como o sistema instituído para gestão da ética. Unidade 3 – Sistema de Integridade, Transparência e Acesso à Informação (Sitai) A unidade 3 trata do Sistema de Integridade, Transparência e Acesso à Informação (Sitai), enfocando a função de integridade, e apresenta o principal mecanismo por meio do qual essa função é exercida, que são os programas de integridade. Nesse ponto, explica-se o conceito de programa de integridade e seus principais elementos componentes. Unidade 4 – Ecossistema de Integridade do Poder Executivo A última unidade apresenta uma visão geral de outras funções que contribuem para a efetividade de programas de integridade e formam o ecossistema de integridade pública. 7Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Cada unidade propõe atividades que combinam leituras, atividades de estudos e vídeos a serem realizados individualmente. No Guia do Participante, você pode consultar todas as atividades previstas e a sistemática de avaliação proposta. Guia do Participante CLIQUE AQUI Clique no botão ao lado e acesse o Guia do Participante. Para assistir à videoaula “Apresentação e Boas-vindas”, acesse o conteúdo interativo da disciplina. O docente responsável por desenhar essas atividades é o Professor Doutor Sérgio Seabra. Sérgio Seabra tem PhD em Administração pela Universidade de Bath (UK) e Mestrado em Administração Pública e Políticas Públicas pela Universidade de York (UK). É servidor da carreira de Auditor Federal de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União (CGU) desde 1996. Foi Secretário de Transparência e Prevenção da Corrupção e Secretário Federal de Controle Interno Adjunto da CGU. Foi membro eleito da Junta de Governantes da Academia Internacional Anticorrupção, em Viena. Atualmente é Chefe da Assessoria Especial de Controle Interno do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, e Professor Adjunto do Mestrado em Administração do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB). A disciplina é autoformativa, ou seja, você estuda com flexibilidade, no seu tempo, e realiza as atividades de acordo com sua disponibilidade, mas é importante observar as datas de finalização de cada disciplina e ler o Guia do Participante. Ótimo estudo! Sérgio Seabra Sérgio Seabra Fonte: Arquivo pessoal (2024). https://cdn.evg.gov.br/cursos/pdi/ns/pdf/PDI_Guia_do_Participante_Enap_Programa_Desenvolvimento_Inicial_V4.pdf 8 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial UNIDADES TEMÁTICAS Unidadelida diretamente com os procedimentos operacionais diários. d) A auditoria interna, que integra a terceira linha, é aquela com maior grau de independência e objetividade e, portanto, com suficiente credibilidade para fornecer avaliações tanto à alta administração quanto às instâncias de governança. Veja o espelho de resposta após o encerramento da Unidade. 51Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Atividade de Estudo 2 Atividade O ecossistema de integridade pública do Poder Executivo Federal é composto por vários órgãos que desempenham funções essenciais para o funcionamento de um programa de integridade. As funções essenciais de um programa de integridade são desenvolvidas pelos seguintes órgãos, exceto: a) Secretaria Federal de Controle Interno. b) Tribunal de Contas da União. c) Corregedorias setoriais. d) Comissão de ética setorial. Veja o espelho de resposta após o encerramento da Unidade. 52 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Encerramento Nesta unidade, você aprendeu como o Sistema de Integridade, Transparência e Acesso à Informação (Sitai) do Poder Executivo Federal surgiu e está estruturado. Entre as principais funções do sistema, está a de coordenar e implementar programas de integridade nos órgãos e entidades. Você teve a oportunidade de entender o conceito de um programa de integridade, seus objetivos e principais eixos nos quais suas ações se organizam. Por fim, teve uma visão geral de outras funções que não compõem o Sitai, pois estão organizados em sistemas próprios, mas que são importantes para o alcance do objetivo do sistema, como a ouvidoria, a corregedoria e o controle interno. Agora, realize as atividades avaliativas no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Fonte: Freepik (2024). 53Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Letra “d”. A auditoria interna integra a terceira linha de defesa, fornecendo avaliações (asseguração) independentes e objetivas sobre os processos de gerenciamento de riscos, controle e governança aos órgãos de governança e à alta administração. Atividade de Estudo 1 Letra “b”. Apesar de sua importância como instituição que promove o accountability e integridade pública, o Tribunal de Contas da União não faz parte do Poder Executivo Federal. Além disso, conforme inciso III do Art. 3º do Decreto nº 11.259/2022, todos os outros órgãos das alternativas “a”, “c” e “d” fazem parte dos sistemas que exercem funções essenciais ao funcionamento de programas de integridade. Atividade de Estudo 2 Espelho de Resposta 54 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Glossário Accountability: Buscando o significado da palavra accountability em dicionários, justamente para apreender com maior precisão o que o termo significa em inglês e como tem sido traduzido para o português, constatou-se que o significado do conceito envolve responsabilidade (objetiva e subjetiva), controle, transparência, obrigação de prestação de contas, justificativas para as ações que foram ou deixaram de ser empreendidas, premiação e/ou castigo (Pinho; Sacramento, 2009). Cultura organizacional: A cultura de um grupo pode ser definida como sua aprendizagem acumulada e compartilhada à medida que esse grupo soluciona problemas de adaptação externa e de integração interna, que tem funcionado bem o suficiente para ser considerada válida e, consequentemente, ensinada aos novos membros como a maneira correta de perceber, pensar, sentir e se comportar em relação a esses problemas. Essa aprendizagem acumulada é um padrão ou sistema de crenças, valores e normas comportamentais que acaba sendo subestimado como uma premissa básica e, por fim, deixa de ser percebido (Schein; Schein, 2022, p. 5). Deontologia: Na filosofia moral contemporânea, deontologia é uma das teorias normativas segundo a qual as escolhas são moralmente exigidas, proibidas ou permitidas. Portanto, inclui-se entre as teorias morais que orientam nossas escolhas sobre o que deve ser feito. É também entendida como a parte da Filosofia que trata dos princípios, fundamentos e sistemas da mora (Wikipedia, 2020). Política pública: Trata-se de um fluxo de decisões públicas orientado a manter o equilíbrio social ou a introduzir desequilíbrios destinados a modificar essa realidade. Essas decisões são condicionadas pelo próprio fluxo e pelas reações e modificações que elas provocam no tecido social, bem como pelos valores, ideias e visões dos que adotam ou influem na decisão. É possível considerá-las estratégias que apontam para diversos fins, todos eles, de alguma forma, desejados pelos diversos grupos que participam do processo decisório. A finalidade última de tal dinâmica – consolidação da democracia, justiça social, manutenção do poder, felicidade das pessoas – constitui elemento orientador geral das inúmeras ações que compõem determinada política. Com uma perspectiva mais operacional, poderíamos dizer que ela é um sistema de decisões públicas que visa a ações ou omissões, preventivas ou corretivas, destinadas a manter ou modificar a realidade de um ou vários setores da vida social, por meio da definição de objetivos e estratégias de atuação e da alocação dos recursos necessários para atingir os objetivos estabelecidos (Saravia, 2006, p. 28). 55Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Referências BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ constituicao.htm. Acesso em: 16 out. 2024. BRASIL. Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994. Aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1994. Disponível em: . Acesso em: 16 out. 2024. BRASIL. Decreto nº 10.153, de 3 de dezembro de 2019. Dispõe sobre as salvaguardas de proteção à identidade dos denunciantes de ilícitos e de irregularidades praticados contra a administração pública federal direta e indireta e altera o Decreto nº 9.492, de 5 de setembro de 2018. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2019. Disponível em: https://www. planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/d10153.htm. Acesso em: 16 out. 2024. BRASIL. Decreto nº 10.889, de 9 de dezembro de 2021. Regulamenta o inciso VI do caput do art. 5º e o art. 11 da Lei nº 12.813, de 16 de maio de 2013, dispõe sobre a divulgação da agenda de compromissos públicos e a participação de agentes públicos, no âmbito do Poder Executivo federal, em audiências e sobre a concessão de hospitalidades por agente privado, e institui o Sistema Eletrônico de Agendas do Poder Executivo federal - e- Agendas. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2021. Disponível em: https://www.planalto. gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/decreto/d10889.htm. Acesso em: 16 out. 2024. BRASIL. Decreto nº 11.529, de 16 de maio de 2023. Institui o Sistema de Integridade, Transparência e Acesso à Informação da Administração Pública Federal e a Política de Transparência e Acesso à Informação da Administração Pública Federal. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2023. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023- 2026/2023/decreto/D11529.htm. Acesso em: 16 out. 2024. BRASIL. Decreto nº 3.591, de 6 de setembro de 2000. Dispõe sobre o Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2000. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3591. htm. Acesso em: 16 out. 2024. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d1171.htmhttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/d10153.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/d10153.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/decreto/d10889.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/decreto/d10889.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/decreto/D11529.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/decreto/D11529.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3591.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3591.htm 56 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial BRASIL. Decreto nº 7.203, de 4 de junho de 2010. Dispõe sobre a vedação do nepotismo no âmbito da administração pública federal. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2010. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/ d7203.htm. Acesso em: 16 out. 2024. BRASIL. Decreto nº 6.029, de 1º de fevereiro de 2007. Institui Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal, e dá outras providências. Diário Oficial da União, B rasília, DF, 2007. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/ decreto/d6029.htm. Acesso em: 16 out. 2024. BRASIL. Decreto nº 9.203, de 22 de novembro de 2017. Dispõe sobre a política de governança da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2017. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ Ato2015-2018/2017/decreto/D9203.htm. Acesso em: 16 out. 2024. BRASIL. Decreto nº 9.492, de 5 de setembro de 2018. Regulamenta a Lei nº 13.460, de 26 de junho de 2017, que dispõe sobre participação, proteção e defesa dos direitos do usuário dos serviços públicos da administração pública federal, institui o Sistema de Ouvidoria do Poder Executivo federal, e altera o Decreto nº 8.910, de 22 de novembro de 2016, que aprova a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções de Confiança do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2018. Disponível em: https://www.planalto. gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/decreto/d9492.htm. Acesso em: 16 out. 2024. BRASIL. Exposição de Motivos nº 37, de 21 de agosto de 2000. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2000. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/codigos/codi_ Conduta/Cod_conduta.htm. Acesso em: 16 out. 2024. BRASIL. Instrução Normativa nº 1, de 2016. Dispõe sobre controles internos, gestão de riscos e governança no âmbito do Poder Executivo Federal. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2016. Disponível em: https://repositorio.cgu.gov.br/handle/1/33947. Acesso em: 16 out. 2024. BRASIL. Instrução Normativa nº 84, de 22 de abril de 2020. Estabelece normas para a tomada e prestação de contas dos administradores e responsáveis da administração pública federal, para fins de julgamento pelo Tribunal de Contas da União, nos termos do art. 7º da Lei 8.443, de 1992, e revoga as Instruções Normativas TCU 63 e 72, de 1º de https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7203.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7203.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6029.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6029.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/decreto/D9203.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/decreto/D9203.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/decreto/d9492.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/decreto/d9492.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/codigos/codi_Conduta/Cod_conduta.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/codigos/codi_Conduta/Cod_conduta.htm https://repositorio.cgu.gov.br/handle/1/33947 57Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial setembro de 2010 e de 15 de maio de 2013, respectivamente. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2020. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/instrucao-normativa- n-84-de-22-de-abril-de-2020-254756795. Acesso em: 16 out. 2024. BRASIL. Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2000. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/lcp/lcp101.htm. Acesso em: 16 out. 2024. BRASIL. Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011. Regula o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5º , no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei nº 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2011. Disponível em: https:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm. Acesso em: 16 out. 2024. BRASIL. Lei nº 12.813, de 16 de maio de 2013. Dispõe sobre o conflito de interesses no exercício de cargo ou emprego do Poder Executivo federal e impedimentos posteriores ao exercício do cargo ou emprego; e revoga dispositivos da Lei nº 9.986, de 18 de julho de 2000, e das Medidas Provisórias nºs 2.216-37, de 31 de agosto de 2001, e 2.225-45, de 4 de setembro de 2001. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2013. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/L12813.htm. Acesso em: 16 out. 2024. BRASIL. Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992. Dispõe sobre as sanções aplicáveis em virtude da prática de atos de improbidade administrativa, de que trata o § 4º do art. 37 da Constituição Federal; e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1992. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8429.htm. Acesso em: 16 out. 2024. BRASIL. Portaria MDHC nº 661, de 26 de outubro de 2023. Dispõe sobre as diretrizes que deverão ser observadas no relacionamento entre os servidores, colaboradores, terceirizados, consultores, estagiários, trabalhadores temporários e similares, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt-br/acesso-a-informacao/governanca/programa- de-integridade/legislacao/portarias#:~:text=Portaria%20n%C2%BA%20661%2C%20 de%2026,estagi%C3%A1rios%2C%20trabalhadores%20tempor%C3%A1rios%20 e%20similares%2C. 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SEABRA, Sérgio. N. Gerenciamento de Riscos em Organizações Públicas: uma prática efetiva para controle preventivo e melhoria dos gastos públicos no Brasil? Revista da CGU, Brasília, v. 2, n. 3, p. 38-49, 2007. Disponível em: https://revista.cgu.gov.br/Revista_ da_CGU/article/view/244. Acesso em: 27 abr. 2024. https://iiabrasil.org.br/noticia/novo-modelo-das-tres-linhas-do-iia-2020 https://iiabrasil.org.br/noticia/novo-modelo-das-tres-linhas-do-iia-2020 https://repositorio.cgu.gov.br/handle/1/69726 https://doi.org/10.1590/S0034-76122009000600006. https://revista.cgu.gov.br/Revista_da_CGU/article/view/244 https://revista.cgu.gov.br/Revista_da_CGU/article/view/244 _heading=h.tyjcwt _heading=h.1fob9te _heading=h.4d34og8 Unidade 1 – Apresentação da Disciplina Unidade 2 – Sistema de Ética Pública do Poder Executivo Federal 2.1 Principais Normativos sobre Conduta Ética 2.2 Código de Ética Profissional do Servidor Público Federal 2.3 Código de Conduta da Alta Administração 2.4 Comissões de Ética Unidade 3 – Sistema de Integridade, Transparência e Acesso à Informação (Sitai) 3.1 Instituição do Sitai e os Programas de Integridade 3.2 Programa de Integridade 3.3 Implementação de Programas de Integridade 3.4 Elementos Essenciais de um Programa de Integridade Unidade 4 – Ecossistema de Integridade do Poder Executivo 4.1 Sistema de Transparência, Integridade e Acesso à Informação – Sitai (função de transparência ativa) 4.2 Sistema de Ouvidorias do Poder Executivo Federal (SisOuv) 4.3 Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal 4.4 Sistema de Corregedoria (SisCor) Glossário Referências Relatório de acessibilidade Nome do arquivo: E1_D1_CADERNO_Novos_Paradigmas_Integridade_Publica_Etica_VFINAL2.pdf Relatório criado por: Organização: [Insira as informações pessoais e da organização na caixa de diálogo Preferências > Identidade.] Resumo O verificador não encontrou problemas neste documento. 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Resumo Ignorado As tabelas devem ter um resumo Listas Nome da regra Status Descrição Itens de lista Ignorado LI deve ser filho de L Lbl e LBody Ignorado Lbl e LBody devem ser filhos de LI Cabeçalhos Nome da regra Status Descrição Aninhamento apropriado Aprovado Aninhamento apropriado Voltar ao topo CF 4: orgaos 7: orgaos 8:2 – Sistema de Ética Pública do Poder Executivo Federal Apresentação da Unidade Seja bem-vindo(a) à unidade que aborda a temática de sistema de ética pública do Poder Executivo Federal. Nesta unidade, você estudará sobre: • os principais normativos sobre conduta ética; • o Código de Ética Profissional do Servidor Público Federal; • o Código de Conduta da Alta Administração; • as comissões de ética. Ótimos estudos! 2.1 Principais Normativos sobre Conduta Ética Os principais normativos que disciplinam a conduta ética do servidor público são: • o Código de Ética Profissional do Servidor Civil do Poder Executivo Federal; • o Código de Conduta da Alta Administração. Além desses, o servidor deve atentar também para a existência de normas complementares sobre conduta do servidor estabelecidas pelo órgão/entidade em que atua. Exemplo O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), por exemplo, instituiu uma política específica de relacionamento interno, por meio da Portaria MDHC nº 661, de 26 de outubro de 2023, que dispõe sobre as diretrizes que devem ser observadas no relacionamento entre todos os servidores e colaboradores do órgão. Saiba mais Clique aqui e saiba mais sobre o código de conduta específico do órgão/entidade: Política de Relacionamento Interno do MDHC. https://www.gov.br/mdh/pt-br/acesso-a-informacao/governanca/programa-de-integridade/legislacao/portarias/BS_140.pdf 9Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial 2.2 Código de Ética Profissional do Servidor Público Federal O Código de Ética Profissional do Servidor Público Federal foi aprovado pelo Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994. O código é dividido em dois capítulos. Vamos conhecê-los? Fonte: TCU (s/a). Capítulo 1 O primeiro estabelece as regras deontológicas, discriminando os deveres e as condutas vedadas ao servidor público. Um exemplo de regra deontológica é a que estabelece que a conduta do servidor público deve ser orientada pelos primados maiores da dignidade, do decoro, do zelo, da eficácia e da consciência dos princípios morais, seja no exercício do cargo ou função, seja fora dele, já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal. Fonte: Freepik (2024), adaptada por: CEPED/UFSC (2025). Verifique se seu órgão/entidade tem regras específicas de conduta dos servidores. DICA 10 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Capítulo 2 O segundo estabelece a obrigação de instituição de comissão de ética nos órgãos e entidades do Poder Executivo Federal. Um ponto importante do Código de Ética do Servidor Público é que ele se aplica não somente ao servidor público, efetivo ou comissionado, mas também a outros agentes que atuam na organização, como colaboradores de empresas terceirizadas, consultores, estagiários e trabalhadores temporários. Saiba mais Clique aqui e consulte o Código de Ética Profissional do Servidor Público. 2.3 Código de Conduta da Alta Administração Em 8 de agosto de 2000 foi instituído um código de conduta específico para integrantes da alta administração do Poder Executivo Federal. As normas do código se aplicam às seguintes autoridades: Fonte: Freepik (2024), adaptada por: CEPED/UFSC (2025). https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d1171.htm 11Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Elaboração: CEPED/UFSC (2024). 1. Ministros e Secretários de Estado; 2. Titulares de cargos de natureza especial, secretários-executivos, secretários ou autoridades equivalentes ocupantes de cargo do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS, nível seis (atualmente equivalentes às Funções/Cargos Comissionados do Executivo FCE/CCE nível 17); 3. Presidentes e diretores de agências nacionais, autarquias, inclusive as especiais, fundações mantidas pelo Poder Público, em presas públicas e sociedades de economia mista. A instituição do Código de Conduta da Alta Administração partiu de um diagnóstico de que grande parte de seus integrantes eram recrutados do setor privado, o que aumentava a possibilidade de ocorrência de situações potenciais de conflito de interesses, isto é, quando a conduta do agente público pode servir para satisfazer interesses privados, em detrimento do interesse público. Segundo a Exposição de Motivos nº 37/2000, que embasou o Código de Conduta da Alta Administração, as situações mencionadas estariam em uma “zona cinzenta”, que não necessariamente representariam violações legais, mas poderiam ensejar condutas antiéticas. Diante disso, o Código de Conduta da Alta Administração Federal focou em regras gerais para prevenção do conflito de interesses e para assegurar a prevalência do interesse público diante de questões éticas. IMPORTANTE 12 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial As regras de conduta dispostas no Código de Conduta da Alta Administração, no Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal e no código de ética do órgão ou entidade se aplicam às autoridades e aos agentes públicos neles referidos, mesmo quando em gozo de licença. Entre as medidas previstas no Código de Conduta da Alta Administração para prevenir conflito de interesses estão as descritas a seguir: Fonte: Freepik (2024), adaptada por: CEPED/ UFSC (2025). A vedação de receber presentes, salvo de autoridades estrangeiras nos casos protocolares em que houver reciprocidade. A necessidade de a autoridade pública informar à Comissão de Ética Pública as alterações relevantes em seu patrimônio. Fonte: Freepik (2024), adaptada por: CEPED/ UFSC (2025). Para assistir à videoaula “Sistema de Ética Pública do Poder Executivo Federal: principais normas e códigos”, acesse o conteúdo interativo da disciplina. 13Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial 2.4 Comissões de Ética Veja a linha do tempo a seguir para conhecer a evolução das comissões de ética: 1994 – Decreto nº 1.171/1994 Para zelar pelo cumprimento dos deveres e pela observação das condutas vedadas, o Decreto nº 1.171/1994, que aprovou o Código de Ética Profissional dos Servidores da Administração Pública Federal, determinou que os órgãos e entidades do Poder Executivo Federal adotassem providências para constituir comissão de ética integrada por três servidores ou empregados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente. 2007 – Decreto nº 6.029/2007 A partir de 1º fevereiro de 2007, as comissões de ética passaram a ser organizadas na forma de sistema estruturado. O Decreto nº 6.029/2007 instituiu o Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal, composto pela Comissão de Ética Pública (CEP) da Presidência da República, como unidade central do sistema, e pelas comissões de ética dos órgãos e entidades do Poder Executivo Federal, como unidades setoriais. Às comissões de ética setoriais e à Comissão de Ética Pública compete zelar pela aplicação do Código de Ética Profissional do Servidor Público e do Código de Conduta da Alta Administração, respectivamente. Para fazer valer as regras, as comissões de ética podem aplicar sanções ao agente público que as violou, incluindo a “censura ética”, que pode vir acompanhada de recomendações de exoneração do servidor ocupante de cargo comissionado. Saiba mais Clique aqui e assista ao vídeo “Saiba o que faz a Comissão de Ética Pública” para entender o funcionamento e as competências da Comissão de Ética Pública. https://youtu.be/KMdiUFVaznQ 14 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial ATIVIDADES DE ESTUDO Agora, realize duas atividades de estudo para testar os seus conhecimentos. Atividade de Estudo 1 Atividade O Código de Conduta Profissional do Servidor Público foi instituído pelo Decreto nº 1.171/1994 e traz um conjunto de regras de conduta que devem ser seguidaspelo servidor público. Sobre o Código de Ética Profissional do Servidor Público, julgue as afirmações a seguir como verdadeiras ou falsas: 1. O código não se aplica ao caso de colaboradores que prestam serviço no órgão por meio de contrato com empresa terceirizada. 2. O código se aplica ao caso de estagiários. 3. O código estabelece deveres, condutas vedadas e permitidas ao servidor público. 4. Um órgão/entidade pode instituir um código de conduta específico para seus servidores públicos. Veja o espelho de resposta após o encerramento da Unidade. 15Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Atividade de Estudo 2 Atividade Reflita e descreva como funciona a gestão da ética no serviço público do Poder Executivo Federal. Em sua resposta, inclua os seguintes aspectos: • Estrutura: como a gestão está organizada; • Composição: quem integra essa gestão; • Coordenação: quem a coordena; • Objetivo principal: qual o propósito central dessa gestão; e • Meios: quais os instrumentos ou mecanismos utilizados para fazer cumprir as normas estabelecidas. Após elaborar sua resposta, verifique se ela está alinhada com a proposta elaborada pelo especialista da disciplina. Veja o espelho de resposta após o encerramento da Unidade. 16 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Você chegou ao fim desta unidade! Agora você tem uma visão geral dos principais normativos de conduta ética: o Código de Ética Profissional do Servidor Público e o Código de Conduta da Alta Administração. É importante ter em mente que pode haver códigos ou políticas de conduta específicos de um órgão ou entidade. Você também viu sobre o papel das comissões de ética e como o sistema de gestão da ética do Poder Executivo Federal está estruturado e funcionando. Fonte: Freepik (2024). Atividade de Estudo 1 1 = Falsa; 2 = Verdadeira; 3 = Falsa; 4 = Verdadeira As afirmações 1 e 2 remetem à definição de servidor público estabelecida no Decreto nº 1.171/1994, que adotou uma definição bastante abrangente de servidor público, indo além daquele servidor público efetivo. O Código de Ética trata somente de deveres e de condutas vedadas. Por fim, os órgãos/entidades podem instituir regras de conduta no âmbito de sua organização, mas estas não substituem os códigos válidos para todas as organizações do Poder Executivo Federal. A gestão da ética está estruturada na forma de sistema, com a Comissão de Ética Pública da Presidência da República como unidade central e coordenador do sistema, e as comissões de ética dos órgãos/ entidades como unidades setoriais. Compete às unidades do sistema zelar pela aplicação dos códigos de conduta. Para fazer valer as regras, as comissões de ética podem aplicar sanções ao agente público que as violou, incluindo a “censura ética”, que pode vir acompanhada de recomendações de exoneração do servidor ocupante de cargo comissionado. Atividade de Estudo 2 Espelho de Resposta 17Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Unidade 3 – Sistema de Integridade, Transparência e Acesso à Informação (Sitai) Apresentação da Unidade Seja bem-vindo(a) à unidade que aborda a temática de Sistema de Integridade, Transparência e Acesso à Informação (Sitai). Nesta unidade, você estudará sobre: • a instituição do Sitai e os programas de integridade; • o programa de integridade; • a implementação de programas de integridade; • os elementos essenciais de um programa de integridade; • o ecossistema de integridade do Poder Executivo Federal. Ótimos estudos! 3.1 Instituição do Sitai e os Programas de Integridade Fonte: Freepik (2024). Conforme definido no começo deste curso, integridade pública se refere ao alinhamento consistente e à adesão aos valores, princípios e normas éticas na administração pública (OECD, 2017). 18 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Para assegurar esse alinhamento e adesão, o Governo Federal instituiu, por meio do Decreto nº 11.529, de 16 de maio de 2023, o Sistema de Integridade, Transparência e Acesso à Informação da Administração Pública Federal, conhecido pelo acrônimo “Sitai”. O Sitai tem como objetivo: • coordenar e articular as atividades relativas à integridade, à transparência e ao acesso à informação; • estabelecer padrões para as práticas e as medidas de integridade, transparência e acesso à informação; • aumentar a simetria de informações e dados nas relações entre a Administração Pública Federal e a sociedade. Fonte: CGU (2024). 1. O Sitai é composto pela Controladoria-Geral da União, como órgão central do sistema, pelas unidades nos órgãos e nas entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional responsáveis pela gestão da integridade, da transparência e do acesso à informação, como unidades setoriais. 2. Para os órgãos da Administração Pública Federal direta (ministérios), o decreto que instituiu o Sitai define que as unidades setoriais são as Assessorias Especiais de Controle Interno (AECI). Já nos casos das autarquias e fundações, seus dirigentes máximos definirão o modelo mais adequado para a implementação da unidade setorial, podendo ser concentrado em uma só unidade ou em mais unidades. 3. Entre as atribuições das unidades setoriais do Sitai está coordenar a estruturação, a execução e o monitoramento de programas de integridade de suas organizações. 19Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Saiba mais Clique aqui e saiba mais sobre o Sitai. 3.2 Programa de Integridade Programa de integridade consiste em um conjunto de princípios, normas, procedimentos e mecanismos de prevenção, detecção e remediação de práticas de corrupção e fraude, de irregularidades, ilícitos e outros desvios éticos e de conduta, de violação ou desrespeito a direitos, valores e princípios que impactem a confiança, a credibilidade e a reputação institucional. A figura a seguir apresenta uma visão esquematizada dos principais elementos dessa definição. Definição de programa de integridade. Fonte: o autor (2024). Elaboração: CEPED/UFSC (2024). https://www.gov.br/cgu/pt-br/assuntos/integridade-publica/sitai 20 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Em geral, os sistemas de controle interno, por melhor que sejam, não são capazes de mitigar totalmente a ocorrência de fraudes ou falhas, mas um bom programa de integridade proporciona à organização a capacidade de detectar essas ocorrências. Uma vez detectadas, a organização deve responder/remediar a situação, adotando medidas cabíveis, como reparar eventuais danos, investigar e, se for o caso, punir responsáveis, implementar melhorias nos controles para evitar que o ato ocorra novamente, entre outras. Ao adotar programas de integridade eficientes, a organização passa uma mensagem firme para seus colaboradores e ao público externo de que não tolera atos ilegais ou antiéticos, contribuindo para cristalizar uma cultura organizacional pautada pela ética e integridade. Dessa maneira, um bom programa de integridade influencia e é influenciado pela cultura organizacional, de forma sinérgica, criando um círculo virtuoso no qual o programa de integridade vai se tornando cada vez mais efetivo. De fato, é seguro afirmar que um programa de integridade só é efetivo quando suas diretrizes e valores passam a fazer parte da cultura organizacional, guiando o comportamento de seus colaboradores. Fonte: Freepik (2024), adaptada por: CEPED/UFSC (2025). Prevenir significa diminuir ao máximo a probabilidade de ocorrência do ato ilícito ou indesejável. A forma utilizada nas organizações para mitigação da ocorrência do ato indesejável envolve necessariamente a adoção de mecanismos de controle interno efetivos, levando também em consideração o princípio da eficiência e razoabilidade.IMPORTANTE 21Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Fonte: Freepik (2024), adaptada por: CEPED/ UFSC (2025). A implementação efetiva de um programa de integridade traz diversos benefícios. Primeiramente, destacamos o fortalecimento da gestão, gerando melhores resultados e serviços prestados e contribuindo para a criação do valor público entregue à sociedade. Outro benefício é a promoção de uma boa imagem institucional, contribuindo para a legitimidade das ações perante a sociedade e para o aumento da confiança nas instituições. Por fim, mas não menos importante, quando bem implementado, o programa resulta em uma mudança positiva na cultura organizacional e, consequentemente, na criação de um melhor ambiente de trabalho para todas as pessoas. Afinal, quem não preferiria trabalhar em um ambiente onde prevalecem a ética e uma relação profissional e respeitosa entre as pessoas? Para assistir à videoaula “Programa de Integridade: o que é e para que serve”, acesse o conteúdo interativo da disciplina. 3.3 Implementação de Programas de Integridade A implementação de um programa de integridade no Poder Executivo Federal se tornou obrigatória com a publicação do Decreto nº 9.203, de 22 de novembro de 2017, que instituiu normas de governança para a Administração Federal direta, autárquica e fundacional. O decreto determinou, de forma clara e inequívoca, que esses órgãos e entidades instituam “programa de integridade”, com o objetivo de promover a adoção de medidas e ações institucionais destinadas à prevenção, à detecção, à punição e à remediação de fraudes e atos de corrupção, estruturados em quatro eixos. Para conhecê- los, veja a imagem a seguir: 22 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Elaboração: CEPED/UFSC (2024). Com a publicação do Decreto nº 9.203/2017, a implementação de programas de integridade nos órgãos e entidades do Poder Executivo Federal ganhou tração. Esse decreto, entretanto, adotou um conceito mais restrito de “integridade”, limitando-o à situação de ausência de corrupção, irregularidade e fraude. Essa concepção deixou de lado questões relacionadas a direitos humanos, como equidade, respeito à diversidade, inclusão etc. Essa limitação foi, de certo modo, corrigida na definição de programa de integridade trazida pelo Decreto nº 11.529/2023, que instituiu o Sitai. Como visto na seção anterior, a prevenção, a detecção e a remediação de violação de direitos são partes dos objetivos de um programa de integridade. Isso significa que programas de integridade devem ser fundamentados também na equidade e evidenciar a importância do respeito a direitos humanos no ambiente organizacional. Com efeito, não há como separar integridade de direitos humanos. Condutas que ferem direitos humanos comprometem a integridade da organização. Um bom programa de integridade deve ser construído levando em consideração pelo menos três premissas básicas, a saber: 1) Gestão e integridade são essenciais para a criação do valor público A primeira premissa significa que a gestão dos recursos públicos e o uso da autoridade que foram concedidos para os gestores públicos não podem ser feitos de qualquer 23Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial forma. Eles devem ser realizados seguindo os mais rigorosos princípios éticos. Somente assim as entregas terão a legitimidade necessária para criação do valor público para a sociedade. 2) Integridade e direitos humanos são indissociáveis A segunda premissa inclui o respeito aos direitos humanos no objetivo do programa de integridade. A implicação dessa premissa é a necessidade de dar a devida atenção aos riscos de tratamento inadequado, desrespeitoso e discriminatório a todas as pessoas da organização, além de exigir que fornecedores e parceiros de negócios tenham esse mesmo compromisso. 3) Efetividade do programa depende da cultura organizacional Por fim, a terceira premissa implica que as ações de um programa de integridade devem ir além do mero estabelecimento de políticas e procedimentos formais. Elas devem buscar engajar todas as pessoas no programa, de forma que esse engajamento contribua para criar e fortalecer uma cultura organizacional caracterizada pela ética e pelo respeito aos direitos humanos. Para assistir à videoaula “Gestão de Riscos”, acesse o conteúdo interativo da disciplina. 3.4 Elementos Essenciais de um Programa de Integridade Embora deva ser desenhado levando-se em consideração as especificidades da organização e do setor, um programa de integridade normalmente está estruturado sobre cinco pilares: a) comprometimento da alta administração; b) instâncias responsáveis pelo programa; c) gestão periódica de riscos; d) políticas, padrões e procedimentos; e) comunicação e treinamento. 24 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Elementos essenciais de um programa de integridade. Fonte: o autor. Elaboração: CEPED/UFSC (2024). 3.4.1 Comprometimento da Alta Administração A efetividade de um programa de integridade depende, acima de tudo, do apoio e comportamento da alta administração em relação aos temas e às questões tratados no programa. A importância da alta administração para a cristalização de uma cultura organizacional voltada para ética e integridade é conhecida na literatura pelo jargão em inglês “tone from the top”, que pode ser traduzido como “o exemplo vem de cima”. Conheça mais sobre o assunto a seguir: Por mais bem elaborado que seja, um programa de integridade tem pouca chance de moldar o comportamento dos colaboradores – e, consequentemente, a cultura da organização – se os diretores, secretários ou ministros passarem uma percepção, por meio de suas condutas e manifestações, de não dar a devida importância à política de ética e integridade. 25Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial A alta administração deve servir como modelo de comportamento para os demais colaboradores da organização. É importante que ela passe uma mensagem clara e inequívoca de que ética e integridade são valores e comportamentos que devem ser levados a sério por todos os colaboradores e, portanto, devem ser elemento fundamental para a tomada de decisão em todos os níveis da organização. Além de sistematicamente transmitir essa mensagem, a alta administração deve também agir adequadamente, discutindo assuntos de ética e integridade nas reuniões estratégicas e atuando prontamente sempre que tomar conhecimento de irregularidades e/ou fatos que atentem contra a boa conduta esperada dos colaboradores. Em suma, para que a alta administração demonstre seu comprometimento com o programa de integridade, é necessária comunicação contínua, engajamento e, acima de tudo, ação. O comprometimento da alta administração com o programa de integridade pode ser demonstrado de várias formas, como nos seguintes exemplos: 26 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Exemplo • patrocinando o programa em todas as fases de sua implementação, por meio da disponibilização de recursos humanos e orçamentários necessários, bem como da edição de atos normativos; • participando e patrocinando eventos sobre temas abordados pelo programa, como ética, ouvidoria, correição, prevenção e combate à corrupção etc.; • discutindo frequentemente assuntos relativos à ética nas reuniões estratégicas com diretores/secretários; • enfatizando o compromisso com valores éticos nas palestras para público interno e externo; • divulgando mensagens, por meio de canais de comunicação interna (intranet, vídeos, e-mails, newsletter etc.), acerca da importância do comportamento ético e do código de conduta; • adotando respostas rápidas e adequadas sempre que tomar conhecimento de desvios éticos, irregularidades ou má conduta dos colaboradores,de qualquer nível hierárquico. 3.4.2 Instância Responsável pelo Programa A organização deve ter uma função/cargo de alto nível responsável pelo programa de integridade. Como visto anteriormente, nos órgãos da Administração Federal direta do Poder Executivo (ministérios), essa função é exercida pelos chefes das assessorias especiais de controle interno. Já nas autarquias e fundações, são as unidades definidas pelo dirigente máximo da organização. As Unidades de Gestão de Integridade (UGIs) devem ser estruturadas de acordo com a especificidade da organização (como tamanho, complexidade da estrutura organizacional, dispersão geográfica etc.) e devem ter assegurados pela alta administração os recursos humanos e materiais necessários para o adequado exercício de suas atividades. Alguns atributos são importantes, e até mesmo cruciais, para que essa instância tenha efetividade no exercício dessa função. Clique em cada um dos cartões para conhecê-los: 27Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Fonte: Freepik (2024), adaptada por: CEPED/ UFSC (2025). Independência para tomar decisões e realizar as atividades inerentes à função. Acesso direto à mais alta autoridade e/ ou ao conselho de administração da organização. Fonte: Freepik (2024), adaptada por: CEPED/ UFSC (2025). Além do necessário apoio da alta administração, algumas funções necessárias à implementação do programa de integridade não são realizadas diretamente pela unidade de gestão da integridade, como as seguintes: • as relacionadas ao recebimento de denúncias (ouvidorias); • as que compreendem a responsabilização de servidores e pessoas jurídicas envolvidas em irregularidades (corregedorias). Reconhecendo essa situação, o decreto que instituiu o Sitai estabelece que a unidade de gestão da integridade deve se articular às demais unidades do órgão ou da entidade que desempenhem funções de integridade, com vistas à obtenção de informações necessárias à estruturação e ao monitoramento do programa de integridade. 28 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial 3.4.3 Gestão Periódica de Riscos A gestão de riscos é um processo destinado a fornecer segurança razoável quanto à realização dos objetivos da organização. O processo contempla as atividades de identificar, avaliar e gerenciar potenciais eventos que possam afetar a organização e o alcance de seus objetivos. A implementação de processo de gestão de riscos nas organizações públicas do Poder Executivo Federal é uma obrigação trazida pelo Decreto nº 9.203/2017. No que tange ao programa de integridade, deve-se considerar durante o processo de identificação e análise de riscos os eventos que podem levar à ocorrência de fraudes e corrupção, além de condutas antiéticas ou que atentem contra o código de conduta da organização. Normalmente, manuais ou literatura de gestão de riscos agrupam os riscos em categorias tradicionais, como riscos financeiros, orçamentários, operacionais, ambientais etc. O Sitai inova na necessidade de se dar a devida atenção também aos “riscos de integridade”, concebendo-os como uma categoria específica de riscos, além dos tradicionalmente considerados. São exemplos de risco de integridade os apresentados a seguir. Uma boa prática que ajuda essa articulação é a instituição de órgão colegiado, composto por membros representantes das unidades que desempenham funções de integridade, como é o caso de comitês de integridade instituídos em alguns ministérios. Alguns ministérios se valem de comitês de governança existentes atribuindo-lhes a função de auxiliar a gestão da integridade, como é o caso dos comitês internos de governança, criados em todos os órgãos por força do Decreto nº 9.203/2017. DICA 29Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Elaboração: CEPED/UFSC (2024). Consistente com a premissa de que riscos relacionados à violação de direitos humanos nas organizações também devem ser considerados riscos à integridade, o processo de gestão de riscos dará devida diligência na identificação e tratamento de riscos, incluindo entre os demais riscos a serem considerados aqueles relacionados ao tratamento inadequado, desrespeitoso, discriminação e assédios a colaboradores(as), servidores(as) e empregados(as) em exercício na organização. Para identificar eventos ou vulnerabilidades que podem impor riscos à integridade da organização, o responsável pelo programa de integridade pode se valer, por exemplo, dos seguintes documentos e informações: • relatórios de auditoria interna ou externa; • relatórios da área de correição; • relatórios da ouvidoria; • relatórios de execução financeira; • relatórios da área de recursos humanos, informando a relação dos colaboradores, suas qualificações e treinamentos recebidos; • relatórios da comissão de ética da organização. 30 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Outro aspecto importante se refere à necessidade de a gestão de riscos demandar uma análise constante, ou periódica, dos riscos de integridade. Dito isso, não basta a organização realizar um bom, porém único, exercício de identificação, análise e resposta aos riscos. Esse exercício deve ser rotineiro, pois as circunstâncias que levam à probabilidade e impacto dos riscos são dinâmicas. De fato, o que se considera um risco hoje pode não ser amanhã ou em um futuro próximo, e vice-versa. A contratação de novos parceiros de negócios (fornecedores, parcerias etc.), a saída de servidores ou sua movimentação de um departamento para outro, mudanças na legislação ou normativos vigentes são alguns exemplos de mudanças no contexto organizacional que demandam novo mapeamento dos riscos de integridade. Por fim, a organização deve estar atenta e assegurar que a implementação da gestão de riscos de integridade, assim como as outras categorias de riscos, não seja, em hipótese alguma, tratada pró-forma, ou seja, como um mero exercício burocrático e formal. Se inapropriadamente aplicados, modelos de gerenciamento de risco podem trazer efeitos adversos, expondo a organização a riscos enquanto passa uma falsa impressão de “controle”. Em outras palavras, a aplicação de modelos de gerenciamento de riscos traz consigo seus próprios riscos (Seabra, 2007). Para assistir à videoaula “Novos Paradigmas de Integridade Pública”, acesse o conteúdo interativo da disciplina. 3.4.4 Políticas, Padrões e Procedimentos Tendo como referência os normativos, legislações e princípios que regem a administração pública, bem como os riscos identificados, a organização deve estabelecer um conjunto de políticas, procedimentos e padrões de conduta com o objetivo de prevenir, detectar e responder aos atos ilegais e que atentem contra a conduta ética esperada pela organização. Uma das principais políticas são os códigos de conduta, como visto na unidade 2. Outros 31Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial exemplos de políticas e procedimentos gerais que visam prevenir e detectar eventos que violam a integridade das organizações públicas são: a) conflito de interesses; b) nepotismo; c) recebimento e tratamento de denúncias. Conflito de Interesses No Governo Federal, a principal norma sobre conflito de interesses foi estabelecida por meio da Lei nº 12.813/2013, que define as situações de conflito de interesses e procedimentos para preveni-lo. Conheça mais sobre o assunto: Fonte: Freepik (2024). Elaboração: CEPED/UFSC (2025). O que é conflito de interesses? A Lei nº 12.813/2013 define conflito de interesses como situações geradas pelo confronto entre interesses públicos e privados, que possam comprometer o interesse coletivo ou influenciar, de maneira imprópria, o desempenho da função pública. A lei menciona situações durante e após o exercício do cargo ou emprego que configuram conflito deinteresses. 32 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Como prevenir? Além da definição das situações que podem gerar conflito de interesses, a lei inova também ao determinar medidas para a prevenção e punição dessas situações. Com relação à prevenção, uma boa iniciativa da lei foi a determinação expressa de que o ocupante de cargo ou emprego público deve agir de modo a prevenir ou impedir possível conflito de interesses. Uma forma de prevenção determinada pela lei é o dever de o agente público realizar consultas às instâncias especificadas (Controladoria-Geral da União ou Comissão de Ética Pública) em caso de dúvidas sobre situações de potencial conflito de interesses. Quais as situações de conflito? Uma das situações que trazem riscos elevados em relação a conflito de interesses envolve o recebimento de brindes e presentes pelos agentes públicos. É muito comum o oferecimento de presentes por empresas, às vezes em forma de brindes e cortesias, para servidores e empregados de organizações públicas. Passagens aéreas e hospedagem, ingressos para eventos esportivos e culturais, além de almoços e jantares, são exemplos de presentes que, em alguns casos, podem suscitar conflito de interesses. No Poder Executivo Federal, os limites e condições para recebimento de brindes e hospitalidades foram regulamentados por meio do Decreto nº 10.889/2021. Quais as punições previstas na lei? No que tange à punição, a Lei nº 12.813/2013 inova ao elevar punições – que em alguns casos se restringiam à mera “censura ética” – às penalidades previstas na Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992), penalidades civis (ressarcimento integral do dano, pagamento de multa e suspensão dos direitos políticos) e administrativa (demissão ou medida equivalente). Saiba mais Clique aqui e saiba mais sobre situações que configuram conflito de interesses e como preveni-las acessando o Manual Tratamento de conflitos de interesses. https://repositorio.cgu.gov.br/bitstream/1/68381/3/manual_de_tratamento_de_conflito_de_interesse.pdf 33Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Nepotismo Um bom programa de integridade deve conter políticas e procedimentos para prevenir a prática de nepotismo, que ocorre quando o agente público usa de seu poder para a contratação, nomeação, designação ou favorecimento de seus familiares, seja por linha reta ou colateral, e por consanguinidade ou afinidade. Tal prática viola os princípios estabelecidos no Artigo 37 da Constituição Federal, em especial o da moralidade e impessoalidade. No Poder Executivo Federal o assunto foi regulamentado pelo Decreto nº 7.203/2010, que detalhou e vedou situações em que o nepotismo já pode ser presumido, sendo desnecessária a comprovação da influência do agente público, e situações em que investigações específicas são necessárias para configurar a prática. Além disso, o decreto enumera as situações de nomeações de parentes que não são vedadas. Uma boa prática evocada pelo decreto foi a de determinar aos órgãos e às entidades que prevejam nos editais de licitação, convênios ou instrumentos equivalentes, para contratação de entidade prestadora de serviços terceirizados, ou o desenvolvedor de projeto, a vedação de que familiar de agente público preste serviços no órgão ou entidade em que este exerça cargo em comissão ou função de confiança. Recebimento e tratamento de denúncias Por mais eficiente que sejam os controles internos da organização, é sempre possível a ocorrência de fraudes, corrupção ou desvios da conduta ética na organização. Sistemas de controles internos eficientes mitigam a probabilidade de ocorrência dessas irregularidades, mas não eliminam por completo a possibilidade. Nesse cenário, a capacidade de detecção de ilícitos ou de desvios de conduta ética se torna crucial para a efetividade de um programa de integridade. É importante ressaltar que o fato de existirem parentes trabalhando na mesma organização não significa necessariamente que houve prática de nepotismo. É preciso que tal situação tenha decorrido de influência direta ou indireta de um deles.IMPORTANTE 34 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial 1. Canal de denúncias Um importante instrumento para aumentar a capacidade de detecção da organização é o canal de denúncias, por meio do qual os colaboradores – que conhecem de perto os atos e fatos de gestão – podem encaminhar ao setor ou instância responsável qualquer informação sobre ilícitos ou violação à conduta ética de que venham a tomar conhecimento. 2. Plataforma Fala.BR No Poder Executivo Federal, o canal oficial de denúncias é o Fala.BR, por meio do qual o servidor (ou qualquer cidadão) faz pedidos de acesso à informação, denúncias, elogios, reclamações, solicitações ou enviar sugestões. A plataforma Fala.BR é mantida e administrada pela Controladoria-Geral da União. As denúncias encaminhadas são recebidas pelas ouvidorias, embora algumas vezes os colaboradores encaminham as denúncias diretamente às unidades responsáveis pela apuração de denúncias, como as auditorias internas ou corregedorias, ou para a instância responsável pelo programa de integridade. 3. Fluxo da denúncia O funcionamento do canal de denúncias é uma tarefa complexa e pode gerar confusão e receios em sua utilização por parte dos servidores e das instâncias ao receber e tratar a denúncia. Nesse contexto, faz-se necessária a elaboração de normativos esclarecendo sobre o fluxo e tratamento da denúncia. 4. Divulgação dos canais de denúncias É importante que os canais de denúncia sejam conhecidos por todos os colaboradores da organização e que estes sejam constantemente comunicados sobre como utilizá- los. Cartazes, links na página da internet, mensagens via e-mail são alguns exemplos de como comunicar o canal de denúncias para os colaboradores. Uma boa prática, encontrada em grandes organizações, é a inclusão das formas de fazer denúncia no verso da carteira de identificação profissional do colaborador (crachás). 5. Cultura organizacional Outro aspecto – e talvez mais importante – para a efetivação do canal de denúncias é a criação de uma cultura organizacional na qual os colaboradores se sintam confortáveis, e até mesmo encorajados, para informar fatos ilícitos de que venham a tomar conhecimento. Se, pelo contrário, os colaboradores suspeitarem que esta não é a cultura organizacional e que há possibilidade de sofrerem retaliações, o canal de 35Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial denúncias tem pouca chance de prosperar como um instrumento efetivo de detecção de ilícitos. 6. Tratamento da denúncia A disposição dos colaboradores em utilizar o canal de denúncias depende da percepção de que as informações fornecidas recebem, de fato, um tratamento adequado pela organização. Uma percepção generalizada de que “nada acontece” quando se faz uma denúncia ajuda a fortalecer uma cultura que desmotiva os colaboradores a comunicarem os fatos de que tenham conhecimento. É importante, portanto, que os procedimentos a serem adotados após o recebimento de denúncias estejam claros e predefinidos, de forma que o denunciante saiba exatamente o que esperar da organização. Certas denúncias podem ser rapidamente apuradas, outras podem demandar um processo mais longo e sigiloso de apuração, enquanto algumas podem ser prontamente rejeitadas pela falta de informações suficientes. A CGU criou e disponibiliza um painel de consulta pública que reúne informações sobre manifestações de ouvidoria (denúncias, sugestões, solicitações, reclamações, elogios e pedidos de simplificação) que a Administração Pública recebe diariamente pelo sistema e-Ouv. Nele, é possível consultar, por exemplo, a quantidade e o assunto das denúncias recebidas pela ouvidoria de um determinado órgão em um determinado período.Saiba mais Clique aqui e saiba mais sobre o Painel Resolveu, que visa dar transparência e fornecer dados que auxiliem gestores e cidadãos no exercício do controle por meio da participação social. 3.4.5 Comunicação e Treinamento A comunicação do programa de integridade para os colaboradores de todos os níveis hierárquicos é crucial para sua efetividade. É necessário que todos os colaboradores conheçam o programa. Muitos dos aspectos tratados no programa de integridade nem sempre são de fácil compreensão por todas as pessoas, por isso a comunicação deve ser clara, concisa e precisa. https://centralpaineis.cgu.gov.br/visualizar/resolveu 36 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial A organização deve usar uma linguagem de fácil assimilação e utilizar diversos meios, métodos e canais para alcançar e ganhar a atenção de todos os colaboradores, incluindo também os parceiros da organização (representantes, fornecedores e prestadores de serviços). Há diversas formas e tecnologias usadas para comunicação, como e-mails, cartazes, eventos, intranet, internet, mídias sociais, campanhas internas, vídeos etc. A criatividade no planejamento da comunicação, portanto, poderá fazer grande diferença para a assimilação dos elementos do programa por todos os colaboradores. Os treinamentos representam importante instrumento de prevenção, mitigando a necessidade de ações punitivas. Treinamento não é algo novo para as organizações, mas poucas organizações públicas incluem o conteúdo de um programa de integridade em seu plano permanente de capacitação. Fonte: Freepik (2024), adaptada por: CEPED/ UFSC (2025). A organização deve considerar dois tipos de capacitação: a) sessões de treinamentos gerais sobre o programa de integridade, voltados para todos os colaboradores da organização e b) sessões específicas voltadas para determinados públicos-alvo. Servidores responsáveis pela fiscalização de contratos, por exemplo, devem ter treinamento específico sobre o código de ética e conduta, normativos sobre conflito de interesses, além das formas e mecanismos para se certificar de que os contratos estão sendo executados conforme esperado. É importante que a organização adote mecanismos para garantir que os colaboradores participem efetivamente dos treinamentos. Caso a organização verifique que os treinamentos disponibilizados de maneira optativa não atraem um número satisfatório de participantes, pode-se pensar em torná-los compulsórios ou criar incentivos para a participação, como, por exemplo, considerar a participação como critério para promoção ou ocupação de determinados cargos/funções. Em qualquer caso, é importante que a Fonte: Freepik (2024), adaptada por: CEPED/UFSC (2025). 37Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial organização tenha meios para verificar que os conhecimentos foram de fato assimilados pelos participantes. Testes e avaliações de conteúdo podem ser utilizados para esse fim. ATIVIDADES DE ESTUDO Agora, realize duas atividades de estudo para testar os seus conhecimentos. Atividade de Estudo 1 Atividade O Sistema de Transparência, Acesso à Informação e Integridade (Sitai) foi instituído pelo Decreto nº 11.529/2023. Entre as atribuições das unidades setoriais do sistema está a de coordenar a gestão de riscos para a integridade. São considerados riscos para a integridade, exceto: a) Direcionamento de licitações para beneficiar terceiros. b) Assédio moral. c) Discriminação racial. d) Contingenciamento orçamentário. Veja o espelho de resposta após o encerramento da Unidade. 38 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Atividade de Estudo 2 Atividade Você trabalha em uma autarquia da Administração Pública do Poder Executivo Federal. Sua organização administra vários contratos com empresas privadas e implementa vários programas em parceria com organizações da sociedade civil. Sua organização conta com diversos servidores públicos comissionados, muitos deles vindos da iniciativa privada, e colaboradores terceirizados, e tem operado nos últimos anos com uma alta taxa de turnover (rotatividade). Recentemente você foi chamado para apresentar à alta administração um plano para mitigar riscos de integridade de sua organização. Considerando esse contexto, elabore um texto argumentativo endereçado à alta administração apresentando um plano para mitigar riscos de integridade. Estruture sua resposta levando em consideração os cinco eixos de um programa de integridade. Veja o espelho de resposta após o encerramento da Unidade. 39Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Você chegou ao fim desta unidade. Agora você tem uma visão geral do Sistema de Transparência, Acesso à Informação e Integridade do Poder Executivo Federal, incluindo sua composição, objetivos e atribuições. A unidade apresentou também o conceito, objetivo e principais elementos de um programa de integridade. Você estudou como o programa de integridade pode promover a conformidade de condutas, a transparência, a priorização do interesse público e uma cultura organizacional voltada à entrega de valor público à sociedade. Fonte: Freepik (2024). 40 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Considerando os cinco eixos de um programa de integridade, a resposta pode ser estruturada da seguinte forma: • Comprometimento da alta administração: a alta administração deve comunicar, continuamente, de forma clara e inequívoca, seu compromisso com a ética e a integridade e seu apoio ao programa. • Instância responsável pelo programa: é importante que haja uma unidade responsável pela implementação do programa, e o dirigente máximo da alta administração deve designar uma (ou, se for o caso, mais de uma) unidade para gerir o programa, atuando como unidade setorial do Sitai. • Gestão de riscos: além dos riscos inerentes a várias atividades organizacionais, no caso específico de sua organização, há alguns fatores que expõem a organização a riscos de integridade, especialmente de conflito de interesses e nepotismos, como a quantidade de contratos com empresas privadas e com parceiros privados; o fato de que muitos dos servidores não têm vínculos com a organização, vindo a maioria deles do setor privado; a existência de muitos colaboradores de empresas terceirizadas, com rápida rotatividade de pessoal. Dessa forma, há a necessidade de adotar processos formais para identificar, avaliar e mitigar esses riscos. • Políticas e procedimentos: políticas e normas podem ser necessárias para mitigar os riscos identificados. No contexto específico de sua organização, um exemplo de política que você poderia propor seria uma que estabelecesse a forma de relacionamento entre os agentes públicos e os privados, atrelada a medidas de transparência das agendas. • Monitoramento contínuo: há a necessidade de que a implementação das medidas seja acompanhada e avaliada, para verificar sua eficácia e efetividade. A unidade de gestão da integridade, com apoio da ouvidoria, corregedoria, comissão de ética e auditoria interna, ficaria responsável por esse monitoramento. Atividade de Estudo 2 Apesar de o decreto não conter um dispositivo com a definição clara do que são considerados riscos de integridade, pode-se inferir da definição dada a programas de integridade (Inciso I do Art. 3º) que riscos de integridade incluem “corrupção e fraude, de irregularidades, ilícitos e outros desvios éticos e de conduta, de violação ou desrespeito a direitos, valores e princípios que impactem a confiança, a credibilidade e a reputação institucional”. Assim, as alternativas “a”, “b” e “c” se enquadram nas práticas elencadas acima. A alternativa “d”, por sua vez, representa mais um risco operacional do que um risco de integridade. Atividade de Estudo 1 Espelhode Resposta 41Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Unidade 4 – Ecossistema de Integridade do Poder Executivo Apresentação da Unidade Como visto anteriormente, um programa de integridade depende da execução de várias funções organizacionais. Todas elas são organizadas na forma de sistema estruturante, composto por um órgão central, responsável, entre outras atribuições, pela normatização da execução das atividades, e unidades setoriais, responsáveis pela execução das tabelas nos órgãos e entidades do Poder Executivo Federal. No início deste material, foi apresentado o sistema de gestão da ética do Poder Executivo Federal e o sistema de gestão da integridade. Nesta seção, você estudará outras funções que são essenciais para a efetividade dos programas de integridade e, portanto, compõem o ecossistema de integridade pública do Poder Executivo Federal. São elas: transparência ativa, ouvidoria, corregedoria, gestão de riscos e controles internos, auditoria interna e gestão da ética. Esse ecossistema está representado na figura a seguir. Fonte: o autor (2024). Elaboração: CEPED/UFSC (2025). 42 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial 4.1 Sistema de Transparência, Integridade e Acesso à Informação – Sitai (função de transparência ativa) A transparência ativa consiste na divulgação de dados e informações nos sites oficiais dos órgãos e das entidades da Administração Pública Federal. Essa divulgação contribui para a integridade pública porque permite a toda a sociedade acompanhar não somente como os recursos públicos estão sendo destinados, mas também o adequado funcionamento das organizações e se as autoridades/ servidores estão cumprindo seus deveres. Esse acompanhamento permite a toda a sociedade detectar e denunciar irregularidades ou atos que afrontam as regras de conduta do agente público. Portanto, a transparência gera efeito preventivo, na medida em que dissuade potenciais transgressores de adotar um ato que fere a integridade pública. De fato, parafraseando o que o jurista americano Louis Brandeis afirmou em 1913 ao se referir à importância da transparência governamental: “a luz do sol é o melhor dos desinfetantes”. Assim como no caso da gestão da integridade, a transparência passou a ser organizada também por meio de sistema, a partir do Decreto nº 11.529/2023, que institui o Sitai, muito embora a obrigação de transparência ativa já fosse uma realidade imposta desde a Lei Complementar nº 101/2000, conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal, e pela Lei nº 12.527/2011, largamente conhecida como Lei de Acesso à Informação (LAI). Dessa forma, como a função de transparência ativa faz parte do Sitai, órgão central e setoriais são os mesmos que exercem a função de gestão da integridade mencionados nas seções anteriores. No tocante à transparência ativa, a LAI determina que os órgãos e as entidades públicas devem promover, independentemente de requerimentos, a divulgação em local de fácil acesso, no âmbito de suas competências, de informações de interesse coletivo ou geral por eles produzidas ou custodiadas, devendo constar, no mínimo: • registro das competências e estrutura organizacional, endereços e telefones das respectivas unidades e horários de atendimento ao público; • registros de quaisquer repasses ou transferências de recursos financeiros; • registros das despesas; 43Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial • informações concernentes a procedimentos licitatórios, inclusive os respectivos editais e resultados, bem como a todos os contratos celebrados; • dados gerais para o acompanhamento de programas, ações, projetos e obras de órgãos e entidades; • respostas a perguntas mais frequentes da sociedade. Além disso, o Tribunal de Contas da União passou a exigir como forma de prestação de contas, por meio da Instrução Normativa nº 84/2020, que os órgãos e entidades da Administração Pública Federal publiquem um rol de informações em seus sites oficiais na internet. Essas informações devem estar em seção específica com chamada na página inicial intitulada “Transparência e prestação de contas”. De maneira resumida, as informações que deverão estar publicadas na seção específica definida pelo TCU são: 1. informações sobre: a) objetivos, metas, indicadores; b) valor público gerado; c) principais ações de supervisão, controle e correição; d) estrutura organizacional, competências, principais cargos e seus ocupantes e informações de contato; e) programas, projetos, ações, obras e atividades, bem como os resultados alcançados; f) repasses ou transferências de recursos financeiros; g) execução orçamentária e financeira detalhada; h) licitações realizadas, contratos firmados e notas de empenho emitidas; i) remuneração e subsídio recebido por ocupantes de cargo ou função; j) contato da autoridade de monitoramento da LAI. 2. demonstrações contábeis e notas explicativas; 3. relatório de gestão; 4. rol de responsáveis. 44 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Saiba mais Clique aqui e saiba mais sobre o portal do TCU. Ele traz mais informações sobre transparência e prestação de contas. Para assistir à videoaula “Instâncias e Funções de Integridade”, acesse o conteúdo interativo da disciplina. 4.2 Sistema de Ouvidorias do Poder Executivo Federal (SisOuv) A ouvidoria exerce uma importante função nos programas de integridade, especialmente como instância responsável pelo recebimento e acompanhamento de denúncias. As ouvidorias também estão organizadas em forma de sistema, instituído pelo Decreto nº 9.492/2018. O órgão central do sistema é a Controladoria-Geral da União, por meio da Ouvidoria-Geral da União. As unidades setoriais são as ouvidorias dos órgãos e entidades do Poder Executivo Federal, a quem compete, entre outras atribuições, receber, analisar e encaminhar às autoridades competentes as manifestações, acompanhando o tratamento e a efetiva conclusão das manifestações de usuário perante órgão ou entidade a que se vincula. O canal de manifestação oficial, de uso obrigatório pelos órgãos e entidades do Poder Executivo Federal, é a Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação: Fala.Br. As manifestações podem ser de sete tipos: • acesso à informação: pedido de acesso à informação pública; • sugestão: proposição de ideia ou aprimoramento de políticas e serviços; • elogio: demonstração de reconhecimento ou satisfação em relação a serviço prestado; • solicitação: pedido para adoção de providência por parte da administração; • reclamação: relato de insatisfação relativo a serviços ou atendimento prestado; • denúncia: comunicação de prática de ato ilícito ou indício de irregularidade; https://portal.tcu.gov.br/transparencia-e-prestacao-de-contas http://Fala.Br 45Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial • Simplifique: solicitação de simplificação de um serviço. A plataforma é o principal canal de denúncias para receber relatos de desvios de integridade e permite que o usuário faça a denúncia de forma anônima utilizando o campo “não identificado”. O Decreto nº 10.153/2019 prevê salvaguarda de proteção à identidade dos denunciantes de ilícitos e de irregularidades praticados contra a Administração Pública Federal direta e indireta. 4.3 Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal A função de controle tem duas finalidades principais: 1) aumentar a probabilidade de que os resultados organizacionais sejam alcançados, incluindo os de integridade; e 2) possibilitar que as partes interessadas tenham razoável certeza de que aquele a quem são confiados os meios (mandato e recursos) está prestando informações suficientes e confiáveis para que possam ser avaliados (accountability). Essa função é executada por meio de atividades de avaliação independente sobreobjetivos alcançados e da conformidade da gestão. Essa lógica pode ser observada na Constituição Federal de 1988 ao definir (Art. 74) como principais finalidades do sistema de controle interno: • avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos da União; • comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da Administração Federal, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado. No Poder Executivo Federal, o sistema de controle interno está normatizado no Decreto nº 3.591/2000. O órgão central do sistema é a Controladoria-Geral da União, com auxílio da Secretaria Federal de Controle Interno (SFC), a quem cabe a orientação normativa e supervisão técnica das atividades de controle interno e auditoria. As unidades setoriais são as Secretarias de Controle Interno (Ciset) da Presidência da República, do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério da Defesa e da Advocacia-Geral da União, e a Auditoria Interna do Banco Central. https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=DEC&numero=10153&ano=2019&ato=da9QTSq1keZpWT292 46 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Apesar de não fazerem parte, formalmente, do sistema de controle interno do Poder Executivo Federal, as Auditorias Internas (Audin) dos órgãos e entidades da administração indireta do Poder Executivo Federal estão sujeitas à orientação normativa e supervisão técnica do órgão central e dos órgãos setoriais do sistema, em suas respectivas áreas de jurisdição. Um ponto importante, muitas vezes objeto de confusão, é a diferença entre controles internos e auditoria. Os controles internos são conduzidos por todas as pessoas da organização e não devem ser confundidos com a estrutura organizacional, constituída para desempenhar o papel de auditoria interna. O esquema apresentado na figura a seguir, desenvolvido para corporações privadas, mas aplicável, com adaptações, ao setor público, permite visualizar três grupos (ou linhas) de funções relacionadas à atividade de controle interno. O modelo das três linhas de defesa do Instituto dos Auditores Internos. Fonte: IIA (2020). Elaboração: CEPED/ UFSC (2024). 47Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Esse modelo passou a constituir um padrão normativo para o Poder Executivo Federal a partir da edição da Instrução Normativa nº 1/2016, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e da Controladoria-Geral da União. De acordo com a instrução normativa, a implementação dos controles internos deverá ocorrer com a estruturação de um modelo de governança constituído por meio dessas três linhas de atuação. A primeira linha compreende as atividades da gestão operacional relacionadas ao gerenciamento de riscos e de controles internos a fim de fornecer segurança razoável quanto ao alcance dos objetivos institucionais. Trata-se dos controles primários, que devem ser instituídos e mantidos pelos gestores responsáveis pela implementação das políticas públicas durante a execução de atividades e tarefas, no âmbito de seus macroprocessos finalísticos e de apoio. A segunda linha compreende as funções de gestão relativas ao assessoramento, à coordenação, à supervisão e ao monitoramento das atividades de gerenciamento de riscos e controles internos executadas no âmbito da primeira linha. Fazem parte dessa linha, por exemplo, as atividades de assessoramento exercidas pelas assessorias especiais de controle interno nos ministérios. A terceira linha é representada pela função de auditoria interna, que atua com base nos pressupostos de independência e objetividade, mediante prestação de serviços de avaliação e de consultoria sobre os processos de governança, gerenciamento de riscos e controles internos. No âmbito da terceira linha de defesa, as atividades de auditoria governamental são desenvolvidas pelos seguintes órgãos: • Secretaria Federal de Controle Interno (SFC) da CGU; • Secretarias de Controle Interno (Ciset) da Presidência da República, do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério da Defesa e da Advocacia-Geral da União, e a Auditoria Interna do Banco Central do Brasil; • centros de controle interno dos comandos militares; • unidades de Auditoria Interna (Audin) de órgãos e entidades do Poder Executivo Federal. 48 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Com exceção daqueles que possuem contam com Secretaria de Controle Interno (Ciset) em sua estrutura, os Ministérios não possuem órgãos singulares de auditoria interna. Nesse caso, a função de auditoria interna é realizada pela Secretaria Federal de Controle Interno da Controladoria-Geral da União. Saiba mais Clique aqui e saiba mais sobre o Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal. 4.4 Sistema de Corregedoria (SisCor) Os procedimentos para responsabilização por atos ilícitos cometidos e violação ao código de conduta devem ser pronta e efetivamente conduzidos. No setor público, os tipos de responsabilização já estão dispostos em diversas legislações, abrangendo as sanções administrativas, cíveis, penais e de improbidade. No Poder Executivo Federal, as atividades de apuração disciplinar de infrações cometidas por servidor público ou pessoa jurídica (correição) são organizadas sob a forma de sistema. Integram o sistema de correição: I. como Órgão Central, a Controladoria-Geral da União, por meio da Corregedoria-Geral da União; II. como unidades setoriais, as unidades de correição dos órgãos e das entidades que sejam responsáveis pelas atividades de correição (corregedorias setoriais). Na esfera administrativa, um dos principais processos correcionais contra servidores públicos é chamado de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e pode resultar em três tipos de sanções: advertência, suspensão ou demissão (incluindo a anulação da aposentadoria, caso o servidor já esteja aposentado). https://www.gov.br/cgu/pt-br/assuntos/auditoria-e-fiscalizacao/sistema-de-controle-interno 49Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial Com relação às pessoas jurídicas, as unidades do sistema de correição podem instaurar os chamados Processos Administrativo de Responsabilização (PAR). O PAR foi introduzido pela Lei nº 12.846/2013, também conhecida como Lei Anticorrupção, e pode resultar em penalidades severas para aquelas que praticarem atos ilícitos contra a administração pública nacional e estrangeira. Além de ser uma obrigação legal adotar as medidas cabíveis de responsabilização (dependendo da gravidade da infração), a punição traz eficácia ao programa de integridade, ao mostrar que a organização não tolera atos ilícitos ou que atentam contra a ética e conduta esperada pela organização. Saiba mais Clique aqui e saiba mais sobre o SisCor. https://www.gov.br/corregedorias/pt-br/institucional/siscor 50 Novos Paradigmas da Integridade Pública e Ética Programa de Desenvolvimento Inicial ATIVIDADES DE ESTUDO Agora, realize duas atividades de estudo para testar os seus conhecimentos. Atividade de Estudo 1 Atividade De acordo com a Instrução Normativa Conjunta MPO/CGU nº 1/2016 e o modelo de governança proposto pelo Instituto dos Auditores Internos (IIA, 2020), uma forma racional de coordenar os esforços e deixar mais claros os limites e responsabilidades das equipes é pensar os controles internos como um sistema composto de três linhas. Considerando a abordagem das três linhas, é correto afirmar: a) As linhas se esgotam dentro das organizações, não havendo linhas de defesa adicionais no ambiente externo. b) A primeira linha tem supervisão e garantia de funcionamento da auditoria interna. c) A segunda linha é considerada a proprietária dos riscos, uma vez que