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FACULDADE LEGALE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A APLICABILIDADE DA LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE 
DADOS ÀS RELAÇÕES TRABALHISTAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANDRÉ JALES FALCÃO SILVA 
 
 
 
 
 
 
 
 
SÃO PAULO 
2023 
 
 
 
 
 
 
FACULDADE LEGALE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A APLICABILIDADE DA LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE 
DADOS ÀS RELAÇÕES TRABALHISTAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANDRÉ JALES FALCÃO SILVA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SÃO PAULO 
2023 
Artigo apresentado à Faculdade Legale, 
como requisito parcial para a obtenção de 
título de Especialista pela conclusão de 
pós-graduação lato senso em Direito do 
Trabalho e Direito Processual do Trabalho. 
 
 
 
 
 
 
 
A aplicabilidade da Lei Geral de Proteção de Dados às 
Relações Trabalhistas 
 
André Jales Falcão Silva1 
 
Resumo: Esta pesquisa tem o objetivo de azer análise da Lei 13.709/2018 Geral de 
Proteção de Dados, que foi sancionada em 18 de setembro de 2020 e tem como 
objetivo conciliar a gestão de dados pessoais visando assegurar o direito fundamental 
à privacidade e, disciplinar os eventuais ocorrências de violação desse direito 
individual por meio de vazamentos ou tratamento irregular. Como se verá neste artigo, 
aplicabilidade da LGPD não se limita apenas a grandes empresas, mas em empresas 
de qualquer porte, demandando de cada uma delas a elaboração de políticas e 
protocolos de segurança de dados. Dessa forma, o presente estudo fora constituído a 
partir de revisão bibliográfica e leitura aprofundada da legislação, em especial em 
relação aos princípios e bases legais visando interpretar de forma sistemática, 
buscando compreender como tais normas se compatibilizam com as relações de 
trabalho e emprego. 
 
Palavras-chave: Relações Trabalhistas, Segurança de dados, Aplicabilidade da 
Lei Geral de Proteção de Dados, Direito do Trabalho, LGPD. 
 
Abstract: This research aims to analyze the General Data Protection Law 
13.709/2018, which was sanctioned on September 18, 2020 and aims to reconcile 
the management of personal data, seeking the fundamental right to privacy and, to 
discipline and protect occurrences violation of this individual right through leaks or 
irregular treatment. As will be seen in this article, the applicability of the LGPD is not 
limited only to large companies, but to companies of any size, requiring each of them 
to develop data security policies and protocols. Thus, the present study was 
constituted from a bibliographical review and in-depth reading of the legislation, 
especially in relation to the legal principles and bases, aiming to interpret them 
systematically, seeking to understand how such norms are compatible with work 
and employment relations. 
 
Keywords: Labor Relations, Data Security, Applicability of the General Data 
Protection Law, Labor Law, General Data Protection Law. 
 
Sumário: 1.Lei Geral da Proteção de Dados, 1.1-Aspectos gerais, 1.2–Conceitos 
estabelecidos pela LGPD,1.2.2-Tratamento de dados, 1.2.3 - Agentes de 
tratamento de dados, 1.3 – As 10 Bases Legais da LGPD, 2- Aplicabilidade da 
LGPD nas relações Trabalhistas, 2.1– Princípios da LGPD aplicáveis às relações 
de Trabalho, a) princípio da publicidade, b) princípio da exatidão, c) princípio 
da finalidade, d) princípio do livre acesso, e) princípio da segurança física e lógica, 
f) Princípio da Prevenção, 2.2 - Aplicação da Lei Geral de Proteção de dados nas 
 
1 Advogado, Especialista em Direito Público e Pós Graduando em Direito do Trabalho e Processual do 
Trabalho na Faculdade Legale (SP) – ajfalcao@gmail.com 
 
relações de Trabalho, 2.3 – Impactos e desafios da LGPD nas relações de 
Trabalho. 
 
Introdução 
 
Passando a viger em setembro de 2020, a Lei Geral de Proteção de Dados 
– LGPD, provém da carência de regulamentação dos dados pessoais em prol do 
Direito de Privacidade. Sendo assim, a lei disciplina a guarda e o tratamento dos 
dados pessoais cedidos a Pessoas Jurídicas, tanto de direito público quanto de 
privado. 
Veremos no início do artigo uma breve digressão sobre as razões 
históricas que de como a LGPD consequecia de um movimento inicado na União 
Européia se consagrou a uma importante ferramenta de proteção de dados. Veremos 
que desde o Brasil imperial havia normalização visando a proteção de dados. Diga-
se de passagem. 
 
A grande novidade vem regular o Artigo 5º da Constituição Federal de 
1988 no qual prevê, I) a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da 
imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização; II) a inviolabilidade do 
domicílio; e III) a inviolabilidade do sigilo de dados. 
 
Veremos também que a LGPD traça o papel de cada ator em torno do 
processo de tratamento de dados, desde a coleta até a eliminação deles e e as 
respectivas bases legais que envolvem a gestão de dados determinadas pela Lei 
Geral de Proteção de Dados. Por fim, veremos como a LGPD se relaciona com as 
relações trabalhistas e o impacto dela no campo do Direito do Trabalho. 
 
1. Lei Geral da Proteção de Dados 
Com a aprovação, em 1970, da prospecção legislativa sobre dados 
pessoais, o parlamento Alemão desencadeou na Europa uma tendência de 
regulamentações sobre a matéria de proteção de dados pessoais. Assim foram 
influenciados pela vanguarda alemã países como Suécia, Noruega, Dinamarca e 
França, que na mesma década editaram regulações no mesmo sentido. 
 
Inspirado as leis que diversos países europeus editaram com finalidade 
de estabelecer providências acerca da proteção de dados, a União Europeia 
consolidou a diretiva 95/46/CE. 
A ascensão da sociedade informacional foi marcada por escândalos de 
espionagem que impulsionaram a regulação da proteção de dados. Conforme 
Carvalho et al (2019), após o episódio envolvendo a Cambridge Analytica e 
Facebook em divulgar dados de clientes, acarretou na regulamentação do General 
Data Protection Regulation (GPFR) materializada pela normativa 2016/679, o que 
influenciou de modo direto o Brasil a editar Lei Geral de Proteção de Dados em 
2018. 
Em 14 de agosto de 2018 foi criada a Lei nº 13.709 a Lei Geral de 
Proteção dos Dados Pessoais (BRASIL, 2018), a partir dela, fora inaugurado o 
“Sistema Protetivo de Dados Pessoais”, que tem por finalidade estabelecer 
princípios e determinar medidas de compliance que orbitam o tratamento de dados 
pessoais com o intento de tutelar a privacidade e a intimidade do usuário. 
Com vigor a partir de 2020, a LGPD impõe às empresas, 
independentemente de seu porte, adaptarem em suas práticas a conformidade 
ética, desde o treinamento de colaboradores até a adaptação dos sistemas 
tecnológicos, pautado na transparência e na segurança dos dados. 
1.1 - Aspectos gerais 
Instituída pela lei pela Lei nº 13.709 de 14 de agosto de 2018, tendo 
entrado em vigor em 2020, a Lei Geral de Proteção de Dados, LGPD, tem por 
objetivo promover segurança jurídica a partir de padronização da padronização de 
protocolos e cuidados com dados, seja de pessoas físicas, jurídicas, de direito 
público ou de direito privado. 
 
Dessa forma, a proteção de dados tem por base uma série de 
fundamentos postulados pela própria LGPD, nos quais se destacam no Artigo 2º, 
conforme se vê: 
 
 
A disciplina da proteção de dados pessoais tem como fundamentos: 
 I - o respeito à privacidade; 
II- a autodeterminação informativa; 
 
III- a liberdade de expressão, de informação, de comunicação e de 
opinião; IV - a inviolabilidade da intimidade, da honra e da imagem; 
 
IV- o desenvolvimento econômico e tecnológico e a inovação; 
 
V- a livre iniciativa, a livre concorrência e a defesa do consumidor; e 
 
VI- os direitos humanos, o livre desenvolvimento da personalidade, a 
dignidade e o exercício da cidadania pelas pessoas naturais. 
 
Também, a LGPD carrega em seu bojo normas para a coleta, 
armazenamento e tratamento e compartilhamento de dados pessoais, visando 
elevar a proteção e aplicar penalidades caso haja descumprimento. 
Em outras palavras,a LGPD visa elevar o direito à privacidade ao status 
de Direito Fundamental, partindo do princípio de que novas condutas ilícitas 
surgem em par e passo com novos adventos tecnológicos. 
 
Todavia, a preocupação do legislador com a privacidade e intimidade 
não é de todo um assunto in voga na atualidade. É o que aponta Maciel (2019, p. 
7): 
 
Em 1824, a Constituição do Império reconhecia um certo direito à 
privacidade, ao proteger o “segredo da carta” e a “inviolabilidade da 
casa”. No entanto, naquele momento, a privacidade estava submetida a 
um conceito mais lastreado na propriedade, ou seja, a carta magna 
protegia o meio físico e não o conteúdo em si. Por isso, vê-se apenas 
referência ao sigilo da correspondência e à inviolabilidade do domicílio. 
Perceba-se que não há uma proteção da privacidade por si só, pelo seu 
conteúdo ou por um aspecto mais subjetivo. O que se protegia ali era a 
invasão, o ato de romper barreiras físicas. 
 
 
No ordenamento jurídico pátrio, o Marco Civil da Internet serviu como 
primeiro passo para a garantia da proteção de dados no Brasil. Nesse sentido, 
Maciel (2019, p. 39) leciona: 
 
Foi com o Marco Civil da Internet que o Brasil passou a constar em seu 
sistema jurídico a palavra “privacidade”. Embora curioso, esse fato nada 
inova, já que “vida privada”, no frigir dos ovos, possui o mesmo sentido. 
 
Com o MCI entrando em vigor em 2014, a internet no Brasil passou a ser 
mais bem disciplinada, prevendo como princípios a proteção da 
privacidade e dos dados pessoais (art. 3º), bem como garantindo aos 
usuários, dentre outros, os seguintes direitos (art. 7º): 
VII - não fornecimento a terceiros de seus dados pessoais, inclusive 
registros de conexão, e de acesso a aplicações de internet, salvo 
mediante consentimento livre, expresso e informado ou nas hipóteses 
previstas em lei; 
 
VIII - informações claras e completas sobre coleta, uso, 
armazenamento, tratamento e proteção de seus dados pessoais, que 
somente poderão ser utilizados para finalidades que: 
a) justifiquem sua coleta; 
b) não sejam vedadas pela legislação; 
c) estejam especificadas nos contratos de prestação de serviços ou em 
ermos de uso de aplicações de internet. 
 
 
De certo, o acneio para a proteção de dados não se limitam ao Estado 
brasileiro. Ao contrário. No continente Europeu, já há muito, em vários países 
vigoram legislações que visam proteger com integridade os dados dos dos 
indivíduos. Tais legislações acabam por compor o sistema europeu de 
regulamento de dados, que inspirou a edição da LGPD. 
 
Em 1970, no Estado Alemão de Hesse, surge a primeira lei mundial de 
proteção aos dados pessoais, em uma década em que começam a surgir 
inúmeras legislações de proteção, com o reconhecimento de que os 
“dados pessoais constituem uma projeçãoda personalidade do indivíduo 
e que, portanto, merecem uma tutela forte” (SCHERTEL, 2011). 
 
Vale essaltar que a LGP não se limita a regular as práticas no universo 
cibernético, uma vez que os dados podem ser coletados e tratados em meio físico 
ou em qualquer outro suporte. Todavia, com o advento das novas tecnologias, o 
meio virtual acaba sendo alvo das políticas de proteção de dados. 
 
Na lição de Frazão e Oliva (2019), informações que para a maioria pode 
ser irrelevantes para a maioria, podem ostentar valor econômico para grandes 
empresas, tais como “curtidas” em redes sociais, temo de tela, músicas ouvidas, 
locais visitados e lojas frequentadas. Segundo os autores, tais dados pode 
converter em conhecimento sobre dentre outros padrões, o perfil de consumidor. 
 
Nessa perspectiva, a LGPD prevê o tratamento de dados por parte de 
 
entidade da administração pública, visando atender sua finalidade, na persecução 
do interesse público e na execução das atribuições legais. Em síntese, os dados 
pessoais podem ser tratados, uma vez que observando as condições de 
verificação de dados dispostas no artigo 7º da LGPD. 
 
1.2 – Conceitos estabelecidos pela LGPD 
A LGPD disciplina a proteção de dados pessoais como base ao direito 
à privacidade, à liberdade, à livre iniciativa e ao desenvolvimento tecnológico e 
econômico, bem como base para os direitos e garantias individuais. Nessa toada, 
a LGPD estipula alguns conceitos que serão explorados a segur: 
 
1.2.1 Dados Pessoais e Dados Pessoais Sensíveis 
 
 
Dado pessoal, de acordo com a prórpria LGPD, dado pessoal é toda e 
qualquer informação que identifica a pessoa natural. Sendo assim, o Serviço 
Federal de Processamento de Dados – Serpro (2020) disseca o conceito: 
 
Se uma informação permite identificar, direta ou indiretamente, um 
indivíduo que esteja vivo, então ela é considerada um dado pessoal: 
nome, RG, CPF, gênero, data e local de nascimento, telefone, endereço 
residencial, localização via GPS, retrato em fotografia, prontuário de 
saúde, cartão bancário, renda, histórico de pagamentos, hábitos de 
consumo, preferências de lazer; endereço de IP (Protocolo da Internet) 
e cookies, entre outros. 
 
Como se vê, o conceito destrinchado pelo Serpro possui total harmonia 
com o artigo 5º da Lei Geral de Proteção de Dados (2018) que diz: 
 
Dado pessoal sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, 
filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, 
dado referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou biométrico, quando 
vinculado a uma pessoa natural. 
 
Portanto, diz-se dado pesoal sensível apenas e tão somente aquele que 
se encontra em rol da LGPD, independente de qualquer juízo alheio a legislação. 
 
 
1.2.2 - Tratamento de dados 
 
 
A LGPD aplica uma série de situações cotidianas nas quais ocorrem 
acesso a informaões pessoais. Esses atos demandam diversos protocolos 
exigidos pela lei. Nessa perspetiva, consoante a lição de Correia e Boldrin (2020), 
os dados passam pelo processo de tratamento tão somente com a escrita 
autorização do usuário. No caso das relações trabalhistas, o consentimento é 
expresso pelo trabalhador, conforme se vê: 
 
 
Toda operação realizada com dados pessoais, como as que se referem a coleta, 
produção, recepção, classificação, utilização, acesso, reprodução, transmissão, 
distribuição, processamento, arquivamento, armazenamento, eliminação, 
avaliação ou controle da informação, modificação, comunicação, transferência, 
difusão ou extração; 
 
 
Portanto, observa-se que a LGPD passou a determinar de forma 
compulsória a elaboração do Relatório de Impacto à proteção de Dados Pessoais, 
o RIPD. Tal relatório é aplicável a empresas, as quais deverão apresentar para 
fins de adequação à Legislação. 
 
1.2.3 - Agentes de tratamento de dados 
 
 
Em relação aos atores envolvidos no processo de tratamento de dados, 
a LGPD dispõe e PALLOTA; MORAES, 2020 explica que há o Titular, o detentor 
dos dados; o Controlador, quem verifica os dados a serem tratados, sendo ele 
pessoa física ou jurídica e o Operador, quem desenvolve em nome do Controlador 
o tratamento de dados. 
 
Ademais, é possível existir um outro ator na relação de tratamento de 
dados: o encarregado. Ele, por sua vez, é nomeado pelo controlador e fica 
responsável por ser o elo entre o comunicador e a Autoridade Nacional de 
Proteção de Dados. 
 
Ao controlador e ao operador cabem as atribuições de realizar a 
 
documentação das operações efetuadas no deslinde do processo de tratamento 
de dados pessoais, com a finalidade de concretizar as ações de tratamento de 
dados de forma segura e transparente. 
A nomeação do encarregado visa conferir segurança às informações, 
de modo que elas fiquem centralizadas, recebendo a certificação do controlador 
nas na apçocação das normas de validação previstas na LGPD. 
 
 
1.3 – As 10 Bases Legais da LGPD 
A LGPD elenca no seu artigo 7º bases legais que servem de requisitos de 
tratametos de dados, conforme se vê: 
 
I - mediante o fornecimento deconsentimento pelo titular; 
 
É essencial que o titular manifeste de forma inequívoca a aquiescência 
inequívoca de que está por ceder seus dados e que eles serão tratados desde que 
para uma finalidade determinada e que esta esteja expressa na declaração. 
II - para o cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo 
controlador; 
 
A utilização é viável, desde que as circunstancias imponham o tratamento, 
como adequação ou modificação de dados pessoais ou mesmo o fornecimento 
dele, seja pela conjuntura fática, pela imposição legal ou pela opção da empresa. 
III - pela administração pública, para o tratamento e uso compartilhado 
de dados necessários à execução de políticas públicas previstas em leis 
e regulamentos ou respaldadas em contratos, convênios ou 
instrumentos congêneres, observadas as disposições do Capítulo IV 
desta Lei; 
 
É aplicado especialmete à Administração Pública, não sendo aplicado aos 
agentes ou empresas privadas. Cumpre observar a compliance no tratamento de 
dados em geral vinculada à política pública, conforme as normativas do Capítulo 
IV da LGPD. 
IV - para a realização de estudos por órgão de pesquisa, garantida, 
sempre que possível, a anonimização dos dados pessoais; 
 
 
Aqui, observa-se que o anonimato é garantido sempre que possível e que 
os dados sejam disassociados entre si, com o intuito de evitar dano ao titular dos 
dados. Tal dispositivo também abre a possibilidade para criptografia ou outra 
tecnologia que visam o anonimato. 
IV - quando necessário para a execução de contrato ou de 
procedimentos preliminares relacionados a contrato do qual seja parte o 
titular, a pedido do titular dos dados; 
 
Há duas interpretações possíveis para este dispositivo. A priori, seria esta 
exigência fosse destinada restritivamente aos ‘’procedimentos preliminares 
relacionados a contrato do qual seja parte o titular’’. Isso importa que a base legal 
em análise poderia ser aplicada ao tratamento de dados, independentemente da 
titularidade dos dados. Por outro lado, outra interpretação se dá de forma 
sistemática vinculada ao Regulamento Geral de Proteção de Dados europeu 
concretizado pelo European Data Protection Board no qual indica que o titular é 
parte ativa no contrato ou nos atos que o orbitam. 
 
V- para o exercício regular de direitos em processo judicial,administrativo 
ou arbitral, esse último nos termos da Lei nº 9.307, de 23 de setembro 
de 1996 (Lei de Arbitragem); 
 
 
No compasso do Artigo 11, II, d) da LGPD no qual possibilita que dados 
sensíveis passem por tratamento independente do consentimento do titular, um 
vez que a base seja nos moldes e com finalidade para alcançar os fins da Lei de 
Arbitragem. 
 
Os atores envolvidos no Tribunal Arbitral, sejam quaisquer pessoas físicas 
ou jurídicas, até mesmo peritos e assistente técnico, encontram-se habilitados 
para fazer o tratamento dos dados pessoais enquanto houver interesse legítimo 
durante a administração ou na verificação dos dados vinculados a disputa arbitral. 
 
VI - para a proteção da vida ou da incolumidade física do titular ou de 
terceiro; 
 
Essa proteção se relaciona ao estado do titular. Comumente, exeplifica o 
 
caso ao acesso de documentos e telefone do indivúduo, que após um acidente, 
se encontra na necessidade de manter com contato com familiares e acionar lidar 
com a burocracia de acionar o resgate de emergência. 
VIII - para a tutela da saúde, exclusivamente, em procedimento realizado 
por profissionais de saúde, serviços de saúde ou autoridade sanitária; 
(Redação dada pela Lei nº 13.853, de 2019) 
 
Aqui se vê aplicação restrita às hipóteses expressas no preceito legal. Em 
outras palavras, as atividade desenvolvida pelo profissional de saúde ou pela 
autoridade sanitária e não se estende para farmácias, hospitais, seguros nem 
pçanos de saúde. 
IX - quando necessário para atender aos interesses legítimos do 
controlador ou de terceiro, exceto no caso de prevalecerem direitos e 
liberdades fundamentais do titular que exijam a proteção dos dados 
pessoais; ou 
 
 
Mais uma vez, o legislador surpreende autorizando, a partir dessa base 
legal, o controlador a realizar o tratameto de dados visando diversos fins, 
dispensando o o consentimento do titular para cada uma delas. 
 
Todavia, para legitimar tal hipótese, deve-se de antemão refletir sobre a 
proporcionalidade e a finalidade da Pessoa Jurídica para tratr os dados sem ir de 
encontro aos direitos e liberdades fundamentais do Titular. Dessa forma, esta base 
legal possibilida lacunas, uma vez que dispõe a partir de conceitos abertos, o que 
representa riscos ao Controlador e aos Titulares dos dados uma vez que estes 
atores fiacam a mercê dessa avaliação de proporcionalidade. 
 
 
X - para a proteção do crédito, inclusive quanto ao disposto na 
legislação pertinente. 
 
 
Aqui se vê a permissão aos conhecidos órgãos de proteção de crédito 
incluir daodos de consumidores em banco sem a necessária o consentimento do 
titular. Essa base visa prestigiar a coletividade, uma vez que previne a 
inadimplência no comércio em geral. Havendo a transferência ou 
 
compartilhamento desses dados, os agentes deverão observar os postulados de 
legitimidade sem comprometer a exclusiva finalidade de proteção do crédito. 
 
Destaca-se que em quaisquer hoipóteses legais descritas desse artigo 
sobrepõe aos demais, devendo ser aplicada a base legal mais apropriada às 
atividades do controlador. 
 
Assim, para ter conformidade a lei, é necessário que as Pessoas Jurídicas 
pratiquem adequadamente o tratamento de dados, observando suas respectivas 
políticas internas a fim de estabelecer operações dentro da regularidade das 
normas. 
 
2 - Aplicabilidade da LGPD nas relações Trabalhistas. 
Veremos os princípios relacionados da LGPD visa minimizar 
inseguranças em torno da tutela de dados e informações, como eles se relacionam 
às relações trabalhistas, impactos e desafios para a implementação da Lei. 
Antecipadamente, destaca-se a carência de procedimentos internos visando essa 
proteção perseguida. 
 
2.1 – Princípios da LGPD aplicáveis às relações de Trabalho 
 
Com o intento de definir critérios e protocolos que favorecem a proteção 
de dados, a LGPD acaba por postular uma série de princípios que orientam a 
aplicação da lei. Dentre eles, destacam-se: 
 
a) princípio da publicidade: Prevê que o público deve ter conhecimento 
da existência de quaisquer eventuais bancos de dados. 
 
b) princípio da exatidão: Determina exatidão e fidelidade à realidade 
dos dados, admitindo a possibilidade de atualização periódica. 
 
c) princípio da finalidade: Indica que os dados coletados devem 
exercer alguma finalidade para a empresa, E, que deve haver a comunicação sobre 
 
que finalidade é esta. 
 
O inciso I do artigo 6º da Lei Geral de Proteção de dados traz em sua 
literalidade que a “realização do tratamento para propósitos legítimos, específicos, 
explícitos e informados ao titular, sem possibilidade de tratamento posterior de forma 
incompatível com essas finalidades”, isso significa que o dado deve necessária possuir 
indicação clara e correta no momento da coleta. 
 
Na lição de Vainzof (2021), o papel primordial do princípio da finalidade 
é que, em termos práticos, ele impõe os limites legais ao tratamento de dados a 
partir de informação prévia. Dessa feita, os dados são coletados e tratados de modo 
que persigam uma finalidade. 
 
 
d) princípio do livre acesso: revela que o interessado tem direito ao 
acesso e controle dos dados, especialmente para fazer contemplar o princípio da 
exatidão. 
 
Conforme o inciso IV do artigo 6º da LGPD o titular dos dados pode 
consular livremente seus dados e verificar a situação de integridade, de forma 
desburocratizada e não onerosa, conforme normativa internacional de segurança 
da informação ISO/IEC 27000:2018. 
 
Ademais, o princípio emtela é reafirmado no artigo 9º da mesma lei, no 
qual determina que a consulta deve ser desburocratizada e sem ônus, deixando 
claro a duração e a forma do tratamento. 
 
 
e) princípio da segurança física e lógica: postula que os dados devem 
estar armazenados em local seguro, o que impossibilita dano, extravio e 
vazamentos. 
 
Deve-se traçar estratégias denominadas “medidas técnicas” para 
proteger dados de alteração, destruição, perda, acessos sem autorização e 
vazamentos ilícitos ou acidentais. 
 
 
Nesse sentido, Vainzof (2021), a segurança dos dados pessoais é 
tratada de forma categórica na LGPD. Medidas administrativas e técnicas devem 
ser adotadas por sistemas informacionais, visando a integridade dos dados 
evitando eventuais violações não apenas dolosos, bem como ocorrências 
acidentais. Para tanto, os sistemas precisam dotar de estruturas com o intuito de 
alcançar os critérios governança e de segurança previstos no artigo 49 da Lei em 
comento. 
 
f) Princípio da Prevenção: Se traduz em um importantíssimo postulado 
à segurança de dados. Tal princípio refere-se a previsão antecipada de transtornos 
e a aplicação de medidas para preveni-las. 
 
Conforme Vainzof (2021), a Lei Geral de Proteção de Dados tem por 
finalidade destacada a transformação da cultura de tratamento de dado, buscando 
evitar o maior número de situações previsíveis de violação de dados. 
 
Em termos práticos, a Lei Geral de Proteção de daos visa assegurar que 
os dados e os respectivo tratamento ocorram de maneira segura e cautelosa a fim 
de que prejuízos sejam reduzidos ou eliminados em casos de anomalia. 
 
Ressalta-se que epecificamente, os princípios de proteção de dados 
possui a relevância de buscar garantir o direito à privacidade, desejado desde a 
primeira concepção e regulação de proteção de dados. 
 
Nota-se que a LGPD contempla uma série de Direitos Humanos desde 
o Direito, em especial o Direito à privacidade, apesar de ser um ramo apartado do 
Direito Constitucional de modo que tem as próprias relações jurídicas impulsionada 
pelo advento das novas tecnologias. 
 
 
2.2 - Aplicação da Lei Geral de Proteção de dados nas relações de Trabalho 
 
A aplicação da LGPD na área trabalhista é cabível, no sentido de 
proteger os dados pessoais dos trabalhadores, até mesmo para aqueles que não 
 
possuem vínculos empregatícios com o empregador, seja pessoa física ou 
jurídica. 
Sendo assim, alguns cuidados relativos a guarda e o tratamento de 
dados e documentos devem ser tomados por parte do empregador, a fim de 
proteger as informações sensíveis não apenas dos empregados, mas também de 
candidatos. 
 
O modo de como a Lei Geral de Proteção de dados é aplicad de modo 
que o empregado, na condição de titular fornece ao empregador que assume o 
papel de controlador ou operador no qual é quem tomas as decisões que envolvem 
o processo de tratamento de dados. 
 
Conforme já abordado, o conscentimento em relação ao tratamento de 
dados não é uma condição imposta pela lei. Ademais, a lei determina que em 
contextos específicos nos quais há a dispensa do consentimento, quando se tem 
o regular exercio o processo judicial indicado pelo artigo 7º, VI, e artigo 11, inciso 
II, alínea “d” e, visando a proteção da integridade física do titular, conforme se 
vêno artigo 7º, VII, e artigo 11, inciso II, alínea “e”. 
 
Além do mais, a LGPD traz em seu artigo 15 outros contextos nos quais 
observa a finalização do processo de tratamento de dados. Lemos: 
 
I - verificação de que a finalidade foi alcançada ou de que os dados 
deixaram de ser necessários ou pertinentes ao alcance da finalidade 
específica almejada; 
II - fim do período de tratamento; 
III - comunicação do titular, inclusive no exercício de seu direito de 
revogação do consentimento conforme disposto no § 5º do art. 8º desta 
Lei, resguardado o interesse público; ou 
IV - determinação da autoridade nacional, quando houver violação ao 
disposto nesta Lei. 
 
 
 
De toda sorte, por mai que haja base legal que vise o tratamento do 
dado, o processo deve ser desempenhado com segurança, tendo em vista que a 
inobservância dos ditames legais em relação ao tratamento de dados gera 
sanções. 
Quanto ao armazenamento e guardad de dados e documentos de 
 
empregados e candidatos vagas, o inciso V, artigo 7 da Lei Geral de Proteção de 
Dados, o consentimento para detenção desses dados pode ser abdicado, 
salientando que ao fim do processo de seleção, os dados sensíveis não podem 
ficar retidos. 
 
Todavia, havendo a empresa o interesse de manter os dados do 
candidato na criação de banco de currículos ou oportunizando futura contratação, 
ela deve produzir termo de consentimento autorizando a retenção e coleta dos 
dados por tempo determinado. 
 
Até mesmo a CLT já prevê que o a empresa retenha a Carteira de 
Trabalho e Previdência Social, no prazo de cinco dias úteis, para fins de 
lançamentos de informações sobre o contrato de trabalho. Portanto, sugere-se 
que a empresa guarde as cópias dos documentos inerentes ao contrato de 
trabalho. 
O exame de admissão, etapa úlltima da seleção, deve cumprir a única 
finalidade sobre a aptidão do candidato ao trabalho, não podendo explicitar nem 
mesmo o Código Internaional de doenças (CID) ou servir como critério 
discriminatório. 
 
A Lei Geral de Proteção de Dados deve ser aplicada às relações de 
trabalho em outras circunctâcias. Nesse sentido, é interessante a praxis laboral a 
adoção, por parte do empregador, um programa de compliance trabalhista, assim 
lecionado por Silva e Pinheiro (2020, p. 42): 
 
como o princípio de governança corporativa que tem por objetivo 
promover a cultural organizacional de ética, transparência e eficiência de 
gestão, para que todas as ações dos integrantes da empresa estejam 
em conformidade com a legislação, controles internos e externos, valores 
e princípios, além das demais regulamentações de seu regimento. 
Com a adoção do programa de compliance, a pessoa jurídica 
empregadora terá plenas condições de realizar o monitoramento os processos 
relativos ao direito coletivo de trabalho, normativas de saúde, higiene e segurança 
do trabalho, dentro da formalidade e da legalidade. 
Destarte, não se pode olvidar que o empregador tem o dever de 
 
compatibilizar os processos internos com a realidade imposta pela LGPD, sem 
comprometer o funcionamento, como a transmissão de dados sensíveis para 
terceiros em caso de, por exemplo, convênios ou terceirização. 
Foi nesse diapasão que a 9ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho 
da 3ª Região, julgou pela aplicação da Lei Geral de proteção de dados como se 
vê no processo de número 0010337-16.2020.5.03.0074, no qual foi reportado a 
seguinte notícia: 
 
A inserção do número de telefone da empregada no site da empresa, 
sem prova inequívoca de autorização, implica divulgação de dado 
pessoal, que afronta sua vida privada. Com esse entendimento, os 
julgadores da Nona Turma do TRT de Minas mantiveram a condenação 
de uma loja de chocolates a pagar indenização por danos morais à ex-
empregada que teve seu telefone pessoal divulgado na página virtual da 
empresa como se fosse da loja. O colegiado, no entanto, reduziu a 
indenização determinada em primeiro grau para R$ 5 mil. 
Ao examinar o recurso interposto pela empresa contra decisão do juízo 
da Vara do Trabalho de Ponte Nova, o juiz convocado Ricardo Marcelo 
Silva, atuando como relator, ponderou que, apesar de não ser possível 
identificar a trabalhadora apenas pelo número informado, seria possível 
identificá-la assim que o cliente entrasse em contato com ela, invadindo 
sua privacidade. Em conformidade com a sentença, ele considerou que a 
divulgação do dado pessoal desrespeitou a Lei nº 13.709/2018 - Lei 
Geral de Proteção de Dados Pessoais – LGPD, que entrou em vigor em 
18/9/2020. 
Nesse aspecto, o julgador realçou que a fundamentação do ato ilícitocom base na LGPD não implicaria julgamento extra et ultra petita, ou seja, 
diverso ou além do que foi pedido na ação. É que, conforme explicou, ao 
fundamentar a decisão, o magistrado não fica atrelado aos argumentos 
dos litigantes, cabendo-lhe aplicar o direito independentemente dos 
argumentos das partes (iura novit curia - os juízes conhecem o direito, e 
da mihi factum, dabo tibi jus - dê-me os fatos e eu lhe darei o direito). 
De todo modo, o julgador ressaltou que o artigo 5º, inciso X, da 
Constituição da República dispõe que "são invioláveis a intimidade, a 
vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a 
indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação". 
Com base nas provas, o relator verificou que a inserção do número de 
telefone da autora no site de vendas da empresa ocorreu desde 
28/3/2020 até outubro de 2020. Logo, o ato foi praticado pela ex-
empregadora na vigência da LGPD. 
Contribuiu para a conclusão de invasão de privacidade o fato relatado 
em uma das conversas, via WhatsApp, da autora com o coordenador, 
trazidas com a inicial. A mulher comentou que tinha "muito cliente sem 
noção", que um deles teria ligado para o telefone dela às 4h da manhã, 
"Pq o louco viu q não respondeu e ainda ligou". 
 
No caso, a trabalhadora havia assinado termo autorizativo, a título 
gratuito, do uso de sua imagem na web. No entanto, o relator não 
considerou o ato capaz de legitimar a divulgação de seus dados 
pessoais. Para ele, os elementos essenciais ao dever de indenizar (ato 
ilícito, dano e nexo de causalidade) em relação ao direito à privacidade 
ficaram plenamente caracterizados, o que impõe a condenação da 
empregadora. 
Por outro lado, os julgadores reduziram a indenização fixada pelo juízo 
de primeiro grau para R$ 5 mil. Para tanto, o relator observou que, ao fixar 
o valor da indenização, o juiz deve levar em conta a extensão do dano e 
a natureza pedagógica que deve ter a reparação correlata, bem como as 
circunstâncias de que a indenização seja proporcional à dor suportada 
pela vítima, à gravidade da conduta do ofensor, ao seu grau de culpa e 
à situação econômica, asseverando ainda que não pode ser meio de 
enriquecimento do ofendido. 
Na visão do colegiado, a indenização de R$ 5 mil alcança o fim almejado, 
levando-se em conta o contexto fático e probatório do processo, o 
princípio da razoabilidade e o valor do último salário da autora, que 
corresponde a R$ 2.053,48. A decisão foi unânime. 
 
Pela atualidade da matéria, e, é um tanto inviável conhecer o 
posicionamento dos Tribunais do Trabalho uma vez que não há considerável 
volume de julgados em torno da Lei Geral de Proteção de Dados. De toda fora, a 
LGPD deixa claro que os empregadores possuem a responsabilidade de 
compatibilizar a pessoa jurídica às imposições trazidas pela lei, em todas as 
etapas do contrato de trabalho, inclusive as tratativas que antecedem a 
contratação. 
 
2.3 – Impactos da LGPD nas relações de Trabalho 
A Lei Geral de Proteção de Dados está diretamente atrelada à 
proteção, guarda e tratamento dos dados pessoais de Pessoa Natural pela Pessoa 
Jurídica, empregadora. Sendo assim, as informações que envolvem as relações 
empregatícias são objeto de proteção, uma vez que o empregado fornece uma 
série de informações ao longo da prestação de serviço. 
 
Nota-se que a LGPD é aplicável tanto nas relações de tabalho como 
de emprego, compreendendo todas as fases do contrato de trabalho, desde a 
coleta de histórico profissional até exames pós admissionais. Nesse sentido, 
 
convém entender qais o impactos dessa legislação envolvem a relação laboral, 
conforme se vê na lição de Pallotta e Moraes (2021): 
 
 
Os dados pessoais dos empregados-titulares passam por diversos fluxos 
de tratamento ao longo da jornada dos trabalhadores na companhia, sendo 
que podemos dividir em 4 momentos bem definidos: Fases anteriores à 
celebração do contrato de trabalho; no ato de celebração do contrato de 
trabalho; durante a execução do contrato de trabalho; no término do 
contrato de trabalho. 
 
Por conseguinte, há uma gama de dados e informações pessoais que 
envolvem a relação empregatícia, não apenas em processos internos, mas também 
alheios ao âmbito empresarial, como situações de fiscalização, convênios ou 
procedimentos meramente administrativos, como exemplos, temos convênios com 
empresas de serviço vale-refeição, empresas plano de saúde suplementar, serviço 
social da Indústria ou comércio, consultorias no E-social, FGTS, INSS, entreoutros. 
 
A priori a empresa contratante deve mapear o processo de tratamento 
de dados, levando em consideraçao alguma das bases legais da LGPD arroladas 
nos artigos 7º e 11º e tomar os dados coletados desde que haja adequação para 
a respectiva finalidade, conforme o artigo 6º, incisos I, II e III da lei. 
 
As bases legais geralmente enquadradas ao contrato laboral são 
geralmente a execução de contrato de trabalho ou mesmo o cumprimento de 
obrigação legal. 
 
É vital que a Pessoa Jurídica empregadora tenha ciência de sua 
posição em relação ao tratamento de dados inserida na relação laboral. 
 
A Lei Geral de Proteção de Dados determina no artigo 5º, inciso IX, que 
como agente de tratamento de dados, tanto o controlador quanto operadodor 
possuem funções no processo de tratamento e guarda de dados, de modo que ao 
controlador cabe a finção de tomar decisões relativas ao processo de tratamento 
de dados, enquanto ao operador cabe a incumbência de proceder as operações 
envolvendo o traramento de dados. 
 
 
Via de regra, as pessoas jurídicas tomam pra si o status de controladora 
dentro do proceso de tratamento em relação aos dados de seus colaboradores. A 
operadora acaba sendo uma equipe de gestão de dados ou mesmo uma empresa 
tercerizada a fim de realizar as operações de segurança de dados. 
 
É importante a identificação de cada um dos atores no processo de 
tratamento de dados, pois facilita a eventual responsabilização e o reajuste de 
cláusula contatual entre empresas e seus empregados, sem falar na ciência de 
quaisquer riscos e ter prédeterminado estratégias a fim de mitigar o dano. 
 
Sendo assim, destaca-se como impacto relevante da lei a missão da 
empresa assumir o lugar de controlador e informar aos empregados o modo de 
tratamento de seus respectivos dados. 
 
Além disso, a Pessoa Jurídica, a condição de controladora, tem por 
obrigação legal de dispor sobre medidas técnicas visando a prevenção de 
incidentes sobre os dados pessoais. 
 
Outra obrigação do empregador é prover o treinamento a fim de 
enraizar a proteção de dados à cultur organizacional, estabelecendo e fazendo que 
seus colaboradores coloquem em prática políticas de privacidade dentro de suas 
incumbências laborais. 
 
Cabe ainda a empresa empregadora cobrar das empresas que ela 
compartilha dados o mesmo cuidado e adequação à LGPD em relação aos dados 
compartilhado. 
 
Além do mais, a Lei Geral de Proteção de Dados influencia na 
contratação de estagiários e aprendizes, em especial no seu artigo 14, uma vez 
que traz formas específicas para o tratamento de dados quando o titular é criança 
ou adolescente, no senido de que a pessoa jurídica deve colher os daodos com 
prévia autorização de pais ou responsáveis. 
 
Outro detalhe que a Lei Geral de Proteção de dados impõe é o prazo 
sobre a guarda dos dados pessoais colhidos. A própria Lei determina no artigo 16 
que os daodso sejam eliminados definitivamente após o processo de tratamento. O 
impacto desse dispositivo nas relações trabalhistas reside nos reflexos após o fim 
do contrato de trabalho, uma vez que pode ser neessário para ajuizamento da de 
eventuais reclamações trabalhistas ou esclarecimentos previdenciários para a 
aposentadoria do empregado. 
Dentro do universo do Direito do Trabalho, há uma volumosa 
quantidade de documentos sobre os quais a empresaempregadora deve, 
destacando o artigo é fundamentado, desenvolver política específica de gestão de 
dados visando estabelecer prazos para o período do armazenamento. 
Pelo exposto se vê que a adequação da pessoa jurídica a LGPD é 
desafiador, uma vez que o processo de adequação irá depender do modo de cada 
empresa. 
 6. Considerações finais 
 
Tentamos com este estudo desmistificar que a LGPD seria restrito a 
grandes incorporações de informação, de serviços online ou software. Vimos com 
este artigo que todas as pessoas jurídicas, independente do porte, devem se 
adequar aos ditames da Lei Geral de Proteção de Dados. 
 
Além disso, vimos que as empresas devem adaptar a gestão de dados 
aos moldes da LGPD não apenas aos processos externos, mas também aos 
processos internos, especialmente contrataos de trabalho e seleção de pessoas, 
seja para contrato de trabalho, seja para contrato de emprego. 
 
Neste artigo tivemos conhecimento dos principios e das bases legais 
que orbitam a gestão de dados. Dentre eles, podemos destacar o princípio da 
finalidade, que se traduz na necessidade de verificar e atribuir um fim para a 
retenção e o tratamento de dado para legitimar o processo. 
 
Superando essa contextualização, iniciamos a estudar a aplicação e de 
 
como a Lei Geral de Proteção de dados se relaciona ao universo do Direito 
Trabalhista. Percebemos como ainda é deafiador traçar um entendimento de como 
os tribunais se relacionam com a LGPD, visto ainda é uma novidade e como tal, 
ainda é há pouco volume de julgados relativos a legislação de proteção de dados. 
 
Por fim, encerramos o estudo, buscamos levantar os principais 
impactos da LGPD para as relações trabalhistas. Nesse ponto, podemos destacar 
que é de suma importância identificar cada ator, a fim de responsabilizar e atribuir 
competência a cada um deles, principalmente havendo ocorrências de violação à 
privacidade por meio de acesso irregular aos dados guardados pela pessoa 
jurídica empregadora. 
 
 
 
 
 
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http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/iuris/article/view/35794/25803
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http://www.stj.jus.br/sites/portalp/Leis-e-normas/lei-
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