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MINICURSO CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NÚCLEO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS Bacharelado em Serviço Social Fabiana Vassi Coordenadora APRESENTAÇÃO Professor Esp. Romário Rocha Rodrigues • Técnico em Administração pelo Colégio Estadual de Paranavaí (2014); • Bacharel em Direito pela Universidade Paranaense - UNIPAR (2019); • Especialista em Ciência de Dados - Uniasselvi (2021); • Especialização em Educação a distância 4.0 (FAEL) (2022); • MBA em Finanças e Políticas Fiscal - Uniasselvi (2022); • MBA em Gestão Pública - Uniasselvi (2022); • Especializando em Ciência Política: Poder e Establishment pela Uninter; • Tutor Professor na instituição UniFatecie. Para acessar meu currículo lattes, aponte a câmera do seu celular para o QR code. INTRODUÇÃO Prezado(a), você sabe o que é e para que serve um código de ética? Em resumo, um código de ética é um conjunto de princípios e valores que estabelecem o comportamento esperado de indivíduos ou organizações em uma determinada profissão, setor ou contexto. Seu objetivo é orientar as ações dos profissionais em relação aos clientes, colegas, sociedade e meio ambiente, a fim de promover práticas éticas e responsáveis. Um código de ética pode abranger temas como integridade, honestidade, transparência, confidencialidade, respeito pelos direitos humanos, diversidade, justiça, responsabilidade social, meio ambiente e outras questões relevantes para a profissão ou setor. Ele é frequentemente desenvolvido por organizações profissionais ou empresariais, mas também pode ser elaborado por reguladores governamentais, associações de consumidores ou outros grupos de interesse. Neste minicurso, estudaremos os principais pontos do Código de Ética da Assistência Social, de forma que você, como aluno do Bacharelado em Serviço Social, possa seguir em sua carreira com segurança, seguindo as diretrizes do Conselho Federal e Regional e a legislação vigente. O curso está estruturado em dois dias: no primeiro dia, abordaremos os princípios que regem o Código de Ética da Assistência Social e como a Teoria do Poder e dos Direitos Humanos influenciam este documento. No segundo dia, ampliaremos nossos estudos acerca da estrutura dos Conselhos, os direitos, as obrigações e as proibições que se impõem ao Assistente Social. Esperamos que este curso contribua significativamente para o seu desenvolvimento profissional e que você aproveite ao máximo essa oportunidade. Bons estudos! “O melhor escudo contra a injustiça é um profissional da Assistência Social”. Autor desconhecido PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS I. Reconhecimento da liberdade como valor ético central e das demandas políticas a ela inerentes - autonomia, emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais; II. Defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo; III. Ampliação e consolidação da cidadania, considerada tarefa primordial de toda sociedade, com vistas à garantia dos direitos civis sociais e políticos das classes trabalhadoras; IV. Defesa do aprofundamento da democracia, enquanto socialização da participação política e da riqueza socialmente produzida; V. Posicionamento em favor da equidade e justiça social, que assegure universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais, bem como sua gestão democrática; VI. Empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminados e à discussão das diferenças; VII. Garantia do pluralismo, através do respeito às correntes profissionais democráticas existentes e suas expressões teóricas, e compromisso com o constante aprimoramento intelectual; VIII. Opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação, exploração de classe, etnia e gênero; IX. Articulação com os movimentos de outras categorias profissionais que partilhem dos princípios deste Código e com a luta geral dos/as trabalhadores/as; X. Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com o aprimoramento intelectual, na perspectiva da competência profissional; XI. Exercício do Serviço Social sem ser discriminado/a, nem discriminar, por questões de inserção de classe social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, orientação sexual, identidade de gênero, idade e condição física. 1. DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA 2. RECONHECIMENTO DA LIBERDADE 3. AMPLIAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DA CIDADANIA 4. DEFESA DO APROFUNDAMENTO DA DEMOCRACIA 5. POSICIONAMENTO EM FAVOR DA EQUIDADE E JUSTIÇA SOCIAL 6. EMPENHO NA ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE PRECONCEITO 7. GARANTIA DO PLURALISMO DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS: DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA - O ser humano é detentor de direitos inalienáveis reconhecidos através de lutas durante a história da humanidade; - Ao longo da história, houve movimentos sociais importantes que culminaram no reconhecimento desses direitos, com o objetivo de preservar a dignidade humana; - Embora não exista uma definição exata do que são direitos humanos, eles podem ser entendidos como um conjunto de garantias fundamentais e inerentes a todos os seres humanos, independentemente de raça, gênero, religião, origem nacional ou qualquer outra condição; - Os direitos humanos são a expressão das reivindicações dos homens face à intolerância, negligência, arbitrariedade e egoísmo humano. O abuso do poder se manifesta como uma ofensa aos direitos humanos, haja vista que o ataque sistemático ao poder legitimamente investido, afronta aos direitos civis e à liberdade individual. CARACTERÍSTICAS E AS DIMENSÕES DOS DIREITOS HUMANOS - Os direitos humanos são históricos, universais, indivisíveis, interdependentes, inalienáveis, irrenunciáveis e imprescritível. - As dimensões dos direitos humanos abrangem: a) Direitos de liberdade (primeira dimensão): abrange direitos civis e políticos que se manifestaram durante as revoluções burguesas (século XVII e XVIII), e que delimitam o Poder do Estado (direitos negativos); b) Direitos de igualdade (segunda dimensão): abarcam os direitos sociais, econômicos e culturais. Esses direitos foram formulados durante o período das revoluções socialistas e nacionalistas durante o século XIX e o início do século XX (direitos de prestação); c) Direitos de fraternidade (terceira dimensão): reúne os chamados direitos de solidariedade, traduzida em uma perspectiva difusa. Surgiu após a Segunda Guerra Mundial e o surgimento da ONU. Plano jurídico Plano da solidarieda de social Plano afetivo PADRÃO DE RECONHECIMENTO INTERSUBJETIVO - AXEL HONNETH O reconhecimento social abarca a concepção de eticidade e justiça social, em que se considera três planos que compõem o desenvolvimento humano – plano afetivo, da solidariedade social e jurídico -, pois o indivíduo somentese compreende como pessoa quando pode exercer direitos em pé de igualdade com os demais (BRAGA; SCHUMACHER, 2013, p. 377-382). Fonte: organizado pelo autor RECONHECIMENTO DA LIBERDADE Esse princípio se refere à valorização da autonomia e da capacidade das pessoas em tomar decisões sobre suas próprias vidas. AMPLIAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DA CIDADANIA Esse princípio se refere à valorização dos direitos sociais, políticos e econômicos das pessoas, visando a garantia do exercício pleno da cidadania. DEFESA DO APROFUNDAMENTO DA DEMOCRACIA Esse princípio se refere à valorização da participação ativa das pessoas na construção de uma sociedade mais democrática, igualitária e justa. POSICIONAMENTO EM FAVOR DA EQUIDADE E JUSTIÇA SOCIAL A defesa da equidade e justiça social é importante porque reconhece que a desigualdade social é um problema que afeta a vida de muitas pessoas, impedindo-as de ter acesso aos mesmos direitos e oportunidades. EMPENHO NA ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE PRECONCEITO Esse princípio se refere à defesa da igualdade de tratamento e oportunidades para todas as pessoas, independentemente de sua origem, etnia, gênero, orientação sexual, religião, entre outros aspectos que possam gerar discriminação GARANTIA DO PLURALISMO O pluralismo refere-se à valorização da diversidade e da pluralidade de opiniões, ideologias, culturas e interesses presentes na sociedade. 1. COMPROMISSO COM A QUALIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS À POPULAÇÃO 2. ARTICULAÇÃO COM OS MOVIMENTOS DE OUTRAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS 3. EXERCÍCIO DO SERVIÇO SOCIAL SEM SER DISCRIMINADO/A, NEM DISCRIMINAR COMPETÊNCIA DO CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL (CFESS) SEGUNDO O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Os conselhos profissionais têm poder de polícia para fiscalizar as profissões regulamentadas, inclusive no que concerne à cobrança de anuidades e à aplicação de sanções. Art.1.º Compete ao Conselho Federal de Serviço Social: a - zelar pela observância dos princípios e diretrizes deste Código, fiscalizando as ações dos Conselhos Regionais e a prática exercida pelos profissionais, instituições e organizações na área do Serviço Social; b - introduzir alteração neste Código, através de uma ampla participação da categoria, num processo desenvolvido em ação conjunta com os Conselhos Regionais; c - como Tribunal Superior de Ética Profissional, firmar jurisprudência na observância deste Código e nos casos omissos. Parágrafo único. Compete aos Conselhos Regionais, nas áreas de suas respectivas jurisdições, zelar pela observância dos princípios e diretrizes deste Código, e funcionar como órgão julgador de primeira instância. a. O CFESS é uma autarquia pública federal, cuja atribuição é de orientar, disciplinar, normatizar, fiscalizar e defender o exercício profissional do Assistente Social em conjunto com os Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS); b. Prestar assessoria técnico-consultivo aos organismos públicos ou privados, em matéria de Serviço Social; c. Estabelecer os sistemas de registro dos profissionais habilitados; d. Aprovar o Código de Ética juntamente com os CRESS, no fórum máximo de deliberação do conjunto CFESS/CRESS. e. Funcionar como tribunal superior de ética profissional, julgando os recursos contra as sanções impostas pelos CRESS; O fórum máximo de deliberação dar-se-á nas reuniões conjuntas, onde fixarão os limites de sua competência e sua forma de convocação. CRESS Órgão executivo de 1.ª instância com sede na Capital de Estado, território e Distrito Federal CFESS Órgão normativo de grau superior com sede no Distrito Federal CONSELHOS REGIONAIS DE SERVIÇO SOCIAL (CRESS) Sua competência está descrita no art. 10 da Lei n.º 8.662/93. I - organizar e manter o registro profissional dos Assistentes Sociais e o cadastro das instituições e obras sociais públicas e privadas, ou de fins filantrópicos; II - fiscalizar e disciplinar o exercício da profissão de Assistente Social na respectiva região; III - expedir carteiras profissionais de Assistentes Sociais, fixando a respectiva taxa; IV - zelar pela observância do Código de Ética Profissional, funcionando como Tribunais Regionais de Ética Profissional; V - aplicar as sanções previstas no Código de Ética Profissional; VI - fixar, em assembleia da categoria, as anuidades que devem ser pagas pelos Assistentes Sociais; VII - elaborar o respectivo Regimento Interno e submetê-lo a exame e aprovação do fórum máximo de deliberação do conjunto CFESS/CRESS. Em cada capital de Estado, de território e no Distrito Federal, haverá um CRESS, no entanto, na impossibilidade de instalar um Conselho Regional, deverá ser constituída uma delegacia subordinada ao Conselho Regional que oferecer melhores condições de comunicação, fiscalização e orientação, ouvido o órgão regional e com homologação do Conselho Federal. Os Conselhos Regionais poderão constituir, dentro de sua área de jurisdição, delegados seccionais para desempenho de suas atribuições executivas e de primeira instância nas regiões em que forem instaladas, desde que a arrecadação proveniente dos profissionais nelas atuantes seja suficiente para sua própria manutenção. Art. 12, §§1.º e 2.º da Lei n.º 8.662/93. COMO O CONSELHO SERÁ MANTIDO? Art. 19. O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) será mantido: I - por contribuições, taxas e emolumentos arrecadados pelos CRESS, em percentual a ser definido pelo fórum máximo instituído pelo art. 9º desta lei; II - por doações e legados; III - por outras rendas. Lei n.º 8.662/93. MEMBROS EFETIVOS DO CFESS E CRESS Eleitos dentre os Assistentes Sociais, por via direta, para um mandato de três anos, de acordo com as normas estabelecidas em Código Eleitoral aprovado pelo fórum instituído pelo art. 9º desta lei. Caput do art. 20 da Lei n.º 8.662/93. SUPLENTES CONSELHO FISCAL SECRETÁRIOS TESOUREIROS VICE-PRESIDENTE PRESIDENTE MEMBROS DELEGACIAS SECCIONAIS Eleitos dentre os Assistentes Sociais da área de sua jurisdição, nas condições previstas no caput artigo 20 da Lei n.º 8.662/93. DELEGADO TESOUREIRO SUPLENTES SECRETÁRIO DIREITOS E RESPONSABILIDADES DO ASSISTENTE SOCIAL DIREITOS DO ASSISTENTE SOCIAL Conforme o art. 1º da Lei nº 8.662/93, é livre o exercício da profissão de assistente social em todo o território nacional, desde que o profissional seja portador do diploma de graduação em Serviço Social, expedido por instituição de ensino superior credenciada pelo Ministério da Educação e Cultura, conforme determina o inciso I doart. 2º da mesma lei. Também poderão exercer a profissão de assistente social, os portadores de diploma de internado em Serviço Social ou equivalente, expedido por estabelecimento de ensino superior estrangeiro, desde que revalidado por universidade pública brasileira e registrado no conselho regional de Serviço Social (CRESS) de sua jurisdição, conforme prevê o inciso II do art. 2º da lei nº 8.662/93. O inciso III da referida lei traz como exceção os Agentes Sociais que, conforme art. 14 da lei n.º 1.883/53, tem seus direitos resguardados, “sendo-lhes facultado obter o diploma de Assistente Social”, mediante os seguintes critérios: a. trabalhar em órgão público; b. realizar prova nas Escolas de Serviço Social no qual abrangerá as matérias do currículo escolar e as não incluídas nos cursos que frequentou; c. exercer a profissão há mais de 5 anos. Essa disposição pode ser vista como uma medida para permitir que os profissionais que já estão trabalhando no setor público possam se qualificar e obter uma certificação oficial, que pode ajudá-los a progredir em suas carreiras. Isso também pode beneficiar os órgãos públicos, que podem contar com mais profissionais protegidos para funções importantes no campo social. Conforme prevê o art. 3.º que regula a profissão (lei n.º 8.662/93), a designação Assistente Social somente poderá ser usada por pessoa habilitada, portanto, trata-se de uma designação profissional privativa. A defesa dessa prerrogativa é determinada pelo art. 15 da mesma lei que proíbe o uso da expressão Serviço Social por quaisquer pessoas, seja de direito público ou privado, que não atuem nas atividades previstas nos arts. 4.º e 5.º da lei que tratam das competências e atribuições privativas. Conforme previsão do parágrafo único do art. 15 da lei n.º 8.662/93, in verbis: “As pessoas de direito público ou privado que se encontrem na situação mencionada neste artigo terão o prazo de noventa dias, a contar da data da vigência desta lei, para processarem as modificações que se fizerem necessárias a seu integral cumprimento, sob pena das medidas judiciais cabíveis”. Quanto a carga horária de trabalho, o art. 5.º-A da lei n.º 12.317/2010 prevê que a duração de trabalho do Assistente Social é de 30 horas semanais. Neste norte, é preciso apontar que também se constitui direitos do Assistente Social: a. participação na elaboração e gerenciamento das políticas sociais, assim como a formulação e implementação de programas sociais; b. em matéria de sua especialidade ou quando se tratar de assuntos de interesse da população, o direito de se pronunciar; c. liberdade na realização de estudos e pesquisas, porém, deverá ser resguardado os direitos de participação de indivíduos ou grupos envolvidos nos projetos; d. aprimoramento profissional contínuo. DESAGRAVO PÚBLICO Com relação a garantia e defesa de suas atribuições e prerrogativas, o Conselho Federal e os Conselhos Regionais terão legitimidade para agir em favor do Assistente Social quando qualquer pessoa infringir disposições que digam respeito às prerrogativas, à dignidade e ao prestígio da classe (art. 20 da lei n.º 8.662/93). A Resolução CFESS n.º 443/2003 que instituiu os procedimentos para a realização de desagravo público e regulamenta a alínea “e” do art. 2.º do Código de Ética do Assistente Social, prevê o seguinte procedimento: a. o Assistente Social, devidamente inscrito em sua circunscrição, poderá representar perante o CRESS para apuração dos fatos contra quem der ensejo ou causa a violação de seus direitos e prerrogativas; b. a representação deverá ser por escrito, no qual citará as circunstâncias, os responsáveis pela ofensa e as provas de sua ocorrência; c. o Conselho Pleno do CRESS ou CFESS designará um relator, podendo contar com um ou mais assistentes sociais da base, que analisarão se houve violação aos direitos e prerrogativas do Assistente Social. Nesta fase, o relator requererá juntada de provas e determinar diligências para elucidação dos fatos; d. o relator solicitará o comparecimento do suposto ofensor, de forma a esclarecer os fatos quando a matéria se mostrar controvertida. O relator poderá opinar pelo arquivamento do desagravo público quando: i. quando a ofensa for de natureza pessoal; ii. se não estiver relacionado ao exercício e prerrogativas da profissão; iii. ou se caracterizar crítica doutrinária, ideológica ou política. Outrossim, o relator poderá requerer o arquivamento quando houver retratação pública do ofensor através dos meios de comunicação ou por outro meio determinado pelo relator, desde que suficiente e convincente quanto ao restabelecimento da imagem do profissional que teve sua honra atingida. Destaque-se, em qualquer hipótese o parecer do relator deverá ser fundamentado, sob pena de nulidade. O parecer será submetido à apreciação e decisão final do Conselho Pleno do CRESS ou do CFESS. É possível renunciar o direto de desagravo com o consequente arquivamento do procedimento, porém, o ofendido o fará expressamente com a assinatura de declaração em que arcará com todas as eventuais consequências decorrentes de tal ato. Contudo, havendo dois ou mais postulantes, a renúncia de um deles não implica na do outro. Ainda, quando se tratar de fato que atinja a categoria indistintamente, não caberá renúncia ou desistência do procedimento de desagravo público, ainda que por decisão do CRESS, do CFESS ou a pedido de interessados. DEVERES E OBRIGAÇÕES DO ASSISTENTE SOCIAL O Código de Ética do Assistente Social é enfático ao determinar que os deveres do Assistente Social estão circunscritos a: a. desempenhar suas atividades profissionais, com eficiência e responsabilidade, observando a legislação em vigor; b. utilizar seu número de registro no Conselho Regional no exercício da Profissão; c. abster-se, no exercício da Profissão, de práticas que caracterizem a censura, o cerceamento da liberdade, o policiamento dos comportamentos, denunciando sua ocorrência aos órgãos competentes; d. participar de programas de socorro à população em situação de calamidade pública, no atendimento e defesa de seus interesses e necessidades. Quanto às proibições, além de coibir transgressões ao disposto no Código de Ética – ainda que por determinação institucional -, também veda práticas e conivências com condutas antiéticas, crimes e contravenções penais no exercício da profissão. ESTÁGIO PROFISSIONAL EM ASSISTÊNCIA SOCIAL a. o estudante somente poderá atuar quando acompanhado de um profissional da área, haja vista ser uma competência privativa do Assistente em pleno gozo da profissão, treinar, avaliar e supervisionar o estagiário. Logo, a instituição de Ensino deverá credenciar e comunicar os Conselhos Regionais de sua jurisdição os campos de estágio e os Assistentes que irão supervisionar o discente (arts. 5.º, inc. VI e 14 da lei n.º 8.662/93); b. é proibido que o Assistente Social compactue com o exercício ilegal da profissão, inclusive quanto ao estagiário que exerce irregularmente atribuições específicas, em substituição do profissional inscrito no conselhode classe. Também constitui proibição: a. assumir responsabilidade por atividade para as quais não esteja capacitado/a pessoal e tecnicamente; b. substituir profissional que tenha sido exonerado/a por defender os princípios da ética profissional, enquanto perdurar o motivo da exoneração, demissão ou transferência; c. pleitear para si ou para outrem emprego, cargo ou função que estejam sendo exercidos por colega; d. adulterar resultados e fazer declarações falaciosas sobre situações ou estudos de que tome conhecimento; e. assinar ou publicar em seu nome ou de outrem trabalhos de terceiros, mesmo que executados sob sua orientação. A Resolução do CFESS n.º 493/2006 dispõe sobre as condições éticas e técnicas do exercício profissional do assistente social. Art. 2º - O local de atendimento destinado ao assistente social deve ser dotado de espaço suficiente, para abordagens individuais ou coletivas, conforme as características dos serviços prestados, e deve possuir e garantir as seguintes características físicas: a- iluminação adequada ao trabalho diurno e noturno, conforme a organização institucional; b- recursos que garantam a privacidade do usuário naquilo que for revelado durante o processo de intervenção profissional; c- ventilação adequada a atendimentos breves ou demorados e com portas fechadas; d- espaço adequado para colocação de arquivos para a adequada guarda de material técnico de caráter reservado. Art. 3º - O atendimento efetuado pelo assistente social deve ser feito com portas fechadas, de forma a garantir o sigilo. Art. 4º - O material técnico utilizado e produzido no atendimento é de caráter reservado, sendo seu uso e acesso restrito aos assistentes sociais. PENALIDADES A alínea “a” do art. 22 do Código de Ética da Assistência Social dispõe que o exercício da profissão do impedido, ou facilitar, por qualquer meio, o exercício por pessoa não habilitada, constitui infração. Contudo, quem são os sujeitos impedidos ao exercício da profissão da Assistência Social citado na alínea? A partir da leitura do Código de Ética e da Lei que regulamenta a profissão do Assistente Social, são impedidos: Pessoas que não possuam formação em Serviço Social; b. Pessoas que tenham sido condenadas por sentença transitada em julgado por práticas de crimes; c. Pessoas que tenham sofrido sanção ético- disciplinar que implique na perda do registro profissional; d. Pessoas que estejam exercendo a profissão de forma ilegal ou sem registro no CRESS; e. Pessoas que estejam exercendo outra profissão ou atividade que implique conflito de interesses com a profissão de assistente social, ou que possam prejudicar o exercício profissional do Assistente Social. De outro norte, o Código também aduz que constitui infração: art. 22 [...] b. não cumprir, no prazo estabelecido, determinação emanada do órgão ou autoridade dos Conselhos, em matéria destes, depois de regularmente notificado/a; [...] d. participar de instituição que, tendo por objeto o Serviço Social, não esteja inscrita no Conselho Regional; e. fazer ou apresentar declaração, documento falso ou adulterado, perante o Conselho Regional ou Federal. A alínea “c” do art. 22 cita que constitui infração o inadimplemento da anuidade e contribuições devida ao Conselho. Ocorre que esse dispositivo contraria a letra do parágrafo único, do art. 4.º da lei n.º 12.514/11, que permite a cobrança da anuidade pelos conselhos, no entanto, o inadimplemento não tem o condão de suspender o registro ou impedir o exercício da profissão, pois tal ato constitui INCONSTITUCIONALIDADE. “É inconstitucional a suspensão realizada por conselho de fiscalização profissional do exercício laboral de seus inscritos por inadimplência de anuidades, pois a medida consiste em sanção política em matéria tributária. STF. Plenário. RE 647885, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 27/04/2020 (Repercussão Geral – Tema 732)”. PENALIDADES PARA AS INFRAÇÕES COMETIDAS? Segundo o art. 24 do Código de Ética, as penalidades aplicáveis são: a) multa; b) advertência reservada; c) advertência pública; d) suspensão do exercício profissional; e) cassação do registro profissional. VOCÊ SABIA? Uma curiosidade interessante sobre o curso de Assistência Social é que ele é um dos poucos cursos na área das Ciências Sociais que tem uma forte ênfase na prática. Isso significa que, além do aprendizado teórico, os estudantes são encorajados a participar de atividades práticas e supervisionados em permissão que oferecem serviços de assistência social. Os estudantes de Assistência Social geralmente trabalham com comunidades carentes, grupos superaram, indivíduos em situação de risco e outros que enfrentaram desafios socioeconômicos e culturais. Eles aprendem a desenvolver programas e serviços que atendem às necessidades próprias e trabalham em parceria com outras organizações governamentais e não governamentais. Outra curiosidade interessante é que, embora a Assistência Social seja frequentemente associada a programas assistenciais e de ajuda financeira, a área é muito mais ampla e abrange uma variedade de serviços e práticas que visam promover a justiça social e a igualdade de oportunidades para todos. TESTE SEU CONHECIMENTO 1 - Banca: COSEAC (2023) - Um dos direitos do assistente social previsto no código de ética profissional é: A - Pronunciamento em matéria de sua especialidade, com o objetivo de demonstrar sua capacidade profissional. B - Desagravo público por ofensa que atinja a sua honra profissional em consonância com a instituição na qual atue. C - Liberdade na realização de seus estudos e pesquisas, resguardados os direitos de participação de indivíduos ou grupos envolvidos em seus trabalhos. D - Participação na elaboração e execução das políticas sociais, quando convocado pelos entes governamentais ou órgãos de classe. E - Aprimoramento profissional de forma contínua, colocando seus conhecimentos a serviço do espaço sócio-ocupacional em que atue. 2 - Banca: COSEAC (2023) - Nos termos da Lei nº 8.662 de 07/06/1993, que regulamenta a profissão de assistente social, a função de encaminhar providências e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população constitui um (uma) A - atribuição privativa do assistente social. B - competência do assistente social. C - dever do assistente social. D - direito do assistente social. E - obrigação corporativa do assistente social. 3 - Banca: FURB (2023) - Em relação aos Fundamentos Éticos do Serviço Social, registre V, para verdadeiras, e F, para falsas nas afirmativas a seguir: (__)Mediante a capacidade emancipadora do trabalho, o ser social é dotado da possibilidade de construir sua própria história, sua emancipação enquanto resultado da sua ação. (__)As formas de (re)produção da vida social, construídas histórica e socialmente pelos sujeitos, podem tanto realizar quanto negar as potencialidades emancipadoras do trabalho. (__)O trabalho funda o ser social, diferenciando-o do simples animal, contribui no processo de desenvolvimento de sua capacidade criativa e livre. Assinale a alternativa com a sequência correta: A - V - V - F. B - V - F - V. C - F - V - F. D - F- V - V. E - V - V - V. 4 - Banca: FURB (2023) - Sobre os Princípios Fundamentais estabelecidos no código de ética do/a assistente social: I. Defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo. II. Defesa do aprofundamento da democracia, enquanto socialização da participação política e da riqueza socialmente produzida. III. Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com o aprimoramento intelectual, na perspectiva da competência profissional. É correto o que se afirma em: A - I, II e III. B - I e III, apenas. C - I e II, apenas. D - II e III, apenas. E - III, apenas. 5 - Banca: CPCON (2023) - De acordo com a Lei n° 8.662, de 7 de junho de 1993, o exercício da profissão de Assistente Social somente pode ser desempenhado por: A - Quem possua diploma de curso superior em Serviço Social expedido por estabelecimento de ensino sediado em qualquer país, independentemente da revalidação. B - Quem possua diploma de curso superior em Serviço Social, em nível de graduação ou equivalente, expedido por estabelecimento de ensino superior público. C - Os agentes sociais, desde que sua denominação expresse os vocábulos: trabalho, social e/ou serviço. D - Profissionais que estejam alinhados à perspectiva materialista e histórica. E - Os possuidores de diploma em curso de graduação em Serviço Social, oficialmente reconhecido, expedido por estabelecimento de ensino superior existente no país, devidamente registrado no órgão competente. 6 - Banca: CPCON (2023) - No que se refere às relações dos(as) assistentes sociais com as instituições empregadoras e outras, conforme o Código de Ética profissional, constitui-se como direito do(a) profissional: A - Integrar comissões interdisciplinares de ética nos locais de trabalho do/a profissional, tanto no que se refere à avaliação da conduta profissional como em relação às decisões quanto às políticas institucionais. B - Ser solidário/a com outros/as profissionais, sem, todavia, eximir-se de denunciar atos que contrariem os postulados éticos contidos neste Código. C - Repassar ao seu substituto as informações necessárias à continuidade do trabalho. D - Empregar com transparência as verbas sob a sua responsabilidade, de acordo com os interesses e necessidades coletivas dos/as usuários/as. E - Programar, administrar, executar e repassar os serviços sociais assegurados institucionalmente. 7 - Banca: CPCON (2023) - O Código de Ética do(a) assistente social veda aos profissionais: A - Estabelecer, obrigatoriamente, articulação com os movimentos de outras categorias. B - Fornecer à população usuária, quando solicitado, informações concernentes ao trabalho desenvolvido pelo Serviço Social e as suas conclusões, resguardado o sigilo profissional. C - Defender intransigentemente os direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo. D - Adulterar resultados e fazer declarações falaciosas sobre situações ou estudos de que tome conhecimento. E - Mobilizar sua autoridade funcional, ao ocupar uma chefia, para a liberação de carga horária de subordinado/a, para fim de estudos e pesquisas que visem ao aprimoramento profissional, bem como de representação ou delegação de entidade de organização da categoria e outras, dando igual oportunidade a todos/as. 8 - Banca: VUNESP (2023) - Em se tratando da ética profissional, compete ao assistente social refletir sobre os valores que sustentam sua intervenção, o significado desses valores para si, bem como os efeitos em suas ações e as consequências que podem produzir. Fruto da construção do coletivo da categoria, o Código de Ética do Assistente Social tem explicitado um conjunto de princípios fundamentais que direcionam o exercício profissional. Constitui-se um desses princípios o posicionamento em favor da equidade e justiça social, que assegure universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais, bem como sua A - formulação ideal. B - gestão democrática. C - atenção genérica. D - expansão segmentada. E - prestação compensatória. 9 - Banca: VUNESP (2022) - O Código de Ética Profissional do Assistente Social versa acerca de direitos e deveres dos/as profissionais, bem como daquilo que é vedado ao profissional realizar no exercício de suas funções. No tocante às relações com assistentes sociais e outros profissionais, o artigo 10 versa sobre os deveres dos/as assistentes sociais. Constitui-se um deles: A - realizar crítica pública aos colegas. B - incentivar, sempre que possível, a prática profissional interdisciplinar. C - depor como testemunha sobre situação sigilosa do/a usuário/a. D - deixar de comparecer perante a autoridade competente, quando intimado/a prestar depoimento. E - priorizar a agenda institucional em todos os aspectos. GABARITO 1 – C 2 – B 3 - E 4 - A 5 - E 6 - A 7 - D 8 - B 9 - B E aí? Não acertou todas as questões? Não se preocupe, pois não se trata apenas do resultado, mas sim de como você direciona cada passo em direção ao seu desenvolvimento e sucesso. Falhar não o torna uma pessoa fraca, mas sim mostra a possibilidade de crescimento. Para ajudá-lo, nós da UniFatecie vamos dar dicas valiosas de como aprimorar sua técnica de estudo. 1. ENTENDA COMO FLUI SUA APRENDIZAGEM Não existe uma técnica suprema que resolve todas as dificuldades no processo de ensino-aprendizagem de maneira uniforme. Seu primeiro passo, portanto, é definir uma técnica que facilita a assimilação do conteúdo, sem tornar seu aprendizado um processo enfadonho e cansativo. 2. ESTABELEÇA METAS DE ESTUDOS É muito importante não deixar seus estudos para a última hora, pois cada momento perdido é um degrau a menos para alcançar o tão sonhado diploma, conquistar uma vaga de trabalho ou a almejada promoção no emprego. 3. CRIE UM ROTEIRO DE ESTUDO Após definir suas metas, é crucial implementar um roteiro com ciclos de estudos, sem descuidar das pausas necessárias para o cérebro assimilar as informações. PRINCIPAIS ERROS NA HORA DE ESTUDAR A. Não ter um ambiente de estudo adequado: Um ambiente de estudo confortável e adequado é fundamental para manter a concentração e o foco. B. Não ter um plano de estudo: É importante criar um plano de estudo consistente e realista para cobrir todo o conteúdo necessário e evitar a procrastinação. C. Não ler o material com atenção: Ler o material rapidamente e sem prestar atenção o suficiente pode ensinar a compreensão e a retenção do conteúdo. D. Não fazer anotações: Fazer anotações durante o estudo é uma técnica útil para ajudar a lembrar informações importantes. E. Não revise o conteúdo regularmente: A revisão regular do conteúdo é fundamental para manter o conhecimento fresco e evitar o esquecimento. F. Não praticar exercícios: A prática de exercícios é fundamental para fixar o conhecimento e identificar áreas de dificuldade. G. Não descansar: Estudar por longos períodos sem pausas adequados pode levar ao cansaço mental e físico, prejudicando o desempenho. H. Não usar técnicas de aprendizagem ativa: Aprendizagem ativa, como resolver problemas, ensinar a outros ou aplicar o conhecimento em situações reais, pode ajudar a reter o conhecimento de forma mais eficaz. SAIBA + BAPTISTA, Myrian Veras. Investigação em Serviço Social CARVALHO, MariaIrene de. Ética Aplicada ao Serviço Social, Dilemas e Práticas Profissionais FALEIROS, Vicente de Paula. Saber Profissional e Poder Institucional GUERRA, Yolanda. A Instrumentalidade do Serviço Social HONNETH, Axel. Luta por reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais. IAMAMOTO, Marilda. Serviço Social na Contemporaneidade. MINAYO, Maria Cecília. Pesquisa Social – teoria, método e criatividade. SILVEIRA, Vladmir Oliveira da; ROCASOLANO, Maria Mendez. Direitos Humanos: conceito, significados e funções. Descubra um universo de conhecimento e expanda seus horizontes através da leitura. Sua mente e carreira agradecerão! REFERÊNCIAS BRASIL. Código de ética do/a assistente social. Lei 8.662/93 de regulamentação da profissão. - 10ª. ed. rev. e atual. [Brasília]: Conselho Federal de Serviço Social, [2012]. BRASIL. RESOLUÇÃO CFESS Nº 443/2003. Disponível em: https://cresspr.org.br/wp- content/uploads/2022/06/resolucao_443_03.pdf. Acesso em: 9 mai. 2023. BRASIL. DECRETO-LEI Nº 200, DE 25 DE FEVEREIRO DE 1967. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto- lei/del0200.htm#view. Acesso em: 9 mai. 2023. BRASIL. LEI No 8.662, DE 7 DE JUNHO DE 1993. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8662.htm. Acesso em: 9 mai. 2023. https://cresspr.org.br/wp-content/uploads/2022/06/resolucao_443_03.pdf https://cresspr.org.br/wp-content/uploads/2022/06/resolucao_443_03.pdf https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0200.htm#view https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0200.htm#view https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8662.htm