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Unidade 2 LEGISLAÇÃO COMERCIAL E DO CONSUMIDOR Aula 1 LEGISLAÇÕES COMERCIAL Videoaula: Legislações comerciais Videoaula: Legislações comerciais Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Neste vídeo nos aprofundaremos no estudo da legislação comercial. Assim, passaremos pelas corporações de ofício, pelos atos de comércio até chegarmos à teoria subjetiva moderna da empresa; iremos da figura do comerciante ao Code de Commerce, de 1808; do Código Napoleônico à Lei nº 556/1850, nosso Código Comercial, que ainda continua em vigor em relação ao direito marítimo. Por fim, analisaremos juntos um contorno importante do Código Civil em vigor. Ponto de Partida Ponto de Partida Olá, estudante! Iniciaremos nossos estudos com relação à legislação comercial e ao atual direito empresarial em nosso ordenamento jurídico. O material a seguir é extremamente didático e ótimo para se ter à mão diariamente; além disso, ele o ajudará a se preparar para o processo avaliativo. É importante conciliar Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA seus estudos com a consulta à legislação pertinente, mencionada nas próximas páginas. Você encontrará conteúdos que apresentam desde a legislação comercial em sua evolução histórica até o cenário legislativo e os desafios no exercício da profissão. Com informações importantes para ajudá-lo a rever todo o conteúdo. Sucesso é o que desejamos a você todos os dias. Bons estudos! Vamos Começar! Vamos Começar! Com relação à legislação comercial, iniciaremos nosso estudo com o Código Comercial em vigor, ou seja, a Lei nº 556, de 25 de junho de 1850 (legislação completa). Se é a primeira vez que teve acesso a essa informação, tenha ficado surpreso ao visualizar o ano de 1850. Fique tranquilo, pois a Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA partir de agora você compreenderá o que já foi revogado e o que ainda está em vigor. Com a entrada em vigor da Lei nº 10.406, de 2002, também conhecida como Código Civil, tivemos a unificação do Direito Civil e do Direito Comercial. O atual Código Civil revogou a primeira parte do Código Comercial: “Do Comércio em Geral” (até o art. 456) e a terceira também (“Das Quebras”). A legislação atual, que cuida da empresa em crise, é conhecida como a Lei de Recuperação e Falência (Lei nº 11.101/2005), passou recentemente por uma reforma através da Lei nº 14.112/2020. Ainda nessa esteira, é importante destacar que o Código Comercial de 1850, que ainda está vigor, preserva a segunda parte com a temática referente ao Comércio Marítimo. E o Código Civil, que recepcionou a primeira parte do Direito Comercial (a partir do art. 966 e seguintes), adotou a Teoria da Empresa, de origem italiana, em substituição à teoria dos atos de comércio (que era adotada pelo antigo Código Civil de 1916). Com a entrada em vigor da teoria da empresa, temos o nosso atual direito empresarial. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Na legislação em vigor também são várias modalidades de sociedades empresárias e simples, com os seus efeitos na legislação comercial. Entretanto, no exercício da profissão, em uma visão geral, você encontrará duas expressões importantes para o direito empresarial: A figura do empresário individual (pessoa física), presente no art. 966 do Código Civil. A figura da sociedade empresária (pessoa jurídica), podendo ser formada por pluralidade de pessoas ou de forma unipessoal. Ainda na estrutura conceitual, não podemos perder de vista a distinção entre a empresa, o empresário e o estabelecimento. Para somar a seus estudos, leia a seguir o trecho da obra, Direito Empresarial, da Editora Saraiva, elaborada pelos autores Edilson Chagas e Pedro Lenza: Tecnicamente, defende-se que a empresa seja designação a indicar fato jurídico que se identifica com o aspecto funcional da atividade negocial, hábil a fomentar a produção e circulação dos bens e serviços tão comuns e tão necessários a todos nós. Não seria recomendável, portanto, utilizar-se o vocábulo empresa como sinônimo Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA de sujeito de direito, pois, para tanto, há, no caso brasileiro, os conceitos de empresário e sociedade empresária; nem também como objeto de direito, pois há designativo específico a denominar o conjunto de bens que se fazem presentes na atividade empresarial e se integram no conceito de estabelecimento. (CHAGAS; LENZA, 2021, p. 28) Assim, a empresa é uma atividade, o titular dessa atividade é o empresário e o conjunto de bens é o estabelecimento. Para reforçar seu estudo, acesse também o conceito de empresário previsto no art. 966 do Código Civil. Siga em Frente... Siga em Frente... Abordamos anteriormente o conceito de empresário, considerado sujeito de direito, que pode atuar como uma pessoa física na condição de empresário individual ou de Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA sociedade empresária em se tratando de pessoa jurídica. Um exemplo clássico de pessoa física, que desenvolve atividade de empresário é o camelô. Prevê o art. 966 do Código Civil que aqueles que não podem atuar como empresários são: Os profissionais que exercem atividade intelectual. Aqueles que exercem função de natureza científica. Aqueles que exercem atividade de natureza literária ou artística, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores. A exceção a esse cenário se dá caso o exercício da profissão constitua elemento de empresa. Para se tornar empresário, quais seriam os requisitos? É considerado requisito essencial a capacidade de exercer os atos da vida civil, ou seja, ser pessoa física sem impedimentos para a atividade empresarial; além do rol elencado na maioria das obras jurídicas: Ter habitualidade. Perseguir o objetivo lucrativo na atividade econômica. Desenvolver os fatores de produção através da mão de obra, da matéria-prima, do capital e da tecnologia para a Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA produção ou para a circulação de bens ou serviços para o mercado. Dessas características da atuação do empresário, destacamos detalhadamente a sua estrutura de organização: Profissionalismo: profissional é a pessoa natural ou jurídica que, com habitualidade e em nome próprio, exerce uma atividade empresarial. Nesse sentido, é importante destacar que uma atuação aleatória não é considerada um ato empresarial. Atividade econômica: é a intenção de obter lucro. Atuação de forma organizada: o empresário, através dos fatores de produção, realiza atuação de forma organizada com insumos, tecnologia, capital e mão de obra para a realização da circulação de bens e serviços. O empresário precisa ter capacidade para exercer essa atividade econômica de maneira organizada. Sobre isso versam os arts. 972 e seguintes do Código Civil. Para aprofundarmos nosso estudo, é possível pontuar que nem todo aquele que tem capacidade civil terá capacidade empresarial. Para atuar como empresário, o indivíduo deverá também estar em pleno gozo dos atos da vida civil e Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA sem impedimentos jurídicos, como ocorre com um magistrado ou promotor de justiça, que são impedidos de exercer atividade empresarial. Se uma pessoa legalmente impedida de exercer a atividade própria de empresário a estiver exercendo, responderá pelas obrigações contraídas (art. 973 do Código Civil). Como condição de regularidade e para adquirir personalidade jurídica, é necessário o registro, previsto no art. 967 do Código Civil: é obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. O registro também será necessário para a sociedade empresária, além da constituição do capital social, ou seja, do investimento. O capital social é o numerário, na moeda corrente (R$), necessário para o desenvolvimento da atividade empresarial e a garantia dos credores. Ressaltamos anteriormente que a sociedade empresária, como regra geral, é formada por pluralidadeEconomia. Vamos vencer – Medidas de apoio ao setor produtivo. Gov.br, Brasília, c2023. Disponível em: https://www.gov.br/economia/pt-br/acesso-a- informacao/perguntas-frequentes/covid-19. Acesso em: 6 fev. 2023. CHAGAS, E. E.; LENZA, P. Direito empresarial. 8. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2021. (Coleção Esquematizado). COGNA. Aliança Brasileira pela Educação, [S. l., s. d.]. Disponível em: https://ava.aliancapelaeducacao.com.br/local/enrolform/clas ses/view/login.php. Acesso em: 6 fev. 2023. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA https://www.gov.br/economia/pt-br/acesso-a-informacao/perguntas-frequentes/covid-19 https://www.gov.br/economia/pt-br/acesso-a-informacao/perguntas-frequentes/covid-19 https://ava.aliancapelaeducacao.com.br/local/enrolform/classes/view/login.php https://ava.aliancapelaeducacao.com.br/local/enrolform/classes/view/login.phpde sócios. Recentemente, a legislação revogou o dispositivo que concedia o prazo de até 180 dias para regularizar a ausência de pluralidade de sócios, como nos casos de dissolução ou falecimento de um dos sócios. No entanto, temos exceções Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA no formato de unipessoalidade e, a seguir, você encontrará a fundamentação e os dispositivos previstos em nosso ordenamento jurídico que tratam dessa questão: Art. 15, Lei nº 8.906/1994 – Sociedade Individual de Advocacia. Art. 251, Lei nº 6.404/1976 – Subsidiária integral na Sociedade Anônima. Art. 44, VI do Código Civil – Pessoa jurídica paralela à sociedade. Art. 37, XIX da Constituição Federal – Empresa pública (criada por um ente federativo). Art. 1.052, § 1º e § 2º do Código Civil – acrescido pela Lei da Liberdade Econômica (Lei nº 13.874/2019). Assim, o empresário é todo aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços (art. 966, Código Civil), e a sociedade empresária poderá ser exercida de forma unipessoal ou em pluralidade de sócios. Vamos Exercitar? Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Vamos Exercitar? O mundo passou por um forte impacto econômico devido à pandemia de Covid-19 e ainda temos reflexos negativos de antes, durante e depois da pandemia. Alguns dos efeitos que podem ser observados são os vários segmentos que deixaram de existir no comércio e outros que surgiram. Ao se reinventarem com a impossibilidade de atividades presenciais e com apenas as atividades essenciais disponíveis nesse formato, migrar para o e-commerce foi uma questão de necessidade para muitos. Os principais desafios desse cenário estão relacionados ao empreender em tempos de crise econômica, financeira, patrimonial ou a causada pela Covid-19. Antes da falência do empresário ou da sociedade empresária, contamos com instrumentos para a recuperação da empresa, que pode ocorrer de forma extrajudicial, com acordo entre o devedor e os credores, ou, ainda, de forma judicial. Os instrumentos jurídicos para a Recuperação ou a Falência estão previstos na Lei nº 11.101 e, a seguir, destacamos dispositivo importante para o seu aprendizado: o art. 47. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica. (BRASIL, 2005, [s. p.], grifos nossos) Em breve, você estará atuando na área técnica e possivelmente encontrará um conceito ultrapassado de empresa, que é aquele que diz que ela é o meio exclusivo de obtenção de lucro. Hoje se entende que o princípio da função social de uma empresa é muito mais amplo. Podemos considerar, por exemplo, que um empresário, no mínimo, circula bens ou serviços, exercendo profissionalmente atividade econômica organizada. O impacto social na vida das pessoas reflete em uma governança ambiental e corporativa através de estratégias do ESG (Ambiental, Social e Governança, do inglês, Environmental, Social and Governance), que buscam o protagonismo das empresas e sua nova tendência. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Estamos em constantes transformações, e o perfil e a sobrevivência das empresas não é diferente. Quando visualizamos as conquistas dos nossos direitos e a evolução histórica da legislação comercial para as empresas, faz-se necessário distinguir ações coordenadas por um pequeno grupo de elite e instrumentos de agrupamento de seus funcionários em operações, quase sempre precárias. Na evolução histórica, a substituição dos trabalhos de mero escambo (troca de mercadorias ou serviços) se fez necessária para suprir o final do ciclo das necessidades do consumidor final. O afeto pode exprimir-se através do amor, da mágoa, dos ressentimentos, da decepção, do descontentamento, da felicidade, enfim, através dos sentimentos que envolvem a particularidade de cada indivíduo, assim como cada um responde a determinadas situações de conflito na família. Manter o equilíbrio da gestão corporativa com a afetividade dos sócios quotistas nas empresas familiares sempre foi e sempre será um grande desafio. Diante disso, é possível entender que esse desafio está intimamente conectado às empresas familiares. A maioria das sociedades em vigor possui vínculo de afetividade a maioria das sociedades em vigor possui vínculo de Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA afetividade aos novos formatos jurídicos de uma sucessão familiar. Quem ainda não trabalhou em uma empresa familiar possivelmente terá essa experiência ao longo da vida. Nos primórdios, o pai, chefe do grupo e responsável por todos, tomava as decisões e, caso viesse a falecer, tinha seu lugar ocupado pelo filho mais velho. Entretanto, estamos em novos tempos e, em casos como esse, se o indivíduo não deixar à disposição seu último ato de vontade através de testamento ou dispositivo no contrato social de uma empresa, por exemplo, um juiz imparcial, em uma ação de inventário, realizará a distribuição dos bens deixados pelo empresário ou sócio de uma sociedade empresária. No âmbito do direito empresarial, em especial no das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, é muito comum não haver previsão no contrato social quando ocorre a transferência involuntária de quotas no falecimento de um dos sócios. Saiba mais Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Saiba mais Recomenda-se aqui, para o aprofundamento de seus estudos sobre essa temática, a leitura do artigo Empreendendo em tempos de crise econômica, financeira ou patrimonial, publicado na Revista Científica da Academia Brasileira de Direito Civil. Referências Referências BRASIL. (1850). Lei nº 556, de 25 de junho de 1850. Código Comercial. Brasília: Presidência da República: [2002]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lim/lim556.htm. Acesso em: 6 fev. 2023. BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Brasília: Presidência da República, 2002. Disponível em: Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA https://abdc.emnuvens.com.br/abdc/article/view/44 https://abdc.emnuvens.com.br/abdc/article/view/44 https://abdc.emnuvens.com.br/abdc/article/view/44 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lim/lim556.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compil ada.htm. Acesso em: 4 fev. 2023. BRASIL. Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005. Regula a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária. Brasília: Presidência da República, 2005. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2005/lei/l11101.htm. Acesso em: 4 fev. 2023. CHAGAS, E. E.; LENZA, P. Direito empresarial. 8. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2021. (Coleção Esquematizado). GIACOMIN, R. Empreendendo em tempos de crise econômica, financeira ou patrimonial. ABDC – Academia Brasileira de Direito Civil, Rio de Janeiro, v. 3, n. 2, 2019. Disponível em: https://abdc.emnuvens.com.br/abdc/article/view/44. Acesso em: 4 fev. 2023. Aula 2 LEGISLAÇÕES DO CONSUMIDOR Videoaula: Legislações do consumidor Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11101.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11101.htm https://abdc.emnuvens.com.br/abdc/article/view/44 Videoaula: Legislações do consumidor Estudaremos, neste vídeo, os princípios constitucionais da livre iniciativa e da concorrência no direito empresarial com destaque para o sistema jurídico de recuperação da empresa em crise e para as empresas familiares que empreenderamem tempos de crise econômica, financeira, patrimonial ou causada pela pandemia sob a ótica da ordem econômica. Não deixe de assistir à videoaula, pois com certeza ela somará nos seus estudos. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Ponto de Partida Ponto de Partida Caro estudante, você teve a oportunidade de se debruçar, em nossa aula anterior, nos estudos iniciais sobre legislação comercial. A partir de agora, encontrará, nas próximas páginas, preceitos constitucionais importantes para o direito empresarial e a ordem econômica. Não mediremos esforços para estimular os seus estudos com uma linguagem acessível e sem juridiquês (termos jurídicos), mas ressaltamos o direcionamento anterior quanto a conciliar o seu aprendizado com a consulta à legislação pertinente. A ordem econômica está prevista na Constituição Federal, em nosso ordenamento jurídico. É fundamentada na valorização do trabalho humano e com estímulo da livre iniciativa, na área empresarial. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA O conteúdo a seguir conta com a evolução histórica da legislação em vigor e os principais temas no exercício da profissão, além de informações importantes para ajudá-lo a rever todo o conteúdo. Para muitos o direito empresarial é considerado difícil, porém jamais esqueça que a legislação comercial poderá ser o diferencial na sua carreira. A sua dedicação individual será essencial, para a fixação do conteúdo. Vamos juntos e bons estudos! Vamos Começar! Vamos Começar! A Constituição Federal, em seu art. 170, prevê a ordem econômica fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, assegurando a todos existência digna, nos ditames da justiça social. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA O Estado estimula a abertura de novas empresas ao assegurar o livre exercício de qualquer atividade econômica independentemente de autorização de órgãos públicos, à exceção dos casos previstos em lei. Com o recorte da legislação comercial, o direito empresarial, podemos considerar como a base do livre mercado dois princípios extremamente importantes para o nosso estudo: O princípio da livre iniciativa. O princípio da livre concorrência. Vários autores afirmam que a livre iniciativa envolve a liberdade da indústria e do comércio, e a liberdade de exercer atividade empresarial é também a liberdade de contratar. Quando pensamos no empresário brasileiro (como agente econômico que é), o seu perfil é extremamente otimista. Geralmente quando iniciam uma atividade empresarial, não possuem um planejamento estratégico ou uma análise de risco de mercado do seu segmento. E o que se torna frágil no cenário atual é o estímulo da livre iniciativa em tempos de crise econômica, financeira, patrimonial ou até mesmo causada pela pandemia do novo coronavírus. Sem deixar Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA margem à concorrência, inerente ao exercício da atividade empresarial e sem um modelo de negócio extremamente bem estruturado, o empresário poderá vivenciar no caso concreto, a transição de sua empresa saudável para, uma empresa em crise. Para o estímulo dessa atividade econômica no exercício da empresa, contamos com instrumentos para recuperá-la em tempos de crise. O que não podemos considerar em nenhuma análise jurídica na livre iniciativa é a concorrência desleal ou o abuso de poder. A fim de superar os desafios diários ao empreender, às vezes é necessário reinventar-se. Investir tempo, tecnologia e em capital financeiro para conquistar um espaço no mercado competitivo poderá ser a solução no caso concreto. Com a crise econômica causada pela pandemia, considerando indicadores apenas do nosso país, tivemos um resultado negativo com mais de 1,04 milhão de empresas que fecharam as portas, cenário extremamente preocupante. Para aqueles que pensam que o direito empresarial está distante de sua realidade, é importante analisar também que o índice de desemprego aumentou nesse período, atingindo diretamente a pessoa física. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Durante a pandemia, “[n]o primeiro trimestre de 2021, o país tinha 14,805 milhões de desempregados – pessoas de 14 anos ou mais que buscaram emprego, sem encontrá-lo, também o maior já registrado pela série histórica do IBGE” (CARNEIRO, 2021, [s. p.]). “A taxa de desemprego no segundo trimestre de 2022 atingiu 9,3%, foi o menor índice medido no período desde 2015, quando ficou em 8,4%. Já no último trimestre, o número de desempregados recuou 15,6% (NÚMERO..., 2022, [s. p.]). Isso, caro estudante, representa 1,9 milhão de pessoas a menos em busca de trabalho no País. Bons ventos sopram os números que estão na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Mais recentemente, tivemos um cenário de demissão em massa de grandes empresas, tais como Twitter, Amazon, Meta, entre outras, o que nos mostra que uma empresa operando em crise causa repercussões desastrosas no cenário empresarial e em vários segmentos ao operar com dívidas. Estudamos sobre a cultura do empresário em nosso país, é considerado extremamente otimista e para inaugurar um Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA novo negócio jurídico bem estruturado, será necessário planejamento estratégico e levar a registro. Destacamos que, em 2020, 1,04 milhão foram fechadas, mas, importante destacar que 3,36 milhões de empresas foram abertas no mesmo período, e o tempo médio necessário para abertura de empresas caiu 43% (MARTELLO, 2021). A esperança sempre se renova no direito empresarial e ficou comprovada a importância desse estudo. Destaca-se também, nesse contexto, a atuação dos especialistas e dos técnicos nas empresas para reverterem esse quadro preocupante. Siga em Frente... Siga em Frente... Nesta aula estamos estudando a legislação constitucional no contexto comercial. Nesse contexto, vimos a importância da ordem econômica prevista no art. 170 da Constituição Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Federal, que assegura a existência digna e o reflexo da atuação do empresário. A partir disso, estudaremos, neste bloco, a sociedade empresarial, tanto em um formato de sociedade de direito como de uma sociedade de fato. Em uma sociedade com vários sócios, é considerado um acordo de vontades entre eles os ajustes realizados em sua constituição, ainda que informal. Sendo assim, podemos considerar, em uma sociedade limitada, a responsabilidade limitada dos sócios, em sua quota parte do capital social (após a integralização do investimento realizado). Para aprofundar-se na temática, acesse o art. 1.052 e seguintes do Código Civil. Atualmente a família apresenta-se com um formato mais democrático e plural. O direito de família apresenta, em riqueza de detalhes, essa pauta. Para a legislação comercial, é necessário ousadia para aceitar formas familiares que possam corresponder à realidade e aos efeitos na ordem jurídica nas empresas familiares. Em uma empresa familiar, o formato de uma sociedade empresária seguirá os requisitos que abordaremos a seguir. Já estudamos que uma sociedade empresária pode ter um formato unipessoal, mas, geralmente, apresenta-se como a Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA junção de duas ou mais pessoas que unem esforços e capitais com o objetivo de desenvolver uma atividade econômica, visando lucro. Pode-se considerar como princípio basilar para a formação inicial de uma sociedade limitada o affectio societattis (declaração de vontade expressa e livre dos sócios em juntos constituir uma sociedade). Os requisitos essenciais para a constituição de uma sociedade empresária são: Partes capazes e sem impedimentos. Objeto lícito. Forma legal. Contribuição para formação do capital social. A função de uma sociedade empresária é norteada por princípios fundamentais vigentes, como a preservação da empresa, entre tantos outros. A sociedade empresária se reveste de instituição estruturada para a produção e circulação de bens e serviços,admitindo ou não o lucro, o que será questionado à luz de outros princípios constitucionais, em detrimento dos valores éticos que tenham por escopo a valorização da dignidade da pessoa humana. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Dos aspectos gerais de uma sociedade limitada, podemos considerar a divisibilidade de suas quotas em iguais ou desiguais (art. 1.055, Código Civil). E a administração é exercida por um dos sócios ou por todos, seguindo o dispositivo do contrato social em sua constituição. Dessa forma, as sociedades limitadas – antes denominadas “sociedades por quotas de responsabilidade limitada” –, a afetividade e as empresas familiares destacam-se historicamente como atividades econômicas organizadas que circulam bens e serviços. Destaca-se aqui, novamente, que a maioria das empresas em vigor são familiares, logo é importante que você se prepare para esse cenário no mercado de trabalho. Vamos Exercitar? Vamos Exercitar? Em plataformas do governo federal (disponíveis em Painel Coronavírus ou no site Covid-19 no Brasil ), você encontrará um painel interativo atualizado com o número de vítimas da Covid-19. Em consulta realizada em 20 de novembro de Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA 2022, constava nesses sites o triste número de 688.907 óbitos decorrentes da doença. Assim como os profissionais da saúde foram indispensáveis no período da pandemia, a área jurídica foi muito atuante com a legislação emergencial para socorrer os que dela precisavam. Das vítimas da Covid-19, tivemos vários empresários e sócios de sociedades empresárias. E, como sabemos não fazer parte da nossa cultura o planejamento sucessório, pode-se dizer que nas empresas não é diferente, o que gerou, nesse período, muitas dificuldades. Considerando a hipótese de falecimento de sócio consignada no art. 1.028 do Código Civil, as quotas de uma sociedade (uma parcela indivisível do capital) transferem-se imediatamente a seus herdeiros por força de sucessão. Com base na previsão legal do atual art. 1.784 do Código Civil, onde a herança transmite-se, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários. A importância das empresas familiares é fato notório no nosso ordenamento jurídico. Por isso, harmonizar a afetividade entre os quotistas e administrar com razão, do Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA ponto de vista de gestão nas organizações, quando colocam em prática as decisões dos seus gestores, é fundamental para a sobrevivência entre as gerações. Quando buscamos casos de sucesso, encontramos poucas empresas familiares que sobrevivem até a quarta geração. Para inspirar os seus estudos, destaca-se o famoso produto “leite de rosas”, que a nossa avó usava e que ainda continua em pleno vigor no mercado. Leite de Rosas é uma empresa familiar criada em 1929 e que sobreviveu por várias gerações. No entanto, essa não é a realidade da maioria dos empreendimentos, pois geralmente contamos com a mortalidade das empresas familiares na passagem de bastão para um sucessor já da primeira geração. O problema que ainda persiste é a ausência de planejamento sucessório. Do sistema jurídico para a recuperação de empresas, tivemos, durante a pandemia, a recomendação nº 63 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que aprovou um ato normativo para orientar juízes no tratamento dos processos de recuperação judicial e falências. E, dos Projetos de Lei que tramitavam no Congresso Nacional, foi resgatado pelo deputado Hugo Leal e pelos juristas a reforma da Lei de Recuperação e Falência, que foi aprovada como Lei nº 14.112/2020. Publicada em 24 de dezembro de 2020, ela foi Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA um presente para os que atuam na área empresarial, pois trouxe institutos modernos de conciliação e mediação, dentre outras ferramentas jurídicas, para recuperar a empresa em crise, através da reforma da Lei nº 11.101/2005. A fim de lidar com o cenário de recuperação e falência, são necessários profissionais especializados para superar: Crise de gestão. Crise financeira. Crise econômica. Crise patrimonial. Crise causada pela pandemia. A ordem econômica constitucional, que traz em seu bojo o princípio da livre iniciativa e o princípio da livre concorrência, em uma empresa em crise, conta com a ausência de um negócio bem estruturado. A escolha da recuperação judicial ou da recuperação extrajudicial ou até mesmo da falência poderá ser o caminho para a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores, dos interesses dos credores para a preservação da empresa e para sua função social e estímulo à atividade econômica. Saiba mais Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Saiba mais Recuperação judicial, extrajudicial e falência O título deste bloco inaugura e reflete uma das temáticas mais discutidas na área jurídica e que foi, inclusive, objeto de estudo desta aula: o tratamento que deve ser aplicado àqueles que se dedicam à atividade econômica em caso de dificuldade patrimonial que os esteja impedindo, eventualmente, de efetuar o adimplemento tempestivo de suas obrigações. Leia mais sobre isso na obra a Direito Empresarial Facilitado, disponível na Biblioteca Virtual (página 442 e seguintes). Referências Referências Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559643998/epubcfi/6/48%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml24%5D!/4 BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituica o.htm. Acesso em: 31 jan. 2023. BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Brasília: Presidência da República, 2002. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compil ada.htm. Acesso em: 4 fev. 2023. BRASIL. Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005. Regula a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária. Brasília: Presidência da República, 2005. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2005/lei/l11101.htm. Acesso em: 4 fev. 2023. CARNEIRO, L. Taxa de desemprego no Brasil bate recorde no primeiro trimestre. Valor investe, [S. l.], 27 maio 2021. Disponível em: https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e- politica/noticia/2021/05/27/taxa-de-desemprego-no-brasil- Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11101.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11101.htm https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2021/05/27/taxa-de-desemprego-no-brasil-bate-recorde-no-primeiro-trimestre.ghtml https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2021/05/27/taxa-de-desemprego-no-brasil-bate-recorde-no-primeiro-trimestre.ghtml bate-recorde-no-primeiro-trimestre.ghtml. Acesso em: 6 fev. 2023. CHAGAS, E. E.; LENZA, P. Direito empresarial. 8. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2021. (Coleção Esquematizado). Magalhães, Giovani. Direito Empresarial Facilitado. Disponível em: Minha Biblioteca, (2nd edição). Grupo GEN, 2022. MARTELLO, A. Em meio à pandemia, Brasil abriu 2,3 milhões de empresas a mais do que fechou em 2020, diz ministério. G1, [S. l.], 2 fev. 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/02/02/brasil- registra-saldo-positivo-de-23-milhoes-empresas-abertas-em- 2020-diz-ministerio-da-economia.ghtml. Acesso em: 6 fev. 2023. NÚMERO de desempregados cai 15,6% no trimestre. Gov.br, Brasília, 1 ago. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/casacivil/pt- br/assuntos/noticias/2022/agosto/numero-de-desempregados-cai-156-no- trimestre#:~:text=A%20taxa%20de%20desemprego%20no,b Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2021/05/27/taxa-de-desemprego-no-brasil-bate-recorde-no-primeiro-trimestre.ghtml https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/02/02/brasil-registra-saldo-positivo-de-23-milhoes-empresas-abertas-em-2020-diz-ministerio-da-economia.ghtml https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/02/02/brasil-registra-saldo-positivo-de-23-milhoes-empresas-abertas-em-2020-diz-ministerio-da-economia.ghtml https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/02/02/brasil-registra-saldo-positivo-de-23-milhoes-empresas-abertas-em-2020-diz-ministerio-da-economia.ghtml https://www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/2022/agosto/numero-de-desempregados-cai-156-no-trimestre#:~:text=A%20taxa%20de%20desemprego%20no,busca%20por%20trabalho%20no%20Pa%C3%ADs https://www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/2022/agosto/numero-de-desempregados-cai-156-no-trimestre#:~:text=A%20taxa%20de%20desemprego%20no,busca%20por%20trabalho%20no%20Pa%C3%ADs https://www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/2022/agosto/numero-de-desempregados-cai-156-no-trimestre#:~:text=A%20taxa%20de%20desemprego%20no,busca%20por%20trabalho%20no%20Pa%C3%ADs https://www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/2022/agosto/numero-de-desempregados-cai-156-no-trimestre#:~:text=A%20taxa%20de%20desemprego%20no,busca%20por%20trabalho%20no%20Pa%C3%ADs usca%20por%20trabalho%20no%20Pa%C3%ADs. Acesso em: 15 nov. 2022. Aula 3 LEGISLAÇÕES COMERCIAL E DO CONSUMIDOR NO CONTEXTO DO E-COMMERCE Videoaula: Legislação comercial e do consumidor no contexto do e- commerce Videoaula: Legislação comercial e do consumidor no contexto do e- commerce Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA https://www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/2022/agosto/numero-de-desempregados-cai-156-no-trimestre#:~:text=A%20taxa%20de%20desemprego%20no,busca%20por%20trabalho%20no%20Pa%C3%ADs Nesta aula, continuaremos estudando a legislação comercial e do consumidor. Para isso, vamos, em um primeiro momento, tratar das discussões relativas aos conceitos de direito comercial e de direito do consumidor e à legislação dessas esferas, inclusive considerando as atividades de e- commerce. Também vamos tratar dos estudos da evolução histórica do direito e da legislação comercial e do consumidor para, ao final, apresentar a discussão sobre os desafios contemporâneos nessa esfera de atuação do direito. Ponto de Partida Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Ponto de Partida Olá, estudante! Ainda dentro do contexto dos estudos sobre legislação empresarial e trabalhista, o foco desta aula será o desenvolvimento dos conhecimentos sobre a legislação comercial, a legislação de direito do consumidor e as inovações experimentadas com o advento e a ampliação das atividades de comércio eletrônico – o chamado e-commerce. Para isso, nesta aula, serão apresentados a você os conceitos básicos e introdutórios relativos à legislação comercial e à legislação consumerista bem como sua relação com as atividades de comércio eletrônico. Na sequência, apresentaremos a evolução histórica desses ramos do direito e os reflexos na legislação formalizada. Finalmente, na conclusão dos estudos, discutiremos sobre os desafios contemporâneos a serem enfrentados no estudo e nas atividades práticas nos campos do direito comercial e do consumidor. Excelentes estudos! Vamos Começar! Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Vamos Começar! Como pontapé inicial da legislação comercial e do consumidor no contexto do e-commerce, são necessários a construção e o estabelecimento dos múltiplos conceitos envolvidos, que acabam se tocando para formar a base dos estudos. Tratar de tais conceitos permitirá compreender, em sua integralidade, os conhecimentos abordados, de modo a propiciar a completa análise, intepretação e aplicação deles. Além disso, considere que os conceitos clássicos e tradicionais da legislação comercial e consumerista devem se adequar à realidade atual e às inovações tecnológicas, passando a considerar e a disciplinar as relações decorrentes do e-commerce. O primeiro conceito do qual devemos nos ocupar é a própria ideia do direito comercial, que é conceituado por Frans Martins como: Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA [...] o conjunto de regras jurídicas que regulam as atividades das empresas e dos empresários comerciais, bem como os atos considerados comerciais, mesmo que esses atos não se relacionem com as atividades das empresas [...] (MARTINS, 2017, p. 42) O que você pode perceber desse conceito e que deverá ser considerado na análise e na interpretação da legislação comercial é que essas normas e regras que regulam as atividades de comércio aplicam-se não apenas aos empresários e aos comerciantes propriamente ditos, mas também aos não empresários, considerando, nesse caso, a natureza da relação jurídica e não a condição dos sujeitos envolvidos. Em nosso ordenamento jurídico, encontraremos os fundamentos da legislação comercial na Constituição Federal e no Código Civil, que apresentam as bases das relações comerciais e empresariais. A partir desse conceito de direito comercial, e verificando que uma de suas bases é a relação jurídica de comércio Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA propriamente dita, que pressupõe, em sua construção, a figura do destinatário final da atividade (o consumidor), é possível conceituar o direito do consumidor como o ramo do direito que cuida das relações de consumo existentes entre os fornecedores, que atuam disponibilizando os produtos e os serviços em mercado, e os consumidores, destinatários finais do processo de consumo. Assim, torna-se possível delimitar que a legislação consumerista é composta pelos dispositivos legais, pelas normas, pelas regras e pelos princípios que regulam as atividades de consumo, de forma a estabelecer parâmetros de equilíbrio nessa relação. Como base da legislação do consumidor temos, em nosso ordenamento jurídico, a Constituição Federal e o Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078/1990. Uma vez estabelecidos esses conceitos, é possível voltar a atenção à definição de e-commerce. Pense que o direito comercial e mesmo o direito do consumidor têm suas bases legislativas sedimentadas em um período histórico no qual as relações pessoais ainda não haviam sido influenciadas pela realidade do mundo digital e virtual. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA As inovações tecnológicas, dos meios de comunicação e de relações baseadas no ambiente virtual criaram um contexto de relações comerciais e consumeristas que merece um estudo específico. Para tanto, a Lei nº 7.962/2013, que regulamenta o Código de Defesa do Consumidor, passou a dispor sobre as relações de consumo decorrente de contratações praticadas em atividades de comércio eletrônico. Encontramos, no art. 1º da Lei nº 7.962/2013, a definição jurídica de e-commerce, que trata de contratação de produtos e serviços, de destinatário final, de práticas no comércio eletrônico com relação a informações, que devem ser claras a respeito do produto, do serviço e do fornecedor, de atendimento facilitado ao consumidor e de respeito ao direito de arrependimento. Siga em Frente... Siga em Frente... Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Depois de explicados os conceitos pertinentes, inclusive os aspectos do e-commerce, avançaremos com os estudos para estabelecer a evolução histórica e o contexto brasileiro da legislação em vigor. Pensando em um contexto histórico, devemos compreender que a atividade de comércio, ainda que em moldes rudimentares, acompanha a sociedade humana de tempos antigos; contudo, não é possível determinar, em períodos remotos, a formalização de um direito comercial em sentido estrito. O que se sabe é que, entre os fenícios (povo pertencente à Fenícia, antigo país no litoralda Síria), no Mediterrâneo, entre 1500 a 300 a.C., houve a difusão de uma atividade comercial de maneira ampla e organizada como parte da estrutura política e social daquela civilização. Isso acabou se ampliando e sendo transmitido aos egípcios e aos gregos da Antiguidade, até ser absorvido pelo Império Romano. Nesse período remoto, podemos identificar o desenvolvimento de alguns institutos típicos do que viria a ser o direito comercial, tais como contratos comerciais e de navegação, títulos de crédito e atividade bancária, e o desenvolvimento do câmbio e da circulação de moedas Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA padronizadas pelo império romano, que, no contexto de sua legislação civil, inseriu diversos institutos que viriam a se desenvolver no seio do direito comercial ocidental, especialmente naqueles países com raízes latinas. Também na Europa, em sua evolução histórica, as obras demonstram que, no curso da Idade Média, diversos institutos de direito comercial passaram por um processo de depuração e evolução, cabendo destacar aqui os contratos de comércio, especialmente os que surgiram a partir do desenvolvimento da atividade mercantil com as grandes navegações, o surgimento de instituições financeiras organizadas e as guildas e corporações de ofício, que regulavam as atividades comerciais. Seguindo o curso do que se verificou com outras legislações, também as regras de direito comercial experimentaram o influxo dos processos de codificações legislativas, merecendo destaque as codificações napoleônicas, em especial o Código Comercial francês de 1807. Também no Brasil experimentou-se todo esse processo, de modo que, no decorrer do período colonial, desde o descobrimento até período próximo à Independência, o país Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA se viu sob o jugo de rígidas regras de monopólio estabelecido pela Coroa portuguesa. Com a Independência, em 1822, e a adoção de um regime monárquico constitucional, em 1850 entrou em vigor o Código Comercial Brasileiro, voltado especialmente a regulação das atividades de comércio, permanecendo vigente até ser revogado pelo Código Civil de 2002, que passou a tratar da matéria em sede de direito de empresas, já sob o crivo dos fundamentos e dos princípios estabelecidos com a Constituição de 1988. Como se pode perceber, esse desenvolvimento histórico e cultural da atividade de comércio e da legislação comercial, durante longo período, teve como foco a figura do comerciante e a atividade de comércio propriamente dita, acabando por deixar em segundo plano, e muitas vezes mesmo desprotegida do ponto de vista jurídico, a figura do consumidor, destinatário final da atividade comercial. Ainda que seja possível apontar a existência de regras visando resguardar o consumidor, mesmo em tempos antigos, enquanto ramo autônomo e organizado, a legislação consumerista é relativamente recente, integrando os Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA chamados direitos humanos de 3ª dimensão, desenvolvidos especialmente a partir da década de 1940. A partir da preocupação em resguardar a condição de hipossuficiência do destinatário final na relação de consumo é que foi ganhando corpo a legislação consumerista, que entre encontrou fundamento na Constituição Federal de 1988. Vamos Exercitar? Vamos Exercitar? Como foi possível perceber na dinâmica da evolução histórica da legislação comercial e do consumidor, estamos diante de áreas do direito que, de uma maneira bastante direta, estão intimamente relacionadas com a própria dinâmica da sociedade e das relações humanas. Se, por um lado, durante um longo período, o direito comercial teve como objetivo principal resguardar a condição pessoal daqueles que praticavam o comércio de Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA maneira ativa e profissional, e a própria atividade comercial como finalidade jurídica, modernamente, como principal desafio decorrente da evolução da sociedade e dos meios de comunicação e da velocidade da informação, vemo-nos diante da necessidade de reconhecer os vínculos jurídicos de comércio e as consequências da aplicação da legislação nessas relações, mesmo quando não realizadas de forma profissional ou dentro dos parâmetros formais estabelecidos pela legislação. Em que pese a regulamentação geral emprestada pelo Código Civil em 2002, no campo do direito de empresa, fato é que as mudanças da economia, da sociedade e das relações pessoais acabam por impor severa pressão no campo da legislação comercial, com a necessidade de implantação de novas ferramentas jurídicas com o fim de regulamentar os institutos jurídicos e adequá-los a essa nova realidade. Como exemplo disso, estudamos, na aula anterior, as legislações que inovaram o tratamento dos institutos de falência e recuperação judicial no campo do direito de empresa. Nesse contexto, é importante destacar, ainda, as discussões relacionadas com a desconsideração da Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA personalidade jurídica e com a realidade decorrente da ampliação da internet e dos meios digitais de comunicação. Em paralelo a isso, vemos surgir, cada vez mais forte, a necessidade de emprestar efetividade às normas que regulam as relações de consumo. Sendo um ramo relativamente novo das ciências jurídicas e se ocupando de regular fatos jurídicos que são fortemente influenciados pela dinâmica e pela mutabilidade das relações sociais e econômicas, as relações de direito do consumidor revelam diuturnamente questões que precisam ser enfrentadas. Mais do que isso, a sociedade globalizada e de informação na qual nos vemos inseridos, fortemente influenciada por fatores econômicos que muitas vezes transcendem mesmo os interesses nacionais e locais, amplia o ambiente de relações comerciais e de consumo, cada vez mais praticadas em ambientes virtuais, o que faz surgir a necessidade de regulamentações específicas e aptas a tratar dos conflitos de direito que eventualmente possam advir de tais relações. Podemos observar que as informações pessoais, durante muito tempo, foram deixadas em segundo plano, porém, em nossos dias, passaram a ser ferramentas e valores para o mercado de consumo, o que impôs a necessidade de Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA regulamentação de tal matéria, que, em nosso ordenamento jurídico, entrou em vigor através da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), Lei nº 13.709/2018. Essa é uma legislação, que entrou em vigor recentemente, acaba tocando em diversas esferas de atuação do direito e impactando as atividades de direito comercial, de direito empresarial, de direito civil e de direito do consumidor, revelando a complexidade entre essas relações. Nesse campo de desafios contemporâneos, um ponto importante na nossa realidade atual é a ampliação dos meios de comércio eletrônico e virtual, o chamado e- commerce, que já vinha se ampliando com a propagação dos meios digitais de comunicação e apenas se expandiu com mais intensidade como um dos reflexos do mundo pós- pandemia. Toda essa dinâmica desenha um mundo de transição e em rápida transformação, que impõe ao profissional a necessidade de constante atualização para reconhecer e enfrentar tais desafios. Saiba mais Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Saiba mais Pensar no direito do consumidor é encarar a vanguarda das discussões jurídicas na realidade brasileira, especialmente considerando a complexidade de tais relações em face das alterações e inovações impostas pela atual realidade, com a ampliação das relações sociais e econômicas por conta dos novos meios de comunicação do mundo digital. Impõe-se, assim, a necessidade da constante atualização sobre as discussões e os desafios contemporâneos. Para isso, fica o convite para conhecer o Instituto Brasileiro de Direito do Consumidor e as discussões que são travadas quanto a esses estudos. Referências Referências Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA BRASIL. [Constituição (1988)].Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituica o.htm. Acesso em: 31 jan. 2023. BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Brasília: Presidência da República, 2002. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compil ada.htm. Acesso em: 4 fev. 2023. IDEC. Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, [S. l.], c2023. Disponível em: https://idec.org.br/. Acesso em: 6 fev. 2023. MARTINS, F. Curso de Direito Comercial. 40. ed. Rev., ampl. e atual. Rio de Janeiro: Forense, 2017. NOGUEIRA, R. J. N. Curso de Direito Comercial e de Empresa. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. v. 1. NUNES, R. Curso de Direito do Consumidor. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2021. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm https://idec.org.br/ Aula 4 CONTEXTO DAS LEGISLAÇÕES COMERCIAL E DO CONSUMIDOR NA ROTINA DO PROFISSIONAL TÉCNICO Videoaula: Contexto da legislação comercial e do consumidor na rotina do profissional técnico Videoaula: Contexto da legislação comercial e do consumidor na rotina do profissional técnico Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Após tratarmos de todos os aspectos conceituais e estruturais pertinentes à legislação comercial e à legislação do consumidor, abordaremos, nesta videoaula, o contexto dessas legislações na rotina do profissional técnico. Em um primeiro momento, será abordado o contexto das legislações comercial e do consumidor na rotina do profissional técnico. Na sequência, serão trazidos os aspectos pertinentes à argumentação na esfera dessas legislações, concluindo com uma discussão sobre a necessidade de uma busca ativa de atualização pelo profissional. Ponto de Partida Ponto de Partida Prezado aluno, o estudo da legislação comercial e do consumidor, especialmente considerando as inovações decorrentes do desenvolvimento das relações comerciais no ambiente virtual, com atividades de comércio eletrônico (e- commerce), impõe ao profissional a necessidade de contextualizar os conhecimentos sobre a legislação no exercício da atividade profissional. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Na realidade prática, o profissional deverá não apenas se achar apto para interpretar a legislação, mas precisará também construir raciocínios complexos e argumentar na esfera da legislação empresarial e consumerista, permitindo, assim, uma completa atuação prática e técnica. Nessa esteira, será essencial que você, estudante, tenha a capacidade de se manter constantemente atualizado sobre os desafios contemporâneos impressos pela realidade prática e pelas alterações legislativas que se verificam na realidade moderna. Excelentes estudos! Vamos Começar! Vamos Começar! Uma vez definidos os aspectos conceituais da legislação comercial e da legislação do consumidor, bem como os aspectos decorrentes do comércio eletrônico e a delimitação dos aspectos relacionados com a interpretação e a aplicação Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA de tais normas, podemos tratar da contextualização dessas legislações na rotina do profissional técnico. Esse processo de contextualização implica integrar à rotina do profissional técnico a familiaridade da compreensão, da interpretação e da aplicação de todo o complexo de leis vigentes no campo do direito comercial e do consumidor. Nesse sentido, identificar as questões de interesse profissional no âmbito da legislação comercial e do consumidor será parte desse processo de apropriação do conhecimento para permitir uma ampla e efetiva atuação do profissional. Logo, você deve ter em mente tais aspectos para vislumbrar, na realidade concreta, as relações jurídicas que são atingidas e se encontram sujeitas a esses diplomas legislativos. O profissional, em sua rotina técnica e prática, deverá ficar constantemente atento ao contexto e às alterações da sociedade, às relações empresariais e à realidade da sociedade de consumo. Especialmente em virtude do advento e da ampliação dos meios tecnológicos de comunicação, a difusão dos meios virtuais de informação e as formas cada vez mais velozes e Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA efetivas de interação têm ampliado a necessidade da atuação da legislação para regular adequadamente essas relações, resguardando a condição de vulnerabilidade do consumidor em face de eventuais abusos do mercado de consumo. Exemplo de tal atuação pode ser expressa no art. 49 do Código de Defesa do Consumidor: Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou a domicílio. Parágrafo único. Se o consumidor exercitar o direito de arrependimento previsto neste artigo, os valores eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo de reflexão, serão devolvidos, de imediato, monetariamente atualizados. (BRASIL, 1990, [s. p.]) Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA A redação original, que não sofreu alterações normativas desde a edição do Código de Defesa do Consumidor, foi pensada pelo legislador em uma realidade na qual não se cogitava a existência dos meios de comércio eletrônico hoje existentes. Apesar disso, a interpretação e a integração da legislação em face da nova realidade das relações comerciais em consumeristas permitem ampliar o conteúdo originalmente delineado pelo legislador para alcançar atividades hoje realizadas no contexto do e-commerce. Isso ocorre porque, nesse exercício de contextualização da legislação na rotina do profissional técnico, deve ser observada a necessidade de integração dessa interpretação e dessa argumentação com a realidade atual, de modo a adequá-la aos desafios e aos obstáculos não previstos no texto da legislação em vigor. Siga em Frente... Siga em Frente... Esse processo de contextualização e integração da legislação comercial e do consumidor implica a necessária apropriação e compreensão dos conceitos e das definições jurídicas Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA correlatas, de modo a permitir, com efetividade, o processo de argumentação. O primeiro ponto a ser compreendido, no campo da legislação comercial, para correta argumentação nessa esfera, é compreender a complexidade da própria definição de atividade empresarial. Historicamente, a definição jurídica de atividade comercial era necessariamente vinculada à noção objetiva e ao conceito de comerciante e empresário. Se, por um lado, até determinado ponto, a vinculação objetiva entre a condição pessoal de comerciante ou empresário era requisito essencial para o reconhecimento de relações jurídicas sujeitas à legislação comercial, atualmente acabam por perder força, seja pela possibilidade da desconsideração da personalidade jurídica das empresas para alcançar as pessoas naturais que a integram para fins de responsabilização por atos de comércio, seja pela possibilidade do reconhecimento das relações de comércio independentes de caracterização da condição profissional de comerciante ou empresário. O art. 1º da Constituição da República estabelece os fundamentos da República Federativa do Brasil e, em seu Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA inciso IV, declara os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa como princípio fundamental da Constituição. Já o art. 170 desse mesmo texto que estudamos apresenta os princípios que devem reger a ordem econômica nacional. Nos termos do dispositivo constitucional, ela deve sefundamentar na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, com o objetivo de assegurar a todos uma existência digna, de acordo com os ditames da justiça social, observados os princípios da soberania nacional, da propriedade privada, da função social da propriedade, da livre concorrência, da defesa do consumidor, da defesa do meio ambiente, da redução das desigualdades regionais e sociais, da busca do pleno emprego e do tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. Dessa forma, a análise e a interpretação da legislação empresarial para construção dos argumentos voltados à resolução de questões nessa matéria, devem levar em consideração os fundamentos e princípios declarados no texto constitucional. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Conforme se verifica, dos princípios que fundamentam a ordem econômica constitucional, temos declaradas a proteção e a defesa do consumidor. Nessa esteira, a Constituição da República, em seu art. 5º, tratando dos direitos e das garantias individuais, declara, no inciso XXXII, que é dever do Estado promover a defesa do consumidor. A declaração da necessidade de uma atuação ativa do Estado na defesa dos consumidores faz transparecer a natureza jurídica da relação de consumo, que se caracteriza, entre outros aspectos, pela condição de hipossuficiência do consumidor nessa relação, o que se verifica na leitura do inciso I do art. 4º do Código de Defesa do Consumidor, que, ao tratar dos princípios que regem a legislação do consumidor, declara e reconhece a condição de vulnerabilidade do consumidor em face do mercado de consumo. Todos esses aspectos devem ser considerados pelo profissional na análise e na interpretação da legislação comercial e do consumidor para propiciar as ferramentas necessárias para uma correta argumentação nessa esfera. Vamos Exercitar? Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Vamos Exercitar? Conforme foi possível perceber ao longo de nossos estudos, as relações jurídicas que se desenvolvem nos campos do direito comercial e do direito do consumidor e as questões e os conflitos intersubjetivos extraídos dos litígios não apenas se desenvolvem a partir das relações sociais, mas são realmente reflexos delas. Isso significa compreender que as atividades comerciais, como manifestações da ordem econômica fundada na livre iniciativa, são reflexos das relações pessoais e das necessidades decorrentes dessas relações humanas; que serão moldadas e adequadas conforme as necessidades sociais, inclusive se aproveitando das alterações e das inovações trazidas pelos meios tecnológicos. Isso implica dizer que a legislação, com as características do direito enquanto ciência do “dever ser”, está sempre buscando se adaptar para conseguir acompanhar as alterações das relações sociais e de comércio, de modo a atender as necessidades jurídicas na resolução dos conflitos surgidos nessas relações. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Um dos reflexos que podem ser percebidos nessa situação se verificam na tendência de se buscar uma nova codificação das atividades comerciais e empresariais – com um novo Código Comercial – para atender às demandas surgidas ao longo desses 20 anos nos quais o Código Civil passou a disciplinar a matéria em conjunto com outras legislações que entraram em vigor nesse período para atender às demandas da sociedade. Isso impõe ao profissional a adoção de uma postura ativa no sentido não apenas de conhecer e interpretar a legislação comercial, mas, igualmente, de se manter atento às alterações nas relações sociais e jurídicas que impõem pressão na alteração dos modelos vigentes. Portanto, identificar os desafios relacionados com a interpretação e aplicar a legislação de modo a conhecer e a absorver tais alterações é absolutamente necessário. Também é possível estabelecer um vínculo entre a atividade comercial e as relações de consumo, que se fundam, entre outros aspectos, na condição de vulnerabilidade em que se encontra o consumidor na relação com o mercado de consumo. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Se, por um lado, as pressões econômicas e a livre iniciativa pressionarão a evolução das relações comerciais, por outro, a legislação do consumidor deve estar atenta para identificar aqueles pontos da relação que possam resultar em abuso contra o consumidor. Exemplos práticos de alterações legislativas recentes que visam proteger o consumidor nessa relação com as atividades comerciais e inibir abusos são a já citada Lei Geral de Proteção de Dados e as medidas adotadas pelo poder público no controle do acesso de serviços de telemarketing ao contato do consumidor. Nesse sentido, pode-se dizer que vivenciamos atualmente um cenário mais confortável se o compararmos ao passado no que diz respeito às ligações insistentes de números desconhecidos com oferta de produtos não solicitados. Nesse contexto, deve-se considerar ainda que a busca ativa do profissional técnico por se atualizar em relação à legislação envolve o reconhecimento da revolução decorrente da implantação cada vez mais crescente dos meios digitais. O desenvolvimento das tecnologias de comunicação e a ampliação das ferramentas de internet fizeram desenvolver Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA relações comerciais e empresariais com características muito específicas em uma velocidade até então inimaginável. Nesse contexto, o Decreto nº 7.962/2013, regulamentando o Código de Defesa do Consumidor para se adequar às necessidades impostas pelas relações de comércio eletrônico – e-commerce – trouxe regras que devem ser interpretadas e aplicadas na atualidade. Dessa maneira, o art. 2º do regulamento estabelece, dentre outras questões, que os sítios eletrônicos que praticam o e- commerce devem disponibilizar, em local de destaque e com fácil visualização entre outros dados, informações sobre a empresa, características essenciais do produto ou do serviço ofertados, a discriminação do preço, de quaisquer despesas adicionais ou acessórias. Saiba mais Saiba mais Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Diversos são os temas, em matéria de legislação comercial e de legislação do consumidor, que buscam adequar o ordenamento jurídico às demandas sociais impostas pela realidade atual. Isso indica a velocidade das alterações no ordenamento jurídico relativas a tais legislações, impondo ao profissional o dever de se manter constantemente atualizado sobre essas demandas e mutações legislativas. Para ajudá-lo nesse processo, compartilhamos o artigo de Laiz de Moraes Parra, cuja título é: Problemas a serem enfrentados pelas pessoas jurídicas em razão da LGPDP. Referências Referências BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituica o.htm. Acesso em: 31 jan. 2023. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/11324/Problemas-a-serem-enfrentados-pelas-pessoas-juridicas-em-razao-da-LGPDP https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/11324/Problemas-a-serem-enfrentados-pelas-pessoas-juridicas-em-razao-da-LGPDP http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm BRASIL. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 1990. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078compilado.ht m. Acesso em: 6 fev. 2023. BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Brasília: Presidência da República, 2002. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compil ada.htm. Acesso em: 4 fev. 2023. MARTINS, F. Curso de Direito Comercial. 40. ed. Rev.,ampl. e atual. Rio de Janeiro: Forense, 2017. NOGUEIRA, R. J. N. Curso de Direito Comercial e de Empresa. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. v. 1. NUNES, R. Curso de Direito do Consumidor. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2021. PARRA, L. de M. Problemas a serem enfrentados pelas pessoas jurídicas em razão da LGPD. DireitoNET, [S. l.], 12 set. 2019. Disponível em: https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/11324/Problem Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078compilado.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078compilado.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/11324/Problemas-a-serem-enfrentados-pelas-pessoas-juridicas-em-razao-da-LGPDP as-a-serem-enfrentados-pelas-pessoas-juridicas-em-razao- da-LGPDP. Acesso em: 6 fev. 2023. Aula 5 LEGISLAÇÃO COMERCIAL E DO CONSUMIDOR Videoaula de Encerramento Videoaula de Encerramento Empreender em tempos de crise econômica, financeira, patrimonial ou a causada pela pandemia do novo Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/11324/Problemas-a-serem-enfrentados-pelas-pessoas-juridicas-em-razao-da-LGPDP https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/11324/Problemas-a-serem-enfrentados-pelas-pessoas-juridicas-em-razao-da-LGPDP coronavírus, em muitos casos, é necessário. Como um técnico especializado, você atuará no mercado de trabalho e verá que esses fatores refletem diretamente na economia do nosso país. Por isso, acesse esta videoaula e, aprenda ainda mais sobre a legislação em vigor Ponto de Chegada Ponto de Chegada Inicialmente, é importante destacar que, no atual cenário econômico, é fundamental que os profissionais que atuam nessa área façam o monitoramento constante da legislação comercial e do consumidor. Caso você, caro estudante, queira se aprofundar no sistema jurídico da prática empresarial, o Ministério da Economia impulsionou uma plataforma com medidas de apoio ao setor produtivo durante a pandemia de Covid-19. E para aprofundar ainda mais o aprendizado, recomendam-se os cursos, oferecidos de forma gratuita para a sociedade, da plataforma da Aliança Brasileira pela Educação. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA https://www.gov.br/economia/pt-br/acesso-a-informacao/perguntas-frequentes/covid-19 https://ava.aliancapelaeducacao.com.br/local/enrolform/classes/view/login.php https://ava.aliancapelaeducacao.com.br/local/enrolform/classes/view/login.php O período de pandemia teve início no dia 11 de março de 2020 e, com o Decreto Legislativo nº 6 do dia 20 de março, ele foi oficialmente reconhecido e, a partir daí, tivemos várias medidas emergenciais. A Medida Provisória (MP) é um instrumento com força de lei, adotado pelo governo federal, em casos de relevância e de urgência. O agente econômico conta no nosso ordenamento jurídico com MPs trabalhistas para o enfrentamento do estado de calamidade pública e, durante o período de pandemia, várias empresas aderiram a ele. Foi um pontapé inicial importante, mas ainda não suficiente para proteger esse agente econômico (empresa). Outro ponto de atenção são as linhas de crédito emergenciais, pois os que delas necessitam encontram várias barreiras e muitos não conseguiram avançar na contratação para salvarem o seu caixa e honrar os compromissos firmados. Estudamos também, nesta unidade, outro instituto bastante utilizado durante a crise causada pela Covid-19, qual seja a recuperação judicial e/ou recuperação extrajudicial. Empreender em tempos de crise é desafiador, independentemente do cenário econômico. Já estavam em trâmite no Congresso Nacional, por exemplo, Projetos de Lei com o objetivo de revisitar a regulamentação da empresa Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA prevista na Lei nº 11.101/2005 (Recuperação e Falência) e com os novos dispositivos jurídicos após, a reforma legislativa, contamos com a ajuda que a empresa em crise necessita. Mais de um milhão de empresas fecharam as portas e será inevitável o crescimento do número daquelas que recorrerão à recuperação judicial para sobreviverem a esta pandemia. É possível afirmar, sem medo de errar, que agentes econômicos saudáveis não mediram esforços para perpetuarem o seu negócio jurídico e, mesmo realizando todos os esforços, muitos não estão conseguindo honrar os compromissos firmados; por não encontrarem outra saída diante da insolvência ao empreenderem em tempos de crise, acabam encerrando suas atividades. É Hora de Praticar! É Hora de Praticar! Foi amplamente publicado na imprensa que o famoso Emerson Fittipaldi derrapou nos negócios e acabou acumulando várias dívidas. O bicampeão da Fórmula 1 já Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA teve seus bens penhorados por determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo e vivencia momentos de crise em seus negócios. Esse é apenas um de centenas de casos de empreendedores que, ao exercerem a atividade empresarial em tempos de crise econômica, financeira, patrimonial ou causada pela pandemia acabam enfrentando sérias dificuldades. Em nossos estudos da legislação comercial, destacamos que mais de um milhão de empresas fecharam as portas na pandemia. Nesse contexto, disserte sobre a temática com base nos princípios constitucionais e da função social da empresa. Historicamente, o devedor “comerciante” insolvente já foi tratado como criminoso e fraudador, teve seu corpo à mercê dos credores, escravizado, preso, morto ou banido, tudo como consequência cível de sua derrocada. Em outro momento, a preocupação dos operadores do direito voltou-se à proteção dos credores, pois o castigo ao devedor não quitava as obrigações e eliminava a única forma de resgatá-las, pois, morto o devedor, não havia de quem reclamar os débitos. Daí surge, por exemplo, a possibilidade de moratória ou de concordata, alternativa à falência. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Agora, a abordagem que se dá ao tema tem outro matiz: a necessidade de preservação da empresa. Note que afirmamos empresa, não empresário, ou seja, o interesse coletivo recai em preservar a atividade econômica que produz ou faz circular bens e serviços, pois ela traz benefícios a toda a coletividade, como será visto adiante. Leia mais na página 401 do livro indicado. Reflita Olá estudante, chegamos ao encerramento da unidade! Vamos realizar a experiência presencial que irá consolidar os conhecimentos adquiridos? É a oportunidade perfeita para aplicar, na prática, o que foi aprendido em sua disciplina. Vamos transformar teoria em vivência e tornar esta etapa ainda mais significativa. Não perca essa chance única de colocar em prática o conhecimento adquirido. Resolução do Estudo de Caso Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786555595499/epubcfi/6/78%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dmiolo36.xhtml%5D!/4/2/6/3:30%5Btri%2Cmon%5D. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA Assimile BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Brasília: Presidência da República, 2002. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compil ada.htm. Acesso em: 4 fev. 2023. BRASIL. Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005. Regula a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária. Brasília: Presidência da República, 2005. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2005/lei/l11101.htm. Acesso em: 4 fev. 2023. Disciplina LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E TRABALHISTA https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11101.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11101.htm BRASIL. Ministério da