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PORTUGUÊS TEXTO & GRAMATICA Professora Larissa AtaídeSUMÁRIO INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS FONÉTICA E FONOLOGIA 1.1 Introdução: o estudo dos sons da língua 54 1.2. Fonética e Fonologia: conceitos fundamentais 1.3. A relação entre letras e sons 1.4. Conceito de letra e de fonema 1.5. Transcrição fonética 2. Classificação dos Vocábulos: número de Letras 55 2.1. Monossílabos 2.2 Dissílabos 2.3 Trissílabos 2.4 Polissílabos 3 Classificação dos Vocábulos: tonicidade 55 3.1 Monossílabos Átonos 3.2 Monossílabos Tônicos 3.3 Oxítonas 3.4 Paroxítonas 3.5 Proparoxítonas 4 Letras do Alfabeto: Consoantes, Vogais e Semivogais 56 4.1 Consoantes 4.2 Vogais 4.3 Semivogais 5 Encontros Vocálicos 56 5.1 Ditongo 5.2 Ditongo Crescente 5.3 Ditongo Decrescente 5.4 Ditongo Oral e Ditongo Nasal 5.5 Ditongo Aberto e Ditongo Fechado 5.6 Tritongo 5.7 Tritongo oral e Tritongo nasal 5.8 Hiato 6 Encontros Consonantais 57 6.1 Encontros Consonantais Perfeitos 6.2 Encontros Consonantais Imperfeitos 7 Dígrafos X Dífonos 7.1 Dígrafos 57 7.2 Dífonos 2 PORTUGUÊSSUMÁRIO VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS 1. Variações Linguísticas 57 1.1 Variações Diacrônicas (Históricas) 1.2 Variações Diatópicas (Geográficas) 1.3 Variações Diastráticas (Grupos Sociais) 1.4 Variações Diafásicas (Formal X Informal) ACENTUAÇÃO GRÁFICA 1. Acentuação Tônica 58 1.1 Monossílabos átonos 1.2 Monossílabos tônicos 1.3. Oxítonos 1.4. Paroxítonos 1.5. Proparoxítonos 2. Acentuação Gráfica Regras Fundamentais 59 2.1 Monossílabos tônicos 2.2. Oxítonos 2.3. Paroxítonos 2.4. Proparoxítonos 3. Acentuação Gráfica Regras Especiais 59 3.1 Ditongos "-ei" e "-oi 3.2 Hiatos com "-i" e "-u" tônicos 3.3 Hiatos com "-00" e "-ee" 3.4 Vogais "i" e "u" dos hiatos 3.5 Verbos com "u" tônico seguido de "-g" ou "-q" 3.6 Acentuação de verbos "ter" e "vir" 3.7 Palavras homógrafas ESTRUTURA DA PALAVRA 1. Morfema: a unidade mínima de significado 61 2. Tipos de morfema 61 2.1 Radical 2.2 Vogal temática: em verbos e nomes Tema Vogais/consoantes de ligação 2.3 Afixos Prefixos @portuguesparapasssar_ PORTUGUÊS 3SUMÁRIO Sufixos 2.4 Desinências Desinências verbais Desinências nominais PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS 1. Palavras Derivadas e Primitivas 62 2. Composição 2.1 Composição por Justaposição 2.2 Composição por Aglutinação 3. Derivação 3.1 Derivação Prefixal ou Prefixação 3.2 Derivação Sufixal ou Sufixação 3.3 Derivação Prefixal e Sufixal 3.4 Derivação Parassintética ou Parassíntese 3.5 Derivação Regressiva ou Deverbal 3.6 Derivação Imprópria ou Conversão 4. Abreviação ou Redução 5. Onomatopeia 6. Hibridismo 7. Neologismos 8. Estrangeirismos CLASSES DE PALAVRAS: SUBSTANTIVOS 1. Conceito e exemplos 63 2. Classificação 2.1. Quanto à forma 2.2. Quanto à significação 3. Flexão 3.1. Quanto ao gênero 3.2. Quanto ao número 3.3. Quanto ao grau CLASSES DE PALAVRAS: ADJETIVOS 1. Conceito 67 2. Classificação 2.1. Quanto à forma 2.2. Quanto à significação 4 PORTUGUÊS @portuguesparapasssar_SUMÁRIO 3. Flexão 3.1. Quanto ao gênero 3.2. Quanto ao número Flexão dos adjetivos simples Flexão dos adjetivos compostos 3.3. Quanto ao grau CLASSES DE PALAVRAS: PRONOMES 1. Introdução ao estudo de pronomes: conceito 71 2. Flexão 2.1 Número 2.2 Gênero 2.3 Pessoa 3. Tipos / Emprego de pronomes (casos gerais e particularidades) 3.1 Pronomes pessoais .Pronomes pessoais retos .Pronomes pessoais oblíquos .Pronomes pessoais de tratamento 3.2 Pronomes possessivos 3.3 Pronomes demonstrativos 3.4 Pronomes relativos 3.5 Pronomes Indefinidos 3.6 Pronomes Interrogativos CLASSES DE PALAVRAS: PRONOMES RELATIVOS 1. Introdução aos Pronomes Relativos 77 1.1 Função 01: conectar orações. 1.2 Função 02: evitar repetições 1.3 Função 03: tornar o discurso mais fluido. 2. Tipos de Pronomes Relativos 2.1 "Que": Referência a pessoas, coisas ou ideias. 2.2 "O qual", "a qual", "os quais", "as quais": Formais, evitam ambiguidades. 2.3 "Quem": Referência a pessoas. 2.4 "Cujo(s)", "cuja(s)": Indicação de posse. 2.5 "Onde": Referência a lugares. 3. Função Sintática dos Pronomes Relativos PORTUGUÊS 5SUMÁRIO 3.1 Emprego dos pronomes relativos nas orações subordinadas adjetivas. 3.2 Funções sintáticas dos pronomes relativos. CLASSES DE PALAVRAS: VERBOS 1. Introdução ao estudo de verbos: conceito 80 2. Flexão verbal 2.1. Número 2..2 Pessoa 2.3 Tempos verbais Presente Pretérito Futuro 2.4 Modos verbais Indicativo (tempos verbais do Indicativo) Subjuntivo (tempos verbais do Subjuntivo) Imperativo (Imperativo afirmativo e negativo) 2.5 Vozes verbais Voz ativa Voz passiva analítica Voz passiva sintética ou pronominal Voz reflexiva Voz reflexiva recíproca 3. Tipos de verbos 3.1. Verbos regulares 3.2. Verbos irregulares 3.3. Verbos anômalos 3.4. Verbos defectivos 3.5. Verbos abundantes 4. Conjugação verbal (casos especiais) 4.1 Indicativo Presente Pretérito Perfeito Pretérito Imperfeito Pretérito mais-que-perfeito Futuro do Presente Futuro do Pretérito 4.2 Subjuntivo (tempos verbais do Subjuntivo) 6 PORTUGUÊSSUMÁRIO Presente Pretérito Imperfeito Futuro 4.3 Imperativo (Imperativo afirmativo e negativo) Formação do Imperativo afirmativo Formação do Imperativo negativo 5. Tempo simples X tempo composto 6.Particularidades sobre emprego do verbo. CLASSES DE PALAVRAS: ARTIGO 1. Introdução ao estudo de artigos: conceito 83 2. Tipos de artigo 2.1 Artigo definido 2.2 Artigo indefinido 3. Flexão 3.1. Gênero 3.2 Número 4. Emprego 4.1 Uso artigo X outros determinantes 4.2 Substantivação 4.3 Combinação e contração 4.4 O uso artigo na mudança de sentido 5. Dúvidas frequentes 5.1 Valores morfológicos do vocábulo "A" 5.2 Valores morfológicos do vocábulo "UM" 6. Método prático CLASSES DE PALAVRAS: NUMERAL 1. Introdução ao estudo dos numerais: conceito 87 2. Tipos de numeral 2.1 Numerais cardinais 2.2 Numerais ordinais 2.3 Numerais multiplicativos 2.4 Numerais fracionários 2.5 Numerais coletivos 3. Natureza do numeral 3.1. numeral substantivo 3.2. numeral adjetivo PORTUGUÊS 7SUMÁRIO 4. Flexão 4.1. Gênero, número e grau (cardinais) 4.2 Gênero, número e grau (ordinais) 4.3 Gênero, número (multiplicativos) 4.4 Gênero, número (fracionários) 5. Emprego 5.1 particularidades do numeral cardinal 5.2 particularidades do numeral ordinal 6. Dúvidas frequentes CLASSES DE PALAVRAS: PREPOSIÇÃO 1.0 que é preposição 93 1.1 Relação de sentido 1.2 Relação de dependência 2. Tipos de preposição 2.1. Preposições essenciais 2.2. Preposições acidentais 3. Relações de sentido 4. Preposição X artigo 4.1. Combinação 4.2. Contração CLASSES DE PALAVRAS: CONJUNÇÃO 1. que são conjunções? 99 2. Tipos de conjunções 2.1 Conjunções coordenativas A) Relações lógicas CONJUNÇÕES COORDENATIVAS B) Pontuação e uso das conjunções coordenativas 2.2 Conjunções subordinativas A) Relações lógicas CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS B) Polissemia conjuntiva (gramática contextual) C) Pontuação e uso das conjunções subordinativas 3. Método prático: 3.1 Método prático: conjunção coordenativa X conjunção subordinativa 3.2 Método prático: conjunção subordinativa causal X conjunção coordenativa explicativa 8 PORTUGUÊSSUMÁRIO CLASSES DE PALAVRAS: ADVÉRBIO 1. Conceito básico e exemplos 108 2. Funções 3. Tipos de advérbio Afirmação Negação Dúvida Intensidade - Tempo - Modo Lugar 4. Locução verbal CLASSES DE PALAVRAS: INTERJEIÇÃO 1. Conceito 110 2. Como as interjeições aparecem nos textos escritos e/ou falados? 3. Principais características 4. Tipos de interjeição 5. que é locução interjetiva? 6. Desafios e Cuidados ao Utilizar Interjeições SINTAXE 1: TERMOS DA ORAÇÃO 1. Introdução à Sintaxe 112 Definição da sintaxe como a estrutura das frases. Importância dos termos da oração para garantir clareza e coerência ao texto. 2. Termos Essenciais da Oração 2.1 Sujeito 2.2 Tipos de sujeito a) sujeito simples b) sujeito composto c) sujeito desinencial, implícito, subentendido d) sujeito indeterminado e) oração sem sujeito 2.3 Predicado. 2.4 Tipos de predicado a) predicado verbal @portuguesparapasssar_ PORTUGUÊS 9SUMÁRIO b) predicado nominal c) predicado verbo-nominal 3. Termos Integrantes da Oração 3.1 Objeto Direto 3.2 Objeto Indireto. 3.3 Complemento Nominal 3.4 Agente da Passiva Obs.: Quadro de principais preposições 4. Termos Acessórios da Oração 4.1 Adjunto Adverbial 4.2 Tipos de adjunto adverbial a) adjunto adverbial de tempo b) adjunto adverbial de lugar c) adjunto adverbial modo d) adjunto adverbial intensidade e) adjunto adverbial afirmação /negação/ dúvida Obs.: Existem outros tipos, mas esses são os principais. 4.2 Adjunto Adnominal 4.3 Aposto 4.4 Vocativo Obs.: O vocativo é um termo à parte: não pertence à estrutura da oração. SINTAXE 2: PERÍODO SIMPLES E PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO 1. Período simples 117 2. Período composto 2.1 Período composto por coordenação A) Orações coordenadas assindéticas B) Pontuação e uso das conjunções coordenativas B) Orações coordenadas sindéticas Oração coordenada sindética aditiva Oração coordenada sindética adversativa Oração coordenada sindética alternativa Oração coordenada sindética explicativa Oração coordenada sindética conclusiva SINTAXE 3: PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO 1. Período composto por subordinação 120 10 PORTUGUÊS @portuguesparapasssar_SUMÁRIO 2. Tipos de orações subordinadas 2.1 Orações subordinadas substantivas 2.2 Orações subordinadas adjetivas 2.3 Orações subordinadas adverbiais 3. Tipos de orações subordinadas substantivas 3.1 Oração subordinada substantiva subjetiva 3.3 Oração subordinada substantiva objetiva direta 3.4 Oração subordinada substantiva objetiva indireta 3.5 Oração subordinada substantiva completiva nominal 3.6 Oração subordinada substantiva apositiva 3.7 Oração subordinada substantiva agente da passiva 3.8 Oração subordinada substantiva predicativa 4. Tipos de orações subordinadas adjetivas 4.1 Oração subordinada adjetiva restritiva 4.2 Oração subordinada adjetiva explicativa 5. Tipos de orações subordinadas adverbiais 5.1 Oração subordinada adverbial causal 5.2 Oração subordinada adverbial consecutiva 5.3 Oração subordinada adverbial comparativa 5.4 Oração subordinada adverbial concessiva 5.5 Oração subordinada adverbial condicional 5.6 Oração subordinada adverbial conformativa 5.7 Oração subordinada adverbial final 5.8 Oração subordinada adverbial proporcional 5.9 Oração subordinada adverbial temporal COLOCAÇÃO PRONOMINAL 1. Introdução à Colocação pronominal (conceito e exemplos) 124 1.1 Casos obrigatórios de Próclise 1.2 Casos facultativos de Próclise 1.3 Mesóclise 1.4 Ênclise REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL 1. Regência (conceito e exemplos) 128 1.1. Transitividade verbal (conceito e exemplos) a) Verbo transitivo direto b) Verbo transitivo indireto @portuguesparapasssar_ PORTUGUÊS 11SUMÁRIO c) Verbo transitivo direto e indireto d) Verbo intransitivo e) Verbo de ligação 2. Regência verbal (conceito e exemplos) 2.1. Principais casos de Regência Verbal a) Verbo ASSISTIR (sentidos, transitividade e exemplos) b) Verbo PAGAR (sentidos, transitividade e exemplos) c) Verbo PERDOAR (sentidos, transitividade e exemplos) d) Verbo VISAR (sentidos, transitividade e exemplos) e) Verbo IMPLICAR (sentidos, transitividade e exemplos) f) Verbo IR/CHEGAR (sentidos, transitividade e exemplos) g) Verbo CHAMAR (sentidos, transitividade e exemplos) h) Verbos LEMBRAR/ESQUECER (sentidos, transitividade e exemplos) i) Verbos (sentidos, transitividade e exemplos) j) Verbos OBEDECER / DESOBEDECER (sentidos, transitividade e exemplos) 3. Regência Nominal (conceito e exemplos) 3.1. Principais casos de Regência Nominal (sentidos e exemplos) a) acostumado a, com (exemplos) b) afável com, para com (exemplos) c) alheio a, de (exemplos) d) ansioso de, para, por (exemplos) e) apto a, para (exemplos) f) aversão a, por (exemplos) g) contrário a (exemplos) h) compatível com (exemplos) i) dúvida em, sobre, acerca de (exemplos) j) falta a, com, para (exemplos) k) imbuído de, em (exemplos) I) imune a, de (exemplos) m) incompatível com (exemplos) n) junto a, de (exemplos) o) preferível a (exemplos) p) respeito a, com, de, por, para (exemplos) q) situado em, entre (exemplos) 12 PORTUGUÊS @portuguesparapasssar_SUMÁRIO CRASE 1. Crase (conceito e mapa mental) 134 1.1. Casos obrigatórios de crase 1.2. Casos proibidos de crase 1.3. Casos facultativos de crase 1.4. Casos especiais de crase CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL 1. Concordância verbal (conceito e exemplos) 139 2. Regra geral 3. Regras especiais 4. Concordância do verbo SER 5. Concordância nominal (conceito e exemplos) 6. Regra geral 7. Regras especiais PONTUAÇÃO 1. Vírgula 145 2. Ponto e vírgula (;) 3. Ponto de Interrogação (?) 4. Ponto de Exclamação (!) 5. 6.Parênteses 7. .Travessão 8. Colchetes 9.Aspas SEMÂNTICA 1. Conceitos Básicos 150 2. Homônimos Foco na grafia e na pronúncia 2.1 Homônimos Homógrafos 2.2 Homônimos Homófonos 2.3 Homônimos Perfeitos 3. Parônimos- Foco na grafia e na pronúncia 4. Sinônimos- Foco no sentido 5. Antônimos Foco no sentido PORTUGUÊS 13SUMÁRIO ORTOGRAFIA - USO DOS PORQUÊS 1. Conceito básico 154. 2. Regras gerais 3. Regras gerais - Método Prático 4. Regras especiais FIGURAS DE LINGUAGEM 1. Figuras de palavras ou semânticas: 158 metáfora comparação metonímia sinestesia catacrese perífrase ou antonomásia 2. Figuras de pensamento - Antítese - Paradoxo - Hipérbole - Ironia - Prosopopeia ou personificação - Gradação - Apóstrofe 3. Figuras de construção ou sintáticas: silepse elipse zeugma anáfora anacoluto hipérbato polissíndeto . assíndeto pleonasmo 4. Figuras de som ou fonéticas: assonância aliteração paranomásia onomatopeia 14 PORTUGUÊS @portuguesparapasssar_PORTUGUÊS PARA TEXTO & GRAMÁTICA Professora Larissa AtaídeTEXTO E GRAMÁTICA INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS (PROVAS ANTERIORES) TEXTO 01 PODER DA LITERATURA José Castello um século dominado pelo virtual e pelo instantâneo, que poder resta à literatura? Ao contrário das imagens, que nos jogam para fora e para as superfícies, a literatura nos joga para dentro. Ao contrário da realidade virtual, que é compartilhada e se baseia na interação, literatura é um ato solitário, nos aprisiona na introspecção. Ao contrário do mundo instantâneo em que vivemos, dominado pelo "tempo real" e pela rapidez, a literatura é lenta, é indiferente às pressões do tempo, ignora o imediato e as circunstâncias. Vivemos em um mundo dominado pelas respostas enfáticas e poderosas, enquanto a literatura se limita a gaguejar perguntas frágeis e vagas. A literatura, portanto, parece caminhar na contramão do contemporâneo. Enquanto o mundo se expande, se reproduz e acelera, literatura contrai, pedindo que paremos para um mergulho "sem resultados" em nosso próprio interior. Sim: a literatura no sentido prático - é inútil. ela apenas parece inútil. A literatura não serve para nada é o que se pensa. A indústria editorial tende a reduzi-la a um entretenimento para a beira de piscinas e as salas de espera dos aeroportos. De outro lado, a universidade em uma direção oposta, mas igualmente improdutiva transforma a literatura em uma "especialidade", destinada apenas ao gozo dos pesquisadores e dos doutores. Vou dizer com todas as letras: são duas formas de matá-la. A primeira, por banalização. A segunda, por um esfriamento que a asfixia. Nos dois casos, a literatura perde sua potência. ⁵Tanto quando é vista como "distração", quanto quando é vista como "objeto de estudos", literatura perde o principal: seu poder de interrogar, interferir e desestabilizar a existência. desde gregos, a literatura conserva um poder que não é de mais ninguém. lança o sujeito de volta para dentro de si e leva a encarar o horror, as crueldades, a imensa instabilidade e igualmente imenso vazio que carregamos em nosso espírito. Somos seres "normais", como nos orgulhamos de dizer. Cultivamos nossos hábitos, manias e padrões. Emprestamos um grande valor à repetição e ao Mesmo. Acreditamos que somos donos de nós mesmos! Mas Dostoievski, leia Kafka, leia Pessoa, leia Clarice você verá que rombo se abre em seu espírito. Verá o quanto tudo isso é mentiroso. ¹²Vivemos imersos em um grande mar que chamamos de realidade, mas que a literatura desmascara isso não passa de ilusão. A "realidade" é apenas um pacto que fazemos entre nós para suportar o "real". A realidade é norma, é contrato, é repetição, ela é conhecido e previsível. O real, ao contrário, é instabilidade, surpresa, desassossego. O real é estranho. (...) A literatura não tem poder dos mísseis, dos exércitos e das grandes redes de informação. Seu poder é limitado: é subjetivo. lançá-lo para dentro, e não para fora, ela se infiltra, como um veneno, nas pequenas frestas de seu espírito. Mas, instalada pelo ato da leitura, escândalos, que estragos, também que descobertas e que surpresas ela pode deflagrar. Não é preciso ser um especialista para ler uma ficção. Não é preciso ostentar títulos, apresentar currículos, ou credenciais. A literatura é para todos. Dizendo melhor: é para os corajosos ou, pelo menos, para aqueles que ainda valorizam a coragem.(...) 16 PORTUGUÊSTEXTO E GRAMÁTICA 1. Da leitura global do texto, só NÃO é correto afirmar que a literatura a)dá ao homem condições de autoconhecimento por meio de perguntas aparentemente frágeis e vagas. b)coloca homem em contato com sua verdade mais profunda e aterrorizante. c)deve desequilibrar o leitor, roubando-lhe a certeza e instaurando a desconfiança. d)atinge a todos, desmascarando suas mentiras, fragilidades e arrogâncias. 2. Na afirmativa "Mas ela apenas parece inútil." (ref. 4), o advérbio "apenas" e o verbo "parece" reiteram o juízo de valor do autor sobre a importância da literatura, que para ele a)é um entretenimento para a beira de piscinas e para as salas de espera dos aeroportos. b)conserva um poder que não é de mais ninguém, com sua capacidade de lançar sujeito de volta para dentro de si. c)é uma especialidade destinada ao gozo dos pesquisadores e dos doutores. d)caminha na contramão do contemporâneo, se contraindo, enquanto mundo expande. TEXTO 02 Leia poema a seguir. a impressão do teu mexeu (LEMINSKI, P. Toda Poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p.144.) 3. Em relação ao poema, considere as afirmativas a seguir. I. O termo "impressão" tem duplo sentido no texto. II. Há uma supressão do termo "corpo", no poema, em decorrência da concisão. III. O desenho da fonte escolhida para o verbo reforça a ideia de dinamicidade. IV. A forma da fonte empregada no final do poema desfaz a carga erótica do início. Assinale a alternativa correta. Somente as afirmativas e são corretas. Somente as afirmativas I e IV são corretas. Somente as afirmativas III e IV são corretas. Somente as afirmativas I, e III são corretas. Somente as afirmativas II, III e IV são corretas TEXTOS 03 e 04 VIVEMOS FIM DO MUNDO Luis Antônio Giron (...) Bauman é autor do conceito de "modernidade a ideia de "liquidez", ele tenta explicar as mudanças profundas que a civilização vem sofrendo com a globalização e impacto @portuguesparapasssar_ PORTUGUÊS 17TEXTO E GRAMÁTICA da tecnologia da informação. Nesta entrevista, ele fala sobre como a vida, a política e os padrões culturais mudaram nos últimos 20 anos. As instituições políticas perderam representatividade porque sofrem com um "déficit perpétuo de poder". Na cultura, a elite abandonou projeto de incentivar e patrocinar a cultura e as artes. Segundo ele, hoje é moda, entre líderes e formadores de opinião, aceitar todas as manifestações, mas não apoiar nenhuma. (...) ÉPOCA As redes sociais aumentaram sua força na internet como ferramentas eficazes de mobilização. Como senhor analisa surgimento de uma sociedade em rede? Bauman Redes, você sabe, são interligadas, mas também estão descosturadas e remendadas por meio de conexões e desconexões... As redes sociais eram atividades de difícil implementação entre as comunidades do passado. De algum modo, elas continuam assim dentro do mundo off- line. No mundo interligado, porém, as interações sociais ganharam a aparência de brinquedo de crianças rápidas. Não parece haver esforço na parcela on-line, virtual, de nossa experiência de vida. Hoje, assistimos à tendência de adaptar nossas interações na vida real (off-line), como se imitássemos padrão de conforto que experimentamos quando estamos no mundo on-line na internet. ÉPOCA Os jovens podem mudar e salvar o mundo? Ou nem os jovens podem fazer algo para alterar a história? Bauman Sou tudo, menos desesperançoso. Confio que os jovens possam perseguir e consertar o estrago que os mais velhos fizeram. Como e se forem capazes de pôr isso em prática, dependerá da imaginação e da determinação deles. Para que se deem uma oportunidade, ²os jovens precisam resistir às pressões da fragmentação e recuperar a consciência da responsabilidade compartilhada para o futuro do planeta e seus habitantes. Os jovens precisam trocar o mundo virtual pelo real. ÉPOCA senhor afirma que as elites adotaram uma atitude de máximo de tolerância com mínimo de seletividade. Qual a razão dessa atitude? Bauman Em relação ao domínio das escolhas culturais, a resposta é que há mais autoconfiança quanto ao valor intrínseco das ofertas culturais disponíveis. Ao mesmo tempo, as elites renunciaram às ambições passadas, de empreender uma missão iluminadora da cultura. A elite deixou de ser o mecenas da cultura. as elites medem sua superioridade cultural pela capacidade de devorar tudo. (...) Como diz crítico George Steiner, os produtos culturais hoje visam ao máximo impacto e à obsolescência instantânea. Há uma saída para salvar a arte como uma experiência humana importante? Bauman Bem, ⁵esses produtos se comportam como resto do mercado. Voltam-se para as vendas de produtos na sociedade dos consumidores. Uma vez que a busca pelo lucro continua a ser o motor mais importante da economia, há pouca oportunidade para que os objetos de arte cessem de obedecer à sentença de Revista Época n° 819, 10 de fevereiro de 2014, 68-70. VAMOS VER ESTE NOVO um país ATÉ QUANDO VAMOS LIVRO DE DROGA! SER os FRANGOS HISTORIAS te vivia um ogro que comia DA LITERATURA? SEMPRE COMEM GENTE ESTOU CHEIA FUTURO DA CARNE DE DESSE LIVROS HUMANIDADE SOMOS ou IMPRENSA COM LOBOS NÃO SOMOS NÃO SOMOS OGROS QUE ISSO QUE COMEM SOMOS! CRIANCAS! HEIN 18 PORTUGUÊS @portuguesparapasssar_TEXTO E GRAMÁTICA 4. Aquilo que motiva a indignação de Mafalda, na tirinha acima, foi também, de certa forma, abordado por Bauman na entrevista "Vivemos no fim do mundo". Assinale a alternativa em que entrevistado fala de um aspecto que resultou na literatura que tanto desagrada à personagem Mafalda. a) "...esses produtos se comportam como resto do mercado. Voltam-se para as vendas de produtos na sociedade dos consumidores." (ref. 5) b) jovens precisam resistir às pressões da fragmentação e recuperar a consciência da responsabilidade compartilhada..." (ref. 2) c) "Hoje, as elites medem sua superioridade cultural pela capacidade de devorar tudo." (ref. 4) d) não há mais autoconfiança quanto ao valor intrínseco das ofertas culturais disponíveis. (ref. 3) 5. Das respostas dadas por Bauman, só NÃO podemos depreender que a) o comportamento cultural da elite pauta-se hoje na indiferenciação dos objetos culturais. b) as relações virtuais aparentam ser mais fáceis e agradáveis que as interações na vida real. c) advento da internet permite uma conexão sempre fácil e eficiente entre as redes sociais. d) a arte poderia ser salva, desde que deixasse de se comportar como uma mercadoria regida pelas regras do mercado. TEXTO 05 só É LITERATURA QUANDO INCOMODA Jana Lauxen Como escritora, editora e, principalmente, leitora, observado um fenômeno desconcertante acometer a literatura nacional: o processo de politização obediente dos novos escritores brasileiros. Muitas vezes tenho a impressão de que nossa produção literária cortou o cabelo, fez a barba, colocou sapatos de couro, terno, gravata, e agora é o genro que mamãe pediu a Deus. E, sabem: isso me incomoda. Profundamente. ³Porque, em minha opinião, a literatura que não lhe sacode; que não lhe tira do lugar onde você confortavelmente está; que não lhe faz repensar; que não desconstrói e bagunça; ⁴que não coloca o dedo na ferida e chafurda; é uma literatura inofensiva logo, irrelevante. Os livros e autores que me conquistaram, e me fizeram compreender o poder da literatura na formação política e social de qualquer cidadão, falavam de sexo, de drogas, de dor, de vida, de desespero e não de dragões, fadas e gnomos. (...) http://zonacurva.com.br/o-caminho-dos-excessos-fazendo-diferenca 6. Jana Lauxen, ao utilizar a expressão metafórica "genro que a mamãe pediu a Deus", comparandoa à Literatura de nosso tempo, esclareceu que essa literatura é para ela a) provocativa e reflexiva. b) desconcertante e relevante. c) inofensiva e obediente. d) reflexiva e desconstrutora. 7. Segundo o texto, pode-se afirmar que a (o) a) literatura só desempenha seu papel no momento em que agrada à sociedade. b) poder da literatura consiste em tirar o cidadão do lugar físico em que se encontra. c) literatura é relevante à medida que desnuda problemas sociais e situações essenciais de vida. PORTUGUÊS 19TEXTO E GRAMÁTICA d)poder da literatura está em deslocar o olhar do leitor para obras politicamente corretas. TEXTO 06 VAMOS VER ESTE NOVO um país distan- DROGA! ATÉ QUANDO VAMOS LIVRO DE te vivia um ogro SER FRANGOS HISTORIAS que comia DA LITERATURA? SEMPRE COMEM GENTE ESTOU CHEIA FUTURO DA DESSES LIVROS CARNE DE HUMANIDADE SOMOS IMPRENSA LOBOS NÃO SOMOS NÃO SOMOS? OGROS QUE ISSO QUE COMEM NÓS SOMOS! CRIANCAS! HEIN 8. Considerando a relação existente entre a linguagem verbal e a não verbal na tirinha apresentada, assinale a alternativa correta. a) A linguagem não verbal contribui para a construção do sentido do texto. b) A linguagem verbal poderia ser parcialmente omitida sem nenhuma perda de sentido. c) As imagens, devido a seu caráter ilustrativo, não interferem diretamente no tema abordado no texto. d) Mafalda, ao longo do texto, demonstra curiosidade, irritação, raiva e passividade. TEXTO 07 A CONDIÇÃO HUMANA A Vita Activa e a Condição Humana Com a expressão vita activa, pretendo designar três atividades humanas fundamentais: labor, trabalho e ação. Trata-se de atividades fundamentais porque a cada uma delas corresponde uma das condições básicas mediante as quais a vida foi dada ao homem na Terra. O labor é a atividade que corresponde ao processo biológico do corpo humano, cujos crescimento espontâneo, metabolismo e eventual declínio têm a ver com as necessidades vitais produzidas e introduzidas pelo labor no processo da vida. A condição humana do labor é a própria vida. O trabalho é a atividade correspondente ao artificialismo da existência humana, existência esta não necessariamente contida no eterno ciclo vital da espécie, e cuja mortalidade não é compensada por este último. O trabalho produz um mundo "artificial" de coisas, nitidamente diferente de qualquer ambiente natural. de suas fronteiras habita cada vida individual, embora esse mundo se destine a sobreviver e a transcender todas as vidas individuais. A condição humana do trabalho é a mundanidade. ³A ação, única atividade que se exerce diretamente entre os homens sem a mediação das coisas ou da matéria, corresponde à condição humana da pluralidade, ao fato de que homens, e não Homem, vivem na Terra e habitam mundo. Todos os aspectos da condição humana têm alguma relação com a política; mas esta pluralidade é especificamente a condição não apenas a conditio sine qua non, mas a conditio per quam de toda a vida política. Assim, o idioma dos romanos talvez povo mais político que conhecemos empregava como sinônimas as expressões "viver" e "estar entre os homens" (inter homines esse), ou "morrer" e "deixar de estar entre os homens" (inter homines esse desinere). em sua forma mais elementar, a condição humana da ação está implícita até mesmo em Gênesis (macho e fêmea Ele criou), se entendermos que esta versão da criação do homem diverge, em princípio, da outra segundo a qual Deus originalmente 20 PORTUGUÊS @portuguesparapasssar_TEXTO E GRAMÁTICA criou Homem (adam) a ele, e não a eles, de sorte que a pluralidade dos seres humanos vem a ser o resultado da multiplicação⁵. ação seria um luxo desnecessário, uma caprichosa interferência com as leis gerais do comportamento, se os homens não passassem de repetições interminavelmente reproduzíveis do mesmo modelo, todas dotadas da mesma natureza e essência, tão previsíveis quanto a natureza e a essência de qualquer outra coisa. pluralidade é a condição da ação humana pelo fato de sermos todos os mesmos, isto é, humanos, sem que ninguém seja exatamente igual a qualquer pessoa que tenha existido, exista ou venha a existir. As três atividades e suas respectivas condições têm íntima relação com as condições mais gerais da existência humana: nascimento e a morte, a natalidade e a mortalidade. O labor assegura não apenas a sobrevivência do indivíduo, mas a vida da espécie. trabalho e seu produto, o artefato humano, ⁹emprestam certa permanência e durabilidade à futilidade da vida mortal e ao caráter efêmero do corpo humano. A ação, na medida em que se empenha em fundar e preservar corpos políticos, cria a condição para a lembrança, ou seja, para a história. labor e trabalho, bem como a ação, têm também raízes na natalidade, na medida em que sua tarefa é produzir e preservar o mundo para constante influxo de recém-chegados que vêm a este mundo na qualidade de estranhos, além de prevê-los e levá-los em conta. obstante, das três atividades, a ação é a mais intimamente relacionada com a condição humana da natalidade; o novo começo inerente a cada nascimento pode fazer-se sentir no mundo somente porque recémchegado possui a capacidade de iniciar algo novo, isto é, de agir. Neste sentido de iniciativa, todas as atividades humanas possuem um elemento de ação e, portanto, de natalidade. disto, como a ação é a atividade política por excelência, a natalidade, e não a mortalidade, pode constituir a categoria central do pensamento político, em contraposição ao pensamento metafísico. A condição humana compreende algo mais que as condições nas quais a vida foi dada ao homem. Os homens são seres condicionados: tudo aquilo com o qual eles entram em contato tornase imediatamente uma condição de sua existência. O mundo no qual transcorre a vita activa consiste em coisas produzidas pelas atividades humanas; mas, constantemente, as coisas que devem sua existência exclusivamente aos homens também condicionam seus autores humanos. Além das condições nas quais a vida é dada ao homem na Terra e, até certo ponto, a partir delas, os homens constantemente criam as suas próprias condições que, a despeito de sua variabilidade e sua origem humana, possuem a mesma força condicionante das coisas naturais. O que quer que toque a vida humana ou entre em duradoura relação com ela, assume imediatamente o caráter de condição da existência humana. É por isso que os homens, independentemente do que façam, são sempre seres condicionados. Tudo que espontaneamente adentra o mundo humano, ou para ele é trazido pelo esforço humano, torna-se parte da condição humana. O impacto da realidade do mundo sobre a existência humana é sentido e recebido como força condicionante. A objetividade do mundo seu caráter de coisa ou objeto e a condição humana complementam-se uma à outra; por ser uma existência condicionada, a existência humana seria impossível sem as coisas, e estas seriam um amontoado de artigos incoerentes, um não mundo, se esses artigos não fossem condicionantes da existência humana. ARENDT, Hannah. A Condição Humana. Tradução de Roberto Raposo: (texto adaptado). ⁵Quando se analisa o pensamento político pós-clássico, muito se pode aprender verificando- se qual das duas versões bíblicas da criação é citada. Assim, é típico da diferença entre ensinamentos de Jesus de Nazareth e de Paulo fato de que Jesus, discutindo a relação entre marido e mulher, refere-se a Gênesis 1:27 "Não tendes lido que quem criou homem desde o princípio fê-los macho e fêmea" (Mateus 19:4), enquanto Paulo, em ocasião semelhante, insiste em que a mulher foi criada "do homem" e, portanto, "para o homem", embora em seguida atenue um pouco a dependência: "nem o varão é sem mulher, nem a mulher sem varão" (1 Cor.11:8-12). A diferença indica muito mais que uma atitude diferente em relação ao papel da mulher. Para Jesus, a fé era intimamente relacionada com a ação; para Paulo, a fé relacionava-se, antes de mais nada, com a salvação. Especialmente interessante a este respeito é Agostinho (De civitate Dei xii.21), que não só desconsidera inteiramente que é dito em Gênesis 1:27, mas vê a diferença entre homem e animal no fato de ter sido homem criado unum ac singulum, enquanto se ordenou aos animais @portuguesparapasssar_ PORTUGUÊS 21TEXTO E GRAMÁTICA que "passassem a existir vários de uma só vez" (plura simul existere). Para Agostinho, a história da criação constitui boa oportunidade para salientar-se o caráter de espécie da vida animal, em oposição à singularidade da existência humana. Observe trecho do texto abaixo destacado: Não obstante, das três atividades, a ação é a mais intimamente relacionada com a condição humana da natalidade; o novo começo inerente a cada nascimento pode fazer-se sentir no mundo somente porque o recém-chegado possui a capacidade de iniciar algo novo, isto é, de agir. Neste sentido de iniciativa, todas as atividades humanas possuem um elemento de ação e, portanto, de natalidade (referência 12). 9. A ênfase na "condição humana da natalidade" justifica-se a) porque a ação de nascer apenas pode ocorrer a partir de um corpo feminino. b)pelas embricadas relações entre indivíduo e sua capacidade de agir, de iniciar algo, de trazer novidade ao mundo. c) pelo fato de ser uma escrita produzida a partir de um olhar feminino. d) por contradizer a questão metafísica relacionada à morte. e) por trazer junto dessa ênfase um apelo ao feminismo. Leia atentamente trecho abaixo destacado, retirado do texto. Mas, em sua forma mais elementar, a condição humana da ação está implícita até mesmo em Gênesis (macho e fêmea Ele os criou), se entendermos que esta versão da criação do homem diverge, em princípio, da outra segundo a qual Deus originalmente criou o Homem (adam) a ele, e não a eles, de sorte que a pluralidade dos seres humanos vem a ser o resultado da multiplicação (referência 4). 10. Em (macho e fêmea Ele os criou) a forma pronominal os refere-se a) ao termo latino adam. a) ao elemento catafórico expresso pela palavra Deus. b) às palavras Homem e adam simultaneamente. c) à expressão "pluralidade dos seres humanos". d) às palavras macho e fêmea. 11. Considere o trecho do texto abaixo, leia as assertivas e marque a alternativa correta: trabalho e seu produto, artefato humano, emprestam certa permanência e durabilidade à futilidade da vida mortal e ao caráter efêmero do corpo humano (referência 8). I...."emprestam certa permanência e durabilidade à futilidade da vida mortal" (referência 9) é consequência positiva do trabalho humano, uma vez que confere sentido e significado à sua efêmera vida na Terra. II. A autora afirma que a vida humana é fútil devido ao fato de produto do trabalho humano ser efêmero. III. A autora afirma que a efemeridade da vida humana na Terra é aliviada pela eterna e durável permanência do artefato humano, qual traz sentido e solução a quaisquer dificuldades que os homens possam enfrentar em sua existência. a) Apenas a assertiva é verdadeira. b) Apenas a assertiva III é verdadeira. c) São verdadeiras apenas as assertivas e II. d) São verdadeiras apenas as assertivas e III. e) Todas as assertivas são verdadeiras. 22 PORTUGUÊS @portuguesparapasssar_TEXTO E GRAMÁTICA 12. Marque a opção, dentre os trechos a seguir retirados do texto, em que conectivo destacado em negrito é um recurso coesivo sequencial, ou seja, promove progressão argumentativa. a) O labor é a atividade que corresponde ao processo biológico do corpo humano, cujos crescimento espontâneo, metabolismo e eventual declínio têm a ver com as necessidades vitais produzidas e introduzidas pelo labor no processo da vida (referência 1). b) (...) Dentro de suas fronteiras habita cada vida individual (referência 2), c) (...) labor e o trabalho, bem como a ação, têm também raízes na natalidade, na medida em que sua tarefa é produzir e preservar mundo (referência 10). d) para o constante influxo de recém-chegados que vêm a este mundo na qualidade de estranhos, além de prevê-los e levá-los em conta (referência 11). e) Não obstante, das três atividades, a ação é a mais intimamente relacionada com a condição humana da natalidade (referência 12). 13. Leia atentamente os trechos de A condição humana que foram recortados abaixo: I. A ação, única atividade que se exerce diretamente entre homens sem a mediação das coisas ou da matéria, corresponde à condição humana da pluralidade, ao fato de que homens, e não o Homem, vivem na Terra e habitam mundo (referência 3); II. A pluralidade é a condição da ação humana pelo fato de sermos todos mesmos, isto é, humanos, sem que ninguém seja exatamente igual a qualquer pessoa que tenha existido, exista ou venha a existir (referência 7); III. Além disto, como a ação é a atividade política por excelência, a natalidade, e não a mortalidade, pode constituir a categoria central do pensamento político, em contraposição ao pensamento metafísico (referência 13). Dentre as opções abaixo, uma está em desacordo com as ideias destacadas acima. Aponte-a. a) A marca da pluralidade entre homens é anunciada como um dos alvos principais para pensamento a ser desenvolvido pela filósofa Hannah Arendt na obra aqui destacada. b) A individualidade é garantida apesar da pluralidade. c) A expressão "atividade política" que aparece no texto é uma referência direta à política partidária que reconhecemos nas sociedades ocidentais. d) Os três períodos destacados do texto revelam preocupações com questões relacionadas à ação e à alteridade. e) O período destacado em III anuncia a predisposição da autora em discutir inquietações filosóficas dando ênfase ao nascimento e não à morte. 14. Carpe diem: Esse conhecido lema, extraído das Odes do poeta latino Horácio (65 a.C.-8 a.C.), sintetiza expressivamente seguinte motivo: saber aproveitar tudo que se apresente de positivo (mesmo que pouco) e transitório. (Renzo Tosi. Dicionário de sentenças latinas e gregas, 2010. Adaptado.) Das estrofes extraídas da produção poética de Fernando Pessoa (1888-1935), aquela em que tal motivo se manifesta mais explicitamente é: a) Nem sempre sou igual no que digo e escrevo. Mudo, mas não mudo muito. A cor das flores não é a mesma ao sol De que quando uma nuvem passa Ou quando entra a noite E as flores são cor da sombra. @portuguesparapasssar_ PORTUGUÊS 23TEXTO E GRAMÁTICA b) Cada um cumpre destino que lhe cumpre, E deseja destino que deseja; Nem cumpre o que deseja, Nem deseja que cumpre. c) Como um ruído de chocalhos Para além da curva da estrada, Os meus pensamentos são contentes. Só tenho pena de saber que eles são contentes, Porque, se não soubesse, Em vez de serem contentes e tristes, Seriam alegres e contentes. d) Tão cedo passa tudo quanto passa! Morre tão jovem ante os deuses quanto Morre! Tudo é tão pouco! Nada se sabe, tudo se imagina. Circunda-te de rosas, ama, bebe E cala. O mais é nada. e) Acima da verdade estão deuses. A nossa ciência é uma falhada cópia Da certeza com que eles Sabem que há Universo. TEXTO 08 Leia o poema abaixo, de Fernando Pessoa. Pobre velha música! Pobre velha música! Não sei porque agrado, Enche-se de lágrimas Meu olhar parado. Recordo outro ouvir-te. Não sei se te ouvi Nessa minha infância Que me lembra em ti. Com que ânsia tão raiva Quero aquele outrora! E eu era feliz? Não sei: Fui-o outrora agora. 15. Considere as seguintes afirmações sobre poema. I. O sujeito-lírico elege a "pobre velha música" para expressar desejo de recuperar a infância. II. verso final indica que a felicidade passada pode ser uma memória vivida no presente. III. A musicalidade do poema, de métrica tradicional, traduz uma luta contra a poesia moderna, através da nostalgia presente em outros heterônimos. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas III. c) Apenas e II. d) Apenas e III. e) I, e III. 24 PORTUGUÊSTEXTO E GRAMÁTICA TEXTO 09 Leia o poema José, de Carlos Drummond de Andrade. E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? Você que é sem nome, que zomba dos outros, Você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José? (...) Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse, a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse.... Mas você não morre, você é duro, José! Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, @portuguesparapasssar_ PORTUGUÊS 25TEXTO E GRAMÁTICA você marcha, José! José, para onde? 16. Assinale a alternativa correta sobre o poema. a) diálogo com José, interlocutor, pode ser lido como uma forma de sujeito-lírico refletir sobre o desamparo existencial. b) O poema em versos curtos apresenta o caminho para superação dos impasses de José. c) As repetições indicam a monotonia da existência do trabalhador comum, José, em crise com sua condição operária. d) sujeito-lírico, na ausência de respostas, não consegue decifrar para onde José marcha, embora este saiba seu caminho. e) A expressão "e agora, José?" põe em relevo a indignação do sujeito-lírico com seu interlocutor, incapaz de se definir. TEXTO 10 Legado Que lembrança darei ao país que me deu tudo que lembro e sei, tudo quanto senti? Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu minha incerta medalha, e a meu nome se ri. E mereço esperar mais do que os outros, eu? Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti. Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu, a vagar, taciturno, entre o talvez e o se. Não deixarei de mim nenhum canto radioso, uma voz matinal palpitando na bruma e que arranque de alguém seu mais secreto espinho. De tudo quanto foi meu passo caprichoso na vida, restará, pois o resto se esfuma, uma pedra que havia em meio do caminho. 17. Esse poema integra a obra Claro Enigma, de Carlos Drummond de Da leitura dele, depreende-se que a) poeta exalta a força que a poesia tem de tornar perenes as vicissitudes efêmeras da vida. b) as rimas, bastante convencionais, dão ao poema um tom passadista que faz dele um texto de dúbia qualidade estética. c) legado a que se refere texto diz respeito somente à poesia metaforizada como canto radioso. d) poema se organiza em versos alexandrinos, de caráter parnasiano, sem deixar de apresentar a clássica chave de ouro, que confere brilhantismo ao fecho do texto. 26 PORTUGUÊS @portuguesparapasssar_TEXTO E GRAMÁTICA TEXTO 11 Entre Ser e as Coisas Onda e amor, onde amor, ando indagando ao largo vento e à rocha imperativa, e a tudo me arremesso, nesse quando amanhece frescor de coisa viva. Às almas, não, as almas vão pairando, e, esquecendo a lição que já se esquiva, tornam amor humor, e vago e brando o que é de natureza corrosiva. N"água e na pedra amor deixa gravados seus hieróglifos e mensagens, suas verdades mais secretas e mais nuas. E nem elementos encantados sabem do amor que punge e que é, pungindo, uma fogueira a arder no dia findo. 18. O poema acima é de Carlos Drummond de Andrade e integra a obra Claro Enigma. Da leitura dele não se pode concluir que a) é um poema de extração filosófica, pois se apoia em indagação sobre a existência e as complicações do amor. b) constrói-se com citações/referências tanto de obras da poesia brasileira quanto do que há de melhor na poesia portuguesa. c) afirma que amor se manifesta em linguagem clara e objetiva e deixa suas marcas apenas sobre os corpos líquidos de forma indelével e definitiva. d) é um texto que se estrutura em forma fixa, com rimas e métrica convencionais, nos moldes da poesia clássica. TEXTO 12 Renúncia Chora de manso e no íntimo... Procura Curtir sem queixa mal que te crucia: mundo é sem piedade e até riria Da tua inconsolável amargura. Só a dor enobrece e é grande e é pura. Aprende a amá-la que a amarás um dia. Então ela será tua alegria, E será, ela só, tua ventura... A vida é vã como a sombra que passa... Sofre sereno e de alma sobranceira, Sem um grito sequer, tua desgraça. Encerra em ti tua tristeza inteira. E pede humildemente a Deus que a faça Tua doce e constante companheira... BANDEIRA, Manuel. A cinza das horas. In: Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993, p. 75. @portuguesparapasssar_ PORTUGUÊS 27TEXTO E GRAMÁTICA 19. Quanto às possibilidades de leitura do poema acima, não se pode afirmar apenas que a) o eu lírico convida o interlocutor a ser resignado. b) a visão idílica expressa no poema é resultado de uma postura otimista do eu-lírico frente ao mundo. c) o pessimismo marca o arrebatamento lírico no texto. d) a inexorabilidade do sofrimento deve ser, segundo eu lírico, causa para a acomodação pessoal à tristeza. e) o sentimento de revolta diante da dor de viver não fica expresso no texto. TEXTO 13 REFLETINDO SOBRE APROPRIAÇÃO CULTURAL Os efeitos desta supervalorização da cultura europeia é a existência de uma hierarquia cultural Já há algum tempo, acompanho esse debate sobre apropriação cultural e, lendo artigos produzidos (a favor ou contra), percebi que a maioria não consegue articular este debate com questões mais amplas: racismo e capitalismo. É preciso aceitar que há apropriação cultural. E que esta apropriação não é resultado de uma troca cultural. E por quê? A cultura predominante em nosso país é a ocidental que nos obriga a digerir a cultura europeia. Isso é bem problemático numa sociedade marcada pela diversidade étnico- cultural. Os efeitos desta supervalorização da cultura europeia é a existência de uma hierarquia cultural. E é aqui que racismo e capitalismo se articulam na apropriação da cultura do outro. Ninguém no Brasil é proibido de usar um turbante, uma guia ou de pertencer a alguma religião de matriz africana. Porém, há um olhar diferenciado quando negros ou negras usam um turbante, uma guia que os identificam com o candomblé em espaço público. Diferente de brancos. Os primeiros são logo tachados de macumbeiros e os segundos, na moda, estilo e tendência étnica. cerne da questão se dá quando a cultura africana e afro-brasileira é apropriada por empresas e protagonistas são excluídos do processo. Outro problema da assimilação cultural é seu retorno. Esta retorna na forma de mercadoria esvaziada de sentido. A filósofa e feminista negra Djamila Ribeiro faz a provocação: "A etnia Maasai não quer ser reparada pelo mundo da moda por apropriação, porque lucraram com sua cultura sem que eles recebessem por isso." A relação entre capitalismo e racismo se manifesta desta forma. debate sobre apropriação cultural propõe refletir sobre o uso da cultura africana e afro- brasileira por empresas sem a presença e um retorno aos protagonistas. Para os que fazem este debate de forma ampla, há uma compreensão de que não é justo atingir pessoas. Estas não possuem um conhecimento sobre tal problemática. É preciso atacar as empresas que usam e abusam da cultura desses povos e a transformam em simples mercadoria. Chamo atenção (finalizando) para fato de alguns artigos que, sem entender ou por pura desonestidade intelectual, procuram, ao combater os argumentos daqueles que escrevem sobre a apropriação cultural, desqualificar toda uma produção de conhecimento forjada a partir de uma longa experiência no combate ao racismo. Penso que todo debate é válido, porém, sejamos éticos. FERREIRA, H. Refletindo sobre apropriação cultural. Disponível em: Acesso em: 09 maio 2017 (adaptado). 20. Acerca das estratégias e dos elementos coesivos do texto, assinale a única alternativa CORRETA. a) No primeiro parágrafo, a expressão "questões mais amplas" tem como referentes: racismo e capitalismo. b) No trecho "Isso é bem segundo parágrafo, pronome demonstrativo grifado retoma o substantivo "apropriação cultural". 28 PORTUGUÊS @portuguesparapasssar_TEXTO E GRAMÁTICA c) No terceiro parágrafo, o pronome "os", em "os identificam", antecede referente "brancos", por isso está no masculino plural, estabelecendo a concordância. d) Ainda no terceiro parágrafo, numerais "primeiros" e "segundos" se relacionam a brancos e negros, respectivamente. e) No quinto parágrafo, a expressão "tal problemática" refere-se à realização de um debate de forma ampla. 21. texto, em sua dimensão global, a) defende que o racismo e o capitalismo devem fundamentar o debate sobre apropriação cultural. b) tematiza a supervalorização da cultura europeia no Brasil. c) debate sobre o uso de turbantes e guias por pessoas brancas. d) aponta para o fato de que as empresas apenas ratificam a apropriação cultural estabelecida socialmente. e) informa sobre a injustiça referente ao esvaziamento de sentido das mercadorias africana ou afrobrasileiras. 22. Analise as proposições a seguir. I. A apropriação cultural não é resultado de uma troca, mas de uma hierarquização em que a cultura europeia é supervalorizada. II. A relação entre capitalismo e racismo manifesta-se quando uma empresa se apropria da cultura africana ou afro-brasileira e os protagonistas dessa cultura não tomam parte de um retorno justo, seja ele financeiro, social ou por reconhecimento. III. As empresas usam a cultura dos povos africanos ou afro-brasileiros, transformando-a em mercadoria. IV. A falta de ética de pessoas que escrevem sobre apropriação cultural justifica o fato de o branco poder usar livremente mercadorias da cultura africana. V. Embora, no Brasil, as pessoas não sejam proibidas de usar turbantes ou elementos de culturas diversas, tal uso sempre provoca um julgamento racista. São argumentos utilizados pelo autor do texto, apenas, a) II, III e IV. b) I, V. c) III. d) III, e) I, III IV. TEXTO 14 DE ONDE VEM A EXPRESSÃO "SERÁ BENEDITO"? De Minas, uai. Em 1933, Getúlio Vargas estava indicando novos governadores, e chefes políticos mineiros temiam que o presidente nomeasse alguém indesejado. Para não desagradar seus apoiadores, dizia-se que o escolhido de Getúlio seria Benedito Valadares, jornalista, político local e candidato neutro. Muitos, surpresos com a provável escolha, que acabou acontecendo, perguntavam-se: "Será Benedito?". Assim, a questão ficou conhecida por expressar contrariedade, surpresa, desalento e perplexidade frente a acontecimentos inusitados. MARQUES, E. De onde vem a expressão "Será o Benedito?". Disponível em:TEXTO E GRAMÁTICA palavra ou expressão. b) artigo de opinião, já que o autor se utiliza de estratégias argumentativas para explicar o sentido de uma expressão. c) notícia, uma vez que a tipologia narrativa é utilizada para explicar sentido de uma expressão por meio de uma história real. d) verbete de dicionário, pois apresenta o conceito ou significado de uma palavra ou expressão através da tipologia injuntiva. e) texto informativo, pois se utiliza principalmente da tipologia expositiva para explicar sentido de uma palavra ou expressão. TEXTO 15 UM DOADOR UNIVERSAL Tomo um táxi e mando tocar para o hospital do Ipase. Vou visitar um amigo que foi operado. O motorista volta-se para mim: senhor não está doente e agora não é hora de visita. Por acaso é médico? Ultimamente ando sentindo um negócio esquisito aqui no lombo... Não sou médico. Ele deu uma risadinha. Ou não quer dar uma consulta de graça, hein, doutor? É isso mesmo, deixa para lá. Para dizer a verdade, não tem cara de médico. Vai doar sangue. Quem, eu? senhor mesmo, quem havia de ser? Não tem mais ninguém aqui. Tenho cara de quem vai doar sangue? Para doar sangue não precisa ter cara, basta ter sangue. senhor veja meu caso, por exemplo. Sempre tive vontade de doar sangue. E doar mesmo de graça, ali no duro. Deus me livre de vender meu próprio sangue: não paguei nada por ele. Escuta aqui uma coisa, quer saber que mais, vou doar meu sangue e é já. Deteve o táxi à porta do hospital, saltou ao mesmo tempo que eu, foi entrando: E é já. Esse negócio tem de ser assim: a gente sente vontade de fazer uma coisa, pois então faz e acabou-se. Antes que seja tarde: acabo desperdiçando esse sangue meu por aí, em algum desastre. Ou então morro e ninguém aproveita. Já imaginou quanto sangue desperdiçado por aí nos que morrem? E nos que não morrem? limitei-me a acrescentar. Isso mesmo. E nos que não morrem! Essa eu gostei. Está se vendo que o senhor é moço distinto. Olhe aqui uma coisa, não precisa pagar a corrida. Deixei-me ficar, perplexo, na portaria (e ele tinha razão, não era hora de visitas) enquanto uma senhora reclamava seus serviços: Meu marido está saindo do hospital, não pode andar direito... Que é que tem seu marido, minha senhora? Quebrou a perna. Então como é que a senhora queria que ele andasse direito? Eu não queria. Isto é, queria... Por isso é que estou dizendo confundiu- se a mulher. O seu táxi não está livre? táxi está livre, eu é que não estou. A senhora vai me desculpar, mas vou doar sangue. Ou hoje ou nunca. E gritou para um enfermeiro que ia passando e que nem ouviu: Você aí, branquinho, onde é que se doa sangue? Procurei intervir: Atenda a freguesa... O marido dela... Já sei: quebrou a perna e não pode andar direito. 30 PORTUGUÊSTEXTO E GRAMÁTICA Teve alta hoje. acudiu a mulher, pressentindo simpatia. Não custa nada insisti. Ele precisa de táxi. A esta hora... Eu queria doar sangue vacilou ele. A gente não pode nem fazer uma caridade, poxa! Deixa de fazer uma e faz outra, dá na mesma. Pensou um pouco, acabou concordando: Está bem. Mas então faço o serviço completo: vai de graça. Vamos embora. Cadê capenga? Afastou-se com a mulher, e em pouco passava de novo por mim, ajudando-a a amparar o marido, que se arrastava, capengando. Vamos, velhinho: te aguenta aí. Cada uma! Ainda acenou para mim, de longe, se despedindo. SABINO, Fernando. Um doador universal. Disponível em: fernandosabino/fernando-sabino-um-doador-universal-1.538>> Acesso: 08 maio 2017. 24. Em relação à linguagem, podemos afirmar que o texto embora se apresente escrito, possui uma linguagem mais informal e próxima da oralidade, pouco preocupada com a rigidez da norma culta. foi escrito com total respeito à norma culta da língua portuguesa, não sendo possível encontrarmos trechos em desacordo com as variedades de prestígio. embora apresente expressões coloquiais como "capenga", "de graça", "no duro", a abordagem do assunto "doação de sangue" dá ao texto um tom sóbrio e científico apresenta uma linguagem técnica, porém, de fácil compreensão, uma vez que associa elementos coloquiais a termos formais no decorrer do texto. expõe o preconceito linguístico praticado pelo motorista ao chamar passageiro de "moço distinto", discriminando a variedade linguística falada por ele. 25. Na leitura de textos, deparamo-nos, muitas vezes, com palavras das quais desconhecemos o significado, no entanto, a partir do contexto, conseguimos interpretá-las. Seguindo esse entendimento, a partir da significação contextual da palavra, assinale a alternativa que contém o vocábulo que substituiria adequadamente o termo destacado no trecho a seguir, extraído do texto, de acordo com a relação de significado estabelecida. "Está se vendo que senhor é moço distinto." a) Rápido; antonímia. b) Comum; sinonímia. c) Inteligente; sinonímia. d) Forte; antonímia. e) Exigente; sinonímia. 26. Assinale a alternativa CORRETA quanto ao gênero e ao tipo textuais. a) Por se tratar de um conto, o texto é argumentativo e expõe a insistência de uma personagem em convencer outra, com argumentos, a fazer o que ela quer. b) Por se tratar de uma crônica, o texto é predominantemente dialogal e narrativo, com segmentos estruturados em turnos de fala e relato de situações. c) Por se tratar de uma crônica, texto é injuntivo e incentiva o leitor a praticar a doação de sangue, instruindo sobre como realizar esta ação solidária. d) Por se tratar de uma fábula, o texto é predominantemente dialogal e narrativo, com personagens que dialogam entre si e vivenciam situações imaginárias. e) Por se tratar de um conto, o texto é predominantemente dialogal e descritivo, com segmentos estruturados em turnos de fala e exposição das propriedades e qualidades de pessoas e ambientes. PORTUGUÊS 31TEXTO E GRAMÁTICA TEXTO 16 A queda do poderoso machão Paula Cesarino Costa/OMBUDSMAN* da Folha de S.Paulo/Folha de S.Paulo, 09/04/2017 Em janeiro de 2016, a Folha anunciou a estreia de blog voltado à discussão das questões de gênero e do chamado empoderamento feminino. Nascido do movimento #Agora É Que São Elas, em que mulheres ocuparam espaço de colunistas homens nos jornais, blog homônimo se somava a dezenas de outros. Interpretei como saudável a oferta de novos temas aos leitores do jornal. Neste espaço, já alertara de que os tempos de redes sociais turbulentas sinalizavam a hora de reinventar as páginas de opinião. Contabilizava, em agosto de 2016, 32 mulheres entre os 130 colunistas do jornal. Na madrugada da sexta, 31 de março, o #Agora É Que São Elas publicou um post de potencial arrebatador nas redes sociais. O post "José Mayer me assediou" foi colocado no ar à 0h45. Nele, a figurinista Susllem Tonani acusava o ator de tê-la assediado durante oito meses na TV Globo. De manhã, o texto já era lido e compartilhado nas redes sociais. Por volta das 10h, a Folha tirou-o do ar sem dar explicação. Cobrei do jornal, na crítica interna que circula em torno das 12h30, a obrigação de prestar satisfação ao leitor. Só às 14h22 foi publicada a justificativa para sumiço do post: "O conteúdo foi retirado do ar porque desrespeitou princípio editorial da Folha de só publicar acusação após ouvir e registrar os argumentos da parte acusada, salvo nos casos em que isso não for possível". Às 17h30, o texto voltou a ficar disponível, ao mesmo tempo em que era publicada reportagem que resumia as acusações da figurinista e ouvia o ator. Ele negava que lhe havia sido imputado. A TV Globo dizia não comentar assuntos internos, mas assegurava que haveria apuração rigorosa, "ouvidos todos os envolvidos, em busca da verdade". Houve mobilização de funcionárias da emissora, que culminou em manifesto, cujo título se tornaria emblemático em camisetas e posts: "Mexeu com uma, mexeu com todas". Três dias depois do post original, a emissora divulgou a decisão de suspender José Mayer. Em carta, o ator assumiu ter errado e pediu desculpas. Tropeçou ao resumir o episódio como "brincadeira" e tentar dividir sua culpa com a geração de homens acima de 60 anos, como se fossem vítimas de uma catequese única e perversa. A polêmica alcançou o topo das redes sociais, chegando a estar entre os dez assuntos mais comentados do mundo no Twitter. A retirada do ar do post pela Folha, sem explicação imediata, mas deixando rastros digitais, gerou reclamações e suscitou a elaboração de conjecturas: "Acredito que a Folha precisa explicar que motivou a retirada. Se está compactuando com uma operação abafa por parte da Globo ou se apurou erros no relato", registrou um leitor. editorexecutivo da Folha, Sérgio Dávila, diz que a Direção foi surpreendida com o conteúdo e determinou sua retirada temporária até que o outro lado fosse ouvido. "Nesse intervalo, uma reportagem foi publicada para explicar o que havia acontecido. Não foi, portanto, sem qualquer explicação", afirma. Para Dávila, no caso concreto, não havia impeditivo para que o procedimento-padrão de ouvir o outro lado não fosse respeitado. A Folha tem hoje 124 colunistas e 48 blogs. Grande parte dos leitores não diferencia uns de outros. Mas, na estrutura interna do jornal, blogueiros e colunistas são tratados de forma diferenciada. Todos os colunistas são lidos por editores ou pelos secretários de Redação antes que seus textos sejam publicados. Os blogs são acompanhados a posteriori, pela própria natureza de "diário" que a modalidade comporta. Os autores cuidam diretamente da publicação dos textos. Argumenta Dávila que todos que escrevem na Folha, incluindo blogueiros, devem submeter quaisquer acusações de prática ilegal aos seus editores antes de publicá-las. É dever das titulares de um blog feminino e feminista trazer a público, sabendo ser verdadeira, 32 PORTUGUÊS @portuguesparapasssar_TEXTO E GRAMÁTICA uma denúncia de prática machista. É dever do jornal trabalhar tal informação e dar àquele que é acusado do que quer que seja. correto teria sido a publicação do texto original no blog, com remissão simultânea para reportagem produzida pelo corpo editorial da Folha, submetida aos padrões exigidos pelo Manual de Redação de isenção, transparência e equilíbrio. A retirada do ar explicitou falhas de comunicação e procedimento. Um poderoso machão sucumbiu. Os tempos são outros. Uma leitora, no entanto, lembrou a ombudsman de que nesta semana a ganhou três novos colunistas de humor. Eles dividirão espaço com o consagrado José Simão. Todos são homens. Também não há mulheres, por exemplo, no quadrado da charge da página 2 da Folha. *Ombudsman é uma expressão de origem sueca que significa "representante do cidadão". A palavra é formada pela união de "ombuds" (representante) e "man" (homem). O termo surgiu em 1809, nos países escandinavos, para designar um Ouvidor-Geral do Parlamento, responsável em mediar e tentar solucionar as reclamações da população junto ao governo. Hoje em dia, o ombudsman se transformou em uma profissão presente em quase todas as grandes e médias empresas, sejam públicas ou privadas. A função do búds, como também são conhecidos, é a de enxergar os problemas e pontos negativos de determinada empresa ou instituição, a partir da ótica do e tentar solucionar as crises de maneira imparcial. Dentro da imprensa, o ombudsman é intermediador entre a editoria do jornal, por exemplo, e seus leitores. Nos Estados Unidos, a função de ombudsman surgiu nos anos 1960. No Brasil, o cargo existe desde 1989, quando o jornal Folha de S. Paulo publicou a primeira editoria do seu ombudsman, que ficaria responsável em ser o porta-voz dos leitores, solucionando e transmitindo as suas reclamações para jornal. Em muitas empresas o ombudsman é ligado ao departamento de Serviços Jurídicos. Disponível em: Acesso em: 13 maio 2017. [Adaptado para fins de vestibular.] 27. Cumprindo sua função de ombudsman, Paula Cesarino Costa a) estabelece interlocução com os leitores como porta-voz da rede Globo para criticar a Folha de S.Paulo. b) compactua com o jornal por ter tirado do ar blog do movimento "#Agora É Que São Elas". c) critica o jornal em que trabalha por ter tirado do ar post "José Mayer me assediou". d) mobiliza os leitores a aderirem aos procedimentos adotados pelo jornal em defesa do ator. TEXTO 17 TRABALHO ESCRAVO É AINDA UMA REALIDADE NO BRASIL Esse tipo de violação não prende mais indivíduo a correntes, mas acomete a liberdade do trabalhador e mantém submisso a uma situação de exploração. trabalho escravo ainda é uma violação de direitos humanos que persiste no Brasil. A sua existência foi assumida pelo governo federal perante país e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 1995, o que fez com que se tornasse uma das primeiras nações do mundo a reconhecer oficialmente a escravidão contemporânea em seu território. Daquele ano até 2016, mais de 50 mil trabalhadores foram libertados de situações análogas à de escravidão em atividades econômicas nas zonas rural e urbana. Mas que é trabalho escravo contemporâneo? O trabalho escravo não é somente uma violação trabalhista, tampouco se trata daquela escravidão dos períodos colonial e imperial do Brasil. Essa violação de direitos humanos não prende mais indivíduo a correntes, mas compreende outros mecanismos, que acometem a dignidade e a liberdade do trabalhador e mantêm submisso a uma PORTUGUÊS 33TEXTO E GRAMÁTICA situação extrema de exploração. Qualquer um dos quatro elementos abaixo é suficiente para configurar uma situação de trabalho escravo: TRABALHO FORÇADO: o indivíduo é obrigado a se submeter a condições de trabalho em que é explorado, sem possibilidade de deixar o local seja por causa de dívidas, seja por ameaça e violências física ou psicológica. JORNADA EXAUSTIVA: expediente penoso que vai além de horas extras e coloca em risco a integridade física do trabalhador, já que o intervalo entre as jornadas é insuficiente para a reposição de energia. Há casos em que descanso semanal não é respeitado. Assim, o trabalhador também fica impedido de manter vida social e familiar. SERVIDÃO POR DÍVIDA: fabricação de dívidas ilegais referentes a gastos com transporte, alimentação, aluguel e ferramentas de trabalho. Esses itens são cobrados de forma abusiva e descontados do salário do trabalhador, que permanece sempre devendo ao empregador. CONDIÇÕES DEGRADANTES: um conjunto de elementos irregulares que caracterizam a precariedade do trabalho e das condições de vida sob a qual o trabalhador é submetido, atentando contra a sua dignidade. Quem são os trabalhadores escravos? Em geral, são migrantes que deixaram suas casas em busca de melhores condições de vida e de sustento para as suas famílias. Saem de suas cidades atraídos por falsas promessas de aliciadores ou migram forçadamente por uma série de motivos, que podem incluir a falta de opção econômica, guerras e até perseguições políticas. No Brasil, os trabalhadores provêm de diversos estados das regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte, mas também podem ser migrantes internacionais de países latino-americanos como a Bolívia, Paraguai e Peru -, africanos, além do Haiti e do Oriente Médio. Essas pessoas podem se destinar à região de expansão agrícola ou aos centros urbanos à procura de oportunidades de trabalho. Tradicionalmente, o trabalho escravo é empregado em atividades econômicas na zona rural, como a pecuária, a produção de carvão e os cultivos de cana-de-açúcar, soja e algodão. Nos últimos anos, essa situação também é verificada em centros urbanos, principalmente na construção civil e na confecção têxtil. No Brasil, 95% das pessoas submetidas ao trabalho escravo rural são homens. Em geral, as atividades para as quais esse tipo de mão de obra é utilizado exigem força física, por isso os aliciadores buscam principalmente homens e jovens. Os dados oficiais do Programa SeguroDesemprego de 2003 a 2014 indicam que, entre os trabalhadores libertados, 72,1% são analfabetos ou não concluíram o quinto ano do Ensino Fundamental. Muitas vezes, trabalhador submetido ao trabalho escravo consegue fugir da situação de exploração, colocando a sua vida em risco. Quando tem sucesso em sua empreitada, recorre a órgãos governamentais ou organizações da sociedade civil para denunciar a violação que sofreu. Diante disso, governo brasileiro tem centrado seus esforços para combate desse crime, especialmente na fiscalização de propriedades e na repressão por meio da punição administrativa e econômica de empregadores flagrados utilizando mão de obra escrava. Enquanto isso, o trabalhador libertado tende a retornar à sua cidade de origem, onde as condições que levaram a migrar permanecem as mesmas. Diante dessa situação, indivíduo pode novamente ser aliciado para outro trabalho em que será explorado, perpetuando uma dinâmica que chamamos de "Ciclo do Trabalho Escravo". Para que esse ciclo vicioso seja rompido, são necessárias ações que incidam na vida do trabalhador para além do âmbito da repressão do crime. Por isso, a erradicação do problema passa também pela adoção de políticas públicas de assistência à vítima e prevenção para reverter a situação de pobreza e de vulnerabilidade de comunidades. Natalia; CASTELI, Thiago. Trabalho escravo é ainda uma realidade no Brasil. Disponível em: 19 mar. 2017. 28. Em relação à coesão, é correto afirmar que, em "A sua existência foi assumida pelo governo federal perante o país e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 1995 [...]." parágrafo), termo sublinhado retoma "violação de direitos". 34 PORTUGUÊSTEXTO E GRAMÁTICA II. "Daquele ano até 2016, mais de 50 mil trabalhadores foram libertados de situações análogas à de escravidão em atividades econômicas nas zonas rural e urbana." parágrafo), após termo sublinhado, houve supressão (eliminação) do termo "situação". III. "Essas pessoas podem se destinar à região de expansão agrícola ou aos centros urbanos à procura de oportunidades de trabalho." (4° parágrafo), os termos grifados referem-se a "migrantes". IV. "No Brasil, os trabalhadores provêm de diversos estados das regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte, mas também podem ser migrantes internacionais de países latino-americanos [...]." (4° parágrafo), os termos grifados acrescentam uma informação. V. "Diante disso, o governo brasileiro tem centrado seus esforços para combate desse crime [...]." (7° parágrafo), termo sublinhado refere-se à fuga de trabalhadores escravizados. Estão CORRETAS apenas as proposições a) IV e V. b) I, II, III e IV. c) I, e V. d) II, III e IV. e) I, III e V. 29. Em relação às impressões transmitidas pelo texto, é CORRETO afirmar que ele a) promove a ideia de que o trabalho escravo é um crime que precisa ser erradicado no país, embora não o faça de modo enfático, através do posicionamento dos autores. b) objetiva apresentar cenários favoráveis à escravização de pessoas no Brasil. c) expõe a existência do trabalho escravo como um mal necessário, pois isso alimenta a economia tanto no meio rural quanto no urbano. d) atribui grande relevância aos riscos que correm aqueles que tentam fugir de situações de trabalho escravo, de modo que desaconselha esse tipo de atitude. e) centra seu principal objetivo na exaltação das ações governamentais diante da problemática do trabalho escravo no país, como uma espécie de louvação à postura adotada pelo governo. 30. Em relação ao gênero textual, é CORRETO afirmar que o texto é a) artigo de opinião, pois os autores se utilizam de um tema, a escravidão no Brasil contemporâneo, para defender ponto de vista que têm acerca dessa problemática. b) uma notícia, por expor um fato importante, a existência de escravidão no Brasil contemporâneo, indicando seus responsáveis, bem como outras informações necessárias, a exemplo de local, momento e modo como este ocorreu. c) uma reportagem, por oferecer ao leitor informações sobre um tema, a escravidão contemporânea no Brasil, com extensão e profundidade que caracterizam esse gênero. d) um texto instrucional, por apresentar as maneiras através das quais é possível evitar que pessoas se submetam ao trabalho escravo no Brasil. e) um relato feito por pessoas que já vivenciaram uma situação de escravidão e narram a sequência desse acontecimento. TEXTO 18 Encontros e Desencontros Hoje, jantando num pequeno restaurante aqui perto de casa, pude presenciar, ao vivo, uma cena que já me tinham descrito. Um casal de meia idade se senta à mesa vizinha da minha. Feitos os pedidos ao garçom, homem, bem depressinha, tira celular do bolso, e não mais o deixa, a merecer sua atenção exclusiva. A mulher, certamente de saber feito, não se faz de rogada e apanha um livro que trazia junto à bolsa. Começa a lê-lo a partir da página assinalada por um marcador. @portuguesparapasssar_ PORTUGUÊS 35TEXTO E GRAMÁTICA Espichando meu pescoço inconveniente (nem tanto, afinal as mesas eram coladinhas) deu para ver que era uma obra da Martha Medeiros. Desse modo, OS dois iam usufruindo suas gulodices, sem comentários, com algumas reações dele, rindo com ele mesmo com postagens que certamente ocorriam em seu celular. Até dois estranhos, postos nessa situação, talvez acabassem por falar alguma coisa. Pensei: devem estar juntos há algum tempo, sem ter mais o que conversar. Cada um sabia tudo do outro, nada a acrescentar, nada de novo ou surpreendente. E assim caminhava, decerto, a vida daquele casal. que me choca, mesmo observando esta situação, como outras que dia a dia me oferece, é a ausência de conversa. Sem conversa eu não vivo, sem sua força agregadora para trocar ideias, para convencer ou ser convencido pelo outro, para manifestar humor, para desabafar sobre o que angustia a alma, em suma, para falar e para ouvir. A conversa não é a base da terapia? Sei não, mas, atualmente, contar com um amigo para jogar conversa fora ou para confessar aquele temor que lhe está roubando o sossego talvez não seja fácil. O tempo também, nesta vida corre-corre, tem lá outras prioridades. Mia Couto é contundente: "Nunca o nosso mundo teve ao seu dispor tanta comunicação. E nunca foi tão dramática a nossa solidão." Até se fala muito, mas ouvir o outro? Falo de conversas entre pessoas no mundo real. Vive-se hoje, parece, mais no mundo digital. Nele, até que se conversa muito; porém, é tão diferente, mesmo quando um está vendo o outro. compartilhamento do mesmo espaço, diria, é que nos proporciona a abrangência do outro, a captação do seu respirar, as batidas de seu coração, seu cheiro, o seu humor... Desse diálogo é que tanta gente está sentindo falta. Até por telefone as pessoas conversam, atualmente, bem menos. Pelo WhatsApp fica mais fácil, alega-se. Rapidinho, rapidinho. Mas e a conversa? Conversa-se, sim, replicam. Será? Ou se trocam algumas palavras? Quando falo em conversa, refiro-me àquelas que se esticam, sem tempo marcado, sem caminho reto, a pularem de assunto em assunto. O WhatsApp é de graça, proclamam. Talvez um argumento que pode ser robusto, como se diz hoje, a favor da utilização desse instrumento moderno. Mas será apenas por isso? Um amigo me lembra: no WhatsApp se trocam mensagens por escrito. Eu sei. Entretanto, língua escrita é um outra modalidade, outro modo de ativar a linguagem, a começar pela não copresença física dos interlocutores. No telefone, não há essa copresença física, mas esse meio de comunicação não é impeditivo de falante e ouvinte, a cada passo, trocarem de papéis e até mesmo de falarem ao mesmo tempo, configurando, pois, características próprias da modalidade oral. Contudo, não se respira o mesmo ar, ainda que já se possa ver outro. As pessoas passaram a valer-se menos do telefone, e as conversas também vão, por isso, tornando- se menos frequentes. Gosto, mesmo, é de conversas, de preferência com poucos companheiros, sem pauta, sem temas censurados, sem se ter de esmerar na linguagem. Conversa sem compromisso, a não ser de evitar a chatice. Com suas contundências, conflitos de opiniões e momentos de solidariedade. Conversa que é vida, que retrata a vida no seu dia a dia. No grupo maior, há de tudo: louco, o filósofo, o depressivo, conquistador de garganta, saudosista... Nem sempre, é verdade, estou motivado para participar desses grupos. Porém, passado um tempo, a saudade me bate. Aqueles bate-papos intimistas com um amigo tantas afinidades, merecedores que nos tornamos da confiança um do outro, esses não têm nada igual. A apreensão abrangente do amigo, de seu psiquismo, dos seus sentimentos, das dificuldades mais íntimas por que passa, faz-no sentir, fortemente, a nossa natureza humana, a maior valia da vida. Esses momentos vão se tornando, assim me parece, uma cena menos habitual nestes tempos digitais. A pressa, os problemas a se multiplicarem, as tarefas a se diversificarem, como encontrar uma brecha para aquela conversa, que é entrega, confiança, despojamento? Conversa que exige respeito: um local calminho, sem gritos, vozes esganiçadas, garçons serenos. Sim, umas tulipas estourando de geladas e uns tira-gostos de nosso paladar a exigirem nova pedida. Não queria perder esses encontros. Afinal, a vida está passando tão depressa... Adaptado de: UCHOA, Carlos Eduardo. Disponível em: 36 PORTUGUÊSTEXTO E GRAMÁTICA 31. Em que opção o sinônimo indicado para termo sublinhado NÃO mantém o mesmo sentido daquele apresentado, no texto, pelo trecho destacado? a) "Espichando o meu pescoço inconveniente [...]" (1° parágrafo) esticando b) "A apreensão abrangente do amigo, [...]" (7° parágrafo) - aflição c) "Conversa-se, sim, replicam." (4° parágrafo) respondem. d) "[...] os dois iam usufruindo suas gulodices, [...]" (2° parágrafo) guloseimas e) "[...] confessar aquele temor que lhe está roubando [...]" (3° parágrafo) - medo. 32. Sobre as ideias expressas no texto, é correto afirmar que a) o cronista deixa clara a sua preferência pelas conversas ao telefone, apesar de reconhecer que o WhatsApp, por ser de graça, torna a comunicação mais rápida, uma vez que os falantes e ouvintes podem trocar de papel a todo instante. b) nos bate-papos intimistas cabem todos os assuntos, mesmo que haja divergência de opiniões, já que retratam a vida no seu dia a dia e envolvem pessoas diferentes, mais afinadas na confiança estabelecida e na percepção mais abrangente do outro. c) o texto parte de um registro do cotidiano o comportamento de um casal em um restaurante para analisar os exageros cometidos pelos usuários da Internet, os quais priorizam mundo digital e abandonam completamente os bate-papos intimistas com os amigos. d) a citação de Mia Couto, no 3° parágrafo, ratifica a ideia central do texto: as pessoas estão cada vez mais sós, vivendo em um mundo virtual, onde a conversa não é plena, já que não há o compartilhamento do mesmo espaço e a troca de ideias praticamente inexiste. e) o 6° parágrafo se contrapõe ao 8°, pois enquanto naquele o cronista estabelece algumas causas para a diminuição das conversas e delimita elementos necessários ao ambiente onde esse diálogo acontecerá, neste ele especifica como deve ser a conversa entre as pessoas. 33. Em "O compartilhamento do mesmo espaço, diria, é que que nos proporciona a abrangência do outro, a captação do seu respirar, as batidas de seu coração, o seu cheiro, seu humor..." parágrafo), infere-se que para autor a comunicação digital, nos dias de hoje, não prescinde da abrangência do outro. na Internet, compartilhamento do espaço é a reprodução da abrangência do outro. captar o cheiro, o humor e as batidas do coração do receptor garante a interlocução. o compartilhamento do mesmo espaço é a forma real para a humanização do diálogo. o mundo digital, ao contrário do que se pensa, não permite a interlocução em tempo real. 34. No 3° parágrafo, autor cita escritor moçambicano Mia Couto. Essa estratégia objetiva a) Valorizar a literatura contemporânea, por meio desse escritor. b) Ser coerente com as pessoas que não gostam da Internet. c) Comprovar que a literatura e a Internet são incompatíveis. d) Induzir o leitor a aceitar o texto como verdadeiro. e) Corroborar as ideias explicitadas anteriormente. TEXTO 19 Leia texto de Carlos Ranulfo Melo para responder à(s) questão(ões) a seguir. Corrupção eleitoral As democracias contemporâneas são arranjos representativos. A representação foi a @portuguesparapasssar_ PORTUGUÊS 37TEXTO E GRAMÁTICA "solução encontrada" para um dilema. Tão logo firmado princípio da igualdade política entre os indivíduos, regimes políticos baseados na tradição, na origem de classe ou na condição de status perderam a legitimidade. Por outro lado, o tamanho das sociedades e a complexidade cada vez maior das questões em discussão demandando acesso a informações, disponibilidade de tempo e condições de negociação tornaram proibitiva a ideia de que todos participassem das decisões a serem coletivizadas. A escolha de um corpo de representantes em eleições livres, justas e periódicas e que incluam a todo o eleitorado adulto passou a ser algo que, sem esgotar a noção contemporânea de democracia, firmou-se como sua pedra angular. Ao se dirigirem às urnas os cidadãos reafirmam sua condição de igualdade perante um ato fundamental do Estado. Ao organizar as eleições e transformar os votos em postos executivos e/ou legislativos, o aparato institucional das democracias permite que, em maior ou menor grau, os mais diversos interesses, opiniões e valores sejam vocalizados no curso do processo decisório. Tal processo, no entanto, pode apresentar problemas que ameacem corromper o corpo político constituído, comprometendo sua legitimidade e diminuindo sua capacidade de oferecer à coletividade os resultados esperados. A corrupção eleitoral ou a reiterada incidência de fenômenos capazes de desvirtuar processo de constituição de um corpo de representantes sempre significou um problema para as democracias. A condição para que seu enfrentamento se tornasse possível foi a constituição de uma Justiça Eleitoral dotada de autonomia face aos poderes político e econômico, com recursos suficientes para organizar e poderes necessários para regulamentar processos eleitorais. Mas mesmo as democracias consolidadas não conseguiram impedir de forma cabal que determinados interesses pudessem, utilizando os recursos que tivessem à mão, obter vantagens diferenciadas em função de sua participação nas eleições. Corrupção, 2008. Adaptado. 35. No mundo contemporâneo, a representação política é a) o modo encontrado pelas democracias para, em sociedades grandes e com questões complexas, garantir a participação na vida pública de todo o eleitorado adulto. b) caminho encontrado pelas democracias para garantir aos cidadãos os direitos especiais baseados na tradição e na origem de classe de cada eleitor. c) um discurso que, em sua superfície, defende a inclusão de todos os cidadãos no processo político, mas que esconde interesse de perpetuar processos de corrupção no Estado. d) uma alternativa viável, mas difícil de implantar, aos processos de corrupção que ocupam o Estado e todo espaço público como se eles fossem propriedade privada. e) a maneira de eliminar a necessidade de uma Justiça Eleitoral, com poderes autônomos, que geraria a possibilidade de corrupção no Estado. TEXTO 20 Leia texto de Tales Ab"Sáber para responder à(s) questão(ões) a seguir. Há em Berlim uma casa que nunca fecha. Aquela noite que não termina jamais pode de fato começar a qualquer momento do dia, às sete da manhã ou ainda às dez. Lá todos os tempos se estendem e noite e dia se transformam em outra coisa. Naquela imensa boate que pretende expandir seu plano de existência, seu tempo infinito, sobre a vida e a cidade, construída em uma antiga fábrica uma antiga usina de energia nazista -, todo tipo de figura da noite se encontra, em uma festa fantástica alucinada que deseja não terminar jamais. À luz da vida ¹tecno avançada, as ideias tradicionais de dia e de noite se revelam mais frágeis, bem mais insólitas do que a vida cotidiana sob o regime da produção nos leva a crer. Para alguns, o mundo do dia se tornará definitivamente vazio e apenas a noite excitada e veloz vai concentrar em si valor do que é vivo. Naquela boate, como em muitas outras, tudo se encerra apenas quando o efeito prolongado e sistemático da droga se encerra. Como uma pausa para respirar, às vezes tendo passado muitos 38 PORTUGUÊS @portuguesparapasssar_TEXTO E GRAMÁTICA dias entre uma jornada de diversão e sua suspensão momentânea. Para muitos, apenas pelo tempo mínimo da reposição das forças até a próxima jornada, extenuante, sem fim, pela política imaginária da noite. E, ainda mais. Para outros tantos, o próprio efeito da droga sob a pulsação infinita da música eletrônica, experiência programática e enfeitiçada, não deveria se encerrar jamais: estes estariam destinados ao projeto de dissolução na pulsação sem eu da música tecno, seja a dissolução do espírito, em uma infantilização sem fim para os embates materiais da vida, seja a dissolução do corpo, ambos igualmente reais. De fato, após uma noite de vida tecno, é forte a experiência radical de vazio que se torna o espírito do dia. A energia foi imensamente gasta à noite. Foi devastada, tornando o dia vazio de objeto, porém vivo. Vivo no vazio, muito bem articulado à busca pelo excedente absoluto de mais tarde, à noite. A música do tempo infinito, 2012. Adaptado. estilo de música eletrônica. 36. "Para alguns, mundo do dia se tornará definitivamente vazio e apenas a noite excitada e veloz vai concentrar em si valor do que é vivo." (2° parágrafo) Considerado em seu contexto, o trecho sugere que a) as ruas perto da boate ficam vazias durante as noites porque todos estão dentro da casa. b) os conceitos de dia e de noite, ligados ao mundo natural, podem ser relativizados pelas construções humanas, como a boate. c) é possível distinguir dia e noite, mesmo num ambiente fechado como a boate. d) há frequentadores da boate que consideram que tudo o que é externo à casa não tem qualquer valor. e) algumas pessoas preferem entrar na boate apenas durante a noite, ainda que a casa fique aberta o tempo todo. 37. Segundo texto, uso de drogas na boate a) tem importância secundária, na medida em que as pessoas estão ali para viver a experiência proporcionada pela música. b) funciona como uma espécie de medida do tempo: o fim do efeito da droga no organismo determina, para alguns, o encerramento da experiência na boate. c) é uma expressão do que há de mais errado em nossa sociedade, assim como foi o nazismo, que ocupou em outra época as instalações da casa. d) ultrapassa os limites do razoável e poderia ser regrado a fim de que as pessoas não perdessem as noções de tempo e os limites da própria subjetividade. e) simboliza uma necessidade de nossa sociedade como um todo: é preciso falar de drogas sem hipocrisia. TEXTO 21 Leia o poema de Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa, para responder à(s) questão(ões) a seguir. As rosas amo dos jardins de Adônis, Essas amo, Lídia, rosas, Que em o dia em que nascem, Em esse dia morrem. A luz para elas é eterna, porque Nascem nascido já sol, e acabam Antes que Apolo deixe O seu curso visível. PORTUGUÊS 39TEXTO E GRAMÁTICA Assim façamos nossa vida um dia, Inscientes, Lídia, voluntariamente Que há noite antes e após pouco que duramos. guardador de rebanhos e outros poemas, 1997. ¹volucre: que tem vida curta. 38. A imagem da "rosa" a) simboliza toda a natureza, com a qual o eu lírico está envolvido e da qual ele depende para que sua vida seja satisfatória. b) representa a delicadeza e a beleza do amor que eu lírico sente, declara e tem a intenção de dividir com sua amada. c) apresenta a ideia da efemeridade da vida a fim de defender que cada dia deve ser aproveitado sem preocupações com o passado ou com o futuro. d) substitui inicialmente a imagem da mulher amada, Lídia, a fim de enaltecer sua beleza. e) colabora para definir uma perspectiva de mundo centrada no indivíduo, a flor, deixando a coletividade, jardim, em segundo plano. 39. No poema, está presente a seguinte característica do heterônimo Ricardo Reis: a) elogio da noite e das facetas noturnas do ser humano. b) valorização de relações interpessoais que criticam as normas da sociedade. c) tematização das relações amorosas em uma abordagem ultrarromântica. d) entendimento da vida como algo que ultrapassa a morte física. e) alusões positivas ao mundo clássico. TEXTO 22 Acreditei que se amasse de novo esqueceria outros Qual tarde de maio. pelo menos três ou quatro rostos que amei Como um trunfo escondido na Num delírio de arquivística manga carrego comigo tua última organizei a memória em alfabetos carta cortada como quem conta carneiros e amansa uma cartada. no entanto flanco aberto não esqueço Não, amor, isto não é literatura e amo em ti os outros rostos Ana Cristina Cesar, "Contagem regressiva" 40. A partir do texto acima, um fragmento do poema "Contagem regressiva", de Ana Cristina Cesar, assinale a alternativa correta. a) Eu lírico do poema, desiludido, defende que não devemos amar jamais. Não, amor, isto não é literatura (verso 14) é um verso que prova a incapacidade da poesia em dar conta das mágoas amorosas. b) Encontramos uma forte crítica ao artificialismo nas relações amorosas contemporâneas nos seguintes versos: pelo menos três ou quatro rostos que amei/Num delírio de arquivística (versos 03 e 04). c) As tentativas feitas pelo Eu Lírico em tentar esquecer amores passados se mostram infrutíferas, como atesta verso e amo em ti outros rostos (verso 08). d) Encontramos no poema uma idealização do Amor muito semelhante ao que pode ser encontrado em poemas do Romantismo. 40 PORTUGUÊS @portuguesparapasssar_TEXTO E GRAMÁTICA TEXTO 23 Ciência é uma das formas de busca de conhecimento desenvolvida pelo homem moderno. Sob seu ²inserem-se as mais diferentes realidades físicas, sociais e ³psíquicas, entre outras. A linguagem, manifestação presente em todos os momentos de nossas vidas e em todas as nossas atividades, podendo até ser tomada como definidora da própria natureza humana, passou a ser tratada ⁴sob a perspectiva ⁵dessa forma de conhecimento, seja, passou a ser objeto de investigação científica, a partir do início do século XX. Por ter um papel central na vida dos seres humanos, a linguagem tem como sua característica ⁷primordial ser Tal característica exige que, ao ⁹submeter-se ao tratamento científico, essa realidade multifacetada sofra cortes e tendo como consequência fato de que só pode ser entendida partir de diferentes perspectivas, gerando uma pluralidade de teorias que buscam e explicá-la. Esmeralda Vailati Negrão, "A cartografia em Novos caminhos da linguística. 41. Assinale a alternativa correta. a) texto encontra na exploração das possibilidades estéticas de uso da linguagem sua principal característica. b) Marcas de interação com leitor evidenciam que a função fática é a predominante no texto. c) A presença de índices de subjetividade, como o uso destacado da pessoa, indica que a função expressiva está em destaque no texto. d) A linguagem objetiva e direta é uma das características que possibilitam definir a função referencial como a predominante no texto. e) Como o texto trata de características da própria linguagem humana, pode-se afirmar que a função conativa é a predominante, dando prioridade a dados concretos e fatos. 42. Observe as afirmações. I. A linguagem humana nem sempre foi, ao longo da história, tratada de modo a considerá-la como um objeto científico. II. A linguagem humana pode ser compreendida por uma perspectiva científica, que efetua recortes de observação, geradores, por sua vez, de diferentes modos de observação e análise. III. A natureza humana é muito complexa, que exige que se façam abstrações científicas que implicam desconsiderar a linguagem como um elemento possível de observação e análise. Assinale a alternativa correta. As afirmações e estão corretas. As afirmações e III estão corretas. As afirmações e III estão corretas. Todas as afirmações estão corretas. Nenhuma das afirmações está correta. 43. Observe as afirmações. I. Pela existência de apenas uma teoria única e singular será possível compreender a natureza multifacetada da linguagem na vida dos seres humanos. II. A complexidade da linguagem humana demanda a necessidade de diferentes perspectivas científicas, que procurarão, cada uma a seu modo, explicar características diversas de uma realidade multifacetada. @portuguesparapasssar_ PORTUGUÊS 41TEXTO E GRAMÁTICA III.A natureza multifacetada da linguagem humana se deve ao fato de que existem diferentes recortes científicos e abstrações que procuram compreender as línguas e seus usos. Assinale a alternativa correta. a) Apenas a afirmação está correta. b) Apenas a afirmação está correta. c) Apenas a afirmação III está correta. d) Todas as afirmações estão corretas. e) Nenhuma das afirmações está correta. TEXTO 24 Leia o texto a seguir, retirado do Jornal do Cremesp (Edição 344). BIOÉTICA Divulgação de dados de pacientes A possível divulgação que chegou à imprensa sobre conteúdo de exames de paciente que teria, ainda, sido alvo de comentários ofensivos propagados via Whatsapp -, aguça uma questão que, de tempos em tempos, volta aos debates ético, bioético e deontológico: apesar de ser um dos pilares mais conhecidos da profissão, médicos sempre se preocupam com sigilo das informações obtidas de sua relação com o paciente? Seriam claros a eles e demais profissionais da Saúde princípios éticos como confidencialidade e privacidade do paciente, tão arraigados na área, mesmo quando envolvem pessoas públicas? Para José Marques Filho, coordenador da Câmara Técnica Interdisciplinar de Bioética do Cremesp, a obrigação milenar à confidencialidade embasa a relação médico-paciente. "Favorece não apenas o âmbito ético, o mais evidente, como o técnico: o paciente que não confiar no médico esconderá informações imprescindíveis a uma anamnese Isso se estende a familiares, que, ao procurar serviços, creem que o conteúdo de exames e detalhes relativos ao tratamento serão resguardados. Concordam com essa visão os bioeticistas Carlos Francisconi e José Roberto Goldim, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no livro Iniciação à Bioética, do Conselho Federal de Medicina (CFM). Segundo eles, um bom vínculo terapêutico se baseia na confiança. O assistido crê que seu médico "irá preservar tudo o que lhe for relatado, tanto que revela informações que outras pessoas, com as quais convive, sequer supõem existir". Daí se podem depreender os eventuais riscos e dissabores a que são submetidos os já vulnerabilizados pela doença, bem como seus entes queridos, quando suas particularidades de saúde são expostas em foros inadequados e de maneira frívola. Confiança Derivado do latim confidentia, entre seus significados, o termo confiança corresponde a "o que se acredita firmemente". Segundo a obra Bioethics Information Retrieval Project, do Kennedy Institute of Ethics, a confidencialidade pode ser entendida como "a garantia do resguardo das informações dadas em confiança e a proteção contra a sua revelação não no contexto sanitário. Já privacidade (do inglês, privacy) costuma ser interpretada como a limitação do acesso às informações de uma dada pessoa, bem como do acesso a ela própria e à sua intimidade. Isso, por vezes, se traduz no direito de alguém de manter-se afastado ou de permanecer só. Como resume Reinaldo Ayer de Oliveira, conselheiro do Cremesp e coordenador do Centro de Bioética do Conselho, há três planos em 42 PORTUGUÊSTEXTO E GRAMÁTICA torno das informações sanitárias que devem ser salvaguardadas: o primeiro é da confidencialidade, no qual o indivíduo decide partilhar algo com quem lhe interessa e convém por exemplo, seu médico assistente -; o da privacidade, pela qual a pessoa pode querer guardar sua história consigo mesma. Ambos culminam em um terceiro plano relativo à profissão médica: o compromisso do sigilo, preservado por quase 25 séculos, e consagrado pelo Juramento de Hipócrates, ao estabelecer que "aquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente Liberdade de expressão? Longe de simplificar o debate relativo à quebra de sigilo profissional à simples "liberdade de expressão" dos que divulgam informações sigilosas ou apenas as replicam "inocentemente" -, como salienta Ayer, a discussão envolve algo ainda pouco regulamentado, ou seja, a divulgação de assuntos médicos via smartphones. Entre as exceções, figura o Alerta do Cremesp, publicado em setembro de 2016 br/?siteAcao=NoticiasC&id=4220), sobre uso do WhatsApp ou aplicativos similares pelos médicos: "quando for responder aos seus pacientes por WhatsApp ou aplicativos similares, façam-no, desde que conheçam o seu quadro clínico atual, com o intuito apenas de orientá-los, com observância ao Código de Ética Médica, particularmente com respeito ao sigilo profissional, não expondo em grupos". Nota pública do Cremesp Em Nota Pública sobre caso pontual que originou sindicância voltada a eventual divulgação indevida, por médicos, de exames de pessoa pública br/?siteAcao= NoticiasC&id=4390) que está sendo promovida com a cautela habitual na Casa -, o Cremesp salienta, entre outros pontos, que "compromisso e a ética ante a saúde de cada um dos cidadãos colocam-se, sem distinções de qualquer natureza, sempre acima de interesses que não sejam fiéis à dignidade inviolável da pessoa doente junto aos seus entes queridos". Por conseguinte, lamenta "a divulgação de qualquer exame, dado privativo e ofensas feitas a doentes em redes sociais". Normas legais e deontológicas Sigilo, confidencialidade e privacidade são garantidos por diretrizes brasileiras, em âmbitos: Constitucional; Civil; Penal; e pelo Código de Ética Médica. Em resumo, determinam: Serem invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas; A proibição (a qualquer cidadão) de divulgar, sem justa causa, informações sigilosas ou reservadas ou conteúdo de documento particular e/ou segredo, de que tem ciência em razão (...) de ofício ou profissão, se produzir dano a outrem; A proibição (ao médico) de revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua profissão, salvo por motivo justo, dever legal ou consentimento, por escrito, do paciente. Permanece a proibição: mesmo que fato seja de conhecimento público ou o paciente tenha falecido (...). Disponível em: Imagem: nesta-terca-feira(13-04-2010). 44. De acordo com texto, sigilo profissional deve ser respeitado a) sem ressalvas, pois atendimento a pacientes não deve ser realizado por meio de troca de @portuguesparapasssar_ PORTUGUÊS 43TEXTO E GRAMÁTICA mensagens por aplicativos de celular. b) com regulamentação, uma vez que o preparo requerido para o médico implica saber manejar tecnicamente aplicativos do tipo WhatsApp. c) com exceções, desde que se restrinja a respostas a pacientes via aplicativos de smartphone. d) sem reservas, por causa da liberdade de expressão que deve prevalecer de acordo com o que reza a Constituição. 45. As informações em relação à saúde a serem preservadas organizam-se em três planos: a) constituem-se na confidencialidade, entendida como a forma de o médico e paciente contarem com a discrição de ambos; na partilha consensual, a partir da qual só são divulgadas informações aprovadas pelo paciente; no direito de médico e pacientes romperem o sigilo independentemente da causa. b) são a confidencialidade, que se refere ao sujeito partilhar alguma coisa se for de seu interesse e conveniência; a privacidade, que preserva ao indivíduo o direito de não divulgar a ninguém o que quer que seja de sua vida; o compromisso atinente ao sigilo. c) dizem respeito ao exercício da profissão de forma discreta em relação ao convívio com a sociedade de um modo geral; à privacidade, por meio da qual sujeito se dá o direito de preservar sua história consigo mesmo; ao juramento de Hipócrates, que impõe o compromisso de uma relação para além das duas partes envolvidas. d) dão margem a assumir que profissional não passa adiante o que lhe é confiado em hipótese alguma; a rechaçar a privacidade para preservar a liberdade de expressão; a salvaguardar as informações sanitárias, registrando-as apenas em prontuários. 46. Com emprego de elementos coesivos, sublinhados no próprio texto, dá-se a interconexão entre ideias. Indique qual alternativa contempla a relação de sentido que eles estabelecem, de acordo com a ordem em que aparecem. a) Inclusão, decorrência, prioridade e consequência. b) Concomitância, consequência, primazia e oposição. c) Concessão, explicação, lugar e contradição. d) Comparação, oposição, concessão e explicação. 47. Os travessões empregados no primeiro parágrafo da subparte intitulada "Liberdade de expressão" têm a função de a) abrandar teor equivocado sobre o que se discute nas redes sociais em relação a assuntos entre profissionais da saúde. b) enaltecer ironia diante da pretensa inocência daqueles que redirecionam mensagens referentes a assuntos médicos sigilosos. c)conduzir leitor a acreditar na inocência dos que repassam pelas redes sociais mensagens de teor sigiloso. d) destacar que assuntos médicos ainda merecem ser divulgados a despeito do sigilo requerido. 48. Em várias passagens do texto, o autor usa perguntas retóricas, que, por se tratarem de a) estratégia discursiva, constroem-se ornamentadas com figuras de linguagem para tornar discurso mais dinâmico, de modo a impor resposta imediata do interlocutor. b) procedimento argumentativo, têm como efeito de sentido criar interesse no leitor e levá-lo a refletir sobre assuntos contemplados, dispensando a obtenção de resposta. c) recurso estratégico, desencadeiam reflexão sobre assuntos que não são questionados, com intenção de estimular o leitor a ponderar sobre a melhor resposta ao jornal. d) recurso estilístico, contam com uma resposta retórica dos leitores, isto é, que eles se dirijam ao jornal formalmente, manifestando opinião sobre cada um dos assuntos contemplados. 44 PORTUGUÊS @portuguesparapasssar_TEXTO E GRAMÁTICA TEXTO 25 Leia o texto a seguir para responder à(s) questão(ões). acesso Educação é ponto de partida Mozart Neves A Educação tem resultados profundos e abrangentes no desenvolvimento de uma sociedade: contribui para o crescimento econômico do país, para a promoção da igualdade e bem-estar social, e também tem impactos decisivos na vida de cada um. Um deles, por exemplo, é na própria renda do trabalhador. Uma análise feita alguns anos pelo economista Marcelo Neri mostrou que, a cada ano a mais de estudo, o brasileiro ganha 15% a mais de salário. Além disso, estudo também mostrou que quem completou o Ensino Fundamental tem 35% a mais de chances de ocupação que um analfabeto. Esse número sobe para 122% na comparação com alguém que tenha o Ensino Médio e 387% com Ensino Superior. Diante disso, o direito do acesso Educação é o ponto de partida na formação de uma pessoa e, consequentemente, no desenvolvimento e prosperidade de uma nação. obstante os avanços alcançados pelo Brasil nas duas últimas décadas⁴, ⁵ainda ⁷importantes desafios a superarmos no que tange esse direito. Se ⁸por um lado conseguimos universalizar atendimento escolar no Ensino Fundamental, temos por outro lado, 2,8 milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos fora da escola. Isso corresponde um país do tamanho do Uruguai. O desafio, em termos de acesso, é a universalização da Pré-Escola (crianças de 4 e 5 anos) e do Ensino Médio (jovens de 15 a 17 anos). Há outro desafio em jogo¹⁰: o de como motivar 5,3 milhões de jovens de 18 a 25 anos que nem estudam e nem trabalham, a chamada nem-nem", para trazê-¹²los de volta escola e, posteriormente, no mundo do trabalho. Isso é essencial para um país que passa por um bônus demográfico que se completará, os especialistas, em 2025. país, para seu crescimento econômico e sua sustentabilidade, não poderá abrir mão de nenhum de seus jovens. No Ensino Superior, o não é menor. O Brasil tem apenas 17% de jovens de 18 a 24 anos matriculados nesse nível de ensino. Em conformidade com o Plano Nacional de Educação (PNE), o país precisará dobrar esse percentual nos próximos dez anos, ou seja, chegar 33%. Para se ter uma ideia da complexidade dessa meta, esse era o percentual previsto no PNE que se concluiu em 2010. Isso exige sem que haja perda de qualidade com essa expansão que a educação básica melhore significativamente, tanto em acesso como em qualidade, tomando como referência os atuais índices de aprendizagem escolar. O acesso Educação é, ainda um desafio e, caso seja efetivado com qualidade, poderá contribuir decisivamente para que país o enorme hiato que separa o seu desenvolvimento econômico, medido pelo seu Produto Interno Bruto PIB (o Brasil é 7° PIB mundial) e seu desenvolvimento social, medido pelo seu Índice de Desenvolvimento Humano IDH (o Brasil ocupa a posição no ranking mundial). Somente quando país alinhar índices nas melhores posições do ranking mundial, teremos de fato um Brasil com menos desigualdade e menos pobreza. Para que isso aconteça, não se conhece nada melhor do que a Educação. Disponível em: em: 20 mar. 2017) 49. Analise as afirmativas a seguir. I. A educação é investimento que poderá conduzir Brasil à desejada equiparação entre PIB e o IDH, resultando numa possível melhoria na classificação do país no ranking mundial. II. Crianças e jovens com bons índices de aprendizagem escolar podem resultar em benefícios individuais, como a melhoria da qualidade de vida, e sociais, como a diminuição da desigualdade social. III. O objetivo central do texto é ressaltar a importância do estudo para a formação de uma pessoa @portuguesparapasssar_ PORTUGUÊS 45TEXTO E GRAMÁTICA e para a composição da renda do trabalhador, implicando salários mais vantajosos. Estão corretas as afirmativas a) e II, apenas. a) e III, apenas. b) e III, apenas. c) I, e III. 50. Levando-se em consideração as informações explícitas e as implícitas no texto, o advérbio ainda (referências 5 e 9) pressupõe, respectivamente, que a) desafios em relação ao direito do acesso à educação brevemente serão solucionados pelo governo e as crianças e os jovens de 4 a 17 anos deveriam estar contemplados pelo atendimento escolar. b) os desafios em relação ao direito do acesso à educação já deveriam ter sido superados e a universalização do atendimento escolar deveria se estender a crianças e jovens de 4 a 17 anos. c) o Brasil não alcançou avanços no que diz respeito ao direito do acesso à educação nem à sua universalização, sendo que crianças e jovens estão fora das salas de aula, seja na Educação Infantil ou no ensino médio. d) os desafios do país em relação ao direito do acesso à educação não foram superados no ensino fundamental e também não houve universalização do acesso à educação infantil nem ao ensino médio. Gabarito / Textos / PROVAS ANTERIORES: TEXTO 01 Resposta da questão 1: [D] No último parágrafo, autor coloca que a literatura é para todos, sobretudo para os corajosos. Isso, no entanto, não equivale a dizer que a literatura atinge a todos. Pelo contrário, o que o autor argumenta é que nos dias de hoje são poucos que "sabem" ler literatura e, assim, ela atinge poucos, promovendo condições de autoconhecimento. Resposta da questão 2: [B] Para o autor, a literatura pode parecer, à primeira vista, inútil, sendo apenas um objeto de entretenimento para alguns, ou objeto de estudo para outros. No entanto, na realidade, a literatura guarda um grande poder, permitindo ao indivíduo uma jornada de autoconhecimento. TEXTO 02 Resposta da questão 3:[D] Está incorreta a afirmação [IV]: a forma da fonte empregada no final do poema reforça a carga erótica do início, uma vez que transmite a ideia de movimento. TEXTO 03 e 04 Resposta da questão 4: [A] Na tirinha, Mafalda reclama que todas as histórias que lê são iguais. Assim, é possível relacionar sua crítica ao que Bauman diz sobre a literatura: ela se tornou mais um produto do mercado, sendo produzida visando apenas ao lucro numa sociedade de consumidores (são produzidas histórias literárias que seguem um mesmo modelo). 46 PORTUGUÊS @portuguesparapasssar_TEXTO E GRAMÁTICA Resposta da questão 5: [C] Em nenhum momento, Bauman diz que hoje em dia (com o advento da internet) sempre há uma conexão fácil e eficiente entre as redes sociais. Pelo contrário, ele já inicia a entrevista apontando para as desconexões também presentes: "Redes, você sabe, são interligadas, mas também estão descosturadas e remendadas por meio de conexões e desconexões". TEXTO 05 Resposta da questão 6: [C] Ao utilizar essa expressão a autora reforça a ideia de que esse tipo de literatura é ino fensiva e obediente, uma vez que um "genro que a mamãe pediu a Deus" é justamente uma pessoa que é obediente e atende a todas as expectativas da mãe, sem contrariá-la. Resposta da questão 7: [C] A autora defende a ideia de que a literatura verdadeira é aquela que promove questões, reflexões e faz com que o indivíduo saia da sua zona de conforto e se depare com problemas sociais e situações essenciais de vida. Nas suas palavras: "Porque, em minha opinião, a literatura que não lhe sacode; que não lhe tira do lugar onde você confortavelmente está; que não lhe faz repensar; que não desconstrói e bagunça; 4que não coloca o dedo na ferida e chafurda; é uma literatura inofensiva logo, irrelevante". TEXTO 06 Resposta da questão 8: [A] Na tirinha, tanto a linguagem ve rbal quanto a não verbal são fundamentais para a construção do sentido do texto. Assim, não basta ter somente as falas de Mafalda (linguagem verbal), é preciso mostrar sua expressão e reação (sobretudo sua expressão de ódio e indignação) para a plena construção do sentido do texto. TEXTO 07 Resposta da questão 9: [B] No quinto parágrafo, a autora explica que a condição humana da natalidade é a que permite desenvolvimento de relações entre o indivíduo e sua capacidade de agir, de iniciar algo, de trazer novidade ao mundo: "das três atividades, a ação é a mais intimamente relacionada com a condição humana da natalidade; novo começo inerente a cada nascimento pode fazer-se sentir no mundo somente porque recém-chegado possui a capacidade de iniciar algo novo, isto é, de agir." Assim, é correta a opção [B]. Resposta da questão 10: [E] É correta a opção [E], pois pronome oblíquo "os" está ligado, anaforicamente, às palavras macho e fêmea. Resposta da questão 11: [A] As assertivas [II] e [III] são falsas, pois: [II] a autora não associa futilidade a efemeridade da vida; [III] a ideia de que "artefato humano traz sentido e solução a quaisquer dificuldades que homens possam enfrentar em sua existência" não está presente no texto. Como é verdadeira, é correta a opção [A]. Resposta da questão 12: [E] Nem pronomes relativos das frases transcritas em [A] e [D], nem os possessivos em [B] e [D] PORTUGUÊS 47TEXTO E GRAMÁTICA constituem recursos coesivos sequenciais. Apenas em [E], a locução conjuntiva "não obstante", que faz parte das conjunções com valor adversativo ou concessivo com o mesmo sentido de "mas", "porém", "todavia", "entretanto", estabelece situação de oposição a outra ideia apresentada anteriormente, promovendo, assim, progressão argumentativa. Resposta da questão 13: [C] A opção [C] apresenta uma ideia que não condiz com o significado atribuído pelo autor à expressão "atividade política". Segundo Hannah Arendt, três atividades fundamentais, labor, trabalho e ação, são inerentes à condição humana. No entanto, fato de Homem, sendo singular e plural ao mesmo tempo, estar condicionado ao contexto em que tem de sobreviver é levado a conceber uma estratégia de ação e adoção de normas de comportamento que caracterizam que a autora denomina "pensamento político". Resposta da questão 14: [D] No trecho presente na alternativa [D], pode-se constatar de maneira mais explícita a noção de carpe diem. Isso fica evidente no convite ao amor e à bebida ou seja, para aproveitar tudo que é positivo -, uma vez que tudo é passageiro. TEXTO 08 Resposta da questão 15: [C] Correta. Nostalgicamente, a "pobre velha música" que o sujeito-lírico escuta o faz pensar na infância, apesar de não ter certeza de ter escutado a canção naquele período: Não sei se te ouvi / Nessa minha infância / Que me lembra em ti". [II] Correta. Ao ler os dois últimos versos, pronome pessoal do caso oblíquo "o" retoma a oração expressa anteriormente ("E eu era feliz?"). [III] Incorreta. Não há luta contra a poesia moderna, uma vez que o poeta opta por versos brancos, um dos pilares do Modernismo. TEXTO 09 Resposta da questão 16: [A] [A] Correto. Ao fazer uma série de questionamentos a José, sujeitolírico levanta temas filosóficos, marcados pela falta de perspectiva ("E agora, José?"). [B] Incorreto. sujeito-lírico apresenta uma série de impasses, sem horizonte de resolução, principalmente por encerrar poema questionando "você marcha, José! / José, para onde?". [C] Incorreto. As repetições enfatizam a falta de solução para problema existencial apresentado. [D] Incorreto. José não responde às colocações do sujeitolírico, portanto não há como saber se José sabe aonde vai. [E] Incorreto. O sujeitolírico não se apresenta indignado, mas também desconhecedor da resolução dos impasses apresentados. TEXTO 10 Resposta da questão 17: [D] Parnasianismo era caracterizado por uma métrica bastante rígida, em versos alexandrinos. Além disso, seus poemas costumavam ter a chamada "chave", isto é, um último verso que fosse grandioso e produzisse um efeito no leitor. No caso do poema de Drummond, vemos que ele segue a métrica de versos alexandrinos e é encerrado com a intertextualidade com um de seus poemas mais famosos "No meio do caminho". Há, portanto, uma chave de ouro que reforça o pessimismo característico de seus textos. 48 PORTUGUÊS @portuguesparapasssar_TEXTO E GRAMÁTICA TEXTO 11 Resposta da questão 18: [C] Apenas a alternativa [C] é incorreta. No primeiro terceto ("N"água e na pedra amor deixa gravados / seus hieróglifos e mensagens, suas / verdades mais secretas e mais nuas"), o eu lírico sugere que o amor não se manifesta de forma clara, uma vez que emprega hieróglifos; além disso, deixa sua marca também em elementos concretos, como a pedra. TEXTO 12 Resposta da questão 19: [B] texto tem um tom bastante pessimista, exaltando sentimento de dor, sofrimento e tristeza como algo do qu al é impossível escapar. Assim, o mundo é um lugar em que a dor habita e, dessa forma, as pessoas devem se resignar e aceitar o sofrimento. TEXTO 13 Resposta da questão 20: [A] [B] Incorreta: "Isso" retoma o fato de que a cultura ocidental (predominante no Brasi I) obriga brasileiros a digerir a cultura europeia. [C] Incorreta: "os" retoma "negros e negras". [D] Incorreta: "primeiros" se relacionam a negros e "segundos" a brancos. [E] Incorreta: "tal problemática" refere-se ao debate da apropriação cultural pensando no uso da cultura africana e afro-brasileira por empresas sem a presença e um retorno aos protagonistas. Resposta da questão 21: [A] Logo no primeiro parágrafo autor coloca que enxerga no debate de apropriação cultural uma falta de fundamentação em questões mais amplas como o racismo e capitalismo. Assim, defende que para um debate realmente coerente, é preciso levar em conta esses dois aspectos, que estão na base da articulação da apropriação. Resposta da questão 22: [C] [IV] Incorreta: na ve rdade, texto coloca que que está no cerne da questão de brancos poderem usar livremente mercadorias da cultura africana é a apropriação que as empresas fazem desses elementos de forma a excluir seus protagonistas. [V] Incorreta: o texto coloca que quando usam turbantes ou elementos de culturas diversas Os primeiros [negros] são logo tachados de macumbeiros e os segundos [brancos], na moda, estilo e tendência étnica". TEXTO 14 Resposta da questão 23: [E] texto busca informar ao leitor de onde vem a expressão "Será Benedito?", expondo os acontecimentos que contextualizam uso dessa expressão. Dessa forma, trata-se de um texto informativo. TEXTO 15 Resposta da questão 24: [A] texto trata de uma situação cotidiana e é estruturado, principalmente, em torno de diálogos. Assim, a preocupação com a rigidez da norma culta fica um pouco de lado e autor dá preferência ao uso de uma linguagem mais informal e próxima da oralidade, sendo coerente com a situação de @portuguesparapasssar_ PORTUGUÊS 49TEXTO E GRAMÁTICA diálogo. Resposta da questão 25: [C] Ao contextualizarmos o trecho, vemos que o taxista elogia aquilo que outro falou, aprovando sua ideia. Dessa forma, percebe-se que o termo "distinto" tem significado de "inteligente". Resposta da questão 26: [B] Trata-se de uma crônica que busca relatar uma situação cotidiana envolvendo quem narra e um taxista. Para isso, vale-se de uma narrativa com diálogos e segmentos estruturados em turnos de fala. TEXTO 16 Resposta da questão 27: [C] [A] Incorreta. A autora não é porta-voz da rede Globo, e sim ombudsman do jornal Folha de S.Paulo cuja função prevê a crítica a ações tomadas pela empresa em que trabalha. [B] Incorreta. A autora cobrou posicionamento do jornal por haver retirado do ar um post do blog citado. [C] Correta. A afirmação resume e parafraseia texto apresentado, como se verifica em Cobrei do jornal, na crítica interna que circula em torno das 12h30, a obrigação de prestar satisfação ao leitor". [D] Incorreta. O jornal não defende o ator, inclusive pelo título escolhido pela autora. TEXTO 17 Resposta da questão 28: [D] Incorreta: "sua" retoma "o trabalho escravo". [V] Incorreta: "desse" se refere ao trabalho escravo. Resposta da questão 29: [A] A reportagem apresenta trabalho escravo como uma realidade ainda existente no Brasil contemporâneo. Vale-se de várias informações para caracterizálo, apontando para a ideia de que é um crime a ser erradicado no país. Apesar da reportagem promover essa ideia, ela não o faz de maneira enfática através do posicionamento dos autores. A crítica é revelada por meio das informações trazidas sobre a situação. Resposta da questão 30: [C] texto traz uma série de informações sobre a escravidão contemporânea no Brasil, apresentando profundidade na discussão do tema. Caracteriza-se, assim, como uma reportagem. TEXTO 18 Resposta da questão 31: [B] Em [B], a palavra destacada está sendo usada no sentido de "captura", "absorção" e não de "aflição". Resposta da questão 32: [B] [A] Incorreta: a troca de papéis à qual o cronista se refere é proporcionada pelo telefone e não pelo WhatsApp. [C] Incorreta: autor não fala de um abandono completo dos bate-papos intimistas com amigos, mas sim de que isso se torna menos habitual. [D] Incorreta: a ideia central do texto é a falta de conversa entre as pessoas nos dias de hoje, o que, segundo 0 autor, é ocasionado sobretudo pelo uso excessivo das tecnologias e redes sociais. [E] Incorreta: os parágrafos não se contrapõem. No 6° o autor apresenta de qual tipo de conversa 50 PORTUGUÊS @portuguesparapasssar_