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Princípio da Manutenção da Vida

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AULA 25 – CAPÍTULO 12 – PARTE 1 
PRINCÍPIO DA MANUTENÇÃO 
DA VIDA/MEMÓRIA/CONSTÂNCIA 
 
Prof. Agosttinho Almeida 
Formação em Psicanálise Clínica 
 
 Prof. Agosttinho Almeida 
 
FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE CLÍNICA 
Capítulo 12 – Parte 01 
PRINCÍPIO DA MANUTENÇÃO DA VIDA 
(PRINCÍPIO DA HOMEOSTASE BIOLÓGICA) 
 
Para se compreender os significados de Instintos e Pulsões em Psicanálise é 
necessário entender os mecanismos biológicos envolvidos num dos princípios 
fundamentais para manutenção da vida e do equilíbrio do organismo: o Princípio 
da Manutenção da Vida ou da Homeostase Biológica. 
Conforme demonstrou Canon, os organismos vivos, para se manterem com 
vida, buscam um equilíbrio interior, que denominou de Homeostase. Nesta 
concepção, qualquer modificação neste equilíbrio será sentida como uma 
ameaça a sua vida, e desencadeará toda uma situação de alarme e preparação 
para fazer face ao perigo. À percepção de qualquer ameaça (real ou imaginária), 
o cérebro emitirá ordens para a mobilização de defesas e, uma vez ativadas, o 
organismo se preparará como um todo. Através de inúmeras alterações no 
sistema nervoso e suas conexões com os órgãos envolvidos, o organismo 
reagirá e alterará sem pre com o objetivo de preservar a vida. 
 
Imagine-se uma cena de um rato sendo perseguido por um gato: ao se dar conta 
do perigo, todo organismo do rato, em resposta à descarga de adrenalina 
ordenada pelo cérebro através do sistema nervoso simpático, prepara-se para 
se proteger da ameaça: o coração bate mais rápido e mais forte, de medo que o 
sangue (energia) seja fornecido aos músculos; a respiração acelera e, 
consequentemente, mais oxigênio é disponível; as pupilas dos olhos se dilatam, 
e assim o animal enxerga melhor; os pelos se eriçam na esperança de 
apresentar aspecto assustador ao inimigo. Todas essas alterações caracterizam 
o estresse, ou a tensão, a que o organismo do rato está submetido naquele 
momento. Neste exemplo, toda a tensão gerada no animal encontrará uma 
 
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resposta global no organismo: ele utilizará a musculatura que ficará tensa (fugir 
ou lutar) involuntariamente (sistema nervoso autônomo), porém pode responder 
à sua vontade (sistema nervoso central). 
O mecanismo ligado ao Princípio de Manutenção da Vida causará no organismo 
um aumento de energia de tensão psíquica. A diminuição desta tensão somente 
ocorrerá após a descarga desta energia ao nível do corpo somático. 
 
Memória 
Uma das principais características do sistema nervoso é a memória, isto é, a 
capacidade de ser permanentemente alterado por simples ocorrências. Depois 
de cessar a excitação, os neurônios ficam permanentemente modificados em 
relação ao estado anterior. Por outro 
lado, não se pode negar que as novas 
excitações, em geral, encontrem as 
mesmas condições de recepção que 
encontraram as excitações precedentes. 
Assim, distinguem-se dois tipos de 
neurônios: os que realizam a função de 
percepção e os que realizam a função 
de memória. 
Freud concebeu a distinção entre 
“células perceptuais” que realizam a 
função de percepção (audição, 
gustação, olfato, tato, visão) e “células 
de memória” que tem a função de 
armazenar as estimulações precedentes 
(os fatos reais ou fantasiosos), ou o que 
chamamos de traços de memória ou 
traços mnêmicos, aquelas células que 
“guardam na memória”, Freud denominou que o neurônio de memória se 
encontra “catexizado” (neurônio catexizado), ou seja, está cheio de energia 
psíquica interna (intracelular) devido à primeira estimulação. 
O termo Catexia (Cathexis) se refere ao fato de uma determinada energia 
psíquica se encontra ligada a uma representação ou grupo de representações 
de uma parte do corpo, a um objeto. Esta energia se encontra no neurônio sob 
forma de traços de memória ou mnêmicos. 
 
 
 
 
 
 
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PRINCÍPIO DA CONSTÂNCIA 
O Princípio da Constância deriva diretamente das observações clínicas das 
doenças, especialmente no que diz respeito a ideias excessivamente intensas 
– na histeria e nas neuroses obsessivas, nas quais, a características quantitativa 
da energia emerge com mais clareza do que seria normal. Os processos 
observados nestas doenças sugerem diretamente a concepção da existência de 
uma excitação neuronal com uma quantidade de energia em estado de fluxo, 
que têm uma finalidade de manter uma constância na quantidade de energia no 
sistema neuronal e psíquico. 
Partindo desta consideração pode-se estabelecer o 
Princípio da Constância: os neurônios tendem a se 
livrar da energia excitatória externa (Q), que 
causam o aumento de tensão no sistema psíquico, 
através do aumento da quantidade de energia 
interna (Qn) que causa o desprazer psíquico. No 
modelo psicanalítico freudiano a estrutura e o 
desenvolvimento, bem como as funções dos 
neurônios, devem ser compr eendidos com base nisto. 
O Princípio da Constância explica estruturalmente a 
função dos neurônios sensoriais (percepção) e 
motores (que levam a uma resposta no órgão), como 
um dispositivo destinado a neutralizar a recepção e 
aumento da quantidade de energia intracelular 
provindo de vias sensitivas e descarregados pelas 
vias neuronais motoras formando o que chamamos 
de movimento reflexo. 
O movimento Reflexo torna-se 
compreensivo como uma forma 
estabelecida pelo organismo de 
efetuar essa descarga energética: 
a origem da ação fornece o 
motivo para o movimento reflexo. 
O sistema nervoso se vale da 
quantidade de energia interna 
(Qn), adquirida através dos 
neurônios de percepção para descarrega-la nos neurônios motores e 
mecanismos musculares, através das vias correspondentes, e desse modo se 
mantém livre do estímulo. Pode-se vincular o Sistema Nervoso como um 
Herdeiro da Irritabilidade Geral do Organismo, com a superfície externa do 
organismo irritável e constituída pelos órgãos sensoriais e que, para se livrar 
dessa irritabilidade, utiliza-se dos órgãos motores (musculares e glandulares). 
Por este motivo observa-se indiretamente o aumento da tensão interna através 
dos efeitos no comportamento do indivíduo e no aparecimento de doenças 
psicossomáticas. O aumento desta tensão interna deslocará a energia psíquica 
no sentido de produzir alterações no comportamento e na personalidade, de 
 
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modo compulsivo e repetitivo, ou esta energia se manifestará nos órgãos sob a 
forma de doenças. 
À proporção que aumenta a complexidade interior do organismo (no caso, os 
seres humanos), o sistema nervoso recebe estímulos do próprio elemento 
somático, os estímulos endógenos, que também têm de ser descarregados. 
Esses estímulos se originam nas células do corpo e criam energias para a 
realização das grandes necessidades, como respiração e sexualidade. Nos 
estímulos internos, ao contrário do que faz com os estímulos externos, o 
organismo não pode esquivar-se, não pode empregar a quantidade de energia 
externa (Q) para a fuga do estímulo. Eles cessam apenas mediante certas 
condições, que devem ser realizadas no mundo externo (por exemplo, a 
necessidade de nutrição) e que podem ser descritas como as exigências da 
vida. 
O “princípio da constância”, é também conhecido como “princípio de 
Nirvana”. No entanto, cabe apontar uma pequena diferença entre o que ambos 
designam. Assim, enquanto o primeiro deles faz referência a uma simples 
diminuição da tensão psíquica, o “princípio de Nirvana” refere-se a uma 
diminuição de toda excitação ao zero absoluto que, de fato, venha a confirmar a 
“pulsão de morte” segundo a concepção original de Freud, que mais 
precisamente refere-se a uma volta da célula viva ao anterior estado inorgânico 
e, portanto, a um estado de morte. 
 
 
A finalidade da atividade psíquica consiste emdiminuir as tensões que foram 
provocadas por uma agitação externa ou instintiva. O sistema nervoso de um 
organismo é regulado pelo “princípio de constância” - uma tendência para 
preservar a “estabilidade”. Um instinto e, consequentemente, a necessidade 
inerente em toda vida orgânica de produzir um estado de coisas “anterior”. 
 
 
 
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EXPERIÊNCIAS DE SATISFAÇÃO 
Em uma pessoa com fome, por necessidades biológicas, o desconforto 
ocasionado pelo Desprazer da Fome levará a um aumento de energia e 
consequente tensão psíquica, criada por um estímulo endógeno (mecanismo de 
fome) e não por um objeto externo. Porém, nenhuma descarga desta tensão 
pode ser concretizada somente criando-se uma imagem de alimentos no 
psiquismo (exemplo: sonhar com o alimento), não produzindo assim um 
resultado aliviante, visto que o 
estímulo interno continua a ser 
recebido, levando à manutenção 
da tensão interna. Nesse caso o 
estímulo só é passível de ser 
abolido por meio de uma 
intervenção que suspenda 
provisoriamente a descarga de 
energia interna no interior do 
corpo, e isto só ocorre se houver 
uma alteração no mundo externo, 
ou seja, o fornecimento do 
alimento. 
No caso dos “desejos afetivos” (a carência afetiva, o desejo de amar e ser 
amado) também é gerada uma tensão psíquica. A urgência do organismo na 
descarga desta poderá ser suspensa provisoriamente com a aproximação do 
objeto desejado, ou então ser descarregada no próprio organismo sob forma 
de doenças orgânicas (doenças psicossomáticas). 
Assim sendo, o psiquismo humano é 
incapaz de promover uma ação específica 
de descarga de energia psíquica, 
efetuando-se geralmente por meio de ajuda 
externa. Quando outra pessoa ou um objeto 
auxilia a executar o trabalho da ação 
específica no mundo externo para o 
indivíduo necessitado de afeto, este último 
fica em posição, por meios de dispositivos 
reflexos, de executar imediatamente no 
interior de seu corpo a atividade necessária 
para remover o estímulo interno; efetua-se 
assim uma descarga de energia, elimina-se 
a urgência que causou o desprazer, 
levando a uma experiência de satisfação 
(prazer). 
Os Desejos inconscientes são as principais fontes de tensão psíquica. 
Estes desejos inconscientes estão guardados nos neurônios (catexizados) sob 
forma de traços de memória (traço s mnêmicos), ou seja, sob forma de 
lembranças, percepções, sentimentos não associados a palavras ou a uma 
 
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imagem específica. A simples percepção de um objeto externo que tenha alguma 
correspondência ou semelhança com o traço mnêmico guardado no sistema 
nervoso é o suficiente para que ocorra um aumento de tensão de energia 
psíquica. 
Exemplo: um indivíduo apaixonado que se encontra com a namorada, ao mesmo 
tempo em que realiza um prazer muito grande, tem um desconforto 
proporcionalmente grande que se exterioriza no corpo somático na forma de 
aumento de batimentos cardíacos, sudorese e tremores. Desta forma a simples 
visão do traço mnésico desejado leva a uma descarga de energia tensional no 
corpo somático, levando a uma experiência de satisfação. 
Na Experiência de Satisfação ocorre uma facilitação de descarga de energia 
tensional psíquica por um aumento do estímulo ocasionado pela imagem 
mnêmica externa. Em outras palavras, a imagem mnêmica externa leva a um 
aumento de tensão no sistema de 
neurônios já marcados com traços 
mnêmicos (neurônios catexizados) desde 
sua vida psíquica intrauterina e infância, e 
que se encontram em estado de urgência 
de descarga. O encontro de duas imagens 
mnêmicas interna e externa leva, assim, a 
um rápido aumento da tensão psíquica, 
ultrapassando as barreiras da repressão e 
do recalque que impediam o aparecimento 
dos sintomas psíquicos, favorecendo a 
descarga e o alívio dos traços mnêmicos 
internos. 
Com o reaparecimento do desejo inconsciente, ocorre novamente a reativação 
do estímulo para o aumento de tensão no sistema psíquico, acompanhado de 
estado de urgência (tensão). A imagem mnêmica do objeto será a primeira a 
ser afetada pela ativação do desejo. Na primeira instância essa ativação do 
desejo produz algo idêntico a uma percepção - saber, uma alucinação.