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Videoaula de Encerramento Videoaula de Encerramento Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Chegada Ponto de Chegada Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é refletir a respeito das relações étnico-raciais e a pluralidade da sociedade brasileira Disciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E CIDADANIA quanto a questões identitárias no século XXI, seus valores culturais e modos de organização da vida coletiva, você deverá compreender primeiramente conceitos e debates contemporâneos fundamentais. Poucos tópicos de nosso estudo da sociedade brasileira e cidadania tendem a apresentar discussões mais sensíveis do que os temas desta unidade: a pluralidade e a diversidade em pleno século XXI. Isso porque, via de regra, lidar com realidades, dinâmicas ou problemas estranhos a nosso cotidiano – processos incontornáveis quando tratamos das mais variadas formas de pluralidade no Brasil contemporâneo – requer o esforço mental de imaginar situações possivelmente desconhecidas e de forçar o exercício da alteridade, isto é, de reconhecer a existência do outro e respeitar suas características e sua forma de vida, em um processo que pode ampliar nossa tolerância ou, em sentido inverso, elevar nosso desconforto ao sairmos de nossos espaços tradicionais. Se é verdade que os avanços tecnológicos mais recentes podem expandir padrões de vida ao redor do globo com maior facilidade, as reações naturais a essa uniformização tendem a ressaltar diferenças, que também serão divulgadas com mais profusão nos meios tecnológicos. Os processos de padronização e diferenciação encontram-se, curiosamente, intensificados nos dois sentidos. Diante desse quadro, se queremos compreender alguns dos elementos fundamentais para uma abordagem crítica dos dilemas éticos e políticos atuais, com o objetivo de fortalecer nossa participação cidadã na sociedade brasileira contemporânea, devemos refletir a respeito de questões importantes, como a relação entre a democracia e a pluralidade, levando em conta toda uma série de conceitos específicos desses campos de estudo. Também, para assegurar o aspecto crítico e humanista de nossa formação, precisamos nos atualizar em relação às novas formas de afirmação das identidades contemporâneas; Disciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E CIDADANIA abordando, igualmente, a retomada de movimentos tradicionalistas e avessos a essas novidades. Você provavelmente já ouviu alguém dizer – inclusive nesta disciplina – que muitas das ideias que temos hoje foram criadas ou influenciadas pelos movimentos liberais e pelo pensamento iluminista, não é mesmo? E quando pensamos nos indivíduos que realizaram essas contribuições, nos lembramos de Voltaire, Kant, Rousseau, Adam Smith – todos homens. Fica a pergunta: as mulheres não influenciaram esses movimentos? Não houve mulheres intelectuais e engajadas nesses processos? Absolutamente havia. Apesar de a sociedade ocidental moderna ter se desenvolvido a partir de uma perspectiva androcêntrica, isto é, que coloca o homem como medida de todas as coisas, as mulheres sempre estiveram presentes, ocuparam e concretizaram todos os diferentes movimentos de participação social. Contudo, a tendência de não nos lembrarmos de figuras femininas nesses processos históricos é apenas mais um exemplo de como existem relações de poder que influenciam o modo como apreendemos e reproduzimos o mundo, reduzindo, nesse caso, a importância histórica das mulheres para a construção de nossa sociedade. Podemos exemplificar e reconhecer a importante atuação de Marie Gouze (1748–1793) em meio às lutas travadas na Revolução Francesa. Adotando o nome de Olympe de Gouges para divulgar seus escritos, essa dramaturga e ativista política – considerada por muitos a primeira feminista francesa – foi uma forte defensora da expansão dos direitos civis e políticos, da abolição da escravidão e da emancipação da mulher – esta última ideia, sobretudo, contribuiu para sua condenação à morte, declarada como “mulher desnaturada” e guilhotinada em 1793. Autora da Declaração de Direitos da Mulher e da Cidadã (1791), Olympe de Gouges afirma, no preâmbulo desse documento, que: Disciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E CIDADANIA Mães, filhas, irmãs, mulheres representantes da nação reivin dicam constituir-se em uma assembleia nacional. Considerando que a ignorância, o menosprezo e a ofensa aos direitos da mulher são as únicas causas das desgraças públicas e da corrupção no governo, resolvem expor em uma declaração solene os direitos naturais, inalienáveis e sagrados da mulher. Assim, que esta declaração possa lembrar sempre, a todos os membros do corpo social seus direitos e seus deveres; que, para gozar de confiança, ao ser comparado com o fim de toda e qualquer instituição política, os atos de poder de homens e de mulheres devem ser inteiramente respeitados; e, que, para serem fundamentadas, doravante, em princípios simples e incontestáveis, as reivindica ções das cidadãs devem sempre respeitar a constituição, os bons costumes e o bem-estar geral. Suas ideias progressistas e sua ousadia em desafiar as normas da sociedade contribuíram para que fosse vista como uma figura controversa durante a Revolução Francesa. Infelizmente, sua atividade política levou-a a ser perseguida e, em 1793, Olympe de Gouges foi condenada à guilhotina durante o período mais radical da Revolução, conhecido como o Reinado do Terror. Seu legado, no entanto, vive por meio de suas escritas, que continuam a ser estudadas e lembradas como contribuições importantes para o movimento pelos direitos das mulheres e para a história da Revolução Francesa. Diante desse e outros tantos exemplos que nos convidam à revisão dos princípios que orientam nosso olhar, discursos e condutas, devemos nos perguntar se vivemos em um mundo mais receptivo ou mais fechado às mudanças, às diferenças, do que em tempos passados. Vejamos como o líder indígena Ailton Krenak se posiciona frente à diversidade humana: Disciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E CIDADANIA Definitivamente não somos iguais, e é maravilhoso saber que cada um de nós que está aqui é diferente do outro, como constelações. O fato de podermos compartilhar esse espaço, de estarmos juntos viajando não significa que somos iguais; significa exatamente que somos capazes de atrair uns aos outros pelas nossas diferenças, que deveriam guiar o nosso roteiro de vida. Ter diversidade, não isso de uma humanidade com o mesmo protocolo. Porque isso até agora foi só uma maneira de homogeneizar e tirar nossa alegria de estar vivos (Krenak, 2019). Nessa postura, Krenak (2019) chama atenção para o modo como podermos aprender a conviver e a crescer, respeitando, coexistindo, com a pluralidade de possibilidades de existências dos seres humanos, capazes de estabelecer suas preferências de forma autônoma. A pluralidade é um conceito que se refere à diversidade, multiplicidade e coexistência de elementos diferentes em um determinado contexto. Seja no âmbito social, cultural, político ou biológico, a pluralidade reconhece e valoriza a existência de diversas perspectivas, identidades, opiniões e formas de vida. Essa condição de diversidade pode enriquecer uma sociedade ou sistema, promovendo a inclusão, o respeito às diferenças e a busca por equidade. Podemos ilustrá-la trabalhando as questões de gênero, raça e etnia, religião, local de origem, dentre tantos outros marcadores sociais de diferença (Silva; Silva, 2018). Além disso, a pluralidade está intimamente ligada à tolerância e à compreensão mútua, promovendo o diálogo e a aceitação das diferenças como elementos enriquecedores para o desenvolvimento coletivo, em consonância ao respeito ao ecossistema, já que falar em proteção ao meio ambiente é incluir a fauna, e Disciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E CIDADANIA contempla, ao mesmo tempo, os povos tradicionais e seus modos de organização da vidacoletivamente. Igualmente, a reflexão a respeito do meio ambiente aborda a interação complexa entre os seres vivos e os componentes físicos do planeta, examinando os impactos das atividades humanas nesse equilíbrio. Envolve a compreensão de ecossistemas, biodiversidade, mudanças climáticas e a influência das ações humanas na saúde e sustentabilidade do ambiente. Este estudo busca promover a conscientização acerca da importância da conservação, adoção de práticas sustentáveis e políticas que visem à preservação ambiental para as gerações presentes e futuras. A interconexão entre as atividades humanas e a saúde do meio ambiente destaca a necessidade de ações coletivas e responsabilidade global para garantir um futuro sustentável para o planeta. Em um mundo cada vez mais interconectado, a compreensão e a valorização ambiental e da pluralidade tornam-se fundamentais para a construção de sociedades mais justas, sustentáveis e equitativas. Devemos sempre prestar uma atenção especial para questionarmos se existem relações de hierarquia que restringem a pluralidade inerente à espécie humana, transformando nossas diferenças em desigualdades, hierarquizando pessoas e espécies. Se desejamos promover a diversidade e a pluralidade como alicerces de nossos regimes políticos e das dinâmicas sociais em nosso país e no mundo, é necessário admitir e fortalecer o valor de movimentos inovadores e a revisão de nossos princípios para ideais mais críticos e emancipatórios. É Hora de Praticar! É Disciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E CIDADANIA É Hora de Praticar! Refletir a respeito do meio ambiente e dos desafios que a humanidade enfrenta para preservá-lo no século XXI é uma preocupação que deve pautar nossa conduta profissional e nosso exercício da cidadania. Propomos a seguir um estudo de caso para sensibilizá-lo a essa postura. Leia os trechos da reportagem realizada um ano após o crime ambiental em Mariana: Ao revisitar as ruínas do distrito de Bento Rodrigues, a agricultora Marinalva dos Santos Salgado, conseguia explicar o que era cada cantinho do vilarejo, devastado pela avalanche de rejeitos. Mesmo doído, o retorno ameniza a saudade e, porque as lembranças revividas ali a aproximam de tudo que lhe faz falta: dos amigos que se foram, dos vizinhos que não estão por perto, de sua casa e da carta que seu marido havia escrito com declarações de amor e registros de 22 anos de casamento. Ele morreu cinco anos antes da destruição Disciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E CIDADANIA de Bento, e Marinalva não teve tempo de pegar nenhuma recordação de seu companheiro naquele 5 de novembro. “Casa eu consigo de volta, mas isso não consigo mais. Ele escreveu na agenda muitas coisas sobre a vida da gente, me agradecendo pelo que a gente viveu junto, os maus momentos, os bons momentos, me declarando amor na hora da morte. Até a camisa que ele morreu com ela, que nunca havia sido lavada, se foi com a lama. Isso daí era o meu bem mais precioso”, revela. […] Os números da tragédia são todos de grandes proporções: 256 feridos, 300 desabrigados, 424 mil pessoas sem água. Exceto um deles, o de condenados ou presos até agora, que é zero. Um ano depois, 22 pessoas são denunciadas, sendo 21 por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar. As lembranças ainda são latentes, como se o dia 5 de novembro de 2015 realmente nunca tivesse acabado. Bento Rodrigues virou ruína e permanece afundado em lama, o rio Doce parece marcado para sempre por uma mancha escura de impurezas e tristeza (Ferreira, [s. d.], [s. p.]). Diante do sofrimento vivido pelos moradores de Bento Rodrigues no relato apresentado, e da repetição do desastre no início de 2019, dessa vez em Brumadinho, podemos questionar: Além dos danos causados ao meio ambiente, quais são os impactos sobre as vidas das pessoas? Como equacionar os interesses privados de uma grande empresa mineradora e o interesse público, o bem comum? Qual deveria ser o papel do Estado diante desse conflito? Reflita Disciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E CIDADANIA O transcorrer do tempo traz consigo, automaticamente, mais liberdade e uma maior aceitação das diferenças, ou essa pluralidade pode ser reduzida conforme os dias passam, exigindo um esforço específico para sua manutenção? Além disso, essa diversidade seria boa ou ruim para a formação das sociedades? Será que alguns problemas já longínquos da espécie humana – racismo, machismo, nacionalismos – foram solucionados ou, pelo contrário, acentuados? Sejam quais forem as respostas para tais questionamentos, a busca para defini- los exige, certamente, reflexões e questionamentos fundamentais para nos situarmos de modo consciente na sociedade em que vivemos. Resolução do Estudo de Caso Os crimes ambientais têm impactos significativos não apenas no meio ambiente, mas também na sociedade como um todo. Alguns dos impactos sociais desses crimes se estendem para o acometimento da saúde da população; promoção do deslocamento forçado de comunidades; graves prejuízos materiais e econômicos; aumento das desigualdades sociais; perda da biodiversidade e dos recursos naturais; falta de qualidade de vida; e ainda uma série de outras repercussões sociais e legais. Em suma, os crimes ambientais têm ramificações profundas que afetam diretamente a vida das comunidades impactadas. Combater esses crimes requer uma abordagem holística que leve em consideração tanto os aspectos ambientais quanto os sociais. Equilibrar os interesses de uma grande empresa e do bem comum pode ser desafiador, mas é fundamental para promover o desenvolvimento sustentável e a harmonia social. Dentre as estratégias que podem ajudar a alcançar esse equilíbrio, podemos mencionar a Responsabilidade Social Corporativa (RSC); a necessidade de diálogo e engajamento com os stakeholders; a adoção de padrões éticos e a governança corporativa; a promoção da sustentabilidade ambiental das operações, com gestão eficiente de recursos naturais e Disciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E CIDADANIA investimento em inovações ecoeficientes; transparência e comunicação sobre as práticas da empresa; cumprimento da conformidade legal e regulatória trabalhista e ambiental; educação e capacitação para funcionários, clientes e comunidades, fortalecendo o capital humano e contribuindo para o desenvolvimento sustentável. Ao adotar uma abordagem equilibrada que considera não apenas os lucros, mas também os impactos sociais e ambientais, as empresas podem desempenhar um papel construtivo na promoção do bem comum e na construção de uma sociedade mais sustentável e equitativa. O papel que o Estado desempenha também é crucial na abordagem de crimes ambientais, sendo responsável por aplicar e fazer cumprir as leis e regulamentações que protegem o meio ambiente. Além de ser o principal agente regulador e executor no combate a crimes ambientais, aplicando penalidades quando necessário, é necessário que ele fomente, de forma preventiva, o desenvolvimento de políticas públicas que abordam questões mais amplas relacionadas ao desenvolvimento sustentável, planejamento urbano e conservação de ecossistemas. Assimile Disciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E CIDADANIA Figura 1 | Síntese dos conteúdos abordados durante os estudos Referências CONTI, H. M. de; ALVES, P. V. M. Sociedade Brasileira e Cidadania. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019. FERREIRA, B. Tristeza que não tem fim. O Tempo, [s. d.]. Disponível em: https://www.otempo.com.br/polopoly_fs/1.1395510.1478314849!/tristeza.html. Acesso em: 7 fev. 2019. KRENAK, A. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. SENADO FEDERAL. A Violência contra a Mulher. Institucional | Observatório da Mulher contra a Violência, [s. d.]. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/institucional/omv/menu/entenda-a-violencia/a- Disciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E CIDADANIA https://www.otempo.com.br/polopoly_fs/1.1395510.1478314849!/tristeza.html https://www12.senado.leg.br/institucional/omv/menu/entenda-a-violencia/a-violencia-contra-a-mulher#:~:text=A%20viol%C3%AAncia%20afeta%20mulheres%20de,da%20sociedade%20como%20um%20todo