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Eletrônica Analógica Semicondutores - Diodos Semicondutores Atualmente observamos uma evolução muito acelerada dos equipamentos eletrônicos de forma geral, estando estes cada vez com mais funções, com alto grau de confiabilidade e cada vez mais compactos. Toda esta evolução só foi possível com a descoberta e manipulação dos materiais semicondutores do qual dão origem a diversos componentes eletrônicos. Materiais Semicondutores Materiais semicondutores são aqueles que possuem a capacidade de conduzir ou isolar a corrente elétrica dependendo de como estes estão organizados quimicamente como o carbono (C) que se apresenta na forme de isolante quando este tem uma estrutura molecular cristalina (Diamante) e como condutor quando tem a forma molecular triangular (Grafite). Os materiais considerados semicondutores se caracterizam por possuírem quatro elétrons (tetravalente) na ultima camada como no caso dos átomos de silício e de gerânio que deram origem aos materiais semicondutores. Os átomos que possuem quatro elétrons na última camada tendem a se agrupar formando uma estrutura cristalina, fazendo com que cada átomo se recombine com quatro outros e um elétron pertença a dois átomos de núcleos diferentes (ligação covalente) dando a este a característica de isolante. Dopagem A dopagem de um material consiste em depositar impurezas em uma substancia cristalina pura tais como o germânio e o silício, tendo esta a finalidade de tornar o material um condutor. A forma como este material irá conduzir a corrente elétrica depende do tipo de impureza e de suas respectivas quantidades. Cristal do Tipo N Os cristais do tipo N são criados quando durante o processo de dopagem são introduzidos nas estruturas cristalinas materias com mais de quatro elétrons na ultima camada como no caso do fósforo (P) que é um material pentavalente formando uma estrutura cristalina do tipo N, pois dos cincos elétrons externo do átomo do fósforo, apenas quatro elétrons se recombinam com os dos cristais ficando um livre, formando desta maneira um cristal do tipo N. Neste cristal a corrente elétrica se conduz por meio de cargas negativas conforme figura. Cristal do Tipo P A aquisição de um cristal do tipo P se dá com a introdução de átomos com três elétrons na ultima camada, ou seja, trivalente, dando origem ao cristal do tipo P. O átomo de índio (in) é um exemplo de impureza que é introduzido nos materiais tetravalente para a formação do cristal do tipo P. Quando os átomos de índio são introduzidos em uma estrutura cristalina tetravalente pura estes se combinam ficando um dos elétrons livres sem combinar, formando desta forma uma lacuna, criando uma estrutura cristalina positiva. Diodos Vimos anteriormente a criação de cristais do tipo N e P através da dopagem destes, agora iremos estudar a junção destes dois cristais que darão origem aos diversos componentes eletrônicos semicondutores. Daremos inicio a esse estudo analisando o primeiro componente que utilizou as estruturas cristalinas semicondutoras principalmente para a retificação de corrente (transformar CA em CC) e que deu origem a vários outros que auxiliaram no avanço das tecnologias eletroeletrônicas. O diodo é um elemento semicondutor composto por duas pastilhas de semicondutores, uma de cristais do tipo P chamada de anodo (A) e a outra de cristais N denominada catodo (K) dando origem a uma junção PN. Após a junção das pastilhas, um processo de acomodação química que faz com que alguns elétrons livres do material N migrem para a região P recombinando com as lacunas deste material. O mesmo ocorre com as lacunas do material P que se recombinam com os elétrons livres do material N. Devido a este processo de recombinação surge na região da junção uma área onde não há portadores de carga, pois estes estão neutralizados, essa região é denominada área de depleção que consequentemente dará origem a barreira de potencial que irá variar de acordo com o tipo de material. Nos doidos de Germânio (Ge) a barreira de potencial é de aproximadamente 0,3Volts e nos de Silício (Si) de 0,7 Volts. Polarização Direta do Diodo A polarização direta ocorre quando o terminal positivo da fonte de alimentação encontra-se ligada ao lado P (Anodo) e o terminal negativo ao lado N (Catodo) do diodo. Desta forma o pólo positivo da fonte repele as lacunas do terminal P em direção ao terminal N, e o pólo negativo da fonte repele os elétrons do terminal N em direção ao terminal P do diodo. Se a tensão da fonte for maior que a barreira de potencial do diodo, os elétrons irão romper esta barreira e irão se recombinar com as lacunas, pois são atraídos pelo terminal positivo da fonte, surgindo então uma corrente elétrica de alta intensidade, fazendo com que o diodo semicondutor se comporte como um condutor. Polarização Reversa do Diodo A polarização reversa ocorre quando o terminal negativo da fonte encontra-se ligado do lado P (Anodo) e o terminal positivo do lado N (Catodo) do diodo. Desta forma os elétrons do lado N são atraídos pelo pólo positivo da fonte e as lacunas do lado P pelo pólo negativo da fonte. Com isso formam-se mais íons positivos do lado N e íons negativos do lado P do diodo, aumentando a camada de depleção e consequentemente a barreira de potencial. A barreira de potencial aumenta até que sua diferença de potencial se iguale a tensão da fonte. Desta forma os portadores majoritários de cada lado do diodo(lacunas no lado P e elétrons no lado N) não circulam pelo circuito, comportando-se portanto como um circuito aberto ou uma resistência altíssima. Curva Característica do Diodo Observa-se na curva característica do diodo que para tensão negativa (Polarização reversa) a corrente é praticamente nula, caracterizando-se uma resistência elétrica muito alta, sendo esta limitada pele tensão de ruptura (VBr). Para tensões positivas (Polarização direta), até Vy a corrente é baixa, mas acima de Vy, ela passa a ser bastante alta, caracterizando-se uma resistência elétrica baixa, sendo esta corrente elétrica limitada por IDM (Corrente direta máxima que o diodo suporta). O diodo possui algumas características e limitações que são especificadas de acordo com o fabricante, sendo as principais: 1° - Como a junção PN possui uma barreira de potencial natural (Vy), na polarização direta só existe corrente elétrica se a tensão aplicada ao diodo VD (Tensão direta máxima que o diodo suporta) for maior ou igual à Vy. 2° - Na polarização direta a potencia máxima que o diodo pode dissipar (PDM) se dá em função da tensão e corrente máxima (VD e IDM) que ele pode conduzir. PDM = VD x IDM 3° - Na polarização reversa existe uma tensão reversa máxima que o diodo suporta denominada tensão de ruptura ou breakdown voltage (VBR). 4° - Na polarização reversa existe uma corrente reversa muito pequena denominada corrente reversa (IR). Circuitos Retificadores A maioria dos aparelhos eletrônicos funciona com corrente contínua, porem nossas residências são alimentadas em corrente alternada, havendo, no entanto a necessidade de transformá-la. Para isso precisamos de um circuito retificador. Neste tópico iremos estudar os circuitos retificadores de meia onde e de onda completa. Retificador de Meia Onda Este é o mais básico dos retificadores, sendo composto por um diodo em série com a carga RL. Este tipo de retificador aproveita apenas um semiciclo da senoide que alimenta a carga. Durante o primeiro semiciclo (positivo) o diodo encontra-se polarizado diretamente,possibilitando a passagem da corrente para a carga, ou seja, tensão de saída igual a tensão de entrada. Porém na passagem do segundo semiciclo (negativo) o diodo encontra-se polarizado inversamente, ou seja, em corte impossibilitando a passagem da corrente para a carga, ou seja, tensão de saída nula, pois a tensão de entrada recai toda sobre o diodo. A tensão de saída neste tipo de retificador é contínua, porém pulsante devido a existência e ausência de tensão sobre a carga. Devido a essas oscilações na tensão este tipo de circuito é utilizador para alimentar cargas que não exijam um controle muito grande nas variações de tensão, tais como carregadores de bateria. Como a forma de onda sobre a carga não é mais senoidal, embora a frequência seja a mesma, o valor médio deixa de ser nulo, podendo ser calculada através da equação: Onde: • Vm – Valor médio na fonte • Vp – Valor de pico da fonte • Vy – Barreira de potencial do diodo (dependem do material – Silício=0,7V e Germânio=0,3V). O valor de pico da fonte é encontrado através da equação do valor eficaz (Vrms), onde: Obtendo-se o valor médio da tensão no circuito podemos calcular a corrente média utilizando-se a lei de ohm. Através destas equações podemos determinar os parâmetros necessários do diodo de acordo com as características do circuito, onde o valor médio da corrente no diodo será maior ou igual ao valor médio calculado (IDM ≥ IM) e a tensão máxima que o diodo suporta será maior ou igual ao valor de pico no secundário da fonte (VBR ≥ Vp). Retificador de Onda Completa com Derivação Central O retificador de onda completa faz com que tanto o semiciclo positivo como o negativo caiam sobre a carga sempre com a mesma polaridade. O retificador de onda completa com derivação central recebe este nome por utilizar um transformador Center tape (derivação central) conforme figura abaixo. Durante o semiciclo positivo, o diodo D1 conduz e o diodo D2 corta, fazendo com que a tensão sobre a carga seja positiva e igual à tensão do secundário superior. Durante o semiciclo negativo, o diodo D1 corta e o diodo D2 conduz, fazendo com que a tensão sobre a carga seja igual a tensão do secundário inferior. Como neste tipo de retificador o circuito aproveita os dois semiciclos, a frequência da tensão de saída dobra de valor, bem como a tensão média na carga. Porém como a tensão de pico na carga é a metade da tensão de pico no secundário do transformador, a tensão média final é a mesma que se obteria usando um retificador de meia onda com este mesmo transformador ignorando-se a derivação central. Tensão Média na Carga. Obtendo-se o valor médio da tensão no circuito podemos calcular a corrente média utilizando-se a lei de ohm. Através destas equações podemos determinar os parâmetros necessários do diodo de acordo com as características do circuito, onde o valor médio da corrente no diodo será maior ou igual à metade do valor médio calculado ( IDM ≥ Im/2), pois cada diodo conduz corrente somente de um semiciclo e a tensão máxima que o diodo suporta será maior ou igual ao valor de pico no secundário da fonte ( VBr ≥ Vp ). Retificador de Onda Completa em Ponte O circuito retificador em ponte (Figura) recebe este nome por utilizas uma ponte de diodo, tendo este algumas vantagens em relação aos anteriores estudados. Durante o semiciclo positivo, os diodos D1 e D3 conduzem transferindo toda a tensão de entrada para a carga(RL), enquanto os diodos D2 e D4 cortam. Durante o semiciclo positivo, os diodos D2 e D4 conduzem transferindo toda a tensão de entrada para a carga(RL), enquanto os diodos D1 e D4 cortam. Como neste caso a frequência da tensão de saída dobra, a tensão média na carga também dobra, ou seja: Este tipo de retificador é um dos mais utilizados devido a sua simplicidade e ao baixo custo, pois o retificador que utiliza o transformador com derivação central, para se obter o mesmo rendimento em função do valor médio da tensão, o transformador devera fornecer em seu secundário o dobro da tensão do transformador utilizado no retificador em ponte, sendo, portanto mais honroso se comparado com os dois diodos amais do circuito em ponte. Obtendo-se o valor médio da tensão no circuito podemos calcular a corrente média utilizando-se a lei de ohm. Em relação a especificação do diodo, como cada diodo conduz corrente somente em um semiciclo, a corrente que eles devem suportar corresponde a metade da corrente media na carga ( IDM ≥ Im/2). Quanto à tensão reversa, este deve suportar a tensão de pico do secundário ( VBr ≥ Vp ). Filtro Capacitivo Como vimos, os circuitos retificadores transformam um sinal alternado em um sinal contínuo, porém pulsante. Para que esse sinal torne-se mais próximo de um sinal contínuo constante, faz-se necessário uma filtragem com capacitor. A filtragem com capacitores é bastante utilizada nas fontes de alimentação que não exijam uma boa regulação, ou seja, podem possuir pequenas oscilações, tais como eliminador de baterias, carregadores de bateria, circuito de lâmpadas fluorescentes compactas entre outros. Para explicar o principio do filtro capacitivo, iremos utilizar o circuito retificador de onda completa em ponte e o gráfico da forma de onda na saída do circuito. Durante a retificação do primeiro semiciclo (Positivo), o capacitor (C) é carregado através dos diodos D1 e D3 até o valor de pico. Quando há a mudança para o segundo semiciclo (Negativo), a tensão retificada diminui, ficando os diodos polarizados reversamente, o que faz com que o capacitor se descarregue lentamente pela carga RL evitando que esta fique sem tensão de alimentação durante a mudança de ciclos. Durante a retificação do segundo semiciclo (Negativo), o capacitor é novamente carregado através dos diodos D2 e D4 até o valor de pico. Quando ocorre a mudança para o terceiro (Positivo) semiciclo, a tensão retificada diminui, ficando os diodos D2 e D4 polarizados inversamente, o que faz com que o capacitor se descarregue lentamente pela carga RL. A descarga do capacitor é lenta devido a constante RL.C, ou seja, quanto maior a capacitância do capacitor, mais cargas ele armazena consequentemente mais tempo levará para se descarregar sobre a carga. Quanto maior o valor da carga RL, maior resistência ao fluxo de elétrons, mais lentamente o capacitor irá se descarregar. Ambos os casos aumentará a constante de tempo e diminuirá o valor do ripple. O valor de pico a pico do ripple pode ser calculado pela equação: Onde: • Vmf -Tensão Média na Carga Após a Filtragem; • F – Frequência da Ondulação (Depende do tipo de retificador); • RL – Resistência da Carga; • C – Capacitância OBS: Nos retificadores de onda completa a frequência do circuito dobra de valor. Díodo Zener Para além da denominação Díodo Zener, é também conhecido por diodo de ruptura, diodo de tensão constante, díodo regulador de tensão ou diodo de condução reversa. O díodo zener quando polarizado inversamente (ânodo a um potencial negativo em relação ao cátodo) permite manter uma tensão constante aos seus terminais (UZ) sendo por isso muito utilizado na estabilização/regulação da tensão nos circuitos. O gráfico de funcionamento do diodo zener mostra que, diretamente polarizado (1º quadrante), ele conduz por volta de 0,7V, como um díodo comum. Porém, na ruptura (3º quadrante), o díodo zener apresenta um joelho muito pronunciado, seguido de um aumento de corrente praticamente vertical. A tensão é praticamente constante, aproximadamenteigual a Vz em quase toda a região de ruptura. Especificações do Diodo Zener: Vy – Tensão de condução na polarização reversa (Vy = 0,7V) Vz – Tensão zener (dada pelo fabricante) Iz max – Corrente de zener máxima (dada pelo fabricante); Iz min ou Izk – Corrente de zener mínima, abaixo deste valor não regula; OBS: Quando não for dado o valor de Izk, considera-se Iz min como sendo 10% de Iz max , ou seja: Izm = 0,1 Iz max Pz max – Potência zener máxima (PZ max = VZ x IZ max) Nomenclatura Americana de Diodo Zener