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Psicanálise Clínica
Aluna: Isabela Minatel Bassi
Prova 1
A busca por compreender a (minha) mente humana faz do estudo da psicanálise uma fonte importante de informações.
Entender os conflitos internos e externos sob a ótica da estrutura formada por Id e seus desejos ilimitados, Ego e sua busca por adequação à realidade e Superego e suas proibições e vetos traz clareza e elucidação ao que antes se mostrava como confusão, como escuro, como território inexplicável, desconhecido, inexplorado. Longe de acreditar que a jornada será leve, fácil, suave ou algo assim, pelo filtro da psicanálise encontra-se uma possibilidade de se chegar a algum avanço nesse universo interior tão vasto e infinito. 
A consciência sobre a existência do Inconsciente - com o perdão do trocadilho - junto com o Pré-consciente e com o Consciente, pode ajudar a explicar os comportamentos e as reações que, por vezes, as pessoas desconhecem em si mesmas; os sonhos estranhos e, às vezes, recorrentes; os momentos em que, pela análise lógica, se esperava que alguém estivesse feliz e esse alguém está mal… Quando falta lógica para a compreensão dos comportamentos e decisões, quando padrões nocivos ou estranhos se repetem inexplicavelmente, sobram informações a serem capturadas do Inconsciente. Talvez esse arquivo Inconsciente seja a maior parte da estrutura psíquica das pessoas.
A verdade é que este caráter investigativo da psicanálise, esta busca por compreender a interpretação do que está além do objeto é o mais fascinante! Ter ferramentas para essa jornada torna a vida mais potente e digna. Dá ao ser humano o protagonismo sobre si e sua história tirando-o do lugar de vítima cega de seu próprio conteúdo interior não compreendido.
O processo de autoconhecimento e autodesenvolvimento deve passar exatamente por essa estrutura: trazer informações do Inconsciente – informações estas que foram trancadas com as chaves do recalcamento – para o Consciente. Assim se pode tomar decisões sobre o que fazer com isso (ou consigo).
Oferecer um conjunto sistematizado de conhecimentos e técnicas sobre a estrutura da vida psíquica das pessoas, aprofundar na compreensão do seu funcionamento e dissecar os possíveis efeitos dessa estrutura na vida do sujeito é, teoricamente, o propósito da psicanálise.
E o que se faz, na prática? Análise. Esse foi o nome ou a alcunha eleita para nomear esta atividade. 
E a quem se destina? A todos os indivíduos sedentos de conhecer mais sobre si mesmo – é uma poderosa ferramenta de autoconhecimento – e também aos seres que se sentem assolados com perturbações oriundas da sua psique e que não compreendem ou não dão conta de resolverem por si mesmos tais situações.
Tal constructo complexo não foi obra de um homem só, embora um nome importante sempre venha à mente de qualquer um que ouça falar em psicanálise... Freud, o pai fundador. Posteriormente outros nomes foram se juntando a ele, cada qual a seu tempo e em sua área específica de atuação. O grupo de estudiosos e profissionais foi compondo com sua contribuição o todo da psicanálise. 
Em seu início, passa rapidamente pela hipnose, chega ao método catártico. É nesse ponto que se encontra o que se chamou de ​recalcament​o (que representaria uma barreira). Essa barreira se apresentaria para isolar do nível consciente aquelas representações internas que se encontravam desprovidas de afeto. Esse material interno era então retido em uma “segunda consciência” que se subordinava à consciência normal. Tudo isso poderia chegar a se transformar em sintomas somáticos vindos de uma cadeia associativa. Nessa situação o uso do método catártico como opção de intervenção e tratamento pareceu se apresentar eficaz já que relembrar os eventos traumáticos – as tais representações desprovidas do afeto – possibilitava a evasão desse afeto, proporcionando alívio e cessação dos sintomas. Ab-reação foi o nome dado a esse processo de descarregamento emocional que, por acabar liberando o afeto conectado à memória de um trauma, consegue tornar inativos os seus efeitos.
Freud vai fazendo algumas alterações e mudanças e, na sequência chega à associação livre, em que o indivíduo poderia trazer ao atendimento seus conteúdos de forma livre, na seria restrito, nada deveria ser julgado, a partir daí Freud utilizava-se da atenção flutuante para investigar, analisar e interpretar o que era trazido em busca de relacionar essas falas a conteúdos escondidos no inconsciente. Assim chegou ao termo ‘psicanálise’. Seu objetivo e foco era estudar os elementos que compõem a psique. 
Há quem afirme que a maior de todas as contribuições que Freud teria deixado como legado sobre a estrutura do aparelho psíquico dos seres humanos foi a descoberta do inconsciente. Essa imensidão interna onde estariam abrigados os conteúdos que não estariam arquivados no nível consciente, conteúdos censurados internamente pelo próprio autor mantidos, por essa razão, escondidos de si mesmo, reprimidos no inconsciente. Interessante acrescentar que essa estrutura componente do aparelho psíquico conta com suas particularidades como:
- Forma de comunicação por imagens mnêmicas – memórias vinculadas a uma rede de símbolos;
- Atemporalidade – a saber, no inconsciente não há distinção entre passado e presente;
- Fora do esquema de dualidade “sim ou não”.
Assim Freud chega às três instâncias psíquicas da Primeira Tópica denominadas de Inconsciente – conteúdos reprimidos; Pré-consciente – conteúdos acessíveis ao consciente mas não em uso no momento; e Consciente – conteúdos compostos por estímulos e ainda informações oriundos do meio ambiente e do meio interno do indivíduo. É onde se localizam a atenção e o raciocínio.
Na Segundo Tópica Freud apresenta a ideia da divisão do aparelho psíquico em Id, Ego e Superego. Uma breve descrição de cada uma dessas instâncias vem a seguir:
- ID: instância psíquica na qual está contida a energia psíquica, as pulsões, tudo aquilo que é governado pelo princípio do prazer, é a parte que busca a satisfação dos desejos e que não considera a moralidade ou a realidade. É considerada a instância mais vasta e também a mais profunda
- EGO: o ego seria a ponte, aquele que conecta, buscando equilíbrio, as descargas de excitações dentro das possibilidades. O princípio da realidade é seu guia, colocando-se exatamente entre o atendimento das demandas do id e as censuras e proibições demarcadas pelo Superego. Também faz o papel de supervisionar os processos psíquicos, não permitindo que se chegue a um sofrimento psíquico exagerado tendo as censuras que aparecem nos sonhos como exemplo.
- SUPEREGO: instância psíquica responsável por trazer ao indivíduo a moralidade que atenda às normas sociais e culturais vigentes. É formado pela internalização de limitações, proibições e autoridade expressos pelos pais, professores e líderes em geral.
O trabalho iniciado por Freud com a psicanálise teve a contribuição de contemporâneos e sucessores e continua se desenvolvendo até atualmente favorecendo a busca de almas ávidas por entendimento do mundo invisível do inconsciente que tanto impacto traz ao cotidiano de todos.

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