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Microbiologia Clínica Patogenicidade e virulência Profa: Natália Carla Dantas Conceito de patogenicidade e virulência • Patogenicidade: capacidade de um microrganismo causar doença. • Virulência: grau de agressividade ou intensidade com que esse microrganismo causa dano ao hospedeiro. Para que ocorra infecção, é necessário: • Microrganismo viável; • Porta de entrada; • Hospedeiro suscetível; • Fatores de virulência adequados. Fatores de patogenicidade e virulência • Cápsula; • Toxinas; • Enzimas; • Formação de biofilme; • Resistência antimicrobiana. Relação entre microrganismo, hospedeiro e ambiente A ocorrência de infecção depende da interação entre: • Agente etiológico; • Hospedeiro; • Ambiente. Exemplos: • Diabéticos com infecções cutâneas recorrentes; • Uso de dispositivos invasivos (cateteres, próteses). Microbiologia Clínica Patógenos de relevância clínica Profa: Natália Carla Dantas Conceito de patógeno de relevância clínica Um patógeno de relevância clínica é aquele que: • Possui capacidade de causar doença; • Está frequentemente associado a quadros infecciosos; • Apresenta impacto epidemiológico significativo; • Pode desenvolver resistência antimicrobiana; • Representa risco hospitalar ou comunitário. Bactérias de importância clínica (GRAM Positivas) Staphylococcus spp. • Cocos Gram-positivos; • Parte da microbiota da pele e mucosas; • Importância em infecções hospitalares; • Capacidade de formar biofilmes; • Resistência relevante. Relevância clínica: • Infecções de pele; • Infecções de próteses; • Sepse; • Endocardite. • Staphylococcus aureus • Staphylococcus epidermidis • Staphylococcus saprophyticus Staphylococcus spp. Fatores de virulência (Toxinas) Toxina-1 da Síndrome do Choque Tóxico (TSST-1) Chouqe tóxico estafilocócico Enterotoxinas Esfoliatina ou epidermolisina ou toxinas esfoliativas (ETA, ETB, ETC e ETD). Intoxicação alimentar estafilocócica Separação da derme e epiderme: “Sindrome da pele escaldada”. Staphylococcus spp. Relevância clínica: • Infecções de pele; • Infecções nos ossos • Infecções de próteses; • Sepse; • Endocardite. • Intoxicação alimentar Staphylococcus aureus Infecções superficiais: • Foliculite, • Terçol, • Furúnculo, • Carbúnculo (pode atingir tecidos mais profundos), • Impetigo (lesões na epiderme). Staphylococcus aureus Infecções superficiais: • Síndrome da pele escaldada. Staphylococcus aureus Infecções internas: • Síndrome do choque tóxico (colonização vaginal pelo absorvente interno), • Pneumonia, • Endocardite, • Intoxicação alimentar (ingestão de endotoxinas). Staphylococcus aureus Síndrome do choque tóxico Staphylococcus aureus Infecções internas: • Síndrome do choque tóxico Staphylococcus aureus Infecções internas: • Pneumonia Staphylococcus aureus Infecções internas: • Endocardite Staphylococcus aureus Intoxicação alimentar: • 10 a 20% das intoxicações alimentares. • Ingestão de enterotoxinas. • Alimentos facilmente contaminados: carnes processadas, creme de leite, batatas, sorvetes. • Sintomas: náuseas, vômitos, diarreia e dores abdominais, 4h a 12h após a ingestão. • Enterotoxinas são termoestáveis. Staphylococcus aureus Diagnóstico: • Microscopia (GRAM) • Cultura em ágar sangue e ágar manitol salgado. • Testes bioquímicos (catalase e coagulase) • Antibiograma para detecção de MRSA (S. aureus RESISTENTE À METICILINA) Tratamento: • Oxacilina ou Cefalosporina (sensíveis) • Vancomicina para MRSA • Rifampicina + Gentamicina em infecções associadas a biofilmes. Staphylococcus epidermidis • Microbiota humana da pele e mucosa, • Coagulase negativa. • Toxina Bacteriocinas (ação contra outras Gram positivas). • Importante patógeno hospitalar que forma biofilme - contamina cateter Adere a superfícies plásticas de cateteres e produz uma substância extracelular viscosa (biofilme) que o protege contra antibióticos e o sistema imunológico Streptococcus spp. • Bactérias Gram-positivas em cadeia ou diplococcus. • Frequentemente associados a infecções respiratórias; • Conhecida como a “bactéria que come carne”, pois libera toxinas que danificam células e tecidos, causando morte celular e à destruição dos tecidos envolvidos. Relevância clínica: • Faringoamigdalite; • Orofaringite; • Pneumonia; • Glomerulonefrite • Meningite; • Endocardite; • Febre reumática Streptococcus spp. Fatores de virulência (Toxinas) • Proteína M: Evita fagocitose • Estreptolisinas O e S: Citotóxicas • Toxinas pirogênicas: escarlatina e choque tóxico estreptocócico • Hialuronidase: invasão tecidual – necrose. Streptococcus pyogenes Principais doenças: • Orofaringite; • Glomerulonefrite • Febre reumática Infecções invasivas: • Fascite necrosante; • Erisipela; • Miosite (infecção no músculo) • Bacteremia (bact. no sangue) • Sepse Streptococcus pyogenes “Bactéria que come carne” libera toxinas que danificam células e tecidos, causando morte celular e à destruição dos tecidos envolvidos. Streptococcus pyogenes Endocardite Streptococcus pneumoniae Principais doenças: • infectam o trato respiratório e são responsáveis por infecções graves em pacientes idosos e crianças. • Causam otite, sinusite, pneumonia e meningite. Peneumococo Streptococcus pneumoniae Pneumonia: • Parecida com estado gripal • Idosos e crianças • Presença de capsula: fator de virulência e causador de infecção. Otite e sinusite: Principal causa Decorrente de complicações de infecções virais Streptococcus pneumoniae Meningite: • Meningite purulenta; • Crianças e adultos; • Secudária a otite, sinisite, peneumonia e bacteremia primária; • Pode ser letal: mesmo em casos tratados adequadamente. Streptococcus spp. Diagnóstico: • Microscopia de GRAM • Cultura em Ágar Sangue • Teste de sensibilidade à bacitracina (S. pyogenes) • Teste sorológico para ASO (antiestreptolisina O) - ASLO Tratamento: • Penicilina ou amoxicilina (S. pyogenes) • Ceftriaxona ou Vancomicina (S. peneumoniae em meningite) Diferenças Bactérias de importância clínica (GRAM Negativas) Bactérias de importância clínica (GRAM Negativas) Essas bactérias possuem: • Parede celular com LPS (endotoxina); • Capacidade de replicar múltiplos genes de resistência. Relevância clínica: • Infecções urinárias; • Infecções intestinais; • Infecções hospitalares; • Sepse. Enterobactérias e bacilos Gram- negativos Família Enterobacteriaceae • Bacilos Gram-Negativos • 40 gêneros • Solos, água e vegetação. • Patógenos e comensais (oportunistas). • Enterobacter aerogenes • Escherichia coli • Klebsiella pneumoniae; • Klebsiella oxytoca • Salmonella enterica • Shigella sonnei; S. flexneri • Proteus mirabilis Prinicpais espécies: Família Enterobacteriaceae Antígeno K (ou vi), O e H: • são utilizados para classificação sorológica. Lipopolissacarídeo (LPS): • endotoxinas liberadas quando há lise celular. • Liberam citocinas, leucicitose, febre, diminuição da circulação periférica e morte. Família Enterobacteriaceae Capsula: • Confere proteção contra fagocitose devido aos antígenos capsulares hidrofílico; • Repelem a superfície hidrofóbica da célula fagocítica. Escherichia coli • Compõe a microbiota normal do intestino grosso, mas pode ser adquirida do meio ambiente e da alimentação. • Normalmente é inofensiva, mas pode causar infecções hospitalares graves por meio de cateter venoso, cateter urinário, cesária, histerectomia. Escherichia coli • ITU (principal agente). • Meningite neonatal. • Diarreias. • Septicemias. Infecções causadas: Salmonella • Habitat: trato intestinal dos seres humanos e de muitos animais. • Contaminação fecal-oral. • Produtos à base de carne e ovos são mais susceptíveis a contaminação. • Causadorada febre tifoide, disseminada em fezes de humanos, atinge baço e fígado. Agente etiológico da salmonelose ou gastroenterite por Salmonella Salmonella • Salmonella tifóide (2 a 3 semanas de incubação) • Salmonella não tifóide ou Salmonelose (12 a 36 horas de incubação). • Gravidade e período de incubação dependem do número (carga) bateriana ingerida. • Baixa taxa de mortalidade em adultos (menor que 1%) - lactantes e idosos mais propensos a desenvolver choque séptico e irem à óbito. • Normalmente paciente evolui para a cura, porém eliminar as bactérias nas fezes por até 6 meses. Agente etiológico da salmonelose ou gastroenterite por Salmonella Salmonella • Agente etiológico: Salmonella thyphi • Disseminação: fezes de humanos • Período de incubação: Bacilos se multiplicam no interior das células fagocíticas e se disseminam para orgão como baço e fígado. • Casos graves: ulceração e perfuração da parede intestinal, evoluindo para óbito. • Taxa de mortalidade: 20% antes da antibióticoterapia. • Taxa de mortalidade atual: inferior a 1% com o uso de atinbióticos. Febre tifóide Shigella • Shigelose ou disenteria bacilar (forma grave da diarreia). • Causadas por bastonetes Gram negativos anaeróbios facultativos. • Não possuem reservatórios em animais - disseminados de pessoa para pessoa. • Transmissão fecal-oral - comum em crianças. • Período de incubação: 12h a 2 semanas. • Espécies patogênicas: S. sonnei; S. dysenteriae; S. flexneri; S boydii. Shigella Mycobacterium • Gênero Mycobacterium • São as menores bactérias conhecidas e podem ser confundidas com vírus. • Membrana celular rica em esteróis, lipídios e ácidos micólicos. • Bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR); • 60 espécies conhecidas, apenas algumas poucas patogênicas ao ser humano. Mycobacterium tuberculosis Mycobacterium tuberculosis • Agente etiológico da tuberculose • Séc. XX: antimicrobianos diminuiu a mortalidade e as infecções. Transmissão: • “Bacilífero” = pessoa com TB. • Pode infectar de 10 a 15 pessoas. • Baciloscopia negativa do escarro, mas com diagnóstico e cultura positiva - NÃO transmite. Mycobacterium tuberculosis Diagnóstico: • Baciloscopia do escarro; • TRM-TB; • Prova tuberculínica ou IGRA (exame de sangue): Indica se houve infecção pelo bacilo • Cultura de Mycobactéria. Mycobacterium tuberculosis • Tosse persistente (seca ou produtiva) com ou sem hemoptise (rompimento de vaso sanguíneo). • Febre vespertina • Sudorese noturna • Emagrecimento Sintomas clássicos: Mycobacterium tuberculosis • Logo após contato do indivíduo contaminado. • Irritação com febre baixa, sudorese noturna e inapetência. • Nem sempre tosse presente. • Mais comum em crianças. TB pulmonar primária: • Qualquer idade • Tosse seca ou prdutiva • Produtiva com expectoração purulenta ou mucóide, com ou sem sangue. • Febre sem calafrios, não ultrapassa 38,5 C. • Sudorese noturna e anorexia comuns TB pulmonar secundária: Mycobacterium tuberculosis Tuberculose • Forma grave da doença acometendo especialmente pessoas infectadas por HIV na fase da imunossupressão (AIDS); • Sintomas: Febre, astenia (perda da força física), emagrecimento e tosse - 80% dos casos. Mycobacterium tuberculosis Tratamento • Contaminação de antibióticos como rifamicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol. • Esquema mantido por 6 meses ou mais, para garantir a erradicação da infecção. Mycobacterium leprae Transmissão: • Pacientes com hanseníase lepromatosa liberam grande quantidade de bacilos em secreções nasais e exsudados de suas lesões - entram em contato com as mucosas nasais de indivíduos não infectyados. • Acomete pessoas que tem contato íntimo e prolongado com o doente. Mycobacterium leprae Características: • Manchas avermelhadas ou esbranquiçadas com bordas elevadas e mal delimitadas na periferia. • Perda pacial ou total da sensibilidade. • Pode haver intensa dor nos nervos (início ou término do tratamento devido a reações imnunológicas frente ao tratamento). Lóbulo auricolar: • Com uma pinça de Kelly fazer um prego no lóbulo, pressionando suficiente para obter isquemia, evitando sangramento. • Manter pressão até o final da coleta. • Realizar o corte (5mm de extensão e 3 mm profundidade) . • Coletar material intradérmico com auxílio de uma lâmina. • Amostra NÃO deve conter sangue. Mycobacterium leprae Tratamento: • Dapsona e rifampicina. • Duração de 6 meses a 2 anos, dependendo do tipo de hanseníase. Mycobacterium leprae