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Resumo completo e detalhado (Aula 1 — 
Estrutura das Demonstrações Contábeis) 
1) Contexto e objetivo da disciplina 
 Papel da contabilidade: é a “linguagem dos negócios”, responsável por dar 
transparência às operações das entidades (públicas, privadas e terceiro setor) e 
por fornecer informações úteis para a tomada de decisão (desempenho, posição 
patrimonial, fluxos de caixa). 
 Objetivo da aula: entender a obrigatoriedade e a estrutura do Balanço 
Patrimonial (BP), separando e explicando as contas que o compõem (Ativo, 
Passivo e Patrimônio Líquido) e a distinção entre circulante e não circulante. 
2) Base legal e normativas principais 
 Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.A.): determina quais demonstrações são 
obrigatórias (BP, DRE, DFC, DLPA e, para companhias abertas, DVA) e exige 
publicação com comparativos do exercício anterior. 
 Lei nº 11.638/2007 e demais alterações: adaptaram a legislação brasileira para 
convergência com normas internacionais (IFRS), ampliaram exigências para 
grandes sociedades e exigência de auditoria para grandes porte. 
 CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis): define estrutura conceitual 
(CPC 00) e critérios de apresentação/ mensuração (ex.: CPC 26 para 
apresentação/ classificação de ativo e passivo). O CPC centraliza e padroniza a 
aplicação das normas no Brasil. 
3) Demonstrações contábeis e finalidade de cada uma 
 Balanço Patrimonial (BP): posição estática do patrimônio em uma data (quem 
tem/quem deve / patrimônio dos sócios). Base para demais demonstrações. 
 Demonstração do Resultado do Exercício (DRE): mede desempenho 
(lucro/prejuízo) em um período. 
 Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC): mostra origem e aplicação do 
caixa, capacidade de geração de caixa. 
 Outras: Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, Demonstração do 
Valor Adicionado (se aplicável), notas explicativas e relatório da administração. 
4) Conceito e estrutura do Balanço Patrimonial 
 Estrutura básica: duas colunas — Ativo (esquerda) = aplicação de recursos 
(bens e direitos); Passivo (direita) = origem de recursos (obrigações) + 
Patrimônio Líquido (interesse residual dos proprietários). Pelo método das 
partidas dobradas, os dois lados devem equilibrar. 
 Itens que o BP deve apresentar (CPC 26): caixa e equivalentes, 
clientes/recebíveis, estoques, ativos financeiros, ativos para venda, ativos 
biológicos, investimentos (equivalência patrimonial), propriedades para 
investimento, imobilizado, intangível, contas a pagar, provisões, obrigações 
financeiras, tributos correntes/diferidos, participação de não controladores, 
capital integralizado e reservas, etc. (lista de itens padronizados pelo CPC). 
5) Classificação: Circulante (curto prazo) vs Não 
Circulante (longo prazo) 
 Regra geral: curto prazo = realização ou exigibilidade até 12 meses após a data 
do balanço; longo prazo = superior a 12 meses. O CPC exige divulgação do 
montante que se espera recuperar/liquidar em até 12 meses ou depois desse 
período. 
 Exceção — ciclo operacional: se o ciclo operacional da entidade for claramente 
maior que um ano (ex.: construção de navios, pecuária), a classificação usa o 
prazo do ciclo operacional em vez de 12 meses. 
 Importância: separação facilita análise de liquidez (Ativo) e de 
vencimentos/exigibilidade (Passivo); erro de classificação pode distorcer 
decisões e mesmo gerar autuações. 
6) Ativo circulante — o que compõe e como apresentar 
 Princípio de ordenação: ordenar por grau de liquidez (o que vira dinheiro 
mais rápido aparece primeiro). 
 Componentes principais (com explicação): 
o Disponibilidades: caixa, saldos bancários e equivalentes de caixa (ativos 
de alta liquidez sem risco significativo). São o primeiro item do ativo 
circulante. 
o Aplicações financeiras de curto prazo: CDB, títulos públicos, 
aplicações resgatáveis em curto prazo que funcionam como caixa. 
o Contas a receber de clientes: direitos realizáveis no exercício ou até 12 
meses subsequentes (duplicatas, faturas). Deve-se considerar o prazo de 
recebimento. 
o Estoques: mercadorias para venda, matérias-primas, produtos em 
processo — classificados como circulante pois destinam-se à 
venda/consumo no ciclo normal. 
o Tributos a recuperar: tributos pagos que poderão ser compensados ou 
recuperados (ex.: ICMS, PIS/COFINS em determinadas situações). 
o Despesas antecipadas: pagamentos feitos que serão apropriados como 
despesas no período subsequente (ex.: seguros, aluguel pago antecipado). 
 Observação: ativos mantidos essencialmente para negociação (trading) são 
circulantes (CPC 38) — ex.: instrumentos financeiros comprados para venda 
frequente. 
7) Passivo circulante — critérios e componentes 
 Critérios para ser circulante (CPC 26): 
o espera-se que seja liquidado durante o ciclo operacional normal; 
o é mantido com propósito de negociação; 
o deve ser liquidado no período de até 12 meses após a data do balanço; 
o a entidade não tem o direito incondicional de diferir a liquidação por 
pelo menos 12 meses. 
 Principais contas do passivo circulante: 
o fornecedores; 
o empréstimos e financiamentos de curto prazo; 
o juros a pagar; 
o salários a pagar; 
o tributos a pagar; 
o contas a pagar diversas; 
o dividendos a pagar. 
8) Ativo e Passivo Não Circulante — itens e finalidades 
 Ativo não circulante (itens que não se realizam dentro de 12 meses ou que se 
mantêm para suporte das atividades): 
o Ativo realizável a longo prazo: direitos a receber após o exercício 
subsequente (empréstimos a coligadas, parcelas de vendas com 
vencimento >12 meses). 
o Investimentos: participações permanentes em outras sociedades, direitos 
não ligados à atividade operacional. 
o Imobilizado: bens corpóreos destinados à manutenção das atividades 
(máquinas, imóveis, veículos). 
o Intangível: ativos incorpóreos (marcas, patentes, fundo de comércio 
adquirido). 
 Passivo não circulante: obrigações com vencimento superior a 12 meses 
(financiamentos de longo prazo, debêntures, outras exigibilidades de longo 
prazo). 
9) Patrimônio Líquido — composição e conceitos 
 Definição: participação residual dos proprietários nos ativos após deduzir os 
passivos (PL = Ativos − Passivos). 
 Contas principais: 
o Capital social: montante subscrito e a parcela ainda não realizada; 
o Reservas de capital: aportes que não transitam pelo resultado (ex.: ágio 
na emissão de ações acima do valor nominal); 
o Ajustes de avaliação patrimonial: diferenças decorrentes de 
mensuração a valor justo que ainda não passaram pelo resultado; 
o Reservas de lucros: lucros apropriados para fins específicos (legal, 
estatutárias, expansão, contingência, lucros a realizar); 
o Ações em tesouraria: dedução do PL (a empresa compra suas próprias 
ações); 
o Prejuízos acumulados: saldos negativos que reduzem o PL. 
 Importância: PL reflete a “garantia” residual aos sócios e é diretamente 
impactado pelo resultado do exercício (DRE) e ajustes patrimoniais. 
10) Consolidação e notas explicativas 
 Consolidação: quando há controle (controladora e subsidiárias), a legislação e 
as normas internacionais obrigam a consolidação das demonstrações — ou seja, 
apresentar o grupo como um todo. Não é opcional quando há controle. 
 Notas explicativas: detalham políticas contábeis, critérios de mensuração, 
composição de contas e quaisquer esclarecimentos necessários; referências 
numéricas no BP remetem a notas explicativas. A publicação deve trazer 
comparativos (ex.: valores do exercício e do exercício anterior). 
11) Exemplos práticos da aula (Indústria Limpex) — 
raciocínio e classificação 
 Regra aplicada: para exercício que fecha em 31/12/2019, o curto prazo alcança 
até 31/12/2020 (365 dias). Veja os exemplos: 
1. Compra em 15/10/2019 — 15 parcelas com entrada: última parcela 
em DEZ/2020 → toda obrigação no passivo circulante, porque todas 
as parcelas vencem até 31/12/2020.(Gabarito: reconhecida integralmente 
no passivo circulante). 
 Por que: mesmo que o financiamento seja parcelado, se a última 
parcela vence dentro de 12 meses após a data do balanço, é curto 
prazo. 
2. Compra em 15/10/2019 — 15 parcelas sem entrada e 1ª em 30 dias: 
última parcela em 2021 → parte no circulante e parte no não 
circulante (long-term); se a última parcela vence após 12 meses, 
aquela(s) parcela(s) de vencimento posterior entram no passivo não 
circulante. 
 Observação: Neste caso o saldo foi parcialmente curto e 
parcialmente longo prazo (apenas as parcelas com vencimento 
>12 meses vão para não circulante). 
3. Compra em 25/05/2019 — 36 parcelas com entrada: parcelas dentro e 
fora dos 12 meses → parte circulante (parcelas vencendo dentro dos 
12 meses) + parte não circulante (parcelas com vencimento após 12 
meses). (Gabarito: parte no curto prazo e parte no longo prazo). 
12) Questões práticas (respostas do material) 
 Questão 1: alternativa A (I e II verdadeiras, II justifica I). 
 Questão 2: alternativa C (I, III e V corretas). 
 Questões 3–5: respostas conforme explicado no tópico anterior (classificações 
por prazo/parcelamento). 
13) Boas práticas e observações finais 
 Ordem e clareza: apresentar contas agrupadas por natureza e por 
liquidez/exigibilidade facilita análise. 
 Risco de erro: classificação incorreta pode induzir usuários a decisões erradas e 
acarretar implicações legais ou fiscais. 
 Comparabilidade: demonstrar valores do exercício e do exercício anterior para 
permitir análise temporal. 
 Notas explicativas: essenciais para entender políticas contábeis e detalhes que 
não cabem no BP. 
 Consolidação obrigatória: quando existir controle, apresentar demonstrativos 
consolidados (controladora + subsidiárias).