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PONTO DE PARTIDA
Olá, estudante, bem-vindo a esta aula!
Aqui, discutiremos conceitos sobre as provas periciais, os objetos de estudo dos trabalhos do perito contábil.
Inicialmente, gostaria de destacar que há uma relação bem próxima entre os trabalhos do auditor e do perito
contábil, visto que, em linhas gerais, ambos trabalham com as informações provenientes da contabilidade.
Tão importante quanto os trabalhos de auditoria é o desenvolvido pelos peritos contábeis, já que configura
uma das vertentes da Ciência Contábil e que fundamenta os seus trabalhos em uma ação epistemológica e
filosófica. Essa fundamentação é efetivada com a utilização de um conjunto de procedimentos que têm como
objeto o conhecimento científico.
A partir deles, é possível explicar todos os condicionamentos, sistematizando as relações, esclarecendo os
vínculos e avaliando os resultados e as aplicações do trabalho pericial.
Aula 1
PROVA PERICIAL
Nesta aula, veremos como se apresentam as provas periciais, ou seja, como que os peritos utilizam as
informações colhidas durante os seus trabalhos para embasar e subsidiar uma decisão, seja ela judicial,
extrajudicial, semijudicial ou arbitral.
PLANEJAMENTOS E APLICAÇÕES DA PERÍCIA CONTÁBIL
 Aula 1 - Prova pericial
 Aula 2 - Planejamento da Perícia Contábil
 Aula 3 - Cronograma, Diligências e Prazos
 Aula 4 - Honorários Periciais
 Aula 5 - Encerramento da unidade
 Referências
Por ter como objeto de trabalho a prova, é necessário que haja, portanto, a identificação da verdade buscada
a partir da égide contábil.
Partindo do pressuposto de que é regra processual, no rito ordinário, o autor indicar as provas que pretende
produzir, fica clara a necessidade também de o réu adotar o mesmo procedimento quando da sua
contestação (resposta no processo). Trata-se, na maioria dos casos, de protestos pela produção de todas as
provas admitidas em direito, sem prejuízo de nenhuma das partes.
O protesto obriga o magistrado, antes de sanear o processo, a determinar às partes que especifiquem e
justifiquem as suas provas.
Partindo desse cenário, podemos questionar:
A apresentação de provas é mesmo necessária ou poderia haver outra maneira de concluir uma questão
controversa?
A prova pericial pode ser considerada como suficiente na solução de um problema?
Os seus aspectos são efetivamente relevantes?
Essas questões serão respondidas e contextualizadas adiante em nossa aula!
Vamos lá?
Bons estudos!
VAMOS COMEÇAR
Nesta aula, veremos como se apresentam as provas periciais, ou seja, como que os peritos utilizam as
informações colhidas durante os seus trabalhos para embasar e subsidiar uma decisão, seja ela judicial,
extrajudicial, semijudicial ou arbitral. Mesmo porque, independentemente do tipo de perícia que foi
contratada, os fins são sempre os mesmos: ajudar alguém a julgar uma situação que se apresentou duvidosa
ou que inspirou uma atenção especial. Nesse contexto, fica evidente a utilidade da perícia, assim como a sua
importância na análise dos aspectos que comprovam os fatos em estudo. Convido você a seguirmos juntos
este caminho.
A perícia contábil e a prova pericial contábil, como se apresentam?
A nomeação de um perito será feita quando o juiz, após avaliar o processo, perceber que há necessidade de
se produzir prova técnica contábil, levando em conta todas as alegações apresentadas pelas partes e os fatos
contábeis inerentes à lide (conflito de interesses no processo).
Mas quais são as necessidades que motivam a realização de perícias?
As perícias são decorrentes de defeitos e impropriedades, tanto dos métodos e sistemas dos processos
quanto das vicissitudes humanas. Dessa forma, podemos demonstrar a necessidade de um perito quando,
em uma Ação Condenatória por Inexecução do Contrato, a construção de um imóvel apresenta rachaduras ou
a empresa construtora utiliza material de qualidade inferior àquele descrito no Memorial Descritivo.
Certamente, o juiz designará um perito hábil para o desempenho dessa tarefa por meio do CREA (Conselho
Regional de Engenharia e Arquitetura).
Trazendo esse exemplo para a realidade contábil, entende-se que, no caso de irregularidades contábeis, as
informações não serão fidedignas, e isso pode induzir a administração das empresas a tomadas de decisões
equivocadas que poderão resultar em prejuízos, comprometendo tanto econômica quanto financeiramente a
empresa.
Muitos fatores, isoladamente ou em conjunto, podem causar erros ou imperfeições contábeis, por exemplo,
excesso de trabalho, dificuldade para compreender o material sob exame, problemas relacionados à saúde
física ou mental do profissional contábil, deficiência na formação profissional (tanto técnica quanto de
caráter), má-fé, malícia, entre outros fatores.
Vale dizer que erros, tanto na Contabilidade quanto em outras atividades, normalmente são ações
involuntárias, pois, em tese, ninguém erra deliberadamente. Até porque deliberado não configura erro, mas
sim dolo, já que no caso de dolo existe a intenção premeditada de errar; no erro não existe a premeditada
intenção de fraudar ou dar prejuízo a alguém. Sendo assim, entende-se que os erros contribuem para a
execução irregular de um trabalho ou tarefa.
Eles decorrem de métodos de trabalho muito frágeis, falta de zelo dos envolvidos nas tarefas, desatenção,
falhas na interpretação de documentos e relatórios etc.
Por todos esses motivos, tanto o profissional contábil quanto as pessoas envolvidas com a Contabilidade e
com a perícia precisam conhecer profundamente todas as normas e os preceitos relacionados à execução de
seus trabalhos.
Enfim, na execução dos trabalhos periciais é preciso buscar aspectos doutrinários fundamentais ao instituto
das provas, pois isso é essencial ao entendimento da prova pericial contábil.
Ônus da prova e perícia contábil
A expressão "ônus da prova" não é entendida pelos juristas como um dever para com a parte contrária ou
com o próprio magistrado, mas sim como a necessidade de se comprovar a existência de um fato, ou seja,
quem afirma ou nega determinado fato é quem tem o ônus, oferecer ou produzir as provas necessárias pode
corroborar as alegações feitas inicialmente.
Dessa forma, o dever de provar algo compete a quem alega, a quem afirma ou a quem nega determinados
fatos da causa.
Aquele que busca a proteção da justiça depara-se com a necessidade de produzir as suas provas. A pessoa
que oferecer as provas mais convincentes fatalmente obterá sucesso. O Código de Processo Civil (BRASIL,
2015, n. p.) aborda a questão em seu artigo 373, determinando:
Art. 373. O ônus da prova incumbe:
I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;
II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.
1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à
excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da
prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por
decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que
lhe foi atribuído.
2º A decisão prevista no § 1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo
pela parte seja impossível ou excessivamente difícil.
3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo
quando:
I - recair sobre direito indisponível da parte;
II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito.
4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo.
Na produção da prova pericial contábil, portanto, é indispensável ao perito enfocar a matéria fática, objeto da
causa, à luz da classificação contida no dispositivo legal, estudando-a minuciosamente sob esse aspecto, o que
possibilitará direcionar os caminhos técnicos a serem trilhados. Isso é fundamental, uma vezque a função do
perito é descobrir a verdade sobre os fatos em litígio.
SIGA EM FRENTE
Aspectos e especificidades da prova pericial
Quais são os principais aspectos e especificidades da prova pericial contábil?
É claro que tanto os fatos administrativo-financeiros quanto os patrimoniais são recepcionados pelo sistema
de informação contábil, servindo, consequentemente, de suporte documental à nossa área de estudo para
ilustrar os fatos jurídicos. Nesse contexto, vale a pena esclarecer o que são fatos jurídicos e como eles são
classificados.
Fato jurídico é tudo o que acontece de forma natural ou humana e que gera consequências jurídicas, e
podemos classificá-lo de três formas: constitutivo, extintivo e modificativo, conforme explicação detalhada no
quadro abaixo.
Quadro 1 | Classificação dos fatos jurídicos
Constitutivos Extintivos Modificativos
São aqueles que têm
a eficácia jurídica de dar vida,
fazer nascer, constituir uma
relação jurídica.
São os que têm a eficácia de fazer
cessar a relação jurídica.
Enquadram-se nessa categoria os
fatos impeditivos, que envolvem
todas aquelas situações que
impedem que decorra, de fato, o
efeito que lhe é normal e
esperado e que constitui a sua
razão de ser.
São aqueles que, sem excluir ou
impedir a relação jurídica, têm a
eficácia de modificá-la.
Fonte: elaborado pelo autor.
Sendo assim, conhecer e saber classificá-los compete ao perito contábil quando da produção da prova
pericial, e a partir daí ater-se à matéria fática objeto da ação, baseando-se na classificação contida no
dispositivo legal, observando e colaborando para o descobrimento da verdade, sempre atento aos fatos que
geraram a causa.
A prova pericial contábil tem como objetivo primordial mostrar a verdade dos fatos do processo na instância
decisória, sendo utilizada quando o objeto da questão extrapola a matéria jurídica, isto é, ao ser necessário
um conhecimento técnico que não seja o jurídico para obter a verdade, por exemplo, o conhecimento
contábil. Ela é obtida mediante procedimentos determinados por uma Resolução do Conselho Federal de
Contabilidade.
Tais procedimentos visam fundamentar as conclusões do laudo pericial contábil, abrangendo, total ou
parcialmente, a natureza e a complexidade da matéria. Esses procedimentos classificam-se em: exame,
vistoria, indagação, investigação, arbitramento, mensuração, avaliação e certificação. Segue o quadro
abordando referido assunto.
Quadro 2 | Procedimentos periciais
Exame
Análise de livros, registros das transações e documentos. Por meio da análise de todos
os elementos que constituem a matéria, forma-se a convicção sobre o assunto.
Vistoria
Diligência cujos objetivos são a verificação e a constatação da existência concreta de
uma situação, coisa ou fato, observado em todos os seus detalhes.
Indagação
Busca de informação mediante entrevista com conhecedores do objeto da perícia. É o
ato pericial por meio do qual se obtém o testemunho de quem tem conhecimento de
atos e fatos pertinentes à matéria.
Investigação
Pesquisa que busca trazer ao laudo ou ao parecer pericial contábil o que está oculto por
quaisquer circunstâncias. É uma técnica pericial abrangente que tem por finalidade
detectar se houve fatos ou procedimentos que obscureceram a verdade, como má-
fé, fraude, erro, dolo etc.
Arbitramento
Determinação de valores ou solução de controvérsia por critério técnico. Utiliza
procedimentos estatísticos para estabelecer valores e procedimentos analógicos para
fundamentar o valor encontrável.
Mensuração Ato de quantificar bens, direitos e obrigações.
Avaliação
Ato de identificar o valor de coisas, bens, direitos, obrigações, despesas e receitas. É a
constatação do valor real das coisas por meio de cálculos e análises, inclusive de valor de
mercado.
Certificação
Ato de atestar a informação trazida ao laudo pericial contábil pelo perito contador. O
caráter de autenticidade que envolve a informação advém da fé pública atribuída a esse
profissional. A certificação está contida no laudo, que, por ser elaborado por um
profissional habilitado formal e tecnicamente, é merecedor de fé pública.
Fonte: elaborado pelo autor.
Por fim, vale comentar que qualquer meio de prova legalmente previsto ou moralmente legítimo é apto a
comprovar a verdade dos fatos em que se fundamenta a ação ou a defesa. Entre as provas admitidas na
legislação civil brasileira (inseridas no Código de Processo Civil), podemos citar: o depoimento pessoal, a
confissão, a exibição de documentos ou coisas, o documento, o testemunho, a perícia e a inspeção judicial.
VAMOS EXERCITAR
Respondendo aos questionamentos
Quando do início desta aula, fizemos alguns questionamentos que merecem atenção e uma resposta ao
concluir os estudos neste momento.
A apresentação de provas é mesmo necessária ou poderia haver outra maneira de concluir uma questão
controversa?
A prova pericial pode ser considerada suficiente na solução de um problema?
Seus aspectos são efetivamente relevantes?
Refletindo sobre a importância dos trabalhos do perito contábil, bem como dos procedimentos adotados
quando ocorre a conclusão dos seus trabalhos fundamentados em provas concretas, fica evidente que a
produção das provas periciais é fundamental para que o processo possa ser julgado corretamente e os
resultados venham a atender satisfatoriamente às partes envolvidas.
Dessa forma, é óbvio que a apresentação das provas se torna primordial para a execução e a conclusão dos
trabalhos do perito contábil, pois é por meio delas que, ao finalizar os trabalhos de campo e as diligências, o
profissional contábil emite um relatório com o resultado de sua apuração e as suas considerações acerca do
litígio em questão.
O relatório pode ser um laudo ou um parecer pericial contábil, lembrando que o Parecer é o relatório que o
perito emite para concluir o seu trabalho e que este pode estar fundamentado em um Laudo. Portanto, o
laudo subsidia a emissão do parecer. E tudo isso com fundamentação nas provas apresentadas, analisadas e
julgadas durante os trabalhos dos peritos.
Assim, é possível entender que as provas periciais podem ser consideradas suficientemente capazes para que
o juiz ou quem for julgar a questão controversa solucione o problema.
Destaca-se que os aspectos e as características da perícia contábil num contexto geral são efetivamente
relevantes e essenciais à conclusão justa da causa.
 Saiba mais
Para ampliar os seus conhecimentos, e para uma melhor compreensão sobre a obrigatoriedade da
apresentação da prova pericial ou não, sugerimos que você leia na íntegra o artigo intitulado ‘A Prova
Documental no Novo Código de Processo Civil Brasileiro. A força probante e produção da prova
documental no Processo Civil’, de Débora Fernandes, no qual percebemos a possibilidade de dispensa da
prova pericial de acordo com o julgamento do juiz.
https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-prova-documental-no-novo-codigo-de-processo-civil-brasileiro/486350719
https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-prova-documental-no-novo-codigo-de-processo-civil-brasileiro/486350719
https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-prova-documental-no-novo-codigo-de-processo-civil-brasileiro/486350719
PONTO DE PARTIDA
Olá, estudante! bem-vindo a mais uma aula!
Aqui, discutiremos conceitos acerca da importância e da necessidade de haver um bom planejamento ao ser
contratado para desempenhar profissionalmente a função de perito contábil.
Inicialmente, gostaria de destacar que, partindo do pressuposto de que você, enquanto perito contábil, já tem
conhecimentos para exercer a atividade e sabe que um bom trabalho de perícia está pautado no
planejamento dos trabalhos, pois, conhecendo os objetivos e as partes envolvidas na lide, é possível definir a
forma de conduzir a perícia para que ela possa contribuir significativamente para o sucesso dos seus
trabalhos.
É nesse contexto que você, ao apresentar um trabalho bem planejado, terá condições de mostrar ao seu
contratanteuma análise criteriosa dos elementos envolvidos, assim como toda documentação necessária que
contemple informações relevantes.
E é justamente para deixar você preparando (a) e apto(a) a desempenhar a função de perito contábil com
sucesso que esta aula está sendo apresentada, pois tenho certeza de que os conteúdos estudados serão de
grande valia.
Nesse contexto, questiona-se:
Os trabalhos de perícia contábil exigem um planejamento prévio?
Na elaboração desse planejamento o que é necessário conhecer?
Os objetivos da perícia estarão presentes nesse planejamento?
Essas questões serão respondidas e contextualizadas logo mais nesta aula!
Bons estudos!
Aula 2
PLANEJAMENTO DA PERÍCIA CONTÁBIL
Nesta aula, identificaremos não apenas os motivos que levaram à necessidade de haver uma perícia
contábil e como ela ocorre, mas também entender por que é importante um planejamento dos
trabalhos.
VAMOS COMEÇAR
Nesta aula, identificaremos não apenas os motivos que levaram à necessidade de haver uma perícia contábil e
como ela ocorre, mas também entender por que é importante um planejamento dos trabalhos, no sentido de
que os resultados apresentem efetivamente a verdade dos fatos. Por esse motivo, é fundamental conhecer a
empresa, razão da necessidade da perícia, bem como os terceiros envolvidos no processo, pois é a partir
desses conhecimentos que se torna possível elaborar um planejamento que resulte numa perícia eficiente e
eficaz. Portanto, convido você, a seguirmos juntos este caminho.
Objetivos e preparação dos trabalhos periciais contábeis: o planejamento
Inicialmente, gostaria de destacar que não era pós-industrial, o mercado de trabalho se transformou
demasiadamente, fazendo com que cada vez mais os profissionais sejam dependentes da tecnologia para o
dia a dia de seus serviços laborais. Para o perito contábil, não seria diferente, visto que a sua qualificação
multidisciplinar acompanha as necessidades do mercado.
Esse profissional analisa tecnicamente os documentos e os materiais disponíveis em busca de verdades
presentes em fatos e provas oriundas de uma determinada investigação; como consequência desse cenário
pós-industrial, cada vez mais a tecnologia está presente em sua rotina de trabalho, o que é muito bem-vindo e
útil na fase de planejamento dos trabalhos.
No planejamento dos trabalhos, é inevitável que o perito considere a elaboração de um relatório ao final,
sendo aconselhável, por exemplo, evitar termos excessivamente técnicos.
O envolvimento do perito no processo inicia-se com a sua nomeação pelo juiz (perícia judicial). O profissional é
intimado na nomeação e orientado sobre as informações necessárias para que possa verificar se poderá ou
não atuar como perito nesse processo. Ou seja, o perito pedirá vista do processo no respectivo cartório
judicial para melhor informar-se de seu conteúdo e, assim, decidir se deve aceitar ou escusar-se do encargo.
Perceba a relação direta que há entre as etapas, ou seja, entre a nomeação do perito e o seu aceite em
relação ao planejamento dos seus trabalhos.
Sabemos que o planejamento da perícia é a etapa do trabalho pericial na qual o Perito contábil e/ou o Perito
assistente estabelece os procedimentos gerais dos exames a serem realizados em um processo judicial,
extrajudicial ou arbitral para o qual foi nomeado. Isso se faz com base no exame do objeto da perícia e é por
esse motivo que a organização dos trabalhos depende do planejamento das atividades das perícias a serem
realizadas.
São objetivos do planejamento da perícia:
1. Estar familiarizado com o objeto da perícia para facilitar o processo de revelação da verdade, o que
ajudará o juiz, o árbitro ou o contratante a tomar uma decisão adequada sobre o caso.
2. Garantir que o trabalho seja concluído no prazo estabelecido.
3. Identificar possíveis problemas e riscos que possam surgir durante a perícia.
4. Preparar informações que possam ser cruciais para resolver o problema para que não sejam esquecidas
ou não recebam a atenção necessária ao examiná-las.
5. Determinar a legislação relevante para o objeto da perícia.
6. Descrever o tipo, a conveniência e o alcance dos exames.
7. Especificar o tipo, a ocasião e a extensão dos exames a serem realizados, conforme especificado na
proposta de remuneração.
8. Tornar a execução e a revisão dos trabalhos mais fáceis.
Enfim, são os documentos dos autos (do processo) que servirão como base para obter as informações
necessárias para o efetivo planejamento da perícia. Vejamos a seguir.
SIGA EM FRENTE
Documentos periciais, suas necessidades
Para que os peritos, assim como os demais profissionais, possam elaborar ou emitir laudos, relatórios
técnicos e pareceres oficiais, é fundamental a elaboração e a organização dos documentos periciais. A forma
como esses documentos são redigidos pode ter um grande impacto na carreira desses profissionais, pois um
bom trabalho enaltece o profissional que o executa.
O planejamento da perícia consiste na etapa do trabalho pericial que antecede as diligências, pesquisas,
cálculos e respostas aos quesitos. É nessa etapa que o perito estabelece os procedimentos gerais dos exames
que serão realizados.
Como ele visa reunir todas as etapas da perícia, é possível afirmar que é nessa etapa que os documentos dos
autos são juntados, justamente por serem úteis na obtenção das informações necessárias ao planejamento.
No rol de documentos encontramos, por exemplo, livros contábeis, fiscais e societários; laudos e pareceres
anteriores; e outras informações que possam ser relevantes para o tipo de trabalho a ser realizado, e
qualquer meio de registro que facilite o entendimento dos procedimentos a serem adotados, deve ser usado
para manter o planejamento da perícia.
Vale lembrar que sempre que novos dados surjam no decorrer da perícia, o planejamento deve ser revisado e
atualizado.
É durante o planejamento também que são identificados os riscos e os custos dos trabalhos a serem
realizados. E para fazer uma proposta justa dos seus honorários, o perito deve avaliar os riscos quanto à
responsabilidade civil, bem como em relação às despesas com pessoal e encargos sociais, despesas de
manutenção do escritório durante a fase de planejamento etc.
Por fim, vale dizer que outros tópicos devem ser considerados quando da elaboração do planejamento da
perícia. Esses tópicos incluem a necessidade de utilização de trabalho de terceiros e um cronograma de
trabalho em que estejam evidenciados todos os itens necessários à execução da perícia. Nesse contexto,
entende-se a necessidade de diligências, elaboração de cálculos e planilhas adicionais, e outros itens que
assegurem que todas as etapas necessárias à realização da perícia sejam cumpridas.
VAMOS EXERCITAR
Respondendo aos questionamentos
Quando do início desta aula, fizemos alguns questionamentos que merecem atenção e uma resposta para
concluir os nossos estudos.
Os trabalhos de perícia contábil exigem um planejamento prévio?
Na elaboração desse planejamento, o que é necessário conhecer?
Os objetivos da perícia estarão presentes nesse planejamento?
Pois bem...
Refletindo sobre a necessidade de haver um planejamento prévio em relação aos trabalhos periciais
contábeis, bem como a necessidade em ter ciência na elaboração de um planejamento e seus objetivos,
chega-se à conclusão de que sim, é importantíssimo planejar, já que tudo que não tem uma boa estruturação,
uma organização, ou seja, um planejamento, tende ao fracasso.
Como no caso da perícia contábil, por ser a forma que se torna possível provar um fato, o fracasso é
inadmissível, daí a importância do planejamento.
E para que ele ocorra eficientemente e os resultados dos trabalhos periciais sejam convincentes e
satisfatórios, atender aos objetivos é primordial.
Os objetivos permeiam os trabalhos periciais subsidiando a investigação, a análise e a emissão de um parecer
técnico ou científico sobre determinado assunto.
Portanto, é possível entender que sim, oplanejamento é uma fase indispensável a um trabalho de excelência
dos peritos contábeis.
 Saiba mais
Para ampliar os seus conhecimentos, e para uma melhor compreensão sobre o planejamento da perícia
contábil, sugerimos que você leia atentamente a Norma Brasileira de Contabilidade, NBC TP 01 (R1), de
19 de março de 2020, que dá nova redação à NBC TP 01, que dispõe sobre perícia contábil.
Aula 3
CRONOGRAMA, DILIGÊNCIAS E PRAZOS
https://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2020/NBCTP01(R1)&arquivo=NBCTP01(R1).doc&_gl=1*xwfbkl*_ga*MTU4OTM1NzM2Mi4xNzAzMDg5Njk5*_ga_38VHCFH9HD*MTcxMzAzODI4NS44LjEuMTcxMzAzODM4OC4wLjAuMA
PONTO DE PARTIDA
Olá, estudante, bem-vindo a mais uma aula!
Agora, abordaremos os principais aspectos que envolvem a realização dos trabalhos da perícia contábil e a
elaboração do seu cronograma. É essencial entendermos que é a partir de um bom planejamento da perícia
que o programa de trabalho é elaborado. Com um cronograma a ser seguido, sentido é mais fácil de manter o
que foi combinado entre as partes. Entende-se, portanto, que o programa de trabalho a ser feito deve ser
pautado nos quesitos e/ou no objeto da perícia, sendo composto por várias etapas, enquanto o planejamento
da perícia é um processo abrangente e que reúne todas as etapas da perícia. Nesse contexto, é possível
refletir sobre algumas questões, sendo elas:
O cronograma dos trabalhos periciais deve ser seguido à risca?
Na elaboração de um cronograma, o que deve ser apresentado?
Diligências e demais tópicos estarão presentes no cronograma?
O tempo para realização dos trabalhos pode ser definido com antecedência? Como isso deve ser
apresentado no cronograma de trabalho?
Essas questões serão respondidas e contextualizadas logo mais nesta aula!
Bons estudos!
VAMOS COMEÇAR
Nesta aula, veremos como acontecem os trabalhos da perícia, no sentido de que todos os procedimentos
devem ser elencados como parte do planejamento das ações da perícia. Vale lembrar que o planejamento da
perícia é a etapa inicial dos trabalhos e antecede a realização das diligências, das pesquisas, dos cálculos e das
respostas aos quesitos que serão apresentados. Nesse momento é informada a metodologia dos
procedimentos periciais a serem aplicados, desde as etapas iniciais até a elaboração do laudo pericial contábil.
É então que se faz necessário elaborar e apresentar o cronograma dos trabalhos a serem executados. Vamos
ver juntos como isso acontece?
Programa de trabalho e cronograma: a integração perfeita
Nesta aula, veremos como acontecem os trabalhos da perícia, no sentido de que todos os
procedimentos devem ser elencados como parte do planejamento das ações da perícia.
Até o momento em que ocorre a entrega do laudo ou do parecer pericial contábil ao contratante dos serviços
periciais, devem ser realizados diversos procedimentos, dos quais o planejamento da perícia é
significativamente necessário, pois ele inclui os programas de trabalho, as etapas e as datas em que os
trabalhos serão concluídos. Para uma melhor operacionalização da perícia é preciso distinguir os atos
preparatórios dos atos de execução. Vejamos.
Figura 1 | Cronograma da perícia contábil
Fonte: elaborado pelo autor.
Atos preparatórios
De acordo com o que estudamos, o trabalho pericial inicia-se com a decisão do juiz, lançada em despacho nos
autos (processos). O magistrado, ao admitir a produção de prova contábil no processo, passa a depender de
uma orientação técnica especializada, que competirá ao perito contador. A nomeação de um perito pode ser
determinada pelo juiz mediante ofício (ou seja, por sua iniciativa própria) ou a pedido de uma ou ambas as
partes, quando estas considerarem a prova pericial necessária à resolução do litígio. Além disso, as partes
podem nomear os seus próprios peritos, chamados "assistentes técnicos" para acompanhar o trabalho do
perito judicial e emitir o seu próprio parecer.
Desse modo, o envolvimento do perito no processo inicia-se com a sua nomeação pelo juiz. O profissional é
intimado pela nomeação e orientado sobre as informações necessárias para que possa verificar se poderá ou
não atuar como perito nesse processo, ou seja, este pedirá vistas do processo no respectivo cartório pelo
prazo de cinco dias, para melhor informar-se de seu conteúdo e, assim, decidir se deve aceitar ou escusar-se
do encargo.
Após a entrega do laudo pelo perito, se ao juiz a matéria não parecer suficientemente esclarecida, este
nomeará, de ofício ou a pedido das partes, um novo perito para examinar os mesmos fatos, de modo que
corrija a omissão ou a inexatidão dos resultados da primeira. Todavia, o juiz, por não estar vinculado ao
conteúdo de nenhuma das perícias realizadas, pode avaliar ambas e decidir o litígio de acordo com o seu livre
convencimento.
Atos de execução
O profissional, ao aceitar o encargo de perito, inicia o seu trabalho técnico científico. O juiz definirá quais os
quesitos, formulados como perguntas, aos quais o perito deverá responder ao final de seu laudo. As partes
podem também sugerir quesitos, que o juiz rejeitará, ou, se considerá-los pertinentes, acolherá e
encaminhará, com as suas próprias observações, ao perito.
Após tais procedimentos, o perito pode executar as tarefas necessárias ao desenvolvimento de seu trabalho.
Ao final, redigirá um laudo, no qual responderá aos quesitos determinados pelo juiz. A execução do trabalho
pericial será realizada com a entrega desse objeto. Além disso, pode haver, caso o juiz considere necessário
para a melhor compreensão dos fatos, intimação do perito a comparecer à audiência, durante a qual dirigirá a
ele as perguntas necessárias.
Como é possível observar, existem inúmeros procedimentos a serem adotados quando dos trabalhos de
perícia contábil. Por isso, é necessário haver todo um planejamento e, a partir dele, ser possível criar um
cronograma de trabalho em que as etapas apresentadas acima são intrínsecas aos trabalhos periciais.
SIGA EM FRENTE
Diligências!
Para que os peritos possam desenvolver adequadamente os seus trabalhos, por vezes é necessário haver
diligências em alguns momentos.
Para garantir que todas as etapas necessárias para a realização da perícia sejam cumpridas, o cronograma de
trabalho deve incluir todos os elementos necessários, como os procedimentos, os deslocamentos, as
pesquisas, os cálculos e as planilhas, sempre subsidiando as respostas aos quesitos.
Quando o perito-contador conclui todas as análises preliminares, tem origem os termos de diligências, os
programas de trabalho e as propostas de honorários.
Vejamos no que consiste a expressão ‘diligência’ e a sua aplicação nos trabalhos periciais.
Diligência é uma palavra originada do latim "diligentia", que na terminologia forense significa “ato promovido
por ordem do juiz”, para que um de seus auxiliares (sejam eles peritos ou oficiais de justiça) pratiquem um ato
necessário ao processo, como intimações, buscas, prisões ou mesmo inquirições, exames e vistorias.
O perito deve solicitar que a empresa designe um representante para acompanhar os exames dos
documentos ou, alternativamente, solicitar a apresentação dos documentos necessários dentro de certo
prazo legal (usualmente, de três a cinco dias úteis), mediante notificação.
A visita do perito comprova-se por meio do termo de diligência, que contém os dados do processo, o local e a
hora da diligência, o nome e a assinatura do perito, do representante da empresa, se for o caso, a solicitação
de livros ou documentos que se façam necessários. Entregue a documentação exigida, o perito passa a
examiná-la, verificando se os livros apresentados atendem às formalidades legais, intrínsecas e extrínsecas.
A diligência, em cada caso, é única, exigindo exames individualizados para a solução da questão técnica
submetida à perícia. Excetuam-se as perícias trabalhistas, cujos procedimentos podem ser padronizados para
a apuração dos valores devidos.
Na diligência, o perito também examinaos documentos, extraindo cópias daqueles que julga ser relevantes
para a fundamentação do laudo. Findos os exames e extraídas as cópias, encerra-se o trabalho de campo.
A diligência é, então, um ato técnico muito importante, por meio do qual podem vir a lume e influenciar a
decisão final, fatos ou situações relevantes ao litígio, e que, por algum motivo, não foram relatados pelas
partes.
Em se tratando dos prazos, podemos dizer que, em um período de quinze dias após a nomeação do perito, as
partes devem verificar se há algum impedimento em relação ao perito designado, aceitar ou não aceitar a sua
nomeação e, também, apresentar os quesitos. Após a apresentação da proposta de honorários e a
especialização no objeto da perícia, há um prazo de cinco dias para que as partes aceitem ou contestem a
proposta de honorários do perito.
VAMOS EXERCITAR
Respondendo aos questionamentos
Quando do início desta aula, fizemos alguns questionamentos que merecem atenção e uma resposta para
concluir os nossos estudos.
O cronograma dos trabalhos periciais deve ser seguido à risca?
Na elaboração do cronograma, o que deve ser apresentado?
Diligências e demais tópicos estarão presentes no cronograma?
O tempo para realização dos trabalhos pode ser definido com antecedência? Como isso deve ser
apresentado no cronograma de trabalho?
Entende-se que, se há a necessidade de definir um cronograma de trabalho quando da execução de uma
perícia contábil, fica evidente que sim, que é necessário seguir à risca o cronograma. No entanto, nem sempre
isso é possível, visto que intercorrências podem surgir e fazer com que novos procedimentos sejam
necessários e isso atrase a conclusão dos trabalhos, mas apenas em casos específicos e que realmente seja
necessário e aceitável o descumprimento do que foi colocado no cronograma inicial.
O cronograma deve apresentar várias informações, dentre elas destacamos que, de forma geral, são tópicos
que representam os atos preparatórios e os atos de execução, contemplando por exemplo, as diligências e
demais itens necessários ao bom andamento dos trabalhos.
E, finalmente em relação ao tempo de realização da perícia, entende-se que este deve ser relativo ao tempo
necessário para elaboração do trabalho de maneira eficiente e que conduza a uma decisão coerente com os
fatos.
 Saiba mais
Para ampliar os seus conhecimentos, e para uma melhor compreensão sobre diligências na perícia
contábil, sugerimos que você leia atentamente a Norma Brasileira de Contabilidade, NBC TP 01 (R1), de
19 de março de 2020, que dá nova redação à NBC TP 01, que dispõe sobre perícia contábil.
PONTO DE PARTIDA
Olá, estudante, bem-vindo a mais uma aula!
Aqui, você entenderá efetivamente como é firmado o valor e como ocorre o pagamento dos trabalhos de um
perito contábil e do assistente técnico que porventura também for atuar nos trabalhos a serem realizados. É
de conhecimento geral que toda questão relativa à remuneração ocorre após o momento em que o perito é
nomeado e aceita realizar o trabalho contratado. E justamente por ser um trabalho, deve haver uma
remuneração. Agora surgem alguns questionamentos:
Como isso ocorre?
Quem é o responsável por definir o valor dos honorários?
De que maneira é formalizada a proposta?
Independentemente de como a perícia ocorre, ou seja, da sua classificação, os honorários são
mensurados de maneira diferente?
Um perito atuando na esfera judicial tem a sua remuneração diferente caso esteja exercendo a função
extrajudicialmente?
Estas questões serão respondidas e contextualizadas nesta aula!
Bons estudos!
VAMOS COMEÇAR
Nesta aula, apresentaremos um assunto de extrema importância e que está diretamente relacionado aos
trabalhos do perito contábil. Ou seja, como ocorre a mensuração e a efetiva remuneração dos seus trabalhos.
Mostraremos como o perito, após ser nomeado e ter aceitado o trabalho a ele designado, toma ciência sobre
Aula 4
HONORÁRIOS PERICIAIS
Nesta aula, apresentaremos um assunto de extrema importância e que está diretamente relacionado
aos trabalhos do perito contábil.
https://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2020/NBCTP01(R1)&arquivo=NBCTP01(R1).doc&_gl=1*xwfbkl*_ga*MTU4OTM1NzM2Mi4xNzAzMDg5Njk5*_ga_38VHCFH9HD*MTcxMzAzODI4NS44LjEuMTcxMzAzODM4OC4wLjAuMA
a sua remuneração, que será fixada, informando que o responsável pelo seu pagamento são as partes, de
acordo com as disposições que forem acordadas entre elas e a conclusão dos trabalhos. Vamos analisar
juntos como tudo isso ocorre?
Honorários periciais e a classificação da perícia
Depois de nomeado, o perito é intimado a conhecer o processo. Caso aceite a sua nomeação, ele deverá
receber ‘carga’ (vista) do processo, que ocorre normalmente dentro de cinco dias, efetuar um estudo
superficial, mas suficiente para que tenha uma ideia do tempo e dos recursos necessários para a realização do
trabalho, e, em função disto, formalizar uma proposta de honorários. Lembrando que essa proposta também
poderá ocorrer na conclusão e entrega do laudo pericial.
Ao ser contratado, os honorários periciais deverão ser apresentados à parte que o indicou, sempre por escrito
e de forma criteriosa, sem aviltamento e sem exagero quanto à mensuração. É indicado que se faça uma
análise prévia do serviço a ser executado, o grau de dificuldade, o local em que realizará os trabalhos, bem
como o tempo que será gasto na execução da tarefa.
Honorário do perito quando em função judicial
Após o perito ser nomeado pelo magistrado, ele passa a exercer uma função judicial. Portanto, é de sua
competência fixar a remuneração a ser recebida pelo trabalho que vai desenvolver. De acordo com o artigo 95
do Código de Processo Civil:
Amparado pela lei, o perito deve apresentar, por meio de uma petição, a demonstração do custo do trabalho
pericial. Essa estimativa deve conter o total de horas de trabalho em cada fase do processo judicial e o
respectivo custo por hora. Nessa petição, ele deve expor resumidamente os principais pontos de seu trabalho,
justificando, assim, o valor requerido. Em seguida, o referido documento recebe o despacho do magistrado
que, na maioria das vezes, determina que as partes se pronunciem sobre a proposta do perito. O seu
despacho é registrado na própria petição.
Alguns magistrados fixam a remuneração do perito sem ouvir as partes. Porém, o mais prudente é buscar a
apreciação das partes, evitando, com esse expediente, possíveis impugnações no futuro. De qualquer forma, e
em qualquer situação que se apresente, o despacho deve ser publicado no Diário Oficial para ciência das
Art. 95. Cada parte adiantará a remuneração do assistente técnico que houver indicado,
sendo a do perito adiantada pela parte que houver requerido a perícia ou rateada quando
a perícia for determinada de ofício ou requerida por ambas as partes. 
— (BRASIL, 2015, n. p.)
partes interessadas no processo, que devem se pronunciar acerca do orçamento, respeitando sempre o prazo
para resposta.
Após o pronunciamento das partes sobre o pedido de arbitramento dos honorários periciais, os autos do
processo seguem para o magistrado para fixação da remuneração pericial. Isso significa que o juiz acatou o
orçamento apresentado.
Independentemente de haver concordância, impugnação ou agravo, a quantia fixada deverá ser depositada
no prazo determinado pelo juiz em instituição bancária autorizada a receber depósitos judiciais, não sendo
permitido, em nenhuma hipótese, que o perito receba o pagamento de seus honorários diretamente de
qualquer das partes.
Depósito integral, prévio e complementar
No despacho saneador, em que consta a nomeação do perito pelo magistrado, algumas decisões relativas ao
pagamento dos honorários periciais já devem ser tomadas pelo juiz. Uma das possibilidades é a fixação de
determinada quantia a título de honorários provisórios em favor do perito. Nesses casos, ordena-se o
respectivo depósito judicial por conta de quem o magistrado determinar.
Cabe também aomagistrado solicitar que o perito ofereça, por meio de petição, uma estimativa dos custos
relativos ao trabalho pericial a ser desenvolvido. É possível a aceitação dessa petição pelo magistrado, que, em
tais casos, determina que a parte responsável pelo pagamento efetue o depósito integral do valor orçado.
O depósito dos honorários provisórios e o dos honorários orçados são denominados depósitos prévios, já que
são efetuados (um ou outro) antes do início dos trabalhos periciais.
Fixados os honorários definitivos, após a entrega do laudo pericial contábil, o magistrado, ciente do depósito
prévio, determina que seja realizado o depósito complementar, que consiste na diferença entre os honorários
definitivos e o valor depositado antecipadamente.
Levantamento dos honorários
Encerrados os trabalhos do perito que atuou no litígio, o seu pagamento deverá ser processado. Para isso, é
necessário que o magistrado execute o que chamamos de levantamento dos honorários.
Os depósitos, independentemente de sua classificação, são efetuados em uma conta judicial em nome do
magistrado responsável. Somente ele poderá movimentar essa conta.
Após a entrega do laudo pericial contábil, o perito oferecerá também a petição, requerendo o arbitramento
definitivo de sua remuneração. Se houve depósito prévio, nessa mesma petição o perito vai requerer o
levantamento da quantia depositada em caráter provisório.
O magistrado, então, autoriza a movimentação na conta mediante a emissão de um documento chamado
Mandado de Levantamento Judicial ou Alvará de Levantamento. Depois de realizado esse procedimento, e de
posse do Alvará de Levantamento, o perito dirige-se ao estabelecimento bancário, que agendará o dia em que
o numerário estará disponível.
O assistente técnico também tem a sua remuneração. A remuneração e o pagamento dos serviços
profissionais do perito que atua como assistente técnico não se vinculam aos autos do processo, pois se trata
de uma relação particular entre aquele profissional e a parte que o indicou à referida função.
Embora os seus honorários sejam resultantes de uma negociação particular, o artigo 84 do Código de
Processo Civil determina que: “As despesas abrangem as custas dos atos do processo, a indenização de
viagem, a remuneração do assistente técnico e a diária de testemunha” (BRASIL, 2015, n. p.).
Portanto, o assistente técnico, tal como o perito indicado pelo magistrado, deverá oferecer petição
requerendo ao magistrado o arbitramento de sua remuneração, fixada, normalmente, em dois terços da
remuneração fixada para o perito nomeado pelo magistrado.
Honorários do perito quando exerce função extrajudicial
Quando atua em função extrajudicial, o perito negocia livremente os honorários e a forma de pagamento com
a parte que o contratou. Nesse caso, é aconselhável a utilização de contrato escrito de prestação de serviços,
no qual se especificam o escopo dos serviços a serem realizados, honorários, forma de pagamento e prazo de
execução.
O contrato deve conter todos os elementos, direitos e obrigações acertados entre as partes, não podendo ser
alteradas as diretrizes apontadas pelas Normas Brasileiras de Contabilidade relativas à perícia contábil e ao
perito.
SIGA EM FRENTE
Petição e recebimento
A relação profissional do perito com o magistrado acontece de maneira solene e formal, por meio de
expediente escrito, que na linguagem forense, denomina-se petição.
A questão remuneratória obriga o perito a se comunicar com o magistrado em várias situações: para requerer
o arbitramento de sua remuneração, para apresentar um orçamento, para pedir um depósito prévio ou
suplementar, ou mesmo para solicitar o depósito integral de seus honorários. Em todas elas, o perito deve
lançar mão de uma petição, não se dirigindo pessoalmente ao magistrado.
Isso tem um motivo, o magistrado pode ausentar-se do caso por afastamento, promoção ou licença. No
entanto, os processos permanecem no cartório para o qual foram distribuídos e devem ter a sua conclusão.
Vale lembrar que a petição deve conter todas as informações necessárias para que não apenas o magistrado,
mas todas as partes tenham ciência do que está sendo apresentado no documento.
Normalmente, o juiz despacha o alvará para o perito receber os honorários que estão depositados nos autos
do processo, uma vez que o prazo de esclarecimento das partes sobre o laudo do perito foi concluído ou se
ele fez o esclarecimento adequado. Se porventura o processo for eletrônico, o perito receberá uma intimação
no sistema de processo eletrônico, ou por e-mail se o processo for físico (impresso). Após receber a intimação,
o perito vai ao cartório da Vara na qual foi nomeado e retira o alvará. Em seguida, dirige-se à agência bancária
do foro competente (lugar) para receber os honorários.
Caso seja de costume depositar os honorários do perito em sua conta pessoal, serão solicitados os dados
bancários do perito. Se o juiz conceder um alvará eletrônico, o perito pode receber os seus honorários
diretamente no caixa físico do foro, fornecendo apenas a sua identidade e o CPF.
Caso passe um período considerável depois do prazo de esclarecimento do laudo e o juiz não liberar o
pagamento dos honorários do perito, ele deve apresentar uma petição solicitando que os honorários sejam
pagos, aguardando a decisão do juiz.
É isso!
VAMOS EXERCITAR
Respondendo aos questionamentos
Quando do início desta aula, fizemos alguns questionamentos que merecem atenção e uma resposta ao
concluir os estudos.
Como ocorre a remuneração dos trabalhos de perícia contábil?
Quem é responsável por definir o valor dos honorários?
De que maneira é formalizada a proposta?
Independentemente de como a perícia ocorre, ou seja, da sua classificação, os honorários são
mensurados de maneira diferente?
Um perito atuando na esfera judicial tem a sua remuneração diferente caso esteja exercendo a função
extrajudicialmente?
Vimos como se processa a formalização e o pagamento dos honorários do perito contábil, bem como as
demais informações inerentes a diversas funções dentro dessa área de atuação do profissional contábil.
Relembrar sempre conceitos importantes a todo profissional da área de perícia contábil é fundamental, já que
a legislação está em constante mudança.
Respondendo aos questionamentos, podemos afirmar que a remuneração dos trabalhos do perito é acordada
entre as partes mediante a apresentação de uma petição contendo todos os argumentos que justifiquem o
valor apresentado. No caso, o valor é estipulado pelo próprio perito diante da amplitude dos seus trabalhos e
de tudo que será necessário realizar para que o seu laudo seja fidedigno.
Nesse sentido, entende-se que, dependendo da forma com que se apresentam os trabalhos do perito e da
função designada, pode haver uma divergência no valor dos honorários.
 Saiba mais
Para ampliar os seus conhecimentos, e para uma melhor compreensão sobre a questão de remuneração
dos trabalhos do perito contábil, sugerimos que você complemente os seus estudos realizando a leitura
do capítulo 7 da obra ‘Manual de Perícia Contábil’, de Crepaldi (2019), que consta no acervo da Minha
Biblioteca.
PONTO DE CHEGADA
Nesta aula, apresento a você uma visão geral sobre os assuntos abordados na Unidade 2 da disciplina Perícia,
Mediação e Arbitragem. Aqui, permeio os conteúdos de todas as aulas, em que foi possível ter uma visão dos
trabalhos de perícia contábil, com a qual você pôde entender alguns dos procedimentos realizados,
entendendo os processos necessários para que os trabalhos ocorram satisfatoriamente e que atendem os
objetivos propostos. Tenho certeza de que todo o conteúdo estudado, somado ao que vou apresentar nesta
revisão, fará você perceber a importância de um bom planejamento nos trabalhos do perito contábil.
Convido você, prezado estudante, a assistir a esta aula e desejo que faça bom uso de todo o conhecimento
aqui transmitido.
Planejamento da perícia
Olá, estudante!
Durante as aulas, vocêestudou os conceitos e os objetivos da perícia contábil. Inicialmente, foram
apresentados alguns conceitos sobre o que é a Prova Pericial no sentido de esta ser utilizada para resolver
conflitos entre as partes que demandaram a perícia. Mas não foi apenas isso, você também pôde identificar
que o trabalho do perito contábil está pautado no planejamento, pois apenas assim ele poderá conduzir as
suas atividades de forma a atingir os objetivos propostos quando da sua nomeação. Vale lembrar que o
cronograma de trabalho é parte integrante do planejamento, pois é nele que o profissional perito poderá
apresentar as diligências e demais ações a serem realizadas durante a perícia. Por fim, foi apresentado a você,
Aula 5
ENCERRAMENTO DA UNIDADE
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788571440227/pageid/0
estudante, alguns critérios que conduzem a uma proposta de honorários condizente com a realidade dos
trabalhos. Esses conhecimentos são necessários para desenvolver a competência desta unidade, que exige
que você conheça e intérprete em profundidade os conteúdos nela apresentados.
É HORA DE PRATICAR
Planejando uma perícia
Vamos supor que você acabou de ser aprovado no exame de qualificação que o habilita a integrar o Cadastro
Nacional de Peritos Contábeis. Por conta dessa certificação, você foi nomeado por um juiz a desenvolver um
trabalho de perícia, pois ele não tem condições técnicas para emitir uma decisão sem um parecer do
profissional de contabilidade. Para que isso ocorra satisfatoriamente, você precisou tomar conhecimento dos
fatos antes de aceitar a nomeação.
O planejamento da perícia, portanto, é a etapa do trabalho na qual o perito estabelece os procedimentos
gerais dos exames a serem executados para o qual foi nomeado, indicado ou contratado pelas partes,
elaborando-a a partir do exame do objeto analisado.
Vamos aos fatos!
A alta direção da empresa Silva e Andrade Ltda., na pessoa do seu diretor presidente, está suspeitando de que
o contador, agindo em parceria com o gerente financeiro, está desviando dinheiro da empresa, sendo que
essas ações estão sendo “camufladas” contabilmente pelo contador. Há a hipótese da ocorrência de fraudes
contábeis.
Você, a partir de todo conhecimento que possui sobre o assunto, e em parceria com seu assistente, chegou à
conclusão, após todos os trabalhos, diligências, análises de documentos e registros contábeis, que, sim, eles
estavam adulterando os registros contábeis, o que dificultava identificar tais ações.
Para chegar a essa conclusão e responder aos quesitos judiciais sobre as movimentações financeiras da
empresa, muito trabalho foi exigido.
Partindo desse pressuposto, a conclusão foi que houve falsificação dolosa nos registros com o objetivo de
ocultar vendas e compras que não ocorreram, usando os recursos financeiros desviados em benefício
próprio.
O juiz, de posse dessas informações, tomou as providencias cabíveis na esfera judicial, resolvendo assim esse
litígio.
DÊ O PLAY!
Conhecer, compreender e ser capaz de executar as práticas relacionadas aos trabalhos periciais, incluindo a
capacidade de coletar e analisar corretamente as informações para obter domínio das técnicas relativas ao
desenvolvimento do trabalho pericial é importantíssimo. Nesse sentido, você deve considerar diversos
aspectos, como trabalhar com quesitos, entender as aplicações da perícia em diversos contextos.
E fique atento, pois apresentarei no podcast uma aplicação muito interessante sobre os trabalhos do perito
contábil junto à apuração de crimes fiscais.
ASSIMILE
Aula 1
ALVES, A.; FERREIRA, D. R. N.; BONHO, F. T.et al. Perícia Contábil I. São Paulo, Grupo A, 2017. E-book. ISBN
9788595021518. Unidade 1 – p. 38-58. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595021518/. Acesso em: 29 abr. de 2024.
ARAUJO, D. C. D. Perícia e auditoria. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2020.
REFERÊNCIAS
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BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei nº 8.455, de 24 de agosto
de 1992. Altera dispositivos da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, referentes à
prova pericial. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 2 set. 1992. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1989_1994/l8455.htm. Acesso em: 06 abr. de 2024.
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https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-prova-documental-no-novo-codigo-de-processo-civil-
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20hip%C3%B3teses%20do%20art. Acesso em: 6 abr. de 2024.
MÜLLER, A. N.; TIMI, S. R. R.; HEIMOSKI, V. T. M. Perícia contábil. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 224.
Práticas em Contabilidade e Gestão. ISSN: 2319-0485 . Business and Economics - Accounting. [ProQuest].
Aula 2
ARAUJO, D. C. D. Perícia e auditoria. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2020.
CREPALDI, S. A. Manual de perícia contábil. Cap. 7 – 7.1 a 7.3 (p. 158-161). São Paulo: Saraiva Educação, 2019.
MÜLLER, A. N.; TIMI, S. R. R.; HEIMOSKI, V. T. M. Perícia contábil. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 224.
Práticas em Contabilidade e Gestão. ISSN: 2319-0485 . Business and Economics - Accounting. [ProQuest].
Aula 3
ARAUJO, D. C. D. Perícia e auditoria. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2020.
CREPALDI, S. A. Manual de perícia contábil. Cap. 7.5 (p. 164-167). São Paulo: Saraiva Educação, 2019.
MÜLLER, A. N.; TIMI, S. R. R.; HEIMOSKI, V. T. M. Perícia contábil. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 224
Práticas em Contabilidade e Gestão. ISSN: 2319-0485 . Business and Economics - Accounting. [ProQuest].
Aula 4
ARAUJO, D. C. D. Perícia e auditoria. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2020.
CREPALDI, S. A.. Manual de perícia contábil. Cap. 7.7, 7.7 (p. 166-169) e Cap. 7.9 a 7.15 (p. 172-181). São
Paulo: Saraiva Educação, 2019.
MÜLLER, A. N.; TIMI, S. R. R.; HEIMOSKI, V. T. M. Perícia contábil. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 224
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https://online.crcsp.org.br/portal/index.asp
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Aula 5
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https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597022124/epubcfi/6/2%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml0%5d!/4/2/2%4051:2.Acesso
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597022124/epubcfi/6/2%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml0%5d!/4/2/2%4051:2.Acesso
Imagem de capa: Storyset e ShutterStock.
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https://storyset.com/
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http://www.salesianolins.br/areaacademica/materiais/posgraduacao/Gerencia_Contabil_Financeira_e_Auditoria_Turma2011/PericiaContabil2012.pdf
http://www.salesianolins.br/areaacademica/materiais/posgraduacao/Gerencia_Contabil_Financeira_e_Auditoria_Turma2011/PericiaContabil2012.pdf

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