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PRÁTICA PROFISSIONAL
2023
Sandra Augusta Martine
PRESIDENTE 
Frei Thiago Alexandre Hayakawa, OFM
DIRETOR GERAL 
Jorge Apóstolos Siarcos 
REITOR 
Frei Gilberto Gonçalves Garcia, OFM 
VICE-REITOR 
Frei Thiago Alexandre Hayakawa, OFM
PRÓ-REITOR DE ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO 
Adriel de Moura Cabral 
PRÓ-REITOR DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO 
Dilnei Giseli Lorenzi 
COORDENADOR DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - NEAD 
Franklin Portela Correia
CENTRO DE INOVAÇÃO E SOLUÇÕES EDUCACIONAIS - CISE
Franklin Portela Correia
REVISÃO TÉCNICA
Claudia Cristina Mussolini
PROJETO GRÁFICO
Centro de Inovação e Soluções Educacionais - CISE
CAPA
Centro de Inovação e Soluções Educacionais - CISE
DIAGRAMADORES
Andréa Ercília Calegari
© 2023 Universidade São Francisco
Avenida São Francisco de Assis, 218
CEP 12916-900 – Bragança Paulista/SP
CASA NOSSA SENHORA DA PAZ – AÇÃO SOCIAL FRANCISCANA, PROVÍNCIA 
FRANCISCANA DA IMACULADA CONCEIÇÃO DO BRASIL – 
ORDEM DOS FRADES MENORES
SANDRA AUGUSTA MARTINE
Possui graduação em Serviço Social - PUC-SP - FACULDADE DE SERVIÇO SOCIAL (de-
zembro/1988) e mestrado em Serviço Social PUC-SP pela Pontifícia Universidade Católica 
de São Paulo (outubro /2010) Foi bolsista CNPQ (agosto/2008 a julho/2009) e CAPESS II 
(agosto/2009 a setembro/2010). Atualmente é aluna do Programa de Estudos Pós- Gra-
duados em Serviço Social, nível doutorado, área de conhecimento Formação Profissional, 
sento bolsista CNPq (2015.2). É assistente social com licença-afastamento da PREFEITU-
RA MUNICIPAL DE TABOÃO DA SERRA. Tem experiência na área de Serviço Social, com 
ênfase em Serviço Social Aplicado. Trabalhou como coordenadora e técnica nas políticas 
sociais de assistência social e habitação. Atuou como docente em cursos de graduação, 
lecionando as disciplinas de Fundamentos Históricos, Teórico -Metodológicos de Serviço 
Social I, II, III, IV; Supervisão Acadêmica de Estágio Curricular I,II,III e IV; Política Social 
II; Planejamento e Gestão Social; Avaliação de Políticas Públicas; Trabalho de Conclusão 
de Curso I; Orientação de TCC; e, coordenação do Núcleo de Estudo e Pesquisa sobre o 
Envelhecimento; bem como, em cursos de pós-graduação (nível especialização) de Ge-
rontologia: Fundamentos e Práticas, Política Pública e Família, Prevenção e Proteção à 
Violência Doméstica contra a Criança e o Adolescente, Políticas Públicas: Fundamentos, 
Competências e Práticas, Trabalho Social com Famílias: desafios e possibilidades, Políticas 
Públicas e Sociais, Serviço Social e Gestão de Projetos Sociais.
A AUTORA
SUMÁRIO
UNIDADE 01: (RE)DISCUSSÃO DE CONCEITOS ...............................................6
1. Retomando conceitos .........................................................................................6
2. O cotidiano da prática profissional e a complexa e intrínseca relação com os 
direitos .....................................................................................................................17
UNIDADE 02: O DIREITO À CIDADE E A POLÍTICA HABITACIONAL : DESAFIO 
PARA O SERVIÇO SOCIAL .....................................................................................24
1. A questão habitacional no Brasil: história e atualidade ......................................24
2. Marcos legais do Direito à Cidade .....................................................................28
3. Serviço Social, Trabalho Social e Política de Habitação ....................................29
UNIDADE 03: A VIOLÊNCIA URBANA E A VIOLÊNCIA CONTRA AS MINORIAS 
....................................................................................................................................38
1. Violência: conceito e implicações ........................................................................38
2. Desigualdade Social e Democracia: implicações para a violência urbana .......42
3. Tipologia da violência .......................................................................................47
UNIDADE 04: O SIGNIFICADO SOCIAL DA PROFISSÃO ..................................56
1. O significado do serviço social ‒ História e Contemporaneidade .......................56
2. A precarização do trabalho do/da assistente social e a regressão dos direitos .66
6
1
(Re)Discussão de conceitos UNIDADE 1
(RE)DISCUSSÃO DE CONCEITOS
INTRODUÇÃO
Vamos iniciar os estudos sobre práticas profissionais e para isso iremos (re)discutir 
alguns conceitos fundamentais, quais sejam: direitos humanos, fundamentais e sociais, 
a importância do território e das territorialidades, viabilizando e estabelecendo uma re-
lação com o Serviço Social.
1. RETOMANDO CONCEITOS 
Ao retomarmos os conceitos postos no decorrer do texto, a intenção é de possibilitar aos 
leitores relembrar e aprofundar conceitos já trabalhados e de conhecer novos. 
1.1. OS DIREITOS HUMANOS, FUNDAMENTAIS E SOCIAIS NA 
SOCIEDADE BRASILEIRA
Ao retomarmos os conceitos sobre os direitos humanos, fundamentais e sociais, quere-
mos identificar o seu uso para as pessoas, de forma geral; e para as/os assistentes so-
ciais na sua prática profissional, identificando os desafios de manutenção e promoção 
desses direitos, bem como a sua importância. 
Sabemos que a realidade social de grande parcela da população vive à margem da 
sociedade, demonstrando que a promoção, manutenção e garantia dos direitos, sejam 
eles humanos, fundamentais ou sociais possuem diversos obstáculos a serem ultra-
passados. Assim, as ações/intervenções das/dos profissionais de Serviço Social, que 
ocorrem nas expressões da questão social e que se dão via as políticas públicas, são 
executadas a partir de um viés de amenização e não de superação, o que impede a 
concretização e o desenvolvimento dos direitos, de forma geral. 
A Declaração Universal dos Direitos Humanos – DUDH (ONU,1948), afirma que todas 
as pessoas são detentoras de direitos, em seu artigo 1º, aponta que “todos os seres 
humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e 
consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade” 
(ONU, 1948, p. 2)
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Segundo “Os Relatórios Anuais de Resultados de 2015”, que são o balanço dos resul-
tados da UNICEF a nível global, regional e nacional, os direitos humanos são normas 
que reconhecem e protegem a dignidade de todos os seres humanos e regem o modo 
como os seres humanos, individualmente, vivem em sociedade e entre si, bem como 
sua relação com o Estado e as obrigações que o Estado tem em relação a eles.
Os direitos humanos são universais e inalienáveis. Todas as pessoas em todo o mundo 
têm direito a eles. São também impossíveis de serem divididos, sejam de que natureza 
forem: civil, política, econômica, social ou cultural, eles são todos inerentes à dignidade 
de toda pessoa, tendo o mesmo valor como direitos. Os direitos humanos têm interde-
pendência e inter-relação, tendo uma relação intrínseca.
Todas as pessoas têm direito, a seus direitos humanos, sem discriminação de qual-
quer tipo, como raça, cor, sexo, etnia, idade, idioma, religião, opinião política, origem 
nacional ou social, deficiência, propriedade, nascimento. Individual ou coletivamente, 
cada pessoa e todos os povos têm direito à participação ativa, livre e significativa no 
desenvolvimento civil, político, econômico, social e cultural, por meio do qual os direitos 
humanos e as liberdades fundamentais podem ser realizados. 
Responsabilização e Estado de Direito
Os Estados têm de cumprir as normas e padrões legais postos nos instrumentos de 
direitos humanos. Os titulares de direitos lesados têm o direito de instaurar procedimen-
tos para uma reparação adequada perante um tribunal competente. Assim, o Estado 
tem a responsabilidade de proteger esses direitos. 
Foi apenas com a Constituição Federal de 1988 que os Direitos Humanos no Brasil fo-
ram definidos em normativas e leis de proteção, sendo a primeira grande conquista no 
campode inter-
vir no Planejamento Urbano, superando a fragmentação, possibilitando alcançar com 
maior efetividade a população. 
3.1 O TRABALHO SOCIAL SEGUNDO O MINISTÉRIO DAS CIDADES
O Ministério das Cidades expediu no ano de 2014 a Portaria nº 21 contendo as instru-
ções sobre o desenvolvimento do trabalho social nos programas habitacionais. O Tra-
balho Social é definido como conjunto de estratégias, processos e ações, realizado a 
partir de estudos diagnósticos integrados e participativos do território, compreendendo 
as dimensões: social, econômica, produtiva, ambiental e político-institucional do ter-
ritório e da população beneficiária, visando promover o exercício da participação e a 
inserção social dessas famílias, em articulação com as demais políticas públicas, con-
tribuindo para a melhoria da sua qualidade de vida e para a sustentabilidade dos bens, 
equipamentos e serviços implantados. Conforme as disposições gerais, a definição do 
trabalho social neste documento: 
O Trabalho Social, compreende um conjunto de estratégias, processos e 
ações, realizado a partir de estudos diagnósticos integrados e participativos 
do território, compreendendo as dimensões: social, econômica, produtiva, 
ambiental e político-institucional do território e da população beneficiária, 
além das características da intervenção, visando promover o exercício da 
participação e a inserção social dessas famílias, em articulação com as de-
mais políticas públicas, contribuindo para a melhoria da sua qualidade de 
vida e para a sustentabilidade dos bens, equipamentos e serviços implanta-
dos. (BRASIL, 2014 , p. 5)
O trabalho social é, portanto, considerado como um componente fundamental da políti-
ca habitacional, através do qual se busca atingir um dos seus principais objetivos, que 
é contribuir para a sustentabilidade da intervenção a ser alcançada por meio da perma-
nência das famílias no novo habitat, da adequada utilização dos equipamentos implan-
tados, da garantia de acesso aos serviços básicos, da conservação e manutenção da 
intervenção física e, quando for o caso, do retorno dos investimentos.
Nesse sentido, a concepção de trabalho social presente nas normativas do Ministério 
das Cidades prioriza conceitos como autonomia e protagonismo da população que são 
centrais para o desenvolvimento do trabalho.
Intervenções de habitação e saneamento objetos de operações de repasse/
financiamento firmadas com o setor público, intervenções de habitação ob-
jetos de operações de repasse firmadas com entidades sem fins lucrativos 
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O direito à cidade e a política habitacional : desafio para o serviço social
2
e intervenções inseridas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 
dos demais programas que envolvam o deslocamento involuntário de famí-
lia. (BRASIL, 2014, p. 5)
Diante disso, na composição de investimento das intervenções devem ser assegurados 
recursos para execução do Trabalho Social, observando-se a obrigatoriedade de nos 
projetos de habitação, a destinação de no mínimo 2,5 % (dois e meio por cento) do valor 
de investimento sem limite máximo. Os recursos aportados para as ações do Trabalho 
Social deverão ser utilizados, exclusivamente, no pagamento das despesas com as 
atividades previstas no Projeto de Trabalho Técnico Social (PTTS), documento este que 
sistematiza a proposta de trabalho junto aos beneficiários, observando-se as instruções 
constantes nos normativos do Ministério das Cidades.
Nesse sentido, os recursos aportados para as ações do Trabalho Social poderão ser 
utilizados para a contratação de consultoria e de serviços técnicos especializados para 
execução de atividades específicas e complementares, necessárias para apoiar o Pro-
ponente/Agente Executor no desenvolvimento do Trabalho Social. Como exemplo, po-
demos citar: gestão condominial, instrumentos de planejamento, monitoramento e ava-
liação, além de temas específicos contidos nos eixos e fases previstos neste normativo, 
para os quais o Proponente/Agente Executor, comprovadamente, não possua quadro 
de pessoal, bem como de capacitação envolvendo oficinas educativas, seminários, e 
outras ações, inclusive aquelas voltadas para o fortalecimento das entidades da orga-
nização da sociedade civil, quando estas se encontram tanto na área de intervenção 
quanto na macroárea e atuarem dentro da área de intervenção.
Conforme a Portaria nº 21 do Ministério das Cidades, os recursos destinados para o 
Trabalho Social devem ser utilizados na contratação de serviços ou consultorias espe-
cializadas no desenvolvimento de trabalhos no âmbito do social. Tais serviços de apoio 
ao proponente envolvem a gestão condominial, planejamento, monitoramento e avalia-
ção. Também está previsto a contratação de quadro pessoal para determinadas etapas, 
que envolvem o desenvolvimento de oficinas educativas, seminários e outras ações.
As diretrizes do Ministério das Cidades partem de uma determinada concepção sobre 
trabalho social. Essa com base no conjunto de ações que visam promover a autonomia 
e protagonismo das famílias atendidas, e que esteja no horizonte das ações, o incentivo 
ao exercício da participação da população beneficiária. 
Cabe, porém, ressaltar que o trabalho social não é de natureza exclusiva dos profissio-
nais do Serviço Social. A equipe técnica que desenvolve as ações deverá ser multidis-
ciplinar, com experiência na área e, especificamente no trabalho social na habitação, 
conforme disposto nas diretrizes do Ministério das Cidades. 
No entanto, os profissionais envolvidos na equipe técnica em ações do trabalho social 
precisam necessariamente estar alinhados aos objetivos gerais e específicos da Porta-
ria nº 21. No que tange ao objetivo geral, consta a promoção e melhoria nas condições 
de vida das pessoas e populações beneficiárias das políticas habitacionais garantindo 
assim, a efetivação dos direitos sociais. 
 
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Objetivo Específicos 
Promover a participação dos beneficiários nos processos de decisão, im-
plantação, manutenção e acompanhamento dos bens e serviços previstos 
na intervenção, a fim de adequá-los às necessidades e à realidade local e 
estimular a plena apropriação pelas famílias beneficiárias. 
Fomentar processos de liderança, a organização e a mobilização comuni-
tária, contribuindo para a gestão democrática e participativa dos processos 
implantados.
Estimular o desenvolvimento da cidadania e dos laços sociais e comunitários. 
Apoiar a implantação da gestão condominial quando as habitações forem 
produzidas sob essa modalidade. 
Articular as políticas de habitação e saneamento básico com as políticas 
públicas de educação, saúde, desenvolvimento urbano, assistência social, 
trabalho, meio ambiente, recursos hídricos, educação ambiental, segurança 
alimentar, segurança pública, entre outras, promovendo, por meio da inter-
setorialidade, a efetivação dos direitos e o desenvolvimento local. 
Fomentar processos de inclusão produtiva coerentes com o potencial econô-
mico e as características culturais da região, promovendo capacitação pro-
fissional e estímulo à inserção no ensino formal, especialmente de mulheres 
chefes de família, em situação de pobreza extrema, visando à redução do 
analfabetismo, o estímulo a sua autonomia e à geração de renda.
Apoiar processos socioeducativos que englobam informações sobre os 
bens, equipamentos e serviços implantados, estimulando a utilização ade-
quada destes, assim como atitudes saudáveis em relação ao meio ambiente 
e à vida.
Fomentar o diálogo entre os beneficiários e o poder público local, com o 
intuito de contribuir para o aperfeiçoamento da intervenção e o direciona-
mento aos demais programas e políticas públicas, visando ao atendimento 
das necessidades e potencialidades dos beneficiários. 
Articular a participação dos beneficiários com movimentos sociais, redes, 
associações, conselhos mais amplos do que os das áreas de intervenção, 
buscando a sua inserçãoem iniciativas mais abrangentes de democratiza-
ção e de participação.
Fomentar a constituição de organizações representativas dos beneficiários 
e fortalecer as já existentes. 
Contribuir para a sustentabilidade da intervenção, a ser alcançada por meio 
da permanência das famílias no novo habitat, da adequada utilização dos 
equipamentos implantados, da garantia de acesso aos serviços básicos, da 
conservação e manutenção da intervenção física e, quando for o caso, do 
retorno dos investimentos.
Gerir ações sociais associadas à execução das obras e dos reassentamen-
tos, quando houver. (BRASIL, 2014, p. 5)
Em suma, a perspectiva do objetivo do trabalho social é a promoção da participação po-
pular, mobilização comunitária e fortalecimento da cidadania. Nesse sentido, devemos 
assegurar que o trabalho social será comprometido com o protagonismo social da po-
pulação atendida, e com o constante exercício da construção da Política Habitacional.
As normativas do Ministério das Cidades apontam para as estratégias de intervenção, 
ou seja, de que forma operacionalizar. Entre os eixos obrigatórios, consta: mobilização, 
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O direito à cidade e a política habitacional : desafio para o serviço social
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organização e fortalecimento social, acompanhamento e gestão social da intervenção, 
a educação ambiental e patrimonial, desenvolvimento socioeconômico. Conforme cons-
ta na Portaria nº 21: 
Mobilização, organização e fortalecimento social – prevê processos de 
informação, mobilização, organização e capacitação da população benefi-
ciária visando promover a autonomia e o protagonismo social, bem como 
o fortalecimento das organizações existentes no território, a constituição e 
a formalização de novas representações e novos canais de participação e 
controle social. 
Acompanhamento e gestão social da intervenção - visa promover a 
gestão das ações sociais necessárias para a consecução da intervenção, 
incluindo o acompanhamento, a negociação e interferências ocorridas ao 
longo da sua execução, bem como, preparar e acompanhar a comunidade 
para compreensão desta, de modo a minimizar os aspectos negativos viven-
ciados pelos beneficiários e evidenciar os ganhos ocasionados ao longo do 
processo, contribuindo para sua implementação. 
Educação ambiental e patrimonial – visa promover mudanças de atitude 
em relação ao meio ambiente, ao patrimônio e à vida saudável, fortalecendo 
a percepção crítica da população sobre os aspectos que influenciam sua 
qualidade de vida, além de refletir sobre os fatores sociais, políticos, culturais 
e econômicos que determinam sua realidade, tornando possível alcançar a 
sustentabilidade ambiental e social da intervenção. 
Desenvolvimento socioeconômico – objetiva a articulação de políticas 
públicas, o apoio e a implementação de iniciativas de geração de trabalho 
e renda, visando à inclusão produtiva, econômica e social, de forma a pro-
mover o incremento da renda familiar e a melhoria da qualidade de vida da 
população, fomentando condições para um processo de desenvolvimento 
socioterritorial de médio e longo prazo. (BRASIL, 2014, p. 9)
Cabe ressaltar que a Portaria nº 21 tem condições operacionais para diferentes moda-
lidades de intervenções. 
CAPÍTULO II - CONDIÇÕES OPERACIONAIS: Intervenções de habitação e 
saneamento objetos de operações de repasse/financiamento firmadas com 
o setor público, intervenções de habitação objetos de operações de repas-
se firmadas com entidades sem fins lucrativos e intervenções inseridas no 
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) dos demais programas que 
envolvam o deslocamento involuntário de famílias
CAPÍTULO III - CONDIÇÕES OPERACIONAIS: Empreendimentos firmados 
no âmbito do Programa Minha Casa Minha Vida com recursos com Fundo 
de Arrendamento Residencial – MCMV/FAR para municípios com população 
acima de 50.000 (cinquenta mil) habitantes. 
CAPÍTULO IV - CONDIÇÕES OPERACIONAIS: Empreendimentos firmados 
no âmbito do Programa Minha Casa Minha Vida com recursos do Fundo de 
Desenvolvimento Social – MCMV/Entidades
CAPÍTULO V - CONDIÇÕES OPERACIONAIS: Empreendimentos firmados no 
âmbito do Programa Minha Casa Minha Vida em áreas rurais – MCMV/Rural 
CAPÍTULO VI - CONDIÇÕES OPERACIONAIS: Empreendimentos firmados 
no âmbito do Programa Minha Casa Minha Vida em municípios com popula-
ção inferior a 50.000 (cinquenta mil) habitantes, operado por meio do FAR. 
(BRASIL, 2014, p. 3)
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As regulamentações sobre trabalho social do Ministério das Cidades simbolizam gran-
des avanços para as ações das equipes profissionais, dando respaldo ao trabalho que 
dá prioridade à organização, movimentação e participação dos moradores, incluindo 
educação sanitária e ambiental, gestão comunitária, além de projetos diversos de gera-
ção de renda, que buscam proporcionar a autonomia das famílias.
É fundamental que, a partir das pesquisas e análises, as diferentes equipes discutam, 
organizem e criem abordagens de trabalho que respondam da melhor forma às diferentes 
demandas e realidades locais, expandindo as possibilidades de estratégias e alternativas. 
CONCLUSÃO 
Finalizamos a unidade com a apreensão de que a Política Habitacional tem uma longa 
história na sociedade brasileira, e as últimas décadas do século XX marcaram forte-
mente seu desenvolvimento e mudança. 
O desenvolvimento das cidades foi caracterizado pela descontinuidade de políticas so-
ciais e habitacionais que pouco atenderam as demandas da população de baixa renda. 
Assim, é possível confirmar que seu desenvolvimento foi perpassado por conflitos e 
lutas da população para conquistar o direito à cidade em sua totalidade. 
A população trabalhadora que migrou dos campos construiu as cidades, no entanto, foi 
marginalizada de sua apropriação. Foi destituída de usufruir de uma habitação digna, 
garantia de mobilidade, saneamento básico, meio ambiente, acesso aos bens e infraes-
trutura. Verifica-se que o debate entre cidade formal e informal, legalidade e ilegalidade 
perpassa profundamente sobre esse tema. 
Portanto, para discutir o trabalho social na Política Habitacional é necessário reconhecer 
essa trajetória da população, para que ao incidir sobre as manifestações da questão so-
cial os profissionais tenham uma prática coerente com a perspectiva do direito à cidade 
enquanto um direito social, de todos aqueles que produzem e reproduzem a sociedade. 
Assim, promover o exercício da participação cidadã e melhoria nas condições de vida 
da população beneficiada pelos projetos de intervenção em habitação, devem estar no 
horizonte do trabalho social, mediados pelo caráter de defesa ao acesso à cidade, à 
moradia, aos serviços públicos e ao fortalecimento da participação. 
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O direito à cidade e a política habitacional : desafio para o serviço social
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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TICAS SOCIAIS, 5., 2011, Cascavel. Anais [...]. Cascavel: SNEPS, 2011. 
BRASIL. Ministério das Cidades. Política Nacional de Habitação. Brasília: Cadernos MCidades Habitação, 
2004.
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do Trabalho Social nos Programas e Ações do Ministério das Cidades. Disponível em: https://antigo.mdr.gov.
br/images/stories/ArquivosSNH/ArquivosPDF/Portarias/2014/portaria_21_2014_trabalho_social.pdf. Acesso 
em: 10 jan. 2023. 
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Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. 
CARVALHO, C. S.; ROSSBACH, A. O Estatuto da Cidade: comentado. The City Statute of Brazil: a com-
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JESUS, C. M. Quarto de Despejo: diário de uma favelada. 7. ed. São Paulo: Paulo de Azevedo, 1960. 
MARICATO, E. Metrópole,legislação e desigualdade. Estudos Avançados, [S. l.], v. 17, n. 48, p. 151-166, 
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MARTINELLI, M. L. Serviço Social: identidade e alienação. São Paulo: Cortez, 2010.
NETTO, J. P. Capitalismo Monopolista e Serviço Social. São Paulo: Cortez, 2007.
SADER, E. Quando novos personagens entraram em cena: experiências, falas e lutas dos trabalhadores 
da Grande São Paulo, 1970-80. 4 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001.
TRINDADE, T. A. Direito e Cidadania: Reflexões Sobre o Direito à Cidade. Lua Nova, São Paulo, n. 87, p. 
139-165, 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ln/a/jwkcWk7tfGHXfHLR85fKPcL/?format=pdf&lang=pt. 
Acesso em: 24 out. 2022. 
https://www.scielo.br/j/ln/a/jwkcWk7tfGHXfHLR85fKPcL/?format=pdf&lang=pt
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A Violência Urbana e a Violência contra as Minorias
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UNIDADE 3
A VIOLÊNCIA URBANA E A 
VIOLÊNCIA CONTRA AS MINORIAS
INTRODUÇÃO
A discussão sobre violência urbana é um tema altamente popularizado, e muitas vezes 
reproduzido a partir de narrativas alienantes. Os lugares ocupados no imaginário da 
população geralmente são pela procura por causas e soluções imediatas, solicitando 
respostas ao Estado e seus agentes no combate, fortalecendo os aparatos repressivos. 
Desta forma, a proposta é compreender a violência como um fenômeno social e cons-
titutivo da civilização humana e sua formação. Atualmente a violência urbana é um dos 
tipos mais comuns de violência, pois com a urbanização e mudança radical de vida, na 
migração do campo para cidades surgem novas tipologias. 
Contudo, a partir de uma compreensão mais profunda enquanto fenômeno social, des-
carta-se a visão distorcida que associa a violência como sinônimo de pobreza e crimi-
nalidade, e de que determinados grupos são mais propensos a praticá-la. Nesse caso, 
as populações pobres são vítimas e responsabilizadas. 
Por isso, é indispensável compreender esse fenômeno sob o prisma das relações de 
classe, gênero e raça. Compreendendo como fenômeno social, a violência urbana tem 
seus fatores ligados às negligências que acarretam a exclusão social e se manifestam 
sob formas de conflitos.
1. VIOLÊNCIA: CONCEITO E IMPLICAÇÕES
O conceito de violência é complexo porque envolve diversos fatores e práticas. A origem 
da palavra, sua etimologia provém do latim como “violentia”, relativa ao atributo “violen-
tus”, distinguindo o comportamento de uma pessoa sobre outro indivíduo, por força, em 
menção a querer pegar algo com persistência. É a imposição da força de um indivíduo, 
instituição ou nação sobre outro. 
Contudo, o fenômeno da violência é compreendido dentro de muitas teorias, que anali-
sam a partir de perspectivas distintas, algumas interpretações descrevem tal ação como 
sendo um fenômeno a-histórico, ou seja, de caráter universal, enquanto outras perspec-
tivas analisam como fenômeno social. Não há, portanto, uma tipologia universalmente 
usada, há determinadas formas de compreender, descrever e analisar.
Aqui iremos tratar o tema como um fenômeno social, pois permite compreender as 
determinações da violência urbana enquanto conhecimento das relações sociais, de-
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correntes de relações que ocorrem no macro, entre instituições, países e nações, como 
as violências ocorridas no âmbito familiar e das comunidades. 
Compreendendo, portanto, a violência urbana como uma manifestação da questão social, 
ela abrange além da segurança pública às noções de Direitos Humanos. Nesse sentido, 
enquanto um fenômeno de múltiplas determinações: violência física, auto infligida, vio-
lência psicológica, coletiva, guerras e massacres, violência por gênero, direcionada às 
mulheres, violência motivado pelo racismo direcionado a determinados grupos étnicos.
Portanto, por mais pontual que possa parecer um ato violento, ele sempre 
será ideado, viabilizado e explicado sob determinadas condições sócio-his-
tóricas e, evidentemente, não poderá ficar circunscrito à esfera puramente 
individual-subjetiva (embora não prescinda dela), já que o ser social é, ao 
mesmo tempo, subjetividade-objetividade, indivíduo-classe. A violência, nas 
suas diversas expressões, é uma categoria que se realiza como complexo 
social, que pertence às relações humano-sociais (longe de qualquer para-
digma biologicista) e que carece, para seu enfrentamento, de reconstrução 
crítica apoiada na razão que se debruça sobre o mundo e, a partir dele, 
formula conceitos e propõe alternativas práticas. (SILVA, 2008, p. 268-269). 
Posto isso, é necessário avançar em uma análise da realidade na dinâmica das rela-
ções sociais, compreendendo a conjuntura. 
1.1. TERRITÓRIO E TERRITORIALIDADE – VIOLÊNCIAS IMPLÍCITAS
O território é de alguma forma disputado pelas massas de poder, no qual podem ocupar 
um espaço que já tinham “donos”, como fizeram com a colonização no Brasil, extermi-
nando os índios (sendo 90% deles), e com estes 2 mil línguas nativas, que existiam e 
foram extintas por uma outra cultura que se tornou soberana. 
O território é construído num espaço da superfície terrestre formado pela política que 
constrói formas de consumo, pelo qual a construção social é concebida, sendo que as 
formas de política têm um papel forte de socialização. As pessoas foram se mudando de 
um território para outro, para que pudessem ter melhores condições de vida. 
A visão sobre o território pode ocorrer de várias maneiras, pois o território é composto 
por indivíduos que dependem da sua própria força de trabalho para poder sobreviver 
(alimentação, moradia, saneamento). 
As privatizações de grandes empresas forçam os empregados a se submeterem a con-
dições adversas, a globalização vem como forma de sistematizações e novas remode-
lagens entre as formas de trabalho. As novas tecnologias do século XXI vem em forma 
a dividir quem tem um grau maior de instrução de conhecimento e pessoas pobres que 
tem seu local de residência no território chamado comunidade, onde as desigualdades 
sociais e a violência são negligenciadas pelo poder público.
Assim, essas formas de vida distintas, mas que convivem em um mesmo espaço e tem-
po dividem culturas e transmitem conhecimento e arte, usando o que o espaço tem ao 
seu favor e se transformando em cultura popular. 
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A Violência Urbana e a Violência contra as Minorias
3 A territorialidade é o palco da resistência contra a globalização. Entretanto, essa resistência não 
tem um caráter ideológico, pelo menos explícito, visto que, um morador de comunidade, um 
índio, ou um pequeno agricultor resistem às regras da globalização porque tendem a perder 
com ela suas garantias de satisfação de condições mínimas de sobrevivência, não porque se 
opõem ao seu conteúdo simbólico de dominação, mas porque de certa forma dependem dele.
IMPORTANTE
Existe uma luta contra a emancipação financeira na vida cotidiana das classes mais po-
bres e, por consequência, causa a intensificação das relações de dependência, e isso 
está atrelado a divisão territorial das cidades, pois os lugares periféricos e mais distan-
tes ao acesso são os locais que mais sofrem a precarização e a exclusão dos direitos. 
O debate atualmente, destaca a questão dos preconceitos e estigmas que podem ocor-
rer entre territórios, como por exemplo, a questão das pessoas que emigram ilegalmen-
te para países da Europa ou EUA, o que resulta em diversas mortes nos oceanos (no 
caso da Europa) e em desertos (no caso das pessoas que tentam imigrar ilegalmente 
pelo México para o EUA). Se faz necessária a discussão de como esses países deno-
minados de “primeiro mundo” realiza essa exclusão e sentem-se “territórios soberanos”, 
quando na realidade, vivemos em um mundo onde imigrar e migrar deveria ser conside-
rado um direito de qualquer ser humano. 
1.2 – A GLOBALIZAÇÃO E SUA IMPLICAÇÃO NA DESIGUALDADE 
SOCIAL
O processo de globalização segue contemporaneamente. Começa a acontecer quando 
as técnicas da informaçãose expandem e passam a interligar os diferentes lugares do 
planeta, tecendo uma rede mundial de compartilhamento de informações. A globalização 
é mistificada, como uma “fábula”, pois a própria rede expandida de informação se presta 
a propaganda das maravilhas da globalização, criando a ideia de que este modelo é o 
único possível e que atende a todas as classes de forma positiva. No entanto, isto é, de 
fato uma fábula, pois tal sistema atende à acumulação capitalista e à exploração perversa 
e potencializada do trabalho por meio da tecnologia. O capitalismo globalizado enquanto 
fábula é exatamente uma ideologia bem articulada para manutenção do sistema.
A primeira globalização foram as colonizações tomadas de lugares já ocupados, toma-
da de povos e extermínios. A segunda globalização ocorre no final do século XX marca-
da pela fragmentação dos territórios.
A globalização põe em curso a receita neoliberal, definida no Consenso de Washington 
em 1989, mesmo ano da queda do muro de Berlin, quando o mundo capitalista triunfa 
sobre o socialismo. O Consenso de Washington é perverso pois a única crise que visam 
afastar é a financeira, esquecendo-se do lado social.
Destarte, a globalização é, de certa forma, o ápice do processo de internacionalização 
do mundo capitalista. Neste processo há dois elementos que se entrelaçam: o estado 
da técnica e o estado da política; no qual as tecnologias da informação são usadas 
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politicamente para favorecer um sistema financeiro de dominação em nível global, as 
técnicas são apropriadas pelos grupos hegemônicos dentro da lógica capitalista. Há 
uma aceleração do processo histórico, pois a medida em que a informação circula com 
maior rapidez a esfera produtiva também é acelerada. 
Nesse sentido, é através da nova circulação de informação via internet e do giro do 
capital financeiro no mundo, que vemos diante de nós, exemplos dessa nova dinâmica 
mundial. Há uma seletividade por trás dessas redes, ancoradas na elite de grandes cor-
porações que conectam apenas certos mercados produtores e consumidores com gran-
de eficiência e velocidade, deixando à margem aqueles com menor poder de compra. 
Por essa mesma razão, ao contrário de eliminar os territórios, as redes constituem e 
legitimam novos territórios. Transformando-se, então, em processos segregativos, com 
lugares de inclusão e de exclusão, de concentração de renda e tecnologia, do consumo 
básico e do consumo caro e sofisticado. Os novos territórios são resultados, portanto, 
desse espalhamento incompleto da globalização excludente.
O território do capitalismo passa a ser o mundo todo. O FMI e o Banco Mundial propõem 
ajustes macroeconômicos que devem ser postos em curso nos países periféricos, paí-
ses em desenvolvimento, gerando políticas de austeridade que preconizam a redução 
do Estado (gastos públicos), privatizações, reformas tributárias e territoriais em favor 
de quem detém os meios de produção. Consequentemente, às pessoas que vivem do 
trabalho, resta à redução de direitos sociais, a precarização dos postos de trabalho, a 
exclusão social com o aumento da pobreza.
Há a falsa ideia de que os recursos se mundializam e passam a ser possibilidade para 
todos. Mas na verdade não é isto o que ocorre. O que passa a circular com maior 
facilidade e rapidez são as mercadorias, a informação e o dinheiro. Os recursos são 
apropriados e acumulados pelas classes que exploram e aplicam o dinheiro a juros. 
As pessoas também não podem circular livremente pelo território global em busca de 
trabalhos melhores, ao contrário, as leis de migração ficam mais severas para os que 
vivem do trabalho. 
É falsa também a ideia de que o “Estado Mínimo” se aplica para todos. Há uma minimiza-
ção do Estado para os trabalhadores, que têm a proteção social drasticamente reduzida. 
No entanto, há uma maximização do Estado para proteger os donos dos capitais, garan-
tindo-lhes uma legislação favorável e empréstimos generosos. Países como a Bolívia 
seguiram o Consenso de Washington que prometia a melhoria da economia e esperam 
por isso até hoje. Países como a China que não seguiram o consenso só cresceram.
Nos últimos 25 anos a economia da China vem crescendo 9% ao ano, em média, 
usando o planejamento do Estado. Utiliza-se dos mecanismos de mercado, atraindo 
o capital externo, assim como novas tecnologias. Fez isso investindo em técnicos e 
pesquisadores. Há investimento em educação do país, assim como em incentivo ao 
campo rural. O baixo custo dos produtos chineses no ocidente preocupa os defenso-
res do livre mercado, que passam a dizer que as regras não eram iguais para todos. 
A China possui baixos salários para atrair empresas transnacionais, altos índices de 
poluição, e isso demonstra uma escolha pelo desenvolvimento econômico em troca 
do seu viés ideológico.
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A Violência Urbana e a Violência contra as Minorias
3
Assim, isso entra na divisão de trabalho no terceiro mudo: Desigualdade para os po-
bres, concentração de riqueza para os ricos. A Nike transferiu sua produção para países 
onde não tem limite de exploração de mão de obra, e paga os funcionários por frações 
de segundos, o que prejudica a contagem de trabalho e de mais-valia. Os pobres cada 
vez trabalham mais, com menos direitos. O desemprego e a pobreza já são vistos como 
algo normal, a globalização os naturalizou. A questão da fome não está na produção 
de alimentos, mas sim na distribuição, pois na globalização não é interessante que se 
tenha alimento para todos.
Mas, entendemos ser possível um outro modelo de globalização, na qual a democracia 
real seja possível e as decisões e recursos sejam compartilhadas. É preciso que os ha-
bitantes dos territórios periféricos tenham voz e possibilidades de escolhas. Os sujeitos 
periféricos, sejam os países subalternos na ordem do capital, sejam os que habitam as 
periferias das grandes cidades, no modelo de globalização em curso, sob o comando 
do capital, ficam sem opção de escolhas e de condições concretas para construção de 
projetos igualitários e equânimes.
Porém dentro da contradição do capitalismo há sempre brechas para a resistência se 
manifestar, assim uma nova globalização dirigida por todos os sujeitos, principalmente 
pelos que são responsáveis pela produção das riquezas do mundo, seria uma dessas 
possibilidades.
A tecnologia proporcionou a revelação da realidade do cotidiano de pessoas pobres, 
excluídas, que sofrem ataques à dignidade, injustiças causadas pelo Estado repressor, 
até mesmo invasões de território como é o caso de muitos povos indígenas. O aparelho 
midiático é controlado pelo grande capital, desta forma as notícias que são passadas 
para a população são selecionadas, e muitas não têm nem chance de serem expostas. 
A comunicação através das redes sociais permitiu que inúmeras pessoas registrassem 
conflitos, protestos, e proporcionasse espaço para a arte popular, como o cinema, o rap 
produzido pela população das periferias, entre outras.
A dominação do território e as lutas por poder político, econômico e ideológico interfe-
rem na vida dos indivíduos desde os tempos mais remotos. A dominação no continente 
africano até nos dias de hoje é um exemplo dos mecanismos políticos coercitivos, e, 
violentos, que se fizeram no território por aqueles que detém o poder, evidenciando a 
guerra e a disputa daqueles que estão fora do continente e trazem consigo o terror da 
desigualdade, do autoritarismo, do racismo, da violência e da opressão.
Há a exclusão dos desfavorecidos de direitos e dignidade, são excluídos de frequentar 
certos espaços sociais, caracterizando a exclusão em determinados territórios.
2. DESIGUALDADE SOCIAL E DEMOCRACIA: IMPLICAÇÕES 
PARA A VIOLÊNCIA URBANA 
Ao discutir o processo de constituição do Brasil moderno, Florestan Fernandes identi-
fica as raízes de um Estado com racionalidade patrimonialista, ou seja, do trato com a 
coisa pública pelas autoridades comoâmbito privado. 
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Florestan Fernandes aponta que a exigência pela modernização, o rompimento com a con-
dição de Colônia, e a entrada na ordem social competitiva, ao mesmo tempo que alçava 
novos modos econômicos, poderia assim superar a formação arcaica baseada no colonia-
lismo, no entanto, o que o autor observa é que esse desenvolvimento foi um complexo de 
complexos, pois não conseguiu alcançar um estatuto de gestão democrática do poder. Des-
te modo, “(...) o estatuto colonial foi condenado e superado como estado jurídico-político. 
O mesmo não sucedeu com o seu substrato material, social e moral, que iria perpetuar-se 
e servir de suporte à construção de uma sociedade nacional” (FLORESTAN, 1975, p. 33).
Como demonstra o autor, o Brasil estava assentado em uma cultura de valores e in-
teresses tradicionais-conservadores, particulares e elitistas, fruto da escravidão e da 
oligarquia. Assim, com 
(...) lançados pela ordem social competitiva fez com que o capitalismo bra-
sileiro ficasse amarrado a um passado atrasado, particularista e autocrático, 
estabelecendo o contorno híbrido da economia brasileira, marcada pela coe-
xistência do arcaico com o moderno. (OLIVEIRA; VASQUEZ, 2010).
Observamos que o desenvolvimento capitalista no Brasil se conformou diferentemente 
dos países de capitalismo central, aqui a democracia foi restrita apenas às classes do-
minantes, com traços de intolerância para qualquer tipo de abertura no plano da cidada-
nia e direitos sociais para as classes populares. Assim, a configuração da Política Social 
no Brasil é marcada pela intransigência de universalização das noções e condições 
de cidadania para todos. Esse passado-presente que está intrínseco nas relações das 
elites com o Estado Brasileiro, nos chama atenção para analisarmos as políticas pro-
pulsoras de inclusão social, como é o caso dos programas de transferência de renda. 
Essas políticas aliadas a interesses de agências internacionais para o próprio desenvol-
vimento do capitalismo, também deparam-se com um dinâmica interna brasileira, que 
é o profundo caráter reacionário das elites, “Fernandes (1987) mostra o significado da 
Independência e de seu componente cultural liberal para a formação da sociedade e do 
Estados nacionais: de como o senhor colonial metamorfoseia-se em senhor-cidadão, 
elemento exclusivo da sociedade civil, na qual os outros não contavam”, (BEHRING; 
BOSCHETTI, 2011, p. 73). Portanto, evidenciando que a democracia, “estava aprisio-
nada no âmbito da sociedade civil, da qual faziam parte apenas as classes dominantes, 
as quais utilizavam o Estado nacional nascente para o patrocínio de seus interesses 
gerais” (BEHRING; BOSCHETTI, 2011, p. 73). 
No entanto, o processo é dinâmico, e diante das pressões advindas das classes popu-
lares, como com o surgimento e desenvolvimento das lutas e dos movimentos sociais, 
muitas conquistas – apesar de sua contradição inerente à lógica capitalista – são viven-
ciadas e incorporadas.
O processo de democratização brasileiro culminou com a promulgação da Constituição de 
1988, e as estruturas organizacionais e políticas do Brasil foram se modificando, evidente-
mente com grandes disputas entre as classes sociais. “A democratização do Estado deveria 
IMPORTANTE
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A Violência Urbana e a Violência contra as Minorias
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acontecer não somente pela franquia universal e irrestrita do voto, mas também pela perme-
abilidade das estruturas à participação social” (ABREU, 2015, p. 43).
Contudo, para Jacques Rancière, uma “democracia”, ou o que chamamos e vivemos hoje 
de “democracia” seria, em resumo, uma oligarquia que dá à democracia espaço suficiente 
para alimentar sua paixão. Não vivemos em democracias. Vivemos em Estados de direito 
oligárquicos, isto é, em Estados em que o poder da oligarquia é limitado pelo duplo reco-
nhecimento da soberania popular e das liberdades individuais. (RANCIÈRE, 2014, p. 94).
Ao seguir essa perspectiva, é possível observar o fato de que atualmente o parlamento 
brasileiro ser composto em grande medida pelos partidos de direito. Vale constatar que 
essas posições políticas têm como intencionalidades revogar grande parte das conquis-
tas que constroem e consolidam a noção dos direitos humanos. 
Exemplo disso é o papel do Estatuto do Desarmamento, que colaborou com a dimi-
nuição dos homicídios no país a partir de 2003. Mas retrocedeu a partir de 2019 com 
a tendência a política permissiva em relação às armas de fogo pelo Governo Federal. 
Conforme o Atlas da Violência de 2021: 
(...) Ao facilitar o acesso a tais armas, a nova regulação pode favorecer a 
ocorrência de crimes interpessoais e passionais, além de facilitar o acesso 
das mesmas a criminosos contumazes (traficantes, assaltantes, milicianos, 
entre outros) – tendo em vista a comprovada ligação entre os mercados legal 
e ilegal de armas – e impossibilitar o rastreamento de munições encontradas 
nos locais dos crimes. Trata-se de uma política cujos efeitos perdurarão por 
décadas, período em que essas armas permanecerão em condições de uso 
e continuarão em circulação (...) (IPEA, 2021, p. 14). 
Quando relacionamos esse dado com análise de classe, gênero e raça é perceptível que 
a violência atinge de forma diferente. Segundo o Instituto Sou da Paz, no relatório do 
Datasus de 2019, as mulheres negras foram 70,5% das vítimas de agressão com armas. 
As análises feitas pelos órgãos, associações e intelectuais que estudam a violência ligada 
ao quesito cor e gênero apontam que as armas de fogo são um instrumento importante, 
pois têm efeito multiplicador. A tolerância no porte de armas aumenta a violência nas me-
ninas e mulheres, seja psicológica ou sexual, como também há um aumento na letalidade. 
Discutir a questão da violência urbana é importante para compreender as origens de 
um Brasil marcado por processo complexo de sua constituição enquanto Estado Demo-
crático de Direitos, e isso implica na condição de cidadania e por consequência como é 
tratado a violência. 
O Atlas da Violência também apontou a violência praticada por policiais, em consequên-
cia da ausência de mecanismos institucionais de controle no que tange ao uso da força. 
Nesse sentido, são atingidos não somente a população civil como os próprios traba-
lhadores da segurança pública, segundos os dados divulgados em 2021 pelo “Anuário 
Brasileiro de Segurança Pública”, no ano de 2020 foram registrados “6.416 civis mortos 
por intervenções de policiais civis e militares da ativa, contra 194 policiais vitimados 
fatalmente”. (INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA, 2021, p. 14). 
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Nessa trajetória, busca-se entrelaçar as implicações da violência urbana com a formação 
social, política e econômica, pois a desigualdade é uma questão fundamental para forma-
ção da democracia brasileira. Assim, quando se relaciona a pobreza como geradora da 
violência resume-se à questão individual e têm em sua conclusão que a população mais 
vulnerável é a que comete os crimes. Nesta leitura subtrai-se a responsabilidade da so-
ciedade enquanto totalidade e criminaliza os moradores de favelas, mulheres e homens 
negros, trabalhadores informais e precarizados, adolescentes sem perspectivas. 
Contudo, os Direitos Humanos representam um importante papel na discussão sobre 
violência, pois nos últimos duzentos anos, há um esforço em alargar o conceito e incluí-
-los no contexto do Estado liberal-democrático. 
2.1 VIOLÊNCIA E DIREITOS HUMANOS
Proclamada no dia 10 dezembro de 1948 pela Assembleia Geral das Nações Unidas 
(ONU), a Declaração Universal dos Direitos Humanos instituiu os fundamentos básicos 
do conceito do que são direitos humanos em escala internacional.
Nesse sentido, seu ideal comum é ser atingido por todos os povos e todas as nações, 
com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, se esforce, através 
do ensino e da educação,por desenvolver o respeito a esses direitos e liberdades e por 
promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhe-
cimento e a sua aplicação universais e efetivos tanto entre as populações dos próprios 
Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição.
O texto foi produzido com a intenção de erguer e estabelecer uma nova estrutura de 
visão de mundo, a essa altura tão abalado pelos horrores da Segunda Guerra Mundial, 
pelo nazismo e pelo fascismo. Esse importante documento foi e ainda é um instrumento 
que estabelece os direitos iguais e intransferíveis para todos os seres humanos, que 
tem como base liberdade, paz e justiça.
Em seu primeiro artigo consta: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade 
e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras 
com espírito de fraternidade”. 
E no texto subsequente encontra-se o repúdio a toda e qualquer forma de desigualdade 
e discriminação. Apesar de já ser um tema amplamente de conhecimento público, voltar 
a discutir Direitos Humanos é relembrar os esforços entre nações para um pacto de 
direitos inerentes a qualquer indivíduo. 
Sendo esses direitos: à vida, liberdade, segurança pessoal, liberdade de pensamento e 
expressão, proteção social, saúde, educação, habitação e lazer.
Apesar do tema ser recorrente e de amplo conhecimento público, há poucas leituras de 
seu texto e sua efetiva assimilação. Portanto, a seguir serão mencionados os artigos 
que formam a compreensão de Direitos Humanos.
Artigo 2° 
Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades procla-
mados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de 
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raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de 
origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra 
situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto 
político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da 
pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autônomo ou 
sujeito a alguma limitação de soberania. 
Artigo 3°
Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. 
Artigo 4° 
Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o 
trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos. 
Artigo 5° 
Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, de-
sumanos ou degradantes. 
Artigo 6°
Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento, em todos os lugares, da 
sua personalidade jurídica.
Artigo 7° 
Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção 
da lei. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que 
viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discrimina-
ção. 
Artigo 9º 
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo 8° 
Toda a pessoa tem direito a recurso efetivo para as jurisdições nacionais 
competentes contra os atos que violem os direitos fundamentais reconheci-
dos pela Constituição ou pela lei. Artigo 9° Ninguém pode ser arbitrariamente 
preso, detido ou exilado.
Artigo 10°
Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equi-
tativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que 
decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação 
em matéria penal que contra ela seja deduzida. (ONU, 1948, [n. p.])
Desta forma, no que tange à proteção das violências, o artigo 3º evidencia a o direito 
à vida e liberdade, seguido da segurança pessoal. O 4º e 5º prezam pelo combate a 
qualquer forma de exploração e opressão. O 9º artigo prevê o combate à violência ins-
titucional, a prisão arbitrária. E, assim, o 10º artigo coloca como direito o julgamento em 
matéria criminal por um tribunal independente e imparcial. Tais observações confirmam 
que liberdade e igualdade prevalecem como conceitos chaves na Declaração. Portanto, 
em todo texto é visível a intransigência com a violência em todas as suas manifesta-
ções, desde os atos no âmbito micro como macro, individual e sociedade. 
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A Declaração dos Direitos Humanos contém 30 artigos. Para sabe mais e se aprofundar em 
seu texto original, acesse na íntegra.
SAIBA MAIS
Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos.
Acesso em: 08 fev. 2023.
Contudo, a declaração é uma diretriz para que a Constituição Política de cada Estado e 
Nação aplique, assimile e faça de suas leis e condutas, conforme a soberania de cada país. 
No que tange ao Brasil, a Constituição Federal de 1988, “Constituição Cidadã”, representa a 
defesa pela dignidade humana em todo seu texto e ainda, se pauta pelos Direitos Humanos.
Art. 1º 
A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Esta-
dos e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático 
de Direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; 
V - o pluralismo político.
Art. 3º 
Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - Construir uma sociedade livre, justa e solidária; 
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades 
sociais e regionais; 
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, 
idade e quaisquer outras formas de discriminação. (BRASIL, 1988, p.11). 
É possível constatar que há fundamentos e legislações importantes construídas para 
sociedades mais justas e equilibradas, todavia, verifica-se que as mais variadas formas 
de violações destes princípios se fazem presentes no Brasil. A discussão de violência 
urbana está pautada pelo ideal de sociedade e suas construções enquanto cidadãos. 
Ter como parâmetro a dignidade humana em constituição atribui, portanto, o combate à 
violência em todas as suas formas. 
Tendo em vista a construção da dignidade humana proposta nos Direitos Humanos. 
No próximo capítulo examina-se as tipologias da violência com base nessa concepção. 
3. TIPOLOGIA DA VIOLÊNCIA 
A violência se manifesta de diferentes maneiras, isso também em relação ao grau de 
severidade e seus vínculos. Há teorias diferentes para compreender o fenômeno da 
https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos
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violência. Algumas destas teorias atribuem como um fenômeno de caráter universal, e 
outras teorias defendem como um processo social decorrente da mudança provocada 
pela industrialização e urbanização da sociedade. Contudo, a Organização Mundial de 
Saúde em resposta a uma solicitação da Assembleia Mundial da Saúde criou uma tipo-
logia da violência, para assim, classificar, as diferenças e vínculos. 
Nesse sentido, classifica-se em três: 
Violência auto infligida: caracteriza-se como ato provocado pela própria ví-
tima, com conhecimento prévio, ou seja, consciente do ato e seu resultado. 
Podem ser atos como pequenas agressões, como até seu extremo, o suicídio. 
Violência coletiva: caracteriza-se como uma violência realizada por gru-
pos organizados e pelo Estado, como guerras, atos terroristas, conflitos 
armados, gangues, crimes de ódio e aniquilamento dirigidos a determi-
nados povos e nações, políticas opressoras de minorias. 
Violência interpessoal: caracteriza-se em duas categorias, doméstica 
e comunitária. A violência doméstica (intrafamiliar) é praticada por mem-
bros da mesma família ou parceiros íntimos. Já a segunda é praticada 
por meio de agressões, roubo, vandalismo e violações a indivíduos, seja 
conhecido ou desconhecido.
2
3
1
Para compreender melhor, abaixo a imagem produzida pela Organização Mundialde 
Saúde que demonstra a tipologia da violência.
Figura 01. Divisão dos tipos de violência
Autodirigida
Família/Parceiro
Criança
Natureza da violência Física Sexual Psicológica Privação ou 
abandono
Parceiro Idoso Conhecido Estranho
Social Política Econômica ComunidadeComportamento 
suicida
Auto 
abuso
Interpessoal Coletiva
Violência
Fo
nt
e:
 O
M
S
 (2
00
2,
 p
. 5
).
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A classificação da OMS apresentada na figura 1 - Divisão dos tipos de violência, des-
creve três categorias daqueles que cometem atos violentos. Contudo, na perspectiva 
adotada, faz-se necessário analisar os sujeitos implicados e atingidos com tais atos, 
possibilitando compreender os resultados a partir de uma perspectiva estrutural, por 
exemplo, há mais mulheres ou homens que sofrem determinada violência, como se re-
laciona racismo e violência? Portanto, no próximo tópico será discutido a violência nas 
populações vulneráveis.
3.1 A MANIFESTAÇÃO DA VIOLÊNCIA NAS POPULAÇÕES 
VULNERÁVEIS 
Ao considerarmos a abordagem sobre a Construção Social dos Papeis e Identidade de 
Gênero, devemos adotar a mesma conceituação e definição para os termos utilizados, 
partindo assim da mesma representação do ideário utilizado. Nesse sentido, quando 
tratamos de gênero, pode ser explicado como o sexo socialmente definido, ou seja, 
Gênero não é sinônimo de Sexo. 
Enquanto o sexo é biológico, o Gênero é construído historicamente, culturalmente e 
socialmente. Com isto queremos dizer que, nascemos fêmeas ou machos, mas nos 
fazemos mulheres e homens. Assim, a construção da identidade de gênero vai se cons-
truindo em nossa “cabeça”. A criança logo que nasce ganha um nome e começa a ser 
tratada como menina ou menino. A linguagem é poderosa no processo de construção 
do gênero. Incorporamos o gênero masculino ou feminino, através do aprendizado de 
comportamentos, hábitos, formas de pensar, concordantes com padrões definidos so-
cialmente como masculinos ou femininos. O conceito de gênero problematiza a constru-
ção dos papéis e lugares do feminino e do masculino. Explica o quanto a ocupação dos 
espaços está determinada pelo Gênero, que se fundam no Patriarcado. A construção do 
Feminino e Masculino se dá tanto nos planos: físico, emocional, social, político e afetivo. 
Um dos elementos nucleares do patriarcado consiste exatamente no controle da sexua-
lidade feminina, afim de assegurar a fidelidade da esposa a seu marido por meio da do-
minação dos homens sobre as mulheres e do direito masculino de acesso sexual regular 
a elas – em questão na formulação do pacto original, ou seja, o contrato social é uma 
história de liberdade, o contrato sexual é uma história de sujeição, assim, o Pacto Original 
cria ambas, liberdade e dominação: a liberdade do Homem e a dominação da Mulher. 
Destarte, são expressões do patriarcado: 
 ` Femicídio para se casar novamente e obter novo dote, 
 ` Mutilações Genitais cujo fim é a eliminação da sexualidade; sendo uma delas: 
– Cliteridectomia: consiste na ablação, no corte, na extirpação do clitóris; órgão 
que desempenha importante papel na relação sexual, sendo responsável pela 
maior parte do prazer;
 ` O Abuso sexual incestuoso.
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A Violência Urbana e a Violência contra as Minorias
3
Nesse sentido, desde nosso nascimento, somos socializados a partir das concepções de 
feminino e masculino. Somos ensinados a afirmar e reproduzir características identifica-
das como femininas ou masculinas, de maneira que o sexo masculino geralmente é rela-
cionado ao temperamento do forte, do vigoroso, do líder. Em contraposição, o sexo femi-
nino comumente é associado ao temperamento frágil, amoroso, de cuidadora da família.
E no que se refere à violência contra a mulher, a pesquisadora Eva Blay afirma que é 
praticada sistematicamente ao longo da história, assim nas palavras da autora
“agredir, matar, estuprar uma mulher ou uma menina são fatos que têm acon-
tecido ao longo da história em praticamente todos os países ditos civilizados 
e dotados dos mais diferentes regimes econômicos e políticos”. (BLAY, 2003, 
p.87)
Ressalta-se a importante conquista brasileira, com a Lei 11.340 de 2006, nomeada 
como Lei Maria da Penha que institui mecanismos para coibir a violência doméstica e 
familiar contra a mulher. E em seu 7° artigo classifica às formas de violência: 
I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua inte-
gridade ou saúde corporal;
II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause 
dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e pertur-
be o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, 
comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, 
humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição 
contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, 
exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe 
cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação; 
III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a 
presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante 
intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou 
a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qual-
quer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto 
ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou 
que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos; 
IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure 
retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumen-
tos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos 
econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades; 
V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calú-
nia, difamação ou injúria (BRASIL, 2006, [n. p.]).
A Lei Maria da Penha representa um importante marco na proteção e rompe com o si-
lenciamento, assim chama para o debate público o reconhecimento no combate a toda 
forma de violência contra as mulheres e, ainda, ressalta que essa forma de violência é 
específica e contumaz. 
A situação da violência de gênero que incide na população feminina tem também uma 
perspectiva racial. As mulheres negras são as mais atingidas. Segundo as análises 
divulgadas pelo Altas da Violência, publicado pelo IPEA no ano de 2019 no Brasil, 66% 
das mulheres que foram assassinadas eram negras. Isso confirma uma relação brutal 
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entre violência e racismo. Pelo cálculo levantado neste estudo “(...) o risco relativo de 
uma mulher negra ser vítima de homicídio é 1,7 vezes maior do que o de uma mulher 
não negra, ou seja, para cada mulher não negra morta, morrem 1,7 mulheres negras”. 
(INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA, p. 38, 2021).
A violência contra mulheres negras, reflete também a situação de desigualdade e exclu-
são que não é um fato novo para esta população, mas que começou a ser visibilizada 
nos anos de atuação do Estado Democrático de Direito.
A socialização e a normatividade nas relações de gênero também têm implicações na 
violência contra a população LGBTQI+. É possível identificar que as construções de 
gênero perpassam por intolerância e insatisfação com a escolha do outro, ferindo o 
princípio básico da liberdade como valor central, como verificamos com a Declaração 
Universal do Direitos Humanos e A Constituição Federal de 1988. Isso acarreta grandes 
desafios para uma vivência em harmonia e para o fortalecimento da democracia. 
Pessoas negras são a maioria das vítimas independente de orientação sexual 
e identidade de gênero, o que se verifica também nos indicadores de violên-
cias letais referentes à população geral. Chama atenção que a desigualdade 
de vulnerabilidadeà violência entre pessoas negras e brancas seja maior em 
função de identidade de gênero do que de orientação sexual, sinalizando para 
o fato de que políticas públicas de focalização refinada das intersecções entre 
gênero e raça são fundamentais para o enfrentamento às violências que atin-
gem ambos os grupos, mas que pessoas trans negras possuem necessida-
des que demandam ainda mais focalização. (IPEA, p. 67, 2021). 
A análise crítica acerca da condição feminina brasileira nos leva ao sistema de domina-
ção/exploração indicada por Heleieth Saffioti (2004) “patriarcalismo-racismo-capitalismo”, 
estabelecendo assim a ideia de nó. Isso se torna materializado quando observamos o 
fato de que, por exemplo, as mulheres negras estão entre as parcelas de maior pobreza 
e privação do Brasil, possuem menor escolaridade além de menor expectativa de vida.
Essas reflexões reafirmam a simbiose entre os sistemas de dominação e exploração. 
Assim, as populações mais vulneráveis que compõem a classe trabalhadora, também 
estão dominadas pelo patriarcado e o racismo. Contudo, as violências praticadas aos 
grupos mais vulneráveis da população: mulheres, pessoas negras, população LGBTQI+, 
pessoas com deficiência e povos indígenas merece uma atenção especial, para que as 
interpretações não sejam equivocadas e não abarque a multiplicidade da realidade social.
A luta pelo reconhecimento da violência praticada contra as mulheres também insere 
o debate de quem está sendo atingido nas violências de todo o tipo. A questão não é a 
segmentação pela pulverização dos dados e formas de combate, mas justamente men-
surar e combater de forma assertiva. 
Vale ressaltar, o conjunto de normas e diretrizes que compõem as regulamentações em 
prol da defesa das populações mais vulneráveis tais como o Estatuto do Idosa, Estatu-
to da Criança e Adolescente, Estatuto da Pessoa com Deficiência, entre tantas outras 
Leis, regulamentações, políticas e instituições. 
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A Violência Urbana e a Violência contra as Minorias
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CONCLUSÃO
A violência urbana acontece em todas as sociedades, mesmo que em níveis diferentes. 
Portanto é altamente complexo o debate em torno do tema, e suas diversas variações 
históricas, sociais e estruturais. É uma teia difícil de desenrolar. Não importa o caminho 
que se tome para tentar precaver ou mesmo atenuar a violência, é fundamental que 
exista a consciência de que diferentes regiões e diferentes grupos étnicos e sociais, 
estão inseridos nos devidos contextos e isso deve ser considerado no desenvolvimento 
e planejamento tanto dos estudos como nas ações.
Por isso a importância de sociedades e governos investirem fortemente em políticas pú-
blicas de proteção social e combate às desigualdades, com base em estudos e pesquisas 
científicas e nos princípios e diretrizes consolidado na Constituição dos Direitos Humanos, 
em detrimento ao discurso populista e imediatista que não faz nada além de estimular e 
alimentar a estrutura vigente baseada em violência policial e encarceramento em massa, 
que comprovadamente não funcionam, nem resolvem a questão da violência urbana.
As desigualdades de gênero, raça e classe são fatores importantes na definição de uma nova 
cidadania. Numa sociedade marcada pela exclusão, onde as questões como a desigualdade 
econômica, a miséria, a fome e a tradição colonialista são fatores que demarcam um conjunto 
de relações sociais profundamente desiguais, baseado em critérios de exclusão
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Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a 
Violência contra a Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mu-
lher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras providências. 
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265-273, jul./dez. 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rk/a/PPCnXsKcBgJwXDxdWZKcCKB/abstrac-
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UNIDADE 4
O SIGNIFICADO SOCIAL DA 
PROFISSÃO
INTRODUÇÃO
O trabalho profissional do/da assistente social no Brasil, surge no final da década de 1930 
e vem se desenvolvendo, seguindo a própria evolução da sociedade. Nesse sentido, 
o texto ora apresentado refere-se a esse processo de desenvolvimento da profissão. 
Outrossim, trataremos também sobre o significado social dotrabalho profissional, 
bem como apresentar os diversos espaços sócio-ocupacionais, as transformações 
e precarização do trabalho profissional, frente ao retrocesso das políticas sociais, 
impactando nas condições de vida dos usuários e do e da nossa própria condição. Do 
mesmo modo, apresentaremos a importância do trabalho do/da assistente social na 
prevenção e na intervenção em situações de violência, 
1. O SIGNIFICADO DO SERVIÇO SOCIAL ‒ HISTÓRIA E 
CONTEMPORANEIDADE
Nesse tópico desenvolveremos o significado da profissão em sua trajetória histórica, 
bem como ela se legitima e se institucionaliza, fazendo sua evolução até os dias atuais. 
1.1. BREVE CONTEXTO HISTÓRICO
Decorrente do modelo de produção capitalista no Brasil na década de 30, o antago-
nismo da sociedade, as más condições de vida das pessoas, o pauperismo da classe 
trabalhadora, as expressões da questão social cresciam rapidamente, devido a contra-
dição entre capital e trabalho.
A economia brasileira passava por uma transferência de agrário-exportadora para in-
dustrial. O êxodo rural como é a descrição do abandono do campo e das regiões rurais, 
para a área urbana por parte dos seus habitantes, que buscavam melhores condições 
de vida, achando que isso iria acontecer trabalhando nas indústrias.
O aumento da população nas áreas urbanas trouxe consigo problemas de assistência, 
educação, habitação, saneamento básico, infraestrutura e outros. Nesta época o Brasil 
entrou num período de maior desenvolvimento econômico, que se refletiu no aumento 
da renda per capita, dos salários reais e do consumo. Na medida em que a industria-
lização avançava, crescia a concentração da renda, ampliando-se as desigualdades 
sociais, aumentando as tensões nas relações de trabalho e agravando-se a questão 
social. Segundo Martinelli (2005), o capitalismo gera o mundo da cisão, da ruptura, da 
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exploração da maioria pela minoria, o mundo em que a luta de classes se transforma na 
luta pela vida, na luta pela superação da sociedade burguesa.
A questão social é um dos resultados do processo de industrialização no modo de 
produção, tendo como fato a desigualdade social. Com a construção das fábricas, que 
demandavam mão de obra, os trabalhadores ficavam cada vez mais pobres e começa-
ram a compreender essa situação, da qual a exploração estava além da troca da mão 
de obra, da mais valia.
A desigualdade social ficava cada vez mais evidenciada na sociedade, foi neste mo-
mento que os trabalhadores começaram a gerar protestos a reivindicar seus direitos, 
a buscar melhores condições de trabalho e consequentemente melhores condições 
de vida, a lutar por seu reconhecimento junto à classe burguesa, os quais eram vio-
lentamente reprimidos. Como cita Martinelli (2011), aos poucos esses trabalhadores 
individuais começaram a descobrir a rede de relações em que estavam envolvidos, a 
igualdade de circunstâncias e situação que caracterizavam a sua vida operária e o seu 
cotidiano de trabalho. 
Conforme Iamamoto e Carvalho (2011), a gênese do Serviço Social no Brasil, enquanto 
profissão inscrita na divisão social do trabalho, está relacionada ao contexto das gran-
des mobilizações da classe operária nas duas primeiras décadas do século XX, que 
expõem o debate acerca da questão social. Preocupada com essa situação os burgue-
ses a fim de manter os seus interesses de exploração da força de trabalho, e o Estado 
somaram forças para conter a classe operária, mantendo a harmonia social. 
A descrição mais conhecida para Serviço 
Social é a da moça boazinha que ajuda os 
pobres, baseada na ação de senhoras da 
sociedade do século XVIII, que ajudavam 
os pobres com alimentos e roupas. Es-
tas senhoras passaram a ser conhecidas 
como “Damas de Caridade”, assim, emer-
ge no Brasil, com característica totalmente 
assistencialista e controladora, o trabalho 
desenvolvido por elas.
O Serviço Social surgiu com o desdobra-
mento da Ação Social e da Ação Católi-
ca da Igreja, monopólio na formação de 
agentes sociais especializados. A Igreja 
Católica passa a intervir na vida social. A 
ação católica visava a recristianização da sociedade através de um projeto de reforma 
social, visando recuperar o poder ideológico da igreja.
A Igreja passa a fazer o papel de assistencialismo aos mais necessitados. Para fazer 
isso buscava auxílio nas encíclicas papais da época. As encíclicas papais tiveram um 
papel fundamental no serviço social no Brasil, pois influenciaram as respostas aos 
problemas sociais existentes, buscando os princípios da cristandade para realizar a 
justiça social.
Figura 01. Diretoria das Damas da Caridade 
de Caixas do Sul/RG, fundada em 12 de agosto 
de 1913 sob a tutela da Igreja
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A encíclica Rerum Novarum publicada por Leão XIII 1891, na qual menciona a neces-
sidade de tocar na questão social, esclarecendo que esta tarefa compete à igreja em 
razão da relação que existe entre a sua causa e a do bem comum, enfatiza as formas 
de exploração da forma de trabalho que permitiram a acumulação capitalista. 
A encíclica Quadragésimo Anno foi promulgada 40 anos após a Rerum Novarum em 1931, 
pelo Papa Pio XI. Nesta época, o mundo capitalista lidava com os problemas da Grande 
Depressão, período desencadeado pela queda da Bolsa de Valores de Nova Iorque em 
1929 e que mergulhou os EUA em tempos terríveis quanto à sua realidade econômica e 
social. O Quadragésimo Anno reforça tudo quanto foi afirmado por Leão XIII em seu tempo 
e apresenta, mais uma vez, as orientações da Igreja para a superação dos problemas. 
Devido à influência europeia, com suas raízes cristãs de assistencialismo, a igreja Cató-
lica controlava todo processo de ajuda ao próximo e benefícios aos menos favorecidos, 
sendo patrocinada pela ordem burguesa vigente.
A Igreja Católica torna-se fundamental na abertura das duas primeiras escolas de Ser-
viço Social: a Escola de Serviço Social de São Paulo, em 1936 e a Escola de Serviço 
Social do Rio de Janeiro, em 1937, sendo essas duas escolas as pioneiras do Serviço 
Social no Brasil.
Portanto, a Igreja Católica teve sua importância na configuração da identidade que mar-
ca a origem do Serviço Social no Brasil, sendo responsável pelo seu ideário inicial, seu 
campo de ação, pelas agências de formação dos primeiros assistentes sociais.
O Serviço Social, como já vimos, surge e se desenvolve como profissão reconhecida 
na divisão social do trabalho, a partir do desenvolvimento do capitalismo industrial e da 
expansão urbana. 
O surgimento do Serviço Social está diretamente relacionado à questão social, pois 
compreendemos que ele nasce na confluência/divergência do trabalho e do capital, en-
quanto expressão das desigualdades da sociedade capitalista que assola grande parte 
da população, desvalida de recursos econômicos que possam subsidiar sua existência 
de forma digna e igualitária. Assim, é fundamental compreendermos que, 
A questão social não é senão as expressões do processo de formação e 
desenvolvimento da classe operária e de seu ingresso no cenário político 
da sociedade exigindo seu reconhecimento como classe por parte do em-
presariado e do Estado. É a manifestação, no cotidiano da vida social, da 
contradição entre o proletariado e a burguesia, a qual passa a exigir outros 
tipos de intervenção mais além da caridade e da repressão. (IAMAMOTO; 
CARVALHO, 1985, p. 77)
Em 1932, é criado o Centro de Estudos e Ação Social (CEAS), entidade que seria fundadora 
e mantenedora da primeira Escola de Serviço Social do país, abrindo assim as portas não só 
para a profissionalização, como também para a institucionalização do mesmo.
IMPORTANTE
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Nesse sentido, Iamamoto e Carvalho (1985), nos esclarece que podemos entender 
que a questão social se apresenta como uma expressão, ou seja,a manifestação das 
contradições ocorridas no cotidiano da vida social da população e toda a contradição 
ocorrida entre a burguesia e o proletariado. 
O/A Assistente Aocial precisa atentar-se para a dinâmica do cotidiano da vida social, 
para então realizar uma leitura cada vez mais alinhada com o movimento de novas 
expressões da questão social, oriundas da desigualdade social, que se apresentam de 
diversas formas no cotidiano da vida em sociedade.
No final do século XIX, o Estado passa a intervir diretamente nas relações entre o em-
presariado e a classe trabalhadora, criando regulamentações/legislações social e traba-
lhista, gerindo a organização e a prestação dos serviços sociais, como uma nova forma 
de enfrentamento da questão social e de suas expressões. Assim, o Serviço Social se 
institucionaliza como uma estratégia do Estado, no intuito de controlar a vida social da 
população e o/a Assistente Social é chamado a fim de “[...] administrar e gerir o conflito 
de classe [...]” (IAMAMOTO, 2000 apud OLIVEIRA, 2017 p. 19).
O controle da vida social era necessário para que se pudesse “conter” as possíveis 
manifestações da população, revoltas, greves, etc. Nesse sentido, o/a assistente social 
era um profissional que, alinhado aos interesses da Igreja Católica, foi chamado inicial-
mente para gerir os conflitos oriundos das contradições do capital/trabalho.
Sem dúvida, um enorme desafio estava posto à categoria nesse momento, que base-
ada em perspectivas teóricas positivistas, bem diferentes das atuais, desenvolvia uma 
prática profissional em que culpabilizava os indivíduos pelas mazelas sofridas e não 
conseguia realizar uma leitura da questão social. 
A perspectiva da solidariedade e da caridade se apresentava de forma muito presente 
nas ações desenvolvidas pelos/as primeiros/as Assistentes Sociais, advindas de uma 
forma conservadora de realizar as leituras da dinâmica social e das consequências oca-
sionadas por um sistema prioritariamente excludente como o capitalismo.
O Movimento de Reconceituação do Serviço Social ocorreu para romper com as práti-
cas tradicionalistas que acompanhavam a profissão desde sua criação. O Serviço Social 
com base em ações humanitárias e a proteção e participação efetiva da igreja católica, 
nesse primeiro instante era trabalhado de forma piedosa, tradicionalista, assistencialista 
e atenuante, reforçado principalmente pela classe burguesa.
Segundo Iamamoto (2010), os assistentes sociais eram empregados para executar as 
políticas sociais somente para manter a ordem, fazendo que, com o passar do tempo os 
profissionais fossem impelidos a romper com esse conservadorismo tão forte e intenso 
que havia na época. Antes da reconceituação houve uma grande crise que culminou em 
vários questionamentos como, por exemplo, até onde a classe burguesa estava ligada 
a profissão e até onde a igreja estava envolvida. 
O Movimento de Reconceituação do Serviço Social teve início no Brasil na década de 
1960, período da Ditadura Militar, evidenciando a consciência crítica e política dos as-
sistentes sociais em toda a América Latina. Neste contexto os/as Assistentes Sociais 
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acabam por reconhecer as contradições que estavam atadas ao seu fazer profissional, 
começam então a questionar seu papel dentro da sociedade, que passava por mudan-
ças em nível continental, regidas pelo fervor das lutas sociais e a expansão do capita-
lismo no cenário mundial. Parafraseando Iamamoto (2010), as atitudes ousadas para 
época alcançam a Igreja, onde começam crescentes movimentos estudantis, expres-
sões artísticas e culturais, no campo das políticas partidárias. Os desafios da prática 
profissional dentro do Serviço Social se tornam mais amplos, e a concretização de uma 
nova análise do percurso da profissão se faz emergente.
Dentro desta conjuntura o Movimento de Reconceituação do Serviço Social aponta, facultan-
do a aproximação da teoria marxista ao Serviço Social, “criaram-se bases, antes inexistentes, 
para pensar-se a profissão sob a lente de correntes marxistas [...]”, Netto (2005, p. 149).
Ainda conforme Netto (2005), o Movimento de Reconceituação é, sem qualquer dúvida, 
parte integrante do processo internacional de erosão do Serviço Social ‘tradicional”. Em 
sua singularidade buscou o compromisso com as lutas dos oprimidos e as transforma-
ções das classes sociais, com o propósito de conferir caráter científico à ação profissio-
nal dos assistentes sociais.
O autor, acima referido, também faz alusão no que concerne a prática profissional, de 
acordo com Netto (2005), passa a existir um aumento no mercado de trabalho para o 
profissional do Serviço Social, devido ao surgimento das demandas que emergem den-
tro da autocracia burguesa, obrigando os trabalhadores do Serviço Social a trabalhar 
de forma diferente do que estavam acostumados. Com a chegada da modernização, e 
das máquinas nas indústrias, onde o capitalismo ganhou força, o êxodo rural ficou muito 
evidente promovendo um aumento da população de maneira desordenada. O Estado 
não estava preparado para as consequências desastrosas que a expansão da popula-
ção causaria como a pobreza extrema, bem como, a onda de violência e muitas outras 
expressões da questão social no Brasil.
Assim mostrando um novo agir profissional, devido às novas demandas, tinha o assistente 
social que desempenhar um papel digamos “moderno e tradicionalista”, de forma racional.
Nesse período ocorrem mudanças na formação dos assistentes sociais, onde o Serviço 
Social se torna disciplina das ciências sociais, pois antes essa formação era feita em es-
colas com poucos recursos e ligadas a uma grande influência da moral católica e carita-
tiva, com o novo contexto que se mostrava a sociedade. Tal formação estava obsoleta, e 
o serviço social passou a interagir com outras matérias como, por exemplo, antropologia, 
sociologia etc. Nesse processo de renovação Netto (2005) nos aponta três perspectivas: 
a. A modernizadora embasada nos documentos de Araxá e Teresópolis, onde o Serviço So-
cial foi engendrado como instrumento de intervenção para operacionalizar nos marcos 
de preservação do capitalismo. Esta perspectiva buscava adaptar o Serviço Social às 
exigências sociopolíticas que surgiram no período ditatorial; 
b. A perspectiva de reatualização do conservadorismo foi alicerçada na fenomenologia, recusa 
ao positivismo e buscava fundamentar o exercício do Serviço Social na ajuda psicossocial; 
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Diante do exposto tem-se nas falas dos autores que a história do Serviço Social passa por 
várias situações em sua trajetória, mostrando o quão foi importante o Movimento de Re-
conceituação, pois foi a partir deste que o Serviço Social tornou-se de fato uma profissão 
com peculiaridades, pertinente a sua magnitude, favorecendo para seu processo de ma-
turação intelectual e para a compreensão do seu significado social (IAMAMOTO, 2010).
Desde então, com o advento do Movimento, os profissionais passam a se impor como 
técnicos comprometidos com seu trabalho, tornando-se conhecedor das questões so-
ciais e tomando consciência das atribuições que são particulares dentro do contexto de 
uma sociedade burocrática e capitalista.
O trabalho do/a assistente social se torna ainda mais desafiante devido aos reflexos da desi-
gualdade social no atual sistema, como afirma Oliveira (2017, p.18): “[...] seu avanço está con-
dicionado ao estágio monopolista do capitalismo e sua forma voraz de obtenção do lucro a todo 
custo, que alija a classe trabalhadora a exclusão e potencializa os reflexos da questão social”.
Infelizmente, até os dias atuais, ainda vivemos as barbáries do capital, sendo que mui-
tos trabalhadores vivem situações bastante similares das vividas pelos franceses e in-
gleses no período da Revolução Industrial. Contudo, quando tratamos das expressões 
da questão social, elas não evidenciam somente no âmbito do trabalhodos Direitos Humanos no Brasil.
Os direitos fundamentais são aqueles essenciais ao ser humano e estão positivados 
no ordenamento constitucional de uma nação. Os fundamentais são os direitos básicos 
individuais, coletivos, sociais e políticos presentes na Constituição. 
Para saber mais sobre a DUDH, consulte o site:
SAIBA MAIS
Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos.
Acesso em: 9 jan. 2023. 
Para saber mais sobre os direitos fundamentais consulte a Constituição Federal da República 
Federativa do Brasil de 1988, Art.5º e seus incisos. 
SAIBA MAIS
https://www.aurum.com.br/blog/direitos-sociais/
https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos
8
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(Re)Discussão de conceitos
Acesso em 24 fev. 2023. 
Disponível em: https://constituicao.stf.jus.br/dispositivo/cf-88-parte-1-titulo-2-capitulo-1-
artigo-5.
No Art. 5º da CF de 1988, é disposto
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer nature-
za, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade (...) (BRASIL, 1988, p. 13) 
Destarte, devemos considerar que esses direitos expressam uma direção e uma inten-
cionalidade, pois quando se aponta o direito à vida, espera-se uma vida com dignidade; 
quanto ao direito à liberdade, além de ir e vir, o direito à opinião própria e manifestação 
da mesma, à informação e ao questionamento, também são esperados.
No que tange ao direito à igualdade espera-se a vedação e o banimento da discrimina-
ção; e o direito à segurança, diz respeito tanto à proteção física dos indivíduos, como à 
proteção jurídica frente ao poder punitivo do Estado. Já o direito à propriedade incorpo-
ra a dimensão de função social à propriedade.
1.2. DIREITOS FUNDAMENTAIS E SOCIAIS
Direitos fundamentais
Os direitos fundamentais têm algumas características que nos facilita a sua compreen-
são, a saber:
 ` Historicidade: surgem e modificam-se, sendo fundamentais quando são essen-
ciais para uma vida digna; 
 ` Inalienabilidade: não podem ser alienados, nem transferidos, nem negociados 
ou vendidos;
 ` Imprescritibilidade: os direitos fundamentais não prescrevem, caso não os usemos;
 ` Irrenunciabilidade: não se renuncia a um direito fundamental, mesmo não o 
exercendo;
 ` Relatividade/limitabilidade: afirma-se que nenhum direito fundamental poderá 
ser considerado absoluto, sendo que tais direitos deverão ser interpretados.
A distinção entre direitos humanos e direitos fundamentais consiste em que os direitos hu-
manos estão positivados no plano internacional; enquanto os direitos fundamentais estão 
positivados na Constituição Federal. Assim, o conteúdo dos dois é essencialmente o mesmo, 
o que difere é o plano em que estão postos.
IMPORTANTE
https://constituicao.stf.jus.br/dispositivo/cf-88-parte-1-titulo-2-capitulo-1-artigo-5.
https://constituicao.stf.jus.br/dispositivo/cf-88-parte-1-titulo-2-capitulo-1-artigo-5.
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Direitos sociais
Os direitos sociais têm como objetivo preservar direitos mínimos à sociedade e reduzir 
as vulnerabilidades sociais ocasionadas pelo modo de produção e reprodução capitalis-
ta. São decorrentes de lutas sociais, consolidando-se via o Estado, nas Constituições, 
e posteriormente nas políticas sociais. 
No Brasil, o estabelecimento de direitos sociais aconteceu somente após a promulga-
ção da Constituição Federal de 1988, que é definido em seu artigo 6º. 
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, 
a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a prote-
ção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma 
desta Constituição. (Artigo com redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 90, de 2015) 
Parágrafo único. Todo brasileiro em situação de vulnerabilidade social terá 
direito a uma renda básica familiar, garantida pelo poder público em pro-
grama permanente de transferência de renda, cujas normas e requisitos 
de acesso serão determinados em lei, observada a legislação fiscal e orça-
mentária. (Parágrafo único acrescido pela Emenda Constitucional nº 114, de 
2021) (BRASIL,1988, p. 14)
Nesse sentido, a partir do momento em que está posto na Constituição isso significa 
que é responsabilidade do Estado assegurá-los. Podemos observar que o detalhamen-
to desses direitos é realizado nos demais artigos da Constituição, a saber:
Educação: 
É universal, visando o pleno exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho, 
expondo uma visão, nas entrelinhas, liberal.
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será 
promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno 
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e 
sua qualificação para o trabalho. 
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - 
igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a 
arte e o saber; 
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de 
instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público 
em estabelecimentos oficiais; 
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma 
da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público 
de provas e títulos, aos das redes públicas; (Inciso com redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 53, de 2006) 
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; 
VII - garantia de padrão de qualidade. 
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(Re)Discussão de conceitos
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação 
escolar pública, nos termos de lei federal. (Inciso acrescido pela Emenda 
Constitucional nº 53, de 2006) 
IX - garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida. (Inci-
so acrescido pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020, com produção de 
efeitos financeiros a partir de 1º/1/2021) 
Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores conside-
rados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a 
elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Parágrafo único acresci-
do pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) 
Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, adminis-
trativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de 
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. § 1º É facultado às uni-
versidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma 
da lei. (Parágrafo acrescido pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996) § 2º 
O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tec-
nológica. (Parágrafo acrescido pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996) 
Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a 
garantia de: I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 
(dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para 
todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria; (Inciso com redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) II - progressiva universa-
lização do ensino médio gratuito; (Inciso com redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 14, de 1996) 
III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, 
preferencialmente na rede regular de ensino; 
IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos 
de idade; (Inciso com redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 
2006) 
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação 
artística, segundo a capacidade de cada um; 
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; 
VII - atendimentoou na ausência 
dele. Como já mencionamos, é importante que o/a assistente social realize uma leitura 
conjuntural e identifique as diversas esferas em que estão presentes tais expressões.
1.2. O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADE
Compreender o contexto cultural, territorial, social, econômico e político, são elemen-
tos de fundamental importância para a prática do/da assistente social que se propõe, 
enquanto profissional, a enfrentar cotidianamente as diversas expressões da questão 
social, que podem se manifestar através da violência, preconceito, racismo, ausências 
de moradia, educação, saúde e tantos outros elementos. 
Sendo assim, é de extrema importância que o/a assistente social tenha clareza da sua 
responsabilidade profissional nas leituras de realidade realizadas, nos atendimentos a 
c. A intenção de ruptura, que almejava romper definitivamente com o tradicionalismo e o 
pensamento conservador da profissão, esta veio expressada no legado da tradição mar-
xista. Este processo de renovação foi um movimento cumulativo, com diferentes momen-
tos de dominância teórico-cultural e ideopolítica, que se entrecruzam e se sobrepõem 
(NETTO, 2005, p. 156-159).
O Serviço Social crítico mostra-se “comprometido com os interesses da massa da população, 
preocupado com a qualificação acadêmica e com a interlocução com as ciências sociais, 
investindo fortemente na pesquisa” (NETTO, 2005 p. 18).
PARA REFLETIR
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O Significado Social da Profissão
4
classe trabalhadora, a partir de uma perspectiva alicerçada no projeto ético político da 
categoria, que consiste em parâmetros éticos e uma direção política para uma prática 
interventiva, que efetivamente colabore para emancipação e garantia de direitos. 
Ora, a compreensão da questão social, é premissa para o processo de formação profis-
sional do/a assistente social, que desde 1990, tem sua orientação pautada nas Diretri-
zes Curriculares, na Lei de Regulamentação da Profissão e no Código de Ética Profis-
sional, que está alinhado com o que se convencionou chamar de Projeto Ético-Político 
do Serviço Social. Esse projeto, em sua essência, objetiva uma intervenção profissional 
comprometida com as necessidades das classes subalternas e sua fundamentação 
deve estar alicerçada no aprofundamento da democracia e ampliação da cidadania.
Dessa forma, isso implica afirmar que o/a assistente social, ao longo de sua formação, 
desenvolva competências teórico-metodológicas, técnico-operativas e ético-políticas, 
que possibilitem a viabilização de ações interventivas efetivas, sendo que para isso se 
faz fundamental a compreensão e leitura da questão social.
Outrossim, as condições que tipificam o trabalho profissional do/da assistente social, 
são uma concretização da dinâmica das relações sociais vigentes na sociedade, em 
determinado período e contexto histórico. A atuação profissional é polarizada pelos in-
teresses das classes sociais em conflito (burguesia e trabalhadores), tendendo a ser 
cooptada pela classe dominante, haja vista, a conjuntura posta: somos trabalhadores 
assalariados e empregados dentro de um sistema capitalista. 
A atuação profissional nos permite responder tanto a demandas do capital como do 
trabalho, onde participamos tanto dos mecanismos de dominação e exploração como, 
ao mesmo tempo e pela mesma ação, da resposta às necessidades da classe trabalha-
dora. Nesse sentido, é a partir do posicionamento a favor da classe trabalhadora, que 
podemos dar sentido e significado a nossa intervenção profissional, condizente assim, 
com o projeto ético-político da profissão. 
Assim, o Serviço Social, no seu processo de profissionalização, assumiu ao longo da 
história um papel importante na reprodução das relações sociais no capitalismo. O Ser-
viço Social se institucionaliza como profissão quando rompe com os muros de uma 
atividade meramente caritativa e filantrópica, de cunho privado ou confessional, para 
estabelecer-se como um dos mecanismos mobilizados pelo Estado e pela burguesia na 
implantação das políticas sociais ou assistenciais, no momento que essas passam a ser 
centralizadas e geridas pelo Estado e implementadas direta ou indiretamente.
As mudanças que a sociedade vem passando e as transformações socioeconômicas, 
políticas e culturais trazem junto com elas demandas que emergem uma nova organi-
zação do trabalho de várias profissões, mas é bem claro que algumas áreas neces-
sitam se sobressair muito mais que outras. É o caso do Serviço Social que, mesmo 
sendo uma profissão com uma bagagem teórica historicamente construída ao longo 
dos seus oito decênios no Brasil, requer uma constante evolução, que acompanhe de 
forma específica e eficaz este cenário metamorfósico e os desafios que o Serviço Social 
encontra na sociedade em que vivemos atualmente, ora pela significativa ascensão das 
expressões da questão social causadas pelas crises políticas e econômicas vivencia-
das pelo Estado, ora pela automatização das relações sociais. 
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A necessidade de sintonizar o Serviço Social com a atualidade fez emergir a partir da 
década de 1980, momentos de discussões e indagações acerca de dentro e no entorno 
do Serviço Social, sobre as mudanças sociopolíticas, econômicas, culturais e sociais e 
de como a profissão se insere neste cenário, onde a acumulação do capital, a explora-
ção da força de trabalho e exclusão social se faz fortemente presente.
Nesse sentido, a intervenção do Estado na questão social, criou (e ainda cria) um mer-
cado de trabalho para o/a assistente social, tornando o profissional assalariado, contra-
tado pelo Estado ou pelas organizações que desenvolviam (e desenvolvem) as políticas 
sociais. A atuação profissional, nesse período, tem como público-alvo uma parcela da 
classe trabalhadora, especialmente aquela que tem acesso aos serviços sociais. O ca-
ráter contraditório presente no exercício profissional reflete as próprias contradições 
presentes nas relações sociais que compõem a sociedade capitalista. 
Com a instauração da política neoliberal na década de 1990, o Estado passa a assumir 
o capital financeiro, formado pelo lucro das grandes empresas e pela força de trabalho 
do proletariado e, como consequência, traz consigo a flexibilidade no mundo do traba-
lho, o aumento do desemprego e o estreitamento dos direitos sociais. Com o Estado 
mínimo aumenta a demanda do trabalho do Serviço Social ampliando seus espaços de 
trabalho como no terceiro setor e empresas privadas, crescendo também a atuação do 
Serviço Social na área dos recursos humanos, entre outros.
No início do século XXI a conjuntura da sociedade globalizada tende a favorecer a pre-
carização do trabalho, provocando discussões acerca da questão social e o papel das 
políticas públicas que não surtem efeitos na sociedade brasileira. Aumenta-se o número 
de cursos de graduação e graduação à distância em Serviço Social, no sentido de garantir 
a expansão da categoria dos profissionais do Serviço Social nas mais variadas esferas 
da sociedade. Segundo o CRESS/RJ (2016), “A capacidade de mobilização em torno de 
projetos coletivos se reduz. Com isso, surgem novos desafios na luta pela consolidação 
dos direitos da população usuária dos serviços prestados por assistentes sociais”. 
O Serviço Social em sua atual conjuntura apresenta um aspecto acadêmico profissional 
e social restaurado, voltado à defesa do trabalho e dos trabalhadores, do amplo acesso 
aos direitos para a produção de meios de vida, ao compromisso com a afirmação da 
democracia, da liberdade, da igualdade e da justiça social. O que, de acordo com Ia-
mamoto (2010) na travessia dos anos 1980 para 1990 não era o foco da profissão que 
direcionava sua atenção ao Estado e não a sociedade, as políticas sociais e não aos 
sujeitos que delas precisavam. 
Entretanto, podemos observar que o assistente social atuante na cena contemporânea, 
ainda passa por situações que necessitam ter defronte suas intençõesprofissionais, 
ações que beneficiem o Estado, que devem fundir as políticas sociais com os propó-
sitos do capital e dos oligopólios, dado que a precarização do trabalho nos dias atuais 
implica na realização do fazer profissional de forma que o assistente social não alcance 
plenamente o objetivo de sua intervenção na sociedade.
Assim, conforme afirma Iamamoto e Carvalho (2009, p. 47), compreender a profissão 
de Serviço Social, “implica o esforço em inserí-la no conjunto de condições e relações 
sociais que lhe atribuem um significado e nas quais torna-se possível e necessária” 
64
O Significado Social da Profissão
4
A sociedade contemporânea é marcada por um contexto de globalização mundial, a qual é 
determinada pela grande hegemonia do capital financeiro, bem como, permeado por novos 
padrões das relações de produção e de gerenciamento (IAMAMOTO; CARVALHO, 2007).
Essas mudanças na sociedade capitalista, de âmbito planetário, trouxeram reduções 
nos postos de trabalho, e, consequente aumento da exclusão social, econômica, políti-
ca e cultural de homens, mulheres, jovens e crianças principalmente das classes mais 
pobres. É um momento que confirma a relação contraditória entre a acumulação do 
capital, a equidade e a igualdade. 
Nessa relação é presente o agravamento das expressões da questão social, as quais 
são objetos de estudo e intervenção do Serviço Social, tanto no passado, como na atu-
alidade. É visível o crescimento das demandas e a procura pelos serviços sociais, bem 
como, a seletividade das políticas sociais, a redução dos recursos, dos salários e a im-
posição de critérios para a população ter acesso aos direitos sociais. Essa conjuntura 
afeta diretamente as condições de vida, de trabalho, as relações políticas, sociais e cul-
turais de diversos segmentos de trabalhadores, radicalizando as desigualdades sociais. 
Outrossim, a intervenção do Estado, nesses tempos de neoliberalismo, passou a tratar 
as expressões da questão social de forma paliativa, focalizada, setorializada e fragmen-
tada, muito embora o Estado tenha renovado as formas de proteção social, da legisla-
ção trabalhista, sindical e a política econômica. Quando pensamos nas mudanças que 
ocorreram e permanecem afetando a esfera da produção, do Estado, das políticas e da 
sociedade, percebemos que elas estabeleceram novas mediações na questão social e 
nas demandas postas ao Serviço Social.
O exercício profissional dos assistentes sociais tem por base uma visão que extrapola 
o superficial e conecta-se com a realidade, pois sua prática necessita estar para além 
de uma mera execução isolada, com capacidade de uma análise crítica das mudanças 
da sociedade. 
Assim, o Serviço Social, insere-se na divisão social e técnica do trabalho coletivo na 
sociedade, isto é, trata-se de uma especialização do trabalho na sociedade, a qual está 
condicionada pelas relações entre o Estado e a sociedade, por meio das relações entre 
as classes sociais (IAMAMOTO; CARVALHO, 2007).
Como já vimos, o Serviço Social surge como profissão em meio à ação de regulação 
e controle do Estado sobre a vida social. Sendo o Estado mediador, passou a intervir 
na questão social, buscando uma relação de consenso na sociedade, criando as bases 
históricas de intervenção do Serviço Social, por isso, podemos considerar que a base 
A compreensão da relação do Serviço Social com o mundo contemporâneo, tem por base 
apreendê-lo no contexto da dinâmica histórica da sociedade, a qual se insere e que influencia 
a forma que a profissão vai se desenvolver.. 
PARA REFLETIR
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da fundação do Serviço Social como especialização do trabalho está intrinsecamente 
ligada à questão social. 
O processo de globalização mundial da produção e dos mercados, que facilitou o aces-
so a produtos de várias partes do mundo, trouxe o aumento na acumulação de riquezas, 
mas a distribuição dessas, permaneceu restrita a um pequeno grupo da sociedade. É 
nessa conjuntura que os assistentes sociais trabalham com a questão social em suas 
várias expressões cotidianas, apresentadas na órbita do trabalho, da família, das políti-
cas de habitação, saúde, assistência, dentre outras.
Assim, a partir deste cenário, se faz necessário um profissional que tenha condições 
de construir propostas de ação inovadoras além de possibilitar um exercício profissio-
nal crítico e questionador. É importante resgatar que as condições que favoreceram a 
profissionalização do Serviço Social foram criadas por meio da crescente intervenção 
do Estado, com viés à regulação da sociedade, através das políticas públicas. Nesse 
processo, aumentaram as instituições sociais que garantiram a abertura de espaços 
sócio-ocupacionais para os assistentes sociais. Aos profissionais de Serviço Social, 
coube a relação com os segmentos mais vulneráveis, dando respostas às suas neces-
sidades junto às políticas sociais públicas. 
O Estado foi um dos grandes impulsionadores da profissionalização do Serviço Social 
no mundo, e com suas especificidades, no Brasil, ampliando e diversificando o mercado 
de trabalho. 
Atualmente, apesar dos assistentes sociais serem em grande parcela trabalhadores as-
salariados, que atuam principalmente em organismos governamentais, com destaque 
ao campo da seguridade social: política de saúde e assistência, é possível observar a 
intensificação de processos de subcontratação de serviços individuais destes profis-
sionais (IAMAMOTO; CARVALHO , 2007). Como exemplo, podemos citar o trabalho 
do assistente social na área da habitação social, que tem passado pelo processo de 
terceirização do projeto, da obra, da operação, da fiscalização e do gerenciamento, até 
mesmo do trabalho social. 
No caso do Serviço Social brasileiro, e mesmo o dos demais países latino-america-
nos, ao mesmo tempo em que se consolidavam os direitos sociais, os assistentes 
sociais buscavam concretizar um projeto profissional pautado no compromisso de 
defender a efetivação dos direitos sociais. O projeto da profissão que temos hoje, em 
toda a América Latina, resultou de um amplo movimento de lutas pela democratização 
das sociedades. 
Deste modo, o trabalho do Serviço Social requer uma condição democrática e possui 
um compromisso com a cidadania e a defesa dos direitos sociais, em que o profissional 
preserva e amplia as conquistas da coletividade e na sua efetividade. 
Nesta perspectiva, devemos deixar claro a concepção teórica adotada pela profissão: a 
teoria social crítica, pautada no marxismo, sendo o norte das mudanças de intervenção 
dos profissionais, surgindo novas formas de abordagens e de relações profissionais 
(IAMAMOTO; CARVALHO, 2007).
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O Significado Social da Profissão
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2. A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO DO/DA ASSISTENTE 
SOCIAL E A REGRESSÃO DOS DIREITOS 
Neste tópico discorreremos sobre a precarização do mundo do trabalho e seus impac-
tos nas políticas públicas sociais e na atuação profissional. 
2.1. O TRABALHO NA SOCIEDADE CAPITALISTA - BREVE RELATO
O trabalho é categoria fundante da práxis social, da sociabilidade humana, o elemento 
estruturador das relações sociais, dada a capacidade humana mediante o trabalho de 
transformar a natureza para garantir a satisfação de suas necessidades e de nesse 
processo de transformação modificar-se como parte do processo de complexificação de 
suas potencialidades- a si mesmo, aos outros indivíduos e ao modo como se estabelece 
o processo de trabalho. 
Faz-se necessário destacar que o processo de trabalho que tem como princípio a trans-
formação da natureza pelo homem se distingue das ações que regem os processos 
naturais, visto que “(...) a ação e seu resultado são sempre projetados na consciência 
antes de serem construídos na prática”. (LESSA; TONET, 2008, p. 18). É justamente 
devido a essa capacidade teleológica que o homem se distancia dos animais. Os auto-
res em referência ainda explicitam que “Ao transformar a natureza, os homens também 
setransformam, pois adquirem sempre novos conhecimentos e habilidades”. (LESSA; 
TONET, 2011, p. 19). Constata-se, pois, que “(...) o trabalho é insuprimível, condição ne-
cessária à existência do ser humano, independente do modelo de organização social.” 
(TEIXEIRA, 2008, p. 59).
No seio do capitalismo, essa concepção de trabalho se metamorfoseou radicalmente, 
visto que as relações que foram sendo estabelecidas por esse sistema atingiram 
drasticamente todas as esferas sociais, sobretudo no que se reporta às relações de 
trabalho. Como destacam Lessa e Tonet (2008, p. 70), “(...) ao capital o que importa 
são apenas as mercadorias e os seus custos, a essência humana da força de trabalho 
No âmbito das possibilidades de intervenção profissional, o Serviço Social tem redimen-
sionado seu trabalho, tratando-se de um processo permeado de conflitos, em espaços 
institucionais de correlação de forças, com disputas de poder e até mesmo de recursos. 
É necessário compreender que a atuação do assistente social na intermediação entre 
as demandas da população usuária e o acesso aos serviços sociais, cruza as esferas 
públicas e privadas, intervindo no cotidiano da vida de seus usuários. 
As novas possibilidades de trabalho do assistente social, estão relacionadas com as 
formas de enfretamento da questão social, como o Estado responderá às requisições 
da sociedade e como serão articuladas as estratégias do capital e dos trabalhadores na 
conquista e manutenção dos direitos. 
Outrossim, se há limites, por conta, do próprio ideário do capitalismo, há possibilidades 
de resistência e do profissional garantir em seu agir, um posicionamento ético e político, 
respeitando de fato o que está posto no nosso Código de Ética: a defesa intransigente 
dos direitos da classe trabalhadora.
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é completamente desprezada”. Desse modo, a forma individualista, competitiva e 
fragmentada desse sistema faz com que as potencialidades inerentes ao homem sejam 
desfrutadas somente pelas classes abastadas, deixando às margens do sistema um 
contingente de trabalhadores que disputam entre si para sobreviver. 
Outro aspecto que se torna importante evidenciar é o processo de alienação que estão 
presentes na vida cotidiana do trabalhador. Isso porque o trabalho alienado se constitui 
a partir do momento em que o homem deixa de se reconhecer em suas atividades, o 
que expressa, portanto, a ausência de criatividade e reflexão do trabalhador no proces-
so de produção. 
Nesse particular, há um inevitável estranhamento do homem em relação ao seu tra-
balho e aos outros homens, pois sua essência criativa é incessantemente submetida 
e suprimida pelo ritmo de produção, transformando-o em “simples” mercadoria para 
os detentores dos meios de produção. “Nessa dimensão, o trabalho não proporciona, 
pelo menos diretamente, a satisfação das necessidades humanas, mas um meio de 
satisfazê-las fora dele”. (TEIXEIRA, 2008, p. 60). Isso ocorre porque o único meio de 
sobrevivência do trabalhador é a venda da sua força de trabalho em troca de um salário. 
Em outras palavras:
(...) não há outro meio de sobrevivência para os trabalhadores, sem a pro-
priedade dos meios de produção, numa sociedade capitalista, que a venda 
da sua força de trabalho, que a submissão de todo o seu tempo de vida ao 
tempo de trabalho, ou à busca da sobrevivência, através do trabalho. (TEI-
XEIRA, 2008, p. 67).
Assim sendo, desde sua origem, o capitalismo, “(...) faz crescer o trabalho assalariado 
e suga suas potencialidades, indispensáveis às suas necessidades reprodutivas”. (TEI-
XEIRA, 2008, p. 66). À vista disso, as condições que regem a realidade do mundo do 
trabalho tornam-se indissociáveis do sistema capitalista, o qual tem como uma de suas 
expressões a desvalorização do trabalhador nas suas formas de sociabilidade, sobre-
tudo nos dias atuais, visto que: 
(...) quanto mais o trabalhador produz menos tem para consumir; quanto maior 
o valor que ele cria menos valioso se torna; quanto mais aperfeiçoado o seu 
produto mais grosseira sua situação; quanto mais civilizado o produto menos 
o trabalhador é humano; quanto mais poderoso o trabalho mais frágil o tra-
balhador; quanto mais inteligência revela o trabalho mais o trabalhador decai 
em sobrevivência e se torna um escravo da natureza. (GALLO, 2003, p. 48)
O trabalho nessa sociedade gira em torno do modo de produção capitalista, que faz sur-
gir duas classes fundamentais, a burguesia e o proletariado, possuindo interesses anta-
gônicos. Nessa relação, observa-se um processo de dominação e exploração, quando 
a classe trabalhadora é submetida, dada a sua necessidade de sobreviver. 
Entretanto, durante o processo histórico, a classe que vive do trabalho, foi se organizan-
do e se rebelando diante da situação que fora submetida. Porém, é por meio da venda 
do trabalho que a classe trabalhadora recebe salário com o qual compra os bens ne-
cessários para sobreviver. Em tal processo de trabalho, o trabalhador só cuida de uma 
parte da produção e não dela toda. Assim, não conhece por inteiro o objeto construído, 
não se reconhece ao final no objeto, e o dinheiro da venda não lhe pertence. Muitas 
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O Significado Social da Profissão
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PARA REFLETIR
vezes, não pode nem mesmo comprar aquilo que produziu. Também, não reconhece 
em outros trabalhadores seres iguais a si, alienando-se. 
Na sociedade capitalista tudo se transforma em coisa ou mercadoria. Marx (1987, p. 28) 
define em seus Manuscritos Econômico-Filosóficos que:
O trabalhador fica mais pobre à medida que produz mais riqueza e sua pro-
dução cresce em força e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria 
ainda mais barata à medida que cria mais bens. A desvalorização do mundo 
humano aumenta na razão direta do aumento de valor do mundo dos obje-
tos. O trabalho não cria apenas objetos; ele também se produz a si mesmo 
e ao trabalhador como uma mercadoria, e, deveras, na mesma proporção 
em que produz bens.
Em suma, não se trata apenas de uma incompetência individual, mas se trata de uma 
estrutura social essencialmente e concretamente desigual. Tal situação é reforçada 
pela educação formal escolar. Para Lessa e Tonet (2011) na sociedade capitalista: [...] 
a teoria educacional burguesa se vê enredada em uma contradição insolúvel entre o 
discurso e a realidade objetiva. Ela enfatiza a universalidade do direito à educação e a 
necessidade da formação integral do ser humano. No entanto, o processo real, objetivo, 
impede o acesso universal à educação e desmente a possibilidade de uma formação 
integral. Incapaz de compreender a relação íntima entre subjetividade e objetividade, 
essa teoria torna-se um discurso vazio, mas convenientemente funcional à reprodução 
dos interesses das classes dominantes. (LESSA; TONET, 2008, p. 143). 
A educação nessa sociedade do capital é realizada por meio de uma educação escolar 
não democrática. A educação, neste sentido, está de acordo com o que quer a classe que 
domina, que é não criar cidadãos pensantes, criativos e questionadores, mas seres aco-
modados, apolíticos, que aceitem e respeitem a autoridade sem questionar. Diferente da 
educação libertadora que pressupõem que “[...] ensinar não é transferir conhecimento, mas 
criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção.” (FREIRE, 1996, p. 22).
Na sociedade burguesa, contudo, o papel da educação é encobrir a realidade. Sader 
(2005, p. 17) afirma que, a educação nessa sociedade teria como intuito “[...] forne-
cer os conhecimentos e o pessoal necessário à maquinaria produtiva em expansão do 
sistema capitalista, mas também gerar e transmitir um quadro de valores que legitima 
os interesses dominantes. [...]’”. Portanto, a educação passou a ter na sociedade de 
classes como propósito encobrir a desigualdade que está na gênese dessa sociedade, 
criando um consenso para a sua continuidade. Conforme Freire (1996) a educação 
pode tanto reforçar a reprodução daideologia dominante, quanto através da prática 
educativa-crítica desmascarar essa ideologia. Como é uma das contradições postas 
nessa sociedade, deve ser entendida em seu movimento dialético. 
Mesmo que a educação seja realizada de modo crítico, só ela não possibilita a transformação 
da sociedade. Seria necessário construir condições concretas para a transformação que ob-
jetivasse a emancipação humana. Seria necessário mudar a sociedade. Para isso, deve-se 
mudar a estrutura econômica, o que só se dará, por meio da organização e luta popular.
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RELEMBRE
2.2. A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO DO/DA ASSISTENTE SOCIAL
Como tratado acima no texto o processo histórico da profissão no Brasil tem seu desenvolvi-
mento emergente na década de 1930, em meio ao cenário de turbulência econômica, política 
e social, decorrente do reflexo no avanço do capitalismo. A economia brasileira passou pela 
transição de agrário-exportadora para industrial e essa mudança produziu alterações sociais 
principalmente no estilo de vida rural para o urbano industrial. A população rural migrava para 
as cidades em razão da acelerada industrialização que demandava mão-de-obra excedente 
e isso acarretou o crescimento urbano, ocasionando o início dos conflitos sociais.
Na medida em que a industrialização avançou, cresceu com ela a concentração da renda, 
ampliando-se as desigualdades sociais, aumentando as tensões nas relações de trabalho 
e agravando-se a questão social. Com a emergência da questão social, os representantes 
do capital começaram a se preocupar com uma reação da classe operária e este cenário 
conturbado criou as condições que propiciaram a profissionalização do Serviço Social no 
Brasil, para intervir junto às expressões da questão social, como mediador da benemerên-
cia, atuando para o alívio dos males sociais. Outrossim, o Serviço Social surgiu como uma 
iniciativa da classe burguesa-dominante, ligada à Igreja Católica e ao Estado.
Recapitulando
A gênese do Serviço Social, no Brasil, enquanto profissão, inscrita na divisão social do tra-
balho, está relacionada ao contexto das grandes mobilizações da classe operária, nas duas 
primeiras décadas do século XX. A burguesia, o Estado e a Igreja, preocupados com essa 
situação, a fim de manter os seus interesses de classe e a ordem social, somaram forças 
para conter a classe operária. 
Concomitantemente, as condições acima descritas, a influência do pensamento da Ação Social 
e da Ação Católica, se fez presente, haja vista, o monopólio na formação dos agentes sociais. 
A Igreja Católica controlava todo o processo de ajuda ao próximo e benefícios aos menos fa-
vorecidos, sendo patrocinada pela ordem burguesa vigente. Tornou-se fundamental na aber-
tura das duas primeiras escolas de Serviço Social: a Escola de Serviço Social de São Paulo, 
em 1936, e a Escola de Serviço Social do Rio de Janeiro, em 1937, sendo essas as duas 
escolas pioneiras do Serviço Social no Brasil.
Portanto, a Igreja Católica teve sua importância na configuração da identidade que marca a 
origem do Serviço Social no Brasil, sendo responsável pelo seu ideário inicial, seu campo de 
ação e pelas agências de formação das primeiras assistentes sociais.
Além da ligação do Serviço Social aos fundamentos filosóficos da Igreja, havia a ligação 
ao pensamento conservador e à perspectiva analítica das Ciências Sociais – o Positivismo. 
A partir de 1940 o referencial que orienta a prática profissional é o Serviço Social de 
Caso, Grupo e Comunidade, originados no Serviço Social praticado nos Estados Uni-
dos, e que interpretava o indivíduo como sujeito dos processos e as soluções estavam 
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O Significado Social da Profissão
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numa cadeia de relações individuais. Apesar disso, reconhece-se o surgimento a partir 
daí de mais qualificação e profissionalização do Serviço Social. A concepção funciona-
lista preconizada pela Sociologia americana propunha o trabalho em grupo para inte-
grar o homem ao seu meio.
De acordo com o material produzido pelo Conselho Federal de Serviço Social -CFESS, 
em 2014, Atuação de Assistentes Sociais no Sociojurídico – subsídios para a interven-
ção, no Brasil, as primeiras atuações de assistentes sociais dentro do setor público, 
foram no Juízo de Menores, primeiramente, do Rio de Janeiro, em meados da década 
de 1930, ocorrendo pela necessidade do momento em que a sociedade vivia diante 
do agravamento dos problemas relativos à infância pobre, à infância delinquente e à 
infância abandonada. 
Na cidade de São Paulo, essa inserção se deu em 1937, conforme cita Fávero (1999), 
mencionando a contratação da aluna da Escola de Serviço Social, Nair de Oliveira Co-
elho, ainda estudante, pelo Juizado de Menores de São Paulo em 1937. Apesar disso, 
não houve uma atuação organizada por parte do Serviço Social até 1949, pois não 
havia uma estrutura organizativa que possibilitasse esse processo. Assim, a inserção e 
consolidação do Serviço Social junto ao Juizado de Menores de São Paulo, aconteceu 
efetivamente no período de 1948 a 1958, onde vários serviços foram criados, ampliando 
espaços para atuação dos assistentes sociais. 
O Juízo Privativo de Menores de São Paulo, contou com os chamados comissários de 
menores, pessoas da sociedade que auxiliavam, voluntariamente, no trabalho junto aos 
menores. Segundo Fávero (1999), eles tinham como atribuições a apreensão de meno-
res abandonados e infratores, o atendimento à população no Juizado, a representação 
dos casos ao juiz, além de visitas à residência do menor. O Serviço Social teve seus 
primeiros contatos com o Juízo de Menores através do comissariado de menores, quan-
do este foi dirigido pelo Departamento de Assistência Social. O comissariado passou a 
ser integrado também por assistentes sociais e estagiários do curso de Serviço Social. 
(FÁVERO, 1999)
A introdução formal do Serviço Social junto ao Juizado de Menores começou a acon-
tecer a partir de 1948, com a realização da I Semana de Estudos do Problema de 
Menores, legitimando-se na década de 50, através do Serviço de Colocação Familiar, 
criado no final de 1949, pela Lei Estadual nº 560, com objetivo de evitar a internação de 
menores. Com essa lei a intenção era de que as crianças fossem colocadas em família 
substituta, sendo que essas deviam receber subsídios advindos do Poder Judiciário 
para que se mantivessem.
A referida lei designava que para estabelecer este Serviço era necessário que as pes-
soas que fossem compor a equipe de profissionais além de serem pessoas íntegras 
com conduta moral inabalável, fossem se possível, “assistentes sociais diplomados por 
Escola de Serviço Social ou professores, educadores sanitários ou orientadores edu-
cacionais, com certificado de curso intensivo de serviço social ou de higiene mental”. 
Já para o cargo de chefe do serviço o candidato também teria de ser assistente social 
formado, e este era designado pelo Juiz de Menores. (art. 6º, § 4º e § 5)
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O Serviço Social “progrediu” em suas ações de trabalho dentro desse campo de atua-
ção, abrindo novas oportunidades para os assistentes sociais, ampliando suas ativida-
des no Poder Judiciário.
Segundo o CFESS (2014), às mudanças advindas pela elaboração do novo Código de 
Menores em 1979, e a instauração do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, em 
1990, ocasionaram uma clara expansão de novas áreas de atuação do assistente social. 
Essas instituições passaram a estabelecer relações diretas com o Poder Judiciário, com 
isso demandaram do Serviço Social, profissionais que atuassem de forma sistemática. 
Durante a sua trajetória nas instituições judiciárias, a intervenção do Serviço Social foi 
identificada como necessária também em diversas outras áreas, seja implementando 
programas e projetos de treinamento, capacitação de funcionários e magistrados, ou na 
área de saúde mental e vocacional,conforme os princípios éticos que norteiam a profis-
são. Com o passar dos anos, o exercício profissional dos assistentes sociais no campo 
do Poder Judiciário ganhou proporções cada vez mais amplas, fazendo com que o tema 
seja alvo de estudos, pesquisas e debates dentro da categoria.
Como já estudamos, o Serviço Social emerge num contexto nos marcos do capitalismo 
monopolista, onde a intervenção do Estado capitalista se dá nos processos de regu-
lação e reprodução social, por meio das políticas sociais. Assim, como afirma Yazbek 
(2004, p. 38.): “As políticas sociais na esfera pública ou privada configuram-se como 
mediação fundamental para essa intervenção profissional apoiada em conhecimentos 
teóricos, técnicos e ético-políticos.”
Analisar o Serviço Social na esfera estatal exige um olhar para a dinâmica sócio-históri-
ca, que desenha os espaços sócio-ocupacionais. A relação entre Estado, Serviço Social, 
questão social e políticas sociais deve ser entendida para analisar o mercado de trabalho.
A profissionalização do Serviço Social está então vinculada à intervenção do Estado no 
enfrentamento das sequelas da questão social. Tem-se um mercado de trabalho que exi-
ge profissionais habilitados na formulação, implantação e execução das políticas sociais.
A profissão, os espaços sócio-ocupacionais e o mercado de trabalho sofrem o rebati-
mento das transformações societárias, com as regressões do Estado e as várias e com-
plexas manifestações da questão social, sentindo as consequências do redesenho das 
ações sociais do Estado, com seus processos de redefinição dos sistemas de proteção 
social e da política social.
Sob os impactos dessas transformações que já interferem no cotidiano da intervenção pro-
fissional, a profissão enfrenta novas demandas, atribuições e competências, a exigência de 
novos conhecimentos teórico-metodológicos, técnico-operativos, ético-políticos, mas ainda 
convivendo com as manifestações da pobreza, da exclusão e da subalternidade.
É nessa sociedade contemporânea que se dá o grande embate da profissão, ou seja, a 
construção de um projeto profissional ético e político, na direção de uma sociabilidade 
mais justa, mais igualitária e na qual os direitos sociais sejam observados e garantidos. 
Assim, é fundamental investir na consolidação do projeto ético-político do Serviço So-
cial, no cotidiano de trabalho profissional, que “caminhe na direção do desenvolvimento 
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O Significado Social da Profissão
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da sociabilidade pública capaz de refundar a política como espaço de criação e genera-
lização de direitos.” (YAZBEK, 2004, p. 40)
A trajetória da profissão acompanha a política pública de assistência social brasileira 
desde os anos 30, quando o Estado assume uma intervenção reguladora frente à emer-
gente questão social no país. Conforme afirma Yazbek (2004) em seu texto; “A Assis-
tência Social na prática profissional: história e perspectivas”. Neste momento histórico 
a profissão prioriza Ação Social (refere-se aos anos de 1930, à intervenção direcionada 
para mudanças sociais sob a ótica do ideário católico) em relação à Assistência Social. 
Ainda assim, a Assistência Social era considerada um avanço em relação às práticas 
filantrópicas prevalecentes até então.
É num contexto de ampliação da desigualdade na distribuição de renda e com “a soma-
tória de extorsões que configurou um no perfil para a questão social brasileira” (YAZ-
BEK, 2004, p. 89), e na “contramão” das transformações que ocorrem na ordem econô-
mica internacional mundializada que o Brasil vai instituir constitucionalmente em 1988, 
seu sistema de Seguridade Social no qual destacamos a Assistência Social.
Nessa direção, tem início a construção de uma nova concepção para a Assistência Social 
brasileira, que é regulamentada em 1993, como política social pública e inicia seu “trânsito 
para um campo novo: o campo dos direitos, da universalização dos acessos e da respon-
sabilidade estatal.” (YAZBEK, 2004). O protagonismo dos assistentes sociais brasileiros 
na elaboração da LOAS - Lei Orgânica de Assistência Social, foi fundamental.
A Assistência Social configura-se como possibilidade de reconhecimento público da legi-
timidade das demandas de seus usuários e espaço de ampliação de seu protagonismo.
Essa mudança na concepção da assistência social é, sem sombra de dúvidas, um 
avanço que permite sua passagem do assistencialismo e de sua tradição de não-po-
lítica para o campo da política pública, buscando romper com a tradição clientelista e 
assistencialista.
Nesses últimos anos tornaram-se evidentes as características neoliberais da política 
social brasileira, face às necessidades sociais da população, mas é nesse contexto, 
conforme já afirmamos, que cabe à Assistência Social brasileira atual “prover um con-
junto de seguranças que cubram, reduzam ou previnam riscos e vulnerabilidades so-
ciais (SPOSATI, 1995, p. 23), bem como necessidades emergentes ou permanentes 
decorrentes de problemas pessoais ou sociais de seus usuários.
Em setembro de 2004, o Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS, aprovou, após 
amplo debate no país, a Política Nacional de Assistência Social em vigor, na qual a implemen-
tação do Sistema Único de Assistência Social - SUAS ocupou e ocupa um lugar de destaque.
São os assistentes sociais que estão implementando o SUAS, apoiados 
pela NOB 2005, enfrentando inúmeros desafios entre os quais destacamos: 
a consolidação e a democratização dos Conselhos e dos mecanismos de 
participação e controle social; a organização e apoio à representação dos 
usuários; a participação nos debates sobre o SUAS, a NOB, os CRAS e os 
CREAS; a elaboração de diagnósticos de vulnerabilidade dos municípios; o 
monitoramento e a avaliação da política; o estabelecimento de indicadores 
e padrões de qualidade e de custeio dos serviços e dos equipamentos (no 
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caso os CRAS); enfim, a aquisição de uma outra forma de “fazer” a Assistên-
cia Social, contribuindo para a ‘’construção de uma cultura democrática, do 
direito e da cidadania (BRASIL, 2012, p. 26).
Em suma, o trabalho do/da assistente social desenvolve-se nessa sociedade (burgue-
sa), de acordo com um projeto societário hegemônico (burguês), sendo que estamos 
na contra-hegemonia desse projeto. Defendemos a justiça, a igualdade, a autonomia, a 
emancipação, a liberdade de gênero, raça, etnia, orientação sexual e religiosa. Somos 
contrários a qualquer forma de discriminação, preconceito e violência. 
Nesse sentido, precisamos estar sempre atentos/as, num movimento único enquanto catego-
ria profissional, para que de fato trabalhemos na direção da conquista e garantia de direitos.
CONCLUSÃO
Como vimos no desenvolvimento do texto, é importante que o/a assistente social tenha 
clareza do significado da sua profissão e da relevância de sua leitura profissional no 
momento em que estiver no exercício da prática profissional.
A discussão e reflexão da questão social é de fundamental importância para a formação 
do/a assistente social, pois tal premissa perpassa por todas as discussões realizadas 
durante o processo de formação do profissional de Serviço Social, desde a graduação, 
o estágio, a extensão e a especialização. As particularidades e a dinâmica nos instigam 
como profissionais a continuamente nos mantermos em processo de formação, não 
permitindo nos afastar destes processos, pois isso, significa uma possibilidade de inter-
venção mais efetiva e compromissada com o Projeto Ético-Político do Serviço Social.
Entendermos de onde viemos e como estamos contribuindo para a história, remete-nos 
a refletir sobre o quanto já avançamos neste processo, o quanto já construímos durante 
ele e o quanto ainda iremos construir!
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O Significado Social da Profissão
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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NETTO, J. P. O Movimento de Reconceituação: 40 anos depois. Revista Serviço Social e Sociedade, São 
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SPOSATI, A.; FALCÃO, M. C.; FLEURY, S. M. T. Os direitos (dos desassistidos) sociais. 3. ed. São Paulo: 
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Brasil. São Paulo: Cortez, 2008.
YAZBEK, M. C. Pobreza e exclusão social: expressões da questão social no Brasil. Revista Temporalis, 
Brasília, ano 2, n. 3., jan./jun. 2004.
	(RE)DISCUSSÃO DE CONCEITOS
	1. Retomando conceitos 
	2. O cotidiano da prática profissional e a complexa e intrínseca relação com os direitos
	O direito à cidade e a política habitacional : desafio para o serviço social
	1. A questão habitacional no Brasil: história e atualidade 
	2. Marcos legais do Direito à Cidade 
	3. Serviço Social, Trabalho Social e Política de Habitação
	A Violência Urbana e a Violência contra as Minorias
	1. Violência: conceito e implicações
	2. Desigualdade Social e Democracia: implicações para a violência urbana 
	3. Tipologia da violência 
	O SIGNIFICADO SOCIAL DA PROFISSÃO
	1. O significado do serviço social ‒ História e Contemporaneidade
	2. A precarização do trabalho do/da assistente social e a regressão dos direitos 
	_heading=h.gjdgxsao educando, em todas as etapas da educação básica, por 
meio de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, 
alimentação e assistência à saúde. (Inciso com redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 59, de 2009) 
§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. 
§ 2º O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo poder público, ou sua 
oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. 
§ 3º Compete ao poder público recensear os educandos no ensino funda-
mental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela 
frequência à escola. (BRASIL, 1988, p. 123-124)
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Prática profissional
Para saber mais sobre a legislação da Educação, leia a Lei de Diretrizes e Bases da Educa-
ção. Consulte: 
SAIBA MAIS
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm.
Acesso em: 9 jan. 2023. 
Saúde:
A saúde está disposta no Capítulo II, Seção II e compreende os artigos 196 ao 200, 
sendo os artigos 196 e 200, destacados aqui:
Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante 
políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de 
outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para 
sua promoção, proteção e recuperação. 
Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, 
nos termos da lei: 
I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse 
para a saúde e participar da produção de medicamentos, equipamentos, 
imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos; 
II - executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as 
de saúde do trabalhador; 
III - ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde; 
IV - participar da formulação da política e da execução das ações de sane-
amento básico; 
V - incrementar, em sua área de atuação, o desenvolvimento científico e 
tecnológico e a inovação; (Inciso com redação dada pela Emenda Constitu-
cional nº 85, de 2015, republicada no DOU de 3/3/2015) 
VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu teor 
nutricional, bem como bebidas e águas para consumo humano; 
VII - participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e 
utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos; 
VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do tra-
balho (BRASL, 1988, p. 120).
Para saber mais sobre a legislação da Saúde, leia a Lei 8.080, consultando 
SAIBA MAIS
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm.
Acesso em: 9 jan. 2023. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm
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(Re)Discussão de conceitos
Alimentação:
É um direito que já constava na Declaração Universal dos Direitos Humanos, Art. 25.1: 
“Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família 
saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os 
serviços sociais indispensáveis…” (DUDH,1946, [n. p.])
Assim foi incluído no artigo 6º, a alimentação como um direito social. Destarte, o Estado 
em conjunto com a sociedade civil deve respeitar, proteger, promover e prover o Direito 
Humano à alimentação adequada.
Trabalho: 
Está disposto no Art. 7º da Constituição Federal, assegurando aos trabalhadores direi-
tos mínimos, dentre os quais selecionamos: 
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que 
visem à melhoria de sua condição social:
I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa 
causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compen-
satória, dentre outros direitos; 
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário; 
III - fundo de garantia do tempo de serviço; 
IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender 
às suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, ali-
mentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdên-
cia social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, 
sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; (BRASIL, 1988, p. 18)
Para saber mais sobre a reforma trabalhista, leia a Lei da Reforma. Consulte: 
SAIBA MAIS
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm.
Acesso em: 9 jan. 2023. 
Moradia: 
Embora não possua um capítulo próprio que trate da moradia ou habitação, no Título III 
da Organização Do Estado, Capítulo I da Organização Político-Administrativa, o Art. 21, 
afirma ser competência da União, “XX instituir diretrizes para o desenvolvimento urba-
no, inclusive habitação, saneamento básico e transportes urbanos”, bem como o Art. 23, 
dispõe que cabe a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios: “IX - promover 
programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de 
saneamento básico”. (BRASIL, 1988, p. 26-27)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm
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Prática profissional
Transporte: 
A regulamentação do direito ao transporte envolve várias outras proteções coletivas. 
Esse direito foi incluso através de Emenda Constitucional, não existindo artigos especí-
ficos que tratem do tema, mas aparecem, no Art. 22 que dispõe sobre as competências 
privativas da União, em legislar sobre “IX - diretrizes da política nacional de transportes” 
e no Art. Art. 30. onde compete aos Municípios: “V - organizar e prestar, diretamente ou 
sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluí-
do o de transporte coletivo, que tem caráter essencial.” (BRASIL,1988, p. 27-34)
Lazer: 
Embora não seja um direito que esteja explícito em algum outro artigo da Constitui-
ção, é no Art. 217, onde está posto que “Art. 217. É dever do Estado fomentar práticas 
desportivas formais e não formais, como direito de cada um, observados: § 3º O poder 
público incentivará o lazer, como forma de promoção social.” (BRASIL, 1988, p. 128)
Segurança: 
A Constituição Federal de 1988, traz no seu Art. 144 o que está posto frente a seguran-
ça pública: 
Art.144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de 
todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade 
das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: 
I - polícia federal; 
II - polícia rodoviária federal; 
III - polícia ferroviária federal; 
IV - polícias civis; 
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares; 
VI - polícias penais federal, estaduais e distrital. (Inciso acrescido pela Emen-
da Constitucional nº 104, de 2019) (BRASIL, 1988, p. 90)
Previdência Social: 
É um dos direitos mais antigos, tendo sofrido uma grande evolução. A Constituição Fe-
deral de 1988, no Art. 201 traz várias regras, das quais destacamos
Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma do Regime Geral 
de Previdência Social, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, obser-
vados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, 
na forma da lei, a: (“Caput” do artigo com redação dada pela Emenda Cons-
titucional nº 103, de 2019) 
I - cobertura dos eventos de incapacidade temporária ou permanente para o 
trabalho e idade avançada; (Inciso com redação dada pela Emenda Consti-
tucional nº 103, de 2019) 
II - proteção à maternidade, especialmente à gestante; (Inciso com redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) 
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(Re)Discussão de conceitos
SAIBA MAIS
III - proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; (Inciso 
com redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) 
IV - salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados 
de baixa renda; (Inciso com redação dada pela Emenda Constitucional nº 
20, de 1998) 
V - pensãopor morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou com-
panheiro e dependentes, observado o disposto no § 2º. (Inciso com redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998. (BRASIL, 1988, p 120-121).
Para saber mais sobre a legislação da reforma previdenciária, consulte
Disponível em: hhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/
emc103.htm.
Acesso em: 9 jan. 2023.
Assistência Social: 
Embora na Constituição Federal conste no Art. 6 como “a proteção à maternidade e à 
infância, a assistência aos desamparados”, estamos falando do direito à assistência 
social, prevista nos artigos 203 e 204, 
Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, indepen-
dentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: 
I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; 
II - o amparo às crianças e adolescentes carentes;
 III - a promoção da integração ao mercado de trabalho; 
IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a 
promoção de sua integração à vida comunitária; 
V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora 
de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à pró-
pria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei; 
VI - a redução da vulnerabilidade socioeconômica de famílias em situação 
de pobreza ou de extrema pobreza. (Inciso acrescido pela Emenda Consti-
tucional nº 114, de 2021) 
Art. 204. As ações governamentais na área da assistência social serão re-
alizadas com recursos do orçamento da seguridade social, previstos no art. 
195, além de outras fontes, e organizadas com base nas seguintes diretrizes: 
I - descentralização político-administrativa, cabendo a coordenação e as nor-
mas gerais à esfera federal e a coordenação e a execução dos respectivos 
programas às esferas estadual e municipal, bem como a entidades benefi-
centes e de assistência social; 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc103.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc103.htm
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SAIBA MAIS
II - participação da população, por meio de organizações representativas, na 
formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis. 
Parágrafo único. É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a 
programa de apoio à inclusão e promoção social até cinco décimos por cen-
to de sua receita tributária líquida, vedada a aplicação desses recursos no 
pagamento de: 
I - despesas com pessoal e encargos sociais; 
II - serviço da dívida; 
III - qualquer outra despesa corrente não vinculada diretamente aos investi-
mentos ou ações apoiados. (Parágrafo único acrescido pela Emenda Cons-
titucional nº 42, de 2003). (BRASIL, 1988, p 122.)
Para saber mais sobre a legislação da Assistência Social, leia a Lei Orgânica de Assistência 
Social – LOAS. Consulte: 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8742compilado.htm.
Acesso em: 9 jan. 2023.
1.3. A IMPORTÂNCIA DO TERRITÓRIO E DAS TERRITORIALIDADES 
NAS POLÍTICAS SOCIAIS E CONSEQUENTEMENTE NA PRÁTICA 
PROFISSIONAL
Os territórios são espaços de vida, de trocas, de relações, de disputas, de expectativas 
e de sonhos, de relações, de expectativas, de contradições e conflitos, de construção e 
reconstrução de vínculos, que revelam os significados atribuídos pelos diferentes sujei-
tos, bem como são a base de organização das várias políticas sociais. 
O território é mais que o espaço geográfico, composto pelo conjunto de paisagens e 
limitado por fronteiras perceptíveis ou não, representa ainda, um espaço definido e deli-
mitado segundo as relações de poder e de apropriação que nele se instalam. O território 
também é lugar de vida e relações. 
Segundo Koga (BRASIL, 2015, p. 36), “quando tratamos de território, estamos nos refe-
rindo ao território como espaço social em constante dinâmica, que deve ser compreen-
dido para além dos limites geográficos e administrativos.” 
Assim, o território é o lócus das políticas públicas, onde se evidenciam as expressões 
da questão social e onde se criam as possibilidades para seu enfrentamento. Na cidade 
temos diferentes territórios, sendo que identificá-los e compreendê-los é pressuposto 
importante na definição das políticas públicas, e consequentemente do nosso trabalho. 
O território tem que ser entendido como o território usado, não o território em 
si. O território usado é o chão mais a identidade. A identidade é o sentimento 
de pertencer àquilo que nos pertence. O território é o fundamento do trabalho; 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8742compilado.htm
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(Re)Discussão de conceitos
IMPORTANTE
o lugar da residência, das trocas materiais e espirituais e do exercício da 
vida” (BRASIL, 2013, p. 63 apud SANTOS, 2002, p.14). 
Segundo Koga e Nakano (2005, p. 74), é preciso compreender que os diferentes seg-
mentos da população “podem apresentar configurações muito distintas a depender 
do lugar/ lugares onde se encontram, onde se concretizam como sujeitos coletivos 
de ações político-territoriais, onde se fazem realidade e onde acontecem como vida” 
(KOGA; NAKANO, 2005, p.74).
Os territórios de vivência das populações representam o reconhecimento não somente de 
situações pontuais de vulnerabilidade e risco sociais, mas também da presença (ou não) das 
políticas públicas nesses territórios, da oferta de serviços públicos com que contam e das 
sociabilidades construídas por meio de conflitos, e que terminam compondo as capacidades 
protetivas dos territórios, enquanto processos de luta e de conquista de direitos sociais.
As informações sobre os territórios se colocam como fundamentais na construção de 
estratégias/instrumentos que sirvam para as articulações ao ciclo da gestão das políti-
cas públicas: diagnóstico, monitoramento e avaliação.
As cidades e os seus diversos territórios constituem também “topografias 
sociais”. Segundo Aldaíza Sposati, “a topografia social expressa a hetero-
geneidade do território sem cair na excessiva fragmentação; ela significa 
a expressão territorial da rugosidade das desigualdades sociais das cida-
des. Assim, para construção da topografia social o território, uma categoria 
eminentemente política, é tomado em sua dimensão relacional definida a 
partir dos usos dos elementos espaciais efetivados pelos agentes sociais, 
pelas relações políticas, pelos jogos de forças e pelos exercícios de poder 
que conformam espaços apropriados pelos mais diversos sujeitos coletivos 
(SPOSATI, 2010, p. 55)
O processo de produção e reprodução de desigualdades sociais manifesta-se nos ter-
ritórios, assim, se faz necessário que as políticas públicas incorporem esta dimensão 
no planejamento e execução de suas intervenções/ações. Ora, nessa perspectiva, 
os territórios também devem ser vistos como objeto de intervenção/atuação da/do 
assistente social. 
O princípio da territorialização representa uma nova lógica de organização das políti-
cas públicas sociais, numa perspectiva de capilarização nos diferentes territórios do 
município. Assim, o território é a base da organização, mas é necessário lembrar que o 
território representa muito mais que o espaço geográfico. 
A territorialidade trata-se de um padrão de comportamento e atitudes que uma pessoa 
ou grupo de pessoas possui e que é fundamentado no controle (real ou concebido) 
de um determinado espaço físico, local ou de uma ideia, controle esse que pode ser 
concretizado por meio de marcação, personalização ou mesmo defesa num território. O 
controle pode ser dado também por meio da relação entre os agentes sociais, políticos 
e econômicos interferindo na gestão do espaço territorial. Refere-se também ao exercí-
cio do poder dentro de um território. Seu contraponto é a (des)territorialização – implica 
em perda do territórioe, consequentemente, perda do poder sobre o mesmo.
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Dessa maneira, o território é dinâmico, pois implica em considerar o conjunto de forças 
que nele operam (SPOSATI, 2008, p. 9), sendo no território que se processam as várias 
desigualdades, pelo fato deste ser um espaço dinâmico. Devido às relações sociais 
contidas nele, possui um desenvolvimento próprio, que evidencia as diferentes especifi-
cidades dos conflitos sociais de cada um dos lugares que o compõem, assim como, de 
seus reflexos no restante da cidade. 
2. O COTIDIANO DA PRÁTICA PROFISSIONAL E A COMPLEXA E 
INTRÍNSECA RELAÇÃO COM OS DIREITOS
A Constituição Federal de 1988, como já vimos, rompe com vários paradigmas, con-
sagrando o Estado democrático de direito, sendo a nossa primeira Constituição que 
prioriza direitos e garantias fundamentais, a dignidade humana como princípio e esta-
belece que qualquer alteração só pode ser feita para expandir a proteção e não para 
retirar direitos. 
Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988, guarda em si o princípio da ampliação 
de direitos (como alimentação, moradia, transporte), possibilitando a nossa prática pro-
fissional, via políticas públicas que implementam esses direitos. 
A prática profissional, ou trabalho profissional da/do assistente social enfrenta muitos 
desafios decorrentes das novas expressões da questão social, as quais adquirem no-
vas roupagens devido a efetivação das políticas neoliberais, que tem como premissa a 
mínima responsabilização do Estado na execução das políticas públicas, especialmen-
te, as sociais.
A intensificação das expressões da questão social, o aumento da pobreza, miséria, 
prostituição, drogadição, vulnerabilidade e risco nos seus mais variados aspectos, traz 
para a prática profissional desenvolvida pelas/os assistentes sociais, não só um aumen-
to de usuários para as políticas, serviços, programas e/ou projetos, mas também de 
forma muito mais ampliada, a complexidade dessas demandas; e o limite e os desafios 
de atendê-las, em razão do ideário neoliberal e consequentemente das próprias políti-
cas (parcos recursos). 
Assim, a prática profissional executada pelas/os assistentes sociais, traz ainda um 
grande desafio, em razão de se desenvolver em uma estrutura, conjuntura e contexto 
completamente contrário a realidade da população usuária. A/O assistente social tra-
balha na contra-hegemonia do projeto societário vigente, ou seja, a hegemonia é a ca-
pacidade de um ou mais grupos sociais de comandar outros. Esse domínio pode 
ser alcançado tanto pela introdução cultural e persuasão quanto pelo poder coercitivo, 
ou seja, o uso da força. Quanto mais difundida é uma ideologia mais estável se torna a 
hegemonia, havendo menor necessidade de violência. Na visão gramsciana, em uma 
sociedade capitalista grupos que possuem melhores condições econômicas podem 
eventualmente exercer seu poder sob aqueles em situações mais vulneráveis
A autora Marilda Iamamoto (2005), assinala que após realizar uma análise dos desafios 
postos ao Serviço Social nos dias atuais, o profissional deve ter domínio de 3 dimen-
sões de competência, quais sejam:
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(Re)Discussão de conceitos
 ` Competência ético-política: a/o assistente social não é um profissional “neutro”. 
Sua prática se realiza no marco das relações de poder e de forças sociais da socie-
dade capitalista – relações essas que são contraditórias. Assim, é fundamental que 
o profissional tenha um posicionamento político frente às questões que aparecem 
na realidade social, para que possa ter clareza de qual é a direção social da sua 
prática. Isso implica em assumir valores ético-morais que sustentam a sua prática 
– valores esses que estão expressos no Código de Ética Profissional dos Assisten-
tes Sociais, e que assumem claramente uma postura profissional de articular sua 
intervenção aos interesses dos setores majoritários da sociedade; 
 ` Competência teórico-metodológica: o profissional deve ser qualificado para 
conhecer a realidade social, política, econômica e cultural com a qual trabalha. 
Para isso, faz-se necessário um intenso rigor teórico e metodológico, que lhe 
permita enxergar a dinâmica da sociedade para além dos fenômenos aparentes, 
buscando apreender sua essência, seu movimento e as possibilidades de cons-
trução de novas possibilidades profissionais; 
 ` Competência técnico-operativa: o profissional deve conhecer, se apropriar, e 
sobretudo, criar um conjunto de habilidades técnicas que permitam ao mesmo de-
senvolver as ações profissionais junto à população usuária e às instituições con-
tratantes (Estado, empresas, Organizações da Sociedade Civil, fundações, autar-
quias etc.), garantindo assim uma inserção qualificada no mercado de trabalho, 
que responda às demandas colocadas tanto pelos empregadores, quanto pelos 
objetivos estabelecidos pelos profissionais e pela dinâmica da realidade social. 
Essas três dimensões de competências devem ser desenvolvidas concomitantemente, 
para que o imediatismo, a fragmentação e despolitização não nos envolvam na prática 
cotidiana da profissão. Outrossim, se faz necessário a articulação entre teoria e prática, 
investigação e intervenção, pesquisa e ação, ciência e técnica, não devendo ser enca-
radas como dimensões separadas, pois pode comprometer até os princípios éticos fun-
damentais que norteiam a prática profissional, postos no Código de Ética da Profissão 
da/do Assistente Social. 
O Código de Ética Profissional – PEP, de 1993, defende o reconhecimento e a defesa de 11 
princípios fundamentais. São eles: liberdade, direitos humanos, cidadania, democracia, equi-
dade e justiça social, combate ao preconceito, pluralismo, construção de uma nova ordem 
social (sem dominação-exploração), articulação com movimentos de trabalhadores, qualida-
de dos serviços prestados e combate a toda espécie de discriminação.
IMPORTANTE
Destarte, esse conjunto de competências (teórico-metodológica, técnico-operativa e 
ético-política) dos profissionais, pressupõe compreender as nuanças da realidade e 
desenvolver estratégias de atuação que possam responder às demandas dos seus usu-
ários, diante do sucateamento das políticas públicas. 
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Assim, como afirma Iamamoto (2003, p. 20-21)
Um dos maiores desafios que o Assistente Social vive no presente, é de-
senvolver sua capacidade de decifrar a realidade e construir propostas de 
trabalho criativas e capazes de preservar e efetivar direitos, a partir de de-
mandas emergentes no cotidiano. Enfim, ser um profissional propositivo e 
não só executivo [...]. Responder a tais requerimentos exige uma ruptura 
com a atividade burocrática e rotineira, que reduz o trabalho do Assistente 
Social a mero emprego, como se esse se limitasse ao cumprimento buro-
crático de horário, à realização de um leque de tarefas as mais diversas; ao 
cumprimento burocrático de atividades preestabelecidas. Já o exercício pro-
fissional é mais do que isso. É uma ação de um sujeito profissional que tem 
competência para propor, para negociar com a instituição os seus projetos, 
para defender o seu campo de trabalho, suas qualificações e funções profis-
sionais. Requer, pois, ir além das rotinas institucionais e buscar apreender 
o movimento da realidade para detectar tendências e possibilidades nela 
presentes passíveis de serem impulsionadas pelo profissional.
Nesse sentido, é a partir do compromisso com o Projeto Ético-Político da profissão que 
a/o assistente social estabelecerá as estratégias necessárias para o desenvolvimento 
de sua prática. 
Outrossim, compreendemos que a prática profissional do Serviço Social é centrada 
pelos interesses de classes sociais em relação, devendo entender também que existem 
dimensões objetivas e subjetivas no desenvolvimento do trabalho. 
A institucionalização do Serviço Social, de uma forma geral, está associada à progressiva 
intervençãodo Estado nos processos de regulação social. No Brasil tem suas particulari-
dades já que se institucionaliza e legitima como um dos recursos mobilizados pelo Estado 
e pelo empresariado, com o suporte da Igreja Católica, na perspectiva do enfrentamento 
e regulação da questão social. Embora o Serviço Social tenha sido regulamentado como 
profissão liberal no Brasil, a/o assistente social não se conforma como profissional autô-
nomo, não dispondo do controle das condições materiais, organizacionais e técnicas para 
o desempenho de seu trabalho. Mas, como afirma Iamamoto (2005), a profissão dispõe 
de relativa autonomia e de algumas características que estão presentes nas profissões 
liberais como a singularidade que pode estabelecer na relação com seus usuários, a 
presença de um Código de Ética, orientando suas ações, o caráter não rotineiro de seu 
trabalho, a possibilidade de apresentar propostas de intervenção a partir de seus conhe-
cimentos técnicos e, finalmente, a Regulamentação legal da profissão. 
As relações postas no mercado de trabalho são relações contratuais que vão definir 
as condições concretas do exercício profissional, as demandas e exigências das insti-
tuições empregadoras, bem como o nível de assalariamento dos profissionais. Essas 
condições delineiam, inclusive, os limites e as possibilidades do projeto profissional. 
No conjunto da ação profissional, ou seja, na sua prática profissional, a/o assistente social 
é reconhecido como o profissional da ajuda, do auxílio, da assistência, da ges-
tão de serviços sociais, desenvolvendo uma ação pedagógica, distribuindo re-
cursos materiais, atestando carências, realizando triagens, conferindo méritos, 
orientando e esclarecendo a população quanto a seus direitos, aos serviços, 
aos benefícios disponíveis, administrando recursos institucionais, numa media-
ção da relação: Estado, instituição, classes subalternas. (YAZBEK, 2005, p 8.) 
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(Re)Discussão de conceitos
No cotidiano de sua prática, as/os profissionais de Serviço Social vivenciam uma dupla 
vinculação: com as instituições empregadoras, que a/o contrata para desenvolver um 
trabalho; e com a população usuária a quem o profissional presta serviços, tendo como 
pressuposto o Projeto Ético-Político profissional, representado no Código de Ética e 
na Lei de Regulamentação da Profissão. Assim, o profissional do Serviço Social deve 
adotar uma perspectiva coletivista de atuação e valores éticos em prol da liberdade e 
igualdade, na defesa dos direitos. 
Para saber mais sobre o Projeto Ético-Político da profissão, leia o Projeto Ético-Político Profis-
sional de Joaquina Barata Teixeira. Consulte: 
SAIBA MAIS
Disponível em: https://www.abepss.org.br/arquivos/anexos/teixeira-joaquina-barata_-
braz-marcelo-201608060407431902860.pdf.
Acesso em: 9 jan. 2023. 
2.1. O SIGNIFICADO SOCIAL DA PRÁTICA PROFISSIONAL 
O conceito de prática profissional pode ser entendido como um componente específico 
presente dentro da prática social. A prática profissional, assim, é resultante da espe-
cialização do trabalho coletivo, previamente determinada pela divisão sociotécnica do 
trabalho, situando-se no âmbito das relações sociais concretas com uma dimensão 
historicamente determinada, que vai se particularizar em diversos campos de trabalho 
vinculados ao todo social (BAPTISTA, 2009). Nesse sentido, o Serviço Social, enquanto 
profissão que ocupa um espaço na divisão sociotécnica do trabalho, desenvolve uma 
prática profissional que encontra respaldo para atuação na sociedade e, ao estabelecer 
relações próprias do seu processo de intervenção que são específicas ao seu campo de 
ação, conecta-se e constrói vínculos na sociedade na qual está inserido.
Segundo Iamamoto (2005), a prática profissional pressupõe 
[...] competência para propor, para negociar com a instituição os seus proje-
tos, para defender seu campo de trabalho, suas qualificações e atribuições 
profissionais [que vá] além das rotinas institucionais para buscar apreender, 
no movimento da realidade, as tendências e possibilidades, ali presentes, 
passíveis de serem apropriadas [...] (IAMAMOTO, 2005, p. 21). 
Do mesmo modo, devemos considerar que existem algumas questões postas em torno 
da prática profissional: 
 ` Historicidade: As ações profissionais não podem ser compreendidas sem le-
varmos em conta as relações concretas da sociedade em que se situam, uma 
vez que seu presente está “cotidianamente sendo criado e recriado com a cons-
trução e incorporação seletiva de saberes, a mobilização e recriação do passado 
e a produção e experimentação de novas abordagens” (BAPTISTA, 2009, p. 19).
 ` Traço comum a todos os espaços institucionais: Os espaços institucionais 
nos quais as/os assistentes sociais atuam diz respeito às questões relacionadas 
https://www.abepss.org.br/arquivos/anexos/teixeira-joaquina-barata_-braz-marcelo-201608060407431902860.pdf
https://www.abepss.org.br/arquivos/anexos/teixeira-joaquina-barata_-braz-marcelo-201608060407431902860.pdf
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ao corpo coletivo da categoria, uma vez que o Serviço Social “é uma das 
especializações do trabalho, parte da divisão social e técnica do trabalho social” 
(IAMAMOTO, 2007, p. 415). Nessa condição, implica reconhecer que a prática 
profissional possui tanto a dimensão de trabalho abstrato quanto de trabalho 
concreto. 
 ` Direcionamento ético-político: Uma das características da prática profissional 
das/dos assistentes sociais é o fato de que, enquanto profissionais que possuem 
um direcionamento por meio do projeto ético-político hegemônico da categoria, 
têm de lidar com os limites impostos pela condição de assalariamento na qual 
se encontram. Nesse contexto é que podemos dizer que os assistentes sociais 
estão condicionados pelas relações capitalistas no seu exercício profissional, 
mesmo que enquanto sujeitos detenham “uma autonomia relativa, pautada por 
seus valores, projetos profissionais e societários que determinam, em parte, a 
sua ação” (XAVIER; MIOTO, 2014, p. 78).
 ` Destarte, para Baptista (2009), a prática resulta da especialização do trabalho no 
âmbito das relações sociais concretas com uma dimensão historicamente determi-
nada, indicando assim a importância do conhecimento sobre as relações sociais nas 
suas particularidades históricas, conectadas com o tempo no qual se materializam. 
CONCLUSÃO
As lutas pela garantia dos direitos, sejam quais direitos forem, são construções históri-
cas e se constituem de diversos avanços, no que se refere ao pensamento da socieda-
de. São decorrentes de lutas sociais, consolidando-se via o Estado, nas Constituições, 
e posteriormente nas políticas sociais. 
Ademais, ao longo desse texto trouxemos o caráter histórico e mutável da prática pro-
fissional da/do assistente social, considerando o momento histórico e a correlação de 
forças vigentes na sociedade. A intervenção profissional enfrenta a necessidade de re-
novação e mudança, como resultado das transformações que ocorrem nas relações 
sociais que particularizam o desenvolvimento do capitalismo no país. 
O Serviço Social é obrigado a atualizar-se em razão das novas situações e exigências 
que se colocam para a profissão, redirecionando estratégias e procedimentos, ade-
quando-se a novas demandas e requisições do mercado de trabalho. Apesar desse 
encaminhamento, ainda coexistem no Serviço Social brasileiro, na atualidade, práticas 
renovadas ao lado de “velhas” práticas. 
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(Re)Discussão de conceitos
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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conhecimento. Vol 1. São Paulo: Veras, 2009.
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Brasília: CFESS, 2012.
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IAMAMOTO, M. V. Renovação e conservadorismo no serviço social. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2003.
IAMAMOTO, M. V. Serviço Social em tempo de capital fetiche: capital financeiro, trabalho e questão socail. 
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KOGA, D.; NAKANO, K. Perspectivas territoriais e regionais para políticas públicas brasileiras. Revista Ser-
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de Wagner Costa Ribeiro; ensaio de Carlos Walter Porto Gonçalves. São Paulo: Publifolha, 2002.
SPOSATI, A. Concepção e gestão da proteção social não contributiva no Brasil. Brasília: Ministério do 
Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2009.
XAVIER, A.; MIOTO, R. C. T. Reflexões Sobre a Prática Profissional do Assistente Social: relação teoria-prá-
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YAZBEK, C. O significado sócio-histórico da profissão. In: CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL – 
CFESS. Serviço Social: Direitos Sociais e Competências Profissionais. Brasília: CFESS, 2005.
https://www.unicef.org/reports/2015-annual-results-reports
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O direito à cidade e a política habitacional : desafio para o serviço social
2
UNIDADE 2
O DIREITO À CIDADE E A POLÍTICA 
HABITACIONAL : DESAFIO PARA 
O SERVIÇO SOCIAL
INTRODUÇÃO
A produção da cidade é tema fundamental para o Serviço Social, pois o planejamento 
urbano determina a segregação socioespacial, exclusão territorial e degradação urba-
nístico-ambiental e, desta forma, determina o direito à moradia, ao trabalho, à saúde, 
educação, acesso aos bens e serviços. Determina o direito a ter direitos. Essas determi-
nações são frutos de uma estrutura social e política da sociedade brasileira, tendo como 
eixo estruturante o modo de produção capitalista. 
Para compreender a produção da cidade iniciaremos essa unidade com uma breve 
contextualização do processo pelo qual se constituiu o espaço urbano. A história da 
urbanização brasileira e as políticas adotadas para as novas configurações da questão 
social. Espera-se, assim, ter elementos teóricos para compreender o atual cenário da 
sociedade brasileira. 
A discussão abordará o conceito de cidade e ilegalidade, assim como a nova Política 
Nacional de Habitação (PNH) a partir dos novos marcos com a Constituição Federal 
de 1988. Por fim, será abordado o trabalho técnico social na política habitacional, seus 
desafios e potencialidades. 
1. A QUESTÃO HABITACIONAL NO BRASIL: HISTÓRIA E 
ATUALIDADE 
As cidades brasileiras se desenvolveram marcadas pela falta de planejamento urbano, 
pela a ausência de governos comprometidos e permeados por contradições. As desi-
gualdades revelam o modelo concentrador de riqueza, que acarreta para a maioria da 
população ciclos de estagnação social e riscos e vulnerabilidades de todo o tipo. A desi-
gualdade não pode ser compreendida apenas como a falta de renda, ela perpassa pelo 
acesso a direitos básicos, como à moradia, condições de mobilidade, segurança, meio 
ambiente saudável, emprego e saúde. A política da ausência de planejamento produz 
às ocupações ilegais.
Ermínia Maricato (2003) discute amplamente o tema e observa que as ocupações ilegais 
de terra urbana são toleradas pelo Estado, uma vez que não assume como responsabili-
dade arcar com a grande massa de migrantes que chegou nas metrópoles neste século. 
A instalação precária desta população é admitida, no entanto, o direito à cidade não.
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Constata-se, portanto, que o desenvolvimento das cidades brasileiras é marcado por 
mudanças profundas, e que há uma ligação entre cidade oficial e ilegalidade, assumi-
da por moradias precárias fruto de loteamento clandestinos e invasões de terras que 
formam as primeiras favelas. A ocupação ilegal da terra urbana é tolerada desde que 
não interfiram na realização do lucro imobiliário privado, e, ainda, é um expediente de 
controle do conflito social. 
Se considerarmos o número de favelas e o número de seus moradores que 
invadem a terra para morar, podemos dizer que uma gigantesca invasão 
de terras urbanas é consentida pelo Estado, nos países não desenvolvidos, 
mesmo contrariando as leis urbanísticas ou de proteção ambiental. Essas 
invasões não são dirigidas por movimentos contestatários, mas pela falta de 
alternativas. Já que todos precisam de um lugar para morar e ninguém vive 
ou se reproduz sem um abrigo, esse consentimento à ocupação ilegal, não 
assumido oficialmente, funciona como uma válvula de escape para a flexibi-
lização das regras. Mas esse consentimento e flexibilização se dão apenas 
em áreas não valorizadas pelo mercado imobiliário. O mercado mais do que 
a lei — norma jurídica — é que define onde os pobres podem morar ou inva-
dir terras para morar. Há uma lógica que relaciona mercado e aplicação da 
lei. (CARVALHO; ROSSBACH, 2010, p. 9)
O sociólogo Chico de Oliveira analisou o processo de modernização com uma econo-
mia de subsistência, afirmando essa necessária simbiose entre o arcaico e o moderno. 
E como confirma Ermínia Maricato (2003, p. 3) “a produção do ambiente construído e, 
em especial o ambiente urbano, escancara a simbiose entre modernização e desenvol-
vimento do atraso”. 
Contudo, ao dimensionarmos isso na perspectiva histórica, a economia de subsistência 
gerou a autoconstrução da cidade, e foi a partir das periferias urbanas que também no-
vos personagens entram em cena se reconheceram enquanto classe e atuaram onde o 
Estado se fez (e se faz) ausente (SADER, 1988). 
A partir da década de 1960, há uma mudança radical na demografia brasileira e os 
trabalhadores do campo migram para as cidades em busca de trabalho. Contudo, es-
sas mudanças foram acompanhadas de condições de vida precárias. Os trabalhadores 
rurais concentraram-se nas regiões sul e sudeste e formam as metrópoles e por conse-
quência vivem às margens da cidade, construindo as periferias urbanas.
Destarte, os processos de urbanização como esgoto, asfalto e escola, que mobilizaram 
a classe trabalhadora no final da década de 1970. Dentre as mulheres dos meios po-
pulares gestava-se uma efervescência, pois a ditadura no país foi caracterizada pelo 
modelo de uma industrialização acelerada e uma intensa urbanização precária. Uma 
série de dificuldades foi encontrada: onde deixar as crianças enquanto estou no traba-
lho? Como chegar ao local de trabalho, se não há linhas de ônibus? Questionamentos 
como estes contribuíram para empurrá-las a reivindicar elementos necessários para a 
resolução dos problemas. Para a reprodução do trabalho foi necessário a produção da 
vida, das moradias. 
José Paulo Netto (1991) analisou que uma nova ordem político-institucional se fez a 
partir da ditadura militar, chamada por ele de autocracia burguesa, em que o Estado 
é fortalecido e a repressão a principal forma de conter a organização da sociedade. 
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Essa modernização conservadora tem como perspectiva atender aos interesses da bur-
guesia. Nesse momento, a economia do País passava por transformações, pois entre 
1968 e 1974, período que ficou conhecido popularmente como “milagre econômico”, 
a economia brasileira obteve um crescimento aproximado de 10% ao ano, contendo o 
agravamento da inflação. Com a crise internacional do petróleo em virtude do embargo 
dospaíses árabes aos aliados de Israel, houve redução da oferta de capitais externos, e 
as cidades se privilegiaram desse modelo, que se foi construído através da exploração 
do trabalho e acúmulo e concentração de renda.
Para a classe trabalhadora não teve nenhum tipo de “milagre”, ou desenvolvimento, 
apenas o já conhecido arrocho salarial, além do aumento da exploração do trabalho e 
consequente perda dos direitos conquistados ao longo da história, como de fazer greve, 
da liberdade de organização, além da estabilidade no emprego. O padrão de produção 
das cidades brasileiras foi alterado a partir de 1964, com o Banco Nacional de Habita-
ção (BNH) e o Sistema Financeiro de Habitação (SFH). 
Com grande volume de recursos financeiros, verticalização das construções, mudanças 
nas cadeias de produção, do mercado agrário, e na explosão imobiliária, o mercado 
imobiliário e as empresas de construção civil se viram privilegiadas por programas cria-
dos em tese para favorecer a classe trabalhadora.
Portanto, as mudanças ocorridas nesse período intensificaram a urbanização, mas foram 
perpassadas pelas crescentes e precárias condições de vida dos trabalhadores, nas cidades 
de médio e grande porte. A habitação concentrou-se nas formas de favelas e cortiços. Os 
governos militares administraram suas políticas para beneficiar uma pequena parcela da po-
pulação, e o restante, que formavam a grande maioria da população, foram negligenciados.
Carolina Maria de Jesus, é considerada uma das maiores escritoras brasileiras, seu livro 
mais conhecido intitulado “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, publicado em 1960, 
é um extraordinário retrato do cotidiano da vida na favela, nesse contexto ela descreve: 
Eu não sou desmazelada. Se ando suja é devido a reviravolta da vida de um 
favelado. Cheguei a conclusão que quem não tem de ir pro céu, não adianta 
olhar pra cima. É igual a nós que não gostamos da favela, mas somos obri-
gados a residir nela. (JESUS, 1960, p. 43) 
Carolina Maria de Jesus (1914-1977), nascida em Sacramento, Minas Gerais, é considerada 
uma das figuras essenciais da literatura brasileira. 
Seu livro mais famoso, Quarto de Despejo, foi traduzido para diversos idiomas e publicado 
em cerca de 40 países. Além disso, essa obra é tida como precursora da literatura periférica. 
Conheça mais sobre a autora por meio dos links abaixo:
TV Brasil. Caminhos da Reportagem: Carolina de Jesus, a escritora além do quarto. 
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=6AvUP-IoYEo&t.
SAIBA MAIS
Acesso em: 9 fev. 2023.
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Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/carolina-maria-jesus.htm.
SOUZA, Warley. Carolina Maria de Jesus. Brasil Escola. Disponível em: 
Acesso em 9 fev. 2023.
Ao passo que às novas configurações da questão social afloraram, o Estado ditatorial 
utilizou da repressão e das políticas sociais autoritárias e burocráticas para gerir os 
conflitos, como expressa Ricardo Bavaresco (2011, p. 3):
Esse cenário vai mudar com o processo de redemocratização e através das 
políticas neoliberais adotadas pelos governos subsequentes. Nessa pers-
pectiva, o Estado, segundo os neoliberais, tornou-se burocrático, oneroso 
e não era capaz de melhorar as condições de vida da população. É que o 
“milagre econômico” e o desenvolvimento socioeconômico programado du-
rante os governos militares arrastaram o País para um processo inflacioná-
rio descontrolado, aumento excessivo da dívida externa e agravando ainda 
mais a desigualdade social.
Conforme Iamamoto (2016) apesar da necessária compreensão desta dinâmica e das 
formas por ela assumidas em cada momento histórico, ao negar a base estrutural des-
sas expressões, abandona-se o recorte de classe, que é elementar para a compreen-
são da totalidade e seu enfrentamento. A questão social, nesse sentido, é compreendi-
da dentro da lógica da lei geral acumulação capitalista. 
A reestruturação produtiva e suas exigências de reorganização dos processos produtivo 
e de trabalho combinadas à reversão do modelo estatal de bem-estar social assinalam 
que o capital monopolista dominado pelas finanças carece agora dos recursos e dos es-
paços ocupados pelas políticas sociais para dar continuidade ao seu objetivo primário: 
“o acréscimo de lucros pelo controle dos mercados” (NETTO, 2007, p. 20)
Nesse sentido, as políticas sociais neoliberais que são desenhadas e executadas a 
partir dessas ideologias individualistas e altamente competitivas, desresponsabilizando 
o Estado pela garantia da proteção social a sociedade, tem como novo parâmetro o 
combate à extrema pobreza.
O pesquisador Bavaresco (2011) aponta para o tema da segregação espacial e as no-
vas mudanças sociais e nos processos econômicos, analisando especialmente o cres-
cimento da violência e fortalecimento do sujeito individual, e aponta: “A inquietude e as 
angústias provocadas pelo ‘fim do mundo do emprego’ e as transações econômicas 
cada vez mais fortes colocam os indivíduos do mundo moderno nos impasses da incer-
teza e do medo [...]”. (BAVARESCO, 2011, p. 10).
Contudo, as novas configurações do trabalho e preceitos neoliberais transmitem a ideia 
de culpabilização individual. Portanto, se o indivíduo mora em condições precárias de 
habitabilidade, essa condição é atribuída a sua falta de esforço para melhores condi-
ções de vida. A responsabilidade do Estado é subtraída e cresce a noção de segurança 
e a indústria dos espaços privatizados, cercados por tecnologia. 
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O medo e a insegurança fragilizam os laços sociais comunitários e reforçam a individua-
lização. A violência se manifesta nas cidades de diferentes formas. A política da negação 
ao direito à cidade de explícita pela violência diversos âmbitos, desde os crimes materiais, 
físicos como também aqueles que estão no âmbito do acesso aos recursos básicos. 
É possível concluir que as contradições entre capital e trabalho esmagam cada vez 
mais a classe trabalhadora para formas sociais de barbárie.
E nesse momento vivencia-se o descaso com saúde pública diante de uma crise sanitária 
sem precedentes, corte nas políticas sociais, desemprego e subempregos, o aumento 
vertiginoso dos despejos de famílias em áreas ocupadas, em especial na região sudeste, 
que apresentou índices alarmantes no último ano. O Observatório de Remoções, projeto 
desenvolvido em parceria entre USP (Universidade de São Paulo), UFABC (Universidade 
Federal do ABC) e Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), verificou que cerca de 
2.430 famílias foram atingidas por remoções em 2020 na capital paulista. 
2. MARCOS LEGAIS DO DIREITO À CIDADE 
O filósofo francês Henri Lefebvre formulou o conceito de direito à cidade no final da dé-
cada 1960, e desde então se difundiu na literatura. Contudo, como expressa Trindade 
(2012, p. 142), o conceito “refere-se, sobretudo, ao direito de experimentar e usufruir 
da centralidade urbana no ritmo do valor de uso em oposição ao valor de troca, o que 
exige necessariamente o rompimento com a lógica capitalista de produção do espaço 
[...]”. Portanto, a interpretação é no âmbito teórico-político e ético-filosófico. O autor faz 
um convite ao olhar atento para ordenamento legal, e suas implicações na produção e 
reprodução das desigualdades sociais, pois este âmbito desempenha a “segregação 
socioespacial, exclusão territorial e degradação urbanístico-ambiental, punindo em es-
pecial as camadas empobrecidas da sociedade” (TRINDADE, 2012, p. 144). 
No âmbito do ordenamento jurídico legal há o grande marco com a Constituição Federal de 
1988. Ressalta-se que as contribuições e avanços contidos, devem-se ao fato dos movimentos 
sociais, intelectuais, sociedade organizada e uma ampla gama de agentes que contribuíram. 
Assim, na Constituição Federal de 1988 a provisão de moradia é uma competência con-
corrente a todos os entes da federação.E agora passa a interpretação de direito social. 
Os artigos 182 e 183 regulamentaram as diretrizes da política urbana e os instrumentos 
aplicáveis para a promoção do planejamento e do desenvolvimento urbano. 
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a 
moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção 
à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta 
Constituição. 
Art. 23 É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal 
e dos Municípios: IX - promover programas de construção de moradias e a 
melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico. (BRASIL, 
1988, p. 112) 
Importantes marcos contribuíram para uma política habitacional na perspectiva de di-
reito social, com destaque para a criação do Ministério das Cidades no ano de 2003, 
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e a Política Nacional de Habitação, aprovada pelo Conselho das Cidades em 2004, e 
complementada pela regulamentação da Lei nº 11.124 de 16 de junho de 2005.
 A Constituição Federal de 1988 define a moradia como um Direito 
A Política Nacional de Habitação alterou radicalmente a perspectiva, integrou as polí-
ticas voltadas ao desenvolvimento urbano. Entre os principais objetivos da PNH cabe 
implementar políticas e programas que promovam o acesso à moradia digna, ações 
na implementação do custeamento de materiais de construção e provisão de unidades 
habitacionais para o enfrentamento do déficit habitacional. 
E com a implementação da Política Nacional de Habitação, foi instituído o Sistema 
Nacional de Habitação (SNH), constituído por dois outros sistemas que formam as di-
retrizes de operacionalização da política, sendo eles a Habitação de Interesse Social 
(SNHIS), que se compõe de fundos públicos para atender à demanda da população de 
baixa renda. E Habitação de Mercado (SHM) com o objetivo de atender outra parcela 
da população por meio dos financiamentos públicos.
2.1 PRINCÍPIOS DA POLÍTICA NACIONAL DE HABITAÇÃO
A Política Nacional de Habitação projeta na criação de um Sistema Nacional de Ha-
bitação (SNH) uma ferramenta de organização dos agentes que operam na área da 
habitação e também como dispositivo para unir os esforços dos governos nos âmbitos 
nacional, estadual e municipal, além da iniciativa privada, e de cooperativas e associa-
ções populares, para enfrentar a carência habitacional.
A proposta do Sistema Nacional de Habitação tem como objetivo integrar as ações dos 
seus agentes, possibilitando a criação e viabilização de programas e projetos na área da 
habitação através de fontes de recursos onerosos ou não, na utilização de regras únicas 
por aqueles que integram o sistema e na descentralização de recursos e ações, que de-
verão, gradualmente, ser executadas, prioritariamente, pela autoridade local responsável.
O SNH está subdividido em dois: Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social e 
o Sistema Nacional de Habitação de Mercado; sendo um voltado para a faixa de inte-
resse social e outro voltado para o mercado, complementando e estabelecendo regras 
e mecanismos para o fornecimento de moradias para todas as parcelas da sociedade. 
Há diferenças entre eles, nas fontes de recursos, nas formas e condições de financia-
mento, e, no caso do Sistema de Habitação de Interesse Social, dos subsídios em favor 
de atender a demanda das faixas sociais mais carentes.
3. SERVIÇO SOCIAL, TRABALHO SOCIAL E POLÍTICA DE 
HABITAÇÃO
Historicamente, as políticas sociais no Brasil se caracterizaram em função de sua pouca 
efetivação social e por se subordinar aos interesses econômicos, sem compromisso em 
enfrentar a desigualdade social. 
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O desenvolvimento das políticas sociais foi tardio, até 1930 as expressões da questão 
social ainda eram tratadas como caso de polícia, traços que ainda permanecem atual-
mente. Foi na Segunda República de Getúlio Vargas que o Estado brasileiro teve que 
reconhecer as expressões da questão social como caso de assistência social pública 
para a sobrevivência do próprio capitalismo.
Vale ressaltar que é neste mesmo período e decorrente desta demanda de amenizar 
conflitos e conter as refrações da questão social, que o Serviço Social se inicia com as 
primeiras-damas, voltado ao voluntarismo e caridade. Era preciso conter as pressões dos 
trabalhadores. O Estado para dar estas respostas e, com isso, intervir diretamente na re-
produção social, abre caminho para a profissionalização do Serviço Social, implementan-
do políticas sociais públicas. Em 1940, já havia o Serviço Social da Indústria com o claro 
objetivo de apaziguamento dos ânimos, estreitamente ligado aos interesses capitalistas. 
A prática dos Assistentes Sociais era engendrada pela classe dominante e em nada 
respondia aos anseios dos trabalhadores (MARTINELLI, 2010). O modelo para conter a 
classe trabalhadora por meio das políticas sociais vinha da igreja católica que colocava 
as mulheres como centrais na execução destas políticas. 
O Serviço Social tem traçado ao longo dos últimos trinta anos um caminho desafiador 
que deslocou as suas concepções do terreno do assistencialismo para o da política, 
marcando o processo de ruptura com o conservadorismo e delimitando mais claramen-
te suas perspectivas para a construção de um projeto profissional. 
O horizonte colocado no projeto ético-político do Serviço Social advém de um processo 
histórico marcado por sucessivas disputas e culminou no ordenamento de um marco 
regulatório para o exercício da profissão, que perpassa princípios éticos, matrizes teó-
rico-metodológicas, crítica radical ao modo de produção e reprodução das relações de 
dominação e formas organizativas.
É sabido que todo projeto, enquanto prática, em uma sociedade nos marcos do capital, 
tem uma dimensão política. Essa dimensão pode ser verificada, sobretudo, por meio 
de seus marcos legais, especialmente, o código de ética, a lei de regulamentação da 
profissão, as diretrizes curriculares nacionais, caracterizando-se, portanto, como um 
projeto social/coletivo. 
Considerando a relação entre o projeto profissional e a sua prática no âmbito do cenário 
político econômico de transnacionalização do capital, na sua expressão neoliberal, a 
análise sobre a relação entre o particular e o global precisa estar de algum modo articu-
lada, para o estabelecimento de uma reflexão que consiga revelar as variadas formas 
de produção e reprodução de relações de dominação estabelecidas no cotidiano. Isto 
é, como olhar para o cotidiano do fazer profissional, buscando identificar aspectos que 
possam problematizar a prática profissional.
O debate sobre territórios e cidades tem um arcabouço teórico no Serviço Social. Des-
sa forma, o território passou a ser considerado eixo estruturante e estruturador das 
ações, com vistas a superação da fragmentação e um planejamento adequado em re-
lação à cobertura, monitoramento e vigilância dos serviços prestados à população. O 
território passou a ter uma importância nas produções teóricas do Serviço Social e da 
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organização das políticas sociais. Portanto, as intervenções das equipes técnicas preci-
sam necessariamente pautar a cidade na perspectiva de sua totalidade, possibilitando 
a análise de suas relações sociais, de conflitos e de solidariedades, disputas e colabo-
rações, tendo em vista a contradição de todo processo social. 
Quando se elege o território como espaço privilegiado das intervenções, reconhece 
que são espaços onde se expressam as necessidades sociais. Portanto, a dimensão 
territorial do trabalho social é de máxima importância. Os beneficiários dos programas e 
políticas sociais, os agentes de mudança, se relacionam em espaços concretos. 
Assim, o trabalho social na Política de Habitação corresponde a possibilidade

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