Prévia do material em texto
Afya Palmas Curso: medicina; 7 período, turma XVII Nome: Tainar Vieira dos Santos Barros Qual o motivo do potencial risco de toxicidade renal destes medicamentos? Quais os tipos de lesão renal aguda que podem causar? AINES Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) estão entre as principais classes farmacológicas associadas à lesão renal aguda (LRA), sendo seu potencial nefrotóxico amplamente descrito na literatura. Do ponto de vista farmacológico, esses fármacos atuam por meio da inibição das enzimas ciclooxigenase, responsáveis pela síntese de prostaglandinas. No contexto renal, as prostaglandinas, especialmente a PGE2 e a prostaciclina (PGI2), exercem efeito vasodilatador sobre a arteríola aferente, contribuindo para a manutenção do fluxo sanguíneo renal e da taxa de filtração glomerular (TFG), sobretudo em condições de redução do volume circulante efetivo, como na insuficiência cardíaca, cirrose hepática e estados de hipovolemia. A inibição dessas prostaglandinas pelos AINEs resulta em vasoconstrição da arteríola aferente, redução da perfusão renal e consequente queda da TFG. Esse mecanismo configura a base fisiopatológica da lesão renal aguda do tipo pré-renal, a forma mais comum associada a esses medicamentos. Clinicamente, essa condição se manifesta com elevação da creatinina sérica, redução da diurese em alguns casos e ausência de alterações significativas no sedimento urinário. Caso a hipoperfusão renal persista, pode haver progressão para necrose tubular aguda, caracterizada por dano estrutural às células tubulares renais, com achados laboratoriais como aumento da fração de excreção de sódio e presença de cilindros granulosos no exame de urina. Além dos mecanismos hemodinâmicos, os AINEs também podem desencadear nefrite intersticial aguda, uma condição de origem imunomediada. Nesse caso, ocorre inflamação do interstício renal, geralmente após uso prolongado da medicação, podendo cursar com proteinúria, hematúria discreta e, eventualmente, insuficiência renal. Diferentemente de outras causas de nefrite intersticial, a eosinofilia e a eosinofilúria podem estar ausentes nos casos relacionados aos AINEs. Em situações mais raras, esses fármacos estão associados ao desenvolvimento de síndrome nefrótica, particularmente por doença de lesões mínimas, possivelmente mediada por alterações imunológicas que afetam os podócitos. Adicionalmente, os AINEs podem provocar alterações hidroeletrolíticas relevantes, como retenção de sódio e água, levando a edema e piora de condições como hipertensão arterial e insuficiência cardíaca, além de hipercalemia, decorrente da redução da atividade do sistema renina-angiotensina-aldosterona. Um aspecto clínico importante é o risco aumentado de LRA quando os AINEs são utilizados em associação com IECA ou BRA e diuréticos, combinação conhecida como “tríplice lesão”, que compromete severamente os mecanismos de autorregulação glomerular. Dessa forma, conclui-se que os AINEs apresentam potencial significativo de nefrotoxicidade, especialmente em pacientes com fatores de risco, sendo fundamental o uso criterioso desses medicamentos na prática clínica, com monitoramento da função renal e avaliação individualizada do risco-benefício. Referências (ABNT): KDIGO. Clinical Practice Guideline for Acute Kidney Injury. Kidney International Supplements, v. 2, n. 1, p. 1-138, 2012. BRUNTON, Laurence L. et al. Goodman & Gilman: As bases farmacológicas da terapêutica. 13. ed. Porto Alegre: AMGH, 2018. KATZUNG, Bertram G. Farmacologia básica e clínica. 14. ed. Porto Alegre: AMGH, 2017. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA. Diretrizes Brasileiras de Lesão Renal Aguda. São Paulo: SBN, 2021.