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CURSO DE DIREITO
REVISÃO DE PROCESSO PENAL I
REVISÃO DE PROCESSO PENAL I – 2ª AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL
Prof. Wilian Sapito Jr.
1. Qual lei transpôs o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) para o
artigo 28-A do Código de Processo Penal brasileiro?
a) Lei n. 14.344/2022 (Lei Henry Borel).
b) Lei n. 13.964/2019 (Pacote Anticrime).
c) Resolução n. 181/2017 do CNMP.
d) Lei n. 14.994/2024.
2. O Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) possui natureza jurídica
de:
a) Sentença condenatória transitada em julgado.
b) Sanção penal imposta de forma monocrática pelo Estado.
c) Negócio jurídico pré-processual.
d) Ação penal pública incondicionada de iniciativa exclusiva do magistrado.
3. O instituto do ANPP representa uma exceção a qual princípio
processual penal?
a) Princípio da indisponibilidade da ação penal privada.
b) Princípio da obrigatoriedade da ação penal pública.
c) Princípio do juiz natural.
d) Princípio da ampla defesa.
4. Em relação ao direito do investigado ao ANPP, assinale a alternativa
correta:
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REVISÃO DE PROCESSO PENAL I
a) Trata-se de direito subjetivo pleno, podendo ser imposto judicialmente de
ofício se o Ministério Público recusar.
b) O magistrado pode propor o acordo de ofício caso identifique o
preenchimento de todos os requisitos.
c) Não é um direito subjetivo do investigado; se o MP recusar a proposta, o
juiz deve encaminhar os autos à instância ministerial de revisão.
d) É um direito processual indisponível que impede qualquer tipo de confissão
por parte do réu.
5. Qual é o patamar de pena exigido cumulativamente pelo CPP para que
seja cabível a propositura do ANPP?
a) Pena máxima inferior a 2 anos.
b) Pena mínima inferior a 4 anos.
c) Pena mínima igual ou superior a 4 anos.
d) Pena máxima não superior a 4 anos.
6. No cálculo do patamar de pena para o ANPP, como devem ser
consideradas as causas de aumento e de diminuição de pena?
a) Incide a maior fração de aumento e a menor fração de diminuição.
b) Considera-se apenas a pena abstrata simples, ignorando-se qualificadoras
ou privilégios.
c) Incide a menor fração de aumento e a maior fração de diminuição sobre o
mínimo legal.
d) Deve-se aplicar o termo médio da pena sem computar frações.
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7. O ANPP é perfeitamente admissível em crimes que envolvem violência
quando:
a) A violência for exercida com grave ameaça à pessoa.
b) O crime for praticado no âmbito de violência doméstica e familiar.
c) A violência for exercida contra a coisa ou nos crimes culposos.
d) O crime for capitulado como feminicídio.
8. Assinale a alternativa que apresenta uma hipótese em que o ANPP é
expressamente PROIBIDO pelo Código de Processo Penal:
a) Furto com rompimento de obstáculo.
b) Homicídio culposo.
c) Infrações em que for cabível a transação penal.
d) Crime praticado por agente primário sem reincidência.
9. Se um investigado tiver sido beneficiado por transação penal anterior,
qual é o prazo mínimo fixado por lei para que possa celebrar um novo ANPP?
a) 3 anos.
b) 5 anos.
c) 10 anos.
d) O cumprimento de transação penal impede o benefício em caráter perpétuo.
10. O termo inicial para a contagem do intervalo proibitivo de 5 anos para
novos benefícios bilaterais é:
a) Do cometimento do primeiro crime até a denúncia do segundo.
b) Da homologação judicial do primeiro acordo até o trânsito em julgado.
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c) Do cumprimento da medida anterior até a data do cometimento da nova
infração.
d) Da assinatura do termo até a audiência de custódia do novo delito.
11. Qual das seguintes condutas afasta a concessão do ANPP por
vedação legal expressa?
a) Confissão formal e detalhada em ambiente policial.
b) Reparação integral do dano material suportado pela vítima.
c) Elementos que indiquem conduta criminal habitual, reiterada ou profissional,
salvo infrações pretéritas insignificantes.
d) Renúncia voluntária a bens indicados pelo Ministério Público.
12. Em relação aos crimes de gênero ou praticados contra a mulher, o
ANPP:
a) É admitido caso a pena do delito de injúria seja inferior a 4 anos.
b) É proibido em crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou
familiar, ou contra a mulher por razões da condição de sexo feminino.
c) Pode ser proposto desde que haja a concordância expressa da vítima em
audiência.
d) É cabível se houver substituição da prestação pecuniária por restritiva de
direitos.
13. Dentre as condições que podem ser aplicadas no ANPP de forma
cumulativa ou alternativa, a prestação de serviços à comunidade deve observar:
a) O período correspondente à pena máxima cominada, diminuída de metade.
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b) O período correspondente à pena mínima cominada ao delito, diminuída de
1/3 a 2/3.
c) O prazo fixo de 2 anos, independentemente da capitulação jurídica.
d) O período da prisão temporária já cumprida pelo investigado.
14. Quando o investigado aceita abrir mão voluntariamente de bens e
direitos indicados pelo MP por serem instrumentos ou proveito do crime, o instituto
opera um:
a) Confisco aquiescido.
b) Arresto punitivo monocrático.
c) Sequestro cautelar definitivo de ofício.
d) Perdimento integral com trânsito imediato.
15. Na fase de procedimento e homologação do ANPP, o papel do juiz
consiste estritamente em analisar:
a) O mérito da culpa e a fixação exata da pena privativa de liberdade.
b) A voluntariedade, a legalidade e a adequação das condições.
c) A constitucionalidade abstrata da denúncia ofertada previamente.
d) Os antecedentes criminais da vítima e das testemunhas arroladas.
16. Se o magistrado recusar a homologação do ANPP por motivos
diversos da insuficiência ou abusividade de cláusulas, qual recurso é cabível?
a) Apelação criminal.
b) Agravo em execução penal.
c) Recurso em Sentido Estrito (RESE).
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d) Embargos infringentes.
17. O descumprimento injustificado das condições pactuadas no ANPP
enseja:
a) A aplicação imediata de pena de prisão sem processo.
b) A rescisão do acordo e o retorno dos autos ao MP para oferecimento da
denúncia.
c) A extinção automática da punibilidade pelo decurso de prazo.
d) A instauração de inquérito civil público por ato de improbidade.
18. Se houver a rescisão do ANPP por culpa do investigado, a confissão
formal e circunstanciada realizada no acordo:
a) É considerada nula e deve ser desentranhada dos autos.
b) Poderá ser validamente utilizada como prova pelo MP para embasar a
denúncia.
c) Serve apenas como indício genérico, sendo proibida sua citação na peça
acusatória.
d) Transforma-se automaticamente em condenação sem direito a recurso.
19. Em relação ao cumprimento das condições e à detração penal, caso
o investigado cumpra parcialmente o ANPP e depois o abandone:
a) O tempo cumprido deve ser abatido de eventual pena aplicada em futura
sentença.
b) Ele terá direito à detração proporcional calculada pelo Juízo das Execuções.
c) O que foi parcialmente cumprido é perdido pelo agente, não gerando direito
à detração penal.
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d) O acordo é suspenso por igual período para que ele retome o cumprimento.
20. Durante o período em que o ANPP está sendo cumprido pelo
investigado, o curso do prazo prescricional:
a) Corre pela metade do tempo previsto no Código Penal.
b) Fica suspenso até o integral cumprimento ou rescisão da avença.
c) É interrompido, zerando a contagem anterior.
d) Flui normalmente, extinguindo a punibilidade se atingir o prazo legal.
21. Quanto ao direito intertemporal, o ANPP retroage para alcançar
processos em andamento antes da vigência do Pacote Anticrime desde que:
a) O réu seja menor de 21 anos na data do fato.
b) Ainda não tenha sido prolatada a sentença condenatória.
c) Tenha ocorrido a citação do acusado em âmbito ministerial.
d) O processo esteja aguardando julgamento no Supremo Tribunal Federal.
22. O limite máximo de cumprimento de penas privativas de liberdade no
Brasil foi alterado pelo Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019) para:
a) 30 anos.
b) 35 anos.
c) 40 anos.
d) 50 anos.
23. A alteração no artigo 25 do Código Penal incluiu expressamente a
legítima defesa para:
a) Cidadãos comuns que portem armas de fogo registradas em áreas rurais.
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b) Agentes de segurança pública que repelem agressão em situações com
reféns.
c) Proprietários de estabelecimentos comerciais contra crimes patrimoniais
noturnos.
d) Advogados no exercício de suas prerrogativas institucionais.
24. O instituto do "Juiz das Garantias" (artigos $3^{\circ}-A$ a $3^{\circ}-
F$ do CPP), validado pelo STF, assegura qual princípio estruturante?
a) Princípio da celeridade processual extrema.
b) Princípio da imparcialidade do juiz.
c) Princípio da verdade real absoluta.
d) Princípio da consunção penal.
25. Conforme determinação do parágrafo único do art. 316 do CPP, a
prisão preventiva deve ser revisada pelo magistrado sob pena de tornar-se ilegal a
cada:
a) 30 dias.
b) 60 dias.
c) 90 dias.
d) 120 dias.
26. De acordo com o entendimento consolidado pelo STF em 2024, a
soberania dos veredictos autoriza a execução imediata da pena imposta pelo
Tribunal do Júri:
a) Apenas para penas restritivas de direitos superiores a 15 anos.
b) Independentemente do quantum da pena fixada.
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c) Somente quando o réu confessar a prática do homicídio qualificado.
d) Exclusivamente se houver risco de fuga internacional comprovado.
27. Com a edição da Lei 14.994/2024, o feminicídio passou a figurar no
ordenamento brasileiro como:
a) Causa de aumento genérica na terceira fase da dosimetria.
b) Crime autônomo, com pena de reclusão fixada entre 20 e 40 anos.
c) Contravenção penal de alta periculosidade social.
d) Qualificadora dependente de representação da família da vítima.
28. O crime autônomo e hediondo de "vicaricídio", aprovado pelo
Congresso Nacional em março de 2026, consiste em:
a) Matar o cônjuge em situação de legítima defesa da honra.
b) Deixar de comunicar às autoridades a ocorrência de maus-tratos no
ambiente escolar.
c) Matar um terceiro (como filhos ou parentes da mulher) com o dolo específico
de causar sofrimento psicológico devastador a ela.
d) Lesar a integridade física de idosos em regime de acolhimento institucional.
29. Segundo a jurisprudência recente consolidada pelo STJ (2024-2026),
condenações penais antigas extintas há mais de 10 anos:
a) Podem ser utilizadas apenas para fundamentar a prisão preventiva.
b) Caracterizam reincidência específica em crimes patrimoniais.
c) Não podem ser usadas nem mesmo como maus antecedentes, em respeito
à Teoria do Direito ao Esquecimento no Âmbito Penal.
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d) Devem ser incluídas obrigatoriamente no Cadastro Nacional de Pedófilos.
30. A Lei Antifacção previu que, para enfrentar organizações criminosas
de alta periculosidade, os crimes por elas praticados possam ser julgados por:
a) Um colegiado de três juízes, visando diluir a responsabilidade e evitar
ameaças.
b) Um júri popular composto exclusivamente por agentes de segurança
pública.
c) Um único magistrado monocrático com identidade mantida em segredo
absoluto.
d) Uma comissão disciplinar vinculada diretamente ao Ministério da Justiça.
PARTE II – QUESTÕES DISCURSIVAS
Questão 1
Discorra sobre a natureza jurídica do Acordo de Não Persecução Penal
(ANPP), explicando se este instituto constitui um direito subjetivo do investigado. Em sua
resposta, aborde o procedimento a ser adotado pelo magistrado caso o Ministério Público
se recuse, sem fundamentação idônea, a propor o referido ajuste.
Questão 2
Determinado indivíduo praticou o crime de furto qualificado pelo rompimento
de obstáculo à subtração da coisa. Sabendo-se que o delito não envolveu violência física
contra nenhuma pessoa, analise a viabilidade jurídica de oferecimento do ANPP sob a
ótica dos requisitos e vedações legais do instituto. Explique também como deve ser
realizado o cálculo da pena mínima para a verificação do cabimento do benefício.
Questão 3
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Explique quais são as consequências jurídicas processuais e materiais
decorrentes do descumprimento injustificado das condições fixadas em sede de ANPP,
abordando especificamente a situação da contagem do prazo prescricional, o
aproveitamento da confissão e o direito à detração penal.
Questão 4
A Lei n. 14.994/2024 e as inovações legislativas de março de 2026
modificaram sensivelmente o tratamento penal dispensado aos crimes de gênero.
Diferencie as figuras do Feminicídio e do recém-aprovado crime de "Vicaricídio",
apontando suas definições, naturezas típicas e penalidades máximas cominadas.
Questão 5
No que concerne à aplicação da lei penal no tempo e aos antecedentes
criminais, analise a seguinte situação com base na doutrina e jurisprudência recente
(2024-2026) colacionada no material:
O que a jurisprudência diz sobre utilização de condenações criminais antigas
extintas há mais de 10 anos como maus antecedentes?