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Marcello Silva e Santos
Mario Augusto Mancuso Jorge
Carolina de Souza Teixeira Mérida
Organizadora: Patrícia Barbosa Acioli Novaes
ERGONOMIA E 
ACESSIBILIDADE 
Ergonomia e 
Acessibilidade
© by Ser Educacional
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser 
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Coordenadora de projetos EAD: Jennifer dos Santos Sousa.
Núcleo de Educação à Distância - NEAD
Santos, Marcello Silva e; Jorge, Mario Augusto Mancuso; 
Mérida, Carolina de Souza Teixeira.
Organizador(a): Novaes, Patrícia Barbosa Acioli.
Ergonomia e Acessibilidade:
Recife: Grupo Ser Educacional e Cengage- 2024.
217 p.: pdf
ISBN: 978-65-5487-145-7
1.Ergonomia 2. Acessibilidade 3. Inclusão.
Grupo Ser Educacional
Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro
CEP: 50100-160, Recife - PE
PABX: (81) 3413-4611
E-mail: sereducacional@sereducacional.com
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DEFINIÇÃO
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abordado.
DICA
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EXEMPLIFICANDO
Exemplos e explicações 
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tema.
EXEMPLO
Exemplos sobre o tema 
abordado.
FIQUE DE OLHO
Informações que 
merecem relevância.
SUMÁRIO
UNIDADE 1
Apresentando os fundamentos de Ergonomia� � � � � � � � � � � � � � � � � � � 15
Evolução histórica� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �15
Conceitos essenciais em ergonomia � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �18
A ergonomia e o enquadramento normativo � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �21
A ergonomia e o projeto de sistemas e ambientes de trabalho � � � � � � � � � 24
As três Ergonomias � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 28
As formas de ação ergonômica e o Ergodesign � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 30
Antropometria e percepção ambiental � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 32
Percepção e sua relação com a modelagem e o projeto ergonômico � � � 33
Fenômeno perceptivo e as diferentes dimensões da percepção visual � 36
Fenomenologia dos determinantes inatos da percepção � � � � � � � � � � � 42
Do formalismo antropotécnico à antropometria � � � � � � � � � � � � � � � � � � 55
UNIDADE 2
Dispositivos, mobiliário e equipamentos � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �65
As implicações biomecânicas no design de mobiliário e afins � � � � � � � 65
Design de dispositivos, mobiliário e equipamentos � � � � � � � � � � � � � 75
Design de mobiliário, equipamentos, acessórios, entre outros � � � � � 80
Referências � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �81
Conforto visual � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 82
Punho neutro � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 82
Pés apoiados � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 83
Coluna vertebral � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 83
Especificações � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 84
Especificações do mobiliário e acessórios � � � � � � � � � � � � 84
Cadeiras � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 84
Cadeiras diretor � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 85
Cadeira operacional � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 89
Cadeira de atendimento � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 93
Cadeira para treinamento � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 95
Mesas (gerencial e operacional) � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 97
Acessórios � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 98
Normatização e desenho universal na Ergonomia � � � � � � � � � � � � � � 99
A caracterização da pessoa com deficiência � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 99
Ação ergonômica, antropométrica e parametrização para a PcD � � 103
Acessibilidade: conceitos e adequação normativa � � � � � � � � � � � � � � � � 107
Conceitos em acessibilidade e desenho universal � � � � � � � � � � � � � � 112
A ergonomia e a pessoa com deficiência � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �114
UNIDADE 3
Premissas básicas da Ergonomia � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �124
Uma perspectiva histórica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 124
Processo de Trabalho e Ergonomia � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 126
Variações de Medidas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 128
Variações por gênero � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 129
Variações intraindividuais � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 129
Variações étnicas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 130
Variações seculares � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 131
Influências externas nas proporções corporais � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 131
Pesquisas de Sheldon� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 132
Correlação entre as variáveis � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �133
Sistema de Medição Antropométrica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �133
Tipos de medição antropométrica � � � � � � � � � � � � � � � � � � 134
Biomecânica Ocupacional � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 134
Posturas do Corpo � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 136
Aplicações de forças � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 136
Fatores Humanos no Trabalho � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 137
Fatores Fisiológicos � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 138
Ritmo circadiano � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 138
Alimentação � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 139
Dormir bem � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 139
Processos cognitivos � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 140
Processo de aprendizagem � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �141
Fatores culturais � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �entre uma área de estimulação e outra dá a enten-
der que estes não podem ser considerados separadamente. Para tal, 
a fim de que contornos ou configurações sejam percebidos, deverá 
existir necessariamente um determinado “fundo”. Tanto a imagem 
observada como o fundo, servindo de plano de projeção, são aspectos 
do mesmo complexo de estímulo. Sob certas condições, entretanto, 
pode haver inversão de figura e fundo de tal forma que a primeira é 
percebida como se fosse o segundo e vice-versa. Um exemplo de in-
versão perceptiva é apresentado na figura a seguir, a qual mostra que 
um vaso branco pode ser percebido como um fundo para dois perfis 
negros, ou os perfis podem servir de fundo para o vaso.
Figura 4 - Imagem dos rostos que formam um vaso ou vice-versa
Fonte: adaptada de Santos, Vidal e Rheingantz (2013, p. 43) pelo Editorial Cengage (2020). 
44
Outras propriedades do estímulo, como a intensidade, o ta-
manho e a quantidade de detalhes, estão entre os determinantes 
da figura. Ainda que isto não possa ser exatamente mensurado, é 
certo que a familiaridade do observador com certas formas, a par-
tir das suas experiências e expectativas, afeta consideravelmente o 
que ele percebe nas observações. Isso pode ser um indício de que 
um prejulgamento em relação ao que pretendemos avaliar pode in-
duzir um observador a “interpretar” situações de acordo com uma 
tendência indesejável. Essa “camuflagem” de objetos e figuras, seja 
artisticamente ou como fenômeno natural, envolve essencialmente 
a redução e eliminação de fatores como o contorno e a configuração, 
que distinguem a figura do fundo. As tradicionais figuras ambíguas, 
mostradas anteriormente, são exemplos de ocultação de figuras por 
meio da introdução de “ruídos”, ou distrações por uso de imagens e 
cores contrastantes no fundo da figura.
Outro fator na percepção da forma é o significado de um 
contorno, especialmente quando os detalhes são reduzidos. Certas 
formas podem ser percebidas de modo significativo, mesmo quando 
a quantidade de detalhes e o delineamento da figura são marcada-
mente reduzidos. Isso vale tanto para um círculo com um tracejado 
quase imperceptível quanto para um “borrão” de cor levemente di-
ferente da cor do papel, que ainda aparecerá ao observador como um 
círculo bem definido. No caso do primeiro exemplo, o fechamento 
cognitivo da forma não contínua, é uma propriedade inata que re-
cebe na Teoria da Gestalt o nome de “pregnância”, derivado do ter-
mo em alemão “pragnanz”, significando algo “conciso” ou fechado. 
Este é um dos mais importantes e de certa forma o mais paradoxal 
dos princípios da gestáltica, pois pressupõe que a percepção visual 
não prescinde da complexidade real do objeto (forma perfeita, com-
pleta) para a assimilação da realidade de sua forma.
Na percepção de espaço tridimensional, a visão e também a 
audição têm sido intensamente investigada para se estabelecer pa-
drões de nativismo. Entretanto, seria incorreto afirmar que a visão 
e a audição constituem os únicos sistemas sensoriais envolvidos, ou 
até mesmo os mais importantes. Enquanto os sistemas visual e au-
ditivo são primariamente responsáveis pela discriminação da dis-
tância e da posição dos objetos, a percepção de orientação em três 
45
dimensões e de uma parte do corpo em relação a outra são mediadas 
pelo sistema vestibular-labiríntico do ouvido e pelo sistema cines-
tésico das articulações. É o caso, por exemplo, de um observador 
sentado numa cadeira que consegue perceber a posição e a distân-
cia dos objetos ao seu redor, a direção por onde chegam sons e sua 
própria postura e orientação e também posição relativa referente 
ao espaço ambiente. A totalidade de estimulação – visual, auditiva, 
vestibular-labiríntica e cinestésica – irá determinar a percepção do 
espaço tridimensional.
A projeção bidimensional do espaço tridimensional na reti-
na do olho, ou a maneira pela qual o cérebro traduz tridimensional-
mente a visão bidimensional, resulta num número de propriedades 
intimamente envolvidas na percepção do espaço, do qual deve-se 
destacar dois pontos. O primeiro relaciona-se à geometria do es-
paço tridimensional projetado sobre uma superfície, onde certas 
figuras são ambíguas do ponto de vista perceptivo, de modo que 
dois ou mais tamanhos, contornos, orientações ou direções no es-
paço projetam uma imagem retiniana idêntica ou quase idêntica. 
O segundo diz que essa ambiguidade perceptiva, quando ocorre, 
somente poderá ser resolvida se outros aspectos do estímulo esti-
verem disponibilizados.
Na medida em que se aumenta a distância de objetos aos 
olhos do observador, a imagem lançada por eles na retina vai se tor-
nando progressivamente menor. Assim, os trilhos do trem parecem 
convergir à distância e o tamanho e o espaço dos vãos parecem ficar 
cada vez mais próximos, resultando numa perspectiva cônica. Da 
mesma forma, a interposição ou a superposição de um objeto sobre 
outro proporciona informação do estímulo sobre a distância relativa 
dos objetos (Day, 1974).
Gradientes de texturas, efeitos de disposição e relações entre 
objeto, observador e o solo na projeção retiniana bidimensional do 
espaço são fontes de informações sobre as distâncias e as posições 
relativas dos objetos e aspectos do ambiente espacial. As proprie-
dades mencionadas têm uma qualidade em comum: são todas deri-
vadas da geometria estática de uma projeção bidimensional de um 
espaço tridimensional. Entretanto, na prática, nenhum observador 
estará totalmente parado. Seus olhos e a cabeça se movem, bem 
46
como pode haver deslocamento ao redor do ambiente e esses movi-
mentos resultam numa outra propriedade do estímulo, que contri-
bui para a percepção do espaço tridimensional.
O estudo da percepção visual e sua relação com o sistema cognitivo 
auxilia na compreensão das chamadas ilusões de ótica. Na verdade, 
as ilusões são tão somente ajustes instintivos do sistema percepto-
-cognitivo para interpretar um estímulo. Ao se apresentar aos sen-
tidos uma imagem com quadrados brancos e pretos, por exemplo, 
os olhos remetem à mente sinais relativos às fronteiras entre eles, 
“iludindo” o cérebro para enxergar como cinzas alguns quadrados 
brancos cercados por quadrados pretos.
Em relação aos outros sentidos, a audição exerce um papel 
importante no processo percepto-cognitivo. Os ouvidos são ex-
traordinariamente sensíveis a mínimas diferenças no tempo de 
chegada do som a cada um deles, de uma maneira que lembra a 
sensibilidade dos olhos às mínimas diferenças nas duas projeções 
retinianas. Diferenças iguais a 30 milionésimos de um segundo são 
suficientes para a produção da impressão de um som não centrali-
zado. Essa audição estereofônica é uma expressão frequentemente 
usada para descrever os fenômenos perceptivos associados à au-
dição biauricular. Convém notar, entretanto, que é relativamente 
pouco o que se sabe ou está consolidado a respeito dos determinan-
tes monoauriculares da percepção de espaço.
Ao falarmos de estímulo, dizemos que ocorre um movimen-
to quando há uma mudança no espaço em função do tempo. Para 
que ocorra a percepção de movimento, contudo, tal mudança deve 
atingir certos valores mínimos. Se a troca de um ponto para outro 
ocorre durante um tempo muito longo, o observador simplesmente 
percebe o objeto numa sucessão de posições estacionárias, como, 
por exemplo, no caso do movimento dos ponteiros de um relógio. 
DICA
47
Estas condições mínimas para a percepção do movimento contínuo, 
e não de mudanças sucessivas na posição, provavelmente, variam 
de maneira semelhante ao que ocorre com a acuidade visual.
A percepção de movimento não depende de mudanças 
contínuas. Isto é, a imagem de um objeto não precisa necessaria-
mente mover-se continuamente sobre a retina ou sobre a pele, a 
fim de ser percebida como em movimento (Wertheimer, 2007 apud 
Santos; Vidal; Rheingantz, 2013), num experimento há mais de cem 
anos, que apresentou um par de linhas alternadamente separadas 
por um breveintervalo de tempo. Com intervalos longos (acima de 
200 milésimos de segundo), as linhas aparecem sucessivamente. 
Com intervalos curtos (menos de 30 milésimos de segundo), são 
vistas simultaneamente. Com intervalos entre 30 e 200 milésimos 
de segundo, todavia, são percebidas como linha que se move de um 
lado para outro.
A relação de dependência que existe do movimento percebi-
do para com o fundo é claramente revelada no efeito autocinético 
ou autônomo. Um pequeno ponto estacionário de luz num quarto 
escuro parece mover-se de maneira aleatória após alguns segundos 
de observação. A extensão e a direção deste movimento aparente, 
a partir do ponto estacionário, depende de vários fatores, entre os 
quais estão os movimentos dos olhos e do observador. Objetos como 
automóveis, postes de cercas e pessoas parecem ter mais ou menos 
o mesmo tamanho, vistos a partir de distâncias diferentes. Um au-
tomóvel observado a uma distância de cinquenta metros não parece 
ter duas vezes o tamanho que tem quando visto a cem metros. Mas a 
projeção retiniana do automóvel fica realmente duas vezes maior se 
a distância é dividida pela metade.
Da mesma forma, ao se olhar um relógio de frente e logo a 
seguir de lado, a forma deste não passará de circular para elíptica. 
Um objeto branco, como, por exemplo, uma folha de papel, parecerá 
sempre branco ainda que se ache num quarto relativamente escuro. 
Isto ocorre ainda que a intensidade de luz refletida nele seja menor 
do que a de um objeto mais escuro, sob maior intensidade luminosa. 
Assim, pode-se comprovar que objetos colocados a diferentes dis-
tâncias do observador são percebidos com tamanhos relativamente 
constantes apesar das alterações do estímulo na retina.
48
Algumas evidências sugerem que certos padrões de compor-
tamento discriminativo ocorrem sem que haja oportunidade de sua 
aquisição por meio de aprendizagem ou imitação. Ainda no contexto 
da psicologia formal, é fácil estabelecer nexo direto entre a evolução 
cognitiva e a percepção visual. Na verdade, um conjunto substancial 
de dados mostra que parte do comportamento mediado pela per-
cepção ocorre em função das experiências passadas do indivíduo. O 
esquimó pode discriminar entre muitas variedades de neve, ao pas-
so que o indivíduo que teve pouco contato com a neve só reconhece 
um tipo. Da mesma forma, enquanto um bom sommelier consegue 
distinguir entre a metade superior e a metade inferior do vinho con-
tido numa garrafa, um bebedor de vinho eventual não entende a ne-
cessidade de aeração na degustação da bebida.
Segundo Santos, Vidal e Rheingantz (2013), esta capacidade 
discriminativa da percepção deve resultar de um período durante o 
qual o indivíduo aprende a distinguir propriedades particulares do 
estímulo, como gostos, texturas e cores. As observações corriqueiras 
de que os provadores de chá e de vinho aprendem a distinguir en-
tre muitas bebidas que os demais não podem discriminar, e de que 
os lavradores aprendem a reconhecer diferenças entre três muitas 
farinhas, são confirmadas por experimentos. Um aspecto do papel 
da aprendizagem na percepção é que os efeitos da prática afetam 
a habilidade para discriminar estímulos semelhantes. As mudanças 
na percepção ocorrem não somente sob condições de prática con-
trolada, como também ao longo de períodos muito mais extensos, 
ao longo desenvolvimento do indivíduo. Ainda na infância, o equi-
pamento sensorial do indivíduo se acha totalmente desenvolvido, 
quer do ponto de vista fisiológico, quer do ponto de vista anatômi-
co, o que permite concluir que modificações adicionais sejam con-
sequências de um processo de aprendizagem.
Entre as numerosas mudanças evolutivas cuidadosamente 
investigadas, estão as que ocorrem na constância perceptiva e na 
percepção de ilusões espaciais. A tendência para a constância na 
forma, tamanho e brilho aparentes, apesar das mudanças na esti-
mulação, costuma variar com a idade do observador. Ao se relacionar 
essas constâncias na percepção com a idade, verifica-se que todas 
as três apresentam aumentos progressivos. Parece que a capacidade 
49
para perceber objetos em termos de suas propriedades físicas reais 
depende, em algum grau, de aprendizagem. Quanto maior é a idade 
do indivíduo, mais real é o ambiente que ele percebe. Assim como a 
constância perceptiva reflete a capacidade do observador para per-
ceber em termos de propriedades reais ou verdadeiras dos objetos, 
as ilusões espaciais representam uma distorção destas propriedades 
ou um afastamento da realidade. Se a tendência para perceber rea-
listicamente é um aspecto geral do desenvolvimento, é de se esperar 
que a magnitude dos fenômenos ilusórios diminua com a idade.
Grande parte da energia do estímulo que atinge os recep-
tores é ambígua, sendo de breve duração ou baixa intensidade, 
difícil de se perceber claramente. Esta ambiguidade pode também 
decorrer de uma ausência completa de familiaridade do observador 
com a forma ou padrão particular de estimulação, ou, ainda, do fato 
de que formas e padrões podem representar dois ou mais objetos. 
Estes aspectos podem ser inerentes às propriedades da estimulação 
diferentes da propriedade sendo julgada. Estes podem também ser 
dados por atribuição de um nome ou em virtude de uma disposição 
induzida no observador.
Entre as primeiras explicações da constância de brilho e 
cor, está a noção de que um conhecimento adquirido de proprie-
dades de um objeto (como a intensidade do negro no carvão, a 
brancura da neve e o verde da folhagem, por exemplo) serviria 
para explicar a constância perceptiva. Esta hipótese é hoje difí-
cil de ser sustentada, pois outros experimentos confirmam que, 
tanto a constância do brilho como a constância da cor, ocorrem 
no caso de objetos não familiares ao observador (Chalmers, 
2006). Certas evidências, todavia, sugerem que o conhecimento 
sobre os objetos pode afetar a percepção, um fenômeno denomi-
nado memória de cor. Este é, também, exemplo de um efeito geral 
na percepção, no qual o significado derivado de aprendizagem 
prévia determina parcialmente a cor, forma, tamanho e outras 
propriedades percebidas na estimulação.
Em um experimento frequentemente mencionado por estu-
diosos da percepção, Duncker (1939, apud Day, 1967) verificou que 
a cor usual lembrada, no caso de objetos familiares, exerce efeito 
sobre a cor percebida. Ele colocou sob uma luz verde pedaços de 
50
pano recortados com as formas de uma folha e um burro, de modo 
que a luz refletida dos pedaços de pano para os olhos do observador 
era esverdeada para ambos os objetos. O pedaço com formato de 
folha foi considerado, pela maioria dos participantes, como tendo 
o verde mais forte do que o pedaço com formato de burro, apesar 
de não haver diferenças de tonalidade. A percepção, portanto, tem 
relação direta com a experiência de vida dos indivíduos. Por este 
experimento, por exemplo, vemos que as cores quando associa-
das às formas conhecidas afetam o modo de percepção delas. Nu-
merosos estudos posteriores ao experimento original de Duncker 
concluíram que as associações apreendidas entre forma e cor são 
um determinante da percepção de cores e de tonalidades e de seus 
efeitos sobre as pessoas.
O estudo desses efeitos fez surgir princípios e práticas, 
como a Cromologia, que estuda as reações das pessoas às cores, 
e a Cromoterapia, que busca tratar certos distúrbios a partir da 
utilização de cores e seus efeitos sobre o corpo e a mente. Ain-
da que os comprimentos de ondas expliquem muitos dos efeitos 
das cores sobre os indivíduos, uma parte dessas sensações é de 
origem fenomenológica. Cores são usadas pelo seu simbolismo, 
como no caso do vermelho dos carros de bombeiros, para servir 
com alerta a partir de contraste, como no caso do amarelo e preto 
de sinalização de segurança, mas também podem ser definidas a 
partir de estudos complexos, que definem um tom particular de 
azul-esverdeado, muito usado em Hospitais por transmitir sen-
sação de tranquilidade.O fenômeno da memória de cores exemplifica um efeito per-
ceptivo no qual os significados aprendidos determinam, em parte, a 
percepção das propriedades do objeto. Os significados que afetam 
a cor percebida são derivados das formas familiares dos obje-
tos. O significado, todavia, pode derivar de outras fontes, como, por 
exemplo, das denominações anexadas ao estímulo, quer pelo pró-
prio observador, quer por outra pessoa que forneça instruções ao 
observador. Do mesmo modo, ao se rotular previamente uma forma 
ambígua, as reproduções dela tenderão a ir à direção indicada por 
esses significados.
51
EXEMPLO
Por exemplo, quando dois círculos ligados por uma linha são apre-
sentados a diferentes pessoas, uma parte enxerga de imediato um 
par de óculos, antes mesmo de uma apresentação. As reproduções 
de indivíduos diferentes mostram, entretanto, que o mesmo estí-
mulo foi percebido de maneira diferente por outros observadores, 
que descreveram um haltere ou mesmo um sutiã. Estas diferenças 
presumivelmente resultam do conhecimento adquirido (experiên-
cias passadas) e é evocado pela forma atribuída ao estímulo. 
Um terceiro modo pelo qual um significado pode ser esti-
mulado a resolver a ambiguidade é pelo desenvolvimento de uma 
disposição ou expectativa. Se a estimulação prévia é tal que o obser-
vador se acha preparado ou sintonizado para esperar uma categoria 
particular de estímulo, este, quando ambíguo, é percebido nos ter-
mos dessa categoria. Ao se apresentar imagens com características 
de dois objetos distintos, no caso um perfil humano e um roedor, a 
resposta de percepção poderá variar se, por exemplo, forem apre-
sentadas uma série de figuras inequívocas de animais antes da ima-
gem ambígua. Nesse caso, a figura será percebida pela maioria das 
pessoas como um rato. Se, por outro lado, forem mostrados perfis 
humanos antes da figura, ela tenderá a ser percebida como o perfil 
de um homem.
Nesse caso, o significado induzido por uma sequência de es-
tímulos prévios soluciona a ambiguidade, que pode ser novamente 
provocada se considerarmos uma situação (pouco provável, natu-
ralmente) em que os indivíduos nunca tenham visto um rato nem 
ao vivo nem em fotos. Neste caso, o significado será determinado 
pela origem do estímulo, derivado do seu aprendizado sociocultural.
A aprendizagem perceptiva é um processo pelo qual a pessoa 
adquire a capacidade de interpretar diferentes objetos em função de 
um conjunto de informações assimiladas previamente. O papel de-
sempenhado por ela tem sido considerado em duas direções: os efeitos 
52
do treinamento (prática) na discriminação e os efeitos dos signifi-
cados adquiridos sobre a percepção de estimulação ambígua.
A diferença entre estas duas concepções de aprendizagem 
perceptiva é vista em Day (1967), ao se referir à habilidade do es-
quimó distinguir entre muitas variedades de neve.
 • Teoria da Associação
A teoria da associação, ou enriquecimento, diz que uma varie-
dade de neve é associada a certas ocasiões e certas atividades.
 • Teoria da discriminação
A teoria da discriminação, por outro lado, concebe a existência 
de numerosas variáveis de estimulação, como granulometria, 
textura, brancura, reflexo e aparência externa. 
Com a prática, estas variáveis se tornam discrimináveis 
(identificáveis) pela percepção. Ao contrário do ponto de vista da 
associação, a hipótese da discriminação argumenta que tudo o que é 
percebido está no estímulo desde o início. A aprendizagem percep-
tiva resulta na diferenciação perceptiva destas qualidades.
Não é possível estabelecer com exatidão qual destas formas 
de aprendizagem perceptiva tem maior importância neste processo. 
Naturalmente, elas não são mutuamente exclusivas e é bem possí-
vel que tanto os processos de associação como a diferenciação per-
ceptiva contribuam para o resultado da aprendizagem perceptiva. 
Atualmente, a relação entre aprendizagem e motivação se acha bem 
estabelecida, embora a natureza dessa relação ainda seja controver-
sa. O indivíduo motivado aprende diferentemente do indivíduo não 
motivado. Assim como a aprendizagem está envolvida na percep-
ção, também é de se esperar que o estado motivacional do observa-
dor afete sua percepção. Em suma, o que é percebido é, ao menos em 
parte, uma função de seus motivos ou necessidades.
Os efeitos da motivação sobre a percepção têm sido estuda-
dos em relação a três grupos de motivos: impulsos primários (ou 
fisiológicos, como fome e sede), motivos aprendidos (via educa-
ção formal) e adquiridos (como necessidade de prestígio social e de 
53
realização). Existe um último grupo de motivos que nada tem a ver 
com uma necessidade, tais como aqueles derivados do medo e da 
ansiedade. O procedimento adotado nos experimentos a esse res-
peito geralmente envolve a manipulação dos motivos do indivíduo 
como variável independente.
A variável dependente em geral é o reconhecimento, a identi-
ficação ou as respostas discriminativas do observador. Um estado 
motivacional pode derivar de certas propriedades do próprio estímu-
lo. Em outras palavras, o estímulo pode servir para despertar certos 
motivos, e assim afetar à percepção dele. Por outro lado, os motivos 
podem ser despertados por condições independentes da estimulação. 
Bruner e Goodman (1947 apud Ehrenzweig, 1999) puseram à prova 
a hipótese de que o tamanho percebido de um objeto valioso seria 
maior do que o de um objeto não valioso do mesmo tamanho.
Um grupo de crianças com dez anos de idade, oriundas de la-
res pobres, e um grupo de idade similar, de lares abastados, deveriam 
avaliar o tamanho de moedas, ajustando a área de um foco luminoso 
circular numa tela. Imaginou-se que a necessidade de dinheiro, por 
parte das crianças pobres, deveria ser maior do que a das crianças 
ricas. Sendo assim, as primeiras deveriam superestimar o tamanho 
das moedas em maior escala do que as últimas. Um grupo de contro-
le (fora da amostragem) fez comparações semelhantes de tamanho, 
usando discos de papelão com dimensões iguais às das moedas. O 
resultado deste experimento mostrou que, tanto no caso das crian-
ças ricas como no das pobres, as moedas foram superestimadas, em 
comparação com o grupo de controle, e que as crianças pobres de fato 
superestimaram as moedas em maior grau do que as crianças ricas. 
Entretanto, algumas tentativas para confirmar esses resul-
tados não produziram o efeito esperado. Talvez o ponto principal a 
ser assinalado, com respeito a valores, necessidades e percepção de 
tamanho, seja a grande amplitude de variáveis envolvidas. As moe-
das, por exemplo, não variam somente em tamanho e valor. Variam 
também na textura da superfície, na configuração, em peso (quan-
do tomadas na mão) e na cor. Além desses aspectos, os próprios 
observadores divergem amplamente em experiências passadas e 
54
atitudes. Se um observador é privado de alimento ou água durante 
certo período, uma condição motivadora será induzida nele. Se por 
ocasião do experimento, figuras relacionadas ao estado de privação 
forem apresentadas ao observador, este tenderá a relacionar objetos 
a elementos induzidos pela fome ou sede (uma bola vermelha per-
cebida como uma maçã, por exemplo).
Um dos primeiros estudos sistemáticos da relação entre mo-
tivos primários e percepção foi realizado por Levine, Chein e Mur-
phy (1942 apud Ehrenzweig, 1999). Seus indivíduos foram privados 
de alimento por períodos variáveis. Desenhos ambíguos, uns em co-
res e outros não, com as formas e contornos obscurecidos por trás 
de uma tela de vidro foram apresentados. Os observadores priva-
dos de alimentação mencionaram palavras ligadas a alimentos mais 
frequentemente do que os bem alimentados em suas associações 
aos estímulos mencionados.
Os primeiros experimentos sobre percepção e motivação que 
usaram estímulos geradores de ansiedade, deixaram de levar em 
conta uma importante variável: o grau de familiaridade do ob-
servador com as duas categorias de palavras. Algumas palavras 
ocorreme são usadas mais frequentemente do que outras (e dife-
rentemente de uma pessoa para outra). São palavras mais familiares, 
isto é, palavras que tendem a ser mais bem assimiladas do que outras. 
Por conseguinte, tendem a ter uma representação mental construída 
mais rapidamente. Esta hipótese foi confirmada em numerosos ex-
perimentos, nos quais os observadores se viram diante de palavras 
selecionadas segundo uma determinada frequência de ocorrência e 
durante breves exposições. De modo geral, quanto mais frequente 
ocorre na linguagem, mais rapidamente a palavra é reconhecida.
O reconhecimento é, portanto, determinado muito mais pela 
aprendizagem do que pelas propriedades motivacionais. Segundo 
resultados de investigações recentes, quando as palavras-estímulo 
são emparelhadas em função da frequência de ocorrência e categori-
zadas entre boas e más palavras, as últimas levam mais tempo para 
serem reconhecidas (Ehrenzweig, 1967). A “bondade” ou “maldade” 
das palavras está associada ao seu grau de significação, de modo que 
a percepção pode ser mais afetada pelo significado da palavra para o 
observador do que pelas suas propriedades geradoras de ansiedade.
55
A maioria dos estudos de percepção que geraram publicações re-
levantes foram realizados até pouco depois da segunda metade do 
século XX. Não existem muitos estudos realizados, por exemplo, 
após o advento da Internet e, principalmente, após a aceleração do 
processo de digitalização social, com os smartphones tornando-se 
extensões do corpo humano. É possível inferir que indivíduos nas-
cidos a partir da última década do século XX tenham desenvolvido 
habilidades diferenciadas para interpretação de estímulos visuais e 
uma capacidade de resposta bem superior aos seus pais e avós.
Do formalismo antropotécnico à antropometria
O ser humano usa apenas um grupo de neurônios seletivo para uma 
determinada dimensão de um estímulo. Ou seja: para a percepção de 
um estímulo determinante de frequência espacial, são alocados um 
agrupamento de neurônios. Assim, se um segundo estímulo que difere 
do primeiro ao longo da faixa de frequência (ou outra dimensão qual-
quer) é apresentado na mesma área, ele ativará um grupo de neurô-
nios diferente do primeiro. Em outras palavras, estímulos diferentes 
são processados por grupos ou subgrupos de neurônios diferentes. 
Estes agrupamentos, por sua vez, formam a base dos canais ou filtros.
A grande maioria de nossas ideias sobre o mundo é baseada 
na visão. A filtragem espacial tem aparentemente uma função cru-
cial, pois permite ao sistema visual lidar de forma seletiva com uma 
diversidade muito grande de características simples e complexas 
de objetos. Estes objetos são captados em estágios anteriores que 
possivelmente são em seguida integrados em estágios posteriores. 
Isto permite à mente a reconstrução e interpretação do objeto ou de 
um determinado cenário composto, em movimento ou estacionário. 
Este processo intrincado, mas de certa forma articulado, resulta na-
quilo que denominamos de percepção visual da forma.
CURIOSIDADE
56
Um dos objetivos principais do sistema visual humano é re-
presentar o ambiente visual da maneira mais clara possível para 
as circunstâncias na qual o sistema é utilizado. Muitos acreditam 
que o sistema visual exista principalmente para extrair da imagem 
a informação que nós precisamos para a compreensão do nosso en-
torno e não simplesmente como um meio de recriar a imagem pro-
jetada na retina (Braddick, Campbell; Atkinson, 1978 apud Santos; 
Vidal; Rheingantz, 2013). Cada indivíduo reage diferentemente aos 
estímulos disparados pela interação com seus ambientes, o entorno 
e os objetos contidos nesse espaço parametrizado. E estas intera-
ções diferem também em função da natureza destes estímulos. Um 
ambiente interno provoca diferentes sensações em um indivíduo 
situado em seu exterior, uma vez que implica em considerar, por 
exemplo, a influência que um detalhe de fachada, um jardim ou 
qualquer elemento da paisagem podem produzir em sua percepção. 
E cada ambiente interno, por sua vez, varia em sua amplitude de 
resposta, em função do grau de importância do ambiente para cada 
indivíduo – o que irá variar em função dos seus valores culturais, 
psicológicos, do seu gosto, bem como da sua experiência de vida.
Uma sala sem janelas provoca uma sensação desagradável a 
qualquer indivíduo que frequente o local, mas ela tende a ser mais 
intensa nos usuários deste ambiente. Ehrenzweig (1967) utiliza uma 
analogia bem apropriada para essa abordagem. Segundo ele, uma 
casa é vista por nós de todos os lugares e de nenhum lugar em espe-
cial. Aquilo que vemos é uma síntese de todas as observações focadas 
que empreendemos de vários pontos e em vários momentos. E, mes-
mo que tenhamos formado o conceito de “casa”, ela não é uma sínte-
se intelectual, mas uma síntese perceptiva. A característica temporal 
dessa síntese desdobra a concepção de percepção na fenomenologia: 
a percepção também é uma abertura ao futuro. Em Merleau-Ponty 
(apud Chauí, 2002), reside a noção de projeto na qual o produto per-
manece como possibilidade para outras sínteses. O produto (objeto 
ou edificação) só é uma determinação quando já se está numa atitude 
predicativa, ou quando seu projetista tem de afirmar sua objetividade.
Arquitetos e designers têm o poder de interferir positiva ou 
negativamente na qualidade de vida no trabalho de indivíduos. Es-
tes, por sua vez, têm pouco ou nenhuma influência/participação 
57
neste processo. Ainda que ações projetuais participativas sejam 
práticas comuns em alguns países e adotadas como padrão em al-
guns setores (na construção naval, por exemplo), no Brasil esta 
tendência ainda é muito incipiente e desarticulada, ou seja, existe 
vontade e reconhece-se a necessidade, mas faltam determinação e 
sistematização para o seu desenvolvimento enquanto técnica pro-
jetual (Santos; Vidal; Rheingantz, 2013).
O design participativo (participatory design, em inglês) é um 
processo que parece natural para uma sociedade em transformação 
como a atual, em que indivíduos seguros de seus direitos passam a 
exigi-los e o fazem pelo questionamento de paradigmas em várias 
esferas do pensamento. De fato, nos primeiros anos do movimento 
behaviorista (método de investigação na psicologia voltado ao com-
portamento humano com ênfase nos seus estímulos e reações), os 
psicólogos ambientalistas, que passaram a interagir com arquitetos 
em ações projetuais e outras abordagens participativas, acredita-
vam ser preciso que arquitetos ensinassem aos usuários e clientes 
como enxergar seus projetos. Pode-se dizer que exista hoje o en-
tendimento de que este aprendizado deva ser mútuo, recorrente e 
caracterizado pelo dinamismo na aplicação de métodos e ferramen-
tas. Além disso, é preciso explorar as fronteiras do imaginário, da 
realidade virtual e da simulação, libertando-se da análise de plantas 
baixas e cortes. Os ambientes devem ser de alguma forma analisa-
dos em uma dimensão volumétrica, que permita aos indivíduos co-
nhecerem, previamente, não somente seus cantos, mas também o 
vaso de plantas que estará ali, abrir as janelas e ver as paisagens que 
poderá usufruir, “andar” pelos pisos sem deixar de sentir os fluxos 
e as distâncias a percorrer.
É possível notar ainda que a percepção visual, não materia-
lizada no plano real, adquire um simbolismo próprio do projetista 
que pensa antever as sensações e anseios de usuários que ele não co-
nhece e executando atividades que ele não domina. Esta imposição 
projetual é uma atitude inconsciente, em que pese certos projetistas 
realmente “pensarem” que são capazes de promover e produzir o 
melhor para as pessoas. Como os resultados das escolhas proje-
tuais – tanto em termos de aplicação do programa como do par-
tido adotado – dificilmente serão conhecidos pelos autores, estes 
58
(arquitetos e designers em geral) são excluídos da oportunidade do 
aprendizado proveniente da utilização dos ambientes de trabalho.Assim, deficiências e incompatibilidades tenderão a se perpetuar no 
ciclo projetual, ou ainda, assimiladas culturalmente.
Para ilustrar, basta lembrar qual é o padrão de edificação comercial 
utilizado desde a década de 1940 ao redor do mundo: as cortinas de 
vidro. Como disse Santos; Vidal; Rheingantz (2013), não importa se em 
Berlim ou Singapura, em Montreal ou no Panamá, edifícios comer-
ciais desde sempre seguiram essa orientação estética como se fossem 
a única solução possível ou sempre foi feito assim. Da mesma forma, 
toda fábrica tem que parecer pesada e forte da mesma forma que certas 
áreas não tem janelas para não tirar a concentração das pessoas. 
Porém, segundo Sommer (1977), não se deve flagelar os ar-
quitetos pelas desconformidades e anomalias em seus projetos (ou 
no resultado deles). Embora alguns possam ser criticados pela es-
quisitice, mau gosto e desumanidade, ele acredita que a eles cabe 
apenas uma pequena parte na responsabilidade. As boas coisas que 
fizeram, fazem e irão fazer, sem dúvida superam as más. Seus peca-
dos são mais de omissão do que por intenção ou perpetração.
Deve-se ter em mente também que designers e projetistas são, 
de certa forma, limitados em suas ações pelos seus clientes. Como 
principais interessados, eles têm o poder de acatar ou recusar soluções, 
chegando mesmo ao ponto de impor suas próprias metodologias para 
o gerenciamento de projetos. A forma e o conteúdo dos programas dos 
edifícios podem sofrer modificações tão logo começam a ser definido 
o partido adotado. Portanto, designers que se interessam pelo tipo de 
comportamento do usuário devem procurar elaborar programas que 
possibilitem uma avaliação em termos deste comportamento. Não é 
uma meta fácil de cumprir, uma vez que o universo sociológico pode 
ser tão vago e ambíguo quanto o do design e da arquitetura.
EXEMPLIFICANDO
59
A pouca atenção dada aos projetos depois de inaugurada a obra, 
aliada ao aparente descaso com a participação dos usuários nas deci-
sões desde a concepção até a construção, dificulta o atendimento pleno 
da função social de um ambiente. Como consequência, essa inadequa-
ção ou incompatibilidade pode afetar os níveis de produtividade (em 
ambientes de trabalho) e a qualidade de vida dos seus usuários. 
Em última análise, o mais importante não é exatamente o 
que consta do programa, nem o sucesso ou fracasso do arquiteto 
em alcançar seus objetivos. O mais importante é buscar, a partir da 
observação dos ambientes em uso, uma metodologia que seja mais 
adequada para gerar informações válidas e dissemináveis para pro-
jetos. Paralelamente, as abordagens participativas para a concep-
ção, o projeto e a construção de ambientes de trabalho devem ser 
incentivadas e disseminadas.
Para que estas abordagens possam ser bem-sucedidas, é ne-
cessário que todos os níveis decisórios, em uma empresa ou institui-
ção, encontrem formas de participar deste processo. Como sugestão, 
seria interessante estabelecer um plano de ação participativa como 
parte de um processo maior de gerenciamento de projetos (da con-
cepção à execução), integrando ferramentas, metas, níveis e limi-
tes de responsabilidade, normas e exigências técnicas etc. Conforme 
descrito por Hall (1966), o homem e suas extensões constituem 
um sistema interrelacionado. Assim, é um erro agir como se os 
homens fossem uma coisa e sua casa, suas cidades, sua tecnologia, 
ou sua língua, fosse algo diferente. Devido à inter-relação entre o 
homem e suas extensões, é conveniente prestarmos mais atenção 
ao tipo de extensões que são criadas e como elas são inanimadas, é 
preciso alimentá-las com feedback (pesquisa) para se entender o que 
está acontecendo, em particular no caso das extensões modeladoras 
ou substitutivas do meio ambiente natural.
Um interessante ponto de partida poderia ser o estabeleci-
mento de um guia de referência projetual. Existem propostas para 
uma sistematização básica em forma de um modelo que contemple, 
em uma linguagem simples e “universal”, as diferentes fases do 
processo de concepção, tornando-o palatável e adequado para fa-
zer frente à multidisciplinaridade inerente à ação ergonômica, seja 
ela direta, via os atores envolvidos em um determinado processo de 
60
intervenção. Christopher Alexander, Sara Ishikawa e Murray Sil-
verstein (1977) estabeleceram uma teoria onde elementos secundá-
rios que compõem elementos primários passem por um processo de 
“padronização” para que sejam utilizados como gabaritos de forma 
recorrente em situações que se repetem.
A “linguagem de padrões”, tradução não muito eficaz do 
termo pattern languages, de Alexander, Ishikawa e Silverstein, en-
controu campo fértil de aplicação na ciência de computação, uma 
vez que o processo de construção de algoritmos presentes na criação 
de softwares depende de um encadeamento lógico de códigos co-
nhecidos e aceitos. No que pese as controvérsias sobre a viabilidade 
de utilização de padrões de projeto no processo de design, por sus-
peitar-se tolher o processo criativo, a verdade é que a teoria des-
ses autores atende uma espécie de carência simbiótica, ajudando no 
enquadramento conceitual interdisciplinar, mais especificamente 
ajustando programas de necessidades, vínculos socioculturais, nor-
mas comportamentais e na própria ação ergonômica.
Afinal, a ergonomia tem forte componente normativo, 
apropriando-se de referenciais legais e técnicos, que ajudam a de-
finir as chamadas boas práticas de projeto. De fato, a principal re-
ferência de adequação ergonômica no design e na arquitetura são 
os pontos de verificação ergonômica, definidos pela Organização 
Internacional do Trabalho (Fundacentro, 2001 ), um conjunto de 
145 itens que devem ser seguidos para se garantir a plena satisfa-
ção aos requisitos ergonômicos – ou especificações – em projetos. 
A própria NR 17 (Norma Regulamentadora de Ergonomia), que en-
trou em vigor no início da década de 1990, funciona como um guia 
de orientação de projeto.
Ainda que sua linguagem, como toda peça legislativa ou nor-
mativa, de certa forma dificulte a disseminação dos conceitos e pre-
missas ergonômicas, iniciativas recentes (Cruz, 2019 ; Fundacentro, 
2004 ) tornaram mais efetiva sua interpretação e, consequente-
mente, sua disseminação através da incorporação de imagens, tex-
tos descritivos mais claros. Enfim, a partir de recursos educacionais, 
como a ludicidade, a Ergonomia foi sendo naturalmente incorpora-
da ao cotidiano das pessoas e ao mundo do design.
61
E, conforme esse processo ocorria, algumas técnicas e ferra-
mentas de projeto foram sendo incorporadas ao processo criativo. 
Como em sua própria definição, a Ergonomia se propõe a adaptar 
o ambiente e objetos às necessidades psicofisiológicas dos seres 
humanos, a antropometria funciona como a materialização de um 
programa de necessidades ergonômicas, uma espécie de incorpora-
ção sistemática de conceitos, princípios e propriedades da Ergono-
mia ao Design de produtos e ambientes.
Prezado(a) estudante, estamos concluindo a primeira etapa da dis-
ciplina Ergonomia e Acessibilidade. A seguir, faremos uma breve 
síntese do que estudamos até aqui. Vamos lá!
Neste material, foram apresentadas as noções básicas da Ergonomia, 
assim como os fundamentos dessa disciplina científica e os principais 
conceitos, princípios e normas associados ao tema. No nosso con-
teúdo, você pôde compreender o motivo da existência de diferentes 
dimensões da Ergonomia e suas principais características, além de 
entender como ocorre a ação ergonômica e suas diversas formas.
Os fundamentos da antropometria foram abordados, permitindo 
que você compreendesse a importância dos critérios antropométri-
cos e como esse conhecimento é relevante para os profissionais que 
atuam na área de projetos.
Além disso, examinamos os fundamentos da percepção ambiental, 
explorando todo o processo percepto-cognitivo e as nuances da re-
lação entre os seres humanos e o ambiente construído, mencionan-
do alguns autores que tratamdesse tema.
Ressaltamos que, caso surjam dúvidas, entre em contato com o(a) 
seu(sua) tutor(a). Ele(a) está à sua disposição para ajudá-lo(a).
Bons estudos e nos encontramos na próxima etapa de aprendizagem.
Até lá!
SINTETIZANDO
UN
ID
AD
E
2
Dispositivos, 
mobiliário, 
equipamentos, 
normatização e 
desenho universal
Objetivos
1. Compreender os elementos essenciais no projeto de dispo-
sitivos, mobiliário e equipamentos.
2. Observar as implicações biomecânicas no design de mobiliá-
rios e afins, visando garantir conforto, segurança e a eficácia 
produtiva aos diferentes usuários.
3. Conhecer a normatização, o conceito de acessibilidade e o de-
senho universal na ergonomia.
4. Apresentar a ação ergonômica, antropométrica e a parametri-
zação para a Pessoa com Deficiência (PcD).
5. Explorar a relação entre ergonomia e a inclusão da pessoa com 
deficiência.
64
Introdução
Caro(a) estudante, seja bem-vindo(a) a mais uma etapa de apren-
dizagem da disciplina Ergonomia e Acessibilidade. Ao longo desta 
jornada, você será apresentado(a) aos elementos essenciais no pro-
jeto de dispositivos, mobiliário e equipamentos, visando atender 
aos preceitos ergonômicos, garantindo o conforto, segurança e a 
eficácia produtiva para os diferentes usuários. Além disso, explo-
raremos os aspectos normativos do Projeto Ergonômico associado 
ao Design, com ênfase nos requisitos de Acessibilidade (NBR 9050), 
no Design inclusivo e na legislação, com suas instruções normativas 
para atender às pessoas com deficiência (PcD).
Neste material, você compreenderá, por exemplo, que os cri-
térios de projeto para um assento adequado para atividades de traba-
lho diferem daqueles esperados para um sofá em uma sala de estar. 
Abordaremos a necessidade de que diferentes dispositivos respeitem 
os parâmetros distintos para sua alocação, levando em consideração 
a frequência de uso, finalidade ou criticidade da operação. Adicional-
mente, você aprenderá como atender de maneira adequa aos requisi-
tos e preceitos do chamado desenho universal (Universal Design), que 
objetiva a inclusão de todos usuários, independentemente de even-
tuais restrições de mobilidade.
Em resumo, este material proporcionará uma compreensão 
clara de como a Ergonomia contribui para melhorar a qualidade dos 
móveis, eletrodomésticos e ambientes de trabalho ou lazer, da mes-
ma forma que você também perceberá a importância dos critérios de 
projeto universal e dos parâmetros normativos para o resultado de um 
bom design.
Desejamos a você excelentes estudos!
65
Dispositivos, mobiliário e equipamentos
Qualquer pessoa que já tentou utilizar um mobiliário inadequado 
sabe bem o que isso representa em termos de desconforto. O uso de 
dispositivos, mobiliário e equipamentos de trabalho e lazer podem 
representar sério risco à saúde e dificuldades na realização de ati-
vidades cotidianas quando não atendem aos requisitos de conforto 
e usabilidade.
A usabilidade deve ser aqui compreendida como um grau 
de atendimento de parâmetros projetuais em que há conformida-
de entre o que se planejou em relação ao produto e a satisfação do 
usuário em relação a ele. Portanto, não basta apenas que o produto 
esteja conforme as especificações, pois é necessário atender às ex-
pectativas de todos os usuários de um produto ou ambiente. Assim, 
é fundamental que existam parâmetros de projeto e critérios de 
especificação, design e fabricação de dispositivos, mobiliários e 
equipamentos destinados aos seus diferentes usuários.
As implicações biomecânicas no design de 
mobiliário e afins
As implicações biomecânicas estão relacionadas à adoção de di-
ferentes posições do corpo humano pelas pessoas. Tais posições do 
corpo, ou posturas, são necessárias à realização das atividades ao 
longo do dia, como no trabalho, em casa ou no lazer. Numa situação 
de trabalho, por exemplo, as posturas são forçadas pelas condicio-
nantes da tarefa, ou impostas pelo trabalho em si.
As posturas, por sua vez, podem ser definidas como a orga-
nização dos vários segmentos do corpo humano dentro de um es-
paço. Em uma ação projetual ou ajuste ergonômico, um dos pontos 
fundamentais a serem avaliados é a postura no trabalho – assim 
compreendida como a organização dos segmentos corporais que 
ocorrem durante a atividade laboral. 
Em Ergonomia, o termo correto de uso não é “posturas inade-
quadas”, mas sim “postura forçada”, em função dos determinantes 
66
da tarefa. Essas posturas seriam inadequadas se fossem adotadas de 
forma voluntária pelo trabalhador, porém, normalmente, não é isso 
que acontece. Alguns autores as classificam ainda como “posturas 
desequilibradas ou inadequadas”. 
No entanto, como aceitar essas descrições quando as pos-
turas que são evidenciadas pela análise ergonômica comprovam 
que as mesmas poucas vezes advêm da escolha ou de uma opção 
por parte do trabalhador? Em geral, elas decorrem do arranjo fí-
sico do posto ou local de trabalho, do desenho dos equipamentos 
e do mobiliário, do conteúdo cognitivo das tarefas e da intensifi-
cação do ritmo de trabalho, componentes que não são controlados 
pelos indivíduos.
Imagine, por exemplo, um trabalhador que passa horas trabalhando 
em uma bancada soldando placas que chegam numa esteira trans-
portadora. Se ele estiver sentado lateralmente em relação à esteira, 
precisa realizar constante torção de tronco para recolher as peças, 
soldar os componentes e retornar o conjunto pronto para esteira, 
de forma a seguir para um estágio seguinte da linha de produção. 
A manutenção dessas posturas forçadas por um longo período de 
tempo pode causar dores nos músculos necessários para sua manu-
tenção, até o surgimento de doenças ocupacionais, como escoliose, 
lordose e agravamento dos chamados Distúrbios Osteomusculares 
Relacionados ao Trabalho (DORT).
Pode-se classificar, de acordo com o escopo, as principais 
posturas de trabalho como “postura em pé” e “postura sentada”, 
ambas envolvendo carga musculoesquelética estática que é nociva 
ao corpo. Obviamente, algumas situações de trabalho, como a do 
cirurgião dentista, do mecânico e de caixas de supermercado, por 
exemplo, demandam um tratamento diferenciado e a solução passa 
pela limitação de operação contínua na posição indesejada.
EXEMPLIFICANDO
67
Jean Oliver e Alison Middledith (1998) fizeram experimentos 
conclusivos que demonstraram que os músculos que sustentam o 
tronco contra a força gravitacional, embora vigorosos, não são mui-
to adequados para manter a postura em pé. Esta musculatura seria 
mais eficaz nos chamados ajustamentos posturais, ou a produção 
dos movimentos necessários às principais mudanças de postura 
durante uma atividade. Por outro lado, ficar em pé no local de tra-
balho como postura básica significa assim permanecer um mínimo 
de duas horas entre as pausas formais; isso implica na adoção de 
um esforço estático para a imobilização prolongada das articulações 
dos pés, joelhos e quadris. A força envolvida não é grande e está si-
tuada certamente abaixo do limite crítico de 15% da força total.
Além disso, o longo período em pé é cansativo e difícil não só 
devido ao esforço muscular estático, mas também devido ao aumento 
da pressão hidrostática do sangue nas veias das pernas e o progres-
sivo acúmulo de líquidos tissulares nas extremidades inferiores. Ao 
caminhar, porém, a musculatura das pernas age como bomba, com-
pensando a pressão hidrostática do sangue, facilitando o fluxo san-
guíneo do coração aos membros. Portanto, na impossibilidade de se 
adequar o trabalho em pé, torna-se imperativo que se realizem mi-
cropausas para uma curta caminhada, ou mesmo um curto repouso 
em posição sentada, evitando-se o aumento da fadiga decorrente do 
esforço muscular necessário à manutenção do corpo ereto.
A posição em pé não deveria ser mantida por longos perío-
dos e, contrariando a suposição que o trabalho estático sentado é 
mais danoso ao conjunto musculoesquelético, existem restrições ao 
trabalho em pé que vão além ao fatode que ele pode provocar va-
rizes. Por impulso natural e necessidade fisiológica, os indivíduos 
alternam o apoio na perna direita e esquerda, não apenas como um 
mecanismo para a busca de equilíbrio, mas também como de forma 
a facilitar a circulação sanguínea e diminuir a pressão sobre as ar-
ticulações dos membros inferiores. De acordo com Francisco Soa-
res Másculo e Mário César Vidal (2011), quando o indivíduo trabalha 
em pé, na mesma posição e por muito tempo, de modo a se manter 
confortavelmente nessa posição, ele ou ela precisa usar diferentes 
mecanismos como: a) fazer de forma intuitiva uma alternância 
na distribuição dos pesos entre um pé e outro ou b) depois de 
um certo tempo, fazer um balanço elíptico ou circular da cabeça 
68
e do tronco, mais ou menos intenso dependendo do tempo na 
posição de pé parado. Isso é um mecanismo de regulação do tônus 
dos músculos posturais para facilitar a alternância e evitar a fadiga 
localizada. 
Segundo Másculo e Vidal (2011), por conta dessas questões, e 
de acordo com a Nota técnica 060/2001, publicada em 03 de setem-
bro de 2001 pelo Ministério do Trabalho e do Emprego, a escolha da 
postura em pé somente se justificaria caso a tarefa exija:
 • manipulação de cargas com peso igual ou superior a 4,5 kg;
 • aplicação de forças para baixo, como no caso de 
empacotamento;
 • operações frequentes em vários locais de trabalho, fisica-
mente separados;
 • movimentações intraposto frequentes, com alcances para 
cima, para frente ou para baixo.
Com base na NR 17, o trabalho que pode ser projetado para ser 
realizado sentado deve ser modificado, caso não o seja. Assim, fora 
de situações como as descritas anteriormente, o trabalho contínuo 
em pé é desaconselhado e considerado desconforme. Curiosamente, 
um dos argumentos usados pelas empresas para manter o trabalho 
em pé é que ele impede a desconcentração e evita a morosidade que, 
segundo as mesmas empresas, ocorreria no trabalho sentado. Ora, 
isso não se verifica empiricamente, já que o que causa a fadiga física 
e mental é a natureza do trabalho executado. Um trabalhador que 
monitora um painel de controle verificando parâmetros de produ-
ção em pé, portanto, tenderia a cansar-se mais rápido ao trabalhar 
em pé.
Na prática, verifica-se que a postura sentada melhora o 
bem-estar e o rendimento no trabalho, pois tende a gerar me-
nor fadiga. Os motivos seriam de natureza fisiológica, pois de pé a 
69
pessoa encontra-se em permanente consumo energético para busca 
de equilíbrio, com esforço muscular estático constante nas articu-
lações dos pés, joelhos e quadris, ao passo que, ao sentar-se, o in-
divíduo passa a não ter esse tipo de trabalho muscular. Atualmente, 
cerca de três quartos dos trabalhadores têm uma atividade sentada 
nos países industrializados (Másculo; Vidal, 2011).
Efetivamente o trabalho sentado traz alívio das pernas, mais 
possibilidades de evitar posições forçadas do corpo e redução no 
consumo de energia, o que traz, consequentemente, alívio na pres-
são de circulação sanguínea. As desvantagens seriam a flacidez dos 
músculos da barriga (que deixam de ser solicitados) e a cifose (que 
provoca um arredondamento na parte superior das costas).
De uma forma mais sistemática, pode-se listar as seguintes 
consequências indesejáveis da postura sentada para o indivíduo:
 • as articulações dos braços (cotovelos e punhos).
 • a coluna cervical.
 • os membros do esqueleto (pernas e braços).
 • a coluna lombar.
Quando sentado, o pescoço dobra-se para frente para que 
possamos olhar o trabalho, na posição mais comum. Quanto mais 
dobrado para frente, maiores serão as queixas com desconforto em 
função de sobrecarga nos ligamentos e articulações da região. A 
impossibilidade de movimentação da cabeça exigirá dos músculos 
mais trabalho para manter a posição (trabalho muscular estático). 
Na figura reproduzida a seguir, observam-se movimentos de in-
clinação do pescoço que devem ser evitados. Conforme a figura, 
da esquerda para a direita, a inclinação do pescoço pode acontecer 
por causa de uma mesa ou teclado mais baixos, a cadeira estar alta, 
o assento muito afastado da mesa ou bancada, ou o trabalho pode 
estar exigindo que os olhos se mantenham em posição fixa.
70
Figura 1 – Tipos de inclinação da cabeça por imposição da tarefa.
Fonte: adaptada de Másculo; Vidal (2011, p. 68) pelo editorial Cengage (2020).
Recomenda-se que, quando inclinado para frente, o pescoço 
flexione-se até o limite entre 20 a 30 graus, e em torno de 15 graus, 
caso o trabalho seja prolongado. Quando a bancada é baixa, o cor-
po dobra-se para frente, facilitando o aparecimento de dor e outros 
sintomas na região lombar. Para diminuir o ângulo do pescoço, de-
ve-se manter a cadeira bem próxima à bancada de trabalho, ajustar 
os equipamentos sobre a mesa, estabelecer pausas e exercícios. Para 
quem realiza trabalho com digitação, é importante o uso de suporte 
de papel, devendo-se evitar posturas estáticas inadequadas como 
atender ao telefone e anotar algo. Esta posição requer uma acentua-
da inclinação do pescoço.
Ademais, quando se trabalha sentado, ocorre o deslocamento 
do braço para frente e o para o lado. A elevada frequência destes mo-
vimentos e sua grande amplitude podem provocar dores no pescoço, 
ombros e braços. Problemas também podem acontecer se os braços 
forem mantidos em contração estática por um longo período, como 
acontece em certos tipos de atividade, como no comércio e nos chec-
kouts de supermercado, por exemplo. A contração muscular está-
tica torna os músculos dos ombros doloridos, podendo inflamar, o 
que compromete os ligamentos e vasos sanguíneos.
O arranjo do posto de trabalho e a distribuição dos equipa-
mentos sobre a mesa podem causar ângulos superiores a 60 graus, 
em abdução entre o braço e o corpo. Deve-se eliminar, portanto, a 
tarefa ou partes da tarefa que causam essas disfunções posturais, 
movimentos inúteis. Isso é possível com medidas simples, como a 
reorganização do material de trabalho, de forma que os de uso 
71
mais frequente permaneçam junto ao corpo. Para prevenir possíveis 
problemas para os ombros, a mesa e o assento devem ser ajustados 
de forma a permitir que os ombros permaneçam relaxados, os co-
tovelos abaixados e próximos ao corpo, formando ângulo de até 15 
graus com os braços que, por sua vez, devem estar com os antebra-
ços em posição neutra, ou próximo a 90º.
Em relação às pernas, a pressão contínua das nádegas nas 
coxas contra o assento da cadeira reduz a circulação local. Com o 
passar do tempo, esta pressão conduz a uma diminuição da tem-
peratura nas pernas, sensação de formigamento, dormência, dor e 
inchaço, principalmente nos pés, tornozelos e pernas, deixando o 
usuário propenso a problemas circulatórios como as varizes. Para 
diminuir esses problemas circulatórios, é necessário usar o assento 
da cadeira de forma adequada à altura e ao comprimento das pernas 
do usuário.
A figura a seguir apresenta os efeitos da altura do assento na 
circulação das pernas. Da esquerda para a direita, observa-se que 
se o assento for muito alto, toda a coxa estará fortemente apoiada 
sobre o assento e os pés ficarão em balanço total ou parcial. A com-
pressão dessa parte da coxa diminui ainda mais a circulação san-
guínea, pois os vasos sanguíneos e nervos passam superficialmente 
nesta região. Ocorrerá também a diminuição do ângulo interno do 
joelho, reduzindo a circulação e promovendo dor nesta região. Por 
fim, se o assento estiver muito baixo, uma grande parte do peso do 
corpo estará apoiada sobre uma região muito restrita das nádegas, 
causando dores.
Figura 2 – Constrangimentos físicos às pernas em função do assento.
Fonte: adaptada de Másculo; Vidal (2011, p. 68) pelo editorial Cengage (2020).
72
A cadeira deve ser considerada como parte integrante do 
posto de trabalho. A regulagem do assento deve estar em acordo 
com a superfície de trabalho. Porém, se, mesmo com os ajustes, a 
altura do sistema não estiveradequada e o assento for muito baixo, 
recomenda-se a utilização de uma almofada firme sobre ele, desde 
que o encosto continue fornecendo os apoios necessários à coluna. 
Se o assento for muito alto, recomenda-se o uso de apoio 
para os pés. Um bom apoio para os pés permite a movimentação 
deles sob a bancada. Note que o piso é o melhor apoio de pés que 
existe, ou seja, se a pessoa tem altura suficiente e o assento permite 
as regulagens devidas, a pessoa pode apoiar os pés no próprio piso, 
dispensando qualquer acessório.
Recomenda-se que o desenho do posto permita a movimen-
tação das pernas. O espaço entre a borda frontal do assento e a parte 
posterior das coxas deve ser considerado, como também o espaço 
para inserção das pernas e dos pés sob a bancada. Cada pessoa de-
verá poder ajustar o assento na cadeira de forma a manter os pés 
apoiados no chão e, sempre que possível, manter suas coxas e seus 
joelhos dobrados em ângulo próximo a 90º. Para uma boa movi-
mentação das pernas, a área abaixo da mesa deve ter um espaço ho-
rizontal de , no mínimo, 60cm na altura do joelho e 80cm na altura 
dos pés. Além disso, é interessante que o assento apresente uma 
borda levemente arredondada para baixo e que haja um espaço livre 
de 5cm entre a borda do assento e a parte posterior da perna.
Com relação à coluna cervical, a primeira consequência im-
portante da postura sentada para o corpo humano é o aumento da 
pressão entre os discos intravertebrais, em função da diminuição 
da curva lombar e diminuição do espaço entre os discos. Na postura 
sentada, ocorre uma maior compressão nas extremidades do disco 
devido à deformação natural das curvaturas da coluna vertebral na 
posição sentada. Outra observação pertinente é que, quanto mais 
fechado o ângulo entre o tronco e as coxas, maior será a pressão 
dentro dos discos.
Na figura a seguir, percebe-se que as forças verticais são 
menores quando há inclinação para trás. Assim, sentar-se fora 
da posição neutra – que normalmente é tida com a postura ideal 
73
– mantendo o corpo em um ângulo por volta dos 100º seria o ideal; 
entretanto, essa não é uma posição normalmente possível na rea-
lização de tarefas na posição sentada. Na posição neutra, a carga é 
menor, mas deve-se enfatizar também que manter essa posição por 
longos períodos também sobrecarrega a coluna. As piores posições 
no trabalho sentado são exatamente aquelas mais comuns quando 
se utilizam a digitação ou o trabalho administrativo em si.
Figura 3 – Constrangimentos físicos às costas em função do assento.
Fonte: adaptada de Másculo; Vidal (2011, p. 68) pelo editorial Cengage (2020).
Manter essas posturas por um longo período, ou trabalhar 
em atividade que exija a adoção de postura sentada durante mais 
de cinco anos, pode facilitar o enfraquecimento da parede do disco, 
ocorrendo rachaduras e aumentando as chances de hérnia de dis-
co, o que se agrava com a idade. O senso comum diz que a hérnia de 
disco ocorreria apenas em consequência do trabalho pesado, mas a 
epidemiologia mostra que ela também pode ocorrer na posição sen-
tada, em trabalhos leves. Algumas ações amenizam estes impactos:
 • Disponibilizar um encosto da cadeira móvel e ajustável, 
para acompanhar o movimento do corpo e que não seja 
muito macio nem muito duro, visto que esse elemento su-
porta uma parte do peso do corpo, diminuindo a sobrecar-
ga das costas.
74
 • Priorizar a utilização de cadeiras com o espaldar alto, pre-
ferencialmente com encosto de cabeça separado, possibi-
litando maior conforto e estimulando a adoção de posturas 
neutras.
 • Providenciar apoio para a parte baixa da coluna, de forma 
a manter a curvatura lombar tão natural quanto possível.
 • Realizar pausas frequentes, levantando-se e caminhando 
sempre que possível.
Também é importante evitar torcer o tronco ou manter o corpo in-
clinado para um dos lados. Quando a mesa tem mais de um plano de 
trabalho, é comum girar o corpo para alcançar objetos e documen-
tos. Estes movimentos de torção do tronco sobrecarregam a coluna. 
Cadeiras com rodízios podem poupar estes constrangimentos. De-
ve-se girar a cadeira, ao invés de girar o corpo.
Em relação ao restante do mobiliário, deve-se atentar ao pro-
jeto de armários em quantidade suficiente para as atividades de tra-
balho e acondicionamento de pertences de todos no setor. É comum 
que ocorram problemas diversos, com consequências variadas, ad-
vindos da falta de mobiliário, como capacetes no alto de armários 
que caem nas pessoas, mochilas no piso que causam quedas etc. A 
utilização de gavetas muito baixas pode aumentar a pressão nos 
discos, o atrito nas articulações e até mesmo o chamado travamento 
de coluna na tentativa de apanhar uma pasta, por exemplo. Assim, 
recomenda-se transferir materiais cujo uso seja mais frequente 
e constante para gavetas superiores, deixando os menos usados 
para as gavetas inferiores.
IMPORTANTE
75
Naturalmente, durante o exercício profissional, outras po-
sições podem ser usadas, independentemente da imposição do 
mobiliário. Mas, por imposição da tarefa, podem existir posições 
de trabalho curvadas, alongadas, ajoelhadas, agachadas e até dei-
tadas, como acontece no trabalho dos mecânicos de automóveis; 
nesses casos, o fator mais cansativo é o esforço estático para man-
ter a cabeça, e eventualmente o tronco numa posição que permita o 
controle visual do trabalho e certa mobilidade. Trabalhar deitado é 
extremamente fatigante, pois, ao trabalhar nessa posição, o indiví-
duo fica sem apoio para a cabeça e geralmente usa os membros su-
periores num plano acima do corpo. Portanto, idealmente, deve-se 
deixar a posição deitada exclusivamente para o repouso, por permi-
tir um relaxamento perfeito dos músculos.
As posições curvada e agachada também são muito cansativas, pois 
os músculos têm de segurar o tronco e a cabeça e, no caso da aga-
chada, o equilíbrio também precisa ser mantido, o que causa ainda 
mais esforço. Todas estas posições menos comuns envolvem sobre-
carga estática excessiva, tônus muscular aumentado, diminuição 
da estabilidade corpórea e diminuição da liberdade de movimentos. 
Essas posições podem levar, ainda, a edema dos músculos, calosi-
dade dos joelhos e nos dedos, bursites e tenossinovites; portanto, 
nunca devem ser recomendadas para projeto do trabalho.
Design de dispositivos, mobiliário 
e equipamentos
No contexto do design de interiores e da ergonomia aplicada, o 
projeto de dispositivos, mobiliário e equipamentos também está 
sujeito aos condicionantes das tarefas e às necessidades de atendi-
mento das características físicas dos usuários. Nenhum padrão de 
VOCÊ SABIA?
76
design pode ser visto como imutável ou perene, já que o trabalho e a 
vida em sociedade se encontram em constante evolução, como tudo 
que é humano.
Os projetos de Ergonomia, por sua vez, objetivam promo-
ver intervenções para melhorar de forma integrada e não dissocia-
da a segurança, o conforto, o bem-estar e a eficácia das atividades 
humanas; é assim que deve ser pensado todo o componente de um 
sistema arquitetônico, como móveis, acessórios, materiais de aca-
bamento, posição de janelas, enfim, todo o design deve ser plane-
jado de forma holística, antevendo o impacto do ambiente sobre o 
usuário, pois o meio ambiente construído pode afetar o homem não 
apenas fisicamente, mas principalmente psiquicamente.
Frank Lloyd Wright (1867 - 1959), um dos maiores arquitetos que já 
andou sobre a terra, disse certa vez numa palestra que tinha plena 
consciência de seu papel e respeito pelo seu poder, pois sabia que 
poderia acabar com qualquer casamento se assim quisesse.
Como já abordado anteriormente, a ergonomia visa adequar os sis-
temas homem-máquina-ambiente às características das diferentes 
pessoas que nele operam, interagem e habitam.
De forma a reforçar alguns pontos principais dessa relação 
entre o homem e seus artefatos, listam-se a seguir algumas defi-
nições importantes:
CURIOSIDADE
DEFINIÇÃO
77
Condições de trabalhoDo ponto de vista normativo, definem-se as condições de trabalho 
pelas condicionantes das tarefas realizadas na prática laboral, em 
situações envolvendo, por exemplo, o transporte e descarga de ma-
teriais; utilização de mobiliário e equipamentos específicos; condi-
ções ambientais do posto e local de trabalho, e a própria organização 
do trabalho.
Ambiente de trabalho
Diz-se de todo o meio que envolve a situação de trabalho, como a 
temperatura, ruídos, vibrações, luz, cores, gases, equipamentos, 
companheiros de trabalho, entre outros.
Situação de trabalho
É considerada a menor unidade produtiva possível, envolvendo ge-
ralmente um(a) operador(a), seu local de trabalho e as relações de 
proximidade e interações correntes com outras situações de traba-
lho na empresa.
Local de trabalho
Compreende o posto de trabalho, o ambiente imediato e suas vizi-
nhanças, cuja interferência mútua seja notória (por exemplo, dois 
postos em uma mesma sala).
Posto de trabalho
É definido pelos equipamentos, mobiliários e acessórios que for-
mam uma unidade não tripulada do processo de trabalho.
Tarefa
É o conjunto de metas, instruções e requisitos de produção estabe-
lecidos para o operador ou para uma atividade de trabalho.
78
Atividade de trabalho
Trata-se da materialização da tarefa prescrita, ou seja, a execução 
de uma tarefa ou conjunto de tarefas em uma situação de trabalho.
Equipamentos
São os meios técnicos necessários para dotar um posto de traba-
lho das capacidades requeridas pelas tarefas a serem executadas e 
incluem, dentre outros, as máquinas, computadores, periféricos, 
correias transportadoras, meios de comunicação verbal e virtual, e 
assim por diante.
Mobiliário
São os meios técnicos necessários para dar o suporte essencial a 
um posto de trabalho, garantindo-lhe conforto e funcionalidade. 
Incluem-se nesta categoria: mesas, assentos, armários, estantes, 
gaveteiros, bancadas, suportes, prateleiras etc.
Acessórios
São os complementos típicos dos equipamentos e mobiliários, e que 
aumentam a capacidade desses componentes. Incluem-se nesta 
categoria: apoio de pés e punhos, porta-documentos, suporte de 
monitor etc. Em tese, qualquer atividade humana pode ser realizada 
sem os acessórios, mas isso implicaria, no mínimo, em maior des-
conforto para quem a executa.
Contrantes
São os elementos físicos ou não físicos que impõem restrições, obs-
táculos, dificuldades, constrangimentos e incômodos, ou seja, ele-
mentos que, na situação de trabalho, restringem ou contrariam a 
intenção do trabalhador em realizar sua tarefa.
79
Astrantes
São os efeitos fisiológicos e psicológicos das contrantes nos traba-
lhadores. Ou seja, são os efeitos na pessoa da exposição aos riscos er-
gonômicos executando uma tarefa num dado processo de trabalho.
Especificação
É a definição precisa dos elementos de um conjunto operacional 
(máquinas, equipamentos e acessórios). A especificação pode ser 
feita em conjunto (KIT) ou por componente isolado.
Especificação técnica
É a descrição das características operacionais de um conjunto ou 
componente de um posto de trabalho.
Especificação de compra
É a determinação de um item de catálogo de fornecedor que corres-
ponda ou que atenda basicamente às especificações técnicas.
Ilustração técnica
É o desenho técnico com as cotas referentes aos aspectos di-
mensionais e funcionais a serem verificados para efeito de 
atendimento da especificação.
Observação técnica
São ressalvas ou comentários que acompanham a ilustração 
técnica referente a algum aspecto da especificação.
80
Design de mobiliário, equipamentos, 
acessórios, entre outros
São muitas as variáveis envolvidas na escolha ou no projeto de um 
mobiliário ou recurso arquitetônico para compor um ambiente. 
Existem soluções estéticas que envolvem necessidades técnicas, e 
necessidades técnicas que impõem uma modificação de natureza 
estética, o que algumas vezes acaba prejudicando o design. Um bom 
exemplo seria o dos pergolados utilizados na saída de túneis, os 
quais têm uma função técnica importante: a de prevenção de ofus-
camento causado pela passagem da escuridão à claridade. Todavia, 
com o devido tratamento, muitos desses elementos estruturais são 
utilizados para compor um conjunto arquitetônico interessante, 
nem sempre tendo uma função técnica associada aos mesmos.
Além de estar vinculado ao processo criativo, o design de 
dispositivos, mobiliário, equipamentos e outros elementos para 
utilização de seres humanos, seja no trabalho ou na sua vivência 
rotineira, não pressupõe a existência de modelos ou padrões fi-
xos para sua especificação e projeto, uma vez que a padronização, 
nesse caso, acabaria engessando as possibilidades de aplicação dos 
diferentes produtos.
Uma cadeira de design sofisticado, por exemplo, que seja confortá-
vel e tenha cinco tipos de ajustes, configuração anatômica perfeita 
e oito pernas com rodízios e rolamentos incorporados; apesar de 
toda sua beleza, funcionalidades e, naturalmente, seu alto custo, ela 
pode perder todas essas vantagens dependendo de um contexto. É 
o caso de uma plataforma de petróleo: no primeiro dia de mar mais 
agitado, seus rodízios tecnologicamente perfeitos inviabilizariam 
todas as demais funções.
EXEMPLO
81
Entretanto, para não poder instrumentalizar o designer de 
critérios, dados e informações importantes, a fim de que seja pos-
sível projetar os sistemas de trabalho e ambientes construídos em 
geral, um conjunto de diretrizes básicas para especificação e design 
de mobiliário, com ênfase em cadeiras, precisa ser observado.
O documento, desenvolvido num contexto de um projeto de 
consultoria em Ergonomia, sob responsabilidade dos autores desse 
material, apresenta as condições mínimas de atendimento das ne-
cessidades de uso normal dos assentos pelos indivíduos, estando as-
sim, naturalmente, em consonância com as normas e parâmetros 
de Ergonomia, Antropometria e Adequação ao Uso (usabilidade). 
A súmula que será apresentada nos subtópicos a seguir, portanto, 
foi elaborada por um grupo de trabalho formado por ergonomistas 
e designers. Na impossibilidade de referenciar adequadamente os 
envolvidos, solicita-se a eventuais participantes com acesso a esse 
texto que comuniquem seu interesse pela citação formal.
Referências
Em postos de trabalho onde se utilizam terminais de vídeo, os 
indivíduos permanecem em posição estática durante horas, moni-
torando a tela com as mãos no teclado e mouse. Portanto, para pre-
venir as doenças ocupacionais, é fundamental obedecer aos critérios 
técnicos básicos, que envolvem o conforto visual, a manutenção de 
posições neutras de punho e membros superiores e inferiores. 
Além disso, esses membros devem estar apoiados nos respectivos 
planos, facilitando a adoção de posturas adequadas, com a coluna 
vertebral devidamente alinhada.
A súmula em questão estabelece critérios técnicos, caracte-
rísticas físicas e dimensionais para a cadeira, conforme determina-
do pela Portaria nº 3.214/78, Norma Regulamentadora (NR) 17 da 
Portaria nº 3.214 do MTE e NBR nº 13962 da ABNT. Esses parâ-
metros são aplicáveis a todos os empregados que ocupam postos de 
trabalho na posição sentada e fazem uso contínuo de computadores. 
Tais requisitos são fundamentais para garantir o conforto, a saúde e 
a segurança dos trabalhadores.
82
Conforto visual
a. Para garantir o conforto visual, mantenha seu monitor entre 
45 e 70 cm de distância entre a tarefa visual e os olhos do(a) 
operadora(a); para isso, basta seguir a regra do braço estendi-
do em direção ao monitor com a palma da mão retraída.
b. A altura do monitor deve estar de forma que a sua linha de vi-
são não sofra desvios da visão, isto é, a parte superior da tela 
do monitor deve estar ligeiramente acima da linha horizontal 
da vista, conforme a figura abaixo.
Figura 4 – Posto administrativo com uso de terminal de vídeo.
Fonte: adaptada pelo editorial Cengage (2020).
c. Para o conforto visual, é recomendado que sua visão estejacom grau de inclinação zero, na linha horizontal.
d. É recomendado que o usuário faça pausas de 10 minutos a cada 
50 minutos de trabalho, desfrutadas fora do posto de traba-
lho, preferivelmente alternando a postura (por exemplo, le-
vantando-se e ficando um pouco de pé).
Punho neutro
a. Recomenda-se que o punho se mantenha o mais neutro pos-
sível, isto é, sem flexões ou extensões do punho, durante as 
tarefas de digitação ou uso do mouse.
83
b. Para que isso se mantenha, é necessário que o teclado e mou-
se estejam regulados de forma a estarem situados num plano 
abaixo da linha do cotovelo, mantendo os braços relaxados 
com ângulos iguais ou superiores a 90º.
Figura 5 - Extensão e flexão de punho
Fonte: adaptada pelo editorial Cengage (2020).
Pés apoiados
a. Para que não haja estrangulamento da circulação sanguínea 
dos membros inferiores, os pés devem estar apoiados no piso 
(melhor opção) ou sobre um apoio específico (acessório), mas 
sem dobrá-los em ângulos inferiores a 90º.
Coluna vertebral
a. Para não haver comprometimento da coluna, o empregado 
deve manter-se na posição sentado com a coluna alinhada 
numa inclinação entre 100 e 110 graus, sem criar desvios late-
rais e frontais da coluna.
b. Sentar acomodando uma maior superfície corporal sobre o 
assento garante uma melhor distribuição de peso corporal e 
um melhor relaxamento da musculatura.
c. Recomenda-se que as costas estejam sempre apoiadas ao en-
costo da cadeira, a qual deve estar regulada conforme a bióti-
po de cada empregado, para auxiliar na sustentação do peso 
exercido sobre ela.
84
Especificações
Para que as recomendações de Ergonomia sejam atendidas 
na íntegra, as seguintes características físicas dimensionais dos 
mobiliários devem ser acatadas nas especificações a seguir.
Especificações do mobiliário e acessórios
a. Os mobiliários e acessórios de escritórios, bem como os 
demais elementos de uso corrente em ambientes com uso 
de computador, constituem-se de:
 • Cadeiras (Gerencial, Operacional, de Atendimento e para 
Treinamento);
 • Mesas (Gerencial e operacional);
 • Apoios (punhos para mouse, punho para teclados, e pés);
 • Guarda-volumes (Armários, gaveteiros, Módulo volante).
b. Todos os mobiliários exigidos para o posto de trabalho e en-
volvidos nas tarefas de computar devem obedecer ao que 
determina:
 • A NR 17, da Portaria n.º 3214 do MTE;
 • A ABNT, especialmente a NR 13965.
Cadeiras
a. As cadeiras podem ser classificadas em duas tipologias: de 
acordo com a classe de resistência (peso máximo de carga) 
e pela nomenclatura comercial. Na prática, a nomenclatura 
comercial é a mais utilizada.
b. Para efeito de formalização conceitual apenas, os tipos que 
devem ser preferencialmente adotados são:
 • Diretor;
 • Operacional;
85
 • Atendimento;
 • Treinamento.
Cadeiras diretor
As características básicas de uma cadeira tipo “diretor” devem ser:
BASE E COLUNA
a. Mecanismo de regulagem pneumática da altura do assento 
através de pistão a gás;
b. Rotação de 3600;
c. Rodízio com 5 pés, para piso liso ou com carpete;
d. Estrutura: pés, base do assento, tubo central (corpo do pistão) 
e suporte do espaldar (encosto), deverão receber tratamento 
antiferrugem (preferivelmente fosfatização química) e pre-
paração para pintura.
Figura 6 – Modelo de cadeiras da linha diretor.
Fonte: adaptada pelo editorial Cengage (2020).
86
ASSENTO
a. Regulagem de altura;
b. Espuma injetada em poliuretano, isento de CFC, de alta 
resistência;
c. Forração em tecido antitranspirante;
d. Borda frontal arredondada;
e. Base do assento com formato anatômico, sem saliências.
Figura 7 – Detalhe do Assento no modelo de cadeiras da linha diretor.
Fonte: adaptada pelo editorial Cengage (2020).
ESPALDAR
a. Espuma injetada em poliuretano, isento de CFC, de alta 
resistência;
b. Forração em tecido antitranspirante;
c. Encosto (espaldar) regulável em altura e profundidade;
d. Dimensões: de largura e de altura, considerando área de apoio 
lombar;
e. Boa conformação e acomodação na região lombar;
f. Regulagem de altura com travamento com manopla.
87
Figura 8 – Detalhes do espaldar no modelo de cadeiras da linha diretor.
Fonte: adaptada pelo editorial Cengage (2020).
APOIO DE BRAÇO
a. Apoio de braço com regulagem de altura com ou sem articu-
lação horizontal;
b. Distância entre apoio, com regulagem de abertura*;
c. Deve estar afixado de forma que o centro esteja atrás do eixo 
da cadeira;
d. Acabamento em polipropileno;
e. Todo material metálico deverá receber tratamento antifer-
rugem (preferivelmente fosfatização química) e preparação 
para pintura.
88
* OBSERVAÇÃO: essas medidas podem ser alteradas, depen-
dendo do biotipo de cada empregado. Na aquisição de cadei-
ras, a aceitação deverá ser feita mediante amostra para teste.
Figura 9 – Detalhes do Apoio de braço no modelo de cadeiras da linha diretor.
Fonte: adaptada pelo editorial Cengage (2020).
89
Cadeira operacional
As características básicas de uma cadeira operacional devem ser:
BASE E COLUNA
a. Mecanismo de regulagem pneumática da altura do assento 
através de pistão a gás;
b. Rotação de 3600;
c. Rodízio com 5 pés, para piso liso ou com carpete;
d. Estrutura: os pés, base do assento, tubo central (corpo do pis-
tão) e suporte do espaldar (encosto), deverão receber trata-
mento antiferrugem (fosfatização química) e pintura.
Figura 10 – Modelo de cadeiras da linha operacional.
Fonte: adaptada pelo editorial Cengage (2020).
ASSENTO
a. Regulagem de altura;
90
b. Espuma injetada em poliuretano, isento de CFC, de alta 
resistência;
c. Forração em tecido antitranspirante;
d. Borda frontal arredondada;
e. Base do assento com formato anatômico, sem saliências.
Figura 11 – Detalhe do Assento no modelo de cadeiras da linha operacional
Fonte: adaptada pelo editorial Cengage (2020).
ESPALDAR
a. Espuma injetada em poliuretano, isento de CFC, de alta 
resistência;
b. Forração em tecido antitranspirante;
c. Encosto (espaldar) regulável em altura e profundidade;
d. Dimensões: de largura e de altura, considerando área de apoio 
lombar;
e. Boa conformação e acomodação na região lombar;
f. Regulagem de altura com travamento com manopla.
91
Figura 12 – Detalhes do Espaldar no modelo de cadeiras da linha operacional.
Fonte: adaptada pelo editorial Cengage (2020).
APOIO DE BRAÇO
a. Apoio de braço com regulagem de altura, com ou sem articu-
lação horizontal;
b. Distância entre apoio, com regulagem de abertura**;
c. Deve estar afixado de forma que o centro esteja atrás do eixo 
da cadeira;
d. Acabamento em polipropileno;
e. Todo material metálico deverá receber tratamento antiferru-
gem (fosfatização química) e pintura.
92
** OBSERVAÇÃO: medidas que podem ser alteradas, depen-
dendo do biotipo de cada empregado. Na aquisição de cadei-
ras, a aceitação deverá ser feita mediante amostra para teste.
Figura 13 – Detalhes do Apoio de braço no modelo de cadeiras da linha operacional.
Fonte: adaptada pelo editorial Cengage (2020).
93
Cadeira de atendimento
As características básicas de uma cadeira atendimento devem ser: 
BASE E COLUNA
a. Mecanismo de regulagem pneumática da altura do assento 
através de pistão a gás;
b. Rotação de 3600;
c. Rodízio com 5 pés, para piso liso ou com carpete;
d. Estrutura: os pés, base do assento, tubo central (corpo do pis-
tão) e suporte do espaldar (encosto), deverão receber trata-
mento antiferrugem (fosfatização química) e pintura.
Figura 14 – Modelo de cadeiras da linha atendimento.
Fonte: adaptada pelo editorial Cengage (2020).
ASSENTO E ESPALDAR
a. Espuma injetada em poliuretano, isento de CFC, de alta 
resistência;
94
b. Forração em tecido antitranspirante.
c. Encosto (espaldar) regulável em altura e profundidade;
d. Dimensões: de largura e de altura, considerando área de apoio 
lombar;
e. Boa conformação e acomodação na região lombar;
f. Regulagem de altura com travamento com manopla.
Figura 15 – Detalhe do Assento no modelo de cadeiras� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 142
Fatores Humanos Básicos � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 143
Diferenças de faixa etária e gênero � � � � � � � � � � � � � � � � � 143
Fadiga � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 143
Acessibilidade, aspectos físico-ambientais e cognitivos � � � � � � � �145
Definição de Acessibilidade � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 145
Desenho Universal � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 147
Normativa � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 148
Aspectos físico-ambientais � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �150
Iluminação � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 150
Cores � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 152
Temperatura � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 157
Ruído � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 158
Vibrações � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 160
Psicologia no trabalho e processamento de informações � � � � � � � � 163
Ergonomia Cognitiva � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 163
Memória e linguagem no trabalho � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 165
UNIDADE 4
Interdisciplinaridade da ergonomia e sua aplicação � � � � � � � � � � � 169
Metodologias de abordagem � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 170
Abordagem sistêmica da Ergonomia � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 170
Princípios Básicos da Abordagem de Sistemas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 172
Postos de trabalho � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 173
Abordagem Taylorista � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 174
Abordagem Ergonômica� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 175
Projeto do posto de trabalho � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 176
Interações Homem-máquina-ambiente � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 177
Análise Ergonômica do Trabalho (AET) � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 178
Análise do problema � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 179
Análise da Tarefa e Análise da Atividade � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 179
Formulação do Diagnóstico � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 182
AET, Legislação Trabalhista e Saúde no Trabalho � � � � � � � � � � � � � � � � � � 182
Vantagens da AET � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 183
Análise Macroergonômica do Trabalho – AMT � � � � � � � � � � � � � � � � � �184
Sistema humano × Tarefa × Máquina – SHTM � � � � � � � � � � � � � � � � � �186
Sistematização do SHTM � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 187
Caracterização e posição serial do sistema � � � � � � � � � � 188
Ordenação hierárquica do sistema � � � � � � � � � � � � � � � � � � 190
Expansão do Sistema � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 192
Modelagem comunicacional do sistema � � � � � � � � � � � � 193
Processo de Desenvolvimento de Sistemas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 194
Desenvolvimento de Sistemas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 195
Definição de objetivos e critérios � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 196
Definição dos subsistemas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 196
Coleta de informações � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 196
Formulação de alternativas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 197
Seleção de alternativas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 197
Avaliações e testes � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 197
Configuração final � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 197
Problematização do Sistema × Humano × Tarefa × Máquina � � � � � � 198
Método de Análise Ergonômica do Ambiente Construído - MEAC � 200
Análise Global do Ambiente � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 201
Identificação da Configuração Ambiental � � � � � � � � � � � 201
Avaliação do Ambiente em Uso no Desenvolvimento das 
Atividades � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 201
Análise Cognitiva do Usuário / Percepção Ambiental do 
Usuário � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 202
Diagnóstico Ergonômico do Ambiente � � � � � � � � � � � � � � 203
Proposições Ergonômicas Para o Ambiente � � � � � � � � � 203
Referências � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 205
Apresentação
Olá, caro(a) estudante! Seja bem-vindo(a) à disciplina de Ergono-
mia e Acessibilidade!
Aqui, você irá conhecer os fundamentos da Ergonomia e des-
cobrirá que ela combina diversos saberes para facilitar a vida das 
pessoas, proporcionando mais conforto, saúde, segurança e eficácia 
no desempenho das atividades cotidianas. Antropometria e percep-
ção ambiental também são temas importantes que você terá a opor-
tunidade de conhecer um pouco mais.
Os elementos de projeto de dispositivos, mobiliário e equipa-
mentos que visam atender aos preceitos ergonômicos, assegurando 
conforto, segurança e a eficácia produtiva para diferentes usuários 
também é mais um dos enfoques da nossa disciplina. Além disso, 
você será introduzido aos aspectos normativos do Projeto Ergo-
nômico associado ao Design, com ênfase nos requisitos de Acessi-
bilidade (NBR 9050), no Design inclusivo, legislação e instruções 
normativas para atender às Pessoas com deficiência (PcD). 
Serão apresentadas informações básicas sobre Ergonomia do 
Ambiente Construído (EAC), uma importante área de pesquisa em 
que aspectos físico-ambientais e cognitivos são minuciosamente 
estudados. Você terá conhecimento sobre os principais fatores do 
ambiente construído que devem ser considerados no desenvolvi-
mento de projetos e/ou avaliação de espaços.
Por fim, exploraremos o Sistema Humano x Tarefa x Máquina 
e o Método de Análise Ergonômica do Ambiente Construído (MEAC), 
dois instrumentos importantes de análise que constituem o campo 
disciplinar da Ergonomia do Ambiente Construído no Brasil.
Bons estudos!
Autoria
Marcello Silva e Santos.
Graduado em Arquitetura pelo Instituto Metodista Bennett, no Rio de 
Janeiro, Especialização em Engenharia de Segurança pela University 
of South Florida (EUA), Mestre em Arquitetura pela FAU/UFRJ (Uni-
versidade Federal do Rio de Janeiro), Doutor, com pós-doutorado 
pela COPPE/UFRJ. Atuou em diversos projetos de pesquisa na Área de 
Gestão e Ergonomia, no Brasil e nos EUA e foi por 6 anos Coordenador 
de Projetos na Fundação COPPETEC no Rio de Janeiro.
Currículo Lattes
Link: 
Mario Augusto Mancuso Jorge.
Arquiteto e Urbanista formado pela Faculdade de Arquitetura e Urba-
nismo da Universidade Mackenzie, com Mestrado em Comunicação 
Social pela Universidade Metodista de São Paulo e Especialização em 
Planejamento e Controle de Obras Civis pela Universidade Anhembi 
Morumbi. Reside em São Paulo, SP, onde atua como arquitetoda linha atendimento.
Fonte: adaptada pelo editorial Cengage (2020).
Figura 16 – Detalhe do Espaldar no modelo de cadeiras da linha atendimento.
Fonte: adaptada pelo editorial Cengage (2020).
95
Cadeira para treinamento
As características básicas de uma cadeira para treinamento devem 
ser:
ASSENTO
a. Espuma injetada em poliuretano, isento de CFC, de alta 
resistência;
b. Forração em tecido antitranspirante;
c. Borda frontal arredondada;
d. Base do assento com formato anatômico, sem saliências;
e. Todo material metálico deverá receber tratamento antifer-
rugem (preferivelmente fosfatização química) e preparação 
para pintura.
Figura 17 – Modelo de cadeiras da linha de treinamento.
Fonte: adaptada pelo editorial Cengage (2020).
ESPALDAR
a. Espuma injetada em poliuretano, isento de CFC, de alta 
resistência;
b. Forração em tecido antitranspirante;
96
c. Dimensões: de largura e de altura, considerando área de apoio 
lombar;
d. Boa conformação e acomodação na região lombar;
e. Todo material metálico deverá receber tratamento antiferru-
gem (fosfatização química) e pintura.
APOIO PARA ESCRITA
a. Prancheta com sistema de rotação para facilitar o acesso do 
usuário;
b. Cesta porta-livros;
c. Todo material metálico deverá receber tratamento antiferru-
gem (fosfatização química) e pintura.
Figura 18 – Detalhes da prancheta no modelo de cadeiras da linha de treinamento.
Fonte: adaptada pelo editorial Cengage (2020).
97
Figura 19 – Detalhe da cesta porta-livros no modelo de cadeiras da linha de treinamento.
Fonte: adaptada pelo editorial Cengage (2020).
Mesas (gerencial e operacional)
a. Madeira ou MDF estruturado, evitando, assim, que ele venha 
a empenar;
b. Tampo revestido com laminado melamínico fosco;
c. Profundidade do tampo da mesa (ver desenho);
d. Altura do tampo da mesa (ver desenho);
e. Dimensões do tampo base para o teclado (largura e profundi-
dade), podendo ser retrátil e/ou regulável;
f. Possuir espaço suficiente para acomodar os equipamen-
tos previstos para o posto de trabalho e para as atividades 
paralelas;
g. Espaço suficiente sob a mesa para livre circulação das pernas 
em 66 cm, para mesas não reguláveis em altura;
h. Todo material metálico deverá receber tratamento antifer-
rugem (preferivelmente fosfatização química) e preparação 
para pintura.
98
Figura 20 – Mesa regulável para computador.
Fonte: adaptada pelo editorial Cengage (2020).
Acessórios
Consideram-se acessórios todos os equipamentos que con-
tribuem para a melhoria de boa postura, como:
99
 • apoio para os pés;
 • apoio de punho para mouse;
 • apoio de punho para teclado.
Normatização e desenho 
universal na Ergonomia
A Ergonomia visa adequar os sistemas de trabalho às característi-
cas das pessoas – e isso inclui todas elas. Nesse sentido, nenhuma 
adequação ergonômica é suficiente se não incorporar os conceitos 
de acessibilidade e nenhum projeto pode ser considerado ergonô-
mico sem os elementos básicos do chamado universal design ou, 
simplesmente, desenho universal.
O desenho universal, conceito desenvolvido por pesquisa-
dores da Escola de Design da Universidade do Estado da Carolina do 
Norte (EUA), nada mais é do que projetar de forma universal, visando 
a inclusão de todos os usuários. E isso independe de eventuais limi-
tações de sentidos e restrições de mobilidade permanente ou tem-
porária de algumas pessoas. Por isso, o desenho universal também 
é conhecido por termos alternativos como design inclusivo e design 
para todos (Story; Mueller; Mace, 1998; Preiser; Smith, 2001).
A caracterização da pessoa com deficiência
Para que a adaptação ao trabalho, à tarefa e aos dispositivos do sis-
tema produtivo seja efetiva, confortável e segura, é importante co-
nhecer primeiro as características da pessoa com deficiência (PcD) 
e as suas reais necessidades. Da mesma forma, deve-se trabalhar no 
sentido de adaptar o ambiente, a fim de propiciar uma melhor co-
municação e relacionamento profissional da pessoa com deficiência 
com os colegas de trabalho, colaborando na sua plena integração.
Deve-se, portanto, recorrer à legislação brasileira pertinen-
te que estabelece a nomenclatura útil à sua compreensão e os pa-
râmetros necessários para uma correta intervenção nos meios de 
100
produção e de vivência, adequando-os para as PcDs. A NBR 9050 
apresenta duas definições importantes: uma para mobilidade re-
duzida e outra para deficiência.
Segundo a normativa, a pessoa com mobilidade reduzida é:
[a]quela que, temporária ou permanentemen-
te, tem limitada sua capacidade de relacionar-
-se com o meio e de utilizá-lo. Entende-se por 
pessoa com mobilidade reduzida, a pessoa com 
deficiência, idosa, obesa, gestante entre outros 
(ABNT, 2004, p. 4).
E, por sua vez, deficiência pode ser definida como a:
[r]edução, limitação ou inexistência das con-
dições de percepção das características do 
ambiente ou de mobilidade e de utilização de 
edificações, espaço, mobiliário, equipamento 
urbano e elementos, em caráter temporário ou 
permanente (ABNT, 2004, p. 3).
Já o Decreto 5.296/2004, que dá prioridade de atendimento 
às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida e estabelece 
normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade 
das pessoas, considera, no Art. 5º, parágrafo 1º, inciso I, alínea a:
a) deficiência física: alteração completa ou par-
cial de um ou mais segmentos do corpo huma-
no, acarretando o comprometimento da função 
física, apresentando-se sob a forma de: para-
plegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, 
tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, 
hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação 
ou ausência de membro, paralisia cerebral, na-
nismo, membros com deformidade congênita 
DEFINIÇÃO
101
ou adquirida, exceto as deformidades estéticas 
e as que não produzam dificuldades para o de-
sempenho de funções (Brasil, 2004).
Sobre deficiência física, Gualberto Filho (2011, p. 399-400) 
lista os significados para cada uma delas. Veja:
 • Paraplegia: 
Perda total das funções motoras dos membros inferiores.
 • Paraparesia: 
Perda parcial das funções motoras dos membros inferiores.
 • Monoplegia: 
Perda total das funções motoras de um só membro (podendo 
ser membro superior ou membro inferior).
 • Monoparesia: 
Perda parcial das funções motoras de um só membro (po-
dendo ser membro superior ou membro inferior).
 • Tetraplegia: 
Perda total das funções motoras dos membros inferiores e 
superiores.
 • Tetraparesia: 
Perda parcial das funções motoras dos membros inferiores e 
superiores.
 • Triplegia: 
Perda total das funções de três membros.
 • Triparesia: 
Perda parcial das funções de três membros.
 • Hemiplegia: 
Perda total das funções motoras de um hemisfério do corpo 
(direito ou esquerdo).
 • Hemiparesia: 
Perda parcial das funções motoras de um hemisfério do corpo 
(direito ou esquerdo).
102
 • Amputação: 
Perda total de um determinado segmento de um membro 
(superior ou inferior).
 • Paralisia cerebral: 
Lesão de uma ou mais áreas do sistema nervoso central, ten-
do como consequência alterações psicomotoras, podendo ou 
não causar deficiência mental.
O mesmo dispositivo do Decreto 5.296/2004 ainda continua 
a definir outros tipos de deficiências:
b) deficiência auditiva: perda bilateral, par-
cial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou 
mais, aferida por audiograma nas frequências 
de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz;
c) deficiência visual: cegueira, na qual a acui-
dade visual é igual ou menor que 0,05 no me-
lhor olho, com a melhor correção óptica; a 
baixa visão, que significa acuidade visual entre 
0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor cor-
reção óptica; os casos nos quais a somatória da 
medida do campo visual em ambos os olhos for 
igual ou menor que 60o; ou a ocorrência simul-
tânea de quaisquer das condições anteriores;
d) deficiência mental: funcionamento intelec-
tual significativamente inferior à média, com 
manifestação antes dos dezoito anos e limita-
ções associadasa duas ou mais áreas de habili-
dades adaptativas, tais como: 1. comunicação; 
2. cuidado pessoal; 3. habilidades pessoais; 4. 
utilização dos recursos da comunidade; 5. saú-
de e segurança; 6. habilidades acadêmicas; 7. 
lazer; e 8. trabalho;
e) deficiência múltipla: associação de duas ou 
mais deficiências (Brasil, 2004).
Assim, uma deficiência é uma alteração da condição normal 
de funcionamento do sistema neuro-músculo-esqueletal da pessoa 
e se produz, podendo ser consequência de uma enfermidade, como 
103
uma má formação congênita, uma enfermidade adquirida, uma le-
são acidental ou pelo próprio envelhecimento, podendo essa perda 
ou anomalia ser temporária ou permanente.
Mas o que isso tem a ver com o Design? Em geral, quando proje-
tamos, projetamos para outro, não para nós mesmos. Por isso, é 
importante conhecer as preferências, necessidades e limitações de 
nossos clientes. Além disso, a Ergonomia é um requisito legal. Por-
tanto, é obrigatório atender a todas as suas dimensões, que, con-
forme preconizado na NR 17, são o atendimento aos critérios de 
conforto, segurança e desempenho eficiente.
Ação ergonômica, antropométrica e 
parametrização para a PcD
A ação ergonômica é um processo interativo, que busca adequar os 
sistemas a seus usuários; no entanto, isso quase nunca é um proces-
so linear: ora parte da análise ergonômica em situação já consolida-
da, ora envolve uma intervenção via projeto. Isso vale para aplicação 
dos critérios antropométricos que visam a parametrização, ou a 
adaptabilidade dos dispositivos, mobiliário e ambientes às neces-
sidades de diferentes usuários, incluindo aqueles com necessidades 
especiais. Portanto, para o designer que se preocupa com a inclusão, 
deve haver uma mudança nesse procedimento de avaliação da in-
terface do indivíduo com seu posto de trabalho na realização de uma 
tarefa, visto que, em se tratando de uma pessoa com deficiência, o 
procedimento ergonômico será voltado para atender às capacidades 
funcionais residuais físicas e/ou mentais do indivíduo.
A capacidade funcional reduzida é aquela em que qual-
quer um (ou todos) dos subsistemas neuro-músculo-esquelé-
ticos (N-M-E), que respondem pelas ações de trabalho físicas e 
REFLITA
104
cognitivas, apresenta alguma disfunção, seja congênita ou adqui-
rida ao longo da vida. Isso interfere diretamente nos processos da 
ergonomia clássica, que estuda o indivíduo com a sua capacidade 
funcional plena inserido dentro de uma condição de trabalho. Nesse 
sentido, ele é considerado pleno porque parte-se do princípio que 
esses subsistemas funcionam sem qualquer tipo de disfunção. As-
sim, quando essa disfunção existe, a capacidade de ação dos sub-
sistemas (N-M-E) deixa de ser capacidade funcional plena e passa a 
ser capacidade funcional residual.
A capacidade funcional residual da pessoa com deficiência 
está disponível para a realização da tarefa, todavia, ficam premidas 
pela exigência do conteúdo dessa tarefa, que se manifesta através 
dos gestos e do esforço postural, para alcançar, pegar e movimentar 
cargas manualmente. Da mesma forma, existem as barreiras am-
bientais, como as arquitetônicas e as comportamentais, que podem 
dificultar ou até mesmo impedir o sucesso da realização da tarefa. 
Tecnicamente, a barreira arquitetônica define-se como “qualquer 
elemento natural, instalado ou edificado que impeça a aproximação, 
transferência ou circulação no espaço, mobiliário ou equipamento 
urbano” (ABNT, 2004, p. 2), ao passo que a barreira comportamen-
tal corresponde ao preconceito e discriminação por parte das pessoas 
que compõem o coletivo de trabalho do qual a PcD faz parte.
A ergonomia, nesse caso, tem por objetivo suprir o indivíduo 
com capacidade residual dos meios para a superação das barreiras 
ambientais e comportamentais e das exigências representadas pelo 
conteúdo da tarefa. Para tanto, ela deve garantir o sucesso na reali-
zação de toda e qualquer atividade, usando, para isso, os suportes da 
gestão e da tecnologia assistivas para que possa superar as pressões 
e desempenhá-la com sucesso, sem que haja comprometimento ou 
agravamento das sequelas do indivíduo em atenção.
A gestão assistiva é uma ação de apoio voltada para o desen-
volvimento de habilidades (físicas e mentais) e de relacionamentos, 
treinando os membros do coletivo de trabalho e da organização como 
um todo, para a coexistência com as pessoas diferentes, sejam clien-
tes ou colaboradores com deficiência. Já a tecnologia assistiva é:
105
[...] qualquer produto, instrumento, estratégia, 
serviço e prática, utilizado por pessoas com 
deficiência e pessoas idosas, especialmente 
produzido ou geralmente disponível para pre-
venir, compensar, aliviar ou neutralizar uma 
deficiência, incapacidade ou desvantagem e 
melhorar a autonomia e a qualidade de vida 
dos indivíduos (ISO 9999 apud Peres; Petitto, 
2012, p. 165).
Os suportes da gestão e da tecnologia assistivas removem as 
barreiras, oferecem meios técnicos adaptados na forma de instru-
mentos variados e intervêm no modus operandi de modo a adaptar 
a realização da tarefa ao indivíduo, alinhando-se assim à missão 
da ergonomia.
Portanto, conforme já mencionado, a ação ergonômica não 
deve ser limitada a atuar apenas na tarefa a ser realizada; mas, sim, 
no espaço de trabalho como um todo. No caso da PcD, isso mere-
ce ainda mais atenção devido ao desafio permanente que se coloca 
para a pessoa com restrição de mobilidade ou de alguma outra natu-
reza, que é de usar o espaço urbano no seu dia a dia, no desempenho 
das atividades da vida diária. Considerando que a “tarefa” é restrita 
ao espaço de trabalho, a vida diária é bem mais ampla, pois abran-
ge todas as manifestações físicas e mentais do indivíduo, desde o 
momento de acordar até o deitar, passando por escovar os dentes, 
trocar de roupa, pegar ônibus, se alimentar, ir ao banheiro etc.
O que se coloca para a Ergonomia, a priori, não é apenas a 
produtividade e sim o sucesso ou o fracasso na realização de cada 
atividade que compõe o dia a dia da pessoa com deficiência, desde a 
mais simples até a mais complexa, tanto em conteúdo físico, como 
mental e psíquico. Portanto, o espaço de trabalho para a pessoa com 
deficiência deve ser percebido o tanto quanto é mais abrangente, 
pois começa no ônibus que a transporta até o local de trabalho, o es-
tacionamento que deve ter área adequada para desembarque tanto 
do ônibus como do automóvel, nas calçadas que o levam do ponto 
de ônibus ou do estacionamento até a guarita da empresa; a guarita, 
inclusive, quase sempre tem uma roleta, como no ônibus, no arranjo 
106
físico no trabalho, no restaurante, nas condições de uso do vestiário 
e do sanitário.
A cidade e suas atividades não são projetadas para atender 
essa faixa significativa de pessoas. As práticas do dia a dia como an-
dar pela cidade, trabalhar, estudar, praticar esporte, lazer podem 
parecer simples para a maioria das pessoas, mas não para os PcDs. 
Essas pessoas não conseguem fazer a maioria das atividades usuais 
diárias em função de inúmeros obstáculos físicos, sensoriais e so-
ciais, que existem espalhados, os quais não são observados se não se 
tiver olhos mais aguçados. Uma pessoa, ao analisar seu dia e ima-
ginar-se numa cadeira de rodas ou sem visão, por exemplo, poderá 
perceber que, se não a totalidade, quase todas as tarefas e atividades 
básicas não poderiam ser feitas. Isso porque a cidade, espaços pri-
vados ou públicos, seguem um modelo padrão que não comporta a 
realidade das pessoas com deficiência.
Em muitas cidades, esse conceito vem se intensificando e já 
faz parte da realidade projetual. No Brasil, nas últimas décadas, o Po-
der Público vem atuando para incentivar o respeito à diversidade, 
são mudanças gradativas, mas que devem continuar não apenas no 
tocante ao respeito à legislação, mas fazer parte de um conceito de 
quem desenha a cidade como um todo. Segundo Maior (2012), “to-
das essas mudanças que ocorreram aqui estão sintonizadas com ummovimento internacional de consolidação dos direitos desse contin-
gente da população”. Com essa nova concepção, é possível fazer com 
que essa parte possa usufruir cada vez mais do que a cidade oferece. 
Muitas mudanças precisam acontecer, pois as barreiras arquitetô-
nicas são as mais visíveis, mas existem barreiras cognitivas e so-
ciais. Barreiras essas que são impostas em projetos não pensados de 
acordo com o desenho universal.
No início do século XX, a preocupação com a segurança do 
trabalho nas fábricas aumentou consideravelmente. Porém, as pri-
meiras peças legislativas não visavam proteger exatamente o tra-
balhador, mas sim as crianças. O Factory Act, cuja primeira versão 
consolidada foi promulgada em 1833, tinha como objetivo proteger 
os pequenos, que, naquela época, começavam a trabalhar muito 
cedo nas fábricas. Com o passar do tempo, a legislação passou a ter 
107
como foco o trabalhador de qualquer faixa etária, enquanto o traba-
lho infantil foi sendo extinto, ao menos no mundo mais civilizado.
De forma análoga, a luta - e posterior legislação - voltada ao 
atendimento das necessidades específicas das PcDs, termo oficial, 
adotado na Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência 
das Nações Unidas, em 13 de dezembro de 2006, também se ori-
ginou a partir da preocupação com um contexto diverso da busca 
pela inclusão no design. Em outras palavras, assim como no caso da 
evolução da legislação trabalhista, o conceito de acessibilidade e a 
legislação inclusiva que surge na esteira do Desenho Universal, ini-
cia por uma motivação diversa daquela associada ao público-alvo.
De fato, em virtude do grande número de mutilados após a 
Guerra do Vietnam, iniciou-se nos Estados Unidos um movimento 
para permitir uma vida mais plena aos veteranos de guerra, o que 
culminou numa legislação inclusiva voltada à acessibilidade que, 
posteriormente, espalhou-se pelo resto do mundo.
No Brasil, essa população é protegida, especialmente, pela 
NBR 9050, que trata da acessibilidade, mas existem, também ou-
tras instruções normativas e legislações dentro do arcabouço jurí-
dico. Entretanto, é preciso ir além das limitações permanentes para 
compreender a dimensão do alcance do tema.
Acessibilidade: conceitos e adequação normativa
O design universal pode ser considerado uma forma de design 
acessível. De fato, o termo “design acessível” (accessible design) 
antecede o Desenho Universal, pois foi cunhado durante o processo 
de regulamentação de códigos de obras nos Estados Unidos. O Cen-
tro para Habitação Acessível (Center for Accessible Housing) definiu, 
em 1991, como Design Acessível a concepção de elementos e siste-
mas que incorporam funções e dispositivos específicos para as PcDs. 
Exemplos de Design Acessível incluem rampas, tubos de apoio em 
alumínio instalados em sanitários públicos (ou inteiros sanitários 
exclusivos para as PcDs, avisos em Braile, pisos táteis, entre outros.
Essas soluções, além do estigma que carregam são custosas, 
muitas vezes introduzidas ao fim do processo de concepção ou até 
108
durante a construção. Aliás, ao serem introduzidas posteriormente, 
as funcionalidades do design acessível reforçam a incapacidade do 
designer em lidar com a questão da acessibilidade, refletindo uma 
falha no processo de concepção. Pior ainda, ao entrarem atrasados no 
design as soluções acessíveis denotam desprezo com as PcDs, que só 
foram contempladas no projeto devido a obrigações legais. Enfim, o 
universal design é sempre um design acessível, mas porque integra a 
acessibilidade desde a ideia inicial do produto ou ambiente, ele sem-
pre parecerá natural e não indesejavelmente evidente.
Conforme já mencionado, a evolução do conceito e a adesão da 
população aos princípios de acessibilidade está muito ligado aos ve-
teranos de guerra estadunidenses. Foi por pressão do Veteran’s Admi-
nistration Office, órgão dos EUA com status de ministério e responsável 
pela administração de hospitais e das pensões de veteranos, que o po-
der público se viu forçado a passar legislações inclusivas, como a Lei 
das Barreiras Arquitetônicas (Architectural Barriers Act), promulgada 
em 1968 e que inaugurou a preocupação com a questão da acessibilida-
de na arquitetura. Com a lei, os códigos de obras passaram a incorpo-
rar exigências de facilidade de acesso e utilização de prédios, calçadas, 
elevadores etc. Algum tempo mais tarde, em 1990, o governo dos EUA 
assinou o Americans with Disabilities Act (Legislação dos Americanos 
com Deficiência), que realmente abre caminho para as políticas in-
clusivas no design e para o próprio universal design. Na sequência, em 
1994, a ISO (International Standardization Office) lança sua Norma ISO 
9427, que dispõe sobre as condições básicas para o atendimento das 
necessidades de pessoas com deficiência na Construção de Edifícios. 
Essa norma foi atualizada e substituída pela ISO 21542, em 2011.
Ainda que não existisse uma lei federal dura contra o descum-
primento dos termos gerais da Lei n.º 10.098, de 19 de novembro 
de 2000 e do Decreto n.º 5.296, de 02 de dezembro de 2004 – que 
regulamenta essas duas leis com normas gerais e critérios básicos 
para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de defi-
ciência ou com mobilidade reduzida –, o respeito aos parâmetros de 
Design inclusivo e as condições mínimas de enquadramento de pro-
jeto às necessidades das PcD foi conquistando adesão passo a passo, 
mesmo no setor empresarial que mais foi afetado por essa verdadeira 
transformação social.
Em outras palavras, a legislação demorou a funcionar, exi-
gindo outras iniciativas:
109
 • Envolvimento de setores da sociedade interessados no tema, 
que tenham força para pressionar os poderes legislativos nos 
seus diferentes níveis (municipal, estadual e federal).
 • Expansão da rede de entidades de proteção aos direitos das 
pessoas com deficiência (atualmente em número de 17), que, 
juntas, ajudam na divulgação de eventos e na pressão popular.
 • Introdução do Decreto 6.949/2009, que promulgou a Con-
venção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com De-
ficiência, assinado na ONU em 2007, com status de norma de 
hierarquia constitucional, para proteção dos direitos da pes-
soa com deficiência ou com mobilidade reduzida.
Há de se reforçar o caráter pioneiro da normatização técnica 
enquanto motor da aceitação dos conceitos e princípios de acessibi-
lidade e inclusão. A NBR 9050 teve um papel fundamental no pro-
cesso da conscientização para o Desenho Inclusivo, especialmente 
após as primeiras legislações municipais – códigos de obras – pas-
sarem a exigir o respeito às suas diretrizes e critérios de adequação. 
Assim, se por um lado o processo pode ser considerado ainda lento, 
é importante notar que ele não tem sido atenuado, já que cada vez 
mais municípios aderem à acessibilidade e incorporam o tema nas 
revisões de seus respectivos códigos de obras. O que se observa é 
que as capitais tendem a acompanhar mais rapidamente as mudan-
ças na legislação federal, enquanto as cidades menores levam mais 
tempo para fazer o ajuste.
Caro(a) aluno(a), conforme já mencionamos, a NBR 9050 é uma 
importante referência que estabelece parâmetros para garantir a 
acessibilidade de maneira ampla e eficaz. Para saber mais sobre os 
parâmetros antropométricos e o Módulo de Referência (M.R.) para 
pessoas em cadeira de rodas (P.C.R.), recomendamos a leitura do 
item 4.2 (páginas 8 e 9) da Norma. Essa seção oferece diretrizes va-
liosas para o design de espaços acessíveis e adequados para pessoas 
em cadeira de rodas. Confira!
PESQUISE
110
Diferentemente dos EUA, o contexto histórico e social não 
teve influência marcante na evolução da adoção de legislação mais 
inclusiva no Brasil. As primeiras peças legislativas não foram ime-
diatamente regulamentadas, o que também provocou algum atraso 
na implementação de legislação específica voltada à acessibilidade, 
quando comparado com o restante do mundo. A evolução da norma-
tização e conscientizaçãoacerca da acessibilidade e, consequente-
mente, o avanço do pensamento inclusivo no design brasileiro pode 
ser observado a partir da listagem de normas e disposições legais 
listadas a seguir:
Quadro 1 – A evolução das leis envolvendo as PcDs no Brasil
Lei n.º 10.048/00 - dá prioridade de atendimento às PcDs.
Lei n.º 10.098/00 - estabelece normas gerais e critérios básicos para a 
promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com 
mobilidade reduzida, mediante a supressão de barreiras e de obstáculos 
nas vias e espaços públicos, no mobiliário urbano, na construção e refor-
ma de edifícios e nos meios de transporte e de comunicação.
Decreto n.º 5.296/04 - dá prioridade de atendimento às pessoas PcDs e 
estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibi-
lidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.
Instrução Normativa nº 1, de 25 de novembro de 2003 - dispõe sobre a 
acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal, e 
outras categorias.
Decreto-Lei n.º 6.949/2009 - regulamenta a Convenção Internacional 
sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência assinada em Nova York, 
em 30 de março de 2007, fazendo com que tais direitos tenham proteção 
constitucional dentro da legislação brasileira e impedindo que todas as 
demais leis versem contrariamente a ela.
NBR 9050 - garante a acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e 
equipamentos urbanos.
NBR 13994 - prevê a instalação de elevadores de passageiros e para trans-
porte de pessoa portadora de deficiência.
111
NBR 14020 - garante a acessibilidade à Pessoa Portadora de Deficiência 
em trens de longo percurso.
NBR 14021 - garante transporte e acessibilidade no sistema de trem urba-
no ou metropolitano.
NBR 14022 - garante acessibilidade à pessoa portadora de deficiência em 
ônibus e trólebus, para atendimento urbano e intermunicipal
NBR 14273 - garante acessibilidade à Pessoa Portadora de Deficiência no 
transporte aéreo comercial.
NBR 14970-1 - garante acessibilidade em veículos automotores e enume-
ra requisitos de
dirigibilidade.
NBR 14970-2 - garante acessibilidade em veículos automotores e dá di-
retrizes para uma
avaliação clínica de condutor.
NBR 14970-3 - garante a acessibilidade em veículos automotores e dá di-
retrizes para uma avaliação da dirigibilidade do condutor com mobilidade 
reduzida em veículo automotor apropriado.
* Além de outras legislações estaduais e municipais, Planos Diretores e 
Códigos de Obras e Edificações.
Fonte: adaptado pelo editorial Cengage (2020).
Note-se que, de forma proposital, a mais importante peça le-
gislativa a tratar da questão da inclusão ficou de fora: a Constituição 
Federal de 1988. De acordo com o art.º 5 da referida norma, todos são 
iguais perante a lei. Mesmo assim, um estado com uma diversidade 
sociocultural tão grande, precisa, também, criar leis específicas para 
garantir aos cidadãos menos favorecidos direitos iguais aos demais. 
Pensando-se inicialmente numa reparação histórica, as ações afir-
mativas foram criadas pelo Estado Brasileiro de forma a trazer maior 
inclusão aos negros. Atualmente, as PcDs também são alcançadas 
por cotas e outras estratégias de inclusão, em consonância, portanto, 
com iniciativas análogas que ocorrem ao redor do planeta.
112
Conceitos em acessibilidade 
e desenho universal
A acessibilidade e o resultado materializado de suas prerrogativas 
são conceitos relacionados a quem deveria ter direitos básicos como 
qualquer ser humano. O direito ao acesso, ao uso de bens públicos, 
a transposição de obstáculos e o livre caminhar pelas ruas são tão 
importantes como o direito de respirar, o que remete naturalmente 
à ideia de inclusão social.
De fato, a Declaração Universal dos Direitos Humanos da 
ONU, documento ratificado por todos os Estados Membros e em vi-
gor desde 1948, estabelece respectivamente o direito à livre loco-
moção e a garantia de que nenhum grupo social será deixado de fora.
Levando em conta as necessidades psicofisiológicas das 
PcDs, existem requisitos mínimos de projeto que se fazem necessá-
rios para ajudar na integração social dos indivíduos com algum tipo 
de restrição motora ou de sentidos:
 • A supressão das barreiras arquitetônicas em edifícios, vias, par-
ques, praias, espaços públicos e de design de produtos e equipa-
mentos como mobiliário urbano, terminais, sanitários etc.;
 • O compromisso com o Desenho Universal na hora de se proje-
tar novos produtos e na concepção arquitetônica;
 • A eliminação das barreiras de comunicação garantindo-se o 
acesso aos dados e a informação ao público;
 • A criação de espaços e mecanismos de participação social das 
PCDs em todos os níveis da vida coletiva;
 • A normalização e adaptação progressiva dos serviços e espa-
ços públicos;
 • A adaptação progressiva da rede de transporte coletivo na área 
urbana e rural.
É possível constatar, portanto, que o desenho universal 
pode ser usado como uma ferramenta de ação projetual que auxilia 
113
a integração dos princípios de inclusão e das regras de acessibilida-
de nos programas de necessidades dos diferentes projetos. A ideia 
dessa ferramenta inclusiva parte de sete princípios que podem ser 
usados para avaliar projetos já existentes e também orientar o sur-
gimento novos (Cambiaghi, 2007).
1. Equiparação nas possibilidades de uso;
2. Flexibilidade no uso;
3. Uso simples e intuitivo;
4. Informação perceptível;
5. Tolerância ao erro;
6. Mínimo esforço físico;
7. Dimensionamento de espaços para acesso e uso de todos 
os usuários.
Entre os sete princípios, todos devem estar incorporados 
ao projeto para que não haja prejuízo de qualquer espécie. Se um 
ambiente seguir cuidadosamente seis dessas diretrizes, mas falhar 
uma (a de número 4), por exemplo, uma pessoa cega já perceberia 
os efeitos: não conseguiria nem mesmo chegar ao local sem uma si-
nalização em Braile.
Por isso, produtos e ambientes construídos precisam ser 
desenvolvidos, de modo efetivo, para a maior gama possível de 
usuários. É fundamental, portanto, que ocorra uma intervenção er-
gonômica, de forma a conhecer e transformar as atividades desem-
penhadas pelas pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
É fundamental que indivíduo sinta prazer na utilização de 
produtos e serviços públicos e, ainda, no espaço de trabalho que 
ele ocupa. E é nesse contexto que o ergonomista ou o designer irão 
atuar, considerando as necessidades do trabalhador e do seu am-
biente, construído ou não.
Como será apresentado a seguir, talvez a mais importante 
característica do desenho universal deveria seja discrição das solu-
ções de design. Tudo que a pessoa com alguma limitação quer é que 
114
sua deficiência não atraia sentimentos “piegas” por parte das ou-
tras pessoas. Assim, não faz sentido que um piso tátil, por exemplo, 
tenha uma cor viva, destacando-se do restante do calçamento, até 
porque, no caso dos usuários desse tipo de recurso, a cor é um ele-
mento totalmente dispensável.
A ergonomia e a pessoa com deficiência
O papel da ergonomia é adaptar o trabalho à pessoa que vai execu-
tá-lo com foco na variabilidade latente ao trabalho e na diversidade 
do ser humano. Os parâmetros devem ser pensados não só com base 
em um modelo padrão pré-estabelecido. Valores antropométricos 
rígidos não permitem flexibilidade ideal na execução de projetos 
que possam atender à diversidade de usuários. A essa diversidade 
humana deve-se acrescentar uma parcela significativa das pessoas 
que têm uma particularidade fundamental. São as pessoas com de-
ficiência, que estatisticamente correspondem a cerca de 24% da po-
pulação, segundo dados mais recentes da UNESCO.
Porém, ainda que a realidade desse número permita ques-
tionamentos, nem mesmo um censo deveria ser determinante para 
qualquer relativização. Afinal, as PcDs que devem ser contempladas 
pelo design seriam as usualmente considerada portadoras de limi-
tações, como cegos, surdos, cadeirantes, usuáriosde muletas, sur-
dos, indivíduos com deficiência mental, anões, obesos mórbidos? 
Por que não considerar um percentual para estender essa cobertura 
aos idosos, crianças, mulheres grávidas, acidentados, enfim, todos 
que tenham, temporariamente ou não, alguma restrição de movi-
mento ou limitação eventual?
Enfim, por essas e por outras, quando se procura adap-
tar o trabalho à situação específica de um trabalhador, os desa-
fios aumentam. Isso acontece devido as ações e reações do sistema 
neuro-músculo-esqueletal (N-M-E) em relação às demandas apre-
sentadas ao ser humano na situação de trabalho. Quando o indiví-
duo apresenta uma disfunção em qualquer um desses subsistemas, 
podendo ser de forma isolada ou combinada, ele ou ela terá dificul-
dade em responder a demanda apresentada pela tarefa.
115
Assim, na linguagem ergonômica, uma deficiência seria 
uma disfunção em qualquer um dos subsistemas neuro-músculo-
-esqueletal (N-M-E), resultando na incapacidade de o indivíduo 
responder a uma demanda nas mesmas condições que uma pessoa 
que não apresente essa disfunção seria capaz de fazer. O que deve 
ser enfatizado, porém, é que todo indivíduo que apresenta deficiên-
cia pode realizar tarefas, desde que, condições adequadas lhe sejam 
oferecidas por meio de uma intervenção ergonômica no ambiente 
de trabalho (Gualberto Filho, 2011).
Figura 21 - Componentes do sistema neuro-músculo-esqueletal
Fonte: adaptada de Gualberto Filho (2011, p. 397) pelo editorial Cengage (2020).
De acordo com a OIT (1997), os principais objetivos da adap-
tação dos postos de trabalho às Pessoas com Deficiência (PcDs) são:
 • Criar condições seguras de trabalho de forma que uma 
pessoa incapacitada não coloque em risco a si mesmo ou 
aos outros;
 • Prevenir e evitar desvantagens ocupacionais;
 • Evitar o agravamento da incapacitação ou da deficiência 
existente.
Medidas projetuais adequadas beneficiam o trabalhador e, 
consequentemente, a organização. A ergonomia, juntamente com 
arquitetura e design, tem, nesse sentido, um papel fundamental 
116
nos ajustes que permitam a correta e possível utilização de espaços 
e equipamentos. Segundo Antonio Gualberto Filho (2011):
o que se coloca para a Ergonomia, a priori, não 
é apenas a produtividade e sim o sucesso ou o 
fracasso na realização de cada atividade que 
compõe o dia a dia da pessoa com deficiência, 
desde a mais simples a mais complexa, tanto 
em conteúdo físico, como mental e psíquico 
(Gualberto Filho, 2011, p. 402, grifos do autor).
A necessidade de se transformar o trabalho, tornando-o 
acessível, engloba todo um contexto que envolve a vida do trabalha-
dor PcD, do seu local de moradia até o posto em que trabalha. Não 
basta isolar o local em que executa a atividade laboral, mas a condi-
ção de locomoção, os acessos, os espaços de uso comum, banheiros, 
etc, também precisam ser levados em consideração. Junte-se a isso 
a necessidade de escolher a pessoa adequada para determinadas 
atividades e o empenho da organização em capacitar o funcionário 
para retê-lo na atividade. Para José Pastore (2000), “estas pessoas 
possuem uma larga gama de outras capacidades, pois, no campo do 
trabalho, a deficiência é muito mais determinada pela ausência de 
uma arquitetura adequada do que pela presença de uma limitação 
pessoal” (Pastore, 2000 apud Carneiro; Camarotto, 2003, p. 1).
Segundo dados da ONU (2017) apresentados pelo IBGE (2018), 
10% da população tem alguma deficiência, mas, em estudos ameri-
canos, esse número chega a 20%. Ainda segundo o IBGE, considera-
-se como indicador de políticas públicas o valor em torno de 12,5%. 
No último censo (2010) esse número aumentou para 23,9% (cerca 
de 45,6 milhões de pessoas) com alguma deficiência. Destes 18,8% 
com deficiência visual (35 milhões), a maior em número de pessoas 
(Simões; Athias; Botelho, 2018).
No Brasil, apenas 2% das pessoas com deficiência estão no 
mercado de trabalho formal. São pessoas que se inseridas aumentam 
o número de contribuintes e diminuem encargos previdenciários e 
assistenciais. Logo, é mais do que uma caridade, é um investimen-
to vantajoso financeiro e social, porém, ainda que seja crescente o 
número de trabalhadores PcD inseridos no mercado formal, ainda 
117
há muito a ser feito para que isso deixe de ser uma exigência, tor-
nando-se um princípio humano, uma realidade natural (Simões; 
Athias; Botelho, 2018).
A aplicação da ergonomia às PcDs apresenta dificuldades 
específicas por diversos fatores, incluindo questões relacionadas a 
metodologia, que impossibilita uma avaliação precisa das neces-
sidades da pessoa portadora de deficiência. Isso porque indivíduos 
com deficiências semelhantes podem ter necessidades diferentes, 
da mesma forma que pessoas com diferentes diagnósticos podem 
ter necessidades iguais (García; Burgos,1994). E uma preocupação 
básica de quem vai gerenciar a produção, deve ser no sentido de que 
a tarefa juntamente com o posto de trabalho não contribua para 
ampliar a sequela da pessoa com deficiência.
No Brasil, a Lei n.º 8.213/1991 determina que a empresa com 
mais de 100 empregados deve ter de 2% a 5% de pessoas portadoras 
de deficiência no seu quadro de funcionários. E essa quantidade au-
menta proporcionalmente, conforme segue:
Quadro 2 – PcDs nas empresas
Quantidade de 
empregados
Porcentagem obrigatória 
de PcDs
Até 200 2%
De 201 a 500 3%
De 501 a 1.000 4%
De 1.001 em diante 5%
Fonte: adaptado de Brasil (1991) pelo editorial Cengage (2020).
Diante de uma exigência legal as empresas brasileiras pre-
cisam se preparar para receber em seus quadros trabalhadores que 
são pessoas com deficiência (PcD). É fundamental para que o Enge-
nheiro de Produção verifique se a tarefa atribuída a PcD é compatí-
vel com a sua deficiência e quais são as adaptações necessárias ao 
posto de trabalho para que o indivíduo possa executar sua tarefa de 
modo a atender a uma programação de produção.
118
Essa adaptação pode ser uma mesa de apoio, um assento 
sobre rodas que facilite a sua movimentação mesmo sentada, ou a 
adaptação de uma ferramenta de modo a facilitar o seu uso, como é 
feito com os talheres para serem usados por pessoas com mobilida-
de reduzida nos membros superiores, mostrado na figura a seguir.
Figura 22 – Exemplo de colher adaptada (criada para auxiliar pessoas com 
movimentos restritos, aderência reduzida, tremores, falta de controle muscular, uso 
de apenas uma mão e fraqueza nos braços e ombros)
Fonte: adaptada pelo Grupo Ser Educacional (2024).
119
Caro(a) aluno(a), chegamos ao final de mais uma etapa de estudos 
da disciplina Ergonomia e Acessibilidade. Na sequência, faremos 
um breve resumo do que foi visto até nesta unidade letiva. Vamos lá!
Neste material, você teve a oportunidade de perceber a importância 
em se respeitar os princípios de ergonomia no projeto de mobiliário 
e afins, entendendo a relação entre o projeto de mobiliário, equipa-
mentos e dispositivos de trabalho, e a vivência de modo geral com 
a Ergonomia. Além disso, pôde observar a correlação entre as dire-
trizes ergonômicas e antropométricas no design de mobiliário e no 
projeto (design) de interiores.
Iniciamos o tema da acessibilidade à luz da Ergonomia, propor-
cionando a você um entendimento mais profundo sobre a origem, 
fundamentos e princípios da acessibilidade, incluindo as principais 
leis, normas e abordagens recentes relacionadas a esse tema tão 
importante. 
Durante essa etapa de aprendizagem, também abordamos a inclu-
são social associada ao conceito de empatia no contexto do projeto. 
Aqui, você aprendeu que incluir significa acima de tudo, colocar-se 
no lugar do outro, estabelecendo as bases do universal design ou de-
senho universal.
Por fim, reforçamos que, caso surjam dúvidas, entre em contato com 
o(a) seu(sua) tutor(a). Ele(a) está à sua disposição para ajudá-lo(a).
Bons estudos, e nos encontramos na próxima etapa de aprendizagem.
Até lá!
SINTETIZANDO
UN
ID
AD
E
3
Premissas básicas 
da ergonomia, 
acessibilidade,aspectos físico-
ambientais e 
cognitivos
Objetivos
1. Compreender as premissas básicas da Ergonomia, exploran-
do sua perspectiva histórica e sua relação com o processo de 
trabalho.
2. Conhecer a Antropometria e as suas variações em diferentes 
contextos, como também as influências externas nas propor-
ções corporais.
3. Verificar os princípios da biomecânica ocupacional, obser-
vando as posturas do corpo e a aplicação de forças.
4. Analisar a influência dos fatores humanos no trabalho, in-
cluindo aspectos fisiológicos, processos cognitivos e os fato-
res culturais.
5. Observar os aspectos físico-ambientais na promoção da aces-
sibilidade, com base nos princípios do desenho universal e nas 
normativas vigentes.
6. Apresentar a psicologia no trabalho e o processamento de in-
formações, explorando os princípios da ergonomia cogniti-
va e a influência da memória e da linguagem nas atividades 
laborais.
123
Introdução
Olá! seja bem-vindo(a) a mais uma etapa de aprendizagem da disci-
plina Ergonomia e Acessibilidade.
Nessa unidade, nossos estudos estarão focados na Ergonomia 
do Ambiente Construído (EAC), onde iniciaremos expondo informa-
ções básicas sobre essa área de pesquisa da ergonomia.
Para começar, a primeira parte deste material define o que é 
ergonomia, explicando do que ela é composta, como nasceu e se de-
senvolveu, traçando uma perspectiva histórica. Ao longo desta etapa, 
você, estudante, compreenderá o ser humano, suas medidas e diferen-
ças; a partir de características fisiológicas e mentais, para então estu-
darmos os postos de trabalho e como projetá-los.
A segunda parte do nosso conteúdo tratará do tema da Acessibi-
lidade, abordando os aspectos físico-ambientais e cognitivos, enume-
rando os principais fatores constitutivos do ambiente construído que 
devem ser considerados no desenvolvimento de projetos e/ou avalia-
ção de espaços, a fim de aprimorar as condições das atividades labo-
rativas, proporcionando maior segurança, saúde, conforto e eficiência 
no ambiente de trabalho.
Bons estudos!
124
Premissas básicas da Ergonomia
No início da nossa disciplina, vimos que, desde as suas origens, o 
ser humano interage com seu meio ambiente com o propósito de 
executar suas diversas tarefas diárias, fundamentais para sua so-
brevivência, essas ações também possibilitam a obtenção daquilo a 
que tem vontade ou necessidade. Esta interação se permeia, tanto 
na transformação (adaptação) de seu ambiente e seus componen-
tes, como na utilização de utensílios diversos, criados por ele mes-
mo face às suas habilidades.
A evolução do ser humano, do Paleolítico para o Neolítico, 
permeado por um aumento de complexidade de suas atividades bem 
como da sociedade, a partir do advento da agricultura, levou a hu-
manidade de agrupamentos nômades e rudimentares para comu-
nidades organizadas, que se transformariam em cidades (nações) 
autossustentáveis e multitarefas. Esse processo de transformação 
demandou a criação de diversos instrumentos entre ferramentas, ar-
mas e utensílios, tais como facas, garfos, vasilhas, lanças, escudos, 
espadas, pratos, pilões etc., necessários para as tarefas múltiplas de 
seu cotidiano como cozinhar, proteger, plantar etc., bem como para 
promover e executar grandes transformações dos locais de habitação 
e convívio, respondendo a demandas de conforto físico e psicológi-
co, além de segurança e salubridade. Essas transformações compõem 
uma rotina constante na história da humanidade, sua motivação vem 
da busca do homem de obter o máximo de resultados com o mínimo 
de esforço possível, ou seja, o máximo de eficiência e eficácia.
A esse processo de transformação de seu meio e suas fer-
ramentas, temos a essência fundamental do que chamamos 
ERGONOMIA.
Uma perspectiva histórica
Para um melhor entendimento do nosso conteúdo, vamos relem-
brar um pouco e aprofundar algumas questões da ergonomia numa 
perspectiva histórica, começando pela Segunda Guerra Mundial, no 
início da década de 1940:
125
Com a eclosão da II Guerra Mundial (1939 – 
1945), os conhecimentos científicos e tecnoló-
gicos disponíveis foram utilizados ao máximo, 
para construir instrumentos bélicos relativa-
mente complexos, como submarinos, tanques, 
radares, sistemas contra incêndios e aviões. Es-
tes exigiam muitas habilidades do operador, em 
condições ambientais bastantes desfavoráveis 
e tensas, no campo de batalha. Os erros e aci-
dentes, muitos com consequências fatais, eram 
frequentes. Tudo isso fez redobrar o esforço de 
pesquisa para adaptar esses instrumentos béli-
cos às características e capacidades do opera-
dor, melhorando seu desempenho e reduzindo 
a fadiga e os acidentes (Iida, 2005, p. 6).
A II Grande Guerra foi um conflito que colocou frente a frente 
o grupo Aliado – formado principalmente por norte-americanos, 
ingleses e russos – contra o grupo Eixo – composto pelos alemães, 
japoneses e italianos. No entanto, diversos outros povos, como os 
franceses, belgas e até brasileiros, entraram no conflito, unindo-se 
a um dos lados. Um ponto importante para nossa explanação é a di-
versidade cultural e étnica entre os componentes dos dois grupos, o 
que explica os infindáveis problemas com o manuseio dos instru-
mentos bélicos, incompatíveis, muitas vezes, com os padrões físi-
cos e cognitivos daqueles que os usariam. Assim, a conclusão que se 
chegou foi que o desempenho, a eficácia das armas, foi bastante pre-
judicada pela pouca compatibilidade entre operador e instrumento.
Nas experiências vividas na II Guerra, ficou claro que a ina-
dequação dos instrumentos aos usuários ocasionava grande perda 
de performance, inclusive com acidentes graves. Obviamente, não 
há como mudar as pessoas biologicamente, por exemplo fazê-las 
maiores, mais rápidas, alterar sua percepção sensorial, cognitiva 
etc. Isso exige um trabalhoso processo de adaptação do usuário às 
máquinas, envolvendo treinamentos e adaptações. Se os instru-
mentos são inadequados aos usuários, a solução lógica é mudá-los.
Apesar da obviedade da afirmação, a preocupação em adaptar 
instrumentos, ferramentas, sistemas e mesmo locais percorreu um 
longo percurso até os conceitos modernos do que conhecemos como 
Ergonomia. Naquele momento, além da pouca percepção quanto à 
natureza do problema, era um período emergencial de guerra.
126
Após o conflito, a necessidade de se estudar mais a fundo os 
fenômenos presenciados e documentados na guerra, os chamados 
Human Factors (Fatores Humanos), com vista a sua posterior aplica-
ção em áreas civis, motivou a fundação da Ergonomics Research So-
ciety, em 1950, na Inglaterra. Anos após, em 1957, nos EUA, surgiria 
a Human Factors Society criando um polo de pesquisa no novo mundo.
Processo de Trabalho e Ergonomia
Primeiramente, vamos entender a importância e o processo no qual 
a ergonomia acontece.
O ser humano é composto por características físicas, men-
tais e emocionais, que se integram no funcionamento de seu corpo 
diariamente. Processos mentais desencadeiam respostas motoras 
e sensoriais que sofrem a influência de nosso estado emocional. 
Tal dinâmica acontece ininterruptamente, todos os dias em todas 
nossas atividades. Pois, sempre que interagimos com nosso meio, 
a compreensão correta do funcionamento do ser humano pode tra-
zer indicações de adaptações e mudanças no meio que tragam maior 
conforto ao usuário deste meio.
O conforto é o objetivo máximo e fundamental da ergonomia. 
Entretanto, definir conforto é uma tarefa complexa. Enquanto a cul-
tura popular geralmente confunde conforto com luxo, com algo re-
lacionado ao privilégio e ao prazer, acessível a uma pequena parcela 
da população; os meios acadêmicos colocam o conforto como uma 
necessidade básica e imprescindível à espécie humana.
De forma sistêmica, podemos entender o desconforto (antô-
nimo do conforto) como a situação na qual um sistema foge de seu 
funcionamento ideal/ótimo, para um estado não excelente que de-
mandará recursos extras (não previstos) para sua sustentaçãoe/ou 
correção, de modo que haja um desperdício de energia. Obviamente, se 
abrirmos nosso leque interpretativo, o conforto torna-se algo subje-
tivo, entretanto, se o mantivermos a uma esfera mensurável, direcio-
nada à natureza humana, podemos então colocar o conforto como algo 
que não cause nenhum estresse, efeito nocivo — o mínimo que seja —, 
ao indivíduo, seja física, fisiológica, psicológica ou emocionalmente.
127
Imaginemos o ser humano como uma peça de concreto de uma es-
trutura de um prédio. Esta peça irá sofrer a ação de diversas forças 
como peso próprio, carga, vento além do desgaste natural por uso e 
condições locais. Se todas essas forças e condições se mantiverem 
dentro dos parâmetros de resistência determinados, ela terá o má-
ximo de desempenho e performance, tendo sua vida útil percorrida 
na sua totalidade, sem acidentes. Além disso, quando falamos de 
seres humanos, temos o fator de resiliência, ou seja, a capacidade 
de regeneração do indivíduo fazendo com que ele volte a suas con-
dições máximas após sofrer algum abalo.
É bem verdade que podemos ter uma visão um tanto meca-
nicista; entretanto, assim como a peça de concreto se deteriora ao 
sofrer constantes situações de estresse (ou desgaste) além do su-
portável ou mesmo aceitável (que ultrapassa com grande margem 
o recomendável), o ser humano também pode sofrer uma perda de 
desempenho, até atingir o ponto de ruptura, literal ou não.
Assim, a partir das definições dadas e da compreensão da 
mesma, a ergonomia irá, por um lado, compreender o ser huma-
no, usuário essencial do sistema e, do outro, perscrutar o processo 
e características desse mesmo sistema, buscando melhorias que di-
minuam ou até eliminem o stress durante a interação entre ambos.
Você conhece o site da Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO)? 
Lá você pode encontrar informações sobre cursos, simpósios e con-
gressos relacionados com o estudo de Ergonomia. Também é pos-
sível obter certificações e ter acesso a artigos científicos, pesquisas 
acadêmicas e publicações. Vale muito a pena pesquisar o site e visi-
tá-lo regularmente.
REFLITA
PESQUISE
128
Antropometria
Antropometria é a disciplina científica que estuda o corpo humano e 
suas medidas. Aparentemente uma tarefa simples, mas o processo de 
registrar as medidas do corpo humano vai além de um levantamento 
geral de estatura e peso, incluindo o levantamento de proporções, al-
cance de movimentos, diversidade de biotipos e outros fatores.
A importância do estudo antropométrico está no conhecimen-
to das medidas e proporções particulares a cada gênero, idade e etnia, 
para concepção de projetos específicos de diversos produtos. Entre as 
aplicações que podemos imaginar está a indústria de vestuário, auto-
móveis, utensílios e outros. Em outras áreas peculiares em que a pre-
cisão de medidas do corpo e de movimentos é fundamental, o estudo 
antropométrico se mostra ainda mais detalhado e necessário.
Variações de Medidas
O estudo das medidas do corpo humano não é novidade. Entretanto, 
durante muitos séculos, ele esteve restrito a um universo de amos-
tragem essencialmente europeu. Essa distinção é explicada face à 
História Ocidental dos últimos séculos, em que a atividade industrial 
e de pesquisa esteve concentrada na Europa e, mais recentemente, 
nos EUA, de modo que, a padronagem de medidas para confecção de 
peças de vestuário, utensílios e máquinas obedeceu às proporções e 
medidas do homem branco europeu. Esse fato explica os problemas 
surgidos durante a segunda grande guerra, descritos anteriormente.
Com a ampliação das relações comerciais entre os países, 
considerando-se novos grupos de consumidores e usuários de 
produtos, bem como a proliferação e crescimento da atividade in-
dustrial em outros países fora do nicho Europa-EUA, passou a se 
considerar um grupo maior de amostragem com medidas e propor-
ções diferentes do padrão até então utilizado.
Assim, podemos concluir que os dados antropométricos 
variam grandemente, não só ao longo da vida e por gênero, mas 
também por etnias e condições sociais.
129
Essas variações podem ser:
Variações por gênero
O homem e a mulher são fisicamente diferentes desde o nascimen-
to e ao longo de toda a vida. Além das diferenças óbvias, o corpo de 
ambos se diferencia na forma e no tempo de desenvolvimento, em 
proporções, tamanho de ossos e músculos. O corpo do homem e da 
mulher também se diferencia em acúmulo e concentração de gor-
dura, grau de força e desenvolvimento. Essas mudanças estão atre-
ladas a fenômenos fisiológicos, hormonais e funções corpóreas.
Variações intraindividuais
Referente às alterações de medida durante as fases da vida, ou seja, 
do nascimento até velhice, todas as mudanças que haverão de me-
didas, podemos destacar não só as alterações de altura e peso, mas 
também de proporções, força, mobilidade, além de que cada parte 
do corpo cresce num ritmo e proporção diferente ao longo da vida.
Tabela 1 - Tabela de medidas média
Idade Estatura/Cabeça Tronco/Braço
Recém-nascido 3,8 1,00
2 anos 4,8 1,14
7 anos 6,0 1,25
Adulto 7,5 1,5
Fonte: adaptado de Iida (2005, p. 100) pelo Grupo Ser Educacional (2024).
As medidas do corpo atingem seu ápice, mais ou menos, aos 
20 anos e permanecem inalteradas até os 55 anos aproximadamen-
te, quando se inicia o envelhecimento e há um leve declínio das me-
didas, além da força e mobilidade.
130
Variações étnicas
As variações antropométricas relativas à etnia são bastante acen-
tuadas. Considerando-se os habitantes dos vários lugares do mun-
do, divididos em grupos étnicos, como caucasianos, índios, negros 
ou asiáticos, todos entre eles apresentam grandes diferenças quan-
to à tamanho, ao peso, às proporções do corpo, à mobilidade, à agi-
lidade etc.
Segundo um estudo realizado nos EUA, indivíduos prove-
nientes de grupos étnicos que viviam há várias gerações por lá, ge-
raram descendentes maiores que seus pais, porém com as mesmas 
proporções, concluindo que a carga genética consegue manter as 
características do grupo, mesmo que haja um aumento nas medidas. 
No caso da miscigenação, por outro lado, as proporções e caracte-
rísticas se diluem apresentando medidas intermediárias.
Essas diferenças se apresentam também nas proporções, ou 
seja, tamanho do tronco em relação ao tamanho da perna, número 
correspondente de cabeças na altura total, tamanho dos pés e mãos 
ou envergadura, de modo que temos um grande e diferenciado nú-
mero de modelos. Esse fato é um grande problema dentro de um pa-
norama antropométrico para a indústria em geral, pois há diversos 
perfis de consumidor com uma variabilidade de produtos bastan-
te alta. Com o incremento da tecnologia, esse problema está sendo 
contornado com uma maior customização de produtos por grupos 
e subgrupos, ao passo que com uma economia globalizada, a pro-
dução de um dado país atinge uma gama maior de consumidores, 
praticamente tornando obrigatória essa segmentação.
No Brasil, um país de proporções continentais, com diferen-
tes regiões e climas, com mais de 200 milhões de habitantes, des-
tino de diversos fluxos migratórios provenientes dos mais variados 
lugares do mundo, somado a uma das maiores populações negras do 
mundo e um grande contingente autóctone, apresenta uma diversi-
dade infindável de grupos com grandes variações e combinações ét-
nicas. Além disso, temos as grandes diferenças regionais e sociais de 
recursos que também, como veremos adiante, influenciam no perfil 
antropométrico de cada indivíduo. Dentro desse panorama, o ato de 
projetar-se no Brasil é um grande desafio.
131
Variações seculares
Estudos comprovam que os seres humanos têm aumentado de es-
tatura e peso ao longo dos séculos. Chamamos isso de variações se-
culares, pois é parte da antropometria que estuda essa mudança por 
várias gerações, ao longo dos séculos.
Em épocas de escassez, catástrofes ou guerra, as medidas 
tendem a manter-se, de modo que em épocas de fartura, as medidas 
dão um salto. Da mesma forma,em regiões que antes apresentavam 
pouca oferta de suprimentos e recursos, quando enriquece, sua po-
pulação experimenta um aumento de medidas.
Influências externas nas proporções corporais
Alguns outros fatores podem influenciar bastante nas medidas cor-
porais, como o clima, condições socioeconômicas e de infraestru-
tura básica. Pessoas que residem em locais quentes tendem a ter o 
corpo mais fino e os membros mais longos, enquanto habitantes de 
climas frios tendem a ser mais robustos.
Em relação a padrões socioeconômicos e infraestrutura bá-
sica, percebe-se que influencia na questão de hábitos alimentares, 
qualidade de vida e acesso à saneamento básico, saúde e medica-
mentos. Obviamente, locais com piores condições de vida apresen-
tam indivíduos prejudicados em seu desenvolvimento, enquanto o 
oposto também é realidade.
Quadro 1 – Variações das medidas
ERGONOMIA
Variação de Medidas
Variação por gênero
O homem e a mulher são fisicamente diferentes desde o nascimento e 
ao longo de toda a vida. Além das diferenças óbvias, o corpo de ambos 
se diferencia na forma e no tempo de desenvolvimento, em proporções, 
tamanho de ossos e músculos. O corpo do homem e da mulher também 
se diferencia em acúmulo e concentração de gordura, grau de força e 
desenvolvimento. Essas mudanças estão atreladas a fenômenos fisioló-
gicos, hormonais e funções corpóreas.
132
Variações intraindividuais
Refere-se às alterações de medida durante as fases da vida, ou seja, do 
nascimento até a velhice, todas as mudanças que haverão de medidas, 
podemos destacar não só as alterações de altura e peso, mas também de 
proporções, força, mobilidade, além de que cada parte do corpo cresce 
num ritmo e proporção diferente ao longo da vida.
Variações étnicas
As variações antropométricas relativas à etnia são bastante acentuadas. 
Considerando-se os habitantes dos vários lugares do mundo, divididos 
em grupos étnicos, como caucasianos, indígenas, negros ou asiáticos, 
todos entre eles apresentam grandes diferenças quanto à tamanho, ao 
peso, às proporções do corpo, à mobilidade, à agilidade etc.
Variações seculares
Estudos comprovam que os seres humanos têm aumentado de estatura e 
peso ao longo dos séculos. Chamamos isso de variações seculares, pois é 
parte da antropometria que estuda essa mudança por várias gerações, ao 
longo dos séculos.
Fonte: adaptado do editorial Cengage (2023) pelo Grupo Ser Educacional (2024).
Pesquisas de Sheldon
Em 1940, o pesquisador William Sheldon organizou um estudo com 
4.000 estudantes dos EUA, em que, a partir de medições antropo-
métricas e análises fotográficas, determinou a existência de três ti-
pos de indivíduos:
endomorfo: tipo físico de formas alongadas, com membros 
mais longos e finos, concentração baixa de gordura e pouca 
massa muscular. Além disso, apresentam o pescoço fino, ros-
to magro e abdômen estreito;
mesomorfo: tipo mais musculoso, de forma atlética, com a 
cabeça quadrada, ombros e peitos largos e abdômen pequeno. 
Possuem pouca gordura;
ectomorfo: tipo físico com maiores depósitos de gordura 
corporal. Seu abdômen costuma ser mais proeminente e o tó-
rax menor. Braços e pernas são curtos e flácidos. Geralmente, 
os indivíduos são mais baixos com cabeças arredondadas.
133
Correlação entre as variáveis
Naturalmente, as pessoas podem se encaixar em mais de um tipo 
de variações estudadas, como os tipos de indivíduo apresentado por 
Sheldon. Os fatores combinados, assim como a matriz genética e 
combinações diversas determinam as características de um indiví-
duo que, ao passo que se encaixa em um macro grupo, seguem como 
características particulares.
A importância do conhecimento dessas medidas cresce na 
medida da exatidão e precisão da necessidade, abrangendo-se 
desde objetos de uso por grande quantidade de pessoas até uten-
sílios exclusivos.
Sistema de Medição Antropométrica
O processo de realização de estudos antropométricos e de estabele-
cimento de medidas e proporções em um dado grupo ou população 
obedece a rigorosos protocolos de pesquisa científica e levanta-
mento estatístico. Não entraremos no mérito de tais métodos, mas 
reforçamos a importância da definição de um objetivo de pesquisa 
com estabelecimento das necessidades do projeto, determinação 
dos métodos de medida, seleção de amostragem, processamento e 
análise dos dados.
É fundamental conhecer onde e como serão utilizados os da-
dos obtidos, assim como o que é necessário descobrir para atingir o 
objetivo proposto. Essas respostas são dadas pela análise do proje-
to solicitado e a interação usuário-sistema. Muitas vezes, os dados 
levantados por determinada pesquisa feita para um fim específico, 
não irão servir para outro.
Os sistemas de medição podem ser diretos ou indiretos. Os 
Diretos são quando as medições são feitas com instrumentos que 
têm contato com o corpo, como fitas métricas, balanças, paquí-
metros, trenas. Nesse processo, são contabilizadas as medidas li-
neares, as angulares, as distâncias, o peso e a força. Já, as medições 
indiretas são quando se envolve o uso de fotos, malhas quadricu-
ladas, anteparos ou análises de imagens para obtenção dos dados.
134
Tipos de medição antropométrica
Antropometria Estática: é a medição feita sem (ou com pou-
co) movimento, relacionando partes anatômicas específi-
cas, como altura, envergadura, tamanho dos pés, tamanho 
do tronco etc. Seu uso é recomendado para situações em que 
precisamos de medidas corpóreas simples, sem nenhuma 
ação ou movimento.
Antropometria Dinâmica: é a medição de movimentos sim-
ples, com algumas partes do corpo apenas, por exemplo, o 
ato de dirigir um veículo, em que executamos o movimento 
do braço para girar o volante, trocar marchas e mexer me bo-
tões próximos, enquanto o restante do corpo permanece pra-
ticamente estático, sentado.
Antropometria Funcional: é a parte da antropometria que 
mede e estuda movimentos mais elaborados e complexos, 
que envolvam várias partes do corpo ao mesmo tempo em um 
movimento conjugado na realização de uma tarefa específica.
Os três tipos de antropometria relacionam-se em aumento de 
complexidade na determinação dos dados, com uso de métodos e 
instrumentos mais elaborados.
Biomecânica Ocupacional
Biomecânica ocupacional é a parte da ergonomia que estuda a inte-
ração do indivíduo com seu posto de trabalho (incluindo máquinas, 
instrumentos e materiais), em relação ao uso de forças e movimentos.
Ela visa a prevenir e diminuir o risco e a incidência de pro-
blemas físicos relativos à má postura corporal no trabalho e à in-
correta aplicação de forças, bem como suas consequências. Reduz 
o absenteísmo nos postos de trabalho e previne diversas doenças 
e males que se tornam crônicos com o tempo, além de incorporar 
como ferramenta estratégica para redução de custos, ganho de pro-
dutividade e maior qualidade de vida do trabalhador.
135
Podemos, também, classificar o trabalho em trabalho estático 
e trabalho dinâmico.
O trabalho estático exige a contração constante de alguns 
músculos em uma posição fixa, parada e, por isso, chamada estáti-
ca. Essa contração contínua é chamada isométrica e envolve ativi-
dades, como segurar uma caixa, manter um pedal acionado, conter 
algo etc. Segundo estudos, quando a força aplicada for igual ou 
maior que 50% da capacidade, suporta-se no máximo 1 minuto, se 
for menor, suporta-se um tempo maior, mas o esforço sendo exe-
cutado repetidas vezes por dias, ou semanas, causará dores e fadiga.
O trabalho dinâmico, por sua vez, acontece quando há movi-
mentação dos músculos, com a contração e relaxamento alternado, 
em uma espécie de vai e vem. Flexão e esticamento. Esse tipo de ação 
propicia a circulação sanguínea (e, consequentemente, oxigenação 
dos músculos e órgãos) diminuindo a fadiga e o estresse. O traba-
lho estático é muito mais fatigante de modo que deve ser evitado 
sempre que possível, ou, pelo menos, ser alternado com períodos 
de relaxamento com algum tipo de exercício que mexa os músculos,devolvendo assim a circulação ao seu ritmo normal. Hoje, é prática 
comum os programas de ginástica laboral em empresas e fábricas, 
bem como panfletos de exercícios espalhados no local de trabalho 
como parte de programas de saúde no trabalho.
Quando há incompatibilidade entre a capacidade física do tra-
balhador e o movimento ou esforço que ele tenha de fazer em sua 
atividade, podem ocorrer lesões com os traumas musculares, que 
podem ser por impacto, como uma batida ou queda, ou por esforço 
excessivo contínuo, caracterizado por cargas ou movimentos repeti-
tivos feitos de modo excessivo sem pausas. Os traumas, por esforço 
contínuo, mais comuns são:
DORT - Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho;
LTC - Lesões por traumas cumulativos;
LER - Lesões por esforço repetitivo
136
Posturas do Corpo
Quando falamos de postura para um estudo de biomecânica ocupa-
cional, tratamos do posicionamento do corpo, em partes e como um 
todo, para realização de uma dada atividade. É importante que os 
projetos de postos de trabalho, máquinas e ferramentas, bem como 
o modo de utilização deles, seja pensado de forma a não proporcio-
nar uma postura inadequada, pois isso irá causar problemas diver-
sos, desde fadiga até problemas de saúde mais sérios que levem a 
afastamentos ou mesmo uma aposentadoria precoce.
Segundo Itiro Iida (2005), podemos classificar três tipos de 
posturas inadequadas que causam danos:
 • Trabalhos estáticos que envolvam uma mesma posição por 
longos períodos;
 • Trabalhos que exijam muita força;
 • Trabalhos que exijam posturas desfavoráveis e desconfortáveis.
Dentre as posturas básicas de trabalho, temos sentado, deita-
do ou em pé, sendo que conforme a tarefa a ser desempenhada, uma 
delas será mais adequada. Da mesma forma, deve-se estar aten-
to em qual região do corpo estará sob maior pressão e estresse de 
modo que ocorram incômodos que poderão ser mitigados ou mesmo 
eliminados através de ações de correção (tanto no posto de trabalho 
como na postura do trabalhador), evitando-se assim complicações.
Aplicações de forças
Os movimentos sempre ocorrem pela contração e relaxamento dos 
músculos operando em pares antagônicos, ou seja, de forma oposta 
e simultânea. Além disso, o grau de exigência de cada atividade e 
a força necessária a ser empregada irão determinar a demanda de 
atividade muscular dentro da capacidade de cada pessoa.
137
Muitas atividades exigem esforços coordenados e um bom 
local de trabalho, bem planejado, com a experiência e consciência 
corporal adequada do operador, irá conjugar os esforços de forma 
equilibrada e harmônica, com um mínimo de estresse.
Os movimentos podem ser de:
precisão: geralmente, operados com os dedos, exigem menos 
esforço ao passo que imprimem maior destreza e cuidado;
ritmo: caracteriza-se pelo alto controle em manter uma cons-
tância ou uniformidade, ou o controle em acelerar ou desacele-
rar de forma gradativa e constante. Pela obrigatoriedade de se 
manter o ritmo, podendo envolver ações bastante estressantes;
movimentos retos: uma vez que nosso corpo é constituído 
por articulações que se caracterizam por apoios unitários, a 
tendência é sempre pela realização de movimentos que des-
crevam arcos. Assim, a obrigatoriedade de um movimento 
retilíneo, seja ao traçar uma linha com uma caneta, ou man-
ter o corte em uma peça, sem auxílio de apoios, traz maior 
esforço para diminuir a imprecisão;
terminações: movimentos que exijam marcos de precisão, 
são mais elaborados e demandam maior esforço e precisão. 
Aqui, o uso de pontos de apoio torna-se imprescindível.
De acordo com os diferentes movimentos, o emprego de força 
será diferente.
Fatores Humanos no Trabalho
Nesta altura de nosso estudo, acreditamos que já deve estar bem cla-
ro que para a aplicação da ergonomia de forma eficiente em projetos 
diversos, deve-se ter um conhecimento bastante aprofundado do 
ser humano, sua fisiologia, características físicas e modo de pensar, 
agir e sentir. Durante a realização das atividades diárias, sejam ati-
vidades profissionais, de lazer ou pessoais, ocorrem processos que 
138
afetam o exterior – o corpo físico –, gerando respostas e reações no 
interior (órgãos, pressão arterial, processos nervosos voluntários e 
involuntários) indivíduo, sendo influenciado, ainda, pela atuação 
constante de sua mente e sua psique. No tópico sobre biomecânica 
ocupacional, falamos sobre antropometria. Agora, porém, amplia-
remos nossos estudos do corpo humano, abordando os fatores hu-
manos no trabalho ou como as atividades geram ações e reações do 
nosso corpo e mente.
Fatores Fisiológicos
Iniciaremos nosso estudo com a parte interna do corpo humano, ou 
seja, seus diversos sistemas que possuem um funcionamento pró-
prio, independente de um comando ou vontade, e reações a partir 
de estímulos. Essas reações são ocasionadas por diversos fatores, 
alguns ainda desconhecidos, mas com raiz em tendências influen-
ciadas por ativos químicos e hormonais que geram respostas em 
nossos diversos sistemas (nervoso, digestivo, circulatório etc.) e es-
sas reações se refletem no modo como agimos. Grosso modo seria, 
por exemplo, porque sentimos sono após comer uma farta feijoada, 
ou sentimos nosso coração bater mais rápido quando uma luz dife-
rente acende no painel de uma máquina.
Ritmo circadiano
Diz respeito a diversas ações e comportamentos do corpo humano 
que diferem com o período do dia. Engloba coisas como funciona-
mento dos rins e acidez da urina, produção de determinados hor-
mônios, presença do sono e até temperatura corpórea. O corpo reage 
de formas diferentes de manhã, à tarde, à noite e de madrugada, de 
modo que o horário de trabalho vai além de um consenso social para 
determinações fisiológicas. Esses dados, por exemplo, são funda-
mentais para analisar profissionais, como enfermeiros que traba-
lham em turnos de 48h ininterruptos versus 24h de descanso, ou 
profissionais que alternam os horários de trabalho em dias diferen-
tes, conforme escala de turnos, como aeronautas.
139
A ciência, por outro lado, demonstra a existência de pessoas 
matutinas e vespertinas, que grosso modo seriam aquelas que acor-
dam cedo e rendem melhor de manhã em contrapartida de pessoas 
que gostam de acordar tarde e são mais afeitas ao trabalho notur-
no. As respostas fisiológicas delas e seu comportamento interno são 
bem diferentes.
Alimentação
Neste ponto, podemos levar em consideração três itens bastante 
importantes:
as refeições em si – estudos mostram que logo após as refei-
ções, o corpo apresenta menos disposição, uma vez que suas 
funções são voltadas à digestão. Frequentemente, há uma 
menor concentração e até a presença do sono por cerca de até 
uma hora após as refeições. Quaisquer atividades feitas du-
rante esse período devem ter especial atenção para que não 
ocorram erros.
dieta – além disso, o que se come, ou qual tipo de alimentos 
(e sua quantidade) podem afetar, já que determinados ali-
mentos tendem a dar sono, indisposição gástrica, serem de 
lenta digestão etc.
horários das refeições – o corpo humano acostuma-se a 
ingerir alimentos sempre nos mesmos horários. É como se 
ele se preparasse para digerir os alimentos e absorver os nu-
trientes. Se não houver uma constância nessa agenda, o ato 
de alimentar-se será bastante prejudicado gerando outras 
consequências, inclusive de natureza imunológica.
Dormir bem
O ato de dormir todos os dias é fundamental para a sobrevivência 
do ser humano. Quando dormimos, passamos por quatro estágios 
140
sequenciais em que há um aprofundamento do sono: adormeci-
mento, sono superficial, sono profundo e REM. Em cada fase, há 
diferentes respostas fisiológicas com alteração da respiração, ativi-
dades cerebrais e tônus muscular.
Segundo blog do Ministério da Saúde, “é durante este inter-
valo que o corpo fortalece o sistema imunológico, libera a secreção 
de hormônios e consolida a memória, entre outras funções de ex-
trema importância para o funcionamentocorreto do organismo”. 
Em outras palavras, um sono adequado, com duração suficiente e de 
qualidade (passando pelas quatro fases), é fundamental para uma 
boa saúde.
O sono deve ocorrer preferencialmente à noite (devido aos 
fatores circadianos) e sua duração recomenda-se ser de 6 horas a 
8 horas. Entretanto, a rotina da vida moderna, a conexão e interna-
cionalização dos ambientes de trabalho, entre outros fatores, têm 
prejudicado bastante o hábito de dormir das pessoas, de modo que 
elas precisem recorrer a recursos artificiais tanto para conseguir 
dormir, quanto para melhorarem a atenção quando acordadas. Ve-
mos, com frequência, que as horas de sono são subestimadas e re-
legadas a segundo plano, com menos horas para se dormir, horários 
inconstantes e condições ruins como dormir em aviões ou coisas as-
sim. Isto gera estresse cumulativo, que pode trazer diversas doenças 
silenciosas e graves, físicas, fisiológicas e mentais.
Processos cognitivos
Os processos cognitivos referem-se aos processos mentais de co-
nhecimento, aprendizagem e treinamento. Eles estão relacionados 
a toda informação obtida, antes e hoje, e seu processamento e apli-
cação mediante inferências mentais.
O conhecimento é obtido a partir da informação, por meio da 
aplicação dela em processos ou na correlação com outras informa-
ções prévias. O conhecimento pode ser estático, como normas, leis, 
regras etc., ou operacionais, como dirigir, operar uma máquina, 
realizar operações complexas e processos, sendo assim dinâmico e 
passível de adaptações e transformações.
141
No mundo atual, chamado de Era da Informação, o conheci-
mento tornou-se um ativo de grande valor para empresas e profis-
sionais. Por isso mesmo, sua busca e obtenção são foco de intensos 
estudos com desenvolvimento de técnicas que otimizem e lapidem 
esse importante recurso.
A obtenção de informação está relacionada à aquisição, o 
ato de capturá-la e guardá-la, em que será preciso ter bastante cri-
tério para avaliar a qualidade, importância e contribuições que essa 
informação terá na construção de um conhecimento aplicável. Este 
é um grande desafio em meio ao enorme universo de palavras e con-
ceitos dos dias de hoje. Métodos científicos e ferramentas de verifi-
cação e comprovação, são grandes aliados para filtrar a informação 
que chega constantemente.
Em seguida, a partir de um armazenamento da informação, 
temos de organizar modos de recuperá-la, ou seja, conseguir aces-
sá-la. Esse é um processo de organização da informação, com uma 
triagem prévia.
Então, a informação será absorvida e novos conhecimentos, 
ou conhecimentos transformados (personalizados), surgirão, dire-
cionados e empregados em fins específicos.
Processo de aprendizagem
O processo de aprendizagem a partir da obtenção de conhecimen-
tos é um ponto fundamental dentro do conhecimento ergonômico, 
pois lida com a percepção de informações e fenômenos, compreen-
são dos mesmos e emprego do conhecimento adquirido com a ex-
periência ou análise. Todo o processo evolutivo dentro da história é 
pautado na percepção, análise e modificação posterior.
Dentro de uma visão de posto de trabalho, a aprendizagem 
funciona da seguinte forma:
Etapa em que o indivíduo irá conhecer o processo, suas ações 
e sequências corretas, apoiadas por instruções verbais, escri-
tas ou por vídeo.
142
Aqui, vem o treinamento prático, em que inicialmente a parti-
cipação de todo conjunto sensorial (visão, tato etc.) aliados do contro-
le consciente vindo do conhecimento adquirido. Imagine aqui, como 
alguém que está aprendendo a dirigir e, após algumas instruções e 
demonstrações, vai pôr em prática, mas em sua insegurança confere 
várias vezes todos os itens do check list e observa meticulosamente 
cada ação. Com o tempo (e a prática), as ações e procedimentos vão 
sendo incorporados e feitos cada vez mais de forma “automática”, ou 
seja, sem a necessidade de se olhar a cada instante.
Nesta etapa, as ações, movimentos de modo geral, serão re-
finados, ou seja, irá se corrigir pequenos movimentos, gestos, pro-
cedimentos etc. Visa prevenir e eliminar vícios que atrapalhem e 
prejudiquem a execução da tarefa.
Finalmente, após muito treino, os movimentos são “incorpo-
rados” e passa-se a operar no chamado “piloto automático”, ou seja, 
conseguimos realizar a tarefa com a atenção dividida. Por exemplo, 
pense em um músico experiente que executa sua performance sem 
nunca olhar seu instrumento e não errar nenhuma nota, ou um piloto 
de corrida que conversa sobre estratégia com sua equipe ao mesmo 
tempo em que presta atenção aos adversários e dirige seu carro.
Fatores culturais
Um aspecto fundamental que se deve levar em consideração em 
uma análise do ser humano para um trabalho ergonômico é a ma-
triz cultural do operador.
Podemos entender cultura como padrões de comportamento 
firmando em conjunto de valores, conhecimentos, crenças, apti-
dões, qualidades e experiências presentes em uma sociedade (Mel-
lo, 1986 apud Batista, 2010), ou seja, são aquelas características, 
hábitos que vão desde a forma de se relacionar socialmente, como 
de escrever de indivíduos de locais diferentes, seja cidades ou paí-
ses. Além de questões óbvias, como hábitos de higiene, alimentação, 
atos presentes na rotina cotidiana, a matriz cultural de cada indi-
víduo gera padrões de comportamento que interferem diretamente 
nas atividades, em como elas são executadas, nas relações interpes-
soais, na cultura organizacional, tomada de decisões e também for-
mas de encarar e raciocinar sob diversas situações.
143
Assim como vimos em antropometria as diferenças étnicas, 
na parte cultural temos as diferenças comportamentais.
Fatores Humanos Básicos
Diferenças de faixa etária e gênero
Como abordado anteriormente, o corpo humano sofre intensas mu-
danças e transformações ao longo da vida. O comportamento fi-
siológico, a capacidade intelectual e emocional transforma-se nos 
diversos períodos de vida, da infância à velhice. Hoje, a ciência sabe 
que respostas tanto emocionais como fisiológicas (o comportamen-
to hormonal, por exemplo) interferem no desempenho e tomada de 
ações, assim como no aprendizado e execução de tarefas.
Muitas atividades são atribuídas a pessoas mais maduras, 
com mais idade, pois demandam maior assertividade e discer-
nimento, algo contrário a impetuosidade, promovida por opera-
ções fisiológicas e hormonais mais intensas, típicas da juventude. 
A transformação não ocorre apenas no aspecto externo, seja com 
forças ou com a forma, como também no aspecto comportamen-
tal influenciado por mudanças de atitudes promovidas, entre outros 
motivos, pela mudança da química e do comportamento do corpo.
Da mesma forma e corroborando com as afirmações acima, 
há grandes diferenças entre homens e mulheres, em desenvolvi-
mento, físico, emocional, cognitivo e intelectual, assim como atri-
buições e preferências. Não se trata de dizer, como acusam alguns 
leigos, de uma disputa entre quem é melhor ou mais forte, mas de 
se entender que há diferenças naturais que indicam determinadas 
atividades mais a um grupo que a outro, de acordo com as caracte-
rísticas de cada gênero.
Fadiga
O termo fadiga, assim como conforto, é um termo controverso, 
presente em diversas áreas da ciência, com significados, embora 
parecidos, bastante diferentes nos detalhes. Há a fadiga física rela-
cionada ao cansaço, sensação de estafa; há a fadiga em um sentido 
144
mais específico que caracteriza um esgotamento físico que leva à 
incapacidade. Há, também, a fadiga de materiais, conceito presen-
te na mecânica e engenharia que denotam o ponto imediatamente 
anterior à ruptura, e até a fadiga relacionada a estados psicológicos 
provenientes de grande pressão emocional.
O fato é que a fadiga é um fenômeno constante e presente 
nas atividades do dia a dia e, por isso, é necessário grande 
atenção e estudo sobre as suas causas, consequências e for-
mas de prevenir.
Primeiramente, fica claro que a fadiga é resultado dede in-
teriores e professor universitário de graduação e pós-graduação.
Currículo Lattes
Link: 
http://lattes.cnpq.br/1555463353903572
http://lattes.cnpq.br/5007012257304396
Carolina de Souza Teixeira Mérida.
Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade 
Federal do Rio de Janeiro FAU/UFRJ (2007). Realizou intercâmbio 
acadêmico na L’École Nationale Supérieure d’Architecture de Bretag-
ne, França (2003/2004). É mestre em Urbanismo pelo Programa de 
Pós-graduação em Urbanismo, PROURB/FAU/UFRJ (2010). Realizou 
intercâmbio acadêmico no Institut für Europäische Urbanistik Bauhaus 
Weimar, Alemanha (2008/2009).
Organizadora
Patrícia Barbosa Acioli Novaes
Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetu-
ra e Urbanismo de Pernambuco (FAUPE), mestre em Ergonomia pela 
UFPE, sob a linha de pesquisa Ergonomia e Usabilidade do Ambien-
te Construído, voltada para área de acessibilidade e inclusão, possui 
MBA em Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e é Especia-
lista em Educação à Distância com Foco em Metodologias Digitais. 
Atua no mercado desenvolvendo projetos de arquitetura e acessibili-
dade, além do trabalho como docente em cursos de graduação.
Currículo Lattes
Link: 
https://lattes.cnpq.br/1643993872203517
UN
ID
AD
E
1
Fundamentos 
de Ergonomia, 
Antropometria 
e a Percepção 
Ambiental
Objetivos
1. Conhecer os fundamentos de Ergonomia;
2. Compreender a importância da Antropometria e como ela 
atende aos requisitos físicos de adequação de projeto;
3. Entender como os estudos da percepção ambiental podem au-
xiliar na explicação das sensações transmitidas ao ser huma-
no pelo ambiente e seu entorno.
Imagem: adaptado de Freepik.
Introdução
Olá, estudante! Seja bem-vindo(a) à primeira etapa de estudos da 
disciplina Ergonomia e Acessibilidade. 
Neste material, proporcionaremos uma introdução aos funda-
mentos da Ergonomia, abordando brevemente as origens e a prática 
desta disciplina, assim como os conceitos essenciais associados a ela. 
Você descobrirá, por exemplo, que, ao contrário de outras ciências, a 
Ergonomia possui uma data de fundação definida e integra diversos 
conhecimentos para aprimorar a qualidade de vida, proporcionando 
conforto, saúde, segurança e eficácia nas atividades cotidianas.
Além disso, você terá a oportunidade de conhecer os funda-
mentos da Antropometria, que, na prática, funcionam como uma 
ferramenta de projeto na Ergonomia e no Design. Compreenderá a im-
portância da Antropometria e como ela atende aos requisitos físicos de 
adequação de projeto. Ao final deste material, será possível entender 
como os estudos da percepção ambiental podem contribuir para expli-
car as sensações transmitidas ao homem pelo ambiente e seu entorno.
Em resumo, você perceberá o potencial da Ergonomia como 
uma importante ferramenta de projeto.
Vamos começar? Bons estudos!
15
Apresentando os fundamentos 
de Ergonomia
Na Segunda Guerra Mundial, a tecnologia de combate deu um sal-
to em relação aos conflitos ocorridos até então. Armas modernas e 
mais leves permitiam aos soldados dar vários tiros sem recarregar, 
ou, então, recarregar a munição de forma mais rápida. Equipamen-
tos bélicos ganharam uma paradoxal eficácia de destruição, mas 
exigiram dos operadores algum tipo de treinamento e adaptação ao 
uso. Nos aviões de combate, os cockpits também se tornavam mais 
complexos e os pilotos precisaram despender um esforço cognitivo 
maior (Másculo; Vidal, 2011).
Mas, na medida em que a guerra avançava, uma série de si-
tuações curiosas começou a chamar a atenção de pessoas de dife-
rentes áreas do conhecimento: como podiam profissionais bem 
treinados, alimentados e capacitados para pilotar uma aeronave se 
acidentarem em circunstâncias inexplicáveis? Como eles acabavam 
por destruir seus aviões sem que tenham sido abatidos pelo inimigo 
ou por culpa de alguma pane mecânica?
Essas questões, surgidas em decorrência das operações mili-
tares no contexto das batalhas, podem ser extrapoladas ao cenário 
do trabalho nas indústrias, que começava a se modernizar de forma 
mais acelerada. Como será visto a seguir, a Ergonomia pode trazer a 
resposta para questões como essas.
Evolução histórica
Como toda disciplina, a Ergonomia tem seu contexto histórico par-
ticular. E neste caso específico, isso adquire especial importância, 
não apenas pela informação a respeito, como também pelas curiosi-
dades associadas à sua evolução cronológica. O próprio termo ergo-
nomia aparece primeiramente na literatura em 1857, proposto pelo 
biólogo polonês Wojciech Jastrzebowski, ao unir os termos originá-
rios do grego ergon (trabalho) + nomos (regras), ou seja, as diretri-
zes para a normatização do trabalho (Araújo; Carvalho, Inocêncio, 
2018), o que remeteria ao processo de planejamento e projeto.
16
Ainda que esse seja o registro mais antigo do termo, a verda-
de é que a Ergonomia existe desde os primórdios das civilizações. 
Desde a época da caverna, o homem procurava ajustar suas ferra-
mentas e seus meios de trabalho, mesmo antes das atividades tra-
balhistas existirem. Quando alguém perdia suas ferramentas em 
uma caçada e o outro tinha a ideia de amarrar um pedaço de cipó ao 
cabo do porrete para melhorar a empunhadura do seu instrumento 
de caça, ele estava, desde então, utilizando princípios de ergono-
mia, embora ainda não soubesse disso. Afinal, estava ajustando o 
porrete às suas necessidades e à natureza da atividade desenvol-
vida. Esse mesmo princípio de adaptação ao uso de determinado 
objeto é usado ainda hoje e insere-se no contexto da usabilidade, 
que estudaremos mais à frente.
Figura 1 - O homem e suas ferramentas
Fonte: Veronica Louro / Shutterstock (2020). 
Alguns séculos depois, o médico italiano Bernardino Ramaz-
zini teria sido o primeiro a realizar estudos a respeito das doenças e 
lesões relacionadas ao trabalho, segundo Francisco Soares Másculo 
e Mario Cesar Vidal (2011). Isso trouxe à tona outro viés da Ergo-
nomia: os processos de prevenção e registro em saúde, segurança e 
higiene ocupacional.
Na virada do século XIX para o século XX, Frederick Wins-
low Taylor empregava seu método de racionalização do trabalho, 
descrito na sua famosa obra Princípios da Administração Científica, 
lançada em 1911. Taylor apresentava, por exemplo, uma abordagem 
que, na prática, buscava a melhor maneira de executar as tarefas 
pelos operários.
17
O que tinha motivação de desempenho produtivo acabava re-
duzindo a fadiga resultante das operações, como ele descreveu no 
processo conhecido como o estudo das pás (Kreitner, 2009) – em 
que estabeleceu um padrão de pá que garantisse uma carga média 
equivalente a 21 libras, ou cerca de 9,5 kg.
No entanto, como Taylor era acusado de falta de embasa-
mento científico em seus estudos fisiologistas, como Jules Amar, 
passaram a verificar, de forma experimental, alguns desses prin-
cípios. Nesse sentido, J. Amar é considerado, hoje, um clássico da 
fisiologia experimental do trabalho. Suas formulações são a base de 
um dos paradigmas da Ergonomia: o homem como transformador 
de energia, ou, como o próprio autor denomina, “o motor humano” 
(Kuorinka, 2000, p. 22).
Mas foi somente com os Aprendizados advindos da Segun-
da Guerra Mundial que a ergonomia passa a adquirir a sua conota-
ção atual: uma conjunção sistemática de esforços entre tecnologia, 
ciências humanas e biológicas para resolver problemas de adequa-
ção de projetos às necessidades humanas. À época, médicos, psicó-
logos, antropólogos e engenheiros trabalharam juntos para resolver 
os problemas causados pela operação de equipamentos complexos. 
Foi o caso, por exemplo, da modernização dos equipamentos de 
oxigenação de pilotos de caças, visto que as máscaras utilizadas se 
mostraram ineficazes em situação de combate. Percebeu-se então a 
necessidade de uma ação interdisciplinar para dar conta do projeto 
de dispositivosum pro-
cesso causado, geralmente, por uma sobrecarga de forças (ou pres-
são) qualquer, ou pelo uso total de dada capacidade além das reservas 
até seu esgotamento. Em todas as definições, essas situações ficam 
claras. Citando casos encontrados na realidade, falando sobre pes-
soas, temos frequentemente trabalhadores que colapsam por uma 
quantidade excessiva de trabalho, pressão, estresse, muito além do 
que suportam, extrapolando limites saudáveis e recomendados de 
segurança. Esses colapsos podem se manifestar por meio de reações 
psicológicas (surtos), uma fratura, um acidente vascular cerebral ou 
um infarto do miocárdio, isso para citar alguns exemplos apenas.
Todo sistema, todo corpo (incluindo-se aí o ser humano) 
opera dentro de um parâmetro de reação aos estímulos. Esse pa-
râmetro, conforme mostra figura a seguir, estabelece uma zona de 
conforto, ou um intervalo suportável em que o sistema, ou obje-
to (ou indivíduo) sofrerá ação de forças e estímulos suportáveis, de 
modo que a regeneração (resiliência) seja superior ao desgaste.
Figura 1 - Zona Neutra
Fonte: Adaptada do editorial Cengage (2023) pelo Grupo Ser Educacional (2024).
145
Quando acontece o contrário, ou seja, a pressão e o desgaste 
são superiores à capacidade de recuperação; então, temos a fadiga, 
que pode culminar com a ruptura.
A ergonomia está presente na preocupação com a saúde de todas 
as pessoas, seja em seu ambiente profissional, seja em casa. Uma 
abordagem ergonômica é estratégica, sendo um importante fator de 
prevenção de acidentes e problemas de saúde. Por conta disso, há um 
foco em campanhas de conscientização por parte de companhias de 
seguro. Para aprofundar seus estudos, sugerimos a leitura do artigo 
“O que é ergonomia e por que você deveria se importar?” publicado por 
uma dessas cias, que trata sobre a questão da ergonomia.
Acessibilidade, aspectos 
físico-ambientais e cognitivos
Enquanto atributo indispensável à sociedade por possibilitar a to-
dos a disponibilidade de alcance indistinto, o primeiro fator da er-
gonomia do ambiente construído a ser estudado é a acessibilidade.
Definição de Acessibilidade
De acordo com a Lei n.º 10.098, de 19 de dezembro de 2000, aces-
sibilidade é definida como a:
possibilidade e condição de alcance para uti-
lização, com segurança e autonomia, de es-
paços, mobiliários, equipamentos urbanos, 
edificações, transportes, informação e comu-
nicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, 
bem como de outros serviços e instalações 
abertos ao público, de uso público ou privados 
PESQUISE
146
de uso coletivo, tanto na zona urbana como na 
rural, por pessoa com deficiência ou com mo-
bilidade reduzida (Brasil, 2000).
De acordo com a redação dada pela Lei n.º 13.146, de 2015, 
define-se pessoa com deficiência como:
[...] aquela que tem impedimento de longo 
prazo de natureza física, mental, intelectual 
ou sensorial, o qual, em interação com uma ou 
mais barreiras, pode obstruir sua participa-
ção plena e efetiva na sociedade em igualdade 
de condições com as demais pessoas (Brasil, 
2015).
A pessoa com mobilidade reduzida é descrita como:
Aquela que tenha, por qualquer motivo, di-
ficuldade de movimentação, permanente ou 
temporária, gerando redução efetiva da mobi-
lidade, da flexibilidade, da coordenação moto-
ra ou da percepção, incluindo idoso, gestante, 
lactante, pessoa com criança de colo e obeso 
(Brasil, 2000).
Figura 2 - Pessoas com deficiência e mobilidade reduzida
Fonte: Freepik (s.d.).
Ou seja, a acessibilidade é a garantia de participação inte-
gral utilitária de espaços e sistemas por parte de todos os indiví-
duos, independentemente do grau de restrição que estes possam 
147
apresentar. Para que esta possa ser atendida nos mais diversos âm-
bitos projetuais, desenvolveu-se o princípio do chamado Desenho 
Universal, que, segundo a Lei n.º 13.146, define-se como “concep-
ção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados 
por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou de projeto 
específico, incluindo os recursos de tecnologia assistiva” (Brasil, 
2015). Conforme a Norma Brasileira ABNT NBR 9050, entende-se 
por tecnologia assistiva, o “conjunto de técnicas, aparelhos, ins-
trumentos, produtos e procedimentos que visam a auxiliar a mobi-
lidade, percepção e utilização do meio ambiente e dos elementos por 
pessoas com deficiência” (ABNT, 2004, p. 4).
Desenho Universal
De acordo com Renata de Assunção Neves e Aline da Silva Olivei-
ra Neves, o Desenho Universal segue sete princípios que devem 
orientar todo o desenvolvimento projetual. São eles:
 • o uso equitativo;
 • a flexibilidade de uso;
 • o uso intuitivo;
 • a informação perceptível;
 • a tolerância ao erro;
 • o baixo esforço físico;
 • o tamanho e o espaço suficientes para o acesso e uso. 
A partir destes princípios, é possível garantir autonomia aos 
usuários independentemente de suas possíveis restrições. Uma vez 
aplicados, constituem ambientes integradores capazes de promo-
ver maior partilha, aprendizagem e trabalho entre as pessoas de-
ficientes e não deficientes, minimizando a segregação entre elas. 
Para tal, faz-se necessário, entretanto, identificar a existência de 
148
elementos que, porventura, prejudiquem a percepção, circulação, 
compreensão ou apropriação dos espaços por parte dos usuários, 
comprometendo o desenvolvimento das atividades por eles ali de-
sempenhadas (Assunção Neves; Oliveira Neves, 2018).
Figura 3 - Ambiente de trabalho integrador
Fonte: Freepik (s.d.).
Para Juliane Calvet e Julia Abrahão (2018), as barreiras arqui-
tetônicas dos ambientes construídos representam uma das maiores 
obstruções para o atendimento dos parâmetros de acessibilidade. 
(Calvet; Abrahão, 2018). De acordo com a Lei n.º 10.098, as barreiras 
nas comunicações e na informação são definidas por “qualquer 
entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que dificulte ou im-
possibilite a expressão ou o recebimento de mensagens e de infor-
mações por intermédio de sistemas de comunicação e de tecnologia 
da informação” (Brasil, 2000).
Normativa
No Brasil, em uma perspectiva normativa, a garantia do princípio do 
Desenho Universal, assim como previsto na Lei n.º 10.098, é respal-
dada pela NBR 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas 
(ABNT), a qual estabelece diretrizes para a acessibilidade em edifi-
cações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos.
149
O objetivo desta norma é estabelecer parâmetros técnicos a 
serem contemplados em projetos, construções, instalações e possí-
veis adaptações de edificações, mobiliários e equipamentos urbanos 
para garantir as condições de acessibilidade. Para tal, foram consi-
derados os parâmetros antropométricos, assim como as diferentes 
condições de mobilidade e de percepção do ambiente. Nesse contex-
to, inclui-se a presença de aparelhos específicos, como: próteses, 
aparelhos de apoio, cadeiras de rodas, bengalas de rastreamento, 
sistemas assistivos de audição ou quaisquer outros que comple-
mentem as distintas necessidades individuais.
Vale ressaltar que à NBR 9050 se relacionam outras normas 
que lhe são complementares em decorrência de suas especificida-
des. São elas:
 • Lei Federal n.º 9.503, de 23 de setembro de 1997, incluindo 
decretos de regulamentação e resoluções complementares – 
Código de Trânsito Brasileiro;
 • ABNT NBR 9077:2001 – Saídas de emergência em edifícios 
– Procedimento;
 • ABNT NBR 9283:1986 – Mobiliário urbano – Classificação;
 • ABNT NBR 9284:1986 – Equipamento urbano – Classificação;
 • ABNT NBR 10283:1988 – Revestimentos eletrolíticos de me-
tais e plásticos sanitários – Especificação;
 • ABNT NBR 10898:1999 – Sistema de iluminação de 
emergência;
 • ABNT NBR 11003:1990 – Tintas – Determinação da aderên-
cia – Método de ensaio;
 • ABNT NBR 13994:2000 – Elevadores de passageiros – Ele-
vadores para transporte de pessoa portadora de deficiência.
150
Aspectos físico-ambientais
Além do atributo da acessibilidade, os aspectos físico-ambientais,como incidência de iluminação natural ou artificial, o uso das cores, 
a regulação da temperatura e a presença de ruído e/ou vibração no 
espaço construído interferem diretamente na qualidade da relação 
de seu usuário com ele. Por serem concretos e, assim, possibilitarem 
maior objetividade na aferição e controle, estes fatores ergonômi-
cos são comumente os mais trabalhados juntos às empresas, uma 
vez que os resultados na qualidade de vida e produtividade de seus 
usuários podem ser diretamente constatados.
Iluminação
A iluminação de um ambiente construído diz respeito à luminosi-
dade que com este é contemplado, seja ela oriunda de fonte natural, 
diretamente do sol e/ou proveniente da reflexão da abóboda celes-
te ou originada de fonte artificial, em geral garantida por meio de 
lâmpadas.
Do ponto de vista funcional, a luminosidade dos espaços deve 
ser condizente às atividades nele realizadas para que não compro-
meta a qualidade de seu desenvolvimento. Um dos pioneiros na 
realização de estudos ergonômicos sobre o tema, a inadequação da 
iluminação nos espaços de trabalho pode gerar fadiga visual, conse-
quente desmotivação, baixa produtividade e, até mesmo, provocar 
acidentes de trabalho.
Assim, o desenvolvimento de um projeto adequado de ilu-
minação, conjugado ao uso das cores, conforme veremos mais à 
frente, torna-se indispensável para a manutenção da qualidade la-
boral dos espaços. Segundo Lida (2005), há três variáveis a serem 
consideradas no seu desenvolvimento: 
 • a quantidade de luz;
 • o tempo de exposição;
 • o contraste entre figura e fundo. 
151
A relação entre estas três variáveis será determinante na 
qualidade espacial de um projeto de iluminação.
Avalia-se que a quantidade de luz pode ser medida pela uni-
dade “lúmen” (lm). Enquanto a eficiência luminosa da luz do dia é 
alta e atinge 100 lumens/watt, a luz artificial tem eficiência muito 
inferior com apenas 15 lumens/watt. Portanto, sempre que possível, 
deve-se privilegiar o uso da iluminação natural, não apenas pelo seu 
desempenho, mas também pela economia.
A quantidade de luz, entretanto, deve ser pensada no projeto 
não apenas em termos absolutos, isto é, na quantidade de luz des-
tinada a um determinado ambiente, mas em como nele se distribui. 
Avalia-se, então, a iluminância, ou seja, a quantidade de fluxo lumi-
noso distribuído uniformemente sobre uma determinada superfície. 
Esta é dada pela unidade de medida lux, que corresponde à quantida-
de de lumens por metro quadrado. Sendo assim, Lux = lm/m2.
É fundamental dosar bem a iluminância nos ambientes in-
ternos de trabalho, pois a fadiga visual e os possíveis acidentes po-
dem ocorrer tanto pela sua escassez como pelo seu excesso a partir 
do ofuscamento. De acordo com a NBR ISO/CIE 8995-1, “Ofusca-
mento é a sensação visual produzida por áreas brilhantes dentro 
do campo de visão, que pode ser experimentado tanto como um 
ofuscamento desconfortável quanto como um ofuscamento ina-
bilitador” (ABNT, 2013, p. 6). Esta sensação visual pode também 
ser causada pela presença de superfícies reflexivas. O ofuscamento 
inabilitador é mais comum em áreas externas, mas pode também 
ocorrer em ambientes internos pela presença de fontes de gran-
de brilho intensidade ou proximidade com janelas, embora nestes 
ambientes fechados a presença de ofuscamento desconfortável é 
mais recorrente.
Conforme mencionado anteriormente, a iluminação do inte-
rior de ambientes de trabalho está contemplada pela NBR ISO/CIE 
8995-1 que estabelece os parâmetros ergonômicos visuais para o 
desempenho de tarefas de modo seguro, eficiente, preciso e confor-
tável por parte de seus usuários.
152
Esta norma esclarece que uma boa iluminação está relacio-
nada com a quantidade e qualidade da iluminação. Considera-se 
não apenas a iluminância, mas também o limite referente ao des-
conforto por ofuscamento e o índice de reprodução de cor mínima 
da fonte de luz para determinar diferentes ambientes de trabalho e 
suas respectivas atividades. 
Cores
As cores são elementos que suscitam efeitos psicológicos nos in-
divíduos nos mais diferentes âmbitos. Quando empregadas no am-
biente construído — e mais especificamente no espaço de trabalho 
— assumem funções específicas, como auxílio de orientação, prin-
cípio de ordenação, sinalização de segurança e podem facilitar as 
atividades ali desenvolvidas.
O princípio de ordenação é garantido quando, em um edifí-
cio, um conjunto de salas é identificado pelo uso de uma determi-
nada cor e as demais áreas, como circulações, áreas de uso comum 
e diferentes setores, são identificados por outras. Este exemplo no 
emprego de cores atribui identidade, legibilidade espacial e, conse-
quentemente, ordena o uso destes espaços. Neste caso, ainda orien-
ta seus usuários que podem claramente identificar rotas de saída 
pelo uso da cor na circulação comum do edifício. 
O emprego de uma cor específica para identificar perigo ou 
alerta promove efeitos psicológicos nos usuários que os fazem es-
tabelecer barreiras não edificadas em relação a determinadas áreas 
construídas e, assim, manter um afastamento permanente delas.
Em alguns postos de trabalho, faz-se necessário destacar vi-
sualmente determinados elementos como botões de acionamento, 
cabos, alavancas, comandos e peças de maquinários. O uso das co-
res, assim, adquire grande importância, sobretudo quando, por ra-
zões próprias aos desenhos destes, possuírem pequenas dimensões 
(inferiores a alguns cm2). Nestas situações, recomenda-se o uso de 
contrastes de cores de modo a facilitar a visualização desses ele-
mentos e reduzir o tempo de seu alcance por parte do usuário.
153
Figura 4 - Importância ergonômica das cores na identificação de comandos.
Fonte: Magadear, Shutterstock, (2019).
Para a criação de atrativos visuais como estes, no entanto, é 
preciso estabelecer um limite de no máximo 5 (cinco) pontos, pois, 
do contrário, ao invés de se destacarem, confundem-se, invalidan-
do, assim, o propósito do uso de cores para este fim. O mesmo prin-
cípio diz respeito ao uso de cores vibrantes como vermelho, laranja 
e amarelo no interior de cômodos. Quando utilizadas pontualmente, 
em elementos específicos, como em molduras de janelas ou portas, 
pilares, rodapés ou frisos, ganham destaque, mas quando aplicadas 
em grandes superfícies, como em paredes ou teto, perdem a ênfase 
e ganham grande peso visual, sobrecarregando o ambiente.
Ainda sobre o uso de cores no interior dos ambientes, é 
preciso verificar qual tipo de atividade predominante será realiza-
da nele, pois o uso de cores vibrantes, quentes, como as já citadas 
— vermelho, laranja e amarelo — provocam muito estímulo e, por 
conseguinte, dispersão; ao passo que cores frias ou neutras, como 
azul, creme, ou tons claros e pastéis são mais propícias à concentra-
ção e à introspecção e têm efeito psicológico tranquilizante. Assim, 
para ambientes de trabalho, que em geral exigem maior foco por 
parte de seus usuários, o uso de cores suaves é mais recomendável, 
tendo em vista a promoção de maior bem-estar para os presentes.
Os efeitos psicológicos que as cores podem causar nos in-
divíduos são em boa parte associações inconscientes com situa-
ções vivenciadas ou presenciadas, no entanto, podem também ter 
154
relação com traços hereditários e pré-disposições psíquicas, de 
modo a influenciar comportamentos. As cores podem desencadear 
emoções, como o medo, a angústia, a raiva, o prazer, a sensação de 
bem-estar, a segurança, de acordo com o significado que cada cor 
assume para cada um.
Entretanto, segundo Eva Heller (2013), independentemente 
de subjetividades e de seu emprego, as cores, por si só, historica-
mente, já carregam um significado comunicante próprio:
 • amarelo: cor primária em cor-pigmento, é formada pela mis-
tura de vermelho e verde em cor-luz. É a cor representativa do 
sol do ouro, simbolizando riqueza. Em tons dourados, asso-
cia-se ao deus Zeus/Júpiter, senhor dos raios, governante dos 
céus e terras.Também representativa do feminino, Deméter/
Ceres, deusa da fertilidade e das colheitas de trigo. É uma cor 
vibrante que suscita alegria, entusiasmo, clareza e cuidado. 
É uma cor comumente empregada em situações que buscam 
reter a atenção dos consumidores. Em função de seu caráter 
expansivo, proporciona maior amplitude dos espaços quando 
aplicada em interiores. Na comunicação visual, quando asso-
ciada à cor preta, indica alerta, sendo empregada na sinaliza-
ção de trânsito;
 • azul: cor primária, cor-luz/cor-pigmento. Em diversas cul-
turas está associada ao poder divino, ao absoluto, pois é a cor 
do céu e também do mar. Na mitologia clássica, aos deuses 
Ouranos/Urano e Poseidon/Netuno. Também no cristianis-
mo relaciona-se à divindade e à pureza. A expressão “sangue 
azul” designada aos nobres estava diretamente relacionada 
ao caráter absoluto da cor. Comunidades europeias do passa-
do possuíam a tradição de pintar as casas de jovens em ida-
de de casamento de azul como indicativo de pureza. Os tons 
mais claros transmitem calma, suscitam a contemplação e, 
geralmente, são empregados em locais que inspiram repouso 
e descanso. Os tons mais escuros simbolizam poder e devido 
à sua origem, a cor também transmite a ideia de segurança, 
confiança e eficiência e é, portanto, amplamente apropriada 
155
pelos mais variados segmentos que desejam transmitir credi-
bilidade às suas marcas;
 • laranja: cor secundária em cor-pigmento resultante da fusão 
do vermelho com o amarelo. Por ser a mistura de duas cores 
vibrantes, também é uma cor extremamente estimulante. No 
Budismo, representa o símbolo da iluminação e do mais alto 
grau supremo de perfeição. Extremamente enérgica, é uma 
cor que remete ao lúdico e à sociabilidade, transmitindo entu-
siasmo. Pensando nisso, nos dias de hoje é comumente mais 
empregada em ambientes juvenis;
 • marrom: cor terciária que em cor-pigmento se dá pela mistu-
ra de vermelho e preto. É, simultaneamente, uma cor quente, 
portanto, vibrante e tranquilizante. Remete à terra e também 
à madeira, transmitindo, assim, a ideia de estabilidade, soli-
dez e humildade. Associa-se, ainda, à melancolia e à aflição, 
estando presente em ambientes internos, sobretudo por meio 
do uso da madeira;
 • vermelho: cor primária, cor-luz e cor-pigmento, associada 
ao poder e à luta, cor do sangue, fogo e paixão. Na mitologia 
greco-romana, é a cor de Dionísio/Baco, deus dos prazeres; 
e de Ares/Marte, deus da guerra. No Japão, representa a ale-
gria. Relaciona-se, também, ao amor, a partir de sua variante 
menos saturada, a cor rosa, associada à deusa Afrodite/Vênus. 
É uma cor extremamente estimulante e produz o senso de 
urgência. Por esta razão é muito empregada em marcas que 
pretendem atrair clientes compulsivos. Seu caráter excitan-
te também torna próprio seu uso nos mais variados eventos e 
festividades. É comumente empregada em restaurantes, uma 
vez que aguça o apetite. Indica perigo e sinaliza proibição de 
modo a estar presente em indicações de incêndio, como insta-
lação de extintores ou saídas de emergência;
 • verde: cor primária em cor-luz e secundária em cor-pigmen-
to oriunda da mistura entre amarelo e azul. É frequentemente 
associada à natureza e à esperança, à deusa Ártemis/Diana. 
Para os chineses, simboliza Yang, o feminino, a esperança e a 
156
cura. Para os muçulmanos, é a cor do conhecimento. Durante 
a Idade Média, simbolizava a razão e, paradoxalmente, a lou-
cura. Nos dias de hoje, relaciona-se às causas ambientais, re-
mete ao dinheiro e, igualmente, ao equilíbrio. Permite grande 
variação na escala de saturação, dessa forma, em tons mais 
claros, é extremamente tranquilizante, mas em mais escuros, 
com maior saturação, assume o caráter estimulante. Em in-
teriores os tons claros são normalmente usados em locais de 
repouso e os escuros em ambientes de estudo e trabalho;
 • violeta: cor secundária em cor-luz e cor-pigmento, pode ser 
obtida pela fusão entre azul e vermelho. Também denomina-
da como lilás, roxo, púrpura e carmim, é de presença rara na 
natureza e, usualmente, está vinculada ao caráter espiritual, 
à temperança e também ao poder, pois na Antiguidade era de 
uso exclusivo dos governantes. No império Romano, o uso da 
cor púrpura sem a autorização prévia poderia levar à senten-
ça de morte. Relacionada à deusa Athena/ Minerva, os gregos 
associavam-na à sobriedade e à sabedoria. Para os cristãos, 
representa a Paixão de Cristo e é empregada nas igrejas du-
rante o período quaresmal em caráter penitencial. Nos tem-
pos atuais, a cor adquire um sentido mais profano por remeter 
à magia e à sensualidade. Por ser uma cor de pouca adesão, 
é normalmente empregada quando busca distinção do con-
vencional e expressa, então, criatividade e inovação. Em tons 
saturados no interior de ambientes, evoca sentimentos, como 
angústia, vaidade, melancolia e ganância;
 • preto: é a ausência da luz, portanto, uma cor sob a perspec-
tiva física e o que se define como cor-pigmento é apenas uma 
aproximação do preto absoluto, já que este inexiste na nature-
za em condições naturais. Em diversas culturas está associada 
à obscuridade e às ideias de morte, luto, tristeza, perda, e toda 
a espécie de malignidade. Na mitologia greco-romana, está 
associada ao deus Hades/Plutão. Na atualidade, relaciona-se 
às ideias de poder e luxo, transmitindo elegância e sofistica-
ção. Em interiores, expressa precisão, firmeza e sobriedade, 
transmite a ideia de responsabilidade, além de atribuir maior 
peso às formas e aos volumes nos quais é aplicada;
157
 • branco: é a síntese de todas as luzes coloridas ou a união de 
uma cor-luz com sua complementar. Expressa neutralidade 
e a própria ideia de luz sendo representada pelo deus Apo-
lo/Jano na mitologia greco-romana. Relaciona-se à higiene, 
limpeza e saúde. Representa o princípio da transição, seja ele 
o nascimento ou a morte. No Oriente, representa o luto. Os po-
vos primitivos interpretavam a cor branca como sinônimo de 
vida e pureza por ser a cor da farinha e do leite. Também pode 
personificar a paz, a exemplo da bandeira da Organização das 
Nações Unidas (ONU). No interior dos ambientes, proporciona 
leveza e amplidão espacial e é muito apropriada em espaços 
que dispõem de pouca iluminação. Pode ser muito clara, ab-
sorve pouco calor e reflete muita luz, o que a torna eficiente 
para o emprego em áreas externas de uma edificação, com o 
intuito de reduzir a temperatura no interior deste.
Temperatura
A temperatura é um dos principais fatores a ser considerado no am-
biente construído para lhe garantir qualidade de uso, sobretudo no 
que diz respeito ao espaço de trabalho.
Segundo Roriz (2001), a sensação humana de conforto tér-
mico não é objetiva e conjuga diversos fatores. Dos fatores ambien-
tais, destaca-se a temperatura de bulbo seco (TBS), temperatura 
média radiante (TRM), umidade relativa do ar (UR) e velocidade 
do ar. Estes são conjugados aos fatores próprios de cada indivíduo 
no decorrer de sua atividade laboral, como a sua taxa metabólica, 
as características desta atividade e o grau de isolamento promovido 
pelo vestuário utilizado.
Há postos de trabalho que se caracterizam por temperaturas 
extremas, sejam elevadas, como em carvoarias, fábricas de cerâmi-
cas ou siderúrgicas, ou temperaturas muito baixas, como em frigo-
ríficos, por exemplo. Nestes locais de trabalho, o uso de vestuário 
adequado para a devida proteção térmica torna-se imprescindí-
vel, uma vez que expõe seus usuários a condições de insalubridade, 
ou seja, a circunstâncias que podem acarretar prejuízo à saúde do 
158
trabalhador. Há também aqueles em que a umidade do ar pode ser 
muito elevada, como no caso de tecelagens, e, ao contrário, extre-
mamente seca, como ocorre em indústrias de cerâmicas. Situações 
de umidade extremada são igualmente prejudiciais à saúde de seus 
trabalhadores.
A sensação térmica de um indivíduo em seu ambiente de tra-
balho pode variar de acordo com a aclimatização da pessoa aolocal, 
idade, sexo, alimentação, metabolismo, conformação física, ves-
tuário e com o tipo de atividade por ele desempenhada neste local. 
Considera-se que uma situação de conforto foi alcançada quando 
95% dos usuários de um ambiente manifestam satisfação.
Diante da necessidade no estabelecimento de critérios para melhoria 
das condições climáticas dos ambientes de trabalho foi estabelecida 
a Portaria que determinou a Norma Regulamentadora Nº 15 que se 
refere às “Atividades e Operações Insalubres”. O anexo 3 (três) corres-
ponde aos limites de tolerância para a exposição ao calor.
Ruído
O ruído é um dos tópicos mais importantes da saúde ocupacional, 
pois quando excessivo pode levar à fadiga auditiva, causar efeitos 
psicofisiológicos negativos, relacionados ao estresse psíquico, como 
perturbação da atenção e do sono, sintomas neurovegetativos, tais 
como taquicardia e aumento da tensão muscular e, até mesmo, pro-
mover lesões do aparelho auditivo dos indivíduos.
Em linhas gerais, entende-se ruído como o som indesejável 
e desagradável que pode ter como fonte motores ou sirenes de au-
tomóveis ou motocicletas, aparelhos telefônicos ou, ainda, pessoas 
em diálogo.
PESQUISE
159
Assim como a temperatura, o ruído é normatizado pela NR 
15, que define os parâmetros de tolerância no ambiente de trabalho. 
Pode ser classificado como contínuo ou intermitente e é medido 
em decibéis (dB).
No ambiente de trabalho, o ruído pode ser controlado por 
três meios:
 • pela fonte emissora;
 • pelo meio de propagação;
 • pelo receptor.
O controle pela fonte pode estabelecer-se, principalmente, 
pelas seguintes medidas:
 • alteração nos processos produtivos de modo a substituir 
os equipamentos promotores de ruído por outros mais 
silenciosos;
 • manutenção constante e adequada dos equipamentos que 
sejam fonte de ruído, como a regulagem de motores e estru-
turas dos equipamentos de modo a atenuar suas vibrações, 
a lubrificação eficaz de rolamentos mancais, substituição de 
engrenagens metálicas por plásticas ou em Celeron;
 • redução de impactos destes equipamentos.
Caso não seja possível controlar a fonte, uma segunda possibi-
lidade é a aplicação de medidas ao meio de propagação. Uma delas é 
o isolamento acústico da fonte de modo a impedir que o ruído se pro-
pague a partir dela. O melhor resultado é atingido quando as barrei-
ras internas são revestidas por materiais absorventes do som, como 
cortiças, espumas ou outros que tenham porosidade e reentrâncias e 
a face externa revestida com material isolante, como alvenaria.
160
Figura 5 - Placa adesiva de espuma para isolamento acústico.
Fonte: Mehmet Cetin, Shutterstock (2019).
O terceiro modo de controle do ruído dá-se por meio do 
próprio receptor e deve ser adotado apenas como último recurso 
ou, ainda, em caráter complementar aos demais, caso estes não se-
jam suficientes para restringir o ruído de modo eficaz. Recomenda-
-se, portanto:
 • limitar o tempo de exposição do receptor a níveis superio-
res a 85 dB;
 • utilização de protetores auriculares: trata-se de um equi-
pamento de proteção individual;
 • realização periódica de exames audiométricos.
Vibrações
A vibração é um dos fatores ergonômicos físicos ambientais me-
nos difundidos, uma vez que tem menor incidência em postos de 
trabalho quando comparado aos demais já analisados. Os prejuízos 
decorrentes da exposição dos usuários dos ambientes construídos 
em que ocorrem, entretanto, são igualmente significativos, logo, 
requerem similar atenção.
161
A vibração pode ser definida como o estímulo físico em mo-
vimento provocado por algum instrumento ou estrutura do posto 
de trabalho em seu usuário. É possível identificá-las no manejo de 
britadeiras, furadeiras, caminhões ou tratores.
Sua influência no conforto, segurança e saúde dos indivíduos 
está relacionada a alguns aspectos, tais como:
 • modo de transmissão:
- conjunto do corpo;
- parte do corpo ou Manu braquiais (mãos e braços).
 • características das vibrações:
- direção;
- frequências;
- amplitudes.
 • tempo de exposição e de sua repetição:
- breve ou longa duração;
- contínua ou intermitente.
Os efeitos da exposição contínua às vibrações podem acar-
retar problemas de saúde graves, a saber:
 • interferência respiratória;
 • dor no corpo e no abdômen, reações musculares, ranger de 
dentes;
 • tensão muscular, dores de cabeça, oculares, e na garganta, 
perturbação da fala, irritação dos intestinos e rins, podendo 
até mesmo levar ao deslocamento destas estruturas internas;
 • lesões neurológicas;
162
 • estiramento dos ligamentos de suporte dos grandes órgãos, 
provocando danos aos tecidos e aparecimento de traços de 
sangue na urina;
 • hemorroidas;
 • prejuízo ao sistema auditivo;
 • diminuição da agilidade manual, da força muscular e da sen-
sibilidade térmica.
Para a eliminação da fonte de vibração nas operações labo-
rais, recomenda-se o isolamento e a proteção do usuário por meio 
do uso de equipamento de proteção individual (EPI), como botas e 
luvas especiais, além de pausas nas atividades que necessitem des-
ses equipamentos. Quando a vibração for contínua, devem ser pro-
gramadas pausas 50/10, ou seja, para cada 50 minutos de atividade 
laborativa é recomendável dez minutos de pausa.
Figura 6 - Uso de equipamento de proteção individual para vibração.
Fonte: macrovector, Freepik (s.d.).
163
Não há uma normativa por parte da Associação Brasileira de 
Normas Técnicas (ABNT) que diz respeito às vibrações. A avaliação 
do grau de comprometimento da vibração no organismo humano é 
estabelecida pelas seguintes normas internacionais:
 • ISO 2631: refere-se a todo o corpo do indivíduo;
 • ISO 5349: refere-se as mãos e aos braços;
 • ISO 8041: referente à instrumentação.
Psicologia no trabalho e 
processamento de informações
No que se refere à ergonomia do ambiente construído, grande par-
te dos profissionais atuantes tem considerado o ambiente sob um 
ponto de vista mais mecanicista, dando maior ênfase às necessida-
des funcionais do indivíduo. Nesse sentido, dá-se visibilidade mais 
especificamente aos aspectos físicos ambientais, ou seja, o conforto 
térmico, acústico e lumínico, por serem estes historicamente mais 
trabalhados na arquitetura. Entretanto, faz-se igualmente neces-
sário compreender os aspectos psicológicos que envolvem os am-
bientes de trabalho.
Ergonomia Cognitiva
Chamamos este campo do conhecimento e atuação de ergonomia 
cognitiva, a qual se concentra sobre os estudos de como os indi-
víduos processam as informações das quais dispõem para desen-
volverem suas atividades em seu espaço laboral. Esta área abarca 
processos perceptivos, mentais e motores.
A cognição está relacionada à aquisição de conhecimento e 
pode ser definida como o modo de identificar, apreender, associar, 
organizar e exprimir informações no processo de resolução de pro-
blemas. Dessa forma, está diretamente relacionada ao modo como 
164
um indivíduo reconhece, desenvolve e comunica as informações das 
quais dispõe como meio de adaptação ao contexto em que vive.
A etapa do reconhecimento está diretamente associada aos 
órgãos sensoriais que captam os mais diferentes estímulos do meio 
externo, como sons, cores, sabores, odores, texturas, organizando-
-os como informação por meio de percepções individuais. A resul-
tante deste processamento se revelará por meio de movimentos e 
de ações comportamentais.
O processo de aquisição do conhecimento estabelece-se a 
partir do desenvolvimento das aptidões e potencialidades de cada 
indivíduo. Com isso, denomina-se inteligência o nível e o grau de 
conhecimento que cada um apresenta. Em outras palavras, a inte-
ligência pode ser definida como o conjunto de habilidades desen-
volvidas por um indivíduo na resolução de questões ou, ainda, a 
capacidade de criar alternativas para o alcance de seus propósitos.
O campo cognitivo é permeável e adaptável ao ambiente em que 
o indivíduo está inserido. Isso implica que está sujeito a mudançascontínuas ao longo da vida de cada pessoa, embora durante a juven-
tude possua uma maior capacidade de adaptação do que em estágios 
de idade mais avançados.
No que diz respeito às atividades laborais, faz-se indispen-
sável o processo de aprendizagem que estão definidos em três do-
mínios individuais e intransferíveis, a saber:
• cognitivo
Princípio organizador para a realização de tarefas pela aprendizagem;
• afetivo
Relacionado às atitudes, apreciações, interesses, valores, emoções 
concernentes ao processo de aprendizagem e ao conhecimento a ser 
adquirido;
CURIOSIDADE
165
• psicomotor
Refere-se às atividades motoras ou musculares a partir da manipu-
lação de ferramentas, instrumentos e objetos.
No processo de aprendizagem no domínio cognitivo, a com-
preensão requer do aprendiz a habilidade de assimilar informações 
prévias para apresentá-las de maneira distinta, podendo ampliá-
-las ou reduzi-las. A aplicação envolve a capacidade de utilizar in-
formações genéricas de forma apropriada em um contexto novo e 
específico. A análise corresponde a um nível mais avançado de com-
plexidade e destaca a habilidade de desmembrar a informação em 
partes: elaborar hipóteses, identificar enunciados não explícitos e 
perceber as inter-relações e os princípios que as governam, isto é, 
supor, reconhecer diferentes pontos de vista e inferir sobre um con-
ceito apresentado.
Memória e linguagem no trabalho
O processo de aprendizagem pressupõe um encadeamento de fa-
tores a serem assimilados e acomodados por parte do aprendiz que 
irá desempenhar uma determinada função. Este processo é intrans-
ferível e uma vez vivenciado jamais é esquecido. Ou seja, é de com-
petência exclusiva do aprendiz e uma vez plenamente apreendido 
estará internalizado. O distanciamento da prática e /ou conteúdo 
pode levar a uma redução na velocidade ou habilidade para realiza-
ção de determinada tarefa ou função, mas não no seu esquecimento.
De modo geral, existe uma grande conscientização por par-
te dos profissionais da segurança do trabalho sobre os processos de 
aprendizagem organizacional, bem como sobre o desenvolvimento 
cognitivo. Há um conhecimento difundido sobre a adequação dos 
estímulos para a aprendizagem no ambiente de trabalho que refuta 
tanto a subcarga quanto a sobrecarga mental a qual a maior parte 
dos trabalhadores está rotineiramente sujeita. Faz-se necessário, 
portanto, que os processos organizacionais mais tradicionais sejam 
revistos para que uma plena adequação à complexidade e não linea-
ridade característica dos modos de aprendizagem possa se estabele-
cer e servir de estímulo à criatividade inerente a todos os indivíduos.
166
Prezado(a) estudante, estamos concluindo mais uma fase de estu-
dos da disciplina Ergonomia e Acessibilidade. A seguir, faremos 
uma síntese do que foi abordado nesta unidade. Vamos lá!
Neste material, você teve a oportunidade de aprender o que é Er-
gonomia, sua composição, origem e evolução. Além disso, estuda-
mos sobre o ser humano, suas medidas e diferenças, especialmente 
quando nos aprofundamos no tema Antropometria.
Prosseguindo com nosso conteúdo, discutimos os conceitos de fa-
tores humanos, ou seja, as características fisiológicas e mentais do 
homem. Você também pode adquirir conhecimento sobre normas, 
análise de postos de trabalho e a importância de projetá-los com 
ênfase no usuário e em suas atividades.
Por fim, abordamos o conceito de acessibilidade e os princípios do 
Desenho Universal. Apresentamos os aspectos físico-ambientais do 
ambiente construído, incluindo parâmetros de conforto lumínico e 
térmico, além de aspectos relacionados à segurança dos trabalha-
dores expostos a ruídos e vibrações, e à ergonomia cognitiva.
Lembramos que, caso surjam dúvidas, não hesite em contatar seu(-
sua) tutor(a). Ele(a) está disponível para auxiliá-lo(a).
Desejamos bons estudos e esperamos encontrá-lo(a) na próxima 
etapa de aprendizado.
Até lá!
SINTETIZANDO
UN
ID
AD
E
4
A interdisciplinaridade 
da Ergonomia, 
suas aplicações e 
metodologias
Objetivos
1. Compreender a interdisciplinaridade da Ergonomia e sua 
aplicação;
2. Conhecer o Sistema Humano x Tarefa x Máquina e o Método 
de Análise Ergonômica do Ambiente Construído — MEAC;
3. Entender a estrutura de cada um destes instrumentos em suas 
diferentes fases, suas definições e objetivos específicos;
4. Compreender a relação da ergonomia com questões de segu-
rança, conforto, e bem-estar no ambiente construído.
168
Introdução
Olá, caro(a) aluno(a)!
Seja bem-vindo(a) a mais uma etapa de estudos da discipli-
na Ergonomia e Acessibilidade. Entre os diversos conteúdos que 
veremos nesta unidade, você vai conhecer, aqui, um pouco sobre a 
interdisciplinaridade da ergonomia e sua aplicação a partir de cor-
reção de atividades existentes em postos de trabalho, ou seja, por 
meio do estudo de condições locais de trabalho (ambiente, máqui-
nas e operador), se determinará pontos problemáticos que serão re-
solvidos com as intervenções ergonômicas.
O ponto alto dessa unidade é o estudo das Metodologias SHTM 
e MEAC. Sendo assim, você vai conhecer o Sistema Humano x Tarefa 
x Máquina e o Método de Análise Ergonômica do Ambiente Construí-
do — MEAC, dois importantes instrumentos de análise constitutivos 
do campo disciplinar da Ergonomia do Ambiente Construído no Brasil. 
Além disso, você também vai entender a estrutura de cada um destes 
instrumentos em suas diferentes fases, suas definições e objetivos es-
pecíficos diante do propósito geral de proporcionar segurança, confor-
to, bem-estar e maior produtividade aos espaços de trabalho.
Bons estudos!
169
Interdisciplinaridade da ergonomia e sua 
aplicação
Pela sua natureza, a ergonomia é uma ciência interdisciplinar, ou 
seja, ela é composta de conhecimentos provenientes de diversas 
áreas científicas, ao mesmo tempo em que sua área de atuação 
abrange essas mesmas áreas. Dentro de seu foco de análise, das in-
terações entre homem-máquina-ambiente, podemos dividi-la em 
três tipos. Vejamos!
 • Ergonomia Física
A chamada Ergonomia Física é responsável pela compreensão 
da ergonomia dentro das características da anatomia huma-
na, antropometria, fisiologia e biomecânica, relacionadas ao 
comportamento e resposta do corpo humano mediante a exe-
cução e a extensão de seus movimentos. É por meio da Ergo-
nomia Física que compreendemos como os músculos atuam, 
seu grau de força, estresse e alcance, bem como a resposta do 
sistema fisiológico a estímulos externos, como cheiros, ruí-
dos, partículas, mudanças de temperatura etc., além de ma-
pear e compreender as diversidades físicas apresentadas por 
diversas etnias, faixas etárias e gêneros.
 • Ergonomia Cognitiva
A Ergonomia Cognitiva trata de processos mentais, como 
aprendizado, raciocínio, percepção, memória e sua consequen-
te resposta motora. Incluem tópicos como carga mental, toma-
da de decisões, respostas lógicas, interação homem-máquina, 
resposta sob estresse e processo de aprendizagem, raciocínio e 
processamento de inferências e correlações mentais.
 • Ergonomia Organizacional
A Ergonomia Organizacional é a área da ergonomia mais atual 
que temos. Com ela, aborda-se os processos de interação 
entre pessoas, ambiente de trabalho, estruturas organiza-
cionais, políticas e processos presentes nas empresas. Este tó-
pico é bastante relevante, pois leva em consideração aspectos 
comportamentais e emocionais que até alguns anos atrás não 
eram considerados como estudos ergonômicos.
170
Metodologias de abordagem
Como visto anteriormente, a ergonomia é um estudo que tanto pode 
ser aplicado em uma etapa de elaboração do projeto (ergonomia de 
concepção) como com o edifício já pronto e operando (ergonomia de 
correção). Na primeira forma, aplicamos os conceitos, vistos ante-
riormente, como mais um ingrediente durante a criação e desenvol-
vimento do projeto. Mas e quanto aos projetos que já estão prontos? 
Edifícios antigos, anteriores a um estudo mais detalhado da ergo-
nomia oulocais em que, em sua concepção inicial, simplesmente 
se ignoraram tais conceitos, seja por negligência, seja por custo ou 
falta de preparo. Para estes locais, temos procedimentos específicos 
de correção a serem aplicados por meio de diferentes abordagens.
É importante não esquecer que a ergonomia engloba várias ciências 
e que é fundamental a compreensão holística do ser humano em seu 
local de trabalho, integrando as áreas de conhecimento relativas ao 
estudo do ser humano, para uma correta compreensão do problema 
e posterior solução.
Veremos, agora, algumas formas de abordagem para uma 
análise ergonômica.
Abordagem sistêmica da Ergonomia
Para entendermos a abordagem Sistêmica da Ergonomia, temos 
que entender a Teoria Geral dos Sistemas, proposta por Ludwing 
Von Bertalanffy (1901-1972). Segundo a TGS, como ficou conhecida, 
um sistema é o “conjunto de unidades em inter-relações mútuas” 
(Bertalanffy, 1977, p. 57), ou seja, são partes diversas que trabalham 
em mútua cooperação, de forma integrada e interdependente, para 
a evolução do todo, que é o sistema, visando a um objetivo. Pelo 
IMPORTANTE
171
próprio conceito em si, expandindo-se para um enfoque macro, a 
teoria sistêmica tem muitos pontos em comum com a ergonomia, 
dado que ambas são interdisciplinares e que seus leques de conheci-
mentos conduzem a uma melhora de um ponto específico composto 
e influenciado por muitas partes.
De um modo mais claro, quando propomos um olhar ergo-
nômico a um projeto, seja na concepção, seja em uma correção de 
algo existente, passamos a ter uma compreensão de que esse objeto 
específico (um posto de trabalho, por exemplo) é composto por di-
versos elementos diferentes e interconexos, e que para transformar 
este elemento (objetivando a evolução dele), teremos de considerar 
e alterar muitos outros pontos.
Um sistema é composto por muitos elementos (Iida, 2005, p. 
26). Vejamos a seguir alguns deles.
 • Fronteira: elementos dentro do sistema que, por sua vez, po-
dem ser um microssistema.
 • Interações: relações entre as partes.
 • Entradas (Inputs): variáveis independentes que podem in-
fluenciar o sistema.
 • Saídas (Outputs): variáveis dependentes do sistema.
 • Processamento: ações dentro dos subsistemas que transfor-
mam entradas em saídas.
 • Ambiente: como o nome diz, o meio em que o sistema está 
inserido.
Para nosso estudo, podemos considerar que a ergonomia tra-
balha basicamente como um sistema homem-máquina-ambien-
te, em que temos um indivíduo exercendo uma atividade utilizando 
instrumentos, ferramentas ou operando uma máquina (ou a frente 
de um painel de comandos ou computador), em um local determi-
nado e preparado para isso. São muitas as variáveis presentes, desde 
a temperatura do ar-condicionado, até o design do instrumento que 
irá facilitar ou não seu manuseio, ou a cadeira em que o operador se 
senta. Esse tipo de análise será mais explicado a frente.
172
Antes de prosseguirmos, cabem mais alguns apontamentos 
sobre a lei dos sistemas. Dado que a Teoria Geral dos Sistemas é bas-
tante abrangente, iremos elencar apenas as informações pertinentes.
Para complementar os seus estudos, leia o artigo “Uma Abordagem 
Sistêmica da Ergonomia”, de June Tabah e Maria Zita Figueiredo 
Gera, publicado nos Anais do 7º Congresso Brasileiro de Sistemas, 
em 2011.
Princípios Básicos da Abordagem de Sistemas
O primeiro ponto é identificar os elementos constituintes do siste-
ma, pois estes serão elementos unitários que podemos considerar 
como subsistemas. A partir disso, é possível identificar, classificar 
e descrever as relações entre os elementos ou subsistemas, fazendo 
as devidas conexões, de modo que se ajustem logicamente.
Trata-se de um trabalho de análise que sempre deve ter em 
vista o todo. Assim, cada subsistema é um sistema próprio que faz 
parte de um sistema maior que o contém, e a mudança de qualquer 
um desses elementos irá repercutir no todo, exatamente por conta 
dessa interconexão.
O sistema macro opera a partir de um objetivo que é compos-
to por micro entregas de cada subsistema. Quanto maior o número 
de subsistemas, maior será a necessidade de uma coordenação das 
partes. Além disso, a quantidade é arbitrária e depende de cada si-
tuação, segundo sua demanda e objetivo.
Sendo assim, todas as subpartes do sistema sempre procuram 
o equilíbrio e a harmonia, ou seja, se uma parte não funciona bem, 
deverá haver uma compensação por parte dos outros subsistemas 
PESQUISE
173
para que se mantenha o equilíbrio e para que o sistema consiga 
atingir seu objetivo.
Em uma abordagem analítica clássica, o todo é decomposto 
em partes simples, que são estudas separadamente, com o objetivo 
de se explicar o todo, que seria, obviamente, a soma da aplicação das 
partes. Já na abordagem sistêmica, todo fenômeno é parte de um fe-
nômeno maior, ou seja, o sucesso de um sistema depende não só do 
desempenho de cada parte separada, mas, principalmente, de sua 
inter-relação. Em outras palavras, a importância recai sobre o todo, 
o conjunto em detrimento da importância individual de cada parte.
A análise sistêmica, portanto, é fundamental para a com-
preensão de um posto de trabalho por um viés de ergonomia, pois, 
em sua abordagem, ela irá considerar todos os fatores como condi-
ções do local (luminosidade, temperatura, ruídos, limpeza, assim 
como circulação e ventilação), o mobiliário (mesas, cadeiras, su-
porte de aparelhos etc.), o usuário e o ambiente de trabalho.
Postos de trabalho
Quando falamos de postos de trabalho, estamos falando efe-
tivamente do local de trabalho e numa abrangência maior do local 
em que qualquer atividade é realizada, seja ela qual for. De acor-
do com o engenheiro de produção Itiro Iida (2005, p. 189), o posto 
de trabalho é “a configuração física do sistema homem-máquina-
-ambiente. É uma unidade produtiva envolvendo um homem e o 
equipamento que ele utiliza para realizar o trabalho, bem como o 
ambiente que o circunda”.
No entanto, devemos ficar atentos, pois a ergonomia, embora 
tenha grande destaque, não é uma ciência exclusiva da segurança do 
trabalho, ou seja, ela pode ser empregada no ambiente doméstico ou 
mesmo de lazer, de forma que se aplique em qualquer ação do nosso 
dia, desde alimentar um bebê, ver um filme na TV ou cozinhar. Den-
tro dessa mesma preocupação, podemos considerar cada um desses 
momentos como um estudo de posto de trabalho, aumentando as-
sim a abrangência e aplicabilidade do conceito.
174
Abordagem Taylorista
Frederick Winslow Taylor (1856-1915) foi um engenheiro me-
cânico norte-americano, com uma prolífica carreira iniciada como 
empregado de fábrica, subindo a supervisor de produção, diretor de 
pesquisa e gerente geral. Aliado a isso, empenhou-se em estudar e 
construiu uma carreira como consultor de produção. Destacou-se 
por criar um movimento chamado “administração científica”, no 
qual estudou os processos de produção das fábricas, dissecando-os 
e propondo uma nova metodologia racionalizada, que prometia in-
crementar grandemente a produtividade.
Taylor defendia que “o trabalho deveria ser cientificamente 
observado de modo que, para cada tarefa, fosse estabelecido o mé-
todo correto de executá-la, com um tempo determinado, usando 
as ferramentas corretas” (Iida, 2005, p. 8). O que Taylor propunha 
era a análise sistemática da produção, de cada tarefa executada, in-
clusive com a medição de tempo e produtividade, a fim de propor 
mudanças e adaptações que incrementariam os índices com a oti-
mização dos processos. Dentre suas ideias, destacavam-se o paga-
mento de incentivos salariais àqueles mais produtivos, bem como a 
padronização de processos a partir das observações feitas.
O enfoque de Taylor apregoa o estudo do posto de trabalho 
baseando-se em determinar os movimentos necessários para exe-
cutar uma tarefa no menor tempo possível para realizá-los. A partir 
dessa combinação de tempo e movimento, se teria o método perfei-
to. Observe no quadro abaixo algumas das açõesque resultariam da 
concepção desse método.
Quadro 1 - Concepções do método Taylorista
Desenvolver 
o Método 
Preferido
O método escolhido será obtido por meio do objetivo da 
operação, busca de formas alternativas para execução da 
tarefa e seleção das ações mais eficazes.
Preparar o 
Método 
Padrão
Para o método transformar-se em um protocolo padrão, 
ele deverá ser descrito detalhadamente e documentado 
com desenhos técnicos, incluindo-se o local de trabalho, 
ferramentas e quaisquer informações pertinentes. Também 
se deve incluir as condições ambientais e outros elementos 
que afetem o trabalho.
175
Determinar 
o Tempo- 
padrão
É o tempo considerado necessário e ideal para a tarefa, 
segundo o método padrão, incluindo-se as tolerâncias de 
espera, pausas e margem de erro.
Fonte: adaptado de Iida (2005, p. 190) pelo Grupo Ser Educacional (2023).
As ideias do Taylorismo enfrentaram muita resistência ao 
racionalizar o processo somente a partir de uma compreensão me-
canicista, ou seja, sem um viés comportamental e psicológico. Na 
época, Taylor deu margem para adoção de protocolos de produção, 
prazos e metas irreais os quais eram muito difíceis, para não dizer 
impossíveis, de serem cumpridos. Da mesma forma, ao se passar à 
direção da fábrica a decisão e a criação de tais protocolos, o conhe-
cimento do trabalho foi usurpado dos trabalhadores para a gerência, 
com a imposição do modo de produção vindo de cima para baixo, o 
que gerou desinteresse e revolta.
Hoje, diversos outros conhecimentos relativos à ergonomia 
foram incorporados à abordagem taylorista. No entanto, segundo 
alguns críticos, se o método é eficaz em se padronizar e normatizar 
o posto e processo de trabalho, por outro lado pode sobrecarregar 
determinados movimentos, além de serem monótonos, causando 
problemas a médio prazo.
Abordagem Ergonômica
Nesta abordagem, os aspectos antropométricos, cognitivos 
e fisiológicos do operador são priorizados no projeto dos postos de 
trabalho, reduzindo assim as exigências biomecânicas e cognitivas. 
Os instrumentos, locais de trabalho, equipamentos e máquinas são 
adaptados às condições do usuário, buscando proporcionar o míni-
mo de esforço e o máximo de conforto, para o alcance de uma maior 
produtividade, além de minimizar ao máximo a incidência de lesões 
e problemas posturais (e de outros tipos).
A maior dificuldade, neste caso, refere-se à diversidade de 
biotipos entre os trabalhadores e de medidas antropométricas, sen-
do um grande desafio aos projetistas criar postos de trabalho adap-
táveis e confortáveis ao maior número possível de usuários.
176
Projeto do posto de trabalho
O projeto do posto de trabalho diz respeito ao local de trabalho de 
uma forma mais global, o que está ligado diretamente ao planeja-
mento do ambiente de trabalho.
Dentro de um foco arquitetônico, de início, é preciso se pen-
sar no projeto arquitetônico do local com setorização dos espaços, 
estudo de circulação, compartimentação de ambientes e dimensio-
namento dos espaços. Nessa etapa, o projetista (arquiteto) irá tam-
bém pensar na materialidade do projeto, no projeto luminotécnico e 
no conforto ambiental (ventilação e temperatura).
A partir de uma abordagem geral, projeta-se as unidades 
produtivas (cada sala de um departamento, por exemplo), inte-
grando-se às necessidades do projeto, o programa de necessidades, 
os requisitos ergonômicos e os postos de trabalho, em que virá o 
detalhamento do projeto com o desenho do posto de trabalho in-
dividual de cada trabalhador. A posição individual tem de levar em 
consideração a atividade a ser realizada, a característica do opera-
dor e os instrumentos (máquinas, ferramentas ou aparelhos quais-
quer) usados nessa atividade.
Veja a seguir, resumidamente, o que compõe o projeto do 
posto de trabalho.
 • Levantamento de dados
Corresponde, como o termo diz, à obtenção de informações 
gerais, tanto aos equipamentos necessários, condições do lo-
cal, como dados do operador.
 • Análise da Tarefa
Envolve o estudo da tarefa que deve ser desempenhada no 
posto de trabalho, ou seja, uma compreensão precisa e deta-
lhada da atividade que irá ser exercida diariamente, com todas 
as suas condições, características e exigências. Tal análise é 
elaborada por meio da descrição tanto das tarefas quanto das 
atividades específicas:
177
a. Descrição da Tarefa
• Qual a finalidade, objetivo da tarefa;
• Características dos usuários, desde físicas até 
cognitivas e culturais, de gênero, faixa etária etc.;
• Em qual situação/lugar este posto está inserido 
dentro do contexto sistêmico da empresa;
• Postura física, grau de força, concentração, riscos 
e exigências a que o operador será submetido;
• Condições do local quanto à luminosidade, tem-
peratura, ruídos, cores, materiais etc.;
• Horários, turnos, hierarquia etc.
b. Descrição das Atividades
Diferente da tarefa, item anterior, a descrição 
da atividade analisa a realização da ação em que 
cumpre a tarefa, estudando-se as ações e reações 
do usuário e sua interação com os elementos a sua 
volta e seu ambiente.
Interações Homem-máquina-ambiente
O sistema homem-máquina-ambiente é o fundamento bási-
co do estudo ergonômico. Como apontado anteriormente, na uni-
dade ergonômica, chamada posto de trabalho, temos um sistema 
em que uma pessoa interage com uma máquina, ou de modo mais 
abrangente, realiza uma atividade com emprego de algum outro 
instrumento, seja ferramenta, máquina ou um computador, e eles 
estão inseridos em um local escolhido e preparado para tal ativida-
de. Dentro dessa organização, apenas para fins conceituais, temos 
máquinas que utilizam mais ações de natureza física, como operar 
uma serra de bancada, por exemplo, enquanto outras são de natu-
reza cognitiva, ou seja, trabalham com a informação e percepção, 
como um trabalho realizado por computador.
178
Temos ainda instrumentos que auxiliam na execução do tra-
balho, como uma lente com luz, usada por dentistas, ou uma pinça 
de um relojoeiro.
A partir dessa compreensão, temos que estes três entes (ho-
mem, máquina e ambiente) interagem ininterruptamente entre si, 
com troca de informações, demandas e energia. É uma relação dia-
lógica entre os elementos do sistema e, seguindo o que já foi posto 
sobre a TGS, cada personagem influenciará no outro e vice-versa. 
Essa relação, do ponto de vista do homem, irá envolver seus conhe-
cimentos, habilidades, força e destreza, da mesma forma que tanto 
a máquina quanto o ambiente irão proporcionar efeitos sobre o ho-
mem, física, fisiológica e psicologicamente.
Outro conceito bastante importante que merece grande aten-
ção é de otimização e subotimização dentro do sistema. A otimiza-
ção é quando atingimos o máximo de eficiência e eficácia, ou seja, o 
momento em que se chega ao ponto limite (maximizado) da função 
do objeto, o máximo de produtividade. Já o subótimo é o momento 
anterior (ou posterior).
No caso de um sistema, as subotimizações podem ser pon-
tos ótimos dos subsistemas, que não necessariamente irão colocar o 
sistema em seu ponto otimizado. Na prática, em um sistema com-
plexo, o resultado do todo depende de todas as suas partes e se hou-
ver alguma que esteja em desequilíbrio em relação às demais, então 
esta poderá comprometer todo o sistema.
Análise Ergonômica do Trabalho (AET)
A Análise Ergonômica do Trabalho (AET) é uma metodologia para 
estudos dos postos de trabalho, bem como do local, analisando-se 
a ocorrência de todos os princípios e conceitos ergonômicos que 
sejam aplicados naquele local, inclusive com vista as normas e leis 
trabalhistas. Os aspectos da AET são bem parecidos com o projeto 
do posto do trabalho, a diferença é que, enquanto no projeto levan-
tamos informações para elaboração do local das atividades, no AET 
traçamos uma análise diagnóstica para um plano de avaliação e cor-
reção. Trata-se de uma ergonomia de correção de algo já existente.
179
Apesar de sua semelhança, a AET é diferente do laudo ergo-
nômico, pois,enquanto o primeiro busca identificar problemas e 
corrigi-los, com vista às normas e leis trabalhistas, o laudo é um le-
vantamento para fins de perícia, sem, no entanto, propor melhorias.
Ela é composta de três fases de avaliação, em que se chega a 
um diagnóstico para então se elaborar um plano de ação para cor-
reção do sistema. Obviamente, pela sua forma de trabalho, enquan-
to o método é sempre o mesmo, os resultados serão particulares a 
cada caso, não podendo suas soluções serem replicadas de forma 
indiscriminada.
Análise do problema
A análise do problema consiste na solicitação do serviço, em que 
se identifica um impasse ou demanda que justifique a análise (com 
uma posterior correção) de uma condição ergonômica. Esta pode vir 
tanto da direção da empresa como da linha de produção, dos geren-
tes ou trabalhadores.
É comum que um problema tenha mais ramificações e causas 
do que as primeiramente identificadas e, para que o processo seja 
efetivo, é necessário que haja um acordo e consenso entre as par-
tes envolvidas, direta e indiretamente. Assim, será estabelecido um 
escopo, distribuído por categorias como prioridades ou relevância, 
prazos e custos.
Análise da Tarefa e Análise da Atividade
Como se sabe, tarefa e atividade são coisas diferentes. Tarefa é algo 
prescrito para se fazer, pode seguir um protocolo metodológico de-
terminando prazos, entregas e processos. Já a atividade, nesse caso, 
corresponde à execução da tarefa em si, ou seja, o conjunto propria-
mente dito de ações promovidas pelo operador para cumprir o ob-
jetivo prescrito.
Enquanto a tarefa, por mais detalhada que seja, é um docu-
mento impessoal e genérico, a atividade em si traz o envolvimento 
particular de cada trabalhador.
180
Para exemplificar, usarei a aula de desenho manual técnico 
de um projeto arquitetônico, algo que tenho ensinado por anos e 
visto com detalhe sua execução por parte dos alunos de arquitetura 
e engenharia, como comparativo entre a tarefa e a atividade.
Descrição da Tarefa
Dentro da disciplina de Desenho Técnico, ensinamos aos alunos do 
primeiro ano como desenhar à mão seus projetos. A aula é ministrada 
em uma sala com pranchetas grandes (de tampo reclinável) equipada 
com réguas paralelas fixas e cada aluno conta com uma posição in-
dividual. Instruímos os alunos a colocar sobre a mesa somente as la-
piseiras, borracha, esquadros e o escalímetro. Todo o resto deve estar 
sob a mesa ou em outro lugar. É entregue um impresso com um cro-
qui de um projeto qualquer ou posto na lousa para que o aluno copie 
na escala correta o desenho, em uma folha de papel manteiga. A folha 
na qual será feito o desenho deve ser fixada com fita crepe ou durex 
alinhada com régua e presa pelas pontas. O desenho deve começar a 
ser feito pelas linhas externas, de cima para baixo e da esquerda para 
a direita, usando-se a lapiseira 0.3. Depois, as linhas internas e aber-
turas (portas e janelas). O próximo passo é fazer o detalhamento de 
portas e janelas e linhas base para legendas e textos. Assim que tudo 
estiver pronto, começamos a finalização com a grafite 0.5 para linhas 
de parede e 0.3 para vistas e projeções. A linha de corte é feita com 0.9.
De forma sucinta, mas objetiva, acredito que temos acima uma boa des-
crição da tarefa, passível de ser seguida por qualquer aluno de faculdade.
Descrição da Atividade
A partir da descrição acima, os alunos assumem, cada um, sua posição 
e se preparam. Primeiramente, eles regulam suas cadeiras (quando 
é possível) e a inclinação de suas mesas. Logo no primeiro momen-
to, surge o primeiro conflito, no ajuste da inclinação da prancheta e 
da cadeira. A diferença de medidas (antropometria) dos alunos bem 
EXEMPLO
181
como de hábitos de postura (alguns se curvam mais que os outros 
para escrever) já surge como um ponto de dissensão. Percebemos 
que este início de trabalho demora um pouco mais que o esperado, 
pois a inexperiência faz com que os alunos não saibam qual posição 
é mais confortável e, ao mesmo tempo, que eficaz. Eles, então, ini-
ciam o exercício. A seguir, temos que fixar a folha manteiga, em que 
alguns alunos usam pedaços grandes; outros, pequenos; alguns, no 
sentido diagonal; outros, perpendicular. Quando os alunos precisam 
reproduzir algo da lousa, alguns copiam primeiro numa folha de ras-
cunho, outros tiram foto com seus celulares e outros, ainda, preferem 
ir fazendo ao longo do exercício. A escolha do local em que será feita a 
primeira linha é outro ponto de dúvida, pois não há um planejamento 
prévio para a diagramação, uma vez que o aluno não tem ideia ne-
nhuma de como o trabalho ficará e assim sucessivamente.
Como visto, são muitos os conflitos que aparecem na trans-
posição da tarefa para atividade e, se talvez fossemos abordar todos, 
um exercício simples de poucas horas demandaria um manual de 
centenas de páginas com textos e ilustrações.
Obviamente, há uma forma correta de se fazer e é possível 
perceber que mesmo após demonstrar (geralmente as pessoas se 
sentam para desenhar), ainda assim, é necessário ir de carteira em 
carteira, várias vezes, para corrigir erros e dúvidas pontuais durante 
a execução da tarefa (ou da atividade em si). Na realidade, durante 
várias aulas, erros são cometidos repetidamente, da mesma forma 
que, às vezes, surge alguma nova forma melhor de se fazer.
No entanto, isso não me exime de vícios que sem dúvida pre-
judicam tanto o trabalho em si quanto a minha saúde. Do ponto de 
vista docente sobre os alunos, a prática os levaria, certamente, a 
melhor e atingir um ponto satisfatório de desempenho otimizado 
pela devida supervisão, inclusive pelo viés ergonômico.
Pelo exemplo acima, além de ficar clara a diferença entre aná-
lise da tarefa e da atividade, também identificamos diversos pontos 
que merecem atenção, principalmente ao vermos a execução plena 
do que foi determinado. Não citamos, por exemplo, as condições do 
182
local, principalmente no que interfere a iluminação e mobiliário. A 
AET irá, justamente, traçar essa análise para compreender o pro-
blema e identificar os pontos nevrálgicos.
Formulação do Diagnóstico
A partir do estudo aprofundado da tarefa e da atividade, faremos a 
formulação do diagnóstico, na qual se buscará descobrir as causas 
dos problemas relatados na solicitação da AET. No exemplo ante-
rior, as queixas poderiam ser de dores nas costas, dificuldade em 
se atingir a qualidade pretendida, inconstância nos traços, dores de 
cabeça por parte dos alunos etc. Veja que são problemas diversos 
que afetam tanto o bem-estar dos operadores quanto a qualidade 
do trabalho, ambos resultando em baixa produtividade. Um ajuste 
entre a altura da cadeira com a inclinação da mesa, em sintonia com 
as medidas do aluno, poderia eliminar o problema de dores nas cos-
tas, por exemplo.
A partir do diagnóstico, são sugeridas as melhorias necessá-
rias e ações corretivas para solução das demandas. Essa é a última 
etapa, as ações corretivas.
AET, Legislação Trabalhista e Saúde no Trabalho
A AET é regida e regulamentada pela NR 17 do Ministério do Traba-
lho e Previdência Social (MTPS), que estabelece os parâmetros que 
devem ser seguidos para correta adaptação das condições de traba-
lho às características físicas e mentais dos trabalhadores.
Na NR 17, conhecida como norma da ergonomia (aplicada 
a postos de trabalho), estão especificadas todas as condições ne-
cessárias para a plena execução, com segurança e conforto, de di-
versas atividades aplicadas, em um sem-número de profissões e 
postos de trabalho. Desde condições do local relativas a dimensões 
de ambientes e circulação, pé direito, cores e texturas de piso e pa-
redes, como condições de temperatura, ruídos e de instrumentos 
183
complementares com headsets, uso de EPIs etc. Essa norma também 
traz apontamentos sobre mobiliário, postura corporal, turnos e ho-
rários de descanso, rotinas de trabalho e muito mais. Podemos dizer 
com segurança que a NR 17 abrange com eficácia a maior parte dos 
postosde trabalho existentes no Brasil.
Sua aplicação é conjunta com outras normas específicas, de 
acordo com o seguimento. Temos a NR 24, que fala sobre as condi-
ções do local de trabalho; ou a NR 11 que fala sobre transporte, carga 
e manuseio de materiais, além das diversas normas sobre segurança 
do trabalho.
Vantagens da AET
É fato que a ergonomia surge não só como uma importante ferra-
menta de prevenção e cuidado com a saúde do trabalhador, mas 
também como uma arma estratégica na visão comercial. Isso porque 
as empresas, seja o ramo que for, com o tamanho que tiver, depen-
dem fundamentalmente da produtividade de seus colaboradores, 
tanto em quantidade como em qualidade. Assim, os recursos hu-
manos surgem como um ativo poderoso da organização e uma ges-
tão moderna não pode ignorar a importância da ergonomia como 
importante instrumento de incremento da produtividade. Uma pes-
quisa publicada na revista Exame, em 1995, apontava um ganho de 
4 dólares a cada 1 investido em ergonomia. Observe a seguir alguns 
dos benefícios destacados pela referida pesquisa.
1. Redução do absenteísmo e afastamentos por doenças ou proble-
mas de saúde decorrentes das atividades e postos de trabalho;
2. Redução de ações trabalhistas em virtude de problemas de 
saúde decorrentes das atividades e postos de trabalho;
3. Funcionários mais motivados e engajados;
4. Elevação dos padrões de qualidade e segurança do trabalho;
5. Aumento da produtividade.
184
Fique ainda mais por dentro deste assunto, leia o artigo, “A Ergono-
mia como um fator determinante no bom andamento da produção: um 
estudo de caso”, escrito por Graduandas do Curso Superior de Bacha-
relado em Administração no Instituto Federal de Educação, Ciência 
e Tecnologia da Paraíba – IFPB, publicado pela Revista Anagrama, 
em 2010. Neste artigo, você verá uma demonstração clara da im-
plementação de princípios ergonômicos, que, comprovadamente, 
incrementam a fomentação de melhores condições de trabalho e 
produtividade.
Análise Macroergonômica do 
Trabalho – AMT
A Análise Macroergonômica do Trabalho constitui um método co-
laborativo em que tanto o promotor da pesquisa quanto os partici-
pantes e os colaboradores estão envolvidos no processo. A análise 
deixa de ser um trabalho externo para ser um trabalho interno ao 
problema e é também conhecida como ergonomia participativa, 
que funciona através da metodologia de pesquisa-ação.
O método de pesquisa-ação constitui-se como uma forma 
de pesquisa em que os pesquisadores são parte da pesquisa, ou seja, 
não são observadores externos ao fenômeno, mas sim internos. Este 
método é semelhante à pesquisa-participante em que o pesquisa-
dor se insere no grupo pesquisado, participando de suas atividades. 
Entretanto, distingue-se, essencialmente, pois, na pesquisa-ação, 
o pesquisador é parte do grupo que é foco da investigação, trazendo 
um melhor conhecimento e engajamento do problema e das condi-
ções existentes.
Sendo assim, a Análise Macroergonômica do Trabalho (AMT):
PESQUISE
185
[...] é um tipo de pesquisa social com base em-
pírica que é concebida e realizada em estreita 
associação com uma ação ou com a resolução 
de um problema coletivo e no qual os pesqui-
sadores e os participantes representativos da 
situação ou do problema estão envolvidos de 
modo cooperativo ou participativo (Thiol-
lent,1994, n.p. apud Guimarães, 2002, n.p.).
Concomitante a tais discussões, a pesquisadora Lia Buarque 
de Macedo Guimarães esclarece que:
[...] A cientificidade do pesquisador tradicional 
geralmente separa o papel de pesquisador (que 
é o de conhecer a realidade sem se envolver di-
retamente com o meio) e o papel do adminis-
trador e do político (que é o de transformar a 
realidade). A pesquisa-ação integra estes dois 
elementos, conhecimento e transformação da 
realidade, que estão intimamente relacionados 
(Guimarães, 2002, n.p.).
Na pesquisa-ação, o grupo não só está sendo investigado, mas 
conhece os objetivos da pesquisa e participa do processo em sua rea-
lização. Não pode ser feita a revelia dos agentes envolvidos e imple-
mentada de forma impositiva. Trata-se de um método colaborativo 
que exige e pressupõe a participação de todos os envolvidos, por meio 
de reuniões, comissões, assembleias, questionários e outras ações. 
O pesquisador terá um papel fundamental, pois será um mediador, 
uma vez que os processos encontrarão resistências, questionamen-
tos, dúvidas, reivindicações e inseguranças por parte de todos os en-
volvidos, desde gerência até colaboradores e chão de fábrica.
As negociações e os acordos têm de ser bem explicitados, as-
sim como o papel de cada setor-colaborador. O coordenador da pes-
quisa deve ter habilidade para conduzir os processos, dando toda 
assistência para os diversos participantes e assessorando a tomada 
de decisões. Os objetivos devem ser claros e do conhecimento de to-
dos, assim como os critérios, cronogramas e etapas. A Análise Ma-
croergonômica do Trabalho (AMT) deve conter tanto o pesquisador, 
186
ergonomista, quanto os colaboradores da empresa, responsáveis 
pela implantação das ações (Guimarães, 2002).
A maior dificuldade neste tipo de abordagem é que ela não 
segue um roteiro rígido, ou seja, seu desenvolvimento e etapas se-
rão definidos ao passo de sua trajetória. Além disso, ela exige grande 
participação e comprometimento de todos, pois ela não é apoiada 
em uma única pessoa, mas pelo conjunto. Ainda segundo a pesqui-
sadora Lia Guimarães:
as razões para a aplicação da ergonomia par-
ticipativa é a geração de melhores ideias e 
soluções de design, maior facilidade de imple-
mentação e retorno de valor tanto para a or-
ganização quanto para os indivíduos. Para os 
autores, as forças contrárias incluem o custo e 
tempo envolvidos, o esforço para tornar as in-
tervenções em um programa continuado, a ne-
cessidade de motivar os participantes diretos e 
aqueles relacionados à empresa, mas que não 
participam diretamente do processo (os acio-
nistas) (Haines et al. (2002) apud Guimarães, 
2002, n.p.).
Na ergonomia participativa, temos dois momentos distintos: a 
regulação externa, em que os conhecimentos de ergonomia são con-
centrados apenas no consultor externo e a regulação interna, em que 
o conhecimento ergonômico é dominado pelos agentes internos.
Sistema humano × Tarefa × Máquina 
– SHTM
O Sistema Homem × Tarefa × Máquina diz respeito à interação 
entre homem e máquina. Vale salientar, entretanto, que pela defi-
nição de SHTM, o conceito de “máquina” é mais abrangente do que 
o convencional e se refere a qualquer artefato a partir do qual um 
indivíduo execute alguma atividade com determinado propósito. 
Assim sendo, um automóvel e um aparelho celular podem ser con-
siderados máquinas, tal qual uma bicicleta e uma caneta também 
podem a partir da conceituação do SHTM.
187
Em ergonomia, não há distinção entre máquinas simples ou com-
plexas. A preocupação deste campo disciplinar estará sempre volta-
da para a adaptação das máquinas, quaisquer que sejam os propósito 
de seus usuários.
Em todo e qualquer sistema laboral, existe o envolvimento 
entre o homem e a máquina, ou seja, o equipamento/instrumento 
utilizado por ele para a realização de uma determinada tarefa. Esta 
relação é bastante variável a depender da atividade em questão, no 
entanto, não é nunca integralmente automática ou integralmente 
manual. Mesmo os sistemas mais automatizados não prescindem 
das ações humanas diretivas de monitoramento, controle, regula-
ção e manutenção, enquanto todo e qualquer trabalho manual re-
quer a utilização de algum instrumento para a sua realização.
Sistematização do SHTM
No Sistema Homem × Tarefa × Máquina, nenhum sistema pode ser 
definido de maneira isolada ou estanque, tendo em vista que todos 
eles são compreendidos como parte integrante de um sistema mais 
amplo e abrangente, assim como é constituído por outros subsiste-
mas. Nesta hierarquia, os de ordem inferior estão sempre corrobo-
rando para o funcionamento imediatamentesuperior. Há também 
aqueles paralelos que recebem produtos provenientes de outro sis-
tema que o antecede e produz saídas para o que o sucede. Além da 
ordem hierárquica, há também uma posição em série entre eles.
Define-se sistema como um conjunto de componentes, ou 
seja, partes ou órgãos que, inter-relacionados, a partir de uma rede 
de comunicações formada pela interação entre eles, formam uma 
atividade para atingir um determinado objetivo. Tal atividade, por 
sua vez, age sobre sinais, energia e materiais, que são insumos ou 
entradas a serem processadas pelo sistema e fornecem informação, 
energia ou produto às saídas dele.
VOCÊ SABIA?
188
Para melhor compreensão do Sistema × Homem × Tarefa × 
Máquina, desenvolveu-se uma sistematização baseada na elabora-
ção de modelagens que tem por objetivo promover maior esclare-
cimento acerca do sistema estudado a partir de uma estruturação 
de informações sobre ele. Estas modelagens determinam qual é o 
seu objetivo, ou seja, o que se pretende alcançar, quais são as suas 
características e os supra e subsistemas que o compõem.
Caracterização e posição serial do sistema
A Caracterização e Posição Serial do Sistema é uma modelagem 
destinada a promover uma melhor compreensão sobre o funciona-
mento do sistema e dos elementos que o compõe. A partir dela, é 
possível apontar resultados despropositados, dentre eles, os custos 
humanos do operador. Veja a seguir quais são os elementos que a 
compõem e os seus respectivos questionamentos de investigação.
 • Sistema-alvo
É o sistema em operação a ser analisado. Situa-se numa posição 
serial que recebe entradas de um sistema alimentador, anterior 
e, por sua vez, produz saídas para um sistema ulterior, poste-
rior. Qual o sistema humano × tarefa × máquina é estudado?
 • Meta
É a função básica do sistema, objetivo e principal missão. É a 
parte em que se inicia a análise do sistema em operação e se de-
finem as determinantes para o seu desempenho. Para que serve 
o sistema?
 • Requisitos
São as características que o sistema deve ser dotado para que 
atinja suas metas. Estes são derivados da meta e se opõe aos 
problemas. O que deve ter o sistema para atingir a meta?
 • Restrições
São as influências sobre as quais não se tem controle que ope-
ram como impeditivos para que o sistema não desempenhe 
plenamente suas funções. O que impede a implementação dos 
requisitos ao sistema?
189
 • Entradas
São os elementos que ingressam no sistema com o intuito de 
fazê-lo funcionar, de modo a gerarem outros que deles serão 
extraídos. Que elementos são processados pelo sistema?
 • Saídas
São os elementos resultantes do processamento das entradas. 
Pois estes necessitam ser coerentes com o objetivo do sistema. 
Quais os resultados do processo realizado pelo sistema-alvo?
 • Resultados despropositados
São os resultados indesejáveis que não estabelecem relação 
com a meta do sistema. Qual a falha ou desvio do sistema?
Vemos, abaixo, a exemplificação que tem por sistema-alvo a 
locomoção de um usuário locomovendo-se no meio urbano.
Diagrama 1 - Caracterização e posição serial do sistema
Fonte: adaptado de Lunardi (2007, p. 96) pelo Grupo Ser Educacional (2024).
190
 • Sistema-alvo: usuário locomovendo-se no meio urbano.
 • Meta: rota acessível.
 • Restrições: diferentes interesses entre usuários e os gestores 
do espaço urbano, intempéries, barreiras físicas e atitudinais.
 • Requisitos: eliminação de barreiras ambientais.
 • Entrada: usuários do sistema.
 • Saída: usuários do sistema.
 • Sistema alimentar: meios de transporte.
 • Sistema ulterior: Meios de transporte.
 • Resultados despropositados: acidentes, segregação social, 
constrangimentos, falta de acessibilidade.
Ordenação hierárquica do sistema
A partir da compreensão de que sistema é “a disposição das partes 
ou dos elementos de um todo, coordenado entre si, e que formam 
estrutura organizada”. Verifica-se que o que caracteriza um sis-
tema são as relações entre as partes ou elementos, o que remete à 
continuidade de processo.
De acordo com Lunardi (2007), a partir de então é possível 
hierarquizar com o usuário locomovendo-se no meio urbano, o 
sistema-alvo, como parte do sistema de circulação urbana, supra-
-sistema, e este por sua vez como parte das unidades territoriais 
(supra-supra-sistema), do município de Juiz de Fora (ecossistema). 
O subsistema deve ter uma função relevante e essencial a desempe-
nhar na consecução dos objetivos do sistema ao qual pertence. Este, 
quando classificado como ordem inferior, é determinado em função 
da necessidade de se atingir o objetivo de um cuja categoria é ordem 
superior, respeitando-se assim os níveis hierárquicos, os quais po-
demos observar a seguir.
191
PESQUISE
Diagrama 2 - Ordenação hierárquica do sistema
Fonte: adaptado de Lunardi (2007, p. 97) pelo Grupo Ser Educacional (2024).
 • Ecossistema: município de Juiz de Fora.
 • Supra-supra-sistema: unidades territoriais.
 • Supra-sistema: circulação urbana.
 • Sistema-alvo: usuário locomovendo-se no meio urbano.
 • Subsistema 1: acesso ao meio urbano.
 • Sub-sub-sistema 1: desembarque.
 • Sub-sub-sistema 2: desembarque.
 • Subsistema 2: meio físico.
 • Sub-sub-sistema 1: calçada.
 • Sub-sub-sistema 2: travessia.
 • Sub-sub-sistema 3: sinalização.
Você poderá aprofundar seus conhecimentos e visualizar alguns 
gráficos sobre o SHTM (Sistema Homem-Tarefa-Máquina) em 
vários artigos e pesquisas diversas, como, por exemplo, o capítulo 
“Análise da Investigação Ergonômica: Apreciação Ergonômica”, dispo-
nibilizado pela PUC-RIO.
192
Expansão do Sistema
De acordo com Lunardi (2007), todo sistema apresenta outros sis-
temas que lhe são paralelos. Através da expansão do sistema-alvo 
“usuário locomovendo-se no meio urbano”, é possível observar o 
sistema paralelo transporte que apresenta interferência nele, bem 
como no Supra-sistema. Para ter uma compreensão mais abran-
gente sobre o sistema-alvo, é preciso expandi-lo e avaliar sua rela-
ção com aqueles que lhe são adjacentes.
Diagrama 3 - Expansão do sistema
Fonte: adaptado de Lunardi (2007, p. 98) pelo Grupo Ser Educacional (2024).
 • Supra-supra-sistema: unidades territoriais.
 • Supra-sistema: circulação urbana.
 • Sistema-alvo: usuário locomovendo-se no meio urbano.
 • Subsistema 1: acesso ao meio urbano.
 • Subsistema 2: meio físico.
 • Sistema paralelo: sistema de transportes.
193
Modelagem comunicacional do sistema
Conforme nos aponta Lunardi (2007), na interface entre humano e 
máquina estão os elementos para obtenção das informações duran-
te a ação do processo. Por meio de seus sistemas sensoriais (visão, 
audição, olfato, tato e paladar) o homem age e reage às informações 
recebidas do sistema-alvo e as processa. A ação humana sempre 
dependerá diretamente da informação oriunda do subsistema (má-
quina) e a resposta desta ação humana será igualmente refletida no 
subsistema (máquina).
Diagrama 4 - Modelagem comunicacional do sistema
Fonte: adaptado de Lunardi (2007, p. 98) pelo Grupo Ser Educacional (2024).
 • Máquina
• Fonte de informação – superfície do piso da calçada.
• Das imagens.
194
• Dos objetos.
• Da numeração.
• Dos códigos linguísticos.
• Das texturas no piso.
• Dos marcos.
• Das condições ambientais.
 • Comandos ativados: cadeira de rodas, bengala, muleta, ócu-
los, aparelhos auditivos.
 • Homem
• Sistema humano envolvido: tátil, visual, sinestésico, sono-
ro, olfativo.
• Respostas humanas: com os pés, mãos, olhos, ouvidos, 
corpo e mente.
 • Acionamentos
• Empurrar o piso.
• Apoiar.
• Perceber informações.
• Configurar mapas mentais.
Processo de Desenvolvimento de Sistemas
O campo disciplinar da ergonomia estuda o sistema homem × tare-
fa × máquina, com o objetivo de estabelecer requisitos humanos de 
segurança, conforto, bem-estar a partir da determinação de proce-
dimentos racionais e mais produtivos.
Os processos de desenvolvimento de sistemas de uma estação 
de trabalho com computador é de grande complexidadeem sistemas complexos.
Em outras palavras, não são apenas o engenheiro aeronáutico 
e os designers que devem se envolver na concepção de dispositivos 
dessa natureza. Também os neurologistas, os fisiologistas e os psi-
cólogos, entre outros profissionais, podem contribuir para incor-
porar conhecimentos específicos ou informações essenciais para 
compensar a introdução de fatores intrínsecos ao indivíduo, como 
as singularidades fisiológicas e o impacto emocional e psíquico en-
volvido em uma situação de combate, por exemplo.
Após a guerra, a colaboração entre profissionais de áreas di-
ferentes na concepção de sistemas de dispositivos, equipamentos e 
sistemas de trabalho continuou. Quatro anos depois do término da 
18
batalha, em 1949, foi realizada a primeira reunião do grupo pionei-
ro de pesquisadores interessados em formalizar a existência de um 
novo ramo de aplicação interdisciplinar. Por iniciativa de Kenneth 
Murrell surge a Ergonomics Research Society na Inglaterra, que jun-
to à Societé d´Ergonomie de Langue Française, na França, ajudam na 
consolidação da ergonomia.
Nos países de língua inglesa, costuma-se adotar o termo 
“Engenharia de Fatores Humanos” em vez de Ergonomia. No Bra-
sil, a ergonomia começa a ser difundida no início da década de 1970 
e se consolida em 1997, após a criação da Associação Brasileira de 
Ergonomia (ABERGO), em 1983.
Conceitos essenciais em ergonomia 
A ergonomia visa adequar os sistemas de trabalho às características 
das pessoas que nele operam. Por analogia, nos projetos de arquite-
tura e desenho de interiores, a ergonomia faz convergir os aspectos 
de segurança, de desempenho e de qualidade de vida, por meio de 
sua metodologia específica: a análise ergonômica do trabalho.
Segundo Santos (2003), existem várias definições para o ter-
mo Ergonomia, porém todas convergem para sua natureza mul-
tidisciplinar e sua característica de melhoria contínua. Em geral, 
aceita-se como definição oficial aquela surgida num congresso 
mundial do International Ergonomics Association (IEA), em San Diego 
(EUA), quando por ocasião da reunião do conselho científico da en-
tidade, estabeleceu-se que:
Ergonomia (ou Fatores Humanos) é a disciplina 
científica que trata da compreensão das intera-
ções entre os seres humanos e outros elementos 
de um sistema, e a profissão que aplica teorias, 
princípios, dados e métodos para projetar a fim 
de otimizar o bem-estar humano e o desempe-
nho geral do sistema (ABERGO, 2000). 
No Brasil, a Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO) defi-
ne conceitos e objetivos da Ergonomia tendo como base o que está pu-
blicado no site da Associação Internacional de Ergonomia - IEA (2020). 
19
Segundo Lida (2005), a ergonomia seria um campo de es-
tudo para permitir a adaptação das condicionantes do trabalho às 
necessidades específicas de cada pessoa ou grupos de pessoas, con-
siderando o trabalho numa acepção ampla, considerando-se não 
apenas atividades envolvendo máquinas e equipamentos, mas tam-
bém toda a situação em que ocorre interação entre o homem e uma 
atividade produtiva.
A ergonomia, portanto, tem um viés holístico sobre as ati-
vidades de planejamento e projeto, que ocorrem antes do trabalho 
ser realizado. Ela preocupa-se com o controle, sobretudo em termos 
do enquadramento legal e normativo, e avaliação das condições que 
ocorrem durante e após esse trabalho. E, por fim, propõe as devidas 
intervenções – a partir da análise ergonômica – necessárias ao pro-
cesso de melhoria contínua das condições de trabalho.
Em relação aos conceitos essenciais, deve-se destacar e des-
crever brevemente os seguintes aspectos (Santos, 2019):
 • Situação de trabalho
Trata-se de uma combinação singular de fatores internos e 
externos presentes num dado processo de trabalho. A ativi-
dade humana em qualquer processo produtivo resulta de uma 
interação entre fatores externos ao operador (normas, meios 
de trabalho, mobiliário etc.) e fatores internos ao operador 
(estado orgânico e/ou psíquico, competência, personalidade, 
dentre outros).
 • Atividade de trabalho
É o conjunto de ações empreendidas pelo trabalhador numa 
determinada situação de trabalho, ou de forma clara e obje-
tiva, aquilo que realmente é feito durante as operações pro-
dutivas, incluindo as ações operacionais específicas, pausas 
de recuperação, consultas aos colegas, ajustes em máqui-
nas, conferência de dados e outras. Vidal (2003) reforça a 
necessidade de se distinguir a atividade, ligada ao trabalho 
real da tarefa, já que essa última se refere ao trabalho pres-
crito, ou seja, a tarefa é tudo aquilo determinado por pa-
drões e procedimentos.
20
 • Carga de trabalho
Trata-se de um conceito abstrato, já que sua quantificação 
é de difícil mensuração, dependendo-se de avaliações qua-
litativas que costumam ser questionadas devido às suscep-
tibilidades individuais. A carga de trabalho é resultante das 
demandas sobre o indivíduo no decorrer de sua atividade de 
trabalho, portanto, numa situação ergonomicamente ade-
quada a pessoa deveria ter como gerenciar a carga de trabalho 
possível de ser absorvida. A carga de trabalho inadequada está 
ligada a muitos problemas que a Ergonomia pode resolver.
 • Fadiga
É um processo de acúmulo de restrições impostas ao operador. 
Atualmente, a fadiga é vista como um processo complexo que 
pode ser cumulativa e combinar a incidência de diversos fato-
res, como a carga física de trabalho, o esforço mental, higiene 
ocupacional, monotonia etc. Em geral, a fadiga ocorre como 
resultado da exposição do indivíduo a uma exigência prolon-
gada de performance sem a devida recuperação. A resistência 
à fadiga também depende de susceptibilidades individuais.
 • Regulação
Tenta relacionar as ações individuais de compensação ou 
equilíbrio da carga de trabalho, com a necessidade de os in-
divíduos cumprirem adequadamente sua rotina de trabalho, 
sem sofrer os efeitos da carga de trabalho e da fadiga, ou sim-
plesmente para garantir um melhor desempenho e produtivi-
dade interindividual.
 • Disfunções
São as falhas nos sistemas que causam os incidentes. Para a 
Ergonomia, as disfunções são falhas de concepção que podem 
ser evidenciadas pela análise ergonômica do trabalho.
 • Variabilidade
É uma característica básica de qualquer sistema de produção 
e expressa o fato que nem as pessoas nem os componentes da 
21
situação de trabalho se mantém constantes ao longo do tem-
po. As variabilidades técnicas e organizacionais explicam as 
disfunções sistêmicas, enquanto as variabilidades humanas 
explicam as disfunções operativas. A análise ergonômica aju-
da a expor o efeito das variabilidades sobre a carga de trabalho. 
Imagine um pedreiro numa obra. Quando se aproxima o horário de 
encerramento do expediente, é comum que ele regule o seu ritmo de 
trabalho em relação aos recursos em utilização. Se ele percebe, por 
exemplo, que o volume de argamassa, se mantiver o ritmo normal, 
o material irá terminar antes do fim do dia, ele reduz a velocidade de 
forma a não extrapolar o tempo. Ele sabe que, se for preparar mais 
argamassa, poderia ter um volume maior que o necessário para 
consumir o restante do tempo disponível e, por outro lado, poderia 
ser advertido caso terminasse seu dia de trabalho sem utilizar todo o 
material, já que o cimento endureceria de um dia para o outro. Esse 
é um claro exemplo de regulação.
Do ponto de vista da prática em Ergonomia, é importante se-
parar os aspectos normativos do seu escopo da ação projetual, liga-
do à prática ergonômica ou à Ergonomia Aplicada o que será visto 
nos dois subtópicos seguintes.
A ergonomia e o enquadramento normativo
Por sua vinculação aos aspectos de saúde e questões epidemiológi-
cas, existe um importante componente legal associado à Ergono-
mia. Essa tradição de legislação com viés de preservação de saúde do 
trabalhador é uma tradição que surge com a Consolidação das Leis 
do Trabalho (CLT), que surgiu em 1943 e, desde então, vem sendo 
modificada e acrescidae envolvem 
os mais variados aspectos que vão desde as dimensões do mobiliá-
rio que a conformam; a adequação ao teclado; o alcance de mãos e 
pés; a temperatura e iluminação do ambiente construído; passam 
pela iluminação, radiação e cor provenientes da tela do computa-
dor; pelos aspectos semânticos e cognitivos da informação que apa-
recem na tela; pela visibilidade e compreensibilidade dos símbolos 
próprios das imagens; altura, espessura e desenhos dos caracteres 
195
alfanuméricos; e chegam até o conteúdo do trabalho e a percepção 
dos dados das decisões adotadas pelo usuário.
Figura 1 - Estação de trabalho com computador
Fonte: Maanas (2020).
Desenvolvimento de Sistemas
Um processo simples e tradicional de desenvolvimento de sistemas 
é composto por sete etapas. Observe-as a seguir!
1. Definição de objetivos e critérios;
2. Definição dos subsistemas;
3. Coleta de informações;
4. Formulação de alternativas;
5. Seleção de alternativas;
6. Avaliações e testes;
7. Configuração final.
196
Definição de objetivos e critérios
A definição de objetivos e critérios visa a estabelecer limites acei-
táveis para o desempenho do sistema e servem para selecionar as 
alternativas de solução para ele.
Adotemos, assim, como exemplo, o objetivo de confecção de 
uma mesa para computador. A partir deste objetivo, devem ser es-
tabelecidos alguns critérios, como os apresentados abaixo:
 • As dimensões máximas e mínimas da mesa;
 • O peso a ser suportado por ela;
 • O custo final para o consumidor;
 • O material empregado na sua confecção.
Definição dos subsistemas
Em continuidade ao exemplo da mesa para computador, observa-
mos que na definição dos subsistemas temos:
 • o subsistema humano é o próprio usuário que interage com o 
computador através de seus dispositivos como teclado e tela; e
 • os subsistemas técnicos são constituídos pelos elementos fí-
sicos componentes da mesa, como o tampo e os pés.
Coleta de informações
A coleta de informações pode ser realizada através de bibliografias 
especializadas, por meio de banco de dados, conhecimentos pes-
soais, fornecimento de materiais e afins.
A partir do exemplo da mesa, as informações coletadas 
incluem:
197
 • no subsistema humano, as dimensões antropométricas, pos-
tura e movimentos corporais do usuário.
 • no subsistema técnico, os materiais disponíveis, os fornece-
dores, os custos e os meios de fabricação da mesa.
Formulação de alternativas
Pelo exemplo da mesa, as alternativas correspondem às diversas 
combinações possíveis entre o tampo, que poderia ser de madeira, 
vidro ou compensado revestido; os pés poderiam ser de metal ou 
madeira, dentre outros aspectos específicos do projeto.
Seleção de alternativas
A aplicação dos critérios definidos na primeira etapa é fundamental 
para esta fase de eleição de alternativas que melhor correspondam 
ao objetivo em questão.
Avaliações e testes
As avaliações e os testes auxiliam na escolha final da alternativa a 
ser adotada. A depender do objetivo, são construídos protótipos em 
escala real para a verificação de todos seus aspectos como meio de 
corrigir os eventuais problemas encontrados.
Configuração final
O sistema passa por um teste definitivo quando é colocado em uso. É 
recomendável promover sua avaliação contínua, a partir da participa-
ção de seus usuários, pois esta pode auxiliar não apenas no seu próprio 
aperfeiçoamento, mas também na formulação de sistemas afins.
198
Problematização do Sistema × 
Humano × Tarefa × Máquina
No Sistema Humano × Tarefa × Máquina, o problema se define 
como uma defasagem entre o resultado obtido e o esperado, de 
modo que, para se alcançar o objetivo desejado, faz-se necessário 
encontrar uma solução e, assim, promover um reajustamento capaz 
de mudar os aspectos indesejados.
Para Moraes e Mont’Alvão (2003), a colocação do problema 
acontece em três fases. A primeira delas é o reconhecimento do pro-
blema que corresponde à identificação dos aspectos mais graves e 
flagrantes da situação problemática. Pode-se dizer que são aque-
les que “saltam aos olhos” ao primeiro contato com a realidade ou 
numa primeira observação. A segunda fase diz respeito à delimita-
ção do problema. Compreende a seleção e a classificação de diferen-
tes aspectos da situação problemática, a partir de uma observação 
assistemática mais acurada, que destaca todos os elementos pro-
blemáticos diferentes.
A terceira e última fase diz respeito à formulação do proble-
ma. Trata-se da redução da situação problemática mediante as-
pectos significativos e solucionáveis. Nesta fase, os problemas que 
aparecem na delimitação devem ser aprofundados em termos da 
explicitação e do detalhamento dos aspectos problemáticos, com 
ilustrações dos aspectos que impliquem maiores constrangimentos 
ao usuário. (Bunge, 1975 apud Moraes; Mont’Alvão, 2003).
Os problemas ergonômicos do Sistema Humano × Tarefa × 
Máquina podem ser categorizados diferentemente de acordo com a 
especificidade do sistema-alvo. A partir do exemplo já apresentado 
anteriormente, usuário locomovendo-se no meio urbano, podemos 
encontrar as seguintes categorias listadas a seguir:
 • Problemas Interfaciais
Posturas prejudiciais resultantes de inadequação do campo de 
visão, alcances, posicionamento de componentes comunica-
cionais com prejuízos para os sistemas muscular e esquelético.
199
 • Problemas Informacionais
Dificuldades na tomada de decisões devido à má localização, 
conservação e legibilidade das sinalizações.
 • Problemas Comunicacionais
Campanhas publicitárias e sirenes prejudicam a audibilidade.
 • Problemas Cognitivos
Falta de marcos referenciais e percursos pouco definidos que 
dificultam a percepção e a interpretação de signos urbanos 
para uma melhor tomada de decisões.
 • Problemas de Acessibilidade
Despreocupação com a independência e a autonomia das pes-
soas com deficiência, dos idosos e das crianças, considerando 
locomoção e acessos, nas ruas e edificações e nos sistemas de 
transporte.
 • Problemas Urbanísticos
Deficiência na circulação dos usuários no espaço da cidade de-
vido à centralidade da cidade; ausência de pontos e/ou marcos 
de referência que auxiliem a circulação e orientação dos usuá-
rios no espaço urbano.
 • Problemas Espaciais
Má distribuição do mobiliário urbano.
 • Problemas Ambientais
Altas temperaturas pela falta de arborização e calor gerado 
pelo asfalto e automóveis; poluição sonora.
 • Problemas Naturais
Alternâncias climáticas.
 • Problemas Acidentários
Comprometem os requisitos securitários que envolvem a lo-
comoção e acessos, nas ruas e edificações e nos sistemas de 
transporte.
 • Problemas Operacionais
Estresse urbano gerado pela demora dos serviços públicos de 
transporte.
200
 • Problemas Gerenciais
Inexistência de uma gestão participativa, desconsiderando 
opiniões e sugestões das pessoas.
 • Problemas Psicossociais
Conflitos gerados pelas diferenças.
Método de Análise Ergonômica do 
Ambiente Construído - MEAC
O Método de Análise do Ambiente Construído de sigla MEAC foi 
desenvolvido no final da primeira década dos anos 2000, pela pes-
quisadora Prof.ª Dr.ª Vilma Villarouco, integrante do núcleo de pes-
quisa da Universidade Federal de Pernambuco, UFPE, a partir de 
onde se difundiu como um instrumento próprio do campo discipli-
nar da Ergonomia do Ambiente Construído.
Esse método é composto por duas etapas investigativas: uma 
de ordem física e outra de ordem cognitiva, ou seja, relacionada à 
identificação da percepção do usuário em relação ao espaço ocupa-
do. Por meio do MEAC, as análises e recomendações são geradas a 
partir da confrontação dos dados obtidos nas duas diferentes etapas.
Em sua totalidade, o método é integrado por seis fases. As 
três primeiras correspondem à etapa de ordem física, seguida da 
etapa cognitiva que precede o diagnóstico e as proposições, suas fa-
ses conclusivas. Abaixo, seguem as referidas fases:
1. Análise global do ambiente;
2. Identificação da configuração ambiental;
3. Avaliaçãodo ambiente em uso no desenvolvimento das 
atividades;
4. Percepção ambiental do usuário;
5. Diagnóstico ergonômico do ambiente;
6. Proposições.
201
Vejamos, detalhadamente, cada uma destas fases.
Análise Global do Ambiente
A análise Global do Ambiente corresponde à primeira fase investi-
gava da ordem física do MEAC. Esta é equivalente à análise da de-
manda no método AET, Análise Ergonômica do Trabalho, que se 
caracteriza pela identificação abrangente de problemas e demandas 
que reivindiquem a necessidade de intervenção ergonômica. Esta 
pode ter origem tanto no sistema do ambiente de trabalho, como no 
grupo de indivíduos que o compõe.
Identificação da Configuração Ambiental
Nesta etapa, são identificadas todas as condicionantes físico-am-
bientais. Corresponde à fase da Análise da Tarefa no método AET: 
avaliar o trabalho prescrito conforme estabelecido verbalmente ou 
formalmente em treinamento ou manuais de orientação.
Esta fase do MEAC é caracterizada pelo levantamento de 
dados de todos os aspectos físico-ambientais do espaço em ques-
tão: dimensionamento, layout, fluxos, deslocamentos, iluminação, 
ventilação, temperatura, ruído, materiais de revestimento e condi-
ções de acessibilidade, partindo da premissa de que todos eles exer-
cem influência na execução das atividades de trabalho.
Avaliação do Ambiente em Uso no Desenvolvimento das 
Atividades
Nesta terceira etapa, o método propõe a observação do uso do am-
biente com o objetivo de identificar o quão facilitador ou dificulto-
so ele se apresenta diante das atividades que nele se desenvolvem. 
Consiste essencialmente na observação da realização das tarefas 
executadas no espaço, seguida de um diagnóstico ergonômico que 
apresenta as problemáticas encontradas.
202
Análise Cognitiva do Usuário / Percepção 
Ambiental do Usuário
Esta quarta fase do MEAC está relacionada à pesquisa sobre a per-
cepção dos usuários sobre o espaço vivenciado. A pesquisa é com-
posta pela conjugação de Mapas Mentais e Mapas Cognitivos 
(Congnitive Maps). Enquanto os Mapas Mentais formalizam repre-
sentações gráficas do espaço, os cognitivos traduzem redes de con-
ceitos verbalizados que, estruturados hierarquicamente, expressam 
os principais valores espaciais atribuídos pelo usuário consultado. 
A Constelação de Atributos é outra ferramenta que tem sido a mais 
recorrente na aplicação desta etapa metodológica.
Figura 2 - Mapa Cognitivo
Fonte: Storyset / Freepik (s.d.).
203
Diagnóstico Ergonômico do Ambiente
Esta quinta etapa é definida pela confrontação dos resultados en-
contrados nas análises realizadas em todas as fases anteriores. O 
diagnóstico deve apresentar todas as informações necessárias ao 
entendimento global do ambiente avaliado, identificar suas pro-
blemáticas, apontar suas qualidades e atributos positivos e sugerir 
aprimoramentos e soluções para as questões relativas ao desempe-
nho das atividades laborais.
Proposições Ergonômicas Para o Ambiente
Nesta última fase da metodologia, são apresentadas as sugestões 
mencionadas no item anterior. Elas devem primeiramente estar re-
lacionadas pontualmente a cada problemática identificada e, poste-
riormente, agrupadas e relacionadas entre si.
O Método de Análise do Ambiente Construído — MEAC possui um 
diferencial em relação às demais metodologias utilizadas nas ações 
ergonômicas do ambiente construído, pois ele consiste numa ava-
liação que ultrapassa a dimensão físico-espacial e abarca a percep-
ção ambiental do espaço construído.
Portanto, é muito importante ressaltar que um trabalho de 
ergonomia do ambiente construído não deve se limitar a identificar 
os problemas e propor soluções em caráter isolado. Uma das princi-
pais características deste campo do conhecimento é sua abordagem 
global e sistêmica que ao perpassar todas as fases analíticas atribui 
o sentido completo a um trabalho por ele desenvolvido.
CURIOSIDADE
204
Prezado(a) aluno(a), chegamos ao término da quarta e última eta-
pa da disciplina Ergonomia e Acessibilidade. Agora, faremos uma 
breve síntese do conteúdo abordado nesta unidade. Vamos lá!
Neste material, você teve a oportunidade de aprender sobre a inter-
disciplinaridade da ergonomia. Nosso conteúdo abordou a aplicação 
da ergonomia a partir das condições locais de trabalho, onde são 
considerados o ambiente, as máquinas e/ou ferramentas de traba-
lho e o operador. Estudamos como determinar pontos problemáti-
cos e resolver essas questões por meio de intervenções ergonômicas.
Um ponto importante dos nossos estudos foi o Sistema Homem x 
Tarefa x Máquina (SHTM), em que você pôde compreender melhor o 
caráter sistêmico da ergonomia, as sete fases constitutivas do SHTM 
e a Metodologia para Análise Ergonômica do Ambiente Construído 
(MEAC), compreendendo cada uma das seis fases constitutivas des-
ta metodologia.
Ao conhecer e aprender a diferenciar as metodologias ergonômicas, 
como a MEAC, você pôde ampliar sua visão sobre a atividade proje-
tual, com foco no ser humano.
Assim, concluímos nossa disciplina. Caso você tenha dúvidas, não 
hesite em contatar seu(sua) tutor(a); ele(a) está disponível para 
auxiliá-lo(a). Além disso, esperamos que este período de apren-
dizado tenha sido enriquecedor e inspirador, contribuindo para o 
seu crescimento acadêmico e pessoal. Desejamos que você continue 
dedicado(a) aos estudos, enfrentando desafios com determinação e 
aproveitando cada oportunidade para aprimorar seus conhecimen-
tos. Que o futuro lhe reserve conquistas extraordinárias e realiza-
ções brilhantes.
Bons estudos e muito sucesso em suas jornadas acadêmicas e 
profissionais!
SINTETIZANDO
205
Referências
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pecíficas e portarias.
SAIBA MAIS
22
A portaria nº 3.214/1978, por exemplo, instituiu as chama-
das Normas Regulamentadoras (NRs), das quais uma delas é a NR 
17, que trata especificamente da Ergonomia. A questão normativa 
é essencial ao processo de ação ergonômica, já que boa parte dos 
projetos e da ação ergonômica passam invariavelmente pelo enqua-
dramento legal das condicionantes de trabalho. 
A legislação em Ergonomia no Brasil surgiu em grande parte graças 
aos processos de adoecimento derivados dos trabalhos em digita-
ção, cujos profissionais tinham tendência a desenvolver a chamada 
lesão do túnel do carpo, uma forma de distúrbio osteomuscular. É 
importante citar que as chamadas lesões por esforços repetitivos 
são uma forma de distúrbio osteomuscular associada ao trabalho.
Segundo o caput da NR 17, a Ergonomia é uma “adaptação das 
condições de trabalho às características psicofisiológicas dos tra-
balhadores, de modo a proporcionar conforto, segurança, saúde e 
desempenho eficiente no trabalho” (Brasil, 2022, [n.p.]).
A partir dessa definição geral, é possível notar que a norma re-
conhece o conforto como parâmetro de projeto de locais de trabalho 
que gera saúde e saúde gera produtividade e economia. No entanto, 
além do conceito, a NR 17 também traz alguns requisitos normativos 
alinhados à ergonomia, que devem ser seguidos por todos envolvidos 
com segurança e saúde ocupacional, como as empresas e os profissio-
nais responsáveis, e também a menção a outras normas e legislações 
que estão alinhadas ao processo de enquadramento normativo. Po-
de-se observar que tanto o documento original da NR 17 como os seus 
anexos evoluíram para atender a evolução do trabalho na sociedade.
No texto original, chegava-se a se falar em quantidade de to-
ques por minuto e outros requisitos para prevenir os casos de LER 
nos trabalhos de digitação, que hoje não tem o mesmo impacto 
epidemiológico de 30 anos atrás, quando a norma entrou em vigor. 
VOCÊ SABIA?
23
SAIBA MAIS
Isso pode ser observado também nos anexos, publicados em 2007. 
Se por um lado alguns ajustes foram feitos, como o esclarecimento 
em relação à necessidade de apoios de pé. Nos anexos, por exemplo, 
fica claro que não há necessidade de a empresa oferecer dispositivos 
para apoio nos casos em que o trabalhador consegue manter os pés 
confortavelmente no piso.
Figura 2 - Ergonomia
Fonte: Maanas / Shutterstock (2020). 
Entretanto, mesmo com a atualização, nem sempre é possí-
vel acompanhar a evolução sociotécnica, como no caso da preocupa-
ção com os call centers, que têm sido desativados em todo o país por 
conta da utilização de tecnologias de inteligência artificial. Por outro 
lado, os anexos são utilizados para aprofundar a ação de fiscalização, 
já que os auditores do trabalho costumam associar por equivalência 
contextos de outras áreas que não haviam sido incorporados no tex-
to original. Numa indústria onde um operador trabalha numa esteira 
transportadora, por exemplo, uma inadequação ergonômica nos as-
sentos pode ser apontada a partir do anexo de operadores de caixas.
A NR 17 teve sua implantação oficializada pela portaria MTb de nº 
3.214, de 08 de junho de 1978. A última alteração foi realizada por 
meio da portaria MTb n.º 4.219, de 20 de dezembro de 2022.
24
A ergonomia e o projeto de sistemas e ambientes 
de trabalho
Para a Ergonomia, um ambiente de trabalho é um lugar fisicamente 
demarcado, ou não, onde uma situação de trabalho transcorre. Sem 
um ambiente de trabalho equilibrado, as ações ergonômicas não se 
sustentam e de nada adianta resolver os impactos físicos, cognitivos 
e organizacionais que possam vir a surgir.
Por sua vez, um sistema de trabalho que engloba, ao mesmo 
tempo, o próprio ambiente e suas restrições e limitações, também 
está inserido em um ambiente de trabalho, independentemente 
desse mesmo espaço estar ou não delimitado, como no caso de um 
que seja construído. A ergonomia se debruça sobre vários aspectos:
 • Postura e os movimentos corporais
Sentados, em pé, empurrando, puxando, e levantando cargas.
 • Fatores ambientais
Ruídos, vibrações, iluminação, clima e agentes químicos.
 • Informação
Informações captadas pela visão, audição e outros sentidos.
 • Relação
Relações entre mostradores e controles;
 • Cargos e tarefas
Tarefas adequadas, interessantes.
A conjugação adequada desses fatores permite projetar am-
bientes seguros, saudáveis, confortáveis e eficientes, tanto no tra-
balho quanto na vida cotidiana (Dul; Weerdmeester, 2004).
Para Anamaria de Moraes e Claudia Mont’Alvão (2012), a ên-
fase da Ergonomia moderna tem sido investigar o operador e o am-
biente como parceiros dentro do sistema de trabalho, sem perder 
de vista a integralidade do sistema de trabalho. Em termos do posto 
25
de trabalho em si, Lida (2005) recomenda especial atenção à análi-
se das condições ambientais como temperatura, ruídos, vibrações 
gases tóxicos e iluminação. Um iluminamento deficiente sobre uma 
tarefa que exija precisão, por exemplo, pode ser muito fatigante.
O projeto de um sistema de trabalho ergonomicamente ade-
quado passa pela adoção das chamadas boas práticas em ergonomia. 
Elas, além da conformidade normativa, buscam atender necessida-
des biológicas, fisiológicas, de natureza biomecânica e em relação à 
antropometria – uma ferramenta de projeto ergonômico que ofere-
ce parâmetros como ajustes e regulagens a diferentes operadores, 
distâncias de visão, dimensões mínimas de mobiliário, dispositi-
vos e equipamentos de trabalho e outros projetos mais complexos, 
como o conceito de envelope humano, por exemplo.
Dentre os parâmetros mínimos de projetos, pode-se citar 12 re-
gras básicas de antropometria no Projeto Ergonômico (Santos, 2019):
 • Regra 1
Todos os objetos de uso frequente devem estar dentro da área 
de alcance ótima, representado por um quadrado imaginário 
de 25 cm de lado.
 • Regra 2
Dispositivos de operação manual devem evitar as chamadas 
posturas forçadas no indivíduo. 
 • Regra 3
Os braços devem estar na vertical, e os antebraços na horizon-
tal, devendo haver apoio para os antebraços e punhos.
 • Regra 4
Não deve existir compressão de qualquer parte do corpo hu-
mano pelo equipamento ou mobiliário de trabalho.
 • Regra 5
Entre instalar (ou projetar) algum componente mais alto ou 
mais baixo, instalá-lo mais alto, pois os trabalhadores mais 
baixos podem elevar artificialmente sua altura, enquanto os 
mais altos precisarão se curvar para o alcance.
26
 • Regra 6
Utilizar plataformas largas para compensar um acesso 
mais elevado.
 • Regra 7
Na medida do possível, o corpo deve trabalhar na vertical.
 • Regra 8
No caso de se trabalhar sentado, nunca deve ser necessário 
afastar as costas do encosto da cadeira para poder atingir ou 
visualizar o objeto de trabalho.
 • Regra 9
O tronco não deve se curvar rotineiramente para se fazer o 
trabalho, devendo os elementos de uso frequente serem alo-
cados em pontos acima da linha da cintura dos indivíduos.
 • Regra 10
O tronco não deve se curvar rotineiramente para se fazer 
o trabalho.
 • Regra 11
Na medida do possível, os postos de trabalho deveriam ter re-
gulagem de altura e regulagem de distâncias entre o corpo do 
trabalhador e o objeto de trabalho.
 • Regra 12
Na impossibilidade de se ter regulagem adaptável a todos, 
adotar três padrões de medidas do posto de trabalho: para 
pessoas altas, para pessoas medianas e para pessoas baixas.
Em ergonomia, usa-se preferencialmente o termo posturas 
forçadas ao invés de postura inadequada ou mesmo posturas inde-
sejadas, visto que as posturas adotadas no trabalho costumam ser 
impostas pelos dispositivos, mobiliários e sistemas de trabalho de 
modo geral.
27
Além disso, devem ser também reforçadas algumas dicas compor-
tamentais valiosas para a prevenção da saúde e segurança do traba-
lhador, como, por exemplo:
 • Dica 1
Manter uma postura ereta ao caminhar e neutraao trabalhar.
 • Dica 2
Sempre escolher uma posição segura, preferencialmente sen-
tado, ao realizar tarefas básicas, como vestir-se, por exemplo.
 • Dica 3
Em situações de multitasking, utilizar dispositivos que evitem 
posturas forçadas, como flexão de pescoço, que pode ser re-
solvido ao se utilizar um headset, por exemplo.
 • Dica 4
Em situações de monotonia e repetitividade, optar pelo rodí-
zio de tarefas e de funções.
 • Dica 5
Quando ocorrer dores musculares, oferecer ou exigir que se 
ofereçam pausas menores e mais frequentes, incentivar exer-
cícios regulares, treinamento de reeducação postural, ofere-
cer assentos adequados e postos de trabalho ajustáveis a cada 
biotipo, etc.
 • Dica 6
Quando a função exige pressão temporal e cumprimento de 
metas, optar por utilizar sistemáticas de compensação que 
combinem indicadores de saúde e segurança no trabalho, 
treinamento de gestão etc.
DICA
28
 • Dica 7
Em situações de estresse e fadiga, além das medidas já ci-
tadas, estimular o trabalhador a reconhecer problemas em 
equipamentos, no seu posto de trabalho e no ambiente (luz, 
ruído, temperatura) e etc.
As três Ergonomias
Ainda que o estudo e a prática ergonômica tenham como pressu-
posto básico a integração e a não dissociação dos elementos inter-
ferentes em uma situação de trabalho, costuma-se dividir o estudo 
em Ergonomia em três campos distintos: a física, a cognitiva e a 
organizacional. Segundo Santos, Vidal e Rheingantz (2013), a divi-
são da ergonomia em domínios de especialização tem objetivo claro 
de demarcação científica, buscando facilitar o estudo de todas as di-
ferentes possibilidades de análise e classificação do trabalho huma-
no em suas variantes técnicas.
A dimensão física da Ergonomia está associada às carac-
terísticas da anatomia humana, à fisiologia e à biomecânica rela-
cionadas aos aspectos biológicos, metabólicos e à atividade física 
dos indivíduos. Dentre seus tópicos mais relevantes pode-se citar 
a especificação de mobiliário confortável, anatômico e com ajustes 
antropométricos.
A antropometria é o ramo da Antropologia que lida com a mensura-
ção, tabulações e inferências estatísticas associadas aos diferentes 
segmentos do corpo humano, por isso tem relação com a dimensão 
física da ergonomia, que também inclui questões como a postura no 
trabalho, manuseio de materiais, e análise do posto de trabalho, sob 
a ótica do conforto, segurança e saúde.
CURIOSIDADE
29
O aspecto da anatomia, portanto, é de extrema importância 
para a ergonomia, uma vez que depende de um contexto para o seu 
emprego. Um objeto solto, que não esteja sendo utilizado em uma dada 
ação, pode não atender às necessidades desse indivíduo ou à nature-
za das tarefas desempenhadas, como uma cadeira de rodinhas em um 
transatlântico, que pode ser inconveniente dentro de uma embarcação 
sujeita aos movimentos das ondas do mar. Por isso, deve-se dizer que 
os dispositivos são anatômicos, uma vez que só podemos validar sua 
adequação à ergonomia quando ocorre a sua utilização pelo operador.
É nessa dimensão física, portanto, que estariam os estu-
dos epidemiológicos, sobretudo aqueles associados aos distúrbios 
musculoesqueléticos relacionados ao trabalho, como as Lesões por 
Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios osteomusculares re-
lacionados ao trabalho (DORT).
Figura 3 - Distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho
Fonte: Fizkes / Shutterstock (2020). 
Já a Ergonomia cognitiva está associada aos processos men-
tais, como percepção, memória, raciocínio e resposta motora pre-
sentes nas interações entre seres humanos e outros elementos de 
um sistema, como as ações de interpretação e tomada de decisão. A 
Ergonomia cognitiva é crucial para o projeto de sistemas de controle 
e na investigação de incidentes e acidentes do trabalho.
Por mim, a dimensão organizacional tem relação com os pro-
cessos de melhoria dos sistemas de produção e de trabalho. A ideia 
remete ao conceito de job design (projeto da organização do traba-
lho) e aos projetos de layout (arranjos físicos), aos fluxos, sequên-
cias operacionais e intercorrências, considerando suas estruturas 
30
organizacionais, políticas e processos em si. Dentre os itens ou te-
mas relevantes estão o projeto e a modificação de sistemas de co-
municação, gerenciamento de recursos de humanos, trabalho em 
equipe, projetos participativo e cooperativo, novos paradigmas 
organizacionais, cultura e clima organizacional, organizações em 
rede e a gestão da qualidade.
Essas definições trazem a mensagem que o ser humano, em 
corpo e mente, interage continuamente com o ambiente onde 
as atividades são realizadas, que, por sua vez, estão sob constan-
te modificação, num processo cíclico de planejamento, desenvol-
vimento e de retroalimentação. O ambiente de trabalho incorpora 
múltiplos aspectos, como sociais, técnicos, planejamento, progra-
mação, mobiliário, equipamentos e máquinas, sistemas de comuni-
cação, regime de trabalho, cultura empresarial, entre outros. Assim, 
o papel da ergonomia em promover benefícios, a boa adaptação de 
instalações e equipamentos ao homem, a saúde, a segurança e uma 
produtividade alinhada com os objetivos das organizações, sem dú-
vida, constitui-se em uma tarefa muito complexa e que requer en-
volvimento integrativo e a multidisciplinaridade.
As formas de ação ergonômica 
e o Ergodesign
Existem três formas da ergonomia agir: por meio da correção, da 
concepção e da conscientização.
A ergonomia de correção procura melhorar as condições de 
trabalho existentes, porém de forma parcial e muitas vezes de eficá-
cia limitada. Ela funciona basicamente como uma démarche de en-
quadramento normativo, em que os postos de trabalho e as diversas 
atividades que compõem a rotina do sujeito são avaliadas à luz da 
NR 17, normas correlacionadas e instruções técnicas ou normativas 
oficiais ou corporativas. É a forma mais usual de ação ergonômica, 
pois gera o chamado laudo de ergonomia, que costuma ser cobrado 
pela fiscalização do trabalho, auditorias externas e internas. Entre-
tanto, sua efetividade é geralmente limitada, pois as condicionantes 
de execução das tarefas e os modos operatórios sofrem restrições 
temporais, econômicas, físicas e ambientais.
31
SAIBA MAIS
Os modos operatórios são construtos abstratos representados pelo 
ambiente de trabalho, as condicionantes das tarefas, os elementos 
de regulação da atividade e todo e qualquer componente essencial à 
rotina e operacionalização de uma atividade de trabalho. Por isso, a 
Ergonomia de correção é limitada como ação e solução, já que, após 
a edificação ser posta em uso, qualquer tentativa de adaptação das 
condições de trabalho torna-se, muitas vezes, mais cara que o custo 
original da edificação!
A ergonomia de conscientização, por sua vez, está relacio-
nada à perenização de boas práticas. Isso ocorre por meio de trei-
namento e capacitação dos trabalhadores sobre os riscos e/ou a 
maneira correta de realizar um determinado trabalho, por exemplo 
(Santos; Vidal; Rheingantz, 2013). Não é comum que essa modali-
dade de ação ergonômica seja realizada de maneira isolada. Em ge-
ral, ela está atrelada a um Programa de Ergonomia ou mesmo outra 
forma de ação ergonômica, salvo em casos de palestras específicas 
devido a alguma inovação ou diretriz corporativa.
Por fim, a ergonomia de concepção, ou o projeto ergonômico, 
visa, antes mesmo de colocar em uso o ambiente ou sistema de traba-
lho, introduzir os conhecimentos sobre o homem em todas as partes 
que compõem o posto de trabalho, máquinas, ferramentas, disposi-
tivos, sistemas de produção, entre outros. Ainda que o custo relativo 
da ergonomia de concepção seja muito baixo em relação ao custo de 
implantação de um ambiente ou sistema de trabalho, essa modalidade 
de ação ergonômica é pouco utilizada. Isso é um contrassenso, pois se 
os sistemas de trabalho incorporarem a Ergonomia antes de sua fase 
de uso, o resultado natural seriaa entrega de uma situação de trabalho 
próxima do ideal, evitando gastos futuros pela ausência de Ergonomia.
De fato, tal afirmação é corroborada por Hal Hendrick e Brian 
M. Kleiner (2006), quando relacionam o custo de introdução da er-
gonomia em diferentes fases de um projeto. Os autores verificaram 
32
que, durante a fase de planejamento (pré-projeto) o custo da inter-
venção em ergonomia representa um percentual ínfimo do custo do 
projeto, sendo que os percentuais sobem gradativamente na medida 
em que as etapas de projeto avançam, chegando a mais de 12% na 
fase de operacionalização.
Uma outra forma de ação ergonômica encontrada na litera-
tura, o Ergodesign, é, na verdade, uma derivação da ergonomia de 
concepção. Entretanto, ele se refere ao processo de desenvolvimen-
to de produtos, ou seja, a ergonomia dos objetos e das coisas que 
usamos no dia a dia. Em geral, essa é uma expertise própria dos de-
senhistas industriais ou designers (Moraes; Mont”Alvão, 2012).
É interessante notar também que a ergonomia foi se transfor-
mando de uma ciência com laços estreitos com a Academia – muito 
em função de sua história inusitada, enquanto “ciência colaborati-
vamente construída” – para uma prática profissional mais ampla. 
Em outras palavras, como diz J. Dul e B. Weerdmester (2004), com o 
passar dos anos, a Ergonomia foi criando um sentido mais “prático” 
e utilitarista, com os estudos realizados na área objetivando captar 
os chamados “fatores humanos” em sua relação com o trabalho do 
homem e suas ferramentas, incluindo a participação de ergonomis-
tas numa ação de colaboração com outros profissionais, visando a 
criação de mecanismos e instrumentos diversos para ajudar o ho-
mem a organizar e padronizar seu ambiente de trabalho.
Antropometria e percepção ambiental
Se fosse possível destacar dois conjuntos de conhecimentos funda-
mentais para garantir a qualidade de um projeto em função do aten-
dimento das necessidades dos usuários, a percepção ambiental e a 
Antropometria apareceriam logo em evidência. 
A percepção ambiental é um tema associado à psicologia 
ambiental e visa o estudo e a compreensão de fenômenos associados 
à percepção humana em relação ao seu entorno.
Já a Antropometria fornece os parâmetros de adequação de di-
ferentes objetos aos diferentes tipos de indivíduos. Para tanto, ela leva 
33
em consideração a compatibilidade entre gêneros, as diferentes rela-
ções dimensionais dos segmentos corporais, a morfologia interindivi-
dual e outras referências de ajuste métrico e morfológico, fazendo as 
devidas adaptações ao corpo inerte (a chamada antropometria estáti-
ca) e para o corpo em movimento (a antropometria dinâmica).
Uma das definições de Ergonomia é que essa é uma aborda-
gem de projeto e de processo. Em outras palavras, a Ergonomia não 
somente auxilia na compreensão e realização das atividades des-
tinadas à concepção de produtos e serviços adequados às necessi-
dades do homem como também busca operacionalizar o ajuste de 
atividades e postos de trabalho e sistemas de produção humanos, 
de forma a garantir a plena efetividade desses sistemas. Portanto, 
a Ergonomia não pode prescindir da utilização de métodos e ferra-
mentas de projeto condizentes com as particularidades da atividade 
humana. Sendo assim, nada mais natural que buscar, por exemplo, 
técnicas que permitam o ajuste particularizado, ou mais bem custo-
mizado às necessidades especiais dos indivíduos.
A percepção ambiental é fundamental para o indivíduo si-
tuar-se em relação ao espaço. Por sua vez, a Antropometria é um 
ramo da antropologia que se ocupa das medidas da altura e dos dife-
rentes segmentos corporais dos seres humanos, enfim, que se preo-
cupa com as particularidades físicas dos indivíduos.
Percepção e sua relação com a modelagem 
e o projeto ergonômico
A percepção possui diferentes significados e importância distinta, 
conforme as áreas de estudo. Na filosofia, por exemplo, ela é vista 
como um sistema de conhecimento humano engendrado a partir de 
reações sensoriais. Na prática projetual, a percepção pode circular 
em uma espécie de fronteira onírica, talvez oriunda da própria for-
mação acadêmica dos designers e arquitetos, por exemplo.
Enquanto “vivência” experiências ambíguas de arte e técni-
ca, o designer “confunde-se” entre forma e função, muitas vezes 
desconhecendo ou ignorando os limites entre ambas. Além disso, 
34
fica na fronteira entre o determinismo de um programa, ou conjun-
to pré-estabelecido de diretrizes técnicas, sociais e organizacionais 
que devem ser seguidas em um projeto, e a intenção plástica do au-
tor, que repousa na escala do simbolismo. Por sua vez, os psicólogos 
têm outro entendimento: para eles, a percepção é o ato pelo qual 
a mente organiza suas sensações e reconhece um objeto externo 
(agente da ação).
A percepção, no entanto, também resulta em um sistema de 
referências. Estas referências são percebidas por todos os nossos 
sentidos; porém, a visão possui a capacidade de síntese percepti-
va que outros sentidos carecem. Ainda que a influência dos outros 
sentidos seja importante no processo perceptivo-cognitivo, é por 
meio da visão que estas referências literalmente tomam corpo e 
representatividade.
O que a visão projeta nas mentes só adquire um significado 
maior quando contextualizado. Ou seja: o que observamos precisa 
estar situado no tempo e no espaço para se tornar plenamente as-
similado pelos sentidos (cenário observável). Como dizia Merleau-
-Ponty (1971), a experiência sentida é multiperspectiva e não se 
reduz a nenhum momento efetivo, mas a partir da combinação de 
diversos pontos de vista espaciais e temporais. Ou, então, conforme 
Goguen (1999), qualquer teoria da arte ou mesmo qualquer aspecto 
mecânico envolvido em fenômenos de estimulação humana deve ter 
idealmente três componentes:
 • A lógica da arte
Se existem regras ou princípios universais.
 • A razão evolutiva
Por que essas regras evoluíram e por que elas têm essa forma.
 • A lógica cognitiva
Qual seria o mecanismo ou o circuito cerebral envolvido. 
O cérebro é objeto de estudo das ciências; portanto, a expe-
riência estética seria um subconjunto da consciência. Nesse sentido, a 
arte, para o ergonomista, é de importância limitada, mas certamente 
35
não excludente. Os psicólogos (sobretudo os que lidam com a psico-
logia ambiental) chamam de “boa Gestalt”, ou simplesmente Gestalt 
articulada, essa característica do observador externo a uma realidade 
porque une (ou transforma) os elementos “abstratos” ou soltos em 
formas mais reais, na compreensão dos fenômenos ligados à percep-
ção visual e artística. O processo de assimilação da percepção e sua 
aplicabilidade na análise ergonômica passam, necessariamente, pela 
compreensão do mecanismo de percepção como fenômeno resultan-
te de combinações essencialmente orgânicas.
O contato do homem com o seu ambiente só é possível por-
que canais receptores especificamente sensíveis a certas formas de 
energia processam e decodificam dados externos percebidos em 
códigos assimiláveis pelo organismo. Esta recepção, transformação 
e codificação constituem o primeiro estágio do processo percep-
tivo. Os cones e bastonetes dos olhos são sensíveis à luz incidente 
provocadas por mudanças fotoquímicas. O ouvido interno reage a 
movimentos de vibração a que somos submetidos e por sua vez a 
pele responde a estímulos de mudanças de pressão e temperatura. O 
olfato e paladar também podem ser acionados no processo percep-
tivo por meio da sensibilidade a gases e partículas voláteis que agem 
sobre as fossas nasais, língua e boca.
Além disso, as características de intensidade e amplitude 
(tempo de exposição, brilho etc.) dos impulsos externos podem pro-
vocar alterações diversas no comportamento dos canais receptores. 
Estas alterações podem confundir um ou mais órgão sensorial, mo-
dificando uma determinada codificação e, por consequência, o re-
sultado de uma representação mental. Ainda que as formas quenos 
cercam sejam realmente caóticas, o cérebro projeta-nos uma ordem 
decodificada em uma imagem mais clara. De uma miscelânea de 
pontos, o olho capta e remete ao cérebro aqueles que se enquadram 
em alguma estrutura, sejam objetos, formas humanas ou animais.
Assim, quando se contemplam nuvens, ou formações rocho-
sas, por exemplo, facilmente se projeta uma fantasia, recriando ob-
jetos que todos sabem não estarem lá. A complexidade do mecanismo 
de percepção é proporcional à quantidade de centros de pesquisa 
dedicados à abordagem do tema. Teorias tradicionais em percepção 
visual da forma geralmente acreditam que o processamento visual 
36
é servido por canais ou filtros de banda-estreita que respondem se-
letivamente para frequências e orientações espaciais (Manahilov; 
Simpson, 2001).
Fenômeno perceptivo e as diferentes dimensões 
da percepção visual
O processo de percepção visual ocorre em três fases: primária, se-
cundária e terciária. Na fase primária há a captação da imagem 
pelos receptores fotossensíveis localizados na retina. Essa imagem é 
então projetada no lobo occipital, onde se dá a recepção do estímu-
lo visual. Na fase secundária, ocorre o reconhecimento da imagem 
projetada, ou seja, a mente atribui à imagem um significado. Nossa 
mente interpreta tudo aquilo que observamos e contextualiza estas 
imagens em relação às suas dimensões físicas no tempo e no espa-
ço. Além disso, instantânea e inconscientemente, atribuímos certas 
características nem sempre “reais” ao que registramos visualmente 
baseados em nossas experiências individuais. Na última fase ocor-
re uma integração cortical desta imagem reconhecida com todos 
os outros sentidos (olfato, tato, audição etc.). Consequentemente, 
mesmo sendo a visão o sentido determinante para o processo de 
percepção, as outras atividades sensoriais, particularmente o tato e 
a cinestesia, desempenham um papel que não deve ser desprezado 
(Santos; Vidal; Rheingantz, 2013).
A visão não é uma função totalmente independente de nos-
sa vontade. Ela está profundamente integrada ao desenvolvimento 
psicossomático do indivíduo. Nossa postura, coordenação, inte-
ligência e personalidade irão afetar e serem afetadas pelos meca-
nismos da percepção visual. A visão, considerado o sentido mais 
sofisticado e objetivo, permite a assimilação e o reconhecimento do 
mundo exterior, fornecendo um relato minucioso do contexto e re-
gistrando simultaneamente posição, forma, cor, tamanho e distân-
cia no tempo e no espaço.
Para o estudo da ergonomia, ou na ação ergonômica, a noção 
de percepção voltada para as formas geométricas soltas, ou modelos 
de representação mental fora de um contexto espacial e temporal, é 
37
VOCÊ SABIA?
pouco producente. Por outro lado, não é apenas a imagem (ou cená-
rio) decodificada que tem importância nos estudos e na prática da 
ergonomia. A aceitação de que princípios óticos (distorção, alonga-
mento, miragem, etc) estão presentes no cotidiano de observadores 
(e observados) e que estes fenômenos podem ser orientativos e não 
somente desorientativos são ideias fundamentais para a percepção 
e representação de formas e cenários observáveis.
Quando se caminha na rua e de repente um cachorro late en-
tre um vão num muro ou numa cerca, a mente é capaz de, em fração 
de segundos, reconstruir este animal de forma clara, ainda que os 
olhos não tenham sido rápidos o bastante para perceberem todas as 
suas características. O mesmo acontece quando alguém senta numa 
sala com a porta entreaberta para um corredor onde estejam pas-
sando grande número de pessoas. Somente pelos vultos já é possível 
saber que se tratam de pessoas, e, algumas vezes, até mesmo “infe-
rir” certas características individuais baseadas na maneira de andar 
ou pelo tamanho dos cabelos.
Isto ocorre porque nosso cérebro cria imagens genéricas baseadas 
nos poucos dados fornecidos. Em alguns casos, inclusive, se as ca-
racterísticas percebidas forem traços individuais marcantes – uma 
barba ou cabelo desalinhado – podemos até mesmo identificar cer-
tos indivíduos familiares a partir de microssegundos de observação. 
Esse fenômeno se associa à percepção de movimento que, em lin-
guagem simples, está relacionado ao movimento que ocorre quando 
existe uma mudança no espaço (deslocamento) em função do tem-
po. Para que ocorra a percepção deste movimento, é preciso que o 
deslocamento tenha uma intensidade mínima. Naturalmente, se o 
intervalo é curto demais, a percepção de imagens determinadas por 
movimentos (como no caso dos vultos nas portas) é dificultada ou 
até impossibilitada.
38
Outra questão importante diz respeito à percepção do es-
paço tridimensional. Para designers, em especial os designers de 
interiores, essa propriedade da visão não apenas “percebe” e proje-
ta o espaço em três dimensões, mas adiciona uma quarta: o tempo.
Como já foi dito, o tempo está relacionado ao movimento 
e, portanto, a observação em movimento oferece perspectivas não 
apenas orgânicas (no sentido da forma), mas sobretudo estéticas 
(no sentido da imagem em movimento ser um recurso artístico). 
Com isso, ao transitar de forma criativa e imaginativa por uma ma-
quete eletrônica, o designer de interiores pode antecipar questões 
de fluxos, interdependência, contrastes e conflitos, que poderão 
afetar o produto oferecido ao usuário em relação à usabilidade, ao 
impacto visual e ao contraste de cores, por exemplo.
A importância do processo de percepção em ergonomia é evi-
denciada pela apropriação de uma ferramenta presente na análise 
ergonômica do trabalho, a simulação animada. As observações er-
gonômicas (ou observações situadas) são como registros instantâ-
neos de uma realidade que demanda alguma forma de intervenção. 
Existe aí certa ambiguidade (arte e técnica, tal como a arquitetura) 
de função em cada observação de um ambiente profissional. De cada 
um destes cenários observáveis, podemos extrair diferentes face-
tas ou grupamentos.
Um primeiro grupamento se mostra (ou percebe-se) de 
forma estática, tal como uma fotografia. Este fotograma forma-
do em nossa mente é uma representação concreta do cenário e seu 
determinismo formal. O segundo grupamento é mais complexo e 
rico de significação, tal como uma imagem dinâmica ou um filme, 
com princípio (gatilho da ação), meio (desenvolvimento da ação) e 
fim (resolução da ação). Entretanto, esses grupamentos, ainda que 
combinados, são insuficientes para a compreensão global de um ce-
nário, pois dependem única e exclusivamente da nossa visão. Esta 
ordenação óbvia parece subverter o princípio da boa Gestalt, que se 
relaciona à tendência de a visão humana buscar consolidar ou com-
pletar um dado objeto.
Mas nem todos os fenômenos da visão ocorrem de forma 
objetiva. Afinal, as pessoas tendem a enxergar o mundo de forma 
39
diferente dependendo do contexto onde se encontram e da histó-
ria pessoal que carregam. Detalhes construtivos e aspectos de am-
biência (que refere-se aos efeitos do ambiente sobre as pessoas e 
sistemas) podem afetar a percepção a ponto de trazer desconforto 
a ambientes anteriormente agradáveis. Algumas dessas reações, 
aparentemente inexplicáveis, podem ocorrer em outros sentidos do 
corpo, ou mesmo remeter um sentido inato a um processo cogni-
tivo mais amplo, como ocorre em relação a sabores ou odores que 
trazem memórias da infância, por exemplo. Ao se observar uma si-
tuação, inadvertidamente incorporam- se ao contexto elementos 
exógenos àquele cenário.
O romancista e poeta irlandês James Joyce (1882–1941), que 
havia estudado Medicina quando jovem, cunhou um termo para ca-
racterizar esta ocorrência. Ele dizia que, ao fotografar uma cena, 
são gerados fadographs (corruptela dos termos em inglês fotograph 
ou fotografia e o verbo to fade ou dissipar) desta cena, sendo que 
certos fadographs são mais nítidos enquanto outros desaparecem 
rapidamente. Assim, as pessoas acumulam templates (gabaritos) de 
objetos que são inconscientemente utilizados para compor a Gestaltde um objeto real, da mesma forma como ao dirigir numa estrada ao 
longo de uma fazenda não é possível registrar detalhadamente todo 
o rebanho e suas ações. É possível, porém, perceber a presença de 
vários animais em toda sua integridade, seus chifres, rabos, cores e 
tudo mais. Segundo Anton Ehrenzweig (1999), qualquer experiência 
consciente contém processos complexos inconscientes perscrutan-
do diversas “camadas” (sistemas de diferenciação) dentro de nossa 
mente, que são capazes de movimentar ou manter suprimidos ou-
tros elementos em diferentes níveis da mente.
Os olhos veem apenas aquilo que a pessoa quer, mas procu-
ram estímulos que possam apoiar certos conceitos. Robert Sommer 
(1977) relata experimentos onde psicólogos ambientais tiveram 
pessoas com olhos vendados convidadas a perceber o ambiente, 
como forma de estimular assim outros sentidos. Para a percepção 
de formas aplicadas sobre um plano qualquer existe uma série de 
princípios oriundos de experimentos diversos, em campos do co-
nhecimento distintos.
40
Ehrenzweig (1999) e Day (1967) classificaram alguns prin-
cípios que ajudam na compreensão dos diferentes mecanismos de 
visão e cognição:
 • Princípio da constância da forma
Torna possível reconhecer instantaneamente uma determi-
nada qualidade (como uma forma circular idêntica dentre 
objetos com texturas ou posicionados em ângulos diferentes, 
por exemplo), escolhendo-se aquela que possui uma forma 
mais real. A constância da forma automaticamente despreza 
todas as distorções da forma, tornando o reconhecimento do 
objeto mais rápido e mais seguro.
 • Princípio da constância de tom
Serve para equilibrar as distorções do tom local por meio das 
excentricidades da iluminação (claro/escuro). Um livro preto 
sob a luz plena do sol se tornará mais claro, por exemplo. A 
constância do tom automaticamente despreza as distorções 
do tom e nós tendemos a perceber imediatamente os valores 
do tom primário, tanto do preto como do branco.
 • A fisiologia na observação e interpretação de formas
Serve para capacitar a percepção visual que são dos mecanis-
mos decorrentes da fisiologia humana, como o mecanismo de 
visão capaz de reconhecer distorções de perspectivas e criar 
distorções da realidade. A visão periférica possui qualida-
des da percepção inconsciente. Certas diferenças fisiológicas 
na função das células visuais centrais e periféricas da retina 
(as células cones centrais e as células bastonetes periféricas) 
permitem isolar fantasias periféricas da forma sem desviar a 
atenção para o foco do campo visual. A visão periférica, im-
perfeita como pode parecer em outros aspectos, supera a visão 
central por sua acuidade superior sob condições crepusculares. 
Ehrenzweig (1999) citava a existência de uma fração de se-
gundo de dúvida e ambiguidade que se atribui a qualquer ato da 
percepção em seu estágio inicial ainda inarticulado. Por isso, existe 
a tendência em se esquecer aquele segundo de ambiguidade assim 
41
que a imagem mnêmica (relativa à memória) final é formada. Por-
tanto, a aparência inicial e ambígua de algum novo objeto na orla 
periférica de nossa visão não é retida pela memória depois que ela 
é identificada do modo normal. O aspecto psicológico aqui presen-
te é que nem a flexibilidade da visão periférica: a sua facilidade em 
ser moldada pela nossa imaginação pode ser explicada por fatores 
fisiológicos (como se fosse uma “função” imperfeita das células 
periféricas da retina). As células responsáveis pela visão periférica 
encontram-se esparsamente distribuídas na retina e mais estrei-
tamente comprimidas do que as células centrais. Isso explicaria sua 
reduzida acuidade.
A imprecisão da visão comum é como uma fotografia man-
chada. As pessoas podem analisá-la despreocupadamente e dar pal-
pites adequados sobre o que ela representa, enquanto uma pessoa 
míope, por exemplo, teria que recorrer a adivinhações. A fotografia 
manchada, ou uma visão ordinariamente manchada, são rapida-
mente identificadas e, apesar de sua imprecisão, não prejudicam 
nossa atenção consciente.
A imprecisão da visão periférica, entretanto, está insepa-
ravelmente ligada à sua qualidade evasiva. Uma forma não pare-
cerá muito vaga se for focalizada plenamente, assegurando-se de 
sua configuração correta. Porém, se não há memória do que de-
terminadas formas representam, então um jogo de adivinhação 
se iniciará produzindo outros resultados. Logo, a visão periférica 
deve ser empregada em situações em que a atenção do observador 
que executa uma tarefa tem sua visão central absorvida, como ao 
se dirigir um carro.
Existe uma grande semelhança entre a estrutura dupla de 
nosso campo visual e aquela das imagens mentais que emergem em 
nossa consciência. Essa semelhança pode ser explicada pelo fato de 
que nossas imagens mentais são basicamente derivadas de conteú-
dos reais do campo visual. É como se nossa consciência tentasse li-
dar com diversos assuntos simultaneamente, o que não deixa de ser 
uma evidência empírica da causa de certos acidentes que derivam 
de desvio de atenção, onde o agente ao experimentar e combinar 
construções mentais conscientes e inconscientes seja propelido a 
decisões indevidas.
42
Fenomenologia dos determinantes 
inatos da percepção
Os determinantes inatos da percepção (ou nativismo na percep-
ção) são aqueles que nascem com o indivíduo e pouco sofrem in-
fluência do seu desenvolvimento social, cultural e cognitivo. Estão 
associados, portanto, às estruturas biológicas e ao fisiologismo hu-
mano. Se um indivíduo realiza um reconhecimento característico 
ou estabelece respostas discriminativas a um estímulo sem ter sido 
exposto previamente a ele, seria razoável supor a existência de uma 
relação inata entre estímulo e resposta.
Tentativas para demonstrar a ocorrência de determinantes 
inatos nos comportamentos de reconhecimento e discriminativo 
não estão dissociadas das disputas históricas sobre o problema do 
nativismo na percepção. As preocupações recentes com este proble-
ma, todavia, se referem principalmente às evidências biológicas e 
as que revelam um comportamento perceptivo que não depende de 
aprendizagem. Ou seja: não é derivado de nossas experiências mais 
puras ou do conhecimento formal adquirido pelos indivíduos.
Examinando a natureza do estímulo, percebe-se que os re-
ceptores respondem primariamente às mudanças na estimulação e 
que, na ausência de mudanças, as sensações tendem a desaparecer 
gradualmente. A energia do estímulo pode mudar tanto em função do 
tempo como do espaço. Quando o estímulo varia espacialmente, os 
efeitos perceptivos são de margens, limite, forma, contorno e confi-
guração. O delicado “mosaico de receptores”, que recobre a retina dos 
olhos e se acha distribuído sobre a pele, é particularmente adequado 
para a discriminação de mudanças espaciais. A forma e a textura vi-
suais decorrem de mudanças em intensidade e comprimento de onda 
da luz que chega à retina, e sensações táteis como as texturas macias 
ou ásperas, assim como as sensações de contorno são associadas a 
variações de pressão mecânica sobre a superfície da pele.
A capacidade de resolução ou a acuidade dos olhos e da pele 
impõe um limite à finura dos tamanhos e texturas perceptíveis 
como tais, e os processos de contorno servem para aguçar ou realçar 
limites e bordas, quando borrados ou pouco claros. A capacidade de 
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resolução e as formações de contorno constituem as bases da per-
cepção da forma e configuração. A retina não é, entretanto, unifor-
me nesta capacidade de resolução espacial. As mudanças espaciais 
na estimulação visual não variam apenas em função de iluminação 
ou distância, mas também no caráter mais ou menos contrastante 
destas mudanças. Essas variações espaciais na estimulação são res-
ponsáveis pela percepção de limites, bordas, contornos e configura-
ções nas imagens registradas pelo sistema visual.
O fato de que contornos e configurações resultam de certas di-
ferenças críticas

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