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Fisioterapia dermatofuncional aplicada à estética facial e corporal Abordagem fisioterapêutica nas principais disfunções estéticas faciais e corporais e os métodos e técnicas de avaliação facial e corporal utilizados. Prof.ª Rosane Silva 1. Itens iniciais Propósito É importante que o estudante tenha a capacidade de avaliar, elaborar e executar programas de tratamento aplicados à estética facial e corporal, por meio de recursos eletrotermofototerápicos, manuais e cosmetológicos, para atuar na prevenção e recuperação dos danos a funcionalidades do sistema tegumentar. Objetivos Analisar região facial para construção de um planejamento de tratamento fisioterápico adequado às práticas de estética facial. Analisar região corporal para construção de um plano fisioterápico de tratamento ou preventivo adequado às práticas de estética corporal. Empregar procedimentos de tratamento fisioterápico dermatofuncional aplicado à estética facial. Empregar procedimentos de tratamento fisioterápico dermatofuncional aplicados à estética corporal. Introdução A especialidade de Fisioterapia dermatofuncional nasceu no Brasil. Antigamente era chamada de Fisioterapia estética. Historicamente, há relatos de que fisioterapeutas atuavam nestas áreas desde meados dos anos 1970; no entanto, apenas no início dos anos 1990 surgiram as primeiras publicações nacionais de cunho científico. Em 1997 a área passou a chamar-se Fisioterapia dermatofuncional, pois este nome abrange o conceito de funcionalidade, objetivo geral de todas as áreas da fisioterapia. A especialização em Fisioterapia dermatofuncional tem por finalidade atuar na prevenção, promoção e recuperação de distúrbios relacionados à integração de diversos sistemas, como: tegumentar, endócrino, linfático, sanguíneo, neurológico, gástrico e osteomioarticular. • • • • 1. Métodos e técnicas de avaliação facial Anatomofisiologia do Sistema Tegumentar A cútis, também conhecida como pele, é o maior órgão do corpo humano, representando cerca de 15% a 20% de todo o peso corporal. A pele é a capa protetora do organismo, promovendo a proteção física por meio do manto hidrolipídico, impedindo a entrada de agentes agressores. Ela também é a proteção química, exercida pelo pH, que afasta os microrganismos. Por mais que uma pele pareça viçosa, o que temos na superfície são células mortas. Elas morrem porque todo seu espaço interno foi preenchido por uma proteína impermeável, a queratina. Graças a ela, a água, que compõe 70% do nosso organismo, não é perdida. Perdemos cerca de 15 gramas por dia dessas células córneas, sem vida, que logo dão lugar a outras. Em uma visão geral da pele, num único centímetro quadrado, existem: 6 milhões de células; 2 mil melanócitos; 15 glândulas sebáceas; 5 folículos pilosos; 1 metro de vasos sanguíneos; 100 glândulas sudoríparas; 5 metros de nervos; 12 pontos criossensíveis; 2 pontos termossensíveis; 200 pontos algiossensíveis; Alguns germes saprófitos. O nosso sistema tegumentar tem funções muito importantes para os seres humanos, pois ele intermedia informações do meio externo e interno. É composto pela pele e os anexos cutâneos. A cútis divide-se em três camadas: a epiderme, a derme e a hipoderme, considerada por alguns autores também como tela subcutânea. Os anexos cutâneos são: Glândulas sebâceas. • • • • • • • • • • • Pelos. Unhas. Glândulas sudoriparas. Reeptores sensoriais. Essas estruturas mantêm a homeostasia do organismo por meio da interação das informações e reações desencadeadas pela intermediação e interpretação de estímulos advindos dos meios interno e externo.Graças à estrutura da pele, ela pode realizar funções variadas, como: Barreira física e química; Sintetização de vitamina D; Absorção de substâncias; Excreção de 3% das toxinas; 1. 2. 3. 4. Controle hídrico e de temperatura; Sensações táteis, térmicas e dolorosas; Embelezamento e estética. Entre as funções estéticas e sensoriais, podemos considerar a aparência, o toque, a maciez, a exalação de odores, a coloração e a sensibilidade da pele, responsáveis pela atração física e social do indivíduo. A aceitação instintiva das características de sua pele é dependente dos demais componentes do grupo social. Além da aparência externa, ela é importante para a saúde psicossocial. Epiderme A epiderme é a camada mais superficial da pele, formada por tecido epitelial estratificado pavimentoso. Composta em sua maior parte pelos queratinócitos, contudo, também apresenta outras células, como os melanócitos, células de Merkel e células de Langerhans. A espessura da epiderme varia de acordo com a região, tendo 0,03mm nas pálpebras e 1,5mm nas plantas dos pés. É composta de cinco camadas, também denominadas de estratos. A primeira está totalmente aderida à lâmina basal; depois temos a camada de intercessão entre epiderme e derme, que é o estrato basal ou germinativo; e, após ela, vêm as camadas espinhosa, granulosa, lúcida e córnea. O estrato lúcido é uma camada composta de células claras, e por este motivo recebe o nome de camada clara ou lúcida, sendo encontrada apenas nas palmas das mãos e plantas dos pés. A epiderme é avascularizada, ou seja, não possui vasos sanguíneos. Seus nutrientes e oxigênio chegam por difusão, a partir dos vasos sanguíneos presentes na camada papilar da derme. O queratinócito é uma célula que tem alto potencial germinativo, e também produz uma proteína fibrosa chamada de queratina. Os melanócitos são responsáveis por produzir a melanina, pigmento responsável por dar coloração à pele e pelos. As células de Merkel são receptores sensoriais especializados na captação de informações táteis. Já as células de Langerhans apresentam origem imunológica, responsáveis pela defesa e identificação de agentes agressores. Derme A derme é composta por tecido conjuntivo. É uma camada intermediária da pele, sendo a mais espessa. Sobre ela, está repousando a nossa epiderme. É composta por fibroblastos, células ativas que produzem a maior parte dos componentes da derme, como as fibras colágenas e elásticas, bem como o ácido hialurônico e as glicoproteínas que formam a substância fundamental amorfa. Esta camada da pele possui espessura variada de acordo com a região, podendo alcançar no máximo 4mm, e está subdividida em duas camadas: Papilar É a camada mais superficial e em contato direto com a epiderme. É composta de tecido conjuntivo frouxo. Reticular É a camada mais profunda e resistente da derme. É composta de tecido conjuntivo denso não modelado. Possui mais fibras colágenas, o que lhe dá maior resistência e firmeza. Hipoderme 5. 6. 7. Formada por tecido celular subcutâneo. É rica em tecido adiposo, que representa a reserva calórica para o organismo. Possui também um extenso plexo venoso, com grandes quantidades de sangue, capaz de aquecer a superfície da pele, ricamente servido por nervos. O tecido adiposo está envolvido na regulação de temperatura e termoisolamento, provisão de energia, proteção e suporte, funcionando também como depósito nutricional. Biotipo cutâneo, pH da pele e manto hidrolipídico Biotipo cutâneo A pele interage com o meio ambiente ao seu redor, constituindo-se de formas distintas, podendo ser classificada referente à quantidade de oleosidade (sebo) sobre a pele e ao teor de hidratação segundo esses especificações: Pelo oleosa Oleosidade localizada em toda face. Pele Mista Oleosidade presente apenas na zona “T” (testa, nariz e queixo). Pele seca Oleosidade e hidratação ausentes. Pele normal Oleosidade e hidratação equilibrados. Manto hidrolipídico No estrato córneo, as células chamadas de córneas são aplanadas e anucleadas, constituídas em quase sua totalidade de queratina, uma proteína fibrosa e resistente. A associação destas células do estrato córneo e as substâncias umectantes produzidas pelas glândulas sudoríparas e sebáceas formam uma estrutura conhecida como manto hidrolipídico. Esta estrutura forma uma película resistente que faza proteção física da pele, impedindo que agentes agressores penetrem nela. O manto hidrolipídico tem também como função manter o teor hídrico da pele, pois impede a perda de água para o meio ambiente, dificultando que ela evapore na superfície cutânea. Por conseguinte, também recebe a denominação de Fator de Hidratação Natural (FHN), porque apresenta notável importância para a manutenção da hidratação cutânea. O tipo de pele vai depender do equilíbrio de gordura e água que estão nesta camada. Pele oleosa A pele lipídica tem um manto hidrolipídico desequilibrado, em que encontramos muita gordura, sendo mais grossa. As glândulas sebáceas na camada da derme têm excesso de atividade (gordura em excesso), o que pode causar acnes. Tendem a ter menos rugas. Devido às alterações hormonais, muitos adolescentes têm este tipo de pele. É também típico dos homens, por terem pele mais resistente. Pele mista Conhecida também como "pele combinada", apresenta áreas secas, oleosas e normais. A área mais oleosa na pele mista localiza-se na chamada zona T, que compreende testa, nariz e queixo. Pele seca A pele alípica também tem um manto hidrolipídico desequilibrado, no qual segrega pouca gordura. É uma pele sensível, possuindo uma epiderme mais fina, poros invisíveis e é mais propensa a rugas. Pele normal A pele eudérmica tem um manto hidrolipídico equilibrado, não sofre de excesso de gordura, é macia e aveludada. Potencial de hidrogênio As secreções sebáceas e sudoríparas devem permanecer sempre em equilíbrio. Quando há um desequilíbrio do pH, a pele poderá se tornar alcalina demais (excesso de sebo) ou ácida demais (excesso de secreção sudorípara). O pH neutro é igual a 7, porém o pH da pele nunca permanece no grau 7, geralmente oscilando entre 6,6 e 7,2. A pele normal deve tender ligeiramente para o ácido. Escala do pH. Fototipo cutâneo O esquema Fitzpatrick foi criado por um médico norte-americano de mesmo nome e classifica a pele de acordo com a sua cor em seis fototipos cutâneos, que variam de acordo com a quantidade de melanina e com a capacidade que essa pele tem de bronzear quando se expõe ao sol (KEDE; SABATOVICH, 2004). A classificação, segundo Kede e Sabatovich (2004), é feita da seguinte forma: Fototipo I – pele branca, sempre queima, nunca bronzeia. Fototipo II – pele branca, sempre queima, bronzeia muito pouco. Fototipo III – pele morena clara, queima moderadamente, bronzeia moderadamente. Fototipo IV – pele morena moderada, queima pouco, bronzeia sempre. Fototipo V – pele morena escura, queima raramente, sempre bronzeia. Fototipo VI – pele negra, nunca queima, totalmente pigmentada. Avaliação Estética Facial Ficha de anamnese Antes de iniciar qualquer tratamento, é importantíssimo que se realize a avaliação, com o devido preenchimento da anamnese do paciente. É com base nesta ficha de anamnese que serão traçados os objetivos e a proposta de tratamento, verificando as melhores indicações e as possíveis contraindicações. Um detalhe importante é que, sempre que o paciente retornar ao atendimento, deve-se realizar uma reavaliação, confirmando se teve ou não alguma alteração das questões abordadas no processo avaliativo. Na • • • • • • coleta da história do paciente, ele pode se referir a alguma alteração cutânea ao longo de sua vida. Analisam- se condições normais da pele como: Cor; Aparência; Umidade; Textura e integridade; Se teve aparecimento de problemas e quais foram os locais e se o paciente pode associar este aparecimento a algum evento recente, como, por exemplo, uso de cosmético, medicamento, exposição exagerada ao sol, entre outras possíveis causas. A pele poderá ser analisada por inspeção, ou seja, por observação direta sem equipamentos, somente associada a uma boa iluminação ambiente. A palpação também é usada na obtenção de dados sobre alguns tipos de lesões, principalmente nas que modificam o relevo e a espessura da pele. Pode-se identificar inúmeros distúrbios cutâneos por este simples exame. Porém, pode-se confirmar estas suspeitas com o uso de certos equipamentos que auxiliam neste processo diagnóstico. Lupa É uma lente de aumento, que pode ou não possuir fonte luminosa. Possibilita a ampliação e melhor percepção de detalhes no exame físico. Dermatoscópio É um instrumento que permite melhor diagnóstico das lesões, principalmente as pigmentares, pois seu sistema óptico, incorporado a uma fonte de luz, funciona como uma lente de aumento da imagem de, no mínimo, até dez vezes. Lâmpada de Wood É a lâmpada que emite onda de longa radiação ultravioleta. Quando a luz ultravioleta é emitida, ocorre uma fluorescência visível. Pode ser utilizada para analisar distúrbios de pigmentação, oleosidade, hidratação e em manchas de pele. As cores podem auxiliar no diagnóstico: Azul – pontos normais e saudáveis; Branco – camada grossa de células epidermais mortas; Roxo fluorescente – desidratação; Marrom - pigmentação; Laranja – oleosidade e Amarelo claro/laranja claro – acne ou comedões. Distúrbios da pele Dentre as alterações cutâneas, algumas levam um certo tempo para se desenvolverem, com exceção da acne vulgar, que costuma acometer adolescentes. As alterações de pele mais comuns são: 1. 2. 3. 4. 5. Desidratação É a falta de teor de hidratação (água e umectação) nas diversas camadas da pele. A pele desidratada tem aparência seca, escamosa e descamativa. Esta condição é de difícil diagnóstico e facilmente confundida com a falta de oleosidade. Poderá afetar qualquer biotipo cutâneo, porém os fatores desencadeantes são: genética, aspectos ambientais, estresse, idade, fatores hormonais, doenças de pele, entre outros. Couperouse É uma vermelhidão temporária ou crônica da pele, aparecendo na face alguns vasos sanguíneos vermelhos e dilatados, localizados comumente ao redor do nariz e do queixo. Apresenta caráter genético; entretanto, é agravada por fatores atmosféricos (calor e frio), transtornos nervosos, ingestão de bebida alcóolica ou muito quente. Hipersensibilidade É uma condição que tem forte influência genética, caracterizada por uma pele facilmente irritada, com aparência fina, inconstante e hiperêmica. Tal estrutura cutânea necessita de cuidados especiais com produtos suaves e não alergênicos. Mancha da pele É o desequilíbrio na produção e/ou distribuição da melanina, que pode ser para aumento, causando manchas mais escuras (hipercromias), ou para redução ou ausência total de melanina, com manchas mais claras ou sem coloração (hipocromias e acromias). Envelhecimento É um processo pelo qual toda a pele sofre com o passar dos anos, cujo declínio de suas funções surge a partir dos 30 anos de idade, com perda progressiva das propriedades viscoelásticas e manutenção do teor hídrico, e consequente aparecimento de linhas e rugas de expressão, segundo Harris (2009). Ocorre perda de espessura da epiderme, devido ao achatamento das papilas dermais. Acne vulgar É uma doença cutânea multifatorial bastante comum, na qual os óstios da glândula sebácea se tornam obstruídos, acarretando a formação de comedões (cravos) e pústulas (espinhas). A acne tende a afetar os adolescentes devido à interação dos hormônios, oleosidade cutânea e bactérias da superfície da pele e pelos. Rosácea É uma condição inflamatória da pele de longa duração que ocorre na face. Sua causa ainda é desconhecida, porém apresenta-se com vasos que se dilatam com muita facilidade, tornando a pele avermelhada e ruborizada, associada a processos inflamatórios que se manifestam na forma de pápulas e pústulas (espinhas). Essas alterações se desenvolvem por reações variadas, incluindo: baixa quantidade de água, excesso na produção de células córneas, metabolismo precário, desequilíbrio da produção de melanina, exposição excessiva ao sol e agressão do meio ambiente. Avaliação para a estética facial Neste vídeo, são explanados os pontos principais sobre avaliação em estética facial, no contexto da atuação fisioterapêutica nos distúrbios de pele da face. Conteúdo interativoAcesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Manto hidrolipídico Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Principais distúrbios da pele Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Na análise de um fragmento de pele, foi observada a presença de tecido epitelial. A qual camada pertence esse fragmento? A Derme B Papilar C Hipoderme D Reticular E Epiderme A alternativa E está correta. A epiderme é a camada mais superficial da pele, constituída de tecido epitelial pavimentoso estratificado. Questão 2 Distinguir os diferentes tipos de pele (desde seca a oleosa) envolve os valores do pH juntamente com as características do manto hidrolipídico. Sabe-se que uma pele alcalina demais apresentará excesso de sebo, enquanto uma pele ácida demais apresentará excesso de secreção sudorípara. O desequilíbrio do manto hidrolipídico culmina em desequilíbrio do pH. A partir dessas informações, assinale a alternativa que corresponde a uma pele lipídica: A Manto hidrolipídico equilibrado e pH neutro. B Manto hidrolipídico e pH reduzidos. C Manto hidrolipídico equilibrado e pH levemente ácido. D Manto hidrolipídico aumentado e pH reduzido. E Manto hidrolipídico e pH aumentados. A alternativa E está correta. Quando uma pele é lipídica (oleosa), o manto hidrolipídico está acentuado, ou seja, a pele tem mais gordura, e o pH está alcalino, isto é, aumentado. 2. Métodos e técnicas de avaliação corporal Anatomofisiologia da hipoderme e do tecido muscular esquelético Hipoderme É a camada mais intrínseca da pele, composta de tecido celular subcutâneo. É rica em tecido adiposo, que representa a reserva calórica para o organismo. Possui também um extenso plexo venoso, com grandes quantidades de sangue, capaz de aquecer a superfície da pele. Os adipócitos têm origem nos lipoblastos, podendo apresentar-se em grupos ou isolados, e têm núcleo periférico, permitindo que a maior parte do citoplasma seja utilizado como reservatório de gordura na forma de triglicerídeos. Os adipócitos são provenientes de células mesenquimatosas pluripotentes, que podem se diferenciar em: Adipócito (tecido gorduroso); Condrócito (tecido conectivo), Osteoblastos (tecido ósseo); Miócitos (tecido muscular). Nascemos com um número determinado de adipócitos, porém, eles não são amadurecidos; o amadurecimento acontece somente quando há necessidade de iniciar o processo de armazenamento de triglicerídeos. Os adipócitos maduros são células que compõem a hipoderme, responsáveis pelo armazenamento de gordura no corpo humano até atingir dez vezes o seu tamanho de origem. Quando é ultrapassado esse limite de armazenamento, um novo adipócito maduro é formado (diferenciação adipocitária). No adipócito, há presença em sua membrana citoplasmática de receptores alfa adrenérgicos e beta adrenérgicos. Os receptores alfa adrenérgicos inibem a lipólise. Já o beta adrenérgico estimula a lipólise. Tecido muscular esquelético O tecido muscular é um tecido que tem como origem o mesênquima embrionário, caracterizado pela presença de células alongadas, chamadas de fibras musculares ou miócitos, que são ricos em fibras proteicas que lhes conferem a capacidade de contração. Portanto, o tecido muscular é responsável pelos movimentos que ocorrem no organismo. Existem três classes de tecido muscular e tal caraterização baseia-se na presença de estriações transversais nas células musculares. São denominadas como: • • • • Tecido muscular liso ou não estriado. Tecido muscular estriado cardiáco. Tecido muscular estriado esquelético. O nosso sistema muscular é composto por um conjunto de músculos, correspondendo a 50% do peso corporal. A contração destes músculos é responsável pela movimentação das peças do esqueleto, por isso este tecido é chamado de muscular estriado esquelético. O sistema muscular tem como principais funções: Movimentação do corpo; Estabilidade das posições corporais; Realização de movimentos respiratórios; Produção de calor, pois quando um músculo esquelético se contrai para realizar um trabalho produz calor; • • • • Movimentação do bolo alimentar devido ao peristaltismo; Movimentação do fluxo sanguíneo. Um músculo esquelético estriado de contração voluntária apresenta como unidade estrutural a fibra muscular. As fibras musculares estão organizadas em feixes, que estão envolvidos por tecido conjuntivo. Essas fibras são constituídas por uma membrana (sarcolema) e um citoplasma (sarcoplasma), que contém várias miofibrilas. As proteínas miosina, actina, tropomiosina e troponina são os principais componentes das miofibrilas. Essas proteínas são responsáveis pela capacidade de contração e distensão dos músculos esqueléticos. Um dos principais fatores determinantes da bioquímica muscular é exatamente a composição desses tipos de fibras, que possuem características fisiológicas e bioquímicas distintas, podendo ser caracterizadas como: Fásicas São as fibras de agilidade. Tônicas São as fibras de resistência. Intermediárias São as fibras com características entre as fásicas e tônicas. Foi comprovado que as primeiras fibras a serem recrutadas para executar o movimento são as fibras tônicas, e as fibras fásicas só se ativam se for necessária força suplementar. As unidades motoras fásicas podem ser ativadas antes das unidades motoras tônicas, em movimentos rápidos. Cada músculo humano contém uma mistura dos três tipos de fibras musculares. Os dois mecanismos que determinam a proporção de tipos de fibras no músculo são a hereditariedade e o uso (GUYTON; HALL, 1996). Biotipo corporal e estruturas corporais Anamnese A anamnese é uma palavra que vem do grego, cujo significado é recordar. Constitui uma série de perguntas que são feitas ao paciente no primeiro momento, sendo as respostas registradas em ficha de avaliação. A anamnese levanta o histórico do paciente: dados cadastrais, hábitos de vida, histórico de possíveis doenças, episódios orgânicos e dados clínicos. Sua finalidade é servir de ponto de partida para concluir se o tratamento compete ao fisioterapeuta ou se são necessários avaliação e tratamento médico. Em caso de dúvida, o paciente deverá ser encaminhado para o médico competente, para depois retornar aos cuidados do profissional de Fisioterapia. Inclui-se também como objetivo analisar se o paciente apresenta alguma contraindicação para os recursos utilizados no tratamento. Caso ele tenha algum impedimento a um recurso necessário, o profissional deverá solicitar ao paciente uma autorização do médico, por escrito, que deverá ser anexada à sua ficha de anamnese. Biotipo corporal • • Uso do adipômetro para medir dobras cutâneas. Este termo foi criado para definir o modelo corporal, ou seja, forma corporal, parâmetros morfológicos relacionados à estatura e diâmetro corporal. Eles estão diretamente relacionados com a constituição óssea, metabolismo, massa muscular e quantidade de gordura. Os parâmetros demonstrados pelos biotipos corporais nos auxiliam a direcionar as prioridades dos tratamentos, bem como seus resultados. Assim sendo, a partir dessas características, é possível classificar o biotipo corporal em: Ectomorfo Corresponde a pessoas mais magras, com baixo percentual de gordura, podendo possuir um metabolismo mais acelerado, caracterizando-se por estruturas físicas mais alongadas, com membros mais finos e mais longos, cintura e quadris estreitos, não tendo tendência a engordar. Mesomorfo Corresponde a um padrão corporal com porte atlético e definido, desenvolvendo mais músculos que outros biotipos corporais, caracterizando-se por ombros mais largos e uma melhor distribuição muscular. São indivíduos que demonstram uma facilidade de ganho de massa magra, isto é, massa muscular, o que facilita perda de peso mais rápida, com menor índice de gordura corporal.Desta forma, é considerado o melhor biotipo corporal. Endomorfo Corresponde a pessoas de baixa estatura, possuindo um corpo com formato mais arredondado e largo, apresentando maior percentual de gordura, principalmente na região abdominal. São pessoas com membros curtos e maior dificuldade de perder peso. Exame físico Após a anamnese, o profissional inicia o exame físico do paciente, no qual realiza análise corporal, composta por adipometria, biometria e pesagem. A técnica da adipometria baseia-se na mensuração da espessura da prega cutânea, que deverá ser destacada por pinçamento com os dedos indicador e polegar, realizado em pontos padronizados, como bíceps, tríceps, abdome e femoral. Após a realização da prega, utiliza-se um aparelho chamado de adipômetro, com a aparência de uma pinça, que tem medidas marcadas em milímetros, realizando a leitura dos ponteiros para mensuração das pregas A biometria é o ramo que estuda a mensuração dos seres humanos. Para que essas medidas sejam realizadas adequadamente, é necessário medir o paciente sempre na mesma posição (em pé, com pés afastados e paralelos na distância do quadril), utilizando uma fita biométrica. É importante que sempre seja utilizada a mesma fita, pois existem diferenças entre uma fita e outra. Para realização da biometria, é necessário ter um referencial de medida para que todas elas sejam feitas da mesma maneira. Em estética corporal, tomamos como referência o chão: a fita é colocada na altura do chão e, em seguida, é esticada até o ponto final de onde se quer medir. Nestes pontos, marca-se com uma caneta dermográfica o corpo do paciente. Em seguida, passa-se a fita transversalmente sobre o ponto marcado, obtendo a medida do diâmetro. Não se pode esquecer de marcar na ficha o referencial utilizado. Balança de bioimpedância corporal. A pesagem corporal é o termo coloquial utilizado para medir o peso ou a massa corporal de um organismo. O peso é composto por massa magra ou massa muscular, massa gorda ou massa gordurosa, água, proteínas, minerais e lipídios. Para medir o peso, é utilizada uma balança comum, que dará apenas o peso absoluto. Já uma balança de bioimpedância disponibiliza mais informações sobre a composição corporal dentro daquele peso em: massa livre de gordura ou massa magra, que inclui músculos, ossos e pele; e a massa gorda, que é o total subtraído do valor da massa magra. Esses valores são conseguidos com o exame de bioimpedância, em que uma pequena corrente elétrica percorre os tecidos, e será medida a impedância (oposição à passagem da corrente elétrica ao longo dos tecidos do corpo). A partir deste princípio, é possível determinar a quantidade de água corporal e os tecidos que contêm mais água e íons na sua composição, como músculos e sangue. O tecido adiposo não contém água, tendo maior impedância, e podendo ser diferenciado. Avaliação estética corporal Antes de qualquer tratamento, é primordial a realização de uma avaliação composta de histórico do paciente, inspeção, palpação, exame físico e classificação do biotipo corporal. Tudo isso acrescido de análise postural, avaliação e diferenciação dos aspectos inestéticos corporais. Análise postural O arranjo e a organização das partes corporais são denominados de postura, em que o equilíbrio muscular e esquelético é responsável por uma boa postura e eficiência da ação muscular. Entretanto, uma postura incorreta entre as peças componentes do corpo provoca um equilíbrio menos eficiente, caracterizando uma má postura, cuja continuidade poderá causar alterações biomecânicas relacionadas a ela, principalmente sobre as principais articulações. Quando as alterações biomecânicas ocorrem na coluna, podemos encontrar escolioses, hiperlordoses e hipercifoses; nos joelhos, encontramos as rotações internas ou externas; nos pés, observamos os pés planos, cavos, entre outros. Esses dados dão parâmetros em relação aos resultados, pois existem gorduras localizadas e flacidez que se desenvolvem em função da postura corporal do indivíduo. Assim sendo, poderemos analisar até que ponto o tratamento estético terá o resultado esperado. Análise e diferenciação dos aspectos inestéticos Geralmente, por meio de inspeção, palpação e exames físicos detalhados, é possível realizar a diferenciação dos aspectos inestéticos corporais: Estrias Refere-se a uma atrofia tegumentar adquirida que surge quando as fibras colágenas e elásticas da derme se rompem e formam cicatrizes. As estrias ocorrem em maior proporção nas mulheres, apesar de poderem acometer ambos os sexos. As causas ainda não foram muito bem elucidadas, existindo teorias como: teoria mecânica (tração mecânica), teoria bioquímica (substâncias bioquímicas liberadas no processo inflamatório), predisposição genética, doenças ou estados fisiológicos associados. As estrias podem ser avermelhadas, na fase inicial do processo inflamatório; arroxeadas, na fase intermediária, ocorrendo a angiogênese; e, na fase final, completamente esbranquiçadas, se impregnada por tecido fibroso. Podem ocorrer após período gestacional no abdômen, nas costas e joelhos; devido ao estirão do crescimento, em adolescentes, na região dos glúteos e quadris; e por causa do desenvolvimento corporal feminino na puberdade. Flacidez Dérmica e Muscular Refere-se ao estado mobilizado, frouxo, lânguido do tecido. É a hipotrofia da pele e/ou muscular, levando a uma redução da funcionalidade e prática motora. Quando atinge a pele, é chamada de flacidez dérmica, pois o déficit de substâncias está localizado na derme. Já quando ocorre no músculo é denominada de hipotonia muscular, ou seja, redução do estado de semicontração a que um músculo permanece, mesmo quando em repouso. O sedentarismo e a falta de atividade muscular são considerados os fatores mais frequentes para o surgimento da hipotonia muscular, além do processo de envelhecimento fisiológico. Já a flacidez dérmica é causada por envelhecimento, gravidez e perda de peso brusca, quando a pele ultrapassa sua capacidade viscoelástica e não consegue retornar ao seu estado de origem, apresentando excesso. Lipodistrofia Localizada Refere-se ao aumento da deposição de adipócitos nas diferentes regiões do corpo humano, por motivos sociais, ambientais, emocionais, hormonais, genéticos, entre outros. A gordura total e o acúmulo regional dependem do número e volume dos adipócitos (as células gordurosas são maiores na região femoral do que na região abdominal). Na mulher, a deposição de gordura é, principalmente, a nível glúteo e femoral. Os hormônios sexuais estimulam a deposição de gordura em quadril e coxas, e protegem contra o acúmulo de adiposidade na região abdominal. Esta localização de gordura recebe o nome de ginoide, e é uma característica feminina. Essa proteção não ocorre na menopausa. No homem, a deposição da gordura é principalmente na região abdominal. Esta gordura localizada chama-se androide ou troncular. No jovem, o hormônio sexual masculino (testosterona) é produzido em maior quantidade, protegendo-o contra este acúmulo de gordura abdominal. Fibroedema Geloide (FEG) Refere-se ao fibroedema geloide, que é conhecido vulgarmente por “celulite”, termo inadequado para descrever esta alteração, pois não há processo inflamatório, conforme o termo pressupõe. A hidrolipodistrofia ginoide, outro termo que caracteriza este distúrbio estético, caracteriza-se por acometimento do panículo adiposo, com alteração circulatória e consequente interferência na funcionalidade e estrutura da substância fundamental amorfa e fibras colágenas. Esta paniculose inicia-se por estase venosa, com infiltração edematosa do tecido conjuntivo subcutâneo, acompanhado da polimerização da substância fundamental amorfa, associada à fibroplasia e queratose folicular, demonstrando-se na superfície cutânea, com aspecto de “casca de laranja”. Com o acúmulo de toxinas locais devido à estase venosa, há aumento da esclerose das traves conjuntivas que envolvem a hipoderme, iniciando o aparecimento de nódulos fibróticos facilmente palpáveis.Avaliação para a estética corporal Neste vídeo, são explanados os pontos principais sobre avaliação em estética corporal, no contexto da atuação fisioterapêutica nos distúrbios de pele do corpo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Biotipos corporais Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A bioimpedância corporal Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 A paciente A.M.L., sexo feminino, 43 anos, divorciada, com um filho, farmacêutica, não realiza atividades físicas, sendo completamente sedentária. Declarou tomar medicação para reposição hormonal devido à retirada de ovários e para hipertensão arterial. Procurou serviços estéticos com a queixa de barriga grande e flácida. Em avaliação, apresenta na inspeção aparência protuberante do abdome, pele lisa e hidratada, acúmulo de adiposidade na região infra umbilical, cuja textura na palpação foi de uma gordura flácida. Qual distúrbio inestético esta paciente apresenta? A Lipodistrofia Localizada B Fibroedema Geloide C Flacidez Dérmica D Flacidez Muscular E Obesidade A alternativa A está correta. Trata-se de uma lipodistrofia localizada, um acúmulo regional de gordura que tem como causa primordial a hereditariedade, mas também pode ocorrer por problemas hormonais. Questão 2 Nosso corpo substitui bilhões de células diariamente. No entanto, a elastina e o colágeno são de difíceis substituições. Com isso, a pele não retorna naturalmente ao normal após ser esticada ou lesionada em excesso. Caracterizam-se por rompimentos das fibras colágenas e elásticas da derme: A Hipotonia Muscular e Hipotonia Tissular B Flacidez Muscular C Estrias e Obesidade D Estrias E Obesidade e Celulite A alternativa D está correta. O distúrbio inestético que apresenta rompimento das fibras colágenas e elásticas da derme é a estria. 3. Abordagem fisioterapêutica nas principais disfunções estéticas faciais Limpeza de pele, controle de oleosidade e tratamento de acne Limpeza profunda da pele A limpeza de pele é início básico de qualquer tratamento estético facial. Com objetivo da higienização profunda da pele, é caracterizada por retirada do sebo contaminado dos comedões abertos e fechados. Liberando poros e óstios, facilita-se a permeação transanexal. A frequência da limpeza de pele depende do biotipo cutâneo. Para a pele combinada e lipídica, indica-se realizar-se todos os meses. A pele eudérmica pode ser feita de três em três meses. Já para a pele alípica, indica-se também o mesmo intervalo ou até um espaço de tempo maior. Ela é realizada pelos seguintes processos: Higienizar Utilizar o sabonete, realizando assim a saponificação, uma limpeza superficial da pele. Aplica-se o sabonete com as polpas digitais, em movimentos circulares, retirando com algodão umedecido. Tonificar Retirar os últimos vestígios de impurezas da pele, pois ao tonificar complementa-se a limpeza. Fazer a anamnese Analisar a pele, preencher a ficha de anamnese. Utilizar lupa, luva, máscara e luz apropriada para a avaliação. Esfoliar Realizar uma descamação superficial da pele, utilizando um gel ou creme associado a uma sílica. Mais exatamente da camada córnea ou manto hidrolipídico, apresentando dano limitado à epiderme. Desincrustar Provocar processo de eletrólise dos ácidos graxos, facilitando a retirada de gordura da pele através da técnica que usa a corrente contínua. Pode ser associado a substâncias tensoativas, quebrando as moléculas de gordura, cujo objetivo é emulsionar a gordura da pele, transformando em sabão, sendo facilmente removível com água. Emoliente Aplicar na face o creme amolecedor de comedões ou umedecer algodões com loção emoliente. Vaporizador Utilizar a técnica que faz uso do princípio do calor por meio do vapor quente; o vapor, em contato com a cútis, provoca emoliência da superfície cutânea, facilitando a extração de comedões abertos e fechados, devido à elevação da temperatura local e à vasodilatação dos óstios. O conjunto desses efeitos facilita extrações de millium e, principalmente, de comedões. Extrações Proceder à retirada do creme amolecedor de comedões ou dos algodões embebidos em loção amolecedora. O profissional, com dois chumaços de algodão umedecidos com água e envolvidos nos dedos indicadores, trabalhará para a retirada do comedão, exercendo sempre leve pressão para que o local não fique traumatizado. Não exceder 15 minutos no procedimento de extração, pois poderá sensibilizar demais a pele, causando alguma lesão. Loção calmante Acalmar a pele. Deve-se utilizar uma loção calmante e antisséptica em toda área na qual foi realizada a extração. Alta Frequência Aplica-se a alta frequência por 2 a 5 minutos no tratamento de limpeza de pele. Deve-se levar em conta a sensibilidade do paciente e a intensidade da aplicação. Máscara Aplicar a máscara apropriada ao tipo de pele do paciente. Deixar agir por 15 minutos. Protetor solar Aplicar o protetor solar adequado para o biotipo cutâneo e fototipo cutâneo. Procedimento de controle de oleosidade e tratamento de acne A patologia acne pode ser tratada em cabines de estética. Os procedimentos atuais incluem um tratamento minucioso do profissional e, principalmente, a assiduidade do paciente. Na realização, devemos ser rigorosos quanto ao uso de todas as técnicas de biossegurança e de tratamento da acne para eliminação da comedogênese e da acnegênese. Para tratar a acne, deve-se extrair comedões, fazer rupturas de pústulas e cauterizá-las. No esquema terapêutico do profissional de estética para o tratamento da acne, o objetivo primordial é tratar as lesões presentes, focando na prevenção contra a inflamação. Ao focar na extração de comedões, previnem-se as lesões acneicas inflamatórias e obtém-se sucesso no tratamento sem recorrer ao uso de medicamentos. Por isso, deve-se realizar a extração de comedões fechados e abertos a fim de prevenir o processo inflamatório. Lembre-se de que o comedão já é um tipo de acne não inflamatória. A frequência do tratamento de pele acneica é de, inicialmente, uma ou duas sessões por semana, e depois uma vez ao mês, para prevenir a inflamação, com os seguintes procedimentos: higienização; emoliência; extração das lesões mais inflamadas; aplicação de loção calmante; cauterizar com alta frequência pápulas e pústulas, e faiscamento no restante da pele; aplicar máscara calmante, cicatrizante ou controladora da oleosidade; realizar iontoforese com ativos secativos e cicatrizantes; e finalizar com o filtro solar. Tratamento de hidratação e revitalização Devido às trocas com o meio ambiente, a pele perde água por evaporação. O processo de hidratação cutânea é a capacidade não só de as células absorverem água, mas também de sua retenção, no estrato córneo, de forma que a perda de água seja equilibrada. Além de fazer a correta manutenção da água, a hidratação e a revitalização da pele têm a função de equilibrá- la, para que cumpra seu papel como primeira barreira de defesa do organismo contra a invasão de agentes externos. A hidratação natural é um dos mecanismos dessa proteção que age contra a perda de água para o meio ambiente. Se houver falta de óleo ou qualquer material graxo na superfície cutânea, haverá, consequentemente, maior facilidade em perder água, pois o manto hidrolipídico forma uma película protetora que impede a perda de água e a entrada de agentes agressores. Com a perda de água, a pele desidrata, diminuindo sua capacidade de barreira. Portanto, quando a barreira de proteção está equilibrada, reflete-se a boa nutrição, hidratação e revitalização da pele. Existem várias medidas que favorecem a hidratação da pele: ingestão de bastante água, evitar banhos quentes e demorados, evitar uso de sabonetes em excesso, evitar exposição excessiva ao sol e fazer uma boa dieta alimentar, ricaem frutas, verduras e cereais. A hidratação de superfície pode ocorrer de duas formas: Oclusão Utiliza os princípios ativos dos cosméticos que reduzem a evaporação, favorecendo a retenção hídrica no estrato córneo. São substâncias lipídicas e emolientes, que formam película na superfície da pele. Umectação Utiliza produtos cosméticos com propriedades higroscópicas, isto é, captam umidade do ar para utilizá-la na hidratação da pele. Nenhuma das formas de hidratação descritas anteriormente são tidas como hidratação verdadeira, pois não há absorção de água, mas evita-se sua perda para o meio ambiente. A única forma de hidratação ativa conhecida é através das aquaporinas, que são canais de proteínas existentes na pele que fazem o transporte de água através da membrana plasmática. Essa hidratação é chamada de “verdadeira” devido ao mecanismo intracelular de captação e absorção verdadeira de água. A hidratação pode ser um processo contínuo de prevenção do envelhecimento, no qual as condições necessárias para a recuperação de suas propriedades naturais são potencializadas. Veja, a seguir, a ordem dos procedimentos realizados na hidratação e na revitalização: Hidratação Higienização; esfoliação; tonificação; massagem facial ou drenagem linfática manual; tonificação; máscara hidratante; iontoforese ou eletroporação com ativos hidratantes e por último, filtro solar. Revitalização Higienização; esfoliação; tonificação; massagem facial com creme, revitalização; tonificação; máscara revitalizante ou firmante; iontoforese ou eletroporação com ativos revitalizantes ou radiofrequência ou microcorrente pura, ou galvanopuntura nas linhas e sulcos e por último, filtro solar. Peeling e clareamento de manchas O termo peeling deriva do verbo em inglês “to peel”, que significa descamar, descascar. Trata-se de um procedimento que estimula, por meios químicos, físicos, mecânicos, biológicos, entre outros, a descamação da pele e aceleração do processo de renovação celular, sendo tipos de peelings: Químico; Físico; Biológico; Vegetal; Laser; Luz intensa pulsada. O peeling pode atingir diversas camadas da pele, desde sua camada mais superficial, o estrato córneo da epiderme, até a camada mais profunda, a derme reticular. Este procedimento é muitas vezes utilizado em prol da melhora da superfície cutânea, clareando e revitalizando-a. O objetivo da utilização do peeling é promover uma alteração na pele que acelere o processo de renovação celular da camada mais profunda à superfície, combatendo assim o envelhecimento, rugas, manchas, cicatrizes e flacidez. Atenção O peeling é um dos procedimentos que mais geram dúvidas e insegurança dentre os profissionais fisioterapeutas, pois há riscos de prejudicar ou piorar a pele do paciente, devido a reações ou mal uso. Para realizar esta técnica, é necessário ter conhecimento dos ativos, concentração, pH, técnicas de aplicação, neutralização, integridade e sensibilidade da pele. Ainda, para ser seguro e eficaz, deve-se realizar teste de sensibilidade e orientar o paciente na manutenção do procedimento. Por fim, cabe ao profissional muito estudo e prática. Sendo realizado com eficácia e segurança, o peeling estimula o processo de renovação celular, reduzindo rugas, linhas de expressão, cicatrizes e manchas; facilita a permeabilidade cutânea, pela remoção das células mortas da capa córnea, auxiliando na permeação de cosméticos; aumenta a hidratação; reduz a hiperqueratinização, responsável pela obstrução total ou parcial do folículo, causado pela bactéria, aprisionando a secreção sebácea e provocando o aparecimento de acne; trata a pele lipídica, asfíctica, desvitalizada e envelhecida. Os peelings podem promover a descamação da pele em diferentes níveis, e classificam-se quanto à profundidade em: • • • • • • Peeling muito superficial Atua apenas no estrato córneo. Peeling superficial Atua na epiderme, até próximo do estrato basal ou germinativo, provocando leve descamação. Por ser epidérmico, não apresenta riscos de complicação, causando leve descamação, deixando a pele um pouco vermelha. Também é realizado por esteticistas. Peeling médio Atua na derme papilar, promove uma descamação intensa, necessitando de 7 a 14 dias para recuperação. Só deve ser realizado por médico, ou sob supervisão médica. Peeling profundo Atua na camada da derme reticular, levando à formação de crostas, as quais demoram até 21 dias para cair. São os peelings mais agressivos, necessitando em alguns casos de anestesia para sua realização. Atingem as camadas mais profundas da pele, propiciando melhores resultados; contudo, há maiores chances de complicações. Também só devem ser realizados por médicos ou sob sua supervisão. Mecanismo de ação O peeling utiliza um recurso que pode ser químico, físico ou mecânico, agredindo a pele e alterando a coesão das células, causando seu desprendimento e estimulando o processo de regeneração da pele, promovendo o aparecimento de uma nova superfície cutânea. A epiderme se renova e a derme se recupera com a formação de colágeno, o que deixa esta camada mais resistente e consistente, apresentando uma aparência mais viçosa, brilho e firmeza, ausente de manchas, rugas e linhas de expressão. Para alcançar esses resultados, são utilizados os seguintes principais ácidos cosmecêuticos: Glicólico: age na renovação celular e na redução da espessura da camada córnea; Mandélico: tem ação anti-inflamatória, antisséptica, regeneradora e ceratolítica; Salicílico: ação ceratolítica, antisséptica, bactericida e fungicida; Fítico: age como antioxidante e despigmentante; Kójico: atua como renovador celular e clareador; Ascórbico: tem ação regeneradora. A Fisioterapia na estética facial Neste vídeo, serão explanados os pontos principais sobre a terapêutica em estética facial, no contexto da atuação fisioterapêutica nos distúrbios de pele da face. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. • • • • • • Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Procedimentos de hidratação e revitalização da pele Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Peeling Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Trata-se de um procedimento realizado para controle de oleosidade, geralmente utilizado como uma etapa da limpeza de pele profunda: A Ionização B Hidratação C Desinfecção D Desincrustação E Revitalização A alternativa D está correta. O desincruste é uma técnica geralmente utilizada na limpeza de pele profunda que tem como objetivo controlar a oleosidade, utilizando uma corrente contínua para estimular o processo de eletrólise dos ácidos graxos, facilitando a retirada de gordura da pele. Questão 2 O envelhecimento da pele ocorre de forma lenta e gradual, com aparecimento de rugas e linhas de expressão suavemente. Como estratégia de tratamento e processo contínuo para sua prevenção, a _________ promove condições necessárias para a recuperação e potencialização das propriedades naturais da pele. Assinale a alternativa que completa corretamente o enunciado. A radiação ultravioleta B ionização C desincrustação D hidratação E desinfecção A alternativa D está correta. A hidratação pode ser utilizada como estratégia para um processo contínuo de prevenção do envelhecimento da pele, pois promove condições necessárias para a recuperação e potencialização de suas propriedades naturais. 4. Abordagem fisioterapêutica nas principais disfunções estéticas corporais Desintoxicação metabólica A desintoxicação metabólica é um procedimento de preparação para o corpo receber os demais tratamentos, referindo-se às vias pelas quais o corpo processa e remove do organismo compostos nocivos e indesejáveis. É um procedimento de estética corporal que utiliza a argiloterapia, a fangoterapia e/ou a talassoterapia, recursos cosmetológicos que auxiliamna eliminação de toxinas do organismo, auxiliando também na redução de líquidos intersticiais. Argiloterapia ou geoterapia É o uso de recursos minerais empregados com a finalidade de promover efeitos terapêuticos desde a Antiguidade. Atualmente, utilizam-se as argilas com a finalidade de melhorar a pele em tratamentos estéticos, pois são ricas em minerais como enxofre, selênio, magnésio, silício, ferro, entre outros. A escolha da argila está relacionada com sua cor, e tem finalidades de cicatrizar, absorver, regenerar, revitalizar, descongestionar e ativar o metabolismo. Fangoterapia O fango termal é um produto natural ativo, constituído de forma vulcânica e águas termais, que contém sais minerais e oligoelementos indispensáveis para o metabolismo cutâneo. Oligoelementos são substâncias de origem mineral, presentes no organismo humano, no estado de traços ínfimos e em quantidades muito pequenas. Sua quantidade é inferior a 100mg de peso corporal de um adulto, mas é indispensável ao bom funcionamento do organismo. Os essenciais são aqueles cuja falta no organismo desencadeia problemas para saúde. São eles: Ferro; Iodo; Selênio; Cromo; Cobre; Molibdênio; Zinco; Flúor. Os não essenciais respondem à definição de oligoelementos, mas o risco de carência não está provado. São eles: Cobalto; Estanho; Mangânes; Níquel; Vanádio; Silício. Os oligoelementos apresentam-se em nosso organismo em forma de íons em dois modos: • • • • • • • • • • • • • • Agem interagindo nas reações bioquímicas por meio dos fenômenos de ionização (os íons de carga oposta se agregam mutuamente). Agem como parte de uma estrutura química que lhes confere sua atividade no organismo, como, por exemplo, fazendo parte das vitaminas, hormônios e enzimas. Os oligoelementos também podem ser classificados como catalizadores. Quando aplicados na forma cosmetológica, potencializam o efeito de quaisquer outros ativos presentes em uma formulação para diversos tipos de tratamento. Este produto absorve as toxinas e os detritos, estimulando a circulação sanguínea e linfática, normalmente a umectação natural da pele. A fangoterapia abrange os seguintes procedimentos: Higienização corporal. Esfoliação. Iniciar com a desobstrução dos gânglios linfáticos. 1. 2. Colocar o paciente na manta térmica e aplicar o fango em todo o corpo. Deixar 30 minutos e remover com água. Para finalizar, continar carreando com a drenagem. Talassoterapia A palavra “talasso” é de origem grega e significa “vindo do mar”, ou seja, utiliza a água marinha ou estruturas advindas do mar, como é o caso das algas. Por conseguinte, a definição de talassoterapia é terapia realizada com princípios ativos oriundos do mar, possuindo minerais como: cálcio, enxofre, iodo, magnésio, entre outros, agindo na remineralização da pele. O tratamento por talassoterapia tem por objetivo: controlar edema, acelerar o metabolismo e eliminar toxinas. A talassoterapia abrange os seguintes procedimentos: Preparar a maca com lençol térmico previamente ligado, forrar com plástico. Molhar as bandagens em água quente e depois embebedar nos sais diluídos. Tirar o excesso delíquido antes de colocar no (a) paciente. Enfaixar o (a) paciente em pé. Depois, deite-o(a) sobre a maca forrada. Envolver com o plástico, colocar uma toalha por cima e manta térmica. A temperatura deverá estar em torno de 37º C. Deicar por 25 minutos. Aos 20 minutos, 5 minutos antes do fim, desligar a manta para não haver um choque térmico ao retirar o (a) paciente da maca. Retirar as bandagens. Este tratamento pode ser feito em dias alternados a ser acomplado a outros tratamentos. Tratamento de estrias, flacidez dérmica e hipotonia muscular Estrias Conhecidas como atrofias cutâneas adquiridas, de aspecto linear, seguindo as linhas de força da pele, as estrias são normalmente consideradas pela dermatologia como sequelas irreversíveis. Elas são evidências de que as células de sustentação, formadas por colágeno e elastina, não conseguiram manter-se durante a fase de crescimento ou aumento de peso. Atualmente, os métodos de tratamento podem melhorar a aparência das estrias em 90%, principalmente se em sua fase inicial, com o objetivo de estimular o processo regenerativo da pele. No entanto, é bom lembrar que as estrias não desaparecem totalmente. Para o tratamento, pode-se realizar um dos seguintes procedimentos: Procedimento 1 Higienizar; esfoliar; aplicar gel peeling 10%, deixar agir por 10 minutos e remover com água; passar solução dessensibilizante e massagear o local com melange de vitamina C ou fatores de crescimento. Procedimento 2 Higienize com sabonete líquido de erva doce; esfoliar com peeling de laranja e mel; aplicar ventosaterapia, com o eletrodo de vidro ponteira (usado para extração de comedões) de forma linear, acompanhando a estria, por 10 minutos; galvanopuntura, método de punturação em toda a estria por 10 minutos; massagear com sérum de fatores de crescimento e finalizar com complexo vitamina C. É importante observar que os cosméticos utilizados no procedimento de tratamento das estrias são na maioria das vezes regeneradores, como é o caso da vitamina C e dos fatores de crescimento. Flacidez dérmica É um processo natural da pele, decorrente do processo de envelhecimento fisiológico ao longo dos anos. Este distúrbio é caracterizado por redução da produção e qualidade das fibras colágenas e elásticas. O processo de flacidez e envelhecimento pode ser potencializado por diversos fatores, entre eles: Excesso de exposição solar; Gestações repetidas; Perda de peso brusca; Efeito sanfona. O tratamento tem por objetivo estimular o aumento da produção e da qualidade das fibras colágenas e elásticas, promovendo uma melhora da firmeza da pele. Poderão ser utilizados recursos eletrotermofototerápicos que estimulem diretamente o fibroblasto a aumentar a colagênese e elastogênese. Como exemplo, podemos citar: Radiofrequência. • • • • Luz intensa pulsada. Laser. Microcorrente. Além destes recursos, ainda temos cosméticos com ativos que irão auxiliar na firmeza da pele, como Q10, dmae, raffermine, tensine, entre outros. Estes princípios ativos cosméticos poderão vir na forma de creme de massagem, cremes hidratantes, soluções ionizáveis, melange e sérum. Esses são os passos para realizar o procedimento: Higienizar. Esfoliar. Realizar radiofrequência, luz intensa pulsada, laser ou microcorrente por aproximadamente 20 minuts; (esse procedimenti oode ser trocado por ionização com substância firmante ou regeneradora). Finalizar passando sérum de dmar ou raffermine. É importante observar que, caso essa flacidez dérmica seja em grande extensão, nenhum procedimento estético resolverá, sendo indicado procedimento cirúrgico de dermolipectomia (retirada de excesso de pele). Hipotonia muscular É definida como o enfraquecimento das fibras musculares, ou seja, falta de tônus muscular. Tônus é um estado de contração em que um músculo permanece, mesmo em estado de repouso. A hipotonia acarreta um estado de falta de firmeza, perda de força e vigor, bem como diminuição da capacidade de realizar movimentos. Por isso, para tratar a hipotonia muscular, a prática de exercícios físicos é fundamental. Contudo, nem todas as pessoas se adaptam ou têm tempo de realizar uma atividade física, apesar de esse problema não tratar apenas de um fator estético, mas também de um fator primordial de manutenção da saúde. Na eletroterapia, temos dois recursos que estimulam os músculos como se estivessem realizando uma atividade física. São eles a corrente russa e a corrente Aussie (ou australiana). Ambas estimulam a contração muscular, podendo ainda escolher o tipo de contração que deve ser realizada (isotônica ou isométrica), e também a fibra muscular que será estimulada e trabalhada (tônicas, fásicas e intermediárias). É importante observar que o tempo de uso depende da quantidade de músculos e fibras que se pretende trabalhar, lembrando que, se opaciente não estiver acostumado a realizar atividade física, não deverá exceder 30 minutos de uso da corrente, pois poderá causar fadiga muscular. Já se o paciente for praticante de atividade física diária ou de algum esporte, o estímulo da corrente poderá ser utilizado por até 40 ou 50 minutos, sempre observando a resposta dos músculos. O procedimento segue esses passos: Higienizar. Esfoliar. Colocação de gel nos eletrodos e posicionamento destes nos pontos motores dos músculos que serão trabalhados. Programar e executar a corrente em questão, podendo ser a corrente russa ou Aussie. Ao terminar o tempo de aplicação, desligar o aparelho e retirar os eletrodos. Pode ser associada uma massagem para evitar a fadiga muscular, finalizando o procedimento. Tratamento de lipodistrofia localizada e fibroedema geloide Lipodistrofia localizada A lipodistrofia localizada é o excesso de tecido adiposo em determinada região do corpo, sendo uma alteração na distribuição da gordura corporal que se acumula em maior quantidade em áreas específicas, podendo trazer riscos à saúde. De acordo com Agne (2009), este acúmulo é determinado geralmente por herança genética. Veja dois exemplos de tipo de gordura: Manter posturas inadequadas por tempo prolongado pode acarretar alterações posturais, ocasionando enrijecimento articular, encurtamento muscular e estimulação à impregnação de gordura na região. Gordura androide ou troncular Gorduras acumuladas na região abdominal. Apresenta maiores riscos de doenças cardiovasculares, diabetes e outras doenças metabólicas. Gordura ginoide Gordura acumulada na região dos quadris e coxas. Apresenta maiores riscos de desenvolver varizes, acarretando a edema dos membros inferiores, com sensação de peso. Lipodistrofia localizada. No caso da lipodistrofia localizada, vários fatores auxiliam no seu desenvolvimento: sedentarismo, tabagismo, estresse, ansiedade, distúrbios hormonais, síndromes pré- menstruais, uso de anticoncepcional, alterações ortopédicas e patologias venosas e linfáticas. A fisioterapia dermatofuncional auxilia na manutenção da integridade do sistema tegumentar, utilizando recursos fisioterapêuticos específicos para cada caso. Esses recursos cosmetológicos poderão ser utilizados com efeitos ativadores do fluxo sanguíneo, lipolíticos, termoterápicos, reestruturantes e drenantes, associados ou não aos recursos manuais (massagem ou drenagem linfática manual), bem como um ou dois recursos eletrotermofototerápicos (ultrassom, endermologia, eletrolipólise, radiofrequência, corrente russa, eletroporação, iontoforese, entre outros). Para o tratamento da lipodistrofia localizada, pode-se usar dois tipos de procedimento, sendo eles: Procedimento 1 Higienizar; esfoliar; passar loção hiperemiante, envolver com filme osmótico, enrolar a toalha por cima e colocar na manta térmica por aproximadamente 20 minutos; retirar a manta e o filme osmótico, realizar massagem modeladora por 10 minutos na região com creme lipolítico; fazer a corrente russa, para estimular metabolismo e consumo de energia no local, por 20 minutos e por último, finalizar com produto ativador do fluxo sanguíneo ou firmante. Procedimento 2 Higienizar; esfoliar; passar loção hiperemiante até total absorção; realizar ultrassom, para aumentar a maleabilidade da gordura localizada, por 15 minutos; realizar eletrolipólise com agulhas por aproximadamente 35 minutos, para produzir lipólise; fazer drenagem linfática manual na região e por último, finalizar com um sérum firmante. Fibroedema geloide É uma afecção estética caracterizada por aspecto acolchoado ou aparência de “casca de laranja” da pele. Definida como um distúrbio metabólico localizado no tecido subcutâneo com alteração do tecido conjuntivo, tecido adiposo e sistema circulatório, acometendo principalmente o sexo feminino. Existem vários termos utilizados para definir este distúrbio inestético, como: Hidrolipodistrofia ginoide (HLDG); Paniculopatia edemato fibroesclerótica (PEFE); Lipoesclerose nodular; Adiposidade edematosa; Dermatopaniculose deformante. Contudo, o termo mais popular para definir o FEG é “celulite”. Vimos que o termo é inadequado porque não há processo inflamatório, nem infeccioso, nesta alteração. Segundo Guirro e Guirro (2004), o fibroedema geloide é uma afecção edematosa, degenerativa, esclerótica do tecido conjuntivo, não inflamatória, que afeta também o líquido intersticial e vasos sanguíneos menores. • • • • • Fibroedema geloide. Em seguida, ocorre uma polimerização na substância fundamental amorfa, que se infiltra nas tramas, produzindo fibrose. A localização mais comum é na região glútea, coxas anterior e posterior, abdome e braços. Várias etiologias têm sido propostas para esta condição, que altera a forma do corpo feminino e é considerada multifatorial. O tratamento tem por objetivo corrigir as causas e fazer desaparecer, ou minimizar, seus efeitos, atuando na lipólise (quebra da molécula de gordura), na drenagem dos fluidos (melhorando a circulação) e na reestruturação dos tecidos (hidratação, firmeza e remineralização). Para atingir tais objetivos, há diversos recursos fisioterápicos: recursos cosmetológicos (ativos lipolíticos, drenantes, reestruturantes e incentivadores do fluxo sanguíneo); recursos manuais (massagem e drenagem linfática manual); e recursos eletrotermofototerápicos (eletrolipólise, ultrassom, endermologia, corrente russa, radiofrequência, eletroporação e iontoforese). Para o tratamento, pode-se usar um dos seguintes procedimentos: Procedimento 1 Higienizar; esfoliar; realizar ultrassom com gel neutro na forma pulsada, devido ao seu efeito tixotrópico, que transforma substâncias sólidas em gel e gel em líquidas, por 20 minutos; realizar endermologia para mobilização das trabéculas fibróticas, ativação da circulação e mobilização da gordura, por aproximadamente 15 minutos; drenagem linfática manual apenas da região tratada e por último, finalizar com sérum estimulador da circulação, como, por exemplo, erva mate ou castanha da índia. Procedimento 2 Higienizar; esfoliar; realizar massagem modeladora com creme de massagem ativador da circulação; realizar radiofrequência com calor moderado, para auxiliar no amolecimento das fibroses que estão encapsulando os adipócitos, por 15 a 20 minutos e por último, finalizar com um sérum lipolítico e firmante. A Fisioterapia na estética corporal Neste vídeo, serão explanados os pontos principais sobre a terapêutica em estética corporal, no contexto da atuação fisioterapêutica nos distúrbios de pele do corpo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Tratamento para as estrias Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Procedimentos para o tratamento do fibroedema geloide Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 As estrias são lesões que acometem a pele caracterizadas como uma atrofia de tecido, de aspecto linear, que adquirimos devido à falta de elasticidade dos tecidos de sustentação. Assinale a alternativa que contempla corretamente uma estratégia de tratamento para as estrias. A Higienizar; Esfoliar; Aplicar loção hiperemiante, envolver com filme osmótico, enrolar a toalha por cima e colocar na manta térmica por aproximadamente 20 minutos; Retirar a manta e o filme osmótico, realizar massagem modeladora por 10 minutos na região com creme lipolítico; Fazer a corrente russa para estimular metabolismo e consumo de energia no local, por 20 minutos; Finalizar com produto ativador do fluxo sanguíneo ou firmante. B Higienizar; Esfoliar; Realizar um dos procedimentos: radiofrequência, luz intensa pulsada, laser ou microcorrente, por aproximadamente 20 minutos (podendo ser trocado por ionização com substância firmante ou regeneradora); Finalizar passando sérum de dmae ou raffermine. CHigienizar; Esfoliar; Aplicar gel peeling 10%, agindo por 10 minutos, e remover com água; aplicar solução dessensibilizante; Massagear local com melange de vitamina C ou fatores de crescimento. D Realizar higienização corporal; Esfoliar; desobstruir os gânglios linfáticos; Colocar o paciente na manta térmica e aplicar o fango em todo o corpo; Deixar 30 minutos e remover com água; Para finalizar, continuar carreando com a drenagem. E Higienizar; Esfoliar; Aplicar gel ultrassônico por 10 minutos e remover com água; Passar solução desincrustante; Massagear o local. A alternativa C está correta. A estria é uma cicatriz, podendo ser caracterizada por atrofia linear, e costuma ocorrer por crescimento ou aumento de peso, pois as células de sustentação, compostas por colágeno e elastina, se rompem. Uma estratégia de tratamento pode ser seguida da seguinte forma: Higienização; Esfoliação; Aplicação de gel peeling 10%, deixando agir por 10 minutos e remoção com água em seguida; aplicação de solução dessensibilizante e posterior massagem no local com melange de vitamina C ou fatores de crescimento. Questão 2 Paciente F.R.A., 36 anos, sexo feminino, solteira, secretária, com 1,56m de altura e pesando 68Kg, procurou seus serviços apresentando acúmulo de adiposidade, aspecto acolchoado da pele (visível a olho nu) e edema localizado em abdome, glúteos e coxas; a pele local com aparência desvitalizada e sem brilho, dura e sensível à palpação; membros inferiores com varizes visíveis, sensação de peso e cansaço nas pernas. Todas essas características englobam o quadro de Fibroedema Geloide. Assinale a alternativa que contempla corretamente um dos procedimentos possíveis para o tratamento desse distúrbio inestético. A Galvanopuntura. B Drenagem Linfática Manual. C Melange de vitamina C. D Microcorrentes. E Laser. A alternativa B está correta. O fibroedema geloide (FEG) apresenta aspecto acolchoado, sensível à palpação, com aspecto desvitalizado, devido à estase venosa e congestão circulatória. Um dos tratamentos que pode ser utilizado como estratégia terapêutica é a drenagem linfática manual, que ajuda no descongestionamento circulatório e na redução do edema. 5. Conclusão Considerações finais A imagem corporal, os padrões estéticos e o embelezamento (impostos pela sociedade por meio da mídia) variam de tempos em tempos. Atualmente, prevalece o padrão da pessoa de “boa aparência”, com pele de textura macia e oleosidade equilibrada, sem comedões, magra, com silhueta definida, sem aspectos irregulares na pele. Isso mexe com a autoestima das pessoas, que buscam um tratamento para esses problemas. Um bom profissional de Fisioterapia dermatofuncional precisa ser ético e ter seriedade em suas atitudes, tendo a certeza de que o resultado dos seus tratamentos está relacionado, em boa parte, com uma avaliação detalhada dos distúrbios inestéticos do paciente, além de suas diferenciações. Desta forma, ele apresentará opções mais assertivas de recursos fisioterápicos para compor o tratamento, sem afetar o estado de saúde do paciente. Podcast Neste podcast será realizada uma apresentação sobre a atuação do fisioterapeuta dermatofuncional nos distúrbios dermatológicos de face e corpo, abordando como está o mercado de trabalho nessa área. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Leia o artigo Análise dos efeitos do ultrassom terapêutico e da eletrolipoforese nas alterações decorrentes do fibroedema geloide, de Giselle Cunha Machado, Rossana Bertolucci Vieira, Nuno Miguel Lopes de Oliveira e Célia Regina Lopes, publicado na Revista Fisioterapia em Movimento. Referências AGNE, J. E. Eletrotermoterapia: teoria e prática. Santa Maria: Orium, 2009. BORGES, F. S. Dermato-Funcional: modalidade terapêutica nas disfunções estéticas. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2010. BORGES, F. S.; SCORZA, F. A. Terapêutica e estética: conceitos e técnicas. São Paulo: Phorte, 2016. GARTNER, L. P; HIATT, J. L. Atlas colorido de histologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. GUIRRO, R.; GUIRRO, E. Fisioterapia dermato-funcional: fundamentos, recursos e patologias. 3. ed. revisada e ampliada. São Paulo: Manole, 2004. GUYTON, A.; HALL, J. Tratado de fisiologia médica. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996. HARRIS, M. I. N. C. Pele: Estrutura, propriedades e envelhecimento. 3. ed. São Paulo: Senac, 2009. JUNQUEIRA, L.C; CARNEIRO, J. Histologia Básica. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. KEDE, M. P. V.; SABATOVICH, O. Dermatologia Estética. 1. ed. São Paulo: Atheneu, 2004. ROBERTSON, V. et al. Eletroterapia Explicada: Princípios e Prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. Curso Didático de Estética Vol. 1 e 2, Yendis, 2008. Fisioterapia dermatofuncional aplicada à estética facial e corporal 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Métodos e técnicas de avaliação facial Anatomofisiologia do Sistema Tegumentar Epiderme Derme Papilar Reticular Hipoderme Biotipo cutâneo, pH da pele e manto hidrolipídico Biotipo cutâneo Pelo oleosa Pele Mista Pele seca Pele normal Manto hidrolipídico Pele oleosa Pele mista Pele seca Pele normal Potencial de hidrogênio Fototipo cutâneo Avaliação Estética Facial Ficha de anamnese Lupa Dermatoscópio Lâmpada de Wood Distúrbios da pele Desidratação Couperouse Hipersensibilidade Mancha da pele Envelhecimento Acne vulgar Rosácea Avaliação para a estética facial Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Manto hidrolipídico Conteúdo interativo Principais distúrbios da pele Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. Métodos e técnicas de avaliação corporal Anatomofisiologia da hipoderme e do tecido muscular esquelético Hipoderme Tecido muscular esquelético Fásicas Tônicas Intermediárias Biotipo corporal e estruturas corporais Anamnese Biotipo corporal Ectomorfo Mesomorfo Endomorfo Exame físico Avaliação estética corporal Análise postural Análise e diferenciação dos aspectos inestéticos Estrias Flacidez Dérmica e Muscular Lipodistrofia Localizada Fibroedema Geloide (FEG) Avaliação para a estética corporal Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Biotipos corporais Conteúdo interativo A bioimpedância corporal Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Abordagem fisioterapêutica nas principais disfunções estéticas faciais Limpeza de pele, controle de oleosidade e tratamento de acne Limpeza profunda da pele Higienizar Tonificar Fazer a anamnese Esfoliar Desincrustar Emoliente Vaporizador Extrações Loção calmante Alta Frequência Máscara Protetor solar Procedimento de controle de oleosidade e tratamento de acne Tratamento de hidratação e revitalização Oclusão Umectação Hidratação Revitalização Peeling e clareamento de manchas Atenção Peeling muito superficial Peeling superficial Peeling médio Peeling profundo Mecanismo de ação A Fisioterapia na estética facial Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Procedimentos de hidratação e revitalização da pele Conteúdo interativo Peeling Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Abordagem fisioterapêutica nas principais disfunções estéticas corporais Desintoxicação metabólica Argiloterapia ou geoterapia Fangoterapia Talassoterapia Tratamento de estrias, flacidez dérmica e hipotonia muscular Estrias Procedimento 1 Procedimento 2 Flacidez dérmica Hipotonia muscular Tratamento de lipodistrofia localizada e fibroedema geloide Lipodistrofia localizada Procedimento 1 Procedimento 2 Fibroedema geloide Procedimento 1 Procedimento 2 A Fisioterapia na estética corporal Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Tratamento para as estrias Conteúdo interativo Procedimentos para o tratamento do fibroedema geloide Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 5. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referências