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Bateria NP2 Direito Internacional

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Questões resolvidas

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Direito Internacional Público | Prof. Dr. Rui Badaró | Bateria NP2 — 30 Testes Comentados 
UNIP — Campus Sorocaba | Página 1 
 
UNIVERSIDADE PAULISTA 
───── ✦ ───── 
DIREITO INTERNACIONAL 
PÚBLICO 
───── ✦ ───── 
BATERIA DE TESTES — NP2 
30 Questões Comentadas 
Gabarito e Justificativa Técnica em Cada Questão 
União Europeia • Mercosul • Solução Pacífica de Controvérsias 
Prof. Dr. Rui Badaró 
Doutor em Direito (UCSF) | Professor de Direito Internacional 
Campus Sorocaba — 2026/1 
Material complementar ao Podcast DIP com Prof. Rui Badaró (Spotify) 
 
Direito Internacional Público | Prof. Dr. Rui Badaró | Bateria NP2 — 30 Testes Comentados 
UNIP — Campus Sorocaba | Página 2 
INSTRUÇÕES DE USO 
Prezado(a) aluno(a), 
 Esta bateria contém 30 questões de múltipla escolha que cobrem integralmente o 
conteúdo programático da NP2. A estrutura é a seguinte: 10 questões sobre União Europeia 
(Parte I do Guia), 10 sobre Mercosul (Parte II) e 10 sobre Solução Pacífica de Controvérsias 
(Parte III). 
 As questões foram elaboradas em três níveis de dificuldade: (i) questões de 
memorização — para consolidar datas, órgãos, dispositivos essenciais; (ii) questões de 
compreensão — que exigem domínio conceitual para distinguir institutos aparentemente 
análogos; (iii) questões de aplicação e raciocínio comparativo — que testam a capacidade de 
relacionar os três blocos estudados e reconhecer as escolhas jurídicas subjacentes. 
Como estudar com este material 
1. Resolva primeiro sem olhar a resposta. Use lápis e marque a alternativa que considera 
correta. 
2. Depois leia o gabarito e a justificativa. Se acertou por acaso ou se errou, retome o Guia 
correspondente — a justificativa indica, quando pertinente, o capítulo de referência. 
3. Marque as questões em que errou ou teve dúvida. Volte a elas 48h antes da prova. Esse é o 
ciclo ativo de estudo que consolida o conteúdo. 
4. Após dominar os 30 testes, faça o exercício final: explique em voz alta, para um colega ou 
gravando-se no celular, por que cada alternativa errada é errada. A capacidade de falar sobre o 
erro é sinal de domínio real do conteúdo. 
Distribuição das questões 
 
PARTE QUESTÕES 
Parte I — União Europeia Questões 1 a 10 
Parte II — Mercosul Questões 11 a 20 
Parte III — Solução Pacífica de Controvérsias Questões 21 a 30 
Bom estudo — e boa prova. 
Prof. Dr. Rui Badaró 
Sorocaba, abril de 2026 
 
Direito Internacional Público | Prof. Dr. Rui Badaró | Bateria NP2 — 30 Testes Comentados 
UNIP — Campus Sorocaba | Página 3 
PARTE I — UNIÃO EUROPEIA 
Questões 1 a 10. Cobrem: antecedentes e história da integração; CECA/CEE/UE; Tratado de 
Maastricht; Tratado de Lisboa; natureza jurídica supranacional; instituições e seus titulares em 
2026; doutrinas TJUE fundantes; Brexit; alargamentos; atualizações 2026. 
QUESTÃO 01 • Parte I — UE • Antecedentes históricos 
O plano que propôs a criação de uma autoridade comum para regular a produção de carvão e 
aço entre os Estados europeus, apresentado em 09 de maio de 1950 e considerado o marco 
inaugural da integração europeia contemporânea, foi: 
(A) o Plano Marshall, formulado pelo Secretário de Estado George Marshall em 1947, destinado 
à reconstrução econômica do continente europeu. 
(B) o Plano Schuman, proposto pelo Ministro das Relações Exteriores francês Robert Schuman, 
com inspiração técnica de Jean Monnet. 
(C) o Plano Briand, concebido pelo ministro francês Aristide Briand, voltado à criação dos 
Estados Unidos da Europa. 
(D) o Plano Pleven, formulado em 1950 pelo então primeiro-ministro francês René Pleven, 
centrado na criação de uma Comunidade Europeia de Defesa. 
(E) o Manifesto de Ventotene, redigido por Altiero Spinelli durante o exílio forçado no período 
fascista. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
O Plano Schuman, apresentado publicamente em 09/05/1950 e elaborado tecnicamente por 
Jean Monnet, propôs a criação de uma autoridade comum supranacional para regular a 
produção franco-germânica de carvão e aço. Essa proposta desembocou, em 18/04/1951, 
no Tratado de Paris, que criou a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), com 
seis Estados fundadores: França, Alemanha Ocidental, Itália, Bélgica, Países Baixos e 
Luxemburgo. Em razão desse marco, 09 de maio é celebrado como o Dia da Europa. 
As demais alternativas descrevem iniciativas distintas: (a) o Plano Marshall (1947) foi um 
programa norte-americano de ajuda financeira para reconstrução, não de integração 
institucional; (c) o Plano Briand (1929–1930) é anterior à CECA e nunca se concretizou 
institucionalmente; (d) o Plano Pleven resultou em projeto de Comunidade Europeia de 
Defesa rejeitado pela Assembleia Nacional francesa em 1954; (e) o Manifesto de Ventotene 
(1941) é texto federalista importante, mas não estrutura institucional concreta. 
QUESTÃO 02 • Parte I — UE • Tratado de Maastricht 
Sobre o Tratado da União Europeia, assinado em 07/02/1992 em Maastricht e em vigor desde 
01/11/1993, é correto afirmar: 
(A) consolidou a fusão entre a CECA, a CEE e a Euratom em uma única Comunidade Europeia, 
sem preservar a estrutura de pilares. 
(B) criou a União Europeia como bloco assentado sobre três pilares — comunidades, PESC e 
cooperação em justiça e assuntos internos — e instituiu a cidadania europeia. 
Direito Internacional Público | Prof. Dr. Rui Badaró | Bateria NP2 — 30 Testes Comentados 
UNIP — Campus Sorocaba | Página 4 
(C) aboliu a regra da unanimidade em todos os domínios, substituindo-a pela maioria qualificada 
no Conselho. 
(D) atribuiu personalidade jurídica internacional à União Europeia, que até então não podia 
celebrar tratados em nome próprio. 
(E) foi precedido pelo Ato Único Europeu, assinado em 1986, já instituindo a moeda única e a 
cidadania europeia. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
O Tratado de Maastricht é o marco da passagem das Comunidades Europeias à União 
Europeia. Entre suas inovações, destacam-se: (i) a criação da União Europeia fundada em 
três pilares — o primeiro, comunitário (CECA, CEE renomeada em CE, Euratom); o segundo, 
a Política Externa e de Segurança Comum (PESC); o terceiro, a cooperação em matéria de 
Justiça e Assuntos Internos (JAI); (ii) a instituição da cidadania europeia, atribuída a todo 
nacional de Estado-Membro, com os direitos do atual art. 20 TFUE; (iii) o início do processo 
de União Econômica e Monetária, com cronograma para a moeda única, que só seria 
introduzida em 1999/2002. 
As demais alternativas estão erradas: (a) Maastricht preservou a estrutura de pilares — sua 
fusão ocorre apenas em Lisboa (2007); (c) a unanimidade não foi abolida, mas reduzida 
gradualmente a partir de Maastricht; (d) a personalidade jurídica única da União só foi 
conferida pelo Tratado de Lisboa (art. 47 TUE); (e) o Ato Único Europeu (1986) impulsionou 
o mercado interno mas não criou moeda única nem cidadania europeia. 
QUESTÃO 03 • Parte I — UE • Natureza jurídica supranacional 
A característica que melhor distingue o direito derivado da União Europeia em relação ao direito 
dos tratados internacionais clássicos é: 
(A) a necessidade de incorporação individualizada da norma por cada Estado-Membro antes 
de sua vigência interna. 
(B) a aplicabilidade direta dos Regulamentos, que vigoram automaticamente em todos os 
Estados-Membros, sem necessidade de incorporação pelo direito nacional. 
(C) a exigência de consenso entre todos os Estados-Membros para a aprovação de qualquer 
ato normativo. 
(D) a inexistência de primazia do direito da União sobre o direito interno dos Estados-Membros. 
(E) a impossibilidade de particulares — pessoas físicas ou jurídicas — invocarem normas da 
União perante os tribunais nacionais. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
A aplicabilidade direta dos Regulamentos é a pedra angular do direito comunitário europeu. 
Nos termos do art. 288 do TFUE, o Regulamento tem caráter geral, é obrigatório em todos 
os seus elementos e é diretamente aplicável em todos os Estados-MembrosEm todos os demais sistemas, apenas Estados (ou 
Estados-Partes/Membros da OI respectiva) têm acesso direto: na CIJ, apenas Estados 
podem ser partes em casos contenciosos (art. 34, §1º do Estatuto); na OMC, apenas 
Membros da OMC (Estados, territórios aduaneiros, UE) podem iniciar procedimentos; no 
TPR do Mercosul, apenas Estados-Partes podem ser partes diretas. 
Incorretas: (a) o acesso direto de particulares é apenas no TJUE; (c) a CIJ opera em base 
consensual e o TJUE em base obrigatória entre Estados-Membros — está invertido; (d) o 
TPR é tribunal arbitral permanente, não judicial, e o TJUE é tribunal judicial supranacional — 
também está invertido; (e) o Órgão de Apelação da OMC permanece paralisado desde 
dezembro de 2019 em 2026. Esta questão, ao fechar os três Guias da NP2, testa a 
capacidade do aluno de operar mentalmente com os quatro sistemas simultaneamente — 
competência que diferencia o estudo de NP2 e é especialmente valorizada em concursos 
públicos. 
 
Direito Internacional Público | Prof. Dr. Rui Badaró | Bateria NP2 — 30 Testes Comentados 
UNIP — Campus Sorocaba | Página 27 
GABARITO COMPILADO 
Para facilitar a conferência rápida após a resolução dos testes, apresento o gabarito compilado 
das 30 questões. Sugestão de uso: faça todas as questões primeiro, marque suas respostas, 
confira pelo gabarito — e só depois leia as justificativas completas nas páginas anteriores para 
entender seus erros e consolidar seus acertos. 
 
PARTE I — UE (1 a 10) GABARITO 
Questão 01 — Plano Schuman B 
Questão 02 — Tratado de Maastricht B 
Questão 03 — Aplicabilidade direta do 
Regulamento 
B 
Questão 04 — Van Gend en Loos (efeito direto) B 
Questão 05 — Titulares das instituições UE em 
2026 
B 
Questão 06 — Simmenthal (operação da 
primazia) 
B 
Questão 07 — Brexit (cronologia) B 
Questão 08 — Estado de Direito e AG 
Spielmann 
B 
Questão 09 — Bulgária na Zona Euro em 2026 C 
Questão 10 — AI Act — Regulamento 
2024/1689 
B 
 
PARTE II — MERCOSUL (11 a 20) GABARITO 
Questão 11 — Tratado de Assunção B 
Questão 12 — Art. 34 POP (personalidade 
jurídica) 
A 
Questão 13 — Intergovernamentalidade e 
consenso 
B 
Questão 14 — CMC + GMC + CCM (órgãos 
decisórios) 
C 
Questão 15 — Art. 40 POP (incorporação) B 
Questão 16 — Sistema de Olivos (TPR) B 
Questão 17 — Protocolo de Ushuaia A 
Direito Internacional Público | Prof. Dr. Rui Badaró | Bateria NP2 — 30 Testes Comentados 
UNIP — Campus Sorocaba | Página 28 
Questão 18 — Bolívia membro pleno 
(08/07/2024) 
B 
Questão 19 — Acordo UE-Mercosul 
(17/01/2026) 
A 
Questão 20 — Comparação UE × Mercosul B 
 
PARTE III — SOLUÇÃO PACÍFICA (21 a 
30) 
GABARITO 
Questão 21 — Caso Alabama (1872) B 
Questão 22 — Art. 33 da Carta da ONU A 
Questão 23 — Jurisdição consensual da CIJ B 
Questão 24 — África do Sul v. Israel (2024) B 
Questão 25 — Art. 38 do Estatuto da CIJ 
(fontes) 
B 
Questão 26 — Crise do Órgão de Apelação e 
MPIA 
B 
Questão 27 — Parecer Palestina (19/07/2024) A 
Questão 28 — Art. 4º, VII CF (solução pacífica) D 
Questão 29 — Reparação de Danos (1949) B 
Questão 30 — Comparação CIJ × OMC × TPR 
× TJUE 
B 
Auto-avaliação sugerida 
 
ACERTOS INTERPRETAÇÃO 
28 a 30 Excelente domínio. Você está pronto(a) para a 
NP2. Revise apenas as questões em que errou 
e verifique se a compreensão está sólida. 
24 a 27 Bom domínio. Identifique os temas em que 
errou e volte ao capítulo correspondente do 
Guia. Recomenda-se refazer as questões 
correlatas em 48h. 
20 a 23 Domínio intermediário. Retome com cuidado os 
capítulos-chave — natureza jurídica da UE e do 
Mercosul, CIJ, cláusula democrática, 
atualizações 2026. Reforce o estudo. 
Direito Internacional Público | Prof. Dr. Rui Badaró | Bateria NP2 — 30 Testes Comentados 
UNIP — Campus Sorocaba | Página 29 
Abaixo de 20 Domínio insuficiente. Reestude integralmente 
os três Guias. Se possível, forme grupo de 
estudo com colegas, use o Podcast DIP e refaça 
a bateria na véspera da prova. 
───── ✦ ───── 
 
Podcast DIP com Prof. Rui Badaró 
Disponível no Spotify — Acompanhe e aprofunde seus estudos! 
	INSTRUÇÕES DE USO
	Como estudar com este material
	Distribuição das questões
	PARTE I — UNIÃO EUROPEIA
	PARTE II — MERCOSUL
	PARTE III — SOLUÇÃO PACÍFICA DE CONTROVÉRSIAS
	GABARITO COMPILADO
	Auto-avaliação sugerida— isto é, vigora 
sem necessidade de qualquer ato nacional de incorporação. Esse regime é o oposto do 
direito internacional clássico (dualismo) e do direito mercosulino (art. 40 do Protocolo de Ouro 
Preto, que exige incorporação individualizada por cada Estado-Parte). 
Direito Internacional Público | Prof. Dr. Rui Badaró | Bateria NP2 — 30 Testes Comentados 
UNIP — Campus Sorocaba | Página 5 
As demais alternativas são incorretas: (a) descreve exatamente o regime do Mercosul, não 
o da UE; (c) no Conselho, a regra em muitos domínios é a maioria qualificada, não o 
consenso; (d) a primazia foi consagrada em Costa v. ENEL (1964) e é pilar da ordem jurídica 
da União; (e) o efeito direto horizontal e vertical — consagrado em Van Gend en Loos (1963) 
— permite a invocação direta de normas da União por particulares perante juízes nacionais. 
QUESTÃO 04 • Parte I — UE • Jurisprudência fundante do TJUE 
O acórdão no qual o Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias consagrou, pela primeira 
vez, o efeito direto do direito comunitário — afirmando que este confere a particulares direitos 
subjetivos invocáveis perante os juízes nacionais — foi proferido no caso: 
(A) Costa v. ENEL (1964), que estabeleceu a primazia do direito comunitário sobre o direito 
nacional. 
(B) Van Gend en Loos (1963), que reconheceu ao direito comunitário a capacidade de gerar 
direitos e deveres para indivíduos oponíveis aos Estados. 
(C) Simmenthal (1978), que impôs ao juiz nacional o dever de afastar a lei nacional posterior 
incompatível com o direito comunitário. 
(D) Cassis de Dijon (1979), que consolidou o princípio do reconhecimento mútuo no mercado 
interno. 
(E) Francovich (1991), que reconheceu a responsabilidade patrimonial do Estado-Membro pelos 
danos causados a particulares em razão da não-transposição de diretivas. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
Em Van Gend en Loos v. Administração Aduaneira Holandesa (C-26/62), decidido em 
05/02/1963, o TJUE rompeu com a tradição internacionalista clássica ao afirmar que a 
Comunidade Econômica Europeia constitui uma nova ordem jurídica do direito internacional, 
em favor da qual os Estados limitaram — ainda que em domínios restritos — seus direitos 
soberanos, e cujos sujeitos são não apenas os Estados-Membros, mas igualmente seus 
nacionais. Esse é o nascimento da doutrina do efeito direto: o direito comunitário confere aos 
particulares direitos subjetivos que podem ser invocados perante os tribunais nacionais, 
independentemente de sua recepção formal pelo ordenamento interno. 
As demais alternativas mencionam acórdãos igualmente clássicos, mas com conteúdos 
distintos: (a) Costa v. ENEL consagrou a primazia, e não o efeito direto; (c) Simmenthal foi a 
consequência operativa da primazia — deveres do juiz nacional; (d) Cassis de Dijon 
consagrou o reconhecimento mútuo em matéria de mercadorias; (e) Francovich estabeleceu 
a responsabilidade patrimonial do Estado por violação do direito comunitário. Todos são 
essenciais para a NP2, mas a pergunta exige a identificação específica do efeito direto. 
QUESTÃO 05 • Parte I — UE • Instituições em 2026 
Acerca dos titulares das instituições da União Europeia em 2026, assinale a alternativa correta: 
(A) O Presidente do Conselho Europeu, cargo criado pelo Tratado de Nice (2001), é atualmente 
exercido por Charles Michel. 
(B) A Presidência da Comissão Europeia é, em seu segundo mandato iniciado em 2024, 
exercida por Ursula von der Leyen. 
Direito Internacional Público | Prof. Dr. Rui Badaró | Bateria NP2 — 30 Testes Comentados 
UNIP — Campus Sorocaba | Página 6 
(C) A Presidência do Parlamento Europeu é exercida por David Sassoli, em mandato iniciado 
em 2022. 
(D) A Presidência do Banco Central Europeu é exercida por Mario Draghi, em segundo mandato 
iniciado em 2023. 
(E) A Presidência do Tribunal de Justiça da União Europeia é exercida por Koen Lenaerts, 
belga, em mandato iniciado em 2015 e sem previsão de renovação em 2026. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
Ursula von der Leyen (Alemanha, PPE) foi reconduzida à Presidência da Comissão Europeia 
em 2024, após a renovação institucional decorrente das eleições europeias de junho de 
2024. A nova Comissão von der Leyen II tomou posse em 01/12/2024 e permanece em 
exercício em 2026. Seu primeiro mandato transcorrera entre 2019 e 2024. 
As demais alternativas contêm informações desatualizadas ou incorretas: (a) Charles Michel 
encerrou seu mandato como Presidente do Conselho Europeu em 30/11/2024; desde 
01/12/2024, o cargo é exercido pelo ex-primeiro-ministro português António Costa. O cargo, 
aliás, foi criado pelo Tratado de Lisboa (2007), não por Nice. (c) David Sassoli faleceu em 
janeiro de 2022 ainda no exercício da presidência do PE; atualmente a Presidência é 
exercida pela maltesa Roberta Metsola, reconduzida em 2024. (d) Christine Lagarde preside 
o BCE desde 2019; Mario Draghi a antecedeu, tendo deixado o cargo em 2019 para, depois, 
ser primeiro-ministro da Itália. (e) Koen Lenaerts exerce efetivamente a Presidência do TJUE 
desde 08/10/2015, reconduzido sucessivamente, mas a formulação "sem previsão de 
renovação" é enganosa: o mandato é trienal e renovável. 
QUESTÃO 06 • Parte I — UE • Primazia do direito comunitário 
A doutrina da primazia do direito comunitário — consagrada pelo TJUE em 1964 — impõe ao 
juiz nacional, em caso de conflito entre norma comunitária e norma nacional, determinado 
comportamento. Identifique o acórdão no qual o Tribunal explicitou a consequência operativa 
dessa primazia, estabelecendo que o juiz nacional tem o dever de aplicar integralmente o direito 
comunitário e de afastar, por iniciativa própria, as normas internas incompatíveis, ainda que 
anteriores ou posteriores: 
(A) Van Gend en Loos (1963). 
(B) Simmenthal (1978). 
(C) Francovich (1991). 
(D) Achmea (2018). 
(E) Bosman (1995). 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
Em Simmenthal (C-106/77, 09/03/1978), o TJUE afirmou que, em virtude do princípio da 
primazia, o juiz nacional encarregado de aplicar — no âmbito de sua competência — as 
disposições do direito comunitário tem a obrigação de garantir o pleno efeito dessas normas, 
afastando de ofício, se necessário, toda disposição contrária da legislação nacional, mesmo 
posterior, sem aguardar a eliminação prévia desta última por via legislativa ou por qualquer 
outro procedimento constitucional. Simmenthal é, portanto, o desdobramento operativo de 
Direito Internacional Público | Prof. Dr. Rui Badaró | Bateria NP2 — 30 Testes Comentados 
UNIP — Campus Sorocaba | Página 7 
Costa v. ENEL: explicita que a primazia implica dever do juiz nacional de afastamento 
imediato e por iniciativa própria. 
As demais alternativas: (a) Van Gend en Loos consagrou o efeito direto (não a primazia nem 
suas consequências); (c) Francovich firmou a responsabilidade patrimonial do Estado; (d) 
Achmea, de 2018, tratou da incompatibilidade, com o direito da União, de cláusulas arbitrais 
investidor-Estado em tratados bilaterais intra-UE; (e) Bosman (1995) aplicou as liberdades 
de circulação ao mercado de jogadores de futebol. 
QUESTÃO 07 • Parte I — UE • Brexit 
Acerca do processo de retirada do Reino Unido da União Europeia, é correto afirmar: 
(A) o Reino Unido notificou sua intenção de retirar-se em 29/03/2017, com fundamento no art. 
50 do TUE, introduzido pelo Tratado de Maastricht. 
(B) o Tratado de Retirada foi firmado em 24/01/2020 e produziu efeitos em 31/01/2020; seguiu-
se um período de transição até 31/12/2020, no qual o Reino Unido permaneceu submetido 
ao acervo comunitário sem participar das instituições. 
(C) após o Brexit, as decisões do TJUE deixaram de ter qualquer vigência no Reino Unido, 
inclusive as anteriores à data de retirada. 
(D) o Reino Unido mantém assento consultivo no Conselho Europeu até 2030, por disposição 
transitória do Tratado de Retirada. 
(E) o art. 50 do TUE impõe prazo improrrogável de seis meses para conclusão das negociações 
de retirada,razão pela qual o Brexit se concluiu em setembro de 2017. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
O calendário do Brexit é o seguinte, para fins de prova: (i) 23/06/2016 — referendo com 
51,9% a favor da saída; (ii) 29/03/2017 — notificação formal ao Conselho Europeu com base 
no art. 50 do TUE (cláusula de retirada introduzida pelo Tratado de Lisboa de 2007, e não 
por Maastricht); (iii) 24/01/2020 — assinatura do Acordo de Retirada; (iv) 31/01/2020 — saída 
formal do Reino Unido da União Europeia; (v) 31/12/2020 — fim do período de transição, no 
qual o Reino Unido continuou submetido ao acervo comunitário mas sem direito a participar 
das instituições (nem voto, nem assento); (vi) 01/01/2021 — início da aplicação do Acordo 
de Comércio e Cooperação UE-UK. A alternativa (b) descreve corretamente essa sequência. 
Incorretas: (a) confunde Maastricht com Lisboa — o art. 50 foi introduzido pelo Tratado de 
Lisboa (2007); (c) as decisões do TJUE anteriores ao Brexit continuam relevantes em 
domínios específicos sob o Acordo de Retirada, especialmente quanto a direitos de cidadãos; 
(d) não existe tal assento consultivo — o Reino Unido deixou integralmente as instituições 
da União; (e) o art. 50 prevê dois anos prorrogáveis por acordo — e o prazo foi, efetivamente, 
prorrogado mais de uma vez. 
QUESTÃO 08 • Parte I — UE • Estado de Direito e alargamentos 
A União Europeia tem enfrentado, desde meados da década de 2010, tensões relativas à 
observância do Estado de Direito por alguns Estados-Membros — notadamente Polônia e 
Hungria. Sobre o tema, e considerando as decisões do TJUE até 2025, é correto afirmar: 
Direito Internacional Público | Prof. Dr. Rui Badaró | Bateria NP2 — 30 Testes Comentados 
UNIP — Campus Sorocaba | Página 8 
(A) a União Europeia aplicou, contra a Polônia e a Hungria, o procedimento do art. 7º do TUE 
com suspensão imediata dos direitos de voto de ambos os Estados no Conselho. 
(B) nas Conclusões do Advogado-Geral Dean Spielmann, apresentadas em 11/03/2025 no 
processo C-448/23, foi proposto ao Tribunal reconhecer que a Polônia descumpriu o direito 
da União por subordinar juízes nacionais a um regime disciplinar incompatível com a 
independência judicial. 
(C) o TJUE decidiu, já em 2018, que qualquer Estado-Membro pode ser automaticamente 
excluído da União por violação dos valores do art. 2º do TUE, sem necessidade do 
procedimento do art. 7º. 
(D) a Ucrânia, a Moldávia e a Bósnia-Herzegovina tornaram-se Estados-Membros plenos da 
União Europeia em 2024, em cerimônia única realizada em Bruxelas. 
(E) o art. 7º do TUE jamais foi acionado formalmente contra Estado-Membro algum ao longo da 
história da União. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
As Conclusões do Advogado-Geral Dean Spielmann, apresentadas em 11/03/2025 no 
processo C-448/23, propuseram ao TJUE reconhecer que a Polônia descumpriu suas 
obrigações decorrentes do art. 19, §1º, segundo parágrafo, do TUE, ao manter regime 
disciplinar de juízes nacionais incompatível com as garantias de independência judicial 
exigidas pelo direito da União. As Conclusões do Advogado-Geral não vinculam o Tribunal, 
mas frequentemente antecipam a solução que será adotada. O caso enquadra-se em uma 
sequência extensa de processos contra Polônia e Hungria por erosão do Estado de Direito 
— incluindo contestações da Lei Disciplinar polonesa, da reforma do Supremo Tribunal 
polonês, da lei húngara sobre as universidades e da lei LGBT húngara de 2021. 
As demais alternativas são incorretas: (a) o procedimento do art. 7º foi efetivamente acionado 
contra a Polônia (2017) e contra a Hungria (2018), mas não houve suspensão de direitos de 
voto, pois isso exige unanimidade do Conselho Europeu — bloqueada pelo apoio mútuo dos 
dois Estados; (c) não há expulsão automática na União — o procedimento do art. 7º é 
complexo e gradual, sem previsão de exclusão; (d) Ucrânia e Moldávia são Estados 
candidatos desde 2022, mas não são Estados-Membros em 2026 (adesão demanda anos 
de negociação); a Bósnia-Herzegovina tem status de candidato desde 2022, também sem 
adesão formalizada; (e) o art. 7º foi acionado nos casos Polônia e Hungria, como 
mencionado. 
QUESTÃO 09 • Parte I — UE • Zona Euro em 2026 
Em 01/01/2026, um novo Estado-Membro aderiu à Zona Euro, passando o bloco a contar com 
21 países que adotam o Euro como moeda oficial. Identifique corretamente o Estado que aderiu 
e a taxa de conversão definitiva adotada: 
(A) Croácia, à taxa de 7,53450 kuna por Euro. 
(B) Polônia, à taxa de 4,30000 zloty por Euro. 
(C) Bulgária, à taxa de 1,95583 lev por Euro. 
(D) Romênia, à taxa de 4,95000 leu por Euro. 
(E) República Tcheca, à taxa de 25,15000 coroas por Euro. 
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GABARITO: (C) 
JUSTIFICATIVA: 
Em 01/01/2026, a Bulgária tornou-se o 21º Estado-Membro da Zona Euro, adotando o Euro 
como moeda oficial à taxa fixa e definitiva de conversão de 1,95583 leva búlgaros por Euro 
— a mesma taxa à qual o lev vinha ancorado desde 1999 sob um currency board. A decisão 
foi antecedida por aprovação do Conselho Ecofin, com base nos critérios de convergência 
de Maastricht (inflação, déficit fiscal, dívida pública, estabilidade cambial no MTC II e 
convergência de taxas de juros). 
Outras alternativas: (a) Croácia aderiu em 01/01/2023, à taxa de 7,53450 kuna por Euro — 
portanto não é o evento de 2026; (b) Polônia não adota o Euro e mantém o zloty como 
moeda; (d) Romênia permanece fora da Zona Euro em 2026, embora integre a União 
Europeia; (e) a República Tcheca tampouco aderiu. Vale destacar que, com a adesão 
búlgara, passam a ser 21 os Estados-Membros da Zona Euro, restando fora da moeda única 
apenas: Dinamarca (cláusula de opt-out), Suécia, Polônia, República Tcheca, Hungria e 
Romênia. 
QUESTÃO 10 • Parte I — UE • Regulamento (UE) 2024/1689 — AI Act 
O Regulamento (UE) 2024/1689, conhecido como "AI Act", constitui marco regulatório global em 
inteligência artificial. Acerca dele, é correto afirmar: 
(A) foi aprovado em 2024 e entrou em aplicação integral imediatamente, com efeitos plenos 
desde setembro de 2024. 
(B) classifica os sistemas de IA conforme o risco que representam — inaceitável, alto, limitado 
e mínimo — e veda integralmente, na União Europeia, a utilização de sistemas de risco 
inaceitável, como o scoring social generalizado por autoridades públicas. 
(C) possui natureza de Diretiva, exigindo transposição por cada Estado-Membro, o que explica 
a vigência diferida em alguns países até 2028. 
(D) não se aplica a empresas não estabelecidas na União Europeia, ainda que ofereçam 
serviços de IA a cidadãos europeus. 
(E) proíbe em caráter absoluto o uso de sistemas de reconhecimento facial em espaços 
públicos, sem exceções. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
O Regulamento (UE) 2024/1689, publicado em julho de 2024, adota abordagem baseada no 
risco. Sistemas de risco inaceitável são proibidos na União — exemplos clássicos incluem o 
scoring social generalizado por autoridades públicas, sistemas de manipulação subliminar e 
categorização biométrica discriminatória. Os sistemas de alto risco estão submetidos a 
obrigações estritas de conformidade; os de risco limitado, a deveres de transparência; os de 
risco mínimo, a regras mais leves. Há aplicação progressiva: alguns dispositivos passaram 
a vigorar em fevereiro de 2025 (proibições), mas a aplicação plena e generalizada do 
Regulamento tem como marco temporal 02/08/2026. 
Incorretas: (a) a aplicação é escalonada, não imediata; (c) o AI Act é Regulamento (art. 288 
TFUE), não Diretiva — vigora automaticamente em todos os Estados-Membros, sem 
transposição nacional; (d) o Regulamento tem aplicação extraterritorial: abrange 
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fornecedores e implementadores de sistemas cujos resultados sejam utilizados naUnião, 
mesmo que estabelecidos em terceiros Estados (efeito Bruxelas); (e) o reconhecimento facial 
em tempo real em espaços públicos por autoridades policiais não é vedação absoluta — 
admite exceções estritas (buscas de vítimas de crimes graves, ameaças terroristas 
iminentes, identificação de autores de crimes graves) sob autorização judicial prévia. 
 
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PARTE II — MERCOSUL 
Questões 11 a 20. Cobrem: antecedentes; Tratado de Assunção; Protocolo de Ouro Preto; 
natureza intergovernamental; instituições; fontes; solução de controvérsias; cláusula 
democrática; membresia; atualizações 2026 (Acordo UE-Mercosul, Bolívia membro pleno, 
presidências). 
QUESTÃO 11 • Parte II — Mercosul • Tratado de Assunção 
Sobre o Tratado de Assunção, instrumento constitutivo do Mercosul, é correto afirmar: 
(A) foi assinado em 26/03/1991 por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Chile, que 
posteriormente se retirou para aderir à ALCA. 
(B) é tratado-quadro (ou tratado-processo), de prazo indeterminado, que estabeleceu como 
objetivo a constituição de um mercado comum até 31/12/1994. 
(C) criou imediatamente, já em 1991, a estrutura institucional definitiva do bloco, inclusive o 
Tribunal Permanente de Revisão. 
(D) previu a personalidade jurídica internacional do Mercosul já em seu art. 1º, permitindo a 
celebração de tratados com terceiros desde a origem. 
(E) proibiu, em cláusula expressa, a adesão de novos Estados após sua entrada em vigor, razão 
pela qual a Bolívia somente se tornou associada do bloco. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
O Tratado de Assunção foi assinado em 26/03/1991 por quatro Estados — Argentina, Brasil, 
Paraguai e Uruguai (o Chile nunca foi Estado-Parte, embora seja Estado Associado desde 
1996). É tratado-quadro (tratado-processo), porque não pretende, por si só, instituir o 
mercado comum, mas sim estabelecer o processo e os instrumentos para construí-lo. Seu 
art. 1º estabelece como objetivo a constituição do Mercado Comum do Sul até 31/12/1994 
— prazo aspiracional que não se cumpriu integralmente. É de prazo indeterminado (art. 19), 
admitindo denúncia com aviso prévio de sessenta dias (art. 21), e aberto à adesão de 
Estados da ALADI após cinco anos da vigência (art. 20). 
As demais alternativas: (a) o Chile nunca integrou o bloco como Estado-Parte — é Estado 
Associado desde 1996; (c) a estrutura institucional definitiva veio apenas com o Protocolo de 
Ouro Preto (1994); o TPR foi criado pelo Protocolo de Olivos (2002), em vigor desde 2004; 
(d) a personalidade jurídica internacional do Mercosul foi conferida pelo art. 34 do Protocolo 
de Ouro Preto (1994), não pelo Tratado de Assunção; (e) o Tratado não proíbe a adesão — 
ao contrário, seu art. 20 a prevê expressamente. A Bolívia, aliás, é Estado-Parte pleno desde 
08/07/2024, como se estuda no Capítulo 9 da Parte II do Guia. 
QUESTÃO 12 • Parte II — Mercosul • Protocolo de Ouro Preto 
O Protocolo de Ouro Preto, assinado em 17/12/1994, é considerado a "constituição material" do 
Mercosul. A respeito dele, é correto afirmar: 
(A) estabeleceu em seu art. 34 a personalidade jurídica de Direito Internacional do Mercosul, 
habilitando o bloco a celebrar tratados e a ter patrimônio próprio. 
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(B) instituiu tribunal supranacional com jurisdição obrigatória e automática sobre todos os 
Estados-Partes, denominado Tribunal de Justiça do Mercosul. 
(C) consagrou a aplicabilidade direta das Decisões do Conselho do Mercado Comum, 
dispensando qualquer ato interno de incorporação. 
(D) atribuiu ao Parlamento do Mercosul poder legislativo concorrente com o Conselho e o Grupo 
Mercado Comum. 
(E) criou cidadania mercosulina, conferida a todo nacional de Estado-Parte, nos moldes da 
cidadania europeia. 
GABARITO: (A) 
JUSTIFICATIVA: 
O art. 34 do Protocolo de Ouro Preto é dispositivo de importância maior: "O Mercosul terá 
personalidade jurídica de Direito Internacional." Essa atribuição tem três consequências 
diretas: (i) o Mercosul passa a ser sujeito de Direito Internacional, com existência jurídica 
autônoma em relação aos Estados-Partes; (ii) adquire capacidade para celebrar tratados em 
nome próprio (treaty-making power) — base jurídica, por exemplo, para o Acordo UE-
Mercosul de 2026; (iii) passa a ter personalidade de direito interno nos territórios dos 
Estados-Partes (art. 35), com patrimônio próprio e capacidade contratual. Sem essa 
atribuição, o bloco não teria as capacidades internacionais que efetivamente exerce. 
As demais alternativas estão incorretas: (b) não existe Tribunal de Justiça do Mercosul — 
existe o Tribunal Permanente de Revisão, criado pelo Protocolo de Olivos (2002), de 
natureza arbitral e não judicial; (c) descreve o regime da UE, não do Mercosul: o art. 40 do 
POP exige incorporação individualizada das Decisões do CMC; (d) o Parlamento do 
Mercosul (Parlasul, criado em 2005) é consultivo — não tem poder legislativo autônomo; (e) 
não há cidadania mercosulina — o bloco operou mecanismo de residência facilitada, mas 
não criou cidadania supranacional. 
QUESTÃO 13 • Parte II — Mercosul • Natureza jurídica 
Acerca da natureza jurídica do Mercosul, é correto afirmar que o bloco é: 
(A) supranacional, com três pilares nos moldes de Maastricht: comunitário, político e de 
cooperação em matéria de justiça. 
(B) intergovernamental, com decisões tomadas por consenso e com presença de todos os 
Estados-Partes, conforme art. 37 do Protocolo de Ouro Preto. 
(C) supranacional em matéria comercial e intergovernamental em matéria política, em sistema 
de pilares diferenciado. 
(D) intergovernamental, mas com decisões tomadas por maioria qualificada desde o Protocolo 
de Olivos (2002). 
(E) supranacional, com aplicabilidade direta, efeito direto e primazia desde a sentença do STF 
na ADI 1.480-3/DF. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
O Mercosul é, desde sua origem, organização internacional regional intergovernamental. A 
regra decisória consagrada no art. 37 do Protocolo de Ouro Preto é o consenso, com 
presença de todos os Estados-Partes. Isso significa que: (i) nenhum Estado-Parte pode ser 
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obrigado a aceitar decisão com que não concorde; (ii) basta um Estado discordar para 
bloquear qualquer decisão; (iii) decisões adotadas sem a presença de algum Estado-Parte 
são, em princípio, inválidas. Essa opção foi deliberada — expressa a escolha política dos 
Estados-Partes pela preservação da soberania, ao custo da velocidade decisória e da 
integração jurídica profunda. 
Incorretas: (a) a estrutura de pilares é da União Europeia pós-Maastricht (abolida com 
Lisboa), não do Mercosul; (c) não existe essa divisão supranacional/intergovernamental por 
domínio no Mercosul — o bloco é integralmente intergovernamental; (d) o Protocolo de Olivos 
(2002) não alterou a regra decisória do art. 37 do POP — o consenso permanece a regra; 
(e) o STF, na ADI 1.480-3/DF (1997) e em sua jurisprudência posterior, reafirmou o dualismo 
moderado brasileiro, não reconheceu aplicabilidade direta, efeito direto ou primazia do direito 
mercosulino. 
QUESTÃO 14 • Parte II — Mercosul • Órgãos decisórios 
Os órgãos com capacidade decisória no Mercosul, segundo o Protocolo de Ouro Preto, são três. 
Identifique-os corretamente: 
(A) Conselho do Mercado Comum (CMC), Grupo Mercado Comum (GMC) e Parlamento do 
Mercosul (Parlasul). 
(B) Conselho do Mercado Comum (CMC), Comissão do Mercosul (CM) e Tribunal Permanente 
de Revisão (TPR). 
(C) Conselho do Mercado Comum (CMC), Grupo Mercado Comum (GMC) e Comissão de 
Comércio do Mercosul (CCM). 
(D) Presidência Pro Tempore, Foro Consultivo Econômico-Social (FCES) e Secretariado 
Mercosul. 
(E) Cúpula Presidencial, Conselho de Ministros das Relações Exteriores e Reuniões 
Especializadas. 
GABARITO: (C) 
JUSTIFICATIVA: 
Os três órgãos decisórios do Mercosul, por força do Protocolo de Ouro Preto, são: (i) 
Conselho do Mercado Comum (CMC), órgão superior, composto pelos Ministros das 
Relações Exteriores e da Economia, que adota Decisões; (ii) Grupo Mercado Comum (GMC), 
órgão executivo, que adota Resoluções; (iii) Comissão de Comércio do Mercosul (CCM), que 
adota Diretrizes, especialmente em matéria de Tarifa Externa Comum e de administração do 
regime comercial comum. Todos os três são intergovernamentais — compostos por 
representantes dos governos nacionais. 
Nas demais alternativas aparecem, de modo misturado, órgãos auxiliares ou mesmo órgãos 
inexistentes: (a) o Parlasul é consultivo, não decisório; (b) o TPR é órgão jurisdicional de 
solução de controvérsias, também não integrante da tríade decisória; (d) FCES é consultivo, 
a Secretaria é administrativa; (e) a Cúpula Presidencial é o formato visível das reuniões 
semestrais do CMC, mas não é órgão autônomo com nome próprio no POP. A distinção é 
clássica em provas de concursos — vale memorizar: CMC + GMC + CCM. 
QUESTÃO 15 • Parte II — Mercosul • Incorporação das normas 
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O art. 40 do Protocolo de Ouro Preto disciplina a entrada em vigor das normas do direito derivado 
do Mercosul. Sobre o regime estabelecido, é correto afirmar: 
(A) as Decisões do CMC vigoram automaticamente em todos os Estados-Partes a partir de sua 
aprovação, independentemente de incorporação pelo direito interno. 
(B) as normas, uma vez aprovadas, só passam a vigorar depois de incorporadas por cada 
Estado-Parte; a vigência simultânea ocorre 30 dias após a comunicação da Secretaria do 
Mercosul, informando que todos incorporaram. 
(C) a vigência das normas depende apenas de sua publicação no Boletim Oficial do Mercosul, 
sem qualquer ato interno adicional. 
(D) as Decisões do CMC vigoram no Brasil imediatamente após promulgação por decreto 
presidencial, independentemente da situação nos demais Estados-Partes. 
(E) o Protocolo de Olivos (2002) derrogou o art. 40 do POP, instituindo aplicabilidade direta das 
Decisões do CMC, tal como ocorre com os Regulamentos europeus. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
O art. 40 do Protocolo de Ouro Preto é, ao lado do art. 34 (personalidade jurídica) e do art. 
37 (consenso), dispositivo estruturante. Estabelece regime de incorporação com vigência 
simultânea: (i) adotada a norma pelo órgão competente do Mercosul, os Estados-Partes 
devem adotar as medidas necessárias para incorporá-la ao ordenamento nacional; (ii) cada 
Estado comunica a Secretaria do Mercosul ao concluir a incorporação; (iii) quando todos os 
Estados-Partes tiverem comunicado, a Secretaria comunica o fato a cada Estado; (iv) a 
norma entra em vigor simultaneamente nos Estados-Partes 30 dias após a comunicação da 
Secretaria. 
Consequência prática relevante — e cobrada com frequência em prova: enquanto um único 
Estado-Parte não incorporar a norma ao seu direito interno, ela não vigora em nenhum 
Estado-Parte, nem mesmo naqueles que já a incorporaram. É o regime oposto ao da UE 
(Regulamento tem aplicabilidade direta, art. 288 TFUE). Esse sistema gera o problema 
estrutural da defasagem normativa: centenas de Decisões aprovadas permanecem sem 
vigência por omissão de um ou mais Estados-Partes. As demais alternativas descrevem ou 
regimes europeus (a, e) ou erros grosseiros (c, d). 
QUESTÃO 16 • Parte II — Mercosul • Solução de controvérsias 
Sobre o sistema de solução de controvérsias do Mercosul em 2026, é correto afirmar: 
(A) o sistema vigente é regido pelo Protocolo de Brasília (1991), que criou o Tribunal 
Permanente de Revisão com sede em Brasília. 
(B) o sistema vigente é regido pelo Protocolo de Olivos (2002), que instituiu o TPR com sede 
em Assunção e estabeleceu etapas sucessivas de negociação direta, arbitragem ad hoc 
(TAHM) e recurso de revisão ao TPR. 
(C) o sistema vigente admite o acesso direto de pessoas físicas e jurídicas ao TPR, em caso 
de lesão a direitos decorrentes do Mercosul. 
(D) as opiniões consultivas do TPR, solicitadas por Tribunais Superiores de Justiça dos Estados-
Partes, têm caráter vinculante, como ocorre com o reenvio prejudicial do art. 267 TFUE. 
(E) o TPR, por ser tribunal judicial supranacional, pode declarar a inconstitucionalidade de lei 
nacional em conflito com o direito do Mercosul. 
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GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
O Protocolo de Olivos, assinado em 18/02/2002 e em vigor desde 01/01/2004, é o 
instrumento vigente em matéria de solução de controvérsias no Mercosul. Criou o Tribunal 
Permanente de Revisão, com sede em Assunção (Paraguai), que iniciou suas atividades em 
13/08/2004. O sistema estrutura-se em três etapas sucessivas: (i) negociações diretas entre 
os Estados-Partes (prazo de 15 dias, com possibilidade de mediação pelo GMC); (ii) Tribunal 
Arbitral Ad Hoc do Mercosul (TAHM), composto por três árbitros, que profere laudo arbitral; 
(iii) recurso de revisão ao TPR, em questões de direito, dentro de 15 dias. Alternativamente, 
as partes podem submeter a controvérsia diretamente ao TPR por acesso direto (art. 23 do 
POL), em instância única. 
Incorretas: (a) o Protocolo de Brasília (1991) foi substituído pelo de Olivos em 2004; o TPR 
tem sede em Assunção, não em Brasília; (c) não há acesso direto de particulares ao TPR — 
a legitimação é dos Estados-Partes; particulares só atingem o sistema via Seção Nacional 
do GMC, em procedimento indireto; (d) as opiniões consultivas do TPR não são vinculantes 
— essa é uma diferença estrutural fundamental em relação ao reenvio prejudicial obrigatório 
da UE; (e) o TPR é tribunal arbitral, não judicial supranacional, e não tem competência para 
declarar inconstitucionalidade de lei nacional — isso é atribuição dos juízes nacionais, 
segundo suas constituições. 
QUESTÃO 17 • Parte II — Mercosul • Cláusula democrática 
A cláusula democrática do Mercosul foi aplicada, na história do bloco, em dois casos 
emblemáticos. Sobre ela, é correto afirmar: 
(A) está consagrada no Protocolo de Ushuaia (1998), que estabelece a plena vigência das 
instituições democráticas como condição essencial para a participação no processo de 
integração. 
(B) foi aplicada pela primeira vez em 2012 contra o Paraguai em razão da invasão militar à 
Bolívia, gerando suspensão permanente daquele Estado. 
(C) o Protocolo de Ushuaia II (2011) encontra-se em plena vigência desde 2012, tendo 
fundamentado todas as suspensões posteriores. 
(D) a Venezuela foi suspensa pelo Mercosul em 2012 em razão do caso Lugo, e reintegrada 
em 2017 após a posse de Nicolás Maduro. 
(E) a suspensão de um Estado-Parte nos termos do Protocolo de Ushuaia exige votação por 
maioria simples dos demais Estados-Partes, sem oitiva do Estado afetado. 
GABARITO: (A) 
JUSTIFICATIVA: 
O Protocolo de Ushuaia sobre Compromisso Democrático no Mercosul foi assinado em 
24/07/1998 e encontra-se em vigor desde 17/01/2002. Seu art. 1º estabelece: "A plena 
vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos 
processos de integração entre os Estados-Partes do presente Protocolo." O Protocolo foi 
aplicado em dois casos: (i) contra o Paraguai, em 29/06/2012, após o impeachment-
relâmpago do presidente Fernando Lugo (suspensão revertida em 2013, após a posse do 
presidente Horacio Cartes); (ii) contra a Venezuela — inicialmente em 01/12/2016 com 
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fundamento no próprio Tratado de Assunção (descumprimento de obrigações), e 
formalmente em 05/08/2017com fundamento no Protocolo de Ushuaia (ruptura da ordem 
democrática). A suspensão venezuelana permanece em 2026. 
Incorretas: (b) inverte os fatos — a suspensão paraguaia de 2012 relacionou-se ao 
impeachment de Lugo, não a uma invasão militar à Bolívia; (c) o Protocolo de Ushuaia II 
(2011) não entrou em vigor até 2026, pois exige ratificação de todos os Estados envolvidos; 
foi aplicado politicamente, mas sem fundamento jurídico pleno; (d) inverte as datas — a 
Venezuela foi suspensa em 2017, não em 2012; não foi reintegrada; (e) o Protocolo de 
Ushuaia não prevê maioria simples — a decisão é colegiada entre os Estados-Partes, sujeita 
ao art. 37 POP. 
QUESTÃO 18 • Parte II — Mercosul • Membresia em 2026 
Sobre o quadro de membresia do Mercosul em 2026, é correto afirmar: 
(A) os Estados-Partes plenos ativos são quatro: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, tal como 
na origem do bloco em 1991. 
(B) a Bolívia tornou-se Estado-Parte pleno em 08/07/2024, em cerimônia realizada na 64ª 
Cúpula de Chefes de Estado em Assunção, após a ratificação brasileira em novembro de 
2023. 
(C) a Venezuela foi reintegrada ao bloco em 2024, após a posse de um novo governo eleito 
democraticamente. 
(D) a Bolívia é Estado Associado desde 1996 e permanece nessa condição, sem previsão de 
adesão plena. 
(E) o Chile é Estado-Parte do Mercosul desde 1996, ao lado dos quatro fundadores. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
A Bolívia tornou-se Estado-Parte pleno do Mercosul em 08/07/2024, na 64ª Cúpula de 
Chefes de Estado realizada em Assunção (Paraguai), sob Presidência Pro Tempore 
paraguaia. O marco foi antecedido pela ratificação, pelo Senado brasileiro, do Protocolo de 
Adesão da Bolívia em novembro de 2023 — ato demorado, que dependia do fim da 
resistência congressual observada durante o governo anterior. A Bolívia havia sido Estado 
Associado desde 1996 e assinara o Protocolo de Adesão em 2012, renegociado em 2015. A 
entrada plena em 2024 encerra processo de quase 30 anos e confere à Bolívia direito a voto 
nos órgãos e obrigação de adotar a Tarifa Externa Comum em até quatro anos (até 2028). 
Incorretas: (a) com a Bolívia, os Estados-Partes ativos são cinco, não quatro (a Venezuela 
permanece suspensa); (c) a Venezuela não foi reintegrada — sua suspensão, em vigor 
desde 05/08/2017, permanece em 2026; (d) descreve a situação anterior a 08/07/2024 — 
desde essa data, a Bolívia é Estado-Parte pleno; (e) o Chile é Estado Associado desde 1996, 
jamais foi Estado-Parte. A distinção entre Estado-Parte (pleno, com voto e obrigações 
integrais) e Estado Associado (com participação consultiva, acordos tarifários, mas sem 
adoção da TEC) é clássica e frequentemente cobrada. 
QUESTÃO 19 • Parte II — Mercosul • Acordo de Parceria Mercosul-UE 
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O Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia, após mais de duas décadas e meia 
de negociações, foi formalmente assinado em 17/01/2026, em Assunção. Sobre ele, é correto 
afirmar: 
(A) tem estrutura dual — Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia (EMPA), que abrange 
os pilares político, de cooperação e comercial; e Acordo Comercial Interino (iTA), que 
compreende especificamente as disciplinas comerciais e de investimento, com possibilidade 
de aplicação provisória antes da ratificação completa. 
(B) é acordo estritamente comercial, sem qualquer pilar político ou de cooperação, razão pela 
qual sua entrada em vigor não depende de aprovação dos parlamentos nacionais dos 
Estados-Membros da UE. 
(C) cria uma união aduaneira entre os dois blocos, com Tarifa Externa Comum unificada. 
(D) foi assinado pela Bolívia separadamente, por não ter sido ainda Estado-Parte do Mercosul 
na data da assinatura. 
(E) entrou integralmente em vigor em 17/01/2026, não exigindo ratificação pelos Estados-
Membros da União Europeia. 
GABARITO: (A) 
JUSTIFICATIVA: 
O Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia, assinado em 17/01/2026 em Assunção, 
adota estrutura dual que reflete a complexidade das competências envolvidas: (i) EMPA — 
Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia, instrumento amplo com três pilares (diálogo 
político, cooperação e comércio), que exige ratificação pelos parlamentos de todos os 27 
Estados-Membros da UE e dos Estados-Partes do Mercosul; (ii) iTA — Acordo Comercial 
Interino, específico sobre disciplinas comerciais e de investimento, projetado para aplicação 
provisória antes da ratificação completa do EMPA, mediante aprovação apenas pelo 
Parlamento Europeu (em domínios de competência exclusiva da União). Essa estrutura 
permite que o pilar comercial vigore mais rapidamente, enquanto os pilares políticos 
aguardam as ratificações nacionais. 
O Acordo cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo: 720 milhões de pessoas, 
PIB combinado superior a US$ 22 trilhões. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e 
Comércio estima efeito positivo sobre o PIB brasileiro de 0,34% (R$ 37 bilhões, horizonte 
2044), e aumento de 0,76% nos investimentos. As demais alternativas: (b) é acordo com 
múltiplos pilares, inclusive político; exige ratificação dos parlamentos nacionais para o EMPA; 
(c) não cria união aduaneira, mas área de livre comércio — não há fusão de TECs; (d) a 
Bolívia, Estado-Parte pleno desde 08/07/2024, foi signatária em 17/01/2026; (e) apenas o 
iTA poderá vigorar provisoriamente; o EMPA demanda ratificação pelos 27 Estados-
Membros da UE — processo que pode levar anos. 
QUESTÃO 20 • Parte II — Mercosul • Comparação UE × Mercosul 
Comparando a União Europeia e o Mercosul, é correto afirmar que: 
(A) ambos são blocos supranacionais, com órgãos que adotam Regulamentos diretamente 
aplicáveis em todos os Estados-Membros. 
(B) a União Europeia é supranacional, com decisões por maioria qualificada em diversos 
domínios e órgãos com aplicabilidade direta, enquanto o Mercosul é intergovernamental, 
com decisões por consenso e incorporação individualizada das normas. 
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(C) o Mercosul é mais antigo que a União Europeia, tendo sido fundado com a CECA em 1951. 
(D) a União Europeia tem natureza arbitral em seu sistema de solução de controvérsias, como 
o TPR do Mercosul. 
(E) o Parlamento Europeu e o Parlasul são órgãos idênticos em função e poderes, ambos eleitos 
por sufrágio universal direto e dotados de competência legislativa colegiada. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
Esta é a questão mais importante do módulo — o contraste entre os dois blocos. A União 
Europeia é supranacional: os Estados-Membros cedem parcelas de soberania em favor de 
instituições comuns (Comissão, TJUE, Parlamento Europeu); as decisões, em diversos 
domínios (mercado interno, comércio), são tomadas por maioria qualificada no Conselho; os 
atos normativos (Regulamentos) têm aplicabilidade direta (art. 288 TFUE) e produzem efeito 
direto (Van Gend en Loos, 1963); há primazia sobre o direito nacional (Costa v. ENEL, 1964). 
O Mercosul é intergovernamental: decisões por consenso (art. 37 POP), com presença de 
todos; normas derivadas exigem incorporação individualizada (art. 40 POP); não há 
aplicabilidade direta, efeito direto ou primazia; o TPR é tribunal arbitral, não judicial 
supranacional. 
Incorretas: (a) o Mercosul não é supranacional, nem adota Regulamentos; (c) a ordem 
cronológica está invertida — a CECA é de 1951 (União Europeia), o Mercosul é de 1991; (d) 
a União Europeia tem sistema judicial (TJUE, que não é arbitral), com reenvio prejudicial 
obrigatório (art. 267 TFUE) e ação por descumprimento (art. 258 TFUE); (e) o Parlamento 
Europeu é colegislador com o Conselho no procedimento ordinário (art. 289 TFUE) e é eleito 
por sufrágio universal direto desde 1979 em todos os Estados-Membros. O Parlasul é 
consultivo, não tem poder legislativo próprio, e a eleição diretade seus membros é 
implementada de forma irregular — apenas Paraguai (desde 2008) e Argentina (desde 2015) 
realizam eleições diretas, enquanto Brasil e Uruguai mantêm indicação pelos Congressos 
nacionais em 2026. 
 
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PARTE III — SOLUÇÃO PACÍFICA DE CONTROVÉRSIAS 
Questões 21 a 30. Cobrem: fundamentos históricos; Caso Alabama; Haia 1899/1907; Briand-
Kellogg; Carta da ONU; meios diplomáticos; arbitragem; CIJ (composição, jurisdição, medidas 
provisórias, fontes); OMC (crise do Órgão de Apelação, MPIA); casos emblemáticos (África do 
Sul v. Israel, Ucrânia v. Rússia, Guiana v. Venezuela); Brasil e tradição pacificadora. 
QUESTÃO 21 • Parte III — Solução Pacífica • Marco fundador da arbitragem 
O caso geralmente indicado pela doutrina como marco fundador da arbitragem internacional 
moderna, por ter levado à substituição efetiva da guerra pela jurisdição arbitral entre duas 
grandes potências, foi: 
(A) o Caso das Pescarias de Behring (EUA v. Reino Unido, 1893), que tratou da proteção das 
focas no Estreito de Behring. 
(B) o Caso Alabama (Estados Unidos v. Reino Unido, 1872), laudo arbitral proferido em 
Genebra, com participação de árbitro indicado pelo Brasil. 
(C) o Caso do Canal de Corfu (Reino Unido v. Albânia, 1949), primeira sentença da Corte 
Internacional de Justiça. 
(D) o Caso Mavrommatis (Grécia v. Reino Unido, 1924), decidido pela Corte Permanente de 
Justiça Internacional. 
(E) o Caso das Missões (Brasil v. Argentina, 1895), com laudo arbitral de Grover Cleveland. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
O Caso Alabama, decidido em Genebra em 14/09/1872, é classicamente apontado como o 
marco fundador da arbitragem internacional moderna. Os fatos: durante a Guerra Civil 
americana (1861–1865), o governo confederado encomendou navios de guerra a estaleiros 
britânicos — entre os quais o Alabama —, que, mesmo sob formal neutralidade do Reino 
Unido, foram armados e afundaram mais de 70 embarcações da União. Após o fim da guerra, 
os Estados Unidos reclamaram reparações. Em 1871, o Tratado de Washington submeteu a 
disputa a tribunal arbitral de cinco árbitros — indicados pelos EUA, Reino Unido, Brasil (pelo 
Imperador D. Pedro II, via Visconde de Itajubá), Itália e Suíça. O laudo condenou o Reino 
Unido a pagar 15,5 milhões de dólares aos EUA, sentença prontamente cumprida. 
Duas grandes potências substituíram efetivamente a possibilidade de guerra pela jurisdição 
arbitral — e acataram pacificamente a decisão. O sucesso do precedente impulsionou o 
movimento de institucionalização que culminaria nas Conferências de Haia (1899 e 1907). 
As demais alternativas mencionam casos relevantes, mas com conteúdos distintos: (a) 
Pescarias de Behring é importante, mas posterior e derivado de Alabama; (c) Corfu é o 
primeiro contencioso da CIJ, em 1949, muito depois da arbitragem moderna; (d) 
Mavrommatis é clássico sobre o conceito de controvérsia; (e) o Caso das Missões é 
importantíssimo para o Brasil, mas não é o marco universal — é justamente herdeiro da 
tradição aberta por Alabama. 
QUESTÃO 22 • Parte III — Solução Pacífica • Carta da ONU 
O art. 33 da Carta das Nações Unidas enumera os meios pacíficos de solução de controvérsias. 
São expressamente mencionados no dispositivo: 
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(A) negociação, inquérito, mediação, conciliação, arbitragem e solução judicial, bem como 
recurso a entidades ou acordos regionais. 
(B) apenas os meios jurisdicionais: arbitragem e solução judicial, sendo os demais tratados em 
outros dispositivos. 
(C) somente meios diplomáticos: negociação, bons ofícios e mediação. 
(D) exclusivamente a submissão da controvérsia ao Conselho de Segurança, sob pena de 
sanções. 
(E) a celebração de tratados internacionais, a jurisdição da CIJ e a arbitragem investidor-Estado. 
GABARITO: (A) 
JUSTIFICATIVA: 
O art. 33, §1º, da Carta das Nações Unidas estabelece: "As partes em uma controvérsia, que 
possa vir a constituir uma ameaça à paz e à segurança internacionais, procurarão, antes de 
tudo, chegar a uma solução por negociação, inquérito, mediação, conciliação, arbitragem, 
solução judicial, recurso a entidades ou acordos regionais, ou a qualquer outro meio pacífico 
à sua escolha." A enumeração é exemplificativa, como indicado pela cláusula final, e não 
exaustiva. O dispositivo consagra o princípio da liberdade de escolha dos meios — não há 
hierarquia predeterminada. 
É comum em provas confundir o rol do art. 33 com outras listas doutrinárias. Observe-se que 
o dispositivo combina: (i) meios diplomáticos (negociação, inquérito, mediação, conciliação); 
(ii) meios jurisdicionais (arbitragem, solução judicial); (iii) meios institucionais regionais 
(entidades ou acordos regionais). Note-se também que o art. 33 não menciona 
expressamente "bons ofícios" — embora estes sejam meio diplomático reconhecido pela 
doutrina e pela prática, costumeiramente incluídos no gênero mais amplo dos meios 
diplomáticos. O art. 33 articula-se com o art. 2º, §3º (obrigação geral de solução pacífica), o 
art. 2º, §4º (proibição do uso da força) e com os arts. 34 a 38 (atuação do Conselho de 
Segurança). 
QUESTÃO 23 • Parte III — Solução Pacífica • CIJ — natureza e jurisdição 
A Corte Internacional de Justiça, órgão judiciário principal da ONU, tem sede em Haia e opera 
desde 1946. Sobre sua jurisdição contenciosa, é correto afirmar: 
(A) a jurisdição contenciosa da CIJ é automática e obrigatória em relação a todos os Estados-
Membros da ONU, sem necessidade de consentimento específico. 
(B) a jurisdição contenciosa é consensual: o Estado demandado só pode ser julgado se houver 
aceitado, por uma das modalidades admitidas (compromisso, cláusula compromissória em 
tratado, forum prorogatum ou cláusula facultativa do art. 36, §2º). 
(C) podem ser partes em casos contenciosos perante a CIJ os Estados, as organizações 
internacionais e, em matéria de direitos humanos, também as pessoas físicas. 
(D) o Brasil aceitou a cláusula facultativa de jurisdição obrigatória do art. 36, §2º, do Estatuto, 
permanecendo, em 2026, submetido à jurisdição da CIJ em face de qualquer Estado que 
faça declaração recíproca. 
(E) as decisões da CIJ em casos contenciosos têm caráter meramente recomendatório, 
cabendo ao Estado vencido decidir quanto ao cumprimento. 
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GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
A base consensual da jurisdição contenciosa da CIJ é o princípio jurídico mais testado em 
provas sobre o Tribunal. Decorre da soberania estatal: nenhum Estado pode ser submetido 
a jurisdição internacional sem seu consentimento específico. Esse consentimento pode ser 
dado por quatro formas principais: (i) compromisso (acordo específico celebrado após o 
surgimento da controvérsia — exemplo: Burkina Faso v. Mali, 1986); (ii) cláusula 
compromissória em tratado (exemplo paradigmático: art. IX da Convenção contra o 
Genocídio, base de Bósnia v. Sérvia 1993, Gâmbia v. Mianmar 2019, Ucrânia v. Rússia 2022, 
África do Sul v. Israel 2023); (iii) forum prorogatum (aceitação posterior por ato explícito ou 
conduta, como no Caso Corfu Channel em 1949); (iv) cláusula facultativa do art. 36, §2º, do 
Estatuto (declaração unilateral de aceitação da jurisdição obrigatória em face de outros 
Estados que façam declaração recíproca). 
Incorretas: (a) não há automaticidade; (c) apenas Estados são partes em casos contenciosos 
(art. 34, §1º do Estatuto); organizações internacionais podem apenas solicitar pareceres 
consultivos ou fornecer informações à Corte, e pessoas físicas não têm legitimidade — 
diferença crucial em relação ao TJUE e aos tribunais de direitos humanos; (d) o Brasil retirou 
sua declaração do art.36, §2º em 1953 e, até 2026, não a renovou; (e) as sentenças 
contenciosas da CIJ são obrigatórias, finais e sem recurso (arts. 59 e 60 do Estatuto; art. 94 
da Carta) — embora sua execução seja delicada, seu caráter vinculante é indubitável. 
QUESTÃO 24 • Parte III — Solução Pacífica • Medidas provisórias e casos recentes 
Em 26/01/2024, a Corte Internacional de Justiça indicou medidas provisórias em um caso que 
se tornou símbolo da jurisdicionalização contemporânea de controvérsias antes consideradas 
estritamente políticas. Identifique corretamente o caso e o fundamento jurisdicional: 
(A) Rússia v. Ucrânia, com fundamento no Pacto de Varsóvia. 
(B) África do Sul v. Israel, com fundamento no art. IX da Convenção sobre Prevenção e Punição 
do Crime de Genocídio (1948). 
(C) Nicarágua v. Estados Unidos, com fundamento no Tratado de Amizade, Comércio e 
Navegação (1956). 
(D) Palestina v. Israel, com fundamento em tratado bilateral de 1993. 
(E) Guiana v. Venezuela, com fundamento na Carta da OEA. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
Em 29/12/2023, a África do Sul ajuizou, perante a CIJ, ação contra Israel, alegando que este 
Estado estaria violando a Convenção sobre a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio 
de 1948, no contexto das operações militares em Gaza iniciadas após o ataque do Hamas 
em 07/10/2023. A jurisdição da Corte fundou-se no art. IX da Convenção, que prevê a 
submissão à CIJ das controvérsias relativas à interpretação, aplicação ou execução do 
instrumento. Ambos os Estados eram — e são — partes da Convenção, e nem Israel nem 
África do Sul haviam formulado reserva ao art. IX. 
Em 26/01/2024, a Corte indicou medidas provisórias, ordenando a Israel "tomar todas as 
medidas ao seu alcance para prevenir a prática, contra o povo palestino em Gaza, de atos 
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abrangidos pela Convenção", bem como preservar provas e apresentar relatório. Em 
28/03/2024 e em 24/05/2024, a CIJ proferiu ordens adicionais, cada vez mais rigorosas — a 
última determinando a suspensão imediata da operação militar em Rafah. O caso é histórico: 
primeira ação contenciosa contra Israel perante a CIJ, com participação crescente de 
Estados intervenientes (inclusive o Brasil em 2024). As demais alternativas: (a) invertidas as 
partes; (c) Nicaragua v. EUA é de 1986, com o fundamento correto mas caso antigo; (d) não 
existe processo ajuizado por "Palestina v. Israel" nos termos descritos; (e) Guiana v. 
Venezuela, sobre o Essequibo, tem fundamento distinto (laudo arbitral de 1899). 
QUESTÃO 25 • Parte III — Solução Pacífica • Fontes na CIJ 
O art. 38 do Estatuto da CIJ é, na prática, o catálogo reconhecido das fontes do Direito 
Internacional Público. Sobre ele, é correto afirmar: 
(A) enumera como fontes primárias a lei interna dos Estados, a jurisprudência dos tribunais 
nacionais e a doutrina. 
(B) enumera como fontes primárias os tratados, o costume e os princípios gerais de direito 
reconhecidos pelas nações civilizadas; e, como meios auxiliares, a jurisprudência e a 
doutrina. 
(C) estabelece hierarquia rígida entre tratado e costume, atribuindo sempre prevalência ao 
tratado. 
(D) admite a equidade (decisão ex aequo et bono) como fonte primária, aplicável 
independentemente da vontade das partes. 
(E) exclui o costume internacional, que não é considerado fonte formal pela jurisprudência da 
CIJ. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
O art. 38, §1º, do Estatuto da CIJ enumera: (a) convenções internacionais, gerais ou 
especiais; (b) costume internacional, como prova de uma prática geralmente aceita como 
sendo o direito; (c) princípios gerais de direito reconhecidos pelas nações civilizadas; e, como 
meios auxiliares para a determinação das regras de direito, (d) decisões judiciais e doutrina 
dos publicistas mais qualificados das diferentes nações. Essa é a estrutura clássica: três 
fontes primárias — tratado, costume, princípios gerais — e duas auxiliares — jurisprudência 
e doutrina. 
O §2º do art. 38 admite a decisão ex aequo et bono (por equidade), mas apenas se as partes 
assim convierem — o que ocorre raramente. A equidade, portanto, não é fonte primária 
aplicável automaticamente. Incorretas: (a) lei interna não é fonte do DIP, nem jurisprudência 
nacional; (c) não há hierarquia rígida entre tratado e costume — coexistem e podem se 
sobrepor (como a CIJ afirmou em Nicaragua v. EUA, 1986); (d) equidade ex aequo et bono 
depende de autorização das partes; (e) o costume é fonte primária e amplamente aplicada 
pela CIJ, inclusive em controvérsias envolvendo direito do mar, responsabilidade 
internacional e uso da força. 
QUESTÃO 26 • Parte III — Solução Pacífica • Crise do Órgão de Apelação da OMC 
O sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio enfrenta, desde 
dezembro de 2019, crise específica. Sobre ela, é correto afirmar: 
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(A) a crise decorre da decisão da OMC, em 2019, de substituir o Órgão de Apelação por painel 
arbitral permanente, operando normalmente desde então. 
(B) o Órgão de Apelação encontra-se paralisado desde dezembro de 2019 em razão do 
bloqueio, pelos Estados Unidos, das nomeações de novos membros; diante da paralisia, 61 
membros da OMC — incluindo o Brasil — aderiram ao MPIA (Multi-Party Interim Appeal 
Arbitration Arrangement), baseado no art. 25 do ESC, como arranjo provisório de 
arbitragem-apelação. 
(C) a crise foi integralmente superada na Conferência Ministerial de Iaundê, em abril de 2026. 
(D) a OMC, desde 2019, opera sem qualquer sistema de solução de controvérsias, estando 
todos os painéis e recursos suspensos. 
(E) a paralisia decorreu da retirada da China do sistema da OMC, em protesto contra decisões 
do Órgão de Apelação. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
A crise do Órgão de Apelação da OMC é fato fundamental do Direito Internacional Econômico 
contemporâneo. Desde meados da década de 2010, os Estados Unidos — sob sucessivas 
administrações (Obama, Trump I, Biden, Trump II) — vêm bloqueando as nomeações de 
novos membros do Órgão de Apelação, alegando razões sistêmicas e substantivas (ativismo 
judicial, interpretações sob pressão, demora, abuso de obiter dicta). Como o Órgão exige 
três membros para operar (art. 17.1 do ESC), e os mandatos venceram sem substituição, 
em dezembro de 2019 o último dos três membros em exercício encerrou seu mandato — e 
o Órgão deixou de funcionar. 
A resposta coletiva foi a criação, em abril de 2020, do Multi-Party Interim Appeal Arbitration 
Arrangement (MPIA), baseado no art. 25 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias, 
que prevê arbitragem como meio alternativo. Pelo MPIA, caso uma parte queira apelar de 
relatório de painel entre membros aderentes, a apelação vai a tribunal arbitral constituído sob 
o art. 25 do ESC, não ao Órgão de Apelação paralisado. Em 2026, o MPIA conta com 61 
membros, incluindo União Europeia, China, Brasil, México, Canadá, Austrália e outros. A 
Conferência Ministerial de Iaundê (abril de 2026) reconheceu a paralisia sem solução 
estrutural. Incorretas: (a) a substituição formal não ocorreu; (c) a crise persiste; (d) há painéis 
operando normalmente e o MPIA funciona; (e) a China não se retirou, aliás adere ao MPIA. 
QUESTÃO 27 • Parte III — Solução Pacífica • Jurisdição consultiva — Parecer Palestina 2024 
Em 19/07/2024, a CIJ emitiu parecer consultivo histórico em resposta a solicitação da 
Assembleia Geral da ONU (Resolução 77/247, de 2022). Sobre esse parecer, é correto afirmar: 
(A) tratou das consequências jurídicas das políticas e práticas de Israel no Território Palestino 
Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e concluiu que a presença continuada de Israel é 
ilegal, impondo a Israel obrigação de pôr fim à ocupação o mais rapidamente possível e aos 
Estadoso dever de não reconhecer a situação ilegal. 
(B) declarou que o Hamas é organização terrorista, legitimando as operações israelenses em 
Gaza. 
(C) foi emitido em caso contencioso, com sentença obrigatória para Israel, Palestina e Estados 
Unidos. 
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(D) foi unanimemente acolhido por todos os Estados-Membros da ONU, inclusive por Israel, 
que comprometeu-se a executar todas as recomendações. 
(E) foi o primeiro pronunciamento da CIJ sobre a questão palestina, não havendo precedentes 
anteriores. 
GABARITO: (A) 
JUSTIFICATIVA: 
Em 19/07/2024, a CIJ emitiu parecer consultivo de enorme alcance em resposta a solicitação 
formulada pela Assembleia Geral da ONU em dezembro de 2022. O parecer, denominado 
"Consequências Jurídicas das Políticas e Práticas de Israel no Território Palestino Ocupado, 
incluindo Jerusalém Oriental", declarou: (i) que a presença contínua de Israel no Território 
Palestino Ocupado é ilegal; (ii) que Israel tem obrigação de pôr fim à ocupação o mais 
rapidamente possível; (iii) que Israel deve desmantelar os assentamentos e reparar os danos 
causados; (iv) que todos os Estados têm obrigação de não reconhecer a situação ilegal e de 
não prestar auxílio a sua manutenção. Embora os pareceres consultivos não sejam 
formalmente vinculantes, têm enorme peso moral e jurídico, e consolidam posição majoritária 
da comunidade internacional. 
Incorretas: (b) a CIJ não se pronuncia sobre a qualificação do Hamas nesse parecer; (c) 
trata-se de parecer consultivo, não de decisão contenciosa, portanto não há sentença 
obrigatória; de todo modo, os pareceres da CIJ em casos contenciosos só vinculam as 
partes, nunca terceiros Estados como os Estados Unidos; (d) o parecer foi acolhido por 
muitos Estados, mas Israel e diversos outros rejeitaram as conclusões; (e) não é o primeiro 
— a CIJ havia emitido parecer consultivo já em 09/07/2004, sobre as Consequências 
Jurídicas da Construção do Muro em Território Palestino Ocupado, com conclusões 
convergentes. O parecer de 2024 aprofunda e atualiza aquela jurisprudência. 
QUESTÃO 28 • Parte III — Solução Pacífica • Brasil e solução pacífica 
A Constituição Federal de 1988, em seu art. 4º, enuncia os princípios que regem as relações 
internacionais do Brasil. Dentre os incisos mencionados, a solução pacífica dos conflitos está 
expressamente consagrada como princípio constitucional no: 
(A) inciso I — independência nacional. 
(B) inciso IV — não-intervenção. 
(C) inciso VI — defesa da paz. 
(D) inciso VII — solução pacífica dos conflitos. 
(E) inciso X — concessão de asilo político. 
GABARITO: (D) 
JUSTIFICATIVA: 
O art. 4º da Constituição Federal de 1988 enumera os princípios das relações internacionais 
do Brasil em dez incisos. O inciso VII estabelece, expressamente: "solução pacífica dos 
conflitos". Essa consagração constitucional dá estatura de norma constitucional a toda a 
tradição pacificadora brasileira — que remonta à atuação do Barão do Rio Branco no início 
do século XX (Caso das Missões, 1895; Tratado de Petrópolis, 1903; delimitações com 
outros vizinhos) e que se articula com os incisos IV (não-intervenção) e VI (defesa da paz). 
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É importante reconhecer a estrutura do art. 4º e não confundir os incisos: I — independência 
nacional; II — prevalência dos direitos humanos; III — autodeterminação dos povos; IV — 
não-intervenção; V — igualdade entre os Estados; VI — defesa da paz; VII — solução 
pacífica dos conflitos; VIII — repúdio ao terrorismo e ao racismo; IX — cooperação entre os 
povos para o progresso da humanidade; X — concessão de asilo político. O parágrafo único, 
por fim, estabelece a busca da integração econômica, política, social e cultural dos povos da 
América Latina — base constitucional, entre outras, da participação brasileira no Mercosul 
(estudado na Parte II). 
QUESTÃO 29 • Parte III — Solução Pacífica • Pareceres consultivos clássicos 
Em 1949, a Corte Internacional de Justiça emitiu parecer consultivo que se tornou leading case 
sobre personalidade jurídica internacional das organizações internacionais. O caso, decorrente 
do assassinato do mediador da ONU na Palestina, Folke Bernadotte, afirmou que a ONU tem 
capacidade de apresentar reclamações internacionais por danos sofridos em razão de atos 
ilícitos — tanto em favor da Organização quanto em favor de seus agentes (proteção funcional). 
Identifique o parecer: 
(A) Corfu Channel (1949). 
(B) Reparação de Danos Sofridos ao Serviço das Nações Unidas (1949). 
(C) Certas Despesas das Nações Unidas (1962). 
(D) Namíbia (1971). 
(E) Sahara Ocidental (1975). 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
O Parecer Consultivo sobre Reparação de Danos Sofridos ao Serviço das Nações Unidas, 
emitido em 11/04/1949, é um dos mais importantes da história da CIJ. Os fatos: em 
17/09/1948, Folke Bernadotte — diplomata sueco e mediador da ONU na Palestina — foi 
assassinado em Jerusalém por grupo terrorista sionista (Banda de Stern). A Assembleia 
Geral, em 03/12/1948, solicitou parecer à Corte sobre duas questões: (i) a ONU tem 
capacidade de apresentar reclamação internacional contra Estado responsável, seja em 
razão de danos sofridos pela Organização, seja em razão de danos sofridos pela vítima ou 
seus dependentes? (ii) na hipótese afirmativa, como esta ação se concilia com os direitos do 
Estado de que a vítima é nacional? 
A Corte afirmou que a ONU tem personalidade jurídica internacional, ainda que não expressa 
na Carta, pois decorre necessariamente de suas funções e responsabilidades (doctrina dos 
poderes implícitos — implied powers). Consequentemente, a Organização pode apresentar 
reclamações internacionais por danos próprios e também em favor de seus agentes 
(proteção funcional). Esse parecer é pedra fundamental do Direito Internacional das 
Organizações Internacionais — aplicada também, por exemplo, ao Mercosul (cuja 
personalidade é atribuída expressamente pelo art. 34 do POP). Incorretas: (a) Corfu Channel 
é caso contencioso, não parecer; (c) Certas Despesas tratou do orçamento da ONU; (d) 
Namíbia tratou das consequências jurídicas da presença contínua da África do Sul na 
Namíbia; (e) Sahara Ocidental tratou da descolonização. 
QUESTÃO 30 • Parte III — Solução Pacífica • Comparação final — CIJ × OMC × TPR × TJUE 
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Uma análise comparada dos quatro grandes sistemas jurisdicionais estudados — CIJ 
(universal), OMC (universal), TPR (regional, Mercosul) e TJUE (regional, União Europeia) — 
permite identificar a seguinte característica distintiva: 
(A) todos os quatro sistemas admitem acesso direto de pessoas físicas e jurídicas, em respeito 
ao princípio da tutela jurisdicional efetiva. 
(B) somente o TJUE permite acesso direto de particulares (art. 263 TFUE); nos demais (CIJ, 
OMC e TPR), apenas Estados ou membros da OI respectiva podem atuar como partes. 
(C) a CIJ tem jurisdição obrigatória sobre todos os Estados-Membros da ONU, enquanto o TJUE 
opera em base consensual, exigindo aceitação caso a caso. 
(D) o TPR do Mercosul é tribunal judicial supranacional, enquanto o TJUE é tribunal arbitral 
permanente. 
(E) em 2026, todos os quatro sistemas operam em plena normalidade, inclusive o Órgão de 
Apelação da OMC. 
GABARITO: (B) 
JUSTIFICATIVA: 
A questão fecha a trilogia da NP2, consolidando o quadro comparativo entre os quatro 
sistemas. A característica distintiva é realmente o acesso direto de particulares: somente o 
TJUE admite, por força do art. 263 do TFUE (recurso de anulação), a legitimação ativa de 
pessoas físicas e jurídicas para questionar, diretamente, atos da União — desde que estes 
lhes afetem direta e individualmente.

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