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MATERIAIS DE 
CONSTRUÇÃO MECÂNICA
Professora Dra. Ana Caroline Crema de Almeida Fontes
 REITOR Prof. Ms. Gilmar de Oliveira
 DIRETOR DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Ms. Daniel de Lima
 DIRETORA DE ENSINO EAD Prof. Dra. Geani Andrea Linde Colauto 
 DIRETOR FINANCEIRO EAD Prof. Eduardo Luiz Campano Santini
 DIRETOR ADMINISTRATIVO Guilherme Esquivel 
 SECRETÁRIO ACADÊMICO Tiago Pereira da Silva
 COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Prof. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Prof. Ms. Luciana Moraes
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Ms. Jeferson de Souza Sá
 COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
 COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE GESTÃO E CIÊNCIAS SOCIAIS Prof. Dra. Ariane Maria Machado de Oliveira
 COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE T.I E ENGENHARIAS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento
 COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE SAÚDE E LICENCIATURAS Prof. Dra. Katiúscia Kelli Montanari Coelho 
 COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS Luiz Fernando Freitas
 REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling 
 Caroline da Silva Marques
 Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante 
Eduardo Alves de Oliveira
 Jéssica Eugênio Azevedo
 Kauê Berto
 Marcelino Fernando Rodrigues Santos
 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO André Dudatt
Vitor Amaral Poltronieri
 ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz 
 DE VÍDEO Carlos Eduardo da Silva
 Carlos Henrique Moraes dos Anjos 
 Pedro Vinícius de Lima Machado
 FICHA CATALOGRÁFICA
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
F683m Fontes, Ana Caroline Crema de Almeida
Materiais de construção mecânica/ Ana Caroline Crema de 
Almeida Fontes. Paranavaí: EduFatecie, 2023.
102 p.: il. Color.
1. Materiais de construção. 2. Construção metálica. 3. Ligas
(Metalurgia). 4. Aço – Estruturas. I. Centro Universitário
UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. 
CDD: 23 ed. 691
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
As imagens utilizadas neste material 
didático são oriundas do banco de 
imagens Shutterstock .
2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
https://www.shutterstock.com/pt/
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AUTORA
Professora Dra. Ana Caroline Crema de Almeida Fontes
 
 ● Bacharel em Engenharia Mecânica pela PUC-PR (Pontifícia Universidade 
Católica do Paraná). 
 ● Mestre em Engenharia Mecânica - Ênfase em Processos de Fabricação pela 
PUC-PR com período de estágio na Colorado State University - EUA.
 ● Doutora em Ciência dos Materiais pelo IME (Instituto Militar de Engenharia). 
 ● Especialista em Engenharia e Gerenciamento da Manutenção pela UCAM 
(Universidade Cândido Mendes).
 ● Tutora Facilitadora Engenharia Mecânica EAD - UniCesumar.
 ● Professora Conteudista Engenharia Mecânica EAD - UniCesumar
Possui Curso de Extensão em Perícias Judiciais na especialidade de Engenharia. 
Oficial da Reserva não Remunerada (R/2) do Exército Brasileiro. Serviu no Forte Santa 
Bárbara como Engenheira Mecânica do Centro de Logística de Mísseis e Foguetes. Foi 
responsável por relatórios de desempenho, laudos, rotinas de manutenção e acompanha-
mento do ciclo de vida de Viaturas Blindadas e Foguetes do Sistema ASTROS.
CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/7297377951152663
http://lattes.cnpq.br/7297377951152663
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Seja muito bem-vindo (a)!
Caro (a) aluno (a), irei acompanhar você nesta caminhada da disciplina de Materiais 
de Construção Mecânica. 
Na unidade I falaremos sobre os fundamentos desses materiais e irei explicar para 
vocês um assunto muito interessante, que é a influência atômica nas propriedades que 
conseguimos visualizar em escala macroscópica. Espero que você também se interesse 
pelo tema e perceba como a Ciência dos Materiais possui uma relação estreita com o 
assunto que iremos desenvolver. 
Já na unidade II o assunto será um pouco mais aprofundado, pois iremos entender 
quais são os tipos de deformações a que os materiais estão sujeitos e analisá-las em mais 
detalhes. Assim como iremos diferenciar as ligas de acordo com as fases presentes em sua 
estrutura e os principais constituintes.
Na unidade III, iremos focar especificamente nas ligas de maior interesse para nós 
(Engenheiros(as) Mecânicos(as)), que são as ligas Fe-C. Iremos mostrar para vocês as 
principais etapas do processo de fabricação dessas ligas. Depois continuaremos abordan-
do alguns tópicos sobre os aços e qual a origem de suas denominações.
Na última unidade, vamos fazer um breve estudo das outras classes de materiais 
(os não metálicos), pois também são muito importantes para a Engenharia. 
Aproveite a lista de materiais utilizados nas referências para aprofundar ainda mais 
seus estudos e dominar a área de Materiais de Construção Mecânica. Esperamos contribuir 
para sua formação profissional e, claro, pessoal. 
Muito obrigada e bom estudo !
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
SUMÁRIO
Fundamentos dos Materiais
de Construção Mecânica
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Plano de Estudos
• Materiais Poliméricos;
• Materiais Compósitos;
• Materiais Cerâmicos;
• Materiais do Futuro.
Objetivos da Aprendizagem
• Compreender algumas das principais 
 características dos materiais poliméricos;
• Entender o que são materiais compósitos e
 como podem estar arranjados;
• Distinguir os diferentes tipos de materiais cerâmicos;
• Conhecer a possibilidade de desenvolvimento 
 de novos materiais. 
1UNIDADEUNIDADE
FUNDAMENTOS FUNDAMENTOS 
DOS MATERIAIS DOS MATERIAIS 
DE CONSTRUÇÃODE CONSTRUÇÃO
MECÂNICAMECÂNICA
Professora Dra. Ana Caroline Crema de Almeida Fontes
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INTRODUÇÃOINTRODUÇÃO
Olá, pessoal! Tudo bem com vocês? Espero que sim!
Hoje iremos iniciar nossa Primeira Unidade da disciplina de Materiais de Cons-
trução Mecânica. Um assunto interessantíssimo, porém, algumas vezes acaba sendo 
subestimado. Devido ao fato de sabermos, praticamente desde pequenos, as principais 
características dos materiais, algumas pessoas podem pensar que o estudo dessa discipli-
na não seja necessário.
Por exemplo, desde que você se entender por gente, você sabe que se derrubar 
um copo de vidro no chão, ele irá quebrar. De maneira oposta, se você derrubar uma 
colher de aço, não irá acontecer nada. Ok, todos sabemos disso. No entanto, você saberia 
explicar fisicamente o motivo do copo quebrar e a colher não?
Veremos que isso está diretamente relacionado com a organização atômica des-
ses materiais. Sim! Os átomos conseguem determinar as características dos materiais 
que conhecemos. 
Todos os dias estão sendodiminuição na taxa de recristalização e um aumento da temperatura de 
recristalização, muitas vezes de maneira acentuada. Para os metais puros, a temperatura 
de recristalização é normalmente de 0,4Tf (temperatura de fusão) para algumas ligas, pode 
chegar até 0,7Tf. (Callister e Rethwisch, 2021).
Observe a Tabela 3 e perceba as variações das temperaturas de recristalização e 
de fusão para o caso de um metal puro e uma liga. Para os casos do zinco (Zn) e do cobre 
(Cu) puros, há um aumento considerável na temperatura de recristalização, quando esses 
metais estão na forma de liga (Latão 60 Cu-40 Zn). Assim como a temperatura de fusão da 
liga será mais elevada que do Zn puro, e um pouco mais baixa que a do Cu puro. 
TABELA 3 – TEMPERATURAS DE RECRISTALIZAÇÃO E
 DE FUSÃO PARA METAIS E LIGAS SELECIONADOS.
Metal
Temperatura de 
Recristalização (ºC)
Temperatura de Fusão
(ºC)
Chumbo -4 327
Estanho -4 232
Zinco 10 420
Alumínio (99,999%p) 80 660
Cobre (99,999%p) 120 1085
Latão (60 Cu-40 Zn) 475 900
Níquel (99,99%p) 370 1455
Ferro 450 1538
Tungstênio 1200 3410
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 181).
Ao término da recristalização, os grãos, agora livres de deformações, continuarão a 
crescer se o metal for mantido sob uma temperatura elevada. Esse fenômeno é denominado 
de crescimento de grão. Os formatos de grãos nos vários estágios do processo também 
estão apresentados de forma esquemática, na Figura-8.
47UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
Por fim, ainda precisamos falar sobre um conceito muito importante para a Enge-
nharia Mecânica, relativo à temperatura de recristalização. Certamente você já viu os termos 
trabalho a frio e trabalho a quente, relacionados a algum processo de conformação mecâ-
nica. Mas você sabe o que isso quer dizer? Quando dizemos que um metal foi, por exemplo, 
laminado a frio, significa que ele foi trabalhado abaixo de sua temperatura de recristalização. 
Por outro lado, se o trabalho for a quente, será acima da temperatura de recristalização. 
Sendo assim, complementando o que você pôde observar na Tabela 1, os metais e ligas 
possuem diferentes faixas de trabalho a frio e a quente.
Os processos que envolvem deformação a frio, são de extrema importância pois 
permitem a fabricação de componentes menores e mais resistentes. No entanto, suas 
aplicações jamais podem exceder a temperatura de recristalização, pois permitiria o reco-
zimento do material (e consequente rearranjo dos grãos com redução da resistência). (Van 
Vlack, 1970)
48UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
Existe um tipo de recozimento chamado de recozimento intermediário que é aplicado entre etapas de 
deformações em um material. Por exemplo, observe a Figura-9 que representa o ciclo de deformações para 
a produção de um cartucho de munição. A primeira imagem mostra um disco (blanket) que é submetido a 
determinado processo de conformação e alcança o formato que lembra uma pequena tigela. Para poder dar 
continuidade nas conformações e obter o formato final desejado, são realizados processos de recozimento 
entre as etapas de deformação, para que o material se recupere e possa continuar sendo trabalhado.
Fonte: Van Vlack (1970, p. 168).
49UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
Por definição há cor,
Por definição há doce,
Por definição há amargo,
Mas na realidade há átomos e espaço.
Demócrito
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Terminamos aqui, o estudo da nossa segunda Unidade da disciplina de Materiais 
de Construção Mecânica. 
Espero que você tenha entendido as diferenças entre metais monofásicos (sendo 
eles metais puros ou ligas) e polifásicos. Você deve ter percebido que a explicação que 
vimos sobre estruturas cristalinas, foi desenvolvida e, agora, de fato, você pôde relacionar 
aquele assunto com as deformações que ocorrem nos metais. É muito importante você ter 
em mente, bem clara, a diferença entre deformação elástica e deformação plástica. Como 
Engenheiro(a), não basta você dizer que um tipo é recuperável e o outro não... É importante 
que você consiga associar os fenômenos atômicos que ocorrem nesses processos, para 
que você possa ir além e entender os princípios que regem a seleção de materiais de 
engenharia. Por fim, para fechar a Unidade, você já pode explicar o que é trabalho a frio e 
trabalho a quente, após ler o tópico que envolve recristalização.
Não deixe de estudar todos os materiais indicados nesta Unidade. O conteúdo que 
você leu na Unidade 2 é apenas a “pontinha do iceberg”.
Nos vemos em breve!
UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
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LEITURA COMPLEMENTAR
Assim como foi comentado durante a Unidade, existem inúmeros tipos de diagra-
mas de fases. Quando conhecemos o diagrama de um metal que estejamos trabalhando, 
entendemos as características daquele material em um nível muito mais profundo. Fica a 
dica para você, de uma tabela periódica interativa, juntamente com a possibilidade de gerar 
os diagramas de fases binários e terciários de vários sistemas conhecidos. Acesse o link 
abaixo e veja a quantidade de possibilidades que podemos ter.
Diagrama de Fases - Infomet. Disponível em: https://www.infomet.com.br/site/dia-
grama-de-fases.php. Acesso em 09 jun. 2022.
UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
https://www.infomet.com.br/site/diagrama-de-fases.php
https://www.infomet.com.br/site/diagrama-de-fases.php
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MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
Título: Princípios de Ciência dos Materiais
Autor: Lawrence H. Van Vlack
Editora: Blucher
Sinopse: edição brasileira da obra já conhecida e utilizada há 
vários anos. O livro fornece o conhecimento para os estudos 
fundamentais de materiais, visando uma posterior aplicação 
na utilização prática de materiais de construção em engenharia 
civil, mecânica, metalúrgica, química, naval, aeronáutica, de 
minas, e outras.
FILME / VÍDEO
Título: DESAFIO SOB FOGO - Faca de astronauta
Ano: 2020
Sinopse: A arte da cutelaria é uma das melhores maneiras de 
visualizarmos o resultado das deformações impostas a um 
metal, do ponto de vista de resistência mecânica. Sem falar que 
é muito interessante perceber, de fato, como a microestrutura 
do metal irá influenciar nas propriedades do produto final. 
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=SHruAN6KRXE
UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
https://www.youtube.com/watch?v=SHruAN6KRXE
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Plano de Estudos
• Fabricação da Liga Fe-C
• Diagrama de equilíbrio Fe-Fe3C
• Aços comuns ao Carbono
• Normas	técnicas	de	classificação		
	 e	especificação	dos	aços
Objetivos da Aprendizagem
• Aprender sobre o processo de fabricação das Ligas Fe-C.
•	Compreender	os	significados	das	regiões	
 do Diagrama de equilíbrio Fe-Fe3C.
• Entender as principais características dos aços-carbono 
 e como elas estão relacionadas com as microestruturas.
• Relacionar a nomenclatura de determinado aço, 
	 com	sua	classificação	ABNT.	
3UNIDADEUNIDADE
LIGAS LIGAS 
Fe-CFe-C
Professora Dra. Ana Caroline Crema de Almeida Fontes
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INTRODUÇÃO
Olá pessoal! Como vocês estão?
Vocês se lembram que na Unidade II eu comentei que em breve iríamosnos apro-
fundar mais no assunto ‘Ligas Ferrosas’? Então, nesta Unidade iremos aprender sobre a 
fabricação dos aços e ferros fundidos, bem como os principais equipamentos envolvidos 
neste lindo processo. Como esse assunto é muito longo e complexo, irei deixar algumas 
indicações de materiais para vocês complementarem os estudos. 
Em seguida iremos falar sobre o famoso Diagrama de Equilíbrio Fe-Fe3C (Ferro-
-Cementita) e os principais pontos que você deve conhecer. Também conheceremos as 
principais transformações de fases que ocorrem através de diferentes taxas de resfriamento.
Ainda, nos aprofundaremos um pouco nos Aços Comuns ao Carbono, pois é essencial 
que todo(a) Engenheiro(a) Mecânico(a) domine as principais características desses metais.
Por fim, encerraremos comentando sobre as normas técnicas de classificação e 
especificação dos aços e o que é levado em conta para fazer essa separação. 
Acredito que essa Unidade irá contribuir muito para que você goste ainda mais dos 
materiais de construção mecânica.
Desejo a você bons estudos!
Vamos começar?
UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
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A metalurgia que envolve a extração de ferro da natureza não é nada simples, po-
rém, é uma das mais avançadas entre os metais. A Tabela 1 mostra os valores de produção 
de aço bruto (em milhões de toneladas) para os 10 maiores produtores do mundo, apenas 
para o mês de março de 2022. Para uma área de produção que atinge valores altíssimos 
todos os meses e que existem indícios de sua existência há algumas centenas de anos AC, 
é esperado que suas tecnologias estejam em constante aprimoramento.
TABELA 1 - PRODUÇÃO MUNDIAL DE AÇO BRUTO EM MILHÕES DE TONELADAS
Posição Países Março 2022
1º China 88,30
2º Índia 10,93
3º Japão 7,95
4º Estados Unidos 6,98
5º Rússia 6,58
6º Coréia do Sul 5,69
7º Alemanha 3,32
8º Turquia 3,32
9º Brasil 2,98
10º Irã 2,30
Fonte: Adaptado de Instituto Aço Brasil, 2022.
 1 FABRICAÇÃO
 DA LIGA Fe-C
TÓPICO
55UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
Mas nós já falamos sobre estrutura cristalina, propriedades mecânicas e citamos 
as categorias de aços e ferro fundidos existentes. No entanto, você sabe como essas ligas 
são produzidas? Uma combinação extremamente complexa de processos químicos e ter-
modinâmicos estão envolvidos na produção das ligas Fe-C. No entanto, tentarei explicar 
para você, de uma maneira simples e com foco no que é de interesse para a Engenharia 
Mecânica, como são obtidos esses materiais.
Para a produção de ferro e aço, são necessárias várias matérias-primas, porém, a 
mais importante (devido à quantidade e ao custo) é o minério de ferro. Esse mineral está 
presente na natureza em diversas formas, mas as que possuem importância econômica são 
a Magnetita (Fe3O4) e a Hematita (Fe2O3). Na Figura -1 você pode observar uma imagem 
feita no ano de 2010, da Mina de Carajás-PA. Essa é a maior mina de minério de ferro a céu 
aberto, do mundo, e é gerida pela Vale S/A. 
FIGURA 1 - MINA DE CARAJÁS NO PARÁ. MAIOR MINA DE MINÉRIO DE
 FERRO A CÉU ABERTO DO MUNDO. (IMAGEM FEITA NO ANO DE 2010)
Observe a Figura-2 e perceba que ela está dividida em 5 etapas: Preparação da 
Carga, Redução, Refino, Lingotamento e Laminação.
56UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
FIGURA 2 - FLUXO SIMPLIFICADO DA PRODUÇÃO DE AÇO.
Fonte: a autora. (Ícones: http://www.flaticon.com.br) 
Iniciando pela Preparação da Carga, o minério de ferro, o carvão e outros com-
ponentes necessários, são processados para estarem em condições de seguir na produ-
ção do ferro fundido e do aço. Por exemplo, o minério de ferro não pode ser aplicado 
diretamente na fabricação das Ligas Fe-C, sendo assim, ele é submetido a um processo 
de aglomeração chamado de sinterização. De maneira análoga, o carvão passa pela 
coqueria para que possa ser obtido o coque, que posteriormente irá agir como redutor e 
combustível na obtenção do ferro. 
Na segunda etapa, chamada de Redução, o minério de ferro sinterizado, o coque 
(combustível e redutor) e outros elementos (fundentes), são adicionados ao Alto-Forno, 
pelo seu topo. Nessa fase, o minério de ferro passa por um processo químico muito comple-
xo para redução do minério em ferro metálico. Na parte inferior do forno, existem “venta-
neiras” que sopram ar para dentro do equipamento, auxiliando nas queimas que fornecem 
calor à fusão do ferro. O produto obtido durante a Redução é o ferro-gusa líquido, que é 
separado da escoria durante a saída do Alto-Forno, conforme esquematizado na Figura-3.
57UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
http://www.flaticon.com.br
FIGURA 3 - ESQUEMA ILUSTRATIVO DE UM ALTO-FORNO.
Fonte: Adaptado de Silva e Mei (2010, p. 479).
A composição do ferro-gusa é a seguinte: 
 ● Carbono: 3,5 - 4,5%
 ● Silício: 0,3 – 2,0%
 ● Enxofre: 0,01 – 0,1%
 ● Fósforo: 0,05 – 2%
 ● Manganês: 0,5 – 2%
Se você prestar atenção, para obtermos a composição dos aços, e adicionar ele-
mentos de liga, é preciso reduzir o teor de todos os elementos citados na composição do 
ferro-gusa. Logo, o ferro-gusa líquido oriundo do Alto-Forno, é encaminhado para a fase 
de Refino na Aciaria LD. No entanto, se o objetivo for a produção de ferro fundido, o 
ferro-gusa líquido passará pelo processo de lingotamento (solidificado em lingotes) e será 
encaminhado para a respectiva produção (fundições utilizando forno Cubilô). Ou seja, o 
ferro-gusa é a matéria-prima de produção dos aços e dos ferros fundidos.
Retomando para o processo de fabricação dos aços, na aciaria o princípio químico 
empregado é a oxidação. Sendo assim, todos os processos de aciaria baseiam-se em intro-
duzir quantidades controladas de oxigênio no metal a ser refinado. Portanto, a combinação 
do oxigênio com os elementos indesejáveis, produz óxidos que deixam o sistema através de 
gases ou da escória (indicados na Figura-3). As exceções são o enxofre e o fósforo que não 
formam óxidos e precisam ser combinados com cal para serem removidos como escória. 
58UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
Repare que na Figura-2 existe, ainda, a Aciaria Elétrica que é alimentada pelo 
ferro-gusa sólido e sucata. Geralmente, esse processo é utilizado em usinas não 
integradas (onde o processo não é contínuo como no caso do Alto-Forno para a Aciaria 
LD). Para isso, a sucata deve ser separada em “famílias” com composições similares, pois 
serão a fonte dos elementos de liga.
Os produtos que saem tanto da Aciaria Elétrica, quanto da Aciaria LD, são consti-
tuídos por uma massa líquida homogênea de metal, com as composições desejadas. Essa 
massa é transferida para panelas revestidas de refratários e então encaminhadas para 
a área de lingotamento que pode ser convencional (Figura-4) ou contínuo (Figura-5). 
(Silva e Mei, 2010)
FIGURA 4 - EXEMPLO DE LINGOTAMENTO CONVENCIONAL.
 
 
FIGURA 5 - EXEMPLO DE LINGOTAMENTO CONTÍNUO.
59UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
Normalmente, após o lingote estar pronto ele é submetido à uma etapa de lamina-
ção à quente, para obtenção de um produto semiacabado que podem ser, chapas, tarugos 
ou fios-máquina. Esses produtos, por sua vez, serão encaminhados para outros processos 
de fabricação (outras etapas de laminação, trefilação, extrusão, forjamento, etc.) onde se 
tornarão produtos acabados. 
A descrição acima foi bastante simplificada para que pudesse ser explicada para 
você. Saiba que os procedimentospodem variar de acordo com as tecnologias envolvidas, 
principalmente nos fornos. 
60UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
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Entre todos os diagramas de equilíbrio que são conhecidos, aquele que é o mais 
importante é o constituído pelo ferro e o carbono (que engloba tanto os aços como os ferros 
fundidos). Porém, a parte do diagrama de fases ferro-carbono que nos interessa, está apre-
sentada na Figura-6 e é denominado de Diagrama de Equilíbrio Fe-Fe3C (Ferro-Cementita).
Se você observar o eixo das composições, notará que ele se estende apenas até 
6,70%p C. Nessa concentração é que se forma o composto carboneto de ferro, ou cemen-
tita (Fe3C). Por isso o sistema ferro-carbono pode ser dividido em duas partes: uma fração 
rica em ferro, como na Figura-6 e outra (que não está representada) para composições 
entre 6,70 e 100%p C (grafita pura). Na prática, como todos os aços e ferros fundidos 
apresentam teores de carbono inferiores a 6,70%p C, por tal motivo consideramos apenas 
o sistema Fe-Fe3C. 
 2 DIAGRAMA DE
 EQUILÍBRIO
 Fe-Fe3C
TÓPICO
61UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
FIGURA 6 - DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO Fe-Fe3C.
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p.255).
Você já sabe que as ligas ferrosas são aquelas nas quais o ferro é o componente 
principal, mas o carbono e outros elementos, podem estar presentes. Na classificação das 
ligas ferrosas, com base no teor de carbono, existem três categorias: ferro puro, aço e ferro 
fundido. O ferro puro contém menos de 0,008%p C e, conforme você pode constatar no 
diagrama de fases, é composto à temperatura ambiente quase exclusivamente pela fase 
ferrita (α). Se a liga possuir entre 0,008 e 2,14%p C será classificada como aço. Embora, 
segundo o diagrama, um aço possa conter até 2,14%p C, na prática, as concentrações 
de carbono raramente excedem 1,0%p. Por fim, os ferros fundidos contêm entre 2,14 e 
6,70%p C. Todavia, os ferros fundidos comerciais contêm menos de 4,5%p C. (Callister e 
Rethwisch, 2021)
O diagrama de equilíbrio Fe-Fe3C possui regiões e linhas que indicam transforma-
ções de fases em função do teor de carbono e da temperatura. É importante esclarecer que 
esse diagrama só pode ser utilizado para prever transformações em condições de resfria-
mento próximas ao equilíbrio (aquecimento ou resfriamento lentos). Vamos às principais 
características desse diagrama:
62UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
 ● Linha Liquidus, indica o início da solidificação. Linha Solidus, indica o final 
da solidificação. Repare que no campo do líquido (L), qualquer teor de carbono 
pode ser dissolvido no ferro.
 ● Para as soluções sólidas de carbono no ferro, existem 3 campos: ferro sólido 
correspondente à ferrita-δ, o campo de estabilidade da austenita (γ) e um 
campo à esquerda, denominado ferrita (α). Para o teor fixo de 6,67%p C, a linha 
vertical indica a formação do carboneto de ferro, cementita (Fe3C).
 ● As linhas A3 e A1 são os limites de estabilidade da austenita e indicam sua 
transformação em ferrita (α). A linha Acm corresponde ao limite de solubilidade 
de carbono da austenita e indica o início da precipitação da cementita.
 ● O ponto eutético, indica a solidificação do líquido em austenita + cementita, (L 
→ γ + Fe3C), que é denominado ledeburita. O ponto eutetoide, indica a decom-
posição da austenita em um composto de ferrita e cementita, (γ → α + Fe3C), 
que é denominado perlita. (Pinedo, 2021)
Devido às transformações alotrópicas (comentamos na Unidade I), os teores de 
carbono que podem ser dissolvidos na austenita e na ferrita são diferentes. A austenita 
dissolve um teor máximo de 2,14%p C na temperatura de 1.147°C e um teor mínimo de 
0,76%p C a 727°C. Similarmente, a ferrita-α dissolve um teor máximo de 0,022%p C na 
temperatura de 727°C e um teor próximo de 0,008%p C, na temperatura ambiente. Quando 
esses limites de solubilidade na austenita e na ferrita são excedidos, ocorre a precipitação 
da cementita. Aços com teor de carbono inferior ao do ponto eutetoide (0,76%p C) são de-
nominados aços hipoeutetoides, aços com teor de carbono superior a 0,76% até 2,11%p 
C, são denominados aços hipereutetoides e aqueles com teor de carbono igual a 0,76%p, 
serão aços eutetoides. (Callister e Rethwisch, 2021 e Pinedo, 2021)
Primeiramente vamos analisar a Figura-7a, relativa aos aços eutetoides (0,76%p C). 
Suponha que uma liga seja resfriada desde o ponto a, aproximadamente à 800ºC, de uma 
região da fase γ. Portanto o resfriamento começa em a e se desloca para baixo ao longo 
da linha vertical xx′. Inicialmente, a liga é composta 100% pela fase austenita (γ), com 
uma composição de 0,76%p C, cuja microestrutura correspondente está representada na 
figura. Com o resfriamento da liga, não há mudanças até a temperatura eutetoide (727ºC) 
ser atingida. Ao baixar dessa temperatura e até o ponto b, a austenita se transforma em 
camadas alternadas de duas fases (α e Fe3C), que se formam simultaneamente. Essa 
microestrutura, é chamada de perlita, devido à sua aparência de madrepérola quando 
observada com o auxílio de um microscópio. Do ponto de vista de resistência mecânica, 
perlita apresenta propriedades intermediárias entre aquelas da ferrita (macia e dúctil), e da 
cementita (dura e frágil).
63UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
Agora analisaremos a Figura-7b, relativa aos aços hipoeutetoides (0,76% até 
2,11%p C). O resfriamento desse tipo de liga se desloca para baixo, ao longo da linha 
yy′. No ponto c, que se encontra aproximadamente a 875ºC, a microestrutura é composta 
100% por grãos da fase γ, como é representado na figura. Resfriando a liga até o ponto 
d, por volta de 775ºC, chegamos em uma região das fases α + γ, que coexistem conforme 
mostrado na ilustração. Pequenas partículas de α se formam ao longo dos contornos dos 
grãos γ. Continuando o resfriamento do ponto d até o ponto e, ainda na região α + γ, 
ocorre a formação de uma maior proporção da fase α. Com a redução da temperatura até 
abaixo da temperatura eutetoide, ponto f, toda fase γ se transforma em perlita. Ao cruzar a 
temperatura eutetoide, não ocorrem mudanças na fase α que se formou até o ponto e (ela 
está presente como uma fase matriz). Porém, a fase ferrita estará presente tanto na perlita 
quanto na fase que se formou enquanto se resfriava pela região das fases α + γ. A ferrita 
que está presente na perlita é chamada ferrita eutetoide, enquanto aquela que se formou 
acima da temperatura eutética, é denominada ferrita proeutetoide.
Por fim, analisaremos a Figura-7c, referente aos aços hipereutetoides (entre 0,76 
e 2,14%p C). Considere o resfriamento de uma liga, descendo pela reta zz′, iniciando no 
ponto g, por volta de 900ºC, onde apenas a fase γ está presente. Com o resfriamento 
para o campo das fases γ + Fe3C (ponto h), a fase cementita começa a se formar ao 
longo dos contornos dos grãos da fase γ inicial. Essa cementita é chamada de cementita 
proeutetoide. Conforme a temperatura é reduzida até o ponto i , toda a austenita restante 
é convertida em perlita. Logo, a microestrutura resultante consiste em perlita e cementita 
proeutetoide. (Callister e Rethwisch, 2021)
FIGURA 7 - REPRESENTAÇÕES ESQUEMÁTICAS DAS MICROESTRUTURAS 
PARA UMA LIGA (A) EUTETOIDE, (B) HIPOEUTETOIDE E (C) HIPEREUTETOIDE.
Fonte: Callister e Rethwisch (2021, p.258 e 261).
Obviamente, as transformaçõesde fases descritas acima, são muito mais comple-
xas e existem, ainda, as transformações fora do equilíbrio. Sugiro que você aprofunde seus 
estudos nesse tópico, que é de extrema importância. 
64UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
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Você já sabe que os aços podem possuir duas principais denominações: aços-car-
bono e aços-liga. Existem elementos residuais que estão presentes nos aços-carbono, que 
não são considerados elementos de liga, pois eles não foram inseridos com a finalidade 
específica de melhorar alguma propriedade. Esses aços são utilizados quando não existem 
demandas específicas de resistência mecânica ou de resistência à corrosão e quanto a 
temperatura de utilização não for muito elevada. (Souza, 1989)
Para identificarmos um aço-carbono comum, segundo a classificação da ABNT, os 
dois primeiros dígitos de sua nomenclatura, devem ser alguma das combinações abaixo. 
Na próxima Unidade falaremos sobre essa nomenclatura com mais detalhes, mas saiba 
que os dois dígitos representados por XX, indicam o teor de carbono em centésimos de 
porcentagem.
TABELA 2 - CLASSIFICAÇÃO DOS AÇOS-CARBONO.
Aços-carbono
10XX Aço-carbono
11XX Aço-carbono ressulfurado (de fácil usinagem, corte)
12XX Aço-carbono ressulfurado e refosforado (de fácil 
usinagem, corte)
Fonte: Adaptado de Dos Santos (2015, p. 143).
 3 AÇOS COMUNS
 AO CARBONO
TÓPICO
65UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
O aço-carbono é a liga composta de ferro e carbono (entre 0,008% a 2,0%p C), 
com a presença de alguns outros elementos residuais. Na prática, são utilizados teores 
de 0,1 a 0,95%p C, ou seja, do aço 1010 ao aço 1095. Portanto, você geralmente irá se 
deparar com os aços das séries abaixo:
 ● Aços de baixo carbono (1010 ao 1035); 
 ● Aços de médio carbono (1040 ao 1065); e 
 ● Aços de alto carbono (1070 ao 1095).
Você pode encontrar além do termo aço de baixo carbono, também, aço doce 
para indicar um teor de carbono inferior a 0,25%. Esses aços possuem uma resistência 
relativamente baixa, por outro lado têm excelente ductilidade. A estrutura é uma combinação 
de ferrita e de perlita. Como foi citado anteriormente, esses aços podem ter suas proprie-
dades mecânicas melhoradas por trabalho a frio e são considerados não temperáveis. São 
empregados em peças que necessitam de resistência mecânica no estado de fabricação 
(materiais que irão passar por processos de conformação). Exemplos: rebites, parafusos, 
porcas, dobradiças, pregos, tubos com costura, chapas e perfis para estruturas metálicas. 
(Callister e Rethwisch, 2021 e Dos Santos, 2015)
Os aços de médio carbono (entre 0,3 a 0,6%p C), são utilizados em peças com 
solicitação mecânica mais elevada, e respondem bem aos tratamentos térmicos para me-
lhoria de propriedades mecânicas. Exemplos de aplicação: martelos, talhadeiras, punções, 
eixos e outros componentes de máquinas e de veículos. 
Aços de alto carbono, com teor de carbono em torno de 0,6 a 1,4%p, possuem 
resistências mais elevadas. Adicionalmente, a resistência pode ser significativamente au-
mentada por tratamento térmico, usando o processo de têmpera e revenimento. No entanto, 
as resistências mais elevadas são acompanhadas pela perda de ductilidade, isto é, por um 
comportamento mais frágil. Os aços de alto carbono são limitados a usos em que a sua 
dureza elevada é benéfica e a baixa ductilidade não seja uma desvantagem séria, tal como 
em ferramentas de corte e em molas.
É importante entender o que significa um aço ser ‘tratável termicamente’ ou ser 
‘não temperável’. No tratamento térmico de têmpera, o aço é aquecido até cerca de 850°C, 
campo da austenita, na qual o carbono está completamente em solução sólida. Então ele 
é submetido à um resfriamento rápido (imersão em água, imersão em óleo ou jato de ar) 
e é obtida uma solução supersaturada de carbono no ferro. Após a têmpera, o metal terá 
uma estrutura chamada martensita, que pode ser formada de agrupamentos de cristais 
em forma de ripas ou sob a forma de chapas finas orientadas aleatoriamente, rodeadas por 
regiões de austenita. (Callister e Rethwisch, 2021 e Dowling, 2017).
66UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
O aço temperado torna-se muito frágil e duro por causa de sua nova estrutura 
cristalina e pela alta densidade de discordâncias gerada. Para que seja realizado um alívio 
de tensões, o aço deve ser submetido a uma segunda etapa de tratamento térmico, a uma 
temperatura mais baixa, chamado revenimento. Esse tratamento remove parte do carbono 
da martensita e favorece a formação de partículas dispersas de Fe3C. O revenimento reduz 
a resistência, mas aumenta a ductilidade. O efeito deste tratamento está relacionado com 
temperaturas de revenimento mais elevadas e varia com o teor de carbono e dos elementos 
de liga presentes, conforme pode ser observado na Figura-8.
FIGURA 8 - INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA DE REVESTIMENTO
 NA RESISTÊNCIA AO ESCOAMENTO PARA ALGUNS AÇOS.
Fonte: Adaptado de Dowling (2017, p. 62).
Nós falamos muito sobre microestruturas e transformações de fases, mas temos 
que visualizar na prática e reconhecer cada formação característica. Observe a Figura-9, 
que apresenta uma micrografia da ferrita (α), Figura-9a, e uma estrutura composta por 
austenita (γ), Figura-9b.
67UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
FIGURA 9 - MICROGRAFIAS DE ESTRUTURAS (A) FERRÍTICA E (B) AUSTENÍTICA.
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 255).
Agora, observe a Figura-10, que mostra uma estrutura tipicamente martensítica. 
Comentamos que a martensita é obtida com o tratamento térmico de têmpera. Portanto, ao 
realizar a têmpera, a microestrutura é transformada diretamente da austenita (Figura-9b) 
para a martensita (Figura-10). Na figura abaixo, os grãos escuros em forma de agulhas 
são a fase martensítica e a áreas mais claras são as regiões de austenita que não se 
transformaram, devido ao resfriamento brusco.
FIGURA 10 - ESTRUTURA TIPICAMENTE MARTENSÍTICA.
Fonte: Callister e Rethwisch (2021, p.287).
68UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
Por fim, é interessante também que você reconheça outras microestruturas que 
aprendemos nesta Unidade. A Figura-11a traz a micrografia de um aço eutetoide, com a 
estrutura de perlita (camadas alternadas de α e Fe3C). A Figura-11b, mostra um aço hipoeu-
tetoide (com perlita e ferrita proeutetoide) e a Figura-11c, indica uma rede de cementita 
proeutetoide envolvendo colônias de perlita, típica de aço hipereutetoide. 
FIGURA 11 - MICROGRAFIAS DE AÇO (A) EUTÉTICO, (B) HIPOEUTETOIDE E (C) HIPEREUTETOIDE.
69UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p.258, 260 e 262).
70UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
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Agora que você já conheceu as microestruturas de alguns aços, vamos entender 
como é feita a nomenclatura deles? Aços utilizados em projetos mecânicos utilizam desig-
nações especificadas em diferentes normas: americanas (SAE/AISI), brasileira (ABNT), 
alemã (DIN), japonesa (JIS), francesa (AFNOR) ou inglesa (BS).
Em nosso país, a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABTN, por intermé-
dio da norma ABNT NBR NM 87:2000 - Aço carbono e ligados para construção mecânica 
- Designação e composição química. 
O sistema de classificação de aços para construção mecânica ABNT (assim como 
o SAE/AISI), utilizam em geral quatro algarismos na forma ZZXX onde ZZ identificam os 
principais elementos de liga presentes no aço e seus teores (família do aço).
FIGURA 12 - DESIGNAÇÃO PARA AÇOS CONSTRUÇÃO MECÂNICA.
Fonte: A autora (2023).
 4 NORMAS TÉCNICAS
 DE CLASSIFICAÇÃO E
 ESPECIFICAÇÃO DOS AÇOS
TÓPICO
71UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
TABELA 3 - DENOMINAÇÃO SEGUNDO ABNT, SAE/AISI.
Aços carbono
10xx Aço carbono
11xx
Aço-carbono ressulfurado (de fácil usinagem, 
corte)
12xx
Aço-carbono ressulfurado e refosforado (de fá-
cil usinagem, corte)
Aços de baixa liga (construção mecânica)
13xx Mn 1,75
23xx Ni 3,5
25xx Ni 5,0
31xx Ni 1,25, Cr 0,65
33xx Ni 3,50, Cr 1,55
40xx Mo 0,25
41xx Cr 0,50 ou 0,95, Mo 0,12 ou 0,20
43xx Ni 1,80, Cr 0,50 ou 0,80, Mo 0,25
46xx Ni 1,55 ou 1,80, Mo 0,20 ou 0,25
47xx Ni 1,05, Cr 0,45, Mo 0,20
48xx Ni 3,50, Mo 0,25
50xx Cr 0,28 ou 0,40
51xx Cr 0,80 a 1,05
5xxxx Cr 0,50 ou 1,00 ou 1,45, C 1,00
61xx Cr 0,80 ou 0,95, V 0,10 ou min 0,15
86xx Ni 0,55, Cr 0,50 ou 0,65, Mo 0,20
87xx Ni 0,55, Cr 0,50, Mo 0,25
92xx Mn 0,85, Si 2,00
93xx Ni 3,25, Cr 1,20, Mo 0,12
98xx Ni 1,00, Cr 0,80, Mo 0,25
Aços inoxidáveis (resistentes ao calor e à corrosão)
2xx Cr, Ni, Mn (Austenítico)
3xx Cr, Ni (Austenítico)
4xx Cr (Ferrítico)
4xx Cr (Martensítico)
5xx Baixo cromo (resistente ao calor)
Fonte: Adaptado de Silva e Mei (2010, p. 335).
As principais características relacionadas à denominação dos aços para construção 
mecânica, estão na lista acima. Porém, quando você for iniciar algum estudo/trabalho com uma 
liga nova, caso você não conheça o significado do código, busque os significados dos códigos 
na literatura. Todas os tipos de ligas (ferrosas ou não) possuem denominações específicas. 
72UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
LEITURA COMPLEMENTAR
 Acesse o link abaixo e conheça um pouco mais sobre a origem da fabricação 
do ferro fundido e dos aços. O autor preparou uma linha do tempo que mostra cada período 
importante dessa evolução. É importante que você como Engenheiro(a) Mecânico(a) co-
nheça essa origem para que possa compreender como essa área (extremamente antiga) é 
tão evoluída.
TSCHIPTSCHIN, André Paulo. Início da Fabricação do Aço. Disponível em: https://
www2.gerdau.com.br/blog-acos-especiais/inicio-da-fabricacao-do-aco. Acesso em 15 jun. 
2022.
73UNIDADE 3 LIGAS Fe-C 73
Parque Siderúrgico Brasileiro
Atualmente, 31 usinas siderúrgicas operam no Brasil, distribuídas por 10 estados. A indústria do aço brasi-
leira foi responsável, no ano de 2020, pela produção de 31,4 milhões de toneladas de aço bruto, levando o 
país para a 9ª posição no ranking da produção mundial. 15 empresas privadas controlam as usinas citadas. 
Quer saber mais? Acesse o link abaixo.
Fonte: Instituto Aço Brasil. Parque Siderúrgico. Disponível em: https://acobrasil.org.br/site/parque-siderurgico/. 
As dificuldades são o aço estrutural que entra na construção do caráter. 
Carlos Drummond de Andrade
https://www2.gerdau.com.br/blog-acos-especiais/inicio-da-fabricacao-do-aco
https://www2.gerdau.com.br/blog-acos-especiais/inicio-da-fabricacao-do-aco
https://acobrasil.org.br/site/parque-siderurgico/
74
CONSIDERAÇÕES FINAIS
UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
Aqui encerramos nossa terceira Unidade e estamos caminhando para o final da 
disciplina.Espero que você tenha gostado do assunto (apesar da quantidade de nomes dife-
rentes e complicados que foram apresentados). Quando um(a) Engenheiro(a) Mecânico(a) 
entende as transformações de fases que ocorrem nas Ligas Fe-C, fica muito mais fácil de 
planejar procedimentos de tratamentos térmicos e saber o que vai funcionar ou não. Assim 
como, questões relativas aos processos de fabricação, também se tornam mais intuitivas. 
Sempre aprofunde seus estudos com o material indicado nas referências.
Nos vemos em breve para finalizarmos nossa matéria.
Até mais!
75
MATERIAL COMPLEMENTAR
UNIDADE 3 LIGAS Fe-C
LIVRO
Título: Aços e Ligas Especiais
Autores: André Luiz V. da Costa e Silva, Paulo Roberto Mei
Editora: Blucher
Sinopse: Esse livro é referência básica quando falamos sobre 
as ligas Fe-C. Explica desde os princípios, estrutura cristalina, 
diagrama de fases, diferença entre aço e ferro fundido, entre 
outros assuntos relacionados. Livro de fácil entendimento para 
estudantes e interessados na área.
 
FILME / VÍDEO
Título: Serra Pelada
Ano: 2013
Sinopse: O filme conta a história de dois amigos que partem 
para Serra Pelada, que foi o maior garimpo de ouro a céu aberto 
do mundo, localizado no estado do Pará. A história que se passa 
é ficcional, porém, retrata passagens ocorridas naquele local na 
década de 1980. Apesar de tratar da mineração de ouro, faz 
parte de uma importante história do nosso país. 
 
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Plano de Estudos
• Materiais Poliméricos;
• Materiais Compósitos;
• Materiais Cerâmicos;
• Materiais do Futuro.
Objetivos da Aprendizagem
• Compreender algumas das principais 
 características dos materiais poliméricos;
• Entender o que são materiais compósitos 
 e como podem estar arranjados;
• Distinguir os diferentes tipos de materiais cerâmicos;
• Conhecer a possibilidade de desenvolvimento 
 de novos materiais. 
4UNIDADEUNIDADE
DEMAIS DEMAIS 
CLASSES DECLASSES DE
MATERIAISMATERIAIS
Professora Dra. Ana Caroline Crema de Almeida Fontes
77
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), como você tem passado?
Por fim, chegamos à nossa última Unidade. Até este momento, nós tratamos em 
detalhes sobre estruturas, propriedades e fabricação dos materiais metálicos (principal-
mente ligas Fe-C). Porém, as outras classes de materiais também são muito importantes 
para nosso estudo.
Nas últimas décadas a aplicação de materiais não-metálicos se propagou em di-
ferentes áreas. Seja na forma de revestimentos, na estrutura completa de uma peça ou 
através da combinação com outros materiais para que sejam obtidos os compósitos. 
Nesta Unidade, iremos abordar as principais características dos materiais poliméricos, 
cerâmicos, compósitos e alguns outros materiais inovadores. Tentaremos mostrar as principais 
diferenças entre essas classes de materiais e como alguns deles são aplicados na indústria. 
Aconselho você a aprofundar seus estudos com o material recomendado nas refe-
rências e no decorrer da Unidade.
Desejo a você bons estudos!
Vamos começar?
UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
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78787878UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
Você sabe bem que os materiais poliméricos, são frequentemente chamados de 
‘plásticos’. No entanto, essa classe de materiais é constituída por inúmeros tipos diferentes 
de materiais poliméricos, com características diversas. Assim como ocorre com os metais, 
as propriedades dos polímeros estão relacionadas com os elementos estruturais do material.
Um polímero pode ser definido como um material formado por moléculas extre-
mamente longas (macromoléculas) compostas de unidades químicas estruturais simples, 
denominadas meros, que se repetem sucessivamente ao longo da cadeia. Os meros, que 
também podem ser chamados de unidades repetidas, estão ligados uns aos outros por 
ligações covalentes e se repetem ao longo da cadeia.
Já o termo monômero, refere-se à pequena molécula a partir da qual um polímero 
é sintetizado. Ou seja, mero denota a unidade repetida numa cadeia polimérica, enquanto 
monômero é a molécula capaz de reagir (quando submetida ao calor e/ou à pressão) para 
formar os meros. Um pouco mais complexo que os metais, não é?! Observe a Figura 1, pois 
irá te ajudar a compreender melhor o significado de cada termo.
 1 MATERIAIS 
 POLIMÉRICOS
TÓPICO
FIGURA 1 - REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE UM MONÔMERO, MERO E POLÍMERO
Fonte: A autora (2022).
 Como você pôde notar na figura anterior, para polímeros com cadeias de carbono, a 
estrutura central de cada cadeia é uma série de átomos de carbono. Frequentemente, cada áto-
mo de carbono estará ligado por ligações simples a outros dois átomos de carbono adjacentes.
A Tabela 1 apresenta as unidades repetidas dos 10 materiais poliméricos mais 
comuns, bem como alguns exemplos de suas aplicações (existem muitas outras).
TABELA 1 - UNIDADE REPETIDA PARA OS 10 MATERIAIS POLIMÉRICOS MAIS COMUNS
Polímero Unidade Repetida (mero) Exemplos de 
Aplicações
Polietileno (PE) canudos, 
isolante elétrico e 
embalagens em 
geral.
Poli (cloreto de 
vinila) (PVC)
tubos de água e 
esgoto e garrafas
79UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
Politetrafluoretileno 
(PTFE)
filmes, 
revestimentos, 
antiaderentes
Polipropileno (PP) aplicações 
semelhantes 
ao PE, porém 
com melhores 
propriedades 
mecânicas 
Poliestireno (PS) aplicações 
que exijam 
transparência 
e também na 
forma expandido 
(isopor)
Poli(metacrilato de 
metila) (PMMA)
conhecido 
popularmente 
pelo nome 
‘acrílico’
Fenol-formaldeído 
(Baquelite)
discos musicais, 
tomadas, 
interruptores, 
cabos de panelas
Poli (hexametileno 
adipamida) 
(náilon 6,6)
filamentos 
(têxteis, 
industriais e de 
carpete), plásticos 
de engenharia e 
filmes
80UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
Poli (tereftalato de 
etileno) 
(PET)
fibra têxtil, filmes 
transparentes e 
garrafas
Policarbonato (PC) CDs, DVDs, 
óculos, faróis
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 434) e dos Santos (2015, p. 53 e 54).
Do ponto de vista organizacional, quando todas as unidades repetidas de uma 
cadeia são iguais, o polímero é denominado de homopolímero. Se as cadeias forem 
compostas por duas ou mais unidades repetidas diferentes, o produto obtido é denominado 
copolímero, conforme Figura 2.
FIGURA 2 - EXEMPLOS DE REPRESENTAÇÃO DE UM HOMOPOLÍMERO E UM COPOLÍMERO
Fonte: A autora (2022).
Existem vários tipos de polímeros, no entanto, a indústria de transformação classi-
fica-os em três categorias principais: (a) termoplásticos, (b) termofixos ou termoestáveis e 
(c) elastômeros (borrachas).
81UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
De acordo com essa classificação, será determinado também qual o processo mais 
adequado para moldar o material. Normalmente, os materiais termofixos possuem maior resis-
tência ao calor, menor susceptibilidade à fluência, maior resistência química, etc. No entanto, 
tais polímeros requerem processos de fabricação mais complexos para serem produzidos.
a) Termoplásticos: polímeros compostos por moléculas de cadeias longas indi-
viduais (lineares ou ramificadas), sem apresentar ligação cruzada entre elas. 
Peças produzidas com este material, amolecem quando são aquecidas devi-
do ao fato das ligações secundárias (forças de Van der Waals) se afastarem 
(ocasionando o amolecimento) e romperem, promovendo a fusão do material, 
de modo que ele se comporte como um líquido viscoso, permitindo seu repro-
cesso. Você já deve ter visto granulados poliméricos, como os da Figura 3, 
que alimentam as máquinas apropriadas para fabricação de algumas peças. 
Esses granulados são exemplos de termoplásticos. Os termoplásticos também 
são uma possibilidade de materiais para utilização em impressoras 3D (Figura 
4). Ocorrerá uma degradação irreversível quando a temperatura de um 
polímero termoplástico fundido for aumentada em excesso.
FIGURA 3 - IMAGEM DE GRANULADOS TERMOPLÁSTICOS
FIGURA 4 - EXEMPLOS DE PEÇAS FABRICADAS POR IMPRESSÃO 3D, À PARTIR DE TERMOPLÁSTICOS
82UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
b) Termofixos: também conhecidos por termoestáveis, termorrígidos ou 
termoendurecíveis, são os polímeros que apresentam cadeias ligadas por 
ligações covalentes na forma de uma rede tridimensional infinita. Devido à 
formação desta rede, na qual as cadeias estão ligadas fortemente entre si por 
ligações covalentes (ligação de mesma força que dá cadeia principal), os produ-
tos produzidos a partir destes polímeros não amolecem e nem se fundem após 
serem aquecidos (Figuras 5 e 6). Apenas um aquecimento até temperaturas 
excessivas causa o rompimento das ligações e a degradação do polímero.
FIGURA 5 - AS SUPERCOLAS SÃO EXEMPLOS DE POLÍMEROS TERMOFIXOS
FIGURA 6 - A BAQUELITE É UM EXEMPLO DE POLÍMERO TERMOFIXO
83UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
c) Elastômeros: popularmente conhecidos como borrachas, são polímeros que 
apresentam cadeias ligadas na forma de redes tridimensionais, mais fracas que 
os termofixos. Devido à menor densidade de ligações cruzadas, deixando as 
cadeias mais livres, possuem a habilidade de se estenderem quando subme-
tidas a forças de tração e retornarem às dimensões originais quando essas 
forças são removidas. Assim como os termofixos, e elastômeros não podem ser 
reprocessados, sendo que sua reciclagem mecânica não é possível. Sua reutili-
zação apenas é possível se forem reciclados quimicamente e energeticamente. 
A propriedade predominante é o comportamento elástico após deformação em 
compressão ou tração. Um elastômero pode ser esticado até dez vezes o seu 
comprimento original e, após remoção da tensão aplicada, ele recupera a forma 
e o comprimento originais. (Dos Santos, 2015)
FIGURA 7 - OS ELASTÔMEROS SÃO POPULARMENTE CHAMADOS DE “BORRACHAS”
84UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
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85858585UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
Os materiais compósitos (também conhecidos por conjugados ou compostos) 
são uma classe bem interessante dentro da engenharia. São materiais cuja finalidade é 
combinar características positivas de dois ou mais materiais. Um exemplo é o compósito 
de fibra de vidro em matriz polimérica que confere resistência mecânica, enquanto a matriz 
polimérica, é fornece a flexibilidade ao compósito.
A madeira é um excelente exemplo de compósito natural, em que a matriz e o 
reforço são poliméricos. O concreto já é um compósito comum, e tanto a matriz como o re-
forço são materiais cerâmicos. No concreto, a matriz é um cimento e o reforço é constituído 
de 60 a 80% em volume de areia e de um agregado grosso (pedregulho). Ainda existe a 
possibilidade de o concreto ser reforçado com barras de aço. (Padilha, 2000)
Na constituição de um compósito, existirá a fase matriz que pode ser polimérica, 
metálica ou cerâmica, e a fase dispersa, que pode estar na forma de dispersão de partí-
culas, fibras, bastonetes, lâminas ou plaquetas. A Figura-8 apresenta várias possibilidades 
diferentes de organização matriz-reforço. 
 
 2 MATERIAIS
 COMPÓSITOS
TÓPICO
FIGURA 8 - REPRESENTAÇÕES DAS VÁRIAS FASES DISPERSAS, EM FORMA DE FIBRAS, QUE 
INFLUENCIAM NAS CARACTERÍSTICAS DO COMPÓSITO. (A) QUANTIDADE DE REFORÇO, (B) 
TAMANHO, (C) GEOMETRIA, (D) DISTRIBUIÇÃO E (E) ORIENTAÇÃO
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 505).
Considerando a figura acima, perceba que o comportamento mecânico do compósito 
será diferente para cada situação. Em aplicações onde ele seja submetido a tensões de tra-
ção, compressão ou cisalhamento, a disposição do reforço irá atuar de maneiras diferentes.
A finalidade da matriz é oferecer as características superficiais do material, bem 
como envolver, separar e proteger a fase dispersa de ataques externos, e transmitir para a 
fase dispersa as tensões aplicadas no compósito.
Os materiais que constituem a fase dispersa (seja por meio de reforço ou de 
enchimento) são materiais sólidos, de composição e estrutura diferentes da do material 
constituinte da matriz. Esses materiais são adicionados às matrizes para modificar suas 
propriedades. A fase dispersa conhecida por enchimento, geralmente modifica as proprie-
dades da matriz sem produzir efeito de ganho nas propriedades. Ela é utilizada apenas 
para reduzir custos, enquanto a fase dispersa ativa ou reforço sempre produz melhorias 
específicas em certas propriedades da matriz. (Dos Santos, 2015)
No que diz respeito às fases dispersas por meio de reforços, existem 2 tipos bem 
conhecidos, que utilizam matriz polimérica (CMP): (a) Compósitos Poliméricos Reforçados 
com Fibras de Vidro e (b) Compósitos Poliméricos Reforçados com Fibras de Carbono.
86UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
a) Compósitos Poliméricos Reforçados com Fibras de Vidro: o nome fibra de 
vidro identifica simplesmente um compósito que consiste em fibras de vidro, 
contínuas ou descontínuas, contidas em uma matriz polimérica (Figura-9). As 
aplicações em fibras de vidro mais conhecidas são: carrocerias de automóveis 
e cascos de barcos, tubulações de plástico, recipientes para armazenamento 
e pisos industriais. As indústrias de transporte estão utilizando quantidades 
cada vez maiores de plásticos reforçados com fibras de vidro, com o objetivo de 
reduzir o peso dos veículos e aumentar a eficiência dos combustíveis.
b) Compósitos Poliméricos Reforçados com Fibras de Carbono: esses com-
pósitos poliméricos estão sendo largamente empregados em equipamentos 
esportivos e de recreação (varas de pescar, tacos de golfe), em carcaças de 
motores a jato fabricadas por enrolamento filamentar, em vasos de pressão e 
em componentes estruturais de aeronaves militares e comerciais, bem como de 
automóveis (Figura-10). (Callister e Rethwisch, 2021).
FIGURA 9 - IMAGEM DE UM ROLO DE FIBRA DE VIDRO
FIGURA 10 - PEÇA AUTOMOTIVA FEITA EM FIBRA DE CARBONO
87UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
Já os compósitos com matriz metálica (CMM), a matriz é um metal dúctil. Esses ma-
teriais podem ser usados em temperaturas de serviço mais elevadas que seus respectivos 
metais contidos na matriz. As vantagens desses materiais em relação aos compósitos com 
matriz polimérica, são as temperaturas de operação mais elevadas, não serem inflamáveis 
e maior resistência à degradação por fluidos orgânicos. Os compósitos com matriz metálica 
são muito mais caros que os CMPs e, portanto, seu emprego é um tanto quanto restrito.
A tenacidade à fratura das cerâmicas tem sido melhorada de forma significativa 
pelo desenvolvimento de uma nova geração de compósitos com matriz cerâmica (CMC) 
através de particulados, fibras ou whiskers de um material cerâmico que foram incorpora-
dos em uma matriz de outro material cerâmico. Em resumo, as melhorias nas propriedades 
resultam das interações entre as trincas que avançam e as partículas da fase dispersa. 
A iniciação de uma trinca ocorre normalmente na fase matriz, enquanto a propagação da 
trinca é impedida ou retardada pelas partículas, fibras ou whiskers.
Agora falando dos compósitos estruturais, consistem em um compósito com 
múltiplas camadas e normalmente de baixa massa específica, usado em aplicações que 
exigem integridade estrutural, resistências à tração, compressão e torção e rigidezes or-
dinariamente elevadas. As propriedades desses compósitos dependem não somente das 
propriedades dos materiais constituintes, mas também do projeto geométrico dos vários 
elementos estruturais. Os compósitos laminados (Figura-11) e os painéis-sanduíche são 
dois dos compósitos estruturais mais comuns.
FIGURA 11 – EXEMPLOS DE EMPILHAMENTO EM COMPÓSITOS LAMINADOS. 
(A) UNIDIRECIONAL, (B) CRUZADO, (C) CAMADA EM ÂNGULO E (D) MULTIDIRECIONAL
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 532).
88UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
Os painéis-sanduíche (Figura 12), fazem parte de uma classe de compósitos es-
truturais, projetados para serem vigas ou painéis de baixo peso, com rigidez e resistência 
relativamente elevadas. Consistem em duas lâminas externas, que estão separadas e 
unidas por adesivo a um núcleo de maior espessura. As lâminas externas são feitas de um 
material relativamente rígido e resistente (podem ser ligas de alumínio, aço e aço inoxidá-
vel, plásticos reforçados com fibras, e madeira compensada) elas suportam as cargas de 
flexão que são aplicadas sobre o painel. Quando um painel-sanduíche é dobrado, uma face 
é submetida a tensões de compressão, enquanto a outra, a tensões de tração. (Callister e 
Rethwisch, 2021)
FIGURA 12 - EXEMPLO DE PAINEL-SANDUÍCHE UTILIZADO NA CONSTRUÇÃO CIVIL
Existe, ainda, um outro tipo de núcleo popular conhecido por estrutura em “col-
meia”. Finas folhas moldadas como células interligadas (com formato hexagonal, assim 
como com outras configurações), com os eixos orientados perpendicularmente aos planos 
das faces. Tais estruturas possuem excelentes características de amortecimento do som e 
de vibrações, devido à alta fração volumétrica de espaços vazios no interior de cada célula.
FIGURA 13 - EXEMPLO DE ESTRUTURA EM COLMEIA
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 533).
89UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
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90909090UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
Materiais cerâmicos normalmente são combinações de elementos metálicos com 
não metálicos, cujos principais representantes são os óxidos, nitretos e carbonetos. Ainda, 
nesse grupo de materiais também estão englobados os argilo-minerais, o cimento e os 
vidros. Do ponto de vista das ligações químicas, eles podem ser desde predominantemente 
iônicos até predominantemente covalentes. Dentre as principais características desses 
materiais, está a alta capacidade de atuar como isolantes térmicos e elétricos, bem como 
a elevada resistência a altas temperaturas e a ambientes corrosivos. Por outro lado, são 
extremamente duros e frágeis. (PADILHA, 2000)
No caso em que o material cerâmico possua ligações predominantemente iônicas, 
ao invés de imaginar a estrutura cristalina composta por átomos, são considerados os 
íons eletricamente carregados. O íon do elemento metálico será positivo (pois ele doa 
elétrons) e é chamado de cátion. Já o íon do elemento não-metálico, é denominado 
ânion e ele é negativo (recebe elétrons).
No que diz respeito aos tipos de formações/ligações envolvidas nos materiais cerâ-
micos, as 3 principais são: (a) AX, (b) AmXp e (c) AmBnXp.
a) Estruturas Cristalinas do Tipo AX : nesse tipo de composto, existe a mesma 
quantidade de cátions e ânions. O caso mais comum para essa estrutura, é 
o NaCl (cloreto de sódio ou “sal de cozinha”). Observe a Figura-14 e perceba 
como a estrutura é constituída por duas organizações do tipo CFC que se in-
terceptam. Uma é relativa aos cátions (Na+) e a outra relativa aos ânions (Cl-).
 3 MATERIAIS
 CERÂMICOS
TÓPICO
FIGURA 14 - ESTRUTURA CRISTALINA DO NaCl
Fonte: Callister e Rethwisch (2021, p. 390).
b) Estruturas Cristalinas do Tipo AmXp: ocorrem quando as cargas dos cátions 
e dos ânions, não são iguais. Um exemplo pode ser observado na Figura-15, 
na representação da estrutura cristalina da fluorita. Os íons de cálcio estão 
posicionados nos centros dos cubos, e os íons de flúor estão nos vértices. Pela 
composição do material, percebemos que existe a metade da quantidade de 
íons Ca2+ para os íons de F-.
FIGURA 15 - ESTRUTURA CRISTALINA DA FLUORITA (CaF2)
Fonte: Callister e Rethwisch (2021, p. 392).
c) Estruturas Cristalinas do Tipo AmBnXp: ocorre quando existe a presença de 
dois cátions (A e B). Podemos citar, como exemplo, o titanato de bário (BaTiO3), 
cuja estrutura está representada na Figura-16. (Padilha, 2000)
91UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
FIGURA 16 - ESTRUTURA DO TITANATO DE BÁRIO (BaTIO3)
Fonte: Callister e Rethwisch (2021, p. 392).
Agora, falaremos brevemente sobre os tipos de cerâmicas existentes: (a) cerâmi-
cas tradicionais, (b) cerâmicas de engenharia, (c) cerâmica de óxidos, (d) cerâmicas de não 
óxidos e (e) cerâmicas não cristalinas. 
a) Cerâmicas tradicionais: você já sabe que uma das matérias-primas mais 
aplicadas na produção das cerâmicas tradicionais é a argila. Isso é justificado 
por ser a argila um ingrediente barato, encontrado naturalmente e em grande 
abundância, e usado frequentemente na forma como é extraído, sem qualquer 
melhoria na sua qualidade, além de ser facilmente conformada. Quando mistu-
radas nas proporções corretas, a argila e a água formam uma massa plástica 
muito suscetível à modelagem.
Existem duas grandes classificações para a maioria dos produtos à base de argila: 
os produtos estruturais à base de argila e as louças brancas. Os produtos estruturais com-
preendem os tijolos de construção, os azulejos e as tubulações de esgoto. As cerâmicas 
denominadas louças brancas são submetidas a um processo de queima ou cozimento em 
temperatura elevada. Nesse grupo, estão incluídas as porcelanas, as louças de barro, as 
louças para mesa, as louças vitrificadas e os acessórios para encanamentos hidráulicos 
(louças sanitárias).
92UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
b) Cerâmicas de engenharia: podem ser divididas em cerâmicas estruturais e 
cerâmicas funcionais. Enquanto as aplicações da cerâmica estrutural exigem 
a otimização da resistência ao impacto, dureza e resistência ao desgaste, o 
desempenho das cerâmicas funcionais é controlado por propriedades elétricas, 
magnéticas, dielétricas, ópticas e outras.
c) Cerâmica de óxidos: são formadas de óxidos simples e apresentam a vantagem 
de serem estáveis sob condições de oxidação, portanto, não se degradam. Uma 
aplicação para esse tipo de material, são os resistores mostrados na Figura-17.
FIGURA 17 - RESISTORES DE CERÂMICA
d) Cerâmicas de não óxidos: incluem basicamente os boretos, nitretos, silicietos 
e carbonetos. Em grande parte, são utilizados na forma de revestimentos para melhorias de 
propriedades de resistência mecânica e à corrosão de superfícies.
93UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
FIGURA 18 - FERRAMENTA COM REVESTIMENTO DE NITRETO DE TITÂNIO
e) Cerâmicas não cristalinas: vidros são não cristalinos (amorfos). Os mais comuns 
são os vidros de carbonato, de silicatos e de borosilicato. Vernizes são camadas de 
vidro aplicadas em materiais metálicos. Um dos materiais cerâmicos mais sofistica-
dos são as vitrocerâmicas, que combinam a natureza das cerâmicas cristalinas com 
o vidro. Os usos mais populares desses materiais são louças de forno-estufa e de 
mesa, principalmente devido à sua excelente resistência ao choque térmico e alta 
condutividade térmica. Não podemos esquecer também dos materiais refratários e 
isolantes térmicos. (Dos Santos, 2015)
FIGURA 19 - TIJOLOS REFRATÁRIOS
94UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
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95959595UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
Neste tópico, iremos falar sobre alguns materiais promissores e que estão presen-
tes em diversas classes de materiais.
a) Grafeno: trata-se de um material cerâmico, composto por uma forma de carbo-
no, que é condutor de eletricidade e calor melhor do que qualquer outro material. 
Não é apenas o material mais duro do mundo, como também um dos mais 
flexíveis, além de apresentar a capacidade de ficar imerso em líquidos sem 
se oxidar, ao contrário de outros materiais condutores. Estudos provam que o 
grafeno é 200 vezes mais resistente do que o aço, e tão fino que cerca de 28 
g deste material pode cobrir 28 campos de futebol. Com inúmeras aplicações, 
o grafeno pode estar presente na produção de baterias, proporcionando um 
telefone celular que permaneça carregado por mais de uma semana e possa 
ser recarregado em apenas 15 minutos, produção de sensores muito menores 
do que os atuais. (Dos Santos, 2015)
b) Biomateriais: nossa expectativa de vida está sendo aumentada, em parte, 
devido aos avanços na habilidade de substituir partes do corpo doentes e 
danificadas. Implantes e próteses de reposição são construídos a partir de 
biomateriais, materiais que são implantados no corpo, de modo que eles fun-
cionem de maneira confiável, segura e fisiologicamente satisfatória, enquanto 
interagem com o tecido vivo. Isto é, os biomateriais devem ser biocompatíveis, 
compatíveis com os tecidos e fluidos do corpo, com os quais eles ficam em 
contato ao longo de períodos de tempo aceitáveis (Figura-20). Sendo assim, 
não devem causar rejeição, respostas fisiologicamente inaceitáveis, nem liberar 
substâncias tóxicas.
 4 MATERIAIS
 DO FUTUROTÓPICO
 Consequentemente, algumas restrições consideravelmente rigorosas são im-
postas sobre os materiais para que eles sejam considerados biocompatíveis. Já existem 
biomateriais de ligas metálicas, cerâmicas, polímeros e materiais compósitos. (Callister e 
Rethwisch, 2021)
FIGURA 20 - IMPLANTES DENTÁRIOS SÃO EXEMPLOS DE BIOMATERIAIS
c) Materiais inteligentes: são um grupo de novos materiais que estão sendo 
desenvolvidos atualmente e que terão uma influência significativa sobre muitas 
das nossas tecnologias. O termo ‘inteligente’ significa que esses materiais são 
capazes de sentir mudanças nos seus ambientes e assim responder a essas 
mudanças segundo padrões predeterminados. Um exemplo que podemos citar, 
são as ligas com memória de forma, metais que, após terem sido deformados, 
retornam às suas formas originais quando a temperatura é modificada. Ainda, 
os fluidos eletroreológicos e magnetorreológicos, apresentam mudanças na 
sua viscosidade quando há a aplicação, respectivamente, de campos elétricos 
e campos magnéticos. Vale ressaltar que existem, também, biomateriais com 
memória de forma, como é o caso dos stents coronários.
d) Nanomateriais: classe de materiais com enorme promessa tecnológica, que 
podem ser de qualquer um dos quatro tipos básicos de materiais — metais, 
cerâmicas, polímeros e compósitos. No entanto, ao contrário desses outros 
materiais, eles não são diferenciados com base em sua química, mas, em lugar 
disso, em função do seu tamanho. O prefixo nano indica que as dimensões 
dessas entidades estruturais são da ordem do nanômetro (10–9 m).
96UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
97UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS 97
Os materiais piezocerâmicos fazem parte das cerâmicas de óxidos e são utilizados para converter parâme-
tros mecânicos (pressão e aceleração) em parâmetros elétricos ou, inversamente, para converter sinais 
elétricos em movimento ou vibração mecânica. Quando utilizados em sensores, eles possibilitam converter 
forças, pressões e acelerações em sinais elétricos, e nos atuadores e transdutores sônicos e ultrassônicos 
eles convertem as tensões elétricas em vibrações ou deformações. Podem ser classificados de acordo com 
sua composição química ou baseado nas condições de aplicação específicas.
Fonte: Dos Santos (2015, p. 120). 
Temos que concordar que os materiais plásticos vieram para facilitar nossas vidas em vários aspectos. No 
entanto, eles se tornaram um grande problema de poluição no mundo todo. Existem medidas simples que 
podem ser aplicadas no dia-a-dia para reduzir o consumo de polímeros descartáveis. Você já parou para 
pensar em como pode colaborar mudando pequenas atitudes?
Fonte: A autora (2022).
98
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nós, Engenheiros(as) Mecânicos(às), acabamos nos deparando (e estudando) 
mais com os materiais metálicos. Porém, os avanços científicos envolvidos nas pesquisas 
de outras classes de materiais são enormes. Ou mesmo, em aplicações novas e inusitadas 
para os materiais metálicos, são fruto de muito estudo e pesquisa.
Espero que esta unidade tenha plantado alguma semente de curiosidade em você, 
para que aprofunde mais seus estudos nos materiais não metálicos. Por mais que você 
vá trabalhar com materiais metálicos, é importante você saber, por exemplo, as melhorias 
obtidas com a utilização de um revestimento cerâmico. 
Agradeço seu interesse na leitura deste material e tenho certeza que agora você irá 
olhar para os materiais de uma maneira diferente. 
Te desejo sucesso na sua caminhada como futuro(a) Engenheiro(a).
Nos vemos por aí!
 
UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
99
LEITURA COMPLEMENTAR
Você já ouviu falar sobre o Kevlar®? Composto constituído de fibras de aramida 
(um tipo de polímero) feito de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio. Possui baixa 
densidade, alta resistência à tração, baixo custo e alta resistência ao impacto. Esta fibra é 
muito usada na produção de compósitos de matriz polimérica para aplicações aeroespa-
ciais, militares e balísticas. Leia um pouco mais sobre esse material no link abaixo, em uma 
matéria da revista Forbes de 2021.
Fonte: BrandVoice DuPont. Kevlar®, da DuPont, é uma fibra de aramida usada 
na blindagem veicular que é cinco vezes mais resistente que o aço. Disponível em: 
https://forbes.com.br/brand-voice/2021/09/como-a-fibra-de-kevlar-contribui-para-a-segu-
ranca-de-motoristas-e-passageiros-no-brasil/#foto4. Acesso em 30 jun. 2022.
UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
https://forbes.com.br/brand-voice/2021/09/como-a-fibra-de-kevlar-contribui-para-a-seguranca-de-motoristas-e-passageiros-no-brasil/#foto4
https://forbes.com.br/brand-voice/2021/09/como-a-fibra-de-kevlar-contribui-para-a-seguranca-de-motoristas-e-passageiros-no-brasil/#foto4
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MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Tecnologia dos materiais não metálicos, classificação, 
estrutura, propriedades, processos de fabricação e aplicações
Autor: Zora Ionara Gama D. Santos.
Editora: Saraiva.
Sinopse: Utilizando uma linguagem simples e didática, esse 
material aborda diferentes classes de materiais, suas caracte-
rísticas, propriedades e os respectivos processos de fabricação. 
Vale a pena a leitura para conhecer mais o universo dos mate-
riais não metálicos.
FILME/VÍDEO
Título: O Primeiro Homem
Ano: 2018.
Sinopse: Uma história sobre a missão da NASA de levar o 
primeiro homem, Neil Armstrong, até a lua, durante o período 
de 1961-1969. O filme nos obriga a fazer uma reflexão sobre 
tudo que está envolvido quando estão sendo testadas novas 
tecnologias. 
UNIDADE 4 DEMAIS CLASSES DE MATERIAIS
101
CALLISTER Jr., W. D.; RETHWISCH, D. G. Ciência e Engenharia de Materiais – Uma 
Introdução. Rio de Janeiro: LTC, 2021. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.
com.br/#/books/9788521637325/ Acesso em 30 jun. 2022.
DOS SANTOS, Z. I. G. Tecnologia dos materiais não metálicos, classificação, es-
trutura, propriedades, processos de fabricação e aplicações - 1ª edição - 2015. São 
Paulo: Editora Saraiva, 2014. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/
books/9788536530826/ Acesso em 30 jun. 2022.
DOWLING, Norman. Comportamento Mecânico dos Materiais. Rio de Janeiro: Grupo 
GEN, 2017. 9788595153493. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/
books/9788595153493/. Acesso em: 15 Jun 2022.
INSTITUTO AÇO BRASIL. Estatística Mensal - Nº 085. 2022. Disponível em: https://
acobrasil.org.br/site/wp-content/uploads/2022/05/EM_Maio_22_875452.pdf. Acesso em: 
15 Jun 2022.
NEWELL, J. Fundamentos da Moderna Engenharia e Ciência dos Materiais. Rio de 
Janeiro: Grupo GEN, 2010. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/
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PADILHA, A. F. Materiais de Engenharia – Microestrutura e Propriedades. Curitiba: 
Hemus S.A., 2000. 
PINEDO, Carlos E. Tratamentos térmicos superficiais de aços. São Paulo: Editora Blucher, 
2021. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555062212/. 
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SILVA, André Luiz V. da Costa.; MEI, Paulo Roberto. Aços e Ligas Especiais. São Paulo: 
Blucher, 2010.
SOUZA, Sérgio Augusto D. Composição química dos aços. São Paulo: Editora Blucher, 
1989. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521216490/. 
Acesso em: 15 Jun 2022.
VAN VLACK, L. H. Princípios de Ciência dos Materiais. São Paulo: Editora Blucher, 1970. 
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/176565/pdf/0. Acesso em: 10 jan. 2023.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521216490/.
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/176565/pdf/0
102
Prezado (a) aluno (a),
Neste material, tentei abordar com você os principais conceitos a respeito de ma-
teriais de construção mecânica. Tenho certeza que agora você irá conseguir relacionar as 
propriedades de um material com sua microestrutura. É como se à partir de agora você 
conseguisse observar um material com uma lente de microscópio, apenas analisando suas 
características. Quando entendemos esta relação (microestrutura – propriedades) os con-
ceitos seguintes ficam muito mais simples. 
Também, conhecemos um pouco mais sobre o processo de obtenção dos aços e 
ferros fundidos. Processos extremamente complexos que tentei sintetizar de uma maneira 
didática para você. Atrelado ao processo de obtenção, não podíamos nos esquecer do 
Diagrama Fe-Fe3C. Dentro do estudo de materiais de construção mecânica, esse diagra-
ma acaba sendo o mais importante. No entanto, é interessante que você busque outros 
diagramas, de outras ligas e vá observando os compostos formados, as fases que estão 
presentes e consiga relacionar com as característica daquele material. Ainda mais se você 
for atuar em áreas que utilizem materiais não ferrosos. 
Os materiais metálicos acabam sendo os de maior relevância em nosso estudo, 
porém, existem várias outras classes de materias e a tendência é que o conceito de susten-
tabilidade modifique cada vez mais esse cenário. A busca por materiais que não degradem 
o meio ambiente, desde sua obtenção até seu descarte, é o novo objetivo da engenharia 
de materiais. 
Lembre-se que eu apresentei os assuntos para você e agora sua missão é dar 
continuidade e se aprofundar mais. Você verá o quanto é interessante o estudo de materiais 
e como ele se relaciona com várias outras áreas da Engenharia. 
Tenho certeza que você está pronto (a) para começar a se aventurar no universo de 
seleção de materiais. Desejo sucesso em sua nova etapa.
 
Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigada!
CONCLUSÃO GERAL
ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE
 Praça Brasil , 250 - Centro
 CEP 87702 - 320
 Paranavaí - PR - Brasil 
TELEFONE (44) 3045 - 9898
	Site UniFatecie 3: 
	Botão 11: 
	Botão 10: 
	Botão 9: 
	Botão 8: 
	Unidade 1: 
	Unidade 2: 
	Button3: 
	Button4:desenvolvidos novos materiais ou então novas tecnologias 
que necessitam de novos materiais. Como assim?! Você, certamente, sabe que materiais de 
emprego comum, obviamente, não serão utilizados na fabricação de componentes vitais de 
um foguete espacial. Fui longe né? Mas trazendo para nossa realidade, depois que você 
compreende os fenômenos que ocorrem em escala atômica em determinado material, você 
é capaz de projetar com mais segurança e confiabilidade as aplicações para ele. Você conhe-
cerá os limites daquele material.
Iremos falar sobre as características gerais das classes de materiais, de suas or-
ganizações atômicas, ligações químicas, defeitos, impurezas e, por fim, sobre o processo 
de difusão.
Espero que este estudo seja interessante para você.
Vamos começar?
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA
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Os materiais sólidos são agrupados em três categorias básicas: (a) metais, (b) 
cerâmicas e (c) polímeros, uma classificação baseada sobretudo na composição química 
e na estrutura atômica. A maioria dos materiais se enquadra em um grupo distinto. Ainda, 
existem os compósitos, que são combinações de dois ou mais materiais diferentes. A seguir 
veremos as principais características de cada um.
 ● Metais: são constituídos por um ou mais elementos metálicos (ferro, alumínio, 
cobre, titânio, ouro, níquel, etc), e com frequência também pequenas quantida-
des de elementos não metálicos (carbono, nitrogênio, oxigênio, etc). Os átomos 
nos metais e nas suas ligas estão arranjados segundo uma maneira muito 
ordenada e, em comparação às cerâmicas e aos polímeros, possuem eleva-
da densidade. Em relação às características mecânicas, esses materiais são 
rígidos e resistentes, no entanto, são dúcteis (ou seja, podem sofrer grandes 
deformações sem sofrer fratura). Características que justificam seu amplo uso 
em aplicações estruturais. Os materiais metálicos possuem grande quantidade 
de elétrons livres, isto é, esses elétrons não estão ligados a nenhum átomo em 
particular. Muitas das propriedades dos metais podem ser atribuídas diretamen-
te a esse fato. (Callister e Rethwisch, 2021).
 ● Cerâmicas: são normalmente combinações de elementos metálicos com 
elementos não metálicos. Alguns exemplos são: óxidos, nitretos e carbonetos. 
Nesse grupo de materiais também estão incluídos os argilo-minerais, cimento 
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA
 1 NOÇÕES SOBRE
 ESTRUTURA,PROPRIEDADES
 E COMPORTAMENTO DE MATERIAIS 
TÓPICO
8
e os vidros. A respeito das ligações químicas, elas podem ser desde predo-
minantemente iônicas até predominantemente covalentes. As cerâmicas são 
tipicamente isolantes térmicos e elétricos, e também mais resistentes à altas 
temperaturas e a ambientes corrosivos que os metais e polímeros. Outra carac-
terística marcante é que são muito duras, porém frágeis. (Newell, 2010).
 ● Polímeros: são constituídos de macromoléculas orgânicas, sintéticas ou natu-
rais. Os plásticos e borrachas são exemplos de polímeros sintéticos, enquanto 
o couro, a seda, o chifre, o algodão, a lã, a madeira e a borracha natural são 
constituídos de macromoléculas orgânicas naturais. Sua química é baseada 
no carbono, hidrogênio e outros elementos não metálicos (isto é, O, N e Si). 
Além disso, possuem estruturas moleculares muito grandes, com frequência 
na forma de cadeias, que possuem uma estrutura composta por átomos de 
carbono. A ligação química entre átomos da cadeia é covalente, enquanto a 
ligação intercadeias é fraca, do tipo secundária. Os materiais poliméricos são 
geralmente leves, isolantes elétricos e térmicos, flexíveis e apresentam boa 
resistência à corrosão e baixa resistência ao calor. (Callister e Rethwisch,2021 
e Newell, 2010)
 ● Compósitos: Um compósito é composto por dois (ou mais) materiais de classes 
diferentes (metais, cerâmicas ou polímeros). O objetivo de projetar um compósi-
to é alcançar uma combinação de propriedades que não é exibida naturalmente 
por nenhum material isolado e também incorporar as melhores características 
de cada um dos materiais que o constitui. Um grande número de tipos de com-
pósitos sintéticos, são representados por diferentes combinações de metais, 
cerâmicas e polímeros. Todavia, alguns materiais de ocorrência natural também 
são compósitos, por exemplo, a madeira e o osso. 
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA 9
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Muitas propriedades físicas dos materiais podem ser compreendidas com o estudo 
dos arranjos atômicos que podem ser classificados em: estruturas moleculares, estruturas 
cristalinas e estruturas amorfas.
A definição de molécula a descreve como sendo um número limitado de átomos 
fortemente ligados entre si, porém, as forças de atração entre moléculas são fracas. Sendo 
assim, cada molécula está livre para agir de forma mais ou menos independente. Alguns 
exemplos bem conhecidos de moléculas, são: H2O, CO2, O2, entre outras. (Van Vlack, 1980)
Apesar das moléculas possuírem uma regularidade estrutural, a maioria dos 
materiais de interesse para a Engenharia, são formados por arranjos atômicos, denomi-
nados cristais (oriundos da estrutura cristalina). Mais adiante irei explicar sucintamente o 
que são as estruturas cristalinas. Neste momento peço que você foque sua atenção nos 
tipos de ligações atômicas que podem estar presentes tantos nas moléculas quanto nas 
estruturas cristalinas.
Os fundamentos das ligações atômicas são bem ilustrados quando imaginamos 
dois átomos isolados interagindo conforme se aproximam um do outro a partir de uma 
distância de separação. A grandes distâncias, essas interações são desprezíveis, pois os 
átomos estão muito distantes para se influenciarem, no entanto, em pequenas distâncias 
cada átomo exerce forças sobre os outros que estão ao seu redor.
Com exceção dos gases nobres (que são altamente estáveis), a maior parte dos 
outros elementos precisam de 8 elétrons na camada eletrônica mais externa, para poderem 
adquirir estabilidade. Para isso, normalmente, eles seguem um dos três mecanismos: (1) re-
cebimento de elétrons, (2) perda de elétrons e (3) compartilhamento de elétrons. As ligações 
atômicas são divididas em primárias e secundárias e iremos comentar as principais a seguir.
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA
 2 ÁTOMOS, MOLÉCULAS E
 LIGAÇÕES QUÍMICAS - 
 PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS
TÓPICO
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2.1 Ligações Primárias
i. Ligação Iônica: é um resultado da atração mútua de íons negativos e positivos. 
Este tipo de ligação encontra-se nos compostos constituídos por elementos metálicos enão 
metálicos, ou seja, elementos que estão localizados nas extremidades horizontais da tabela 
periódica. Átomos de elementos metálicos perdem com facilidade seus elétrons de valência 
para os átomos de elementos não metálicos. Observe na Figura-1, o processo de ionização 
do sólido NaCl (o sal de cozinha). (Van Vlack, 1980)
FIGURA 1 - PROCESSO DE IONIZAÇÃO DO NaCl.
Fonte: Adaptado de Van Vlack (1980 p. 26).
A Tabela 1 apresenta os valores das energias de ligação e as respectivas tempera-
turas de fusão para algumas substâncias com ligações iônicas. Perceba que o aumento da 
energia de ligação reflete em uma temperatura de fusão mais elevada. Isso está relaciona-
do com a dificuldade em romper as ligações atômicas. Os materiais cerâmicos são duros e 
frágeis e, além disso, isolantes elétricos e térmicos. Essa característica está relacionada à 
configuração eletrônica dos elementos.
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA 11
TABELA 1 - ENERGIAS DE LIGAÇÃO E TEMPERATURA DE FUSÃO PARA ALGUMAS SUBSTÂNCIAS
LIGAÇÃO IÔNICA
Substância
Energia de 
Ligação (kJ/mol)
Temperatura 
de Fusão
(°C)
NaCl 640 801
LiF 850 848
MgO 1000 2800
CaF2 1548 1418
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 30).
ii. Ligação Covalente: como falamos anteriormente, uma outra maneira de 
um átomo adquirir estabilidade (com 8 elétrons na camada de valência) é através do 
compartilhamento de elétrons. O exemplo mais simples é o que ocorre no átomo de 
hidrogênio, H2, que pode ser observado na Figura-2.
FIGURA 2 - REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DA LIGAÇÃO COVALENTE
 EM UMA MOLÉCULA DE HIDROGÊNIO (H2).
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 31).
Muitas moléculas de não metais (como o caso do H2), assim como moléculas que 
contêm átomos diferentes, tais como CH4, H2O, HNO3 e HF, estão ligadas covalentemente. 
Esse tipo de ligação também é encontrado em sólidos elementares, tais como o diamante 
(carbono) e o silício, assim como em outros compostos sólidos cuja composição inclui ele-
mentos localizados no lado direito da tabela periódica (Tabela 2). (Van Vlack, 1980)
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA 12
TABELA 2 - ENERGIAS DE LIGAÇÃO E TEMPERATURA DE FUSÃO PARA ALGUMAS SUBSTÂNCIAS
LIGAÇÃO COVALENTE
Substância Energia de 
Ligação (kJ/mol)
Temperatura 
de Fusão (°C)
Cl2 121 -102
Si 450 1410
InSb 523 942
C (diamante) 713 >3550
SiC 1230 2830
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 30).
iii. Ligação Metálica: existe um modelo proposto, relativamente simples, que se 
aproxima da configuração desse tipo de ligação e é suficiente para nossos estudos. Neste 
modelo, os elétrons de valência não estão ligados a nenhum átomo em particular no sólido 
e estão “livres” para se movimentar ao longo de todo o metal. Eles podem ser considerados 
como pertencentes ao metal como um todo, porém, formam um “mar de elétrons” ou uma 
“nuvem de elétrons” (Figura-3). Os elétrons restantes, os que não são elétrons de valência, 
juntamente com os núcleos atômicos, formam os denominados núcleos iônicos, os quais 
possuem uma carga resultante positiva (cátions) com cuja magnitude indica a carga total 
de elétrons de valência por átomo.
Vamos à uma explicação simples e didática sobre esse assunto. O arranjo atômico 
no interior da estrutura de um sólido metálico, influi diretamente nas propriedades mecâni-
cas desse metal. Já a condutividade elétrica, presente nesses materiais, estão relacionadas 
aos elétrons livres que conseguem se movimentar livremente sob a ação de um campo 
elétrico. De maneira análoga, a elevada condutividade térmica dos metais também está 
relacionada com esta mesma característica. (Callister e Rethwisch, 2021, Van Vlack, 1980)
FIGURA 3 - ILUSTRAÇÃO ESQUEMÁTICA DA LIGAÇÃO METÁLICA.
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA 13
A Tabela 3 apresenta os valores das energias de ligação e as respectivas tempera-
turas de fusão para algumas substâncias com ligações metálicas.
TABELA 3 - ENERGIAS DE LIGAÇÃO E TEMPERATURA DE FUSÃO PARA ALGUMAS SUBSTÂNCIAS
LIGAÇÃO METÁLICA
Substância
Energia de 
Ligação (kJ/mol)
Temperatura de 
Fusão
(°C)
Hg 62 -39
Al 330 660
Ag 285 962
W 850 3414
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 30).
iv. Ligações Secundárias
As ligações secundárias também são conhecidas como forças de Van der Waals, 
são ligações fracas quando comparadas às ligações primárias. Suas energias de ligação 
variam entre, aproximadamente, 4 e 30 kJ/mol. As ligações secundárias existem entre 
todos os átomos ou moléculas, mas sua presença pode ficar ofuscada se qualquer um dos 
três tipos de ligação primária estiver presente. A ligação secundária fica evidente nos gases 
inertes (nobres), que possuem estruturas eletrônicas estáveis. 
No caso do gás nobre, hélio, existem 2 elétrons na sua camada de valência, para 
outros gases nobres (neônio e argônio), esse número é igual a 8. Ou seja, eles estão estáveis 
e não tendem a formar nenhum outro tipo de ligação citada anteriormente, justamente porque 
as ligações primárias necessitam de doação, recebimento ou compartilhamento de elétrons. 
Como resultado, os átomos dos gases nobres possuem pouca atração uns pelos outros e, na 
grande maioria, esses gases permanecem monoatômicos em condições normais.
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA 14
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Para iniciar este assunto, quero te fazer uma pergunta. Você acha que o vidro da 
janela do seu quarto é “cristalino”? Do ponto de vista da estrutura atômica dos materiais, a 
resposta é não. Mas para que você consiga entender esse conceito corretamente, vamos 
falar sobre o que é uma estrutura cristalina.
Um material cristalino é aquele cujos átomos estão posicionados de acordo com 
um arranjo repetitivo ou periódico, ao longo de grandes distâncias atômicas. Ou seja, os 
materiais cristalinos exibem uma ordem de longo alcance, de forma que quando ocorre 
a solidificação, os átomos se posicionarão segundo um padrão tridimensional repetitivo. 
Logo, os metais, muitos materiais cerâmicos e pouquíssimos polímeros formam estruturas 
cristalinas sob condições normais de solidificação. Nos materiais que não se cristalizam, 
a ordem atômica de longo alcance não existe e eles são chamados de amorfos. Porém, 
retornaremos a este assunto ao final do tópico
Algumas propriedades dos sólidos cristalinos dependem dessa estrutura do material. 
Portanto, a maneira como os átomos estão organizados, irá impactar nas características do 
material. Existem inúmeros tipos de estruturas cristalinas diferentes, todas possuindo uma 
ordenação atômica de longo alcance. Porém, o foco do nosso estudo serão as estruturas 
cristalinas comumente encontradas nos metais. 
Para fins didáticos, é adotado o modelo atômico da esfera rígida que conside-
ra cada átomo como uma esfera sólida com diâmetros bem definidos.
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA
 3 ORDENAÇÃO ATÔMICA DOS
 SÓLIDOS, SÓLIDOS CRISTALINOS 
 E DESORDEM ATÔMICA NOS SÓLIDOS
TÓPICO
15
Quando vamos representar uma estrutura cristalina (você também pode se deparar 
com o termo rede cristalina), subdividimos em estruturas menores, porém, com o mesmo 
padrão. Essas estruturas menores, por sua vez, são chamadasde células unitárias. (Cal-
lister e Rethwisch, 2021, Padilha, 2000) Ou seja, uma célula unitária funciona como uma 
“representante” de toda a rede cristalina, conforme exemplo da Figura 4.
FIGURA 4 - EXEMPLO DE UMA (A) REDE CRISTALINA PARA UM MATERIAL HIPOTÉTICO E UMA 
(B) CÉLULA UNITÁRIA. A CÉLULA UNITÁRIA É UMA FRAÇÃO COM A MESMA ORGANIZAÇÃO 
ATÔMICA QUE A REDE.
Fonte: A autora (2023).
Para a maioria das estruturas cristalinas, as células unitárias possuem formatos 
convencionais como cubos e paralelepípedos. No entanto, existem estruturas com orga-
nização mais complexas que não serão abordadas neste material. Sendo assim, a célula 
unitária é uma unidade estrutural básica da estrutura cristalina e a define por meio da sua 
geometria e das posições dos átomos no seu interior. 
Os principais tipos de estruturas que encontramos nos materiais metálicos, são as 
estruturas: (a) cúbica de corpo centrado – CCC, (b) cúbica de faces centradas – CFC e (c) 
hexagonal compacta – HC.
a) Cúbica de Corpo Centrado – CCC: constituída por uma célula unitária cúbica 
em que existem átomos localizados nos oito vértices e um único átomo no centro do cubo, 
conforme Figura-5a. Na representação da Figura-5b, é possível notar que o átomo do centro 
do cubo e dos vértices, tocam uns nos outros ao longo das diagonais do cubo. Sendo assim, 
o comprimento da célula unitária a e o raio atômico R estão relacionados pela Equação 1.
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA 16
FIGURA 5 - (A) CÉLULA UNITÁRIA DA ESTRUTURA CÚBICA DE CORPO CENTRADO - CCC 
E (B) VISTA FRONTAL DE UM DOS PLANOS. PARA AS CÉLULAS UNITÁRIAS CÚBICAS, OS 
PARÂMETROS A, B E C, SÃO IGUAIS
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 46).
Você ainda precisa conhecer outras duas características importantes de uma es-
trutura cristalina. São elas: o número de coordenação e o fator de empacotamento atômico 
(FEA). O número de coordenação representa a quantidade de “vizinhos mais próximos” 
ou átomos em contato. Nas estruturas cúbicas de corpo centrado, o número de coordena-
ção é igual a 8. Já o FEA é a soma dos volumes das esferas de todos os átomos no interior 
de uma célula unitária (considerando o modelo atômico de esferas rígidas) dividida pelo 
volume da célula unitária, conforme Equação 2. Para a estrutura CCC, o FEA é igual a 0,68. 
(Callister e Rethwisch, 2021, Padilha, 2000 e Van Vlack, 1970)
Exemplos de metais com estrutura cristalina CCC: Cromo (Cr), Ferro-α (Fe-α), 
Molibdênio (Mo), Tântalo (Ta) e Tungstênio (W).
b) Cúbica de Faces Centradas: estrutura que possui uma célula unitária com geo-
metria cúbica na qual os átomos estão localizados em cada um dos vértices e nos centros 
de todas as faces do cubo, conforme Figura-6a. As esferas se tocam umas nas outras ao 
longo de uma diagonal da face (Figura-6b), cujo comprimento da aresta do cubo a e o raio 
atômico R estão relacionados pela Equação 3.
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA 17
FIGURA 6 - (A) CÉLULA UNITÁRIA DA ESTRUTURA CÚBICA DE 
FACES CENTRADAS - CFC E (B) VISTA FRONTAL DE UM DOS PLANOS.
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 43).
O número de coordenação para a estrutura CFC é igual a 12, e seu FEA corres-
ponde a 0,74.
Exemplos de metais com estrutura cristalina CFC: Alumínio (Al), Cobre (Cu), Ouro 
(Au), Chumbo (Pb), Níquel (Ni), Platina (Pt) e Prata (Ag).
b) Hexagonal Compacta: as faces superior e inferior da célula unitária são com-
postas por seis átomos (um em cada vértice), que formam hexágonos regulares e circun-
dam um único átomo central. Outro plano, que contribui com três átomos adicionais para a 
estrutura, localiza-se entre os planos superior e inferior. Os átomos do plano intermediário, 
possuem como vizinhos mais próximos os átomos nos dois planos adjacentes. A célula 
unitária pode ser observada na Figura-7.
FIGURA 7 - (A) CÉLULA UNITÁRIA DA ESTRUTURA HEXAGONAL COMPACTA - HC.
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 47).
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA 18
Para a estrutura cristalina HC, o número de coordenação e o fator de empacota-
mento atômico são os mesmos que para a estrutura CFC: 12 e 0,74, respectivamente.
Exemplos de metais com estrutura cristalina HC: Cádmio (Cd), Cobalto (Co), Titânio 
α (Ti-α) e Zinco (Zn).
Alguns elementos podem apresentar no estado sólido diferentes estruturas cristali-
nas, que é um fenômeno denominado alotropia. Estas mudanças de estruturas geralmente 
ocorrem em função de variações de temperatura e pressão. Um exemplo clássico é o caso 
do ferro puro que possui uma estrutura cristalina CCC à temperatura ambiente, que muda 
para CFC a 912ºC. Quando o sólido se trata de uma substância composta, a denominação 
utilizada é polimorfismo. (Padilha, 2000)
Até o momento, estávamos falando sobre sólidos cristalinos. Os sólidos não cristalinos 
possuem um arranjo atômico regular e sistemático com distâncias atômicas relativamente 
grandes. Esses materiais também são chamados de amorfos cujo significado é “sem forma”).
O fato de o sólido que se forma ser cristalino ou amorfo dependerá da facilidade 
com a qual sua estrutura atômica no estado líquido conseguiu se transformar em um estado 
ordenado durante a solidificação. Logo, os materiais amorfos caracterizam-se por possuí-
rem estruturas complexas que se tornam ordenadas com dificuldade. 
Os metais e alguns materiais cerâmicos, formam sólidos cristalinos, enquanto ou-
tros, como os vidros, são amorfos. Os polímeros podem ser completamente não cristalinos 
ou semicristalinos, com graus variáveis de organização. Um exemplo de comparação entre 
a estrutura de um sólido cristalino e um sólido amorfo, pode ser observado na Figura 8.
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA 19
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Quando falamos em estrutura cristalina, podemos pensar em uma estrutura bem 
estabelecida e organizada, porém, todas as redes cristalinas irão possuir defeitos. Se este 
defeito estiver localizado em um ponto específico, ele será chamado de defeito pontual e 
poderá se apresentar de três maneiras distintas: (a) lacunas, (b) defeitos substitucionais e 
(c) defeitos intersticiais.
a) Lacunas: resultado da ausência de um átomo em uma posição da rede cristali-
na. A quantidade de lacunas tende a aumentar com a elevação da temperatura, 
pois os átomos recebem mais energia e conseguem romper suas ligações.
b) Defeitos Substitucionais: neste caso, um átomo em uma posição da rede 
cristalina é substituído por um átomo de um elemento diferente. Dependendo 
do átomo substitucional e das propriedades desejadas, o defeito pode surtir 
um efeito benéfico se ele melhorar as propriedades da rede. Quando átomos 
substitucionais são intencionalmente introduzidos em um material, chamamos 
este processo de dopagem, caso contrário, será uma impureza.
c) Defeitos Intersticiais: ocorrem quando um átomo geralmente muito pequeno, 
ocupa um espaço da rede, que estaria normalmente vazio. (Newell, 2010)
Uma outra categoria de defeitos, são os defeitos de rede que possuem uma 
escala maior, pois deformam seções inteiras. Quando este for o caso, costumamos cha-
má-los de discordâncias, que por sua vez são de três tipos principais: (a) em aresta, (b) 
em hélice ou (c) mista. 
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA
 SOLUÇÕES SÓLIDAS,
 IMPUREZAS , IMPERFEIÇÕES
TÓPICO 4
20
a. Discordânciasem aresta: resultam da adição de um semiplano extra na rede 
que ao se estender é denominada linha da discordância.
b. Discordância em hélice: resulta de um corte e um deslocamento da rede de 
um espaçamento atômico.
c. Discordâncias mistas: combinação dos dois modos anteriores, com uma re-
gião de transição onde é nítida a diferença entre elas.
Os modos de discordância podem ser observados na Figura 9-a, b e c. 
FIGURA 9 - REPRESENTAÇÃO DA (A) DISCORDÂNCIA EM ARESTA, 
(B) DISCORDÂNCIA EM HÉLICE E (C) DISCORDÂNCIAS MISTAS.
Fonte: Adaptado de Newell (2010, p. 46).
Quando as discordâncias conseguem se movimentar devido à aplicação de uma 
tensão cisalhante, ocorrem rupturas das ligações entre átomos ao longo de um plano. Esse 
plano se deslocará ligeiramente e as ligações serão refeitas com átomos vizinhos, fazendo 
com que a discordância se movimente. O processo se repete resultando em um cristal de-
formado. O movimento de discordâncias através de um cristal é denominado deslizamento. 
Agora que você aprendeu sobre alguns dos tipos de defeitos, vamos falar sobre 
uma técnica para aumento da resistência e endurecimento de metais. Tal processo con-
siste na formação de ligas com átomos de impurezas que formam uma solução sólida 
substitucional ou intersticial. Nesse contexto, o procedimento é chamado aumento da 
resistência por solução sólida. Geralmente, os metais com alta pureza têm menor 
dureza e menor resistência que as ligas compostas pelo mesmo metal base. 
As ligas são mais resistentes que os metais puros porque os átomos de im-
purezas que estão participando na solução sólida normalmente impõem de-
formações de rede sobre os átomos hospedeiros vizinhos. Assim, resultam 
interações do campo de deformação da rede entre as discordâncias e esses 
átomos de impurezas, e, consequentemente, o movimento das discordâncias 
fica restrito. (CALLISTER e RETHWISCH, 2021, p. 173)
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA 21
Para explicar o efeito da presença do átomo de impureza, observe as Figuras 10-a, 
b. Se o átomo de impureza for menor do que o átomo hospedeiro que ele está substituindo, 
serão exercidas deformações de tração sobre a rede cristalina vizinha. De maneira contrá-
ria, se o átomo substitucional for maior serão impostas deformações compressivas sobre 
sua vizinhança. 
FIGURA 10 - REPRESENTAÇÃO DA (A) DEFORMAÇÃO
 DE TRAÇÃO E (B) DEFORMAÇÃO DE COMPRESSÃO.
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 174).
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Uma maneira simples de explicar o fenômeno da difusão, é através da representa-
ção por meio do contato de duas barras metálicas, de metais puros e diferentes. Suponha 
que você possui uma barra de cobre (Cu) e outra de níquel (Ni) e que elas estão encostadas 
uma na outra, conforme a Figura 11-a. As figuras seguintes, representam a esquematiza-
ção das posições dos átomos e da composição através da interface. Agora imagine que 
essas barras são aquecidas a uma temperatura elevada (porém abaixo da temperatura 
de fusão dos dois metais) durante determinado período de tempo e depois, o conjunto é 
resfriado até a temperatura ambiente. A Figura 11-b representa o resultado da combinação 
do contato + aquecimento. Repare que existem cobre e níquel puros localizados nas duas 
extremidades do par, separados por uma região onde formou-se uma liga dos dois metais. 
As concentrações de ambos os metais variam de acordo com a posição, como mostrado 
na Figura 1-b. Mas o que significa a formação desta região de liga? Os átomos de cobre 
se difundiram para o níquel, bem como os átomos de níquel se difundiram para o cobre. 
Houve uma energia térmica suficiente para movimentar alguns átomos de suas posições 
originais. O processo no qual os átomos de um metal se difundem para o interior de outro 
metal é denominado interdifusão, ou difusão de impurezas. Existe, ainda, a possibilidade 
da difusão ocorrer em metais puros, mas nesse caso todos os átomos que estão mudando 
de posição são do mesmo tipo; esse fenômeno é denominado autodifusão. (Van Vlack, 
1970; Callister e Rethwisch, 2021)
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA
 5 DIFUSÃO ATÔMICA
 E PROCESSO DE
 DIFUSÃO
TÓPICO
23
FIGURA 11 - PAR DE DIFUSÃO COBRE-NÍQUEL (A) ANTES E (B) APÓS TRATAMENTO TÉRMICO.
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 108).
Alguns processos importantes no tratamento de materiais (por exemplo, tratamento 
termoquímicos) dependem da transferência de massa (transporte de matéria) tanto no inte-
rior de um sólido específico quanto a partir de um líquido, um gás ou outra fase sólida. Isso 
só é alcançado através da difusão. (Callister e Rethwisch, 2021)
Os dois principais modelos de difusão propostos, são: 
a) Difusão por Lacunas (ou Vacâncias)
Ocorre por meio da troca de um átomo de uma posição normal da rede para 
uma posição adjacente vazia na rede cristalina (defeito pontual), conforme Figura 12-a. 
A característica primordial para que ocorra esse processo, é a presença de lacunas, e o 
alcance desse tipo de difusão está relacionado com o número de defeitos presentes; em 
temperaturas elevadas, podem existir quantidade elevadas de lacunas nos metais. Sendo 
que os átomos em difusão e as lacunas trocam de posições entre si, a difusão dos átomos 
ocorre em uma determinada direção e o movimento de lacunas acontece direção oposta. 
b) Difusão Intersticial
Já este caso, envolve átomos que migram de uma posição intersticial para uma po-
sição intersticial vizinha que esteja vazia, conforme Figura 12-b. Esse mecanismo acontece 
para a interdifusão de impurezas como o hidrogênio, carbono, nitrogênio e oxigênio (devido 
ao tamanho reduzido de seus átomos). Átomos hospedeiros ou de impurezas substitu-
cionais, não costumam se difundirem por esse mecanismo. (Van Vlack, 1970; Callister e 
Rethwisch, 2021)
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA 24
FIGURA 12 - REPRESENTAÇÃO DOS MOVIMENTOS ATÔMICOS. 
(A) DIFUSÃO POR LACUNAS E (B) DIFUSÃO INTERSTICIAL
Fonte: Adaptado de Van Vlack (1970, p. 94).
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA 25
Ainda nos primórdios dos estudos dos materiais, percebeu-se que os cálculos das resistências teóricas de 
cristais perfeitos eram muitas vezes maiores que aquelas de fato medidas. Durante a década de 1930, des-
cobriu-se que essa discrepância nas resistências mecânicas poderia ser explicada por um tipo de defeito 
cristalino linear, que foi denominado de discordância. Entretanto, apenas na década de 1950, com o auxílio 
de um microscópio eletrônico, foi provada a existência de tais defeitos, por meio da observação direta. 
Desde então, foi desenvolvida uma teoria que relaciona vários fenômenos físicos e mecânicos, e a presença 
de discordâncias nos metais.
 
Fonte: Callister e Rethwisch (2021, p. 40).
O inverno de 1850, na Rússia, foi particularmente frio, com a ocorrência de temperaturas mínimas recordes. Os 
uniformes de alguns soldados tinham botões de estanho, muitos dos quais se desfizeram devido as condições 
extremamente frias. Esse problema veio a ser conhecido como a doença do estanho.
Fonte: Callister e Rethwisch (2021, p. 20).
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Encerramos o estudo da nossa primeiraunidade na disciplina de Materiais de 
Construção Mecânica. Espero que tenha sido proveitoso e interessante para você. O mais 
importante é que você tenha compreendido a relação estreita entre ligações químicas, 
estrutura cristalina e algumas propriedades dos materiais.
Quando compreendemos a química que está por trás da ciência dos materiais, 
conseguimos visualizar a compreender características marcantes de cada material que 
nos deparamos no dia a dia. Quando percebemos que uma imperfeição presente em uma 
peça pode ser fruto de uma desordem atômica, não parece incrível como os átomos tão 
pequenos podem ser extremamente poderosos?
Complemente seus estudos com a Leitura e com o Material Complementar. Lembre-
-se que o assunto é extenso é nossa missão aqui, é debater apenas os principais aspectos.
Obrigada por ler esta unidade e em breve estaremos juntos novamente.
Até mais!
 
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA 26
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LEITURA COMPLEMENTAR
O site disponível no link abaixo, é parte de um projeto intitulado “Ciência dos Ma-
teriais no Ensino Médio e na Escola Profissionalizante”, financiado pela FINEP no Edital 
“Ciência para Todos” (2004). O projeto teve duração de ago/2005 a dez/2007 e foi desen-
volvido pelo LMDM (Laboratório de Material Didático Multimídia). Conteúdo sensacional 
que explica a disciplina com leveza e muita didática. 
https://cienciadosmateriais.org/ 
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA 27
https://cienciadosmateriais.org/
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LEITURA COMPLEMENTAR
LIVRO
Título: Ciência e Engenharia de Materiais – Uma Introdução.
Autores: William D. Callister Jr. e David G. Rethwisch
Editora: LTC
Sinopse: O livro aborda os três principais tipos de materiais 
(metais, cerâmica e polímeros) e compostos, a partir de funda-
mentos e conceitos apropriados para estudantes de gradua-
ção. Clássico indicado em diversas bibliografias, apresenta os 
conceitos a partir de uma sequência lógica, começando pelos 
temas mais simples para então, gradualmente, tratar dos as-
suntos mais complexos.
FILME / VÍDEO
Título: As 100 Maiores Descobertas da Química
Ano: 2004
Sinopse: O canal Discovery Science produziu este documentário 
onde elencou as treze principais descobertas científicas da área.
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=Iu6iRAYSJZ-
M&t=1565s 
UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA 28
https://www.youtube.com/watch?v=Iu6iRAYSJZM&t=1565s
https://www.youtube.com/watch?v=Iu6iRAYSJZM&t=1565s
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Plano de Estudos
• Metais monofásicos e Ligas.
• Deformação elástica.
• Deformação Plástica.
• Recristalização.
Objetivos da Aprendizagem
•	Entender	a	definição	de	metais	monofásicos	
 e a diferença para metais polifásicos.
• Conhecer as principais características 
 de algumas ligas comerciais ferrosas e não ferrosas.
• Compreender o conceito de deformação elástica, 
 bem como da deformação plástica.
• Pontuar as diferenças entre os tipos de deformações.
• Assimilar as etapas que envolvem o processo
 de recristalização.
•	Desenvolver	a	capacidade	de	classificar	os	processos	
 de fabricação em trabalhos a frio e a quente.
2UNIDADEUNIDADE
MICROESTRUTURAMICROESTRUTURA
E DEFORMAÇÕESE DEFORMAÇÕES
Professora Dra. Ana Caroline Crema de Almeida Fontes
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INTRODUÇÃO
Olá pessoal! Como vocês estão? 
Espero que tenham se aprofundado mais nos assuntos da Unidade I para que 
consigam assimilar da melhor maneira a Unidade II.
Aqui iremos conhecer um pouco sobre as diferenças entre os principais tipos de 
metais e ligas comerciais. Comentamos brevemente na Unidade anterior, o motivo das 
ligas possuírem propriedades distintas dos metais puros. Qual a importância das diferentes 
fases nas características de um material metálico? Deixarei uma indicação de site com 
inúmeros diagramas de fases, para que você vá se familiarizando com eles. Quando temos 
o conhecimento das mudanças de fases do metal que estamos trabalhando, passamos a 
entender em um outro nível as propriedades que cercam aquele material. 
Também iremos falar sobre os tipos de deformações (elástica e plástica), qual sua 
relação com a organização atômica e quais são alguns parâmetros obtidos no ensaio de tração.
Por fim, falaremos sobre o processo de recristalização e das etapas antecessora 
e sucessora, recuperação e crescimento de grão. Após você compreender bem o que é a 
recristalização, ficará fácil de saber o que são os trabalhos a frio e a quente.
Aproveite para acessar cada link que foi indicado nessa Unidade, tanto os relacio-
nados aos livros, vídeos e material extra. São todos de extrema importância para você se 
aprofundar no tema. Este assunto é muito extenso e aqui nós conheceremos, apenas, os 
pontos mais importantes.
Desejo a você bons estudos!
Vamos começar?
UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
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Quando nós falamos em metais monofásicos, temos de tomar cuidado para não 
confundirmos os conceitos ou deixarmos nos levar pelo nome. Metal monofásico é aquele 
que possui apenas um tipo de estrutura cristalina em sua constituição. Ele pode ser um me-
tal puro (cobre, zinco, alumínio, etc.) ou não. Quando há a adição de um segundo elemento 
(com a finalidade de melhorar as propriedades), nós teremos uma liga. Caso essa liga 
não ultrapasse o limite de solubilidade, ela será uma liga monofásica (latão, bronze, ligas 
cobre-níquel), senão, será polifásica (a maioria dos aços, ligas de titânio, ligas de alumínio, 
etc.). Portanto encontramos metais monofásicos puros e ligados. As propriedades dos me-
tais monofásicos, podem ser ajustadas por meio de deformação plástica e recristalização 
(em breve falaremos dos dois assuntos). 
Você se lembra o que é o limite de solubilidade? É a concentração máxima de 
átomos de soluto que podem se dissolver no solvente para formar uma solução sólida 
(substitucional ou intersticial). Esse ponto encontra-se em alguma temperatura específica 
e a adição de soluto além desse limite, resulta na formação de outra solução sólida, com 
uma composição fortemente diferente. Dessa maneira, teremos a formação de uma liga 
polifásica. (Van Vlack, 1970; Callister e Rethwisch, 2021)
Um exemplo de solução sólida substitucional é o sistema cobre-níquel. Esses 
elementos são completamente solúveis um no outro, em qualquer proporção. Conforme 
exibido na Figura-1, existem três regiões de fases diferentes no diagrama: campo alfa(α), campo líquido (L) e o campo bifásico α + L. O líquido (L) é uma solução líquida 
homogênea composta por cobre e níquel. A fase α é uma solução sólida substitucional 
formada por átomos de Cu e de Ni, que possui estrutura cristalina CFC. Perceba que em 
todas as composições, a única fase sólida presente, será a α, caracterizando assim, uma 
liga monofásica.
 1 METAIS 
 MONOFÁSICOS
 E LIGAS
TÓPICO
31UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
FIGURA 1 – DIAGRAMA DE FASES COBRE-NÍQUEL.
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p.229).
Porém, como já comentamos anteriormente, quando existe mais de uma fase pre-
sente no sistema, a combinação de suas propriedades será diferente e mais atrativa que as 
propriedades das fases individualmente.
Agora que já definimos o que são metais monofásicos e polifásicos, vamos co-
nhecer os tipos de ligas existentes? Lembre-se que que podem existir ligas com as duas 
classificações acima, porém, não iremos classificá-las em mono ou poli, senão teríamos 
que estudar com profundidade o diagrama de fases de cada uma delas. Mas fica a dica de 
leitura para vocês!
As ligas metálicas, de acordo com sua composição, são classificadas em duas cate-
gorias: ferrosas e não ferrosas. As ligas ferrosas possuem o ferro como principal constituinte, 
e incluem os aços e ferros fundidos. Já as ligas não ferrosas, são todas as outras que não 
são baseadas no ferro.
Aqui iremos, apenas, conhecer as nomenclaturas e principais características das li-
gas relacionadas. As ligas ferrosas serão estudadas com mais detalhes, na próxima Unidade.
32UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
A. Ligas Ferrosas
A Figura-2 apresenta as principais classificações das ligas ferrosas. Na próxima 
Unidade serão abordados com mais detalhes, os principais aspectos desses metais.
FIGURA 2 – CLASSIFICAÇÃO DE VÁRIAS LIGAS FERROSAS.
Fonte: Callister e Rethwisch (2021, p.310).
Aços: nesta categoria, existem quatro principais classificações. Na primeira, se 
encontram os Aços com Baixo Teor de Carbono, que contêm menos que 0,25%p C 
e não respondem ao tratamento térmico de têmpera. Logo, a melhoria da resistência é 
obtida por trabalho a frio. Essas ligas apresentam baixas dureza e resistência, ductilidade e 
tenacidade elevadas, são usináveis e soldáveis. Possuem baixo custo de produção.
Em seguida, estão os Aços com Médio Teor de Carbono possuem concentrações 
entre aproximadamente 0,25% e 0,60%p C. Possuem baixa temperabilidade que pode 
ser melhorada com adições de cromo, níquel e molibdênio. Essas ligas, quando tratadas 
termicamente, são mais resistentes que os aços com baixo teor de carbono, porém com 
considerável perda de ductilidade e tenacidade.
33UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
Os Aços com Alto Teor de Carbono, apresentam teores entre 0,60% e 1,4%p C, 
são os mais duros e mais resistentes, entretanto, menos dúcteis. São largamente empre-
gados em uma condição endurecida e revenida, resultando em elevada resistência ao des-
gaste e abrasão. Devido à característica de serem capazes de manter uma aresta de corte 
afiada, são utilizados para fabricação de aços-ferramenta e matrizes, contendo geralmente 
adição de cromo, vanádio, tungstênio e molibdênio. Esses elementos de liga combinam-se 
com o carbono para formar carbonetos, que são muito duros e resistentes ao desgaste.
Por fim, os Aços Inoxidáveis são altamente resistentes à corrosão em diversos 
ambientes. Seu elemento de liga predominante é o cromo que é preciso se apresentar 
em uma concentração superior 11%p Cr, para que o aço seja inoxidável. A resistência à 
corrosão também pode ser melhorada pela adição de níquel e molibdênio. Com base na 
fase predominante na microestrutura, os aços inoxidáveis são divididos em três classes: 
martensíticos, ferríticos ou austeníticos.
ii. Ferros Fundidos: são uma classe de ligas ferrosas que contêm teores acima de 
2,14%p C, porém, na prática, a maioria dos ferros fundidos contêm entre 3,0% e 4,5%p C, 
além de outros elementos ligantes. Essas ligas tornam-se completamente líquidas em tem-
peraturas entre 1150°C e 1300°C, o que é consideravelmente mais baixo que para os aços. 
Logo, são fundidos com facilidade, tornando a fundição a técnica de fabricação mais indicada 
devido ao fato de alguns ferros fundidos serem muito frágeis. Essas ligas são classificadas 
em: ferro cinzento (teores de carbono e de silício entre 2,5%p e 4,0%p e entre 1,0%p e 
3,0%p, respectivamente), ferro dúctil (adição de pequena quantidade de magnésio e/ou cé-
rio antes da fundição), ferro branco, ferro maleável (baixo teor silício, 1,0%p, para o branco 
e o maleável) e ferro fundido vermicular (carbono aparece como grafita, cuja formação é 
favorecida pela presença de silício com teor entre 1,7%p e 3,0%p).
B. Ligas Não Ferrosas
A Figura-3 apresenta a classificação das principais ligas não ferrosas. Nesta Unida-
de abordaremos apenas as mais conhecidas.
34UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
FIGURA 3 - CLASSIFICAÇÃO DAS LIGAS NÃO FERROSAS.
Fonte: Callister e Rethwisch (2021, p.321).
i. Cobre e suas Ligas: o cobre sem elementos de liga é tão macio e dúctil que é 
difícil de ser usinado e com capacidade quase ilimitada de ser trabalhado a frio. 
Altamente resistente à corrosão em diversos ambientes diferentes. A maioria 
das ligas de cobre não pode ser endurecida por tratamento térmico, logo, é 
utilizado o trabalho a frio e/ou a formação de ligas por solução sólida para a 
melhoraria das propriedades mecânicas. As ligas de cobre mais comuns são 
os latões, em que o zinco, como uma impureza substitucional, é o elemento 
de liga predominante. Alguns dos usos comuns para os latões incluem bijute-
rias, cartuchos de munição, radiadores automotivos, instrumentos musicais, 
placas de componentes eletrônicos e moedas. Os bronzes são ligas de cobre 
e outros elementos (estanho, alumínio, silício e níquel). Tais ligas são mais 
resistentes que os latões, e também são muito resistentes à corrosão. Em 
geral, elas são utilizadas quando, além de resistência à corrosão, também 
são necessárias boas propriedades de tração. Resistências elevadas são 
obtidas por tratamentos térmicos de endurecimento por precipitação. Algumas 
aplicações incluem os mancais e as buchas dos trens de pouso de aeronaves 
a jato, molas e instrumentos cirúrgicos. 
ii. Alumínio e suas Ligas: a característica marcante é uma densidade relativa-
mente baixa (2,7 g/cm3), condutividades elétrica e térmica elevadas, e resis-
tência à corrosão em alguns ambientes comuns. Podem ser conformados com 
facilidade em razão de sua ductilidade elevada. A principal limitação do alumínio 
é sua baixa temperatura de fusão (660°C) que restringe a temperatura máxima 
de suas aplicações.
35UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
iii. Magnésio e suas Ligas: a densidade é ainda inferior às ligas de alumínio, 
(por volta de 1,7 g/cm3), sendo a mais baixa entre todos os metais estruturais. 
Suas ligas são usadas onde um baixo peso é uma consideração importante 
(ex: componentes de aeronaves). Em temperatura ambiente, o magnésio e 
suas ligas possuem capacidade de deformação limitadas, pois apenas uma 
pequena intensidade de trabalho a frio pode ser imposta sem recozimento. 
Consequentemente, a maior parte da fabricação se dá por fundição ou por 
deformação a quente. O magnésio apresenta temperatura de fusão baixa 
(651°C). Quimicamente, as ligas de magnésio são instáveis e suscetíveis à 
corrosão em ambientes marinhos, entretanto, essa mesma resistência é ra-
zoavelmente boa na atmosfera normal. O pó de magnésio entra facilmente em 
ignição quando aquecido ao ar, por isso, deve-se tomar cuidado ao manusear 
esse material nesse estado.
iv. Titânio e suas ligas: são materiais de engenharia que apresentam excelente 
combinação de propriedades. O metal puro tem massa específica relativamen-
te baixa (4,5 g/cm3) e elevado ponto de fusão (1668°C).As ligas de titânio são 
extremamente resistentes, são dúcteis e podem ser forjadas e usinadas com fa-
cilidade. O titânio sem elementos de liga apresenta estrutura cristalina hexagonal 
compacta (HC), às vezes denominada como a fase α à temperatura ambiente. 
Com a adição de elementos ligantes, são obtidas outras fases que irão influenciar 
nas propriedades das ligas. (Callister e Rethwisch, 2021).
Existem ainda uma série de outras ligas não ferrosas que não foram comentadas 
aqui. Leia as referências desta Unidade e complemente seus estudos se aprofundando 
mais nas características de cada tipo de metal.
36UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
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O grau com que um material se deformará, irá depender da magnitude da tensão 
imposta. Para a maioria dos metais, ou dos materiais cristalinos, submetidos a uma peque-
na tensão de tração, a tensão (σ) e a deformação (Ɛ) serão proporcionais entre si segundo 
a Equação 1, conhecida como Lei de Hooke:
A relação acima, depende do Módulo de Elasticidade (ou Módulo de Young), E do 
material. A Tabela 1 apresenta alguns exemplos de E, para materiais conhecidos. 
TABELA 1 - VALORES DE MÓDULO DE ELASTICIDADE, EM GPA, PARA ALGUNS METAIS
Metal
Módulo de Elasticidade 
(E), GPa
Alumínio 69
Latão 97
Cobre 110
Magnésio 45
Níquel 207
Aço 207
Titânio 107
Tungstênio 407
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 131).
 2 DEFORMAÇÃO
 ELÁSTICA
TÓPICO
37UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
Apenas quando o processo de deformação em que a tensão e a deformação são 
proporcionais, podemos chamar de deformação elástica. Observe o gráfico da tensão 
em função da deformação, na Figura-4, que resulta em uma reta. A inclinação dessa reta 
corresponderá ao módulo de elasticidade E. Uma descrição desse módulo, é que ele pode 
ser considerado como a rigidez, ou a resistência do material à deformação elástica e é uma 
característica do metal. Ou seja, quanto maior o valor de E, mais rígido será o material, ou 
menor será a deformação elástica resultante da aplicação de uma dada tensão. A defor-
mação elástica não é permanente, pois, quando a tensão aplicada é liberada, o material 
retorna à sua forma original. Esse é um importante parâmetro de projeto empregado para 
calcular deflexões elásticas. (Callister e Rethwisch, 2021 e Padilha, 2000)
FIGURA 4 - DIAGRAMA ESQUEMÁTICO TENSÃO-DEFORMAÇÃO
 MOSTRANDO A REGIÃO DE DEFORMAÇÃO ELÁSTICA.
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 131).
Em uma escala atômica, a deformação elástica que conseguimos observar, 
inicia-se como pequenas alterações no espaçamento interatômico e no estiramento 
das ligações interatômicas.
Os valores para os módulos de elasticidade dos materiais cerâmicos são próximos 
ao dos metais e para os polímeros, são menores. Essas diferenças são consequências dos 
diferentes tipos de ligações atômicas nos três tipos de materiais. Como estamos falando em 
ligações atômicas, é de se esperar que o módulo de elasticidade diminua com o aumento 
da temperatura. (Callister e Rethwisch, 2021 e Van Vlack, 1970).
38UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
De maneira análoga, a aplicação de tensões de compressão, cisalhamento (Figu-
ra-5) ou torção também induzirão a um comportamento elástico. 
FIGURA 5 - REPRESENTAÇÕES DO COMPORTAMENTO DOS ÁTOMOS EM UMA ESTRUTURA 
CRISTALINA, (A) NO ESTADO SEM DEFORMAÇÕES, (B) COM A APLICAÇÃO DE UMA TENSÃO 
DE TRAÇÃO, (C) COM A APLICAÇÃO DE UMA TENSÃO DE COMPRESSÃO E (D) SUBMETIDO À 
UMA TENSÃO DE CISALHAMENTO.
Fonte: Adaptado de Van Vlack (1970, p. 153).
Para obtermos a deformação elástica de cisalhamento (γ), utilizamos a tangente de 
cisalhamento α, conforme Equação 2:
Com isso, conseguimos calcular o módulo de cisalhamento (G), que é a relação entre 
a tensão de cisalhamento (𝜏) e a deformação de cisalhamento (γ), conforme Equação 3:
A Tabela 2 apresenta os valores de Módulo de Cisalhamento, em GPa, para alguns 
metais conhecidos.
39UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
TABELA 2 - VALORES DE MÓDULO DE CISALHAMENTO, EM GPA, PARA ALGUNS METAIS.
Metal Módulo de Cisalhamento (G), GPa
Alumínio 25
Latão 37
Cobre 46
Magnésio 17
Níquel 76
Aço 83
Titânio 45
Tungstênio 160
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p. 131).
Podemos relacionar o Módulo de Elasticidade com o Módulo de Cisalhamento, 
através da Equação 4:
O parâmetro ν, Coeficiente de Poisson, geralmente está entre 0,25 e 0,50, portanto, 
o valor de G pode ser estimado como, aproximadamente, 35% do E. (Van Vlack, 1970 e 
Padilha, 2000).
40UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
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Grande parte dos materiais metálicos, apresentam um regime de deformação 
elástica apenas até deformações de aproximadamente 0,005. Continuando a deformação 
do material além desse ponto, a tensão não é mais proporcional à deformação (a lei de 
Hooke deixa de ser aplicável), e ocorre uma deformação permanente, não recuperável, ou 
deformação plástica. A transição do regime elástico para o plástico, normalmente, é gradual 
e ocorre uma curvatura no início da deformação plástica, que aumenta conforme ocorre o 
aumento da tensão. Na Figura-6 você pode observar um exemplo de curva tensão-defor-
mação em tração até a região plástica para um metal hipotético.
A deformação plástica corresponde ao rompimento das ligações entre átomos 
vizinhos, seguida pela formação de novas ligações com outros átomos vizinhos, à medida 
que um grande número de átomos se movem uns em relação aos outros. Mesmo após a 
remoção da tensão, eles não retornam às suas posições originais. Nos sólidos cristalinos, 
a deformação ocorre através de um processo chamado escorregamento, que envolve o 
movimento de discordâncias.
Quanto um sistema/componente mecânico é projetado, é necessário assegurar 
que ocorra apenas deformação elástica quando uma tensão for aplicada. Caso contrário, o 
material poderá sofrer uma deformação permanente e pode não ser capaz de funcionar de 
acordo com o projeto. Por esse motivo, o(a) Engenheiro(a) deve saber o nível de tensão no 
qual tem início a deformação plástica, ou no qual ocorre o fenômeno do escoamento. 
 3 DEFORMAÇÃO
 PLÁSTICA
TÓPICO
41UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
Para metais que apresentam uma transição progressiva de deformação elástica 
para deformação plástica, o ponto de escoamento pode ser determinado como aquele onde 
ocorre o afastamento inicial da linearidade na curva tensão-deformação. Esse ponto pode 
ser chamado de limite de proporcionalidade, (ponto P na Figura-6), e representa o início 
da deformação plástica ao nível microscópico. Devidoa dificuldade em medir a posição do 
ponto P, estabeleceu-se uma convenção na qual uma linha reta é traçada paralelamente 
à porção elástica da curva tensão-deformação em alguma pré-deformação especificada, 
usualmente igual a 0,002. A tensão correspondente à interseção dessa linha com a curva 
tensão-deformação conforme esta se inclina na região plástica é definida como o limite de 
escoamento, σl, que é medido em MPa.
FIGURA 6 - (A) COMPORTAMENTO TENSÃO-DEFORMAÇÃO PARA UM METAL INDICANDO OS 
CAMPOS DE DEFORMAÇÃO ELÁSTICA E PLÁSTICA, O LIMITE DE PROPORCIONALIDADE P E A 
RESISTÊNCIA AO ESCOAMENTO , ATRAVÉS DO MÉTODO DA PRÉ-DEFORMAÇÃO DE 0,002. 
(B) COMPORTAMENTO TENSÃO-DEFORMAÇÃO DE ALGUNS AÇOS QUE EXIBEM O FENÔMENO 
DO PONTO DE ESCOAMENTO.
Fonte: Adaptado de Callister e Rethwisch (2021, p.136).
42UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
Alguns materiais podem possuir região elástica não linear, nesse caso, a aplicação 
do método da pré-deformação não é possível, e a prática usual consiste em definir o limite 
de escoamento como a tensão necessária para produzir uma determinada quantidade de 
deformação (por exemplo, ε = 0,005).
Outra situação que pode ocorrer, é que para alguns aços e outros materiais o com-
portamento tensão-deformação em tração, seja similar ao mostrado na Figura 6-b. A tran-
sição elastoplástica é bem definida, conforme pode ser observado na imagem. No entanto, 
a deformação plástica inicia no limite de escoamento superior, ocorrendo uma diminuição 
aparente na tensão de engenharia. A deformação a seguir flutua ao redor de algum valor de 
tensão constante, denominado limite de escoamento inferior. Como consequencia, a tensão 
aumenta devido ao aumento da deformação. Para os metais que exibem esse efeito, o limite 
de escoamento é padronizado como a tensão média associada ao limite de escoamento 
inferior. Dessa forma, para esses materiais não é utiliza-se o método da pré-deformação.
Após o escoamento, a tensão necessária para continuar a deformação plástica nos 
metais aumenta até um valor máximo, o ponto M na Figura-7, e então diminui até a posterior 
fratura do material, no ponto F. O limite de resistência à tração, LRT (MPa), é a tensão no 
ponto máximo da curva tensão-deformação de engenharia e corresponde à tensão máxima 
suportada por uma estrutura sob tração. Ou seja, se essa tensão for aplicada e mantida, 
ocorrerá fratura. Toda deformação até esse ponto está uniformemente distribuída por toda a 
região estreita do corpo de prova de tração. Contudo, nessa tensão máxima, uma pequena 
constrição, ou pescoço, começa a se formar em algum ponto e esse fenômeno é denomi-
nado estricção (empescoçamento), e a fratura tem lugar nesse pescoço. A resistência à 
fratura corresponde à tensão no ponto de ruptura.
Quando você ver a resistência de um metal citada para fins de projeto, é sobre o 
limite de escoamento que está sendo falado, pois, no momento em que a tensão correspon-
dente ao limite de resistência à tração chega a ser aplicada, com frequência uma estrutura 
já sofreu tamanha deformação plástica que já perdeu sua função. 
43UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
FIGURA 7 - CURVA TENSÃO-DEFORMAÇÃO DE ENGENHARIA ATÉ A FRATURA, PONTO F. O 
LIMITE DE RESISTÊNCIA À TRAÇÃO LRT ESTÁ INDICADO PELO PONTO M. OS DETALHES DENTRO 
DOS CÍRCULOS REPRESENTAM A GEOMETRIA DO CORPO DE PROVA SOFRENDO A ESTRICÇÃO.
Fonte: Callister e Rethwisch (2021, p.137).
44UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
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Quando um metal é trabalhado a frio (plasticamente deformado), seus cristais 
possuem mais energia do que os cristais de um mesmo material não deformado. Isso se 
deve ao fato de serem inseridas discordâncias e outros tipos de imperfeições, no interior do 
cristal, elevando o nível das energias de deformações. 
Agora suponha que esse metal que foi deformado a frio, seja submetido a um 
tratamento térmico para alívio de tensões. Esse tratamento é conhecido por recozimento. 
Tal processo oferece condições adequadas para que os cristais deformados se rearranjem 
de uma forma perfeita e não deformada. Durante o início do tratamento, até determinada 
faixa de temperatura (característica para cada metal), ocorrerá o que chamamos de 
recuperação. Nesse estágio não ocorre nenhuma mudança microestrutural visível, porém, 
a mobilidade atômica é suficiente para iniciar o alívio de tensões. Ou seja, uma parcela 
da energia de deformação interna armazenada é liberada em virtude do movimento das 
discordâncias como resultado da maior difusão atômica em temperaturas mais elevadas. 
Observe na Figura-8 a faixa de recuperação para determinado tipo de latão. 
Prosseguindo com a elevação da temperatura de tratamento térmico, o material 
entrará na faixa de recristalização onde ocorrerá a formação de um novo conjunto de 
grãos livres de deformação. Isso significa que eles possuirão um aspecto relativamente 
homogêneo, com baixas densidades de discordâncias e com características das condições 
anteriores ao trabalho a frio. Logo, as propriedades mecânicas alteradas durante o trabalho 
a frio, são restauradas aos valores prévios (o metal torna-se menos resistente com dureza 
reduzida, porém, mais dúctil). (Van Vlack, 1970; Callister e Rethwisch, 2021).
A fração de material recristalizado irá aumentar com o tempo que, juntamente, com 
a temperatura são os parâmetros responsáveis pelos efeitos desse processo. Essa relação 
pode ser observada na Figura-8, que, para um tempo constante de tratamento térmico de 
1 h, mostra a queda do limite de resistência à tração e o aumento da ductilidade em função 
da temperatura de tratamento térmico para um tipo de latão. 
 4 RECRISTALIZAÇÃO
TÓPICO
45UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
O comportamento da recristalização de um material metálico pode ser especifi-
cado em termos de uma temperatura de recristalização, que é a temperatura na qual a 
recristalização termina em exatamente 1 h. Dessa forma, a temperatura de recristalização 
para o latão mostrado na Figura-8, é de aproximadamente 450ºC (temperatura em que os 
grãos apresentam aspecto homogêneo). Geralmente, a temperatura de recristalização será 
por volta de um terço a metade da temperatura de fusão do metal ou liga. Outros fatores 
também influenciam essa característica, como: quantidade de trabalho a frio a que o ma-
terial foi submetido e se estamos tratando de um metal puro ou de uma liga. Por exemplo, 
quanto mais elevada a porcentagem de trabalho a frio, maior será a taxa de recristalização, 
resultando em uma redução da temperatura de recristalização, que tenderá a um valor 
constante em condições de deformações elevadas. 
FIGURA 8 – VARIAÇÃO DO LIMITE DE RESISTÊNCIA À TRAÇÃO E DA DUCTILIDADE DE 
UM LATÃO, EM RELAÇÃO À TEMPERATURA DE RECOZIMENTO (PARA UM TEMPO DE 
TRATAMENTO TÉRMICO DE 1 H). NA FIGURA, APARECE A EVOLUÇÃO DO 
TAMANHO DE GRÃO EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA DE RECOZIMENTO. 
Fonte: Callister e Rethwisch (2021, p.180).
46UNIDADE 2 MICROESTRUTURA E DEFORMAÇÕES
Ainda, a recristalização acontece mais rapidamente nos metais puros do que nas 
ligas. Durante a recristalização, ocorre o rearranjo ou difusão dos átomos, que irão segregar 
preferencialmente nos contornos de grão recristalizados, restringindo suas mobilidades. 
Isso resulta em uma

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