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PROJETO E IMPLEMENTAÇÃO DE SISTEMAS DE APOIO À DECISÃO Thiago Oliveira da Silva A administração e a tomada de decisão Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Apresentar o planejamento estratégico das decisões gerenciais. Identificar o controle de gestão das decisões gerenciais. Relacionar o controle e o desempenho operacional das decisões gerenciais. Introdução É inquestionável que o mundo vive na era da informação. A partir dessa premissa, é fácil remeter que, atualmente, as organizações estão sofrendo pressões para que suas gestões sejam eficientes devido à facilidade de aquisição e uso da informação. Essa pressão pode ser minimizada com a utilização da tecnologia da informação, ou propriamente dos sistemas de administração. Costuma-se dizer que os sistemas vão substituir o homem. Porém, o ser humano ainda é responsável por criar e implementar esses sistemas. Nesse sentido, os sistemas de apoio à decisão (SAD) podem unir a tecno- logia com a perspicácia humana, pois o papel do SAD é justamente ofertar dados e informações confiáveis para que o gestor/responsável tome a decisão mais assertiva possível. Hoje, para uma empresa competir com vantagem, é imprescindível a utilização dessas ferramentas. Esses fatos abrem lacunas para que os novos gestores, com novas visões, busquem o aperfeiçoamento contínuo para suas empresas. O aperfeiçoamento e direcionamento das empresas se dão pela realização de um planejamento estratégico, visando mitigar o nível de dificuldade das decisões diárias. As empresas, por meio desses planeja- mentos, buscam tomar decisões que as tornem competitivas, alocando, assim, seus recursos de forma plena e correta, culminando na eficiência operacional, que seria a junção do lucro com o máximo de desempenho possível. Neste capítulo, você vai conhecer as principais características de um planejamento estratégico que está intimamente ligado com a alocação de recursos, o controle de desempenho da organização, as políticas e os investimentos. Você também vai compreender como a aquisição e o uso de recursos, a relação fornecedor/comprador e a introdução de novos produtos estão relacionadas às decisões gerenciais que acontecem na empresa. Por fim, serão apresentados os temas da eficiência da operação ou eficiência operacional, do controle da qualidade e das decisões diárias nas unidades funcionais. 1 Planejamento estratégico como base para implementação do sistema de apoio à decisão Planejar é uma atividade inerente ao ser humano e é fundamental para o processo de tomada de decisões assertivas. Quando se trata de planejamento estratégico, tende-se a pensar que isso diz respeito apenas à gestão, o que é uma premissa verdadeira, pois, ao implantar um sistema de apoio à decisão (SAD), indubitavelmente, há o arcabouço da administração e suas ferramentas como apoio. Considerando a administração como aliada, adentra-se em assuntos que surgem de sua ramificação, como: planejamento estratégico, alocação de recursos, controle de desempenho da organização, políticas e investimentos, sempre vinculando-os ao SAD. Por planejamento estratégico, conforme Kotler (1992, p. 63), entende-se que: “[...] planejamento estratégico é definido como o processo gerencial de desenvolver e manter uma adequação razoável entre os objetivos e recursos da empresa e as mudanças e oportunidades de mer- cado”. Já Drucker (1977) define planejamento estratégico como um processo organizado que ocorre de maneira contínua, sendo capaz de prever o futuro, de maneira a tomar decisões que minimizem riscos. Percebe-se que a tomada de decisão, em qualquer de seus âmbitos (tática, gerencial, estratégica e operacional), aparece como resultado do planejamento estratégico. Portanto, a tomada de decisão é um processo amplo e pode ser ao mesmo tempo extremamente simples ao ponto de ser orgânica, ou ser complexa ao ponto de necessitar de longa base de dados para um veredito. Assim, faz-se importante a leitura de alguns conceitos de Robins (2015, p. 6) sobre a tomada de decisão: A administração e a tomada de decisão2 - Tomar decisões é uma das habilidades mais importantes na vida; - Você pode melhorar suas habilidades de tomada de decisão; - Você só pode controlar o processo de tomada de decisão, não os resultados da decisão tomada. Desse modo, é possível dividir as decisões em forma e consequência. Ini- cialmente, as decisões são classificadas em “simples ou complexas” (GOMES; GOMES, 2019). Nas decisões simples, o indivíduo possui um cenário limitado de decisões a serem tomadas, bem como são poucos os agentes participantes, o que limita o rol de possibilidades. Por outro lado, tomar decisões complexas é, de modo geral, uma das mais difíceis tarefas enfrentadas individualmente ou por grupos de indivíduos, pois quase sempre tais decisões devem atender a múltiplos objetivos e, frequentemente, seus impactos não podem ser corre- tamente identificados (GOMES; GOMES; ALMEIDA, 2006). Se a decisão que um indivíduo toma é de grande simplicidade, quase in- consciente, como tirar a mão de uma superfície que contenha algo de textura estranha, a consequência tende a seguir a simplicidade. Porém, ao tomar uma decisão, a consequência pode também ser desconhecida. Gomes e Gomes (2019) classificam como tipos de consequência: a) imediata; b) curto prazo; c) longo prazo; d) combinação das formas anteriores (impacto multidimensional). Observa-se que cada tipo de decisão e, por sua vez, cada consequência pertence a um nível no processo decisório, conforme apresenta o Quadro 1. 3A administração e a tomada de decisão Fonte: Adaptado de Elias ([c2019]). Nível Tipo de consequência Características Operacional Imediatas/curto prazo Neste nível, as decisões são tomadas por profissionais de funções como a de analistas e técnicos, com o alcance essencialmente setorial dentro da empresa. Analítico Médio prazo As decisões têm direcionamento para o médio prazo, fazendo o desdobramento das decisões do nível estratégico. Há a responsabilidade de decidir o “como fazer” e, geralmente, possui o alcance departamental com os decisores possuindo funções similares a de gerentes e/ou coordenadores. Estratégico Longo prazo As decisões de maior alcance e impacto dentro de uma organização. Sua abrangência atinge toda a organização e decide a direção que a empresa deve seguir, mostrando-a “o que fazer”. Normalmente, as decisões no nível estratégico são apontadas para o longo prazo e conduzidas por diretores. Quadro 1. Características dos tipos de consequência Para se tomar uma decisão assertiva, o planejamento estratégico a ser realizado deve conter a análise de cenários, que é justamente o que o SAD propõe ao gestor. É o que a situação hipotética a seguir traz. A administração e a tomada de decisão4 Durante uma guerra, o comandante tem que tomar decisões que são sempre de vida ou morte e faz isso analisando o cenário, seu inimigo, os relatos de seus soldados, as informações do departamento de inteligência e até mesmo sua experiência pessoal/ profissional e seu instinto. O rumo correto, ou seja, a tomada de decisão assertiva, poderá culminar no êxito (batalha vencida) ou em milhares de vidas perdidas de seus soldados e, possivelmente, a perda da guerra. É exatamente como o exemplo citado que a sua empresa estará, ela será o soldado, e você, o comandante. Portanto, tomar decisões impacta diretamente na vida de muitas pessoas. A ideia central de análise de cenários que pode ser redirecionada para o SAD é: A ideia central da análise de cenários é, após um estudo detalhado dos vários aspectos do problema de decisão que se pretende resolver, efetuar a construção de diferentes contextos — os cenários — alternativos passíveis de materiali- zação. Estão delineados a seguir diferentes cursos de ação — as estratégias — que podem ser seguidos para cada um desses cenários. Haverá, assim, cenáriosaparentemente mais prováveis e menos prováveis de se materializar. Da mesma forma, deverá ser estruturado um possível inter-relacionamento entre estratégias de implementação de alternativas, de tal modo que, à medida que a realidade for sendo desvendada, tanto os cenários elaborados previa- mente como as estratégias sejam reavaliados (GOMES; GOMES, 2019, p. 4). Sanado o conceito de planejamento estratégico e suas ramificações, que tangenciam o assunto tomada de decisão, parte-se para um enfoque específico das decisões gerenciais, a partir de quatro pilares e de que modo esses itens se relacionam entre si, conforme a Figura 1. 5A administração e a tomada de decisão Figura 1. Pilares nas decisões gerenciais. Alocação de recursos Controle de desempenho da organização InvestimentosPolíticas Sobre alocação de recursos, o Sebrae Nacional (2016) dispõe que é uma forma de garantir recursos financeiros, materiais, tecnológicos e de tempo suficientes para o desenvolvimento das atividades da empresa. As premissas expostas a seguir se encaixam perfeitamente em relação à elaboração e im- plementação de um SAD em uma empresa: escassez de recursos; falta de competência técnica para o entendimento da necessidade de aplicação do recurso; suposição de que a indisponibilidade do recurso se traduz em redução de despesa, e por consequência, em aumento do lucro; negligência. Assim, pode-se ter o melhor SAD, contudo, se um dos fatores menciona- dos anteriormente ocorrer, o negócio terá prejuízos e correrá risco de perder competitividade e credibilidade no mercado, de acordo com Sebrae Nacional (2016). Ademais, outras questões da gestão podem ser utilizadas em um projeto de implementação de um SAD, sendo que a não captação de dados e A administração e a tomada de decisão6 informações podem refletir em cenários incorretos demonstrados pelo SAD. O Quadro 2 apresenta, segundo Espinha (2020), as questões que devem ser empregadas no que diz respeito à alocação de recursos em um projeto de implementação de um SAD. Fonte: Adaptado de Espinha ([c2020]). Faça um planejamento do gerenciamento dos recursos O sucesso do gerenciamento do projeto depende, inicialmente, de um bom planejamento da alocação dos recursos. Agendar os recursos no cronograma das etapas e acompanhar a disponibilidade de cada um permite um controle maior da operação, além de possibilitar a identificação de possíveis problemas em tempo hábil. Otimize a alocação de equipes em projetos É importante manter um cadastro que contenha informações sobre os colaboradores, materiais e equipamentos disponíveis para os projetos, pois cada um possui perfil e programação diferentes. Outra dica é descrever em qual categoria se encaixam, quais as características e disponibilidades de acordo com o calendário dos recursos correspondentes. Defina o tempo necessário de cada recurso Registre o tempo necessário para a conclusão de cada atividade, ao mesmo tempo em que define a pessoa responsável pelo projeto. É importante organizar essas informações para fazer ajustes em tempo hábil. Mantenha as informações sobre os recursos sempre atualizadas O gerente de projetos precisa ter fácil acesso a todas as informações sobre os recursos disponíveis e o registro atualizado das disponibilidades de cada um, para fazer uma alocação acertada. Mantenha esses dados sempre organizados e atualizados, para não causar futuros problemas que comprometam a reputação da empresa. Quadro 2. Aspectos sobre alocação de recursos O segundo pilar versa sobre políticas na administração e a tomada de decisão. Esse modelo político é o que consiste em ter um mecanismo de apoio 7A administração e a tomada de decisão à decisão. Nesse sentido, os atores ocupam diferentes posições e exercem diferentes graus de influência, de modo que as decisões não resultam em uma escolha racional, mas, ao contrário, resultam diretamente da influência dos atores. Nesse modelo, a decisão está intimamente relacionada ao poder que cada indivíduo possui e como essa rede de relacionamento se desenha no âmbito organizacional (LOUSADA; VALENTIM, 2011). No modelo de decisão político, entende-se que: Para a abordagem política, a organização é vista como um conjunto de atores, que podem ser indivíduos ou grupos, dotados de interesses e objetivos próprios, controlando diferentes recursos como: autoridade, status, recursos, ideias e informações. A organização não tem objetivos claros a priori. As decisões e as ações decorrentes se constituem no resultado da troca ou da barganha entre os envolvidos, cujo processo é possível, porque os envolvidos ocupam posições que lhes atribuem algum tipo de poder. “No modelo político há duas categorias de informações buscadas pelos que tomam as decisões: a informa- ção usada para tomar decisões e a informação usada para apoiar decisões já tomadas (MELTSNER, 1976 apud CHOO, 2003, p. 293). Assim, no modelo decisório político, faz-se necessário justificar as decisões que foram tomadas, seja antes ou depois da decisão. Desse modo, os objetivos organizacionais são superados pelos objetivos pessoais, pois o que se sobressai são as preferências individuais de quem tem o poder de decisão (LOUSADA; VALENTIM, 2011). O terceiro pilar dispõe sobre os investimentos oriundos dos processos de tomada de decisão. Em relação a isso, o processo de tomada de decisão, de acordo com Guth (2013, p. 58) “[...] sempre causou certas incertezas, ocasio- nando muitas vezes que as decisões fossem tomadas com base nas intuições das pessoas, estas embasadas em experiências anteriores, acontecimentos passados, causando em muitos casos enormes sucessos e em outras enormes catástrofes”. Os sucessos e as catástrofes mencionados são resumidos por Neely (2002) em dois tipos de decisões financeiras: decisão de investimento (aplicação de recursos) e decisão de financiamento (captação de recursos). Essas duas decisões são tomadas rotineiramente pelas empresas. A decisão de investimento envolve todo o processo de identificação, avaliação e seleção das alternativas de aplicações de recursos, conforme identificadas nos ativos. As decisões de financiamento, por outro lado, envolvem a definição da natureza dos fundos aplicados, ou seja, estrutura das fontes de capital demandadas pelas decisões de investimentos. A administração e a tomada de decisão8 Por fim, o quarto pilar se refere ao controle de desempenho da organização que, segundo Neely (2002), está atrelado à “decisão-resultado”. De acordo com o autor, “[...] um sistema de avaliação de desempenho permite a tomada de decisão […] porque quantifica a eficiência e a eficácia de ações”. Além disso, o autor ressalta que elementos diferentes precisam ser gerenciados de forma diferente e os indicadores devem mostrar isso (NEELY, 2002, p. 20). Desse modo, a avaliação de desempenho carece de planejamento em ambas vertentes operacionais ou estratégicas, de forma que a informação inserida em um SAD, por exemplo, não gere o que é conhecido por lixo informacional, ou seja, informações que não possuem base para o processo de tomada de decisão. Paralelamente, é necessário cuidar do controle de desempenho. Para isso, deve-se determinar: medidas de desempenho; tolerância das medidas; relatórios de exceção; compartilhamento destas medidas. Esse conjunto de ações precisa criar um sistema de “apoio à decisão” e não um controle para punição ou perseguições pessoais ou departamentais. Se isso ocorrer, a avaliação de desempenho perde sentido e a organização, inevitavelmente, perde a sua orientação estratégica e sua competitividade (GUTH, 2013). 2 Controle de gestão sobre as decisões gerenciais O controle de gestão, ou propriamente a tomada de decisão, torna-se mais complexo e exige um maior número de informações e dados. Portanto, ao falar de decisões, trataremos em âmbito gerencial, ou seja, aquelas que envolvem mais atores e que podem estar estabelecidasem qualquer uma das esferas: estratégica, tática ou operacional. A tomada de decisão gerencial é algo inerente e se estabelece de forma diária nas organizações com uma base intensiva de informações (MENDONÇA; VARVAKIS, 2018). Reforça-se que o gestor, ao tomar decisões gerenciais, deve: […] direcionar as equipes de trabalho, precisam constantemente tomar decisões e tem-se como maior desafio alimentar os processos decisórios com informa- 9A administração e a tomada de decisão ções precisas, de qualidade e, ainda, saber como utilizá-las para ter uma boa prática de gestão. […] os tomadores de decisões frequentemente trabalham com grande quantidade de dados em estado bruto, com pequena quantidade de informação com valor agregado e pouco conhecimento adquirido para a tomada de decisão (MENDONÇA; VARVAKIS, 2018, p. 106). Saber utilizar esses dados, mesmo que estejam na forma bruta mencionada pelos autores, diferencia os gestores e, por consequência, os SAD escolhidos e implementados em suas empresas. Como a gama de decisões gerenciais é ampla, o estudo será direcionado nas seguintes vertentes, conforme a Figura 2. Figura 2. Decisões gerenciais. Aquisição e uso de recursos Relação fornecedor/comprador Introdução de novos produtos Ressalta-se que tanto a aquisição e o uso de recursos quanto a relação fornecedor/comprador e a introdução de novos produtos podem e devem ser realizadas por meio do uso de sistemas de informação. É bem difícil imagi- nar que um comprador vai se ater ao preço para comprar um produto, sem antes pesquisar dados mais sólidos sobre o fornecedor, além de cravar outras variáveis para executar a compra. Assim acontece quando se decide adquirir ou utilizar um recurso já existente na empresa. Sobre a tomada de decisão na relação entre fornecedor/comprador, tem-se que: Uma avaliação detalhada e formal dos potenciais fornecedores é básica para o sucesso do desenvolvimento de uma parceria em um processo de co- -desenvolvimento. A confiança e o histórico positivo em desenvolvimentos realizados anteriormente deveriam ser analisados no processo de seleção para um desenvolvimento em conjunto. […] Como a confiança é baseada em expectativas, a comunicação pode estimular a confiança, referindo-se a um conjunto de experiências positivas (SIEBENEICHLER, 2017, p. 32). Segundo Siebeneichler (2017), para que essa experiência seja de fato con- cretizada em confiança, uma avaliação detalhada e formal dos potenciais fornecedores deve ser realizada, pois, assim, o sucesso de uma eventual par- ceria estaria no caminho certo. Paiva (2008) constata em seu estudo que a A administração e a tomada de decisão10 maioria das parcerias que são firmadas são majoradas em processos futuros, entretanto, quando ainda não existe um relacionamento de confiança entre as empresas, e uma lista de fornecedores não está consolidada, novas possibili- dades de fornecimento devem ser criadas. Quanto maior a interdependência entre comprador e fornecedor, maior a importância de critérios qualitativos para a escolha de fornecedores. Devido a isso, Paiva (2008) complementa que as parcerias estratégicas pretendem uma relação de longo prazo entre as empresas, permitindo que fatores como canais de comunicação abertos, disponibilidade de troca de informações, saúde financeira e ferramentas de gestão de projetos sejam inseridos nessa lista de critérios. Portanto, a relação entre fornecedor e com- prador se dá em uma espécie de seleção de fornecedores. Sendo assim, pode-se dizer, segundo Siebeneichler (2017, p. 33) que “este processo é composto com critérios múltiplos que por vezes são conflitantes entre si”. Em colaboração, Clemen e Reilly (2001, p. 602 apud SIEBENEICHLER, 2017, p. 33), comentam que “o problema essencial em tomada de decisão com objetivos múltiplos é decidir como balancear o maior valor de um objetivo com o menor valor de outro”. Assim sendo “[...] o fornecedor pode ter o me- lhor preço, porém a sua localização geográfica e sua logística pode não ser muito bem estruturada, o que pode influenciar nas expectativas do cliente” (SIEBENEICHLER, 2017, p. 33). Segundo Furtado (2005 apud SIEBENEICHLER, 2017, p. 33): [...] em um contexto decisório onde o fornecedor já é uma fonte de suprimentos homologada fatores como qualidade, entrega, preço e serviços, são importantes para a consolidação do perfil do fornecedor. Fatores como relacionamentos pessoais entre áreas comerciais e técnicas, históricos de postura em relação a solução de problemas, ou seja fatores que fazem partes da rotina de trabalho entre cliente-fornecedor podem operar a favor ou contra este fornecedor. Em contrapartida, quando o fornecedor é uma fonte de suprimentos a ser esta- belecida, para criar o perfil do fornecedor é necessário que sejam coletadas informações gerais. É um processo mais complexo, pois além de realizar a coleta dos dados, é necessário que sejam comprovados. O grande objetivo da relação comprador/fornecedor é estabelecer um relacionamento de longo prazo, de forma que essa relação seja satisfatória para ambas as partes. Isso é o que na administração se chama de negociação ganha-ganha. Por fim, Siebeneichler (2017) relaciona os principais fatores que ligam o comprador ao fornecedor no processo de desenvolvimento de novos 11A administração e a tomada de decisão produtos, sendo estes ligados às decisões gerenciais de nível estratégico, conforme o Quadro 3. Fonte: Adaptado de Campos (2012), Siebeneichler (2017) e Andrade (2012). Fatores Relação comprador/fornecedor A importância estratégica do item comprado Remete-se à relação de confiança entre comprador/fornecedor no sentido de fidelidade, ou seja, pode-se até perder para concorrência outros produtos, mas há itens no portfólio que inclusive atraem a venda/compra de outros itens. Complexidade do mercado fornecedor Remete-se ao risco de suprimento e à criticidade dos itens em negociação. Pode ter impacto direto nos lucros. São exemplos de classificação de itens: estratégico (alto impacto nos lucros); gargalo (baixo impacto nos lucros e alto risco de suprimento); não-crítico (rotineiro, baixo impacto nos lucros e baixo risco de suprimento). Características do item comprado Remete-se às exigências, como preço, qualidade e serviço, ou a um eventual diferencial do item que o destaque em meio à concorrência. Capacidades tecnológicas de fornecedores Remete-se à capacidade demonstrada pelos fornecedores em elaborar, desenvolver, participar e entregar projetos e soluções que possuam a tecnologia em seu bojo. Incerteza da tecnologia Remete-se ao poder da informação. Pode-se dizer que a velocidade em determinada empresa do setor é determinante para o aumento desse item. Quadro 3. Fatores da relação comprador/fornecedor Por fim, vislumbra-se a tomada de decisão no aspecto da introdução de novos produtos. Sobre isso, pode-se dizer que o desenvolvimento de um produto é manifestado por meio de uma ideia ou propriamente de um novo conceito. Kotler (2000) afirma que essas ideias podem surgir de várias fontes, como os próprios consumidores, concorrentes, vendedores e a alta administração. No A administração e a tomada de decisão12 processo de tomada de decisão, inclusive para implementação de um SAD, deve-se ter em mente que esse conceito deve ser pensado como um conjunto de atividades cujo principal objetivo é a transformação de uma necessidade de mercado em produto ou serviço economicamente viável, para satisfazer necessidades humanas individuais ou coletivas. Uma assertiva proposta por Walsh, Roy e Bruce (1988) expõe que, ao desenvolver um novo produto, deverá haver “[...] a configuração de elementos, materiais e componentes que dão a um produto seus atributos de função, aparência, durabilidade e segurança”. Ou seja, a estrutura do projeto de produto se refere às características anatômicas do produto: os meios pelos quais a funcionalidade do produto é atribuída aos componentesfísicos. Importante mencionar que, ao desenvolver um novo produto, deve-se também pensar no conjunto de atividades alinhadas ao que a própria empresa estabeleceu como estratégias competitivas. Por exemplo, na implementação de um SAD, as métricas e informações coletadas de outros sistemas e/ou alimentadas por usuários devem estar parametrizadas ao produto da empresa, com risco de voltar à questão da geração do chamado lixo informacional. Há muitas atividades relacionadas ao desenvolvimento de novos produtos, contudo, Siebeneichler (2017) sintetizou as mais importantes. Planejamento estratégico: avaliar e integrar recursos agenciados para o projeto, oportunidades de mercado e critérios estratégicos. Desenvolvimento e seleção da ideia: gerar, elaborar e avaliar possíveis soluções para as oportunidades estratégicas identificadas. Análise de negócios e oportunidades de mercado: executar as tarefas de marketing necessárias para gerar novas ideias de produtos a fim de satisfazer as necessidades e os desejos dos consumidores. Desenvolvimento técnico: projeto/design, engenharia, testes e constru- ção da estrutura material do produto. Testes dos produtos: testar o produto final bem como os componentes de programas de marketing e publicidade. Comercialização do produto: coordenar, implementar e monitorar o lançamento do novo produto. 13A administração e a tomada de decisão 3 Decisões gerenciais sob o prisma do controle de qualidade e eficiência da operação Tomar decisões é uma questão presente em todas empresas, de qualquer nível, segmento e tamanho. Se tomar decisões é algo inerente à atividade humana, no âmbito da pessoa jurídica, isso não é diferente. Em nível organizacional, os problemas tendem a ser mais amplos e complexos, envolvendo riscos e incertezas e ocorrendo em diferentes níveis funcionais, com a participação de diversas pessoas. Logo, em uma empresa, o processo de decisão deve ser estruturado e resolvido de maneira formal, detalhada, consistente e transparente (MARTINS; BONFADINI, 2015). Pautados nas premissas citadas sobre o processo de decisão, os tópicos a seguir vão dispor conhecimentos sobre: eficiência da operação; controle de qualidade; decisões diárias nas unidades funcionais. Dentre outros objetivos, as decisões gerenciais buscam o aumento do desempenho organizacional. Além disso, também visam o controle de quali- dade. A questão é: como estruturar esse processo decisório a respeito dessas vertentes, se a mensuração dessas atividades é bem complicada? Os sistemas de informação vieram justamente para preencher essa lacuna. Um exemplo disso se dá na eficiência da operação. Segundo Camargo (2018), o termo eficiência operacional tem a ver com a capacidade de uma empresa em fornecer produtos ou serviços de maneira mais econômica, sem que isso prejudique a qualidade, o serviço ou suporte. Portanto, nuances como a simplificação e reestruturação de processos internos podem ajudar a aumentar a eficiência operacional, respondendo de forma efetiva com as forças de mercado. Na eficiência operacional, há dois pontos importantes: as entradas (input) e saídas (output). Resumidamente, conforme Camargo (2018), pode-se dizer que: a entrada (ou input) se refere aos custos, às pessoas, ao tempo e trabalho envolvidos na produção de um bem ou serviço; já a saída (ou output) é o próprio serviço executado ou produto produzido. Isso significa que, dentre os cenários de investimento e controle de uma empresa, o melhor a se fazer é investir nos inputs, pois a tendência é que os retornos adquiridos com os produtos e serviços sejam altamente rentáveis. A administração e a tomada de decisão14 Por isso, a eficiência operacional é a melhor maneira de garantir que os in- vestimentos produzam um retorno sustentável. Quando uma empresa atinge a máxima eficiência, há um retorno maior sobre os investimentos. Sua empresa pode estar saudável financeiramente, inclusive atingindo as metas es- tipuladas, contudo, mesmo com números positivos, se um SAD apontar ou mesmo o gestor visualizar que um colaborador está sendo subutilizado, ou seja, não está na equipe certa ou no projeto correto, poderá ser comprovado que o investimento realizado poderia ser ampliado caso houvesse melhor gestão desse recurso humano. Na teoria, aparentemente é fácil implantar o conceito e as ações inerentes à eficiência, contudo, na prática, é bem diferente. Geralmente, um SAD será capaz de detectar o nível e eventuais gargalos de sua eficiência operacional. Segundo Camargo (2018), algumas ações podem ser implementadas na em- presa visando planejamento operacional, bem como eficiência e aumento do controle de qualidade. O autor recomenda: implemente programas motivacionais — como distribuição de lucros — para incentivar os funcionários; faça seus funcionários vestirem a camisa da empresa; procure por fornecedores que darão descontos para compras em lotes; certifique-se de que seus equipamentos estão atualizados e/ou que estão com a manutenção em dia; verifique se seus colaboradores estão ocupando as posições de trabalho que mais têm a ver com suas habilidades; certifique-se de que sua empresa tem um bom controle de estoque; tenha dados precisos de suas operações (cultura data-driven) para que suas tomadas de decisão sejam igualmente precisas; tenha um sistema de informação capaz de gerar relatórios fidedignos para tomada de decisão assertiva. Assim como a eficiência operacional, há o controle de qualidade, a partir do qual decisões diárias funcionais são tomadas constantemente. Uma das ferramentas mais conhecidas desse tipo de controle é o círculo de controle de qualidade (CCQ): 15A administração e a tomada de decisão O CCQ é um método que tem como objetivo identificar as possíveis melhorias que podem ser aplicadas dentro da organização, seja para reduzir os custos (ou seja, gastar menos e produzir mais), diminuir a quantidade de falhas no processo, resolver problemas, melhorar o ambiente organizacional e até mesmo para consolidar a cultura da empresa. Basicamente, os Círculos de Controle da Qualidade são atividades que envolvem um grupo de colaboradores da organização. Essas pessoas se reúnem para juntos proporem soluções de melhoria ou para resoluções de problemas de qualidade, do processo ou do produto (ROCHA, 2020, p. 1). De acordo com Rocha (2020), nessa ferramenta, são formados os três tipos de grupos a seguir. Grupo homogêneo: formado por funcionários do mesmo setor e que atuam em problemas ou melhorias da mesma área. Grupo heterogêneo: formado por colaboradores de diferentes setores que podem solucionar problemas ou melhorias de qualquer área. Grupo especial: formado por participantes que estão envolvidos com o problema que precisa ser solucionado ou a melhoria que precisa ser implantada. Após a formação desses grupos, há reuniões para discutir temas ou processos sobre a empresa, especialmente, tangenciando sobre a qualidade. Após essas reuniões, há a distribuição de papéis na equipe e são repassados os assuntos principais para o decisor. O CCQ possui diversas especificidades, contudo, traçando um paralelo, o CCQ seria responsável por coletar as informações pertinentes e abastecer um SAD. Sendo assim, esse tipo de ferramenta permite a inserção da informação com qualidade, garantindo a apresentação de um cenário confiável para o gestor tomar decisões que estejam devidamente respaldadas. No artigo “Tomada de decisão: analisando o uso de sistemas de informação na em- presa Joagro Ferragens, de Estrela/RS”, publicado por Bárbara Martins e Gerson José Bonfadini, os autores escrevem sobre a tomada de decisão sob a perspectiva da análise de sistemas em uma empresa. A administração e a tomada de decisão16 CAMARGO, R. F. Como garantir a eficiência operacional do seu negócio?. Treasy, 2018. Disponível em: https://bit.ly/32JdKqL. Acesso em: 21 jul. 2020. CHOO, C.W. A organização do conhecimento: como as organizações usam a informa- ção para criar significado, construir conhecimento e tomar decisões. São Paulo: Ed. SENAC, 2003. DRUCKER, P. F. Administração lucrativa. 5. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1977. ESPINHA, R. G. Alocação de equipes em projetos: tire aqui todas as suas dúvidas. Artia, [c2020]. Disponível em: https://artia.com/blog/alocacao-de-equipes-em-projetos-tire- -aqui-todas-as-suas-duvidas/. Acesso em: 20 jul. 2020. GOMES, L. F. A. M.; GOMES, C. F. S. 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