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VOZES DO REINADO (EP1) ~ AFRO MEMÓRIA ITAUNENSE

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VOZES DO REINADO (EP1)
PRIMEIRO EPISÓDIO
A HISTÓRIA
O primeiro episódio da série documental A História do Reinado em Itaúna, produzido pela
Prefeitura Municipal de Itaúna e intitulado "A História", apresenta as narrativas de origem do
Reinado preservadas pela memória coletiva e pela tradição oral de seus participantes. 
Por meio de relatos, lembranças e interpretações compartilhadas pelos próprios reinadeiros, o
episódio aborda temas como a diáspora africana, a experiência da escravidão, a devoção a Nossa
Senhora do Rosário e as narrativas ancestrais que, ao longo das gerações, passaram a compor o
universo simbólico e identitário do Reinado em Itaúna.
 O documentário destaca o sofrimento dos povos africanos que foram retirados à força de
suas terras de origem, privados de seus vínculos familiares, costumes, crenças e formas de
organização social. Submetidos ao trabalho compulsório e a diversas formas de violência, esses
homens e mulheres enfrentaram um processo de desumanização que buscava apagar suas
identidades culturais e espirituais.
Entretanto, o episódio ressalta que, mesmo diante das adversidades impostas pela
escravidão, os africanos e seus descendentes desenvolveram estratégias de resistência que
permitiram a preservação de elementos fundamentais de sua cultura. 
Nesse contexto, a devoção a Nossa Senhora do Rosário surge como um importante
instrumento de fortalecimento espiritual, solidariedade coletiva e manutenção da memória
ancestral. A fé tornou-se não apenas uma expressão religiosa, mas também um espaço de
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resistência cultural capaz de fortalecer laços comunitários e preservar tradições herdadas de seus
antepassados.
O documentário apresenta, em seguida, a conhecida lenda de Chico Rei, personagem central
do imaginário afro-mineiro. Segundo a tradição, Galanga — também identificado como Muzinga —
era um rei em uma região de Angola que foi capturado durante os conflitos que alimentavam o
tráfico atlântico de escravizados. 
Transportado para Minas Gerais, foi submetido à escravidão e, durante o processo de
catequização imposto pela Igreja Católica, recebeu o nome cristão de Francisco, passando a ser
conhecido popularmente como Chico Rei.
A narrativa enfatiza que, em sua terra natal, Galanga exercia autoridade política e social sobre
sua comunidade, sendo responsável pela organização das normas, deveres e responsabilidades
coletivas. 
Essa memória de liderança é apresentada como um dos elementos simbólicos que
contribuíram para a constituição das hierarquias cerimoniais presentes no Reinado, especialmente
nas figuras dos reis, rainhas, capitães e demais cargos que compõem a estrutura da festividade.
Outro aspecto relevante abordado pelo episódio refere-se à tradição oral relacionada à Guarda
de Moçambique. Conforme os relatos preservados por famílias e integrantes do Reinado, teria
sido essa guarda a responsável por retirar a imagem de Nossa Senhora do Rosário das águas,
estabelecendo uma ligação espiritual permanente entre a santa e os moçambiqueiros. 
Essa narrativa ocupa lugar central na memória coletiva dos grupos congadeiros e reforça a
importância simbólica da Guarda de Moçambique dentro das celebrações do Reinado.
 Segundo os relatos apresentados no documentário, destaca-se também a relevância histórica
da Capela dos Sete Guardas, dedicada à Nossa Senhora do Rosário, considerada pelos
participantes um dos principais símbolos de fé, resistência e continuidade da tradição do Reinado
em Itaúna. 
Associada à memória da população afrodescendente e às manifestações religiosas ligadas ao
Reinado, a capela é apresentada como um espaço de preservação da ancestralidade, da devoção
e das práticas culturais transmitidas entre gerações.
Para enriquecer a narrativa, o episódio reúne depoimentos de diversas lideranças e
representantes da tradição reinadeira. Entre eles estão Jefferson Lázaro, capitão da Guarda de
Moçambique de Santa Efigênia; Maria Luiza, pesquisadora do patrimônio histórico, artístico e
cultural; Dilermando, Rei Congo de Itaúna; e Maria Ana, Rainha Conga do município. 
Aos noventa anos de idade e há quarenta e dois anos coroada, Maria Ana compartilha
memórias de sua trajetória no Reinado, destacando a convivência com importantes personagens
da festividade, entre elas a saudosa Sãozinha Basílio, reconhecida como uma das mais antigas
rainhas da celebração.
Ao final, o episódio reafirma o Reinado como uma manifestação cultural profundamente
marcada pela resistência histórica, pela preservação da ancestralidade africana e pela devoção
religiosa. Mais do que uma festividade, o Reinado é apresentado como um patrimônio vivo que
conecta passado e presente, mantendo acesa a memória dos antepassados e fortalecendo
identidades coletivas que atravessam gerações em Minas Gerais e, particularmente, em Itaúna.
© AFRO MEMÓRIA ITAUNENSE
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Projeto independente de memória, história e patrimônio cultural.
Texto, pesquisa, arte e concepção:
Charles Galvão de Aquino — Historiador (Registro nº 343/MG).
Nota sobre a imagem de capa
A imagem utilizada na capa deste documentário foi produzida com o auxílio de ferramentas de
Inteligência Artificial (IA), tendo como referência fotografias, registros visuais, elementos
arquitetônicos, símbolos, relatos orais e informações históricas relacionados ao Reinado de Itaúna.
Trata-se de uma representação artística inspirada no patrimônio cultural e religioso da
manifestação, não correspondendo a um registro fotográfico real de um evento específico.
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