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Estácio DIREITO PENAL TEORIA DO CRIME (VIVO311/13589824) AULA 02 Prof. Me Jordan Reis @jordanadvOS PRINCÍPIOS EM ESPÉCIE NO DIREITO PENAL DESDE UMA PERSPECTIVA GARANTISTAGARANTISMO PENAL Para Ferrajoli, "o garantismo é entendido no sentido do ESTADO CONSTITUCIONAL DE DIREITO, isto é, aquele conjunto de vínculos e de regras racionais impostos a todos poderes na tutela dos direitos de todos, representa único remédio para poderes selvagens". autor distingue as garantias em duas grandes classes: as garantias primárias e as garantias secundárias: Garantias primárias - limites e vínculos normativos: Consistem nas proibições e obrigações, formais e substanciais, impostos na tutela dos direitos, ao exercício de qualquer poder;GARANTISMO PENAL INTEGRAL? Direito penal deve se prestar a garantir não somente direitos e garantias dos acusados, mas todos direitos e deveres previstos na Constituição. Em que pese não se possa tolerar violações arbitrárias e desproporcionais aos direitos daquele sob qual recai jus puniendi estatal, não se pode também deixar de proteger outros bens que também são juridicamente relevantes para a sociedade. Agir sobre crivo da proporcionalidade.GARANTISMO PENAL INTEGRAL? Divide-se em: a) Garantismo negativo: visa limitar a função punitiva do Estado, que deve ser aplicada estritamente aos casos necessários e em medida adequada, consistindo na proibição de excesso. b) Garantismo positivo: busca evitar a impunidade e garantir que os bens jurídicos relevantes à sociedade sejam efetivamente protegidos, caracterizando-se pela proibição da proteção insuficiente.PRINCÍPIOS PENAIS São valores fundamentais que inspiram a criação e a manutenção do sistema jurídico. A função dos princípios é limitar poder de punir do Estado. A maioria dos princípios está constitucionalizada.Princípios Relacionados com a Missão Fundamental do Direito Penal Princípio da Exclusiva Proteção de Bens Jurídicos Defende que direito penal deve servir apenas para proteger bens jurídicos relevantes, bens jurídicos indispensáveis ao convívio em sociedade (Roxin). A espiritualização dos bens jurídicos no Direito Penal (Roxin) revela uma evolução quanto à proteção dos bens jurídicos dentro do Direito Penal.Princípios Relacionados com a Missão Fundamental do Direito Penal Princípio da Intervenção Mínima Origem histórica: Declaração dos direitos do homem e do cidadão (1789) direito penal só deve ser aplicado quando a criminalização de um fato é estritamente necessária à proteção de determinado bem ou interesse, não sendo suficientemente tutelado por outras searas do direito. direito penal é último grau de proteção jurídica.Princípios Relacionados com a Missão Fundamental do Direito Penal Princípio da Intervenção Mínima Destinatários de finalidade: dois são destinatários do referido princípio: Legislador (no plano abstrato); Aplicador do direito (no plano concreto). Finalidade do princípio da intervenção mínima: trata-se de um reforço ao princípio da reserva legalPrincípios Relacionados com a Missão Fundamental do Direito Penal Princípio da Intervenção Mínima Do princípio da intervenção mínima decorrem dois outros princípios: FRAGMENTARIEDADEPrincípios Relacionados com a Missão Fundamental do Direito Penal Princípio da Intervenção Mínima FRAGMENTARIEDADE Sistema descontínuo de ilicitudes. Prevê que somente devem ser tutelados pelo direito penal casos de relevante lesão ou perigo de lesão aos bens jurídicos fundamentais para a manutenção e progresso do ser humano e da sociedade. Direciona-se ao legislador, ao plano abstrato, quando da eleição de condutas que devem ou não ser tipificadas.Princípios Relacionados com a Missão Fundamental do Direito Penal Princípio da Intervenção Mínima FRAGMENTARIEDADE ÀS AVESSAS ? Adultério, que era crime tipificado no art. 240 do e deixou de ser em 2005 SUBSIDIARIEDADE Assim, a intervenção penal fica condicionada ao fracasso dos demais ramos do direito, funcionando como um soldado de reserva. Direciona-se ao aplicador do direito, no plano concreto.Princípios Relacionados com a Missão Fundamental do Direito Penal Princípio da Insignificância ou da Bagatela Não encontra previsão na legislação, mas pacificamente admitido pela Jurisprudência do STF e do STJ; princípio da Insignificância decorre da fragmentariedade; Finalidade: STF expressamente reconhece como finalidade desse princípio a "interpretação restritiva da lei penal" Natureza Jurídica: Causa de Exclusão da tipicidade (atipicidade) material. Ou seja: torna fato atípico por ausência de tipicidade material.Princípios Relacionados com a Missão Fundamental do Direito Penal REQUISITOS OBJETIVOS - DICA DE MEMORIZAÇÃO (MARI): i. Mínima Ofensividade da conduta do agente; ii. Ausência de Periculosidade social da ação; iii. Reduzido grau de Reprovabilidade do comportamento; iv. Inexpressividade da Lesão jurídica provocada. REQUISITOS SUBJETIVOS: V. Condições pessoais do agente; vi. Condição da vítima.Princípios Relacionados com Fato do Agente Princípio da Ofensividade/Lesividade A doutrina mais especializada aponta uma fundamentação implícita ao princípio da lesividade na ideia de dignidade da pessoa humana, no sentido de que não se pode instrumentalizar ou objetificar homem. Para que ocorra delito, é imprescindível a efetiva lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. Crime de dano: exige efetiva lesão ao bem jurídico. (Ex.: homicídio, exige a lesão morte). Crime de perigo: contenta-se com risco de lesão ao bem jurídico. (Ex. abandono de incapaz/omissão de socorro).Princípios Relacionados com Fato do Agente a. crime de perigo concreto: risco de lesão deve ser demonstrado. b. perigo abstrato: risco de lesão é absolutamente presumido por lei. Subprincípios do princípio da lesividade: Princípio da Alteridade Dispõe que a conduta deve necessariamente atingir, ou ameaçar atingir, bem jurídico de terceiro para ser criminalizada. Deve transcender a esfera do próprio agente. Por isso, direito penal não pune a autolesão.Princípios Relacionados com Fato do Agente Subprincípios do princípio da lesividade: Princípio da Exteriorização ou Materialização do Fato Estado só pode incriminar condutas humanas voluntárias, fatos, atos lesivos. Ninguém pode ser castigado por seus pensamentos, desejos ou meras cogitações ou estilo de vida. Esse princípio busca impedir direito penal do autor.Princípios Relacionados com Fato do Agente Princípio Da Legalidade Estrita Ou Reserva Legal Previsão no art. 5°, XXXIX da CFRB/88 e no art. 1° do "Não há crime sem lei anterior que defina, nem pena sem prévia cominação legal". Somente a LEI tem monopólio na criação de crimes e cominação de penas - que só serão aplicados a condutas posteriores à sua vigência, não podendo haver criação de crimes e penas por costumes ou analogias, tampouco tipificação de condutas genéricas.Princípios Relacionados com Fato do Agente A LEGALIDADE SUBDIVIDE-SE EM: Legalidade formal: corresponde à obediência aos trâmites procedimentais previstos pela CF para que determinado diploma legal possa vir a fazer parte do ordenamento jurídico. Legalidade material: pressupõe não apenas a observância das formas e procedimentos impostos pela CF, mas também, e principalmente, seu conteúdo, respeitando-se as suas proibições e imposições para a garantia dos direitos fundamentais por ela previstos.Princípios Relacionados com Fato do Agente A doutrina trabalha com uma dupla face do princípio da legalidade. Ora legitimando Estado, ora limitando esse poder de punir. Funções constitutivas: Legitima Estado a exercer seu direito de punir através da criminalização de conduta e cominação de penas. Abrange a legalidade não só na pena cominada, mas na pena aplicada e pena executada também. Princípio da legalidade direcionado ao aplicador do direito - quando juiz veda que se aplique um regime de cumprimento de pena mais severo do que previsto pelo legislador, por exemplo.Princípios Relacionados com Fato do Agente Princípio da legalidade direcionado à Administração Penitenciária - Os órgãos não podem executar pena diversa daquela prevista em lei e aplicada pelo juiz. Funções de garantia (face de garantia) - busca limitar poder de punir do estado trazendo garantias mínimas ao cidadão perante estado. Exclui penas ilegais por exemplo. Nesse ponto, princípio da legalidade se desdobra em 4 máximas: a) Lex scripta: A lex scripta proibi que se utilize dos costumes como fonte incriminadora do direito penal b) Lex stricta: proibição do emprego da analogia in malan partemPrincípios Relacionados com Fato do Agente c) Lex Praevia: Representa princípio da anterioridade penal: veda a criminalização ex post facto d) Lex certa (aspecto material do princípio da legalidade): A lex certa materializa a proibição de legislado formular tipos penais genéricos, vazios, vagos, etc. (Princípio da taxatividade) Caiu no MPE-PR (2017) - Dentre as proibições derivadas do princípio da legalidade, a fórmula lex scripta representa a proibição do costume como fundamento de criminalização ou de punição de condutas, e a fórmula lex certa representa a proibição de indeterminação, de forma a excluir a indefinição e a obscuridade de leis penais - ASSERTIVA CORRETA!Princípios Relacionados com Fato do Agente Princípio da Anterioridade Art. 5° XL da CF: "a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar réu". Exteriorizado nos mesmos dispositivos que podemos extrair princípio da reserva legal. De acordo com princípio da anterioridade, a lei penal apenas se aplica a fatos praticados após a sua entrada em vigor. Daí, por consequência lógica, deriva a sua irretroatividade, não se aplicando a fatos pretéritos, nem mesmo praticados durante a vacatio legis, SALVO se benéfica ao acusado.Princípios Relacionados com Fato do Agente Princípio da Adequação Social Idealizado por Hans Welze As condutas tidas por socialmente adequadas não poderiam constituir delitos, pois tipo penal implica em uma seleção de comportamentos reprováveis cuja sociedade realiza um desvalor da ação e do resultado. Há 3 correntes sobre a natureza jurídica do princípio da adequação social: Excludente da tipicidade (doutrina majoritária): A adequação social exclui a tipicidade material da conduta, uma vez que não seria crime uma vez que a conduta não é socialmente reprovável/ é socialmente adequada. Ex: Partidas de Futebol. Lutas.Princípios Relacionados com Agente do Fato Princípio da Responsabilidade Pessoal / Da Pessoalidade / Da Intranscendência Da Pena Somente condenado é que terá de se submeter à sanção que lhe foi aplicada pelo Estado. No entanto, efeitos secundários extrapenais da sentença penal condenatória (obrigação de reparar dano e decretação de perdimento de bens), podem se estender aos sucessores até limite da herança. Art. 5°, XLV da CF - "nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até limite do valor do patrimônio transferido".Princípios Relacionados com Agente do Fato Desse princípio decorre: OBRIGATORIEDADE DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA ACUSAÇÃO: É proibida a denúncia genérica, vaga ou evasiva, embora nos Crimes Societários, Tribunais flexibilizam essa obrigatoriedade; DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. Princípio da Responsabilidade Subjetiva Não há responsabilidade penal sem dolo ou culpa.Princípios Relacionados com Agente do Fato Princípio da Culpabilidade Só pode Estado impor sanção penal ao agente imputável (penalmente capaz), com potencial consciência da ilicitude (possibilidade de conhecer caráter ilícito do comportamento), quando dele exigível conduta diversa (podendo agir de outra forma). Princípio da Proporcionalidade Proíbe excesso (garantismo negativo), enquanto de outro lado não admite a proteção insuficiente (garantismo positivo)Princípios Relacionados com Agente do Fato Princípio da Limitação das Penas ou da Humanidade É princípio da dignidade da pessoa humana no Direito Constitucional. Este princípio é transportado para Direito Penal, e ganha uma nomenclatura diferente: humanidade. Assim, a CF prevê, em seu art. 5°, XLVII, que não haverá penas de morte (salvo em caso de guerra declarada), de caráter perpétuo, de trabalhos forçados, de banimento ou cruéis. Princípio da Confiança Surgiu na Espanha, com aplicação inicial aos crimes de trânsito. direito acreditar que as demais pessoas irão agir também de acordo com as normas.