Logo Passei Direto
Buscar

PLURALIDADE E DIVERSIDADE AULA 5

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Videoaula de Encerramento
Videoaula de Encerramento
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá
aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos
assisti-la? Bons estudos!
Ponto de Chegada
Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é refletir a
respeito das relações étnico-raciais e a pluralidade da sociedade brasileira
Disciplina
SOCIEDADE BRASILEIRA E
CIDADANIA
quanto a questões identitárias no século XXI, seus valores culturais e modos de
organização da vida coletiva, você deverá compreender primeiramente
conceitos e debates contemporâneos fundamentais.
Poucos tópicos de nosso estudo da sociedade brasileira e cidadania tendem a
apresentar discussões mais sensíveis do que os temas desta unidade: a
pluralidade e a diversidade em pleno século XXI. Isso porque, via de regra, lidar
com realidades, dinâmicas ou problemas estranhos a nosso cotidiano –
processos incontornáveis quando tratamos das mais variadas formas de
pluralidade no Brasil contemporâneo – requer o esforço mental de imaginar
situações possivelmente desconhecidas e de forçar o exercício da alteridade,
isto é, de reconhecer a existência do outro e respeitar suas características e sua
forma de vida, em um processo que pode ampliar nossa tolerância ou, em
sentido inverso, elevar nosso desconforto ao sairmos de nossos espaços
tradicionais.
Se é verdade que os avanços tecnológicos mais recentes podem expandir
padrões de vida ao redor do globo com maior facilidade, as reações naturais a
essa uniformização tendem a ressaltar diferenças, que também serão
divulgadas com mais profusão nos meios tecnológicos. Os processos de
padronização e diferenciação encontram-se, curiosamente, intensificados nos
dois sentidos.
Diante desse quadro, se queremos compreender alguns dos elementos
fundamentais para uma abordagem crítica dos dilemas éticos e políticos atuais,
com o objetivo de fortalecer nossa participação cidadã na sociedade brasileira
contemporânea, devemos refletir a respeito de questões importantes, como a
relação entre a democracia e a pluralidade, levando em conta toda uma série de
conceitos específicos desses campos de estudo. Também, para assegurar o
aspecto crítico e humanista de nossa formação, precisamos nos atualizar em
relação às novas formas de afirmação das identidades contemporâneas;
Disciplina
SOCIEDADE BRASILEIRA E
CIDADANIA
abordando, igualmente, a retomada de movimentos tradicionalistas e avessos a
essas novidades.
Você provavelmente já ouviu alguém dizer – inclusive nesta disciplina – que
muitas das ideias que temos hoje foram criadas ou influenciadas pelos
movimentos liberais e pelo pensamento iluminista, não é mesmo? E quando
pensamos nos indivíduos que realizaram essas contribuições, nos lembramos
de Voltaire, Kant, Rousseau, Adam Smith – todos homens. Fica a pergunta: as
mulheres não influenciaram esses movimentos? Não houve mulheres
intelectuais e engajadas nesses processos? Absolutamente havia. Apesar de a
sociedade ocidental moderna ter se desenvolvido a partir de uma perspectiva
androcêntrica, isto é, que coloca o homem como medida de todas as coisas, as
mulheres sempre estiveram presentes, ocuparam e concretizaram todos os
diferentes movimentos de participação social.
Contudo, a tendência de não nos lembrarmos de figuras femininas nesses
processos históricos é apenas mais um exemplo de como existem relações de
poder que influenciam o modo como apreendemos e reproduzimos o mundo,
reduzindo, nesse caso, a importância histórica das mulheres para a construção
de nossa sociedade.
Podemos exemplificar e reconhecer a importante atuação de Marie Gouze
(1748–1793) em meio às lutas travadas na Revolução Francesa. Adotando o
nome de Olympe de Gouges para divulgar seus escritos, essa dramaturga e
ativista política – considerada por muitos a primeira feminista francesa – foi
uma forte defensora da expansão dos direitos civis e políticos, da abolição da
escravidão e da emancipação da mulher – esta última ideia, sobretudo,
contribuiu para sua condenação à morte, declarada como “mulher
desnaturada” e guilhotinada em 1793.
Autora da Declaração de Direitos da Mulher e da Cidadã (1791), Olympe de
Gouges afirma, no preâmbulo desse documento, que:
Disciplina
SOCIEDADE BRASILEIRA E
CIDADANIA
Mães, filhas, irmãs, mulheres representantes da nação reivin dicam constituir-se
em uma assembleia nacional. Considerando que a ignorância, o menosprezo e a
ofensa aos direitos da mulher são as únicas causas das desgraças públicas e da
corrupção no governo, resolvem expor em uma declaração solene os direitos
naturais, inalienáveis e sagrados da mulher. Assim, que esta declaração possa
lembrar sempre, a todos os membros do corpo social seus direitos e seus
deveres; que, para gozar de confiança, ao ser comparado com o fim de toda e
qualquer instituição política, os atos de poder de homens e de mulheres devem
ser inteiramente respeitados; e, que, para serem fundamentadas, doravante, em
princípios simples e incontestáveis, as reivindica ções das cidadãs devem sempre
respeitar a constituição, os bons costumes e o bem-estar geral.
Suas ideias progressistas e sua ousadia em desafiar as normas da sociedade
contribuíram para que fosse vista como uma figura controversa durante a
Revolução Francesa. Infelizmente, sua atividade política levou-a a ser
perseguida e, em 1793, Olympe de Gouges foi condenada à guilhotina durante
o período mais radical da Revolução, conhecido como o Reinado do Terror. Seu
legado, no entanto, vive por meio de suas escritas, que continuam a ser
estudadas e lembradas como contribuições importantes para o movimento
pelos direitos das mulheres e para a história da Revolução Francesa.
Diante desse e outros tantos exemplos que nos convidam à revisão dos
princípios que orientam nosso olhar, discursos e condutas, devemos nos
perguntar se vivemos em um mundo mais receptivo ou mais fechado às
mudanças, às diferenças, do que em tempos passados. Vejamos como o líder
indígena Ailton Krenak se posiciona frente à diversidade humana:
Disciplina
SOCIEDADE BRASILEIRA E
CIDADANIA
Definitivamente não somos iguais, e é maravilhoso saber que cada um de nós
que está aqui é diferente do outro, como constelações. O fato de podermos
compartilhar esse espaço, de estarmos juntos viajando não significa que somos
iguais; significa exatamente que somos capazes de atrair uns aos outros pelas
nossas diferenças, que deveriam guiar o nosso roteiro de vida. Ter diversidade,
não isso de uma humanidade com o mesmo protocolo. Porque isso até agora foi
só uma maneira de homogeneizar e tirar nossa alegria de estar vivos (Krenak,
2019).
Nessa postura, Krenak (2019) chama atenção para o modo como podermos
aprender a conviver e a crescer, respeitando, coexistindo, com a pluralidade de
possibilidades de existências dos seres humanos, capazes de estabelecer suas
preferências de forma autônoma.
A pluralidade é um conceito que se refere à diversidade, multiplicidade e
coexistência de elementos diferentes em um determinado contexto. Seja no
âmbito social, cultural, político ou biológico, a pluralidade reconhece e valoriza a
existência de diversas perspectivas, identidades, opiniões e formas de vida. Essa
condição de diversidade pode enriquecer uma sociedade ou sistema,
promovendo a inclusão, o respeito às diferenças e a busca por equidade.
Podemos ilustrá-la trabalhando as questões de gênero, raça e etnia, religião,
local de origem, dentre tantos outros marcadores sociais de diferença (Silva;
Silva, 2018).
Além disso, a pluralidade está intimamente ligada à tolerância e à compreensão
mútua, promovendo o diálogo e a aceitação das diferenças como elementos
enriquecedores para o desenvolvimento coletivo, em consonância ao respeito
ao ecossistema, já que falar em proteção ao meio ambiente é incluir a fauna, e
Disciplina
SOCIEDADE BRASILEIRA E
CIDADANIA
contempla, ao mesmo tempo, os povos tradicionais e seus modos de
organização da vidacoletivamente.
Igualmente, a reflexão a respeito do meio ambiente aborda a interação
complexa entre os seres vivos e os componentes físicos do planeta,
examinando os impactos das atividades humanas nesse equilíbrio. Envolve a
compreensão de ecossistemas, biodiversidade, mudanças climáticas e a
influência das ações humanas na saúde e sustentabilidade do ambiente. Este
estudo busca promover a conscientização acerca da importância da
conservação, adoção de práticas sustentáveis e políticas que visem à
preservação ambiental para as gerações presentes e futuras.
A interconexão entre as atividades humanas e a saúde do meio ambiente
destaca a necessidade de ações coletivas e responsabilidade global para
garantir um futuro sustentável para o planeta. Em um mundo cada vez mais
interconectado, a compreensão e a valorização ambiental e da pluralidade
tornam-se fundamentais para a construção de sociedades mais justas,
sustentáveis e equitativas.
Devemos sempre prestar uma atenção especial para questionarmos se existem
relações de hierarquia que restringem a pluralidade inerente à espécie humana,
transformando nossas diferenças em desigualdades, hierarquizando pessoas e
espécies. Se desejamos promover a diversidade e a pluralidade como alicerces
de nossos regimes políticos e das dinâmicas sociais em nosso país e no mundo,
é necessário admitir e fortalecer o valor de movimentos inovadores e a revisão
de nossos princípios para ideais mais críticos e emancipatórios. 
É Hora de Praticar!
É
Disciplina
SOCIEDADE BRASILEIRA E
CIDADANIA
É Hora de Praticar!
Refletir a respeito do meio ambiente e dos desafios que a humanidade enfrenta
para preservá-lo no século XXI é uma preocupação que deve pautar nossa
conduta profissional e nosso exercício da cidadania.
Propomos a seguir um estudo de caso para sensibilizá-lo a essa postura. Leia os
trechos da reportagem realizada um ano após o crime ambiental em Mariana:
Ao revisitar as ruínas do distrito de Bento Rodrigues, a agricultora Marinalva dos
Santos Salgado, conseguia explicar o que era cada cantinho do vilarejo,
devastado pela avalanche de rejeitos. Mesmo doído, o retorno ameniza a
saudade e, porque as lembranças revividas ali a aproximam de tudo que lhe faz
falta: dos amigos que se foram, dos vizinhos que não estão por perto, de sua
casa e da carta que seu marido havia escrito com declarações de amor e
registros de 22 anos de casamento. Ele morreu cinco anos antes da destruição
Disciplina
SOCIEDADE BRASILEIRA E
CIDADANIA
de Bento, e Marinalva não teve tempo de pegar nenhuma recordação de seu
companheiro naquele 5 de novembro.
“Casa eu consigo de volta, mas isso não consigo mais. Ele escreveu na agenda
muitas coisas sobre a vida da gente, me agradecendo pelo que a gente viveu
junto, os maus momentos, os bons momentos, me declarando amor na hora da
morte. Até a camisa que ele morreu com ela, que nunca havia sido lavada, se foi
com a lama. Isso daí era o meu bem mais precioso”, revela. […]
Os números da tragédia são todos de grandes proporções: 256 feridos, 300
desabrigados, 424 mil pessoas sem água. Exceto um deles, o de condenados ou
presos até agora, que é zero. Um ano depois, 22 pessoas são denunciadas,
sendo 21 por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar.
As lembranças ainda são latentes, como se o dia 5 de novembro de 2015
realmente nunca tivesse acabado. Bento Rodrigues virou ruína e permanece
afundado em lama, o rio Doce parece marcado para sempre por uma mancha
escura de impurezas e tristeza (Ferreira, [s. d.], [s. p.]).
Diante do sofrimento vivido pelos moradores de Bento Rodrigues no relato
apresentado, e da repetição do desastre no início de 2019, dessa vez em
Brumadinho, podemos questionar:
Além dos danos causados ao meio ambiente, quais são os impactos sobre
as vidas das pessoas?
 Como equacionar os interesses privados de uma grande empresa
mineradora e o interesse público, o bem comum?
Qual deveria ser o papel do Estado diante desse conflito?
Reflita
Disciplina
SOCIEDADE BRASILEIRA E
CIDADANIA
O transcorrer do tempo traz consigo, automaticamente, mais liberdade e uma
maior aceitação das diferenças, ou essa pluralidade pode ser reduzida
conforme os dias passam, exigindo um esforço específico para sua
manutenção? Além disso, essa diversidade seria boa ou ruim para a formação
das sociedades? Será que alguns problemas já longínquos da espécie humana –
racismo, machismo, nacionalismos – foram solucionados ou, pelo contrário,
acentuados?
Sejam quais forem as respostas para tais questionamentos, a busca para defini-
los exige, certamente, reflexões e questionamentos fundamentais para nos
situarmos de modo consciente na sociedade em que vivemos. 
Resolução do Estudo de Caso
Os crimes ambientais têm impactos significativos não apenas no meio
ambiente, mas também na sociedade como um todo. Alguns dos impactos
sociais desses crimes se estendem para o acometimento da saúde da
população; promoção do deslocamento forçado de comunidades; graves
prejuízos materiais e econômicos; aumento das desigualdades sociais; perda da
biodiversidade e dos recursos naturais; falta de qualidade de vida; e ainda uma
série de outras repercussões sociais e legais. Em suma, os crimes ambientais
têm ramificações profundas que afetam diretamente a vida das comunidades
impactadas. Combater esses crimes requer uma abordagem holística que leve
em consideração tanto os aspectos ambientais quanto os sociais.
Equilibrar os interesses de uma grande empresa e do bem comum pode ser
desafiador, mas é fundamental para promover o desenvolvimento sustentável e
a harmonia social. Dentre as estratégias que podem ajudar a alcançar esse
equilíbrio, podemos mencionar a Responsabilidade Social Corporativa (RSC); a
necessidade de diálogo e engajamento com os stakeholders; a adoção de
padrões éticos e a governança corporativa; a promoção da sustentabilidade
ambiental das operações, com gestão eficiente de recursos naturais e
Disciplina
SOCIEDADE BRASILEIRA E
CIDADANIA
investimento em inovações ecoeficientes; transparência e comunicação sobre
as práticas da empresa; cumprimento da conformidade legal e regulatória
trabalhista e ambiental; educação e capacitação para funcionários, clientes e
comunidades, fortalecendo o capital humano e contribuindo para o
desenvolvimento sustentável.
Ao adotar uma abordagem equilibrada que considera não apenas os lucros,
mas também os impactos sociais e ambientais, as empresas podem
desempenhar um papel construtivo na promoção do bem comum e na
construção de uma sociedade mais sustentável e equitativa.
O papel que o Estado desempenha também é crucial na abordagem de crimes
ambientais, sendo responsável por aplicar e fazer cumprir as leis e
regulamentações que protegem o meio ambiente. Além de ser o principal
agente regulador e executor no combate a crimes ambientais, aplicando
penalidades quando necessário, é necessário que ele fomente, de forma
preventiva, o desenvolvimento de políticas públicas que abordam questões
mais amplas relacionadas ao desenvolvimento sustentável, planejamento
urbano e conservação de ecossistemas. 
Assimile
Disciplina
SOCIEDADE BRASILEIRA E
CIDADANIA
Figura 1 | Síntese dos conteúdos abordados durante os estudos
Referências
CONTI, H. M. de; ALVES, P. V. M. Sociedade Brasileira e Cidadania. Londrina:
Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019.
FERREIRA, B. Tristeza que não tem fim. O Tempo, [s. d.]. Disponível em:
https://www.otempo.com.br/polopoly_fs/1.1395510.1478314849!/tristeza.html.
Acesso em: 7 fev. 2019.
KRENAK, A. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras,
2019.
SENADO FEDERAL. A Violência contra a Mulher. Institucional | Observatório da
Mulher contra a Violência, [s. d.]. Disponível em:
https://www12.senado.leg.br/institucional/omv/menu/entenda-a-violencia/a-
Disciplina
SOCIEDADE BRASILEIRA E
CIDADANIA
https://www.otempo.com.br/polopoly_fs/1.1395510.1478314849!/tristeza.html
https://www12.senado.leg.br/institucional/omv/menu/entenda-a-violencia/a-violencia-contra-a-mulher#:~:text=A%20viol%C3%AAncia%20afeta%20mulheres%20de,da%20sociedade%20como%20um%20todo

Mais conteúdos dessa disciplina