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Níveis de análise linguística e ensino
Estudo do português brasileiro. As estruturas de enunciados em níveis de análise linguística e ensino.
Prof.ª Fabiana Júlio Ferreira
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender os aspectos implicados nos diferentes níveis de análise linguística para o desempenho
adequado nas atividades profissionais relacionadas com o ensino-aprendizagem de língua portuguesa.
Preparação
Tenha em mãos ou consulte na internet um dicionário da área de estudos linguísticos, como oDicionário de
termos linguísticos, hospedado no Portal da língua portuguesa.
Objetivos
Reconhecer os elos entre a fonologia e a ortografia das palavras.
Analisar enunciados sob a ótica de uma análise linguística e seu nível sintático.
Relacionar a análise do discurso com a interpretação de texto e ensino.
Introdução
Vamos avaliar palavras e enunciados considerando seus caráteres pela ótica da Linguística, levando em
consideração: fonologia e ortografia; suas análises linguísticas e seus aspectos dentro de níveis sintáticos; e a
participação da análise do discurso nessas estruturas, observando como decorre a inter-pretação de texto
desses enunciados. 
Avaliaremos também como todos esses pontos influenciam no ensino da língua. Levaremos em consideração
o português brasileiro e sua visão dentro da gramática – e da Linguística. 
Portanto, revisitaremos alguns aspectos estritamente gramaticais, mas que não serão nosso foco único. Por
isso, prepare seus conhecimentos linguísticos, pois eles entrarão em ação! 
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1. A relação entre fonologia e ortografia
Fonologia
Fala e signo
Para começar essa discussão, é interessante mencionar as seguintes palavras de Azeredo (2010, p. 52): 
“A função mais evidente de qualquer língua é tornar possível a comunicação entre pelo menos duas
pessoas por meio de sons vocais”.
A fala depende do aparelho fônico do ser humano e da maturação desse aparelho. No entanto, ela também
depende do meio social em que estamos inseridos, de sua forma simbólica e interacional, incorporando a
cultura no ser humano, assim como no meio sociocultural. 
Após esclarecermos essa ideia da fala, vamos passar à discussão do conceito de fonologia. Para isso,
precisamos observar os estudos iniciais de Saussure (1995) sobre signo, significado e significante.
O signo é uma unidade que traz a sensação que nos faz
sentido, como um código, une um conceito e uma imagem
acústica. Por exemplo, ao ouvirmos a palavra “cachorro”,
automaticamente a imagem do animal nos vem à mente.
Além disso, o signo está ligado ao significado e ao
significante. Veja a diferença entre os dois:
É com essa segunda opção, o significante, que vamos trabalhar mais detidamente. Entretanto, veremos
inicialmente de que se trata o fonema.
O fonema
O fonema é uma parte indivisível da palavra que permite diferenciar significados. Sabemos, por exemplo, a
diferença entre as palavras “caça” e “casa”, pois a primeira ([‘kasa]) é marcada pela fricativa alveolar surda [s]
e a segunda, pela sonora [z] ([‘kaza]). 
Essas unidades, que nos permitem diferenciar as duas palavras, são o que chamamos de fonemas,
sendo as menores unidades existentes na língua. 
Três pensadores tinham ideias distintas sobre o fonema:
Significado 
Refere-se à ideia ou representação mental de
um objeto ou à representação social em que
os falantes da língua se situam (como a
imagem do cachorro). 
Significante 
Remete à expressão fônica, que é a
forma de conciliar os sons de acordo
com a melhor acústica (usando o
alfabeto fonético que se encontra
abaixo). 
1944
Sapir 
Acredita que o fonema exibe uma questão psicológica em que os falantes
pretendem dizer algo que os ouvintes creem escutar.
1939
Trubetzkoy 
Confirma que o fonema é um evento linguístico, e não psicológico. Logo,
a visão de Sapir foi refutada.
1933
Bloomfield
Estabelece a visão de que o fonema é uma unidade mínima de traços
fônicos distintivos, conforme o exemplo dos vocábulos “caça” e “casa”.
Você pode conferir a seguir os fonemas da língua portuguesa (lembre-se de que ela possui 7 vogais orais, 5
vogais nasais, 19 consoantes e 2 semivogais):
Vogais orais
/a/ /ɛ/ /e/ /i/ /ɔ/ /o/ u/
Vogais nasais
/ã/ / ẽ/ /ῖ / /õ/ / ũ/
Consoantes
/p/ /b/ /t/ /d/ /k/ /g/ /f/ /v/ /s/ /z/ /ʃ/ /ʒ/ /m/ /n/ /ɲ/ /l/ /ʎ/ /ɾ/ /ʀ/
Semivogais
/y/ /w/
Mas como transcrever palavras com esses fonemas? É o que vamos descobrir!
Transcrição fonética
Ao observar a representação dos fonemas da língua portuguesa, podemos achar que a ideia de transcrição
fonética parece algo impossível de ser feito. Entretanto, vamos tentar explicar aqui como funciona essa área.
Consideremos as consoantes, as vogais e as semivogais existentes na língua portuguesa (salientamos sempre
que estamos focando o português brasileiro). 
Vamos nos concentrar primeiramente nos fonemas. Analisemos algumas palavras:
Sapato
Essa palavra tem 6 letras e 6 fonemas: sapato - /s/,/a/,/p/,/a/,/t/,/o/.
Hebreu
Essa palavra tem 6 letras e 5 fonemas, já que a letra “h” é diacrítica, ou seja, é uma letra sem som, isto
é, sem fonema.
Sexo
Essa palavra tem 4 letras e 5 fonemas. Parece estranho? É possível que pareça, mas pense da
seguinte forma: a transcrição fonética é uma representação de como a palavra é enunciada
acusticamente.
Na palavra “sexo”, o “x” não tem o mesmo som do “x” na palavra “exato”; por isso, o fonema tem que
ser transcrito de forma diferente. A transcrição, então, será: /s/,/e/,/k/,/s/, /o/. Há 4 letras e 5 fonemas,
pois a letra “x” constitui os fonemas /ks/.
Tipos de fonemas
Os fonemas podem ser distinguidos em diferentes tipos. Os tipos de fonemas são:
Fonemas sonoros
Sons que vibram as cordas vocais.
Fonemas surdos
Sons que não vibram as cordas vocais.
Fonemas orais
Sons liberados apenas pela boca.
Fonemas nasais
Sons liberados pela boca e pelo nariz.
Entre os fonemas, há vogais, semivogais e consoantes.
Vogais
A, E, I, O, U. São consideradas a base das sílabas da língua portuguesa.
Semivogais
Os fonemas /i/ e /u/ são semivogais quando são pronunciados ao lado de outras vogais e dentro de
uma mesma sílaba, podendo ser substituídas por /y/ /w/, respectivamente.
Consoantes
B, C, D, F, G, J, K, L, M, N, P, Q, R, S, T, V, W, X, Z. A letra “H” é diacrítica, ou seja, não é considerada
consoante pelo fato de, sozinha, não representar nenhum fonema.
Todas as propriedades desses fonemas servem para um sentido maior, pois, a partir deles, pudemos formar
as sílabas para, em seguida, estruturar as palavras. Daí a grande importância dessa partícula indivisível que
formará sons e que será responsável pela formação dos significantes definidos por Saussure (1995).
Entretanto, existem os fonemas que marcam a diferença de palavras.
Exemplo
É o que ocorre em /’kasa/ para caça e em /’kaza/ para casa. 
Tais fonemas são distintivos, porque não só fazem a diferença de uma palavra para outra, mas também são
letras, as quais, por sua vez, são unidades diferentes na fonética. Enquanto no exemplo acima a diferença é
feita entre /s/ e /z/ para letras diferentes, a diferença da letra “t” nas palavras “tonta” e “tinta” é representada
por fonemas distintos no português carioca, embora seja a mesma letra. 
Na palavra “tonta”, o “t” é o fonema /t/. Já na palavra “tinta”, o “t” é o fonema /tʃ/. Esse fenômeno se
chama alofone.
A sílaba
Como vimos, o fonema é indivisível. Entretanto, a combinação entre eles forma unidades maiores que dão
origem às sílabas, aos morfemas e às palavras, que não são constituídas ao acaso. 
Existe também a ideia de traços distintivos, que seria a observação da estrutura interna dos sons. Graças a
ela, percebe-se, por exemplo, que as bilabiais /p/ e /b/ apresentam o traço distintivo que marca sua
diferenciação pelo fato de o primeiro (/p/) ser [-vozeado] (não apresenta voz) e o segundo (/b/), [+vozeado]
(apresenta voz).
Como saber essa diferenciação?
Existe um truque básico bem interessante: 
Coloque a mão em sua garganta e
pronuncie o fonema /p/.
Você sente uma vibração?Provavelmentenão,
pois suas cordas vocais não vibram. Isso
significa que o fonema não é vozeado [-
vozeado].
Agora faça a mesma coisa com o fonema
/b/.
Sentiu uma vibração?Provavelmente sim, pois
suas cordas vocais vibram, caracterizando,
assim, um fonema vozeado [+vozeado].
Isso marca o traço distintivo entre esses dois fonemas. Daqui seguimos para as sílabas.
Primeiramente, não existe sílaba sem vogal, já que são as vogais que se jun-tam a um grupo de fonemas
pronunciado em uma só emissão de voz.
Dica
A sílaba é maior que o fonema, mas menor que um vocábulo. Por ser uma unidade rigorosamente
fonológica, ela não está exatamente ligada à gramática ou à semântica. 
Foi só após o surgimento da fonologia não linear que a sílaba passou a ter importância. Também foi por meio
desse estudo que se percebeu que havia vogais que se juntavam a fonemas, sendo seguidas por outras
vogais, as quais, por sua vez, tinham uma pronúncia fraca: trata-se das semivogais, como mencionamos. 
As semivogais acontecem com as vogais altas /i/ ou /u/, que são pronunciadas de forma fraca em palavras,
como “couro” e “baile”. Elas também recebem o nome de glides (ou semivogais), sendo, assim, representadas
como [y] e [w].
A sílaba constitui o primeiro nível de organização fonológica dos fonemas de uma língua específica. A
estrutura silábica do português brasileiro vem da forma CV (consoante+vogal).
Vejamos os exemplos:
V
u va
VC
es cola
CVC
car ta
CCV
pra to
CCVC
cris tal
CVCC
pers pec tiva
As vogais são o que chamamos de núcleo da sílaba, enquanto as consoantes que acompanham o núcleo são
chamadas de ataque e coda. O ataque é a consoante que precede a vogal; a coda, a consoante que acontece
após a vogal. 
Também existe a rima da sílaba, que é composta pelo núcleo e pela coda, mas exclui o ataque. Forma-se, com
isso, o seguinte diagrama:
Formamos, assim, os vocábulos por meio dos fonemas.
Formação de palavras e ortografia
Devemos ter atenção com os sons da língua percebida pelo ouvido e com sua representação escrita, pois há
vários símbolos (acentos, por exemplo) na ortografia que marcam o fonema para que ele seja percebido da
forma correta pelo ouvido.
A ortografia das palavras é baseada no sistema ortográfico, que pode apresentar diferenças entre a pronúncia
das palavras e sua escrita. Vejamos alguns casos:
Existem dígrafos que são combinações de letras representadas por um fonema apenas, como ocorre
na palavra ferro, na qual o fonema /ʀ/ é representado pelas letras “rr”, e na palavra “ninho”, cujo fonema
/ɲ/ é representado pelas letras “nh”.
Podemos perceber também que palavras, como “achar” e “mexer”, têm a grafia diferente, porém o
mesmo fonema: /ʃ/.
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Em outras circunstâncias, alguns vocábulos usam o memo fonema para letras diferentes, como ocorre
em “exato”, “rezar” e “pesar” (todos usam o fonema /z/), ou a mesma letra para fonemas diferentes,
como em “próximo” (/s/), “exato”, (/z/), “roxo” (/ʃ/) e “sexo” (/ks/).
Ainda há as letras que não apresentam som nem possuem valor fonético, como é o caso da letra h no
português brasileiro, exemplificada na palavra "horta".
Um dos grandes problemas que temos percebido é a transferência da oralidade para a ortografia. 
Por exemplo, nas redes sociais, não é incomum
testemunhar o uso do verbo no infinitivo sem o
“r” final em sua ortografia. Isso se deve ao fato
de que, na maioria dos lugares do Brasil, esse
“r” não é pronunciado. Portanto, muitas
pessoas estão começando a escrever sem usá-
lo. 
Então, é comum achar enunciados do tipo: 
“Dá pra imprimi pra mim?”. 
Percebemos que o fonema /r/, que não é pronunciado pelo falante, embora tenha seu lugar na grafia, está
desaparecendo. Ele marca que o verbo está no infinitivo. A falta dessa marca faz o leitor ler o verbo “imprimir”
no passado, sendo capaz de perceber o erro de escrita pelo contexto da sentença.
Outro exemplo se refere às vogais: em vez de as pessoas perguntarem “Você curte Beethoven?”, elas
escrevem “Você curti Beethoven?”, pronunciando o final da palavra de forma fraca e escrevendo
erroneamente.
 
“Você curte Beethoven?”
“Você curti Beethoven?”
Em um sistema de escrita alfabético, como é o caso do português, a ortografia tende a estabelecer uma
relação entre som (fonema) e letra (grafema). 
No entanto, a relação entre som e letra, no sistema do português, é abstrata (fonológica), uma vez que não
leva em conta muitas variações de pronúncia entre variedades do português, sejam as dialetais ou as
nacionais.
Em alguns casos, não há correspondência direta entre letra e som. Apesar de tudo, trata-se de situações nas
quais certas distinções de pronúncia que eram produtivas na história do português brasileiro se mantêm em
alguns dialetos.
Relações entre fonologia e ortografia
Confira a seguir os elos entre a fonologia e a ortografia das palavras a partir das discussões sobre os
conceitos de signo, fala, fonema e sílaba, destacando questões relacionadas à formação de palavras e à
ortografia.
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Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
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A sílaba e a organização fonológica da língua
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Diferenças entre pronúncia das palavras e sua escrita
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Qual é o nome da forma de conciliar os sons de acordo com a melhor acústica?
A
Significado
B
Significante
C
Signo
D
Símbolo
E
Léxico
A alternativa B está correta.
O significante, de acordo com Saussure (1995), compõe com o significado o signo linguístico e remete à
expressão fônica para conciliar os sons de acordo com a melhor acústica.
Questão 2
Uma sílaba é constituída de um ataque e uma rima. Assinale a alternativa que apresenta corretamente os
elementos que compõem a rima.
A
Núcleo + coda.
B
Coda + consoante.
C
Consoante + núcleo.
D
Núcleo + vogal.
E
Vogal + núcleo.
A alternativa A está correta.
A rima é formada pelo núcleo (vogal) e pela coda (a consoante que segue a vogal); portanto, essa definição
está correta.
2. Análise linguística e o nível sintático
A constituição social e psicológica do texto escrito
Vamos começar nossas reflexões considerando que toda comunicação ou atividade que envolve a língua
também seja constituinte da ação humana e apareça nas interações humanas. Hoje em dia, o letramento é de
extrema importância, sendo considerado letrado somente alguém que usa a leitura e a escrita como práticas
sociais da sociedade à qual pertence. 
Em nossa comunicação, temos gêneros orais e escritos, e é por meio da ação de tomar propriedade desses
gêneros que construímos nossa interação com as outras pessoas. No Brasil, acadêmicos, como Anna Rachel
Machado, Roxane Rojo, Maria de Lourdes Meirelles Matencio e Glaís Sales Cordeiro trabalham com uma
orientação teórico-metodológica que funciona considerando o interacionismo sociodiscursivo (ISD).
Tal perspectiva tem influências de Vygotsky (1984; 1987) e de Bakhtin (1997; 2004). Essas duas visões
promovem uma interdisciplinaridade no estudo da nossa atividade discursiva e da interação com os outros.
Psicologicamente, essa formação teórica teve início em Jean Piaget. Em seguida, foram adotados os
métodos de Lev Vygotsky.
Vejamos:
Teoria sócio-histórica
Piaget desenvolve o construtivismo, em que as
crianças, por meio de seu dinamismo, pesquisa
ou descoberta, constroem o próprio
conhecimento da linguagem. No Brasil, muitos
estudos e práticas ainda são embasados pelas
contribuições de Piaget.
Letramento
Vygotsky postula que o letramento é parte do
processo geral de constituição da linguagem.
Trata-se de uma forma ininterrupta de inserção
no mundo da escrita por meio das interações
sociais e orais da criança, considerando o
significado que a escrita tem na sociedade.
A teoria socio-histórica vygotskyana tem os seguintes fundamentos:A base do desenvolvimento mental do homem é uma mudança qualitativa em uma situação social (ou
em sua atividade).
A forma original da atividade é o seu desempenho, ampliado por um indivíduo no plano externo (social).
As novas estruturas mentais que se formam no homem derivam da internalização da forma inicial de
sua atividade.
Vários sistemas de signos desempenham um papel fundamental no processo de internalização.
Isso significa que, para Vygotsky e Bakhtin, a formação da linguagem escrita pela criança é parte do processo
de constituição da linguagem e de sua inserção na escrita por meio de suas interações sociais e orais.
1. 
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4. 
Vamos prosseguir nosso estudo verificando algumas análises linguísticas. Existem, afinal, várias vertentes da
Linguística. Algumas delas são interessantes neste estudo, como o gerativismo, o cognitivismo e a
pragmática.
Gerativismo
O gerativismo surgiu como uma forma de rejeição ao modelo behaviorista de Burrhus Frederic Skinner,
marcado por estímulos externos recebidos e pela repetição, o que demonstra uma postura mecanicista de
aprendizado. Tal vertente da Linguística chama a atenção para a criatividade no uso da linguagem, mas não
nega a influência de estímulos externos. 
Nessa perspectiva, os estímulos externos “despertam” a língua, que é inata ao ser humano, mas, ao mesmo
tempo, é possível produzir frases nunca ditas antes, acabando por refutar a ideia de que estímulos produzidos
externamente influenciam na produção da linguagem.
Atenção
A criatividade é uma característica humana; por isso, não devemos levar em consideração o método do
behaviorismo, que reduz a questão aos estímulos externos. Já uma limitação da linguística gerativa é
que, se a língua ou a linguagem fosse inata, todas as línguas seriam parecidas e teriam a mesma
estrutura gramatical, sintática e semântica. 
Considerando as línguas naturais, o gerativista se faz perguntas, como as dispostas a seguir:
1
Iguais ou diferentes
O que as línguas naturais têm em comum? Qual diferença elas podem ter entre si?
 
2
Compreensão da língua
Que tipo de conhecimento o falante deve ter para ser capaz de emitir e compreender uma língua?
 
3
Adquirir conhecimento
Como esse conhecimento é adquirido?
 
4
Conhecimento
Como o indivíduo usa tal conhecimento?
 
5 Capacidade de aprender
O que o cérebro apresenta que lhe permite ser capaz de receber o conhecimento que recebe?
 
Basicamente:
O gerativismo tem como objetivo refutar o behaviorismo e defender a ideia de que língua e
linguagem nascem com a pessoa.
Ou seja, são inatas, com um limitado conjunto de regras que muda uma regra em outra.
Exemplo
A possibilidade de se mudar uma oração da voz ativa para voz passiva. 
O gerativismo apresenta os esquemas arbóreos, que são uma grande dor de cabeça para analistas. 
Considere, por exemplo, a seguinte sentença:
“A menina comeu o chocolate”. 
Essa estrutura é formada pelo tag sintagma nominal (SN) “a menina” e o sintagma verbal (SV) “comeu o
chocolate”. Já o SN é formado pelo determinante (DET) “a” e pelo nome ou substantivo (N) “menina”; o SV,
pelo verbo (V) “comeu” e por um SN, “o chocolate”, o qual, por sua vez, é um DET e um N.
 
"a menina" = sintagma nominal (SN)
"comeu o chocolate" = sintagma verbal (SV)
"menina" = nome ou substantivo (N) 
"comeu" = verbo (V) 
"o chocolate" = determinante (DET) e um N.
Agora vamos dar uma olhada em outra perspectiva linguística que pode ser interessante nas análises futuras:
o cognitivismo.
Cognitivismo
O cognitivismo critica principalmente o gerativismo por considerá-lo algo que depende apenas de estruturas e
habilidades da linguagem. 
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Relembrando
O gerativismo tem como objetivo refutar o behaviorismo e defender a ideia de que língua e linguagem
nascem com a pessoa, ou seja, são inatas. 
Ainda sobre o cognitivismo:
Os cognitivistas não acreditam na separação do conhecimento linguístico e do não linguístico, ou
seja, fala e mente andam juntas, havendo um elo entre relação sistemática, pensamento e
experiência. 
A linguagem, o pensamento e a experiência (visão) de mundo estão relacionados ao conhecimento de mundo
do falante. Tal aspecto deu origem à noção do pensamento corporificado, uma característica da linguagem
que considera que a ideia que temos do mundo é limitada por nossas características físicas e que nosso
vocabulário reflete isso, dando origem ao que os cognitivistas passam a defender. 
Mas o que os cognitivistas querem dizer com isso? Em palavras mais simples, o que seria esse
pensamento corporificado? 
Imagine o seguinte: é fácil descrever situações concretas, como “Ela abriu o caderno” ou “Ele pulou do
telhado”. Tais exemplos definem exatamente o que está acontecendo. 
Entretanto, a mesma coisa ocorre com enunciados abstratos? Quando alguém não para de pensar em algo, a
pessoa diz “Eu não consigo tirar isso da minha cabeça”. Já quando uma pessoa vai a uma festa e bebe muito,
dizemos que ela “enfiou o pé na jaca”. 
O que vem à sua mente é uma pessoa abrindo a cabeça para tentar tirar algo de lá? Você imagina uma pessoa
literalmente enfiando o pé em uma jaca? A resposta é não, porque você está trabalhando com o pensamento
corporificado da língua.
E onde está o pensamento corporificado com base na linguística cognitiva? 
Preste atenção ao seguinte fato: o pensamento corporificado é o pensamento estruturado e organizado
segundo o contato do corpo com aquilo que o cerca; por isso, ele tem a ver com a percepção do mundo por
meio dos sentidos e do nosso posicionamento ou localização no espaço. 
Desse modo, o pensamento corporificado, ou seja, o uso de expressões que definiriam algo que está fora do
corpo, é usado mais comumente para descrever ou se referir a situações abstratas. É muito mais usual dizer
“Não consigo tirar isso da minha cabeça!” do que “Não consigo esquecer isso!”, assim como “Ela é muito pé no
chão!” ou “Está sempre com a cabeça nas nuvens”.
Veja como conseguimos entender cada expressão e seus significados, embora tais expressões usem uma
simbologia que funciona com partes do corpo ou extracorpóreas.
Isso significa que a nossa experiência com o corpo, o exterior, influencia na linguagem usada. 
Pragmática
A pragmática é um ramo da Linguística que analisa o uso “concreto” da língua, da linguagem, por parte de
seus interlocutores em vários contextos. Em sua análise, a pragmática inclui o significado de palavras de
acordo com o contexto e também seu significado inferido (a implicatura). 
Seus estudos também são voltados para o
significado pretendido ou expresso e a análise
de fenômenos ligados às intenções dos
interlocutores. Na pragmática, as
interpretações de enunciados são previsíveis a
partir do material linguístico e só recuperadas
por meio da intenção do locutor.
Esse ramo da Linguística trabalha com o que
está implícito; entretanto, o “sentido das
palavras” é motivado por suas intenções. Nem
sempre, porém, o interlocutor está preparado
para interpretá-lo ou para contribuir com esse enunciado implícito. 
Exemplo
Quando digo “Sandra é uma gata”, pode significar semanticamente que ela seja um felino, mas, na
pragmática, é possível entender que Sandra é bonita. 
Vamos usar outro exemplo:
Um rapaz que se dirige a uma jovem e diz: “Puxa, não tenho
nada pra fazer nesse final de semana”.
Chamaremos isso de um pré-convite por ser claramente
uma deixa para que ela o chame para fazer algo.
Contudo, a jovem se sente insegura com a falta de clareza
da atitude; como não sabe o que fazer com tal enunciado,
ela possivelmente não irá contribuir para que esse
enunciado implícito dê certo.
Estudando tais estruturas ou enunciados, vemos que eles
podem resultar em ações que fazem diferença no mundo – daí o nome de “atos” de fala. A língua não
corresponde a um lugar gramatical passivo, e sim exerce ações que mudam a sociedade. 
Quando falamos, entre outras ações, podemos: 
Ordenar
Pedir
Perguntar
Desculpar-nos
Lamentar
Julgar
Rogar
Reclamar
Tais enunciados, que têm capacidadede ação, foram denominados performativos. Com o ato performativo, o
locutor se compromete com a ação exercida pelo enunciado proferido. 
Exemplo
A frase “Eu os declaro marido e mulher” não é uma simples declaração, e sim uma sentença que exerce
uma ação que faz uma mudança social. Por meio de um simples enunciado, um homem e uma mulher se
tornam casados. 
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Análise em nível sintático
O termo “sintaxe” vem do grego syntaxis e significa “arranjar em sequência”. Portanto, quando nos referimos à
sintaxe em Linguística, estamos falando das regras que ditam como as palavras devem ser colocadas para
formar frases, sentenças e orações, produzindo significado. 
A sintaxe é responsável pela ordem e disposição dos elementos na frase ou no enunciado. Ela se difere da
fonologia e da morfologia por ter como foco de estudo a frase.
Os estudos sintáticos têm duas perspectivas:
Visão formalista
Abordagem em que a língua é analisada em sua forma, vendo o que está dentro da frase. Tal visão
desconsidera o contexto, levando em consideração um esquema arbóreo de organização das frases.
Visão funcionalista
Perspectiva que não apresenta uma hierarquia do uso dos elementos nas frases, e sim o enfoque no
que o falante quer dizer, dependendo da relação do ouvinte, do falante, do contexto em que a
interação ocorre ou do que está sendo dito dentro da situação de uso.
Na visão funcionalista, é importante haver o enfoque maior em determinados trechos dos enunciados, isto é,
naquilo que se quer destacar. 
Exemplo
Dizer “Encontrei meus sapatos” ou “Meus sapatos, encontrei” demonstra o enfoque que pode ser dado a
uma informação ou a outra, dependendo da visão funcionalista que o falante quer focar. 
Todas as línguas têm certa estrutura a seguir. Podemos dizer “Comprei um fusca branco” ou “Um fusca
branco, eu comprei”, mas nunca “Comprei eu branco fusca”, porque essa estrutura não faz parte da língua do
português brasileiro. Mesmo quando crianças, reconhecemos que essas frases estão erradas pelo seu uso. 
É importante conseguir não só analisar um enunciado sintaticamente, mas também compreender seu uso na
frase.
Por isso, deve-se saber distinguir sujeito e predicado, porém também é pre-ciso entender qual é sua
função, assim como o efeito de sentido desses mesmos aspectos. 
As palavras podem ter funções diferentes dentro de uma oração. Para entendê-la, é necessário fazer uma
análise sintática. 
Podemos dividir uma oração em três partes:
Termos essenciais
São aqueles cujos termos estruturam a oração.
Termos integrantes
São aqueles que completam os sentidos de outros termos presentes na oração.
Termos acessórios
São aqueles cuja ausência não prejudica o sentido da oração.
Os termos essenciais ainda são divididos em dois: sujeito e predicado. O sujeito, por sua vez, pode ser
determinado ou indeterminado.
Maria cortou o bolo. Está chovendo.
Maria = Sujeito determinado 
Está chovendo = Sujeito indeterminado
 
O sujeito oculto é determinado, porém não aparece. Na frase “Agi por impulso”, por exemplo, há o sujeito
oculto identificado (eu).
O nível sintático na análise linguística
Confira agora os aspectos sociais e psicológicos na aquisição e aprendizagem da linguagem a partir da
contribuição dos estudos de Vygotsky e Piaget, bem como da influência de outras correntes linguísticas.
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As influências dos estudos de Vygotsky e Piaget
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Diferença entre a visão formalista e a funcionalista na sintaxe
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Qual é o nome do evento linguístico em que a língua deixou o seu lugar gramatical passivo, passando a
exercer ações que mudam a sociedade?
A
Fonema
B
Sintaxe
C
Pragmática
D
Gerativismo
E
Atos de fala
A alternativa E está correta.
Idealizados pelo filósofo John L. Austin, os atos de fala são enunciados que resultam em ações, sendo,
portanto, capazes de exercer mudanças na sociedade.
Questão 2
Qual das opções a seguir se relaciona ao gerativismo?
A
A língua é inata: o ser humano já nasce com toda a estrutura dela pronta para ser acessada.
B
A língua é adquirida por repetições mediante ações de reforço dos pais e dos demais falantes.
C
É preciso considerar o estímulo externo e a necessidade do reforço na aquisição da língua.
D
Abordagem que considera os atos de fala e o aspecto performativo da língua.
E
Enfoque que ressalta o que está implícito na língua.
A alternativa A está correta.
Uma das características mais marcantes do gerativismo é considerar a língua inata ao ser humano, como se
todos tivéssemos uma gramática universal. Por considerá-la inata, ela não depende exclusivamente de
repetições nem de estímulos externos. A língua tampouco considera atos de fala, que basicamente
trabalham com a ideia de contexto externo, e não depende do implícito, pois o gerativismo não leva em
conta as nuanças da linguagem a esse ponto.
3. Teorias do discurso e interpretação de texto
Análise do discurso francesa
O termo “análise do discurso” é usado, em grande parte das vezes, de forma indiscriminada. Porém, na
verdade, existem dois tipos bem diferenciados. 
Falaremos primeiramente sobre a análise do discurso. Conhecida como AD, ela é uma análise de linha
francesa desenvolvida na década de 1960 por Michel Pechêux que acredita na “opacidade significativa”.
Mas o que isso significa? 
Opacidade significativa representa a múltipla possibilidade significativa a fim de que os sentidos dos
enunciados possam ser deslocados ou ressignificados conforme a época e o contexto socio-histórico-
ideológico em que circulam. Ou seja, um enunciado pode ter um significado dentro de uma época e outro em
outra época. 
A expressão “A ficha caiu” há 30 anos se referia ao antigo
telefone público, que ficava nas ruas e funcionava com uma
ficha. Quando a ligação era conectada ou completada,
ouvia-se o barulho dela caindo pelo buraco. Hoje em dia, o
mesmo “enunciado” significa “entender”, ou seja, com o
passar do tempo e o contexto socio-histórico-ideológico,
houve a mudança de sentido. 
Com isso, a AD procura entender como a linguagem faz
sentido, trabalhando a relação entre língua, discurso e
ideologia. 
Tendo como base os estudos concentrados nas
elaborações teóricas realizadas por Saussure,
no marxismo e na psicanálise de Lacan,
podemos entender que a AD busca a
compreensão do sujeito interpelado socio-
histórico-ideológico. A língua, a história e o
inconsciente, assim, se relacionam e compõem
o discurso. 
A ideia é um tanto quanto abstrata, mas
basicamente o que ela quer dizer é o seguinte:
a linguagem não é neutra, ela tem uma função
muito maior que isso (socio-histórico-ideológico). Considerando esses detalhes, a prática discursiva da AD faz
muito mais do que apenas informar. 
Por envolver tantos campos, é comum que a AD tenha aspectos interdisciplinares, trabalhando com outros
ramos da Linguística. O discurso é visto como um processo de significação que relaciona o sujeito na língua
por meio da história, sendo o discurso algo em movimento e que realiza práticas discursivas.
A condição de produção seria o contexto em que aquelas formações discursivas se realizam. Isso abarca tanto
o contexto da situação do enunciado quanto o socio-histórico e ideológico.
Análise do discurso crítica
Diferentemente da AD, que pode soar um tanto quanto abstrato, a análise do discurso crítica (ADC) é da
Escola Linguística Americana. A ADC dialoga com diferentes ramos da Linguística, aprofundando-se na esfera
cognitiva e em outras que perpassam o indivíduo em busca de entendimento geral dos fenômenos. 
Para Fairclough (2016, p. 94), além de ter um lado transdisciplinar (preocupado com a parte social), a ADC, por
considerar queas interações sociais são mediadas pela linguagem, caracteriza-se pelo estudo de textos que
postulam a “linguagem como forma de prática social, e não como uma atividade puramente individual”.
O objetivo da ADC, portanto, é analisar o discurso na relação linguagem/sociedade. Esses discursos estão
atrelados aos gêneros discursivos, que são parcialmente estáveis e disciplinam as ações entre as pessoas.
Este diálogo, por exemplo, pode ocorrer em um restaurante:
Cliente: Posso ver o cardápio?
Garçonete: Claro. Aqui está.
Cliente: Hum... vou querer a salada.
Garçonete: Algo pra beber.
Cliente: Uma água com gás.
Garçonete: Já trago.
O diálogo do exemplo mostra que as interações têm certo padrão para acontecer (pedir o cardápio, oferecer
bebida), mas que as respostas e as outras atitudes podem variar. A pessoa entende como funciona o gênero
discursivo de restaurante, porém ela não está engessada em respostas fixas. Essa interação é considerada
pela ADC uma interação social, sendo as questões sociais o foco principal da ADC.
A ADC é uma ciência social que analisa o papel da linguagem e, assim, contribui para a análise
linguística com um parâmetro de análise social. Sua proposta é fornecer ferramentas para que a
pesquisa social seja feita. 
Ao se fazer uma ADC, portanto, tudo isto deve ser levado em consideração: roupas, fotos, notícias e
postagens de redes sociais... todos esses itens podem ser analisados pela ADC (daí seu caráter
interdisciplinar). Tal posicionamento tem atraído o interesse de outras áreas, como Jornalismo, Saúde e
Comunicação Social, pelo fato de perceberem que podem se favorecer dela.
Segundo Fairclough (1995), a ADC estuda: 
Os textos falados e escritos;
A prática discursiva (que seria a produção, a distribuição e o consumo de textos);
Os eventos discursivos como prática sociocultural.
A linguagem, assim, é uma prática social, e não algo puramente individual. Ela pode ser tanto uma forma que
as pessoas têm de agir no mundo quanto seus efeitos sobre os outros, ou seja, o discurso e a estrutura social
não estão distantes. 
De acordo com Fairclough (1995), o discurso:
Contribui para a construção da identidade social;
Contribui para as relações sociais entre pessoas;
Reproduz não só a sociedade como ela é, mas também é capaz de transformá-la;
Envolve aspectos ideológicos e de poder;
Possibilita que relações desiguais de poder sejam mantidas ou até criadas.
Voltaremos nossos olhos agora para a interpretação de textos.
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Interpretação de texto
Ao pensarmos na definição do que é um texto comum, imaginamos um conjunto de palavras que forma
enunciados minimamente coerentes e coesivos com o objetivo de expressar algum significado que o autor (ou
o enunciador) pretende. Entretanto, vamos revisar esses dois últimos conceitos. 
O significado é a parte do evento discursivo que envolve o autor e seu destinatário (que pode ser o ouvinte ou
o leitor). Se o texto é escrito ou oral, as palavras escolhidas ou a entonação de determinados vocábulos não
são aleatórias: cada detalhe é pinçado para realizar a significação.
Para se interpretar um texto, ele deve apresentar um mínimo
de interesse para o receptor, seja esse interesse cultural,
educativo, econômico ou de outra ordem. Se consideramos
que o objetivo do texto seja tornar algo claro para
receptores comuns ou especializados, o que resta é tornar
todos eles procedimentos verbais perceptíveis. 
Para isso, deve-se ter uma teoria de construção de sentidos
e uma metodologia descritiva adequada (AZEREDO, 2010). 
Mas como podemos trabalhar todo esse conhecimento
abstrato em sala de aula? Como conseguimos concretizar
essas ideias?
Primeiramente, interpretar o texto e compreendê-lo são questões diferentes. 
A compreensão textual geralmente deriva de palavras, parágrafos e expressões que já estão apresentadas no
material concreto à nossa frente. A interpretação do texto, por sua vez, ocorre devido a algo que foge ao
texto, isto é, que está além (fora) dele. Por isso, apelamos para o que está implícito. 
Ao se referir ao que o texto implica, o receptor aciona seu conhecimento de mundo, aplicando-o aos seus
entendimentos além do texto. Além disso, diferentemente da compreensão do texto, a interpretação dele
permite que o receptor chegue às próprias conclusões em relação ao que o autor quer dizer, deduzindo isso
por meio da implicatura (aquilo que está implícito).
Exemplo
Na frase “Adriana estava cabisbaixa”, em termos de compreensão textual, entendemos que ela andava
de cabeça baixa. No entanto, considerando nosso conhecimento de mundo, interpretamos que Adriana
estava triste. 
Algo com que devemos ter cuidado ao interpretar textos são as extrapolações, isto é, ir muito além do que
aquilo que o autor quer dizer no texto e exagerar em suas conclusões.
Variações linguísticas
Dentro do estudo linguístico, embora estejamos focando o português do Brasil, não podemos desconsiderar
as variações linguísticas, especialmente em um país tão grande quanto o nosso. 
Mas, afinal, o que é uma variação linguística?
Saiba mais
São formas diferentes de pronúncia e/ou entonação da mesma palavra. 
O linguista norte-americano William Labov deu origem ao estudo dessas variações em 1963, quando decidiu,
por meio de um estudo de caso, provar que a pronúncia de uma frase (the fourth floor ou, em português, o
quarto andar) era enunciada de forma diferente de acordo com a classe social em Nova York (algo que era
negado pelos nova-iorquinos). 
Saiba mais
Após escolher três lojas de departamento (uma de classe baixa, uma de classe média e uma de classe
alta), Labov (2006) fez aos lojistas uma pergunta que deveria ter a mesma resposta: the fourth floor. Por
meio desse estudo, o linguista conseguiu provar que os nova-iorquinos apresentavam pronúncias
diferentes segundo suas classes sociais. 
Podemos identificar quatro tipos de variações linguísticas: 
Diatópicas
Variam de região para região. O sotaque do Ceará e o do Rio de Janeiro são um exemplo.
Diacrônicas
Sofrem mudanças com o decorrer da história. Exemplo: no passado, pronunciávamos “senhoura” /
se’ñoura/; hoje, falamos “senhóra” /se’ñóra/.
Diastráticas
Mudam de acordo com o grupo social. Exemplo: as classes menos favorecidas dizem “somu”; as mais
favorecidas, “somos”.
Diafásicas
Ocorrem em função da formalidade. Seria como dizer “Você gostaria de um café?” em uma reunião no
escritório, mas, com seus amigos em casa, preferir a simples pergunta: “Quer café?” /Kéka’fé/.
Todas essas variações são possíveis e certamente ocorrem em muitos lugares do Brasil. Portanto, a
transcrição fonética de algumas palavras, mesmo nos limitando ao português brasileiro, pode variar conforme
todas essas condições mencionadas acima.
Se apenas considerarmos o Rio de Janeiro, poderemos
observar variações diastráticas e diafásicas. Seus
habitantes não mudam apenas a pronúncia de certas
palavras, como também os vocábulos usados entre as
diferentes classes sociais. As variações apresentadas em
comunidades são as que mais se destacam. 
Essas variações apresentam pronúncias inadequadas
dentro do âmbito formal da língua e entonações diferentes,
além de dialetos. Além disso, algumas palavras ditas em
comunidades não são conhecidas fora delas. 
Exemplo
Em uma comunidade do Rio de Janeiro, “Um galo” significa “cinquenta reais”. 
Língua e ensino
O ensino da língua materna perpassa diversos caminhos. A seguir demonstramos os três principais:
 
Crenças e valores
Construção de identidade
Domínio da língua em contextos interacionais de diferentes aspectos
Esse processo decorre levando em consideração a pragmática e as situações interacionais que focam a
língua, como o uso de um código, e não o código em si. O foco principal, assim, é o contexto. 
Isso nos faz entender o que Moita Lopes (1998, p. 52)
inferiu ao dizer que é preciso levar em consideração nas
práticas sociais de uso de linguagem “tempos, lugares,
sociedades e culturas específicas, relações antes
consideradas extralinguísticas,e, portanto, fora do corpo
das Ciências Linguísticas”.
A questão do letramento faz com que questionemos por
que e para que os alunos aprendem o que aprendem em
sala de aula. Independentemente da metodologia que
escolher, você deve ter um arcabouço teórico minimamente
definido para que o aprendizado seja bem-sucedido.
Ao adotarmos uma abordagem formalista, lidamos com a noção de “certo” e “errado”, focando apenas a
palavra, a oração, em busca de um “verdadeiro” sentido de interpretação de textos e desconsiderando o que
foi dito pelo autor. Isso vai contra o que discutimos quando tratamos da interpretação de textos. Já uma
abordagem estruturalista entende a língua como um sistema abstrato e virtual influenciado por condições
interacionais. 
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• 
O funcionalista, por sua vez, considera a
linguagem como um fenômeno de comunicação
e expressão e sua finalidade, como um
propósito comunicativo com base nas funções
de linguagem propostas por Jakobson. Essa
ideia chegou às escolas no que hoje chamamos
de ensino fundamental, fazendo com que os
livros didáticos assumissem exercícios de
leitura, interpretação de texto e redação. 
Com isso, foram criados elementos que
proporcionavam a existência de “emissor,
receptor, código, canal e contexto” propícios para uma situação comunicativa. Entretanto, no livro do
professor de tais materiais didáticos, há descrições formalistas da linguagem que desconsideram a proposta
comunicativa de ensino-aprendizagem que viabiliza uma melhor função da língua como prática social. 
Muitas vezes, os livros desconsideram a língua como algo vivo e não reconhecem o aluno como um falante
autêntico, centralizando as aulas no professor como se ele fosse o detentor de toda a sabedoria. Por vezes, o
ensino da língua na sala de aula desconsidera a cultura, a política e a religião, fatores importantes no
aprendizado da língua. 
Exemplo
Um livro didático construir uma proposta de atividade em torno de pontos turísticos de determinada
cidade situados com frequência em bairros nobres e/ou com tarifas altas para acesso pode ser um erro.
Esses materiais, afinal, precisam considerar a diversidade de alunos que os utiliza. 
No caso do exemplo, as crianças podem ser de outro estado, cidade ou classe social; por isso, elas não
conhecem tais lugares, o que configura uma falha na proposta.
Análise do discurso e interpretação do texto
Confira agora uma abordagem dos pressupostos teóricos e das contribuições da análise do discurso francesa
e norte-americana, destacando sua implicação na interpretação do texto.
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Diferentes abordagens linguísticas e ensino de língua
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Os livros didáticos no ensino de língua
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Entre as teorias do discurso, destaca-se a análise do discurso (AD) de linha francesa. Assinale a alternativa
em que é possível identificar corretamente as bases dos estudos da AD.
A
Gerativismo e pragmática.
B
Os estudos de Saussure, o marxismo e a psicanálise de Lacan.
C
O inconsciente estudado por Lacan.
D
Interdiscursividade e intradiscurso.
E
Os estudos da linguagem inata.
A alternativa B está correta.
O conceito de discurso foi pensado na AD a partir de três áreas de conhecimento: a Linguística (influência
de Saussure), a Psicanálise (influência de Lacan) e a História (influência de Marx). Cada uma delas forneceu
o próprio pilar da teoria do discurso – respectivamente, língua, sujeito e ideologia.
Questão 2
Qual perspectiva define da melhor forma a estrutura da análise do discurso crítica (ADC)?
A
Língua e sociedade não se separam, formando, assim, enunciados que funcionam como práticas sociais.
B
Língua e sociedade são diferentes e podem ser separadas e movidas de acordo com o sentido.
C
A sociedade tem influência sobre a língua apenas nas relações escolares.
D
A ADC não tem influência sobre a construção da identidade social.
E
A ADC não deve ser considerada uma ciência social.
A alternativa A está correta.
De acordo com a ADC, língua e sociedade devem ser analisadas a partir de uma relação na qual uma molda
a outra de forma recíproca, formando práticas sociais nas quais há tanto o amoldamento linguístico quanto
o ideológico.
4. Conclusão
Considerações finais
Vimos a importância do estudo da fonologia e percebemos como funciona a estrutura da língua em seu
formato acústico, mostrando como ela é influenciada pelo meio social e cultural. Além disso, verificamos que
as dificuldades na pronúncia das palavras podem influenciar a ortografia, ajudando o professor a compreender
a dificuldade de letramento dos alunos do ponto de vista ortográfico. 
Também foi importante abordar a influência da Linguística em análises gramaticais e como alguns dos ramos
mencionados afetam enunciados, estruturas comunicativas e vice-versa. Em seguida, passamos pela
compreensão dessas características linguísticas e destacamos sua importância na fala, compreendendo que
língua e fala não se separam, além de analisarmos os vocábulos em seu nível sintático.
Um dos pontos essenciais deste estudo foi mostrar o desenvolvimento do processo de entendimento do
seguinte aspecto: de que forma funciona a análise do discurso francesa e como ela pode ser usada a nosso
favor em análises. Vimos ainda a análise do discurso norte-americana e mostramos como ela nos ajuda a
tomar ciência da fala como prática social.
Estudamos também a interpretação de texto por alunos e destacamos como essa interpretação decorre nele
por meio de exemplos e definições capazes de nos ajudar, como professores no futuro, a auxiliar os alunos
nos textos que eles consideram difíceis. Para isso, trabalhamos com o português brasileiro, mas
recomendamos a inclusão da ideia de variação linguística, especialmente considerando que o Brasil é um país
muito grande e que diferentes pronúncias podem ocorrer de acordo com classes sociais ou regiões, entre
outros fatores. 
Por fim, propusemos que você repense a forma com que a língua portuguesa é ensinada na escola, levando
em conta a ideia de contexto e interpretação de texto. Tendo isso em vista, apontamos como esse conceito
acabou por ser mal interpretado com respostas engessadas sobre a língua e sua interação.
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Para encerrar, ouça o resumo dos principais aspectos sobre análise linguística e suas implicações no
ensino, destacando aspectos fonológicos, sintáticos e de interpretação de texto.
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Leia os seguintes livros:
 
A linguagem: uma introdução ao estudo da fala, de Sapier E., 2. ed. Rio de Janeiro: Acadêmica, 1971.
(título original: 1916).
A fonologia atual, de Trubetzkoy In: DASCAL, M. (Org.). Fundamentos metodológicos da linguística. v. II
- fonologia e sintaxe. Campinas: Unicamp, 1981.
 
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Também sugerimos que você leia dois artigos:
 
Linguística e ensino de língua: espaços e limites, de Hilmara Nauro, publicado e disponibilizado no
portal Filologia.org.
O papel da Linguística no ensino de línguas, de Luiz Antônio Marcuschi, publicado na revista Diadorin e
disponível no portal da UFJF.
 
Por fim, assista ao seguinte vídeo no YouTube:
 
Diálogos: a Linguística e o ensino da língua portuguesa, com Sírio Possenti e Eloísa Pilati, disponível no
canal da Universidade Brasília (UnBTV).
Referências
AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Folha da Manhã, 2010.
 
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
 
BAKHTIN, M. (VOLOCHINOV). Marxismo e filosofia da linguagem. 11. ed. São Paulo: Hucitec, 2004.
 
BLOOMFIELD, L. Language. New York: Holt, Rinehart & Winston, 1933.FAIRCLOUGH, N. Critical discourse analysis. London: Longman, 1995.
 
FAIRCLOUGH, N. Discurso e mudança social. Brasília: UnB, 2016.
 
FAIRCLOUGH, N. Language and power. Harlow: Longman Group, 1989.
 
LABOV, W. The social estratification of english in New York City. Cambridge: Univesity Press, 2006.
 
MOITA LOPES, L. P. da. Oficina de linguística aplicada: a natureza social e educacional dos processos de
ensino/aprendizagem de língua. Campinas: Mercado de Letras, 1998.
 
PIAGET, J. A construção do real na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.
 
PIAGET, J. Seis estudos de Psicologia. 24. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2001.
 
SAPIR, E. Grading, a study in semantics. Philosophy of science. n. 11. v. 2. 1944. p. 93-116.
 
SAUSSURE, F. Curso de Linguística Geral. São Paulo: Cultrix, 1995. (título original: 1916).
• 
• 
• 
 
TRUBETZKOY, N. S. Principes of phonology. Berkeley: University of California Press, 1939.
 
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984.
 
VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1987.
	Níveis de análise linguística e ensino
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. A relação entre fonologia e ortografia
	Fonologia
	Fala e signo
	O fonema
	Sapir
	Trubetzkoy
	Bloomfield
	Vogais orais
	Vogais nasais
	Consoantes
	Semivogais
	Transcrição fonética
	Sapato
	Hebreu
	Sexo
	Tipos de fonemas
	Fonemas sonoros
	Fonemas surdos
	Fonemas orais
	Fonemas nasais
	Vogais
	Semivogais
	Consoantes
	Exemplo
	A sílaba
	Coloque a mão em sua garganta e pronuncie o fonema /p/.
	Agora faça a mesma coisa com o fonema /b/.
	Dica
	V
	VC
	CVC
	CCV
	CCVC
	CVCC
	Formação de palavras e ortografia
	Relações entre fonologia e ortografia
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	A sílaba e a organização fonológica da língua
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	Diferenças entre pronúncia das palavras e sua escrita
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Análise linguística e o nível sintático
	A constituição social e psicológica do texto escrito
	Teoria sócio-histórica
	Letramento
	Gerativismo
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	Iguais ou diferentes
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	O nível sintático na análise linguística
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	As influências dos estudos de Vygotsky e Piaget
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	3. Teorias do discurso e interpretação de texto
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