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Ventilação 
A ventilação é um dos aspectos mais importantes da monitorização anestésica, pois 
pacientes sob anestesia geral apresentam redução da função respiratória devido à 
depressão dos centros respiratórios e ao relaxamento muscular induzidos pelos anestésicos. 
Como consequência, podem ocorrer hipoventilação, hipercapnia, hipoxemia, atelectasia e 
alterações na relação ventilação/perfusão (V/Q). 
A inspiração é um processo ativo que depende principalmente da contração do diafragma e 
dos músculos intercostais, enquanto a expiração, na maioria das espécies, é um processo 
passivo resultante do retorno elástico dos pulmões e da parede torácica à posição de 
repouso. Nos equinos, entretanto, a expiração apresenta um componente bifásico, com 
uma fase passiva seguida de uma fase ativa, característica que se torna ainda mais evidente 
durante a anestesia. 
O pulmão não possui musculatura própria capaz de promover sua expansão. Seu 
movimento ocorre em resposta às alterações de volume da caixa torácica e às mudanças de 
pressão dentro da cavidade torácica. Durante a anestesia geral, ocorre inevitavelmente 
algum grau de colapso alveolar, denominado atelectasia, o que contribui para a formação 
de áreas com trocas gasosas inadequadas e favorece o desenvolvimento de hipoxemia. 
Na ventilação espontânea, o animal mantém a geração da pressão negativa intratorácica 
durante a inspiração, o que favorece o retorno venoso ao coração e contribui para a 
manutenção do débito cardíaco. Entretanto, a depressão respiratória induzida pelos 
anestésicos pode resultar em hipoventilação, retenção de dióxido de carbono e 
desenvolvimento de acidose respiratória. Além disso, a frequência respiratória e o volume 
corrente podem variar significativamente, dificultando o controle da ventilação e da 
concentração alveolar dos anestésicos inalatórios. 
A ventilação mecânica utiliza pressão positiva para insuflar os pulmões. Essa técnica 
proporciona maior controle da ventilação alveolar, permitindo manter a pressão arterial de 
dióxido de carbono dentro de limites adequados e prevenindo a hipercapnia e a acidose 
respiratória. Além disso, melhora a oxigenação e possibilita um controle mais preciso da 
concentração dos anestésicos inalatórios administrados. Contudo, o aumento da pressão 
intratorácica provocado pela ventilação mecânica pode comprimir as grandes veias 
torácicas, reduzindo o retorno venoso, o débito cardíaco e, consequentemente, a pressão 
arterial. 
Os principais objetivos da ventilação mecânica são prevenir ou corrigir a hipoxemia, otimizar 
a oxigenação tecidual, evitar a hipercapnia e reduzir o trabalho respiratório do paciente. Ela 
também pode ser utilizada para prevenir fadiga muscular respiratória e melhorar a 
ventilação em pacientes com comprometimento pulmonar ou submetidos a procedimentos 
cirúrgicos prolongados. 
A ventilação mecânica é especialmente importante em situações em que há atelectasia, 
shunt pulmonar, desequilíbrio ventilação/perfusão ou hipoventilação significativa. No shunt 
pulmonar, o sangue continua perfundindo determinadas regiões do pulmão, mas os 
alvéolos dessas áreas não recebem ventilação adequada, impedindo as trocas gasosas. Já no 
desequilíbrio ventilação/perfusão, a quantidade de ar que chega aos alvéolos não 
corresponde adequadamente ao fluxo sanguíneo local, comprometendo a oxigenação do 
sangue. 
Diversas condições podem dificultar a ventilação espontânea durante a anestesia. Entre elas 
destacam-se a hérnia diafragmática, a dor intensa, a acidose, as toracotomias, os 
traumatismos torácicos, o timpanismo em grandes animais, a obesidade e o aumento do 
espaço morto alveolar. Nessas situações, a ventilação mecânica frequentemente se torna 
necessária para garantir trocas gasosas adequadas e manter a estabilidade fisiológica do 
paciente anestesiado. 
Ajustes 
Os ajustes da ventilação mecânica devem ser realizados de forma individualizada, 
considerando as necessidades do paciente e os objetivos de oxigenação e ventilação. Entre 
os principais parâmetros ajustáveis estão a FiO₂ (fração inspirada de oxigênio), a PEEP 
(pressão positiva ao final da expiração), o tempo inspiratório, a pressão inspiratória de 
pico (PIP), a frequência respiratória e o volume corrente. 
A FiO₂ determina a concentração de oxigênio fornecida ao paciente. Seu aumento melhora a 
oxigenação, porém concentrações muito elevadas por períodos prolongados podem 
favorecer a formação de atelectasias por absorção e aumentar o risco de toxicidade 
pulmonar. Portanto, deve-se utilizar a menor FiO₂ capaz de manter adequada oxigenação. 
A PEEP é utilizada para manter os alvéolos abertos ao final da expiração, reduzindo o 
colapso alveolar e melhorando as trocas gasosas. Embora contribua para a prevenção de 
atelectasias e para a redução do shunt pulmonar, valores excessivos podem aumentar a 
pressão intratorácica, reduzindo o retorno venoso, o débito cardíaco e a pressão arterial. 
O tempo inspiratório corresponde ao período durante o qual o ventilador fornece gás aos 
pulmões. Sua duração influencia diretamente a distribuição do ar nos alvéolos e a pressão 
média das vias aéreas. Ajustes inadequados podem comprometer a ventilação ou favorecer 
o desenvolvimento de lesões pulmonares. 
A pressão inspiratória de pico (PIP) representa a maior pressão alcançada nas vias aéreas 
durante a inspiração. Esse parâmetro deve ser mantido dentro de limites seguros para 
garantir ventilação adequada sem provocar barotrauma. Pressões excessivamente elevadas 
podem causar lesão pulmonar associada à ventilação mecânica. 
A frequência respiratória determina o número de ciclos respiratórios por minuto e 
influencia diretamente a eliminação de dióxido de carbono. Seu ajuste é frequentemente 
utilizado para corrigir alterações na PaCO₂ e no ETCO₂. Frequências muito baixas favorecem 
hipercapnia, enquanto frequências excessivamente elevadas podem reduzir o tempo 
expiratório e favorecer aprisionamento aéreo. 
O volume corrente corresponde ao volume de ar administrado a cada inspiração. Esse 
parâmetro é fundamental para garantir ventilação alveolar adequada. Volumes muito 
baixos podem resultar em hipoventilação e atelectasia, enquanto volumes excessivos 
aumentam o risco de volutrauma e lesão pulmonar. 
Diferentes modalidades respiratórias 
Disparos da ventilação (Trigger) = inicia a respiração, começa o ciclo a cada 6 segundos. 
Permite que o ventilador identifique o esforço inspiratório do paciente e sincronize a 
ventilação mecânica. Identifica a pressão e o fluxo. 
Ciclagem/Limites: critérios para o ventilador encerrar a fase inspiratória. 
Ventiladores 
Eletrônicos: 
Limitado a volume corrente: programado para receber um volume corrente, o volume 
administrado é controlado, enquanto a pressão pode variar. Varia de acordo com a 
resistência pulmonar e pode causar barotrauma em pulmões rígidos. 
Limitado a pressão: programado para receber uma pressão especifica, podendo variar o 
volume. Podem provocar redução no volume inspirado, ocasionando hipercapnia. Pode 
causar volutrauma. 
A I:E utilizada normalmente na medicina veterinária é de 1:2, sendo o tempo expiratório 
maior que a inspiração. 
Ventiladores pneumáticos utilizam a energia proveniente de um gás comprimido, 
geralmente oxigênio ou ar comprimido, para gerar os ciclos respiratórios. Dependendo do 
modo ventilatório selecionado, podem operar com limitação de pressão ou de volume. 
Quando ajustados para limitação de pressão, a pressão inspiratória máxima é previamente 
definida, reduzindo o risco de barotrauma e lesão pulmonar por excesso de pressão. 
Entretanto, caso a complacência pulmonar esteja reduzida ou a resistência das vias aéreas 
aumentada, o volume corrente entregue ao paciente pode ser insuficiente, resultando em 
hipoventilação. 
Por outro lado, quando ajustados para limitação de volume, o ventilador garante a 
administração dovolume corrente programado a cada ciclo respiratório. Nessa situação, 
porém, a pressão necessária para entregar esse volume pode aumentar significativamente 
em pulmões pouco complacentes ou com resistência elevada, aumentando o risco de 
barotrauma e volutrauma. 
 
Ventilador por pressão positiva intermitente 
VPPI 
Ideal para pacientes com fraqueza muscular ou cansaço extremo, ocorre por pressão 
positiva. 
PEEP + VPPI = a PEEP adicionada de VPPI evita o colamento total dos alveolos, promove uma 
ventilação protetora. Promove melhora na V/Q. Apesar disso, aumenta a pressão 
intratorácica. 
Pode provocar hipercapnia 
Se um ventilador com fole for utilizado sem um mecanismo adequado de limitação ou 
compensação, o aumento d "A ventilação mecânica com pressão positiva aumenta a 
pressão intratorácica, reduz o retorno venoso, diminui a pré-carga e pode causar redução 
do débito cardíaco e da pressão arterial quando comparada à ventilação espontânea." 
o fluxo de gases frescos (FGF) pode resultar na entrada de um volume adicional de gás no 
circuito respiratório, aumentando o volume corrente administrado ao paciente 
É por isso que, durante a anestesia, não basta monitorar apenas a pressão arterial ou 
apenas a saturação de oxigênio; é necessário avaliar conjuntamente a função cardiovascular 
e a oxigenação para estimar adequadamente a oferta de oxigênio aos tecidos. 
 
Modalidades respiratórias 
No modelo controlado a respiração é feita inteiramente pelo ventilador, a FR é ajustada 
pelo operador. O modo controlado é amplamente utilizado durante a anestesia geral 
profunda, em pacientes apneicos, sob bloqueio neuromuscular ou quando se deseja 
controle rigoroso da ventilação e da concentração de dióxido de carbono. Sua principal 
vantagem é proporcionar ventilação previsível e estável. Entretanto, por utilizar pressão 
positiva, pode reduzir o retorno venoso, o débito cardíaco e a pressão arterial quando 
comparado à ventilação espontânea. 
Modelo assistido: o ventilador auxilia na ventilação do paciente, mas a inspiração é iniciada 
pelo animal. Trigger de pressão ou de fluxo. A FR é ajustada pelo próprio paciente. Utilizada 
em pacientes que necessitam de auxílio para reduzir o trabalho respiratório ou melhorar a 
ventilação. 
Modo espontâneo: tanto o disparo da inspiração quanto a FR dependem exclusivamente do 
paciente. Permite que respire através de circuitos. SIMV (Ventilação Mandatória 
Intermitente Sincronizada): o ventilador garante esforço inspiratório, o ventilador detecta e 
pode ajudar com pressão. Útil em animais que tem FR instável, hipo leve. 
Característica Ventilação Controlada por 
Volume (VCV) 
Ventilação Controlada por 
Pressão (VCP) 
Disparo Tempo (modo controlado) ou 
esforço do paciente por 
pressão/fluxo (modo assistido) 
Tempo (modo controlado) ou 
esforço do paciente por 
pressão/fluxo (modo assistido) 
Variável 
limitante 
Volume corrente (VT) 
programado 
Pressão inspiratória programada 
O que o 
ventilador 
controla? 
Volume Pressão 
Ciclagem Quando atinge o volume 
programado 
Quando termina o tempo 
inspiratório 
Pressão Variável Controlada 
Volume Controlado Variável 
Se o pulmão 
ficar rígido (↓ 
complacência) 
A pressão aumenta para entregar 
o volume programado 
O volume diminui porque a 
pressão não ultrapassa o limite 
estabelecido 
 
Na VCV, quando a complacência pulmonar está reduzida, o ventilador continua tentando 
entregar o volume corrente programado. Para isso, ele aumenta a pressão inspiratória, o 
que pode levar ao aumento da pressão intratorácica. 
Esse aumento da pressão intratorácica reduz o retorno venoso ao coração, porque dificulta 
a entrada de sangue no átrio direito. Como consequência, ocorre redução da pré-carga, 
diminuição do volume sistólico e possível redução do débito cardíaco (DC). Em casos mais 
acentuados, pode surgir hipotensão. 
Já na VCP, a pressão é limitada. Assim, quando a complacência diminui, o ventilador não 
aumenta a pressão além do valor programado; em vez disso, o volume corrente entregue 
diminui. Isso protege mais o sistema cardiovascular contra aumentos excessivos da pressão 
intratorácica, mas aumenta o risco de hipoventilação e retenção de CO₂. 
Resumindo: 
• VCV + baixa complacência → pressão ↑ → retorno venoso ↓ → DC ↓ → 
hipotensão. 
• VCP + baixa complacência → volume corrente ↓ → ventilação ↓ → PaCO₂ ↑ → 
hipercapnia 
 
• 
• VCV: ventilador controla volume. 
• VCP: ventilador controla pressão. 
• PSV: paciente controla a respiração e o ventilador apenas auxilia com pressão. 
• SIMV: mistura respirações espontâneas com respirações mandatórias. 
• CPAP: paciente respira sozinho sob pressão positiva contínua. 
 
Desmame 
O desmame ventilatório consiste na retirada gradual do suporte ventilatório, devendo-se 
monitorar hipercapnia (PaCO₂ > 45 mmHg), acidose respiratória (pH

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