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<p>Direito empresarial: sociedades</p><p>regulamentadas no Código Civil</p><p>Você vai conhecer os elementos básicos do direito empresarial e os modelos de sociedades previstos no</p><p>Código Civil.</p><p>Prof. Evandro Pereira Guimarães Ferreira Gomes</p><p>1. Itens iniciais</p><p>Propósito</p><p>Conhecer o direito empresarial é fundamental para o melhor desempenho da gestão da atividade econômica,</p><p>pois permite compreender a estrutura em que serão desempenhadas as funções da empresa.</p><p>Preparação</p><p>Tenha em mãos o Código Civil para uma consulta rápida aos artigos na ordem sequencial em que são</p><p>exibidos.</p><p>Objetivos</p><p>Reconhecer a atividade empresarial e as características do empresário.</p><p>Distinguir os tipos societários.</p><p>Identificar as regras de funcionamento das sociedades.</p><p>Introdução</p><p>O direito empresarial no Brasil, os modelos societários existentes e as regras para o funcionamento das</p><p>sociedades empresariais são fundamentais para todo gestor empresarial. Todas as normas abordadas aqui</p><p>estão previstas no Código Civil Brasileiro e são obrigatórias para empresários e sociedades empresárias em</p><p>funcionamento no Brasil. Discutiremos a importância das sociedades empresariais para a geração de riquezas</p><p>e para o desenvolvimento econômico e social do país.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>1. Atividade empresarial</p><p>Do caixeiro viajante ao empresário</p><p>O direito é um conjunto de normas destinadas a regular a atuação dos indivíduos em sociedade. Com suas</p><p>leis, normas e códigos, são estabelecidos comportamentos esperados por parte das pessoas. O direito</p><p>estipula as regras de como as atividades produtivas devem ser desenvolvidas.</p><p>Considerando que a estrutura do sistema jurídico brasileiro está formatada para o modelo do sistema</p><p>capitalista de produção, existem normas que promovem e incentivam o desenvolvimento das atividades</p><p>econômicas.</p><p>Essas normas buscam, de um modo equilibrado, proteger, ao mesmo tempo, as atividades econômicas, as</p><p>sociedades empresárias, os trabalhadores e consumidores, que estão envolvidos no processo de geração de</p><p>riqueza.</p><p>As normas de direito empresarial tratam precisamente de como devem se organizar os entes que</p><p>desenvolvem atividade econômica. Essa organização é necessária, uma vez que o exercício da</p><p>atividade empresarial conjuga uma série de fatores e elementos produtivos que dependem dessa</p><p>coordenação.</p><p>A busca pela ampliação de mercados para a troca de excedentes foi um dos motivos que levaram à expansão</p><p>do Império Romano. Da mesma forma, a Companhia das Índias Ocidentais, que resultou na invasão holandesa</p><p>ao Brasil, também buscava expandir seus mercados. Alguns autores chegam a configurá-la como uma</p><p>sociedade anônima, em razão de sua organização.</p><p>Cena do mercado romano, Johannes Lingelbach, 1653.</p><p>Inúmeros eventos históricos se relacionam com o exercício da atividade comercial pelo homem: mercantilismo,</p><p>Revolução Industrial, globalização. Todos foram motivados pelo exercício de práticas comerciais e, para poder</p><p>realizá-las com segurança, foi necessária a criação de regras específicas para esse ramo de atividades.</p><p>Esses eventos históricos nos mostram como a regulamentação das práticas comerciais evoluiu ao longo do</p><p>tempo. No contexto brasileiro, essa evolução também é evidente.</p><p>Vamos conferir as mudanças realizadas para o exercício de práticas comerciais no Brasil!</p><p>O comerciante de tapetes, Jean-Léon Gérôme, 1887.</p><p>O antigo Código Comercial foi todo recortado e apenas a parte relacionada ao comércio marítimo ainda</p><p>permanece em vigor.</p><p>Conteúdos referentes ao direito empresarial estão no Código Civil, não mais no Código Comercial –</p><p>que ainda é aplicável apenas para regular as transações econômicas que envolvem o transporte</p><p>marítimo.</p><p>A mudança do antigo Código Comercial pelo Código Civil de 2002 não foi apenas normativa: houve toda uma</p><p>reformulação teórica que acompanhou a alteração dos conteúdos.</p><p>O fundamento do antigo direito comercial</p><p>estava centralizado na figura do comerciante,</p><p>que sempre foi o responsável pelas obrigações</p><p>assumidas nas trocas comerciais ao longo do</p><p>desenvolvimento histórico da atividade</p><p>comercial.</p><p>A razão para esse destaque ao comerciante é</p><p>simples: ele era o elemento que executava os</p><p>atos de comércio, ou seja, as trocas comerciais.</p><p>A antiga teoria dos atos de comércio servia</p><p>para proteger o comerciante, aquele que</p><p>realizava e praticava atos de comércio</p><p>reconhecidos como tais.</p><p>A mudança nesse raciocínio veio com a construção da teoria da empresa, em oposição à teoria dos atos de</p><p>comércio. Essa nova teoria identificava a empresa, e não mais o comerciante, como o fundamento do direito</p><p>comercial.</p><p>Resumindo</p><p>A partir da mudança do antigo Código Comercial pelo Código Civil de 2002, a figura jurídica da empresa</p><p>passou a ser o elemento central a ser protegido e fomentado por meio do conjunto de normas jurídicas,</p><p>que passou a ser reconhecido como direito empresarial, não mais direito comercial.</p><p>Elementos do direito empresarial e a teoria da empresa</p><p>Antes de 2002</p><p>O país possuía o Código Comercial, elaborado</p><p>em 1950, que regulamentava o chamado</p><p>direito comercial e era dividido em três</p><p>partes: 1) Do comércio em geral; 2) Do</p><p>comércio marítimo; 3) Das quebras.</p><p>Após 2002</p><p>O Código Comercial foi substituído, em</p><p>sua primeira parte, pelo Código Civil de</p><p>2002, que alterou o Código Civil e</p><p>incorporou toda a parte sobre o</p><p>comércio em geral. Os processos que</p><p>regulam a falência e a recuperação</p><p>judicial agora se encontram na Lei n°</p><p>11.101, de 2005.</p><p>Quando falamos de direito empresarial, estamos nos referindo não apenas à teoria da empresa, mas também</p><p>às normas incorporadas pelo Código Civil. Os comercialistas não gostaram da mudança, pois consideram que</p><p>o direito comercial foi descaracterizado em sua essência, em prol do destaque dado ao seu aspecto</p><p>obrigacional.</p><p>Atualmente, existem projetos de lei tramitando no Congresso com o objetivo de reativar e atualizar o Código</p><p>Comercial, extrair o conteúdo do direito empresarial de dentro do Código Civil e restabelecer a autonomia do</p><p>direito comercial.</p><p>Tanto a teoria dos atos de comércio quanto a teoria da empresa nunca definiram de modo preciso</p><p>quem deveria ser identificado como comerciante ou como empresário. A razão é bem simples: o ato</p><p>de comerciar ou empresariar não é taxativo. As mudanças nos mercados, na economia e na vida</p><p>contemporânea não permitem uma categorização específica, sob pena de deixar de fora inovações</p><p>que possam ocorrer.</p><p>Para não correr o risco de inviabilizar inovações, tanto as normas do Código Comercial quanto as do Código</p><p>Civil tomam um caminho indireto: elas indicam quais atividades são consideradas empresariais e quais não</p><p>são. Portanto, os empresários são os que desenvolvem as atividades empresariais.</p><p>A partir da edição do Código Civil de 2002, com a incorporação da teoria da empresa, surge a necessidade de</p><p>considerar algumas definições técnicas em relação aos termos:</p><p>Empresa</p><p>Empresário</p><p>Sociedade empresária</p><p>Conceituação</p><p>Confira neste vídeo o conceito de atividade empresarial e as mudanças ocorridas antes e depois da edição do</p><p>Código Civil de 2002.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Atividades empresariais</p><p>Vamos examinar as definições técnicas de empresa, empresário e sociedade empresária, refletindo as</p><p>mudanças introduzidas pelo Código Civil de 2002 na compreensão desses termos.</p><p>Empresa</p><p>É a atividade organizada pelo empresário para a circulação de bens e serviços, visando à obtenção de</p><p>lucro. A expressão deixou de ser utilizada exclusivamente para designar a entidade organizada para</p><p>exploração de fins econômicos. Ela se tornou reconhecida como atividade econômica, abrangendo a</p><p>ação, o processo e o ato de empreender.</p><p>Empresário</p><p>É aquele que organiza os elementos de produção para efetivar o negócio, liderando e gerenciando a</p><p>atividade econômica organizada.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Sociedade empresária</p><p>É a entidade organizada pela atividade de circulação de bens e serviços, visando à obtenção de lucro,</p><p>ou seja, aquela que realiza os atos de empresa.</p><p>Considerando a Lei nº 10.406/02 (Código Civil), podemos</p><p>distinguir as definições técnicas dos termos a</p><p>seguir.</p><p>Pela definição legal, os indivíduos que exercem profissionalmente atividades intelectuais não podem ser</p><p>considerados empresários.</p><p>Exemplo</p><p>Um escritor muito famoso, criador de uma grande saga, que comercializa seus direitos autorais e cujos</p><p>filmes se tornam blockbusters, não é considerado empresário. Da mesma forma, um grande cantor</p><p>brasileiro, com uma sólida carreira artística, que ficou milionário com a sua própria produção, também</p><p>não é considerado empresário.</p><p>Determinadas atividades profissionais, que são desenvolvidas por meio do elemento intelectual, não se</p><p>enquadram no ato de empresariar. Qual a razão para isso?</p><p>O regime jurídico empresarial possui características específicas que não devem submeter os profissionais que</p><p>percorreram outros processos para alcançar suas atividades.</p><p>Os meios de atuação de um empresário e de um profissional liberal são muito distintos, a começar pelo seu</p><p>acesso. Vamos entender essa diferença!</p><p>Para entendermos melhor, voltemos ao exemplo anterior do famoso escritor: se um escritor, por meio de seus</p><p>atributos intelectuais, desenvolve uma grande obra literária e obtém lucro com ela, ele não pode ser</p><p>considerado empresário.</p><p>No entanto, se, em vez de vender seus direitos autorais para uma editora, ele cria sua própria editora e</p><p>articula o processo produtivo editorial – que inclui contratos de distribuição do livro para livrarias, produção</p><p>Empresário</p><p>O art. 966 declara que empresário é “quem</p><p>exerce profissionalmente atividade</p><p>econômica organizada para a produção ou a</p><p>circulação de bens ou de serviços”.</p><p>Não empresário</p><p>Segundo o parágrafo único do art. 966:</p><p>“não se considera empresário quem</p><p>exerce profissão intelectual, de natureza</p><p>científica, literária ou artística, ainda com</p><p>o concurso de auxiliares ou</p><p>colaboradores, salvo se o exercício da</p><p>profissão constituir elemento de</p><p>empresa”.</p><p>Empresário</p><p>A criação de uma sociedade empresária é</p><p>livre. Isso significa que para abrir um CNPJ,</p><p>você não precisa de um diploma de curso</p><p>superior. O reconhecimento como sociedade</p><p>empresária depende de processos de</p><p>produção em massa.</p><p>Profissional liberal</p><p>Para se tornar um profissional liberal é</p><p>necessário o ingresso em uma</p><p>faculdade e a conclusão do curso</p><p>superior, com a expedição de um</p><p>diploma. O profissional liberal pode</p><p>exercer individualmente sua profissão.</p><p>com gráficas e distribuição on-line da obra –, então ele poderá ser considerado empresário. Não pela</p><p>atividade de criação de uma obra literária (atividade intelectual), mas pelo exercício dos atos empresariais de</p><p>gestão, desempenhados como empresário.</p><p>Contadores, advogados, médicos, dentistas, veterinários, fisioterapeutas, economistas, farmacêuticos,</p><p>químicos, arquitetos, engenheiros e outros artistas e profissionais autônomos, ao realizarem suas profissões,</p><p>não exercem atividades empresariais. Consequentemente, as regras relativas às empresas, como a falência,</p><p>não se aplicam a esses profissionais.</p><p>No entanto, isso não significa que esses profissionais não possam criar uma sociedade empresária para</p><p>explorar atividades econômicas com o intuito de obter lucros.</p><p>Exemplo</p><p>Um engenheiro pode criar uma sociedade empresária no ramo da construção civil. No entanto, é</p><p>importante distinguir entre as atividades do engenheiro e as atividades empresariais. As atividades de</p><p>engenheiro precisam ser desempenhadas por alguém que possua diploma e registro no CREA. Para abrir</p><p>uma sociedade empresária que ofereça serviços de engenharia, não é necessário ser engenheiro.</p><p>Qualquer pessoa, como um economista, contador ou administrador, pode fazê-lo, e não é preciso ter</p><p>curso superior. Isso ocorre porque a gestão dos atos empresariais não pressupõe o elemento intelectual</p><p>para ser desempenhada.</p><p>Para distinguir uma atividade empresária de uma atividade não empresária, além do elemento intelectual que</p><p>se exclui da primeira, é necessário observar:</p><p>Se a atividade está sendo desenvolvida de modo organizado, demonstrando uma lógica nas etapas de</p><p>produção.</p><p>Se a atividade está sendo desenvolvida com profissionalidade e habitualidade, não sendo algo</p><p>esporádico.</p><p>Se existe o objetivo de lucro, de gerar renda por meio do desempenho daquela atividade.</p><p>Outro setor responsável por grande parte das trocas comerciais internacionais do Brasil e pela balança</p><p>comercial não é considerado atividade empresária: as atividades relacionadas à agropecuária. Trata-se de</p><p>uma compreensão atrasada e talvez bastante burguesa de que o trabalho desenvolvido no campo não possui</p><p>os elementos mercantis essenciais para caracterizar uma atividade como empresária.</p><p>Há muito tempo, essa visão poderia ainda ser válida. No entanto, nos dias atuais, com uma gama de produtos,</p><p>serviços e tecnologia de ponta presentes na produção agropecuária do país, é difícil acreditar que um</p><p>empresário rural precise de registro específico para ser considerado empresário.</p><p>O produtor rural só é considerado empresário caso realize o registro da sua atividade no Registro Público de</p><p>Empresas Mercantis. Isso é possível devido à facultatividade da escolha do local do registro dos atos</p><p>constitutivos da empresa.</p><p>Resumindo</p><p>Existem situações específicas que não permitem a atuação como empresário, nem a construção de uma</p><p>sociedade empresária. São aqueles casos de indivíduos impedidos de empresariar por determinação</p><p>legal.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Atividades empresariais</p><p>Falaremos neste vídeo sobre as atividades empresariais e como identificá-las, destacando suas principais</p><p>características e requisitos. Assista!</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Impedimentos legais</p><p>Essa determinação está prevista no art. 972 do Código Civil que diz que: “[...] podem exercer a atividade de</p><p>empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos”.</p><p>A restrição relacionada à capacidade civil deve-se ao fato de que menores não podem ser empresários.</p><p>Porém, isso não significa que menores não podem ser sócios.</p><p>Os menores incapazes ou relativamente capazes podem figurar como sócios em sociedades empresárias,</p><p>representados pelos pais ou assistidos por eles, sendo impedidos, todavia, de exercer a administração delas</p><p>pela falta de capacidade civil. A regra sobre a capacidade civil vale para todos.</p><p>Há algumas regras específicas que impedem certos profissionais de exercerem a atividade</p><p>empresarial. Essa proibição visa evitar prejuízos à sociedade, aos consumidores e à livre</p><p>concorrência.</p><p>Vamos conferir quais são os profissionais que estão impedidos legalmente de exercerem a atuação</p><p>empresarial:</p><p>Militares da ativa, integrantes das forças militares nacionais.</p><p>Servidores públicos civis, de todas as esferas da administração (Federal, Estadual e Nacional).</p><p>Juízes, em razão da incompatibilidade ética com o desempenho de suas atribuições e funções.</p><p>Médicos, em relação às farmácias, drogarias, óticas ou aos laboratórios de análises clínicas, por uma</p><p>questão de concorrência desleal.</p><p>Corretores e leiloeiros, em razão de vedação legal.</p><p>Empresários que já faliram e ainda não foram reabilitados.</p><p>Estrangeiros que não tenham residência no Brasil, sendo ainda vedados: o exercício da atividade</p><p>empresarial dedicada à pesquisa e à lavra de recursos minerais e ao aproveitamento do potencial de</p><p>energia hidráulica (por determinação constitucional, em razão da natureza estratégica de tais</p><p>mercados); o estrangeiro não naturalizado e o naturalizado há menos de dez anos, para explorar</p><p>empresa jornalística, de radiodifusão sonora e de sons e imagens.</p><p>Agentes políticos, com limitações em razão de não poderem participar de sociedades que tenham</p><p>negócios com o Estado, por uma questão de conflito de interesses.</p><p>Tipos de empresários individuais</p><p>Na atuação empresarial, existem diferentes formas de empreender, seja de forma individual ou coletiva. Agora,</p><p>vamos conhecer os tipos de atuações empresariais individuais disponíveis. Vamos lá!</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>1Empresário individual</p><p>Quem exerce atividades</p><p>de empresa organizando insumos, matéria-prima, fatores de produção, de</p><p>modo profissional e com habitualidade, com objetivo de promover a circulação de riqueza com bens</p><p>ou serviços economicamente valoráveis. Esse empresário individual responde com todos os seus</p><p>bens perante as obrigações assumidas em decorrência de suas atividades empresariais.</p><p>2</p><p>Microempreendedor individual (MEI)</p><p>São uma categoria de empresários com restrições quanto às atividades permitidas, detalhadas no</p><p>Portal do Empreendedor, um site governamental que guia a criação desses empreendimentos. Há</p><p>também um limite de faturamento anual de 81 mil reais por ano. Muitos MEI estão envolvidos em uma</p><p>prática chamada "pejotização" disfarçada, na qual o empregador encoraja o empregado a abrir um</p><p>CNPJ para reduzir custos indiretos e evitar responsabilidades trabalhistas.</p><p>3</p><p>Sociedade limitada unipessoal (SLU)</p><p>Nessa modalidade, também conhecida como Ltda. unipessoal, não há a exigência de um capital</p><p>social mínimo. Com a promulgação da Lei de Liberdade Econômica (Lei nº 13.874/19), foi oficializada</p><p>no Brasil a possibilidade de uma "sociedade de um". Isso implica que o empresário não precisa mais</p><p>procurar um sócio apenas por formalidade para abrir uma sociedade. A partir dessa lei, ele pode</p><p>estabelecer uma sociedade limitada com o capital social indicado e operar por meio dela sem a</p><p>necessidade de envolver terceiros.</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>Questão 1</p><p>No sistema jurídico nacional, não existe uma conceituação direta para a identificação da figura do empresário.</p><p>Essa conceituação é feita por meio das atividades que ele pratica. Nesse sentido, podemos dizer que</p><p>empresário é aquele que obtém lucro com o desenvolvimento de sua atividade profissional?</p><p>A</p><p>Sim, porque o que diferencia a atuação do empresário é a obtenção de lucros, em oposição às atividades sem</p><p>fins lucrativos, que não são empresárias.</p><p>B</p><p>Não, porque existem atividades profissionais que também geram lucro, mas que não podem ser consideradas</p><p>como atividades empresárias, por determinação legal.</p><p>C</p><p>Sim, porque a geração do lucro é o elemento central na definição de sociedade empresária.</p><p>D</p><p>Não, porque é necessário o elemento habitualidade no desempenho da atividade profissional para que se</p><p>caracterize como atividade empresária.</p><p>E</p><p>Sim, porque sem a geração de lucro há a descaracterização da atividade empresária.</p><p>A alternativa B está correta.</p><p>Existem atividades que não são consideradas empresárias pela legislação brasileira e, com isso, não</p><p>podemos reputar como empresários os indivíduos que exploram economicamente a atividade intelectual.</p><p>Questão 2</p><p>A família Doremi passou os últimos dois anos com problemas financeiros, em decorrência da demissão do</p><p>marido e da chegada de mais um irmão para os três filhos que já tinham em casa. Pensando em alternativas</p><p>para sair da crise, a mãe começou a fabricar bolos e doces para vender na vizinhança e na feira que era</p><p>realizada todo domingo. Seus doces começaram a fazer muito sucesso e se tornaram a principal fonte de</p><p>renda da família. A sra. Doremi decidiu formalizar a sua atividade para emitir nota fiscal e vender seus</p><p>produtos para restaurantes.</p><p>Marque a opção correta:</p><p>A</p><p>A sra. Doremi não pode abrir uma sociedade porque cozinhar não é uma atividade empresária, já que requer</p><p>conhecimentos técnicos específicos, no sentido de conhecer boas receitas e saber fazer comidas deliciosas.</p><p>B</p><p>A sra. Doremi pode oferecer os seus serviços de doceira na esquina, no Restaurante Di Casa, que já existe há</p><p>cerca de cinco anos e não possui doces no seu cardápio e, com isso, poderá emitir notas fiscais próprias.</p><p>C</p><p>A sra. Doremi pode abrir uma sociedade limitada unipessoal para vender seus produtos, uma vez que ela</p><p>exerce com habitualidade, organiza as etapas de sua produção e possuiu o objetivo de lucro.</p><p>D</p><p>A sra. Doremi só pode abrir um MEI para emitir as suas notas fiscais, visto que a atividade de confeiteira</p><p>independente está listada como uma das atividades permitidas para a criação de um CNPJ de</p><p>microempresário individual.</p><p>E</p><p>A sra. Doremi só poderá abrir uma sociedade anônima porque a atividade de confeitaria se enquadra nas</p><p>atividades permitidas na Lei das Sociedades Anônimas.</p><p>A alternativa C está correta.</p><p>A atividade de confeiteira pode ser uma atividade empresária, dependendo do modo como o empresário</p><p>organize o seu funcionamento. E de acordo com a sua estratégia, existem diversas opções de modelos que</p><p>ele pode utilizar para explorar o seu negócio: sociedade limitada unipessoal, MEI, EIRELI, empresário</p><p>individual e até mesmo uma sociedade empresária.</p><p>2. Espécies societárias</p><p>As diferentes espécies societárias e suas características</p><p>Confira neste vídeo as diferentes espécies de sociedades empresárias previstas no direito societário e como</p><p>identificá-las.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>De acordo com o art. 981, do Código Civil, a sociedade é constituída por pessoas (físicas ou jurídicas), que</p><p>reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a</p><p>partilhar entre si os resultados, sendo reconhecida como sujeito de direitos e obrigações pelo nosso</p><p>ordenamento jurídico.</p><p>Vamos conferir agora as características das diferentes espécies societárias.</p><p>1</p><p>Composição</p><p>As sociedades são entidades criadas para a exploração de uma atividade econômica com mais de</p><p>um empresário em sua composição. No caso do empresário individual, todo o risco do negócio está</p><p>centralizado apenas em um indivíduo, que responderá, conforme for o caso, com a integralidade de</p><p>seu patrimônio ou parte dele.</p><p>2</p><p>Riscos</p><p>São compartilhados na sociedade com terceiros: seja com um sócio (em uma sociedade limitada) ou</p><p>acionista (em uma sociedade anônima). Existem requisitos para estabelecer essa parceria comercial,</p><p>e um deles é o chamado affectio societatis, que se refere ao desejo e à intenção de permanecer</p><p>associado e manter o vínculo que constitui a sociedade.</p><p>3</p><p>Sócios</p><p>Unem-se para combinar esforços a fim de alcançar seus objetivos e o propósito social previsto. Eles</p><p>estão dispostos a enfrentar os riscos que surgem e a assumir os resultados do desempenho da</p><p>atividade, sejam eles favoráveis ou desfavoráveis. A característica mais significativa, que impulsiona</p><p>a formação e a existência da sociedade, é direcionada pelo comportamento dos sócios.</p><p>4</p><p>Ordem jurídica</p><p>Diz-se que as sociedades são uma “criação jurídica”, uma vez que sua existência ocorre por meio de</p><p>um reconhecimento da ordem jurídica. Isso porque, a partir do registro na Junta Comercial, a</p><p>sociedade torna-se uma pessoa jurídica distinta das demais pessoas que a constituíram.</p><p>5Personalidade jurídica</p><p>Passa a existir no mundo das obrigações por meio de ordenamento jurídico, com nome empresarial,</p><p>objeto social a ser desenvolvido, patrimônio próprio (distinto do patrimônio dos sócios) e obrigações</p><p>específicas.</p><p>Classificações de sociedades</p><p>A Lei nº 10.406/02 (Código Civil) adota a teoria da empresa, ampliando a abrangência do direito comercial.</p><p>Com isso, o estudo do direito comercial não se restringe apenas às sociedades empresárias, ou seja, aquelas</p><p>que exercem atividade própria de empresário, mas também abrange as sociedades não empresárias,</p><p>conhecidas como sociedades simples.</p><p>Vamos entender melhor a diferença entre sociedades empresárias e não empresárias a seguir.</p><p>Sociedades empresárias</p><p>São formadas por meio de um contrato firmado entre duas ou mais pessoas físicas ou jurídicas, que</p><p>organizarão os fatores produtivos para a exploração de atividade econômica com objetivo de produzir</p><p>lucro.</p><p>Sociedades não empresárias</p><p>São aquelas em que indivíduos se unem para realizar uma atividade econômica de forma regular,</p><p>eficiente e com fins lucrativos, sem serem oficialmente consideradas empresas. Por exemplo, um</p><p>grupo de profissionais liberais pode formar uma sociedade para exercer sua atividade de forma</p><p>organizada, visando lucro, mas sem se enquadrar na definição legal de empresário. Nesses casos,</p><p>embora possam associar-se</p><p>para realizar a atividade econômica, não se tornam empresários. Tais</p><p>sociedades são geralmente classificadas como simples, conforme previsto pelo sistema jurídico, que</p><p>permite a cooperação entre indivíduos para explorar atividades econômicas que não se enquadram na</p><p>categoria empresarial.</p><p>As sociedades podem ser compostas por indivíduos ou por outras sociedades empresárias e essa situação é</p><p>extremamente comum. Os grupos que são formados por outras empresas também são chamados de grupos</p><p>empresariais.</p><p>A sociedade empresária é classificada como uma pessoa jurídica de direito privado, diferenciando-</p><p>se das pessoas naturais (ou físicas) e das pessoas jurídicas de direito público, como a União, os</p><p>estados, os municípios e o Distrito Federal.</p><p>De acordo com o nosso Código Civil, as sociedades podem ser divididas, em razão de seu registro, do</p><p>seguinte modo: sociedades personificadas e sociedades não personificadas. Vamos conferir!</p><p>Sociedades personificadas</p><p>Dizer que uma sociedade é personificada significa que ela possui personalidade jurídica, ou seja, está inscrita</p><p>no Registro Público das Empresas Mercantis ou no Registro Civil das Pessoas Jurídicas.</p><p>Essas sociedades podem ser organizadas tanto para o desenvolvimento de atividades econômicas</p><p>reconhecidas como empresárias quanto para aquelas que não são classificadas como empresárias pela lei,</p><p>como é o caso das sociedades simples.</p><p>Exemplo</p><p>Os escritórios de advocacia, os consultórios médicos e dentistas, e outros que exercem atividades</p><p>intelectuais de modo organizado, mas que não são considerados empresários.</p><p>Já as sociedades empresárias são as que praticam atos de empresa, ou seja, possuem como finalidade a</p><p>exploração de atividades empresárias. As sociedades empresárias também podem assumir formas distintas,</p><p>conforme esta classificação:</p><p>Sociedade em nome coletivo</p><p>Sociedade em comandita simples</p><p>Sociedade limitada</p><p>Sociedade anônima</p><p>Sociedade em comandita por ações</p><p>Existe ainda uma nova modalidade de sociedade que foi incluída pela recente Lei de Liberdade Econômica (Lei</p><p>nº 13.874/19), que instituiu oficialmente no Brasil a possibilidade de sociedade limitada unipessoal (SLU),</p><p>conforme apresentado no item sobre o exercício da função de empresário. Vamos entender melhor!</p><p>Os demais modelos de sociedade praticamente não são mais utilizados atualmente, pois os empresários</p><p>optam pelo modelo que oferece maior proteção patrimonial (sociedade limitada) ou maior acesso ao</p><p>financiamento do negócio (sociedade anônima).</p><p>Sociedades não personificadas</p><p>São sociedades que não possuem personalidade jurídica constituída, ou seja, não possuem patrimônio jurídico</p><p>próprio nem nome, mas são reconhecidas pelo direito devido às suas obrigações e deveres estabelecidos por</p><p>meio de um contrato. Isso significa que são válidas entre os contratantes, porém não geram efeitos perante</p><p>terceiros.</p><p>As sociedades não personificadas podem ser classificadas em comum ou em conta de participação. Confira</p><p>as diferenças!</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Antes da Lei de Liberdade Econômica</p><p>Não era possível formar uma sociedade com</p><p>menos de dois participantes, o que criava</p><p>uma anomalia. Na prática, muitas sociedades</p><p>tinham sócios com 1% a 0,1% do capital social,</p><p>desempenhando um papel irrelevante.</p><p>Após a implementação da Lei de Liberdade</p><p>Econômica</p><p>Foi legalmente instituída a opção de</p><p>criação de uma sociedade empresária</p><p>de responsabilidade limitada com</p><p>apenas um sócio, e o que a torna única</p><p>é a ausência da exigência de um</p><p>patrimônio mínimo.</p><p>Sociedades não personificadas em comum</p><p>Realizam atividades comerciais, mas não se registraram oficialmente como empresas mercantis.</p><p>Chamamos essas empresas de sociedades de fato ou irregulares. O ponto importante é que mesmo</p><p>sem registro, elas podem ser reconhecidas legalmente como empresas. Isso quer dizer que elas têm</p><p>que cumprir compromissos e obrigações com terceiros, mesmo sem registro. A consequência é que,</p><p>sem o registro, os donos da empresa são responsáveis ilimitadamente, podendo perder seus bens. A</p><p>lei pune quem não segue as regras e protege terceiros de serem prejudicados por problemas</p><p>desconhecidos.</p><p>Sociedades não personificadas em conta de participação</p><p>São aquelas não registradas pelos sócios, chamadas de sociedades ocultas, em que o valor é</p><p>reconhecido apenas internamente. Elas surgem quando uma parte busca investimento sem revelar a</p><p>parceria ou produto publicamente, como em algumas startups financiadas assim. Nesse modelo, os</p><p>participantes estabelecem direitos e deveres entre si, sem criar um nome empresarial ou obter um</p><p>CNPJ, focando em compartilhar lucros. Podem limitar-se a uma operação específica, e os acordos têm</p><p>validade apenas entre os sócios. Apesar de não registradas, não são consideradas irregulares,</p><p>podendo o contrato ser registrado em cartório de títulos e documentos.</p><p>Além da distinção entre sociedades personificadas e não personificadas, existem outras formas de</p><p>classificação entre as sociedades, por exemplo, com base na responsabilidade dos sócios, na nacionalidade</p><p>da sociedade, na distinção entre sociedade de pessoas e sociedade de capital, entre outros aspectos mais</p><p>teóricos sobre a constituição e o funcionamento das sociedades.</p><p>Dada a natureza objetiva desse tema, serão enfocadas as modalidades de sociedades mais comumente</p><p>utilizadas: a sociedade de responsabilidade limitada por cotas e a sociedade anônima.</p><p>Sociedade limitada (Ltda.)</p><p>É composta por apenas uma categoria de sócios, conhecidos como cotistas. Seu capital social é formado pela</p><p>soma dos valores das cotas sociais, representando o aporte financeiro ou de bens que cada sócio contribui,</p><p>integrando assim o patrimônio social.</p><p>Essa contribuição pode ser em dinheiro ou em bens, conferindo direitos e deveres a cada sócio,</p><p>especialmente o direito de participar dos resultados da sociedade, sejam eles positivos ou negativos.</p><p>A sociedade limitada é o modelo mais comumente adotado no país devido à limitação da</p><p>responsabilidade de cada sócio ao valor de suas cotas na sociedade. Apesar disso, todos os sócios</p><p>respondem solidariamente pela integralização do capital social, o que também a caracteriza como</p><p>sociedade por cotas de responsabilidade limitada.</p><p>Essa responsabilidade dos sócios pela integralização das cotas é uma etapa muito relevante no processo de</p><p>construção da sociedade porque, caso as cotas não sejam integralizadas, os sócios respondem pela</p><p>integralização.</p><p>O sócio tem o direito de deixar a sociedade, cedendo ou vendendo suas cotas, mesmo sem a aprovação dos</p><p>demais sócios, desde que o contrato social não proíba essa possibilidade ou não estabeleça o contrário. No</p><p>entanto, essa transferência pode ser impedida se mais de um quarto dos titulares do capital social se opuser</p><p>formalmente.</p><p>Vamos conferir agora como ocorre a administração e as deliberações em uma sociedade limitada.</p><p>Administração da sociedade limitada</p><p>Pode ser realizada por mais de uma pessoa, podendo ser sócios ou terceiros, e não é</p><p>necessariamente designada no contrato social, podendo ser feita por meio de um ato separado. No</p><p>entanto, um terceiro nomeado como administrador só poderá assumir o cargo após a lavratura do</p><p>termo de posse no livro de atas da administração. O contrato social pode determinar que todos os</p><p>sócios exerçam a administração da sociedade, mas, no caso da entrada de um novo sócio, essa</p><p>atribuição não é automática e deve ser formalmente estabelecida no instrumento de alteração do</p><p>quadro societário. Caso contrário, o novo sócio não terá autorização para exercer a administração da</p><p>sociedade.</p><p>Deliberações da sociedade limitada</p><p>As decisões, conforme o art. 1.010 do Código Civil, são tomadas por maioria de votos, com base nas</p><p>cotas de cada sócio, sendo a maioria absoluta mais da metade do capital. Em caso de empate, a</p><p>decisão é do maior número de sócios, ou, persistindo o empate, cabe ao juiz decidir. Essas decisões</p><p>são feitas em reuniões ou assembleias convocadas pelos administradores de acordo com a lei ou</p><p>contrato (art. 1.172 do Código Civil). As assembleias são obrigatórias</p><p>com mais de dez sócios, mas</p><p>podem ser dispensadas se todos estiverem presentes ou declararem antecipadamente conhecimento</p><p>dos detalhes. Quando todos os sócios concordam por escrito, tanto reunião quanto assembleia</p><p>podem ser dispensadas. Em algumas situações, uma assembleia anual é necessária para aprovar o</p><p>balanço, nomear administradores e prestar contas, dentro dos primeiros quatro meses após o fim do</p><p>exercício social, conforme definido no contrato social.</p><p>Sociedade anônima (SA)</p><p>É uma pessoa jurídica de direito privado de natureza mercantil, cujo patrimônio é dividido em ações, limitando</p><p>a responsabilidade dos acionistas ao preço de emissão das ações subscritas - o compromisso assumido pelo</p><p>interessado na compra da ação.</p><p>Esse processo preliminar à aquisição de ações é efetivamente a compra das ações por terceiros interessados</p><p>ou adquirentes. A SA é regulamentada pela Lei nº 6.404/76.</p><p>Aqui estão as duas espécies de sociedades anônimas. Veja!</p><p>Agora, vamos conferir como ocorre a administração e os valores mobiliários em uma sociedade anônima.</p><p>Administração da sociedade anônima</p><p>A Lei nº 6.404/76 organiza a administração das sociedades anônimas, distribuindo o poder entre</p><p>órgãos como a assembleia geral, o conselho de administração, a diretoria e o conselho fiscal. O</p><p>acionista controlador, definido pelo art. 116 da mesma lei, detém a maioria dos votos em assembleias</p><p>e, portanto, elege os administradores. Ele também tem influência sobre as atividades da empresa e</p><p>seus órgãos. No entanto, o parágrafo único do artigo mencionado destaca que o acionista controlador</p><p>deve agir em conformidade com o objeto social da empresa, sua função social e seus deveres para</p><p>com outros acionistas, funcionários e a comunidade.</p><p>Sociedades anônimas abertas</p><p>Possuem registro dos seus valores</p><p>mobiliários na Comissão de Valores</p><p>Mobiliários (CVM) e os negociam no mercado</p><p>de valores mobiliários.</p><p>Sociedades anônimas fechadas</p><p>Não possuem registro na Comissão de</p><p>Valores Mobiliários (CVM), e os valores</p><p>mobiliários são negociados diretamente</p><p>por seus fundadores na constituição, e</p><p>pelos diretores após a constituição.</p><p>Valores mobiliários da sociedade anônima</p><p>A Lei nº 6.385/76 regula o mercado de valores mobiliários e enumera, em seu art. 2º, o que são</p><p>considerados valores mobiliários, incluindo ações, partes beneficiárias, debêntures e bônus de</p><p>subscrição, os quais são emitidos e negociados por sociedades anônimas com o objetivo de captar</p><p>recursos financeiros no mercado. Diferentemente dos outros valores mobiliários, a posse de ações</p><p>confere ao titular a qualidade de sócio, permitindo-lhe participar da vida da sociedade e, dependendo</p><p>do tipo de ação detida, desfrutar de privilégios e vantagens em relação aos demais. Outros tipos de</p><p>valores mobiliários correspondem a investimentos financeiros vinculados a mecanismos específicos</p><p>de remuneração.</p><p>Sociedade simples</p><p>As sociedades não empresariais são formadas por duas ou mais pessoas que buscam lucro, mas sem a</p><p>estrutura empresarial, com cada sócio contribuindo diretamente com seu conhecimento em áreas científicas,</p><p>literárias ou artísticas.</p><p>Exemplo</p><p>Sociedades de médicos, odontólogos, contadores etc.</p><p>Além das sociedades não empresariais, as cooperativas também são estabelecidas como sociedades simples.</p><p>O Código Civil, a partir do art. 997, estabelece as características da sociedade simples, que se aplicam</p><p>subsidiariamente a todas as demais sociedades, na ausência de particularidades específicas.</p><p>É importante destacar que a sociedade simples deve limitar-se à atividade para a qual foi criada, como a</p><p>prestação de serviços relacionados à habilidade técnica e intelectual dos sócios, evitando a inclusão de</p><p>demais serviços que poderiam transformá-la em uma sociedade empresarial.</p><p>Qual é o melhor modelo de sociedade?</p><p>Depende (como muitas respostas jurídicas são). Depende do modelo de negócios que o criador da empresa</p><p>tem em mente. Depende dos objetivos que se pretende alcançar com a criação daquela sociedade. A</p><p>finalidade, a ideia do comércio e a oportunidade vêm antes de decidir qual tipo de sociedade deve ser</p><p>escolhido.</p><p>Caso queira desenvolver um produto a ser comercializado em massa, por exemplo, uma vacina que terá</p><p>distribuição mundial, a sociedade anônima pode ser uma boa opção, pois permitirá arrecadar valores e</p><p>alavancar investimentos nos produtos que se pretende desenvolver.</p><p>Se a opção for mais modesta, por exemplo, a criação de uma linha de acessórios infantis, ou de uma marca de</p><p>roupas homewear do tipo pijamas chiques, com distribuição e mercado regionais, ou ainda para participar de</p><p>feiras, pode ser que a melhor opção seja uma sociedade de cotas por responsabilidade limitada.</p><p>A grande aposta da Lei de Liberdade Econômica, com a criação da sociedade unipessoal de responsabilidade</p><p>limitada, é a de que a sociedade limitada unipessoal (SLU) será o modelo de sociedade mais utilizado</p><p>futuramente por causa de suas facilidades.</p><p>Classificação das sociedades</p><p>Vamos falar neste vídeo sobre os diferentes tipos societários e esclarecer as diferenças entre a sociedade</p><p>empresária e a não empresária. Assista!</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>Questão 1</p><p>Existem diversos tipos societários previstos em nossa legislação. Sobre esse assunto, classifique em</p><p>verdadeiras (V) ou falsas (F) as assertivas abaixo e, depois, marque a alternativa certa.</p><p>( ) As sociedades simples exercem atividade empresária.</p><p>( ) Não é admissível a sociedade limitada composta por apenas um sócio.</p><p>( ) Sociedades empresárias em comum exercem atividade econômica empresarial, mas não estão</p><p>regularmente inscritas no registro de sociedades mercantis.</p><p>( ) As sociedades em conta de participação são uma das espécies de sociedades personificadas.</p><p>A</p><p>V – V – F – V</p><p>B</p><p>F – F – V – F</p><p>C</p><p>F – V – F – V</p><p>D</p><p>F – F – V – V</p><p>E</p><p>V – F – F – F</p><p>A alternativa B está correta.</p><p>As sociedades simples são sociedades que não exercem atividade econômica empresária, configurando</p><p>sociedades civis. Quanto à segunda assertiva, cabe lembrar que é admitida a sociedade limitada</p><p>unipessoal. A terceira afirmativa é verdadeira, pois as sociedades empresárias em comum não se</p><p>encontram devidamente registradas. Finalmente, as sociedades em conta de participação não são</p><p>personificadas, configurando um acordo entre as partes.</p><p>Questão 2</p><p>Antônio e Pedro formaram-se no curso de engenharia química e, ao longo do estágio que realizaram juntos,</p><p>descobriram uma fórmula que permitia transformar a cor do café, sem alterar o seu sabor. Depois de terem</p><p>patenteado a invenção, estruturaram um plano de negócios para viabilizar a comercialização de seu produto.</p><p>Entre as opções possíveis para a formalização do plano de negócios dos amigos, assinale as assertivas</p><p>verdadeiras e falsas e, depois, marque a alternativa certa.</p><p>( ) Como a atividade empresária será desempenhada pelos dois amigos, e o plano de negócios deles prevê a</p><p>comercialização do produto, não será possível optar pela sociedade em comandita.</p><p>( ) Como o produto foi descoberto pelos dois, em parceria, e eles integrarão a sociedade para levar o produto</p><p>à comercialização, não pode ser feito por meio de uma sociedade limitada unipessoal.</p><p>( ) Eles poderão abrir um MEI, uma vez que a atividade está listada como permitida para a atuação</p><p>empresária.</p><p>A</p><p>F – F – V</p><p>B</p><p>V – F – V</p><p>C</p><p>F – V – F</p><p>D</p><p>V – V – F</p><p>E</p><p>F – V – V</p><p>A alternativa D está correta.</p><p>De acordo com o caso apresentado, a única hipótese incorreta é a terceira, uma vez que o pressuposto do</p><p>MEI é que seja apenas um indivíduo e não uma dupla. O MEI não pode ser formado por mais de uma</p><p>pessoa.</p><p>3. Sociedades empresárias</p><p>Atos constitutivos e elementos dos contratos</p><p>Assim como nós, indivíduos, possuímos certidões de nascimento com dados essenciais, as pessoas jurídicas,</p><p>como empresas, têm seus equivalentes:</p><p>Contrato social, para sociedades limitadas por cotas.</p><p>Estatuto social, para sociedades anônimas.</p><p>Esses documentos detalham as elementos constitutivos</p><p>fundamentais de cada entidade, e é a partir dele que</p><p>inferimos questões relacionadas ao tipo de sociedade a que cada uma delas pertence.</p><p>Existem alguns elementos padrões nos contratos ou estatutos, ou seja, que aparecem em todos eles. São</p><p>elementos que definem minimamente a sociedade. Vamos conhecê-los!</p><p>Qualificação dos sócios</p><p>É fundamental para a identificação daqueles que são os responsáveis pela atuação da sociedade,</p><p>sejam eles pessoas físicas ou jurídicas. Devem constar, nessa parte, nome completo, CPF ou CNPJ,</p><p>residência, nacionalidade e todos os demais elementos que individualizem seus integrantes.</p><p>Denominação social</p><p>É o nome oficial pelo qual a sociedade é registrada, podendo ser formada pelos sobrenomes dos</p><p>sócios ou abreviações de seus nomes, desde que único e não registrado anteriormente. Já o nome</p><p>fantasia é o nome que consta no letreiro da loja ou do ponto empresarial. A expressão nome fantasia</p><p>decorre do fato de que, usualmente, o nome empresarial não é o mesmo que consta como título do</p><p>estabelecimento. Por exemplo, ao realizar compras com cartão de crédito, é comum não identificar o</p><p>estabelecimento pelo nome na fatura, que corresponde à denominação social da sociedade,</p><p>diferenciando-se do nome fantasia utilizado no dia a dia.</p><p>Objetivo social</p><p>Define as atividades a serem realizadas pela empresa. Embora as sociedades empresárias possam</p><p>atuar em diversos setores, é essencial que essas atividades estejam claramente descritas no objeto</p><p>social. Em certos casos, como para participar de licitações específicas, é importante que a empresa</p><p>tenha as atividades exigidas em seu objeto social para se qualificar. Por exemplo, para concorrer a</p><p>uma licitação de concessão de bloco petrolífero, a empresa deve ser descrita como produtora de</p><p>petróleo e gás natural, não bastando apenas fornecer serviços de enfermagem. O Cadastro Nacional</p><p>de Atividades Econômicas (CNAE), mantido pelo IBGE, é uma importante ferramenta para consultar as</p><p>atividades que as empresas podem desenvolver.</p><p>Formas de integralização do capital</p><p>A integralização do capital subscrito pelo sócio pode ser realizada de uma só vez ou em parcelas,</p><p>mediante aceitação da sociedade. Como a responsabilidade dos sócios é solidária, caso um deles</p><p>deixe de cumprir com essa obrigação, a sociedade pode tomar medidas, como designá-lo como sócio</p><p>remisso, assumir sua parte ou transferi-la a terceiros, e eventualmente excluí-lo da sociedade,</p><p>restituindo-lhe o que já foi pago. Todas essas possibilidades devem ser detalhadas no contrato social,</p><p>desde as disposições gerais até as especificidades de cada caso.</p><p>•</p><p>•</p><p>Sede da sociedade</p><p>É o local onde suas atividades de uma sociedade são desenvolvidas, podendo ter mais de uma sede,</p><p>mas elas precisam estar descritas no contrato social. É o modo de localização geográfica da</p><p>sociedade, mesmo que desenvolva serviços virtualmente. Mesmo empresas multinacionais, como a</p><p>Amazon e o Facebook, têm sedes registradas nos diversos países onde operam, mesmo que suas</p><p>atividades sejam predominantemente virtuais.</p><p>Responsabilidades dos sócios</p><p>Vão variar de acordo com a modalidade de sociedade adotada. Cerca de 90% das companhias</p><p>abertas no Brasil optam pelo modelo de sociedades por cotas de responsabilidade limitada e é nesse</p><p>item que são especificadas as responsabilidades de cada sócio.</p><p>Administração da sociedade</p><p>Deve constar no contrato social qual sócio irá responder judicial e extrajudicialmente pela</p><p>administração da sociedade, ou seja, aquele que efetivamente atuará em nome da sociedade. Essa</p><p>função intitulada de “administrador” pode ser desempenhada por um dos sócios, desde que não haja</p><p>impedimentos para tanto, e poderá também constar no documento o valor do pró-labore a ser</p><p>recebido por ele.</p><p>Direitos e obrigações de cada um dos sócios</p><p>Podem ser descritos também nesse documento o que se espera no desempenho da atividade de</p><p>cada sócio e o que estará impedido de ser realizado. Um exemplo pode ser a cláusula de não</p><p>concorrência, ou a cláusula de não competitividade, que impede que um sócio de determinada</p><p>sociedade seja também sócio em outra concorrente.</p><p>Cláusula de encerramento do exercício social</p><p>Período de atividades da sociedade, determinando quando devem ser apresentados o balanço</p><p>patrimonial, inventário e os resultados econômicos. Esse período pode ou não coincidir com o ano</p><p>fiscal.</p><p>Cláusula de eleição de foro contratual</p><p>Determina o local onde serão resolvidas as disputas decorrentes do contrato. Geralmente, o foro é o</p><p>mesmo local da sede da sociedade ou onde ela desenvolve suas atividades. Também é possível optar</p><p>pela arbitragem comercial, especificando o tribunal arbitral e as regras aplicáveis às disputas. No caso</p><p>da arbitragem comercial, é comum escolher um tribunal estrangeiro especializado para certos temas</p><p>e setores. Nesse caso, é importante definir como serão divididos os custos do procedimento arbitral,</p><p>que podem ser mais elevados do que os custos judiciais.</p><p>É importante ressaltar que não basta a elaboração de um excelente contrato social se este não for</p><p>devidamente registrado na Junta Comercial!</p><p>Enquanto os atos constitutivos não forem registrados, a sociedade será regida pelas regras de uma sociedade</p><p>comum, ou seja, os sócios responderão integralmente com seus respectivos patrimônios pelas dívidas da</p><p>sociedade.</p><p>Quais documentos efetivamente criam a sociedade?</p><p>Acompanhe neste vídeo os documentos necessários para abertura de uma sociedade, destacando os</p><p>elementos padrões nos contratos ou estatutos e a importância do registro.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Restrição da constituição societária</p><p>Embora a constituição de uma sociedade ofereça ampla liberdade, algumas restrições se aplicam, seja devido</p><p>à qualificação de um dos sócios ou às exigências de setores específicos da economia para iniciar um</p><p>empreendimento.</p><p>Vejamos quais são as circunstâncias em que as restrições são aplicadas.</p><p>Relação marital, com regime de comunhão universal de bens</p><p>Prevalece a proteção do patrimônio da família. No entanto, essa restrição ocorreu após a edição do</p><p>Código Civil, que é de 2002, sendo possível existirem ainda sociedades com esse tipo de</p><p>configuração.</p><p>Sociedades estrangeiras</p><p>Sua atuação depende da autorização por parte do Poder Executivo. O Departamento de Registro</p><p>Empresarial e Integração (DREI) é responsável pela tramitação. Elas devem acrescentar ao nome a</p><p>expressão “do Brasil” ou “Brasileira”. Com a sua abertura, elas se sujeitam às leis nacionais e também</p><p>poderão se naturalizar, mas devem trazer a sua sede para o Brasil.</p><p>Alguns setores possuem requisitos específicos para a criação de sociedades, demandando maior atenção do</p><p>Estado, seja pelo Poder Executivo ou por agências reguladoras. Essas entidades estabelecem critérios e</p><p>restrições para garantir conformidade e segurança na operação das empresas nesses setores.</p><p>Setores estratégicos, ligados ao abastecimento e à segurança nacional, frequentemente apresentam</p><p>requisitos específicos para a constituição de sociedades. Eles se destacam em importância no</p><p>desenvolvimento econômico e nacional, diferenciando-se de outros mercados, como a comercialização de</p><p>produtos alimentícios e vestuários.</p><p>Vejamos alguns desses setores!</p><p>Sociedades ou instituições financeiras</p><p>Em razão da Lei nº 4.728/65, todas as sociedades que atuem no mercado financeiro, comercializem</p><p>títulos financeiros, sejam corretoras, administrem fundos de títulos ou valores mobiliários devem</p><p>receber autorização específica do Banco Central do Brasil para funcionar.</p><p>Sociedades que comercializem seguro</p><p>Nos termos do Decreto-lei n° 73/66, as sociedades que comercializam resseguro, capitalização e</p><p>previdência, de igual forma, necessitam de autorização para funcionamento.</p><p>Sociedade operadoras de planos de saúde</p><p>Por força da Lei n° 9.656/96, necessitam de autorização especial para funcionar.</p><p>Restrição da constituição societária</p><p>Neste vídeo, falaremos sobre as restrições de constituição societária, abordando como elas podem estar</p><p>relacionadas</p><p>a um dos sócios ou ao setor econômico específico em que a empresa atua. Confira!</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Aquisição de personalidade jurídica</p><p>A personalidade jurídica é conferida às sociedades devidamente registradas no Registro de Empresas</p><p>Mercantis ou no Registro de Pessoas Jurídicas, proporcionando uma identificação única por meio do CNPJ</p><p>(Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica).</p><p>A aquisição da personalidade jurídica ocorre através do registro público das sociedades, regulado pela Lei nº</p><p>8.934/94 e pelo Decreto nº 1.800/96. O serviço é conduzido pelo Sistema Nacional de Registro de Empresas</p><p>Mercantis. Conheça a composição do Sinrem!</p><p>Departamento Nacional de Registro do Comércio (DNRC)</p><p>Desempenha função supletiva no campo administrativo e, no técnico, exerce função normativa, de</p><p>supervisão, orientação e coordenação, com competência nacional.</p><p>Juntas Comerciais (JC)</p><p>Têm jurisdição estadual e estão administrativamente subordinadas a cada estado, tecnicamente ao</p><p>DNRC. Cada estado tem sua própria Junta Comercial, responsável por serviços como registro,</p><p>matrícula e cancelamento, arquivamento de atos constitutivos e autenticação de documentos de</p><p>empresários e profissionais, como leiloeiros, sujeitos a registro. O registro e arquivamento do ato</p><p>constitutivo conferem personalidade jurídica, emitindo pela Junta Comercial o Número de</p><p>Identificação de Registro de Empresa (NIRE).</p><p>Mais do que um simples número, a criação de uma pessoa jurídica traz aos seus integrantes uma garantia: de</p><p>que eles não terão seu patrimônio pessoal afetado em caso de insucesso.</p><p>A ideia de separar o patrimônio dos sócios ou acionistas das sociedades é um reconhecimento por</p><p>parte da legislação de que os riscos inerentes aos negócios não devem penalizar, a priori, aqueles</p><p>que exploram comercialmente uma atividade econômica.</p><p>Uma sociedade que ainda não está registrada, não significa que não exista. O direito societário reconhece seu</p><p>funcionamento e obrigações, mas ela será tratada como uma sociedade comum, em que os sócios respondem</p><p>integralmente com seus patrimônios pelas dívidas contraídas em nome da empresa.</p><p>Na tensão existente entre o sucesso e o fracasso empresarial, estão inseridas muitas variáveis que devem ser</p><p>consideradas, como a participação da sociedade na economia nacional, regional e local, a oferta de</p><p>empregos, o recolhimento de tributos, enfim, uma série de elementos que fazem das sociedades empresárias</p><p>um ponto fundamental para o nosso modelo econômico.</p><p>A seguir, veja quais são as vantagens e as desvantagens da personalidade jurídica.</p><p>Aquisição de personalidade jurídica</p><p>Neste vídeo, falaremos sobre os modos de aquisição da personalidade jurídica, explicando quando ela de fato</p><p>se constitui e os processos que garantem sua legalidade. Não deixe de conferir!</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Desconsideração da personalidade jurídica</p><p>Explore neste vídeo a teoria da desconsideração da personalidade jurídica e veja como ela permite</p><p>responsabilizar indivíduos por atos de suas empresas.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>A teoria da desconsideração da personalidade jurídica surge diante de situações como abuso ou confusão</p><p>patrimonial, em que não há distinção nítida entre os patrimônios da empresa e dos sócios. Isso ocorre quando,</p><p>por exemplo, a sociedade assume obrigações dos sócios, transfere ativos ou passivos sem efetivas</p><p>contraprestações, bem como se verificam atos de descumprimento da autonomia patrimonial.</p><p>Apenas por meio de sentença judicial, com direito de resposta dos acusados, a desconsideração da</p><p>personalidade jurídica pode ser decretada, visando satisfazer credores sem dissolver a sociedade. Essa</p><p>medida, prevista na legislação brasileira, permite em casos específicos alcançar o patrimônio dos sócios ou</p><p>acionistas, sem extinguir a entidade empresarial.</p><p>Exemplo</p><p>Quando, em função de dívidas pessoais do sócio, se utiliza a sociedade para encobrir o seu patrimônio e</p><p>não arcar com as suas obrigações perante os seus credores pessoais. Nesse contexto, também deve</p><p>estar presente a figura da confusão patrimonial entre a sociedade e o sócio.</p><p>Inicialmente, a legislação não definiu o abuso da personalidade jurídica ou a situação de confusão patrimonial,</p><p>deixando ampla margem de discricionariedade para o juiz. Com a Lei de Liberdade Econômica (LLE), foram</p><p>estabelecidos parâmetros mais específicos para a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade</p><p>jurídica.</p><p>Vantagens da personalidade jurídica</p><p>A empresa se separa financeiramente dos</p><p>indivíduos que a fundaram e de seus próprios</p><p>patrimônios, proporcionando aos</p><p>empresários certa tranquilidade de que seus</p><p>bens pessoais não serão afetados em caso de</p><p>falência.</p><p>Desvantagens da personalidade jurídica</p><p>Pode ser uma “brecha” para a utilização</p><p>deturpada do patrimônio da sociedade</p><p>em benefício de seus sócios ou</p><p>acionistas, desvirtuando sua finalidade.</p><p>Não são raros os casos em que a</p><p>sociedade quebra e os sócios saem do</p><p>processo sem o menor prejuízo.</p><p>O art. 50 do Código Civil, define que o desvio de finalidade ocorre quando a pessoa jurídica é</p><p>utilizada com o objetivo de lesar credores e cometer atos ilícitos por meio da sociedade. Essa</p><p>alteração permite que seja possível identificar os sócios ou acionistas que foram beneficiados pelo</p><p>uso abusivo da pessoa jurídica e que somente eles tenham seu patrimônio afetado.</p><p>A personalidade jurídica representa uma conquista significativa para o modelo econômico atual, porém, seu</p><p>uso inadequado por indivíduos pode distorcer o propósito das sociedades. O funcionamento adequado dessas</p><p>entidades é vital para a manutenção do sistema produtivo, gerando empregos, arrecadando tributos e</p><p>impulsionando inovações.</p><p>A função social da empresa, derivada do princípio constitucional da função social da propriedade, enfatiza a</p><p>importância do respeito às normas de funcionamento. Essa expressão destaca que, mesmo com um</p><p>proprietário, há uma finalidade comum para os bens e patrimônios, que não devem ser desvirtuados.</p><p>Ao reconhecermos a função social das sociedades empresárias, entendemos que há uma responsabilidade</p><p>que vai além dos interesses de sócios e acionistas: envolve também o bem-estar da comunidade, incluindo:</p><p>Empregados.</p><p>Consumidores.</p><p>Fornecedores.</p><p>Governo, que receberá o pagamento de seus tributos.</p><p>As sociedades empresárias integram um elo produtivo, um círculo virtuoso que produz e distribui riquezas na</p><p>sociedade, e a sociedade espera delas um funcionamento ético e correto no exercício de suas atividades.</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>Questão 1</p><p>A empresa Fraudes e Fakes Ltda. foi processada por seus credores, que obtiveram a desconsideração da</p><p>personalidade jurídica decretada por sentença. Os sócios Joselito das Neves e José Pereira foram</p><p>condenados pelo desvio de finalidade do objeto social da sociedade.</p><p>Marque a alternativa correta sobre o destino da sociedade Fraudes e Fakes Ltda.:</p><p>A</p><p>A empresa deverá recorrer da sentença, uma vez que a decretação da desconsideração da personalidade</p><p>jurídica violou o princípio da autonomia patrimonial da sociedade empresária.</p><p>B</p><p>Com a sentença extinguindo a personalidade jurídica da sociedade Fraudes e Fakes Ltda., ela será liquidada.</p><p>C</p><p>Diante da sentença decretando a desconsideração da personalidade jurídica da sociedade Fraudes e Fakes</p><p>Ltda., ela terá, na sequência, a decretação da sua falência e deixará de existir.</p><p>D</p><p>Com a decretação da desconsideração da personalidade jurídica, a autonomia patrimonial da sociedade será</p><p>momentaneamente suspensa para atingir os bens pessoais dos sócios e satisfazer a dívida dos credores, com</p><p>a manutenção da sociedade no mercado.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>E</p><p>Não poderia haver a desconsideração da personalidade jurídica da empresa Fraudes e Fakes Ltda., pois o</p><p>desvio de finalidade não é considerado uma justificativa válida.</p><p>A alternativa D está correta.</p><p>A desconsideração da personalidade jurídica não é instrumento para o</p><p>encerramento das atividades</p><p>empresárias da sociedade, sendo apenas uma ferramenta para corrigir o uso desvirtuado da pessoa</p><p>jurídica em casos de confusão patrimonial e abuso.</p><p>Questão 2</p><p>Joselito das Neves pretendia iniciar um negócio, mas sem assumir os ônus trabalhistas de seus funcionários.</p><p>Com isso, realizou um contrato social com seu cunhado, criando a sociedade Spertos Ltda., na modalidade</p><p>sociedade empresária por cotas de responsabilidade limitada, e não a registrou na Junta Comercial, prevendo</p><p>que, em casos de ações trabalhistas, não iriam localizar o registro da sociedade e, assim, escaparia desses</p><p>débitos.</p><p>Assinale a resposta correta para o caso em questão:</p><p>A</p><p>A sociedade empresária só se constitui a partir do registro de seu contrato social na Junta Comercial e a</p><p>ausência dele implica a inexistência para fins jurídicos da empresa.</p><p>B</p><p>A sociedade empresária, independentemente de seu registro, é válida, uma vez que a sua existência ocorre</p><p>com o exercício dos atos empresariais, limitando as responsabilidades dos sócios aos valores de suas cotas.</p><p>C</p><p>A sociedade que pratica atos empresariais sem ter o contrato social registrado na Junta Comercial é reputada</p><p>como sociedade comum e os sócios respondem ilimitadamente com seu patrimônio pelas dívidas contraídas</p><p>por ela.</p><p>D</p><p>A sociedade que pratica atos empresariais está em vigor e a responsabilidade dos sócios está limitada às suas</p><p>cotas, respondendo subsidiariamente cada um deles pelos débitos trabalhistas.</p><p>E</p><p>Uma vez que a sociedade empresária não tem o registro na Junta Comercial, não pode responder por</p><p>processos trabalhistas.</p><p>A alternativa C está correta.</p><p>A sociedade que pratica atos empresariais e não está registrada é reputada como sociedade comum, uma</p><p>das hipóteses das sociedades não personificadas, e implica a responsabilidade ilimitada dos sócios quanto</p><p>às dívidas contraídas pela mesma.</p><p>4. Conclusão</p><p>Considerações finais</p><p>Exploramos o papel fundamental das sociedades no cenário econômico do Brasil, compreendendo suas</p><p>atividades empresariais e aquelas que não se enquadram nesse perfil. Além disso, destacamos a figura do</p><p>empresário e suas responsabilidades para com as sociedades.</p><p>Analisamos a variedade de classificações das sociedades, seus métodos de constituição e os contratos que</p><p>regem suas operações, enfatizando a importância da personalidade jurídica. Também examinamos as</p><p>situações que podem levar à desconsideração dessa personalidade jurídica, visando responsabilizar os sócios</p><p>ou acionistas que abusam da estrutura societária.</p><p>Explore +</p><p>O conteúdo legislativo trabalhado pode ser encontrado no texto da Constituição Federal do Brasil de</p><p>1988 e no Código Civil.</p><p>No site da Receita Federal, você encontra as descrições das classificações de atividades econômicas</p><p>que podem ser desenvolvidas pelas sociedades empresárias.</p><p>Conheça mais sobre os microempreendedores individuais no site oficial do governo, o Portal do</p><p>Empreendedor.</p><p>Existem muitos filmes que exploram a temática das sociedades, recomendamos que assista ao</p><p>documentário A Corporação, que explica o funcionamento das sociedades e sua importância no mundo</p><p>atual, bem como a necessidade de estabelecermos regras para o seu bom funcionamento.</p><p>Referências</p><p>ALMEIDA, A. P. Manual das sociedades comerciais. São Paulo: Saraiva, 2005.</p><p>BERTOLDI, M. M.; RIBEIRO, M. C. P. Curso avançado de direito comercial. 7. ed. São Paulo: RT, 2013.</p><p>BORBA, J. E. T. Direito Societário, São Paulo: Atlas, 2015.</p><p>BRASIL. Casa Civil. Lei n. 4.728, de 14 de julho de 1965. Disciplina o mercado de capitais e estabelece medidas</p><p>para o seu desenvolvimento. Brasília, 1965.</p><p>BRASIL. Casa Civil. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Brasília,</p><p>1976.</p><p>BRASIL. Casa Civil. Lei n. 6.385, de 7 de dezembro de 1976. Dispõe sobre o mercado de valores mobiliários e</p><p>cria a Comissão de Valores Mobiliários. Brasília, 1976.</p><p>BRASIL. Casa Civil. Lei n. 8.934, de 18 de novembro de 1994. Dispõe sobre o Registro Público de Empresas</p><p>Mercantis e Atividades Afins e dá outras providências. Brasília, 1994.</p><p>BRASIL. Casa Civil. Lei n. 9.656, de 3 de junho de 1998. Dispõe sobre os planos e seguros privados de</p><p>assistência à saúde. Brasília, 1998.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>BRASIL. Casa Civil. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Brasília, 2002.</p><p>BRASIL. Casa Civil. Lei n. 11.101, de 9 de fevereiro de 2005. Regula a recuperação judicial, a extrajudicial e a</p><p>falência do empresário e da sociedade empresária. Brasília, 2005.</p><p>BRASIL. Casa Civil. Lei n. 12.441, de 11 de julho de 2011. Altera a Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002</p><p>(Código Civil), para permitir a constituição de empresa individual de responsabilidade limitada. Brasília, 2011.</p><p>BRASIL. Casa Civil. Lei n. 13.874, de 20 de setembro de 2019. Institui a Declaração de Direitos de Liberdade</p><p>Econômica. Brasília, 2019.</p><p>COELHO, F. U. Manual de direito comercial. 26. ed. São Paulo: Saraiva, 2014.</p><p>EIZIRIK, N. A Lei das S/A Comentada. São Paulo: Quartier Latin, 2011.</p><p>FORGIONI, P. A. A Evolução do Direito Comercial Brasileiro: Da mercancia ao mercado. São Paulo: RT, 2009.</p><p>FRANÇA, E. V. A. N. (coord.). Direito Societário Contemporâneo. São Paulo: Quartier Latin, 2009.</p><p>LAMY FILHO, A.; PEDREIRA, J. L. B. Direito das Companhias. Rio de Janeiro: Forense, 2017.</p><p>MARTINS, F. Curso de direito comercial: empresa comercial, empresários individuais, microempresas,</p><p>sociedades empresárias, fundo de comércio. Rio de Janeiro: Forense, 2010.</p><p>NEGRÃO, R. Curso de Direito Comercial e Empresa. v. 1, 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2020.</p><p>NETO, A. A. G. Direito de empresa. 4. ed. São Paulo: RT, 2012.</p><p>PARGENDLER, M. Cinco mitos sobre a história das sociedades anônimas no Brasil. In: KUYVEN, L. F. M.</p><p>(Coord.). Temas Essenciais de Direito Empresarial: Estudos em Homenagem a Modesto Carvalhosa. São Paulo:</p><p>Saraiva, 2012.</p><p>TOMAZETTE, M. Curso de direito empresarial: Teoria geral e direito societário, v. 1, 8. ed. rev. e atual. São</p><p>Paulo: Atlas, 2017.</p><p>BRASIL. Casa Civil. Lei n. 12.441, de 11 de julho de 2011. Altera a Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002</p><p>(Código Civil), para permitir a constituição de empresa individual de responsabilidade limitada. Brasília, 2011.</p><p>BRASIL. Casa Civil. Lei n. 13.874, de 20 de setembro de 2019. Institui a Declaração de Direitos de Liberdade</p><p>Econômica. Brasília, 2019.</p><p>COELHO, F. U. Manual de direito comercial. 26. ed. São Paulo: Saraiva, 2014.</p><p>EIZIRIK, N. A Lei das S/A Comentada. São Paulo: Quartier Latin, 2011.</p><p>FORGIONI, P. A. A Evolução do Direito Comercial Brasileiro: Da mercancia ao mercado. São Paulo: RT, 2009.</p><p>FRANÇA, E. V. A. N. (coord.). Direito Societário Contemporâneo. São Paulo: Quartier Latin, 2009.</p><p>LAMY FILHO, A.; PEDREIRA, J. L. B. Direito das Companhias. Rio de Janeiro: Forense, 2017.</p><p>MARTINS, F. Curso de direito comercial: empresa comercial, empresários individuais, microempresas,</p><p>sociedades empresárias, fundo de comércio. Rio de Janeiro: Forense, 2010.</p><p>NEGRÃO, R. Curso de Direito Comercial e Empresa. v. 1, 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2020.</p><p>NETO, A. A. G. Direito de empresa. 4. ed. São Paulo: RT, 2012.</p><p>PARGENDLER, M. Cinco mitos sobre a história das sociedades anônimas no Brasil. In: KUYVEN, L. F. M.</p><p>(Coord.). Temas Essenciais de Direito Empresarial: Estudos em Homenagem a Modesto Carvalhosa. São Paulo:</p><p>Saraiva, 2012.</p><p>TOMAZETTE, M. Curso de direito empresarial: Teoria geral e direito societário, v. 1, 8. ed. rev. e atual. São</p><p>Paulo: Atlas, 2017.</p><p>Direito empresarial: sociedades regulamentadas no Código Civil</p><p>1. Itens iniciais</p><p>Propósito</p><p>Preparação</p><p>Objetivos</p><p>Introdução</p><p>1. Atividade empresarial</p><p>Do caixeiro viajante ao empresário</p><p>Resumindo</p><p>Elementos do direito empresarial e a teoria da empresa</p><p>Conceituação</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Atividades empresariais</p><p>Empresa</p><p>Empresário</p><p>Sociedade empresária</p><p>Exemplo</p><p>Exemplo</p><p>Resumindo</p><p>Atividades empresariais</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Impedimentos legais</p><p>Tipos de empresários individuais</p><p>Empresário individual</p><p>Microempreendedor individual (MEI)</p><p>Sociedade limitada unipessoal (SLU)</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>2. Espécies societárias</p><p>As diferentes espécies societárias e suas características</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Composição</p><p>Riscos</p><p>Sócios</p><p>Ordem jurídica</p><p>Personalidade jurídica</p><p>Classificações de sociedades</p><p>Sociedades empresárias</p><p>Sociedades não empresárias</p><p>Sociedades personificadas</p><p>Exemplo</p><p>Sociedades não personificadas</p><p>Sociedades não personificadas em comum</p><p>Sociedades não personificadas em conta de participação</p><p>Sociedade limitada (Ltda.)</p><p>Administração da sociedade limitada</p><p>Deliberações da sociedade limitada</p><p>Sociedade anônima (SA)</p><p>Administração da sociedade anônima</p><p>Valores mobiliários da sociedade anônima</p><p>Sociedade simples</p><p>Exemplo</p><p>Qual é o melhor modelo de sociedade?</p><p>Classificação das sociedades</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>3. Sociedades empresárias</p><p>Atos constitutivos e elementos dos contratos</p><p>Qualificação dos sócios</p><p>Denominação social</p><p>Objetivo social</p><p>Formas de integralização do capital</p><p>Sede da sociedade</p><p>Responsabilidades dos sócios</p><p>Administração da sociedade</p><p>Direitos e obrigações de cada um dos sócios</p><p>Cláusula de encerramento do exercício social</p><p>Cláusula de eleição de foro contratual</p><p>Quais documentos efetivamente criam a sociedade?</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Restrição da constituição societária</p><p>Relação marital, com regime de comunhão universal de bens</p><p>Sociedades estrangeiras</p><p>Sociedades ou instituições financeiras</p><p>Sociedades que comercializem seguro</p><p>Sociedade operadoras de planos de saúde</p><p>Restrição da constituição societária</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Aquisição de personalidade jurídica</p><p>Departamento Nacional de Registro do Comércio (DNRC)</p><p>Juntas Comerciais (JC)</p><p>Aquisição de personalidade jurídica</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Desconsideração da personalidade jurídica</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Exemplo</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>4. Conclusão</p><p>Considerações finais</p><p>Explore +</p><p>Referências</p>