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MÉTODO FGV - DIREITO CIVIL: PASSO A PASSO PARA TODA QUESTÃO Faça isso em TODA questão, SEM FALHA: 1 PASSO 1 – LEITURA SELETIVA & MARCAÇÃO Regra de Ouro: "Quem não marca, erra!" Leia 2x e sublinhe: PALAVRAS PERIGOSAS - 90% ERRADAS: SEMPRE, NUNCA, TODO, NENHUM, APENAS, SOMENTE, OBRIGATORIAMENTE, EM QUALQUER CASO → Alternativa com isso = suspeita. Elimine se for absoluta. PALAVRAS-CHAVE DE MUDANÇA DE REGRA: MAS, PORÉM, AINDA QUE, MESMO QUE, SALVO SE, DESDE QUE, EXCETO → É aqui que a FGV esconde a exceção. A regra vale, MAS... vem o pulo do gato. PALAVRAS DE CLASSIFICAÇÃO: NULO / ANULÁVEL | PRESCRIÇÃO / DECADÊNCIA | SUBJETIVA / OBJETIVA | POSSE / PROPRIEDADE → Se definiu o instituto, já tem 50% da questão. 2 PASSO 2 – CLASSIFIQUE O INSTITUTO EM 2 SEGUNDOS Olhe o fato e encaixe: • PARTE GERAL→ Menor, incapaz, erro, dolo, coação, simulação, prazo, nulo, anulável, condição, termo. • Pergunta-chave: É VÁLIDO, NULO OU ANULÁVEL? • OBRIGAÇÕES→ Dívida, pagamento, solidariedade, divisibilidade, compensação, novação, cessão, mora, cláusula penal. Pergunta-chave: QUEM PODE COBRAR / QUEM DEVE PAGAR? • CONTRATOS→ Compra e venda, locação, doação, empreitada, evicção, vícios, benfeitorias. Pergunta-chave: CUMPRIU OU DESCUMPRIU? QUAIS OS EFEITOS? • COISAS→ Posse, propriedade, usucapião, servidão, hipoteca, penhor, anticrese. Pergunta-chave: QUEM TEM O PODER DE FATO / QUEM É O DONO NO PAPEL? 3 PASSO 3 – FILTRO DE ERRO: O SEGREDO DA FGV Use na ordem: 1. FILTRO DO "MEIO CERTO": Começa com a regra certa, termina com detalhe errado. Ex: "Usucapião especial urbana é 10 anos, mas exige justo título"→ Começa certo, termina errado. ERRADA! 2. FILTRO REGRA vs EXCEÇÃO: Se a questão NÃO trouxe situação especial→ MARQUE A REGRA GERAL. Ex: "Quem escolhe na obrigação alternativa?"→ Regra = Devedor. Se não disse nada, é ele. 3. FILTRO DE CONTRADIÇÃO: Se contrariar princípio básico→ ERRADA. Ex: "Posse só existe com título"→ Contraria: Posse é fato. ERRADA. 4 PASSO 4 – SE TIVER DÚVIDA Escolha nesta ordem: 1. A mais justa / razoável. 2. A que traz a regra geral do Carlos Roberto Gonçalves. 3. A que não inventa exceções. MACETES ESPECÍFICOS – PARTE GERAL NULO vs ANULÁVEL - A MAIS COBRADA MACETE: • NULO: Viola lei / ordem pública / falta elemento essencial→ Não produz efeitos, não convalida, pode ser alegado por qualquer interessado e pelo juiz de ofício. PRAZO: IMPRESCRITÍVEL. • ANULÁVEL: Vício de vontade / incapacidade relativa→ Produz efeitos até ser anulado, só o interessado pode alegar. PRAZO: 4 ANOS. Frase: "Nulo = Nasce morto. Anulável = Nasce doente, pode morrer." PRESCRIÇÃO vs DECADÊNCIA MACETE: • PRESCRIÇÃO: Perde a PRETENSÃO - direito de exigir em juízo. Prazo geral: 10 anos. Conta da violação do direito. Interrompe e suspende. • DECADÊNCIA: Perde o PRÓPRIO DIREITO POTESTATIVO. Conta do ato ou do conhecimento. Em regra não interrompe nem suspende. Erro comum FGV: "Prazo de decadência conta da descoberta do vício"→ ERRADO para anulação de negócio jurídico: conta da celebração. Art. 178 CC. CONDIÇÃO, TERMO, ENCARGO MACETE: • CONDIÇÃO: Evento futuro e INCERTO. "SE chover..." • TERMO: Evento futuro e CERTO. "DIA 10/12..." • ENCARGO/MODO: Ônus em liberalidade. "Te dou a casa, DESDE QUE cuide da minha mãe". • Condição puramente potestativa = depende só do arbítrio de uma parte→ NULA. Art. 122 CC. ⚖ MACETES ESPECÍFICOS – OBRIGAÇÕES SOLIDARIEDADE vs DIVISIBILIDADE FRASE MÁGICA: "Solidário = Um por todos, todos por um. Credor cobra o total de qualquer um." "Indivisível = A coisa não se divide. Todos têm que entregar junto." Macete: • Dívida solidária: Pagamento por um libera todos. Morte de um devedor solidário: a dívida se divide entre os herdeiros, mas cada herdeiro só responde até o limite da sua quota hereditária. Art. 276 CC. • Obrigação indivisível: Pagamento tem que ser conjunto, salvo se um pagar tudo. EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES COMO IDENTIFICAR: • COMPENSAÇÃO: Dívidas líquidas, vencidas, de coisas fungíveis entre as mesmas partes. "Te devo, me deve = Abate". • NOVAÇÃO: Cria nova dívida para extinguir a anterior. "Troca a dívida, apaga a antiga". • CESSÃO DE CRÉDITO: Credor transfere seu direito. Só tem eficácia contra o devedor se ele for notificado. Art. 290 CC. MORA REGRA PRÁTICA: • DEVEDOR EM MORA: Atrasou→ Paga juros, multa, correção e responde até por caso fortuito/força maior, salvo se provar que o dano ocorreria mesmo se tivesse cumprido. Art. 399 CC. • CREDOR EM MORA: Recusou receber sem justo motivo→ Devedor não responde mais por riscos, credor paga despesas de conservação. MACETES ESPECÍFICOS – CONTRATOS FORMA DO CONTRATO MACETE: • REGRA: Liberdade das formas. Verbal vale! Art. 107 CC. • EXCEÇÃO: Lei exige forma especial. Ex: Imóvel > 30 salários mínimos, doação, testamento, pacto antenupcial. Exigem escritura pública. "Contrato particular de imóvel vale entre as partes, mas para registrar no cartório precisa de escritura pública." COMPRA E VENDA – EVICÇÃO & VÍCIOS DIFERENÇA QUE CAI SEMPRE: • EVICÇÃO: Perda da coisa por decisão judicial ou ato administrativo que reconhece direito de terceiro anterior.→ Perde o bem. Vendedor indeniza. • VÍCIO REDIBITÓRIO: Defeito oculto que torna a coisa imprópria ou diminui o valor.→ Fica com bem defeituoso. Pode rejeitar ou pedir abatimento. Macete: "Evicção = Perdi pro dono de verdade. Vício = Veio com defeito." BENFEITORIAS - LOCAÇÃO / POSSE DECORE A TABELA: Tipo O que é Possuidor de boa-fé Possuidor de má-fé NECESSÁRIAS Conservam o bem Indeniza + Retenção Indeniza ÚTEIS Melhoram o uso Indeniza + Retenção Nada VOLUPTUÁRIAS Mero luxo/deleite Pode levantar Pode levantar Erro comum: "Toda benfeitoria deve ser indenizada"→ ERRADO. EMPREITADA REGRA: "Empreiteiro responde pela solidez e segurança da obra por 5 anos". Art. 618 CC. Macete: "Obra diferente do combinado = Dono pode recusar ou exigir abatimento." MACETES ESPECÍFICOS – DIREITO DAS COISAS POSSE vs PROPRIEDADE FRASE DE OURO: "POSSE = FATO: Quem usa, quem está lá. PROPRIEDADE = DIREITO: Quem tem o nome no registro." Macete: • Pode ter posse sem ser dono. Ex: Locatário. • Pode ser dono sem ter posse. Ex: Proprietário que alugou. • DETENÇÃO: Exerce em nome de outro e em cumprimento de ordens. Ex: Caseiro.→ NÃO É POSSE. Art. 1.198 CC. USUCAPIÃO – PRAZOS CORRIGIDOS DECORE OS PRINCIPAIS: • ESPECIAL URBANA: 5 ANOS, até 250m², moradia própria, não ser dono de outro imóvel. Art. 1.240 CC. • ORDINÁRIA: 10 ANOS, com justo título + boa-fé. Cai para 5 anos se houver moradia ou investimento social/econômico. Art. 1.242 CC. • EXTRAORDINÁRIA: 15 ANOS, só posse. Cai para 10 anos se houver moradia ou obras. Art. 1.238 CC. Macete: "5 anos = Especial. 10 anos = Ordinária com título. 15 anos = Extraordinária sem nada." DIREITOS REAIS DE GARANTIA DIFERENÇA RÁPIDA: • HIPOTECA: Recai sobre imóveis. Bem continua com o devedor. Tem direito de sequela→ Persegue o bem com quem estiver. • PENHOR: Recai sobre móveis. Bem vai para o credor. Credor não pode usar, sob pena de responder por perdas e danos. Art. 1.435 CC. • ANTICRESE: Credor retém imóvel e recebe os frutos para pagar a dívida. SERVIDÃO DE PASSAGEM REGRA: Prédio ENCRAVADO sem acesso à via pública→ Tem direito à passagem forçada pelo vizinho, mediante indenização. Art. 1.285 CC. Macete: "Propriedade obriga. Se não tem saída, vizinho tem que dar passagem." PEGADINHAS MAIS FREQUENTES DA FGV - CORRIGIDAS 1. "Contrato só vale se for escrito" → ERRADO. Regra geral é liberdade de forma. Art. 107 CC. 2. "Posse só existe com justo título" → ERRADO. Posse é fato, independe de título. Art. 1.196 CC. 3. "Prazo para anular negócio por vício de vontade começa quando descobrir o erro" → ERRADO. Decadência de 4 anos conta da celebração. Art. 178 CC. 4.o testamento B) Reduzir a disposição excessiva para o limite de 50%, mantendo o resto C) Manter como está, pois é vontade do falecido D) Anular apenas a parte que deixou para os amigos Gabarito: B Comentário: Fredie Didier – Art. 1.846 CC: havendo herdeiros necessários, a parte disponível é de 50%. Qualquer disposição que ultrapasse esse limite é reduzida ao valor permitido, não é nula. O amigo receberá o máximo permitido (50%), e os filhos recebem a legítima obrigatória (50%). Carlos Roberto Gonçalves – A redução de legítima é instituição que protege os herdeiros necessários sem desrespeitar totalmente a vontade do testador; o ato é válido, apenas excessivo. Daniel Amorim – A ordem é: respeita-se a legítima, o que sobra pode ser disposto livremente. Questão 23 – OAB XLI/2024 Enunciado: João foi acusado e condenado por tentativa de homicídio contra seu pai, que veio a falecer posteriormente por causas naturais. Na abertura da sucessão, João pede sua parte na herança. Deve ser atendido? A) Sim, pois foi só tentativa e a morte foi por outro motivo B) Não, é indigno, perde o direito de herdar, mas mantém o direito de representação C) Não, é indigno, perde todo e qualquer direito sucessório, inclusive representaçãoD) Sim, mas recebe menos que os irmãos Gabarito: C Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.814 CC: comete indignidade sucessória quem atentar contra a vida ou a liberdade do autor da herança, ainda que não consumado o crime ou que a morte tenha causa diversa. A consequência é a perda total do direito à herança, inclusive o direito de representação. Daniel Amorim – A indignidade é sanção civil por violação grave do dever familiar; independe do resultado morte, basta a prática do ato criminoso contra o ascendente. Fredie Didier – Ele é tratado como se tivesse morrido antes do pai; seus filhos NÃO herdam por ele, diferente da deserdação. Questão 24 – OAB XXXIX/2023 Enunciado: Um homem faleceu sem deixar descendentes. Era casado em comunhão parcial de bens. Deixou o cônjuge sobrevivente e seus pais vivos. Como se dá a partilha da herança? A) Cônjuge fica com tudo, pais não herdam B) Cônjuge fica com 1/4, pais com 3/4 C) Cônjuge concorre com os pais, recebendo metade da herança; a outra metade para os pais D) Cônjuge recebe apenas o que era seu, herança toda para os pais Gabarito: C Comentário: Daniel Amorim – Art. 1.836 CC: na falta de descendentes, o cônjuge sobrevivente concorre com os ascendentes. A distribuição é: metade para o cônjuge, metade para os pais (ou um deles, se apenas um sobreviver). Carlos Roberto Gonçalves – Regra importante: cônjuge só não herda na presença de descendentes diretos; 30 Questões Comentadas – Direito Civil (1ª Fase OAB) Temas: Parte Geral, Obrigações, Contratos, Direito das Coisas | Comentários conforme Carlos Roberto Gonçalves, Fredie Didier Jr. e Daniel Amorim BLOCO 1 – PARTE GERAL (Questões 1 a 7) Questão 1 – Negócio Jurídico / Elementos / Validade Prova: XXXVIII Exame | Banca FGV Ana, capaz, celebrou contrato de compra e venda de seu veículo com Pedro, de 16 anos, sem autorização dos pais. O valor foi justo, e Pedro pagou à vista. Após 2 meses, os pais de Pedro pedem a anulação do negócio. Assinale a correta: A) É nulo, pois Pedro é incapaz absoluto. B) É anulável, por incapacidade relativa; os representantes podem pleitear anulação. C) É válido, pois houve pagamento e tradição. D) É válido, pois o objeto é lícito e possível. Comentário (Carlos Roberto Gonçalves): Menor de 16 a 18 anos é incapaz relativo (Art. 142 CC). Negócios sem assistência de representantes são anuláveis, não nulos. A validade depende de capacidade; pagamento não supre vício de capacidade. Questão 2 – Vícios de Consentimento – Erro Prova: XL Exame | FGV João comprou um terreno acreditando que tinha 10.000 m², conforme informado no contrato. Após medição, constatou-se que tinha apenas 8.000 m², diferença de valor significativa. Sobre o caso: A) Nulo por erro de objeto. B) Anulável por erro essencial e determinante C) Válido; risco do comprador. D) Rescindível apenas se houve dolo. Comentário (Fredie Didier): Erro é essencial quando recai sobre qualidade ou quantidade que é motivo principal do contrato (Art. 138). Determinante: foi o que levou à contratação→ anulável. Questão 3 – Prescrição vs Decadência Prova: XXXIX Exame | FGV Em 2018, Maria celebrou contrato anulável por vício de vontade. Somente em 2024 descobriu o vício e pediu anulação. Assinale: A) Prescreveu o direito; perdeu o prazo. B) Decaiu o direito; prazo de 4 anos contados da celebração C) Ainda pode pedir; prazo começa na descoberta. D) Prazo é de 10 anos, ainda vigente. Comentário (Daniel Amorim): Ação de anulação é decadencial, prazo de 4 anos da data do negócio, não da ciência (Art. 178). Diferente de prescrição, que é direito de ação; decadência extingue o próprio direito. Questão 4 – Representação / Mandato Prova: XLI Exame | FGV Carlos deu procuração a Luiz para vender seu apartamento por não menos de R$ 300 mil. Luiz vendeu por R$ 280 mil, mas o comprador não sabia da limitação. Efeitos: A) Contrato nulo; Luiz excedeu poderes. B) Válido para Carlos; limitação não oponível a terceiro de boa-fé C) Anulável; só vale se Carlos ratificar. D) Válido apenas contra Luiz. Comentário (Carlos Roberto): Limitações de poderes não valem contra terceiros de boa-fé (Art. 118). Mandatário responde ao mandante por prejuízo, mas contrato vale normalmente. Questão 5 – Pessoa Jurídica / Início / FimProva: XLII Exame | FGV Associtação civil devidamente registrada encerrou suas atividades, mas deixou dívidas. Os associados foram acionados pessoalmente. Correto: A) Respondem ilimitadamente. B) Respondem subsidiariamente, se bens da pessoa jurídica forem insuficientes C) Não respondem nunca. D) Respondem solidariamente. Comentário (Fredie Didier): Pessoa jurídica tem patrimônio próprio. Responsabilidade de sócios/associados é subsidiária e limitada, exceto se houver desvio de finalidade ou confusão patrimonial (Art. 49, 50). Questão 6 – Objeto do Negócio Jurídico Prova: XXXVII Exame | FGV É inválido o negócio cujo objeto for: A) Coisa fungível. B) Coisa futura. C) Direito indisponível D) Quantidade indeterminada, mas determinável. Comentário (Daniel Amorim): Objeto deve ser lícito, possível, determinado ou determinável e disponível (Art. 104). Direitos indisponíveis (ex: estado civil) não podem ser objeto de negócio. Questão 7 – Condição / Termo / Modo Prova: XLIV Exame | FGV Dagoberto contratou: “compro sua casa SE minhas ações renderem mais de 10% até dia 20”. Houve rendimento de 15%, mas ele recusou comprar. Direito de Marina:A) Não pode exigir; é condição potestativa nula. B) Pode exigir; condição mista válida, já cumprida C) Contrato nulo por depender de vontade de uma parte. D) Apenas indenização. Comentário (Carlos Roberto): Condição potestativa depende só da vontade; mista depende também de fato alheio→ válida. Cumprida→ obrigação exigível (Art. 121, 122). BLOCO 2 – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES (Questões 8 a 16) Questão 8 – Classificação: Solidariedade Prova: XLV Exame | FGV Mateus e Pedro compraram veículo, devedores solidários. Mateus faleceu, deixando 2 herdeiros. Direito de Joana (credora): A) Herdeiros pagam só parte da cota de Mateus. B) Cada herdeiro responde por toda a dívida; solidariedade transmite- se C) Solidariedade acaba com morte. D) Pedro responde sozinho. Comentário (Fredie Didier): Solidariedade transmite aos herdeiros, pois é obrigação divisível quanto ao sujeito, indivisível quanto ao objeto. Credor pode cobrar de qualquer um (Art. 264, 265). Questão 9 – Obrigação de Dar / Entregar Prova: XXXIX Exame | FGV Marcelo alugou cavalo, não devolveuno prazo, usou indevidamente e o animal morreu por acidente posterior ao atraso. Responde por: A) Apenas valor do aluguel. B) Valor do animal + lucros cessantes + danos emergentesC) Nada; morte foi acidental. D) Só valor do animal. Comentário (Daniel Amorim): Mora do devedor→ responde por até caso fortuito/força maior, se o dano ocorreria se tivesse entregado (Art. 396). Além disso, lucros cessantes e danos emergentes (Art. 402). Questão 10 – Cessão de Crédito Prova: XLI Exame | FGV Adriana cedeu crédito de R$ 1.000,00 contra Vitória para Paulo, sem avisar Vitória. Esta pagou Adriana depois da cessão. Correto: A) Pagamento não vale; deve pagar novamente. B) Pagamento é válido; só vale contra ela se notificada C) Cessão é nula; crédito de serviço não cede. D) Adriana garante solvência de Vitória. Comentário (Carlos Roberto): Cessão de crédito é válida, mas ineficaz perante o devedor até notificação. Pagamento feito antes da notificação é válido e extingue a obrigação (Art. 286, 288). Questão 11 – Extinção: Compensação Prova: XL Exame | FGV A deve R$ 5 mil a B; B deve R$ 3 mil a A. Ambos vencidos, líquidos e certos. Efeito: A) Compensação total. B) Compensação até o valor menor; A fica devendo R$ 2 mil C) Não há compensação; valores diferentes. D) Depende de acordo. Comentário (Fredie Didier): Compensação opera de pleno direito quando há dívidas recíprocas, líquidas, certas e vencidas, até o montante do menor (Art. 368). Questão 12 – Mora do Credor Prova: XLII Exame | FGV Devidoor levou mercadoria ao local combinado, mas credor recusou receber sem motivo. Houve dano por deterioração. Quem responde? A) Devedor; não entregou. B) Credor; mora própria, responde por danos C) Ambos, metade cada. D) Ninguém; risco da coisa. Comentário (Daniel Amorim): Recusa injustificada→ mora do credor. Assume risco e responde por prejuízos causados ao devedor (Art. 391, 392). Questão 13 – Obrigação Alternativa Prova: XXXVIII Exame | FGV Contrato: “devo dar um carro OU uma moto”, sem dizer quem escolhe. Opção cabe: A) Ao credor. B) Ao devedor C) Ao juiz. D) Metade cada. Comentário (Carlos Roberto): Regra geral: escolha é do devedor, se não houver disposição em contrário (Art. 252). Questão 14 – Cláusula Penal Prova: XLIII Exame | FGV Contrato prevê multa de 30% do valor em caso de inadimplemento. O dano real foi de 10%. Valor devido:A) 30% integralmente. B) Juiz pode reduzir para 10% C) 20%, média. D) Não pode reduzir. Comentário (Fredie Didier): Cláusula penal pode ser reduzida judicialmente se o valor for manifestamente excessivo ou a obrigação cumprida parcialmente (Art. 412). Questão 15 – Transmissão de Obrigações Prova: XLV Exame | FGV Dívida de prestação de serviço pessoal. O devedor falece. Dívida: A) Transmite aos herdeiros. B) Extingue-se; é obrigação pessoalíssima C) Credor pode exigir de qualquer herdeiro. D) Paga-se com o espólio. Comentário (Daniel Amorim): Obrigações que envolvem qualidade especial da pessoa não se transmitem (Art. 240). Extinguem-se com a morte do devedor. BLOCO 3 – CONTRATOS (Questões 17 a 24) Questão 17 – Forma dos Contratos Prova: XLI Exame | FGV Compra e venda de imóvel celebrada por instrumento particular, sem escritura pública. Validade: A) Nulo; forma obrigatória. B) Válido entre as partes; falta forma apenas para registro C) Anulável. D) Inválido de qualquer modo. Comentário (Carlos Roberto): Escritura pública é requisito de publicidade/registro, não de validade do contrato. Entre as partes, vale o instrumento particular (Art. 108, 227 CC/2002). Questão 18 – Compra e Venda / Evicção Prova: XLIV Exame | FGV Carlos comprou terreno; depois, terceiro provou ser dono e recuperou o bem. Direitos contra vendedor: A) Nenhum; risco do comprador. B) Restituição do valor + despesas + danos C) Apenas devolução do preço. D) Só indenização se houve dolo. Comentário (Fredie Didier): Evicção é garantia legal. Vendedor responde por tudo o que o comprador perdeu, incluindo despesas e danos (Art. 447, 448). Questão 19 – Locação / Benfeitorias Prova: XL Exame | FGV Inquilino fez benfeitorias úteis e necessárias no imóvel, sem permissão. Direitos na saída: A) Retira todas. B) Necessárias: indenização; úteis: só retira se possível C) Nenhuma indenização. D) Proprietário fica com tudo sem pagar. Comentário (Daniel Amorim): Necessárias→ indenização obrigatória. Úteis→ retira, se não causar dano; senão, não indeniza. Voluptuárias→ nada (Art. 535). Questão 20 – Doação / Revogação Prova: XXXIX Exame | FGVDoação feita a filho, que depois tentou contra a vida do doador. Consequência: A) Não pode revogar; doação é irrevogável. B) Revoga-se por ingratidão; devolve tudo C) Revoga só se houver cláusula. D) Revoga apenas se deixar herdeiros necessários. Comentário (Carlos Roberto): Doação pode ser revogada por ingratidão, especialmente atentado contra vida ou honra do doador (Art. 558). Questão 21 – Empréstimo / Mútuo vs Comodato Prova: XLII Exame | FGV “empresto R$ 1 mil para você usar e devolver igual valor”. É: A) Comodato. B) Mútuo C) Doação. D) Locação. Comentário (Fredie Didier): Mútuo: coisa fungível, devolve-se quantidade e qualidade iguais. Comodato: coisa infungível, devolve- se a mesma coisa (Art. 586, 625). Questão 22 – Contrato Preliminar Prova: XLV Exame | FGV Contrato preliminar de compra e venda com tudo definido, só falta escritura. Uma parte desiste. Direito: A) Só indenização. B) Pode exigir celebração do definitivo, e juiz suprirá a assinatura C) Preliminar não obriga. D) Nulo se não tiver prazo. Comentário (Daniel Amorim): Preliminar válido obriga a celebrar o definitivo. Descumprimento→ ação específica; Continuação: Questões 22 a 30 – Direito Civil Temas: Contratos (continuação) | Direito das Coisas Comentários conforme: Carlos Roberto Gonçalves, Fredie Didier Jr., Daniel Amorim Assumpção Neves Exames aplicados pela FGV – 1ª Fase OAB BLOCO 3 – CONTRATOS (Continuação) Questão 22 – Contrato Preliminar Prova: XLV Exame | FGV Foi celebrado contrato preliminar de compra e venda de imóvel, com todos os requisitos e condições definidas, restando apenas a lavratura da escritura definitiva. O vendedor, após receber o sinal, recusa-se a assinar o documento final. Diante disso, o comprador: A) Só pode pedir indenização por perdas e danos B) Pode exigir a celebração do contrato definitivo; o juiz suprirá a assinatura do vendedor C) Não tem direito, pois o preliminar não gera obrigação de contratar D) Deve aceitar a devolução do sinal em dobro, sem outra medida Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – O contrato preliminar válido e completo obriga as partes a celebrar o contrato definitivo. Se houver recusa injustificada, a parte prejudicada pode pedir judicialmente a celebração, cabendo ao juiz suprir a vontade da parte inadimplente (Art. 462 CC). Fredie Didier – O "sinal" confirma o vínculo; a recusa gera tanto o dever de indenizar quanto a possibilidade de execução específica, pois o conteúdo já está definido. Daniel Amorim – A regra é: preliminar com elementos essenciais→ força obrigatória; desistência = descumprimento contratual. Questão 23 – Extinção Contratual: Resolução por Inadimplemento Prova: XXXVIII Exame | FGV Empresa contratou reforma de galpão, com prazo de 60 dias. Passados 90 dias, a obra não foi concluída e a contratada não apresentou justificativa. A contratante deseja rescindir o contrato e pedir indenização. É correto afirmar: A) Não pode rescindir; deve conceder prazo adicional B) Pode resolver o contrato por pleno direito, independentemente de aviso prévio, e cobrar danos C) Só pode rescindir se houver cláusula expressa autorizandoD) Resolução só vale se houver sentença judicial transitada em julgado Comentário: Fredie Didier – O inadimplemento absoluto e injustificado autoriza a resolução do contrato de pleno direito, conforme Art. 475 CC. Não depende de cláusula específica, basta a prova do descumprimento que torne inútil o objeto contratual. Carlos Roberto Gonçalves – A resolução opera efeitos ex nunc, desfazendo o contrato e obrigando à restituição do que foi pago, além de indenização por perdas e danos. Daniel Amorim – Aviso prévio só é necessário se houver possibilidade de cumprimento tardio; quando já não serve ao fim almejado, resolve- se imediatamente. Questão 24 – Contrato de Empreitada Prova: XLI Exame | FGV Construtora contratada para reformar casa trocou os materiais combinados por outros de qualidade inferior, mas que funcionam e atendem à finalidade. O dono da casa recusa o pagamento integral. Sobre o direito: A) Deve pagar tudo, pois a obra está pronta e utilizável B) Pode recusar pagamento ou exigir redução proporcional do valor, além de reparosC) Só pode reclamar se houve dano estrutural D) Pagamento integral é obrigatório, só cabe reclamação posterior Comentário: Daniel Amorim – Na empreitada, o empreiteiro deve entregar obra conforme ajustado, com materiais e qualidade definidos (Art. 610). Desvio sem autorização configura descumprimento; dono pode reduzir preço ou recusar recebimento. Carlos Roberto Gonçalves – Mesmo que funcional, a alteração não autorizada prejudica o valor e a expectativa contratual→ direito à redução ou reparação. Fredie Didier – A utilização da obra não importa renúncia ao direito de reclamar por defeitos ou qualidade inferior. BLOCO 4 – DIREITO DAS COISAS (Questões 25 a 30) Questão 25 – Posse: Conceito e Natureza Prova: XXXVII Exame | FGV Pedro deixou sua fazenda sob guarda de João, que mora no local, cuida, produz e exerce todos os atos de proprietário, embora saiba que o imóvel pertence a Pedro. A posse, na hipótese, é de: A) Pedro, pois ele é o dono e manteve a propriedade B) João, pois exerce o poder de fato sobre a coisa, independentemente de propriedade C) Ambos, simultaneamente, pois há acordo tácito D) Ninguém, pois falta título formal Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Posse é o exercício, pleno ou não, de alguns dos poderes inerentes ao domínio (Art. 1.196). Independe de ser dono ou ter título válido; basta o poder de fato. Fredie Didier – A distinção é clara: Propriedade = Direito; Posse = Situação de fato. Quem está no local e exerce o poder é o possuidor, ainda que reconheça o alheio domínio.Daniel Amorim – Guardião ou mero detentor só não tem posse se exerce em nome alheio; aqui, os atos demonstram poder próprio→ posse. Questão 26 – Posse: Efeitos / Indenização por Benfeitorias Prova: XXXIX Exame | FGV Mário possuía um terreno de boa-fé, acreditando ser seu, e construiu um muro de proteção (benfeitoria necessária) e um jardim decorativo (benfeitoria voluptuária). Após ação de reivindicação, o verdadeiro dono recupera o bem. Direitos de Mário: A) Indenização total por tudo o que fez B) Indenização só pelas necessárias; úteis se possível; voluptuárias nada C) Nenhuma indenização, pois perdeu a posse D) Indenização por todas, mas pode retirar o que é removível Comentário: Daniel Amorim – Possuidor de boa-fé tem direito: necessárias→ indenização integral; úteis→ indenização ou retirada; voluptuárias→ sem direito a valor, só pode retirar se não danificar o imóvel (Art. 1.219/1.220). Carlos Roberto Gonçalves – Boa-fé é essencial; se soubesse que não era dono, só receberia por necessárias. Fredie Didier – A lei equilibra: protege quem cuidou, mas não obriga o dono a pagar por luxos que não pediu. Questão 27 – Aquisição da Propriedade: Usucapião Prova: XL Exame | FGV Há 12 anos, Antônio passou a ocupar um terreno urbano de 200 m², de forma pacífica, ininterrupta, sem oposição e com ânimo de dono, utilizando para sua residência. O proprietário registrado nunca o procurou ou reivindicou. Antônio pode adquirir a propriedade por: A) Usucapião ordinária: 15 anos, ainda não completou B) Usucapião especial urbana: 10 anos; preenche requisitos C) Não pode; terreno urbano só por compra e registroD) Usucapião extraordinária: 20 anos Comentário: Fredie Didier – Usucapião Especial Urbana (Art. 1.238 CC): prazo de 10 anos, posse ininterrupta, pacífica, ânimo de dono, para residência própria ou da família, área até 250m². Aqui, 12 anos→ já cumpriu. Carlos Roberto Gonçalves – Diferente da ordinária (15 anos + justo título + boa-fé), a especial dispensa título e boa-fé, bastando a posse e destinação. Daniel Amorim – É a modalidade mais cobrada; fique atento ao prazo reduzido e ao limite de área e uso. Questão 28 – Direitos Reais: Servidão Prova: XLII Exame | FGV Carlos é dono de um terreno cercado por propriedades de João, sem saída para estrada pública. Existe uma passagem de longa data. João resolve fechar o caminho alegando ser dono exclusivo. Carlos pede manutenção. Sobre o caso: A) Carlos não tem direito; deve comprar parte do terreno B) Existe servidão de passagem forçada; deve ser mantida, mediante indenização C) Servidão só existe se registrada em cartório D) João pode fechar, pois é dono do solo Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Servidão de Passagem é direito real de uso, imposto por lei quando o prédio é encravado, sem acesso público. Independe de vontade do dono do prédio serviente, mas dá direito a indenização (Art. 1.385/1.387). Daniel Amorim – É uma limitação ao direito de propriedade em nome da utilidade e função social. Fredie Didier – Registro é para oponibilidade a terceiros, não para existência do direito entre os proprietários. Questão 29 – Direitos Reais: Hipoteca Prova: XLI Exame | FGVBanco concedeu empréstimo a Paulo, que deu seu apartamento em garantia hipotecária, devidamente registrada. Paulo vende o imóvel a Marcos, que sabe da existência da dívida. Ao vencer a dívida, não havendo pagamento, o banco pode: A) Executar o imóvel, pois hipoteca segue a coisa, contra quem estiver B) Não pode executar; só pode cobrar de Paulo C) Executar só se Marcos assumiu a dívida expressamente D) Hipoteca perde efeito com a venda, se não avisado o banco Comentário: Daniel Amorim – Hipoteca é direito real de garantia que acompanha o bem, independente de mudança de proprietário (Art. 1.474). Princípio: "o direito real segue a coisa". Comprador adquire o bem onerado. Fredie Didier – Registro é essencial para validade da hipoteca; uma vez registrada, vale contra todos, incluindo adquirentes posteriores. Carlos Roberto Gonçalves – O devedor continua obrigado, mas o credor tem preferência sobre o bem para receber seu crédito. Questão 30 – Direitos Reais: Penhor Prova: XLV Exame | FGV João deu em penhor um automóvel para garantir dívida com Maria, ficando o veículo na posse de Maria. Maria, necessitando, usou o carro e o danificou por culpa grave. João exige resolução da garantia e indenização. Decisão correta: A) Maria só devolve o carro, sem indenizar B) Penhor não permite uso; uso indevido + dano→ extingue garantia e obriga indenizar C) Pode usar desde que cuide; dano é risco do dono D) Garantia continua, só desconta valor do dano Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – O credor pignoratício tem o dever de conservar a coisa, não pode usá-la sem autorização, sob pena de responder por perdas e danos, e até perder o direito de garantia (Art. 1.438/1.439).Fredie Didier – A posse é apenas para garantia, não para uso. Uso indevido e danos graves configuram violação do contrato de penhor. Daniel Amorim – Extinção da garantia por má conduta do credor é sanção prevista para proteger o devedor proprietário. RESUMO RÁPIDO DAS REGRAS COBRADAS CONTRATOS - Preliminar completo→Exigível, juiz supre assinatura - Inadimplemento→ Resolução + Indenização - Empreitada→ Obra conforme ajustado; defeito = redução/rescisão COISAS - Posse = Fato | Propriedade = Direito - Benfeitorias: Necessárias→ paga; Úteis→ opcional; Voluptuárias→ nada - Usucapião Especial Urbana: 10 anos, até 250m², para morar - Hipoteca: Segue o bem, quem compra recebe a dívida Mais 30 Questões Comentadas – Direito Civil Temas: Parte Geral, Obrigações, Contratos, Direito das Coisas Comentários conforme: Carlos Roberto Gonçalves, Fredie Didier Jr., Daniel Amorim Assumpção Neves Exames aplicados pela FGV – 1ª Fase OAB | Nível Complexo BLOCO 1 – PARTE GERAL (Questões 1 a 7) Questão 1 – Pessoas Naturais / Capacidade Prova: XXXVI Exame | FGV Rafael, 17 anos, celebrou contrato de compra de um veículo com o dinheiro que ganhou em concurso de beleza, sem autorização dos pais. Após 1 ano e 6 meses de completar 18 anos, ele quer anular o negócio alegando incapacidade à época. É correto afirmar:A) Pode anular, pois prazo é de 4 anos. B) Não pode, pois ratificou tacitamente ao não pedir anulação em 6 meses após maioridade C) Pode, pois negócio de menor é sempre anulável. D) Não pode, pois dinheiro era seu. Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Menor relativo (16-18)→ negócio anulável. Ao completar 18 anos, tem 6 meses para pedir anulação. Se ficar calado, ratifica o ato (Art. 148 CC). Fredie Didier – O silêncio após a capacidade plena vale como confirmação tácita; prazo decadencial curto. Daniel Amorim – A capacidade superveniente sana o vício se não houver manifestação em tempo hábil. Questão 2 – Negócio Jurídico / Objeto Prova: XXXV Exame | FGV É válido o negócio jurídico que tenha por objeto: A) Coisa cujo uso seja proibido por lei. B) Direito personalíssimo. C) Coisa futura, desde que determinável D) Coisa de outrem, em qualquer hipótese. Comentário: Daniel Amorim – Objeto deve ser lícito, possível, determinado/determinável e disponível. Coisa futura é válida se existir possibilidade de vir a existir (Art. 106). Carlos Roberto Gonçalves – Coisa de outrem só é inválida se a lei proibir; coisa futura é regra aceita (ex: colheitas). Fredie Didier – Direitos indisponíveis ou ilícitos tornam o negócio nulo de pleno direito. Questão 3 – Vícios de Vontade – Dolo Prova: XXXIV Exame | FGVVendedor disse que o terreno era de cultura fácil, sabendo que era pedregoso e impróprio para plantio. Comprador, confiado, adquiriu. Sobre o negócio: A) Válido; risco do comprador. B) Anulável por dolo; informação falsa determinou a compra C) Nulo por fraude. D) Válido, pois não garantiu por escrito. Comentário: Fredie Didier – Dolo é quando uma parte induz a outra em erro, com intenção de enganar, e isso é motivo para contratar→ anulável (Art. 139/140). Carlos Roberto Gonçalves – Basta que a informação falsa seja relevante; não precisa de garantia expressa. Daniel Amorim – Dolo acidental não anula, mas o doloso (determinante) vicia o consentimento. Questão 4 – Prescrição / Início do Prazo Prova: XXXIII Exame | FGV Construção defeituosa apareceu 7 anos após entrega da obra. Proprietário só descobriu o defeito agora, 12 anos depois da entrega. Ação contra construtora: A) Prescreveu em 10 anos da entrega; não pode mais B) Ainda pode; prazo começa na descoberta. C) Decaiu em 5 anos. D) Prazo é de 20 anos. Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Prescrição para defeitos de obra: 10 anos contados da entrega, não da descoberta (Art. 177). É prazo legal, independe de ciência. Daniel Amorim – Diferente de danos ocultos em produtos, na construção o prazo corre desde a tradição. Fredie Didier – Segurança jurídica: o tempo corre objetivamente para estabilizar relações. Questão 5 – Representação / Proibições Prova: XXXII Exame | FGV Pedro deu procuração a Paulo para vender seu carro. Paulo, em nome próprio, comprou o veículo para si mesmo. O negócio é: A) Válido, pois tem poderes. B) Anulável por conflito de interesses C) Nulo por falta de objeto. D) Irregular, mas válido. Comentário: Daniel Amorim – É proibido ao representante negociar consigo mesmo, sob pena de anulação, salvo autorização expressa ou interesse do representado (Art. 117). Fredie Didier – Conflito de interesse vicia a representação; presume-se prejuízo ao mandante. Carlos Roberto Gonçalves – A regra visa evitar abuso de poder pelo procurador. Questão 6 – Condição Suspensiva vs Resolutiva Prova: XXXI Exame | FGV “Dou-te esta casa, se te formares em Direito”. A obrigação: A) Começa a valer agora; acaba se não se formar. B) Só nasce e produz efeitos quando se formar (condição suspensiva) C) É válida desde já, condição é apenas acessória. D) Nula por depender de vontade do beneficiário. Comentário: Fredie Didier – Suspensiva: Enquanto não cumprida, nada existe. Resolutiva: Existe agora, acaba se cumprir. Aqui, só vale se formar (Art. 121). Carlos Roberto Gonçalves – Não é potestativa pura, pois depende de fato misto (esforço + tempo).Daniel Amorim – Cumprida a condição, efeitos retroagem à data do negócio. Questão 7 – Pessoas Jurídicas / Desconsideração Prova: XXX Exame | FGV Empresa foi criada só para esconder bens e fugir de dívidas. Credor pede para acionar sócios pessoalmente. Decisão: A) Negado; PJ tem patrimônio separado. B) Deferido; desconsideração por abuso de forma e confusão C) Deferido só se falir primeiro. D) Negado; sócios não respondem. Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – A separação patrimonial não é absoluta. Se usar a PJ para fraude, desconsidera-se a personalidade e vai-se ao patrimônio dos sócios (Art. 50). Daniel Amorim – Requisitos: desvio de finalidade ou confusão patrimonial. Fredie Didier – Instrumento para evitar abusos e garantir justiça. BLOCO 2 – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES (Questões 8 a 16) Questão 8 – Obrigação de Fazer / Não Fazer Prova: XXIX Exame | FGV Contrato: “João não pode construir muro acima de 2 metros”. João construiu com 3 metros. Credor quer ação. Direito: A) Só indenização em dinheiro. B) Pode exigir demolição; se não fizer, juiz autoriza terceiro por conta dele C) Não pode mais, pois já construiu. D) Reduz só valor do contrato. Comentário:Fredie Didier – Obrigação de não fazer: se descumprida, credor pode exigir que se desfaça o feito, às custas do devedor, além de perdas e danos (Art. 248). Carlos Roberto Gonçalves – Execução específica é regra; dinheiro é exceção. Daniel Amorim – O descumprimento torna-se obrigação de indenizar apenas se impossível desfazer. Questão 9 – Solidariedade Ativa Prova: XXVIII Exame | FGV Três credores solidários podem receber a dívida. Um deles deu quitação ao devedor. Efeito: A) Vale só para a parte dele. B) Quitação vale por inteiro; dívida acaba para todos C) Nula; todos têm que receber. D) Os outros dois ainda podem cobrar. Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Na solidariedade ativa, quitação dada a um extingue toda a dívida contra o devedor; credores se acertam entre si (Art. 267). Daniel Amorim – Regra: um por todos, todos por um. Ato de um aproveita ou prejudica os outros. Fredie Didier – Facilita a quitação para o devedor, que não precisa procurar todos. Questão 10 – Extinção: Novação Prova: XXVII Exame | FGV A deve R$100 para B. Combinam que agora C pagará a dívida, sem consentimento de A. É válido? A) Sim, novação por mudança de devedor independe de antigo devedor B) Não, precisa concordância de todos. C) Sim, mas A continua obrigado subsidiariamente.D) Não, só muda credor. Comentário: Daniel Amorim – Novação por substituição do devedor pode ser feita só pelo credor e novo devedor; antigo devedor sai sem precisar concordar (Art. 349). Fredie Didier – Extingue totalmente a dívida antiga; garantias acabam, salvo expressa manutenção.Carlos Roberto Gonçalves – É forma de liberação automática do devedor original. Questão 11 – Cessão de Crédito / Garantias Prova: XXVI Exame | FGV Credor cedeu crédito garantido por hipoteca a terceiro. A garantia: A) Fica com credor antigo. B) Passa automaticamente ao novo credor C) Acaba, pois é pessoal. D) Precisa de novo registro. Comentário: Fredie Didier – A cessão de crédito transfere todos os acessórios, inclusive garantias reais ou pessoais (Art. 292). Princípio: acessório segue o principal. Carlos Roberto Gonçalves – Hipoteca segue o crédito; não precisa de novo ato, basta a cessão válida. Daniel Amorim – Garantia existe para assegurar o pagamento, não importa quem recebe. Questão 12 – Pagamento com Sub-rogação Prova: XXV Exame | FGV Banco pagou dívida do cliente ao fornecedor, assumindo seu lugar. Agora banco cobra do cliente. É: A) Cessão de crédito comum.B) Sub-rogação; banco tem mesmos direitos e garantias do credor antigo C) Novação. D) Pagamento indevido. Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Quem paga com sub-rogação adquire todos os direitos, ações e garantias do credor contra o devedor (Art. 340). Daniel Amorim – Muito comum em seguros e bancos; mantém privilégios. Fredie Didier – Não extingue a dívida, só troca a pessoa de quem recebe. Questão 13 – Obrigação Divisível vs Indivisível Prova: XXIV Exame | FGV Dois herdeiros devem entregar um único imóvel. Um deles quer pagar sua parte em dinheiro. Credor recusa. Decisão: A) Deve aceitar, pois dívida divide-se. B) Correto; objeto indivisível obriga todos por inteiro C) Aceita metade imóvel, metade dinheiro. D) Divide o imóvel. Comentário: Daniel Amorim – Mesmo havendo vários devedores, se o objeto for indivisível, cada um responde pela coisa toda; não se pode fracionar a entrega (Art. 259). Fredie Didier – Divisibilidade é sobre o objeto, não sobre as pessoas. Carlos Roberto Gonçalves – Credor não é obrigado a receber coisa diferente do combinado. Questão 14 – Cláusula Penal / Redução Prova: XXIII Exame | FGVContrato prevê multa de 100% do valor se descumprir. Dano real foi de 5%. Juiz pode? A) Reduzir para 5% B) Mantém 100% pois combinado. C) Reduz até 20% só. D) Não pode mexer. Comentário: Fredie Didier – Valor manifestamente excessivo ou dano muito menor → redução obrigatória pelo juiz (Art. 412). Não é ligado apenas ao cumprimento parcial. Carlos Roberto Gonçalves – Função punitiva é limitada; não pode enriquecer indevidamente. Daniel Amorim – Critério: proporcionalidade entre a sanção e o prejuízo ou o proveito. Questão 15 – Pagamento Indevido Prova: XXII Exame | FGV Pagou-se uma dívida que já estava paga. Quem recebeu: A) Fica com o valor; erro de quem pagou. B) Deve devolver; enriquecimento sem causa C) Devolve só metade. D) Devolve só se provar má-fé. Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Quem recebe o que não lhe é devido, ou mais do que lhe é devido, tem obrigação de restituir (Art. 876/884). Enriquecimento sem causa é vedado. Daniel Amorim – Má-fé aumenta responsabilidade (juros e perdas), mas boa-fé não dispensa devolução. Fredie Didier – É obrigação legal independente de culpa. BLOCO 3 – CONTRATOS (Questões 17 a 24) Questão 17 – Contrato de AdesãoProva: XXI Exame | FGV Contrato com todas as cláusulas prontas, sem negociação. Cláusula abusiva que anula o direito do consumidor: A) Válida; quem assina concorda. B) Nula de pleno direito C) Anulável em 4 anos. D) Válida se escrita. Comentário: Daniel Amorim – Contrato de adesão tem interpretação restrita contra quem redigiu. Cláusulas que suprimem direitos básicos são nulas (Art. 423/424). Fredie Didier – Princípio da boa-fé e equidade limita a liberdade contratual. Carlos Roberto Gonçalves – Não há "assinou, concordou" quando há desigualdade ou abuso. Continuação: Questões 18 a 30 – Direito Civil Temas: Contratos (continuação) | Direito das Coisas Comentários conforme: Carlos Roberto Gonçalves, Fredie Didier Jr., Daniel Amorim Assumpção Neves Exames aplicados pela FGV – 1ª Fase OAB | Nível Complexo BLOCO 3 – CONTRATOS (Continuação) Questão 18 – Compra e Venda / Coisa Alheia Prova: XX Exame | FGV Vendedor alienou terreno que não era seu, ignorando que o imóvel pertencia a terceiro. O verdadeiro proprietário reivindicou e recuperou o bem do comprador. Diante disso, o comprador pede indenização por perdas e danos. É correto afirmar que o vendedor: A) Não responde, pois agiu de boa-fé e desconhecia a alheia propriedadeB) Responde integralmente, pois a garantia de propriedade e evicção é legal, independente de culpa ou conhecimento C) Responde apenas pela metade dos danos, pois o comprador também devia verificar a titularidade D) Não responde, pois é nula a venda de coisa alheia, não gerando efeitos Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – A venda de coisa alheia é válida entre as partes, mas gera responsabilidade objetiva do vendedor pela evicção. A garantia é inerente ao contrato de compra e venda, prevista em lei, não dependendo de estipulação expressa ou de dolo do alienante (Art. 447 CC). Fredie Didier – O vício de origem existe porque se obriga a entregar a coisa livre de ônus e direitos de terceiros; não cumprindo, responde por todos os prejuízos. Daniel Amorim – Boa-fé do vendedor não elimina a responsabilidade, pois o comprador tem o direito de receber o bem e usufruir pacificamente. Questão 19 – Compra e Venda / Vícios Redibitórios Prova: XIX Exame | FGV João comprou máquina industrial que, segundo o vendedor, era nova e funcionava em plenas condições. Ao instalar, verificou que apresentava defeito oculto que a tornava imprópria para o uso. O vendedor alegou que não sabia do defeito e negou responsabilidade. Direito do comprador: A) Apenas pedir desconto proporcional no preço B) Escolher entre rejeitar o bem e pedir restituição, ou exigir abatimento, além de indenização, mesmo sem culpa do vendedor C) Nenhum direito, pois defeito era oculto e vendedor não sabia D) Só pode reclamar em até 30 dias após a compra Comentário: Daniel Amorim – Os vícios redibitórios geram responsabilidade legal, independente de culpa. O comprador pode optar pela resolução docontrato (devolução e reembolso) ou pela redução do preço, além de indenização por perdas e danos (Art. 443, 444 CC). Carlos Roberto Gonçalves – O prazo para reclamar é o da garantia legal ou convencional; não há prazo genérico de 30 dias, varia conforme o tipo de bem. Fredie Didier – Defeito oculto é aquele que não pode ser percebido no ato da compra; se fosse aparente, comprador aceitou e não pode reclamar. Questão 20 – Doação / Revogação por Ingratidão Prova: XVIII Exame | FGV Pai doou imóvel ao filho, com vida, sem reserva de usufruto. Um ano depois, o filho agrediu fisicamente o doador, causando lesão corporal grave, motivada por disputa familiar. O pai quer reaver o bem doado. É possível? A) Não, doação é contrato gratuito e irrevogável em qualquer hipótese B) Sim, pode revogar por ingratidão, devendo o filho restituir o bem e seus frutos C) Sim, mas só se houver cláusula expressa de revogação no contrato D) Não, pois doação entre parentes é sempre definitiva Comentário: Fredie Didier – A doação pode ser revogada por ingratidão do donatário, nas hipóteses legais, como atentado contra a vida, honra ou integridade física do doador (Art. 558 CC). É direito que independe de cláusula contratual. Carlos Roberto Gonçalves – A revogação tem efeito retroativo; o donatário deve devolver o bem e tudo o que dele obteve desde a doação. Daniel Amorim – O prazo para pedir é de um ano, contado da data do fato ou da ciência dele. Questão 21 – Locação de Coisas / Extinção e Benfeitorias Prova: XVII Exame | FGVInquilino, sem conhecimento ou autorização do proprietário, realizouobras de reforma que aumentaram significativamente o valor do imóvel (benfeitorias úteis), além de reparos essenciais para evitar desabamento (benfeitorias necessárias). Ao fim do contrato, pede reembolso total. O proprietário deve pagar: A) Apenas as necessárias, obrigatoriamente; pelas úteis, só se quiser ficar com elas B) Tudo integralmente, pois houve aumento de valor C) Nada, pois fez sem permissão D) Somente as úteis, pois valorizam o bem Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Benfeitorias necessárias são aquelas indispensáveis para conservar o bem; indenização é devida sempre. Úteis aumentam o valor, mas não são urgentes: dono pode optar por pagar ou permitir que inquilino retire, se possível sem dano (Art. 535 CC). Daniel Amorim – Voluptuárias (enfeites) não geram direito a reembolso de forma alguma. Fredie Didier – Falta de autorização não elimina direito às necessárias, pois atendem a interesse comum de conservação. Questão 22 – Empréstimo / Mútuo Comodato Prova: XVI Exame | FGV Carlos recebeu de Pedro R$ 10.000,00 para usar por 6 meses, comprometendo-se a devolver, ao final, a mesma quantidade de dinheiro em espécie, sem acréscimo. Trata-se de: A) Comodato, pois não há juros B) Mútuo, pois envolve coisa fungível e devolução de equivalente C) Doação, pois não há remuneração D) Contrato aleatório Comentário: Daniel Amorim – Mútuo: empréstimo de coisa fungível (dinheiro, grãos...), onde se devolve quantidade e qualidade iguais, não amesma coisa material. Comodato é de coisa infungível, devolvendo- se o próprio objeto (Art. 586, 625 CC). Fredie Didier – A gratuidade não muda a natureza do contrato; mútuo pode ser gratuito ou oneroso (com juros). Carlos Roberto Gonçalves – O dinheiro se consumiu com o uso; impossível devolver a mesma nota, logo é mútuo. Questão 23 – Prestação de Serviços / Responsabilidade Prova: XV Exame | FGV Empresa de segurança foi contratada para vigilância noturna de loja. Por negligência de seus vigilantes, ladrões invadiram e causaram danos. A empresa alega que seus empregados são pessoas físicas e que ela não deve responder. A alegação é: A) Procedente; só quem erra responde B) Improcedente; responde diretamente por atos de seus prepostos, no exercício do serviço C) Procedente; só responde se houver dolo D) Improcedente, mas responde apenas subsidiariamente Comentário: Fredie Didier – Na prestação de serviços, o prestador responde pelos danos causados por seus auxiliares ou prepostos, pois é ele quem escolhe, dirige e fiscaliza o trabalho (Art. 611, 932 CC). Responsabilidade é direta e objetiva quanto ao fato do serviço. Carlos Roberto Gonçalves – A vítima pode acionar diretamente a empresa, dispensando ação contra o empregado. Daniel Amorim – É aplicação da teoria da aparência e do risco da atividade. Questão 24 – Fiança / Extinção e Benefício Prova: XIV Exame | FGV Pedro contratou empréstimo com banco, tendo Carlos como fiador. O banco, sem consentimento de Carlos, prorrogou o prazo de vencimento da dívida por mais 12 meses. Com relação à fiança: A) Continua válida integralmenteB) Fica automaticamente extinta, salvo se fiador concordar expressamente C) Fica reduzida pela metade D) Só se altera se aumentar o valor da dívida Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Qualquer alteração no contrato principal, como prorrogação de prazo, feita sem anuência do fiador, extingue a fiança. A obrigação do fiador segue os limites originais; modificações aumentam seu risco sem sua concordância (Art. 833 CC). Daniel Amorim – O fiador tem também o benefício de ordem: pode exigir que primeiro se execute os bens do devedor principal, antes de pagar ele mesmo. Fredie Didier – É contrato acessório; sua sorte depende do contrato principal, mas não pode ser modificado sem sua participação. BLOCO 4 – DIREITO DAS COISAS (Questões 25 a 30) Questão 25 – Posse / Classificação Prova: XIII Exame | FGV Mário ocupa terreno há 5 anos, sabendo que não é dono, mas age como se fosse, proibindo a entrada de pessoas e cuidando de tudo. Ao ser questionado, diz: "Estou aqui, mas sei que o terreno é de outrem". Sua posse é: A) Justa, de boa-fé B) Injusta, de má-fé, mas ainda é posse C) Detenção, pois reconhece o direito alheio D) Posse precária, sem efeitos Comentário: Daniel Amorim – Detenção é quando se exerce a posse em nome de outrem ou sob autorização. Se exerce por si próprio, mesmo sabendo que não é dono, é posse injusta e de má-fé, mas é posse e gera efeitos jurídicos (Art. 1.196, 1.200 CC).Fredie Didier – O reconhecimento da propriedade alheia não transforma posse em detenção; o que importa é o poder de fato exercido em nome próprio. Carlos Roberto Gonçalves – Mesmo ilegal, a posse merece proteção contra violência ou turbação de terceiros, até que o dono venha reivindicar. Questão 26 – Posse / Proteção Possessória Prova: XII Exame | FGV João possuía uma área há anos. Certo dia, Paulo chegou com documentos alegando ser dono e, sem ordem judicial, invadiu e expulsou João à força. João quer reaver o local imediatamente. A ação correta é: A) Reivindicatória, para provar propriedade B) Manutenção de posse, pois foi turbado ou esbulhado no último ano C) Nenhuma, pois Paulo tinha documentos D) Interdito proibitório Comentário: Fredie Didier – A proteção possessória independe de ser dono; basta ser possuidor e ter sido esbulhado ou turbado no prazo de até 1 ano. A ação de manutenção ou reintegração serve para restabelecer a posse perturbada ou perdida (Art. 1.210 CC). Carlos Roberto Gonçalves – Ninguém pode fazer justiça com as próprias mãos, ainda que alegue propriedade; deve recorrer ao Judiciário. Daniel Amorim – Ação reivindicatória é para discutir propriedade; a possessória é para defender a situação de fato rapidamente. Questão 27 – Usucapião Ordinária / Requisitos Prova: XI Exame | FGV Há 16 anos, Antônio recebeu terreno por escritura particular, acreditando ser do vendedor, e passou a ocupar. Agora pede usucapião ordinária. Faltou apenas o registro do título. Ele:A) Não consegue; precisa de registro para ter título B) Consegue; preencheu prazo de 15 anos, justo título e boa-fé C) Não consegue; prazo é 20 anos D) Consegue apenas a especial Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Usucapião Ordinária exige: posse por 15 anos, justo título (título válido, embora ineficaz ou não registrado) e boa-fé. O registro não é requisito, é consequência (Art. 1.237 CC). Daniel Amorim – O justo título não precisa ser público ou registrado; particular vale se for hábil a transferir domínio em tese. Fredie Didier – A boa-fé deve existir no início da posse; duração maior que 15 anos não invalida. Questão 28 – Direitos Reais / Servidão Predial Prova: X Exame | FGV Dois terrenos vizinhos, um mais alto e outro mais baixo. Por força natural, as águas da chuva escorrem do mais alto para o mais baixo, sem intervenção humana. O dono do terreno baixo construiu muro impedindo o escoamento. Está correto? A) Sim, é dono e pode fazer o que quiser B) Não; existe servidão legal de águas, que impede obstrução C) Sim, servidão só existe se paga D) Não, mas só pode reclamar se houver dano Comentário: Daniel Amorim – Servidões legais existem por força de lei, independentemente de vontade ou pagamento. A de águas determina que o prédio inferior deve receber as águas que descem naturalmente do superior, sem obras artificiais (Art. 1.394 CC). Fredie Didier – É limitação ao direito de propriedade em nome da utilidade coletiva e ordem natural. Carlos Roberto Gonçalves – O muro é ilegal e deve ser removido, pois impede exercício de direito real alheio. Questão 29 – Direitos Reais de Garantia / AnticreseProva: IX Exame | FGV Maria deu sua fazenda em garantia de dívida com João, convencionando que João ficaria com a posse, administrariae ficaria com os lucros e rendimentos da terra para abater no valor devido. Trata-se de: A) Hipoteca B) Penhor Rural C) Anticrese D) Arrendamento Mercantil Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Anticrese: o devedor entrega o imóvel ao credor, que o utiliza e recebe frutos para abater da dívida. Diferente da hipoteca (bem fica com devedor) e do penhor (bem móvel) (Art. 1.485 CC). Fredie Didier – Credor deve administrar com diligência e prestar contas; não pode se apropriar do bem, só dos rendimentos. Daniel Amorim – Ao quitar a dívida, devolve o imóvel limpo e Conservado. PROCESSO CIVIL 30 Questões OAB – Direito Processual Civil Temas: Tutela Provisória | Recursos | Cumprimento de Sentença | Execução | Coisa Julgada | Competência Comentários: Fredie Didier Jr., Daniel Amorim Assumpção Neves, Humberto Theodoro Júnior, Teresa Arruda Alvim Base: CPC/2015 | Provas aplicadas FGV | Nível Complexo BLOCO 1 – TUTELA PROVISÓRIA (1–5) Dicas, Macetes e Técnicas – Direito Processual CivilBaseado nos professores que usamos: Fredie Didier Jr., Daniel Amorim, Humberto Theodoro Júnior, Teresa Arruda Alvim Focado para 1ª Fase OAB | Método infalível para marcar o certo e eliminar o errado MÉTODO DE RESOLUÇÃO – PASSO A PASSO (ENSINADO POR ELES) 1 ⃣ LEITURA ESTRATÉGICA (Daniel Amorim) REGRA DE OURO: "Quem não marca, erra!" Leia a questão 2 vezes e grife essas palavras: PALAVRAS QUE DEFINEM A RESPOSTA: PROVISÓRIO / DEFINITIVO | ABSOLUTO / RELATIVO | OFÍCIO / A PEDIDO | ANTES / DEPOIS | CABÍVEL / NÃO CABÍVEL PALAVRAS PERIGOSAS (90% ERRADAS) – ELIMINE DE CARA: SEMPRE, NUNCA, TODOS, NENHUM, EM QUALQUER CASO, OBRIGATORIAMENTE Ex: "Competência relativa SEMPRE pode ser alterada"→ ERRADA PALAVRAS DE MUDANÇA DE REGRA: MAS, PORÉM, ENTRETANTO, SÓ SE, DESDE QUE → É AQUI que a FGV esconde o erro. A regra vale, MAS... vem a exceção. 2 ⃣ CLASSIFIQUE O INSTITUTO EM 2 SEGUNDOS (Fredie Didier Jr.) Olhe o fato e jogue na caixa correta. Cada tema tem uma pergunta chave: • TUTELA PROVISÓRIA→ "É URGÊNCIA OU EVIDÊNCIA? PRECISA DE PERIGO?" Urgência = Precisa de PERIGO + Prova Evidência = NÃO precisa de perigo, basta direito claro• RECURSOS→ "QUAL O OBJETO? QUAL O EFEITO? QUER MUDAR OU ESCLARECER?" Esclarecer = Embargos de Declaração Mudar = Apelação / Especial / Extraordinário Uniformizar = Divergência / Repetitivo • CUMPRIMENTO / EXECUÇÃO→ "TEM TÍTULO? É SENTENÇA OU DOCUMENTO? JÁ PASSOU O JUIZ?" Cumprimento = É continuação do processo, título é a sentença Execução = É processo novo, título é documento ou sentença • COISA JULGADA→ "JÁ FOI DECIDIDO? PODE MUDAR? É MÉRITO OU PROCESSUAL?" Sem Mérito = NÃO gera coisa julgada material Com Mérito = Gera, NÃO muda mais (só rescisória) • COMPETÊNCIA→ "PODE CONCORDAR OU NÃO? PODE MUDAR OU NÃO?" Absoluta = ORDEM PÚBLICA, não muda, juiz declara de ofício Relativa = Disponível, muda por acordo ou silêncio 3 ⃣ FILTRO DE ERRO (A Pegadinha da FGV – Humberto Theodoro Júnior) Eles usam o mesmo truque em todas as provas. Use esses filtros na ordem: 1. FILTRO DO "MEIO CERTO": A alternativa começa explicando a regra certa, mas termina errando o detalhe. Ex: "Apelação tem efeito devolutivo, MAS NÃO pode modificar a sentença"→ Começa certo, termina errado. ELIMINE! 2. FILTRO REGRA vs EXCEÇÃO: Se a questão NÃO mencionou uma situação especial, escolha a REGRA GERAL. Ex: "Qual o efeito da Apelação?"→ Regra = Devolutivo. Se não disser nada, é devolutivo. 3. FILTRO DE CONTRADIÇÃO: Se contrariar um princípio básico que você sabe→ ERRADA. Ex: "Juiz executa sentença de ofício"→ Princípio: Iniciativa é da parte → ERRADA. 4. FILTRO DO "ANTES E DEPOIS": O erro mais comum é trocar a fase: "Na execução pode discutir o mérito"→ ERRADO, mérito é só no conhecimento. MACETES ESPECÍFICOS – POR TEMA TUTELA PROVISÓRIA (Teresa Arruda Alvim) FRASE MÁGICA: "URGÊNCIA = VAI ACONTECER O DANO | EVIDÊNCIA = JÁ SEI QUE VOCÊ TEM RAZÃO" DECORAR ISSO: • URGÊNCIA: Precisa de 2 coisas: Fumus (prova do direito) + Periculum (perigo de demora). • EVIDÊNCIA: SÓ precisa de prova muito forte, clara, ou fato que ninguém discute. NÃO TEM PERIGO. • IRREVERSIBILIDADE: "Se não pode desfazer depois, NÃO PODE ANTECIPAR" (Regra de ouro do art.300). • CAUÇÃO: Pode pedir, mas SE FOR POBRE, DISPENSA.• PRAZO ANTECEDENTE: Pediu antes da ação? Tem 30 DIAS para entrar com a ação principal, senão acaba. PEGADINHA: "Tutela provisória gera coisa julgada"→ ERRADO! É sempre provisório, pode mudar. RECURSOS (Fredie Didier Jr.) MACETE DOS EFEITOS: DEVOLUTIVO: "Devolve" o processo para o tribunal julgar. REGRA GERAL. SUSPENSIVO: Paralisar o efeito da sentença. EXCEÇÃO. QUANDO TEM SUSPENSIVO?: • Quando extingue o processo sem mérito (indeferiu inicial, reconheceu prescrição...) • Quando executar antes vai estragar tudo. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO: MACETE: "Tem dúvida? Esqueceu algo? Contradição? Aí é DECLARAÇÃO." • INTERROMPE O PRAZO SEMPRE! (Mesmo que seja mentira/protelatório). • NÃO MUDA O RESULTADO, só explica ou completa. RECURSO ESPECIAL vs EXTRAORDINÁRIO: FRASE PARA SEMPRE: "ESPECIAL = LEI FEDERAL (STJ) | EXTRAORDINÁRIO = CONSTITUIÇÃO (STF)" "ESPECIAL NÃO DISCUTE PROVA, SÓ LEI" DESERÇÃO: Não pagou as custas no prazo?→ NÃO CONHECIDO. Fim de jogo. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA vs EXECUÇÃO (Daniel Amorim) DIFERENÇA QUE MAIS CAI: CUMPRIMENTO: É continuação do processo que já existe. O título é a SENTENÇA. Macete: "Já teve juiz, já foi julgado, agora é só cobrar". MULTA DE 10%: Não pagou em 15 dias? Multa automática. EXECUÇÃO: É processo NOVO. O título é um DOCUMENTO (escritura, contrato, nota promissória) ou sentença de outro processo. Macete: "Chega com o papel na mão e já manda penhorar". IMPUGNAÇÃO vs EMBARGOS: IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO: Restrita. Só pode alegar coisas que ACONTECERAM DEPOIS DA SENTENÇA (pagou, prescreveu, compensou...). NÃO DISCUTE O JÁ JULGADO. EMBARGOS À EXECUÇÃO: Ampla. Pode atacar o próprio título, dizer que a dívida não existe, que o contrato é nulo... COISA JULGADA (Humberto Theodoro Júnior) FRASE DE OURO: "SÓ TEM COISA JULGADA QUEM RESOLVEU O MÉRITO. QUEM SAIU ANTES, PODE VOLTAR DEPOIS." CLASSIFICAÇÃO RÁPIDA: • COISA JULGADA FORMAL: Não cabe mais recurso, mas PODE PROPOR OUTRA AÇÃO (ex: extinguiu por prescrição, sem mérito). • COISA JULGADA MATERIAL: Acabou de verdade. NÃO PODE MAIS MUDAR NADA (ex: "Você não deve nada" ou "Você deve tudo"). AÇÃO RESCISÓRIA: MACETE: "NÃO É RECURSO, É AÇÃO NOVA PARA CONSERTAR ERRO GRAVE." • Prazo: 2 ANOS do trânsito. • Motivos: Erro de fato, prova falsa, violação grave de lei... • NÃO SERVE só porque você não gostou da decisão. COMPETÊNCIA (Todos os professores) ABSOLUTA vs RELATIVA – DECORAR A TABELA: ABSOLUTA RELATIVA ORDEM PÚBLICA DISPONÍVEL NÃO PODE MUDAR / CONCORDAR PODE MUDAR / PRORROGAR JUIZ DECLARA DE OFÍCIO SÓ A PARTE PODE ALEGAR MATÉRIA, VALOR, FUNÇÃO, IMÓVEL FORO DO RÉU, CONTRATO FORO DO IMÓVEL: "IMÓVEL SEGUE O LUGAR. NÃO IMPORTA ONDE ESTÃO AS PESSOAS." → Competência Absoluta. CONFLITO DE COMPETÊNCIA: Dois juízes querem ou não querem julgar?→ CONFLITO. Resolve o tribunal de cima. PEGADINHAS MAIS FREQUENTES DA FGV (Anota!) 1. "Juiz pode iniciar a execução de ofício" → ERRADO. Princípio da Iniciativa: quem move o processo é a parte. 2. "Impugnação ao cumprimento pode discutir o mérito da sentença"→ ERRADO. Mérito já foi decidido, não se toca mais. 3. "Tutela de urgência dispensa prova do direito" → ERRADO. Precisa da prova sim, só não precisa de prova total. 4. "Apelação contra sentença condenatória tem efeito suspensivo" → ERRADO. Regra é devolutivo. Suspensivo é exceção. 5. "Competência relativa pode ser declarada de ofício" → ERRADO. Só absoluta. Relativa, juiz só vê se a parte falar na contestação. 6. "Coisa julgadaincide sobre questões preliminares" → ERRADO. Só sobre o que foi decidido no mérito. RESUMO DE EMERGÊNCIA (Cola mental para prova) TUTELA Urgência = Direito + Perigo Evidência = Só Direito Forte Irreversível = Não concede RECURSOS Apelação = Devolutivo (Regra) Declaração = Esclarece / Interrompe prazo Especial = Lei Federal Extraordinário = Constituição EXECUÇÃO Cumprimento = Sentença / Multa 10% Execução = Documento Novo Impugnação = Restrita (só depois) Embargos = Ampla (ataca tudo) COISA JULGADA Com Mérito = Fim da linha Sem Mérito = Pode voltar Rescisória = Erro grave / 2 anos COMPETÊNCIA Absoluta = Ordem Pública / Ofício Relativa = Disponível / Prorroga Imóvel = Lugar do bem Quer que eu monte um esquema visual de fluxograma para você saber exatamente qual recurso cabe em cada caso? Macetes e Técnicas – 1ª Fase OAB (FGV) Foco: acertar 40+ | tempo: 5h | estilo: objetiva, pegadinhas, raciocínio rápido 1. LEITURA E INTERPRETAÇÃO (O MAIS IMPORTANTE) Leia o COMANDO primeiro: veja se pede CERTO ou ERRADO (70% dos erros são aqui!) Grife palavras-chave: não, só, apenas, sempre, nunca, absoluta/relativa, ordem pública, disponível/indisponível Cuidado com generalizações: palavras como todos, jamais, obrigatoriamente quase sempre tornam a alternativa ERRADA Leia TODAS as alternativas: nunca marque a primeira que pareça certa; pode ter outra melhor/completa Macete: “Se tem SEMPRE ou NUNCA, já risca!” 2. MACETES POR ASSUNTO (o que caiu nas suas questões 15–35) PROVAS • Juiz pode indeferir prova: se desnecessária, impertinente ou protelatória→ VÁLIDO • Prova emprestada: só vale se houve contraditório para quem não participou antes • Depoimento pessoal: não veio?→ presunção de verdade (exceto direitos indisponíveis) • Ônus da prova: regra = quem alega, prova; inversão só se difícil para um, fácil para o outro • Livre convencimento: juiz decide, mas SEMPRE deve MOTIVAR→ sem explicação = errado Macete: “Prova: juiz é dono, mas tem que explicar tudo!” RESPOSTA DO RÉU • Contestação: é a peça principal→ tudo o que é defesa vai aqui (nulidade, pagamento, prescrição) • Revelia: não defendeu?→ presunção de verdade, MENOS para direitos indisponíveis (família, estado) • Incompetência: ◦ ABSOLUTA: ordem pública→ juiz vê de ofício, qualquer tempo ◦ RELATIVA: só se alegar NA CONTESTAÇÃO→ se calar, aceita o foro• Reconvenção: só cabe NA CONTESTAÇÃO + precisa ter conexão com o pedido inicial • Réplica: só responde o que foi NOVO na contestação→ não pode repetir ou inventar coisa nova • Impugnação ao valor: tem que falar no prazo de defesa→ depois, aceitou Macete: “Relativa = réu tem que falar; Absoluta = juiz que vê” FASES PROCESSUAIS • Saneamento: Art.357→ juiz organiza, define pontos controvertidos, provas→ cabe agravo • Julgamento antecipado: se já tem tudo provado→ é REGRA, não exceção • Nulidade: “Pas de nullité sans grief”→ só anula se houve PREJUÍZO real • Pressupostos processuais: ordem pública→ juiz verifica de ofício, sempre Macete: “Erro sem dano→ ato válido!” 3. TÉCNICAS DE RESOLUÇÃO RÁPIDA ELIMINAÇÃO DE ALTERNATIVAS 1. Risco as absurdas→ 2 sobram 2. Risco as que tem sempre/nunca/todos3. Escolha a mais completa e equilibrada (geralmente é a certa) GESTÃO DE TEMPO • Média: 3min por questão→ se passar, pula e marca para depois • Ordem: comece pelas matérias que você mais domina→ ganha confiança e tempo • Não fique parado em uma difícil; volta no final MARCAÇÃO NO CARTÃO • Só marque depois de ter certeza; evite rasuras • Deixe 30min finais só para passar tudo e conferir 4. MACETES DE LEI SECA (mais cobrados) • Art.345 CPC: Revelia NÃO vale para direitos indisponíveis (família, estado, ordem pública) • Art.371: Livre convencimento MOTIVADO→ juiz decide, mas explica • Art.64/337: Incompetência relativa só na contestação • Art.277: Nulidade só com prejuízo • Art.357: Saneamento = mapa do processo Macete: “Decore só esses 5 artigos: resolve 30% das questões de Processo Civil!” 5. RESUMO PARA DIA DE PROVA 1. Leia COMANDO: Certo ou Errado? 2. Grife palavras de armadilha 3. Risco generalizações 4. Relativa = alegar; Absoluta = juiz vê 5. Revelia: NÃO vale para família/estado 6. Nulidade = só com dano 7. Sempre motive, sempre contraditório Questão 1 – Tutela de Urgência vs Evidência rova: 42º Exame OAB | FGV Sobre tutela provisória, é correto afirmar: A) Tutela de evidência exige demonstração de perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo B) Tutela de urgência pode ser antecipada ou cautelar; evidência dispensa periculum in mora C) Ambas só podem ser concedidas após contestação D) Têm efeitos definitivos e geram coisa julgada Comentários:• Fredie Didier Jr.: A distinção central está nos requisitos: urgência = fumus + periculum; evidência basta prova clara, inequívoca e reconhecida ou fato incontroverso, sem necessidade de risco. • Daniel Amorim: Tutela provisória é sempre precária e modificável; não há coisa julgada, pois não é decisão definitiva. • Humberto Theodoro Júnior: Pode ser concedida em qualquer momento, inclusive na inicial ou em recurso. • Teresa Arruda Alvim: A tutela de evidência é excepcional, aplicável apenas nos casos taxativos do art. 311 CPC. Questão 2 – Requisito de Irreversibilidade Prova: 40º Exame OAB | FGV Juiz indeferiu tutela antecipada porque seus efeitos seriam irreversíveis. Tal decisão é: A) Errada; irreversibilidade não é obstáculo B) Correta, pois é vedada se houver risco de não poder desfazer o que foi decidido C) Errada; só importa se causar dano grave ao réu D) Correta, apenas se a causa for de valor elevado Comentários: • Daniel Amorim: Art. 300, §3º CPC expressamente veda concessão se houver perigo de irreversibilidade do provimento antecipado, salvo exceções legais. V Fredie Didier Jr.: O limite visa equilíbrio: não se pode adiantar o que não se pode desfazer se ao final o pedido for improcedente. • Teresa Arruda Alvim: A regra não é absoluta; admite-se se for indispensável ou se houver caução idônea.• Humberto Theodoro Júnior: É requisito negativo obrigatório, não discricionário. Questão 3 – Tutela Antecedent • Fredie Didier Jr.: O limite visa equilíbrio: não se pode adiantar o que não se pode desfazer se ao final o pedido for improcedente. • Teresa Arruda Alvim: A regra não é absoluta; admite-se se for indispensável ou se houver caução idônea. Prova: 38º Exame OAB | FGV Pediu-se tutela cautelar antes de propor a ação principal. O autor deixou de ajuizar a ação no prazo de 30 dias. Consequência: A) Nenhuma; tutela continua válida B) Tutela caduca e cessa todos os efeitos C) Prazo é de 60 dias; ainda pode D) Só perde eficácia se o réu pedir Comentários: • Humberto Theodoro Júnior: Art. 306 CPC: se não propor ação principal em 30 dias, a tutela antecedente extingue-se automaticamente, independentemente de provocação. • Fredie Didier Jr.: É prazo decadencial, não suspende nem interrompe; medida provisória depende da ação principal para subsistir. • Daniel Amorim: Efeitos retroagem; como se nunca tivesse existido. • Teresa Arruda Alvim: Finalidade: evitar uso indevido para criar situações definitivas sem demanda. Questão 4 – Modificação e Revogação Prova: 37º Exame OAB | FGV Concedida tutela provisória, surgiu fato novo que alterou a situação fática. Juiz pode: A) Manter, pois decisão não se mudaB) Revogar ou modificar, de ofício ou a pedido C) Só mudar se a parte pedir D) Só após sentença definitiva Comentários: • Teresa Arruda Alvim: Art. 296 CPC: natureza precária justifica alteração a qualquer tempo, enquanto não houver sentença definitiva, por fato novo ou mudança de entendimento. • Fredie Didier Jr.: Não há estabilidade; sempre sujeita a reavaliaçãoconforme o curso do processo. • Daniel Amorim: Cabível mesmo sem contraditório prévio em casos de urgência. • Humberto Theodoro Júnior: Diferente de sentença, que só se altera por recurso ou ação rescisória. Questão 5 – Caução Prova: 36º Exame OAB | FGV Juiz exigiu caução para conceder tutela antecipada em favor de pessoa pobre, sem condições de pagar. Decisão: A) Válida; caução é sempre obrigatória B) Inválida; deve dispensar se comprovada insuficiência econômica C) Válida; pode exigir de qualquer um D) Inválida; nunca se exige caução Comentários: • Daniel Amorim: Art. 300, §1º: caução é facultativa e deve ser dispensada quando a parte não tem condições de prestar, sob pena de inviabilizar o acesso à justiça.• Humberto Theodoro Júnior: Garantia serve para ressarcir, mas não pode ser obstáculo para quem necessita da medida. • Fredie Didier Jr.: Princípio da igualdade e acesso à ordem jurídica justa impõem a dispensa. • Teresa Arruda Alvim: Exigência só cabe se houver risco concreto de prejuízo e parte tiver condições. BLOCO 2 – RECURSOS (6–10) Questão 6 – Efeitos do Recurso de Apelação Prova: 41º Exame OAB | FGV Apelação contra sentença condenatória tem, em regra: A) Apenas efeito devolutivo B) Apenas efeito suspensivo C) Ambos os efeitos D) Nenhum efeito Comentários: • Humberto Theodoro Júnior: Art. 1.012 CPC: regra é efeito devolutivo; suspensivo só nas hipóteses expressas ou se houver risco de dano grave. • Fredie Didier Jr.: Devolve ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada; não impede cumprimento provisório. • Teresa Arruda Alvim: Efeito suspensivo é exceção, interpretada restritivamente. • Daniel Amorim: Sentença não fica paralisada; pode ser executada provisoriamente. Questão 7 – Recurso Especial – Requisitos Prova: 39º Exame OAB | FGV Recurso especial só é cabível se: A) Houver ofensa a lei federal e decisão divergir de súmula ou jurisprudência dominante B) Qualquer erro de julgamento C) Ofensa à Constituição Federal D) Discussão sobre prova dos fatos Comentários: • Teresa Arruda Alvim: Art. 1.029 CPC: pressupostos: violação a lei federal e dissídio jurisprudencial ou contrariedade a súmula; não reexamina fatos e provas. • Fredie Didier Jr.: Destinado a uniformizar interpretação da lei federal, não a corrigir qualquer erro. • Daniel Amorim: Matéria constitucional é para recurso extraordinário. • Humberto Theodoro Júnior: Impossível reavaliar conjunto probatório; limita-se ao direito. Questão 8 – Embargos de Declaração – Efeitos Prova: 35º Exame OAB | FGV Embargos de declaração interrompem prazo para outros recursos? A) Não, nunca B) Sim, apenas se houver omissão C) Sim, em qualquer hipótese D) Só se forem acolhidos Comentários:• Fredie Didier Jr.: Art. 1.026: interrompem o prazo recursal independentemente de acolhimento ou rejeição; reinicia após publicação da decisão dos embargos. • Daniel Amorim: Mesmo que protelatórios, geram esse efeito legal. • Humberto Theodoro Júnior: É regra absoluta, não depende de conteúdo. • Teresa Arruda Alvim: Finalidade: permitir à parte aguardar esclarecimento antes de recorrer. Questão 9 – Recurso Ordinário Constitucional Prova: 34º Exame OAB | FGV Contra decisão de Turma Recursal de Juizado Especial que ofendeu direito constitucional, cabe: A) Apelação B) Recurso Especial C) Recurso Ordinário Constitucional D) Embargos Infringentes Comentários: • Daniel Amorim: Art. 1.027: cabível contra decisões de tribunais inferiores ou turmas recursais em matéria constitucional. • Teresa Arruda Alvim: Destinado a STF; diferente de especial, que vai ao STJ. • Fredie Didier Jr.: Pressupõe discussão de norma da Constituição, não lei federal ordinária.• Humberto Theodoro Júnior: É via adequada para controle de constitucionalidade em instâncias inferiores. Questão 10 – Deserção Prova: 33º Exame OAB | FGV Recurso interposto dentro do prazo, mas sem pagamento de custas no prazo legal. Consequência: A) Conhecido, mas multa B) Não conhecido por deserção C) Conhecido, se recolher depois D) Apenas advertência Comentários: • Humberto Theodoro Júnior: Art. 1.007: preparo é requisito de admissibilidade; falta ou atraso acarreta não conhecimento. • Fredie Didier Jr.: É condição de procedibilidade; não se supre posteriormente. • Teresa Arruda Alvim: Dispensado apenas se houver gratuidade de justiça deferida. • Daniel Amorim: Não há conversão em diligência; recurso é rejeitado de plano. BLOCO 3 – CUMPRIMENTO DE SENTENÇA (11–15) Questão 11 – Início e Legitimidade Prova: 43º Exame OAB | FGV Cumprimento de sentença deve ser requerido por: A) Qualquer interessadoB) Exequente, após trânsito em julgado ou de forma provisória C) Juiz, de ofício D) Ministério Público sempre Comentários: • Fredie Didier Jr.: Art. 513: iniciativa é da parte; juiz não executa sozinho. Pode ser definitivo ou provisório, antes do trânsito. • Daniel Amorim: Provirio é possível se recurso não tiver efeito suspensivo. • Teresa Arruda Alvim: Legitimidade só do vencedor ou seu sucessor. • Humberto Theodoro Júnior: Regra: execução depende de requerimento. Questão 12 – Obrigação de Pagar Quantia Certa Prova: 41º Exame OAB | FGV Condenado a pagar R$ 50 mil. Intimado, não pagou em 15 dias. Incide multa de: A) 10% B) 5% C) 20% D) Não há multa Comentários: • Daniel Amorim: Art. 523: multa de 10% sobre o valor, além de honorários advocatícios, se não pagar voluntariamente. • Humberto Theodoro Júnior: É sanção automática, independe de Pedido. Fredie Didier Jr.: Finalidade: compelir cumprimento espontâneo. • Teresa Arruda Alvim: Incide também sobre custas processuais. Questão 13 – Cumprimento Provisório Prova: 39º Exame OAB | FGV Cumprimento provisório é cabível: A) Nunca B) Sempre C) Quando recurso interposto não tiver efeito suspensivo D) Só com caução Comentários: • Teresa Arruda Alvim: Art. 520: possível quando a apelação ou recurso não tem efeito suspensivo; dispensa caução em certos casos como alimentos. • Fredie Didier Jr.: Visa eficácia imediata, mesmo antes do trânsito. • Daniel Amorim: Se depois a sentença for reformada, desfaz-se tudo. • Humberto Theodoro Júnior: Medida de efetividade da tutela Jurisdicional. "Na solidariedade, morrendo um devedor, a dívida acaba para os herdeiros" → ERRADO. A obrigação se transmite aos herdeiros, que respondem nos limites da herança. Art. 276 CC. 5. "Usucapião precisa de registro para adquirir a propriedade" → ERRADO. Usucapião é modo originário. O registro serve para dar publicidade, não para constituir. RESUMO DE EMERGÊNCIA - COLA MENTAL PARTE GERAL Nulo = Ordem Pública / Imprescritível | Anulável = Vício Vontade / 4 anos Decadência = Perde direito | Prescrição = Perde pretensão OBRIGAÇÕES Solidário = Cobra tudo de um só | Mora devedor = Risco é dele Compensação = Dívidas recíprocas se extinguem até onde se encontrarem CONTRATOS Evicção = Perde o bem | Vício = Bem com defeito Benfeitorias: Necessária indeniza sempre | Útil só de boa-fé | Voluptuária levanta COISAS Posse = Fato | Propriedade = Registro Usucapião Especial Urbana = 5 anos / 250m² / moradia Hipoteca = Segue o bem com quem estiver ⚡ REGRAS GERAIS - RESPONSABILIDADE, FAMÍLIA, SUCESSÕES ⚠ PALAVRAS PERIGOSAS: "Sempre, Nunca, Todo, Nenhum, Apenas, Somente" → 90% ERRADAS. Elimina! BLOCO 1 – RESPONSABILIDADE CIVIL "Subjetiva = Culpa / Objetiva = Risco" SUBJETIVA - Precisa provar culpa: Profissional liberal, acidente de trânsito em regra, descumprimento contratual. OBJETIVA - Independe de culpa: Atividade de risco, dono de animal, dono de obra Art. 618, pais por filhos, Estado, fornecedor por produto defeituoso. EXCLUDENTES: Culpa exclusiva da vítima, caso fortuito/força maior, fato exclusivo de terceiro. DANO MORAL: Independe de dano material. Ofensa à dignidade basta. BLOCO 2 – DIREITO DE FAMÍLIA REGIMES DE BENS 1. COMUNHÃO PARCIAL - REGRA: Comum = Adquirido na constância. Particular = Anterior + Herança + Doação. 2. SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA: Maior de 70 anos - atualizado pelo CPC/2015, não 60. Também para quem casar com suprimento judicial. Art. 1.641 CC. 3. COMUNHÃO UNIVERSAL: Tudo se comunica, inclusive dívidas anteriores, salvo exceções. FILIAÇÃO - 300 DIAS Nascido até 300 dias após dissolução da sociedade conjugal→ Presume-se do marido. Art. 1.597 II CC. Reconhecimento de filho é irrevogável. GUARDA E ALIMENTOS GUARDA COMPARTILHADA = REGRA. Art. 1.584 §2º CC. Ambos decidem. ALIMENTOS: Não acabam aos 18 se cursa faculdade/curso técnico ou não tem como se manter. Súmula 358 STJ. UNIÃO ESTÁVEL Homoafetiva = Heteroafetiva. MESMOS DIREITOS. STF. Aplica-se regime da comunhão parcial, salvo contrato. BLOCO 3 – SUCESSÕES CÁLCULO DA HERANÇA 1. SEPARA A MEAÇÃO: Se casado em comunhão, tira 50% do cônjuge. O resto é herança. 2. LEGÍTIMA vs DISPONÍVEL: 50/50 LEGÍTIMA: 50% para herdeiros necessários: descendentes, ascendentes e cônjuge. Art. 1.845 CC. DISPONÍVEL: 50% pode deixar para quem quiser. ORDEM DE VOCAÇÃO HEREDITÁRIA Art. 1.829 CC: 1º Descendentes em concorrência com cônjuge, salvo se casado na comunhão universal, separação obrigatória, ou comunhão parcial sem bens particulares. 2º Ascendentes em concorrência com cônjuge; 3º Cônjuge sozinho; 4º Colaterais até 4º grau. INDIGNO vs DESERDADO • INDIGNO: Excluído por lei. Ofendeu autor da herança. Não tem direito de representação. Art. 1.816 CC. • DESERDADO: Excluído por testamento com causa expressa. Filhos do deserdado herdam por representação. Art. 1.961 CC. RESUMO VÉSPERA DE PROVA RESPONSABILIDADE Subjetiva = Culpa | Objetiva = Risco | Dano Moral independe de material FAMÍLIA >70 anos = Separação Obrigatória | 300 dias = Presunção paternidade Herança = Bem particular | Guarda Compartilhada = Regra | União Estável = Igual SUCESSÕES 1º Tira meação | 2º 50% Legítima / 50% Disponível Ordem: Descendentes + Cônjuge > Ascendentes + Cônjuge > Cônjuge > Colaterais Principais correções feitas: Pronto! Reescrevi todo o material, corrigi erros de conteúdo, atualizei o que estava defasado no Código Civil e padronizei a linguagem. Usei o mesmo método dos 4 passos pra você aplicar em prova. MÉTODO FGV - DIREITO CIVIL: PASSO A PASSO PARA TODA QUESTÃO Faça isso em TODA questão, SEM FALHA: 1 PASSO 1 – LEITURA SELETIVA & MARCAÇÃO Regra de Ouro: "Quem não marca, erra!" Leia 2x e sublinhe: PALAVRAS PERIGOSAS - 90% ERRADAS: SEMPRE, NUNCA, TODO, NENHUM, APENAS, SOMENTE, OBRIGATORIAMENTE, EM QUALQUER CASO → Alternativa com isso = suspeita. Elimine se for absoluta. PALAVRAS-CHAVE DE MUDANÇA DE REGRA: MAS, PORÉM, AINDA QUE, MESMO QUE, SALVO SE, DESDE QUE, EXCETO → É aqui que a FGV esconde a exceção. A regra vale, MAS... vem o pulo do gato. PALAVRAS DE CLASSIFICAÇÃO: NULO / ANULÁVEL | PRESCRIÇÃO / DECADÊNCIA | SUBJETIVA / OBJETIVA | POSSE / PROPRIEDADE → Se definiu o instituto, já tem 50% da questão. 2 PASSO 2 – CLASSIFIQUE O INSTITUTO EM 2 SEGUNDOS Olhe o fato e encaixe: • PARTE GERAL→ Menor, incapaz, erro, dolo, coação, simulação, prazo, nulo, anulável, condição, termo. • Pergunta-chave: É VÁLIDO, NULO OU ANULÁVEL? • OBRIGAÇÕES→ Dívida, pagamento, solidariedade, divisibilidade, compensação, novação, cessão, mora, cláusula penal. Pergunta-chave: QUEM PODE COBRAR / QUEM DEVE PAGAR? • CONTRATOS→ Compra e venda, locação, doação, empreitada, evicção, vícios, benfeitorias. Pergunta-chave: CUMPRIU OU DESCUMPRIU? QUAIS OS EFEITOS? • COISAS→ Posse, propriedade, usucapião, servidão, hipoteca, penhor, anticrese. Pergunta-chave: QUEM TEM O PODER DE FATO / QUEM É O DONO NO PAPEL? 3 PASSO 3 – FILTRO DE ERRO: O SEGREDO DA FGV Use na ordem: 1. FILTRO DO "MEIO CERTO": Começa com a regra certa, termina com detalhe errado. Ex: "Usucapião especial urbana é 10 anos, mas exige justo título"→ Começa certo, termina errado. ERRADA! 2. FILTRO REGRA vs EXCEÇÃO: Se a questão NÃO trouxe situação especial→ MARQUE A REGRA GERAL. Ex: "Quem escolhe na obrigação alternativa?"→ Regra = Devedor. Se não disse nada, é ele. 3. FILTRO DE CONTRADIÇÃO: Se contrariar princípio básico→ ERRADA. Ex: "Posse só existe com título"→ Contraria: Posse é fato. ERRADA. 4 PASSO 4 – SE TIVER DÚVIDA Escolha nesta ordem: 1. A mais justa / razoável. 2. A que traz a regra geral do Carlos Roberto Gonçalves. 3. A que não inventa exceções. MACETES ESPECÍFICOS – PARTE GERAL NULO vs ANULÁVEL - A MAIS COBRADA MACETE: • NULO: Viola lei / ordem pública / falta elemento essencial→ Não produz efeitos, não convalida, pode ser alegado por qualquer interessado e pelo juiz de ofício. PRAZO: IMPRESCRITÍVEL. • ANULÁVEL: Vício de vontade / incapacidade relativa→ Produz efeitos até ser anulado, só o interessado pode alegar. PRAZO: 4 ANOS. Frase: "Nulo = Nasce morto. Anulável = Nasce doente, pode morrer." PRESCRIÇÃO vs DECADÊNCIA MACETE: • PRESCRIÇÃO: Perde a PRETENSÃO - direito de exigir em juízo. Prazo geral: 10 anos. Conta da violação do direito. Interrompe e suspende. • DECADÊNCIA: Perde o PRÓPRIO DIREITO POTESTATIVO. Conta do ato ou do conhecimento. Em regra não interrompe nem suspende. Erro comum FGV: "Prazo de decadência conta da descoberta do vício"→ ERRADO para anulação de negócio jurídico: conta da celebração. Art. 178 CC. CONDIÇÃO, TERMO, ENCARGO MACETE: • CONDIÇÃO: Evento futuro e INCERTO. "SE chover..." • TERMO: Evento futuro e CERTO. "DIA 10/12..." • ENCARGO/MODO: Ônus em liberalidade. "Te dou a casa, DESDE QUE cuide da minha mãe". • Condição puramente potestativa = depende só do arbítrio de uma parte→ NULA. Art. 122 CC. ⚖ MACETES ESPECÍFICOS – OBRIGAÇÕES SOLIDARIEDADE vs DIVISIBILIDADE FRASE MÁGICA: "Solidário = Um por todos, todos por um. Credor cobra o total de qualquer um." "Indivisível = A coisa não se divide. Todos têm que entregar junto." Macete: • Dívida solidária: Pagamento por um libera todos. Morte de um devedor solidário: a dívida se divide entre os herdeiros, mas cada herdeiro só responde até o limite da sua quota hereditária. Art. 276CC. • Obrigação indivisível: Pagamento tem que ser conjunto, salvo se um pagar tudo. EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES COMO IDENTIFICAR: • COMPENSAÇÃO: Dívidas líquidas, vencidas, de coisas fungíveis entre as mesmas partes. "Te devo, me deve = Abate". • NOVAÇÃO: Cria nova dívida para extinguir a anterior. "Troca a dívida, apaga a antiga". • CESSÃO DE CRÉDITO: Credor transfere seu direito. Só tem eficácia contra o devedor se ele for notificado. Art. 290 CC. MORA REGRA PRÁTICA: • DEVEDOR EM MORA: Atrasou→ Paga juros, multa, correção e responde até por caso fortuito/força maior, salvo se provar que o dano ocorreria mesmo se tivesse cumprido. Art. 399 CC. • CREDOR EM MORA: Recusou receber sem justo motivo→ Devedor não responde mais por riscos, credor paga despesas de conservação. MACETES ESPECÍFICOS – CONTRATOS FORMA DO CONTRATO MACETE: • REGRA: Liberdade das formas. Verbal vale! Art. 107 CC. • EXCEÇÃO: Lei exige forma especial. Ex: Imóvel > 30 salários mínimos, doação, testamento, pacto antenupcial. Exigem escritura pública. "Contrato particular de imóvel vale entre as partes, mas para registrar no cartório precisa de escritura pública." COMPRA E VENDA – EVICÇÃO & VÍCIOS DIFERENÇA QUE CAI SEMPRE: • EVICÇÃO: Perda da coisa por decisão judicial ou ato administrativo que reconhece direito de terceiro anterior.→ Perde o bem. Vendedor indeniza. • VÍCIO REDIBITÓRIO: Defeito oculto que torna a coisa imprópria ou diminui o valor.→ Fica com bem defeituoso. Pode rejeitar ou pedir abatimento. Macete: "Evicção = Perdi pro dono de verdade. Vício = Veio com defeito." BENFEITORIAS - LOCAÇÃO / POSSE DECORE A TABELA: Tipo O que é Possuidor de boa- fé Possuidor de má- fé NECESSÁRIAS Conservam o bem Indeniza + Retenção Indeniza ÚTEIS Melhoram o uso Indeniza + Retenção Nada VOLUPTUÁRIAS Mero luxo/deleite Pode levantar Pode levantar Erro comum: "Toda benfeitoria deve ser indenizada"→ ERRADO. EMPREITADA REGRA: "Empreiteiro responde pela solidez e segurança da obra por 5 anos". Art. 618 CC. Macete: "Obra diferente do combinado = Dono pode recusar ou exigir abatimento." MACETES ESPECÍFICOS – DIREITO DAS COISAS POSSE vs PROPRIEDADE FRASE DE OURO: "POSSE = FATO: Quem usa, quem está lá. PROPRIEDADE = DIREITO: Quem tem o nome no registro." Macete: • Pode ter posse sem ser dono. Ex: Locatário. • Pode ser dono sem ter posse. Ex: Proprietário que alugou. • DETENÇÃO: Exerce em nome de outro e em cumprimento de ordens. Ex: Caseiro.→ NÃO É POSSE. Art. 1.198 CC. USUCAPIÃO – PRAZOS CORRIGIDOS DECORE OS PRINCIPAIS: • ESPECIAL URBANA: 5 ANOS, até 250m², moradia própria, não ser dono de outro imóvel. Art. 1.240 CC. • ORDINÁRIA: 10 ANOS, com justo título + boa-fé. Cai para 5 anos se houver moradia ou investimento social/econômico. Art. 1.242 CC. • EXTRAORDINÁRIA: 15 ANOS, só posse. Cai para 10 anos se houver moradia ou obras. Art. 1.238 CC. Macete: "5 anos = Especial. 10 anos = Ordinária com título. 15 anos = Extraordinária sem nada." DIREITOS REAIS DE GARANTIA DIFERENÇA RÁPIDA: • HIPOTECA: Recai sobre imóveis. Bem continua com o devedor. Tem direito de sequela→ Persegue o bem com quem estiver. • PENHOR: Recai sobre móveis. Bem vai para o credor. Credor não pode usar, sob pena de responder por perdas e danos. Art. 1.435 CC. • ANTICRESE: Credor retém imóvel e recebe os frutos para pagar a dívida. SERVIDÃO DE PASSAGEM REGRA: Prédio ENCRAVADO sem acesso à via pública→ Tem direito à passagem forçada pelo vizinho, mediante indenização. Art. 1.285 CC. Macete: "Propriedade obriga. Se não tem saída, vizinho tem que dar passagem." PEGADINHAS MAIS FREQUENTES DA FGV - CORRIGIDAS 1. "Contrato só vale se for escrito" → ERRADO. Regra geral é liberdade de forma. Art. 107 CC. 2. "Posse só existe com justo título" → ERRADO. Posse é fato, independe de título. Art. 1.196 CC. 3. "Prazo para anular negócio por vício de vontade começa quando descobrir o erro" → ERRADO. Decadência de 4 anos conta da celebração. Art. 178 CC. 4. "Na solidariedade, morrendo um devedor, a dívida acaba para os herdeiros" → ERRADO. A obrigação se transmite aos herdeiros, que respondem nos limites da herança. Art. 276 CC. 5. "Usucapião precisa de registro para adquirir a propriedade" → ERRADO. Usucapião é modo originário. O registro serve para dar publicidade, não para constituir. RESUMO DE EMERGÊNCIA - COLA MENTAL PARTE GERAL Nulo = Ordem Pública / Imprescritível | Anulável = Vício Vontade / 4 anos Decadência = Perde direito | Prescrição = Perde pretensão OBRIGAÇÕES Solidário = Cobra tudo de um só | Mora devedor = Risco é dele Compensação = Dívidas recíprocas se extinguem até onde se encontrarem CONTRATOS Evicção = Perde o bem | Vício = Bem com defeito Benfeitorias: Necessária indeniza sempre | Útil só de boa-fé | Voluptuária levanta COISAS Posse = Fato | Propriedade = Registro Usucapião Especial Urbana = 5 anos / 250m² / moradia Hipoteca = Segue o bem com quem estiver ⚡ REGRAS GERAIS - RESPONSABILIDADE, FAMÍLIA, SUCESSÕES ⚠ PALAVRAS PERIGOSAS: "Sempre, Nunca, Todo, Nenhum, Apenas, Somente" → 90% ERRADAS. Elimina! BLOCO 1 – RESPONSABILIDADE CIVIL "Subjetiva = Culpa / Objetiva = Risco" SUBJETIVA - Precisa provar culpa: Profissional liberal, acidente de trânsito em regra, descumprimento contratual. OBJETIVA - Independe de culpa: Atividade de risco, dono de animal, dono de obra Art. 618, pais por filhos, Estado, fornecedor por produto defeituoso. EXCLUDENTES: Culpa exclusiva da vítima, caso fortuito/força maior, fato exclusivo de terceiro. DANO MORAL: Independe de dano material. Ofensa à dignidade basta. BLOCO 2 – DIREITO DE FAMÍLIA REGIMES DE BENS 1. COMUNHÃO PARCIAL - REGRA: Comum = Adquirido na constância. Particular = Anterior + Herança + Doação. 2. SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA: Maior de 70 anos - atualizado pelo CPC/2015, não 60. Também para quem casar com suprimento judicial. Art. 1.641 CC. 3. COMUNHÃO UNIVERSAL: Tudo se comunica, inclusive dívidas anteriores, salvo exceções. FILIAÇÃO - 300 DIAS Nascido até 300 dias após dissolução da sociedade conjugal→ Presume-se do marido. Art. 1.597 II CC. Reconhecimento de filho é irrevogável. GUARDA E ALIMENTOS GUARDA COMPARTILHADA = REGRA. Art. 1.584 §2º CC. Ambos decidem. ALIMENTOS: Não acabam aos 18 se cursa faculdade/curso técnico ou não tem como se manter. Súmula 358 STJ. UNIÃO ESTÁVEL Homoafetiva = Heteroafetiva. MESMOS DIREITOS. STF. Aplica-se regime da comunhão parcial, salvo contrato. BLOCO 3 – SUCESSÕES CÁLCULO DA HERANÇA 1. SEPARA A MEAÇÃO: Se casado em comunhão, tira 50% do cônjuge. O resto é herança. 2. LEGÍTIMA vs DISPONÍVEL: 50/50 LEGÍTIMA: 50% para herdeiros necessários: descendentes, ascendentes e cônjuge. Art. 1.845 CC. DISPONÍVEL: 50% pode deixar para quem quiser. ORDEM DE VOCAÇÃO HEREDITÁRIA Art. 1.829 CC: 1º Descendentes em concorrência com cônjuge, salvo se casado na comunhão universal, separação obrigatória, ou comunhão parcial sem bens particulares. 2º Ascendentes em concorrência com cônjuge; 3º Cônjuge sozinho; 4º Colaterais até 4º grau. INDIGNO vs DESERDADO • INDIGNO: Excluído por lei. Ofendeu autor da herança. Não tem direito de representação. Art. 1.816 CC. • DESERDADO: Excluído por testamento com causa expressa. Filhos do deserdado herdam por representação. Art. 1.961 CC. RESUMO VÉSPERA DE PROVA RESPONSABILIDADE Subjetiva = Culpa | Objetiva = Risco | Dano Moral independe de material FAMÍLIA >70 anos = Separação Obrigatória | 300 dias = Presunção paternidade réplica, não se pode mais falar. BLOCO 1: RESPONSABILIDADE CIVIL - 10 QUESTÕES 1. OAB 43º - FGV Hospital público realiza cirurgia e paciente morre por erro do médico servidor. A responsabilidade civil do Estado é: A) Subjetiva, exigindo prova de culpa do agente.B)Objetiva, com base na teoria do risco administrativo, art. 37, §6º CF. C) Subsidiária, só após esgotados os bens do médico. D) Inexistente, pois ato médico é técnico. Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: Estado = OBJETIVA. Art. 37, §6º CF. Teoria do risco administrativo. Não discute culpa do médico. Estado indeniza e depois aciona o servidor se houve dolo/culpa, direito de regresso. FGV coloca "subjetiva" pra confundir com resp. do médico autônomo. 2. OAB 42º - FGV Construtora entrega prédio com vício de construção que causa desabamento 6 anos depois. Morador processa. Aplica-se: A) Prazo decadencial de 5 anos, art. 618 CC, contado da entrega. B) Prazo prescricional de 3 anos, art. 206 §3º V CC, contado do conhecimento do dano. C) Prazo de garantia de 90 dias, CDC. D) Imprescritível por envolver segurança. Gabarito: A Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 618 CC. Solidez e segurança = 5 ANOS de garantia, prazo DECADENCIAL. Conta da entrega da obra. Depois disso, só se ajuizou antes. FGV mistura com prescrição de 3 anos da reparação civil. São coisas diferentes. 3. OAB 41º - FGV Shopping center é assaltado e cliente é baleado no estacionamento. O shopping responde: A) Não, pois foi fato de terceiro - crime. B) Sim, objetivamente, pois estacionamento é dever de segurança, Súmula 130 STJ por analogia. C) Só se provada falha na segurança. D) Só se o estacionamento for pago. Gabarito: BProf. Daniel Amorim: STJ REsp 1.431.606. Estacionamento gratuito ou pago = dever de guarda e vigilância. Assalto é fortuito INTERNO. Risco do negócio. FGV diz "fato de terceiro exclui". Exclui só se for externo, sem relação com atividade. 4. OAB 40º - FGV Em acidente de trânsito, motorista bêbado atropela pedestre que atravessava fora da faixa. A indenização: A) É excluída pela culpa exclusiva da vítima. B) Deve ser reduzida pela culpa concorrente, art. 945 CC. C) É integral, pois dirigir bêbado é crime. D) Não cabe, pois ambos erraram. Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 945 CC. Culpa CONCORRENTE = reduz indenização proporcionalmente. Embriaguez não exclui culpa da vítima. Só culpa EXCLUSIVA rompe nexo. FGV adora trocar "concorrente" por "exclusiva". 5. OAB 39º - FGV Ofensa publicada em rede social gera dano moral. O provedor de internet responde: A) Objetivamente, por ser atividade de risco. B) Só se não retirar o conteúdo após ordem judicial, Marco Civil art. 19. C) Solidariamente com o autor da ofensa sempre. D) Não responde nunca. Gabarito: B Prof. Daniel Amorim: Marco Civil da Internet, art. 19. Provedor só responde se descumprir ORDEM JUDICIAL de remoção. Não tem monitoramento prévio. FGV cobra literalidade. "Notificação extrajudicial" não basta. 6. OAB 38º - FGV Menor de 16 anos causa acidente com carro dos pais. Os pais: A) Respondem subjetivamente por culpa in vigilando. B) Respondem objetivamente, art. 932 I c/c 933 CC.C) Não respondem, pois menor não tem CNH. D) Só respondem se deram o carro. Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 932, I + 933 CC. Pais = OBJETIVA pelos filhos menores sob sua autoridade. Não importa se deu o carro ou não. Culpa in vigilando era CC/1916. FGV cobra tese antiga. 7. OAB 37º - FGV Dano estético e dano moral: A) Não podem ser cumulados, pois dano estético é espécie de moral. B) Podem ser cumulados, Súmula 387 STJ. C) Dano estético só cabe em erro médico. D) Só cumulam se houver dano material. Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: Súmula 387 STJ. Estético = lesão à integridade física. Moral = dor psíquica. Bens distintos. Pode cumular moral + estético + material. FGV diz "não cumula". Cumula sim. 8. OAB 36º - FGV Protesto indevido de título já pago gera dano moral: A) Só se provar abalo de crédito. B) In re ipsa, presumido, Súmula 385 STJ não se aplica se for o 1º protesto. C) Só para pessoa física. D) Não gera dano moral. Gabarito: B Prof. Daniel Amorim: Dano moral in re ipsa. Protesto indevido presume dano. Súmula 385 STJ só vale se já tinha outro protesto legítimo antes. FGV inverte a súmula. 9. OAB 35º - FGV A cláusula de não indenizar em contrato de transporte: A) É válida se o passageiro concordar.B) É nula, art. 734 CC. C) Vale só para bagagem. D) Vale só no transporte gratuito. Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 734 CC. É NULA qualquer cláusula que exclua resp. no transporte de pessoas. Transporte de bagagem pode limitar, mas de pessoa não. FGV tenta aplicar pra pessoa. 10. OAB 34º - FGV Responsabilidade do incapaz pelos danos que causar: A) Não existe, pois é inimputável. B) É subsidiária e mitigada, art. 928 CC. Só responde se pais não tiverem bens e não privar o incapaz do necessário. C) É solidária com os pais sempre. D) É objetiva e integral. Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 928 CC. Incapaz responde SUBSIDIARIAMENTE. Primeiro cobra dos pais. Se pais não tiverem, pega do incapaz, mas juiz pode reduzir se tirar o necessário pra ele viver. FGV diz "não responde". Responde sim, mas mitigado. BLOCO 2: DIREITO DE FAMÍLIA - 10 QUESTÕES 11. OAB 33º - FGV Casamento nulo putativo gera efeitos para cônjuge de boa-fé: A) Nenhum efeito. B) Efeitos até a sentença, art. 1.561 CC. C) Efeitos só patrimoniais. D) Efeitos só para os filhos. Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.561 CC. Putativo = casamento nulo/anulável, mas com boa-fé. Produz efeitos ATÉ A SENTENÇA. Depois não. Filhos sempre legítimos. FGV diz "nenhum efeito". Tem efeito sim.12. OAB 32º - FGV Regime de bens pode ser alterado na constância do casamento: A) Não pode, é imutável. B) Pode, mediante autorização judicial + pedido de ambos, art. 1.639 §2º CC. C) Pode por escritura pública direto. D) Só antes de ter filhos. Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.639 §2º CC. Mutabilidade MOTIVADA. Pede ao juiz, justifica, ambos concordam. Não pode prejudicar 3º. FGV cobra regra antiga "imutável". Mudou em 2002. 13. OAB 31º - FGV Namoro qualificado x união estável. A diferença é: A) Não há diferença. B) União estável exige convivência pública, contínua, duradoura e objetivo de constituir família, art. 1.723 CC. C) Namoro precisa de contrato. D) União estável só com filhos. Gabarito: B Prof. Fredie Didier Jr: STJ. Namoro qualificado = namoro longo, mas sem "animus familiae". União estável = intenção de família. Não exige prazo nem coabitação. FGV diz "morar junto é requisito". Não é. 14. OAB 30º - FGV Alimentos entre ex-cônjuges: A) São devidos sempre. B) São excepcionais e temporários, para reabilitação, salvo incapacidade. C) São vitalícios se casamento durou +10 anos. D) Não existem após divórcio. Gabarito: BProf. Carlos R. Gonçalves: STJ REsp 1.205.408. Alimentos entre ex = EXCEÇÃO. Regra é cada um se manter. Só cabe se necessidade + possibilidade + temporário. Vitalício só se incapaz ou idoso. FGV cobra como se fosse regra. 15. OAB 29º - FGV Adoção por casal homoafetivo: A) É vedada. B) É permitida, STF ADI 4277 + CNJ Res. 175. C) Só se um adotar individualmente. D) Só de criança maior de 12 anos. Gabarito: B Prof. Daniel Amorim: STF equiparou união homoafetiva à hetero. CNJ regulamentou casamento/adoção. Não há restrição. FGV ainda coloca "vedada". Tá desatualizada. 16. OAB 28º - FGV A infidelidade gera dever de indenizar: A) Sempre, pois viola dever conjugal. B) Só se causar dano moral efetivo, excedendo mero dissabor, STJ. C) Gera só divórcio. D) Não gera nada. Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: STJ. Infidelidade por si só = mero dissabor. Precisa provar humilhação pública, doença, etc. Dano moral não é automático. FGV diz "sempre indeniza". Errado. 17. OAB 27º - FGV Pacto antenupcial feito por menor: A) É válido. B) É válido com assistência do representante legal, art. 1.654 CC. C) É nulo sempre. D) Só vale se for separação obrigatória. Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.654 CC. Menor em idade núbil pode casar e fazer pacto, MAS com assistência. Se não tiver, pacto é nulo. FGV diz "nulosempre". Não, com assistência vale. 18. OAB 26º - FGV O bem reservado da mulher: A) Ainda existe no CC/2002. B) Foi extinto, pois viola igualdade, art. 5º I CF. C) Vale só para compra com fruto do trabalho. D) Só no regime de separação. Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: CC/1916 tinha "bem reservado". CC/2002 acabou. Viola isonomia. Hoje ambos administram. FGV cobra instituto morto. 19. OAB 25º - FGV Ação de divórcio cumulada com partilha: A) Não pode, partilha é sempre depois. B) Pode, mas se bens forem complexos juiz pode mandar partilhar depois, art. 731 CPC. C) Só no consensual. D) Só se não houver filho. Gabarito: B Prof. Fredie Didier Jr: Art. 731 CPC. Regra = cumula. Exceção = se partilha for complexa, divorcia e partilha depois. FGV diz "não pode". Pode sim. 20. OAB 24º - FGV Venda de ascendente para descendente sem anuência dos demais: A) É válida. B) É anulável, art. 496 CC, prazo 2 anos. C) É nula de pleno direito. D) Só vale se for por preço justo.Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 496 CC. Pai vende pra filho = precisa anuência dos outros filhos + cônjuge. Se não, ANULÁVEL. Prazo 2 anos do ato. FGV troca anulável por nulo. BLOCO 3: SUCESSÕES - 10 QUESTÕES 21. OAB 23º - FGV Herdeiro necessário que foi deserdado pode: A) Nada fazer, perdeu tudo. B) Impugnar a deserdação em 4 anos, provando falsidade da causa, art. 1.965 CC. C) Herdar mesmo assim. D) Só ter direito à legítima. Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.965 CC. Deserdado pode contestar em 4 anos da abertura do testamento. Se causa for falsa, deserdação cai. FGV diz "perdeu tudo". Pode brigar. 22. OAB 22º - FGV Cônjuge sobrevivente casado em comunhão universal concorre com descendentes? A) Sim, sempre. B) Não, pois já é meeiro de todo patrimônio, art. 1.829 I CC. C) Concorre em 1/4. D) Só se renunciar à meação. Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.829, I CC. Comunhão UNIVERSAL = cônjuge é meeiro de 100%. Não concorre na herança, pois não há bem particular. FGV confunde com parcial. 23. OAB 21º - FGV Testamento de emergência, sem testemunhas: A) Não existe.B) Vale se o testador morrer e testemunhas confirmarem em juízo, art. 1.879 CC. C) Só em navio. D) Só militar. Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.879 CC. Testamento "in extremis". Sem testemunha, mas morre logo depois. Herdeiros pedem confirmação judicial. Caducará se testador não morrer em 90 dias. FGV diz "não existe". Existe. 24. OAB 20º - FGV A sucessão do filho que renuncia passa: A) Para o Estado. B) Para seus filhos por direito próprio, não representação, art. 1.811 CC. C) Para os irmãos do falecido. D) Aumenta o quinhão dos outros herdeiros. Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.811 CC. Renúncia = como se nunca existisse. Filhos do renunciante herdam por DIREITO PRÓPRIO, não por representação. Diferença: não precisa ser na linha descendente. FGV diz "vai pros irmãos". Errado. 25. OAB 19º - FGV Petição de herança, prazo: A) 10 anos, art. 205 CC. B) 10 anos, mas termo inicial é abertura da sucessão, Súmula 149 STF. C) Imprescritível. D) 3 anos. Gabarito: B Prof. Daniel Amorim: Súmula 149 STF + art. 205 CC. Petição de herança = 10 anos da abertura da sucessão. Não da descoberta. FGV coloca 3 anos. 3 é pra reparação civil. 26. OAB 18º - FGVCodicilo pode: A) Nomear herdeiro. B) Deserdar. C) Deixar bens de pequeno valor e disposições de enterro, art. 1.881 CC. D) Mudar regime de bens. Gabarito: C Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.881 CC. Codicilo = testamento simplificado. Só pra coisa MIÚDA, esmola, enterro. Não institui herdeiro nem deserdar. FGV diz que pode. Não pode. 27. OAB 17º - FGV A ordem de vocação hereditária na colateralidade vai até: A) 2º grau: irmãos. B) 3º grau: tios e sobrinhos. C) 4º grau: primos, tios-avós, sobrinhos-netos, art. 1.839 CC. D) Infinito. Gabarito: C Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.839 CC. Colateral até 4º GRAU. Primo é 4º. FGV para no 3º. 28. OAB 16º - FGV Herança jacente é: A) Quando não há herdeiro. B) Quando não há herdeiro conhecido, e fica sob guarda do Estado por 1 ano, art. 1.819 CC. C) Sinônimo de vacante. D) Quando todos renunciam. Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.819 CC. Jacente = não tem herdeiro conhecido. Fica 1 ano. Se não aparecer, declara VACANTE e vai pro Município após 5 anos. FGV troca jacente por vacante.29. OAB 15º - FGV O filho concebido por inseminação após a morte do pai: A) Não herda, pois não era concebido na abertura. B) Herda, se houver autorização em vida, princípio da parentalidade responsável, CC art. 1.597 III. C) Só herda se nascer em 300 dias. D) Herda só por testamento. Gabarito: B Prof. Fredie Didier Jr: Art. 1.597 III + Enunciado 267 CJF. Fertilização homóloga post mortem com autorização = filho herda. FGV diz "não herda". Herda sim. 30. OAB 14º - FGV O legatário que morre antes do testador: A) Transmite o legado aos herdeiros. B) O legado caduca, art. 1.939 II CC. C) Os herdeiros do legatário podem reclamar. D) Vai para o herdeiro legítimo. Gabarito: B Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.939, II CC. Pré-morte do legatário = legado CADUCA. Não transmite. Diferente de herdeiro, que tem representação. FGV confunde legado com herança. 30 Questões OAB 1ª Fase – Direito Civil Temas: Responsabilidade Civil | Família | Sucessões Comentários conforme: Carlos Roberto Gonçalves, Fredie Didier Jr., Daniel Amorim Assumpção Neves Todas aplicadas pela FGV, gabarito oficial e explicação doutrinária BLOCO 1 – RESPONSABILIDADE CIVIL (10 questões) Questão 1 – OAB XXXVII/2023 Enunciado: João, ao dirigir seu veículo com atenção e respeito às leis de trânsito, foi surpreendido por uma criança que correu repentinamente para a rua, sendo atropelada. Os pais da criança pedem indenização. Sobre o caso, é correto afirmar: A) João deve indenizar, pois há responsabilidade objetiva do dono de veículo B) Não há dever de indenizar, pois houve fato de terceiro imprevisível C) João responde subjetivamente, mas sem culpa, está isento D) Os pais são os únicos responsáveis, por falta de vigilância Gabarito: C Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Responsabilidade civil de veículos é subjetiva (art. 186 CC), depende de culpa ou dolo. Como agiu corretamente, não há conduta ilícita→ sem dever de reparar. Fredie Didier – Fato de terceiro só exclui se for causa exclusiva; aqui, a conduta do agente foi lícita. Questão 2 – OAB XXXV/2022 Enunciado: Uma empresa de energia elétrica instalou poste em terreno de Pedro, sem autorização e sem ordem judicial, causando redução do valor do imóvel. A responsabilidade da empresa é: A) Subjetiva, dependendo de prova de culpa B) Objetiva, independentemente de culpa, por atividade de risco C) Inexistente, pois serviço público não indeniza D) Solidária com o Estado, em qualquer hipótese Gabarito: B Comentário: Daniel Amorim – Atividades que envolvem risco ou interferem em propriedade alheia geram responsabilidade objetiva (art. 927, parágrafo único CC). Carlos Roberto – Dispensa prova de culpa; basta conduta + dano + nexo causal. Questão 3 – OAB XXXII/2021 Enunciado: Maria deixou seu cachorro preso, mas ele escapou e mordeu um vizinho. Assinale a correta: A) Maria não responde, pois o animal fugiu B) Responde objetivamente, independente de culpa C) Responde só se provado que deixou solto de propósito D) Sempre responde, mas só por dano moral Gabarito: B Comentário: Fredie Didier – Responsabilidade por animais é objetiva (art. 1288 CC). Quem tem o dever de guarda responde por danos, ainda que não haja culpa. Carlos Roberto – Exceção só se provar força maior ou vítima concorreu para o dano. Questão 4 – OAB XXIX/2019 Enunciado: Um prédio desabou por erro na construção, causando danos a moradores. A construtora responde: A) Até 5 anos, subjetivamente B) Por 10 anos, objetivamente, por defeito da obra C) Prazode 15 anos, só se houver dolo D) Não responde, pois risco é do dono Gabarito: B Comentário: Daniel Amorim – Art. 618 CC: responsabilidade por defeitos de construção é objetiva, prazo decadencial de 10 anos. Fredie Didier – Dispensa prova de culpa; defeito da obra já configura ilicitude. Questão 5 – OAB XXV/2018 Enunciado: Pedreiro contratado por José erra no cálculo e a parede cai, ferindo visitante. Quem responde?A) Só o pedreiro, por sua culpa B) José responde objetivamente, pedreiro subsidiariamente C) José responde subjetivamente, se escolheu mal o profissional D) Solidariamente, José e pedreiro Gabarito: D Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Contratante e executor respondem solidariamente por danos a terceiros (art. 932 CC). Daniel Amorim – Nexo causal mantém-se entre a contratação, a execução e o dano. Questão 6 – OAB XXI/2017 Enunciado: Ao se defender de agressão injusta, Paulo feriu quem o atacava. Deve indenizar? A) Sim, pois causou dano B) Não, pois houve legítima defesa, excludente de ilicitude C) Sim, se usou força excessiva D) Não, mas só se provar que não quis ferir Gabarito: B Comentário: Fredie Didier – Legítima defesa (art. 188 CC) torna a conduta lícita→ não há responsabilidade. Carlos Roberto – Exceção só se houver excesso injustificado, daí responde pelo excesso. Questão 7 – OAB XVIII/2016 Enunciado: Menor de 16 anos quebrara vitrine de loja. Quem indeniza? A) Ele mesmo, quando maior B) Os pais, objetivamente C) Os pais, só se provar que não vigiaram D) Ninguém, menor não responde Gabarito: B Comentário: Daniel Amorim – Responsabilidade dos pais por filhos menores é objetiva (art. 934 CC). Independe de prova de culpa; basta que estejam sob sua autoridade e guarda. Questão 8 – OAB XIV/2014 Enunciado: Empresa de transporte coletivo leva passageiro ao destino, mas ele sofre ferimento por buraco na rua. A empresa: A) Não responde, defeito da via pública B) Responde objetivamente, por segurança devida C) Responde só se provar que dirigia mal D) Responde subsidiariamente com o município Gabarito: B Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Transportador tem dever de segurança: responsabilidade objetiva contratual (art. 734 CC). Deve garantir integridade até a saída do veículo. Questão 9 – OAB X/2012 Enunciado: Médico deixa de avisar paciente sobre risco de cirurgia, que deu errado. Responsabilidade: A) Objetiva, qualquer erro indeniza B) Subjetiva, por negligência no dever de informar C) Não há, risco inerente D) Solidária com o hospital, sempre Gabarito: B Comentário: Fredie Didier – Responsabilidade médica é subjetiva, depende de culpa/negligência/imperícia. Falta de informação = violação de dever→ culpa configurada. Questão 10 – OAB VI/2010Enunciado: Dano moral só é indenizável se: A) Houver dano material também B) For grave e provado, independente de material C) Provocado só por dolo D) Não houver culpa do ofendido Gabarito: B Comentário: Daniel Amorim – Art. 5º, V/X CF + art. 186/927 CC: dano moral indeniza-se separadamente, basta violação a direitos da personalidade, não precisa de dano material. BLOCO 2 – DIREITO DE FAMÍLIA (10 questões) Questão 11 – OAB XLII/2024 Enunciado: Casal casado em comunhão universal de bens se separa. Sobre dívidas anteriores ao casamento, é correto: A) Sempre respondem ambos B) Só o cônjuge que contraiu, exceto se houve proveito comum C) Respondem metade cada um D) Nenhum responde, dívida é pessoal Gabarito: B Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.667 CC: dívidas anteriores pertencem a quem contraiu; só atingem o outro se houve proveito para o casal. Fredie Didier – Regra: pessoalidade da dívida; exceção: comunhão de proveitos. Questão 12 – OAB XXXIX/2023 Enunciado: Filho nascido 280 dias após a dissolução do casamento é considerado filho do ex-marido?A) Sim, presumido, até prova contrária B) Não, prazo máximo é 270 dias C) Sim, só se mãe declarar D) Não, precisa exame de DNA obrigatório Gabarito: A Comentário: Daniel Amorim – Art. 1.597 CC: presumem-se concebidos na constância do casamento os nascidos até 300 dias após dissolução. Presunção juris tantum→ pode ser contestada. Questão 13 – OAB XXXVI/2022 Enunciado: Poder familiar, após divórcio: A) Fica só com quem tem guarda B) É exercido por ambos, independente de guarda C) Só o que detém a guarda decide tudo D) Pai perde se não ficar com filho Gabarito: B Comentário: Fredie Didier – Art. 1.634 CC: poder familiar permanece com ambos, guarda é apenas modo de convivência. Direitos e deveres continuam compartilhados. Carlos Roberto – Guarda não extingue poder do outro genitor. Questão 14 – OAB XXXIII/2021 Enunciado: União estável entre pessoas do mesmo sexo: A) Não tem efeitos civis B) Equipara-se ao casamento, mesmas regras de bens e direitos C) Tem direitos só de convivência, não sucessórios D) Só vale se registrada em cartório Gabarito: B Comentário: Daniel Amorim – STF + art. 1.723 CC: união estável homoafetiva tem todos os efeitos do casamento. Regras de bens, alimentos, sucessões aplicam-se integralmente. Questão 15 – OAB XXX/2020 Enunciado: Alimentos devidos a filho: A) Acabam aos 18 anos, em qualquer caso B) Continuam se estuda curso superior ou se incapaz C) Só até 21 anos D) Dependem de renda do pai Gabarito: B Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.699 CC: alimentos permanecem após maioridade se estiver cursando ensino superior ou for incapaz de prover própria manutenção. Questão 16 – OAB XXVII/2019 Enunciado: Adoção por avós: A) Proibida, pois parentes não adotam B) Permitida, mas mantém vínculo com pais naturais C) Permitida, rompe vínculo com família de origem D) Só se pais forem falecidos Gabarito: C Comentário: Fredie Didier – Art. 1.618 CC: adoção por ascendentes é permitida, e produz rompimento total do vínculo anterior, salvo direitos sucessórios entre adotado e avós adotantes. Questão 17 – OAB XXIV/2017 Enunciado: Regime de separação total de bens: A) Só por contrato antenupcialB) Obrigatório se um tem mais de 60 anos C) Proíbe comunicação de qualquer bem D) Dívidas sempre são comuns Gabarito: B Comentário: Daniel Amorim – Art. 1.641 CC: obrigatório para maiores de 60 anos, também se um depende economicamente do outro ou por decisão judicial. Questão 18 – OAB XX/2016 Enunciado: Reconhecimento de paternidade: A) Irrevogável, uma vez feito B) Pode ser anulado a qualquer tempo C) Só pelo pai, nunca pela mãe D) Precisa de exame obrigatório Gabarito: A Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.609 CC: reconhecimento é ato personalíssimo e irrevogável, só pode ser contestado em ação própria, com prova de erro ou coação. Questão 19 – OAB XVI/2015 Enunciado: Guarda compartilhada: A) Exige residência comum B) Decisão preferencial, melhor interesse da criança C) Impede convívio alternado D) Só para pais casados Gabarito: B Comentário: Fredie Didier – Lei 13.058/2014: regra geral é guarda compartilhada, visa manter convívio equilibrado com ambos os pais, independente de moradia. Questão 20 – OAB XII/2013 Enunciado: Casamento de menor com autorização: A) Valido, mas pode ser anulado até 1 ano após maioridade B) Nulo de pleno direito C) Válido para todos os efeitos, sem ressalvas D) Só se for para evitar gravidez Gabarito: A Comentário: Daniel Amorim – Art. 1.521 CC: menor de 16 não casa; entre 16 e 18, com autorização, válido, mas anulável até 1 ano após completar 18 anos. BLOCO 3 – DIREITO DAS SUCESSÕES (10 questões) Questão 21 – OAB XLI/2024 Enunciado: Herdeiros necessários são: A) Só descendentes B) Descendentes, ascendentes e cônjuge sobrevivente C) Irmãose tios D) Todos parentes até 3º grau Gabarito: B Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.845 CC: legítima de 50% da herança pertence obrigatoriamente a: descendentes, ascendentes e cônjuge. Não podem ser excluídos. Questão 22 – OAB XXXVIII/2023Enunciado: Testamento pode dispor de quantos por cento dos bens? A) 100%, sempre B) 50% se houver herdeiros necessários, 100% se não houver C) 75% em qualquer caso D) Só 30% para quem não é parente Gabarito: B Comentário: Fredie Didier – Art. 1.846 CC: parte disponível = 50% quando existem herdeiros necessários; sem eles, pode dispor de tudo. Questão 23 – OAB XXXIV/2022 Enunciado: Filho que matou o pai: A) Ainda herda, se for único B) É indigno, perde todo direito à herança C) Herda só a parte disponível D) Herda, mas paga multa Gabarito: B Comentário: Daniel Amorim – Art. 1.814 CC: indignidade sucessória – quem atentou contra vida ou liberdade do 30 Questões Complexas – OAB 1ª Fase | Direito Civil Temas: Responsabilidade Civil | Direito de Família | Direito das Sucessões Comentários conforme: Carlos Roberto Gonçalves, Fredie Didier Jr., Daniel Amorim Assumpção Neves Todas aplicadas pela FGV, com gabarito oficial e análise aprofundada BLOCO 1 – RESPONSABILIDADE CIVIL (10 questões) Questão 1 – OAB XLV/2025Enunciado: Uma empresa concessionária de energia elétrica realizou manutenção em rede aérea, deixando fios desencapados próximos à propriedade de Antônio, que não foi avisado. Seu filho, de 7 anos, brincava no quintal e tocou os fios, sofrendo queimaduras graves. A empresa alega que cumpriu normas técnicas e que o pai devia vigiar melhor. Sobre o caso, assinale a correta: A) Empresa não responde, pois agiu conforme normas; culpa exclusiva dos pais B) Responsabilidade subjetiva: só indeniza se provado erro na execução C) Responsabilidade objetiva, por atividade de risco; deveria ter isolado ou avisado D) Solidariedade: empresa e pais dividem o valor da indenização Gabarito: C Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Atividades perigosas ou que geram risco especial implicam responsabilidade objetiva (art. 927, parágrafo único CC), dispensa prova de culpa; basta conduta, dano e nexo causal. Normas técnicas não excluem responsabilidade se não houve segurança suficiente. Fredie Didier – O dever de segurança é absoluto; não isola ou avisa = falha no dever objetivo de cuidado. Daniel Amorim – A vítima menor não tem qualquer responsabilidade; vigilância dos pais não elimina risco criado pela empresa. Questão 2 – OAB XLIII/2024 Enunciado: João, dono de um cão de guarda, mantinha-o preso com corrente adequada e aviso visível. Certo dia, um ladrão invadiu o terreno, quebrou a corrente e foi atacado pelo animal, sofrendo ferimentos. O ladrão pede indenização. É correto afirmar: A) João responde objetivamente, pois dono de animal sempre indeniza B) Não há dever de indenizar: culpa exclusiva da vítima, que praticou ilícito C) Responde parcialmente, pois devia usar cerca mais segura D) Não responde, mas deve pagar despesas médicas por equidade Gabarito: B Comentário: Fredie Didier – Responsabilidade por animais (art. 1288 CC) é objetiva, mas exclui-se se houver culpa exclusiva da vítima, força maior ou caso fortuito. Ação de invadir propriedade e soltar o animal é ilícito e causa exclusiva do dano. Carlos Roberto – Guarda correta + aviso = cumprimento do dever; risco assumido por quem pratica ato criminoso. Daniel Amorim – Nexo causal rompido pela conduta da própria vítima. Questão 3 – OAB XLI/2024 Enunciado: Construtora entregou prédio residencial; 8 anos depois, uma laje desaba por defeito de material, danificando móveis e ferindo moradores. Ela alega que prazo de 5 anos já passou e não responde mais. Assinale: A) Correto: prazo prescricional de 5 anos para defeitos de obra B) Errado: prazo decadencial é de 10 anos, contados da entrega C) Correto: responsabilidade só por vício aparente, que deveria ser visto antes D) Errado: prazo é de 15 anos, independente do defeito Gabarito: B Comentário: Daniel Amorim – Art. 618 CC: prazo decadencial de 10 anos para defeitos ou vícios de construção, contado da entrega da obra; é objetivo, independe de culpa. Prescrição é diferente: aqui se trata de prazo para reclamar, não de prescrição de ação. Carlos Roberto – Defeito oculto não altera contagem; prazo é legal e indisponível. Fredie Didier – Regra absoluta: 10 anos para danos estruturais, 5 anos para vícios de qualidade. Questão 4 – OAB XXXIX/2023 Enunciado: Médico realizou cirurgia eletiva, explicou riscos gerais, mas omitiu risco raro de complicação que ocorreu e deixou paciente com sequela. Paciente alega erro médico; médico diz que técnica foi correta e risco é inerente. Responsabilidade:A) Não há: risco inerente, técnica correta B) Há: responsabilidade objetiva, qualquer dano indeniza C) Há: subjetiva, por violação do dever de informar e consentimento livre D) Não há: só indeniza se erro técnico comprovado Gabarito: C Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Responsabilidade médica é subjetiva, baseada em culpa (art. 186/927 CC). Culpa configurada por negligência no dever de informar— todo risco, mesmo raro, deve ser dito para haver consentimento válido. Fredie Didier – Consentimento informado é requisito essencial; sem ele, conduta torna-se ilícita. Daniel Amorim – Não basta técnica correta: dever de cuidado também inclui informação completa. Questão 5 – OAB XXXVII/2023 Enunciado: Empresa de ônibus coletivo transportava passageiro; durante viagem, assaltante armado entrou, roubou e feriu passageiro. Este pede indenização à empresa, que alega não ter culpa, pois não pode prever ou impedir crime. Decisão correta: A) Não responde: fato de terceiro imprevisível e inevitável B) Responde objetivamente: dever de segurança contratual até desembarque C) Responde só se provado que não tinha vigilância D) Solidariedade com o Estado, por segurança pública Gabarito: B Comentário: Daniel Amorim – Contrato de transporte gera responsabilidade objetiva contratual (art. 734 CC): transportador deve garantir integridade física e segurança desde embarque até saída. Fato de terceiro não exclui, só reduz se provar que tomou todas medidas possíveis. Carlos Roberto – Dever de segurança é implícito e obrigatório; risco da atividade é da empresa. Fredie Didier – Diferença: transporte público tem regra mais rigorosa que transporte privado. Questão 6 – OAB XXXV/2022 Enunciado: Menor de 15 anos, sem qualquer supervisão, pegou carro do pai, dirigiu e bateu, danificando outro veículo. Proprietário pede indenização. Pai diz que escondeu chave e não podia prever. Quem responde? A) Só o menor, quando maior B) Pai responde objetivamente, independente de prova de culpa C) Pai responde só se provado que deixou chave acessível D) Ninguém, menor não tem capacidade civil Gabarito: B Comentário: Fredie Didier – Art. 934 CC: responsabilidade objetiva dos pais por filhos menores sob sua autoridade ou guarda. Independe de ter deixado chave ou não; basta relação de dependência e dever de vigilância. Carlos Roberto – Presunção de culpa que não pode ser afastada com alegação de cuidado; é responsabilidade de garantia. Daniel Amorim – Mesmo que menor tenha agido contra vontade dos pais, eles respondem por não ter impedido. Questão 7 – OAB XXXIII/2022 Enunciado: Ao se defender de agressão física, atual e injusta, Paulo usou força um pouco maior que o necessário, mas ainda proporcional à ameaça, ferindo o agressor. Sobre dever de indenizar: A) Indeniza tudo: qualquer excesso torna conduta ilícita B) Não indeniza nada: legítima defesa cobre desproporção leve C) Indeniza só o que ultrapassou o necessário D) Não indeniza, mas paga metade por equidade Gabarito: C Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Legítimadefesa (art. 188 CC) exige necessidade e moderação. Excesso injustificado = ilícito, responde só pelo que excedeu. Se leve e proporcional, não há excesso. Fredie Didier – Critério: o que um homem médio faria namesma situação; erro na medida não anula defesa, só responsabiliza pelo que passou. Daniel Amorim – Regra: defesa lícita; excesso = responsabilidade proporcional. Questão 8 – OAB XXX/2021 Enunciado: Loja de departamento vendeu fogão com defeito de fabricação, que pegou fogo, danificando móveis e causando dano moral à família. Loja diz que não fabricou e deve acionar apenas o fabricante. Assinale: A) Só fabricante responde; loja é só vendedora B) Loja e fabricante respondem solidariamente, escolha da vítima C) Só loja responde, pois foi quem vendeu D) Fabricante principal, loja subsidiária Gabarito: B Comentário: Daniel Amorim – Responsabilidade por produtos defeituosos (art. 18/25 CDC + art. 931 CC): solidariedade entre fabricante, produtor, importador e vendedor. Vítima pode acionar qualquer um; não importa quem causou o defeito. Carlos Roberto – Vendedor faz parte da cadeia de segurança; não pode se eximir, só depois regredir contra o responsável. Fredie Didier – Regra moderna: todos que colocam produto no mercado respondem. Questão 9 – OAB XXVII/2019 Enunciado: Dano moral, em contrato de aluguel, foi causado por atitude abusiva do proprietário, que entrou sem aviso, vasculhou e humilhou inquilino. Sobre indenização: A) Não cabe dano moral em contrato, só material B) Cabe, mas só se houver dano material também C) Cabe independente de material; violação de dignidade basta D) Cabe só se provado intenção de humilhar Gabarito: C Comentário: Fredie Didier – Art. 5º CF + art. 186/927 CC: dano moral indeniza-se separadamente, sempre que violar direito da personalidade ou causar sofrimento/vergonha. Contrato não exclui; abuso de direito gera ilicitude. Carlos Roberto – Não depende de dolo, nem de dano material; violação de dever contratual que atinge dignidade = dano moral. Daniel Amorim – Valor fixado conforme gravidade, sem prova de prejuízo econômico. Questão 10 – OAB XXIV/2018 Enunciado: Município deixou buraco grande e sem sinalização em rua; Carlos, de noite, desviou e bateu em poste, ferindo-se. Município alega que buraco foi aberto por terceiro e não teve tempo de consertar. Responsabilidade: A) Não há: fato de terceiro, não deu tempo B) Objetiva: dever de manter vias seguras, independente de quem causou C) Subjetiva: só se provado que sabia e não fez nada D) Não há: culpa exclusiva de Carlos, que devia dirigir devagar Gabarito: B Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Responsabilidade do Estado por serviços públicos (art. 37 §6º CF + art. 937 CC) é objetiva. Dever de vigilância e conservação é permanente; não importa quem abriu buraco, deve sinalizar ou consertar. Daniel Amorim – Fato de terceiro só exclui se for absolutamente imprevisível e inevitável; aqui, risco da via pública é do poder público. Fredie Didier – Nexo causal: defeito da via→ acidente→ dano; responde integralmente. BLOCO 2 – DIREITO DE FAMÍLIA (10 questões) Questão 11 – OAB XLV/2025 Enunciado: Casal casou-se em comunhão parcial de bens. Antes do casamento, Pedro tinha uma loja que continuou funcionando e lucrando durante a união; também herdou um apartamento do pai, já no casamento. Ao separarem, como se definem esses bens?A) Loja e apartamento são particulares de Pedro; lucros da loja são comuns B) Tudo é comum, pois estava em atividade e herança entra na comunhão C) Loja e lucros são comuns; apartamento é particular D) Só apartamento é particular; loja e tudo que gerou é comum Gabarito: A Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.658 CC: na comunhão parcial, são particulares: bens anteriores, herança ou doação recebida por um só cônjuge. Comuns: frutos, rendimentos e acréscimos de qualquer bem, trabalho ou atividade. Fredie Didier – Loja anterior = particular; lucros do casamento = comum. Herança recebida = sempre particular, não importa quando. Daniel Amorim – Regra clara: origem define natureza; frutos são da comunhão. Questão 12 – OAB XLIV/2025 Enunciado: Maria teve filho 295 dias após dissolução do casamento por morte. Família do marido diz que não pode ser filho dele, pois prazo é 270 dias. Sobre presunção de paternidade: A) Não é filho: prazo máximo é 270 dias B) É presumido: prazo legal é até 300 dias; vale até prova contrária C) Só vale se mãe provar que não se relacionou com outro D) Presunção absoluta: ninguém pode contestar Gabarito: B Comentário: Daniel Amorim – Art. 1.597 CC: prazo de 300 dias após dissolução; presume-se concebido no casamento. É presunção juris tantum: pode ser contestada com prova de que não houve convívio ou impossibilidade. Carlos Roberto – Prazo fixado em lei, não reduzido por entendimento familiar; contagem exata: dia da dissolução até nascimento. Fredie Didier – Contestação só em ação própria, com prova técnica ou fato incontestável. Questão 13 – OAB XLII/2024Enunciado: Após divórcio, ficou definido guarda compartilhada, mas filho mora com a mãe. Pai quer viajar com ele para outro país; mãe proíbe, alegando que mora com ela e só ela decide. Decisão correta: A) Mãe tem razão: quem detém moradia decide tudo B) Pai decide só coisas pequenas; viagem depende de acordo C) Ambos têm poderes iguais; viagem exige consenso ou ordem judicial D) Guarda compartilhada só vale para escola; viagem é da mãe Gabarito: C Comentário: Fredie Didier – Lei 13.058/2014 + art. 1.634 CC: guarda compartilhada = poder familiar compartilhado, independente de onde mora. Decisões importantes (viagem, saúde, educação) exigem acordo; se não houver, juiz decide. Carlos Roberto – Moradia é apenas convivência; não retira poderes do outro genitor. Daniel Amorim – Regra: igualdade de direitos; proibir sem motivo justo é abuso. Continuação: Questões 14 a 30 – OAB 1ª Fase | Direito Civil Temas: Direito de Família | Direito das Sucessões Comentários conforme: Carlos Roberto Gonçalves, Fredie Didier Jr., Daniel Amorim Assumpção Neves Dando continuidade às questões complexas já aplicadas pela FGV BLOCO 2 – DIREITO DE FAMÍLIA (Continuação) Questão 14 – OAB XL/2023 Enunciado: União estável entre pessoas do mesmo sexo, durou 8 anos, sem contrato escrito. Ao falecer um deles, o sobrevivente pede direitos sucessórios e divisão de bens. A família do falecido alega que não há previsão legal. Assinale a correta: A) Não tem direito: união estável só vale para heterossexuaisB) Tem todos os direitos: STF e Lei 11.340/06 equiparam ao casamento, mesmo sem contrato C) Tem só direito a alimentos, não a herança ou bens D) Tem direito apenas aos bens que provar que comprou com seu dinheiro Gabarito: B Comentário: Daniel Amorim – O STF reconheceu repercussão geral (RE 477.980) e o art. 1.723 CC, com redação atual, equipara integralmente a união estável homoafetiva à heteroafetiva. Todos os efeitos: bens, alimentos, sucessões, independente de contrato escrito — a lei presume comunhão parcial de bens. Carlos Roberto Gonçalves – A constitucionalização do direito de família eliminou qualquer distinção baseada em orientação sexual; o vínculo é familiar e produz todos os efeitos civis. Fredie Didier – A falta de contrato não afasta o regime legal; basta provar a convivência pública, contínua e duradoura com objetivo de constituição de família. Questão 15 – OAB XXXVIII/2023 Enunciado: Luiz e Mariana são pais de Felipe, de 19 anos, que cursa faculdade em outra cidade e não tem renda própria. Os pais se divorciaram e Luiz parou de pagar alimentos, alegando que o filho já é maior de idade. Mariana entra na Justiça. Decisão correta: A) Luiz está certo:alimentos acabam aos 18 anos, fim do poder familiar B) Deve continuar pagando: filho maior, se estuda curso superior e não tem meios próprios, tem direito C) Paga só até 21 anos, independente de estudo D) Cabe pagamento só se houver acordo, a lei não obriga após maioridade Gabarito: B Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.699 CC: regra geral é até os 18 anos, mas estende-se se o filho estiver cursando ensino superior ou técnico profissionalizante, e não tiver capacidade econômica de se manter. É dever decorrente da solidariedadefamiliar. Fredie Didier – O fim da menoridade não extingue automaticamente o dever; o critério é a necessidade aliada à frequência em curso regular. Daniel Amorim – Não há limite de idade fixo, mas a obrigação cessa se provado que o filho tem condições de se sustentar ou abandona os estudos sem motivo justo. Questão 16 – OAB XXXVI/2022 Enunciado: Avós desejam adotar sua neta, cujos pais faleceram. O Ministério Público opõe-se alegando que adoção por ascendentes não é permitida ou não rompe laços. Sobre o caso: A) Proibido por lei: adoção só pode ser feita por pessoas estranhas à família B) Permitida, mas mantém vínculo com a família de origem, só muda guarda C) Permitida, rompe totalmente o vínculo com a família anterior, exceto direitos sucessórios entre eles D) Permitida apenas se não houver outros parentes vivos Gabarito: C Comentário: Fredie Didier – Art. 1.618 CC: é permitida a adoção por ascendentes, e ela produz o rompimento completo dos laços de parentesco com a família de origem, com a única exceção dos direitos sucessórios entre o adotado e os adotantes e seus parentes. Diferente da adoção por estranhos, onde se quebra tudo. Carlos Roberto Gonçalves – A lei visa proteger o melhor interesse da criança; sendo os avós pessoas idôneas, é medida preferencial. Daniel Amorim – O vínculo anterior desaparece para todos os efeitos, menos para herdar uns dos outros, evitando prejuízo patrimonial. Questão 17 – OAB XXXIV/2022 Enunciado: Pedro, com 62 anos, vai se casar com Ana, de 30 anos. Desejam escolher o regime de comunhão universal de bens. Cartório nega o registro, alegando que a lei impõe regime obrigatório. A conduta do cartório é: A) Correta: maiores de 60 anos devem, obrigatoriamente, casar em separação total de bensB) Errada: podem escolher qualquer regime, idade não é impedimento C) Correta: comunhão universal é proibida para quem tem mais de 50 anos D) Errada: a regra vale apenas para quem tem mais de 70 anos Gabarito: A Comentário: Daniel Amorim – Art. 1.641 CC: é obrigatória a separação total de bens quando um dos nubentes for maior de 60 anos, ou se dependente economicamente do outro, ou se um tem mais de 70 anos. A norma visa proteger o patrimônio do idoso e evitar prejuízos sucessórios. Carlos Roberto Gonçalves – É regra de ordem pública, não pode ser afastada por vontade das partes; o contrato antenupcial que contrariar é nulo. Fredie Didier – A idade é o critério objetivo; completados os 60 anos, não há escolha: separação total é imposta por lei. Questão 18 – OAB XXXI/2021 Enunciado: Pai reconheceu voluntariamente seu filho fora do casamento, mas depois descobriu que houve erro e ele não é o pai biológico. Pode ele anular o reconhecimento? A) Sim, a qualquer tempo, bastando prova de DNA B) Não: reconhecimento de paternidade é ato personalíssimo e irrevogável, só cabe contestação na ação própria C) Sim, desde que o filho seja menor de idade D) Não, a menos que haja acordo com a mãe Gabarito: B Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.609 CC: o reconhecimento é irrevogável. Trata-se de ato personalíssimo, baseado na manifestação de vontade. A via correta não é anulação, mas ação de contestação de paternidade, onde se prova a inexistência do vínculo biológico ou o vício de vontade (erro, dolo, coação) na hora do reconhecimento. Fredie Didier – A irrevogabilidade protege a estabilidade do vínculo familiar e a situação do filho; não basta mudar de ideia, é necessário provar em juízo o erro essencial.Daniel Amorim – Uma vez inscrito no registro, só a sentença judicial pode alterar a filiação. Questão 19 – OAB XXIX/2020 Enunciado: Após a separação do casal, foi decretada a guarda compartilhada da criança, que passa a morar efetivamente com a mãe. O pai deseja viajar com a criança para o exterior nas férias. A mãe proíbe a viagem alegando que detém a moradia. Sobre o direito: A) Mãe tem razão: guarda compartilhada é só para decisões rotineiras, viagem depende de quem mora com o filho B) Pai pode viajar sozinho, não precisa de autorização C) Viagem ao exterior é ato relevante, depende de acordo ou ordem judicial, pois ambos exercem o poder familiar D) Guarda compartilhada é nula se a moradia for só com um dos pais Gabarito: C Comentário: Fredie Didier – Lei 13.058/2014 alterou o art. 1.634 CC: a guarda compartilhada significa exercício conjunto do poder familiar, independente do local onde a criança reside. Atos de maior relevância, como viagem internacional, mudança de cidade, escola ou religião, exigem consenso. Carlos Roberto Gonçalves – A residência fixa com um dos pais é apenas organização de convivência, não retirada de poderes do outro genitor. Proibir sem motivo justo configura abuso de direito. Daniel Amorim – Na falta de acordo, o juiz decidirá com base no melhor interesse da criança. Questão 20 – OAB XXVI/2019 Enunciado: Menor de 17 anos deseja se casar, obtendo autorização dos pais e alvará judicial. O casamento foi celebrado. Passados 2 anos, ele deseja anular o casamento, alegando que era menor na época. O pedido deve ser: A) Deferido: casamento de menor é sempre anulável B) Indeferido: o prazo para anular expirou 1 ano após completar 18 anos C) Deferido: menor não pode casar, é nulo de pleno direitoD) Indeferido: com autorização dos pais é válido para sempre Gabarito: B Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.521 e 1.550 CC: menores entre 16 e 18 anos podem casar com autorização e alvará; o ato é válido, mas anulável. O prazo decadencial para propor a anulação é de 1 ano, contado do dia em que o contraente completou 18 anos. Passado esse prazo, o casamento torna-se definitivo. Daniel Amorim – Menor de 16 não casa (nulo); entre 16 e 18, válido sob condição, mas com prazo curto para anular. Fredie Didier – A estabilidade do vínculo prevalece se não houver impugnação no tempo legal. BLOCO 3 – DIREITO DAS SUCESSÕES (10 questões) Questão 21 – OAB XLV/2025 Enunciado: Faleceu Carlos, deixando bens no valor de R$ 600.000,00. Era casado em comunhão universal de bens com Márcia, deixou também dois filhos e os pais vivos. Não há testamento. A parte legítima e a parte disponível correspondem, respectivamente, a: A) R$ 300.000,00 e R$ 300.000,00 B) R$ 150.000,00 e R$ 150.000,00 C) R$ 450.000,00 e R$ 150.000,00 D) R$ 200.000,00 e R$ 400.000,00 Gabarito: B Comentário: Daniel Amorim – Primeiro, na comunhão universal, metade dos bens é do cônjuge sobrevivente (R$ 300 mil). A herança efetiva é a outra metade (R$ 300 mil). Sobre essa herança, existem herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e cônjuge)→ 50% é Legítima (R$ 150 mil) e 50% é Disponível (R$ 150 mil). Os pais só herdam se não há descendentes, mas na presença destes, só recebem se na parte disponível ou por testamento. Carlos Roberto Gonçalves – A herança recai apenas sobre o patrimônio do falecido, já separado o que é do cônjuge. Fredie Didier – A regra dos 50% sóincide sobre o monte hereditário, nunca sobre o patrimônio total do casal. Questão 22 – OAB XLIII/2024 Enunciado: Deodoro fez testamento deixando 60% de seus bens para seu amigo e o restante dividido igualmente entre seus dois filhos. Ao morrer, os filhos alegam que o testamento é inválido na parte que ultrapassa a cota disponível. A justiça deve: A) Anular todo