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MICROECONOMIA – ESTRATÉGIA E MERCADO AULA 1 Prof. Guilherme Ricardo dos Santos Souza e Silva 2 CONVERSA INICIAL Oferta, demanda e equilíbrio de mercado Provavelmente a “lei” mais citada das Ciências Econômicas é a popularmente conhecida “lei da oferta e da procura”, e intuitivamente todos sabemos o que ela significa. Os economistas, no entanto, precisam conhecer profundamente esse tema, trabalhando com o ferramental matemático que permite a formalização da relação entre preços, oferta e demanda de produtos. Esses são alguns dos principais conceitos da teoria econômica, sendo utilizados tanto de maneira formal nos modelos matemáticos quanto como base de raciocínio geral para o economista. Mesmo para o estudioso que não trabalha diretamente com modelos matemáticos formais de oferta e demanda, a clara compreensão desses conceitos faz parte da formação do modo de pensar dos economistas. Seja muito bem-vindo(a), então, a essa etapa que estudará o mecanismo de mercado, que envolve os conceitos de oferta, demanda e preço de equilíbrio. O entendimento do funcionamento do livre mercado e do sistema de preços é peça fundamental para a compreensão do sistema capitalista de produção. Estudaremos também o conceito de elasticidade, definição amplamente utilizada nas Ciências Econômicas, tanto na Macroeconomia quanto na Microeconomia. CONTEXTUALIZANDO Certamente você já foi ao Mercado Municipal de sua cidade, aquele local onde temos uma grande quantidade de barracas ou estandes, onde os vendedores oferecem frutas, verduras, castanhas, temperos, carnes, entre vários outros produtos alimentícios. Esse é o exemplo clássico de um mercado, onde temos pessoas comprando e vendendo mercadorias, e onde essas transações são realizadas a partir de preços em unidades monetárias para os produtos. 3 Crédito: BearFotos/Shutterstock. Além desses, temos vários outros exemplos de mercados na atualidade, já que grande parte das compras hoje são realizadas com o auxílio da tecnologia, principalmente através das páginas de compras na internet. Os mercados atuais, portanto, são globais, e não se restringem em muitos casos a uma única localidade geográfica. Crédito: Garfieldbigberm/Shutterstock. about:blank 4 Vamos estudar, a partir de agora de maneira mais formal, como a teoria microeconômica analisa os mercados, a oferta, a demanda e a determinação dos preços de bens e serviços livremente comercializados nos mercados. TEMA 1 – O QUE É UM MERCADO A palavra mercado deriva do latim mercatus, que está associada ao verbo mercari, cujo significado é negociar, comprar e vender. Assim, mercatus era o local onde compradores e vendedores se encontravam para realizar negociações. O termo mercado utilizado atualmente tem o mesmo significado, podendo ser compreendido como o “local” onde ofertantes (vendedores) e demandantes (compradores) de um determinado produto ou serviço se encontram e realizam negociações. É importante destacarmos as aspas na palavra local, especialmente no momento atual, pois grande parte das negociações não são realizadas no mesmo local físico, principalmente em função dos avanços tecnológicos e do comércio via internet. Assim, podemos pensar que temos um mercado de trigo, um mercado de petróleo, um mercado de aço, um mercado de imóveis e assim sucessivamente. Evidentemente o número de mercados existentes depende do nível de desagregação dos bens e serviços, bem como da área geográfica que estamos considerando. Por exemplo, podemos considerar o mercado imobiliário, contemplando todos os imóveis de uma determinada cidade. De modo mais específico, temos o mercado de imóveis residenciais daquela cidade, ou ainda mais específico, temos o mercado de imóveis residenciais de apartamentos de dois quartos, e assim sucessivamente. Além disso, existem mercados onde são comprados e vendidos títulos de dívida, certificados que representam a propriedade de empresas, moedas de diferentes países, entre outros, no que se conhece por “mercado financeiro”. Temos também os mercados onde temos uma demanda por trabalho (empresas) e uma oferta de trabalho (trabalhadores), no denominado “mercado de trabalho”. Portanto temos o mercado de bens e serviços, o mercado de trabalho e o mercado monetário e financeiro1. Em macroeconomia, as relações entre esses mercados são estudadas de forma conjunta. Na microeconomia, estudamos 1 Na análise macroeconômica normalmente são definidos separadamente o mercado de moeda, o mercado de títulos (bonds) e o mercado de divisas (moeda estrangeira). De maneira simplificada, normalmente todos esses mercados compõem o denominado mercado financeiro. 5 cada mercado separadamente, como se utilizássemos uma lupa para compreender a fundo o funcionamento de cada mercado. Crédito: brgfx/Shutterstock; estudio Maia/Shutterstock; dee karen/Shutterstock. TEMA 2 – OFERTA Conforme vimos no tópico anterior, o mercado é composto por ofertantes (vendedores) e demandantes (compradores). Aqui, exploraremos o comportamento dos ofertantes de bens e serviços e, como consequência, a quantidade ofertada em um dado mercado. Os responsáveis pela oferta de bens e serviços são as empresas (ou firmas, termo mais utilizado em microeconomia). As firmas que atuam em um determinado mercado avaliam a relação entre o preço de venda do produto e os custos necessários para a produção. Em um mercado de concorrência perfeita, os preços são determinados pelo mercado. Dessa forma, as firmas são tomadoras de preço, isto é, precisam vender seus produtos ao preço de mercado. Caso uma empresa tente vender seu produto a um preço mais alto do que o de mercado, os consumidores optarão por comprar o produto de outra firma (Pindyck; Rubinfeld, 2013). 6 Evidentemente isso só é válido para os mercados em concorrência perfeita, ou seja, aqueles mercados em que o produto é homogêneo (o produto é idêntico, independentemente do produtor) e o número de empresas ofertantes do bem é bastante grande. Além disso, na estrutura de concorrência perfeita, não existem barreiras de entrada no mercado, isto é, novas firmas podem entrar no mercado para oferecer o produto. Os mercados de commodities negociadas internacionalmente, como soja, milho, trigo, minério de ferro, ouro, entre outros, aproximam-se dos mercados de concorrência perfeita. Dessa forma, nos mercados em concorrência perfeita, as firmas buscam a maximização do lucro, que é a diferença entre a receita de vendas e os custos de produção. A receita de vendas é dada pela multiplicação entre o preço do produto e o número de unidades vendidas. Assim, o ponto de lucro máximo é obtido quando a diferença entre a receita de vendas e o custo de produção é máximo. O objetivo da maximização, portanto, é encontrar a quantidade produzida que torna o lucro máximo, dado que tanto as receitas quanto os custos são funções da quantidade produzida, e o preço é definido pelo mercado. Duas condições de maximização nos permitem encontrar o ponto de lucro máximo (Chiang; Wainwright, 2006): • Condição de Primeira Ordem: a derivada parcial do lucro em relação à quantidade produzida deve ser igual a zero; • Condição de Segunda Ordem: o Custo Marginal é crescente. Assim, a partir da ideia de maximização dos lucros, quanto maior o preço de mercado do produto, maior será o interesse das empresas em ofertarem maiores quantidades de produto, considerando todas as demais variáveis constantes. Isso ocorre porque, pela condição de primeira ordem vista acima, maiores preços levarão a uma maior quantidade produzida que maximiza o lucro. Essa é a denominada “lei da oferta”, que estabelece uma relação direta entre o preço de um bem e a quantidade ofertada desse bem, coeteris paribus2. Aqui podemos destacar o importantepapel do sistema de preços em uma economia de mercado. Para os ofertantes, o preço é um sinalizador da necessidade do mercado por um determinado bem ou serviço. Como consequência, maiores 2 CAETERIS PARIBUS / COETERIS PARIBUS. Expressão em latim que significa “permanecendo constantes todas as demais variáveis”. Muito utilizada em economia quando se deseja avaliar as consequências de uma variável sobre outra, supondo-se as demais inalteradas (Sandroni,1999, p.71). 7 preços tendem a atrair mais ofertantes para o mercado, permitindo o atendimento da procura por aquele bem ou serviço. Também é fundamental destacarmos o sentido da causalidade na “lei da oferta”. Nesse caso, estamos considerando o preço do bem como a causa e a quantidade ofertada como consequência. Em formato matemático, dizemos que a Quantidade Ofertada é uma função do preço, isto é: 𝑄𝑄𝑜𝑜 = 𝑓𝑓(𝑃𝑃). A partir da “lei da oferta” é possível determinarmos a curva de oferta, que relaciona a quantidade ofertada de um dado bem ou serviço com o seu preço. A figura 1 nos mostra o formato da curva de oferta. Figura 1 – Curva de Oferta Fonte: Silva, 2024. Assim, se o preço de mercado de um produto aumenta, há uma tendência, coeteris paribus, de aumento na quantidade ofertada desse produto. Podemos pensar, por exemplo, no que acontece na prática com um produtor que pode optar por utilizar a cana-de-açúcar para produzir etanol ou para produzir açúcar. 8 Evidentemente, os custos unitários de produção do etanol e do açúcar, assim, como os processos produtivos, são bastante distintos. Dessa forma, podemos imaginar a situação em que inicialmente um produtor utiliza a cana-de-açúcar para produzir o açúcar, após analisar os custos e receitas provenientes dessa atividade econômica. Contudo, em função de uma crise no setor de combustíveis, imaginemos que ocorra uma disparada nos preços do etanol. O produtor, então, irá reavaliar a possibilidade de utilizar a cana-de-açúcar para produzir o etanol, já que agora preços maiores do produto levarão a um aumento considerável em suas receitas. Crédito: mailsonpignata/Shutterstock. É dessa forma que o sistema de preços incentiva as empresas a aumentarem ou reduzirem a quantidade ofertada de determinados produtos. Evidentemente tais decisões precisam ser tomadas considerando os preços em prazos longos, e não apenas as flutuações de curto prazo nos preços, que em alguns casos são bastante voláteis. O sistema de preços, assim, permite a alocação eficiente de recursos produtivos, especialmente quando a economia é composta por estruturas de mercado de concorrência perfeita. 9 Crédito: MarySan/Shutterstock; Grimgram/Shutterstock; Alfmaler/Shutterstock. TEMA 3 – DEMANDA O outro grupo que compõe o mercado é formado por aqueles que desejam comprar o bem ou serviço, os denominados demandantes. Assim, a demanda de mercado representa a quantidade do produto que os consumidores desejam e podem adquirir em um determinado momento. Considerando a Teoria do Consumidor, a demanda de mercado depende do preço do produto, da renda dos consumidores, das preferências dos consumidores, do preço de produtos substitutos e do preço de produtos complementares. A “lei da demanda” tem como objetivo estabelecer a relação entre o preço do produto e a quantidade demandada desse produto, considerando as demais variáveis contantes (coeteris paribus). Dessa forma, a “lei da demanda” estabelece que existe uma relação inversa entre o preço do produto e a quantidade demandada, coeteris paribus. 10 Assim, como no caso da “lei da oferta”, a relação de causalidade é do preço (causa) determinando a quantidade demandada (efeito). Em formato matemático, dizemos que a Quantidade Demandada é uma função do preço, isto é: 𝑄𝑄𝑑𝑑 = 𝑓𝑓(𝑃𝑃). A partir da “lei da demanda”, é possível determinarmos a curva de demanda, que relaciona a quantidade demandada de um dado bem ou serviço com o seu preço. A Figura 2 nos mostra o formato da curva de demanda. Figura 2 – Curva de Demanda Fonte: Silva, 2024. Assim, se o preço de mercado de um produto diminui, há uma tendência, coeteris paribus, de elevação na quantidade demandada desse produto. Podemos pensar, por exemplo, no que acontece na prática quando o preço da picanha sofre uma redução. Considere que o preço da picanha, inicialmente, é de R$ 100 por quilograma. Se por uma determinada razão o preço da picanha cai para R$ 70 por quilograma, certamente observaremos um aumento na demanda pela carne... Este aumento na quantidade demandada ocorre por dois 11 motivos: o efeito substituição e o efeito renda. O efeito substituição acontece pelo fato de a picanha ficar mais barata em relação aos outros bens disponíveis na economia, pois seu preço baixou enquanto os demais permaneceram constantes (coeteris paribus). Assim, o consumidor pode, por exemplo, deixar de comprar carne de frango para comprar picanha. O efeito renda ocorre porque, com a redução no preço da picanha, a renda total disponível dos consumidores fica relativamente maior no que se refere à quantidade de bens que podem ser adquiridos. Créditos: IOLYVIA/Shutterstock; Virtual Art Studio/Shutterstock. TEMA 4 – EQUILÍBRIO DE MERCADO Podemos, agora, conversar sobre uma das “leis” mais conhecidas da economia, a denominada “lei da oferta e da demanda”. Trabalhando conjuntamente com as curvas de oferta e demanda, podemos observar que existe um preço no qual a quantidade demandada é exatamente igual a quantidade ofertada. Esse ponto representa o equilíbrio de mercado, e tal preço é o denominado “preço de equilíbrio”. Essa é uma das noções mais importantes da teoria econômica. Em um mercado de concorrência perfeita, em que operam livremente forças de oferta e demanda, o preço é determinado pelo mercado, de maneira a estabilizar o ímpeto de compra com a disponibilidade de produtos para venda. A Figura 3 nos mostra a composição das curvas de oferta e demanda, com a determinação do preço de equilíbrio P*. 12 Figura 3 – Equilíbrio de Mercado Fonte: Silva, 2024. A teoria microeconômica padrão está assentada na concepção de equilíbrio e na eficiência, no sentido de Pareto3, do mercado de concorrência perfeita. Para que ocorram alterações no preço de equilíbrio, é necessário que aconteçam deslocamentos nas curvas de oferta ou de demanda. Os deslocamentos na curva de demanda podem ser consequência de alterações nas preferências dos consumidores, no preço de produtos substitutos ou complementares, na renda dos consumidores, entre outras possibilidades. Os deslocamentos na curva de oferta podem ser resultado de alterações climáticas (principalmente para produtos agropecuários), mudanças na tecnologia, alterações nos padrões de custos, entrada de novos concorrentes, entre outros. Por exemplo, imagine que é apresentada uma pesquisa científica altamente confiável mostrando que o consumo diário de castanha de caju leva a uma melhora substancial na capacidade de aprendizado das pessoas. Isso levará, coeteris paribus, a uma elevação na demanda por castanha de caju, deslocando a curva de demanda como consequência da alteração nas preferências do consumidor (a percepção de valor da castanha de caju aumenta). O que aconteceria com o preço da castanha de caju, considerando tudo mais constante? 3 O conceito de eficiência proposto pelo economista Vilfredo Pareto (1848-1923) estabelece que uma determinada situação é eficiente quando “ninguém consegue aumentar seu próprio bem- estar sem reduzir o bem-estar de alguma outra pessoa” (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 596). 13 Figura 4 – Alteração no Preço de Equilíbrio Fonte: Silva, 2024. Observando a Figura 4, verificamos que a alteração na preferência dos consumidores pela castanha de caju deslocoua curva de demanda de D1 para D2. Esse deslocamento da curva de demanda leva, no curto prazo, a uma elevação nos preços de P1 para P2. De fato, é o que observamos no mundo real: quando a procura por algum produto aumenta abruptamente, há uma tendência de elevação nos preços desse produto no curto prazo. Vimos isso acontecer durante a pandemia de COVID-19, quando o aumento abrupto na demanda por máscaras e álcool em gel levou a uma elevação nos preços. Observe que, nesse caso, a relação de causalidade se inverte em relação à lei da demanda: agora a alteração na demanda é a causa, e o aumento nos preços é o efeito. No longo prazo, o aumento nos preços levará a uma ampliação da oferta, pois os produtores são estimulados a ofertar o produto em função do aumento dos preços. Essa é a beleza do sistema de preços em uma economia de mercado. Os preços funcionam como um mecanismo para equilibrar a oferta e a demanda por um determinado produto ou serviço. Quando ocorrem alterações na oferta ou na demanda, os preços se movimentam, de modo a equilibrar a nova situação. Simultaneamente, o sistema de preços estimula ou desestimula ofertantes a produzirem mais e os consumidores a comprarem mais ou menos produtos. Uma elevação nos preços, por exemplo, estimula os produtores a ofertarem mais no longo prazo, e leva os consumidores a buscarem alternativas para o consumo daquele produto, reduzindo a quantidade demandada. Vejamos, então, um 14 quadro resumo mostrando os efeitos de alterações nos preços sobre quantidades e de alterações na oferta e demanda sobre os preços. Quadro 1 – Alterações nos Preços, Oferta e Demanda Fonte: Silva, 2024. TEMA 5 – ELASTICIDADE O último tema desta etapa discute uma medida que os economistas utilizam, por exemplo, para avaliar o impacto de uma alteração no preço de um produto sobre a quantidade demandada desse produto. Essa medida é denominada “elasticidade”. Na realidade, a elasticidade pode ser utilizada quando queremos ter uma noção da sensibilidade de uma variável em relação a alterações em outra variável. Nesse tópico em específico, nos concentraremos na elasticidade relacionada a preços, oferta e demanda. Contudo, nas Ciências Econômicas, o conceito de elasticidade também é amplamente utilizado em outros casos, tanto na microeconomia quanto na macroeconomia. Assim, podemos definir a elasticidade da variável Y em relação à variável X como: 15 𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸 = 𝑉𝑉𝐸𝐸𝑉𝑉𝐸𝐸𝐸𝐸çã𝑜𝑜 % 𝐸𝐸𝑒𝑒 𝑌𝑌 𝑉𝑉𝐸𝐸𝑉𝑉𝐸𝐸𝐸𝐸çã𝑜𝑜 % 𝐸𝐸𝑒𝑒 𝑋𝑋 Por exemplo, a elasticidade-preço da demanda (𝜀𝜀𝑑𝑑𝑃𝑃) nos mostra o quanto a quantidade demandada é sensível em relação a alterações no preço. Dessa forma: 𝜀𝜀𝑑𝑑𝑃𝑃 = ∆%𝑄𝑄𝑑𝑑 ∆%𝑃𝑃 Isto é, a elasticidade-preço da demanda é igual à variação (∆) percentual na Quantidade Demandada dividida pela variação percentual no preço. Por exemplo, se o preço de um medicamento dobra (variação de 100%) e a quantidade demandada desse medicamento cai pela metade (variação de 50%), temos: 𝜀𝜀𝑑𝑑𝑃𝑃 = ∆%𝑄𝑄𝑑𝑑 ∆%𝑃𝑃 = −50% 100% = −0,5 Como a curva de demanda é negativamente inclinada, a elasticidade- preço da demanda normalmente terá sinal negativo. Assim, por questão de simplicidade, é comum trabalharmos com o módulo da elasticidade (�𝜀𝜀𝑑𝑑𝑃𝑃�). Temos, então, a seguinte classificação para a elasticidade-preço da demanda (Varian, 1999): a) Demanda Elástica (�𝜀𝜀𝑑𝑑𝑃𝑃� > 1). Nessa situação, a demanda é muito sensível à alterações no preço. Em geral, bens e serviços de luxo e de menor necessidade têm alta elasticidade, pois em caso de aumento nos preços, a quantidade demandada cai fortemente. Um exemplo bastante comum são as viagens de turismo, cuja demanda responde com intensidade a variações nos preços de passagens e hospedagens. 16 Crédito: Red Vector/Shutterstock. Quanto maior o módulo da elasticidade mais forte é a queda na demanda quando temos elevação nos preços, ou alternativamente mais intenso é o aumento na demanda quando temos queda de preços. b) Demanda Inelástica (�𝜀𝜀𝑑𝑑𝑃𝑃�pernil. 𝑄𝑄𝑂𝑂 = 𝑄𝑄𝑑𝑑 = 𝑄𝑄 ⇒ 𝑄𝑄 = 400 − 2 ∙ 90 ∴ 𝑸𝑸 = 𝟐𝟐𝟐𝟐𝟗𝟗 𝒎𝒎𝒎𝒎𝒎𝒎 𝑲𝑲𝑲𝑲 c) O novo preço de equilíbrio no período próximo ao Natal, quando há um aumento na procura e, consequentemente, um deslocamento da curva de demanda que passa a ser 𝑄𝑄𝑑𝑑 = 500 − 2 ∙ 𝑃𝑃. No novo equilíbrio temos: 𝑄𝑄𝑂𝑂 = 𝑄𝑄𝑑𝑑 ⇒ −50 + 3 ∙ 𝑃𝑃 = 500 − 2 ∙ 𝑃𝑃 5 ∙ 𝑃𝑃 = 550 ∴ 𝑷𝑷 = 𝑹𝑹$𝟏𝟏𝟏𝟏𝟗𝟗/𝑲𝑲𝑲𝑲 Observamos, portanto, que o deslocamento da curva de demanda, em função do aumento da procura no período de Natal, fez com que o preço do pernil de porco se elevasse de R$ 90/Kg para R$ 110/Kg. FINALIZANDO Nesta etapa, estudamos o mercado, a oferta, a demanda e o processo de formação de preços. Esses conceitos formam a base das economias capitalistas, que não por acaso também são chamadas economias de mercado. O sistema de preços na economia atual é fundamental para a determinação da alocação eficiente de recursos produtivos, bem como para garantir o equilíbrio entre a 20 disponibilidade e a procura por produtos e serviços. Também analisamos o conceito de elasticidade, muito importante principalmente para entendermos o impacto da variação dos preços sobre a oferta e a demanda de produtos e serviços. Compreender o funcionamento dos mercados e o processo de formação dos preços é essencial para o economista elaborar seu modo de pensar. Os casos estudados nesta etapa restringem-se aos mercados em concorrência perfeita, que nem sempre refletem exatamente o que acontece em muitos mercados do mundo real. De fato, o modelo de concorrência perfeita hoje aplica- se principalmente aos mercados internacionais de commodities. Posteriormente, estudaremos outras estruturas de mercado, onde os processos de formação de preços são consideravelmente distintos. Ainda assim, o modelo de oferta e demanda em concorrência perfeita é a base na qual a teoria microeconômica padrão se desenvolveu, e por esse motivo é peça essencial no arcabouço teórico dos economistas. 21 REFERÊNCIAS CHIANG, A. C.; WAINWRIGHT, K. Matemática para Economistas. Tradução da 4. ed. GEN LTC, 2006. PINDYCK, R. S.; RUBINFELD, D. L. Microeconomia. 8. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013. SANDRONI, P. Novíssimo Dicionário de Economia. São Paulo: Editora Best Seller, 1999. VARIAN, H. R. Microeconomia: Princípios Básicos. Tradução da 4. ed. americana. Rio de Janeiro: Campus, 1999. Conversa inicial Contextualizando Trocando ideias Na prática FINALIZANDO REFERÊNCIAS