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Aula 12 Suspensao e Extincao do Processo

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Extinção do Processo
Distinção entre decisões com e sem resolução de mérito (CPC, arts. 485 e 487)
Aqui iniciamos destacando a importância da distinção para coisa julgada e repropositura da ação.
Sem Resolução de Mérito (Art. 485 CPC)
Hipóteses: ausência de pressupostos processuais, perempção, litispendência, coisa julgada, abandono, ilegitimidade, falta de interesse
Ressalte-se que não há análise do direito material, permitindo nova ação, salvo exceções como perempção.
O que é perempção no novo CPC?
" A perempção, prevista nos arts. 485, V, e 486, § 3º, do CPC, é hipótese raríssima de extinção do processo sem resolução do mérito. Para que seja configurada a parte deve dar causa à extinção do processo por três vezes, por abandono da causa.
Consequências (Art. 485 CPC)
Diferenciar coisa julgada formal e material. Aqui só há formal.
A coisa julgada formal refere-se à imutabilidade de uma decisão dentro do próprio processo, quando não cabem mais recursos. A coisa julgada material vai além: torna a decisão sobre o mérito da causa definitiva e indiscutível, impedindo que o mesmo conflito seja discutido novamente em qualquer outro processo judicial.
Uma Análise Mais Detalhada
Coisa Julgada Formal: Ocorre quando se esgotam os prazos ou recursos possíveis em uma ação judicial específica. A decisão torna-se definitiva "daquela porta para dentro", encerrando aquele procedimento. Como não analisou o fundo do problema (o direito em si), a questão ainda pode ser ajuizada novamente se preenchidos os requisitos corretos.
Coisa Julgada Material: Ocorre quando o juiz analisa a fundo a relação jurídica entre as partes e profere uma sentença de mérito (julgando procedente ou improcedente o pedido). Após o trânsito em julgado, a questão torna-se imutável e indiscutível, garantindo segurança jurídica.
Regra: não faz coisa julgada material
Possibilidade de repropositura da ação
Com Resolução de Mérito (Art. 487 CPC)
Hipóteses: acolhimento/rejeição do pedido, reconhecimento da prescrição/decadência, homologação de acordo
Aqui há análise do direito material, encerrando definitivamente a controvérsia.
A extinção do processo com resolução do mérito ocorre quando o juiz analisa o conteúdo do conflito e decide quem tem razão, pondo fim definitivo à disputa. Essa decisão, prevista no Art. 487 do CPC, gera "coisa julgada material", o que significa que o mesmo pedido não poderá ser julgado novamente.
Hipóteses legais (Art. 487 do CPC)
Acolhimento ou rejeição do pedido (Inciso I): É a decisão clássica. O juiz julga o pedido procedente (o autor tem o direito exigido) ou improcedente (o autor não comprovou o direito ou o réu tinha razão).
Decadência ou Prescrição (Inciso II): O juiz reconhece que a parte perdeu o direito de exigir a ação na justiça devido ao decurso do tempo (prescrição) ou à perda do próprio direito material (decadência).
Homologação de atos das partes (Inciso III): Ocorre quando as partes chegam a um consenso e o juiz apenas valida a decisão delas:
Renúncia (Alínea c): O autor abre mão do direito em que a ação se baseia.
Transação (Alínea b): As partes fazem concessões mútuas e chegam a um acordo.
Reconhecimento (Alínea a): O réu reconhece que o pedido do autor é totalmente legítimo.
Consequências (Art. 487 CPC)
Destacar segurança jurídica e estabilidade das decisões.
Forma coisa julgada material
Impede rediscussão da lide
Suspensão do Processo (Art. 313 CPC)
Hipóteses: morte das partes, convenção, força maior, prejudicial externa, incidente processual
A suspensão paralisa o processo sem extingui-lo.
A suspensão do processo civil é a paralisação temporária dos atos processuais e dos prazos, visando proteger direitos das partes ou garantir a regularidade do julgamento. Previstas principalmente no Artigo 313 do Código de Processo Civil, as principais hipóteses legais englobam situações fortuitas, conveniência das partes e incidentes processuais. [1, 2, 3, 4]
As principais causas de suspensão no Processo Civil são:
Morte ou perda da capacidade processual: Ocorre quando uma das partes, seu representante legal ou seu advogado vem a falecer ou perde a capacidade de estar em juízo (exceto nos casos em que a ação for intransmissível).
Convenção das partes: As partes podem acordar a suspensão do processo para tentar uma conciliação ou resolver o conflito extrajudicialmente. Este acordo tem o limite máximo de 6 meses.
Arguição de impedimento ou suspeição: Quando é suscitada a suspeição ou o impedimento do juiz da causa, o processo é paralisado até que o incidente seja julgado pelo tribunal competente.
Prejudicialidade externa: Suspende-se o processo quando a sentença de mérito depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente.
Motivo de força maior: Situações imprevisíveis e inevitáveis (como greves do judiciário prolongadas ou desastres) que impeçam a prática dos atos processuais.
Limites de Tempo e Exceções
Para evitar a paralisação perpétua do litígio, a lei estabelece prazos máximos para algumas suspensões. A suspensão por convenção das partes não pode ultrapassar 6 meses. Nos casos de dependência de outra decisão judicial (prejudicialidade externa), a paralisação fica limitada a 1 ano. 
Durante o período em que o processo estiver suspenso, é vedada a prática de qualquer ato processual. A única exceção ocorre em caso de risco de dano irreparável ou para a prática de atos considerados urgentes (como um pedido de liminar), que podem ser autorizados pelo juiz. No entanto, se a suspensão se deu por arguição de suspeição ou impedimento do magistrado, o juiz fica inabilitado de atuar até mesmo nesses atos urgentes.
Outras Hipóteses de Suspensão
Ex: admissão de incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR), julgamento de recurso repetitivo.
Importante para uniformização da jurisprudência.
O IRDR (Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas) e o Julgamento de Recursos Repetitivos são instrumentos processuais do direito brasileiro que servem para padronizar decisões judiciais. Quando milhares de processos discutem o mesmo assunto, essas ferramentas analisam o caso e criam uma tese vinculante, que deve ser aplicada por todos os juízes a casos idênticos.
O que é o IRDR?
O IRDR é uma ferramenta criada pelo Código de Processo Civil (CPC) para evitar que processos idênticos tenham resultados totalmente diferentes dentro de um mesmo Estado ou região.
Onde acontece: Nos Tribunais de Justiça (TJ) ou Tribunais Regionais Federais (TRF).
Como funciona: Quando há vários processos com a mesma questão de direito na primeira ou segunda instância, o Tribunal escolhe um ou mais casos para representar a discussão. A partir desse momento, todos os demais processos semelhantes na região são suspensos (sobrestados) temporariamente.
Objetivo: Julgar o incidente e fixar uma tese jurídica (um entendimento oficial) que servirá de "gabarito" para destravar e decidir todos os processos suspensos.
O que é o Julgamento de Recursos Repetitivos?
Tem a mesma lógica do IRDR, mas funciona em uma escala muito maior e é voltado para os Tribunais Superiores. [1]
Onde acontece: No Superior Tribunal de Justiça (STJ) — para questões envolvendo leis federais — ou no Supremo Tribunal Federal (STF) — para questões constitucionais (chamado nesses casos de Repercussão Geral).
Como funciona: Quando recursos sobre o mesmo tema chegam aos tribunais superiores, eles selecionam dois ou mais processos que representem bem a discussão. Os demais casos similares em todo o país ficam suspensos.
Objetivo: O STJ/STF julga o caso selecionado e define uma tese. Essa decisão ganha repercussão nacional, servindo de orientação obrigatória para juízes e tribunais de todo o Brasil.
Efeitos da Suspensão
Citar exceção dos atos urgentes para evitar dano irreparável.
A suspensão de prazos é a paralisação temporária da contagem do tempo para a prática de atos processuais.Quando a causa da suspensão termina, o prazo volta a correr de onde parou. Nesses períodos, fica vedada a prática de atos processuais pelas partes, salvo os de natureza urgente. 
O que é a vedação de atos processuais (salvo urgentes)?
Durante a suspensão, o processo fica em "stand-by". Isso significa que as partes não precisam apresentar contestações, recursos ou cumprir diligências ordinárias, e o juiz também não profere despachos de rotina ou sentenças.
A exceção são os atos urgentes — medidas destinadas a evitar dano irreparável ao direito de alguém (como o bloqueio de bens para execução de pensão alimentícia).
Exemplos Práticos:
Recesso Forense e Férias dos Advogados (Férias Forenses)
Como funciona: Previsto no Artigo 220 do CPC, os prazos processuais ficam suspensos entre 20 de dezembro e 20 de janeiro. Não há sessões de julgamento nem audiências nesse período.
Exemplo de ato urgente permitido: Ocorre um descumprimento de guarda de um menor de idade em 5 de janeiro. Mesmo durante o recesso, o advogado pode ingressar com um pedido de tutela de urgência no plantão judiciário para garantir a segurança da criança.
Convenção das Partes (Acordo)
Como funciona: As partes pedem ao juiz a suspensão do processo (por exemplo, por até 6 meses) para tentar chegar a um acordo amigável.
Exemplo de ato urgente permitido: Se, durante o período do acordo, uma das partes descumprir o que foi combinado e começar a dilapidar (vender/destruir) o patrimônio em litígio, a outra parte pode pedir imediatamente o arresto ou bloqueio de bens ao juiz, mesmo com o processo suspenso.
Morte ou Perda da Capacidade Processual
Como funciona: Se uma das partes falece ou perde a capacidade de estar em juízo (por doença grave, por exemplo), o prazo é suspenso para que ocorra a substituição por um herdeiro ou curador.
Exemplo de ato urgente permitido: O deferimento pelo juiz de uma medida de urgência para penhora de valores essenciais a um tratamento médico de urgência de uma das partes.
Suspensão de prazos
Vedação de atos processuais (salvo urgentes)
Retomada do Processo
Cessada a causa suspensiva, o processo retoma seu curso normal
O juiz pode determinar de ofício ou a requerimento das partes.
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