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GUIA COMPLETO DO ESTUDANTE DE ENFERMAGEM
COFEN & COREN
Quem Regula a Enfermagem no Brasil?
• Legislação completa: Lei 5.905/1973 e Lei 7.498/1986
• Código de Ética (Res. COFEN 564/2017)
• Atribuições do Técnico em Enfermagem
• As 5 Sanções Éticas explicadas
• Caso clínico: SVD na UTI — como agir?
• Direito de recusa fundamentada
• Dicas práticas para o dia a dia
Prof.ª Esp.ª Nathalia Heloisa Paiva
Curso Técnico em Enfermagem
Disciplina: Legislação e Ética Profissional
Lei 5.905/1973 • Lei 7.498/1986 • Decreto 94.406/87 • Res. COFEN 564/2017 • Res. COFEN 648/2020
ROTEIRO DO ESTUDANTE — COFEN & COREN Prof.ª Nathalia Heloisa Paiva
Lei 5.905/1973 • Lei 7.498/1986 • Res. COFEN 564/2017 | Página 2
■ APRESENTAÇÃO DO ROTEIRO
Este roteiro foi elaborado especialmente para você, estudante do curso Técnico em Enfermagem. O
objetivo é apresentar de forma clara, completa e prática tudo que você precisa saber sobre o
Sistema COFEN/COREN, a legislação que regula sua profissão, seus direitos, seus deveres e como
agir com segurança no dia a dia de trabalho.
Ao final deste guia, você será capaz de: identificar a estrutura e função do COFEN e dos CORENs;
conhecer as principais resoluções que impactam diretamente o Técnico; compreender o que você
pode e o que você não pode fazer por lei; exercer seu direito de recusa com fundamentação legal; e
agir corretamente em situações de pressão no trabalho.
■ Conhecimento da legislação não é apenas exigência de prova — é proteção
profissional real. Um técnico que conhece seus direitos e deveres jamais será
prejudicado por ignorância.
■ O QUE VOCÊ VAI ESTUDAR
PARTE 1 O Sistema COFEN/COREN — Criação, Estrutura e Poderes
PARTE 2 O Que o COFEN Faz — Resoluções e Normas
PARTE 3 O Que o COREN Faz — Fiscalização, Anuidade e Sanções
PARTE 4 Lei 7.498/86 — A Lei que regulamenta a Enfermagem
PARTE 5 Atribuições do Técnico — O Que Pode e O Que Não Pode
PARTE 6 Autonomia — O Direito de Recusa Fundamentada
PARTE 7 Caso Clínico Resolvido — SVD na UTI
PARTE 8 Anuidade × Contribuição Sindical
PARTE 9 Dicas Práticas e Como Passar na Prova
ROTEIRO DO ESTUDANTE — COFEN & COREN Prof.ª Nathalia Heloisa Paiva
Lei 5.905/1973 • Lei 7.498/1986 • Res. COFEN 564/2017 | Página 3
PARTE 1 — O SISTEMA COFEN/COREN
1.1 Contexto Histórico — Por que o sistema foi criado?
Antes de 1973, a profissão de enfermagem no Brasil era exercida sem um órgão regulador nacional
padronizado. Não havia controle efetivo sobre quem poderia ou não exercer a profissão, o que
gerava riscos enormes para os pacientes. Em resposta a essa necessidade, o Governo Federal criou
o Sistema COFEN/COREN por meio da Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973.
Esta lei criou o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) e os Conselhos Regionais de
Enfermagem (CORENs), estruturando um sistema de autorregulação profissional com força de lei.
Trata-se de uma autarquia federal, ou seja, uma entidade pública descentralizada que integra a
Administração Indireta do Estado, com autonomia administrativa e financeira.
1.2 Estrutura do Sistema COFEN/COREN
Figura 1 — Hierarquia do Sistema COFEN/COREN no Brasil
O sistema é hierarquicamente organizado: o COFEN está no topo, com sede em Brasília-DF, e os 27
CORENs (um para cada estado + DF) atuam em âmbito regional, sendo subordinados ao COFEN.
Os profissionais — Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares — se registram no COREN de seu estado.
1.3 O que é uma Autarquia Federal?
É fundamental entender esse conceito para a prova e para a prática. Uma autarquia federal é:
■ Uma entidade criada por lei para desempenhar atividades típicas do Estado;
■ Dotada de autonomia administrativa, patrimonial e financeira;
■ Sujeita ao controle do Poder Público (no caso, do Ministério da Saúde e do TCU);
■ Com poder de normatizar, fiscalizar e punir — igual a um órgão público;
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Lei 5.905/1973 • Lei 7.498/1986 • Res. COFEN 564/2017 | Página 4
■ Seus atos têm força de lei e seus fiscais exercem poder de polícia.
■■ Por ser autarquia federal, o COREN tem poder de ENTRAR em qualquer
estabelecimento de saúde SEM aviso prévio, AUTUAR profissionais e instituições e
INSTAURAR processo ético. Isso não é opcional — é exercício do poder de polícia do
Estado.
PARTE 2 — O QUE O COFEN FAZ
2.1 Funções Principais do COFEN
O COFEN é o órgão máximo de regulação da profissão de enfermagem no Brasil. Suas atribuições
são amplas e impactam diretamente o cotidiano de todos os profissionais:
1
NORMATIZAR
Cria as Resoluções que definem o que cada categoria profissional pode ou não pode
fazer. As Resoluções do COFEN têm força de lei para os profissionais registrados.
2
FISCALIZAR
Coordena e orienta os CORENs na fiscalização do exercício profissional em todo o Brasil,
garantindo que só profissionais habilitados e registrados atuem.
3
PUNIR
Aplica sanções éticas, que variam de advertência verbal à cassação definitiva do registro,
conforme a gravidade da infração cometida.
4
CÓDIGO DE ÉTICA
Elabora, aprova e atualiza o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. A versão
atual é a Resolução COFEN 564/2017.
5
ESPECIALIDADES
Reconhece formalmente as especialidades de enfermagem (ex: UTI, Oncologia, Saúde do
Trabalho) e regulamenta os títulos de especialista.
6
ÚLTIMA INSTÂNCIA
Julga os recursos dos processos ético-disciplinares decididos pelos CORENs. A decisão
do COFEN é definitiva no âmbito do sistema.
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2.2 Principais Resoluções do COFEN — O que todo Técnico precisa
saber
Resolução Assunto Impacto Direto no Técnico
Res.
564/2017
Código de Ética dos
Profissionais de
Enfermagem
Define seus direitos, deveres, vedações e as 5
sanções éticas. BASE de tudo.
Res.
543/2017
Dimensionamento mínimo
da equipe de enfermagem
Garante número mínimo de profissionais por
leito/setor. Seu direito à segurança.
Res.
625/2020
Teleenfermagem e uso de
tecnologias digitais
Permite consultas e orientações por
videoconferência em contextos específicos.
Res.
648/2020
Sondagem vesical —
competência privativa do
Enfermeiro
Técnico NÃO pode passar SVD/SVA. Caso
realize, comete imperícia e responde
ethicamente.
Res.
450/2013
Normatiza a execução de
procedimentos de
enfermagem
Detalha quais procedimentos são privativos do
Enfermeiro. Referência complementar.
■ As Resoluções do COFEN são atualizadas periodicamente. Verifique sempre no site
oficial: cofen.gov.br. Para a prova, memorize os números das resoluções mais cobradas:
564/2017 (Ética) e 648/2020 (SVD).
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PARTE 3 — O QUE O COREN FAZ
3.1 Funções do Conselho Regional de Enfermagem
O COREN é o braço executivo do sistema no estado. É com ele que você interage diretamente em
todas as etapas da sua vida profissional — do registro até uma eventual punição.
■ Registrar e emitir a Carteira de Identidade Profissional (CIP);
■ Fiscalizar os estabelecimentos de saúde: hospitais, clínicas, UBSs, domicílios;
■ Autuar profissionais e instituições que descumpram a legislação;
■ Instaurar e julgar processos ético-disciplinares em primeira instância;
■ Cobrar e arrecadar a anuidade obrigatória;
■ Emitir certidões de regularidade (quitação) para concursos e empregos;
■ Orientar e esclarecer dúvidas sobre legislação e competências profissionais.
3.2 Poderes do Fiscal do COREN
O Fiscal do COREN é um Enfermeiro concursado ou aprovado em processo seletivo que age em
nome do Conselho. Ele possui poderes legais significativos:
1
Acesso irrestrito
Pode entrar em QUALQUER unidade de saúde, pública ou privada, sem aviso prévio.
Negar acesso ao fiscal é infração grave e pode resultar em autuação institucional.
2
Lavrar auto de infração
Pode autuar o profissional e a instituição na mesmavisita. O auto de infração inicia
processo administrativo que pode gerar multa e processo ético.
3
Solicitar documentos
Tem o direito de solicitar escalas, registros, prontuários e documentos comprobatórios de
qualificação dos profissionais em serviço.
4
Verificar registros
Confere se todos os profissionais em atividade possuem registro ativo e anuidade quitada.
Atuar sem registro válido é exercício ilegal da profissão — crime previsto em lei.
3.3 As 5 Sanções Éticas — Do mais leve ao mais grave
A base legal das sanções está no Art. 22 da Resolução COFEN 564/2017 — Código de Ética dos
Profissionais de Enfermagem. As sanções são aplicadas de forma progressiva, levando em conta a
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gravidade da infração, a reincidência e o dano causado ao paciente ou à instituição:
Figura 2 — Escala crescente de gravidade das sanções éticas
N
º
SANÇÃO O QUE SIGNIFICA NA PRÁTICA
GRAVIDA
DE
1
Advertência
Verbal
Um aviso formal registrado em prontuário. Geralmente
aplicada a faltas leves e de primeira vez. Não fica em
registro público.
Leve
2
Advertência
Escrita
Documento oficial inserido no seu cadastro do
COREN. Fica no seu histórico profissional. Caso haja
reincidência, agrava a situação.
Moderada
3 Censura Pública
Publicada no Diário Oficial da União e do estado.
Todos os colegas e empregadores podem ver. Indica
conduta grave ou reincidência.
Grave
4
Suspensão do
Exercício
Você fica proibido de exercer a profissão por um
período determinado pelo Conselho. Implica perda de
renda e registro de punição.
Muito
grave
5
Cassação do
Registro
Perda definitiva do direito de exercer a enfermagem.
Equivale ao fim da carreira. Aplicada em casos
gravíssimos ou reincidência extrema.
Gravíssim
a
■■ ATENÇÃO: A Censura Pública (sanção 3) é publicada no Diário Oficial. Qualquer
empregador, concurso ou colega pode consultá-la. Ela fica permanentemente associada
ao seu nome profissional.
3.4 Como se Torna Fiscal do COREN?
A carreira de Fiscal do COREN é uma opção para Enfermeiros que desejam atuar na regulação
profissional. Os requisitos geralmente incluem:
■ Aprovação em concurso público ou processo seletivo simplificado realizado pelo COREN do
estado;
■ Formação superior em Enfermagem (graduação);
■ Registro ativo no COREN com anuidade quitada;
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■ Experiência profissional comprovada (varia por COREN);
■ Carteira Nacional de Habilitação (CNH) — categoria B, pois há deslocamentos frequentes;
■ Não constar em processo ético ativo ou punição vigente.
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PARTE 4 — LEI 7.498/86: A NOSSA CERTIDÃO DE
NASCIMENTO
4.1 O que é e por que é tão importante
A Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, é a lei mais importante da sua carreira. Ela regulamenta o
exercício da enfermagem no Brasil, definindo quem pode exercer a profissão, em quais condições, e
o que cada categoria pode ou não pode fazer. É chamada de nossa 'certidão de nascimento
profissional' porque é ela que dá existência legal à profissão.
Ela foi regulamentada pelo Decreto nº 94.406, de 8 de junho de 1987, que detalhou aspectos
práticos da lei, como os procedimentos específicos de cada categoria. A conjugação da lei com o
decreto forma o arcabouço jurídico básico da enfermagem brasileira.
4.2 Os 4 Níveis Profissionais de Enfermagem (Art. 7º)
Figura 3 — Pirâmide dos 4 níveis profissionais — Lei 7.498/86, Art. 7º
■ Enfermeiro (Art. 8º): Profissional com diploma de graduação (curso superior). Exerce todas as
atividades de enfermagem, sendo privativas a ele: consulta, prescrição, chefia, cuidados diretos a
pacientes graves e procedimentos de alto risco. É o responsável técnico pela equipe.
■ Obstetra (Art. 9º): Enfermeiro com especialização em obstetrícia. Tem atribuições específicas
no pré-natal, parto normal (sem distócia) e puerpério, além de todas as funções do Enfermeiro.
■ Técnico em Enfermagem (Art. 10): Você está aqui! Profissional com curso técnico de nível
médio. Executa atividades de maior complexidade que o auxiliar, mas sempre sob supervisão do
Enfermeiro. A supervisão é seu DIREITO, não uma punição.
■ Auxiliar de Enfermagem (Art. 12): Profissional com formação elementar. Executa atividades
simples de assistência ao paciente, como higiene, conforto e apoio básico, sempre sob
supervisão direta do Enfermeiro ou Técnico.
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Lei 5.905/1973 • Lei 7.498/1986 • Res. COFEN 564/2017 | Página 10
■ IMPORTANTE: O exercício da enfermagem por pessoa não habilitada ou com registro
cassado configura CRIME, punido com detenção de 6 meses a 2 anos, além das sanções
administrativas. Sempre exija que colegas apresentem registro válido se tiver dúvidas.
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PARTE 5 — ATRIBUIÇÕES DO TÉCNICO: PODE ×
NÃO PODE
5.1 O que o Técnico em Enfermagem PODE fazer — Art. 10 da Lei
7.498/86
O Art. 10 da Lei 7.498/86 define as atribuições do Técnico em Enfermagem. São atividades que você
tem o DIREITO e o DEVER de executar dentro de sua competência:
ATRIBUIÇÃO
LEGAL
DETALHAMENTO PRÁTICO OBSERVAÇÃO
Assistir ao
Enfermeiro no
planejamento
Participar da elaboração do plano de
cuidados do paciente, fornecendo
informações da evolução observada.
Não é opcional — é
parte da sua função.
Executar ações de
enfermagem sob
supervisão
Realizar procedimentos técnicos:
administração de medicamentos, curativos,
verificação de sinais vitais, oxigenoterapia.
A supervisão é um
DIREITO seu, não
punição.
Procedimentos de
maior complexidade
técnica
Desde que devidamente qualificado e com
protocolo institucional vigente: punção
venosa, cateterismo nasoenteral, etc.
Exige qualificação
comprovada.
Participar de
programas de saúde
pública
Campanhas de vacinação, vigilância
epidemiológica, saúde do trabalhador,
atenção básica e saúde coletiva.
Ação comunitária
permitida.
Assistência
hospitalar e
ambulatorial
Executar cuidados de enfermagem em
hospitais, prontos-socorros, ambulatórios,
UBS, domicílio e empresa.
Todos os ambientes
são permitidos.
5.2 O que é PRIVATIVO do Enfermeiro — Art. 11 da Lei 7.498/86
O Art. 11 da Lei 7.498/86 lista as atividades que são exclusivas do Enfermeiro. Realizar qualquer
uma dessas atividades como Técnico configura exercício ilegal da profissão (imperícia) e pode
gerar processo ético, processo judicial e demissão por justa causa:
ATIVIDADE PRIVATIVA POR QUE É PRIVATIVA? BASE LEGAL
Consulta de
Enfermagem
Envolve raciocínio diagnóstico, anamnese
completa e formulação do diagnóstico de
enfermagem. Exige formação superior.
Art. 11, I
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Prescrição da
Assistência de
Enfermagem
Determinar o plano de cuidados, prescrever
intervenções e medicamentos de
competência de enfermagem.
Art. 11, II
Cuidados diretos a
pacientes graves com
risco de vida
Pacientes em UTI, hemodinâmica, neonatal
crítico, choque, PCR — exigem raciocínio
clínico avançado.
Art. 11, III
Chefia de serviço e
direção de unidade
Gestão de equipe, escala, responsabilidade
técnica e liderança de serviço de
enfermagem.
Art. 11, IV
Sondagem Vesical
(SVD/SVA)*
Procedimento invasivo de alto risco para IVU
e lesão uretral. Res. COFEN 648/2020
reforça a privatividade.
Res. 648/2020
Aspiração Traqueal em
paciente grave
Em pacientes intubados em UTI ou com
quadro crítico, a aspiração é de
responsabilidade do Enfermeiro.
Art. 11 + Res.
COFEN
* A Resolução COFEN 648/2020 especificouque a sondagem vesical é privativa do Enfermeiro no âmbito da equipe
de enfermagem. O Médico também pode realizá-la. Técnico que a realiza comete imperícia.
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PARTE 6 — AUTONOMIA: O DIREITO DE RECUSA
FUNDAMENTADA
6.1 Base Legal do Direito de Recusa
Muitos Técnicos não sabem que têm o direito de recusar a execução de atividades que estejam
além de sua competência legal. Este direito não é uma escolha pessoal — é garantido por lei e pelo
Código de Ética:
Art. 22 — Resolução COFEN 564/2017 (Código de Ética)
"É DIREITO do profissional de Enfermagem recusar-se a executar atividades que não
sejam de sua competência técnica, científica, ética e legal ou que não ofereçam segurança
ao cliente e ao profissional."
Art. 13 — Resolução COFEN 564/2017 (Código de Ética)
"É DIREITO do profissional de Enfermagem recusar-se a executar prescrição médica ou
de outro profissional quando esta colocar em risco a segurança do cliente, desde que faça
a devida comunicação ao responsável e registre no prontuário."
6.2 Como Exercer o Direito de Recusa com Segurança
Saber que você tem o direito é o primeiro passo. Saber COMO exercê-lo sem se prejudicar é o
segundo — e igualmente importante. Siga este protocolo de 5 passos:
Figura 4 — Protocolo de 5 passos para recusa segura e fundamentada
PASSO 1 — Conheça a Resolução
Antes de recusar, tenha certeza do embasamento legal. Ex: 'A SVD é privativa do Enfermeiro
conforme Res. COFEN 648/2020 e Art. 11 da Lei 7.498/86.' Se não souber a norma exata, diga que
precisa verificar e não execute o procedimento até confirmar.
PASSO 2 — Registre no Prontuário
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Escreva de forma clara e objetiva. Modelo: 'Em [data/hora], solicitado pelo Dr. [nome] a realização de
[procedimento]. Informado que tal procedimento é privativo do Enfermeiro, conforme [base legal].
Procedimento não realizado. Enfermeiro responsável notificado.' Esta anotação é sua proteção legal
mais importante.
PASSO 3 — Comunique o Enfermeiro Responsável
O Enfermeiro é seu supervisor direto e responsável técnico. Ele precisa saber imediatamente. Diga:
'Enf. [nome], o Dr. [nome] solicitou [procedimento] — esse procedimento é privativo do Enfermeiro,
precisamos resolver agora.' Comunique pessoalmente e, se possível, por escrito.
PASSO 4 — Preencha o Livro de Ocorrências
Registre o fato no livro de ocorrências do plantão com data, hora, descrição do evento e as medidas
tomadas. Este registro tem valor jurídico e pode ser solicitado em processos éticos ou trabalhistas.
PASSO 5 — NUNCA abandone o paciente
Recusar um procedimento específico NÃO significa abandonar o cuidado. Fique ao lado do paciente,
cuide do que está dentro de sua competência, prepare materiais para o Enfermeiro e auxilie como
facilitador. O abandono de paciente é falta ética gravíssima.
■ DICA PRÁTICA: A maioria dos médicos respeita quando o Técnico fundamenta
tecnicamente sua recusa. Diga: 'Doutor, eu entendo a urgência, mas a Res. COFEN
648/2020 determina que essa sondagem é competência do Enfermeiro. Já estou
chamando a Enfermeira e preparo o material agora.' Isso demonstra competência, não
desacato.
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PARTE 7 — CASO CLÍNICO RESOLVIDO: SVD NA
UTI
7.1 Apresentação do Caso
■ Cenário Clínico
Você é Técnico em Enfermagem em plantão noturno em uma UTI Adulto. O paciente no
leito 4 está hemodinamicamente instável, com débito urinário zerado. O médico
plantonista, sozinho e visivelmente estressado, entrega a você um kit de Sondagem
Vesical de Demora (SVD) e diz:
"Passa essa sonda agora. Ele precisa urinar para eu ajustar a droga vasoativa. Eu sou o
médico e estou mandando. A responsabilidade é MINHA, pode fazer!"
7.2 Análise Técnica e Legal da Situação
Apesar da pressão e da urgência clínica, você NÃO pode realizar a SVD. Veja por quê:
ARGUMENTO DO
MÉDICO
RESPOSTA LEGAL E TÉCNICA
"A responsabilidade é
minha."
FALSO juridicamente. A responsabilidade por um ato profissional
é INTRANSFERÍVEL entre categorias. Se você realizar o
procedimento e ocorrer lesão uretral, infecção grave ou trauma,
você responderá por imperícia — independente do que o médico
disse.
"É urgente, não tem
tempo."
A urgência não elimina a responsabilidade legal. A SVD pode ser
realizada pelo próprio médico ou pelo Enfermeiro enquanto você
prepara o material. O paciente não ficará desassistido.
"Eu sou o médico e
mando."
O princípio da hierarquia médica não se aplica às atribuições
definidas em lei para cada categoria profissional. O COFEN e a
legislação de enfermagem têm primazia sobre ordens verbais.
7.3 Fluxo de Decisão Recomendado
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Figura 5 — Fluxograma de decisão para solicitação de SVD ao Técnico
7.4 O Que Você PODE e DEVE Fazer
1
Preparar o material
Monte o kit de SVD com técnica asséptica rigorosa, abra os campos esterilizados e deixe
tudo organizado para que o Enfermeiro ou o médico realize a inserção em menos de 1
minuto.
2
Posicionar o paciente
Posicione o paciente adequadamente (decúbito dorsal com membros em posição
ginecológica se mulher; decúbito dorsal com membros estendidos se homem) e realize a
higienização prévia.
3
Acionar o Enfermeiro IMEDIATAMENTE
Chame o Enfermeiro responsável pela UTI pelo comunicador interno ou pessoalmente. Se
o Enfermeiro não estiver disponível, acione a chefia de plantão.
4
Auxiliar tecnicamente
Durante o procedimento realizado pelo Enfermeiro ou médico, fique ao lado fornecendo
materiais adicionais (xilocaína geléia, seringas, fixadores) conforme solicitado.
5
Registrar tudo no prontuário
Documente o evento: hora da solicitação, quem solicitou, o que foi comunicado, quem
realizou o procedimento e o resultado. Sua anotação é sua proteção.
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7.5 Frase-Chave para Comunicar ao Médico
■ Script para comunicação profissional
"Doutor, eu entendo a urgência e quero ajudar ao máximo. Mas a Sondagem Vesical de
Demora é competência privativa do Enfermeiro dentro da equipe de enfermagem,
conforme a Resolução COFEN 648/2020. Se eu realizar, estaria cometendo imperícia e
colocando meu registro em risco."
"Já chamei a Enfermeira e estou montando o kit agora com técnica asséptica para ela ou
para o senhor realizar. O paciente não ficará desassistido."
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PARTE 8 — ANUIDADE × CONTRIBUIÇÃO
SINDICAL
8.1 Por que é importante saber a diferença?
Esta é uma das confusões mais comuns entre profissionais e estudantes de enfermagem. Muitos
pensam que pagar a anuidade do COREN é a mesma coisa que pagar ao sindicato, ou que o
sindicato pode defender o profissional de processos éticos. Veja as diferenças:
CARACTERÍSTICA ANUIDADE (COREN/COFEN) CONTRIBUIÇÃO SINDICAL
Natureza jurídica Taxa pública obrigatória Contribuição privada voluntária
Obrigatoriedade
OBRIGATÓRIA — sem ela você não
pode exercer a profissão legalmente
VOLUNTÁRIA desde a
Reforma Trabalhista (Lei
13.467/2017)
Quem cobra?
COREN do seu estado (e COFEN
indiretamente)
Sindicato dos
Técnicos/Enfermeiros da sua
região
Para que serve?
Manutenção do sistema de registro,
fiscalização e processo ético
Negociação coletiva, dissídios,
representação trabalhista
Consequência de
não pagar
Cassação do registro — exercício
ilegal da profissão
Não é membro do sindicato,
sem representação
Base legal
Lei 5.905/1973— Lei do Sistema
COFEN/COREN
CLT, Art. 578 e seguintes —
Reforma Trabalhista
Periodicidade Anual — com parcelamento disponível
Mensal (se sindicalizado
voluntariamente)
8.2 Consequências de NÃO pagar a anuidade
A anuidade inadimplente tem consequências sérias e progressivas:
■ Seu registro fica IRREGULAR — você tecnicamente não pode exercer a profissão;
■ O COREN pode CASSAR seu registro por inadimplência reiterada;
■ Concursos públicos podem REPROVAR sua inscrição por falta de quitação;
■ Empregos formais podem exigir CERTIDÃO DE QUITAÇÃO como condição de admissão;
■ Você fica SUJEITO À AUTUAÇÃO se o fiscal do COREN conferir sua situação.
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■ DICA: O COREN oferece parcelamento da anuidade e isenção para estudantes e
profissionais em determinadas situações (desemprego, licença médica). Consulte o site
do seu COREN estadual para verificar as condições atuais.
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PARTE 9 — DICAS PRÁTICAS E RESUMO PARA A
PROVA
9.1 Os Números que Você PRECISA Memorizar
LEI /
RESOLUÇÃO
PALAVRA-CHAVE MACETE
Lei 5.905/1973 Criação do COFEN/COREN 5905 = 5 letras em COFEN
Lei 7.498/1986 Regulamenta a Enfermagem
7498 = sua carteira de identidade
profissional
Decreto
94.406/1987
Regulamenta a Lei 7.498 Decreto detalha a lei — 1 ano depois
Res. 564/2017 Código de Ética + 5 Sanções
564 = 5 sanções + 6 capítulos + 4
categorias
Res. 543/2017 Escala mínima de enfermagem
543 = 5 profissionais mínimos por
turno
Res. 648/2020 SVD privativa do Enfermeiro
648 = Sonda Vesical = privativa do
Enfermeiro
9.2 As 10 Afirmações Mais Cobradas em Provas
✔ VERDADEI
RO
O COFEN é uma autarquia federal.
✔ VERDADEI
RO
Técnico em Enfermagem trabalha SEMPRE sob supervisão do Enfermeiro.
✔ VERDADEI
RO
A supervisão do Enfermeiro é um DIREITO do Técnico, não punição.
✔ VERDADEI
RO
A anuidade do COREN é OBRIGATÓRIA para exercício legal da profissão.
✔ VERDADEI
RO
SVD é privativa do Enfermeiro — Técnico NÃO pode realizar.
✘ FALSO O médico pode transferir sua responsabilidade para o Técnico de Enfermagem.
✘ FALSO Não pagar a anuidade gera apenas advertência — sem outras consequências.
ROTEIRO DO ESTUDANTE — COFEN & COREN Prof.ª Nathalia Heloisa Paiva
Lei 5.905/1973 • Lei 7.498/1986 • Res. COFEN 564/2017 | Página 21
✘ FALSO O sindicato pode defender o profissional de processo ético no COREN.
✘ FALSO O Técnico pode realizar a consulta de enfermagem em emergências.
✘ FALSO O fiscal do COREN precisa de autorização prévia para entrar no hospital.
9.3 Dicas de Comportamento Profissional no Estágio
■ Sempre porte sua carteira do COREN (CIP). O fiscal pode solicitá-la a qualquer momento;
■ Quando em dúvida sobre um procedimento, PERGUNTE ao Enfermeiro antes de executar;
■ Nunca assine documentos ou registros de procedimentos que não realizou;
■ Anote sempre: qualquer procedimento realizado ou solicitação recebida deve ir ao prontuário;
■ Em situação de pressão, respire fundo e recorra à fundamentação legal — ela é sua aliada;
■ Conheça o Enfermeiro responsável por cada plantão antes de iniciar as atividades;
■ Guarde cópias de registros importantes quando suspeitar de situação irregular.
■ LEMBRE-SE: Você não está sozinho. O Sistema COFEN/COREN existe para
PROTEGER você, o paciente e a qualidade da assistência. Conhecer seus direitos é seu
maior instrumento de defesa profissional!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E LEGAIS
1. BRASIL. Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973. Dispõe sobre a criação dos Conselhos Federal e Regionais
de Enfermagem e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1973.
2. BRASIL. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da
enfermagem e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1986.
3. BRASIL. Decreto nº 94.406, de 8 de junho de 1987. Regulamenta a Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986,
que dispõe sobre o exercício da Enfermagem. Brasília, DF, 1987.
4. BRASIL. Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017. Altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) —
Reforma Trabalhista. Voluntariedade da contribuição sindical. Brasília, DF, 2017.
5. COFEN. Resolução nº 543, de 18 de abril de 2017. Atualiza e estabelece parâmetros para o
Dimensionamento do Quadro de Profissionais de Enfermagem nas unidades assistenciais. Brasília, 2017.
6. COFEN. Resolução nº 564, de 6 de novembro de 2017. Aprova o novo Código de Ética dos Profissionais
de Enfermagem. Diário Oficial da União, Brasília, 2017.
7. COFEN. Resolução nº 625, de 2020. Regulamenta o uso de tecnologias digitais e a prática da
Teleenfermagem. Brasília, 2020.
8. COFEN. Resolução nº 648, de 2020. Normatiza a realização do cateterismo vesical (sondagem vesical)
como competência privativa do Enfermeiro. Brasília, 2020.
9. COFEN. Resolução nº 450, de 2013. Normatiza o procedimento de Sondagem Nasogástrica e Enteral e
Aspiração Gástrica e/ou Intestinal nos pacientes. Brasília, 2013.
10. COFEN. Site oficial: www.cofen.gov.br — consulte para resoluções atualizadas.
ROTEIRO DO ESTUDANTE — COFEN & COREN Prof.ª Nathalia Heloisa Paiva
Lei 5.905/1973 • Lei 7.498/1986 • Res. COFEN 564/2017 | Página 22
Roteiro elaborado pela Prof.ª Esp.ª Nathalia Heloisa Paiva — Curso Técnico em Enfermagem — Disciplina:
Legislação e Ética Profissional.
Conteúdo baseado na legislação vigente em 2025. Verifique sempre atualizações no site cofen.gov.br

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