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RAFAELLA MARINELI GESTÃO DA SEGURANÇA PÚBLICA Sumário INTRODUÇÃO ������������������������������������������������� 3 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO APLICADO À SEGURANÇA PÚBLICA ������������� 4 MODELOS DE GESTÃO E POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA ���������������������������������� 9 LEI DE EXECUÇÃO PENAL E DIRETRIZES DA POLÍTICA PENITENCIÁRIA NACIONAL � 12 CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA CRIMINAL E PENITENCIÁRIA – CNPCP ����� 27 DEPARTAMENTO PENITENCIÁRIO NACIONAL (DEPEN) �������������������������������������30 CONSIDERAÇÕES FINAIS ����������������������������38 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & CONSULTADAS ��������������������������������������������40 2 INTRODUÇÃO Neste e-book, analisaremos o Planejamento Estratégico aplicado à segurança pública e às principais ações estabelecidas no Plano Nacional de Segurança Pública para o decênio 2021-2030, os modelos de gestão e as principais políticas de segurança pública, a Lei de Execuções Penais, as diretrizes da política penitenciária, os órgãos responsáveis pela aplicação e fiscalização das leis de segurança pública e política penitenciária nacional, a exemplo do Conselho Nacional de Se- gurança Pública e Penitenciária e o Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Os problemas de segurança pública no Brasil são inúmeros e a falta de investimentos e de políticas públicas na área, ocasiona uma enorme e prejudicial inefetividade dos órgãos de segurança. O sistema penitenciário nacional é um exemplo de problema estrutural relacionado à falta de investimentos em segurança pública, o qual discutiremos no decorrer deste e-book, a exemplo da superlotação carcerária, dos poderes paralelos das facções criminosas e das rebeliões violentas vivenciadas nos últimos anos no interior dos presídios de todo país. 3 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO APLICADO À SEGURANÇA PÚBLICA No contexto mundial, o Brasil encara atualmente o desafio de fazer cumprir os Objetivos do Desen- volvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), dentre eles está o Objetivo 16 que prevê a paz, a justiça e as instituições efi- cazes. Nesse sentido, o desafio mundial exige do Brasil a criação e implementação de estratégias de prevenção e redução da criminalidade, instru- mentos eficazes de acesso à justiça e uma atuação conjunta e coordenada entre os diversos setores públicos e sociais para a efetiva implementação de propostas que cumpram com o objetivo em questão. No contexto nacional, o desafio da segurança pú- blica brasileira compreende uma série de variáveis a serem enfrentadas para além da redução dos altos índices de criminalidade, combate ao crime e o superencarceramento. O IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) já apontou gastos em torno de 258 bilhões de reais anuais para o combate à violência no Brasil. A Administração Pública enfrenta variáveis multisetoriais que devem ser levadas em consideração quando se trata de 4 segurança pública, implicando a necessidade do desenvolvimento de políticas públicas educacionais, de saúde e de trabalho, que tragam a melhoria das condições econômico-sociais para alavancar os índices de sucesso no setor da segurança. Em 2018, o Brasil instituiu o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e criou as bases para a Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS), por meio da Lei 13.675/2018. Essa lei estabeleceu competências, princípios, objetivos, meios e instrumentos para a atuação efetiva do Estado no âmbito da segurança pública. Dentre os instrumentos centrais previstos pela referida lei estão: o Conselho de Segurança Públi- ca e Defesa Social, que é o órgão para discutir e legitimar as políticas e os planos de segurança a serem criados pelos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e os mecanismos de controle, transparência, capacitação e valorização dos profissionais de segurança pública. O Sistema Único de Segurança Pública, gerido pelo Ministério da Segurança Pública, estabeleceu a esse órgão a competência para elaborar e implementar o Plano Nacional de Segurança Pública com dura- ção de dez anos e com a finalidade de articular as ações do Poder Público. Assim, essa medida durará entre 2021-2030 e tem como principais objetivos: 5 y Apresentar ações estratégicas alinhadas aos objetivos da Política Nacional de Segurança Pública; y Definir metas estratégicas e indicadores de segurança pública; y Estabelecer ciclos de implementação, moni- toramento e avaliação das políticas públicas em segurança pública; y Orientar os entes federativos quanto às pro- postas do Plano Nacional de Segurança Pública e do Sistema Único de Segurança Pública. O Plano Nacional de Segurança Pública deve ser considerado em um planejamento de desenvolvi- mento contínuo, voltado à completa mudança da forma de gerir políticas de segurança pública no Brasil com o fim da preservação da ordem pública, da incolumidade das pessoas, do patrimônio e do meio ambiente, superando o quadro de violência observado no país. O Relatório Mundial sobre Homicídios das Nações Unidas sobre Crimes e Drogas (UNODC) apontou o Brasil como um dos países mais violentos do mundo. Concentrando 2,8% da população mundial, o Brasil conta com 11% de todos os homicídios do planeta. A taxa de 11,7 homicí- dios por 100 mil habitantes em 1980, saltou para 30,8 mortes violentas em 2017, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que apontou como as REFLITA 6 macrocausas da violência letal: conflitos entre facções e tráfico de drogas; violência patrimonial; violência doméstica; conflitos decorrentes da intervenção de agentes do Estado. As ações estratégicas do Plano Nacional de Segu- rança Pública para o decênio 2021-2030 podem ser verificadas na tabela a seguir: Tabela 1: Ações estratégias do Plano Nacional de Segu- rança Pública Ação Estratégica 1 Promover ações de governança e gestão da segurança pública e defesa social do País. Ação Estratégica 2 Desenvolver programas e projetos que favo- reçam a execução de ações preventivas e repressivas articuladas com outros setores, públicos e privados, para a redução de crimes e conflitos sociais. Ação Estratégica 3 Aperfeiçoar a atuação estratégica dos órgãos de segurança pública e defesa social para o enfrentamento de delitos transfronteiriços e transnacionais. Ação Estratégica 4 Aperfeiçoar a gestão de ativos provenientes da persecução penal da prática e financiamento de crimes, de atos de improbidade administrativa e de ilícitos, além de promover a sua destinação Ação Estratégica 5 Qualificar o combate à corrupção, à oferta de drogas ilícitas, ao crime organizado e à lavagem de dinheiro, com a implementação de ações de prevenção e repressão de delitos dessas naturezas. Ação Estratégica 6 Qualificar e fortalecer a atividade de investiga- ção e perícia criminal. 7 Ação Estratégica 7 Padronizar tecnologicamente e integrar as bases de dados sobre segurança pública entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios, por meio da implementação do Sistema Na- cional de Informações de Segurança Pública. Ação Estratégica 8 Fortalecer a atividade de inteligência das insti- tuições de segurança pública e defesa social. Ação Estratégica 9 Promover o aparelhamento e a modernização da infraestrutura dos órgãos de segurança pública e defesa social. Ação Estratégica 10 Aperfeiçoar as atividades de segurança pública e defesa social, por meio da me- lhoria da capacitação e da valorização dos profissionais Ação Estratégica 11 Aperfeiçoar as condições de cumprimento de medidas restritivas de direitos, de penas alternativas à prisão e de penas privativas de liberdade, com vistas à humanização do processo e redução dos índices gerais de reincidência. Ação Estratégica 12 Desenvolver ações articuladas com outros setores, públicos e privados, destinadas à prevenção e à repressão à violência e à crimi- nalidade relacionadas às mulheres, aosjovens e aos grupos vulneráveis. Fonte: Adaptado de https://www.gov.br/mj/pt-br/centrais- -de-conteudo/publicacoes/planos/plano_nac-_de_segu- ranca_publica_e_def-_soc-_2021___2030.pdf. 8 https://www.gov.br/mj/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/planos/plano_nac-_de_seguranca_publica_e_def-_soc-_2021___2030.pdf https://www.gov.br/mj/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/planos/plano_nac-_de_seguranca_publica_e_def-_soc-_2021___2030.pdf https://www.gov.br/mj/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/planos/plano_nac-_de_seguranca_publica_e_def-_soc-_2021___2030.pdf MODELOS DE GESTÃO E POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA A segurança pública é um dever do Estado, um direi- to e uma responsabilidade de todos, exercida com a finalidade de preservação da ordem pública, da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Nesse sentido, será implementada pelos três níveis de governo de forma integrada e coordenada, visando à prevenção da criminalidade e da violência, por meio de boas práticas que envolvam a participação da sociedade e a transparência da ação pública. A lei sobre a Política Nacional de Segurança Pública (Lei 13.675/2018) elenca a competência da União para estabelecer o Plano Nacional de Segurança Pública, além da competência dos Estados, do Dis- trito Federal e dos Municípios para estabelecer as suas respectivas políticas, desde que observadas as diretrizes da política nacional. Nesse sentido, a nível nacional são estabelecidas as seguintes estratégias para a segurança pública: y Integração, coordenação e cooperação federativa; y Modernização da gestão das instituições de segurança pública; y Interoperabilidade e liderança situacional; y Valorização e proteção dos profissionais; y Diagnóstico dos problemas a serem enfrentados; y Excelência técnica; 9 y Avaliação continuada dos resultados; y Garantia da regularidade orçamentária para execução dos planos e programas de segurança pública. A lei sobre a Política Nacional de Segurança Pública também trouxe alguns princípios norteadores. A seguir, elencamos alguns deles: y Respeito ao ordenamento jurídico e aos direitos e garantias individuais e coletivos; y Proteção, valorização e reconhecimento dos profissionais de segurança pública; y Proteção dos direitos humanos e fundamentais; y Prevenção, controle e repressão eficientes das infrações penais; y Proteção da vida, do patrimônio e do meio ambiente; y Transparência, responsabilização e prestação de contas. Além disso, a seguir, seguem alguns dos principais objetivos da Política Nacional de Segurança Pública: y Fomentar a integração das ações estratégicas e operacionais em atividades de inteligência de segurança pública; y Incentivar medidas para modernização dos equipamentos tecnológicos em segurança pública; y Integrar e compartilhar informações de segu- rança pública, prisionais e sobre drogas; y Fomentar ações permanentes para combate ao crime organizado e à corrupção; 10 y Priorizar políticas de redução de letalidade violenta. Considerando que os Estados, o Distrito Federal e os Municípios estabelecem suas respectivas polí- ticas, observemos na figura a seguir como ocorre tais em cada um dos âmbitos indicados: Figura 1: Sistema Nacional de Segurança Pública. 1 - Ministério da Justiça e Segurança Pública 2 - Ministério da Defesa 3 - Ministério dos Direitos Humanos 4 - Ministério do Desenvolvimento Social 5 - Ministérios das Relações Exteriores 6 - Ministério do Meio Ambiente 7 - Ministério da Fazenda - Receita Federal do Brasil Âmbito Nacional 1 - Secretarias de Segurança Pública 2 - Polícias Militares; 3 - Polícias Civis; 4 - Corpos de Bombeiros Militares; 5 - Instituições de perícia oficial; 6 - Sistema Penitenciário; 7 - Secretarias de desenvolvimento social ou correspondentes Âmbito Estadual 1 – Secretaria de Segurança Pública 2 – Guarda Municipal Âmbito Municipal Fonte: Elaborado pela autora. Em suma, a Lei que instituiu a Política Nacional de Segurança Pública estabeleceu sua estratégia, seus objetivos e princípios norteadores, além da estrutura do sistema de segurança, voltada ao regime de colaboração entre os entes federativos para assegurar a efetividade da segurança nacional. 11 LEI DE EXECUÇÃO PENAL E DIRETRIZES DA POLÍTICA PENITENCIÁRIA NACIONAL A Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984) tem como objetivo fazer cumprir a sentença penal condenatória ou a decisão crimi- nal e proporcionar as condições da reintegração social do condenado. As previsões da LEP estão direcionadas, principalmente, ao cumprimento da pena privativa de liberdade nos estabelecimentos penais. Além disso, a LEP está dividida em 8 títulos, conforme descritos na figura a seguir: Figura 2: Estrutura da Lei de Execução Penal (LEP). Título 1 – Do objeto e da aplicação da LEP Título 2 – Do condenado e do internado Título 3 – Dos órgãos da execução penal Título 4 – Dos estabelecimentos penais Título 5 – Da execução das penas em espécie Título 6 – Da execução das medidas de segurança Título 7 – Dos incidentes de execução Título 8 – Do procedimento judicial ESTRUTURA DA LEP Fonte: Elaborado pela autora Ainda sobre a LEP, imaginemos a seguinte situa- ção: um condenado, que é o sujeito que sofreu um processo criminal, foi julgado, sentenciado com trânsito em julgado (ou seja, recebeu uma senten- ça da qual não cabe mais recurso) e recebeu uma 12 sanção penal para cumprimento. O condenado deverá ter a execução da sua pena individualizada de acordo com os seus antecedentes criminais e a sua personalidade, e quando condenado à pena privativa de liberdade em regime fechado a indivi- dualização da pena ocorrerá por meio do exame criminológico. Em regra, a individualização da pena do condenado é realizada pela Comissão Técnica de Classifica- ção, presidida pelo diretor e composto por um psi- quiatra, um psicólogo, um assistente social e dois chefes de serviço. Caso não exista tal comissão, a individualização é realizada pela administração prisional com base no exame criminológico. O condenado por crime doloso praticado com violência de natureza grave contra a pessoa será submetido ao exame criminológico e, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético com extração de DNA. Já o preso provisório, é o indivíduo que sofre a prisão durante o curso do processo para assegurar o normal percurso do processo penal. Segundo a Lei de Execução Penal, o preso provisório também estará sujeito à prisão devendo, contudo, ficar FIQUE ATENTO 13 separado dos presos definitivos (indivíduos que cumprem pena por sentença transitada em julgado). Nesse sentido, trata-se de é uma prisão processual com a função de assegurar o regular trâmite do processo penal e poderá ser decretada como ga- rantia da ordem pública e da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. O Estado deverá prestar assistência ao preso e ao internado. A assistência será: y Material: fornecimento de alimentação, vestuário e instalações higiênicas. O estabelecimento penal deverá atender o indivíduo em suas necessidades e fornecer local com produtos permitidos; y Saúde: é direito do preso e do internado receber atendimento médico, farmacêutico e odontológico. No caso de não haver o aparato de saúde necessário no local, o preso ou o internado serão atendidos no local onde houver, mediante autorização do estabelecimento penal. No caso da presa gestan- te, ela terá o direito ao acompanhamento médico pré-natal e pós-parto, bem como, o recém-nascido; y Educacional: instrução escolar (o ensino fun- damental é obrigatório) e formação profissional do preso e do internado. O ensino médio, regular ou supletivo, com formação profissional será implementado nos presídios e custeado pelos 14 recursos destinados à educação e pelos recursos doSistema Estadual de Justiça e Administração Penitenciária. Poderão ser oferecidos cursos su- pletivos e programas de educação à distância. As atividades educacionais podem ser desenvolvidas por entidades públicas ou convênios com entida- des particulares. Deve haver o censo penitenciário para apurar o grau de formação de seus presos, em cada unidade. A educação é forma de remição da pena, por isso, a importância da sua possibilidade para pessoas em situação de cárcere; y Jurídica: aos presos e internados que não tem condições financeiras de constituir advogado é assegurada a defesa pela Defensoria Pública; y Social: o serviço do assistente social deve acompanhar a situação do preso ou do internado de modo a prepará-lo para o retorno em sociedade. Tal trabalho compreende: relatar às autoridades as dificuldades e os problemas do infrator, acompanhar os resultados de permissões de saída, promover a recreação, promover a orientação do liberando na fase final do cumprimento da pena, providen- ciar a obtenção de documentos dos benefícios de previdência social e do seguro por acidente de trabalho, orientar e amparar a família do preso, do internado e da vítima; y Religiosa: será prestada aos presos e aos in- ternados, permitindo a participação nos serviços organizados no estabelecimento penal e a posse 15 de livros religiosos, devendo haver na prisão local apropriado para a realização de cultos. O exercício religioso é uma faculdade do preso, sendo vedada a sua imposição; y Ao egresso: o egresso é o liberado definitivo, assim considerado pelo prazo de um ano após a sua saída do estabelecimento prisional, ou o liberado condicional, assim considerado durante o período de prova. A assistência consiste na orientação e no apoio para reintegrá-lo à vida em liberdade, na concessão, quando necessário, de alojamento e alimentação em estabelecimento adequado pelo prazo de dois meses, podendo ser prorrogado para mais dois meses, caso haja necessidade comprovada e declarada pelo assistente social, desde que esteja procurando emprego. O serviço de assistência social colaborará com o egresso para a obtenção de trabalho. O trabalho é um dever do condenado, segundo já pacificado o entendimento pelos Tribunais Su- periores, e detém finalidade educativa, produtiva e ressocializadora. Entretanto, existem algumas peculiaridades relacionadas ao trabalho do preso importantes de serem ressaltadas: y Não é regido pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT); y Serve para fins de contagem de tempo para a previdência social; 16 y Será remunerado; y Não pode ser inferior a três quartos do salário-mínimo; y O produto da remuneração do trabalho serve para: indenizar os danos causados pelo crime conforme a determinação da sentença judicial, assistência à família do preso, pequenas despesas pessoais; ressarcimento ao Estado; y A parte restante do salário (pecúlio) será de- positada em poupança e entregue ao condenado quando posto em liberdade; y Trabalho interno: é obrigatório (exceto para o preso provisório e para o preso político), realizado dentro do estabelecimento prisional com jornada mínima de seis horas e máxima de oito horas, com descanso aos domingos e feriados. Pode ser serviço de conservação e manutenção do estabelecimento prisional ou trabalho gerenciado por fundação, empresa pública ou convênio com empresa privada. Os produtos do trabalho dos presos serão vendidos a particulares ou, quando não recomendável a venda, serão adquiridos pela administração pública; y Trabalho externo: só pode ser realizado pelo preso em regime fechado. Ocorre em obras públicas ou serviços realizados pela administração pública ou por entidades privadas. Deve ser cauteloso, ob- servando regras para evitar fugas. O limite máximo de presos em cada obra será de 10%. Precisa da 17 autorização da direção do estabelecimento e do cumprimento de, no mínimo, um sexto da pena. Pode ser revogada a autorização de trabalho ex- terno ao preso que praticar crime, for punido com falta grave ou indisciplina. O trabalho do preso deve ser adequado às suas aptidões e capacidades. O preso com deficiência física, doente ou maior de 60 anos deverá exercer ocupações adequadas à sua condição. O preso provisório não é obrigado a trabalhar e, caso opte pelo trabalho, só poderá realizá-lo no interior do estabelecimento penal. O preso é sujeito de direitos e deveres no cárcere. Nesse sentido, a tabela a seguir nos apresenta a previsão legal sobre os direitos e os deveres do preso. Observemos: Tabela 2: Direitos e deveres no cárcere Direitos Deveres Alimentação e vestuário Comportamento e disciplina Trabalho e remuneração Obediência, urbanidade e respeito Previdência social Conduta oposta aos movi- mentos de fuga e indisciplina Pecúlio Execução do trabalho, das ordens e das tarefas Descanso e recreação Submissão à sanção disciplinar 18 Atividades profissionais, artís- ticas, intelectuais e desporti- vas compatíveis com a pena Indenização ao Estado Proteção contra o sensacionalismo Higiene pessoal e asseio da cela Entrevista pessoal e reservada com o advogado Conservação dos objetos de uso pessoal Visita do cônjuge, do compa- nheiro, de parentes e amigos Chamamento pelo nome Igualdade de tratamento, sal- vo quanto às peculiaridades da pena Representação e petição a qualquer autoridade para defesa de direito Correspondência escrita Atestado de pena anual Fonte: Elaborado pela autora. A disciplina do preso é detalhada na Lei de Execu- ção Penal (LEP), sendo seu dever colaborar com a ordem e obedecer às determinações das autorida- des. O preso sujeito à disciplina é o preso definitivo à pena privativa de liberdade, o preso provisório é o condenado à pena restritiva de direitos. A autoridade administrativa é a responsável pela aplicação do poder disciplinar, que não pode colocar em perigo a integridade física e moral do condenado, nem emprego de cela escura ou sanção coletiva. A Lei de Execução Penal traz a previsão das faltas consideradas graves. São elas: 19 y Incitar ou participar de movimento subversivo à ordem ou à disciplina; y Fuga; y Possuir instrumento capaz de ofender a inte- gridade física; y Provocar acidente de trabalho; y Descumprir as condições impostas no regime aberto ou na pena restritiva de direitos; y Inobservar os deveres impostos pela LEP; y Posse de telefone, rádio ou aparelho similar; y Prática de crime doloso. O Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) é a sanção disciplinar ou a medida cautelar imposto ao preso pro- visório ou ao condenado que praticar crime doloso, ou quando praticar ato subversivo, que implique alto risco para a ordem e segurança do estabelecimento prisional ou houver fundada suspeita de envolvimento ou participa- ção em organização criminosa ou quadrilha. O indivíduo será recolhido em cela individual por, no máximo, 360 dias. O RDD só pode ser aplicado por meio de prévio e fundamentado despacho do juiz competente, precedida de manifestação do Ministério Público. No caso de faltas que não impliquem a aplicação do Regime Disciplinar Diferenciado, poderão ser impostas as seguintes sanções disciplinares: FIQUE ATENTO 20 advertência verbal, repreensão, suspensão ou restrição de direito e isolamento. Após a prática da falta disciplinar, deverá ser instaurado o pro- cedimento de apuração e assegurado o direito de defesa técnica, pelo advogado ou defensor público do acusado. Em relação à execução penal, ela será realizada e fiscalizada pelos seguintes órgãos: Juízo da Execução; Ministério Público; Defensoria Pública; Departamentos Penitenciários; Patronato; Conselho Penitenciário; Conselho da Comunidade; Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. O juiz da Execução Penal, o membro do Ministério Público, o Defensor Público e o advogado são os atores responsáveis pela correta aplicação da pena e pela fiscalização doseu cumprimento dentro das determinações legais. Após a condenação criminal, por meio de uma sentença judicial, inicia-se o processo de execução penal. É expedida a guia de recolhimento onde consta todas as informações e os principais dados da ação penal, que é elaborada pela vara criminal em que tramitou o processo e gerou a condenação. Essa guia será enviada para uma novo setor, deno- minado de Vara de Execução Penal, onde um novo processo será iniciado para administrar e fiscalizar o cumprimento da pena. Essa é chefiada pelo juiz 21 da Execução Penal, encarregado de administrar e fiscalizar o cumprimento da pena da pessoa con- denada e para quem devem ser realizados todos os pedidos relacionados ao preso. O Ministério Público ficará responsável pela fis- calização da execução da pena e por oficiar nos processos de execução. Assim, o Promotor de Justiça deve fiscalizar as guias de recolhimento do preso e requerer todas as providências necessárias ao processo de execução. Cabe a ele converter as penas, regredir ou progredir os regimes dos ape- nados e visitar mensalmente os estabelecimentos penais, devendo tomar as medidas necessárias e informar os demais órgãos de fiscalização quan- do averiguar qualquer situação de calamidade ou desumanidade com relação aos presidiários nos estabelecimentos prisionais. A Defensoria Pública, órgão essencial à função jurisdicional do Estado, deve atuar pela defesa dos necessitados. No caso da execução penal, velará pela sua regularidade e atuará nos processos dos presos que pela situação de vulnerabilidade econômica não contenham nos autos advogado constituído. Cabe ao Defensor Público requerer todas as providências do processo que estiverem de acordo com a lei e puderem beneficiar o pre- so, tais como pedidos de progressão de regime, detração e remição de pena, conversão de pena, 22 suspensão da pena, livramento condicional, indulto, e saída temporária. O membro da Defensoria Pública, assim como o Promotor de Justiça, deve visitar os estabelecimen- tos penais, tomando as devidas providências para o seu funcionamento ideal, e requerer à autoridade judicial ou ao órgão fiscalizatório a apuração de responsabilidade dentro do estabelecimento penal, bem como, os pedidos de interdição do estabele- cimento penal quando os direitos fundamentais dos presos estiverem sendo violados. Nesse processo todo, o advogado é indispensável para a administração da justiça, conforme precei- tuado pela Constituição Federal de 1988. Quando no exercício de sua profissão, o advogado é invio- lável pelos seus atos e manifestações, dentro dos limites da lei. Nas execuções penais, cabe a ele exercer a defesa do preso, intervir em todos os atos processuais, direcionar os pedidos referentes ao cumprimento da pena ao juízo competente e auxiliar na fiscalização do descumprimento dos direitos fundamentais dos encarcerados, denunciando possíveis violações aos órgãos fiscalizatórios. Cabe ao juiz da execução penal a condução do processo e a fiscalização do cumprimento da pena. Já o Promotor de Justiça além dessas atri- buições, a ele competirá também as providências 23 necessárias às intervenções e pedidos dentro do processo. E ao Defensor Público e ao advogado cumprem defender o preso realizando os pedidos necessários e, igualmente, auxiliando na fiscalização do ambiente carcerário nas possíveis violações dos direitos fundamentais dos presos. Os estabelecimentos penais são destinados ao condenado que cumpre pena em definitivo, ao preso provisório, ao indivíduo cumprindo medida de segurança e ao egresso. São cinco espécies de estabelecimentos penais: as Penitenciárias, as Colônias Agrícola ou Industriais, as Casas do Albergado, os Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico; e as Cadeias Públicas. Analisemos cada um deles a seguir: y Penitenciárias: direcionadas ao condenado à pena de reclusão em regime fechado; y Colônias agrícolas ou industriais: destinadas ao cumprimento da pena em regime semiaberto; y Casas do Albergado: direcionada ao cumprimen- to da pena em regime aberto e pena de limitação de final de semana; y Cadeias Públicas: destinam-se ao recolhimento do preso provisório, prevendo a Lei de Execução Penal a existência de uma Cadeia Pública em cada Comarca para atender ao direito do preso ficar em local próximo ao seu meio social e familiar; 24 y Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico: destinam-se aos inimputáveis e semi-imputáveis. A Constituição Federal estabelece também que a pessoa condenada pela prática de crime poderá receber as seguintes penas: privação ou restrição de liberdade; perda de bens; multa; prestação social alternativa e suspensão ou interdição de direitos. E proíbe expressamente as seguintes penas: de morte, salvo em caso de guerra declarada; de caráter perpétuo; de trabalhos forçados; de bani- mento e cruéis. A pena, segundo o princípio da individualização da pena, será cumprida em estabelecimentos distintos de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado, sendo assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral. Observemos a seguir os tipos mais comuns: y Da pena privativa de liberdade: pode ser de três espécies: reclusão, detenção ou prisão simples. A reclusão, mais severa, imposta a crimes mais gra- ves, e pode ser cumprida sob três regimes: aberto, semiaberto e fechado. A detenção, aplicada aos crimes de menor gravidade e pode ser cumprida apenas sob dois regimes, aberto ou semiaberto. Com relação ao regime de cumprimento da pena privativa de liberdade, pode ser o regime fechado, o regime semiaberto ou o regime aberto. O apenado 25 por reclusão pode cumprir a sua pena em regime inicial aberto, quando for condenado pela prática de crime cuja previsão legal for igual ou menor a quatro anos. O apenado por reclusão com uma pena maior do que quatro anos e igual ou menor a oito anos a cumprirá em regime inicial semia- berto. O apenado por reclusão com pena maior do que oito anos iniciará o cumprimento em regime inicial fechado. A prisão simples é a pena prevista na Lei de Contravenções Penais, aplicada apenas aos crimes de pequena gravidade, e só pode ser cumprida sob os regimes aberto e semiaberto; y Da pena restritiva de direitos: são autônomas e substituem as privativas de liberdade no caso de crime culposo ou doloso, quando a pena não for superior a quatro anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça. A aplicação ain- da exige o requisito da não reincidência penal do réu e os seu bons antecedentes. São espécies de pena restritiva de direitos: prestação pecuniária, perda de bens e valores, prestação de serviços à comunidade, interdição temporária de direitos e limitação de final de semana; y Da pena de multa: consiste no pagamento ao Fundo Penitenciário da quantia fixada na sentença, sendo no mínimo 10 e no máximo 360 dias-multa. O valor do dia-multa não pode ser inferior a um trigésimo do salário-mínimo. 26 CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA CRIMINAL E PENITENCIÁRIA – CNPCP O Conselho Nacional de Política Criminal e Pe- nitenciária, previsto na Lei de Execução Penal, subordinado ao Ministério da Justiça e com sede no Distrito Federal, é um dos órgãos responsáveis pela execução penal ao lado do Juízo das Execu- ções, do Ministério Público, da Defensoria Pública, do Conselho Penitenciário, dos Departamentos Penitenciários, do Conselho da Comunidade e do Patronato. Esse rol, descrito no artigo 61 da Lei de Execução Penal (LEP), é taxativo. A Polícia (Federal, Rodoviária Federal, Ferroviária Federal, Civil e Militar) não é órgão da execução penal, mas sim órgãos de segurança pública, conforme a previsão do artigo 144 da Constituição Federal de 1988� A sua atuação ocorre tanto no nível estadual quanto no nível federal e está dentre as suas atribuições: a propositura de diretrizes para a prevenção do delito, para a administração da justiçacriminal e para a execução de penas e medidas de segurança; a contribuição na elaboração de planos nacionais de desenvolvimento; a promoção na avaliação periódica do sistema prisional; o estímulo e pro- moção da pesquisa criminológica; a elaboração FIQUE ATENTO 27 do programa nacional penitenciário de formação do servidor; o estabelecimento de regras sobre a arquitetura e a construção de estabelecimentos penais; a definição de critérios para elaboração de estatística criminal; a inspeção e fiscalização dos estabelecimentos penais; a representação ao juiz da execução ou à autoridade administrativa; a instauração de sindicância ou procedimento administrativo em caso de violações da execução ou para a interdição do estabelecimento penal. O Conselho também detém função consultiva, podendo emitir opinião sobre matéria penal, pro- cessual penal e de execução penal que estejam submetidos à sua apreciação; responder às consul- tas sobre matéria de sua atribuição, desde que não envolvam fatos concretos, e sim matéria de direito, e realizar audiências públicas para discussão de temas concernentes à sua atividade. O Conselho também tem competência para estabelecer crité- rios e prioridades para a aplicação dos recursos do Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN). Quanto à composição do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, ele é integrado por treze membros designados através de ato do Ministério da Justiça, podendo ser professores e profissionais da área do Direito Penal, Processual Penal e Penitenciário ou ciências correlatas, repre- sentantes da comunidade e dos Ministérios da área social. O mandato dos membros tem duração de dois anos sendo permitida uma recondução. Além disso, um terço do corpo de membros é renovado a cada ano. 28 O Conselho tem o presidente como seu represen- tante maior, designado pelo Ministro da Justiça, e dois vice-Presidentes, designados pelo próprio presidente do Conselho. Na falta do presidente, o Conselho é representado pelo primeiro vice-presi- dente e, na falta deste, pelo segundo, sendo que na falta de ambos, o conselheiro mais antigo assume a representação. Já o Plenário é composto por todos os membros titulares e suplentes. As reuniões do Conselho são públicas, tornando-se reservadas no caso da necessidade da preservação do assunto ou no caso de ordem advinda do presi- dente ou da deliberação do plenário. São realizadas uma vez por mês ou, extraordinariamente, quando ocorrer a convocação pelo presidente ou por um terço dos seus membros, e só ocorrerão diante da presença da maioria absoluta dos membros, titulares e suplentes. Poderá ocorrer o desligamento do membro do Conselho no caso de três faltas consecutivas injus- tificadas das reuniões ou cinco faltas intercaladas no período de um ano, fato que será comunicado ao Ministro da Justiça. O Conselho recebe o apoio técnico, administrativo e financeiro do DEPEN – Departamento Penitenciário Nacional, motivo pelo qual o seu Diretor-Geral tem o direito de voz nas reuniões realizadas pelo Conselho. FIQUE ATENTO 29 DEPARTAMENTO PENITENCIÁRIO NACIONAL (DEPEN) O Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) foi criado no século XIX e era o órgão responsável pela gestão da segurança pública e da Guarda Nacional, da justiça criminal, do tráfico negreiro e da inspeção das prisões da antiga Secretaria de Estado dos Negócios de Justiça, transformada posteriormente em Ministério da Justiça. Atualmente, o DEPEN possui o status de Secretaria Nacional e está vinculado ao Ministério da Justi- ça, tendo como missão a garantia da segurança pública por meio do aprimoramento da gestão do sistema penitenciário, o apoio aos entes fede- rados e o isolamento das lideranças criminosas, além de assegurar a promoção da dignidade da pessoa humana no sistema carcerário nacional. Seu objetivo principal é o reconhecimento como órgão essencial à segurança pública, tendo criado, a partir de 2006, o Sistema Penitenciário Federal e instituído, em 2021, o Planejamento Estratégico para o decênio 2022-2032. O Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) é o órgão executivo responsável pelo Sistema Penitenciário Federal e pelo acompanhamento e 30 fiscalização da aplicação e cumprimento da Lei de Execução Penal e das Diretrizes da Política Penitenciária Nacional, exercendo a função de apoio administrativo e financeiro e aderindo ao cumprimento de ordens advindas do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. O órgão é subordinado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e, segundo a previsão do artigo 72 da Lei de Execução Penal, detém as seguintes atribuições: y Gestão do Sistema Penitenciário Federal e o isolamento das lideranças de crime organizado; y Acompanhamento rigoroso do cumprimento da Lei de Execução Penal, em todo território na- cional, dos presos de alta periculosidade (líderes de facções criminosas, presos responsáveis pela prática reiterada de crimes violentos, presos de alta periculosidade que podem comprometer a ordem e a segurança pública, presos responsáveis por fugas ou grave indisciplina no sistema prisional, presos colaboradores ou delatores, presos sujeitos ao regime disciplinar diferenciado); y Inspeção e fiscalização periódica dos estabe- lecimentos e dos serviços penais; y Prestação de assistência às unidades federa- tivas mediante convênios para implementação de estabelecimentos e serviços penais; y Gestão do Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN); 31 y Consolidação e divulgação dos dados e infor- mações relacionadas ao sistema penitenciário bra- sileiro, necessários para a elaboração de políticas públicas de saúde, educação, trabalho, assistência social e acesso à justiça. A partir disso, destacamos aqui uma das funções primordiais elencadas ao DEPEN: a gestão do Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN). Criado pela Lei Complementar nº 79 de 1994, é responsável pelo financiamento de atividades de aprimoramento do Sistema Penitenciário Brasileiro, sendo composto de recursos advindos de bens perdidos em favor da União Federal, multas decorrentes das sentenças penais condenatórias com trânsito em julgado, fianças quebradas ou perdidas e rendimentos decorrentes de aplicação do seu patrimônio. Os recursos do fundo são aplicados em construção, reforma e ampliação dos estabelecimentos penais, formação, aperfeiçoamento e especialização do serviço penitenciário, aquisição de material per- manente, equipamentos e veículos especializados imprescindíveis ao funcionamento dos estabele- cimentos penais, formação educacional e cultural do preso e do internado, programas de assistência jurídica aos presos e internados carentes, e demais ações que visam o aprimoramento do sistema pe- nitenciário em âmbito nacional. Além disso, outra 32 destinação legal dos recursos do Fundo é custear seu próprio funcionamento. A legislação estadual pode criar o Departamento Pe- nitenciário local ou órgão similar com a finalidade de supervisionar e coordenar os estabelecimentos penais locais da unidade federativa a que pertencer. O DEPEN é o órgão responsável pela atuação no Sistema Penitenciário Federal, onde ficam isolados os presos considerados de alta periculosidade à ordem social e à segurança nacional. As pe- nitenciárias federais tem aparatos tecnológicos modernos e corpo funcional composto de agentes federais de execução penal, especialistas federais em assistência penitenciária e técnicos de apoio. Desde a criação do Sistema Penitenciário Federal, em 2006, resultados significativos em termos de segurança nacional foram obtidos, tais como a diminuição de fugas, rebeliões, motins, entrada de celulares, instalação de protocolos rigorosos de segurança e de serviços de inteligência, treina- mentos periódicos dos servidores e equipamentos, armamentos e tecnologias avançadas. Para assegurar o bom cumprimento da pena e a dignidade da pessoa humana, as PenitenciáriasSAIBA MAIS 33 Federais contam com o apoio de equipes biop- sicossociais (médicos, enfermeiros, psicólogos, dentistas, assistentes sociais e professores), que prestam assistência material, educacional e reli- giosa aos presos. Em todo território nacional existem cinco Penitenciárias Federais: Catanduvas (Paraná), Campo Grande (Mato Grosso do Sul), Mossoró (Rio Grande do Norte), Porto Velho (Roraima) e a Penitenciária Federal de Brasília (Distrito Federal), criada no ano de 2018. A sexta Peni- tenciária Federal será construída em Charqueadas, no Rio Grande do Sul. O DEPEN, a partir do Plano Nacional de Segurança Pública criado em 2017, passou a promover a política de execução direta no Estado, quando recebeu a atribuição de apoiar os Estados nas intervenções prisionais para sanar crises do sistema penitenci- ário brasileiro, dado diversas rebeliões ocorridas em presídios do norte e nordeste brasileiro nos anos anteriores. O apoio do DEPEN aos Estados se dá de diversas maneiras. Observemos a seguir: y Ações de aparelhamento do sistema prisional, como doações, repasses, orientações, pesquisa de novas tecnologias, modernização do sistema prisional; FIQUE ATENTO 34 y Análise e aprovação dos projetos de arquitetura e engenharia referente à transferência de recursos do Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN) aos entes federativos; y Monitoramento e execução de obras de uni- dades prisionais, e análise técnica sobre projetos com foco em construção, ampliação e reforma de estabelecimentos prisionais; y Promoção de políticas de alternativas penais e implantação de Centrais Integradas de Alternativas Penais, compostas por equipes multidisciplinares (psicologia, assistência social e direito); y Implementação de Políticas Alternativas às Penas e Monitoração Eletrônica; y Promoção de estratégias de inclusão dos egressos do sistema prisional em programas de educação, cultura, lazer, esporte, geração de renda, assistência social. O objetivo central do DEPEN é a promoção do sistema penal justo, que viabiliza a reinserção e reintegração social do apenado. Nesse sentido, o foco é a promoção e execução de políticas pú- blicas voltadas à implementação de um sistema prisional reeducador que permite a reinserção do preso em sociedade e no mercado de trabalho. Nesse sentido, o órgão detém como estratégias prioritárias para implementação e execução das políticas públicas penitenciárias: 35 y A modernização e aparelhamento do sistema prisional para a melhoria da gestão de serviços penais; y O desenvolvimento de alternativas ao encar- ceramento, com o objetivo de redução da super- lotação carcerária; y A promoção de direitos no sistema prisional que garantam a execução da pena com o respeito à dignidade humana; y A implementação e o fortalecimento de políticas de assistência pessoal, diversidade social, prote- ção dos direitos do egresso do sistema prisional; y A oferta de atividades educacionais para encarcerados; y A ampliação de equipes de saúde no sistema prisional; y A ampliação do número de vagas de trabalho a pessoas privadas de liberdade e o desenvolvimento de projetos de qualificação profissional; y A implementação de melhorias das condições das unidades prisionais em termos de estrutura e de oferta de serviços penais; y A implantação do SIS DEPEN nas unidades prisionais para unificar a base de cadastro de pessoas encarceradas e dos dados estatísticos do sistema prisional, visando o mapeamento da realidade prisional. 36 Em resumo, o objetivo dessa instituição é ser reconhecida como órgão de segurança nacional essencial à segurança pública e a sua missão é aprimorar a gestão do sistema penitenciário nacional, apoiando os entes federados, isolando as lideranças criminosas e promovendo o encarceramento de modo a assegurar o respeito à dignidade humana. Para alcançar o seu objetivo, busca a desestig- matização do sistema penitenciário, a prevenção e enfrentamento ao crime organizado, apoiando os demais entes federativos, o isolamento de li- deranças criminosas, a produção normativa para apoio de gestão penitenciária, o fomento à políti- cas públicas penitenciárias, inclusive ao egresso do sistema prisional, a implementação de ações de governança no sistema penitenciário e a fisca- lização dos estabelecimentos e serviços penais para evitar violações aos direitos dos presos no sistema carcerário. 37 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste e-book, analisamos a estrutura da segurança pública brasileira e penitenciária. Os seus pontos focais estão contidos na Constituição Federal de 1988, na Lei sobre a Política Nacional de Segurança Pública e Sistema Único de Segurança Pública (Lei nº 13.675/2018) e na Lei de Execuções Penais (Lei nº 7.210/1984). A Constituição Federal, de 1988, estabelece a segurança pública como um dever do Estado, um direito e uma responsabilidade de todos, que deve ser exercida com a finalidade de preservar a ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos órgãos de polícia, a quem compete, exclusivamente, o exercício de segurança pública. A lei sobre a Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social instituiu o Sistema Único de Segu- rança Pública (SUSP) e estabeleceu os princípios, diretrizes, objetivos, meios e instrumentos para implementação de políticas públicas relacionadas ao tema. Após essa lei, foi lançado o Plano Nacio- nal de Segurança Pública como um complemento legal, com a finalidade de estabelecer as metas e os objetivos para a segurança pública no decênio 2021-2030. 38 Dentre as inovações trazidas por essa medida encontram-se os objetivos de modernização do aparato estatal e dos equipamentos de seguran- ça pública, com a implementação da inteligência artificial, de machine learning e a modernização do sistema de segurança nacional para os processos de fiscalização e combate à corrupção. A inovação está na busca de acompanhar as novas tendências modernizadora da sociedade e a necessidade de um esforço coordenado entre os entes para atingir, com efetividade, a segurança pública. No mais, notamos ser indispensável a integração desse conjunto normativo com a Lei de Execução Penal, a principal norma do ordenamento sobre segurança pública e sistema penitenciário. A sua análise permite a compreensão dos sujeitos da lei (o condenado e o preso provisório) e sobre o papel do Estado em prestar todos os tipos de assistência ao preso, buscando com efetividade cumprir com o papel reintegrador e ressocializador da pena. Em resumo, entendemos que a integração de todas as normativas em estudo permite um entendimento inicial sobre os princípios e sobre o funcionamento da segurança pública nacional, de modo que essa só se torna possível e efetiva com a participação coordenada dos entes federativos em regime de colaboração e com a participação social cada vez mais abrangente e participativa da sociedade. 39 Referências Bibliográficas & Consultadas ADORNO, S. Sistema penitenciário no Brasil: problemas e desafios. Revista USP, São Paulo, n.9, p. 65-78, 1991. .Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revusp/article/ view/25549/27294 Acesso em: 17 out. 2022. ARAGÃO, S. C. O Sistema de Defesa Social no Brasil. PMSE, 2013. 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