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Contabilidade Geral5

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CONTABILIDADE GERAL AULA 5 Prof. Alison Martins MeurerCONVERSA INICIAL Olá, futuro contador, contadora e entusiasta da contabilidade! Nesta unidade, abordaremos os aspectos relacionados à folha de pagamento. Inicialmente, trataremos dos elementos conceituais relacionados aos proventos, adicionais e descanso semanal remunerado. Após isso, nossos olhares serão direcionados para cálculo das férias e do 13° salário. Em seguida, será a vez de tratarmos dos atrasos, das faltas e dos descontos sobre a folha de pagamento. Por fim, encerramos esta aula abordando os encargos sociais que devem ser recolhidos pela organização, bem como a sua contabilização. Bons estudos! CONTEXTUALIZANDO Quando falamos das remunerações dos empregados, temos que ter em mente que há uma variedade de fatores que podem interferir nesses cálculos. Além disso, há tributos que são recolhidos pela empresa ao governo e que são descontados da remuneração dos empregados sem representar uma despesa efetiva à organização. Por outro lado, há encargos sociais que são arcados pelas organizações. Assim, no decorrer desta aula, abordaremos essas especificações que compõem as rotinas trabalhistas. TEMA 1 FOLHA DE PAGAMENTO: CONCEITO E PROVENTOS A folha de pagamento consiste em uma espécie de ficha que resume todas as remunerações que devem ser pagas aos empregados pelo seu trabalho. A folha de pagamento também é chamada por algumas pessoas de holerite, recibo de vencimento, demonstrativo de pagamento ou contracheque. O cálculo e a disponibilização da folha de pagamento aos empregados geram benefícios tanto para a empresa quanto para os colaboradores, pois a partir da folha de pagamento os colaboradores conseguem identificar os valores que compõem a sua remuneração, os valores adicionais, possíveis descontos de adiantamento salário, faltas e os tributos descontados. Sob a perspectiva da empresa, a disponibilização do holerite fornece segurança jurídica, pois aorganização terá como comprovar que os valores devidos foram calculados e pagos aos funcionários. Por isso, a Lei n. 8.212/1991 estabelece que as empresas são obrigadas a disponibilizar essa espécie de demonstrativo, conforme art. 32 exposto a seguir: Art. 32. A empresa é também obrigada a: - preparar folhas-de-pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; [...] VI comunicar, mensalmente, aos empregados, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, os valores recolhidos sobre total de sua remuneração ao INSS. (Brasil, 1991) Saiba mais Apesar de comumente a folha de pagamento ser elaborada de forma eletrônica, com o auxílio de um software, não há nada que impeça dela ser elaborada de forma manual (manuscrita). Em termos de estrutura, podemos afirmar que a folha de pagamento é dividida entre os valores que aumentam a remuneração do empregado, denominada de proventos, e os valores que diminuem a remuneração do empregado, chamada de descontos. Apesar dessa classificação, há valores neutros que são informados no holerite para que empregado tenha a ciência do recolhimento, mas que não representam um desconto ou um provento efetivo na remuneração do colaborador. Como exemplo, estão os valores recolhidos a título de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que são pagos pela empresa ao governo, mas que não são descontados dos empregados. Cabe destacar que o valor recebido pelo colaborador é denominado de remuneração líquida, que representa a diferença entre os proventos e os descontos. Logo, a remuneração líquida é valor que efetivamente o colaborador receberá pelos serviços originados do seu vínculo trabalhista. A remuneração dos colaboradores deve ser paga pela empresa até o quinto dia útil do mês seguinte ao término do mês de direito da remuneração. Por exemplo, suponha que você trabalhe durante mês de janeiro. Logo, você terá direito a receber pelo serviço prestado e a empresa terá até quinto dia útil de fevereiro para realizar pagamento, apresentando os proventos e osdescontos que compuseram esse valor no holerite que será disponibilizado a você. Mas, e se empregado receber de forma semanal ou quinzenal? Então, o pagamento será realizado até quinto dia útil seguinte à semana ou quinzena vencida. Oliveira (2017) destaca que, exceto para os casos de comissões e gratificações, pagamento da remuneração não poderá ser realizado com base em períodos superiores a um mês. Bem, agora que já vimos conceito inicial da folha de pagamento e o prazo de pagamento, vamos abordar mais a fundo os elementos que compõem os proventos de acordo com a estrutura exposta por Oliveira (2017). 1.1 Salário Podemos afirmar que o salário, na maioria das vezes, é a principal parcela da remuneração do empregado. Em termos legais, salário não pode ser inferior ao salário mínimo nacional vigente no país, podendo ser definido um salário mínimo da categoria ou até mesmo salário mínimo regional, desde que superiores ao salário mínimo nacional. Por exemplo, a Lei n. 3.999/1961 estabelece algumas definições e parâmetros do salário-mínimo dos médicos e cirurgiões dentistas, conforme exposto a seguir: Art. 4° É salário-mínimo dos médicos a remuneração mínima, permitida por lei, pelos serviços profissionais prestados por médicos, com a relação de emprego, a pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. Art. 5° Fica fixado salário-mínimo dos médicos em quantia igual a três vezes e o dos auxiliares a duas vezes mais o salário-mínimo comum das regiões ou sub-regiões em que exercerem a profissão. (Brasil, 1961) Assim, um dentista não poderá receber um valor inferior a três salários- mínimos. Esses valores mínimos também são denominados de piso salarial. Em termos de vínculos trabalhistas e carga horária de trabalho, há inúmeras formas de se estabelecer uma relação entre empregador e empregado. Por exemplo, há pessoas que possuem vínculo de 44 horas semanais/220 horas mensais, outras de 40 horas semanais/200 horas mensais, 30 horas semanais/150 horas mensais, e assim por diante. Dessa forma, normalmente, o balizador do cálculo do salário é valor da hora trabalhada. Assim, vamos verificar, na Tabela 1, exemplos de cálculo do valor da hora trabalhada para diferentes cargas horárias, considerando um salário de R$ 5.000 mensais.Tabela 1 Cálculo do valor da hora trabalhada de acordo com a carga horária de trabalho Horas diárias (6 Horas Horas Cálculo dias na semana) semanais mensais 7h20m = 440 minutos por dia X 30 dias = 13.200 minutos por mês 7h20min 44 220 13.200 minutos / 60 minutos = 220 horas / 220 horas = R$ 22,73 por hora normal de trabalho 7h = 420 minutos por dia X 30 dias = 12.600 minutos por mês 7 42 210 12.600 minutos / 60 minutos = 210 horas / 210 horas = por hora normal de trabalho 6h40m = 400 minutos por dia X 30 dias = 12.000 minutos por mês 6h40min 40 200 12.000 minutos / 60 minutos = 200 horas 200 horas = R$ 25 por hora normal de trabalho 6h = 360 minutos por dia X 30 dias = 10.800 minutos por mês 6 36 180 10.800 minutos / 60 minutos = 180 horas / 180 horas = R$ 27,78 por hora normal de trabalho 5h = 300 minutos por dia X 30 dias = 9.000 minutos por mês 5 30 150 9.000 minutos / 60 minutos = 150 horas / 150 horas = por hora normal de trabalho 4h = 240 minutos por dia X 30 dias = 7.200 minutos por mês 4 24 120 7.200 minutos / 60 minutos = 120 horas / 120 horas = por hora normal de trabalho 2h = 120 minutos por dia 30 dias = 3.600 minutos por mês 2 12 60 3.600 minutos / 60 minutos = 60 horas / 60 horas = R$ 83,33 por hora normal de trabalhoNote que a depender da carga horária do empregado, valor da hora de trabalho normal é alterada. Esse cálculo é essencial para a definição de outros valores, tais como as horas extras, tema do nosso próximo tópico. 1.2 Horas extras Vimos anteriormente o cálculo do valor da hora normal de trabalho. Entretanto, é comum que os empregados venham a realizar horas extras. Nesse sentido, empregado poderá realizar até duas horas extras por dia, sendo que o valor da hora extra deverá ser de no mínimo 50% do valor da hora de trabalho normal, conforme definido no art. 59 da Lei n. 13.467/2017: Art. 59. A duração diária do trabalho poderá ser acrescida de horas extras, em número não excedente de duas, por acordo individual, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. Parágrafo 1° A remuneração da hora extra será, pelo menos, 50% (cinquenta por cento) superior à da hora normal. (Brasil, 2017) Portanto, suponha que empregado tenha uma jornada semanal de 44 horas e seu salário seja de 5.000. Portanto, o valor mínimo da hora extra será calculado da seguinte forma: Valor da hora normal 22,73 X 50% = R$ 11,37 valor do acréscimo da hora extra Valor da hora extra: R$ 22,73 (hora normal) + R$ 11,37 (valor do acréscimo) = R$ 34,10 Cabe destacar que empregado também tem direito de receber valor do Descanso Semanal Remunerado (DSR) sobre o valor das horas extras, bem como os demais adicionais que possam existir devido a sua profissão, como adicionais de periculosidade, insalubridade, gratificações, entre outros. Assim, no próximo tópico são apresentados os adicionais que podem existir. 1.3 Adicionais 1.3.1 Adicional de insalubridade Algumas profissões fazem com que os empregados tenham direito ao recebimento de um valor adicional calculado sobre salário-base e que é denominado de adicional de insalubridade. Isso ocorre porque essas atividades por oferecerem alguns riscos relacionados a situações de insalubridade queultrapassam os limites legalmente tolerados e expõem os empregados a algum tipo vulnerabilidade ocasionam a necessidade de indenização dessa exposição sofrida. A insalubridade é calculada de acordo com grau de exposição do empregado a agentes nocivos à saúde, podendo ser classificada no nível máximo, médio e mínimo. Assim, adicional de insalubridade pode ser de 40%, 20% ou 10% sobre salário-mínimo, e nos casos em que houver salário- mínimo profissional, tal adicional será calculado sobre esse valor. O art. 192 do Decreto-Lei n. 5.452/1943, popularmente conhecido como Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), estabelece tais diretrizes do adicional de insalubridade: Art. 192 exercício de trabalho em condições insalubres, acima dos limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério do Trabalho, assegura a percepção de adicional respectivamente de 40% (quarenta por cento), 20% (vinte por cento) e 10% (dez por cento) do salário- mínimo da região, segundo se classifiquem nos graus máximo, médio e mínimo. (Brasil, 1943) Alguns exemplos de insalubridade podem ser identificados em locais com ruídos, calor excessivo, iluminação inadequada, vibrações, agentes químicos e radiação ionizante e não ionizante. Por exemplo, a Norma Regulamentadora (NR) 15 do Ministério do Trabalho, no Anexo I, estabelece que um trabalhador com carga horária de 8 horas diárias pode ser exposto a no máximo 85 decibéis em seu local de trabalho. Suponha que determinado empregado trabalhe em um local com 87,7 decibéis e que nível de insalubridade é médio (20% de grau de insalubridade). Considere ainda que esse trabalhador receba R$ 5.000 de salário, mas que o piso profissional seja de R$ 3.000. Portanto, o adicional de insalubridade será calculado da seguinte forma: Tabela 2 Cálculo do adicional de insalubridade Piso profissional R$ 3.000 (x) Adicional pelo grau de insalubridade 20% (=) Valor do adicional de insalubridade R$ 600 Perceba que adicional de insalubridade foi calculado de acordo com piso da profissão do trabalhador, e não com base no salário que ele recebe.1.3.2 Adicional de periculosidade Outro tipo de adicional que pode ocorrer são aqueles vinculados à periculosidade advinda da exposição do trabalhador a um contato permanente com materiais infláveis, explosivos, energia elétrica ou até mesmo a roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial. Nesse exemplo, encaixam-se os profissionais que trabalham como seguranças, trabalhadores que exercem atividade profissional de manutenção das redes de energia elétrica, entre outros. Esses profissionais têm direito a um adicional de 30% sobre salário- base, que é salário acordado entre colaborador e a empresa, sendo excluídos desse cálculo gratificações, participações nos lucros e prêmios. Vamos verificar, na Tabela 3, um exemplo de cálculo de adicional de periculosidade. Tabela 3 Cálculo do adicional de periculosidade Salário-base (x) Adicional de periculosidade 30% (=) Valor do adicional de periculosidade R$ 1.500 Cabe destacar que não é permitido o recebimento acumulado de adicional de periculosidade e insalubridade. Dessa forma, caberá ao trabalhador optar pelo recebimento do adicional mais vantajoso. 1.3.3 Adicional noturno adicional noturno é pago para aqueles empregados que trabalham entre as 22h de um dia até as 5h da manhã do dia seguinte. Sobre a quantidade de tempo trabalhado nesse horário, trabalhador terá direito de receber pelo menos 20% a mais do que ele receberia sobre valor da hora de trabalho normal (Oliveira, 2017). art. 73 da CLT trata desse adicional: Art. 73. Salvo nos casos de revezamento semanal ou quinzenal, o trabalho noturno terá remuneração superior a do diurno e, para esse efeito, sua remuneração terá um acréscimo de 20% (vinte por cento), pelo menos, sobre a hora diurna. (Brasil, 1943) Além disso, a hora noturna possui uma duração diferente da hora diurna. O inciso I do art. 73 do Decreto-Lei n. 5452/1943 esclarece que a hora noturnatem duração de 52 minutos e 30 segundos (equivalente a 52,50 minutos). Assim, um funcionário que trabalhe das 17h40 às 21he das 22h à 1h30 trabalhará: 3 horas 20 minutos: referente às horas diurnas das 17h40às 21h; 4 horas noturnas: equivalentes a 3,50 horas X 60 minutos = 210 minutos / 52,50 minutos = 4 horas. Assim, se salário desse empregado for de 5.000 e a carga horária semanal for de 44 horas, valor da hora de trabalho será de e valor do adicional por hora noturna será de R$ 4,55. Portanto, a hora de trabalho noturna será de R$ 27,28 hora diurna somado a R$ 4,55 do adicional noturno). Cabe ressaltar que o adicional noturno pode ser recebido de forma cumulativa ao adicional de insalubridade ou periculosidade. 1.4.4 Adicional de transferência O adicional de transferência é pago para aqueles empregados que são transferidos de forma temporária para um local de trabalho diferente do seu local de domicílio. Assim, enquanto empregado estiver longe do seu domicílio, ele terá direito a 25% de adicional sobre o seu salário. Destaca-se que adicional de transferência não é pago para aqueles empregados que foram transferidos de localidade de forma definitiva. Por exemplo, se um empregado cujo salário seja de R$ 5.000 for transferido de forma definitiva para outra localidade, não terá direito ao adicional de transferência, pois houve a mudança definitiva. Por sua vez, se a transferência for temporária (dois meses, por exemplo), durante esse período ele terá direito a um adicional de 25% sobre o seu salário, pois a transferência foi temporária. Para mais informações, consulte o art. 469 da CLT. 1.4 Descanso Semanal Remunerado (DSR) Cada trabalhador tem o direito a um dia de descanso semanal remunerado, de preferência aos domingos. Para os empregados que trabalham aos domingos, por exemplo, profissionais de supermercados, postos de combustíveis, lanchonetes, entre outras atividades, art. 67 da CLT cita que há necessidade do estabelecimento definir uma escala de revezamento mensal entre os colaboradores, a qual estará sujeita a fiscalização.Além disso, entre cada jornada de trabalho, haverá um período mínimo de 11 horas consecutivas para descanso, conforme art. 66 da CLT. Isso significa que se um colaborador encerrar a sua jornada de trabalho às 18h, ele só poderá iniciar uma nova jornada de trabalho às 5h do dia seguinte, sendo atendido o intervalo de 11 horas consecutivas entre uma jornada de trabalho e outra. No caso dos empregados que recebem de forma mensal, quinzenal ou semanal, valor do DSR já está incluído na remuneração do trabalhador. Por sua vez, para aqueles que recebem por hora, comissão ou tarefa, há a necessidade de calcular DSR e incluir esse valor na remuneração. Aqui, não abordaremos cálculo de cada categoria de forma detalhada, pois esses valores são elucidados na disciplina de Legislação Trabalhista. Por fim, cabe destacar que perderá o direito ao DSR trabalhador que não cumprir de forma integral a sua jornada de trabalho semanal. Salvo faltas justificadas. Agora que já vimos os proventos que compõem a remuneração de um empregado, vamos verificar um exemplo de como essa temática tem sido abordada em provas de concurso público (Quadro 1). Quadro 1 Remuneração em prova de concurso público (Cespe 2011 AL-ES Técnico Legislativo Sênior I (Contabilidade / Financeiro / Folha de Pagamento) De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), são consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição e seus efeitos. Assim, se um trabalhador estiver no exercício do trabalho em condição insalubre de grau médio de agressividade, acima dos limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério do Trabalho, e se salário mínimo nacional vigente for de R$ 545,00, então valor do adicional de insalubridade devido a esse trabalhador será igual a a) R$ 154,50. b) R$ 109,00. c) R$ 327,00. d) e) R$ 163,50. Como grau de insalubridade é médio, então o valor do adicional será calculado 20% sobre salário mínimo nacional vigente ou sobre salário da categoria. Assim, 20% multiplicado por R$ 545 resulta em R$ 109. Portanto, gabarito é a alternativaTEMA 2 FÉRIAS E SALÁRIO 2.1 Férias A cada 12 meses completos de vínculo trabalhista (período aquisitivo), empregado terá direito a 30 dias de férias, desde que obedecida a seguinte proporção em relação ao número de faltas não justificadas no período (Tabela 4): Tabela 4 Número de dias de férias proporcional Quantidade de faltas no Número de dias de férias período de 12 meses Até 5 faltas 30 dias De 6 a 14 faltas 24 dias 15 a 23 faltas 18 dias 24 a 32 faltas 12 dias Referente ao valor a ser recebido pelas férias, o empregado terá direito de receber um terço a mais do que o salário normal, incluindo salário fixo e a média do valor das horas extras, comissões, adicionais (insalubridade, periculosidade, noturno ou qualquer outro tipo de adicional) e demais valores que tenham sido recebidos durante o período aquisitivo das férias. Por exemplo, se um trabalhador possui um salário-base de R$ 5.000 e durante o período aquisitivo obteve de média de horas extras e R$ 100 de média de adicional noturno, o cálculo do adicional de férias será realizado da seguinte forma: Tabela 5 Cálculo do adicional de férias Componentes da base de cálculo do Valores adicional de férias Salário-base Médias das horas extras Média do adicional noturno R$ 100 Base de cálculo do adicional de férias Valor do adicional de férias (1/3 de férias) R$ 1.783,33 Assim, além do salário normal, o empregado terá direito a R$ 1.783,33 X 33,33%) de adicional de férias no período. Sobre esse valor, também incidem as retenções a título de INSS e Impostos de Renda, e a empresa deverárecolher os valores relativos ao FGTS e INSS patronal, discutidos à frente. Por fim, é importante destacar que o valor das férias deverá ser pago ao trabalhador em até dois dias antes de iniciar gozo das férias (Oliveira, 2017). 2.2 salário O 13° salário também é denominado de gratificação natalina e é pago proporcionalmente ao período trabalhado pelo colaborador, ou seja, o trabalhador deverá ter trabalhado no mínimo 15 dias no mês para ter direito ao 13° salário proporcional a esse período. Por exemplo, se um trabalhador ingressar na empresa no dia 10 setembro, ele terá o direito à proporção de 4 meses (setembro, outubro, novembro e dezembro) do 13° salário, visto que trabalhou mais de 15 dias no mês. Agora, se outro empregado ingressar na empresa no dia 18, este terá o direito ao 13° salário proporcional a 3 meses (outubro, novembro e dezembro) de trabalho, visto que setembro não comporá cálculo. Cabe destacar que os proventos variáveis compõem 13° salário. Em termos de pagamento, o 13° salário poderá ser pago em até duas parcelas. A primeira parcela deverá ser quitada até o dia 30 de novembro (salvo se em janeiro empregado tenha solicitado o pagamento de primeira parcela junto com os valores das férias). A segunda parcela é paga até o dia 20 de dezembro, e é sobre esta parcela que ocorre desconto da contribuição previdenciária (INSS) e a retenção do Imposto de Renda (IR). Por exemplo, no caso de um trabalhador recebe R$ 3.000 por mês e trabalhou todos os meses do ano, o cálculo do 13° salário será seguinte: Tabela 6 Cálculo do 13° salário Parcela Valores Salário parcela paga R$ 1.500 parcela (valor bruto) R$ 1.500 Deduções da segunda parcela (-) INSS R$ 263,06 (-) IR parcela (valor pago após as deduções) R$ 1.190,07 Perceba que valor da primeira parcela é pago sem nenhum desconto. Por outro lado, sobre valor da segunda parcela, é realizado desconto do INSSe do IR do empregado. Vamos verificar como esta temática tem sido abordada em concursos públicos. Quadro 2 13° salário em prova de concurso público (Cespe 2016 -TRT Região (PA e AP) Técnico Judiciário Área Administrativa) No que se refere ao 13° salário, assinale a opção correta. a) Havendo rescisão do contrato de trabalho, independentemente da causa, caberá ao empregado percepção do 13° salário, em valor proporcional ao tempo total de serviço do trabalhador b) 13° salário deve ser pago até o último dia útil do mês de dezembro de cada ano. c) Caso resolva adiantar o pagamento do 13° salário, o empregador deve realizar pagamento a todos os empregados no mesmo vencimento. d) 13° salário deve ser pago em única parcela. e) Para a apuração do 13° salário, utiliza-se como base o mês de serviço, sendo a fração de quinze dias ou mais considerada mês integral. A alternativa a está errada, pois a proporção do 13° é calculada em relação ao ano corrente. As alternativas b e d estão incorretas, pois vimos que o 13° salário é dividido em duas parcelas, a primeira paga até dia 30 de novembro e a segunda até dia 20 de dezembro. A alternativa c também é incorreta, pois a empresa pode realizar o pagamento do 13° salário de forma específica para cada empregado, como por exemplo, nos casos de pagamento junto às férias. Portanto, gabarito é a alternativa e, visto que para ter direito a cada fração do 13°, colaborador deverá ter trabalhado pelo menos 15 dias na organização. TEMA 3 DESCONTOS SOBRE FOLHA: FALTAS E ATRASOS, VALE- TRANSPORTE E RETENÇÕES 3.1 Faltas e atrasos As faltas e atrasos poderão ser descontados do salário do empregado. Cabe destacar que há situações que justificam a falta do empregado, como, por exemplo, o falecimento do cônjuge, ascendente, descendente, irmão ou pessoa que seja dependente econômica (desde que declarada na Carteira de Trabalho e Previdência Social), além de várias outras situações expostas no art. 473 da CLT e que são expostas a seguir: Art. 473 empregado poderá deixar de comparecer ao serviço sem prejuízo do salário: (Redação dada pelo Decreto-lei n. 229, de 28.2.1967) I até 2 (dois) dias consecutivos, em caso de falecimento do cônjuge, ascendente, descendente, irmão ou pessoa que, declarada em sua carteira de trabalho e previdência social, viva sob sua dependência econômica;até 3 (três) dias consecutivos, em virtude de casamento; (Inciso incluído pelo Decreto-lei n. 229, de 28.2.1967) III por um dia, em caso de nascimento de filho no decorrer da primeira semana; IV por um dia, em cada 12 (doze) meses de trabalho, em caso de doação voluntária de sangue devidamente comprovada; V até 2 (dois) dias consecutivos ou não, para fim de se alistar eleitor, nos termos da lei respectiva. VI no período de tempo em que tiver de cumprir as exigências do Serviço Militar referidas na letra do art. 65 da Lei n. 4.375, de 17 de agosto de 1964 (Lei do Serviço Militar). VII nos dias em que estiver comprovadamente realizando provas de exame vestibular para ingresso em estabelecimento de ensino superior. VIII pelo tempo que se fizer necessário, quando tiver que comparecer a juízo. IX pelo tempo que se fizer necessário, quando, na qualidade de representante de entidade sindical, estiver participando de reunião oficial de organismo internacional do qual Brasil seja membro. X até 2 (dois) dias para acompanhar consultas médicas e exames complementares durante o período de gravidez de sua esposa ou companheira; XI por 1 (um) dia por ano para acompanhar filho de até 6 (seis) anos em consulta médica. XII até 3 (três) dias, em cada 12 (doze) meses de trabalho, em caso de realização de exames preventivos de câncer devidamente comprovada. (Brasil, 1943) Vamos analisar um exemplo de falta para calcular seu valor. Suponha que o empregado receba um salário de e em uma determinada semana faltou um dia de forma injustificada, sendo que a sua carga horária é de 220 horas mensais (44 horas semanais). Nesse caso, será dividido R$ 3.000 por 30 dias, obtendo um valor de R$ 100 por dia. Outra forma é dividir os R$ 3.000 por 220 horas e multiplicar por 7,33 horas (7 horas e 20 minutos), que é a jornada de trabalho diária, resultando em R$ 100. Como empregado faltou um dia, ele perderá direito ao DSR, ou seja, desconto será de R$ 100 da falta e R$ 100 do valor equivalente ao descanso semanal remunerado. No caso de atrasos, o desconto será realizado de forma proporcional aos minutos/horas em atraso.3.2 Vale-transporte O vale transporte deverá ser concedido aos empregados que solicitarem tal benefício. A empresa poderá dispensar vale transporte caso disponibilize deslocamento integral de todo trajeto do empregado até a empresa e vice- versa. valor a ser descontado de vale-transporte do empregado corresponderá a até 6% do salário-base (Oliveira, 2017) e será calculado proporcionalmente à quantidade de dias úteis do mês. Por exemplo, se um empregado possui R$ 3.000 de salário-base, a empresa poderá descontar até R$180 (R$ 3.000 X 6% = R$ 180) de vale-transporte. Suponha que esse empregado necessite pegar 4 conduções no dia, a um custo de por condução, totalizando R$10,00 por dia. Se mês possui 22 dias úteis, isso totaliza R$220 em gastos com transporte no mês. Então, a diferença entre o valor que poderá ser descontado (R$ 180) e valor total de gastos com transporte (R$ 220) será arcado pela empresa (R$ 40). 3.3 Descontos sobre a folha de pagamento Abordaremos neste tópico os descontos de tributos incidentes sobre a folha de pagamento, que são arcados pelos empregados, mas que é a empresa que realiza recolhimento desses valores. Logo, a organização desconta esses valores da remuneração dos trabalhadores e repassa ao governo. 3.3.1 INSS valor a ser descontado da remuneração do empregado a título de contribuição à previdência social é definido conforme as faixas em que se encaixam salário mensal recebido. A tabela a ser utilizada é progressiva e tributa de forma diferente cada faixa salarial, conforme a Tabela 7. Tabela 7 Faixas de contribuição do INSS (2023) Salário de contribuição (R$) Alíquota para fins de recolhimento ao INSS Até R$ 1.320,00 7,5% De até 9% De até R$ 3.856,94 12% De R$ 3.856,95 até R$ 7.507,49 14%Desse modo, um empregado que possua um salário de R$ 5.000 será tributado da seguinte forma a título de INSS: Tabela 8 Exemplo de cálculo do INSS Salário de contribuição (R$) Alíquota Valor tributado INSS para fins de recolhimento ao INSS até R$ 1.320,00 7,5% R$ 1.320,00 R$ 99,00 de R$ 1.320,01 até 9,0% R$ 1.251,29 R$ 112,62 de até R$ 3.856,94 12,0% R$ 1.285,65 R$ 154,28 de até R$ 7.507,49 14,0% R$ 1.143,06 R$ 160,03 Total R$ 525,92 Perceba que a cada faixa salarial há um aumento na alíquota do INSS a ser descontado do colaborador. No exemplo ilustrado, nota-se que haverá um desconto de R$ 525,92 de INSS, que será descontado do seu salário e recolhido ao governo pela empresa. Destaca-se que a última faixa possui um limite de R$ 7.507,49. Isso significa que a remuneração que ultrapassar esse limite estará isenta do recolhimento do INSS. 3.3.2 Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) Os assalariados poderão ter IRRF. Ou seja, a empresa retém parte do salário do empregado e recolhe ao governo este valor. Para realizar o cálculo do valor do IRRF, a Receita Federal disponibiliza anualmente uma tabela progressiva para o cálculo dos valores. Em 2023, a Tabela Progressiva do IRRF era a seguinte: Tabela 9 Tabela de tributação do IRRF Base de cálculo mensal Alíquota Dedução R$ até 0,00% R$ até R$ 2.826,65 7,50% R$ 158,40 R$ 2.826,66 até 15,00% R$ 370,40 até R$ 4.664,68 22,50% R$ 651,73 Acima de R$ 4.664,68 27,50% R$ 884,96 Nota: Valor de dependentes: 189,59 Fonte: Receita Federal do Brasil, 2023.Diferentemente da tabela do INSS, a tabela do IRRF abrange somente uma faixa de retenção. A base de cálculo do IRRF é definida a partir da subtração do valor do INSS e do valor de dependentes da remuneração do empregado e multiplicado pela alíquota da tabela de IRRF. Por exemplo, se o trabalhador recebe de salário, sabendo que o desconto de INSS é de R$ a base de cálculo será de R$ 4.474,08, encaixando-se na faixa de 22,50% (de R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68). Então, o valor de IRRF retido será de R$ 354,94 (R$ 4.474,08 X 22,50% = $ 1.006,67 R$ 651,73 de dedução = R$ 354,94). Agora, suponha que empregado possua um dependente. O valor de IRRF a ser retido será de R$ 312,28 R$ 525,92 (INSS) 189,59 (dependente) = R$ 4.284,49 X 22,50% = R$ 964,01 - R$ 651,73 (dedução) = Quadro 3 IRRF em prova de concurso público (Cespe 2016 -TRT Região (PA e AP) Técnico Judiciário Área Administrativa) Assinale a alternativa que indica o tributo que está correlacionado com a contabilização da folha de pagamento dos trabalhadores em geral. a) Imposto sobre Ganho de Capital b) Contribuição sobre Rendimentos não Tributáveis c) Imposto sobre Salário-Família d) Imposto de Renda Retido na Fonte Dentre as opções, único imposto que está vinculado a folha de pagamento é Imposto de Renda Retido na Fonte. Portanto, gabarito é a alternativa d. TEMA 4 - ENCARGOS SOBRE FOLHA Além das remunerações pagas aos empregados, as empresas também arcam com alguns encargos calculados sobre valor das remunerações pagas aos colaboradores. Entre os encargos mais populares, há INSS patronal, que é a parcela da contribuição previdenciária arcada pela empresa, e valor referente ao FGTS.4.1 INSS Patronal INSS patronal corresponde a 20% do valor bruto da folha de pagamento. Além da contribuição previdenciária em si, a empresa deverá realizar em conjunto alguns outros tipos de recolhimentos, listados a seguir. 4.4.1 Risco de Acidente do Trabalho (RAT) e Fator Acidentário de Prevenção (FAP) O RAT é utilizado para financiar os custos previdenciários de trabalhadores que venham a sofrer de doenças ocupacionais e acidente de trabalho. RAT pode ser classificado conforme grau de risco da atividade da empresa. A alíquota do RAT de cada Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) são listadas no Anexo I da Instrução Normativa (IR) RFB n. 1.071/2010. Na Tabela 10, são apresentados três exemplos de atividades com as suas respectivas alíquotas de RAT. Tabela 10 Exemplificações de alíquotas de RAT de acordo com CNAE CNAE 2.0 Descrição Alíquota (%) 0111-3/01 Cultivo de arroz 3 Manutenção e reparação de aparelhos eletromédicos e 3312-1/03 1 eletroterapêuticos e equipamentos de irradiação Representantes comerciais e agentes do comércio de 4618-4/02 2 instrumentos e materiais Fonte: Brasil, 2010. A alíquota do RAT poderá ser alterada de acordo com FAP da empresa. FAP consiste em um fator que varia de 0,5000 a 2,0000 e pode ser consultado no sítio do Ministério da Economia junto à página da Secretaria de Previdência. FAP é definido de acordo com os acidentes de trabalho ocorridos em um determinado período e é calculado com quatro casas decimais. Por exemplo, suponha que uma empresa tenha um RAT de 2% e o seu FAP do período seja de 0,5000, pois obteve um bom desempenho na prevenção de acidentes de trabalho. Então, multiplicando 2% X 0,5000, a empresa recolherá 1% a título de Seguro Acidente de Trabalho (SAT). Por outro lado, suponha que a empresa obteve um mau desempenho na prevenção de acidentes de trabalho no período e seu FAP tenha sido de2,0000. Logo, multiplicando 2% por 2,0000, teremos que SAT será de 4%. Ou seja, devido ao seu mau desempenho, a alíquota do SAT dobrou. 4.4.2 Sistema S A empresa também contribuirá com o Sistema S que engloba financiamento de entidades como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Serviço Social da Indústria (Sesi), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Serviço Social do Comércio (Sesc), Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas(Sebrae), Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), entre outras entidades, como o Fundo Aeroviário, Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional Marítimo, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação e o salário-educação. Apesar desses valores serem destinados ao financiamento de entidades terceiras, cabe à Previdência Social a arrecadação e a fiscalização dessas contribuições. A alíquota dessa contribuição é definida pelo Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS) e poderá atingir 5,80%, a depender da atividade principal de atuação da empresa. Na Tabela 11, é apresentado um resumo das alíquotas que compõem a guia de recolhimento da previdência social da entidade. Tabela 11 Resumo das alíquotas de contribuição previdenciária, SAT e terceiros INSS Parte Empresa Alíquota % Previdência Social 20,00% SAT = Risco Acidente de Trabalho (RAT) X (FAP) 0,50% a 6% Para Terceiros 5,80% Salário-educação 2,50% INCRA 0,20% SENAI/SENAC/SENAT 1,00% SESI/SESC/SEST 1,50% SEBRAE 0,60% Assim, suponha que uma organização esteja exposta ao recolhimento de 20% de previdência social, 3% de SAT e 5,80% para terceiros, e que a folha salarial bruta do período tenha sido de 75.000. Então, a organização realizarárecolhimento de R$ 21.600 (R$ 75.000 X 28,80%) a título de contribuição previdenciária. 4.2 FGTS O FGTS foi instituído com a finalidade de garantir renda para trabalhadores que tenham sido demitidos sem justa causa. O FGTS não representa um desconto nos proventos do empregado, mas é informado em folha de pagamento para que o trabalhador tenha ciência dos valores recolhidos. FGTS é arcado pela empresa, sendo calculado a partir da aplicação da alíquota de 8% sobre o valor das remunerações pagas aos trabalhadores ou 2% sobre a remuneração dos jovens aprendizes. Suponha que o salário-base de um empregado é de R$ 3.000 e que durante mês obteve R$ 250 de horas extras. Então, o FGTS será de R$ 260 (R$ 3.250 X 8%). Caso a empresa demita um trabalhador sem justa causa, ela deverá realizar pagamento de uma multa de 40% sobre o saldo do FGTS vinculado à conta do FGTS do trabalhador inerente a esse vínculo empregatício que está sendo encerrado. Quadro 4 FGTS em prova de concurso público (FGV 2017 OAB Exame de Ordem Unificado XXII Primeira Fase) Um aprendiz de marcenaria procura um advogado para se inteirar sobre o FGTS que vem sendo depositado mensalmente pelo empregador na sua conta vinculada junto à CEF, na razão de 2% do salário, e cujo valor é descontado juntamente com o INSS. Com relação ao desconto do FGTS, assinale a afirmativa correta. a) FGTS deveria ser depositado na ordem de 8% e não poderia ser descontado. b) A empresa, por se tratar de aprendiz, somente poderia descontar metade do FGTS depositado. c) A empresa está equivocada em relação ao desconto, pois FGTS é obrigação do empregador. d) A conduta da empresa é regular, tanto em relação ao percentual quanto ao desconto. FGTS de jovem aprendiz é de 2%, portanto as alternativas a e b estão incorretas. A empresa não pode descontar o FGTS do empregado tornando a alternativa d incorreta. Portanto, gabarito é a alternativaTEMA 5 CONTABILIZAÇÃO DA FOLHA DE PAGAMENTO Vamos agora analisar a contabilização dos valores da folha de pagamento a partir de um exemplo prático. Determinado empregado recebeu em janeiro de 2023 R$ 3.000 de salários e de horas extras, já incluído DSR sobre as horas extras. Considerando que empregado não possui dependentes e que não há descontos por atraso ou faltas no mês, deveremos realizar cálculo dos valores a serem pagos ao empregado, bem como dos tributos a serem descontados e recolhidos pela empresa (Tabela 12). Tabela 12 Exemplo de cálculo de remuneração INSS - parte do empregado Faixa Alíquota Valor tributado INSS R$ - até R$ 1.320,00 7,5% R$ 1.320,00 R$ 99,00 R$ 1.320,01 até 9% R$ 1.251,29 R$ 112,62 até R$ 3.856,94 12% R$ 628,71 R$ 75,45 Total R$ 3.200,00 R$ 287,06 Imposto de Renda Retido na Fonte Salário R$ 3.200 (INSS) = R$ 2.912,94 $ 2.912,94 * 15% = R$ 436,94 R$ 370,40 (dedução) = R$ 66,54 Remuneração líquida Salário-base: R$ 3.200 (+) Horas extras: (-) INSS: (-) IRRF: (R$ 66,54) (=) Remuneração líquida: R$ 2.846,40 Vimos que, mesmo a remuneração bruta sendo de R$ 3.200,00, empregado receberá R$ 2.846,40, sendo a diferença recolhida pela organização a título de tributos. Logo, seguinte lançamento contábil será realizado: 1. Pelo reconhecimento da despesa com salários e dos valores de tributos a serem retidos e recolhidos: D Despesas com salários (resultado) R$ 3.200,00 c IRPF a recolher (passivo circulante) R$ 66,54 c INSS a recolher (passivo circulante) c Salários a pagar (passivo circulante) R$ 2.846,402. Pelo reconhecimento do pagamento dos salários e recolhimento dos tributos via caixa e equivalentes: D IRPF a recolher (passivo circulante) R$ 66,54 D INSS a recolher (passivo circulante) D Salários a pagar (passivo circulante) Caixa e equivalentes (ativo circulante) Razonetes Caixa FGTS recolher INSS recolher Despesas com FGTS Despesas com INSS (Ativo Circulante) (Passivo Circulante) (Passivo Circulante) (Resultado) (Resultado) R$ R$ R$ 3 R$ R$ 2 R$ 256,00 R$ 256,00 2 1 3 3 150.000,00 3.200,00 287,06 R$ 287,06 256,00 857,60 R$ R$ 256,00 4 R$ 857,60 3 R$ 857,60 4 R$ R$ R$ 256,00 R$ 256,00 R$ R$ R$ R$ R$ 150.000,00 4.313,60 R$ 1.144,66 R$ 1.144,66 256,00 857,60 R$ R$ R$ R$ 145.686,40 857,60 256,00 Legenda: si representa o saldo inicial da conta. Sob a perspectiva da empresa, será necessário realizar recolhimento da previdência social e FGTS. Portanto, considere que RAT da organização seja de 1% e FAP de 1,0000, bem como a alíquota de terceiros seja de 5,80%. Então, sobre os 3.200, serão recolhidos 26,80% (20% do INSS patronal + 1% de RAT X FAP + 5,80% de terceiros), totalizando R$ 857,60. Enquanto FGTS será de 256 * 8%). Portanto, os lançamentos contábeis serão os seguintes: 1. Pelo reconhecimento da despesa com previdência social e FGTS: D - Despesas com FGTS (resultado) R$ 256,00 c FGTS a recolher (passivo circulante) R$ 256,00 D Despesas com INSS (resultado) R$ 856,60 c INSS a recolher (passivo circulante) R$ 856,60 2. Pelo recolhimento do FGTS e do INSS patronal: D FGTS a recolher (passivo circulante) R$ 256,00 Caixa e equivalentes (ativo circulante) R$ 256,00 D INSS a recolher (passivo circulante) R$ 856,60 c Caixa e equivalentes (ativo circulante) R$ 856,60Razonetes Caixa FGTS recolher INSS recolher Despesas com FGTS Despesas com INSS (Ativo circulante) (Passivo circulante) (Passivo circulante) (Resultados) (Resultados) si R$ 150.000,00 R$ 3.200,00 2 R$ 256,00 R$ 256,00 3 R$ 301,39 R$ 301,39 1 3 R$ 256,00 3 R$ 856,60 R$ 256,00 4 R$ 856,60 R$ 856,60 3 R$ 856,60 R$ 150.000,00 R$ 3.200,00 R$ 256,00 R$ 256,00 R$ 1.157,99 R$ 1.157,99 R$ 256,00 R$ R$ 856,60 R$ R$ 146.800,00 R$ R$ R$ 256,00 R$ 856,60 Legenda: si representa o saldo inicial da conta. Perceba que, nesse caso, como INSS patronal é arcado pela empresa, o seu lançamento contábil transitará pelas contas de resultados. TROCANDO IDEIAS Aprendemos diferentes situações e tratativas acerca dos cálculos relacionados a folha de pagamento. Convidamos você a pesquisar quais são as possibilidades, além da demissão sem justa causa, para o saque do FGTS pelo trabalhador. Esperamos sua participação em nosso fórum. NA PRÁTICA Sabendo que o salário do empregado é R$ 2.900. Calcule: a) o INSS a ser descontado do empregado; b) o IRRF a ser descontado do empregado; c) valor da remuneração líquida; d) valor do FGTS a ser recolhido pela empresa; e) valor da previdência social considerando uma alíquota global de 28,80%. A resposta está na seção Gabarito, após as Referências. FINALIZANDO Nesta aula, abordamos as tratativas inerentes à folha de pagamento. Inicialmente, vimos os diferentes tipos de proventos e descontos que podem ocorrer na remuneração dos empregados. Também abordamos os diferentes tipos de tributos que devem ser descontados dos empregados e os que devem ser descontados da empresa. Por fim, tratamos do cálculo do adicional de fériase do adicional de 13° salário, encerrando com a contabilização desses valores. Desejo a você ótimos estudos.REFERÊNCIAS BRASIL. Decreto-lei n. 5.452, de 1° de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em: Acesso em: 21 jul. 2021. BRASIL. Lei n. 13.467, de 13 de julho de 2017. Altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei n. 5.452, de 1° de maio de 1943, e as Leis n 6.019, de 3 de janeiro de 1974, 8.036, de 11 de maio de 1990, e 8.212, de 24 de julho de 1991, a fim de adequar a legislação às novas relações de trabalho. Disponível em: Acesso em: 21 jul. 2021. BRASIL. Lei n. 3.999, de 15 de dezembro de 1961. Altera salário-mínimo dos médicos e cirurgiões dentistas. Disponível em: 21 jul. 2021. BRASIL. Lei n. 8.212, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano de Custeio, e dá outras providências. Disponível em: Acesso em: 21 jul. 2021. BRASIL. Norma Regulamentadora n. 15 (NR-15). Disponível em: Acesso em: 21 jul. 2021. BRASIL. Portaria SEPRT/ME n. 477, de 12 de janeiro de 2021. Dispõe sobre o reajuste dos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS e dos demais valores constantes do Regulamento da Previdência Social RPS. (Processo n. 10132.112045/2020-36). Disponível em: de-2021-298858991>. Acesso em: 21 jul. 2021. OLIVEIRA, de. Cálculos trabalhistas. 29. ed. Grupo Gen/Atlas: São Paulo, 2017.RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Instrução Normativa RFB n. 1071, de 15 de setembro de 2010. Altera a Instrução Normativa RFB n. 971, de 13 de novembro de 2009, que dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais destinadas à Previdência Social e as destinadas a outras entidades ou fundos, administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Disponível em: sao=anotado>. Acesso em: 21 jul. 2021.GABARITO Resposta: a), b) e c). INSS - parte do empregado Faixa Salarial Alíquota Valor Tributado Valor INSS Até R$ 1.320,00 7,50% R$ 1.320,00 R$ 99,00 De R$ 1.320,01 até 9,00% R$ 1.251,29 R$ 112,62 De até R$ 3.856,94 12,00% R$ 328,71 R$ 39,45 De R$ 3.856,95 até 7.507,49 14,00% R$ - R$ R$ 251,06 Total R$ 2.900,00 (Resposta a) Imposto de Renda Retino na Fonte Salário R$ 2.900,00 - = $ 2.648,94 2.648,94 X 7,5% = R$ 198,67 - R$ 158,40 (dedução) = R$ 40,27 (Resposta b) Remuneração Líquida Salário-base = R$ 2.900,00 (-) INSS = (-) IRRF = (R$ 40,27) (=) Remuneração Líquida = R$ 2.608,67 (Resposta C) Resposta: d). Base de cálculo do FGTS: X Alíquota FGTS: 8% Valor do FGTS = R$ 232 Resposta: e). Base de cálculo da contribuição previdenciária: X Alíquota da contribuição previdenciária: 28,80% Valor da contribuição previdenciária: R$ 835,20

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