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Conceitos Fundamentais de Redes e Telecomunicações Introdução Desde cedo, as pessoas têm necessidade de se comunicarem entre si. Para isso, desenvolveram-se as telecomunicações, facilitando o processo de comunicação. Hoje, de forma rápida, podemos nos comunicar com alguém que se encontra do outro lado do mundo. Cada vez que falamos sobre a grande revolução associada à comunicação de dados, é importante ter em conta o seguinte: houve revoluções anteriores, que eram comparáveis às mais recentes, como a Internet, em termos de magnitude. A ideia de transmitir mensagens por meio de sinais (sejam visuais ou sonoros) é bem antiga. Tribos africanas usavam tambores e tribos norte-americanas usavam sinais de fumaça, sistema semelhante ao adotado pelos romanos. No vasto Império Romano, uma rede de comunicação via fumaça se estendia por cerca de 4.500 quilômetros. Em 1791, o clérigo e engenheiro francês Claude Chappe inventou um sistema telegráfico ótico, batizado de semáforo. Este sistema consistia em uso de pás orientáveis, instaladas em torres, nas quais cada posição das pás designava uma letra ou sinal. Neste sistema, havia 192 possíveis posições das pás e o mesmo número de letras e sinais. Eram, ao todo, 120 torres que se estendiam em linha reta atravessando a França de norte a sul, entre Paris e uma ilha no Mediterrâneo. Em cada torre, havia um funcionário do sistema, que avistava com uma luneta a mensagem transmitida por uma torre e a passava adiante, para o sinaleiro de outra torre. Consta que, em uma hora, a mensagem corria o país de ponta a ponta. No século XVII, ocorreram as primeiras tentativas de uso eficiente da eletricidade na comunicação. Contudo, a primeira grande revolução das telecomunicações ocorreria apenas no século seguinte. O telégrafo foi a primeira tecnologia que permitiu a transmissão de dados de forma instantânea, empregando sinais elétricos. O telégrafo é um sistema concebido para transmitir mensagens de um ponto para outro em grandes distâncias, utilizando códigos para a rápida transmissão. As mensagens eram transmitidas em códigos, por meio de um sistema composto por fios. O principal código utilizado pelos telégrafos foi o código Morse, criado pelo pintor e inventor Samuel Finley Breese Morse em 1835. O telégrafo foi o principal sistema de comunicação à longa distância nos séculos XIX e começo do século XX. Foi muito utilizado por indústrias, governos e até mesmo pelas forças armadas de diversos países em momentos de guerra. O sucesso do telégrafo foi tal que, logo em 1866, foi instalado um cabo submarino transatlântico, ligando o Reino Unido aos Estados Unidos. Em 1875, Portugal e Brasil também estavam ligados por meio de um outro cabo. Neste mesmo ano, a rede de cabos de telégrafo já cobria praticamente o globo, incluindo o Extremo Oriente e a Austrália. Você sabia que o inventor do telégrafo não foi Samuel Morse? Não foi o senhor Samuel Morse o inventor do telégrafo que leva seu nome. O inventor do telégrafo elétrico foi um físico norte-americano, Joseph Henry, que trabalhava nesse invento muito antes de Morse. O protótipo do telégrafo foi demonstrado por Joseph Henry em 1830. Ele transmitiu uma corrente elétrica por um fio de, aproximadamente, 1,6 km de comprimento, para ativar um sino na extremidade oposta do circuito. O dispositivo foi refinado e desenvolvido por Samuel Morse que o equipou com um marcador, para registrar vários pulsos de duração variável em uma faixa de papel em movimento e, em 1º de maio de 1844, a primeira mensagem oficial do telégrafo foi enviada. Em 1876, o escocês Alexander Graham Bell recebeu a primeira patente pelo aparelho telefônico que criou nos Estados Unidos. Trava-se de outro ponto singular na grande caminhada das telecomunicações. Já no ano seguinte à sua invenção, o telefone chegava ao Brasil. Em 21 de dezembro de 1877, o jornal “A Província de São Paulo” (hoje, “Estado de São Paulo”) noticiou: “O telefone, recentíssimo e admirável descobrimento americano, foi ensaiado no Rio”. Assim, o início das telecomunicações se deu por meio do telégrafo elétrico. Posteriormente, foi possível enviar a voz a distância, por meio do telefone. Foi com as ondas de rádio que a comunicação (agora sem fio) chegou para fazer uma autêntica revolução nos hábitos da humanidade. O rádio, criado pelo físico italiano Marchese Guglielmo Marconi, em 1895, era, no seu princípio, um sistema prático de telegrafia sem fios condutores. Apenas em 1906, ocorreu a primeira transmissão radiofónica do mundo, nos Estados Unidos, por Lee de Forest. Podemos definir telecomunicações como sendo a transmissão, emissão ou recepção, por fio, radioeletricidade, meios ópticos ou qualquer outro processo eletromagnético, de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza. Segundo Carvalho e Bandinhan (2011), até meados dos anos 1990, a telefonia fixa foi o meio de comunicação mais utilizado para troca de informações entre usuários distantes. Nessa mesma década, com a popularização da internet e da telefonia celular, ocorreu uma revolução não apenas tecnológica, mas também cultural, na forma como as pessoas passaram a trocar informações. A internet, como sistema de telecomunicação mais recente, é fundamental: conecta mercados e sociedades, permite que usuários façam viagens sem sair do lugar, tudo com apenas um clique. É consenso comum que a Internet se tornou um meio no qual voz, vídeo e comunicações de dados se convergem, crescendo em termos de largura de banda, dimensão geográfica e volume de tráfego. Consequentemente, as redes de telecomunicações evoluíram para suportar essas demandas que exigiam cada vez mais garantias de qualidade de serviço. Fundamentos de redes de computadores e de comunicação Toda a forma de comunicação é uma rede. Até mesmo quando conversamos com outras pessoas, vibramos as cordas vocais, sopramos ar dos pulmões e movemos os músculos do rosto, controlando a vibração do ar ao redor. Assim, formamos ondas que se propagam e se espalham chegando às outras pessoas. Neste caso, como em qualquer outro exemplo de redes, temos um transmissor (a pessoa que fala), receptores (pessoas mais próximas ouvindo) e um meio de propagação (o ar). Em uma rede de telefonia, cada telefone possui ligação com qualquer outro telefone – desde que seja conhecido o seu número. Basta discar o telefone de alguém e será possível estabelecer uma conexão entre os telefones. Os dois aparelhos irão mandar dados um para o outro. Em uma rede de televisão, a programação também chega, por meio de uma rede, mas com características bem diferentes das redes de telefonia. Nela, o receptor não pode enviar informações para as emissoras de televisão, somente elas transmitem informações para milhares de receptores. As redes de telecomunicações são constituídas por uma infinidade de equipamentos baseados numa grande diversidade de tecnologias e, em muitos casos, concebidos e instalados em épocas muito diferentes. Segundo Pires (2006), em uma rede de telecomunicações, podem-se identificar dois tipos básicos de equipamentos: vias de transmissão ou canais de transmissão e dispositivos de rede chamados de nós. As vias de transmissão asseguram a transmissão da informação e a interligação entre os diferentes nós. As vias de transmissão podem ser simples pares de condutores de cobre (pares simétricos), como é o caso da linha telefónica, cabo coaxial, usado nas redes de distribuição de televisão, canais via rádio, usados nas redes celulares ou nas redes de comunicação via satélite e também meios de transmissão mais complexos, como as fibras ópticas. a) Redes de Computadores As redes de computadores surgem na década de 1950, na segunda geração dos sistemas computacionais, marcadas pela substituição da válvula pelo transistor e por um novo paradigma de processamento, o Time-Sharing, cuja característica era a interligação de “terminais burros” ao elo central, o mainframe. Uma característica dessas primeiras redes era a baixa velocidade, assim, protocolos especiais foram desenvolvidospara melhorar a velocidade, destacando-se o SNA (Systems Network Architecture) da IBM, especializado em interligar terminais aos mainframes por meio de conexões dedicadas; surgia, assim, o conceito de Rede de Longa Distância ou WAN (Wide Area Network). “A fusão dos computadores e das comunicações teve uma profunda influência na forma como os sistemas computacionais eram organizados. O conceito de “centro de computação” como uma sala com um grande computador ao qual os usuários levam seu trabalho para processamento agora está completamente obsoleto. O velho modelo de um único computador atendendo a todas as necessidades computacionais da organização foi substituído pelas chamadas redes de computadores, nas quais os trabalhos são realizados por um grande número de computadores separados, mas interconectados” (TANENBAUM, 2011. p.18) As primeiras redes locais ou LANs (Local Area Network) foram criadas no final de 1970 e eram usadas para criar links de alta velocidade entre grandes computadores centrais em um determinado local. Ainda na década de 1970, houve uma mudança de paradigma: a ideia de um grande computador central foi sendo substituída por máquinas menores, com melhor custo x performance e que podiam ser interligadas, possibilitando, assim, o surgimento da Internet na década seguinte. Da ARPANET à INTERNET A história da rede ARPANET começa no final da década de 1950. No auge da Guerra Fria, o Departamento de Defesa (DoD) dos EUA queria uma rede de controle e comando capaz de permanecer ativa mesmo após uma guerra nuclear. Nessa época, todas as comunicações militares passavam pela rede de telefonia pública, considerada muito vulnerável. Na década de 1960, o DoD firmou um contrato com a RAND Corporation, que apresentou um projeto altamente distribuído e tolerante a falhas, tendo em vista que os caminhos entre duas centrais de comutação poderiam ser feitos por mais de uma rota. Este sistema divide as informações em pacotes de dados endereçados com origem e destino para que sejam entregues e remontados. Todos sabiam que o projeto era fantástico, mas poucos imaginavam a proporção que iria tomar. Em pouquíssimo tempo, esta forma de comunicação começou a integrar universidades de várias localidades, permitindo a comunicação entre pessoas e tornando-se um dos meios mais eficazes do mundo para compartilhar informações. Desse modo, os EUA criaram no pentágono uma divisão denominada ARPA (Advanced Research Projects Agency). A ARPA realizava concessões a empresas e universidades para desenvolvimento conjunto para o DoD. Assim, em 1967, foi criada a ARPANET. Inicialmente, em 56 Kbps e, em 1972, já interconectava a costa americana. No final dos anos 70, a ARPANET tinha crescido tanto que o seu protocolo de comutação de pacotes original, chamado Network Control Protocol (NCP), tornou-se inadequado. Foi então que a ARPANET começou a usar um novo protocolo chamado TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol). ARPANET divide-se e origina a MILNET, para assuntos militares, e o restante da rede torna-se pública e tem seu nome alterado para Internet. Em 1986, foi criado o DNS (Domain Name Sistem – sistema de nomes de domínios) e tornou possível a conversão de números de acesso aos computadores, chamados de IPs, em nomes. O uso do DNS é o que permite que sites possam ser acessados, usando “nomedosite.com.br”, em vez de apenas o endereço do servidor. Foi um divisor de águas para a história da internet. No início da década de 1990, um pesquisador do Centro Europeu para Física Nuclear (CERN), localizado na fronteira entre a França com a Suíça, desenvolveu o que conhecemos por web. Tim Berners-Lee é o criador da World Wide Web (ou www), que consiste em um sistema de hipertexto capaz de exibir conteúdos localizados em outro local da rede. Segundo Dantas (2002), uma das características mais utilizadas para a classificação das redes de computadores é a sua abrangência geográfica. Assim, é convencionada a classificação das redes em locais – LANs (Local Area Networks), metropolitanas – MANs – Metropolitan Area Networks) e geograficamente distribuídas – WANs (Wide Area Networks). Uma extensão desta classificação inclui também as SANs (Storage Area Networks), ou Redes de Área de Armazenamento, utilizadas para fazer a comunicação de um servidor e outros computadores, ficando restritas a isso e às PAN (Personal Area Networks), ou Redes de Área Pessoal, que são usadas para que dispositivos se comuniquem dentro de uma distância bastante limitada. Intranet e Extranet Quando uma LAN passa a servir para uso para uso comercial e empresarial, recebe o nome de Intranet ou Extranet. Basicamente, tanto a intranet quanto a extranet são sistemas de rede construídas sobre o modelo da internet, usando os mesmos recursos. O que as diferencia é a forma de acesso. A intranet é uma rede interna, exclusiva, com acesso somente para usuários pré-determinados e, muitas vezes, com acesso liberado somente em computadores registrados na rede. Tecnicamente, no entanto, é possível acessar intranets de qualquer computador ligado à internet, caso a mesma também esteja ligada à internet. Quando alguma informação de uma intranet é aberta a usuários externos, essa rede passa a ser chamada de extranet. Por exemplo, se uma empresa tem uma intranet e seu fornecedor também, e ambas essas redes privadas compartilham uma rede entre si, para facilitar pedidos e pagamentos, essa rede compartilhada é conhecida como extranet. Ou seja, se uma intranet está conectada à internet e permite o acesso a partes de sua rede a usuários externos, essa rede se torna uma extranet. Criada em 22 de maio de 1992, a Rede-Rio de Computadores/FAPERJ realiza atividades a serviço da ciência, tecnologia e educação no Estado do Rio de Janeiro. Primeiro canal de acesso à Internet no País destinado a atender e interconectar exclusivamente instituições acadêmicas, centros de ensino e pesquisa e órgãos públicos fluminenses, a Rede-Rio se transformou rapidamente em um dos principais instrumentos de desenvolvimento científico do Estado do Rio e conta, desde sua inauguração, com um canal internacional exclusivo e mantém uma conexão com a rede acadêmica brasileira, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa – RNP. A nota técnica “Redes de Computadores”, publicada pela Rede-Rio, tem o objetivo de servir como fonte de consulta a todos aqueles profissionais da área técnica, ou àqueles que se interessarem, que queiram incrementar ou adquirir conhecimentos relativos às redes de computadores. A nota técnica, disponível no link abaixo, visa englobar todos os aspectos técnicos relacionados à rede de computadores em geral, como os seus objetivos, classificação e estruturação. Vale a pena a leitura! http://www.rederio.br/downloads/pdf/redes.pdf b) Redes de Telefonia Em 10 de março de 1876, as primeiras palavras transmitidas por telefone (pronunciadas por Graham Bell, seu inventor) foram ouvidas por Thomas Watson. No ano seguinte, Graham Bell fundou a Companhia Telefônica Bell, que posteriormente tornou-se a AT&T (American Telephone & Telegraph), a maior companhia telefônica do mundo, dando origem ao que conhecemos como rede de telefonia. A primeira companhia telefônica do Brasil, a Telephone Company of Brazil, foi criada em 13 de outubro de 1880 e, em apenas dois anos, já atendia às cidades de São Paulo, Campinas, Florianópolis, Ouro Preto, Curitiba e Fortaleza. Uma rede de telefonia pode ser subdividida em quatro grandes áreas: Rede Externa, Comutação, Transmissão e Infraestrutura. A rede externa é formada pelo conjunto de cabos, como cabos de entrada em edificações, fiação de distribuição externa e equipamentos acessórios externos às chamadas centrais telefônicas, que interligam os telefones às centrais, bem como estas entre si. A comutação corresponde ao conjunto de equipamentos destinados a interligar, temporariamente, duas linhas telefônicas. A transmissão corresponde aos equipamentos destinados a controlar o tráfego entre as centrais telefônicas. A infraestrutura é composta pelos prédios, terrenose redes de energia. Para a telefonia celular, a comunicação telefônica é realizada utilizando a rádio frequência como meio. Podemos encontrar, em um sistema de telefonia celular, 4 componentes fundamentais ao seu funcionamento: Estação Móvel (aparelho celular); ERB (Estação Rádio Base); CCC (Central de Comutação e Controle) e Rede Pública. Encontramos este sistema alocado em uma região dividida em pequenas células, onde cada célula é atendida por uma ERB. c) Redes broadcast de TV e rádio Broadcast é um termo de origem inglesa e significa transmitir. Trata-se do processo pelo qual se transmite alguma informação para diversos receptores ao mesmo tempo. É formado por duas palavras distintas: broad, que significa largo ou em larga escala, e cast, que significa enviar, projetar, transmitir. Os meios de comunicação rádio e televisão são exemplos da difusão broadcast, já que as antenas de transmissão enviam o sinal televisivo (ou de rádio) por meio de ondas eletromagnéticas para qualquer aparelho receptor (TV ou rádio), que captura o sinal por meio de uma antena de recepção. O termo broadcast continua abrangendo a radiodifusão usada no rádio e na televisão, no entanto, o broadcast — ou broadcasting — deixou de ser uma palavra que somente definia um conceito técnico, para tomar gradualmente o sentido de “compartilhamento de mídia em grande escala”. Uma empresa que se diz “broadcaster” não deve enviar suas produções para o rádio ou televisão apenas, mas também para outros veículos, como a internet. d) Redes de Satélite A necessidade por informação rápida e móvel se tornou a tendência das comunicações atuais. A popularização dos celulares e o desenvolvimento das redes sem fio são dois exemplos de como a mobilidade se tornou importante na vida moderna. A comunicação via satélite é, desde a sua criação, a maior evolução relacionada à comunicação. Por meio dela, foram possíveis diversos progressos na área das geociências, das telecomunicações e do transporte aéreo, melhorando a segurança e contribuindo com o desenvolvimento mundial. Este tipo de comunicação tem a vantagem de poder estabelecer contato com navios e aviões, algo impossível de ser feito por meio de cabos. Outra vantagem é que mensagens enviadas por meio de satélites podem chegar até as regiões mais isoladas do planeta, mesmo que o local não tenha infraestrutura de cabos. Com relação à sua órbita, os satélites utilizados em telecomunicações podem ser classificados em Satélites Geo-estacionários (movem-se ao redor da terra em uma velocidade angular idêntica à da rotação do planeta), Satélites em Órbita Terrestre Baixa (uma altitude entre 350 e 1400 km) e Satélites Molniya (órbita elíptica ao redor da Terra). Os Satélites Geo-estacionários possuem como vantagem a facilidade de captura do seu sinal, bastando apontar a antena para o ponto certo do céu; a desvantagem é que não funcionam bem para transmitir dados para pontos muito distantes da linha do Equador. Os Satélites em Órbita Terrestre Baixa precisam de menos energia para serem enviados e para enviar dados, devido a uma distância menor da Terra, portanto, manter um satélite nesta altitude é mais barato. No entanto, como não apresentam órbitas estacionárias, para manter a comunicação com um ponto da Terra, é preciso usar uma rede de satélites. Os Satélites Molniya são a forma mais eficiente de transmitir dados para regiões localizadas em latitudes altas como, por exemplo, para a telefonia e televisão na Rússia. · Topologias A topologia de rede é o padrão no qual os dispositivos estão conectados ao meio de rede e pode ser descrito fisicamente ou logicamente. Há várias formas através das quais se pode organizar a interligação entre cada um dos nós (computadores ou outros dispositivos) da rede. A topologia física é o layout da rede, enquanto a lógica descreve o fluxo dos dados, através da rede. A topologia física representa a maneira como as redes estão conectadas e o meio de conexão dos nós da rede. A forma com que os cabos são conectados (no caso das redes cabeadas) influencia em diversos pontos considerados críticos como a flexibilidade, velocidade e segurança. A topologia lógica refere-se à forma como os sinais atuam sobre os meios de rede, ou à maneira como os dados são transmitidos de um dispositivo para outro sem considerar a interligação física dos dispositivos. Topologias lógicas são, frequentemente, associadas aos métodos e protocolos, sendo capazes de serem reconfiguradas dinamicamente por tipos especiais de equipamentos como roteadores e switches. · Meios físicos de transmissão Os meios de transmissão físicos podem ter formas diferentes e não precisam ser do mesmo tipo, para todo o caminho do dado. Exemplos de meios físicos incluem par-trançado, cabo coaxial, cabo de fibra-óptica, espectro de rádio terrestre e espectro de rádio por satélite. Os meios físicos dividem-se em duas categorias: meios encapsulados e não encapsulados. Nos meios encapsulados, as ondas percorrem um material sólido, como o cabo de fibra óptica, par-trançado e cabo coaxial. Nos meios não encapsulados, as ondas propagam-se na atmosfera e no espaço. Principais meios encapsulados: · Cabo Coaxial: formado por dois condutores separados e envoltos por um material isolante. O primeiro condutor, normalmente o cobre, é mais rígido e está envolto pelo segundo condutor, este em forma de malha e, normalmente, de alumínio. · Cabo de Par Trançado: muito utilizado em redes locais. Recebe este nome pois é composto por quatro pares de cabos que são entrelaçados entre si. Isso faz com que esse cabo sofra menos interferências eletromagnéticas; é utilizado um conector chamado de RJ-45. Conector RJ-45, utilizado em cabo do tipo par trançado para redes nas quais todas as máquinas se comunicam ao mesmo tempo. O cabo par trançado é muito utilizado em redes locais e recebe este nome, pois é composto por quatro pares de cabos que são entrelaçados entre si. Isso faz com que esse cabo sofra menos interferências eletromagnéticas. Fibra óptica: são filamentos de vidro ou de materiais poliméricos com capacidade de transmitir sinais digitais sob a forma de sinais luminosos. Apresenta custo mais alto e certa dificuldade de manuseio, entretanto, seu uso vem se disseminando cada vez mais, com a necessidade cada vez maior de velocidades mais altas. Meios não encapsulados: Nos meios não encapsulados, as ondas propagam-se na atmosfera e no espaço. A tecnologia para a transmissão de dados sem fio apareceu em meados dos anos 90 e era baseada em sistemas analógicos de rádio frequência (RF). “A segunda geração de tecnologia sem fio, chamada de 2G, incluía o GSM (Global System for Mobile) e o CDMA (Code Division Multiple Access), entretanto, a capacidade de transmissão de dados era muito ruim. Em meados dos anos 2000 veio à tecnologia 3G, que trazia a transmissão de dados em canal específico, ou seja, separado da voz. A partir daquele momento, a transmissão era de 10 megabits por segundo.” (SILVA, 2012. p.18) A rede 4G permite tráfego de dados em velocidades superiores às de redes 2G e 3G, bem como maior eficiência de espectro (mais dispositivos conectados sem prejudicar a rede). O 4G atinge uma média de 20 megabits por segundo. A nova tecnologia chamada 5G traz maiores velocidades (acima de 10 gigabits, por segundo) e permite maior número de dispositivos conectados (1 milhão de devices a cada quilômetro quadrado). A tecnologia 5G só foi padronizada em dezembro de 2017 e as primeiras aplicações com a tecnologia estão sendo implementadas em 2019. Modos de transmissão Em uma rede de computadores, os dados a serem transmitidos entre dois sistemas finais são divididos em pequenos pacotes individuais, que são numerados e endereçados e, por fim, encaminhados a um determinado destino. Existem três modos de utilizar o meio físico para transmitir dados: Modo Simplex, Modo Half-duplex, Modo Full-duplex. · Modo Simplex: este modo, praticamente, não é utilizado nas redes de computadores. A informação sempre percorre um meio físico em um único sentido. Um dispositivoserá sempre transmissor e o outro receptor. Assim, a transmissão tem sentido unidirecional. Pode-se ter um transmissor para vários receptores e o receptor não tem a possibilidade de sinalizar se os dados foram recebidos. Exemplos de redes que utilizam este modo de transmissão são as redes de televisão e de rádio. · Modo Half-duplex: a informação percorre o meio físico em ambos os sentidos, mas não simultaneamente é o modo de transmissão das redes Ethernet originais, sendo suportado em praticamente todos os dispositivos atuais. Por exemplo: o dispositivo A poderia transmitir dados que B receberia e, em seguida, o sentido da transmissão seria invertido e B transmitiria para A a informação, se os dados foram corretamente recebidos ou se foram detectados erros de transmissão. A operação de troca de sentido de transmissão entre os dispositivos é chamada de turn-around e o tempo necessário para os dispositivos chavearem entre as funções de transmissor e receptor é chamado de turn-around time. Um exemplo de rede que utiliza este tipo de transmissão é a da companhia Nextel. · Modo Full-duplex: na comunicação entre Transmissor e o Receptor, os dois podem transmitir dados simultaneamente em ambos os sentidos (chamada, por isso, de transmissão bidireccional). Uma linha full-duplex tem a possibilidade de transmitir mais informações por unidade de tempo que uma linha half-duplex, considerando-se a mesma taxa de transmissão de dados. Assim, a rede dobra a velocidade total. Exemplos de rede que utilizam o modo de transmissão Full-duplex são as comunicações telefónicas; também são possíveis entre computadores, mas o meio de transmissão utilizado precisa conter, pelo menos, dois canais, um para cada sentido do fluxo dos dados. Organizações de padronização Os padrões de rede estabelecidos pelas organizações de padronização têm como principal objetivo assegurar que os produtos de diferentes fabricantes de equipamentos sejam interoperáveis. Antes da criação do modelo OSI, em 1982, os sistemas eram todos baseados em soluções proprietárias e não permitiam a interoperabilidade dos fabricantes. Este fato gerava um grande desconforto aos usuários da tecnologia, que ficavam atrelados a soluções de um único fabricante. Se eles decidissem comprar a solução de uma determinada empresa, eram obrigados a expandir esta empresa, o que era ótimo para a desenvolvedora, mas ruim para o cliente, principalmente na hora de negociar valores. Os padrões foram criados para permitir que uma solução tecnológica única e padronizada pudesse ser implementada por diferentes fabricantes. Inicialmente, os fabricantes acreditavam que a padronização limitaria a expansão tecnológica, o que já se mostrou falso. A padronização em rede de computadores pode ser dividida em dois tipos: · Padronização de fato: que se consagraram naturalmente, sem nenhum plano formal, são definidas por uso dominante e estabelecidas informalmente pela indústria e pelos usuários. · Padronização de jure: é o tipo de padronização formal. Em geral, esses padrões são desenvolvidos por entidades de padronização que funcionam como um grande fórum, do qual fazem parte representantes das indústrias, dos governos e dos laboratórios das universidades. Alguns exemplos de entidades padronizadoras são: ISO – (International Organization for Standardization): a ISO é uma entidade que, atualmente, congrega padronização/normalização de 170 países. A ISO possui o padrão OSI – (Open Systems Interconnection). Lançado em 1984, o padrão OSI divide as redes de computadores em 7 camadas, de forma a se obter camadas de abstração, permitindo a comunicação entre máquinas distintas e definindo diretivas para a elaboração de redes de computadores independente da tecnologia utilizada, sejam essas redes de curta, média ou longa distância. IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engeneers): possui engenheiros elétricos e eletrônicos de, praticamente, todos os países do mundo e a contribuição do IEEE é muito grande na definição de padrões de redes, entre elas, a rede sem fio IEEE 802.11, que também é conhecida como rede Wi-Fi. ANSI (American National Standards Organization): é um órgão de padronização criado nos Estados Unidos em 1918. Possui, aproximadamente, 1000 associados entre empresas, organizações, agências de governo e instituições internacionais. É o equivalente Norte Americano da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Na área de redes, a ANSI trabalha em parceria com a IEC (International Electrotechnical Commission) e definiu diversas especificações de padrões de cabeamentos estruturados. EIA (Electronic Industries Association): associação das Indústrias de Eletrônica (dos Estados Unidos). É uma organização de comércio para a indústria de eletrônica que se concentra em padrões de telecomunicações da Associação das Indústrias de Telecomunicações. Entre os seus principais padrões, estão os relacionados ao cabeamento de edifícios comerciais para produtos e serviços de telecomunicações. ITU-T (International Telecommunication Union –Telecommunication Standards): é uma agência intergovernamental que congrega mais de 700 organizações públicas e privadas de 191 países, que cria recomendações empregadas como referência para o desenvolvimento de soluções tecnológicas envolvendo redes e telecomunicações. Entre estas recomendações, destacam-se o padrão de protocolo para as funcionalidades da rede em camadas (layers) X.25 e a ADSL, Assymmetric Digital Subscriber Line (Linha Digital Assimétrica para Assinante). Um padrão é bastante popular de conexão à internet, porque aproveita a infraestrutura da telefonia fixa, permitindo conexões velozes com custo baixo. Conclusão Neste Tópico, estudamos os fundamentos de redes de computadores e de comunicação, compreendemos que as redes são constituídas por uma infinidade de equipamentos baseados numa grande diversidade de tecnologias que configuram as vias de transmissão e os dispositivos de rede. Destacamos os conceitos das redes de computadores, de Telefonia, rádio e TV e de satélites. Vimos que a organização da interligação entre os nós (computadores ou outros dispositivos) de uma rede se divide em topologia física, que é o layout da rede, e lógica, que descreve o fluxo dos dados por meio da rede. Vimos também que os meios de transmissão físicos podem ter formas diferentes e não precisam ser do mesmo tipo em todo o caminho do dado, podendo ser encapsulados e não encapsulados. Também vimos que a utilização do meio físico para transmitir dados pode se dar de 3 diferentes maneiras: Modo Simplex, Modo Half-duplex, Modo Full-duplex. Para finalizar, compreendemos a importância da padronização para permitir que uma solução tecnológica única e padronizada pudesse ser implementada por diferentes fabricantes. Nesse contexto, apresentamos as características das padronizações de fato e de jure, bem como alguns exemplos das entidades de padronização na área de redes. Referências CARNEIRO, L. F.; BRAGA, N.C. Redes de Computadores. Rio de Janeiro: REDERIO, 1998. (Nota Técnica, 4). Disponível em . CARVALHO, A.G.; BADINHAN, L.F.C. Habilitação técnica em Eletrônica: Eletrônica Telecomunicações. 5. ed. São Paulo: Fundação Padre Anchieta, 2011. DANTAS, M. Tecnologias de Redes de Comunicação e Computadores. 1ª Ed. Rio do Sul: Axcel Books, 2002. PIRES, J.J.O. Sistema e redes de telecomunicação. 2006. Disponível em . Acesso em: 10 jun. 2019. SILVA, S. P. Internet em redes de alta velocidade: concepções e fundamentos sobre banda larga. disponível em: . 2012. Acesso em: 10 jun. 2019. TANENBAUM, Andrew S. Redes de Computadores. 5 ed. Rio de Janeiro: Pearson, 2011. YOUTUBE. (12 de abr de 2014). Systems Academy. Systems Thinking. 03min30. Disponível em: . Acesso em: 10 jun. 2019. YOUTUBE. (26 de fev de 2015). Dary Bonomi Avanzi. Do telégrafo à era digital – internet.A trajetória profissional de Dary Bonomi Avanzi. 21min31. Disponível em: . Acesso em: 10 jun. 2019. YOUTUBE. (23 de abr de 2019). SBT no Interior. Confira a evolução dos dispositivos de armazenamento de dados. 10min56. Disponível em: .