Prévia do material em texto
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO EM SAÚDE DIEGO NAVARRETE SHIINOKI PRODUÇÃO AMBULATORIAL EM FOCO: UM ESTUDO GESTÃO DO CONSÓRCIO INTERMUNICIPAL DE SAÚDE PONTA GROSSA 2024 DIEGO NAVARRETE SHIINOKI PRODUÇÃO AMBULATORIAL EM FOCO: UM ESTUDO GESTÃO DO CONSÓRCIO INTERMUNICIPAL DE SAÚDE Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como avaliação parcial da disciplina de Trabalho de Conclusão do curso de Especialização em Gestão de Saúde da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Orientadora: Profa. Me. Késsia Virgínia dos Santos Lima. PONTA GROSSA 2024 PRODUÇÃO AMBULATORIAL EM FOCO: UM ESTUDO GESTÃO DO CONSÓRCIO INTERMUNICIPAL DE SAÚDE Diego Navarrete Shiinoki Orientadora: Profa. Me. Késsia Virgínia dos Santos Lima. RESUMO: O estudo analisa a utilização dos serviços oferecidos pelo CIS Ivaiporã pelos municípios consorciados do ano de 2023, com foco na relação entre os recursos financeiros aportados e a produção de serviços de saúde por habitante. A metodologia quantitativa descritiva utilizada envolveu a coleta de dados de produção e despesas administrativas do CIS, detalhando também contratações complementares como transporte sanitário e hospedagem para pacientes em tratamento fora do domicílio. Os resultados foram feitos através da tabulação de resultados e revelam que a distribuição dos serviços contratados segue uma lógica per capita, apresentando certas disparidades dos recursos entre os municípios consorciados. A análise comparativa entre os valores investidos e a produção por habitante permite identificar desafios na equidade podendo auxiliar os gestores municipais no planejamento estratégico e a alocação eficiente de recursos, também contribuindo para o planejamento do Consórcio. PALAVRAS-CHAVE: Consórcio de saúde; Produção ambulatorial; CIS Ivaiporã. 1. INTRODUÇÃO 1.1 Delimitação do Problema O presente estudo tem como foco central levantar a utilização dos serviços oferecidos pelo CIS de Ivaiporã/PR no ano de 2023 pelos municípios consorciados, ou seja, saber qual valor financeiro os municípios aportaram no Consórcio e quanto que esse valor corresponde a sua quantidade de habitantes. Com tais informações é possível analisar, como os recursos financeiros aportados pelos municípios estão sendo convertidos em serviços de saúde, tendo uma perspectiva de valor por habitante (per capita) além de comparar entre os municípios consorciados e visualizar um panorama regional. Ressalta-se a importância desta análise para demonstrar como os recursos públicos das secretarias municipais são alocados e utilizados na oferta de serviços de saúde à população, especialmente em um consórcio que abrange múltiplos municípios e atua no âmbito da atenção especializada. O estudo busca identificar possíveis desafios e áreas de melhoria na prestação desses serviços. Ao comparar os valores investidos com a produção por habitante, será possível avaliar se os recursos estão sendo aplicados de forma equitativa e eficaz, levando em consideração as necessidades e estratégias de cada município consorciado. 1.2 Consórcios Públicos Um Consórcio Público é uma forma de associação entre entes federativos, como municípios, estados e a União, com o objetivo de viabilizar serviços e realizar ações conjuntas em áreas de interesse comum, como saúde, educação, infraestrutura, entre outras. Essa colaboração é considerada uma interação intergovernamental, que é regida pela Lei nº 11.107 de 6 de abril de 2005, que estabelece normas gerais para a contratação e gestão de consórcios públicos no Brasil. De acordo com essa lei, os consórcios públicos também podem assumir a forma de associações públicas direito privado, dependendo de sua constituição e das necessidades específicas dos entes consorciados (Brasil, 2005), o que é possível perceber uma abrangência sobre suas regras no país. Os consórcios públicos desempenham um papel crucial na otimização de recursos, na melhoria da eficiência administrativa e na ampliação do acesso a serviços públicos de qualidade. Segundo o Ministério da Saúde (1997), a gestão compartilhada de serviços e a execução de projetos integrados, os consórcios públicos oferecem uma solução eficaz para as dificuldades enfrentadas, principalmente pelos municípios de menor porte, que muitas vezes tem dificuldades em ofertar para a população os serviços, pois não dispõem de recursos suficientes para atender às demandas locais de forma isolada, a atuação conjunta de forma consorciada, pode promover a chamada economia de escala, dando suporte a capacidade de planejamento e execução de políticas públicas. Segundo Vasconcelos (2002), a economia de escala refere-se a um fenômeno em que o custo por unidade de produção diminui à medida que a quantidade produzida aumenta, geralmente o é mais utilizado na indústria de escala para exemplificar, mas esse conceito é fundamental em diversas áreas, incluindo a administração pública, principalmente na área de compras públicas. No contexto dos consórcios públicos, a economia de escala se aplica quando municípios consorciados consolidam os recursos para viabilizar serviços ou a aquisição de algum bem, agrupando demandas e descentralizando compras ou serviços além da estrutura do municipal, com objetivos de reduzir principalmente os custos além de minimizar o esforço de mão de obra. Diante dessa contextualização, ao que o trabalho se propõe em conhecer a produção dos serviços contratados por uma determinada região, especialmente pelos serviços do Consórcios de Saúde, permite analisar como os recursos financeiros aportados estão sendo convertidos em serviços de saúde. Isso proporciona uma perspectiva de valor per capita e possibilita a comparação dos resultados entre os municípios consorciados, oferecendo um panorama regional geral. Como essas informações consolidadas não são diretamente acessíveis, é necessário realizar um levantamento e tabulação detalhados, que é o que este trabalho propõem, sendo importante demonstrar como os recursos públicos das secretarias municipais são alocados e utilizados na oferta de serviços de saúde à população, podendo ser identificando possíveis desafios e áreas que necessitam de melhorias na prestação desses serviços. Rocha (2016) aponta que ao comparar os valores investidos com a produção per capita entre os municípios da região por exemplo, é possível avaliar se os recursos estão sendo utilizados de maneira equitativa e até mesmo sua efetividade, complementado com um outro estudo mais detalhado, se os recursos estão sendo eficaz, se há economia de escala, levando em consideração as necessidades e estratégias de cada município consorciado. 1.2.1 Consórcios Públicos de Saúde e o CIS Ivaiporã O SUS (Sistema Único de Saúde), conforme a Constituição Federal de 1988 e regulamentado pela Lei nº 8.080/1990, é um dos mais complexos sistemas públicos de saúde do mundo, que visa garantir o acesso universal, integral e igualitário às ações e serviços de saúde, incluindo o atendimento eletivo, que compreende a atenção especializada ambulatorial, que engloba consultas médicas especializadas, exames, procedimentos e cirurgias classificas como não urgentes, onde os municípios podem utilizar os Consórcios de Saúde como instrumento para viabilizar os serviços de saúde e auxílio a gestão. Havendo ainda a possibilidade de contratação por meio de Consórcio específicos, como para compras coletivas de remédios, como é o caso dos municípios do Paraná que participam do Consórcio Paraná Saúde e serviços de urgência, como no caso do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) onde são muito utilizados pelosmunicípios para viabilizar o serviço. Especificamente no setor da saúde, possibilitam a oferta de serviços especializados, principalmente na contratação de profissionais médicos, podendo também realizar aquisição de equipamentos e medicamentos de forma mais econômica, além da implementação de programas de saúde que beneficiam a população dos municípios consorciados. Conforme Flexa (2020), essa forma de organização e cooperação entre os municípios é vital para a sustentabilidade e melhoria contínua do sistema de saúde público sendo essencial para cumprir com os princípios do SUS a fim de proporcionar mais resultados para a sociedade. Em suma, conforme definição do Ministério da Saúde, os consórcios representam a união dos municípios com o objetivo de resolver problemas e alcançar metas comuns na área da saúde, utilizando os recursos humanos e materiais disponíveis de forma conjunta (Brasil, 1997), essa abordagem permite que municípios, principalmente os de menor porte, viabilizem a prestação de serviços de saúde, já que são por meio dos Consórcios que são feitos os convênios, contratos e diversos de prestação de serviços de saúde, sendo que as regras devem estar previstas no Protocolo de Intenções e nos demais documentos que normatizam o funcionamento dos Consórcios Públicos de Saúde, além das leis que define os órgãos de controles para garantir a transparência, legalidade e eficiência na gestão dos recursos públicos direcionados à saúde. O CIS Ivaiporã, denominado em sua razão social como Consórcio Intermunicipal de Saúde da 22ª Regional de Saúde de Ivaiporã, é uma entidade de natureza pública, conforme o seu atual Protocolo de Intenções, foi fundado em 1997 e atualmente é composto por 16 municípios consorciados, conforme estabelecido pela SESA (Secretaria de Estado da Saúde do Paraná) está situado na 22ª Regional de Saúde da Macroregional Norte e além do município sede de Ivaiporã, integram o consórcio os municípios de Arapuã, Ariranha do Ivaí, Cândido de Abreu, Cruzmaltina, Godoy Moreira, Jardim Alegre, Lidianópolis, Lunardelli, Manoel Ribas, Mato Rico, Nova Tebas, Rio Branco do Ivaí, Rosário do Ivaí, Santa Maria do Oeste e São João do Ivaí, que segundo dados do Censo de 2022, esses municípios juntos somam uma população total de 134.692 habitantes, com uma mediana de 5.154 habitantes, sendo o município sede de Ivaiporã como o mais populoso com 32.720 habitantes e o município de Ariranha do Ivaí como o menos populoso com 2.329 habitantes Tabela 1 – Quantidade de habitantes CIDADE Habitantes quant. % Arapuã 3.527 2,6% Ariranha do Ivaí 2.329 1,7% Cândido de Abreu 15.244 11,3% Cruzmaltina 2.882 2,1% Godoy Moreira 2.977 2,2% Ivaiporã 32.720 24,3% Jardim Alegre 12.004 8,9% Lidianópolis 3.938 2,9% Lunardelli 4.872 3,6% Manoel Ribas 14.240 10,6% Mato Rico 3.267 2,4% Nova Tebas 6.848 5,1% Rio Branco do Ivaí 3.808 2,8% Rosário do Ivaí 5.435 4,0% Santa Maria do Oeste 9.934 7,4% São João do Ivaí 10.667 7,9% TOTAL 134.692 100% Mediana 5.154 Média 8.418 Fonte: elaborada pelo autor Conforme o CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, o CIS Ivaiporã possui característica ambulatorial, sendo como atividade principal as consultas, exames e procedimentos da atenção especializada. Também estão vinculados demais serviços complementares relacionados aos serviços de transporte sanitário e hospedagens para pacientes que realizam Tratamento Fora de Domicílio (TFD), principalmente destinados para Curitiba, capital do Estado. O CIS Ivaiporã, viabiliza a contratação de profissionais médicos e demais especialidades de saúde de forma terceirizada, através de processo licitatório na modalidade de credenciamento, que conforme estabelecido pela Lei nº 14.133 de 01 de abril de 2021, que representa um procedimento eficiente e talvez o mais adequado para a contratação de serviços, possibilitando agilidade e contratação simultânea de forma a garantir as exigências de qualidade descrita no edital de credenciamento, além da possibilidade de ter inclusão contínua de novos prestadores. Especificamente para o CIS Ivaiporã, conforme definido em Assembleia Geral, as ofertas de vagas de consultas, exames e demais procedimentos disponibilizados pelos prestadores credenciados, a divisão é feita de forma proporcional conforme a quantidade de habitantes, ou seja, a divisão é feita de forma per capita entre os 16 municípios consorciados garantindo uma melhor proporcionalidade na divisão, sendo o pagamento por parte dos municípios alinhado conforme suas vagas utilizadas. Além das despesas para pagamentos dos atendimentos dos serviços de saúde, os municípios consorciados ainda tem o compromisso em compartilhar as despesas administrativas, que são compostos pela folha de pagamento dos colaboradores da entidade, materiais de consumo e demais despesas administrativas para o funcionamento do Consórcio, tal despesas estão previsto no Protocolo de Intenções do Consórcio e são acordados no Contrato de Rateio que o CIS Ivaiporã anualmente firma junto com cada município consorciado. 1.3 Objetivos 1.3.1 Objetivo Geral: Analisar a utilização dos serviços oferecidos pelo CIS Ivaiporã no ano de 2023 pelos municípios consorciados, comparando os valores aportados com a produção por habitante (per capita). 1.3.2 Objetivos Específicos Para atingir o objetivo geral, os seguintes objetivos específicos serão abordados: • Levantar as produções de consultas, exames e procedimentos contratados pelos municípios consorciados do CIS Ivaiporã no ano de 2023; • Identificar as contratações realizadas nos CIS Ivaiporã consideradas complementares aos atendimentos de saúde no ano de 2023; • Levantar os pagamentos realizados pelos municípios consorciados destinados a despesas administrativas do CIS Ivaiporã no ano de 2023. 1.4 Metodologia Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa quantitativa descritiva, que visa apresentar a utilização dos serviços oferecidos pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde de Ivaiporã no ano de 2023. Os dados foram obtidos a partir do sistema de informação do CIS e pelos relatórios disponibilizados no Portal da Transparência, permitindo a coleta e tabulação dos valores financeiros aportados por cada município e a produção de serviços de saúde correspondentes. A análise contempla a conversão desses dados em valor per capita, oferecendo uma perspectiva detalhada sobre a distribuição e utilização dos recursos. A metodologia adotada segue as diretrizes estabelecidas por Marconi e Lakatos (2003), que destacam a importância da organização e análise sistemática dos dados em pesquisas quantitativas e documental. Os dados foram coletados a partir do sistema de informação e relatórios do próprio Consórcio e também nas páginas oficiais da internet das prefeituras dos municípios consorciados, principalmente no Portal da Transparência, considerando os dados confiáveis e oficiais, além do levantamento dos pagamentos direcionados para as das despesas administrativas por meios de relatórios do Consórcio. Os dados foram coletados forma organizados, digitalizados e tabulados em diferentes tabelas conforme sua natureza e posteriormente consolidado e através de ferramentas organizados e calculados de forma a obter as informações para os resultados para os objetivos propostos. 2. DESENVOLVIMENTO A coleta dos dados sobre a produção de consultas, exames e procedimentos ambulatoriais no Consórcio de Saúde baseou-se em dois relatórios fornecidos pela entidade. Esses relatórios, emitidos pelo Sistema Interno de Agendamento, estavam divididos por meses e não organizados. Um relatório abrangia as consultas, enquanto outro englobava exames e procedimentos diversos. Para a tabulação dos dados, as cidades foram ordenadas e os valores foram agregados anualmente, permitindoo cálculo dos percentuais correspondentes a cada município. Os dados relativos às contratações complementares foram obtidos através de dois relatórios disponibilizados pelo Consórcio, também provenientes do sistema de agendamento, porém segmentados em módulos específicos. Assim como nos relatórios anteriores, esses documentos não estavam organizados por cidade, demandando um processo de tabulação semelhante. No caso específico do relatório referente às hospedagens em casas de apoio, os valores monetários também estavam disponíveis. As despesas administrativas do Consórcio foram obtidas através dos depósitos realizados pelos municípios, sendo acessíveis por meio das publicações no Portal da Transparência da entidade e em relatórios financeiros disponibilizados pelo Consórcio. Essas despesas, representadas por mensalidades, abrangem diversos custos, como folha de pagamento, contas de serviços públicos, compras de materiais de consumo, entre outros. Um relatório específico tratava do aluguel de um prédio adicional destinado aos atendimentos, cujas despesas são igualmente divididas entre os municípios. Os depósitos antecipados são valores financeiros realizados pelos municípios para liberar créditos no sistema de agendamento, permitindo a marcação de consultas, exames e procedimentos. Esses depósitos são organizados em relatórios semelhantes aos anteriores, sendo tabulados anualmente e calculados os percentuais por cidade. Embora as vagas para atendimentos sejam divididas de forma proporcional por habitantes, a decisão de realizar os depósitos de créditos antecipados é determinada pela estratégia de cada município, refletindo suas diferentes necessidades e capacidades financeiras. Por fim, após a compilação e organização dos dados, foi possível construir uma tabela resumindo as contratações e pagamentos realizados por cidade ao Consórcio. Essa tabela incluiu o cálculo do valor per capita, representando o custo por habitante das contratações municipais junto ao Consórcio. 3. Resultados 3.1 Produção de consultas, exames e procedimentos ambulatoriais Levando em conta o Relatório Interno de Produção do Consórcio de Saúde em que se apresenta dividido mensalmente e separado por município, após consolidado e tabulado, é possível perceber que o volume de atendimentos de consultas, exames e procedimentos, acompanham de certa forma proporcional a quantidade de habitantes de cada cidade, sendo o maior município de Ivaiporã como o que mais realiza as contratações pelo Consórcio. Inicialmente, as vagas para os serviços ofertados são divididas de forma per capita entre todos os municípios consorciados, conforme definido em Assembleia Geral. Em casos de sobras, há uma política de redistribuição das vagas, onde o sistema interno de agendamento disponibiliza para todos os municípios as vagas remanescentes três dias antes do atendimento. Isso pode resultar em discrepâncias entre a quantidade de serviços utilizados e o percentual per capita inicialmente estabelecido. A política de redistribuição das sobras garante equidade e uma forma adequada de utilizar ao máximo as vagas ofertadas, promovendo eficiência no uso dos recursos e ampliando o acesso dos municípios aos serviços disponibilizados pelo consórcio. Tabela 2 – Quantidade de consultas, exames e procedimentos CIDADE HABITANTES QUANT. DE CONSULTAS QUANT. DE EXAMES E PROCEDIMENTOS TOTAL QUANT. % QUANT. % QUANT. % QUANT. % Arapuã 3.527 2,6% 1.755 2,8% 36.683 14,1% 38.438 11,9% Ariranha do Ivaí 2.329 1,7% 1.390 2,2% 536 0,2% 1.926 0,6% Cândido de Abreu 15.244 11,3% 5.554 8,8% 44.097 17,0% 49.651 15,4% Cruzmaltina 2.882 2,1% 1.555 2,5% 29.256 11,3% 30.811 9,5% Godoy Moreira 2.977 2,2% 2.311 3,7% 27.284 10,5% 29.595 9,2% Ivaiporã 32.720 24,3% 18.160 28,7% 16.545 6,4% 34.705 10,8% Jardim Alegre 12.004 8,9% 6.573 10,4% 46.915 18,1% 53.488 16,6% Lidianópolis 3.938 2,9% 3.731 5,9% 4.108 1,6% 7.839 2,4% Lunardelli 4.872 3,6% 2.083 3,3% 30.302 11,7% 32.385 10,0% Manoel Ribas 14.240 10,6% 4.487 7,1% 6.967 2,7% 11.454 3,5% Mato Rico 3.267 2,4% 1.185 1,9% 371 0,1% 1.556 0,5% Nova Tebas 6.848 5,1% 5.954 9,4% 4.099 1,6% 10.053 3,1% Rio Branco do Ivaí 3.808 2,8% 1.936 3,1% 8.564 3,3% 10.500 3,3% Rosário do Ivaí 5.435 4,0% 1.444 2,3% 1.287 0,5% 2.731 0,8% Santa Maria do Oeste 9.934 7,4% 2.876 4,5% 659 0,3% 3.535 1,1% São João do Ivaí 10.667 7,9% 2.230 3,5% 1.884 0,7% 4.114 1,3% TOTAL 134.692 100% 63.224 100% 259.557 100% 322.781 100% Fonte: elaborada pelo autor 3.2 Contratações complementares aos atendimentos de saúde As contratações complementares referem-se aos serviços realizados pelos municípios em serviços de passagens para transporte sanitário e hospedagem em casas de apoio, que em ambos os serviços são disponibilizados aos pacientes com guias de TFD - Tratamento Fora do Domicílio, no caso para Curitiba, capital do estado. O serviço é disponibilizado para o paciente e ao acompanhante caso necessário. Diferente da distribuição de consulta, exames e procedimentos, os itens em questão não são divididos de forma per capita, são contratados conforme a necessidade do município, alinhado com a disponibilidade dos prestadores credenciados. É possível perceber na tabulação, que tanto para o serviço de transporte e o serviço de hospedagem, somente parte dos municípios utilizam, podendo perceber que os demais municípios possuem outra forma de contratação do serviço além do Consórcio ou assumem os atendimentos por conta própria. Tabela 3 – Contratações complementares aos atendimentos de saúde CIDADE TRANSPORTE (passagens) QUANT. CASA DE APOIO (hospedagens) TOTAL quant. % R$ quant. % quant. % Arapuã 147 2,4% - - 0,0% 147 2,1% Ariranha do Ivaí 12 0,2% R$ 709,00 8 1,0% 20 0,3% Cândido de Abreu - 0,0% R$ 11.078,75 125 15,6% 125 1,8% Cruzmaltina 23 0,4% - - 0,0% 23 0,3% Godoy Moreira 258 4,2% R$ 2.127,12 24 3,0% 282 4,1% Ivaiporã 3.068 50,0% R$ 22.266,27 251 31,4% 3.319 47,8% Jardim Alegre 1.596 26,0% R$ 6.026,84 68 8,5% 1.664 24,0% Lidianópolis 11 0,2% - - 0,0% 11 0,2% Lunardelli 212 3,5% R$ 1.063,56 12 1,5% 224 3,2% Manoel Ribas - 0,0% R$ 16.751,07 189 23,6% 189 2,7% Mato Rico - 0,0% - - 0,0% - 0,0% Nova Tebas - 0,0% - - 0,0% - 0,0% Rio Branco do Ivaí - 0,0% R$ 7.533,55 85 10,6% 85 1,2% Rosário do Ivaí - 0,0% - 0,0% - 0,0% Santa Maria do Oeste - 0,0% R$ 1.683,97 19 2,4% 19 0,3% São João do Ivaí 812 13,2% R$ 1.677,26 19 2,4% 831 12,0% TOTAL 6.139 100% R$ 70.917,39 800 100% 6.939 100% Fonte: elaborada pelo autor 3.3 Despesas administrativas do Consórcio As despesas administrativas do Consórcio são financiadas pelos municípios consorciados por meio do pagamento de mensalidades, conforme estabelecido no contrato de rateio. Essas mensalidades são baseadas na estimativa anual das despesas operacionais necessárias para o funcionamento do Consórcio. Dentre as despesas previstas, destacam-se: folha de pagamento dos servidores, contas de água e energia, impostos, mensalidades dos sistemas de informação e agendamento, despesas de manutenção do prédio sede, materiais de consumo e outras despesas operacionais. Essas despesas são divididas de forma per capita e pagas mensalmente pelos municípios consorciados. Além das despesas definidas no contrato de rateio, definido em assembleia para alugar outro prédio para atender às linhas de cuidado para alto risco. Nesse caso, o custo do aluguel é dividido de forma absoluta, conforme o valor estipulado no contrato com o locador. Tabela 4 – Despesas administrativas do Consórcio CIDADE Aluguel (adicional) Mensalidade (Contrato de rateio) TOTAL quant. % quant. % quant. % Arapuã R$9.000,00 6,3% R$40.319,46 2,6% R$49.319,46 2,9% Ariranha do Ivaí R$9.000,00 6,3% R$27.828,82 1,8% R$36.828,82 2,1% Cândido de Abreu R$9.000,00 6,3% R$189.027,0812,0% R$198.027,08 11,5% Cruzmaltina R$9.000,00 6,3% R$35.872,28 2,3% R$44.872,28 2,6% Godoy Moreira R$9.000,00 6,3% R$37.857,58 2,4% R$46.857,58 2,7% Ivaiporã R$9.000,00 6,3% R$360.900,78 22,8% R$369.900,78 21,5% Jardim Alegre R$9.000,00 6,3% R$139.824,70 8,8% R$148.824,70 8,6% Lidianópolis R$9.000,00 6,3% R$45.061,58 2,9% R$54.061,58 3,1% Lunardelli R$9.000,00 6,3% R$58.493,74 3,7% R$67.493,74 3,9% Manoel Ribas R$9.000,00 6,3% R$149.342,96 9,4% R$158.342,96 9,2% Mato Rico R$9.000,00 6,3% R$43.359,78 2,7% R$52.359,78 3,0% Nova Tebas R$9.000,00 6,3% R$83.826,76 5,3% R$92.826,76 5,4% Rio Branco do Ivaí R$9.000,00 6,3% R$44.210,68 2,8% R$53.210,68 3,1% Rosário do Ivaí R$9.000,00 6,3% R$63.372,04 4,0% R$72.372,04 4,2% Santa Maria do Oeste R$9.000,00 6,3% R$130.431,18 8,3% R$139.431,18 8,1% São João do Ivaí R$9.000,00 6,3% R$130.726,12 8,3% R$139.726,12 8,1% TOTAL 144.000 100% R$ 1.580.455,54 100% R$ 1.724.455,54 100% Fonte: elaborada pelo autor 3.4 Depósitos em Créditos Antecipados Os depósitos em créditos antecipados referem-se aos valores monetários que os municípios consorciados podem transferir ao Consórcio para realizar agendamentos de consultas, exames e procedimentos ambulatoriais. Esses depósitos podem ser efetuados a qualquer momento, sendo que os valores correspondentes serão disponibilizados no sistema interno de agendamento, que somente poderão ser realizados caso haja saldo disponível nos créditos antecipados. Esse item corresponde a base e aos principais serviços disponibilizados pelo Consórcio, onde representa o maior fluxo de atendimento e consequentemente a alocação dos maiores valores financeiros. Tabela 5 – Valores depositados em Crédito Antecipado CIDADE DEPÓSITOS EM CRÉDITO ANTECIPADO Arapuã R$ 678.000,00 Ariranha do Ivaí R$ 153.780,63 Cândido de Abreu R$ 810.000,00 Cruzmaltina R$ 615.968,21 Godoy Moreira R$ 500.000,00 Ivaiporã R$ 1.870.385,23 Jardim Alegre R$ 1.225.000,00 Lidianópolis R$ 412.500,00 Lunardelli R$ 523.436,93 Manoel Ribas R$ 450.000,00 Mato Rico R$ 72.000,00 Nova Tebas R$ 685.450,00 Rio Branco do Ivaí R$ 190.937,84 Rosário do Ivaí R$ 54.000,00 Santa Maria do Oeste R$ 100.000,00 São João do Ivaí R$ 112.875,00 TOTAL R$ 8.454.333,84 Fonte: elaborada pelo autor 3.4 Discussão dos Resultados Para analisar a utilização dos serviços oferecidos pelo CIS Ivaiporã no ano de 2023 pelos municípios consorciados, comparando os valores aportados com a produção por habitante (per capita), organizando as tabelas e consolidando, a análise dos dados a tabela referente à utilização dos serviços oferecidos pelo CIS Ivaiporã no ano de 2023 pelos municípios consorciados responde ao objetivo geral de comparar os valores aportados com a produção por habitante (per capita). Observa-se uma ampla variação nos pagamentos realizados e na quantidade de contratações entre os municípios participantes, municípios como Ivaiporã, com a maior população consorciada (24,3%) e contribuição financeira significativa de R$ 2.262.552,28, evidenciam uma relação per capita de R$ 69,15, abaixo da média geral de R$ 95,38. Em contrapartida, municípios menores como Arapuã e Godoy Moreira apresentam valores per capita mais elevados, R$ 206,21 e R$ 184,41 respectivamente, indicando uma maior intensidade na utilização dos serviços de saúde por habitante. A disparidade nos valores per capita também é observada entre municípios de tamanho semelhante, como Manoel Ribas e Lunardelli, refletindo diferentes demandas e capacidades financeiras locais. Essas variações destacam a importância de considerar não apenas a população de cada município, mas também podem considerar fatores socioeconômicos e de saúde na distribuição de recursos e na oferta de serviços pelo consórcio. Esta análise pode auxiliar os gestores municipais no planejamento estratégico e a alocação eficiente de recursos, além de contribuir com o planejamento do Consórcio. Tabela 5 – Resultados consolidados e valores per capita CIDADE HABITANTES QUANT. DE CONTRATA ÇÕES PAGAMENTOS REALIZADOS AO CIS IVAIPORÃ VALOR PER CAPITA QUANT. % R$ % Arapuã 3.527 2,6% 38.585 R$ 727.319,46 7,1% R$ 206,21 Ariranha do Ivaí 2.329 1,7% 1.946 R$ 191.318,45 1,9% R$ 82,15 Cândido de Abreu 15.244 11,3% 49.776 R$ 1.019.105,83 9,9% R$ 66,85 Cruzmaltina 2.882 2,1% 30.834 R$ 660.840,49 6,4% R$ 229,30 Godoy Moreira 2.977 2,2% 29.877 R$ 548.984,70 5,4% R$ 184,41 Ivaiporã 32.720 24,3% 38.024 R$ 2.262.552,28 22,1% R$ 69,15 Jardim Alegre 12.004 8,9% 55.152 R$ 1.379.851,54 13,5% R$ 114,95 Lidianópolis 3.938 2,9% 7.850 R$ 466.561,58 4,6% R$ 118,48 Lunardelli 4.872 3,6% 32.609 R$ 591.994,23 5,8% R$ 121,51 Manoel Ribas 14.240 10,6% 11.643 R$ 625.094,03 6,1% R$ 43,90 Mato Rico 3.267 2,4% 1.556 R$ 124.359,78 1,2% R$ 38,07 Nova Tebas 6.848 5,1% 10.053 R$ 778.276,76 7,6% R$ 113,65 Rio Branco do Ivaí 3.808 2,8% 10.585 R$ 251.682,07 2,5% R$ 66,09 Rosário do Ivaí 5.435 4,0% 2.731 R$ 126.372,04 1,2% R$ 23,25 Santa Maria do Oeste 9.934 7,4% 3.554 R$ 241.115,15 2,4% R$ 24,27 São João do Ivaí 10.667 7,9% 4.945 R$ 254.278,38 2,5% R$ 23,84 TOTAL 134.692 100% 329.720 R$ 10.249.706,77 100% R$ 95,38 per capita média Fonte: elaborada pelo autor 3.5 Considerações Finais Considerando os resultados da pesquisa, é possível afirmar que ela se limita ao escopo atual de seu objetivo, não contemplando totalmente a produção nem os recursos financeiros provenientes de convênios estaduais, que envolvem aportes específicos do Estado do Paraná. Essa lacuna sugere a necessidade de estudos mais detalhados para obter resultados mais precisos sobre a gestão dos recursos e a eficácia na prestação de serviços pelo CIS Ivaiporã. Estes estudos poderiam incluir análises específicas das especialidades médicas oferecidas, visando identificar possíveis vazios assistenciais e outras demandas não totalmente abordadas nesta pesquisa. Apesar disso, o trabalho apresenta uma metodologia adequada para analisar e comparar a utilização dos serviços pelos municípios consorciados, podendo ser reaplicados nos próximos anos. A partir dos dados disponíveis, é possível inferir padrões de utilização e impacto financeiro, fornecendo de certa froma informações para melhorar a distribuição e eficiência dos serviços de saúde no consórcio. Essa análise comparativa não apenas destaca as disparidades atuais, mas também oferece uma base sólida para estudos futuros que possam aprofundar a compreensão das necessidades locais e aprimorar ainda mais a gestão de recursos e serviços desse contexto nas secretariais municipais e para gestão do próprio Consórcio. REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 29 abr 2024. BRASIL. Lei n.º 11.107/05. Lei de Contratação de Consócios Públicos. Dispõe sobre normas gerais de contratação de consórcios públicos e dá outras providências. Brasília: 2005. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11107.htm. Acesso em: 29 abr 2024. BRASIL. Lei nº 8.080/90. Lei do Sistema Único de Saúde. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Brasília: 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm. Acesso em: 29 abr 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. O Consórcio e a Gestão Municipal em Saúde. Brasília: 1997. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd05_14.pdf. Acesso em: 29 abr 2024. CIS - Consórcio Intermunicipal de Saúde de Ivaiporã. Protocolo de Intenções. Ivaiporã: 2013. Disponível em: https://www.cisivaipora.com.br/documentos/protocolo-de- intencoes/protocolodeinten%C3%A7%C3%B5es.pdf. Acesso em: 29 abr2024. CNES - Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde. Disponível em: https://cnes.datasus.gov.br/pages/estabelecimentos/ficha/infGerais/4111502588501. Acesso em: 29 abr 2024. FLEXA, R. G. C. e BARBASTEFANO R. G. Consórcios públicos de saúde: uma revisão da literatura. Ciência e saúde coletiva: 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1413- 81232020251.24262019.Acesso em: 29 abr 2024. IBGE. Censo 2022. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/. Acesso em: 28 abr 2024. MARCONI, M. de A. e LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2003. ROCHA, Carlos Vasconcelos. A cooperação federativa e a política de saúde: o caso dos Consórcios Intermunicipais de Saúde no estado do Paraná. Cad Metrop: 2016. Disponível: https://www.scielo.br/j/cm/a/jh7yyc9PV4f3JDq9GGvgdJk/?lang=pt#. Acesso em: 28 abr 2024. SESA - Secretaria de Estado da Saúde do Paraná. Divisão. Disponível em: https://www.saude.pr.gov.br/Pagina/22a-Regional-de-Saude-Ivaipora. Acesso em: 29 abr 2024. VASCONCELOS, Marco Antonio Sandoval de. Economia micro e macro: teoria e exercícios, glossário com 260 principais conceitos econômicos. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2002. DECLARAÇÃO DE COMPROMISSO ÉTICO Eu, Diego Navarrete Shiinoki, acadêmico do curso de Especialização Gestão em Saúde da UEPG, declaro que o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), intitulado: Produção ambulatorial em foco: um estudo gestão do Consórcio Intermunicipal de Saúde, sob orientação da professora me. Késsia Virgínia dos Santos Lima foi por mim elaborado e, portanto, sendo de minha inteira autoria, responsabilizando-me pelas ideias e conteúdo nele constantes. Responsabilizo-me pela redação e declaro que todos os trechos que tenham sido transcritos de outros documentos (publicados ou não) e que não sejam de minha autoria estão citados conforme normas e padrões definidos pela ABNT vigentes e manual de normalização bibliográfica para trabalhos acadêmicos da UEPG. Declaro ainda ter o conhecimento de que posso ser responsabilizado(a) legalmente caso infrinja tais disposições, submetendo-me às penas da legislação cabível. Ponta Grossa,14 de junho de 2024. ___________________________ Assinatura do Acadêmico CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO EM SAÚDE/UEPG FICHA DE AVALIAÇÃO DE TCC ORIENTADOR: Késsia Virgínia dos Santos Lima. MEMBRO DA BANCA 1: MEMBRO DA BANCA 2: NOME DO ACADÊMICO(A): Diego Navarrete Shiinoki TÍTULO DO TCC: Produção ambulatorial em foco: um estudo gestão do consórcio intermunicipal de saúde DATA: horário Itens avaliados Nota máxima Nota atingida Problema do estudo. 1,0 Relevância e justificativa. 1,0 Objetivo geral e objetivos específicos. 1,0 Fundamentação teórica. 2,0 Metodologia e procedimentos. 2,0 Correção gramatical, ortografia formatação e uso das normas técnicas, de acordo com o Manual de normalização bibliográfica para trabalhos científicos da UEPG. 1,0 Resultados e conclusão. 2,0 TOTAL 10,0 Recomendações e sugestões: _______________________________________________ Assinatura do Orientador