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animal consegue resolver problemas, sua inteligência é ainda concreta. Já homem, pelo poder do símbolo, inteligência abstrata. Se a linguagem, por meio da representação simbólica e abstrata, permite distanciamento do homem em relação ao mundo, também é o que possibilitará seu retorno ao mundo para transformá-lo. Portanto, se não tem oportunidade de desenvolver e enriquecer a linguagem, o homem torna-se incapaz de compreender e agir sobre o mundo que o cerca. Na literatura, é belo (e triste) exemplo que Graciliano Ramos nos dá com Fabiano, protagonista de Vidas secas. A pobreza de vocabulário da personagem prejudica a tomada de consciência da exploração a que é submetida, e a intuição que tem da situação não é suficiente para ajudá-la a reagir de outro modo. Exemplo semelhante está no livro 1984, do inglês George Orwell, cuja história se passa num mundo do futuro dominado pelo poder totalitário, no qual uma das tentativas de esmagamento da oposição crítica consiste na simplificação do vocabulário realizada pela "novilíngua". Toda gama de sinônimos é reduzida cada vez mais: pobreza no falar, pobreza no pensar, impotência no agir. Se a palavra, que distingue homem de todos os seres vivos, se encontra enfraquecida na possibilidade de expressão, é o próprio homem que se desumaniza. ARANHA, M. MARTINS, M. H. Filosofando: introdução à Filosofia. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1993, p. 28. Com base na leitura e nos seus conhecimentos, avalie as afirmativas. I. A capacidade de expressar-se de forma simbólica, por meio da linguagem, é uma característica que distingue homem dos outros animais. II. A linguagem produz símbolos, o que afasta o ser humano da realidade concreta, da experiência vivida. Com isso, é dificultada a sua tomada de consciência do mundo. III. empobrecimento vocabular enfraquece a possibilidade de expressão e a capacidade reflexiva. É correto o que se afirma em: A) I, e III. B) e II, apenas. C) e III, apenas. e III, apenas E) I, apenas. Questão 5: Leia o texto a seguir. "O antropólogo Claude Lévi-Strauss estudou o "pensamento selvagem" para mostrar que os chamados selvagens não são atrasados nem primitivos, mas operam com pensamento mítico. o mito e o rito, escreve Lévi-Strauss, não são lendas nem fabulações, mas uma organização da realidade a partir da experiência sensível enquanto tal. [...] mito tem, assim, três características principais, citadas a seguir. 1. Função explicativa: presente é explicado por alguma ação passada cujos efeitos permaneceram no tempo. Por exemplo, uma existe porque, no passado, crianças fugitivas e famintas morreram na floresta e foram levadas ao céu por uma deusa que as transformou em estrelas; as chuvas existem porque, nos tempos passados, uma deusa apaixonou-se por um humano e, não podendo unir-se a ele diretamente, uniu-se pela tristeza, fazendo suas lágrimas caírem sobre mundo etc. 2. Função organizativa: o mito organiza as relações sociais (de parentesco, de alianças, de trocas, de sexo, de idade, de poder etc.) de modo a legitimar e garantir a permanência de um sistema complexo de proibições e permissões. Por exemplo, um mito como o de Édipo existe (com narrativas diferentes) em quase todas as sociedades selvagens e tem a função de garantir a proibição do incesto, sem a qual sistema sociopolítico, baseado nas leis de parentesco e de alianças, não pode ser mantido. 3. Função compensatória: o mito narra uma situação passada, que é a negação do presente e que serve tanto para compensar os humanos de alguma perda como para que um erro passado foi corrigido no presente, de modo a oferecer uma visão estabilizada e regularizada da Natureza e da vida comunitária." CHAUÍ, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1994 (com adaptações). Com base na leitura e em seus conhecimentos, analise as afirmativas a seguir: I. A proibição do incesto indica que, em determinado momento da nossa história, definiu-se a noção de família e de parentesco. II. pensamento mítico, que exerce as funções explicativa, organizativa e compensatória de forma irracional, não faz parte da cultura de um povo.

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