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E-Book FORMAÇÃO POR COMPETÊNCIAS: INTELIGÊNCIA INTERPESSOAL E INTRAPESSOAL E-Book Esse recurso é uma versão estática. Para melhor visualizar, acesse esse conteúdo pela mídia interativa.E-Book Formação por competências: Inteligência Interpessoal e Intrapessoal Olá, Estudante! Seja bem-vindo à unidade de estudos: Formação por competências. A teoria das inteligências múltiplas proposta originalmente por Howard Gardner, professor de Harvard, desafia a ideia de um único QI, como se os seres humanos tivessem um "computador central" onde a inteligência está alojada. Ele prova que existem vários tipos de inteligência humana, cada uma representando diferentes maneiras de processar informações: Figura 1 Teoria das Inteligências Múltiplas Refere-se à capacidade de um Inteligência indivíduo de analisar e produzir informações orais e escritas. verbal-linguistica Inteligência Descreve a capacidade de fazer cálculos e resolver problemas lógico-matemática abstratos. Permite que as pessoas Inteligência compreendam informações gráficas, tais como mapas. visual-espacial Refere-se à produção e Inteligência compreensão de sons, canções musical e demais elementos teóricos da música. Refere-se à capacidade de identificar e distinguir entre Inteligência tipos de plantas, de animais, de climas, enfim, elementos do naturalista mundo natural. Relacionada a uma ampla Inteligência consciência sobre próprio cinestésico-corporal corpo. Reflete a capacidade de reconhecer e entender Inteligência humores, desejos, motivações e interpessoal intenções de outras pessoas. Trata da capacidade das Inteligência pessoas em reconhecer e intrapessoal avaliar essas mesmas características em si mesmas. Fonte: Institucional, 2020. 2 de 52 páginasE-Book Para aprofundar neste conteúdo, confira, a seguir, a entrevista de Howard Gardner, em que explica como a teoria das inteligências múltiplas pode ajudar as organizações a empregar o capital humano com mais eficácia. Momento expo HSM Leia artigo "Inteligência: cada um tem a sua". Inteligência: cada um tem a sua Em 1983, psicólogo Howard Gardner propôs uma nova visão sobre a inteligência humana. Para ele, homem não tem uma, mas oito inteligências, que podem ser mais ou menos desenvolvidas ou combinadas de maneira única em cada pessoa. conceito ganhou mundo e passou a ser adotado não só na área de psicologia, mas também na gestão e na educação. Estados Unidos, Dinamarca e China, onde conceito é conhecido por muitos educadores e pais, criaram escolas baseadas nas ideias de Gardner. 3 de 52 páginasE-Book Entusiasta da neurociência, da genética e da biologia, Gardner está sempre acompanhando a literatura dessas áreas em busca de evidências sobre a viabilidade e a independência das várias inteligências. Nesta entrevista, autor da teoria das inteligências múltiplas atualiza seus conceitos e discute a maneira como empresas podem potencializar seus talentos a partir da compreensão de que cada indivíduo é único e pode desenvolver e combinar suas inteligências para próprio desenvolvimento e das organizações. Sua teoria das inteligências múltiplas, TIM no mundo das siglas, define oito inteligências humanas. Em sua visão, qual delas (ou que combinação delas) está mais em falta no mundo atual? Depende da cultura em análise. A inteligência interpessoal, por exemplo, é muito desenvolvida no Japão, e a inteligência musical é especialmente valorizada na Finlândia, Hungria e África Ocidental -mas - menos nos Estados Unidos. Em geral, em todas as culturas alguns indivíduos têm a inteligência intrapessoal (compreensão do self) bem desenvolvida, mas nos Estados Unidos não sabemos muito bem como fazê-lo. 4 de 52 páginasE-Book Há 200 anos, isso não importava -as pessoas basicamente faziam que seus antepassados tinham feito e se casavam com indivíduos a quem eram "designadas". Mas hoje, quando a maioria das pessoas tem de tomar as próprias decisões sobre problemas importantes, a falta de inteligência intrapessoal pode ser uma limitação séria. "Se uma pessoa é forte em uma inteligência, não conseguimos predizer como vai se sair em relação às demais" sr. se refere à inteligência como "um potencial que significa esse termo? As pessoas com frequência usam os termos "mente" e "cérebro" como sinônimos, mas não são. cérebro é um órgão dentro do crânio, enquanto a mente é um construto hipotético que inclui conhecimento cultural, interação com outras pessoas, regras sociais etc. Ao usar termo "biopsicológico" para descrever a inteligência, eu me posiciono entre biologia e psicologia, esclarecendo que mente e cérebro são entidades separadas. Em relação ao potencial, nenhuma forma de inteligência se expressa automaticamente; precisa ser estimulada, guiada, cultivada ou canalizada pela cultura a seu redor. 5 de 52 páginasE-Book sr. destacou independência das várias inteligências. Por que isso é importante? Na verdade, falo de autonomia relativa entre as inteligências, que significa que, na média, se uma pessoa é forte (ou fraca) em uma inteligência, não conseguimos predizer com certeza como vai se sair em relação às demais. Outra parte importante de minha teoria é que, em casos de danos cerebrais, uma inteligência particular pode ser comprometida ou poupada, independentemente do que aconteça às demais. Dito isso, também acredito que as inteligências podem muito bem conduzir a alguns dos mesmos recursos como a atenção. Portanto, nesse sentido, elas não são completamente independentes. Gosto de pensar nas várias inteligências como músculos separados, e fica por nossa conta saber como desenvolvê-las e usá-las. "Só porque alguém é bom em suas tarefas atuais, não significa que será um bom gestor. diferentes papéis exigem conjuntos completamente diferentes de habilidades" Qual é diferença entre inteligências e domínios? 6 de 52 páginasE-Book Essa é uma distinção importante da qual eu não tinha consciência quando comecei a introduzir minha teoria. Conforme disse, cada tipo de inteligência é um potencial biopsi-cológico; para utilizar uma analogia com a qual nós estamos familiarizados, é como se tivéssemos oito "computadores" separados emnosso cérebro, que interagem entre si. Um domínio, por sua vez, é um corpo organizado de conhecimento e expertise na sociedade. Há inteligências e domínios com nomes parecidos, mas não se pode concluir, por isso, que apenas aquela inteligência particular está envolvida em atividades daquele domínio. Por exemplo, a apresentação musical certamente envolve a inteligência musical, mas quase com a mesma certeza envolve outras, como as inteligências corporal-cinestésica e a interpessoal. Como teoria das inteligências múltiplas ajuda as organizações a usar capital humano com mais eficiência? Usando a mim mesmo como exemplo, em certa época costumava contratar pesquisadores que espelhassem meu espectro de inteligências. Por fim, concluí que essa era a estratégia errada: um de mim é suficiente! Hoje me concentro em descobrir pessoas que tenham capacidades complementares e que consigam trabalhar em equipe. 7 de 52 páginasE-Book A teoria das inteligências múltiplas também é relevante para as migrações na organização. Só porque alguém é bom em suas tarefas atuais, não significa que será um bom gestor. Diferentes papéis exigem conjuntos completamente diferentes de habilidades. Algo que todo mundo sabe, mas todo mundo ignora... Todo mundo sabe disso, é claro, mas... Enfim, essa teoria oferece uma maneira conveniente de pensar em que "movimentos" fazem sentido e quais podem ser arriscados em uma organização. sr. advoga que se preste atenção às maneiras diversas com que as pessoas abordam as tarefas, a fim de aumentar próprio repertório de habilidades. que quer dizer? Indivíduos diferentes vão abordar a mesma tarefa usando conjuntos diferentes de inteligências que é muito bom, desde que as tarefas sejam desempenhadas adequadamente. Conforme trabalhamos lado a lado com nossos pares, às vezes podemos aprender maneiras mais eficientes de realizar uma tarefa particular -seja usando conjuntos de inteligências ou empregando as inteligências de maneiras inusitadas. 8 de 52 páginasE-Book Os colaboradores - -ou seus supervisores- podem e devem chamar a atenção para esses "jeitos diferentes de cada um" como meios de determinar forças individuais e também como formas de ampliar os repertórios de habilidades. me interessado pelas possibilidades de uma inteligência pedagógica e de uma inteligência existencial" Como os líderes podem cultivar uma apreciação das distintas inteligências em suas organizações? Se um líder está realmente interessado e sintonizado com as capacidades, características e metas de seus colaboradores, isso aumenta a probabilidade de outros estarem também. Não quer dizer que os líderes devam andar por aí com um quadro de inteligências múltiplas ou com relatórios Myers-Briggs na mão; mas, no curso das conversas cotidianas quando for apropriado em comunicações mais formais- eles devem apresentar a conclusão de que não somos todos iguais, nem somos apenas pontos diferentes na mesma curva. que somos? 9 de 52 páginasE-Book Cada um de nós é um perfil único de pontos fortes e fracos. Vale a pena conhecer tais pontos, tirar vantagem deles e, quando for apropriado, reforçá-los ou combiná- los de novas formas. Quem cria um ambiente de trabalho sob essas luzes tem mais probabilidade de gerar uma organização na qual os pontos fortes complementares dos indivíduos funcionem juntos com sinergia. 10 de 52 páginasE-Book Ao longo dos anos, sr. considerou existência de inteligências adicionais a essas oito. Alguma delas chegou perto de integrar lista oficial? Tenho me interessado, por exemplo, pela possibilidade de uma inteligência pedagógica. Somos uma espécie única que ensina uns aos outros, e a inclinação e a habilidade para isso começam em uma idade incrivelmente precoce -com 2 ou 3 anos. Alguns são realmente bons nisso, enquanto outros -incluindo pessoas altamente capacitadas para ser ensinadas- certas vezes não. Também estou interessado na possibilidade de uma inteligência existencial -alguém que propõe grandes questões, como "Qual sentido da vida?", "Por que morremos?" e "O que é amor?". Se encontrar evidências convincentes da representação neural delas, vou acrescentá-las a minha lista. Estou principalmente interessado em promover a ideia de que todos possuímos diversas inteligências, e que variam aquelas em que somos bons e varia a maneira como as combinamos. Isso é muito mais importante do que promover uma honorável lista de inteligências que seja inviolável e eterna. Em que medida desenvolvimento da neurociência afetou seu trabalho? 11 de 52 páginasE-Book Sou um estudioso apaixonado das últimas descobertas da biologia, genética e neurociência. Hoje, conhecemos bem mais a especificidade do sistema nervoso do que sabíamos há 30 anos, e muitas evidências da neurociência são simpáticas à ideia das múltiplas inteligências. Para dizer a verdade, os biólogos costumam ser bem mais simpáticos à teoria das inteligências múltiplas do que meus colegas psicólogos, que pode se dever ao fato de eu tender pensar sobre as questões de maneira biológica, evolucionista. Quais são as principais implicações de sua teoria das inteligências múltiplas ter sido adotada e implementada em toda parte, da China à Dinamarca. Que iniciativa mais entusiasma? Quando a concebi, via essa teoria como uma contribuição à psicologia; não tinha pensado muito sobre suas implicações educacionais [veja quadro ao lado]. Em poucos anos, porém, escolas focadas nas inteligências múltiplas foram abertas nos Estados Unidos e agora há iniciativas similares em todo mundo. Cada uma se concentra em implicações diferentes da teoria e têm formatos bastante diversos. Para uma boa descrição de algumas delas, 42 autores de 15 países contribuíram para um livro que coeditei com Jie-Qi Chen e Seana Moran [publicado no Brasil pela editora Artmed com título Inteligências múltiplas - Ao redor do mundo]. 12 de 52 páginasE-Book Como é estar na China, uma cultura tão distinta? Em junho do ano passado, visitei a China, onde interesse pela teoria das inteligências múltiplas não tem precedentes. Mais de cem livros sobre tema foram publicados lá, e muitos educadores e pais conhecem a teoria. Isso não significa que a China está adotando uma educação baseada nas oito inteligências. Mas, para muitos educadores chineses, é um caminho para um tipo de educação novo, diferente, distante das práticas do passado recente. Nunca sonhei que pudesse me tornar um catalisador de mudança, e isso tem sido extremamente recompensador. 13 de 52 páginasE-Book Saiba mais sobre Howard Gardner 14 de 52 páginasE-Book Professor de cognição e educação na Harvard Graduate School of Education, Gardner também é professor adjunto de psicologia em Harvard e diretor sênior do Project Zero, iniciativa desenvolvida nos últimos 20 anos por um grupo de pesquisadores em educação que tem como objetivo criar conceitos para uma educação mais interdisciplinar, que valorize a compreensão e as múltiplas inteligências e com avaliações baseadas em desempenho. especialista, que também é professor honorário de 26 faculdades e universidades, em países de todos os continentes, escreveu 25 livros, traduzidos para 28 idiomas, entre eles Inteligências múltiplas - - A teoria na prática, Mentes que mudam e Ensino para a compreensão (todos, ed. Artmed). A teoria de Gardner e o aprendizado A influência da teoria das inteligências múltiplas sobre a educação são, segundo Howard Gardner, primordialmente duas: 1. Os educadores que a adotam precisam levar muito a sério as diferenças entre os indivíduos e, na medida do possível, moldar a educação de modo que cada indivíduo possa ser atingido da melhor maneira. Ele reforça que advento dos microcomputadores torna essa "individuação" mais fácil do que nunca, porque que era possível apenas para os ricos -tutoria pessoal- logo estará 15 de 52 páginasE-Book disponível para milhões de alunos em todo mundo. 2. Qualquer disciplina, capacidade ou conceito significativo deve ser ensinado de mais de uma maneira, para ativar inteligências diferentes ou combinações de inteligências em cada aluno. Tal abordagem rende, por sua vez, dois dividendos enormes: garante que professor (ou material) atingirá mais estudantes; aponta aos estudantes que significa ter uma compreensão profunda e abrangente de um tópico. "A verdade é que apenas indivíduos que conseguem pensar sobre um tópico de mais de uma maneira têm uma compreensão completa dele", diz Gardner. Isso se aplica também ao aprendizado dentro das empresas e à educação corporativa de maneira geral. "Para dizer a verdade, os biólogos costumam ser mais simpáticos às inteligências múltiplas que meus colegas psicólogos" Conteúdo disponível por completo no formato digital HSM 16 de 52 páginasE-Book Na entrevista anterior, pudemos compreender como alcançar performances amplas de nossa mente, baseadas em diversas competências e habilidades a serem desenvolvidas em diversos contextos. A seguir, um conceito ainda mais refinado sobre como orquestrar as inteligências múltiplas a partir do que o referido psicólogo e pesquisador denomina como "Cinco Mentes para o Futuro", a fim de nos favorecer num tempo de grandes mudanças, em que novas maneiras de pensar e aprender na escola, nos negócios e nas profissões tornam-se prementes. Confira! Momento expo HSM Leia artigo "Cinco mentes para futuro". Cinco mentes para futuro 17 de 52 páginasE-Book Depois de descrever durante décadas as operações mentais típicas, Howard Gardner aborda em Cinco Mentes para Futuro uma questão diferente, embora relacionada: que mentalidades precisamos cultivar para prosperar nos tempos que nos aguardam. Seu trabalho não é meramente descritivo das operações mentais requeridas, e sim propõe uma empresa baseada em valores, já que as mentes às quais se refere são as que os indivíduos deveriam desenvolver no futuro. Em um mundo interconectado, explica, já não se consegue fazer uma descrição do que cada indivíduo ou grupo necessita para sobreviver em seu próprio campo. Em longo prazo, não será possível que somente alguns prosperem, enquanto os demais se mantêm imersos em uma pobreza desesperadora e na mais profunda frustração. "Devemos nos manter juntos, senão mais provável é que nos enforcarão um por um", diz, citando Benjamin Franklin. 18 de 52 páginasE-Book left ? Howard Gardner Editora: Artmed que Gardner afirma é que mundo do futuro - com suas ferramentas onipresentes de busca, seus robôs e demais dispositivos de informática - exigiria capacidades que, até agora, têm sido meras opções. Portanto, é imprescindível começar a cultivá-las desde já. 19 de 52 páginasE-Book A análise que faz se baseia em sua formação como psicólogo especializado em ciência cognitiva e neurociência. Recorre permanentemente ao que se sabe, de uma perspectiva científica, sobre funcionamento da mente e do cérebro humanos, assim como às áreas de história e antropologia. A partir desse enfoque interdisciplinar, reflete e especula sobre rumo de nossa sociedade e nosso planeta e tece considerações políticas, econômicas e morais, no âmbito da empresa de valores que propõe. A mente sintetizadora, valorizada no passado, é cada vez mais crucial à medida que a quantidade de informações cresce em ritmo vertiginoso. Os cinco elementos Cada uma das mentes que Gardner aborda no livro foi importante historicamente, e ele garante que serão ainda mais no futuro. A pessoa que contar com elas, acredita, estará bem preparada para lidar com que já se espera e também com que não pode ser previsto. Sem essas mentes, os indivíduos estarão sujeitos a forças que não poderão compreender. objetivo do autor é, então, explicar como funciona cada uma delas, para que as jovens gerações possam cultivá-las com olhar no futuro": 20 de 52 páginasE-Book Disciplina. A mente do futuro tem de ser disciplinada em dois sentidos, afirma. Primeiramente, ela precisa dominar as principais formas de pensar que ser humano criou: ciência, a matemática e a tecnologia, e também pensamento histórico, artístico e filosófico. Depois, deve procurar se manter em formação ao longo da vida, de maneira regular e sistemática. Muitos pesquisadores confirmam que são necessários dez anos para dominar uma disciplina. A mente disciplinada sabe, ainda, como trabalhar de modo constante ao longo do tempo para melhorar a habilidade e a compreensão. Sem dispor de ao menos uma disciplina em sua formação, indivíduo está destinado a caminhar no ritmo de outros. Síntese. Embora educação deva partir de aptidões básicas e disciplinas tradicionais, não pode se limitar a isso. Quando nos encontramos diante de uma quantidade excessiva de informações, é imprescindível, segundo Gardner, ter a capacidade de resumi-las com precisão, sintetizá-las de forma produtiva e proveitosa. A mente sintetizadora capta informações de diferentes fontes, compreende e avalia essas informações de maneira objetiva, e passa a reuni-las de tal maneira que tenham um sentido tanto para aquele que as sintetiza como para as outras pessoas. Valorizada no passado, a capacidade de sintetizar cada vez mais crucial à medida que a quantidade de informações cresce em ritmo vertiginoso requer um tipo de pensamento ainda pouco compreendido: de caráter interdisciplinar. 21 de 52 páginasE-Book Criatividade. Embasada na disciplina e na síntese, a mente criadora gera um terreno completamente novo. Ela propõe ideias novas, perguntas desconhecidas e outras formas de pensar, e chega a respostas inesperadas em um contexto ainda pouco regrado. Gardner argumenta que, no futuro, serão muito valorizadas as pessoas que se mostrarem capazes de ir além da síntese disciplinar e interdisciplinar para descobrir fenômenos novos. E afirma que a mente criadora é a que possui a capacidade de se manter um passo adiante dos robôs mais sofisticados. Respeito. Consciente de que em nossa época não é mais possível se fechar em si mesmo, a mente respeitosa percebe e integra as diferenças entre os indivíduos e grupos. Ela procura compreender os "outros" que estão à sua frente e unir-se a eles. A intolerância e a falta de respeito deixam de ser opções viáveis em um mundo em que todos estão interconectados, defende Gardner. E adverte leitor que, se as pessoas não aprenderem a conviver, em breve planeta ficará despovoado. Ética. Em um nível mais abstrato que da mente respeitosa, a mente ética leva em conta a natureza do trabalho, assim como os desejos e necessidades da sociedade. A mente ética conceitua modo como os trabalhadores podem seguir propósitos que vão além de seu interesse específico, para construir uma sociedade em que teríamos prazer em viver. 22 de 52 páginasE-Book Gardner sugere ainda outras mentalidades - a mente tecnológica, a digital, a do mercado, a democrática, a flexível, a emocional -, mas se mostra decidido a defender vigorosamente seu quinteto, que, segundo afirma, é bastante requisitado em nossa realidade, e será ainda mais. Acrescenta que essas cinco mentes são "globais", pois atravessam tanto espaço cognitivo como toda a atividade humana. No primeiro capítulo, que serve como introdução ao tema, é importante a diferença que autor estabelece entre a apresentação de Cinco Mentes para Futuro e sua reconhecida teoria das inteligências múltiplas, que postula que cada ser humano possui diversas capacidades cognitivas relativamente autônomas, às quais denomina inteligências separadas. Por várias razões, as pessoas se diferenciam umas das outras em seus perfis de inteligência, e esse fato tem consequências importantes na escola e no trabalho. As cinco mentes, porém, são diferentes das oito ou nove inteligências múltiplas. É melhor entender as primeiras como usos amplos da mente, que podemos cultivar na escola, nas atividades profissionais ou no ambiente de trabalho, e que se valem de nossas diversas inteligências (Por exemplo, respeito é impossível sem exercício da inteligência interpessoal). 23 de 52 páginasE-Book No livro, Gardner não aborda psicologias e políticas. Aconselha, na verdade, que os leitores pensem em tais mentes como planejadoras de políticas. Seu objetivo é convencê-los da necessidade de cultivá-las e lhes sugerir as melhores maneiras de alcançá-las. autor destaca que a tarefa de cultivar mentes não é exclusivamente docente, mas um desafio para todos os indivíduos que trabalham conjuntamente. Ao analisar cada uma das cinco mentalidades, inclui comentários sobre sua aplicação em diversas carreiras, negócios e profissões. Como estudantes, acumulamos conteúdos, mas não aprendemos a pensar de modo disciplinado, que nos capacitaria a elucidar fenômenos e descobertas. Mente disciplinada 24 de 52 páginasE-Book No segundo capítulo, livro se ocupa do primeiro tipo de mentalidade. Gardner comenta que a mais importante descoberta científica sobre a problemática do aprendizado da atualidade foi dos pesquisadores cognitivos, que analisaram a maneira como os estudantes compreendem. Em um paradigma típico, um aluno do ensino secundário recebe desafio de elucidar uma descoberta ou fenômeno com qual não está familiarizado, mas que leva a uma explicação baseada em uma teoria ou conceito já estudado. Os resultados são surpreendentes, consistentes e desencorajadores, revela autor. A maioria dos estudantes, mesmo os que frequentam as melhores escolas e alcançam as notas mais altas, não consegue explicar a descoberta ou fenômeno. mais alarmante, muitos dão precisamente a mesma resposta que aqueles que nunca frequentaram curso. A conclusão de Gardner é que os estudantes acumulam conhecimento de conteúdos, mas não aprendem a pensar de modo disciplinado. 25 de 52 páginasE-Book Por outro lado, essa forma de pensar indevida também ocorre no aprendizado vinculado ao exercício das profissões e no cotidiano da vida de trabalho. Esse é caso dos indivíduos que levam para seu novo trabalho hábitos e crenças que lhes foram úteis no passado. "Os velhos hábitos não morrem facilmente, e as novas maneiras de pensar e de atuar não são nada naturais." Gardner recomenda aos profissionais que querem ascender na carreira que entendam os fundamentos das ideias e as novas práticas e percam os hábitos que já não funcionam, para ir consolidando um comportamento mais adequado a sua nova posição. autor identifica quatro passos fundamentais para disciplinar a mente, independentemente de a disciplina em questão ser história, direito ou administração: 1. Identificar os temas ou conceitos verdadeiramente importantes dentro da disciplina. Alguns deles serão conteúdos: a natureza da gravidade, os componentes de uma guerra civil; outros metodológicos: montar um experimento científico, analisar um soneto de Shakespeare. 2. Investir significativa quantidade de tempo no tema. Se vale a pena estudá-lo, convém fazê- lo da maneira mais profunda possível, e durante um tempo considerável, empregando uma variedade de exemplos e modos de análise. 26 de 52 páginasE-Book 3. Abordar tema de diferentes formas. É nesse caso que a educação orientada para a compreensão disciplinar tira vantagem da variedade de formas que aprendizado pode assumir. Qualquer lição é mais bem compreendida quando se chega a ela por diferentes maneiras (relatos, exposições lógicas, diálogos, comportamentos ou atitudes de uma pessoa respeitada, por exemplo). Isso não significa que cada tema deva ser ensinado de três ou de 30 formas clássicas, esclarece Gardner, e sim que qualquer tema que valha a pena estudar está aberto a uma pluralidade de aproximações. Primeiramente, permite alcançar mais estudantes, já que alguns aprendem melhor por meio de relatos, outros pelo debate, e outros com obras de arte. Segundo, é um enfoque que demonstra quanto a compreensão é genuína. Qualquer indivíduo que tenha profunda compreensão de um tema ou método pode pensar sobre isso de diversas maneiras. Por outro lado, uma pessoa demonstra suas limitações quando somente é capaz de conceituar um tema de um único modo. Não se pode ser disciplinado sem contar com essa agilidade conceitual. 4. Estabelecer "performances de compreensão" 27 de 52 páginasE-Book e oferecer aos estudantes muitas oportunidades para desenvolver seu entendimento em uma variedade de condições. Estamos acostumados a pensar que a compreensão é algo que ocorre dentro da mente, diz Gardner, que é correto apenas em sentido literal. Muitas vezes, emprego de uma boa memória pode nos fazer pensar que um tema foi verdadeiramente compreendido. No entanto, nem estudante nem professor conseguem estabelecer quando isso ocorre. Somente é possível determinar se a compreensão é genuína quando se propõe ao aluno uma nova questão ou problema que obrigue a reorientar seu entendimento para um campo não familiar, sobre qual não recebeu informação. Por exemplo, entender a natureza de uma guerra civil não é saber as datas das batalhas americanas do século XIX ou das espanholas do século mas poder avaliar se as que ocorreram no Vietnã nos anos 60 constituem ou não um exemplo de guerra civil. Da mesma forma, saber agir diante de uma crise financeira não é proceder do mesmo modo que a General Motors há 50 anos, e sim entender seu conceito, para poder reagir de maneira adequada quando ocorrer uma inesperada queda de lucros, por exemplo. 28 de 52 páginasE-Book A ausência de um pensamento disciplinar tem grandes consequências, segundo Gardner. Sem uma forma de pensar sofisticada, é como se os indivíduos não tivessem sido escolarizados. Carecem da capacidade de entender que se diz sobre os acontecimentos da atualidade, as descobertas científicas e avanços tecnológicos, as novas técnicas matemáticas, as novas obras de arte, as novas opções de financiamento, as novas leis ambientais e não têm opinião sobre os fatos do dia, do ano ou do século. autor também se refere a outro tipo de disciplina, que não deixa de ser importante. Uma pessoa é disciplinada na medida em que adquiriu hábitos que lhe permitem alcançar um progresso constante e essencialmente ilimitado no domínio de uma habilidade, ofício ou campo do conhecimento. Gardner acredita que no futuro será necessária uma forma menos ritualista e mais profundamente internalizada da disciplina, em que sujeito disciplinado continue aprendendo, não por ter passado duas horas por noite sobre livros, mas por outras duas razões, vinculadas com a compreensão disciplinada, ideia central do capítulo. Em primeiro lugar, essa pessoa se dá conta de que, com a acumulação de informações, métodos e conhecimentos, se tornará para sempre um estudante. Em segundo, consegue tirar proveito do processo de aprendizado sobre mundo. 29 de 52 páginasE-Book É possível ser muito disciplinado? Não, garante autor, já que, à medida que indivíduo vai se comprometendo profundamente com uma disciplina, essa profundidade se torna vantajosa para a tarefa. Em seguida, ele formula duas advertências: primeiro, uma disciplina não deveria se desenvolver de maneira compulsiva; segundo, sempre se deve estar consciente de que nenhum tema pode ser dominado completamente de uma simples perspectiva disciplinar. Os métodos não devem ser um entrave, mas uma ferramenta, afirma. Gardner conclui capítulo lembrando leitor de que possuir uma mente disciplinada não é suficiente. Cada vez mais fluem novos conhecimentos nos espaços interdisciplinares, e, no futuro, os indivíduos deverão aprender a sintetizar conhecimento e ampliá-lo de novas e desconhecidas maneiras. Mente sintetizadora 30 de 52 páginasE-Book "O inferno é um lugar onde nada se conecta com nada" (Vartan Gregorian, citando Dante) é a afirmação com que autor inicia terceiro capítulo do livro. Ele explica que uma característica diferente dos seres humanos é fato de continuar acumulando conhecimento em velocidades cada vez maiores, que torna necessário reunir todo conteúdo do saber alcançado até certo momento, de forma clara e sistemática, para transmiti-lo a gerações futuras. Na tradição ocidental, os filósofos pré-socráticos foram os primeiros a ordenar conhecimento de sua época. Seus sucessores - Sócrates, Platão e, especialmente, Aristóteles - se esforçaram para recompilar não somente conhecimento sobre como viver, mas também sobre mundo tal como era concebido naquele tempo. Não é casualidade que Aristóteles tenha sido conhecido durante quase dois milênios como filósofo", ressalta Gardner. No entanto, esse grande filósofo grego não estava só; ele contou com uma formidável linha de sintetizadores: de Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, passando por Dante, pelo prodigioso Leonardo da Vinci, pelos enciclopedistas do século XVIII e pela Encyclopedia Britannica do final do século à Wikipedia do século XXI. 31 de 52 páginasE-Book Gardner cita também prêmio Nobel de Física Murray Gell-Mann, por afirmar que a mente mais valorizada no século XXI seria aquela que, no futuro, indivíduo se dará conta de que é um estudante eterno e conseguirá tirar proveito do processo de aprendizado sobre mundo fosse capaz de elaborar sínteses muito bem. Menciona, então, a dificuldade intrínseca de dominar diversas perspectivas para depois combiná- las em um amálgama útil e lembra que a cognição depende muito do contexto. Como espécie, normalmente aprendemos aptidões e técnicas em determinados contextos e resistimos a dar elas uma aplicação mais geral, afirma. E avalia que são poucas as pessoas e instituições que possuem dom de incutir a capacidade de síntese. Se isso não bastasse, acrescenta, quando essa capacidade é perseguida e cultivada, carecemos de normas ou critérios para determinar se uma síntese é produtiva ou precipitada, defeituosa ou totalmente equivocada. Como acontece com os outros tipos de mente que aborda no livro, a mentalidade que deseja sintetizar deve saber enfrentar que a impede de alcançar seu objetivo. No entanto, ser humano consegue, em muitas ocasiões, combinar com êxito elementos que originalmente se encontravam separados. Em seguida, autor oferece alguns exemplos de síntese: Narrações. A mente sintetizadora reúne diferentes materiais em uma narração coerente. isso aparecem desde a Bíblia até um livro de história contemporânea. 32 de 52 páginasE-Book Taxonomias. Os materiais se organizam de acordo com características destacadas. É esse caso do sistema decimal de classificação bibliográfica de John Dewey e da classificação de plantas e animais criada por Lineu. Conceitos complexos. Um novo conceito pode relacionar ou combinar uma gama de fenômenos. A teoria da evolução de Charles Darwin, conceito do inconsciente de Sigmund Freud e da divisão do trabalho de Adam Smith constituem exemplos disso. Regras e aforismos. Grande parte da sabedoria popular é captada e transmitida por meio de frases curtas, facilmente recordáveis e amplamente aplicáveis, do tipo "Pense antes de agir". Temas, imagens e metáforas. As metáforas dão vida aos conceitos. Darwin descrevia a evolução como uma árvore que se ramifica. Adam Smith usava a imagem da mão invisível do mercado, assim como as empresas fazem com que suas marcas adquiram a forma de palavras, imagens e temas musicais. Representações sem palavras. Há sínteses poderosas que podem ser expressas em obras de arte, como Guernica, de Picasso, que capta as forças violentas da Guerra Civil Espanhola em um mural cubista. Teorias. A teoria da economia de mercado entrelaçou as ideias de oferta e demanda, trabalho, produção, lucro e perda. 33 de 52 páginasE-Book Metateorias. A "teoria de teorias" constitui um marco geral para conhecimento. É caso da sequência evolutiva descrita por Georg Hegel, que parte de uma tese e uma antítese para chegar à síntese. Gardner enumera os quatro componentes mínimos que qualquer tentativa eficaz de síntese requer. autor exemplifica processo de síntese com uma situação do mundo corporativo. Um executivo recém- contratado para liderar uma mudança de rumo deve anunciar uma meta concreta: a revisão dos erros dos últimos anos e a implementação de um plano corretivo. Para isso, terá de exercitar a síntese. Precisará estabelecer um ponto de partida: a melhor compreensão disponível dos acontecimentos ocorridos e as opções viáveis. Também deverá gerar uma estratégia para revisar antecedentes, acumular informações provenientes de funcionários atuais e anteriores e de observadores atentos, colocar à prova várias opções e contextos, e entender tanto passado como panorama da concorrência da empresa hoje. executivo precisará reservar um tempo para rascunhar a melhor síntese possível. Se tiver sorte, receberá feedback, embora isso ocorra poucas vezes, adverte Gardner. A tarefa do executivo, lembra ele, não termina na síntese, uma vez que esta é apenas primeiro passo para a transformação da empresa. 34 de 52 páginasE-Book Outra ideia apresentada no livro diz respeito ao trabalho interdisciplinar, que dá lugar a um tipo de síntese mais ambiciosa, já que requer a combinação adequada de duas ou mais disciplinas que não se justapõem, mas que se integram e permitem uma compreensão que não ofereceriam separadamente. Como espécie, afirma autor, temos evoluído para sobreviver em nichos, não para desenvolver teorias corretas, dominar disciplinas ou transferir que aprendemos em um contexto para outro. A criança de pouca idade generaliza em excesso, enquanto a mais velha prefere resistir às generalizações, ainda que possa agir como a mais nova. A capacitação profissional somente reforça essas tendências. Algumas sínteses poderão ser mais simples ou requerer menos tempo, porém é provável que as mais valiosas sejam as que pressupõem um salto criativo, acrescenta Gardner. síntese mais ambiciosa é interdisciplinar: requer a combinação adequada de duas ou mais disciplinas que não se justapõem, mas se integram Mente criadora 35 de 52 páginasE-Book quarto capítulo se inicia com uma ideia do "visionário corporativo John Seely Brown", ex-chefe científico da Xerox, que acredita que as pessoas no futuro dirão: "Acredito, logo existo". Em nossa sociedade global, pondera autor, a criatividade é algo que se busca, se cultiva e se elogia, mas nem sempre foi assim, esclarece. Na maioria das sociedades e durante toda a história da humanidade, a criatividade não era perseguida nem premiada. Assim como ser humano possui forte tendência conservadora, contrária às formas educativas e aos saltos interdisciplinares, também as sociedades se esforçam para manter sua maneira de ser inalterada. Gardner apresenta como exemplo a antiga civilização egípcia, cujos alcances nos impressionam, deixando de lado a extrema lentidão de sua evolução, e lembra a reação dos contemporâneos de Galileu Galilei diante de seu pensamento científico inovador e de seu predecessor, Giordano Bruno. 36 de 52 páginasE-Book No entanto, em nossa época, a realidade parece ser diferente. Qualquer inovação pode ocorrer no mundo a qualquer momento. embora a maioria das inovações tenha vida efêmera, as que satisfazem a uma necessidade verdadeira ou despertam um entusiasmo genuíno se propagam velozmente e duram muito tempo. No âmbito da tecnologia, autor menciona êxito imediato do telefone, do automóvel e do avião e, mais recentemente, do computador, dos videogames, da internet e do telefone celular. Segundo ele, as corporações que não abraçarem a inovação serão inevitavelmente superadas pelas que fizerem. E atribui ao escasso interesse pela inovação a ausência ou perda de protagonismo de companhias norte-americanas que foram líderes há 50 anos, como a Sears Roebuck, a American Motors, a Pan American Airways ou a Westinghouse. 37 de 52 páginasE-Book Um acontecimento subsequente mostra que, até agora, cultivo da criatividade esteve centrado no ser humano. Um grupo de críticos dedicados a atividades criativas visto na Atenas no século V a.C., na Florença no Renascimento, na Viena e na Paris, dos anos 1900, no Vale do Silício, da década de 90 - constitui a melhor fórmula para garantir a continuidade da inovação. Atualmente, as cidades norte-americanas de Austin, San Diego e Seattle são mencionadas pelos especialistas como possíveis centros urbanos contemporâneos de características similares, devido à atração que exercem sobre indivíduos jovens, que se servem da tecnologia, são socialmente liberais e estão próximos da criatividade artística, diz Gardner. E isso ocorre também na Europa, na Ásia e na América Latina. Nos próximos anos, esse tipo de empreendimento criativo humano se tornará mais complexo pela intervenção de três novos fatores: as descobertas da biologia, a inteligência artificial e as dimensões ética e moral da vida social. 38 de 52 páginasE-Book Primeiramente, as descobertas da biologia humana particularmente biologia do cérebro e dos genes que permitirão conhecer os fatores que aumentam ou diminuem as probabilidades de levar uma vida criativa e empreender atividades criadoras. autor aborda a possibilidade de que haja genes responsáveis pelas personalidades e pelos temperamentos mais receptivos à inovação e à turbulência; talvez existam pontos do sistema límbico, conexões entre os dois hemisférios cerebrais ou entre áreas corticais que se ativam mais nos indivíduos considerados "criativos crônicos". segundo fator de complexidade são os novos conhecimentos que surgirão no campo da inteligência artificial e a simulação computadorizada do intelecto humano. Softwares que geram novas obras de arte visual e sonora, novos projetos comerciais e novas hipóteses e modelos científicos continuarão a se desenvolver. As pessoas comprometidas com a atividade criativa também usarão os computadores como "próteses intelectuais", manipulando variáveis e acumulando quantidades de informação inacessíveis na era pré-informática. A maioria das inovações atuais seria impossível sem auxílio da informática, sublinha Gardner, que prevê a continuidade de uma aposta acirrada entre os que destinarem essas novas formas de intelecto com fins positivos e os que as usarem para controlar e destruir. 39 de 52 páginasE-Book Por último, autor repete a advertência feita pelo cientista da informática Bill Joy sobre potencial destrutivo da nanotecnologia, da engenharia genética e da robótica e, ao mesmo tempo, advoga desenvolvimento de boa dose de criatividade na esfera do humano, em particular naquela em que as pessoas estabelecem relações interpessoais, realizam seu trabalho e cumprem com suas obrigações de cidadania, ou seja, na dimensão ética e moral da vida social, tema que será retomado nos capítulos finais. Mente respeitosa livro se insere na mente respeitosa com uma fascinante descoberta da arqueologia. Há aproximadamente 80 mil anos, os antecessores do Homo sapiens já se adornavam com contas coloridas. Os especialistas supõem que essa era uma das formas de os grupos hominídeos se diferenciarem. Ao que parece, afirma Gardner, a tendência a criar grupos e a utilizar marcas diferenciadoras é uma característica básica e constante de nossa espécie, assim como é adotar atitudes positivas ou hostis. autor diz que basta pensar nos times de futebol ou na rivalidade entre provedores de serviços de internet. As relações nesses campos oscilam entre a amizade duradoura e enfrentamento mortal, passando pela rivalidade amistosa. 40 de 52 páginasE-Book respeito pelos demais é uma meta razoável em um mundo em que há centenas de países, milhares de línguas e grupos e mais de 6 bilhões de habitantes, argumenta Gardner. Já não é possível simplesmente separar alguns grupos de outros erguendo cercas e muros. Devemos aprender a viver em proximidade - e no mesmo planeta -, sem nos deixar levar por inclinações xenófobas, por mais que elas possam nos conduzir a êxitos no curto prazo. Gardner prefere falar de respeito, mais que de tolerância, e convida os seres humanos a aceitar as diferenças, a aprender a conviver com elas, a valorizar e respeitar os que fazem parte de outros grupos. Como demonstração de que a educação formal, por prolongada que seja, não garante desenvolvimento de uma mente respeitosa, lembra que oito dos 15 nazistas que decidiram, na chamada Conferência de Wannsee, em 1942, colocar em marcha a infame "solução final do problema judeu", haviam se doutorado nas universidades centro-europeias mais prestigiadas. 41 de 52 páginasE-Book Em seguida, expõe a existência de muitos tipos de respeito. Os que se inclinam para a filosofia, por exemplo, abordam essa questão do ponto de vista da moralidade, da ética e dos direitos e obrigações do ser humano e chegam à conclusão de que todos os seres humanos fazem parte de uma só comunidade. No entanto, para autor, não existe fórmula capaz de permitir que uma pessoa seja respeitosa com as demais. Ao mencionar caso dos cidadãos europeus que, durante nazismo, arriscaram a vida protegendo os que foram perseguidos pelo regime, Gardner cita alguns especialistas no tema, segundo os quais as diferenças entre aqueles e os colaboradores da Gestapo remontavam à infância, em que os primeiros não haviam recebido castigos físicos dos pais, que também lhes tinham explicado as regras e condutas desejadas de forma clara e razoável. respeito pelos demais deveria impregnar toda nossa vida, afirma autor que, nas páginas finais do livro, se centrará no tipo de mentalidade que todo indivíduo deveria exibir no exercício de sua vocação e de seu papel como cidadão. Mente ética 42 de 52 páginasE-Book No começo do capítulo dedicado a analisar a mente ética, Gardner confessa que, se tivesse de escolher um tipo de mundo em que viver, gostaria de um que fosse caracterizado pelo imperativo do "trabalho bom", ou seja, um trabalho de qualidade excelente, ético e comprometido. Relata em seguida que durante anos estudou, com outros pesquisadores, a natureza do "trabalho bom", e isso levou a delinear seu pensamento em torno da mente ética. Explica então que, tal como acreditavam os primeiros cientistas, trabalho ocupa centro da vida moderna. São três as facetas de um trabalho concebido como bom: Primeiramente, trata-se de um trabalho de qualidade excelente ou, de acordo com a exposição desenvolvida no livro, de um trabalho altamente disciplinado. Segundo, é um trabalho responsável, levando em conta impacto que causa na comunidade. Finalmente, tem um significado e oferece sustento mesmo nas condições mais difíceis. Como especialista em educação, e que a entende como uma preparação para a vida, Gardner convoca os docentes a formar jovens para uma vida marcada pelo trabalho bom. 43 de 52 páginasE-Book Com olhar na cidade de Reggio Emilia, na Itália, que serve de exemplo para trabalho bom, Gardner ressalta que há três pilares que sustentam: apoio vertical. A orientação ética começa em casa. Embora as crianças não vejam seus pais no ambiente de trabalho, elas ouvem falar de suas atividades profissionais e notam compromisso que eles assumem nelas: se somente as suportam, como meio de trazer sustento da família, ou se também vêem um significado intrínseco. Além disso, os adultos tomam decisões vinculadas às obrigações domésticas e cidadãs, e os filhos estão ali, novamente, observando e aprendendo. apoio horizontal. Na sociedade contemporânea, os colegas ganham grande importância. Desde muito pequenas, as crianças normalmente ficam na companhia de outras com mais ou menos a mesma idade. As condutas e crenças desses colegas exercem sobre elas enorme influência, especialmente se reconhecem neles outros conhecimentos, maior prestígio e/ou maior poder. A qualidade do grupo é fundamental durante a adolescência, etapa em que os indivíduos experimentam diferentes opções de vida. Os colegas também desempenham função crucial quando um novo profissional ocupa um lugar de trabalho, seja como aprendiz, seja como empregado. 44 de 52 páginasE-Book "Vacinações" periódicas. Por mais que um indivíduo tenha tudo para chegar a ser um bom profissional -uma - família regida por modelos éticos, um grupo íntegro e bem motivado e uma primeira experiência de trabalho favorável -, não há garantia de que conseguirá. Gardner explica que existem muitos fatores que podem distanciar do caminho da ética jovem profissional, desde uma oferta de trabalho altamente lucrativa até práticas laborais inadequadas que ninguém supervisiona nem corrige. Portanto, é preciso que todos os trabalhadores continuem gerando anticorpos. Em alguns casos, bastam reforços de vacinações anteriores, por meio de contatos com pessoas e experiências que lembrem significado do trabalho bom. Em outros, contudo, são necessárias vacinas antivirais ou tratamentos de choque, para combater os exemplos negativos. Como cultivar as cinco mentes Depois de recapitular as características essenciais de cada uma das cinco mentes, Gardner analisa as formas que podem assumir, assim como a resistência a elas, quando significam obstáculos para seu desenvolvimento: Conservadorismo Se a educação tradicional já oferece resultados aceitáveis, por que mudá-la? Adoção de modas passageiras - Os visionários constantemente 45 de 52 páginasE-Book propõem novidades. Por que deveríamos acreditar que essas cinco mentes são melhores que outras anteriores? Temor a um risco oculto - Que custos ocultos terá esse novo modo de pensar? Talvez a excessiva criatividade degenere em anarquia. Impotência - Esses objetivos parecem bons, mas não sei como alcançá-los nem como avaliar seus resultados. Além de pedir minha aprovação, mostrem-me que tenho de fazer. Gardner propõe uma ordem para movimentar-se com maestria no domínio das cinco mentes: 1. Respeito. Deve-se começar criando uma atmosfera de respeito pelos demais. Caso contrário, alcance de outros objetivos educativos será infinitamente mais difícil. 2. Disciplina. final da etapa do ensino fundamental é momento adequado para adquirir as principais formas acadêmicas de pensar: científica, matemática, histórica e artística, no mínimo. 3. Capacidade de síntese. Uma vez munido das normas de pensar de cada uma das principais disciplinas, estudante estará 46 de 52 páginasE-Book preparado para fazer sínteses de valor e abordar pensamento interdisciplinar. 4. Ética. Quando indivíduo se prepara para abandonar a educação formal e se incorporar ao mercado do trabalho, pode tomar distância e, de uma perspectiva de maior abstração, compreender suas novas possibilidades como trabalhador e cidadão. leitor notará que autor não incluiu em sua lista a criatividade. Isso porque a importância que se dá à criança nas escolas depende de como aquela sociedade encara a criatividade.) Gardner conclui livro com uma reflexão inquietante. Talvez nós, indivíduos da espécie humana, não tenhamos a clarividência necessária para sobreviver ou precisemos de ameaças mais imediatas a nossa sobrevivência para forjar uma causa comum pela qual lutar. Seja como for, a sobrevivência e a prosperidade de nossa espécie dependem de nossa capacidade de cultivar potenciais que são exclusivamente humanos. A geografia das menta lidades 47 de 52 páginasE-Book Assim como podemos distinguir culturas em que se cultiva trabalho disciplinado (a China, por exemplo) e outras em que a criatividade é altamente valorizada (como Vale do Silício, nos EUA ), é possível identificar lugares caracterizados pelo trabalho bom. Howard Gardner, em seu livro Cinco Mentes para Futuro, ilustra sua ideia com a pitoresca cidade de Reggio Emilia, no norte da Itália, onde, pelo que se sabe, as pessoas trabalham excepcionalmente bem. Reggio Emilia é uma comunidade civilizada de pouco mais de 100 mil habitantes, que oferece serviços de excelente qualidade a seus habitantes e está repleta de tesouros e atividades artísticas. Nas últimas décadas, cidade destinou um valor sem precedentes de recursos materiais e humanos para desenvolvimento de creches e escolas de educação pré-escolar, consideradas pela revista Newsweek, em 1991, como "as melhores do mundo". Gardner diz que não foi por mera casualidade que Reggio Emilia alcançou esse nível de excelência. Por um lado, encontra-se em uma região do mundo que há séculos apresenta uma sociedade civil estabelecida: seus serviços comunitários e grupos culturais de caráter voluntário remontam à Idade Média. Mas, por outro, essa comunidade chegou a ser que é graças ao compromisso de pessoas que, depois da destruição causada pela Segunda Guerra Mundial, uniram-se para criar um lugar onde, com seus filhos, pudessem prosperar. Como chegar à síntese 48 de 52 páginasE-Book Veja os quatro componentes mínimos que qualquer tentativa eficaz de síntese requer, segundo Howard Gardner: 1. um objetivo ou meta (a declaração ou a ideia que a mente sintetizadora persegue); 2. um ponto de partida (ideia, imagem ou trabalho prévio sobre qual se pode construir); 3. a escolha de uma estratégia, de um método e de um enfoque; e 4. rascunhos e um sistema de feedback (isso constituiria que ele chama de versão beta, ou inicial, de um plano de negócios). Conteúdo disponível por completo no formato digital HSM Como vimos, Howard aconselha que todo mundo, seja um executivo de negócios ou apenas um cidadão comum, cultive cinco tipos de mentalidade: Figura Cinco tipos de Mentalidade para futuro 49 de 52 páginasE-Book 1 A disciplinada 2 A sintetizadora Tipos de mentalidade 3 A criadora para futuro 4 A respeitosa 5 A ética Fonte: Institucional, 2020. Agora veja a entrevista com Kelly Palmer sobre mudança de cultura de aprendizagem formal para o modelo Chief of Learning Office (CLO), suas perdas, ganhos e a importância das habilidades no processo de conhecimento. Momento expo HSM Assista ao vídeo "Chief of Learning Office: mudança de mentalidade e cultura de aprendizagem". Conteúdo disponível por completo no formato digital HSM 50 de 52 páginas