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Universidade Estácio de Sá Professor Roberto Marcilio Bromatologia Estudo dirigido - Lipídeos Alunos: Ana Luisa Moura Silva Matrícula: 202304424527 Beatriz Manhães de Souza Matrícula: 202303389159 Daniela de Souza Almeida Matrícula: 202304128197 João Vitor Marques Quintanilha Matricula: 202308318918 Priscila F Lemos de Amorim Matrícula: 202403161575 Thalya Arruda R Azevedo Matrícula: 202308318918 1) Em relação ao processo de hidrogenação das margarinas, explique o mesmo. A hidrogenação é o processo industrial que transforma óleos vegetais em margarina através da quebra das ligações duplas das moléculas do óleo. * Os óleos vegetais são bombardeados por outras moléculas, em um ambiente de alta pressão. * As ligações duplas são quebradas e convertida em ligações simples, transformando o óleo líquido em gordura sólida. * O resultado é a produção de gorduras vegetais hidrogenadas, que são a base da margarina. 2) Em relação ao processo de interesterificação das gorduras, explique o processo e quais as vantagens em termos de produtos alimentícios a utilização (emprego) da gordura interesterificada em relação as gorduras trans e os prejuízos à saúde humana. A interesterificação de óleos e gorduras pode ser aplicada por diversas razões: para influenciar o comportamento na fusão, fornecendo consistência desejada em temperatura ambiente e de refrigeração; para melhorar ou modificar o comportamento cristalino, de forma a facilitar os processos de produção e, para diminuir a tendência à recristalização durante a vida útil do produto. No processo de interesterificação ocorre um rearranjo do posicionamento dos ácidos graxos nos triglicerídeos, combinando uma gordura de alto ponto de fusão (ácido graxo saturado) com um óleo vegetal de baixo ponto de fusão (ácido graxo insaturado). O resultado é uma gordura com propriedades plásticas, isenta de ácidos graxos trans. 3) Em relação a rancificação oxidativa, explique as três fases do processo da mesma. A rancificação oxidativa é um processo que ocorre principalmente em alimentos ricos em gorduras, onde os lipídios reagem com o oxigênio, resultando em odores e sabores desagradáveis. Esse processo ocorre em três fases principais: Iniciação: Nesta fase, a presença de fatores como calor, luz ou metais de transição, como ferro ou cobre, desencadeia a formação de radicais livres. Os radicais livres são átomos ou moléculas altamente reativos, criados pela remoção de um átomo de hidrogênio das moléculas de lipídios, especialmente dos ácidos graxos insaturados. Esses radicais livres são instáveis e iniciam reações em cadeia. Propagação: Os radicais livres formados na fase de iniciação reagem com o oxigênio presente no ambiente, formando peróxidos lipídicos (radicais peróxidos). Esses peróxidos, por sua vez, podem reagir com outros ácidos graxos, criando novos radicais livres e mais peróxidos. Isso cria uma reação em cadeia, onde a oxidação dos lipídios continua a se propagar, destruindo as moléculas de gordura. Terminação: A reação em cadeia só termina quando dois radicais livres se encontram e formam um composto estável, interrompendo a propagação da oxidação. Contudo, a esta altura, vários compostos secundários podem ter se formado, como aldeídos e cetonas, que são os responsáveis pelos odores e sabores característicos da rancificação. Esse processo de rancificação oxidativa é acelerado por fatores como exposição ao calor, à luz e ao oxigênio, além da presença de metais que catalisam as reações. Referência bibliográfica: 4) Em relação aos métodos de analise quantitativa e qualitativa dos óleos e gorduras, cite e explique três análises utilizadas para avaliar a qualidade de óleos e gorduras. •Análise dos ácidos Graxos Residuais Não Oxidados: O nível de ácidos graxos residuais não oxidados pode igualmente estimar-se pela determinação do Índice de acidez (IA). Trata-se de uma volumetria ácido-base que compreende a neutralização, com uma solução padrão de hidróxido de potássio, de uma amostra rigorosamente pesada. Exprime-se em mg de KOH por grama de matéria graxa. •Análise dos Produtos Primários de Oxidação: A avaliação deste parâmetro de oxidação é geralmente efetuada pela determinação do Índice de peróxidos (IP). Este representa a diferença entre a formação e a decomposição de peróxidos, e exprime-se em milimoles de oxigênio ativo por kg de matéria graxa. Segundo alguns autores o IP deve ser determinado nos primeiros estados do processo oxidativo. A variação do nível de peróxidos ao longo do tempo ocorre de uma forma gaussiana, pelo que um nível baixo de peróxidos não constitui uma garantia de boa estabilidade oxidativa. •Teste de Kreis ou Índice de ranço: É um método colorimétrico que se baseia na reação, em meio ácido, do floroglucinol com epoxialdeídos ou os seus acetais. A coloração vermelha obtida é medida por espectrofotometria. Trata-se de um teste rápido que fornece indicação da ocorrência de oxidação lipídica numa fase precoce do desenvolvimento do ranço. 5) Em relação aos métodos de extração de lipídeos nos alimentos, explique os métodos: a) Soxhlet; O Método de Soxhlet aplica-se a produtos e subprodutos de origem vegetal, animal e rações (amostras sólidas). PRINCÍPIO O processo é eminentemente gravimétrico e está baseado na perda de peso do material submetido à extração com éter de petróleo. PROCEDIMENTOS • 1. Pesar em balança analítica em torno de 2 a 5g de amostra finamente moída em um cartucho de Soxhlet previamente preparado com papel filtro e algodão (anotar o peso). • 2. Preencher o cartucho com algodão, até cobrir toda a amostra. Manipular o cartucho e o algodão com uma pinça (ou com luvas). • 3. Secar em estufa a 105°C, por 2 horas. • 4. Pegar com tenaz um balão de fundo chato com boca esmerilhada e já com pérolas de ebulição , previamente seco a 105°C por no mínimo 2h e resfriado em dessecador por 20-30min, e pesar. • 5. Colocar o cartucho dentro do extrator de Soxhlet. • 6. Conectar o extrator de Soxhlet ao balão e adicionar 250mL de éter de petróleo. • 7. Conectar o conjunto ao condensador. • 8. Ligar a chapa aquecedora e manter em aquecimento por longo período (ideal 8 horas após início da fervura, com velocidade de gotejamento de 4 a 5 gotas por segundo). • 9. Retirar o conjunto cuidando para remover o máximo de éter do balão antes. • 10. Colocar o balão na estufa a 105°C, por 1h. • 11. Resfriar em dessecador e pesar o balão. CÁLCULOS LIPÍDIOS (%) = PL x 100/P PL = Peso do balão com gordura – Peso do balão antes da extração P = peso da amostra b) método Bligh –Dyer; Princípio: O Método de Bligh & Dyer é um método de extração de lipídeos a frio, muito utilizado, criado por Bligh & Dyer em 1959. É caracterizado por ser feito à frio, utilizando-se uma mistura de clorofórmio, metanol e água. A amostra é triturada juntamente com metanol e clorofórmio deixando formar apenas uma fase. Procedimento: Amostra: As amostras (por exemplo, tecido, células ou fluidos biológicos) são pesadas e colocadas em um frasco. Adição de Solventes: A primeira etapa envolve a adição de um solvente orgânico, geralmente clorofórmio e metanol, na proporção de 2:1. Isso solubiliza os lipídios. A mistura é agitada para garantir que os lipídios se dissolvam adequadamente. Adição de Água: Após a homogeneização, uma quantidade de água é adicionada (geralmente na proporção de 1:1 em relação ao solvente orgânico). Isso provoca a separação de fases, onde os lipídios se concentrarão na fase orgânica. Centrifugação: A mistura é centrifugada para facilitar a separação das fases. A fase inferior, que contém os lipídios, é cuidadosamente coletada. Evaporação do Solvente: O solvente orgânico é então evaporado, geralmente utilizando um evaporador rotativo, para deixarapenas os lipídios. Análise: Os lipídios extraídos podem ser analisados utilizando várias técnicas, como cromatografia em camada fina (TLC), cromatografia gasosa (GC) ou espectrometria de massas. Vantagens Eficiência: O método é rápido e permite a extração simultânea de uma ampla gama de lipídios. Versatilidade: Pode ser aplicado a diferentes tipos de amostras, incluindo tecidos vegetais e animais. Baixa Contaminação: Reduz a contaminação por proteínas e outras biomoléculas, resultando em lipídios relativamente puros. Limitações Substâncias Polares: Pode não ser eficaz na extração de alguns lipídios altamente polares ou compostos que não se dissolvem em solventes orgânicos. Perda de Amostras: O manuseio dos solventes e a transferência de fases podem resultar em perda de amostras. Referências: 1) Damodaran, S., Parkin, KL, & Fennema, OR (2017). Química de Alimentos de Fennema (5ª ed.). Porto Alegre: Artmed.* 2) foodsafetybrazil.org SciELo – Brasil 3) BHT, Butylated Hydroxytoluene. In Encyclopedia of Food Science and Technology. Wiley-Interscience, 2000. pp. 1887-1893. Franco, Maria Laura Ribeiro. Química de Alimentos. 2ª ed., Atheneu, 2003. 4) Sims, R. J.; Fioriti, J. A.; In CRC Handbook of Food Additives, 2ndedition, vol. II; Furia T. E., Ed.; CRC Press Inc. 1980; p. 13. Berset, C.; Cuvelier, M.-E.; Sciences des Aliments 1996, 16, 219. Hamilton, R. J.; Rossell, J. B.; Hudson, B. J. F.; Löliger, J.; In Rancidity in Foods; Allen J. C., Hamilton R. J., Ed.; Applied Science Publishers LTD.; London, 1983, p. 1. SciELO - Scientific Electronic Library Online 5 a) Referências: CARVALHO et al.(2002); INSTITUTO ADOLFO LUTZ (2008). b) Bligh, E. G., & Dyer, W. J. (1959). O artigo original que descreve o método.