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Conteudista: Prof. Me. Gabriel Henares Eroico Revisão Textual: M.ª Bruna Giovana Bengozi Objetivos da Unidade: Compreender os conceitos teóricos fundamentais de fogo, combustão, incêndio e explosão, reconhecendo suas diferenças e relações; Analisar as formas de propagação do fogo e os fatores que influenciam sua intensidade e abrangência; Aprender as diferentes maneiras possíveis de apagar e combater o fogo; Avaliar as condições que favorecem a ocorrência de incêndios e explosões, integrando aspectos físicos, químicos e ambientais. 📄 Material Teórico 📄 Referências Fundamentos para a Ocorrência de Incêndio e Explosões Página 1 de 2 📄 Material Teórico A Teoria Básica Sobre o Fogo Caro(a) estudante, para que você possa aprender a prevenir e apagar o fogo, é importante conhecer primeiramente a teoria básica do fogo, que compreende os princípios e informações que elucidam a sua origem e como ele funciona. O fogo é a manifestação sensível da combustão, uma reação química exotérmica entre um combustível e um comburente, que libera calor, luz (radiação eletromagnética) e diversos produtos gasosos, podendo ou não apresentar chama. A explicação para essa reação é simples: todo material quando é aquecido a determinada temperatura libera gases e são os gases que, de fato, pegam fogo. O incêndio nada mais é do que o fogo que fica fora do controle, causando danos e podendo gerar prejuízos. Já a explosão é uma liberação rápida e violenta de energia, acompanhada por aumento de pressão, calor e onda de choque. Se um produto químico pode ou não explodir depende tanto de suas características intrínsecas (como composição e estabilidade) quanto das condições externas em que se encontra (temperatura, pressão, confinamento, presença de oxigênio, entre outros). Algumas substâncias químicas podem ser, ao mesmo tempo, inflamáveis e explosivas, enquanto outras apresentam apenas a inflamabilidade. Os três elementos que compõe o fogo são o combustível, calor e comburente. Eles formam juntos o triângulo do fogo (Figura 1). Combustível: qualquer material que possa pegar fogo. Eles podem ser encontrados em três estados físicos principais: sólido, líquido e gasoso: Combustíveis sólidos: precisam, em sua maioria, passar pela vaporização de parte de sua massa para que ocorra a combustão. A madeira, por exemplo, libera gases inflamáveis durante o aquecimento, que entram em ignição antes mesmo da queima completa da parte sólida. Outros combustíveis sólidos, como a parafina, passam primeiro pelo estado líquido antes de liberar vapores combustíveis. Exemplos: madeira, carvão vegetal, papel, tecido e até determinados tipos de grãos e cereais (quando secos e expostos a fontes de calor); Combustíveis líquidos: a principal característica deles é que sua combustão ocorre na superfície, pois eles não queimam de maneira homogênea em todo o volume. Em geral, esses líquidos são menos densos que a água e não deixam resíduos sólidos após a queima. Alguns líquidos inflamáveis possuem propriedades físicas específicas que tornam o combate ao fogo mais difícil e aumentam o risco para quem tenta apagar as chamas. Por exemplo, combustíveis voláteis, como a gasolina, liberam vapores facilmente à temperatura ambiente, o que eleva o potencial de ignição e exige maior cuidado no manuseio. Outros líquidos, como o óleo diesel, não liberam vapores tão facilmente, tornando sua combustão menos imediata e com menor risco de ignição rápida; Combustíveis gasosos: não possuem forma e nem volume definidos, espalhando-se rapidamente para ocupar todo o espaço disponível no recipiente/ambiente em que se encontram. O comportamento de um gás em caso de vazamento depende de sua densidade em relação ao ar. Gases que são mais leves que o ar, como o gás natural (GN), tendem a subir e se dispersar rapidamente no ambiente, reduzindo o risco de acúmulo. Contudo, gases que são mais pesados que o ar, como o gás liquefeito de petróleo (GLP), que é o gás do botijão de cozinha, permanecem próximos ao solo quando dispersos e podem se deslocar seguindo a direção do vento e os contornos do terreno, aumentando o potencial de risco de acúmulo em áreas baixas ou mal ventiladas; Comburente: o comburente é o elemento que inicia e mantém a combustão, reagindo com os vapores inflamáveis liberados pelos combustíveis. Na maioria dos casos, o Figura 1 – Triângulo do fogo #ParaTodosVerem: a Figura mostra um triângulo, onde cada lado dele representa um dos três componentes do triângulo do fogo. O primeiro lado mostra o “combustível”, representado pelos materiais sólidos, líquidos e gasosos; o segundo mostra o “comburente”, que é o oxigênio presente acima de 13% na atmosfera; e o terceiro oxigênio do ar (O2) é o comburente mais comum, permitindo que praticamente todos os combustíveis queimem. Geralmente, é preciso, pelo menos, 13% de O2 no ar para que a combustão seja sustentada, e a nossa atmosfera possui cerca de 21% de O2. Abaixo de 13%, a reação de combustão não consegue se sustentar e o fogo não se propaga, por isso, algumas indústrias utilizam atmosferas controladas de baixo oxigênio para prevenir incêndios. Alguns materiais podem utilizar outros gases ou substâncias como comburentes em condições específicas. Por exemplo, o hidrogênio pode reagir com o cloro, e o magnésio consegue queimar na presença de água, atuando como comburente nesse contexto (Paraná, 2019); Calor: energia de ativação necessária para iniciar a reação e permitir que o fogo se propague. Pode ser apenas uma faísca ou fagulha, que, dependendo das condições do ambiente, já pode ser o suficiente para iniciar a combustão. mostra o “calor” representado pela energia de ignição (elemento que inicia o fogo). No centro do triângulo, há uma chama. Fim da descrição. Figura 2 – Tetraedro do fogo #ParaTodosVerem: a Figura mostra um tetraedro invertido (perspectiva em 2D), onde cada face representa um dos componentes do tetraedro do fogo. As faces são o: combustível, calor, comburente e reação química em cadeia. Fim da descrição. Quando há a reação em cadeia dos três componentes, surge o tetraedro do fogo (Figura 2), também conhecido como quadrado do fogo. Esses componentes isolados não conseguem formar o fogo, todavia, quando ocorre a interação entre eles, há a formação da reação em cadeia, gerando a combustão e propiciando que ela se mantenha (São Paulo, 2025). Maneiras de Propagação de um Incêndio É fundamental entender as formas como o fogo pode se propagar para conseguir controlá-lo. Segundo a Física, um corpo pode propagar calor de três maneiras (São Paulo, 2025). A Figura 3 – Incêndio em prédio vizinho ocasionado por radiação Fonte: Paraná, 2019 #ParaTodosVerem: a Figura mostra dois edifícios de três pavimentos cada que são vizinhos. À esquerda, há um prédio que está totalmente tomado por um incêndio e, à direita dele, há outro prédio que está iniciando um incêndio, por causa do processo de transferência de calor sempre irá ocorrer do corpo mais quente para o mais frio. Essas formas são a radiação, convecção e condução. Radiação (ou Irradiação Térmica) A radiação é a forma de transmissão de calor que ocorre por meio de ondas eletromagnéticas, também conhecidas como ondas caloríficas. Diferentemente da condução e da convecção, esse processo não precisa de um meio material para acontecer, podendo se propagar inclusive no vácuo. O calor irradiado se espalha em todas as direções a partir da fonte, e a quantidade recebida por um corpo depende da distância em relação à fonte e da sua capacidade de absorver energia térmica (Figura 3). Um exemplo prático é o calor que sentimos do Sol, mesmo estando a 150 milhões de quilômetros de distância (Zurita, 2025), ou ainda a sensação de calor quando nos aproximamos de uma fogueira, mesmo sem precisar tocá-la. irradiação que transmitiu parte do extremo calor gerado pelo prédio adjacente, que é o responsável pela origem do incêndio. Fim da descrição. Figura 4 – Espalhamento de incêndioem um prédio ocasionado pela convecção Fonte: Paraná, 2019 #ParaTodosVerem: a Figura mostra a fachada de um prédio de três pavimentos pegando fogo. Há a indicação de uma seta mostrando que o fogo começou no primeiro Convecção Quando o calor é transferido pelo movimento ascendente de massas de ar (gases) ou de líquidos aquecidos, de baixo para cima, esse fenômeno é chamado de corrente de convecção. Um exemplo comum ocorre em incêndios em edifícios: um ambiente em chamas pode, em poucos minutos, transmitir calor para outro espaço que não possui ligação direta ou barreiras físicas em comum. Isso acontece porque o ar aquecido se desloca, levando consigo energia térmica, o que pode elevar a temperatura de outros locais até o ponto de começar a pegar fogo (Figura 4). pavimento e, devido ao processo de convecção, espalhou-se para os pavimentos superiores. Fim da descrição. Figura 5 – Transmissão de calor devido à condução em um incêndio Fonte: Paraná, 2019 #ParaTodosVerem: a Figura mostra a vista interna de dois cômodos vizinhos que estão separados por estruturas metálicas da edificação e paredes de alvenaria. O cômodo à esquerda está totalmente tomado por um incêndio, enquanto o cômodo à direita ainda não foi atingido pelo fogo, porém todos os materiais que os separam estão conduzindo Condução A condução acontece quando o calor passa de um ponto a outro (corpo a corpo) por meio de um material que está em contato direto com o fogo. É como se o calor “caminhasse” dentro do objeto (molécula a molécula), indo da parte mais quente para a mais fria. Nos incêndios, isso pode ocorrer quando o calor se espalha por paredes, canos ou vigas de metal, mesmo sem o fogo (as chamas) chegar até esses locais, pois essas partes vão aquecendo cada vez mais até pegarem fogo ou ajudarem a espalhar as chamas para outros locais (Figura 5). calor por condução. Caso o incêndio não seja controlado, o cômodo que ainda não foi atingido também poderá ser tomado pelas chamas. Fim da descrição. Pontos de Temperatura para Início do Fogo Quando um material combustível é exposto ao calor, ele passa por transformações que permitem sua reação com o oxigênio, dando início ao processo de combustão. Essas mudanças não acontecem de uma só vez, mas em diferentes níveis de aquecimento. Por isso, existem pontos de temperatura que indicam os estágios do processo: Ponto de fulgor (ou flash point): é a menor temperatura em que um combustível libera vapores ou gases inflamáveis capazes de iniciar a queima ao entrar em contato com uma fonte externa de calor. Porém, se essa fonte for retirada, a chama não consegue se sustentar; Ponto de combustão: é a temperatura mínima em que o combustível libera gases ou vapores inflamáveis em quantidade suficiente para manter a queima contínua, mesmo depois que a fonte externa de calor é retirada; Ponto de ignição (ou temperatura de autoignição): é a temperatura na qual os gases desprendidos do combustível entram em combustão de forma espontânea apenas em contato com o oxigênio do ar, sem depender de qualquer chama ou faísca (fonte de calor) para iniciar o fogo. Logo, a ordem das temperaturas é: ã çã Experiência Ponto de Fulgor! Este vídeo mostra e explica na prática o ponto de fulgor e combustão. Experimento Ponto de Ignição Já o vídeo a seguir mostra na prática o ponto de autoignição. Vídeos VÍDEO 1 VÍDEO 2 Experiência ponto de fulgor!Experiência ponto de fulgor! VÍDEO 1 VÍDEO 2 https://www.youtube.com/watch?v=Bliful4ekXU EXPERIMENTO PONTO DE IGNIÇÃOEXPERIMENTO PONTO DE IGNIÇÃO Limite de Explosividade e Inflamabilidade dos Combustíveis O Limite Inferior de Explosividade (LIE) e o Limite Superior de Explosividade (LSE) são parâmetros fundamentais para compreender quando uma mistura de combustível e ar pode se tornar inflamável ou explosiva. Esses limites representam a quantidade mínima e máxima de vapores ou gases combustíveis presentes no ar que permitem a propagação de chamas. Abaixo do LIE, há pouco combustível disponível no ar, e a mistura é considerada “pobre”, ou seja, não possui vapores suficientes para que a combustão se sustente. Por outro lado, quando a concentração de combustível no ar atinge o LSE e o ultrapassa, a mistura passa a ser “rica” demais, com excesso de vapores inflamáveis em relação ao oxigênio disponível. Nessa https://www.youtube.com/watch?v=jINWmS8Qqps condição, a combustão também não acontece, pois não existe oxigênio suficiente para queimar todo o combustível presente. Assim, a faixa compreendida entre o LIE e o LSE é chamada de faixa de inflamabilidade ou faixa de explosividade, sendo a única região onde a mistura é realmente capaz de entrar em combustão ou explosão. Essas faixas são exclusivas para cada tipo de combustível. Para exemplificar, a Tabela 1 mostra as propriedades físicas de três combustíveis líquidos. Tabela 1 – Propriedades físicas de alguns combustíveis Combustível Ponto de fulgor Ponto de ignição LIE LSE Etanol Hidratado¹ 15°C 363°C 3,3% 19,0% Gasolina Comum² 250°C 1,3% 7,1% Acetona³ -18°C 465°C 2,2% 13,0% Fonte: Adaptado de Petrobrás, 2019, 2021; Verquímica, 2021. Portanto, apenas quando a concentração em volume de etanol hidratado no ar está entre 3,3% e 19% é que ele pode se tornar inflamável ou explosivo. Abaixo dos 3,3%, não ocorre a combustão porque há muito pouco combustível (etanol) no ar; acima de 19,0%, não ocorre a combustão porque o excesso de combustível deslocou o oxigênio no ar, fazendo com que haja pouco oxigênio (comburente) no ar. Em síntese, ainda usando o exemplo do etanol, se a temperatura do ambiente estiver a 18°C e a concentração de etanol no ar estiver em 5%, a mistura é inflamável. Caso apareça uma fonte de ignição adequada, o fogo poderá se iniciar. Você Sabia? Como consultar na prática as propriedades físicas e químicas de qualquer combustível? É preciso consultar a Ficha de Dados de Segurança (FDS). Esse documento é regido pela ABNT 14725/2023 e é dividido em dezesseis partes, no qual seu objetivo é oferecer informações precisas sobre todos os riscos de segurança inerentes de cada combustível. As propriedades físicas/químicas é o 9º item. É muito simples de ser consultado: basta, por exemplo, digitar no Google “FDS óleo diesel”. Importante Todo o produto químico considerado perigoso é obrigado a ter a sua FDS. A responsabilidade pela elaboração desse documento é da empresa que o produz (fabricante). Na ausência desta, a responsabilidade passa para o importador ou fornecedor nacional. Os produtos químicos precisam ser comercializados junto com a FDS. A empresa que comprou o produto químico (consumidora) precisa manter a FDS à disposição dos trabalhadores para eventuais consultas, em local de fácil acesso. A FDS é uma exigência da NR-26, item 26.4.3 (Brasil, 2022). As Diferentes Maneiras de Extinguir o Fogo Extinção por Abafamento Esse método tem por objetivo retirar o comburente/oxigênio que alimenta o fogo. Sem o oxigênio, a chama não consegue se manter acesa e o fogo se apaga. Um exemplo prático é quando usamos uma tampa para cobrir uma panela em chamas. Quando colocamos a tampa, o fogo se apaga porque o oxigênio disponível diminuiu ou foi bloqueado. Extinção por Resfriamento O resfriamento acontece quando baixamos a temperatura do fogo, deixando o material menos quente do que o necessário para ele continuar queimando. A água é o agente mais usado nesse caso, porque ela consegue absorver muito calor. Quando jogamos água no fogo, ela retira o calor do material e reduz a temperatura, apagando as chamas. Porém, é preciso muito cuidado, pois isso não serve para qualquer tipo de incêndio. Caso uma frigideira com óleo em uma cozinha esteja pegando fogo e seja jogado água dentro dela para apagar o fogo, isso não irá funcionar, pois a água é menos densa que o óleo e irá acabar espalhando o fogo, piorando ainda mais a situação. Também é preciso cuidado em outras situações, pois o resfriamento com água pode acabar gerandochoque térmico. Portanto, é preciso saber o tipo de incêndio que está acontecendo e sua possível origem, para escolher o(s) tipo(s) de extinção(ões) que pode(m) ser usada(s). Extinção por Retirada do Material A retirada do material combustível interrompe o processo de alimentação do fogo, eliminando um dos elementos essenciais do triângulo do fogo. Essa técnica pode ser realizada de diferentes maneiras, como removendo materiais inflamáveis do local ou isolando o combustível que já está em chamas. Em incêndios florestais, por exemplo, cria-se aceiros (faixas de terra sem vegetação) para impedir que o fogo se propague, funcionando como uma barreira física contra o avanço das chamas. Outro exemplo seria um incêndio ocasionado pelo vazamento de gás da válvula do botijão. O gás continuará vazando até o botijão esvaziar. Porém, se for possível colocar o dedo em cima da válvula de gás, a chama do botijão irá parar imediatamente, pois o fluxo de oxigênio é cortado, interrompendo a combustão. Vídeo Fogo no Botijão de Gás Este vídeo mostra sucintamente como apagar a chama de um botijão de gás. Logo acima da saída do registro do botijão, há uma pequena altura área de cerca de 8 cm onde a chama não se forma. Isso ocorre porque, apenas a partir dessa altura, há quantidade de oxigênio suficiente para que a combustão ocorra. Portanto, é seguro colocar o dedo exatamente em cima do registro – -desde que se tenha cuidado. Ao fazer isso, a pessoa consegue interromper a saída do gás e, em seguida, fechar o registro com segurança. Fogo no Botijão de Gás. #acidentesdomésticos #acidentesdomeFogo no Botijão de Gás. #acidentesdomésticos #acidentesdome…… Extinção por Quebra da Reação em Cadeia Esse método age diretamente na reação química que mantém o fogo aceso. Alguns extintores, como os de pó químico ou de gás carbônico (CO2), liberam substâncias que interrompem essa reação, “quebrando” a sequência que faz o fogo continuar queimando. Mesmo que ainda haja calor, oxigênio e combustível, a chama desaparece porque a reação em cadeia foi interrompida (Figura 6). https://www.youtube.com/watch?v=DL_vkyDMIkc Figura 6 – Pequeno fogo sendo apagado por extintor de CO2 #ParaTodosVerem: a Figura mostra um homem vestido de bombeiro civil, com um extintor de CO2 nas mãos, em uma região de pequena floresta, apagando um pequeno incêndio que está ocorrendo no mato. Fim da descrição. Classes de Incêndio Para combater um incêndio de forma adequada, garantindo rapidez e segurança na sua extinção, é fundamental compreender as características que diferenciam os tipos de combustíveis envolvidos. Os principais órgãos internacionais especializados no assunto reconhecem cinco classes de combustíveis, classificadas da seguinte maneira (Paraná, 2019): Classe A: materiais sólidos combustíveis; Classe B: líquidos inflamáveis e gases combustíveis; Classe C: equipamentos e instalações energizados; Classe D: metais pirofóricos; Classe K: óleos e gorduras utilizados em cozinhas. A seguir, detalharemos informações sobre cada uma dessas classes de incêndio (Quadro 1). Quadro 1 – Os principais pontos de atenção em relação as classes de incêndio Fonte: Adaptado de Paraná, 2019; Creative Commons, 2025 #ParaTodosVerem: na Coluna de “Classificação do fogo” há para cada linha cinco ícones que representam as classes de incêndio. O primeiro, Classe A, com a letra "A" em um triângulo, refere-se a "Aparas de papel, Madeiras" e é ilustrado por uma lixeira e uma fogueira em chamas; o segundo, Classe B, com "B" em um quadrado, é para "Líquidos Inflamáveis", ilustrado por um galão derramando líquido em chamas; o terceiro, Classe C, com "C" em um círculo, é para "Equipamentos Elétricos", ilustrado por uma tomada e um plugue em chamas; o quarto, Classe D, com "D" em uma estrela, é para "Metais Combustíveis", ilustrado por uma engrenagem em chamas; e o quinto, Classe K, com "K" em um quadrado, é para "Óleo, Gordura", ilustrado por uma frigideira em chamas. Fim da descrição. Os Diferentes Tipos de Extintores de Incêndio Os extintores têm como principal objetivo combater rapidamente os focos iniciais de incêndio, ou seja, agir de forma imediata antes que o fogo se espalhe. Depois que o fogo se alastra totalmente, praticamente fica impossível o combate às chamas apenas com extintores, devendo o Corpo de Bombeiros ser acionado imediatamente para controlar a situação o quanto antes. Portanto, além do fato do extintor ter que ser usado no início do incêndio, ele deve ser usado no foco do incêndio. Cada tipo de incêndio exige um extintor específico, por isso é essencial que o combatente conheça os diferentes tipos e saiba quando e como utilizá-los de forma correta. Mesmo que pareça que o fogo está sob controle, o uso do extintor não deve atrasar o acionamento do alarme de incêndio. A prioridade deve ser sempre a segurança das pessoas e a mobilização rápida dos recursos. Abaixo são comentados os seis tipos mais comuns de extintores, suas indicações e como funcionam: Água pressurizada – indicada para incêndio de classe A: atua resfriando o material em chamas. Não deve ser usada em incêndios de Classe C (equipamentos elétricos), pois pode causar choques elétricos; Gás carbônico (CO2) – indicado para incêndios de classes B e C: funciona por resfriamento e abafamento, mas deve ser aplicado rapidamente, pois o gás se dispersa com facilidade. Pode ser usado também em incêndios de Classe A (apenas no estágio inicial) e classe B (em locais fechados); Pó Químico Seco (PQS) – indicado para incêndio de classes B e C: o agente extintor (bicarbonato de sódio/potássio) age interrompendo a reação em cadeia do fogo e abafando as chamas; Pó Químico Especial (ABC – Multiuso) – indicado para incêndios de classes A, B e C: utiliza compostos como monofosfato de amônia ou amônia siliconizada, que atua quebrando a reação em cadeia do fogo e também atua por abafamento; Extintor para incêndio de classe D: seu uso é para materiais pirofóricos. Esses materiais se inflamam espontaneamente a partir do momento que entram em contato com o ar, sem necessidade de precisar de uma fonte de ignição, como ocorrem nos incêndios das outras classes. Os incêndios classe D são extremamente perigosos e difíceis de serem controlados. Os pirofóricos podem reagir violentamente quando em contato com a água, podendo ocasionar até explosão; Extintor para incêndio de classe K: usado em incêndios com óleos e gorduras, comuns em cozinhas. Contém uma solução de sais orgânicos que age resfriando e abafando o fogo. Caso uma frigideira/panela com gordura esteja pegando fogo, não se deve jogar água, pois irá espalhar o fogo, conforme já dito. Um pano umedecido ou a tampa da própria panela é suficiente para cortar o oxigênio e abafar o fogo. Página 2 de 2 📄 Referências BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. Portaria MTP 2.770, de 05 de setembro de 2022. Aprova a nova redação da Norma Regulamentadora nº 26 – Sinalização e Identificação de Segurança. (Processo nº 19966.102424/2022-41). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 6 set. 2022. p. 90. Disponível em: . Acesso em: 02/10/2025. PARANÁ. Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Paraná. Combate a princípios de incêndios: módulo 5. 1. ed. Curitiba: Governo do Estado do Paraná, 2019. Disponível em: . Acesso em: 29/08/2025. PETROBRÁS. Ficha de Informações de Segurança de Produto Químico – FISPQ: FDS Etanol Hidratado Adit. Petrobras Grid. 1. ed. Rio de Janeiro: Petrobrás, 2019. Disponível em: . Acesso em: 30/08/2025. PETROBRÁS. Ficha de Informaçõesde Segurança de Produtos Químicos – FISPQ: FDS Gasolina Comum C. 1. ed. Rio de Janeiro: Petrobrás, 2021. Disponível em: . Acesso em: 30/08/2025. SÃO PAULO (Estado). Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Portaria n° CCB 003/800/25, de 19 de março de 2025. Dispõe sobre publicação das Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo a que alude o Decreto Estadual n°69.118, de 09 de dezembro de 2024. Diário Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo, 20 mar. 2025. Disponível em: . Acesso em: 30/08/2025. VERQUÍMICA. Ficha de Informações de Segurança de Produto Químico – FISPQ: Acetona. Guarulhos: Verquímica, 2021. Disponível em: . Acesso em: 30/08/2025. ZURITA, M. Como a distância entre a Terra e o Sol foi calculada. Olhar Digital, São Paulo, 22 maio 2022. Disponível em: . Acesso em: 31/08/2025.