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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ODONTOLOGIA DO RIO GRANDE DO NORTE ESPECIALIZAÇÃO EM ODONTOPEDIATRIA JÚLIA HILARY OLIVEIRA DA SILVA HIPERSENSIBILIDADE DENTINÁRIA E ODONTOPEDIATRIA NATAL/RN 2026 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO …………………………………………………………………………..…03 REFERENCIAL TEÓRICO …………………………………………………………….…03 ETIOLOGIA E MECANISMO DE AÇÃO ……………………………..…………03 HD E ODONTOPEDIATRIA ……………………………………….……………..03 DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO DA DOR ……………………………………...04 HD E DEFEITOS DE DESENVOLVIMENTO DENTÁRIO ……..………….….04 HD E DESGASTE DENTÁRIO……………………………………………….…..05 FORMAS DE TRATAMENTO E MANEJO………….……………………….….05 COMPOSTOS FLUORETADOS…………….……………………………05 LASERTERAPIA……………………………………………………………05 MATERIAIS RESTAURADORES…………………………………………06 PROTOCOLO DE TRATAMENTO COM BASE NO GUIDELINE DA ACADEMIA AMERICANA DE ODONTOPEDIATRIA (AAPD) EM PACIENTES COM HMI……………………………………………………06 PROTOCOLOS ASSOCIATIVOS………………………………………..06 PRINCIPAIS PRODUTOS………………………………………………………..06 ELMEX SENSITIVE PROFESSIONAL………………………………….06 CLINPRO 5000…………………………………………………………….06 DESENSIBILIZE KF 2%......................................................................07 DESENSIBILIZE KF 0,2%...................................................................07 DURAPHAT ………………………………………………………………..07 CONSIDERAÇÕES FINAIS ……………………………………………………..07 3 1 INTRODUÇÃO A hipersensibilidade dentinária (HD) é uma condição comum nos consultórios odontológicos, caracterizada por uma dor localizada, aguda, súbita e de curta duração, desencadeada em resposta a estímulos térmicos, químicos, osmóticos, táteis ou evaporativos aplicados aos túbulos dentinários expostos, não podendo ser atribuída a nenhuma outra patologia/condição dentária como pulpites, cáries ou restaurações insatisfatórias. Trata-se de uma condição de etiologia multifatorial, diretamente relacionada à exposição dos túbulos (SHITSUKA, 2015). Um estudo conduzido com adultos na Turquia, cuja média de idade foi de 35,6 anos, avaliou 12.048 dentes para investigar a ocorrência de hipersensibilidade dentinária, em que 14,57% apresentaram sensibilidade térmica, enquanto 3,9% responderam ao estímulo evaporativo. Além disso, observou-se que os incisivos foram os dentes mais frequentemente acometidos, ao passo que os molares apresentaram menor envolvimento. (KATIRCI, 2023) Outro estudo realizado no Brasil, em que participaram 72 indivíduos, sendo 56 mulheres (77,8%) e 16 homens (22,2%), totalizando a avaliação de 288 dentes, dos quais 144 apresentavam hipersensibilidade dentinária (HD) e 144 não apresentavam. (ROCHA, 2020) Embora frequentemente associada a adultos devido a lesões cervicais não cariosas ou recessão gengival, a HD também é uma queixa relevante na odontopediatria, já que apresenta desafios significativos, afetando a capacidade de higienização bucal, aumentando o risco de lesões cariosas, gerando ansiedade e medo odontológico, o que dificulta o manejo comportamental e os tratamentos clínicos. (AAPD, 2024) 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 ETIOLOGIA E MECANISMO DE AÇÃO A ocorrência da hipersensibilidade necessita da exposição dos túbulos dentinários, denotando sua etiologia multifatorial associada a fatores químicos, térmicos e mecânicos (DE LIMA, 2021). Algumas teorias já foram propostas para explicar o mecanismo da dor, porém o mecanismo de ação mais amplamente aceito na literatura para explicar essa resposta dolorosa é a "Teoria Hidrodinâmica", proposta por Brännström em 1968 (DE LIMA,2021; SHITSUKA, 2015.) Segundo Lima et al. e Shitsuka et al., tal teoria propõe que a aplicação de um estímulo na dentina exposta movimenta o fluido no interior dos túbulos. Essa movimentação causa uma deformação mecânica nas terminações nervosas na interface dentina-polpa, desencadeando a dor. (MARIAS, 2010) 2.2 HD E ODONTOPEDIATRIA A HD na odontopediatria é observada quando, da mesma forma que em pacientes adultos, ocorre exposição dos túbulos dentinários, porém decorrentes de questões diferentes, como os defeitos de esmalte. A hipersensibilidade é um achado extremamente recorrente em dentes pediátricos diagnosticados com Hipomineralização Molar-Incisivo (HMI), por exemplo, conforme aponta a AAPD. 4 2.3 DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO DA DOR O diagnóstico clínico é realizado por testes de sensibilidade mecânicos (com sonda exploradora) ou de desidratação (com jato de ar) (DE LIMA,2021). Para estabelecer uma intensidade de dor, a Schiff Cold Air Sensitivity Scale (SCASS) é amplamente utilizada, classificando a reação do paciente de 0 (nenhuma resposta) a 3 (dor e solicitação de interrupção do estímulo). A Visual Analog Scale (VAS) também é empregada para medir a intensidade da dor em uma linha contínua de 0 a 10 (ROCHA, 2020). No entanto, para a odontopediatria uma ferramenta muito utilizada é a Wong-Baker Faces Scale (WBFS). Essa escala foi desenvolvida especificamente para ajudar crianças a expressarem a dor de forma lúdica, utilizando ilustrações de expressões faciais que variam de um rosto feliz (sem dor) a um rosto muito triste (dor intensa). Figura 01 – Escala de dor de Wong-Baker Faces Fonte: Wong-Baker Faces Foundation. Adaptado pela autora (2026). 2.4 HD E DEFEITOS DE DESENVOLVIMENTO DENTÁRIO Em crianças, uma das condições em que a hipersensibilidade dentária é frequentemente observada é a hipomineralização molar-incisivo (HMI). De acordo com a AAPD (2024), nesses casos ocorrem aumento da resposta aos estímulos devido à porosidade do esmalte, que permite a permeação bacteriana e pode levar a uma inflamação pulpar subclínica, além de maior densidade de inervação pulpar. Clinicamente, pode ser classificada como leve quando provocada por estímulos externos, como ar e água, ou severa quando ocorre de forma espontânea e persistente, podendo prejudicar funções como alimentação e escovação. A hipersensibilidade tende a ser mais intensa em dentes que apresentam fraturas pós-eruptivas. Além disso, a fluorose dentária pode estar frequentemente associada a HD, em decorrência das alterações no tamanho dos túbulos dentinários. (TONGUC, 2011). 5 2.5 HD E DESGASTE DENTÁRIO Outra possibilidade do acometimento da HD em crianças é como sintomatologia do desgaste dentário, em que há perda de tecido dentário mineralizado, podendo ser classificado como abrasão, atrição ou erosão. Diferentemente dos defeitos de desenvolvimento, o desgaste dentário ocorre após a erupção dentária. Isso indica que, após o diagnóstico correto, para que a perda de mineral dentário tenha sua progressão interrompida, deve-se realizar controle dos fatores etiológicos adequadamente, ajustando alimentação e hábitos para que o equilíbrio bucal seja restabelecido (SCARPARO, 2013). 2.6 FORMAS DE TRATAMENTO E MANEJO De acordo com De Lima et al., as formas de tratamento consistem na obliteração dos túbulos expostos ou na dessensibilização neural, podendo haver a combinação dos dois tipos de tratamento em um mesmo paciente. São agentes dessensibilizantes pela obliteração dos túbulos dentinários: a) Arginina: aminoácido de carga positiva que, associado ao carbonato de cálcio, liga-se à superfície dentária (carga negativa) e promove precipitação mineral. b) Cloreto de estrôncio: presente em dentifrícios e vernizes fluoretados; liga-se à dentina formando estronciopatita, reduzindo a condução hidráulica dentinária. c) Fosfosilicato de cálcio e sódio: em contato com meio aquoso liberam íons cálcio e fosfato, formando carbonato de hidroxiapatita, reduzindo a dor. d) Silicato de cálcio e fosfato de sódio: ao interagir com a saliva formam camada protetora com ação antierosiva, devido à afinidade com tecidos mineralizados. e) Arginina + fosfato tricálcio (TCP): o TCP fornece matéria-prima para aumento e manutenção do tecido,enquanto a arginina auxilia no transporte do TCP para o interior da dentina. São agentes com efeito neural: a) Sais de potássio (nitrato, cloreto e citrato de potássio): atuam na iniciação e condução dos impulsos nervosos, promovendo dessensibilização das membranas das fibras nervosas e reduzindo a dor. O nitrato de potássio mantém maior concentração de íons K⁺ no meio extracelular, contribuindo para a diminuição da excitabilidade nervosa. ) 2.6.1 COMPOSTOS FLUORETADOS Os compostos fluoretados podem ser apresentados como verniz, solução ou gel, contendo fluoretos de estanho, sódio, cálcio, potássio ou estrôncio. Atuam pela obliteração dos túbulos dentinários, ao se associarem aos íons cálcio do fluido dentinário e formarem cristais de hidroxiapatita no interior dos túbulos. A necessidade de múltiplas aplicações demonstra-se uma limitação, pois os cristais formados são menores que o diâmetro dos túbulos. (De Lima, 2021) 2.6.2 LASERTERAPIA A irradiação de laser nos tecidos dentários pode estimular as células nervosas pulpares, interferindo na polarização das membranas celulares e bloqueando o estímulo nervoso. Assim, vale citar: 1) Laser de baixa potência: possui ação analgésica, anti-inflamatória e reparadora. Inibe a transmissão de estímulos nervosos e acelera o processo de cicatrização por estimular a proliferação celular. 6 2) Laser de alta potência: Promove obliteração dos túbulos dentinários pela vaporização, coagulação e desnaturação proteica na interação com o dente. (De Lima, 2021) 2.6.3 MATERIAIS RESTAURADORES Consiste no uso de resina composta ou cimento de ionômero de vidro, porém sua indicação é apenas quando há perda significativa de estrutura dental maior ou igual a 1mm. Porém, continua necessário remover o fator etiológico da lesão. (De Lima, 2021) 2.6.4 PROTOCOLO DE TRATAMENTO COM BASE NO GUIDELINE DA ACADEMIA AMERICANA DE ODONTOPEDIATRIA (AAPD) EM PACIENTES COM HMI Para pacientes com HMI, a AAPD (2024) recomenda o uso de diamino fluoreto de prata, vernizes fluoretados e, em casos graves, pastas de dente com 5000 ppm de flúor. Além disso, o documento sugere o uso de ionômero de vidro, materiais que não demandem de condicionamento ácido excessivo, enxágue e secagem para não ocasionar desconforto ao paciente. As coroas de aço inoxidável também atuam no controle da hipersensibilidade em molares, como demonstra o estudo de De Farias et al. (2022), em que constatou a eliminação da dor associada a hipomineralização. 2.6.5 PROTOCOLOS ASSOCIATIVOS O uso de agentes com diferentes mecanismos de ação tem se mostrado usual no tratamento da HD, realizando-se, inicialmente, os agentes de ação neural e posteriormente, os obliteradores. Exemplo de protocolo associativo: 1º sessão: ação neural e fotobiomodulador 2º sessão: ação neural e fotobiomodulador 3º sessão: obliteradores 4º sessão: obliteradores 5º sessão: selador 2.7 PRINCIPAIS PRODUTOS 2.7.1 ELMEX SENSITIVE PROFESSIONAL Funciona selando os túbulos dentinários expostos (canais microscópicos), criando uma barreira física que bloqueia os estímulos externos - como frio ou calor - antes que cheguem ao nervo, aliviando a sensibilidade. Pode ser utilizado por crianças abaixo de 6 anos de idade, realizando controle da quantidade de dentifrício aplicado (ELMEX). 2.7.2 CLINPRO 5000 Possui Tricálcio fosfato (TCP) e fluoreto de sódio a 1,1% (5000 ppm de íons fluoreto), ou seja, altos níveis de flúor, além de contar com a tecnologia TCP para que o cálcio e o fluoreto não reajam e não diminua a disponibilidade de flúor livre. Deve ser utilizado apenas em crianças acima de 6 anos de idade, uma vez por dia, preferencialmente à noite (3M ESPE DENTAL PRODUCTS). 2.7.3 DESENSIBILIZE KF 2% 7 É um gel amplamente utilizado para os casos de hipersensibilidade, tem ação neural pelo nitrato de potássio e obliteradora pelo fluoreto de sódio. Pode interferir na velocidade do clareamento dental. Só deve ser usada antes e durante o clareamento caso a hipersensibilidade seja intensa. Não é permitido que o paciente leve-o para casa. Sua aplicação dura 10 minutos, podendo-se friccionar o produto sobre o dente após o decorrer do tempo para ajudar na penetração. Não foram encontrados registros/recomendações de uso em pacientes infantis (FGM). 2.7.4 DESENSIBILIZE KF 0,2% É um gel dessensibilizante de baixa viscosidade, com ação neural do Nitrato de Potássio e, portanto, não interfere na velocidade do clareamento dental, podendo ser utilizado antes, durante ou após o clareamento e ser levado para casa pelo paciente. Não foram encontrados registros/recomendações de uso em pacientes infantis (FGM). 2.7.5 DURAPHAT Trata-se de um verniz fluoretado a 5% (22.600 ppm de flúor) indicado para a prevenção de cáries e tratamento de hipersensibilidade dentinária, aplicado por dentistas. Atua formando uma película que adere aos dentes liberando flúor (COLGATE PROFISSIONAL). 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS A hipersensibilidade dentinária traz grande prejuízo à qualidade de vida não só de adultos, como de crianças, interferindo em atividades básicas como alimentação e higiene bucal. Na odontopediatria, sua ocorrência está frequentemente associada a condições como HMI e desgaste dentário, o que exige um olhar diferencial para a identificação dos fatores etiológicos. Assim, seu manejo deve ser individualizado, considerando idade, severidade e causa subjacente. Destaca-se, portanto, a associação de diferentes abordagens terapêuticas, com o conhecimento aprofundado da hipersensibilidade dentinária alinhado a uma abordagem clínica criteriosa e humanizada. 8 REFERÊNCIAS SHITSUKA, Caleb et al. Exploring some aspects associated with dentine hypersensitivity in children. The Scientific World Journal, v. 2015, n. 1, p. 764905, 2015.t60r98 KATIRCI, Gunseli; CELIK, Esra Uzer. The prevalence and predictive factors of dentine hypersensitivity among adults in Turkey. BMC Oral Health, v. 23, n. 1, p. 474, 2023. ROCHA, Mariana Oliveira Cotta et al. Sensitivity and specificity of assessment scales of dentin hypersensitivity–an accuracy study. Brazilian oral research, v. 34, p. e043, 2020. DE LIMA, JhenifferJhulya Bezerra et al. Hipersensibilidade dentinária: etiologia, diagnóstico e tratamento. Odontologia Clínico-Científica, v. 20, n. 2, p. 46-51, 2021. HJERTBERG, Ebba; HAJDAREVIĆ, Adnan; JÄLEVIK, Birgitta. Desensitization treatment in MIH-affected teeth: a systematic review. European Archives of Paediatric Dentistry, v. 26, n. 1, p. 17-29, 2025. AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRIC DENTISTRY. Molar-incisor hypomineralization. In: AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRIC DENTISTRY. The reference manual of pediatric dentistry. Chicago: American Academy of Pediatric Dentistry, 2024. p. 444–451. SCARPARO, Angela. Odontopediatria: fundamentos para a prática clínica. São Paulo: Santos, 2013. TONGUC, Mine Ozturk et al. Tooth sensitivity in fluorotic teeth. European Journal of Dentistry, v. 5, n. 03, p. 273-280, 2011. MATIAS, Maria Noelhya Angelo et al. Hipersensibilidade dentinária: uma revisão de literatura. Odontologia Clínico-Científica (Online), v. 9, n. 3, p. 205-208, 2010. DE FARIAS, A. L. et al. Survival of stainless-steel crowns and composite resin restorations in molars affected by molar-incisor hypomineralization (MIH). International Journal of Paediatric Dentistry, v. 32, n. 2, p. 240-250, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1111/ipd.12849. FGM. Desensibilize KF 2%: instruções de uso. Joinville: FGM Produtos Odontológicos, s.d. Disponível em: https://poldent.pl/wp-content/uploads/2025/06/1000006195-IFU-DESENSIBILIZE-KF- 2.pdf. Acesso em: 9 abr. 2026. FGM. Desensibilize KF 0,2%: instruções de uso. Joinville: FGM Produtos Odontológicos, s.d. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/api/consulta/produtos/25351408313202439/anexo/T2 9 6240227/nomeArquivo/IFU_Desensibilize_KF_0%2C2%25_2024.08.pdf?Authorization=Guest. Acesso em: 9 abr. 2026. 3M ESPE DENTAL PRODUCTS. Clinpro 5000: instruções de uso. Estados Unidos: 3M ESPE Dental Products, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 12 abr. 2026. ELMEX. Creme dental para sensibilidade elmex Sensitive Professional. Elmex Brasil, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 12 abr. 2026. COLGATE PROFISSIONAL. Verniz de flúor Colgate Duraphat. Disponível em: https://www.colgateprofissional.com.br/products/prescription-only-products/fluor-dura phat. Acesso em: 12 abr. 2026. https://www.colgateprofissional.com.br/products/prescription-only-products/fluor-duraphat?utm_source=chatgpt.com