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FACULDADE PRISMA DEPOIS DA CAMPANHA: ESTRATÉGIAS DE MARKETING POLÍTICO PARA UMA REELEIÇÃO ANDRÉ JALES FALCÃO SILVA FORTALEZA 2026 FACULDADE PRISMA DEPOIS DA CAMPANHA: ESTRATÉGIAS DE MARKETING POLÍTICO PARA UMA REELEIÇÃO ANDRÉ JALES FALCÃO SILVA FORTALEZA 2026 Artigo apresentado à Faculdade Prisma, como requisito parcial para a obtenção de título de Especialista pela conclusão de MBA em Marketing Depois da campanha: Estratégias de Marketing Político para uma reeleição Autor: André Jales Falcão Silva1 Resumo O presente artigo analisa o papel do marketing eleitoral no período pós-eleitoral, especialmente na construção estratégica da reeleição de agentes políticos em contextos democráticos contemporâneos. A pesquisa parte da compreensão de que o marketing político não se limita ao período formal de campanha, mas se estende ao exercício do mandato, consolidando a lógica da campanha permanente e da comunicação contínua com o eleitorado. Palavras-chave: marketing eleitoral; reeleição; comunicação política; campanha permanente; imagem pública. Introdução A evolução dos meios de comunicação de massa e a posterior consolidação das plataformas digitais reconfiguraram as estruturas da representação democrática e as dinâmicas de disputa pelo poder. Nas democracias contemporâneas, o exercício da política deslocou-se de debates puramente ideológicos ou programáticos para uma arena fortemente midiatizada, onde a visibilidade, a velocidade e a esfera simbólica ditam as regras de sobrevivência e sucesso eleitoral. Nesse panorama, o marketing político deixa de ser um instrumento acessório, acionado exclusivamente nos períodos de propaganda eleitoral oficial, e assume uma posição central e estruturante na organização do Estado e dos mandatos. Esse fenômeno dá origem à lógica da chamada "campanha permanente", conceito que descreve a fusão indissociável entre o ato de governar e o ato de comunicar. Inseridos no ambiente da fast politics (CACCIOTTO, 2011), os líderes políticos enfrentam uma vigilância social contínua e uma circulação informacional hiperacelerada. Consequentemente, a manutenção da legitimidade democrática passa a depender da 1 Advogado, Especialista em Direito Público e aluno do MBA em marketing na Faculdade Prisma – ajfalcao@gmail.com capacidade do governante de gerenciar, em tempo real, tanto a máquina administrativa quanto a sua própria imagem pública, transformando ações burocráticas em narrativas politicamente eficazes e afetivamente atraentes para o eleitorado. O presente trabalho justifica-se pela necessidade de compreender como essas transformações impactam a preservação do capital político e a viabilidade de projetos de reeleição. Frente a um eleitorado fragmentado e hiperconectado, estratégias tradicionais baseadas unicamente em estruturas partidárias perdem força para a personalização da política, o storytelling e o monitoramento científico de dados e redes sociais. O objetivo geral deste estudo é analisar a centralidade do marketing político e da comunicação digital como vetores de sustentação da legitimidade e da imagem pública dos governantes na era da campanha permanente. Especificamente, busca-se: 1. Discutir as implicações teóricas e práticas da campanha permanente nas democracias midiatizadas; 2. Investigar os mecanismos de construção de imagem pública e personalização política sob a ótica da eficácia simbólica; 3. Compreender o papel das redes sociais no direcionamento estratégico, no monitoramento da opinião pública e no gerenciamento de crises institucionais. Metodologia Para atender aos objetivos propostos, este estudo adota uma abordagem qualitativa de natureza teórica e exploratória, pautada no método de revisão bibliográfica integrada. A pesquisa bibliográfica permite o levantamento, a análise e a confrontação de conceitos fundamentais já consolidados na literatura de Ciência Política, Comunicação Social e Marketing Político, oferecendo um arcabouço consistente para compreender os fenômenos da política espetáculo e da governança digital. O corpus teórico foi estruturado a partir da seleção de autores de referência nacional e internacional no campo da comunicação política. As discussões estruturam- se em torno dos seguintes eixos teóricos e bibliográficos: • Campanha Permanente e Fast Politics: Analisados sob a perspectiva de Marco Cacciotto (2011), que conceitua a velocidade informacional e a necessidade de monitoramento, complementado pelas premissas de Gaudêncio Torquato (2004) acerca das pontes de comunicação e confiança entre governantes e comunidades. • Imagem Pública e Posicionamento: Amparados nas contribuições de Julio César Herrero (2007) sobre a construção de atributos de identidade liderança, nas reflexões de Marcus Figueiredo (1994) sobre a centralidade estratégica das pesquisas de opinião e na defesa metodológica de Kunts (1986), que resgata o marketing político enquanto campo científico e técnico de procedimentos. • Comunicação Digital e Estratégia de Guerra: Debatidos a partir da ótica de Carlos Manhanelli (1988), que propõe o alinhamento uníssono das equipes e a analogia das estratégias de conflito para a conquista do espaço público. O levantamento bibliográfico foi conduzido em bases de dados acadêmicas, livros e periódicos especializados. A análise do material seguiu a técnica de análise de conteúdo por categorização temática, dividida em três núcleos analíticos que correspondem às seções principais deste trabalho: (1) o impacto estrutural da campanha permanente; (2) os processos de personalização e construção da imagem pública; e (3) as dinâmicas de gerenciamento de crise e preservação reputacional nas redes sociais. 1. Marketing político e campanha permanente A evolução dos meios de comunicação alterou profundamente as estratégias eleitorais nas democracias modernas. O marketing político passou a ocupar posição central na organização das campanhas, na construção da imagem dos candidatos e na formação da opinião pública. A consolidação da televisão no século XX e, posteriormente, a ascensão das plataformas digitais transformaram o modo como os agentes políticos estabelecem vínculos com a sociedade, deslocando a política para uma dinâmica de exposição contínua e permanente interação simbólica. Segundo Marco Cacciotto, a política contemporânea encontra-se inserida em uma dinâmica comunicacional contínua, marcada pela velocidade da informação e pela necessidade constante de posicionamento público. O autor destaca que a chamada “fast politics” produz um ambiente em que líderes políticos precisam responder rapidamente às demandas sociais e midiáticas, uma vez que a circulação acelerada das informações reduz o tempo de elaboração discursiva e intensifica a disputa pela atenção pública (CACCIOTTO, 2011) Torquato complementa: O marketing político vai ajudá-lo a ampliar as pontes de comunicação com as comunidades, a prestar contas periódicas, a criar climas de aproximação e simpatia, a abrir f luxos de acesso, a identif icar pontos de estrangulamento nas estruturas burocráticas, a identif icar anseios, expectativas e demandas sociais e, sobretudo, a estabelecer um clima de conf iança e credibilidade, fatores importantes, porém cada vez mais raros.” (Torquato, 2004, p. 141) Nesse cenário, o conceito de campanha permanente ganha relevância analítica. A lógica eleitoral deixa de se restringir ao período oficial das eleições e passa a integrar toda a atividade governamental. O mandatário contemporâneo governa sob constante observação da opinião pública, sendo compelido a administrar simultaneamente políticas públicas e estratégias de comunicação.Assim, cada pronunciamento, agenda pública, entrevista ou publicação em redes sociais passa a funcionar como componente de uma narrativa política contínua. A campanha permanente representa, portanto, uma mudança estrutural na relação entre democracia, mídia e poder político. O exercício do mandato transforma- se em espaço de manutenção de legitimidade eleitoral. Governar já não significa apenas implementar ações administrativas, mas também construir sentidos simbólicos capazes de sustentar aprovação popular ao longo do tempo. Julio César Herrero observa que o marketing político moderno exige planejamento estratégico permanente, baseado na definição clara de posicionamento político e identidade pública do candidato ou governante (HERRERO, 2007). Para o autor, o eleitor precisa identificar atributos específicos na liderança política, como competência, credibilidade, proximidade ou firmeza, elementos que são continuamente reforçados por meio da comunicação institucional. Além disso, o crescimento das redes sociais ampliou significativamente a personalização da política. O debate público passou a ser marcado pela centralidade da figura do líder, reduzindo muitas vezes a importância das estruturas partidárias tradicionais. A comunicação política contemporânea privilegia narrativas emocionais, aproximação simbólica e construção de identificação afetiva com o eleitorado. Nesse contexto, o marketing político aproxima-se das estratégias utilizadas no mercado empresarial. Governantes passam a ser administrados como marcas políticas, necessitando desenvolver reputação, coerência narrativa e fidelização de públicos específicos. Tal fenômeno demonstra que a disputa eleitoral contemporânea não ocorre apenas no campo ideológico, mas também no plano da percepção social e da construção imagética. Cacciotto (2011) ressalta ainda que o marketing político contemporâneo envolve pesquisas de opinião, segmentação de públicos, monitoramento de tendências sociais e planejamento comunicacional integrado. Esses instrumentos permitem aos governos identificar demandas sociais emergentes e ajustar suas estratégias narrativas de acordo com as expectativas do eleitorado. Entretanto, a lógica da campanha permanente também produz efeitos problemáticos para a democracia. A necessidade constante de aprovação popular pode estimular práticas políticas excessivamente voltadas à imagem e à popularidade imediata, em detrimento de projetos estruturais de longo prazo. A política passa a operar sob intensa pressão midiática, favorecendo respostas rápidas e discursos emocionalmente impactantes. Apesar dessas tensões, é inegável que a campanha permanente se tornou característica estruturante das democracias contemporâneas. A reeleição depende cada vez mais da capacidade de comunicação estratégica do governante, da construção contínua de legitimidade pública e da habilidade de transformar ações administrativas em narrativas politicamente eficazes. 2. Construção de imagem pública e legitimidade política A imagem pública constitui um dos ativos mais importantes para qualquer projeto de reeleição. Em sociedades fortemente midiatizadas, a percepção social do governante frequentemente possui maior impacto eleitoral do que indicadores técnicos isolados de gestão. Isso ocorre porque a política contemporânea não se desenvolve apenas no campo administrativo, mas também no plano simbólico, emocional e comunicacional. A construção da imagem pública envolve processos contínuos de produção de sentido. O eleitor não avalia apenas programas de governo ou resultados econômicos, mas interpreta narrativas, comportamentos, discursos e símbolos associados à figura do líder político. Nesse contexto, a imagem pública transforma-se em mecanismo de mediação entre governo e sociedade. Julio César Herrero sustenta que o posicionamento político do candidato constitui elemento central da comunicação eleitoral, sendo necessário construir atributos de identificação pública capazes de consolidar reconhecimento e credibilidade (HERRERO, 2007). Para o autor, o eleitor precisa perceber características claras na liderança política, como competência, estabilidade, proximidade popular ou capacidade de gestão. Tais atributos funcionam como referências simbólicas que facilitam a identificação do candidato perante o eleitorado. Kunts (1986, p. 21) leciona: É necessário que se diga que o marketing político, assim como a administração, a organização, a engenharia, a matemática e a f ísica, se constitui em ciência, conjunto de procedimentos que reúne uma série de métodos e especif icidades de cada área, e apontar uma ciência como responsável por acontecimentos que se deveram exclusivamente a falhas humanas, quer de interpretação, quer de aplicação, seria tão incoerente quanto condenar a matemática pelo simples fato de o aluno se reprovado na matéria; e a engenharia, pelo fato de um prédio ter caído em função de erro de cálculo estrutural, e assim por diante. A legitimidade política contemporânea depende, portanto, não apenas do exercício formal do poder, mas também da capacidade do governante de construir confiança social. Em ambientes de intensa circulação informacional, a credibilidade pública torna-se recurso estratégico indispensável para a manutenção do capital político. Marco Cacciotto destaca que a comunicação política moderna opera em lógica de visibilidade permanente, na qual a exposição pública constante exige planejamento estratégico contínuo (CACCIOTTO, 2011). O governante contemporâneo encontra-se submetido à avaliação diária da opinião pública, sendo observado por veículos de imprensa, redes sociais e diferentes grupos de interesse. Dessa forma, a construção da imagem pública deixa de ocorrer apenas em períodos eleitorais e passa a integrar toda a atividade governamental. Nesse cenário, a coerência narrativa assume importância central. A legitimidade política tende a ser fortalecida quando existe compatibilidade entre discurso, comportamento e prática administrativa. Em contrapartida, contradições constantes entre promessas eleitorais e ações governamentais podem produzir desgaste institucional e perda de confiança social. Além disso, a política contemporânea passou por intenso processo de personalização. As disputas eleitorais tornaram-se fortemente associadas à figura individual do candidato, reduzindo parcialmente o protagonismo das estruturas partidárias tradicionais. O eleitor frequentemente estabelece vínculos emocionais mais intensos com lideranças específicas do que com programas ideológicos abstratos. Essa personalização fortaleceu o papel do storytelling político nas campanhas e nos mandatos. A construção de trajetórias pessoais, histórias de superação, símbolos de origem popular e narrativas de autenticidade passou a integrar as estratégias de comunicação política. O líder político moderno não comunica apenas propostas administrativas; ele também comunica identidade, pertencimento e representação simbólica. Segundo Cacciotto (2011), a política contemporânea aproxima-se da lógica das marcas institucionais, exigindo diferenciação competitiva e fortalecimento reputacional. Nesse sentido, a imagem pública funciona como capital simbólico acumulado ao longo da trajetória política. Quanto maior a confiança social associada à liderança, maior tende a ser sua capacidade de resistência em momentos de crise. Nesse sentido, Figueiredo, 1994 apresenta que: Fazer marketing político é, portanto, entender o que os eleitores querem em um determinado momento – e posicionar seu/sua candidato (a) de acordo com os anseios, as expectativas e as f rustrações da população. [...] Marketing é estratégia. E, numa competição eleitoral, você de estar sempre de olho no que fazem e no que dizem os adversários As redes sociais ampliaram significativamente esse fenômeno.A comunicação digital favorece relações de proximidade simbólica entre governantes e eleitores, permitindo contato direto, sem mediação tradicional da imprensa. Entretanto, também intensifica a exposição pública e acelera processos de desgaste político. A instantaneidade das plataformas digitais exige monitoramento permanente da percepção social. Pequenos episódios podem adquirir grande repercussão e impactar negativamente a imagem pública do governante. Assim, estratégias de marketing político contemporâneo dependem de gestão contínua de reputação, monitoramento de tendências e respostas comunicacionais rápidas. Entretanto, a centralidade da imagem pública também gera riscos para a democracia. A excessiva valorização da aparência política pode reduzir o espaço do debate programático e favorecer práticas comunicacionais superficiais. Em determinados contextos, a política transforma-se em espetáculo narrativo voltado mais à produção de emoções do que à discussão racional de políticas públicas. Apesar dessas tensões, a construção da imagem pública permanece elemento indispensável para projetos de reeleição. A legitimidade política contemporânea resulta da combinação entre competência administrativa, comunicação estratégica e capacidade de gerar identificação simbólica com o eleitorado. Governantes que conseguem transformar suas ações em narrativas socialmente reconhecidas tendem a consolidar maior estabilidade política e melhores condições de competitividade eleitoral futura. 3 Comunicação digital, gestão de crises e preservação do capital político As redes sociais transformaram radicalmente a comunicação política contemporânea. Plataformas digitais passaram a funcionar como espaços permanentes de disputa narrativa, mobilização simbólica e construção de legitimidade. A política deixou de depender exclusivamente dos meios tradicionais de comunicação e passou a operar em ambientes digitais marcados pela instantaneidade, pela interação contínua e pela intensa circulação de informações. Nesse novo cenário, a comunicação política tornou-se descentralizada e dinâmica. Governantes e lideranças políticas passaram a se comunicar diretamente com o eleitorado, reduzindo parcialmente a intermediação realizada pela imprensa tradicional. Essa transformação ampliou a capacidade de alcance das mensagens políticas, mas também aumentou significativamente os riscos comunicacionais. A comunicação digital eficaz exige coerência estratégica, segmentação de públicos e construção contínua de identidade narrativa. O eleitor contemporâneo espera presença constante, respostas rápidas e sensação de proximidade simbólica com as lideranças políticas. A ausência de posicionamento nas plataformas digitais pode ser interpretada como distanciamento político, enquanto o excesso de exposição sem planejamento estratégico pode gerar desgaste da imagem pública. Segundo Marco Cacciotto, a política contemporânea passou a operar sob lógica de monitoramento permanente da opinião pública, permitindo ajustes rápidos de discurso e posicionamento conforme as reações sociais (CACCIOTTO, 2011). As redes sociais oferecem indicadores imediatos de aceitação, rejeição e engajamento, tornando- se instrumentos centrais do marketing político moderno. Além disso, as plataformas digitais intensificaram a personalização da política. A figura do líder político passou a ocupar posição central na comunicação institucional, favorecendo estratégias baseadas em identificação emocional e aproximação simbólica com o eleitorado. O marketing político contemporâneo utiliza narrativas pessoais, bastidores do exercício do poder e elementos cotidianos como mecanismos de humanização da imagem pública. Julio César Herrero afirma que a comunicação eleitoral eficiente depende da construção de atributos claros de identificação política, capazes de fortalecer reconhecimento e credibilidade perante os eleitores (HERRERO, 2007). Nesse sentido, as redes sociais funcionam como espaços de reforço permanente desses atributos simbólicos. Outro aspecto relevante refere-se à segmentação de públicos. O marketing político digital permite direcionamento estratégico de mensagens para grupos específicos de eleitores, considerando fatores como faixa etária, interesses, localização geográfica e comportamento de consumo informacional. Essa segmentação amplia a eficácia comunicacional, permitindo que determinadas pautas sejam trabalhadas de maneira personalizada. Sobre as ações de Marketing Político, Manhanelli leciona: Nas ações de marketing político, devemos levar o conceito de guerra quando sairmos à batalha para angariar votos, ou seja, lograr, f lanquear e dominar os concorrentes, pois a natureza das ações de marketing envolve conf litos entre partidos e candidatos, tentando, através destes conf litos, orientar a campanha no sentido de satisfazer as necessidades e desejos dos eleitores. (Manhanelli, 1988, p. 18). E continua: Todos os assessores e cabos eleitorais cientes da plataforma e dos projetos do candidato, para que possam trabalhar em uníssono, assim como conhecer todas as ações externas que serão levadas a efetivação, para que mantenham as forças concentradas no intuito de conseguir levar a termo a ação estratégica.” (Manhanelli, 1988, p. 20) Entretanto, a utilização das redes sociais também intensificou a volatilidade da opinião pública. Crises políticas e comunicacionais podem adquirir grandes proporções em curto espaço de tempo, comprometendo significativamente projetos de reeleição. Nenhum governo está imune a crises políticas, administrativas ou comunicacionais. Escândalos, falhas administrativas, conflitos institucionais e declarações públicas mal recebidas podem gerar forte desgaste político e comprometer a legitimidade pública do governante. Em ambientes digitais altamente conectados, pequenos acontecimentos podem rapidamente tornar-se crises de grande repercussão. Nesse contexto, a gestão de crises tornou-se dimensão estratégica do marketing eleitoral contemporâneo. A capacidade de resposta rápida passou a ser elemento central da preservação do capital político. Governos que demoram a se posicionar frequentemente permitem que adversários ocupem o espaço narrativo da crise, consolidando interpretações negativas perante a opinião pública. Cacciotto (2011) destaca que a lógica da “fast politics” exige velocidade na formulação de respostas políticas e comunicacionais. Contudo, responder rapidamente não significa agir de maneira impulsiva. Estratégias eficazes de gerenciamento de crise dependem de coordenação institucional, clareza discursiva e preservação da credibilidade pública. A transparência tornou-se fator essencial na administração de crises contemporâneas. Tentativas de ocultação de informações frequentemente ampliam danos reputacionais e intensificam a desconfiança social. Em contrapartida, posicionamentos claros e demonstrações de responsabilidade institucional tendem a reduzir impactos negativos sobre a imagem pública do governante. Além disso, crises podem funcionar como oportunidades de reconstrução simbólica. Lideranças que demonstram estabilidade emocional, capacidade de liderança e competência administrativa em momentos críticos frequentemente fortalecem sua legitimidade perante o eleitorado. A percepção pública de firmeza e responsabilidade possui forte impacto sobre a construção do capital político. Outro elemento relevante refere-se à memória política coletiva. Crises mal administradas permanecem associadas à imagem pública do governante durante longos períodos, influenciando futuras disputas eleitorais. Por essa razão, estratégias de reeleição exigem planejamento preventivo, monitoramento constante de riscos e preparação das equipes de comunicação institucional. Figueiredo não nos permite esquecer que: Quem fala em marketingpolítico deve pensar, imediatamente, em pesquisa. Para balizar corretamente a estratégia de seu/sua candidato (a), você vai lançar mão de, basicamente, quatro tipos de pesquisas [...] análise do quadro geral, vida dos adversários e características do eleitorado, pesquisa qualitativa e pesquisa quantitativa (Figueiredo, 1994). As redes sociais também ampliaram a circulação de desinformação e ataques digitais, criando novos desafios para o marketing político contemporâneo. A velocidade de propagação de conteúdos falsos pode comprometer reputações políticas em poucas horas, exigindo respostas técnicas e estratégicas altamente qualificadas. Apesar desses desafios, a comunicação digital permanece instrumento indispensável para projetos de reeleição. Governantes que conseguem construir presença digital consistente, manter diálogo contínuo com o eleitorado e administrar crises de maneira eficiente tendem a consolidar maior estabilidade política e melhores condições de competitividade eleitoral. Assim, comunicação digital e gestão de crises passaram a integrar de forma inseparável as estratégias contemporâneas de preservação do capital político. A reeleição, nas democracias midiatizadas, depende não apenas de realizações administrativas, mas também da capacidade de administrar percepções sociais em ambientes comunicacionais permanentemente tensionados. CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise desenvolvida ao longo deste trabalho corrobora a premissa de que o marketing político contemporâneo transcendeu a função de mera propaganda para tornar-se uma dimensão estruturante das democracias modernas. Sob o império da campanha permanente, a fronteira entre o período de governança e o período de disputa eleitoral foi virtualmente extinta. Governar, na atualidade, exige a administração concomitante de políticas públicas e de percepções sociais, transformando o exercício do mandato em um exercício contínuo de manutenção de legitimidade simbólica. Ficou evidente que a imagem pública e o capital político não são gerados espontaneamente, mas constituem ativos estratégicos cultivados por meio do planejamento científico, da segmentação de públicos e do monitoramento constante, como bem apontam Kunts e Figueiredo. A personalização da política, intensificada pelo ecossistema digital, deslocou o foco dos programas partidários abstratos para as narrativas afetivas e o storytelling em torno do líder. Se, por um lado, esse movimento aproxima o cidadão do governante por meio de canais diretos e horizontais de comunicação, por outro, expõe as lideranças a uma volatilidade sem precedentes, na qual pequenos incidentes podem escalar para crises institucionais agudas na velocidade das redes. A dinâmica da fast politics impõe o desafio da prontidão. Conforme discutido, a gestão de crises eficiente em ambientes digitais não tolera o vácuo informativo; requer velocidade coordenada, transparência e consistência narrativa. Contudo, reside exatamente nessa pressa um dos principais pontos de tensão democrática identificados: a pressão por respostas instantâneas e discursos emocionalmente impactantes pode hipertrofiar a política da imagem, sacrificando o debate programático profundo e o planejamento de políticas estruturais de longo prazo em prol de bônus reputacionais imediatos. Por fim, conclui-se que a reeleição nas democracias midiatizadas é o resultado direto da habilidade do governante em operar como uma marca institucional coerente, resiliente e tecnicamente balizada. O marketing político, quando compreendido sob o seu rigor científico e estratégico, atua como a engrenagem que sintoniza as demandas sociais emergentes com as respostas governamentais. Longe de ser um mero espetáculo superficial, a comunicação estratégica tornou-se condição sine qua non para a estabilidade política e para a sobrevivência dos projetos de poder na era digital. Referências CACCIOTTO, Marco. Marketing político: como vencer eleições e governar. Coimbra: Conjuntura Actual Editora, 2011. DAHL, R. A. Poliarquia: participação e oposição. São Paulo: Editora Universidade de São Paulo, 2005. FIGUEIREDO, R. O que é marketing político. São Paulo: Brasiliense, 1994. HERRERO, Julio César. Manual de marketing político: cómo afrontar una campaña electoral. Madrid: Pearson Educación, 2007. KOTLER, Philip. Marketing para o século XXI. São Paulo: Futura, 2000. KUNTS, R. As assessorias de marketing, propaganda, política e o candidato. In: ______. Marketing político: manual de campanha eleitoral. 6. ed. São Paulo: Global, 1986. MANHANELLI, C. A. Estratégias eleitorais: marketing político. São Paulo: Summus, 1988. MANIN, Bernard. Os princípios do governo representativo. 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