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Guia 1 UNIDADE 1 Assistência social: antes, a assistência social era tratada como uma questão de caridade e não visava a modificação efetiva da vida das pessoas; depois de mobilização, foi reconhecida como direito do cidadão que precisa dos mínimos sociais (saúde, educação, cultura, segurança, trabalho e renda) e dever do estado. · SUAS (Sistema Único de Assistência Social): criado em 2005; gerencia ações da assistência social considerando que as pessoas têm necessidades interligadas e que os direitos são indivisíveis; Devem ter equipes mínimas para atendimento à população, o psicólogo contribui para essa equipe valorizando aspectos subjetivos e coletivos e colaborando para retomar o protagonismo do sujeito, bem como no fortalecimento dos vínculos familiares; · CRAS (Centros de Referência de Assistência Social): trabalha com a proteção social básica com as famílias, a qual é o ponto de partida para a garantia dos direitos e condições favoráveis, aciona direitos como bolsa família e benefícios emergenciais; · CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social): trabalha com proteção social especial, visando núcleo familiar em vulnerabilidade e risco, bem como casos que demando acolhimento e abrigo (ex.: crianças com direitos violados e que precisam de medidas de proteção; mulheres vítimas de violência e que pr/ecisam se afastar de seus agressores) Psicologia Jurídica: área que relaciona a Psicologia ao Sistema de Justiça, abrangendo procedimentos judiciais, decisões e questões de interesse do Direito. Atua na promoção da cidadania, dos direitos humanos e na prevenção da violência, oferecendo orientações psicológicas a juristas e indivíduos envolvidos em processos judiciais. · Atuação do psicólogo jurídico: · Assessoramento: atuação como perito assistente em litígios (divergência de opinião); promovendo escuta e acolhimento das partes, buscando acordos amigáveis e diminuindo o conflito; litígio muitas vezes é uma forma de manter o vínculo conjugal e traz prejuízos emocionais aos filhos, usados como instrumentos de disputa. Pode investigar Síndrome da Alienação Parental (SAP) — quando um dos pais influencia o filho a rejeitar o outro injustamente. · Intervenção: programas de prevenção, tratamento e reintegração social. · Pesquisa e prevenção: campanhas contra criminalidade, vitimologia. · Áreas específicas: · Direito de Família: guarda, visitas, separações, destituição do poder familiar.; · Direito Civil: interdições e perícias indenizatórias. · Direito Trabalhista: perícias em casos de indenização. · Direito Penal: exame de sanidade mental, corpo de delito, indultos. · Mediação de conflitos. Medidas protetivas – Varas da Infância e Juventude: o ECA assegura a prioridade absoluta da criança e do adolescente, garantindo sua convivência familiar e o desenvolvimento integral; há diferentes tipos de famílias (natural, a extensa [avó, tios…] e a substituta [como mães social]); o psicólogo avalia a capacidade da família de acolher a criança, acompanha o processo de adaptação e reinserção familiar, e analisa a necessidade de acolhimento institucional ou familiar substituta, sempre priorizando a manutenção da criança na família de origem. · Acolhimento e Intervenção do Judiciário: · A retirada da criança do lar só ocorre em casos extremos e após avaliação psicológica e social cuidadosa. · O Judiciário prioriza o fortalecimento da família de origem, encaminhando-a a programas de apoio financeiro, psicológico e social, buscando evitar o afastamento. · Caso o acolhimento institucional seja necessário, ele deve ser temporário (máximo de 2 anos), salvo exceções justificadas. maus-tratos de crianças e adolescentes por pessoas próximas: exige observação atenta para a identificação; no geral, quando isso ocorre no núcleo familiar, as familias tem pouca interação social e há o complô do silêncio (ngm fala nada), por medo de desamparo familiar e outras questões, portanto, o rompimento do silencio é importante e deve ser lidado com empatia e ética; há também alterações no comportamento, queixas somáticas; Tipos de violência contra crianças e adolescentes: · Violência física: Uso intencional da força para ferir, causar dor ou lesão. Pode ou não deixar marcas visíveis. · Violência sexual: Atos com penetração, exploração sexual comercial e práticas sem contato físico (exibicionismo, voyeurismo, produção de imagens) imposto à criança ou adolescente por alguém mais desenvolvido sexualmente · Negligência: Omissão dos responsáveis em prover cuidados básicos (alimentação, saúde, higiene, educação e proteção). · Violência psicológica: Inclui rejeição, humilhação, cobranças excessivas, chantagens e manipulações emocionais. Afeta o desenvolvimento biopsicossocial e é o tipo mais difícil de identificar, por não deixar marcas físicas. Violência contra a mulher: pode ser física, sexual e psicológica, geralmente cometidas por parceiros íntimos; pode envolver isolamento, ciúme excessivo, controle das ações, ameaças e manipulação emocional; ocorre em ciclo: · Fase de tensão: agressor apresenta irritação, ciúmes e ameaça, a mulher tenta agradá-lo e se culpa; · Fase da agressão: violência física e/ou sexual, a vítima sem reação por medo e condicionamento psicológico. · Fase do pedido de desculpas: agressor minimiza o ocorrido, promete mudar e culpa a vítima. · Fase da “lua de mel”: o agressor torna-se atencioso e amoroso, levando a mulher a acreditar em sua mudança e retirar queixas. O psicólogo atua no acolhimento, escuta e orientação das vítimas, ajudando na reconstrução emocional e na prevenção de recaídas no ciclo de violência. UNIDADE II Adoção: Adoção deve basear-se em motivos legítimos e priorizar o interesse superior da criança. A equipe técnica avalia e preparar pretendentes e crianças para garantir vínculos afetivos saudáveis; · Tipos de adoção: · Adoção clássica: voltada a satisfazer o desejo dos adultos de ter filhos. · Adoção moderna: prioriza o direito da criança a crescer em uma família, conforme o ECA. · História legal: · O Código Civil de 1916 impunha restrições (somente maiores de 50 anos e sem filhos podiam adotar) que desmotivava a adoção. · A Lei 3.133/1957 reduziu a idade mínima do adotante para 30 anos e flexibilizou critérios. · O ECA (1990) tornou o processo mais humano e centrado na criança.Principais mudanças trazidas pelo ECA: · A adoção é plena e irrevogável. · Idade mínima do adotante: 20 anos. Diferença mínima entre adotante e adotado: 16 anos. · Permite adoção por pessoas solteiras, divorciadas, viúvas ou conviventes, reconhece adoção unilateral (cônjuge adota o filho do parceiro), admite adoção póstuma (quando o adotante morre durante o processo) e garante igualdade de direitos entre filhos biológicos e adotivos. · Avaliação psicológica dos pretendentes: · O processo avaliativo tem caráter profilático e preventivo, visando identificar motivações, conflitos e expectativas dos pretendentes antes da guarda, a fim de evitar que idealizações ou dúvidas prejudiquem o vínculo com a criança. O discurso dos pretendentes pode revelar aspectos psíquicos relevantes e deve ser priorizado em relação a critérios técnicos. · O uso de testes psicológicos é opcional e serve apenas como instrumento facilitador, nunca como finalidade. São realizadas 4 a 6 entrevistas com os pretendentes, podendo incluir filhos biológicos e outras pessoas, e entrevista familiar, para entender a dinâmica relacional; · O estágio de convivência visa observar a adaptação da criança e dos pais adotivos, identificando dificuldades e ajustes necessários. Ato infracional e medidas socioeducativas: O adolescente que comete um delito não é considerado criminoso, e sim infrator, e ao invés de punição penal, recebe medidas socioeducativas; já crianças, os responsáveis são orientados e encaminhados a programas de apoio psicológico e social; Adolescente tem direito à ampla defesa, assistência jurídica e a liberdade (decidida pelo juiz), a internação provisória não pode ultrapassar 45 dias. · Medidas socioeducativas: caráter pedagógicoe ressocializador, não punitivo · Advertência: repreensão verbal do juiz, assinada pelo adolescente. · Obrigação de reparar o dano: indenização ou devolução de bens danificados. · Prestação de Serviço à Comunidade (PSC): tarefas gratuitas (máx. 8h semanais por até 6 meses), sem prejudicar escola ou trabalho. · Liberdade Assistida (LA): acompanhamento e orientação do adolescente por um orientador, sem afastá-lo da família, escola ou trabalho. · Semiliberdade: permite atividades externas e funciona como transição para o meio aberto, com foco na profissionalização. · Internação: privação de liberdade em entidade exclusiva para adolescentes; deve ser breve e excepcional, com limite máximo de 3 anos. · Plano Individual de Atendimento: Documento obrigatório para adolescentes em internação, semiliberdade ou LA; serve como guia para ressocialização; contém avaliação inicial nas áreas jurídica, psicológica, social, pedagógica e de saúde, metas e atividades voltadas para educação, profissionalização, lazer, cultura e saúde. · Perfil dos adolescentes em conflito com a lei: histórico de desobediência e oposição; contextos social e familiar disfuncional e de risco ATUAÇÃO DOS PSICÓLOGOS NO SISTEMA PENAL: o psicólogo penitenciário foi oficialmente criado em 97, em SP, com atuação experimental e pouco estruturada, mas há registro de psis atuando em presídios desde a decada de 70; A criminalidade é vista como fenômeno resultado de condições sociais, econômicas e culturais, não biológico ou hereditário; A maioria dos presos é pobre, com baixa escolaridade e envolvimento com drogas ilícitas, o que aumenta sua vulnerabilidade; As prisões atuais não promovem ressocialização, e ainda reforçam a criminalização; A pena deve ter caráter punitivo, preventivo e ressocializador, buscando a reintegração social do condenado. · Papel do psi prisional: atua no atendimento ao sofrimento causado pelo cárcere (distanciamento familiar, ambiente degradante, privação de liberdade), busca estratégias de enfrentamento e preparo para o retorno à sociedade. · Lei de Execução Penal: tem como objetivo “efetivar a sentença e proporcionar condições para a integração social do condenado”; o psicólogo integrava a Comissão Técnica de Classificação (CTC), responsável por avaliar os presos e dar um parecer adaptação social, influenciando na decisão da progressão de regime; com a mudança na lei, o foco da atuação do psi mudou para na atenção à saúde do detento; AS TÉCNICAS E INTERVENÇÕES DA CONCILIAÇÃO: complementam a atuação jurídica para acordos mais justos; · Conciliação: objetiva resolver o conflito e encerrar a disputa, propondo soluções sem se aprofundar nas causas emocionais do conflito, sem interesse na preservação do vínculo entre as partes. · Mediação: restabelecer o diálogo, focando no vínculo afetivo, e buscar uma solução conjunta através de um mediador, o qual atuará como um facilitador da comunicação entre as partes. Guia 2 Unidade I: Introdução ao Estudo da Psicologia Jurídica - A Interdisciplinaridade 1. A Interdisciplinaridade e a Assistência Social A Psicologia Jurídica atua na interface com o Direito e a Assistência Social. · Assistência Social (AS): É um direito do cidadão que necessita dos mínimos sociais (vida digna, saúde, educação, etc.) e um dever do Estado, reconhecido pela Constituição Federal. Anteriormente, era vista como caridade. · SUAS (Sistema Único de Assistência Social): Criado para gerenciar a AS, o SUAS articula duas estruturas principais: · CRAS (Centro de Referência de Assistência Social): Atua na Proteção Social Básica, focando no fortalecimento do vínculo familiar (o primeiro espaço de proteção) e na prevenção de riscos. Oferece serviços socioeducativos e sociais, além de benefícios (Bolsa Família). · CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social): Atua na Proteção Social Especial (média e alta complexidade), atendendo casos onde os vínculos familiares ou sociais foram rompidos. Exemplos: crianças com direitos violados, mulheres vítimas de violência, adolescentes em medidas socioeducativas e idosos que necessitam de acolhimento. · Papel do Psicólogo: Em equipes interdisciplinares, o psicólogo agrega o aspecto das experiências subjetivas (individual, coletivo e social), ajuda a fortalecer vínculos familiares e contribui para que as pessoas retomem o protagonismo de suas vidas. 2. Definição e Início da Psicologia Jurídica A Psicologia Jurídica é uma especialidade que se relaciona com o Sistema de Justiça, atuando nos aspectos teóricos, de pesquisa, aplicação, avaliação e tratamento. · Origem: Nasceu da Psicologia Clínica, especificamente da área de avaliação psicológica, para suprir a necessidade da Justiça em compreender o comportamento humano. · Marcos Legais: · A Lei Federal de Execução Penal (1984) reconheceu legalmente o trabalho no sistema prisional. · O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 1990, passou a exigir a presença do psicólogo nas equipes mínimas dos Juizados da Infância e Juventude. 3. Campos de Atuação e o Trabalho Pericial O psicólogo jurídico atua em diversas áreas: · Direito de Família: Separação, disputa de guarda, regulamentação de visitas, destituição do poder familiar. · Direito Penal: Corpo de delito, exame de sanidade mental, estudo sobre redução de penas. · Atuação Profissional: Pode atuar como perito (profissional imparcial nomeado pelo juiz para avaliar) ou como assistente técnico (contratado por uma das partes). · O perito deve agir com isenção e rigor técnico/ético. · O psicólogo assistente técnico que defende um lado sem imparcialidade é chamado de "pistoleiro". · Os documentos produzidos (laudos, pareceres) devem seguir a Resolução n. 007/2003 do CFP. 4. O Psicólogo nas Varas de Família (Guarda e Visita) O principal objetivo nas Varas de Família é elaborar um perfil da situação das crianças para auxiliar a decisão do juiz em processos litigiosos (sem acordo entre as partes). · Mediação: O psicólogo pode atuar como mediador para promover o diálogo e a busca por um acordo amigável, propondo um momento de escuta das angústias. · Conflito Litigioso: Frequentemente, a briga judicial é perpetuada por casais como uma forma de estender o laço conjugal, mesmo sem afeto. Os filhos são o maior prejuízo, sendo usados como "moeda de troca" nas disputas. · Síndrome de Alienação Parental (SAP): Processo grave onde uma criança é "programada" para odiar um genitor, por influência do outro, sem justificativa. Isso destrói o vínculo e exige intervenção psicológica intensiva para neutralizar os efeitos. 5. Medidas Protetivas (Vara da Infância e Juventude) O ECA assegura o direito da criança ser criada e educada no seio de sua família natural e, excepcionalmente, em família substituta. · Tipos de Família: · Natural: Formada pelos pais ou descendentes. · Extensa ou Ampliada: Estende-se aos parentes próximos (avós, tios) que mantêm vínculo afetivo. · Substituta: Núcleo fora do âmbito familiar, como casas-lares ou mães sociais. · Acolhimento: A retirada da criança do lar é medida extrema. Os juízes priorizam o encaminhamento da família a programas de orientação e auxílio, na expectativa de manter a criança no núcleo familiar de origem. O acolhimento institucional não deve ultrapassar dois anos, salvo se comprovada a necessidade. Unidade II: Temas Específicos em Psicologia Jurídica 1. Adoção: Avaliação e Preparo O conceito de adoção evoluiu, passando do foco nas necessidades dos pais para o foco nos direitos e interesses da criança. · Adoção Clássica: Objetivo primário era satisfazer as necessidades de casais inférteis. · Adoção Moderna: Fundamentada na filosofia do melhor interesse da criança. · Adoção pelo ECA: É plena e irrevogável. Será deferida quando apresentar reais vantagens para o adotando (a criança). O ECA também possibilitou a adoção por solteiros, viúvos e divorciados, além da adoção póstuma e unilateral. · Adoção Internacional: O casal residente fora do país deve cumprir um estágio de convivência de, no mínimo, 30 dias no Brasil. · Preparo: O processo deavaliação e preparo dos pretendentes é crucial para que os novos pais consigam compreender e lidar com as angústias, fantasias e o passado desconhecido da criança. 2. Adolescentes em Conflito com a Lei e Medidas Socioeducativas O ECA estabelece uma nomenclatura específica para o adolescente que comete um delito. · Nomenclatura (ECA): O adolescente é um infrator, e seu ato é um ato infracional (não um criminoso/crime). · Medidas Socioeducativas (MSE): São as determinações judiciais que o adolescente deve cumprir, buscando uma função pedagógica e de responsabilização. · Causas do Ato Infracional: Não existe um fator isolado. O comportamento antissocial é resultado de uma combinação de diversos fatores de risco (pessoais, familiares, sociais, escolares e biológicos). Famílias disfuncionais podem, inclusive, incentivar ou fazer pouco para refrear o comportamento inadequado. · Atuação do Psicólogo: O psicólogo atua avaliando o adolescente, orientando a equipe e a família, e auxiliando no cumprimento das MSEs, visando à reinserção social e à prevenção da reincidência.