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Direito Penal IV
Parte Especial
Prof. M.e Cristian Lima
Instagram: @cristianlimaprof
E-mail: cristianlimaprof@gmail.com
1
Falsificação do selo ou sinal público
Falsificação do selo ou sinal público
Art. 296 - Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:
I - selo público destinado a autenticar atos oficiais da União, de Estado ou de Município;
II - selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público, ou a autoridade, ou sinal público de tabelião:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
§ 1º - Incorre nas mesmas penas:
I - quem faz uso do selo ou sinal falsificado;
II - quem utiliza indevidamente o selo ou sinal verdadeiro em prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou alheio.
III - quem altera, falsifica ou faz uso indevido de marcas, logotipos, siglas ou quaisquer outros símbolos utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública.
§ 2º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.
Falsificação do selo ou sinal público
Objetividade jurídica: a fé pública nos sinais e selos públicos elencados no texto legal.
Tipo objetivo: a conduta típica da figura principal (caput) é falsificar, que pode se dar por fabricação (criar imitando) ou alteração (modificação). O objeto material é o selo ou sinal público.
Sujeito ativo: qualquer pessoa. Trata-se de crime comum.
Sujeito passivo: o Estado.
Consumação: no momento em que falsificado ou alterado o selo ou sinal, independentemente de qualquer resultado.
Tentativa: é possível, na medida em que os atos executórios podem ser fracionados.
Ação penal: é pública incondicionada.
Falsificação de documento público
Falsificação de documento público
Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
§ 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.
§ 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular.
Falsificação de documento público
Falsificação de documento público
§ 3o Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir:
I – na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;
II – na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita;
III – em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado.
§ 4o Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no § 3o, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.
Objetividade jurídica: a fé pública nos documentos públicos.
Tipo objetivo: o crime de falsificação de documento é mais conhecido pela denominação “falsidade material”, diferenciando-se, assim, da falsidade ideológica (que também é modalidade de falsidade documental).
Falsificação de documento público
Objeto material: documento público é aquele elaborado por funcionário público, de acordo com as formalidades legais, no desempenho de suas funções.
Exemplo: carteira de identidade, CPF, Carteira de Habilitação, Carteira Funcional, Certificado de Reservista, Título de Eleitor, escritura pública etc.
Espécies de documento público:
Formal e substancialmente público: é aquele elaborado por funcionário público, com conteúdo e relevância jurídica de direito público (atos legislativos, executivos e judiciários).
Formalmente público e substancialmente privado: é o elaborado por funcionário público, mas com conteúdo de interesse predominantemente privado.
Exemplo: escritura pública de compra e venda de bem particular.
Falsificação de documento público
Condutas típicas
Falsificar: significa criar materialmente, formar um documento falso. É chamada, também, de contrafação.
A falsificação pode ser:
Total: quando o documento é integralmente forjado.
Exemplo: quando sobre um espelho falso de Carteira de Habilitação o agente apõe carimbos e assinaturas também falsas, declarando habilitada pessoa que não passou pelos exames necessários.
Parcial: quando parte do documento é verdadeira quanto à forma e parte é falsa.
Exemplo: alguém furta um espelho verdadeiro em branco e o preenche, inserindo carimbos, assinaturas ou fotografias falsas.
Alterar: significa modificar um documento verdadeiro.
Exemplo: uma pessoa troca a fotografia em um documento de identidade já existente, ou altera a categoria para a qual é habilitado em sua CNH, ou troca o número de seu cadastro no CPF etc.
Falsificação de documento público
Elemento subjetivo: ao contrário do que ocorre com o crime de falsidade ideológica, o tipo penal da falsidade material não exige qualquer finalidade especial por parte do agente e tampouco que se demonstre a que fim o documento falso se destinava. Basta que a conduta seja dolosa.
Sujeito ativo: qualquer pessoa. Trata-se de crime comum.
Sujeito passivo: o Estado e, eventualmente, alguém que tenha sido prejudicado pelo falso.
Consumação: com a falsificação ou alteração, independentemente do uso ou de qualquer outra consequência posterior. A falsificação é crime de perigo, que se aperfeiçoa independentemente do uso.
Tentativa: é possível porque os atos executórios podem ser fracionados.
Exemplo: agente produz espelhos falsos em uma gráfica clandestina a fim de preenchê-los fraudulentamente, mas é flagrado antes de os dizeres serem preenchidos ou da inserção da assinatura falsa
Ação penal: é pública incondicionada.
Falsificação de documento particular
Falsificação de documento particular
Art. 298 - Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
Falsificação de cartão
Parágrafo único.  Para fins do disposto no caput, equipara-se a documento particular o cartão de crédito ou débito.
Objetividade jurídica: preservar a fé pública nos documentos particulares.
Tipo objetivo: documento particular é aquele que não é público em si mesmo ou por equiparação. Os requisitos dos documentos particulares são os mesmos dos documentos públicos (forma escrita, autor certo, conteúdo com relevância jurídica e valor probatório), sendo que, entretanto, não são elaborados por funcionário público no desempenho de suas funções.
Exemplo: contratos de compra e venda, de locação, notas fiscais, carteira de sócio de clube etc.
Falsificação de documento particular
Sujeito ativo: qualquer pessoa. Trata-se de crime comum.
Sujeito passivo: o Estado e eventualmente as pessoas prejudicadas pelo documento falso.
Consumação: consuma-se com a falsificação ou alteração, independentemente do uso ou de qualquer outra consequência posterior.
Tentativa: é possível, pois os atos executórios podem ser fracionados e o agente, portanto, pode ser impedido de concluir uma falsificação que já iniciou.
Ação penal: é pública incondicionada.
Falsidade ideológica
Falsidade ideológica
Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis, se o documento é particular.
Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamentode registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte.
Falsidade ideológica
Objetividade jurídica: a fé pública.
Tipo objetivo: a falsidade ideológica também é conhecida por falsidade intelectual, ideal ou moral. Nela, o documento é autêntico em seus requisitos extrínsecos e emana realmente da pessoa que nele figura como seu autor. Assim, apenas o seu conteúdo é falso.
Condutas típicas:
Omitir declaração que devia constar do documento: Nessa modalidade, a conduta é omissiva pois se refere a uma declaração que deixou de constar. O agente elabora um documento deixando, dolosamente, de inserir alguma informação que era obrigatória.
Inserir declaração falsa ou diversa da que devia constar: O agente confecciona o documento inserindo informação inverídica ou diversa da que devia constar. Trata-se de conduta comissiva.
Exemplo: autoridade responsável que elabora Carteira de Habilitação declarando que determinada pessoa é habilitada quando ela, em verdade, foi reprovada no exame (declaração falsa).
Fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia constar: O agente fornece informação falsa a terceira pessoa, responsável pela elaboração do documento, e esta, sem ter ciência da falsidade, o confecciona.
Exemplo: alguém declara que é solteiro ao Tabelião durante a lavratura de uma escritura para prejudicar os direitos de sua esposa de quem está se divorciando.
Falsidade ideológica
Objeto material: as condutas podem recair sobre documento público ou particular, sendo que, na primeira hipótese, a pena é de reclusão, de um a cinco anos, e multa, e, na segunda, reclusão, de um a três anos, e multa.
Elemento subjetivo do tipo: para que exista falsidade ideológica, é necessário que o agente queira prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. Ausentes tais finalidades, o fato será atípico.
Sujeito ativo: qualquer pessoa.
Sujeito passivo: o Estado e, eventualmente, alguém que sofra prejuízo em razão do documento falso.
Consumação: quando o documento fica pronto com a efetiva omissão ou inserção de declaração, de forma a tornar falso o seu conteúdo, mesmo que o agente não atinja a sua finalidade de prejudicar direito, criar obrigação etc. Trata-se de crime formal.
Tentativa: só é possível nas formas comissivas.
Falsidade ideológica
Objeto material: as condutas podem recair sobre documento público ou particular, sendo que, na primeira hipótese, a pena é de reclusão, de um a cinco anos, e multa, e, na segunda, reclusão, de um a três anos, e multa.
Elemento subjetivo do tipo: para que exista falsidade ideológica, é necessário que o agente queira prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. Ausentes tais finalidades, o fato será atípico.
Sujeito ativo: qualquer pessoa.
Sujeito passivo: o Estado e, eventualmente, alguém que sofra prejuízo em razão do documento falso.
Consumação: quando o documento fica pronto com a efetiva omissão ou inserção de declaração, de forma a tornar falso o seu conteúdo, mesmo que o agente não atinja a sua finalidade de prejudicar direito, criar obrigação etc. Trata-se de crime formal.
Tentativa: só é possível nas formas comissivas.
Ação penal: é pública incondicionada.
Falso reconhecimento de firma ou letra
Falso reconhecimento de firma ou letra
Art. 300 - Reconhecer, como verdadeira, no exercício de função pública, firma ou letra que o não seja:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público; e de um a três anos, e multa, se o documento é particular.
Falso reconhecimento de firma ou letra
Objetividade jurídica: preservar a fé pública nas letras ou firmas reconhecidas.
Tipo objetivo: trata-se de crime semelhante à falsidade ideológica, porém com regras próprias. Consiste em reconhecer o agente como verdadeira firma ou letra que não o seja. Firma é a assinatura de alguém, e letra é o manuscrito de uma pessoa.
Sujeito ativo: o crime só pode ser cometido por quem tem atribuição legal para reconhecer firma ou letra (tabelião, escrevente do tabelionato, oficial do cartório de registro civil etc.). Trata-se de crime próprio.
Sujeito passivo: o Estado e, eventualmente, alguém que seja prejudicado.
Consumação: com o reconhecimento da firma ou letra, independentemente de qualquer consequência posterior. Entende-se, inclusive, que o crime está consumado antes mesmo da devolução do documento. Trata-se, pois, de crime formal.
Tentativa: é possível.
Ação penal: é pública incondicionada.
Certidão ou atestado ideologicamente falso
Certidão ou atestado ideologicamente falso
Art. 301 - Atestar ou certificar falsamente, em razão de função pública, fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem:
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
Objetividade jurídica: a fé pública, no sentido de se evitar que funcionários públicos emitam atestado ou certidão ideologicamente falsos a fim de beneficiar alguém perante a Administração.
Certidão ou atestado ideologicamente falso
Tipo objetivo: a conduta recai sobre atestado ou certidão feito por funcionário público acerca de fato ou circunstância.
Atestado: é um testemunho por escrito do funcionário público sobre um fato ou circunstância.
Certidão: é feita com base em um documento guardado ou em tramitação em uma repartição pública.
O fato ou circunstância a que a lei se refere deve guardar relação com a pessoa destinatária.
Além disso, exige-se para a configuração desse delito que o atestado ou certidão tenha por finalidade:
Habilitar: alguém a obter cargo público;
Isentar: alguém de ônus ou de serviço de caráter público;
Levar: alguém à obtenção de qualquer outra vantagem.
Exemplo: dar atestado de bom comportamento carcerário para preso conseguir algum benefício ou para determinada pessoa obter cargo público.
Certidão ou atestado ideologicamente falso
Sujeito ativo: trata-se de crime próprio, que só pode ser cometido por funcionário público no exercício de suas funções.
Sujeito passivo: o Estado.
Consumação: apesar de ser controvertido o tema, prevalece na doutrina o entendimento de que basta a elaboração do atestado ou certidão falsa, não sendo necessária sua efetiva entrega ao destinatário.
Tentativa: considerando a divergência existente quanto ao momento consumativo, diverge também a doutrina acerca da possibilidade de o crime admitir a forma tentada.
Ação penal: é pública incondicionada
Falsidade material de atestado ou certidão
Falsidade material de atestado ou certidão
§ 1º - Falsificar, no todo ou em parte, atestado ou certidão, ou alterar o teor de certidão ou de atestado verdadeiro, para prova de fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem:
Pena - detenção, de três meses a dois anos.
§ 2º - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se, além da pena privativa de liberdade, a de multa.
Objetividade jurídica: a fé pública.
Tipo objetivo: a falsidade do atestado ou certidão é material e, portanto, consiste em falsificar, no todo ou em parte, atestado ou certidão, ou alterar o teor de certidão ou atestado verdadeiro. É também necessário que o objeto da falsificação seja fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem.
Falsidade material de atestado ou certidão
Sujeito ativo: qualquer pessoa.
Sujeito passivo: o Estado e as pessoas lesadas pelo eventual uso do atestado materialmente falso.
Consumação: no exato instante em que o atestado ou certidão é falsificado ou alterado, independentemente da produção de qualquer resultado.
Tentativa: é possível.
Aplicação cumulativa de multa: se há intenção de lucro, aplica-se também pena de multa (§ 2º).
Ação penal: é pública incondicionada
Falsificação de atestado médico
Falsidade de atestado médico
Art. 302 - Dar o médico, no exercício da sua profissão, atestado falso:
Penaalguém que seja prejudicado pelo fato.
Consumação: cuida-se de crime formal, que se consuma no instante em que o agente se atribui ou atribui a terceiro a falsa identidade, independentemente de conseguir a vantagem visada.
Tentativa: é possível, exceto na forma verbal.
Subsidiariedade: embora no crime de falsa identidade a vantagem visada possa ser de qualquer natureza, caso seja meio para a obtenção de vantagem econômica, responderá o agente apenas por estelionato. Na hipótese de se passar por outra pessoa para enganar a vítima e conseguir realizar ato sexual com ela, o crime será o de violação sexual mediante fraude.
Ação penal: é pública incondicionada.
Falsa identidade (uso de documento alheio)
Falsa identidade (Uso de documento alheio)
Art. 308 - Usar, como próprio, passaporte, título de eleitor, caderneta de reservista ou qualquer documento de identidade alheia ou ceder a outrem, para que dele se utilize, documento dessa natureza, próprio ou de terceiro:
Pena - detenção, de quatro meses a dois anos, e multa, se o fato não constitui elemento de crime mais grave.
Objetividade jurídica: a fé pública no que diz respeito à identificação das pessoas.
Falsa identidade (uso de documento alheio)
Tipo objetivo, consumação e tentativa: a lei incrimina duas condutas distintas:
Usar como próprio documento alheio: o agente tem em suas mãos um passaporte, título de eleitor, carteira de reservista ou qualquer outro documento de identidade (RG, Carteira de Habilitação etc.) pertencente a terceiro, e dele se utiliza para fazer-se passar por tal pessoa. O documento deve ser verdadeiro, pois, se for falso, caracteriza crime mais grave, qual seja, o do art. 304 do Código Penal.
O crime se consuma com o uso, independentemente de qualquer outro resultado.
A tentativa não é possível: ou o agente usa o documento, e o crime está consumado, ou não o usa, e o fato é atípico.
Falsa identidade (uso de documento alheio)
Ceder a outrem, para que dele se utilize, documento próprio ou de terceiro: Nessa modalidade a lei pune apenas o sujeito que cede, entrega a alguém um documento verdadeiro, próprio ou de terceiro, para que dele se utilize.
O crime se consuma com a tradição do documento, sendo possível a tentativa quando o agente não consegue efetivá-la.
Sujeito ativo: qualquer pessoa. Trata-se de crime comum.
Sujeito passivo: o Estado e a pessoa a quem o documento é apresentado.
Ação penal: é pública incondicionada.
Fraude de lei sobre estrangeiro
Fraude de lei sobre estrangeiro
Art. 309 - Usar o estrangeiro, para entrar ou permanecer no território nacional, nome que não é o seu:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
Objetividade jurídica: a fé pública.
Tipo objetivo: o crime consiste em apresentar-se o estrangeiro às autoridades, a fim de ingressar ou permanecer em território nacional, usando nome que não é seu.
Sujeito ativo: trata-se de crime próprio, que só pode ser cometido por estrangeiro.
Sujeito passivo: o Estado.
Consumação: com a efetiva apresentação com nome fictício ou de terceiro. A redação do dispositivo deixa claro que se trata de crime formal, cuja consumação independe de o agente conseguir entrar ou permanecer no território nacional.
Tentativa: não é possível, pois, ou o agente faz uso do nome falso e o delito está consumado, ou não o faz, e o fato é atípico.
Ação penal: é pública incondicionada
Falsa atribuição de qualidade a estrangeiro
Falsa atribuição de qualidade a estrangeiro
Art. 309 - Parágrafo único - Atribuir a estrangeiro falsa qualidade para promover-lhe a entrada em território nacional:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Objetividade jurídica: a fé pública.
Tipo objetivo: no crime em análise, o agente, que pode ser qualquer pessoa, atesta um falso predicado ao estrangeiro (profissão, boa conduta, nacionalidade diversa da verdadeira), a fim de viabilizar sua entrada no território nacional. A conduta pode se dar de forma verbal ou por escrito e é necessário que tenha o poder de tornar possível o ingresso no território nacional.
Sujeito ativo: qualquer pessoa. Trata-se de crime comum.
Sujeito passivo: o Estado.
Consumação: trata-se de crime formal, que se consuma no momento em que o agente faz a atribuição falsa, ainda que o estrangeiro não obtenha êxito em ingressar no território nacional.
Tentativa: não é possível.
Ação penal: é pública incondicionada.
Fraude de lei sobre estrangeiro
Art. 310 - Prestar-se a figurar como proprietário ou possuidor de ação, título ou valor pertencente a estrangeiro, nos casos em que a este é vedada por lei a propriedade ou a posse de tais bens:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa.
Objetividade jurídica: a fé pública e a ordem econômica.
Tipo objetivo: não basta que o sujeito se preste a figurar como “testa de ferro” em conversa entre amigos ou em reuniões. É necessário que concorde em figurar em contrato ou outro tipo de documento como dono ou possuidor de ação, título ou valor que, em verdade, pertence a estrangeiro quando, de acordo com a legislação brasileira, a este era vedada a propriedade ou posse. Cuida-se, pois, de simulação, em hipótese especial de falsidade ideológica.
Trata-se, outrossim, de norma penal em branco que depende de complemento por parte de outra lei ou do texto constitucional. Este, por exemplo, proíbe estrangeiros de serem donos de empresa jornalística (art. 222 da CF). Há também regras especiais nos arts. 176 e 190, § 1º, da Carta Magna.
Sujeito ativo: qualquer brasileiro. Trata-se de crime comum.
Sujeito passivo: o Estado.
Consumação: no instante em que o sujeito se passa por dono ou possuidor daquilo que pertence ao estrangeiro.
Tentativa: é possível.
Ação penal: é pública incondicionada.
Adulteração de sinal identificador de veículo automotor
Adulteração de sinal identificador de veículo automotor
Art. 311 - Adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal identificador de veículo automotor, de seu componente ou equipamento:
Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa.
§ 1º - Se o agente comete o crime no exercício da função pública ou em razão dela, a pena é aumentada de um terço.
§ 2º - Incorre nas mesmas penas o funcionário público que contribui para o licenciamento ou registro do veículo remarcado ou adulterado, fornecendo indevidamente material ou informação oficial.
Adulteração de sinal identificador de veículo automotor
Objetividade jurídica: a fé pública no sentido de serem preservados os sinais que identificam os veículos automotores e o seu registro nos órgãos oficiais.
Tipo objetivo: adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer outro sinal identificador do veículo (placas, numeração do motor, do câmbio, numeração de chassi gravada nos vidros do automóvel etc.).
A remarcação do chassi ocorre quando o agente, utilizando-se de material abrasivo (raspagem, ácido), consegue apagar a numeração originária (ou parte dela) e, em seu lugar, colocar outro número com a utilização de ferramentas apropriadas.
A adulteração pode dar-se com qualquer espécie de montagem do chassi de um veículo em outro.
Quando não foi o sujeito quem adulterou o chassi, não configura o crime em análise o ato de dirigir o veículo com a numeração do chassi remarcada. Nesse caso, o condutor poderá ser responsabilizado por receptação se ficar apurado que o carro era roubado ou furtado e que ele sabia disso.
Adulteração de sinal identificador de veículo automotor
Sujeito ativo: qualquer pessoa.
Sujeito passivo: o Estado e outras pessoas eventualmente prejudicadas.
Consumação: com a efetiva remarcação ou adulteração.
Tentativa: é possível.
Ação penal: é pública incondicionada.
Fraudes em certames de interesse público
Fraudes em certames de interesse público
Art. 311-A.  Utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, ou de comprometer a credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de:
I - concurso público;
II - avaliação ou exame públicos;
III - processo seletivo para ingresso no ensino superior; ou
IV - exame ou processo seletivoprevistos em lei:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 1o  Nas mesmas penas incorre quem permite ou facilita, por qualquer meio, o acesso de pessoas não autorizadas às informações mencionadas no caput.
§ 2o  Se da ação ou omissão resulta dano à administração pública:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
§ 3o  Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o fato é cometido por funcionário público.
Fraudes em certames de interesse público
Objetividade jurídica: a fé pública na lisura dos certames mencionados no tipo penal: concursos, avaliações ou exames públicos, processos seletivos para ingresso no ensino superior e exames ou processos seletivos previstos em lei.
Tipo objetivo: os concursos, exames e avaliações mencionados no tipo penal pressupõem, obviamente, sigilo em relação ao conteúdo das questões que serão objeto da prova. Assim, o dispositivo pune quem diretamente divulga o conteúdo sigiloso da prova a algum candidato ou a terceiro e também quem permite ou facilita, por qualquer meio, o acesso de pessoas não autorizadas a referido conteúdo.
A lei pune, outrossim, o candidato que maliciosamente toma ciência das questões e utiliza as informações em benefício próprio por ocasião da prova.
A figura delituosa alcança as informações sigilosas relativas a concursos públicos de qualquer espécie, avaliações ou exames públicos (ENEM, por exemplo), processos seletivos para ingresso no ensino superior (vestibulares) e exames ou processos seletivos previstos em lei (exame da Ordem dos Advogados do Brasil, por exemplo).
Fraudes em certames de interesse público
Sujeito ativo: qualquer pessoa. Trata-se de crime comum.
Sujeito passivo: o Estado, bem como as instituições e as pessoas prejudicadas (os outros candidatos, por exemplo).
Consumação: por parte de quem divulga, o crime se consuma no momento em que o conteúdo é transmitido, ainda que o destinatário não consiga dele fazer uso por ser a farsa descoberta antes da realização da prova. Por parte do destinatário, o crime se consuma, de acordo com o tipo penal, no instante em que ele utiliza as informações recebidas, ainda que não seja aprovado no concurso ou que a prova seja cancelada ou anulada. Cuida-se de crime formal.
Tentativa: é possível.
Exemplo: pessoa é presa em flagrante quando entrega um pacote fechado com cópia das provas a alguns candidatos.
Ação penal: é pública incondicionada.previstos em lei:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 1o  Nas mesmas penas incorre quem permite ou facilita, por qualquer meio, o acesso de pessoas não autorizadas às informações mencionadas no caput.
§ 2o  Se da ação ou omissão resulta dano à administração pública:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
§ 3o  Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o fato é cometido por funcionário público.
Fraudes em certames de interesse público
Objetividade jurídica: a fé pública na lisura dos certames mencionados no tipo penal: concursos, avaliações ou exames públicos, processos seletivos para ingresso no ensino superior e exames ou processos seletivos previstos em lei.
Tipo objetivo: os concursos, exames e avaliações mencionados no tipo penal pressupõem, obviamente, sigilo em relação ao conteúdo das questões que serão objeto da prova. Assim, o dispositivo pune quem diretamente divulga o conteúdo sigiloso da prova a algum candidato ou a terceiro e também quem permite ou facilita, por qualquer meio, o acesso de pessoas não autorizadas a referido conteúdo.
A lei pune, outrossim, o candidato que maliciosamente toma ciência das questões e utiliza as informações em benefício próprio por ocasião da prova.
A figura delituosa alcança as informações sigilosas relativas a concursos públicos de qualquer espécie, avaliações ou exames públicos (ENEM, por exemplo), processos seletivos para ingresso no ensino superior (vestibulares) e exames ou processos seletivos previstos em lei (exame da Ordem dos Advogados do Brasil, por exemplo).
Fraudes em certames de interesse público
Sujeito ativo: qualquer pessoa. Trata-se de crime comum.
Sujeito passivo: o Estado, bem como as instituições e as pessoas prejudicadas (os outros candidatos, por exemplo).
Consumação: por parte de quem divulga, o crime se consuma no momento em que o conteúdo é transmitido, ainda que o destinatário não consiga dele fazer uso por ser a farsa descoberta antes da realização da prova. Por parte do destinatário, o crime se consuma, de acordo com o tipo penal, no instante em que ele utiliza as informações recebidas, ainda que não seja aprovado no concurso ou que a prova seja cancelada ou anulada. Cuida-se de crime formal.
Tentativa: é possível.
Exemplo: pessoa é presa em flagrante quando entrega um pacote fechado com cópia das provas a alguns candidatos.
Ação penal: é pública incondicionada.

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