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• Princípios Básicos da Energia Solar Fotovoltaica •Professor: Thiago de Oliveira Alves Rocha Email: thiago.rocha@ufrn.br 1 Geração de Energia Elétrica Thiago Rocha 2 SISTEMAS DE ENERGIA ELÉTRICA Thiago Rocha 1 – Introdução • Necessidade do uso sustentável da energia elétrica. • O incentivo ao consumo da energia elétrica proveniente de fontes renováveis é um caminho que precisa ser seguido (ONU, 2015). • Preocupação com crescimento desordenado das mudanças climáticas. • Necessidade de redução de combustíveis fosseis. • O aquecimento global afeta o bem-estar das gerações atuais e futuras. • Uma das soluções é o investimento massivo na produção de energias renováveis, bem como, o seu uso de forma eficiente. • As fontes de energias: hidráulica, biomassa e geotérmica são parcialmente renováveis. 3 SISTEMAS DE ENERGIA ELÉTRICA Thiago Rocha • Os sistemas de geração fotovoltaicos (PV) oferecem uma grande oportunidade para contribuir com geração de energia elétrica. • As características principais dos sistemas PV são: • i) Baixo nível de manutenção; • ii) Baixos custos por tempo de inatividade; • iii) Necessidade de abastecimento nula; • iv) Rápido tempo de construção. 1 – Introdução Thiago Rocha 4 1 – Introdução Sem GD 1 – Introdução • Segundo a Global Market Outlook for Solar Power 2022-2026 o Brasil pode se tornar um dos principais países na fonte solar nos próximos anos, podendo atingir 67GW na fonte solar até 2026. • Além disso, o Brasil pode atingir também 77GW no melhor cenário possível e 48GW no pior cenário possível, segundo o estudo. • Também, segundo o estudo, devemos se tornar o 5º país que mais irá crescer no mercado de energia solar até o ano de 2026. 1 – Introdução Thiago Rocha • Necessidade de se obter energia elétrica a partir de fontes renováveis. • Intensa irradiância existente no Brasil, em especial, na região nordeste. • Nos últimos anos ocorreu um desenvolvimento das tecnologias associadas a este tipo de geração. • O retorno financeiro gira em torno de 4 a 5 anos, para sistemas residenciais. • No mundo, estes sistemas têm sido estudados e implementados de forma abrangente. • A Resolução 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), incentivo este tipo de geração (microgeração e minigeração). • Na Resolução 687/2015, da ANEEL, foram feitas grandes melhorias em relação ao autoconsumo remoto, redução da espera na conexão com a rede, geração compartilhada e geração em condomínios. 11 2 – Motivações para o Estudo de Sistemas PV Thiago Rocha • 99 % (1311066 unidades) da unidades de geração distribuída (1311645 unidades) no Brasil são PV. • 98,36 % (13981575,43kW) da capacidade instalada de geração distribuída (13752636,35kW) no Brasil são PV. 12 2 – Motivações para o Estudo de Sistemas PV Thiago Rocha 13 2 – Motivações para o Estudo de Sistemas PV Thiago Rocha 14 2 – Motivações para o Estudo de Sistemas PV Thiago Rocha • Breve histórico das células fotovoltaicas (VALLÊRA e BRITO, 2013); • 1839 - O efeito fotovoltaico foi observado pela primeira por Edmond Becquerel; • 1877 - W. G. Adams e R. E. Day desenvolveram o primeiro dispositivo sólido para geração de eletricidade a partir da luz; • 1905 - Albert Einstein desenvolve a teoria de bandas e física dos semicondutores e a produção do transístor de silício impulsionou a geração fotovoltaica. • 1953 – Produção da primeira célula solar, utilizando processo de difusão, Calvin Fuller; • 1955 – Primeira aplicação das células solares de Chapin, Fuller e Pearson (rede telefónica local); • 1966 – O observatório astronômico orbital foi lançado com um conjunto de células fotovoltaicas de 1 kW; 15 3 – Histórico das células fotovoltaicas (PV) Thiago Rocha • 1979 - A Nasa implementou um sistema de energia solar de 3,5kW, na reserva indigena Papago em Schuchuli, Arizona. • 1982 - A produção mundial de células fotovoltaicas ultrapassou os 9,3 MW. • 1998 - Foi atingida a eficiência recorde de 24,7%, com células em silício monocristalino. • 2004 - Viaud apresentou células solares, chamadas células em cascata, com rendimentos de conversão superiores a 34%. 16 3 – Histórico das células fotovoltaicas (PV) Thiago Rocha • A classificação dos materiais de acordo com a condução de corrente elétrica está associada à estrutura dos átomos. • Existem orbitais permitidos aos elétrons com determinados níveis de energia (COHEN-TANNOUDJI, DIU e LALOË, 1977). • Para passar para um orbital superior o elétron deve receber energia de uma fonte externa (luz ou calor). • Na passagem de um elétron de um orbital de maior energia para um de menor energia este libera energia. • Para explicar o funcionamento da estrutura atômica, após diversos modelos e teorias, a física quântica chegou à teoria das bandas de energia. 17 4 - Células e Módulos Fotovoltaicos (PV) Thiago Rocha • Existem três tipos de bandas de energia. • Essas bandas são divididas em: • Banda de valência – Energia para que os elétrons completem as ligações covalentes com os átomos vizinhos. • Banda de condução – Energia que elétrons recebem de alguma forma e não mais estão ligados aos átomos • Banda proibida – Banda de energia onde o elétron não pode permanecer. 18 4 - Células e Módulos Fotovoltaicos (PV) Thiago Rocha 19 Figura 2 - Regiões de energia permitidas para os elétrons no átomo, de acordo com o seu orbital. • Os materiais podem ser classificados em condutores, semicondutores e isolantes. • Condutores são compostos moleculares onde alguns elétrons de valência (elétrons livres) se situam também na banda de condução. 4 - Células e Módulos Fotovoltaicos (PV) Thiago Rocha • Semicondutores são materiais onde a banda proibida é pequena (da ordem de 3 eV). • Os elétrons saltam para a banda de condução com relativa facilidade. • Silício (Si) e o Germânio (Ge). • Os materiais isolantes possuem uma banda proibida grande (> 3 eV). • Os elétrons não conseguem normalmente passar da banda de valência para a banda de condução. • Somente campos elétricos muito altos podem remover os elétrons da banda de valência, quando ocorre a ruptura do isolante. • O cristal de silício puro, também chamado material intrínseco, possui uma estrutura com organização atômica regular (SEDRA e SMITH, 2007). 20 4 - Células e Módulos Fotovoltaicos (PV) Thiago Rocha 21 • À temperaturas superiores ao zero absoluto, algumas ligações covalentes são rompidas e elétrons são liberados. • O aumento da condutividade dos semicondutores pode ser conseguido através de um processo chamado de dopagem. Figura 3 – Estrutura de bandas de energia. 4 - Células e Módulos Fotovoltaicos (PV) Thiago Rocha 22 • Material intrínseco: Cristal formado apenas por silício. • Tipo N: Ao introduzir átomos pentavalentes como o Antimônio (Sb), o Fósforo (P) e o Arsênio (As). • Tipo P: Se forem introduzidas ao semicondutor, impurezas trivalentes, como o Boro (B), Gálio (Ga) ou Índio (In). Figura 4 – Material intrínseco, do tipo N e do tipo P. 4 - Células e Módulos Fotovoltaicos (PV) Thiago Rocha • Na junção PN forma-se uma tensão elétrica 𝑉𝑜 𝑇 . 𝑉𝑜 𝑇 = 𝑘𝑇 𝑞 ln 𝑛𝑑𝑛𝑎 𝑛𝑖 2 23 - Diferença de potencial da junção. - Concentração de portadores intrínsecos. – Constante de Boltzmann (. - Concentração de portadores dopantes do tipo N. – Temperatura em Kelvin. - Concentração de portadores dopantes do tipo P. – Carga do elétron . Figura 5 – Material tipo PN. 4 - Células e Módulos Fotovoltaicos (PV) Thiago Rocha • O princípio de operação das células fotovoltaicas se baseia na absorção de energia luminosa por um material semicondutor. • Ao incidir luz sobre a célula fotovoltaica, os fótons incidentes transferem energia para elétrons no material. • A corrente elétrica é proporcional à variação da luz incidente. 24 Figura 6 – Célula fotovoltaica. 4 - Células e Módulos Fotovoltaicos (PV) Thiago Rocha • Pesquisas têm sido feitas a fim de desenvolver materiais e condições mais favoráveispara a manufatura de células fotovoltaicas. • https://www.portalsolar.com.br/blog-solar/energia-solar/cientistas-norte- americanos-desenvolvem-celula-solar-mais-eficiente-do-mundo.html (Célula mais eficiente no mundo 44%) • Materiais usados: • Silício • Silício amorfo (a-Si) • Telureto de cádmio (CdTe) • Cobre, índio e gálio seleneto (CIS / CIGS) • Células solares fotovoltaicas orgânicas (OPV) 25 5 - Tipo de células PV https://www.portalsolar.com.br/blog-solar/energia-solar/cientistas-norte-americanos-desenvolvem-celula-solar-mais-eficiente-do-mundo.html Thiago Rocha • Células de Silício Monocristalino. • Têm sido a melhor escolha por muitos anos, estando entre as formas mais antigas, eficientes e confiáveis. • Construídas de único cristal. 26 Figura 7 – Módulo com células de silício monocristalinas. 5 - Tipo de células PV Thiago Rocha • Os módulos monocristalinos normalmente podem ser reconhecidos por sua cor que normalmente é preto ou azul. • As células são obtidas a partir de um processo similar ao usado para produzir pastilhas de semicondutores para circuitos integrados. • Pesquisas indicam que os painéis monocristalinos podem durar mais de 50 anos. • Vantagens: Longevidade; Eficiência - de 18% a 24%. • Desvantagens: Mais caros; Frágeis. 27 5 - Tipo de células PV Thiago Rocha • Células de Silício Policristalino. • Foram introduzidos no mercado no começo da década de 80. • São menos eficientes dos que os de silício monocristalino, tipicamente de 16% a 18%. • Os cristais de silício são fundidos em um bloco, desta forma preservando a formação de múltiplos cristais. • A razão principal da menor eficiência é a menor pureza do silício utilizado. 28 Figura 8 – Módulo com células de silício policristalino (ELECTRICIDAD, 2016). 5 - Tipo de células PV Thiago Rocha • Vantagens: • Preço, quando comparado ao monocristalino; • Esteticamente são mais agradáveis. • Desvantagens: • Para uma mesma potência gerada é necessário utilizar uma área maior e consequentemente, os custos de instalação são mais elevados. 29 5 - Tipo de células PV Thiago Rocha • Célula de Filme Fino; • São mais baratas do que as células solares mono e policristalinos. • Sua eficiência geralmente é bastante menor, da ordem de 5% a 8%. 30 Figura 9 – Módulo com células de filme fino (NEW HOME, 2017). 5 - Tipo de células PV Thiago Rocha • Vantagens: • Apresenta uma absorção da radiação solar na faixa do visível; • Flexibilidade; • Processo de fabricação relativamente simples e barato; • Possibilidade de fabricação de células com grandes áreas; • Baixo consumo de energia na produção. • Produzidos em qualquer dimensão • Desvantagens: • Baixa eficiência de conversão; • As células são afetadas por um processo de degradação logo nos primeiros meses de operação, reduzindo assim a eficiência ao longo da vida útil. 31 5 - Tipo de células PV Thiago Rocha • Módulo BIPV (Building Integrated PhotoVoltaics) em Português: Sistemas Fotovoltaicos Integrados • Um BIPV consiste em células solares ou placas, que estão integradas na construção de elementos ou materiais como parte da estrutura do edifício. • Muito usado por arquitetos na substituição de telhas e de janelas. • Vidro colorido, tratado e polivalente; • Efeito antirreflexo; • Superfície externa opaca, evitando efeitos de brilho; • Eficiência de 8% a 9,5%. 32 5 - Tipo de células PV Thiago Rocha 33 5 - Tipo de células PV Thiago Rocha 34 6 – Exemplo de Projeto Thiago Rocha 35 6 – Exemplo de Projeto Thiago Rocha 36 6 – Exemplo de Projeto Thiago Rocha 37 6 – Exemplo de Projeto Horas de sol pleno Thiago Rocha 38 6 – Exemplo de Projeto 83,54% da energia da casa Thiago Rocha 39 6 – Exemplo de Projeto Thiago Rocha 40 6 – Exemplo de Projeto