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Perícia Forense - Documentoscopia Aula 07 - Papéis de segurança INTRODUÇÃO Nesta aula, falaremos a respeito dos papéis de segurança, suas características e os elementos neles presentes, que visam dificultar a ação dos falsários. Dentre os papéis de segurança mais conhecidos encontram-se o papel moeda e os diversos documentos de identificação, como o RG (Registro Geral), a CNH (Carteira Nacional de Habilitação), os documentos de identificação profissional, dentre outros. OBJETIVOS Definir papel de segurança. Identificar os elementos que caracterizam os papéis de segurança. Distinguir as diferentes técnicas de inserção de elementos de segurança nos papéis. PAPÉIS DE SEGURANÇA Possuem características que impedem a falsificação de documentos com eles preparados. Tais características se devem à utilização de técnicas gráficas de segurança associadas à logística de fabricação, que conferem ao documento a proteção necessária contra adulteração, cópia ou contrafação (glossário), inibindo, dessa forma, a ação dos falsários. As várias técnicas de segurança podem ser usadas isoladamente ou associadas, incorporadas: Na própria massa do papel Durante sua fabricação No preparo das matrizes de impressão Na composição das tintas de impressão Introduzindo falhas ou sinais em áreas predeterminadas TÉCNICAS DE IMPRESSÃO A impressão a talho-doce permite completa nitidez dos motivos, registrando os detalhes, por menores que sejam. Ao ser depositada no papel sob uma pressão de, aproximadamente, 40ton/cm2, a tinta produz uma crista dando origem a um relevo de dimensão variável, bem como diferentes tonalidades de uma mesma cor. Outra característica da tinta é a sua secagem superficial, permanecendo úmido o seu interior, pouco importando quanto tempo se passará após a impressão. Esta é a razão pela qual ao se atritar uma impressão em talho-doce contra um papel, este ficará manchado com a tinta. Um ponto extremamente importante desta técnica é a criação da matriz na chapa metálica, onde são gravados os motivos a serem impressos. A chapa metálica é constituída de aço doce. Nela, será entalhada a matriz em baixo relevo, daí o nome talho doce (glossário). A gravação na chapa metálica poderá ser realizada: • Manualmente: quando o artista desenha os motivos na chapa com o uso de uma ferramenta pontiaguda de aço, denominada buril; • Química: quando os motivos são gravados na chapa por meio da utilização de uma emulsão fotossensível; ou • Mista: resultante da combinação das duas primeiras. Essa técnica passou a ser um elemento de segurança para impressão de dinheiro em papel em todo o mundo e de outros documentos de grande importância. Impressão em Talho Doce: possibilita impressões em altíssima definição e presença de alto relevo. Fonte: acervo pessoal do conteudista. O perito, a fim de identificar se determinada impressão foi confeccionada em talho doce ou se é uma falsificação, deverá observar a nitidez das ilustrações e inscrições que, no talho doce, serão de altíssima precisão e definição, o que não ocorre com as contrafações. A cópia não reproduz o altíssimo detalhamento do talho doce. Fonte: acervo pessoal do conteudista. IMAGEM FANTASMA Consiste em uma impressão a talho-doce que possui, em local predeterminando, uma solução de continuidade do relevo. • A observação do conjunto dessas interrupções, por um ângulo não habitual, mostra uma imagem que originará a figura fantasma. • O falsário, ainda que reproduza fotograficamente o documento ou formulário a fim de fazer a matriz fraudulenta, não conseguirá criar a imagem fantasma. Imagem fantasma. Fonte: acervo pessoal do conteudista Imagem fantasma vista em um ângulo específico. Fonte: acervo pessoal do conteudista Fundo Arco-Íris É obtido por meio de tinteiros que possuem várias divisões, contendo tintas de cores diferentes. A tinta é distribuída pelo movimento de rolos transferidores, chamados bailarinos, tornando- as homogêneas, criando uma superposição de cores na impressão em faixas, resultando no surgimento de novas cores e tonalidades em determinadas áreas. Duplo Arco-Íris São usadas duas torres com dois tinteiros. Assim será possível fazer a justaposição de tinta na segunda torre onde já houve impressão da primeira. Com esse processo, o grau de complexidade da impressão será aumentado, dando mais segurança ao produto final. Guilloché É uma técnica de desenho de alto nível de complexidade, apresentando partes negativas e positivas, cuja impressão é feita em talho-doce. A trama, as diferenças de espessura e o conjunto, visto como um todo, ao ser fotografado para a reprodução fraudulenta, perde muitos detalhes. Delachrome Trata-se de uma impressão feita com tintas especiais, e quando justapostas, uma ocultará o conteúdo da outra. A revelação da impressão oculta, dita mascarada, é feita com o uso de filtros. Na observação, o filtro eliminará a segunda impressão, permitindo visualizar a primeira. Em razão dessas características, a impressão é feita com tintas de cores e tonalidades restritas. Microtextos A técnica constitui na impressão de um texto, em tamanho super-reduzido, sempre com efeito secundário. Assim, pode-se aplicar o microtexto como se fosse uma linha, um traço, ou até em substituição de linhas de cercadura ou contorno. Microletras: mais uma vez é possível verificar a altíssima definição da impressão original. Fonte: acervo pessoal do conteudista Medalhões Simplex e Duplex É uma técnica de impressão de fotolito, na qual um grande número de linhas retas e curvas, repetidas, umas próximas das outras, ou ainda por conterem mudanças de angulação predeterminadas, resultam em um efeito ótico de relevo ou de terceira dimensão, formando uma imagem convencionada. O tipo simplex apresenta impressão em uma só cor e linhas com predominância de um só ângulo. O tipo duplex apresenta linhas em dois ângulos distintos e a impressão é em duas cores, uma com tinta pura e outra com tinta derivada. Fundo Anti-Scanner O fundo é constituído de um fotolito obtido por um desenho especial com alteração de angulação das linhas, de tal forma que não impeça a reprodução por meio de scanner, mas que modifique o resultado obtido. As cores e a angulação especial farão com que a reprodução via scanner tenha resultado diverso do que se vê no original. See-Through (Registro Coincidente) Trata-se de uma dupla impressão, uma no anverso e outra no verso, feita simultaneamente, nem um mesmo campo do formulário, de maneira que, na observação por transparência, resulte um registro perfeito de superposição, completando e formando um desenho predeterminado. Falha Técnica Trata-se de falhas propositalmente introduzidas em traços, letras, logotipos etc. A técnica mais usada é a da inversão de letras ou de textos ou, ainda, a omissão de pequenas particularidades nos motivos impressos. Fundo Geométrico Refere-se desenho de fundo, constituído por traços geométricos de linhas não paralelas. O fator de segurança reside na escolha das tintas com que se comporá a impressão. TÉCNICAS DE PAPEL Fibras Coloridas Trata-se da dispersão de fibras coloridas na polpa do papel, na fase final de sua fabricação, que ficam visíveis na observação comum. As fibras coloridas a serem utilizadas podem, também, ser entintadas com fluorescência latente, que reagirá sob o efeito dos raios ultravioleta (glossário). Papel Reagente Trata-se de papel em cuja massa são usados produtos químicos que reagirão na presença de erradicadores à base de cloro e inorgânicos. Marca d’água Também chamada filigrana, constitui motivos introduzidos no papel, durante o fabrico, que só podem ser vistos por transparência e não reagem à luz ultravioleta. TÉCNICA DE TINTA É a utilização de tintas específicas na impressão de papéis de superfície lisa. A tinta depositada adere à superfície do papel e não resiste às ações mecânicas, como a aplicação de lixas ou borrachas, que provocam o desaparecimento da impressão, evitando a fraude por rasura. Tinta reagente ou solúvelTrata-se de impressão em off-set com tintas que não resistem à ação de reagentes químicos, álcool, acetona, água clorada ou água comum. Os resultados da reação podem provocar o descoramento da impressão, sua mudança de cor, ou ainda, o aparecimento de manchas. Fluorescência Consiste na impressão com a utilização de tinta que reage à luz ultravioleta. Tal impressão, portanto, só poderá ser observada com a utilização da referida fonte luminosa. Técnica de fotolito: imagem secreta Consiste em se introduzir, discretamente, em local determinado, um sinal convencional. A sua localização deve obedecer, de preferência, às características usadas na periferia da impressão. Holografia Consiste em um processo fotográfico que permite a reprodução de uma imagem com aspecto bi ou tridimensional. Elementos da Carteira Nacional de Habilitação: anverso e verso Indicação e localização dos itens de segurança Fonte das imagens: //www.denatran.gov.br/images/Resolucoes/Resolucao59820162.pdf (glossário) ATIVIDADE Assista ao filme “Os falsários”. Ele narra a história do falsário Karl Markovics no período da 2ª Guerra Mundial. Durante o conflito, Karl Markovics foi https://www.denatran.gov.br/images/Resolucoes/Resolucao59820162.pdf https://www.denatran.gov.br/images/Resolucoes/Resolucao59820162.pdf capturado e preso pelos nazistas. Na prisão, se viu obrigado a colaborar com eles em uma grande operação de falsificação de dinheiro. EXERCÍCIOS Questão 1: Trata-se de uma técnica de impressão: Papel Reagente Imagem Secreta Marca d’água Talho-doce Fluorescência latente Justificativa Questão 2: Trata-se de uma técnica de papel: Fluorescência latente Imagem secreta Microtexto Registro coincidente Fibras coloridas Justificativa Questão 3: Trata-se de uma técnica de fotolito: Imagem fantasma Imagem secreta Fundo anti-scanner Duplo arco-íris Papel reagente Justificativa Glossário CONTRAFAÇÃO Ação de falsificar produtos, assinaturas etc. [Por Extensão] O que se produz, reproduz ou imita de maneira fraudulenta TALHO DOCE Técnica que utiliza uma chapa metálica constituída de aço doce como matriz de impressão, na qual os motivos (gravuras, inscrições, textos etc.) a serem impressos são entalhados em baixo relevo. FOTOLITO 1. Filme fotográfico gerado a partir de arte final (de página de livro, revista etc.) e transformado em matriz para impressão em gráfica; filme. 2. Pedra ou chapa de metal fotolitográfica, para impressão ou gravação de matriz. RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA Radiação eletromagnética, cuja frequência é maior que a da luz visível (imediatamente acima da luz violeta) e menor do que o do raios-X. Seu comprimento de onda varia de 100 a 400 nm.