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1 PRISÃO 
Trata-se da privação da liberdade, direito garantido pela Constituição Federal, mas que 
pode ser restringido em razão de condutas ilícitas. Existem diferentes modalidades de 
prisão: a prisão-pena (ou condenatória) e as prisões cautelares (em flagrante, preventiva 
e temporária). 
 
2 PRISÃO PENA 
A prisão-pena ocorre após o trânsito em julgado da sentença condenatória, marcando o 
início do cumprimento da pena. A regra é que a prisão condenatória só pode ocorrer após 
o trânsito em julgado. A única exceção é a condenação pelo Tribunal do Júri, que julga 
crimes dolosos contra a vida. Nesses casos, é possível a execução provisória da pena 
imediatamente após o veredito, independentemente da duração da pena, devido à 
soberania dos veredictos do Júri. 
 
3 PRISÃO CAUTELAR 
Ass prisões cautelares ou provisórias (prisão em flagrante, preventiva e temporária) são 
medidas aplicadas durante a persecução penal, ou seja, nas fases de investigação e ação 
penal, antes da sentença definitiva. Elas não têm caráter punitivo, mas visam garantir a 
eficácia do processo penal. A prisão domiciliar, por sua vez, é uma forma de cumprimento 
da prisão preventiva, não sendo considerada uma modalidade autônoma. 
 
3.1 Prisão Temporária 
É uma medida cautelar prevista na Lei nº 7.960/89, aplicada exclusivamente durante a 
fase investigatória da persecução penal, ou seja, no inquérito policial ou antes da 
formalização da ação penal (fase pré-processual). Possui prazo de cinco dias, podendo 
ser prorrogado por mais cinco dias, e em caso de crimes hediondos ou equiparados, o 
prazo será de 30 dias, podendo ser prorrogável. 
 
Apenas pode ser decretada quando for: a) imprescindível para as investigações do 
inquérito policial; b) haver fundadas razões de autoria ou participação do indiciado; c) 
estar justificada em fatos novos ou contemporâneos; d) ser necessária e adequada à 
gravidade concreta do crime, às circunstâncias do fato e às condições pessoais do 
indiciado; e) não ser suficiente a imposição de medidas cautelares diversas da prisão. 
 
 
3.1 Prisão preventiva 
Somente pode ser decretada por juiz, mediante requerimento da autoridade policial, do 
Ministério Público, do querelante (vítima em ação penal privada) ou do assistente (vítima 
em ação penal pública). Ela não pode ser decretada de ofício e pode ser aplicada em 
qualquer fase da persecução penal — tanto na investigação quanto na ação penal — 
desde que presentes os requisitos legais e os fundamentos previstos nos artigos 312 e 
313 do CPP. 
 
É necessário que estejam presentes três elementos: o fumus comissi delicti (prova da 
existência do crime e indícios suficientes de autoria), o periculum libertatis (perigo gerado 
pela liberdade do imputado, como risco à ordem pública, à ordem econômica, à instrução 
criminal ou à aplicação da lei penal), e a demonstração de que não é cabível a 
substituição por outra medida cautelar diversa da prisão, conforme o artigo 282, §6º do 
CPP. Por isso, a prisão preventiva é considerada uma medida de última ratio, devendo o 
juiz fundamentar a impossibilidade de aplicar medidas alternativas. 
 
Pode ser decretada com base em quatro fundamentos: 
 
Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da 
ordem pública, por conveniência da instrução criminal ou para 
assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova de 
existência do crime e indícios suficientes da autoria. 
 
A prisão preventiva não possui prazo determinado, mas a obrigação de revisar a prisão 
preventiva a cada 90 dias se estende até o fim do processo de conhecimento, sendo 
responsabilidade do juiz da instância que estiver com o caso no momento, podendo ser 
realizada mediante ofício para a manutenção. 
 
3.3 Prisão em Flagrante 
Ocorre quando alguém é surpreendido cometendo um crime ou logo após sua prática, 
dispensando autorização judicial. Qualquer pessoa pode realizar a captura, mas apenas o 
delegado de polícia pode lavrar o auto de prisão em flagrante (APF), formalizando a 
prisão e instaurando o inquérito policial com o indiciamento do preso. 
 
Essa modalidade cumpre funções importantes: evitar a fuga do agente, impedir a 
consumação do crime, garantir a imediata coleta de provas e preservar a integridade 
física do preso diante de possíveis reações populares. 
 
Ademais, existem três espécies principais de flagrante: a) o flagrante próprio, que ocorre 
durante ou imediatamente após o crime; b) o flagrante impróprio, caracterizado pela 
perseguição contínua iniciada logo após o delito; c) e o flagrante presumido, quando o 
agente é encontrado com elementos que indicam sua autoria. 
 
Além das hipóteses previstas no artigo 302 do CPP, a doutrina reconhece outras espécies 
de flagrante lícito: a) flagrante presumido, ocorre quando a polícia aguarda o início do 
crime previamente informado para prender, devendo ocorrer durante os atos executórios. ; 
b) flagrante prorrogado, ocorre quando a polícia retarda a prisão para capturar mais 
envolvidos ou reunir mais provas; c) flagrante preparado, ocorre quando a polícia induz o 
agente à prática do crime para prendê-lo; d) flagrante forjado, ocorre quando as provas 
são fraudadas ou plantadas para justificar a prisão; e) flagrante permanente, ocorre 
quando a consumação do crime se prolonga no tempo. 
 
4 PRISÃO DOMICILIAR 
O acusado cumpre a medida em sua residência, sem poder sair durante o dia, salvo com 
autorização judicial. Ela não se confunde com o recolhimento domiciliar noturno, que 
permite saídas diurnas. Prevista no artigo 317 do CPP, essa modalidade tem natureza 
cautelar e humanitária, sendo aplicada quando presentes os requisitos da prisão 
preventiva e as hipóteses do artigo 313 do CPP. 
 
No CPP, a prisão domiciliar é substitutiva da prisão preventiva e pode ocorrer durante o 
inquérito ou a ação penal. 
 
O artigo 318 do CPP permite a substituição da prisão preventiva por domiciliar quando o 
agente for: a) maior de 80 anos, extremamente debilitado por doença grave; b) 
imprescindível aos cuidados de pessoa menor de 6 anos ou com deficiência; c) gestante; 
d) mulher com filho de até 12 anos incompletos; e) homem que seja o único responsável 
por filho nessa faixa etária. A defesa deve comprovar essas condições com prova idônea.

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