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PARECER JURÍDICO 
Interessado (Consulente): Zé Lucas 
Parecerista: Raianny Vitoria Ramos da Silva 
RELATÓRIO 
O consulente traz a análise a responsabilidade do sócio de sociedade limitada por 
dívidas da empresa aplicando acórdãos. O consulente, portanto, indaga, de maneira 
objetiva, se o sócio poderá responder com o seu patrimônio pessoal pela dívida da 
pessoa jurídica. Em apoio ao parecer são trazidos dois acórdãos que quando lidos 
em conjunto é evidente a distinção jurídica fundamental sobre o assunto: 
 1. Vejamos mais um exemplo, do Tribunal de Justiça de São Paulo: “Acórdão do 
Tribunal de Justiça de São Paulo. AGRVO DE INSTRUMENTO. Decisão que 
indeferiu a intimação do sócio integrante de sociedade limitada para emendar a 
inicial, com a prova da integralização do capital social subscrito no valor de R$ 
447.590,00. Recurso de Agravo provido”. 
 Agravo de Instrumento nº 2329657-06.2025.8.26.0000, 14ª Câmara de Direito 
Privado, Rel. Des. Thiago de Siqueira, julgado em 31/10/2025. O acórdão refere-se 
a um pedido em execução de título extrajudicial no qual a exequente pleiteou a 
intimação do sócio da executada para comprovar a integralização do capital. O 
Juízo de origem indeferiu o pedido alegando a necessidade de procedimento da 
personalidade. 
O TJSP, porém, deu provimento ao recurso mencionando que a responsabilidade 
solidária da integralização decorre do Civil, art. 1.052, e não se trata de 
desconsideração. Assim, a intimação seria suficiente para comprovação do aporte. 
Se não o fizer, pode-se prosseguir com a execução sem necessidade de dessegurar 
a personalidade. 
 2. Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 1.784.032/SP, 3ª Turma, Rel. 
Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 02/04/2019): aborda o redirecionamento da 
execução de título extrajudicial em desfavor dos ex-sócios de empresa limitada 
extinta mediante distrato social regular, sem patrimônio líquido remanescente e 
inexistência de abuso da personalidade jurídica. 
 O STJ deu provimento ao recurso especial, sob o entendimento de que, uma vez 
integralizado o capital social, a dívida da empresa limitada não é de 
responsabilidade dos sócios com o patrimônio pessoal. 
 A extinção da personalidade jurídica é similar à morte da pessoa natural, de forma 
que a sucessão simplesmente iria ocorrer no limite do patrimônio de fato distribuído. 
A desconsideração da personalidade jurídica não é uma forma de sucessão ou 
fraude de crédito, mas uma forma de exceção, na qual o propósito é objetivo ou 
confusão patrimonial. A questão sub judice é bem estabelecida: o sócio de uma 
empresa limitada é responsável pela dívida da empresa com seu próprio 
patrimônio? 
FUNDAMENTAÇÃO 
 O fundamento para a resposta é a clarificação da distinção entre duas realidades 
jurídicas diferentes, mas ambas regidas pelo regime da sociedade limitada e com 
base e procedimento diferentes. O artigo 1.052 do Código Civil estabelece, com 
clareza e equivocidade: 
“Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas 
quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social”. 
Essa responsabilidade é direta e legal, uma vez que é objetivamente fundada na 
própria estrutura da sociedade limitada e não requer ou é uma consequência de 
ação ilícita ou abuso da personalidade jurídica. Nesse sentido, quando a 
contribuição dos sócios desta responsabilidade específica é subscrita, mas não é 
Storm, eles têm a obrigação de fazê-lo. 
A dita limitação solidária entre eles implica que qualquer credor social pode exigir 
que cada sócio assuma total responsabilidade por essa dívida, sem a necessidade 
de demonstrar violação geral da lei. Portanto, esta é precisamente a circunstância 
que o TJSP casou. 
O tribunal lida com base liberal, que é definido por uma extensa coleção de 
jurisprudência presado Tribunal próprio, declarou que quando a origem do sócio é 
convidada a cumprir sua integração, não é uma indicação da personalidade jurídica. 
Neste caso, não “eleva o véu” do corpo ou responsabilidade do sócio por violação 
“abuso” sua personalidade. 
Em vez disso, é simplesmente uma questão de fazer valer a regra legal de 
responsabilização solidária. Além disso, a falta de ativos do leilão do requerente 
empresa, liquidação inadequada, e incapacidade de inscrição na Receita Federal 
apenas aumentar esta exigência, que estabelece a execução de eficácia sem 
envolver procedimento desnecessário. 
Em sentido contrário, o acórdão do STJ discorre sobre uma hipótese diferente: 
pretende-se responsabilizar o sócio por dívida ordinária da sociedade, já após 
integralizado o capital social e já extinta regular a pessoa jurídica por distrato. Aqui, 
o Tribunal Superior reafirma o princípio da limitação da responsabilidade própria do 
tipo societário. Após a integralização do capital, os sócios não respondem com seu 
patrimônio pessoal pelas obrigações sociais. A extinção da sociedade limitada não 
implica, por si só, sucessão automática ilimitada. Se aplicado por analogia o regime 
sucessório das pessoas naturais (art. 1.792 do CC - herdeiro responde somente até 
o valor da herança), somente eventual patrimônio líquido positivo que houver sido 
distribuído aos sócios poderia ser alcançado. 
O STJ deixa claro que a desconsideração da personalidade jurídica (art. 50 do CC), 
é instituto excepcional, usado nos casos de abuso (desvio de finalidade ou confusão 
patrimonial). Não se confunde com a mera frustração do crédito, ou com a extinção 
regular da sociedade. 
Os dois julgados, portanto, partem do mesmo dispositivo legal (art. 1.052 do CC), 
mas aplicam-no a situações fáticas distintas: 
TJSP: responsabilidade direta pela formação do capital (obrigação societária 
ordinária). 
STJ: tentativa de responsabilização patrimonial ilimitada por dívida social já coberta 
pela limitação típica da sociedade (exige desconsideração ou prova de patrimônio 
distribuído). A 
distinção é fundamental: quando se discute a integralização do capital, a 
responsabilidade é direta, legal e prescinde de desconsideração; quando se busca 
atingir o sócio por dívida geral da empresa, a regra é a impossibilidade, salvo 
configuração dos pressupostos excepcionais do art. 50 do CC. 
CONCLUSÃO 
Diante do exposto, opino pela POSSIBILIDADE de o sócio da sociedade limitada 
responder com seu patrimônio pessoal por dívida da empresa, mas apenas na 
hipótese específica de falta de integralização do capital social, nos exatos termos do 
art. 1.052 do Código Civil. 
Nessa situação, a responsabilidade é direta, solidária e independe da instauração 
de incidente de desconsideração da personalidade jurídica, bastando a intimação do 
sócio para comprovar o aporte – entendimento pacificadono acórdão do TJSP. 
Fora dessa hipótese concreta, ou seja, quando o capital já se encontra integralizado 
e se pretende responsabilizar o sócio por obrigação ordinária da sociedade (mesmo 
após extinção regular), a resposta é IMPOSSIBILIDADE salvo demonstração dos 
pressupostos excepcionais do art. 50 do Código Civil (desvio de finalidade ou 
confusão patrimonial) para a desconsideração da personalidade jurídica – posição 
consolidada no acórdão do STJ. 
A autonomia patrimonial da pessoa jurídica prevalece como regra; sua superação é 
sempre excepcional e depende de fundamento jurídico próprio. 
É o parecer. 
Campina Grande, 24 de março de 2026. 
Raianny Vitoria Ramos da Silva 
Parecerista

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